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Defesa Opinião

Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas dos EUA elogia Brasil

Sugestão: Gérsio Mutti

O chefe do Estado-Maior das Forças Armadas dos Estados Unidos, almirante Mike Mullen, afirmou considerar a relação militar com o Brasil “vital” para os Estados Unidos, informou o Departamento de Defesa dos EUA nesta terça-feira.

“Da perspectiva militar, esta relação é absolutamente vital”, disse Mullen em Manaus, na última segunda-feira, durante uma visita oficial ao Brasil, parte de uma viagem a outros países da América Latina.

Junto com o ministro da Defesa, Nelson Jobim, Mullen visitou unidades do Comando Militar da Amazônia em Manaus e Tabatinga e um posto militar avançado próximo à fronteira com a Colômbia.

O almirante classificou os contatos militares entre os dois países como “importantes” para as relações bilaterais entre Brasil e Estados Unidos e afirmou que o país está “no coração” de uma região que é vital não apenas para a América do Sul, mas para os EUA e outros países do mundo.

“Nós temos muito respeito pela liderança do Brasil”, disse o almirante, segundo um comunicado divulgado nesta terça-feira pelo Pentágono.

Crise

Durante uma visita ao Chile, nesta terça-feira, o almirante afirmou que a crise econômica pode afetar a segurança global.

“Pode não afetar imediatamente, em semanas ou meses, mas vai afetar (a segurança) de modo dramático em um, dois ou três anos”, disse Mullen, segundo o Pentágono.

Mullen ainda disse que a turbulência financeira pode exacerbar crises políticas e de segurança e afirmou que ela pode fazer os “constantes conflitos” do Oriente Médio ainda mais imprevisíveis.

Em um discurso para estudantes da Escola de Guerra do Chile, em Santiago, Mullen afirmou que, entre as principais prioridades dos EUA no campo da defesa, estão o Oriente Médio, e, “acima de tudo, Afeganistão e o Paquistão”.

Ele ainda disse que a atuação da rede extremista Al-Qaeda diminuiu no Iraque, mas que o grupo de Osama Bin Laden está aumentando suas atividades em outras partes do mundo.

Fonte: BBC Brasil

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Defesa Fotos do Dia Negócios e serviços Sistemas de Armas

Com compras suspensas, Brasil ignora desempenho de caças na Líbia

Sugestão: Gérsio Mutti

Mariana Londres, do R7, em Brasília

Dois dos três concorrentes em licitação atuam em coalizão contra Muammar Gaddafi

Após o corte de R$ 50 bilhões no Orçamento deste ano, o Planalto de fato tirou a compra dos 36 caças pela FAB (Força Aérea Brasileira) da sua lista de prioridades. Prova disso é que nem o Ministério da Defesa e nem o Palácio do Planalto estão aproveitando o conflito na Líbia para observar a performance das aeronaves em uma guerra.

Na última quinta-feira (24), o almirante americano William Gortney disse que, ao todo, 350 caças participam da operação contra Muammar Gaddafi na Líbia. Desses, metade é da Força Aérea dos Estados Unidos, que possui, entre outros, o Super Hornet FA-18 da Boeing, concorrente na licitação brasileira.

A França, um dos maiores incentivadores aos bombardeios na Líbia, também participa da coalizão com seus caças Rafale – os preferidos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para vencer a concorrência.

Os suecos Gripen – que também competem na licitação do Brasil -, não participam da operação contra Gaddafi.

Ministério diz que observação é desnecessária

De acordo com o Ministério da Defesa, a observação das aeronaves não é necessária porque o ministério já finalizou os pareceres técnicos sobre os modelos, o que inclui a posição dos comandantes da Marinha e da Aeronáutica sobre a aquisição. Os pareceres já foram enviados à Presidência, e à Defesa, portanto não caberia mais nada a ser feito, neste momento.

Já o Planalto deixa claro que os planos de austeridade fiscal não abrem espaço para a compra de 36 aeronaves, que consumiria, de acordo com estimativas, cerca de R$ 10 bilhões. O valor supera o que foi cortado em gastos de custeio da Defesa. O corte da pasta soma R$ 4 bilhões.


Uma fonte do governo disse ao R7 que a presidente Dilma Rousseff está focada neste momento em cortar gastos e lançar programas sociais. A Rede Cegonha, que será lançada na próxima segunda-feira em Belo Horizonte, é um desses projetos. A fonte sinalizou que este não é o momento de se pensar na aquisição das aeronaves.

A compra dos 36 caças pela FAB era tratada como prioritária pelo governo Lula, mas acabou não concretizada pela análise criteriosa de qual seria o melhor negócio.

De acordo com o Ministério da Defesa, a compra não é uma simples aquisição de aeronaves. O negócio precisa contemplar a transferência de tecnologia e a capacitação profissional dos brasileiros para o uso dos caças.


Fonte: R7


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Espaço Fotos do Dia História

O que matou Yury Gagarin?

What killed Yury Gagarin: Soviet report’s findings

Autor: konner

Plano Brasil

Em 12 de abril de 1961, aos 27 anos de idade o piloto de caça e cosmonauta russo Yuri Gagarin realizou o primeiro voo espacial tripulado por um humano a bordo da nave Vostok.

Em 1960, Gagarin foi um dos 20 pilotos selecionados, após difíceis processos de seleção física e psicológica, para o programa espacial soviético, e acabou por ser escolhido para ser o primeiro a ir ao espaço, pelo seu excelente desempenho nos treinos, sua origem camponesa – que contava pontos no sistema comunista – sua personalidade magnética e esfuziante, e principalmente devido às suas características físicas – ele tinha 1,57 de altura – já que a nave programada para a viagem pioneira em órbita, a Vostok, tinha um espaço mínimo para o piloto.

O cosmonauta russo Oleg Kotov, o atual comandante da Estação Espacial Internacional, e sua tripulação comemoraram a ocasião falando com o presidente russo, Dmitri Medvedev, que reiterou o compromisso da Rússia com a exploração espacial.

“O espaço será sempre a nossa prioridade”, disse Medvedev. “Esta não é apenas a interpretação de alguém. É a nossa posição oficial de estado.”

Kotov disse que a missão de Gagarin pode ter sido lançada em meio a corrida espacial entre a ex-União Soviética e os Estados Unidos, mas a exploração do espaço agora é um esforço cooperativo – que ultrapassa os dois países.

Hoje, Kotov comanda uma equipe que inclui três russos, dois americanos e um astronauta japonês.

“Juntos, nós criamos um único organismo”, disse Kotov ao presidente russo. “As tripulações são composta por representantes de diferentes países. Tivemos um astronauta europeu a bordo. Temos astronautas japoneses a bordo agora. Temos astronautas americanos, russos, e nós nos entendemos perfeitamente.

Nós não temos quaisquer conflitos e espero que assim seja também em relação a nossa cooperação em qualquer outro lugar. “

Medvedev disse que a cooperação internacional em destaque na estação espacial é a marca de como a exploração espacial pelo homem deve ser conduzida no futuro.

Yuri Gagarin morreu em março de 1968, quando voava uma missão de treinamento.

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Defesa Fotos do Dia Sistemas de Armas

Exército russo receberá novos lançadores múltiplos de foguetes

E.M.Pinto

Plano Brasil

O exército Russo receberá novos sistemas de foguetes de saturação do modelo “Tornado-G”, que equipará as suas baterias de lançadores múltiplos de saturação substituindo os atuais sistemas “Grad”, informou o  porta-voz do Exército tenente-coronel Sergei Vlasov .

“Isto irá aumentar ainda mais o poder de fogo do Exército” os novos sistemas são muito mais precisos, Os “Tornados” são superiores aos “grad” em sua eficácia e alcance, possuem controle digital automatizado, e sistemas de navegação por satélitedisse Vlasov.

O sistema  Grad com foguetes de  122 mm possui alcance de 30-40 km e foi desenvolvido em 1962 entrando no serviço em 1964.

Já o Tornado  pode transportar até doze foguetes de 300 mm com um alcance efetivo de até 90 km.

Com Informações: Ria NOVOSTI

Fonte: Ria Novosti

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Conflitos Geopolítica Opinião

O Brasil colaborou para isolar o Irã

Jamil Chade – O Estado de S.Paulo

ENTREVISTA – Shirin Ebadi, Prêmio Nobel da Paz
O Brasil mostrou que o Irã nunca esteve tão isolado como agora. A declaração é da prêmio Nobel da Paz, Shirin Ebadi, considerada pelo regime dos aiatolás como uma das principais inimigas do governo. Exilada em Londres, Ebadi disse, em entrevista exclusiva ao Estado, que o Brasil sob o governo Lula fez a comunidade internacional perder tempo na pressão contra o regime de Mahmoud Ahmadinejad.
Na semana passada, o governo de Dilma Rousseff votou a favor de uma resolução que estabelece a criação de uma investigação internacional na ONU para avaliar os crimes cometidos pelo regime. Em dois meses, Ebadi virá ao Brasil e se reunirá com Dilma. A entrevista:

Como a sra. avalia a mudança de voto do Brasil em relação ao Irã?
Antes de tudo preciso agradecer pelo voto do Brasil. Alguns no Irã, principalmente o governo, ficaram surpresos. Mas eu sabia que isso ocorreria. Tinha esperanças de que o país que por tantos anos lutou pela democracia em um momento se desse conta de que precisava dar atenção ao povo iraniano, e não ao regime.

O governo iraniano irá modificar o comportamento com o Brasil?
Eles devem estar irritados, certamente. Mas não podem fazer nada. Com certeza, o Brasil colaborou para isolar o Irã. Poucas vezes nos últimos anos o país esteve tão isolado, com o fim do apoio incondicional do Brasil. O governo brasileiro mandou um recado de que não há como apoiar o regime.

De que forma o voto brasileiro pode ser importante em todo o debate sobre o Irã?
O Irã sempre declarou que a pressão externa vinha de uma campanha internacional de Washington. Mas o Brasil provou que isso não é verdade. O Brasil é considerado um país independente. Portanto, destruiu uma das teses que o Irã sustentava para atacar o Ocidente.

O que mais o Brasil pode fazer para pressionar?
Continuar votando contra o Irã na ONU e incentivar os países aliados a seguir esse caminho. Para onde vai o Brasil, vai a América do Sul.

O Irã deixou claro que não pretende aceitar o resultado da resolução nem a entrada de um emissário da ONU. O que mais a comunidade internacional pode fazer?
Se o Irã não aceitar a entrada do relator, o próximo passo será levar o regime de Teerã ao Tribunal Penal Internacional por crimes contra a humanidade.

Em junho a sra. viaja ao Brasil. Qual recado levará a Dilma?
A mensagem da necessidade de que ela lute pelos direitos das mulheres no Irã. Como primeira presidente mulher do Brasil, espero que olhe com especial atenção o que ocorre com as mulheres no Irã, que têm seus direitos diariamente violados.

Lula foi um dos presidentes mais populares do Brasil. Qual é a imagem que a sra. tem dele?
Achei que Lula, como ex-sindicalista, apoiasse os trabalhadores. Esperava que ele, quando foi ao Irã, visitasse as vítimas de violações de direitos humano, sindicalistas silenciados e trabalhadores que sofrem diariamente. Não o fez.

As revoluções nos países islâmicos podem chegar ao Irã?
Essas revoltas dão energia à oposição no Irã. A queda de ditadores tem dado muita esperança a pessoas no Irã que já a haviam perdido. Está na hora de o Irã começar a se reformar. Caso contrário, enfrentará as cortes internacionais em breve.

Fonte: Estadão via Resenha CCOMSEX

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Defesa Negócios e serviços

Embraer disputa com Odebrecht a liderança no mercado de defesa

Companhia, que já comprou a Orbisat em março, tem US$ 200 milhões para investir em ativos neste ano

Ana Paula Machado

A Embraer quer entrar com força total no segmento de Defesa. Após adquirir a divisão de radares da Orbisat no início do mês, a companhia tem planos de fazer novas aquisições e se tornar âncora do segmento no Brasil. O presidente da Embraer, Frederico Curado, avalia que a concentração do negócio de defesa em uma única empresa permite que ela fique menos dependente de decisões e orçamentos governamentais e ganhe mercado fora do país.

“É um modelo de defesa mundial. Em países como Alemanha, Estados Unidos e França, há uma empresa que nucleia todo o segmento. E a Embraer tem toda a expertise para desempenhar esse papel no Brasil. Dará mais estabilidade para a operação e não estará tão exposta a restrições no orçamento”, afirma Curado. A Embraer começou sua ofensiva no mercado de defesa com a compra da Orbisat, mas perdeu a corrida para a aquisição de 50% do controle da Mectron, fabricante de mísseis, para a Odebrecht. “Isso não vai nos desviar de nossa intenção de ser uma empresa líder no setor de Defesa no Brasil.Omercado é livre”, diz o executivo

A companhia ainda está no páreo para a aquisição da Atech, que é especializada em sistemas de defesa. Foi a Atech que desenvolveu o SpinOff do programa Sistema de Vigilância da Amazônia( SIVAM), e tem trabalhado em desenvolvimento de sistemas de comando e controle (C2), assim como de Controle de Tráfego Aéreo com trabalhos realizados no exterior.

O pesquisador do Instituto de economia da Universidade de Campinas (Unicamp), Marcos Barbieri, avalia que a tendência é que haja dois grandes conglomerados na área de defesa no Brasil, tendo a Embraer e a Odebrecht, que está construindo os submarinos para a Marinha Brasileira, como principais concorrentes. “Estamos no meio do processo de consolidação do setor.”

Para ele, a Embraer está seguindo os passos de seus grandes concorrentes internacionais, que depois de se consolidarem como grandes provedores de soluções na área de Aeronáutica se voltaram para o negócio de Defesa. Já a Odebrechet é uma empresa na área de grandes obras e, segundo o pesquisador, faz todo o sentido que ela se una a outras companhias de defesa, uma vez que o negócio implica tambémgrandes obras. “Além disso, é uma empresa com fôlego econômico para investimentos”, diz Barbieri.

Investimentos No total, a Embrar planeja investir US$ 500 milhões em2011, sendo US$ 200 milhões incluindo os recursos já aplicados na aquisição da Orbisat, e outros US$ 300 milhões em pesquisa e desenvolvimento de produtos. Em2010, os investimentos em ativos somaram US$ 74 milhões, recursos aplicados em uma unidade de peças em Portugal e numa fábrica na Flórida, dedicada à montagem final de jatos executivos. O faturamento em 2010 foi de US$ 5,35 bilhões (R$ 9,38 bilhões). No ano passado, a Embraer apresentou um lucro de R$ 573,6 milhões, uma queda significativa ante os R$ 912,1 milhões de 2009. “O real forte implicou uma queda no lucro líquido”, afirmou Curado.

Para 2011, a Embraer projeta em ativos um crescimento de 5% em sua receita líquida, atingindo US$ 5,6 bilhões. A área de aviação comercial deverá ser responsável por US$ 3,1 bilhões e a aviação executiva por US$ 1,2 bilhão. O negócio de Defesa e Segurança, US$ 600 milhões e Serviços US$ 700 milhões.

A carteira de pedidos da Embraer é robusta. Segundo Curado, a companhia tem US$ 16,6 bilhões em encomendas, total que sustentam o ritmo de produção por três anos. “Nosso desafio para manter a produção é no médio e longo prazo . O mercado aviação está se recuperando, mas alguns grandes consumidores ainda estão em uma fase lenta de recuperação.”

Fonte: BRASILECONOMICO Via Notimp

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Defesa Fotos do Dia Sistemas de Armas

Deu no Cavok: O primeiro voo do segundo protótipo do PAK FA na Rússia

Divulgamos em primeira mão o novo vídeo do segundo protótipo do caça de quinta geração russo, o Sukhoi T-50 PAK FA, quando realizou o primeiro voo na unidade da Sukhoi localizada na Sibéria. O voo ocorreu no começo de março, e divulgadas aqui as imagens. No vídeo acima pode ser visto as turbinas com empuxo vetorado (1:07) e o pod infra-vermelho na frente do cockpit. O segundo protótipo está sendo utilizado para testes dos sistemas de missão.

Fonte: Cavok

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Fotos do Dia Tecnologia

Rumo a uma Economia Verde: Caminhos para o Desenvolvimento Sustentável

Economia verde

Guilherme Gorgulho – Inovação Unicamp

A busca de um novo modelo econômico de baixo carbono, baseado no melhor aproveitamento dos recursos naturais, exigirá um investimento anual de mais de US$ 1,3 trilhão, ou 2% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial, em dez setores estratégicos, até a metade do século XXI.

O relatório Rumo a uma Economia Verde: Caminhos para o Desenvolvimento Sustentável e a Erradicação da Pobreza, divulgado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), mensura o peso que as políticas públicas terão no fomento de novas tecnologias nos próximos 40 anos e atribui à iniciativa privada a maior parte da responsabilidade desse investimento.

Segundo o PNUMA, políticas adotadas nas últimas três décadas para garantir um crescimento econômico aliado à eficiência energética e ao menor consumo de recursos naturais produziram resultados “modestos demais” em termos de promoção da transição para a chamada “economia verde”.

A ONU defende a necessidade de investimentos intensivos nas áreas de agricultura, indústria, energia, água, edifícios, gestão de resíduos, pesca, silvicultura, turismo e transportes.

O relatório indica que o crescimento mundial da economia nesse cenário mais “verde” seria maior do que o registrado no atual modelo econômico, apesar do conceito disseminado que opõe desenvolvimento a sustentabilidade ambiental.

“Em uma transição para uma economia verde, serão criados novos empregos que, ao longo do tempo, superarão as perdas de empregos da economia marrom [de alta emissão de carbono]”, diz o documento.

Menos subsídios para a economia marrom

Desse montante de US$ 1,3 trilhão, a maioria dos recursos deverá ser oriunda do capital privado, apesar do importante papel atribuído ao setor público na definição de políticas de fomento dessas tecnologias.

Cabe aos governos, de acordo com o documento, principalmente direcionar os esforços para fomentar o aprimoramento dos setores-chave e redimensionar estratégias que estimulam financeiramente segmentos ligados à economia de alta emissão de carbono. “Corrigir subsídios onerosos e prejudiciais em todos os setores abriria espaço fiscal e liberaria recursos para a transição para uma economia verde.” O PNUMA calcula que o fim dos subsídios destinados a apenas quatro setores (energia, água, pesca e agricultura) traria uma economia anual de 1% a 2% do PIB global.

Um dos exemplos, diz o texto, são os subsídios destinados à produção e comercialização de combustíveis fósseis, que superaram a marca de US$ 650 bilhões em 2008, o que desestimula uma mudança de matriz energética para os recursos renováveis.

“O uso de ferramentas como impostos, incentivos fiscais e licenças negociáveis para promover investimentos e inovações verdes também é essencial, assim como o investimento em capacitação, treinamento e educação”, explica o documento.

Emergência verde

Mesmo estando aquém do ritmo desejado, de acordo com o PNUMA, a transição para o modelo da “economia verde” ocorre em “escala e velocidade nunca antes vistas”.

O segmento de energia limpa é um dos que mais crescem; a previsão é de que investimentos mundiais no setor tenham aumentado 30% no último ano, passando de US$ 186 bilhões em 2009 para US$ 243 bilhões em 2010.

O PNUMA destaca que países não membros da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), como Brasil, China e Índia, têm-se sobressaído, ampliando sua participação mundial em investimentos em energia renovável de 29% em 2007 para 40% em 2008.

Os autores de Rumo a uma Economia Verde atribuíram ao setor de energia o maior montante, US$ 362 bilhões (27%), do total de recursos de US$ 1,347 trilhão a ser investido anualmente. O segundo segmento que deve receber mais recursos é o de transportes, com US$ 194 bilhões (14%).

Na sequência, aparecem os setores de edifícios e turismo (US$ 134 bilhões ou 10% cada um), agricultura, água, gestão de resíduos e pesca (US$ 108 bilhões ou 8% cada um), indústria (US$ 76 bilhões ou 6%) e silvicultura (US$ 15 bilhões ou 1%).

Biomassa brasileira

O desempenho do Brasil nos biocombustíveis ganha relevo no capítulo de energia renovável.

O bioetanol produzido no País é destacado como uma das duas únicas opções comercialmente maduras para a geração energética entre as fontes renováveis do mundo, ao lado da energia hidrelétrica produzida em grandes represas, que supre 16% da demanda do mundo.

“Em termos de utilizações sustentáveis de biomassa, a produção de combustíveis para transporte baseados em bioetanol no Brasil já é uma tecnologia comercialmente madura”, informa o texto, em comparação com outras tecnologias promissoras para a geração de energia limpa, como a eólica, considerada ainda nas fases de implantação e difusão no mundo.

Economicamente o segmento de energia renovável ganha cada vez mais destaque, tendo empregado direta ou indiretamente mais de 2,3 milhões de pessoas no planeta, segundo balanço feito em 2006 e citado no relatório.

O Brasil é o segundo país do mundo que mais emprega nesse setor, com cerca de 500 mil trabalhadores, o que representa 20,7% de toda mão-de-obra envolvida no segmento no mundo.

Sustentabilidade na construção civil

O relatório divide as áreas estratégicas de investimento em capítulos, que foram organizados por especialistas das diversas áreas e de várias partes do mundo.

O capítulo sobre edifícios e construção civil foi coordenado por três especialistas, entre eles a arquiteta brasileira Joana Carla Soares Gonçalves, professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, onde atua no Departamento de Tecnologia da Arquitetura, no Laboratório de Conforto Ambiental e Eficiência Energética. Desde 2009, ela também é professora orientadora do Programa de Pós-Graduação Energia e Ambiente da Architectural Association Graduate School, em Londres.

Joana coordenou a equipe de autores em parceria com os pesquisadores Philipp Rode e Ricky Burdett, da London School of Economics, em Londres, e também redigiu textos com definições de conceitos, sobre a importância da inserção do projeto arquitetônico no contexto climático, do conforto ambiental, do emprego de materiais e das vantagens de reabilitação de prédios.

Em entrevista por e-mail a Inovação, a professora da USP, que está em Londres, aponta o papel fundamental do uso da tecnologia na construção civil para a constituição de edifícios “mais verdes” e diz que o foco do relatório é nas inovações que busquem a economia de energia, destacadas dentro do tópico “Oportunidades”.

“No entanto, eu gostaria de destacar que tecnologia, no que tange aos sistemas prediais, é só um fator dentre outros que colocamos sucintamente. Definitivamente, o foco não está só na tecnologia, mas no edifício como um todo, incluindo seus ocupantes”, afirmou Joana.

O relatório da UNEP, detalha a professora, tem como objetivo fornecer informações para os agentes tomadores de decisão de todo o mundo, abordando desafios, oportunidades e instrumentos, mas principalmente mensurando os impactos e as vantagens econômicas dessa transição. “É importante destacar também que, de uma maneira geral, ainda temos poucos dados quantitativos disponíveis sobre os custos e as vantagens econômicas de edifícios de menor impacto ambiental, em diferentes partes do mundo”, esclarece Joana. “Achar esses números para montar nosso argumento a favor de edifícios mais verdes foi um grande desafio”, diz a autora, acrescentando que mesmo assim a equipe teve êxito na construção da base de argumentos, com dados e fatos convincentes.

Relatórios técnicos

Segundo a professora da USP, o documento “Rumo a uma Economia Verde” não foi proposto para ser uma publicação técnica, mas sim informativa. No entanto, ele será desdobrado em relatórios técnicos que desenvolverão em detalhes as questões principais de cada um dos capítulos.

Joana contribuirá para os relatórios do PNUMA sobre edifícios abordando temas como a conscientização e inserção econômica dos edifícios de menor impacto ambiental.

Joana Gonçalves afirma que não há no Brasil uma valorização suficiente da etapa de projeto dentro da construção civil; para ela, os projetos devem ser mais “inteligentes” e contemplar todos os aspectos do impacto ambiental, como os materiais, o conforto dos usuários e o melhor aproveitamento dos recursos naturais, como luz e ventilação. “O arquiteto tem que conhecer mais e melhor todas as questões de desempenho ambiental, assim como os engenheiros de todas as naturezas precisam entender melhor os vários aspectos do desempenho ambiental dos projetos arquitetônicos e da construção para pensar as soluções tecnológicas.”

Prédios novos x prédios requalificados

O setor da construção civil responde por mais de um terço do consumo de recursos do planeta, o que inclui 12% do consumo mundial de água doce, além de gerar 40% de todos os resíduos sólidos do mundo, de acordo com o PNUMA.

Duas abordagens diferentes devem ser empreendidas para tornar o setor mais “verde”, de acordo com o relatório. Nos países desenvolvidos, as principais oportunidades estão na requalificação dos prédios existentes, para torná-los ambientalmente mais eficientes por meio de intervenções que reduzam o consumo de energia e incluam o uso de fontes renováveis. Já nos países não membros da OCDE, diz o documento, o déficit habitacional abre mais possibilidades para a exploração de novas gerações de construções com designs inovadores e novos padrões de desempenho.

“No entanto, deve ser considerado que, em muitos casos, o que já projetamos nos últimos 50 anos ou mais, principalmente nas grandes cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e outras, representa um estoque edificado significativo que precisa ser recuperado e reutilizado, visando também um menor impacto ambiental”, pondera a professora. “Esse ponto é bem reforçado no relatório; definitivamente, não é somente sobre o novo, mas também sobre o já existente.”

Para Joana, um fator que favorece o Brasil é o clima ameno, que possibilita construir prédios mais eficientes, com menor consumo de energia e impacto ambiental reduzido. Mas para isso, diz ela, é necessário investir mais em projetos e compreender melhor o papel dos usuários.

Fonte: Inovação Tecnológica

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Inteligência

Informativo: Escola Superior de Inteligência

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Acidentes e Catástrofes Fotos do Dia Tecnologia

Empresa nega que radiação em usina seja 10 milhões de vezes acima do normal

A empresa que controla a usina nuclear de Fukushima, no leste do Japão, negou neste domingo que os níveis de radiação na água localizada próximo do reator 2 da usina estejam 10 milhões de vezes acima do normal, como foi informado anteriormente.

De acordo com a Tokyo Electric Power Company (Tepco), a água localizada abaixo do reator 2 certamente está contaminada, mas não no nível divulgado pela Agência de Segurança Nuclear japonesa. A Tepco informa que outra leitura da água está sendo feita.

Segundo o correspondente da BBC em Tóquio Mark Worthington, apesar da incerteza sobre os números, é certo que a radiação constatada na água de Fukushima neste domingo é a maior desde o início da crise nuclear.

Worthington afirma que o nível de radiação da água no reator 2 é tão alta que os trabalhadores no local estiveram expostos, em apenas uma hora, a uma radioatividade quatro vezes maior do que a dose máxima para um ano inteiro.

Devido ao suposto aumento no nível de radiação em Fukushima, os funcionários que tentavam bombear a água para fora do reator 2 foram retirados do local, para evitar a contaminação.

Segundo a Agência de Segurança Nuclear, existe uma grande possibilidade de que a água radioativa esteja vazando diretamente de dentro do reator.

A usina sofreu graves danos com o terremoto de magnitude 9,0, seguido por um tsunami, ocorrido no último dia 11. O sistema de refrigeração dos reatores acabou sendo desligado, trazendo risco de vazamento de material radioativo.

Água do mar

A Agência de Segurança Nuclear informou ainda que o nível de radiação na água do mar próximo à usina aumentou para 1.850 vezes acima do normal. Nesse sábado, o nível era de 1.250 vezes além do limite permitido em lei.

No sábado, a agência afirmou que estes níveis de radiação não trariam risco em um período superior a oito dias. No entanto, segundo o repórter da BBC, o aumento da radioatividade em poucas horas já causa preocupação – ainda mais porque a origem do vazamento é desconhecida.

A identificação da origem do vazamento de água contaminada continua sendo a maior prioridade das equipes em Fukushima, segundo afirmou a agência. Existe a suspeita de que a água radioativa esteja saindo dos reatores e indo diretamente ao mar.

Por outro lado, as autoridades dizem que os níveis de radiação no ar próximo à usina estão em queda.

O governo também se desculpou pela falta de informações detalhadas para as pessoas que moram nas áreas mais próximas de Fukushima, mas afirmou que não existe necessidade imediata de estabelecer uma zona de evacuação no local.

Resfriamento

A Tokyo Electric Power Company (Tepco), empresa que administra a usina, afirma que continua trabalhando para restabelecer a energia elétrica e para religar o sistema de resfriamento nos reatores.

No entanto, a companhia alega que os altos níveis de radiação no local estão tornando mais lento o progresso dos trabalhos.

Os trabalhadores da Tepco continuam bombeando água fresca para dentro dos reatores 1, 2, 3 e 4, na tentativa de conter o derretimento dos cilindros de material radioativo.

Pesquisa

Uma pesquisa realizada pela agência de notícias Kyodo, divulgada neste domingo, aponta que 58,2% dos entrevistados desaprova a maneira como o governo japonês respondeu à crise nuclear, enquanto 39,3% aprovaram as ações das autoridades.

Por outro lado, 57,9% das pessoas consultadas aprovam a maneira como o Estado lidou com a ajuda às vítimas do terremoto e do tsunami do último dia 11. Já foram confirmados mais de 10 mil mortos pela tragédia. Os desaparecidos chegam a 18 mil.

Ainda segundo a pesquisa, o nível de aprovação do primeiro-ministro japonês, Naoto Kan, chegou a 28,3%, um aumento de 8,4 pontos percentuais em relação ao levantamento passado, realizado antes do terremoto.

Fonte: BBC Brasil

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Fotos do Dia Geopolítica

Ascensão chinesa ‘preocupa EUA e Europa mas é bem vista na África’

Uma pesquisa feita em 27 países a pedido do Serviço Mundial da BBC revelou que a ascensão econômica e militar da China gera preocupações nos países ricos, mas que a potência asiática é bem vista pelas nações emergentes.

O levantamento ouviu quase 27 mil pessoas. No Brasil, onde as opiniões negativas da China diminuíram em relação à primeira edição da pesquisa, foram feitas 800 entrevistas em nove capitais do país.

Em média, 50% das pessoas ouvidas mundialmente disseram ter uma visão positiva da ascensão econômica chinesa, enquanto 33% disseram ter uma visão negativa.

Comparada com 2005, a visão negativa aumentou nos Estados Unidos, México e Canadá, e nos países mais avançados da Europa (França, Canadá, Alemanha, Itália).

“Atingidos em cheio pela depressão econômica, os cidadãos dos países do G7 (o grupo das nações mais industrializadas do planeta) estão menos seguros de como competir com a China, tão presente hoje nas suas vidas”, explicou o presidente da empresa responsável pela pesquisa, GlobeScan.

“Não há dúvida de que a ascensão da China, junto com um sentimento de estagnação e paralisação entre os países ocidentais, é psicologicamente perturbador”, afirmou à BBC o premiado articulista do jornal The New York Times Tom Friedman.

Mas esse ponto de vista é contrabalançado pela visão amplamente positiva da ascensão chinesa em países africanos que têm se beneficiado de investimentos chineses em infraestrutura e recursos naturais, como Nigéria, Quênia e Gana (82%, 77% e 62% de visão positiva, respectivamente).

Também no Brasil a China goza de uma imagem melhor: de 2005 para cá, as opiniões negativas do crescimento chinês caíram nove pontos, para 26%. As visões positivas somaram 44%.

Na América do Sul, a visão da China também é majoritariamente positiva no Peru (65%).

Potência militar

Já a ascensão militar da China é vista com mais reservas pelos entrevistados na pesquisa. O Japão foi o país onde a visão negativa superou com mais folga a positiva (88%, contra menos de 1% de visão positiva).

Na Coreia do Sul e na Austrália a visão negativa foi 76% e nos EUA, 79%.

As divergências voltaram a se repetir entre os países da Europa ocidental (que veem o poderio militar chinês com cada vez mais reservas) e os africanos e emergentes asiáticos, para quem o crescimento militar de Pequim preocupa menos.

No Brasil, a visão negativa superou a positiva (46% – 29%), assim como no México (53% – 17%).

O analista de Economia da BBC, Andrew Walker, disse que a visão da China é reforçada pelas diferentes percepções das relações econômicas chinesas no mundo.

Os respondentes que consideraram “injustas” as relações comerciais da China estão majoritariamente nos países da Europa ocidental, nos EUA e em seus parceiros econômicos, no Japão e na Coreia do Sul.

Walker lembra que a China é acusada, nos meios empresariais e políticos, de manter seu câmbio artificialmente desvalorizado – o que aumenta a competitividade dos produtos chineses no exterior.

Já na África, nos emergentes asiáticos, e no Chile e no Peru a percepção é de que a China atua corretamente. A questão não foi colocada para os brasileiros.

Fonte: BBC Brasil

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Conflitos Geopolítica Opinião

Dilma força Itamaraty a rever objetivos

Sugestão: Helvético

Todo governo da presidente Dilma Rousseff, a começar pelo chanceler Antonio de Aguiar Patriota, esforça-se, de maneira explícita, para mostrar que não há mudanças na política externa herdada do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Apesar de o Itamaraty falar apenas em “ajuste”, os analistas dizem que há, no mínimo, uma diferença essencial: os interesses do país têm hoje mais relevância do que as aspirações pessoais de prestígio.

Dois especialistas em política externa, protagonistas da diplomacia desenvolvida nos governos Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) e Lula (2003-2010), avaliam que a relevância dos “ajustes” feitos por Dilma está no fato de ela operar as mudanças em cima de oportunidades de manifestação concreta – são mais do que um discurso. O ex-ministro Celso Lafer refere-se, especialmente, ao caso dos direitos humanos no Irã.

“Foi uma manifestação de grande habilidade, um distanciamento inequívoco, mas com base em uma condição de gênero, sobre a qual ela tinha muita autoridade para se diferenciar”, afirmou Lafer, que serviu ao Itamaraty no governo FHC. Ele se refere ao fato de, na quinta-feira, o Brasil ter votado favoravelmente, em Genebra, ao envio de um relator especial para analisar a situação dos direitos humanos no Irã do presidente Mahmoud Ahmadinejad.

Lafer destaca que a decisão brasileira revelou coerência com a posição de Dilma manifestada antes mesmo de assumir o governo, em 1.º de janeiro. Contrariando a posição do governo Lula, Dilma reprovou a decisão de se abster em votação anterior, na Assembleia-geral das Nações Unidas (ONU). O regime de Teerã já vivia às voltas com a sentença de morte por apedrejamento da iraniana Sakineh Mohammadi-Ashtiani.

O ex-embaixador do Brasil nos EUA Rubens Barbosa, que serviu nos governo FHC e Lula, realça a “mudança coerente” e avalia que, na visita do presidente Barack Obama ao País, na semana retrasada, ficou evidente o pragmatismo no trato dos interesses de Estado. “A linha da política externa não muda de um governo para outro, mas mudam as prioridades, mudam as ênfases. Neste caso (de Lula para Dilma), há continuidade, mas com mudanças coerentes”, disse o embaixador.

Barbosa viu muito pragmatismo e “pouca ideologia” no discurso da presidente ao tratar das relações comerciais entre Brasil e EUA. Para Lafer, a síntese desse movimento pode ser vista no esforço do governo Dilma para equilibrar melhor os interesses brasileiros e a necessidade de manter o prestígio internacional do País. “Minha percepção desses dias iniciais é que está sendo dada mais ênfase aos interesses brasileiros do que às aspirações de prestígio”, afirmou o ex-chanceler.

Estilos e símbolos. A diplomacia discreta não esconde o essencial, segundo Lafer. “Claramente, a estratégia e a personalidade da presidente Dilma e do chanceler Patriota são distintas das do presidente Lula e do ex-ministro Celso Amorim. Mas estilo em diplomacia é importante. E um componente importante são os símbolos e as palavras”, disse Lafer para reforçar que a simbologia da nova diplomacia não deixa dúvidas sobre a mudança.

Há uma preocupação dentro do governo de não glorificar as mudanças impostas por Dilma até aqui. Depois da votação da quinta-feira, diplomatas que trabalham próximos ao atual chanceler fizeram questão de dizer que o Brasil nunca havia deixado de cobrar o Irã na área dos direitos humanos. A abstenção havia ocorrido apenas porque o governo brasileiro não considerava que as propostas anteriores sobre o tema tivessem sido feitas em foro adequado.

O discurso, no entanto, não esconde que mais mudanças virão.

Fonte: Estadão