Categories
Obama no Brasil

FAB monta esquema especial para chegada de Obama

Força Aérea Brasileira irá conduzir ações de controle e defesa do espaço aéreo durante a visita de Obama, incluindo o uso de caças F-5EM (foto acima) e Mirage 2000. (Foto: Divulgação)

Como parte do esquema de segurança montado para a visita do Presidente Barack Obama ao Brasil, a Força Aérea Brasileira irá conduzir ações de controle e defesa do espaço aéreo durante todo o período da presença do Presidente dos Estados Unidos, dos dias 19 a 21 de março. Haverá caças de prontidão, ações de segurança em solo e restrições de sobrevoo.

O Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA) emitirá informações aeronáuticas que terão como objetivo maximizar a segurança da comitiva do Presidente Barack Obama e reduzir os impactos sobre o tráfego aéreo civil. Em Brasília e no Rio de Janeiro, as medidas são semelhantes às adotadas em outros eventos, como a posse da Presidente Dilma Roussef, no dia 1° de janeiro.

Caças F-5EM, Mirage 2000 e A-29 Super Tucano permanecerão de prontidão para a defesa do espaço aéreo. O Comando de Defesa Aeroespacial Brasileiro (COMDABRA) também contará com aviões-radar E-99 e baterias de artilharia antiaérea, posicionadas em locais estratégicos.

Todos os aviões conduzindo a comitiva do Presidente Barack Obama serão monitorados pelos Órgãos de Controle da FAB enquanto estiverem sobrevoando o espaço aéreo brasileiro. Também ocorrerão ações de segurança no solo nos locais de embarque, desembarque e estacionamento das aeronaves.

Fonte: Agência Força Aérea

Categories
Defesa Sistemas de Armas

Deu no Hangar do Vinna: Elbit Systems & IAI: Juntas para o RFI do novo treinador da Força Aérea de Israel

A Elbit Systems fechou acordo com a IAI – Israel Aerospace Industries para criar uma joint venture para atender a solicitação do RFI – request for information (RFI) da Força Aérea Israelense para sua nova aeronave de treinamento avançado.
O ministério da Defesa de Israel está analisando as possibilidades contratuais no que diz respeito a um projeto nacional e solicitou informações da Elbit Systems e IAI. As duas empresas planejam responder nos próximos dias ao Requerimento.
Se o contrato for assinado, a join t venture irá buscar financiamento para a infra-estrutura e operacionalização do projeto, bem como para a compra de fabricantes de aeronaves e outros fornecedores da aeronave e os equipamentos necessários.
Vale salientar que desde 2007 a IAI trabalha associada a ATG – Aviation Technology Group em uma versão para treinamento militar do ATG Javelin, um caça a jato de porte ligeiramente inferior ao F-5. A versão vem sendo desenvolvida para competir com um grande número de jatos para treinamento com um custo muito mais baixo de aquisição e manutenção.

Fonte: Hangar do Vinna

Categories
Defesa Sistemas de Armas

Deu no Hangar do Vinna: Elbit Systems & IAI: Juntas para o RFI do novo treinador da Força Aérea de Israel

A Elbit Systems fechou acordo com a IAI – Israel Aerospace Industries para criar uma joint venture para atender a solicitação do RFI – request for information (RFI) da Força Aérea Israelense para sua nova aeronave de treinamento avançado.
O ministério da Defesa de Israel está analisando as possibilidades contratuais no que diz respeito a um projeto nacional e solicitou informações da Elbit Systems e IAI. As duas empresas planejam responder nos próximos dias ao Requerimento.
Se o contrato for assinado, a join t venture irá buscar financiamento para a infra-estrutura e operacionalização do projeto, bem como para a compra de fabricantes de aeronaves e outros fornecedores da aeronave e os equipamentos necessários.
Vale salientar que desde 2007 a IAI trabalha associada a ATG – Aviation Technology Group em uma versão para treinamento militar do ATG Javelin, um caça a jato de porte ligeiramente inferior ao F-5. A versão vem sendo desenvolvida para competir com um grande número de jatos para treinamento com um custo muito mais baixo de aquisição e manutenção.

Fonte: Hangar do Vinna

Categories
Acidentes e Catástrofes Fotos do Dia Tecnologia

Dependendo da gravidade do acidente nuclear, uma parte do Japão pode ficar inabitado por até 300 anos

Graça Magalhães-Ruether

BERLIM – A situação no Japão é dramática e, dependendo da gravidade do acidente nuclear, uma parte de seu território pode virar terra de ninguém por até 300 anos. Essa é a avaliação de Edmund Lengfelder, do Instituto Otto Hug de Munique, que há mais de 20 anos pesquisa os efeitos de Chernobyl.

Como o senhor avalia a situação em Fukushima?

EDMUND LENGFELDER: É dramática! Na minha opinião, já ocorreu ou está ocorrendo a fusão do núcleo dos três reatores, ou seja, a pior crise possivel. As informações têm sido contraditórias porque o governo quer evitar o pânico. O Japão não tem uma politica de informação muito mais transparente do que a União Soviética na época de Chernobyl, há quase 25 anos. Mas os japoneses têm muitos problemas paralelos, com o terremoto, a tsunami e a crise nuclear.

As autoridades japonesas estão ainda tentando esfriar o reator com água do mar. A medida pode ter efeito?

LENGFELDER: Não acho que vá funcionar, a situação está descontrolada.

A Agência Internacional de Energia Atômica deu à gravidade da situação em Fukushima grau quatro em uma escala até sete. O senhor concorda?

LENGFELDER: Eu diria que o grau de gravidade da situação no Japão é de sete. Em 1991, a agência anunciou que não havia nenhum problema de saúde em consequência da explosão em Chernobyl, mas já foi provado que a ocorrência de câncer de tireoide entre crianças que viviam na região era 30 vezes maior do que antes do desastre.

Se acontecer a fusão do núcleo, quais as consequências?

LENGFELDER: Isso depende de muitos fatores. Mas a densidade demográfica no Japão é 20 vezes maior do que a da região de Chernobyl (na Ucrânia, perto da fronteira com a Bielorrússia). Além disso, os reatores como os do Japão têm muito mais material radioativo e o mantêm por mais tempo que o de Chernobyl, que era usado principalmente na produção de plutônio para a indústria armamentista. Ao ser liberado, libera também muito mais partículas radioativas na atmosfera. Isso faz com que o perigo de Fukushima seja muito maior.

A queda de um avião ou um atentado terrorista em uma usina nuclear poderia causar o mesmo?

LENGFELDER: Sim. Com esse perigo precisam contar todos os países com usinas nucleares, inclusive o Brasil.

Uma das medidas tomadas pelo Japão foi a retirada da população de um raio de 30 quilômetros. Essa distância é segura?

LENGFELDER: Eu acho curta demais. No caso de Chernobyl, foi estabelecida uma zona proibida de 30 quilômetros ao redor do reator. Mas, cinco anos depois, foi descoberto que uma região da Bielorrússia, a 140 quilômetros, tinha recebido radioatividade.

Se houver o pior desastre nuclear possível, por quanto tempo a região ficará inabitável?

LENGFELDER: Apenas as medições poderão dizer. Em geral, calcula-se um tempo comparável a dez vezes a meia-vida do estrôncio e do césio, que é de 30 anos. Quer dizer, a região ficará inabitável por até 300 anos, previsão que é grave, sobretudo para um país com uma densidade demográfica como a do Japão.

Fonte: O Globo

Trabalhadores de usina em “missão suicida” se tornam heróis nacionais no Japão

Sugestão: Gérsio Mutti

Os trabalhadores responsáveis pela refrigeração de quatro dos seis reatores da usina nuclear de Fukushima já estão sendo tratados como heróis pela população japonesa. Os profissionais arriscam suas vidas para reduzir a temperatura dos reatores que foram bastante danificados pelo terremoto e tsunami da última sexta-feira (11).

As equipes de emergência dizem que “não têm medo de morrer”, enquanto encaram níveis de radiação perigosíssimos à saúde.

As explosões e incêndios registrados na central nuclear fizeram aumentar os níveis de radiação do local, obrigando a companhia Tokyo Electric Power Co (TEPCO), responsável por operar o reator, a retirar a maior parte dos empregados.

Todos os empregados foram obrigados a deixar a usina nuclear nesta quarta, depois do aumento dos níveis de radiação. No entanto, pouco tempo depois, os 180 trabalhadores, que se dividem em turno de 50 homens, regressaram à planta, em meio aos temores de uma possível contaminação radioativa. Eles vestem roupas especiais, máscaras e usam tanques de oxigênio.

“As pessoas que trabalham na usina estão lutando sem fugir”, disse Michiko Otsuki, um funcionário da central nuclear de Fukushima 2, na rede social japonesa Mixi. “Agora, apenas posso rezar pela segurança de todos. Por favor, não se esqueçam que há pessoas trabalhando e arriscando suas vidas para proteger as nossas”, completou.

O primeiro-ministro japonês Naoto Kan elogiou os esforços e a coragem dos trabalhadores da usina nuclear. “Eles estão se esforçando ao máximo, sem pensar duas vezes no perigo”, afirmou.

Muitos especialistas consideram a missão desses trabalhadores como suicida. “Estamos chegando a um ponto onde não terá mais retorno. A situação não para de piorar. As equipes de emergência estão em uma missão suicida e, provavelmente, teremos de abandonar o navio com os tripulantes dentro”, disse a médica Michio Kaku à rede de TV americana ABC.

O diretor de pesquisa radiológica de Columbia, David Brenner, assinalou que dado os níveis de radiação detectados nas instalações, os trabalhadores se acham sob um “risco significativo”.

“Em muitos sentidos, eles já são heróis, pois vão sofrer uma alta exposição à radiação”, explicou Brenner à BBC.

O jornal Yomiuri Shimbun informou na terça-feira que o ministério da Defesa do Japão criticou a agência de segurança nuclear e TEPCO depois que alguns de seus soldados ficaram feridos, provavelmente devido à exposição à radiação. As forças de segurança se deslocaram para o reator 3 quando aconteceu uma explosão na estrutura de contenção.

“Disseram que era seguro e nós acreditamos, por isso trabalhamos lá”, explicou o ministério da Defesa. “Conhecemos a proteção sobre radiação, mas não somos especialistas na estrutura de reatores. Quando nos comunicaram que estava a salvo, também acreditamos, embora sentíssemos que não era algo fácil”, acrescentou.

*Com informações da AFP

Fonte: FSP

Categories
Acidentes e Catástrofes Fotos do Dia Tecnologia

Opiniões sobre as usinas nucleares Brasileiras e a catástrofe no Japão

http://3.bp.blogspot.com/_ijNabCWt67U/Shy_ArCmS8I/AAAAAAAABJ0/bASZwhfXTPI/s400/Angra+2.jpg

Sugestão: Gérsio Mutti

Usinas do Brasil são mais seguras, diz Mercadante

André Borges e Tarso Veloso

As usinas nucleares de Angra 1 e 2, as únicas instaladas no Brasil, têm sistemas de segurança e controle de energia mais eficientes que a de Fukushima, diz o ministro da Ciência e Tecnologia (MCT), Aloizio Mercadante.

Segundo o ministro, o incidente nuclear japonês não alterou em nada os processos atuais de segurança ligados ao complexo de Angra. No médio e longo prazo, disse Mercadante, o que ocorrerá é a absorção de aprendizado decorrente do acidente de Fukushima. “A natureza está nos deixando uma série de lições importantes”, comentou.

As usinas de Angra foram estruturadas para suportar terremotos de até 6,5 pontos na escala Richter e ondas de até 7 metros de altura, uma configuração que, segundo o governo, está dentro das normas mais rígidas de segurança, dada a condição geológica do país. Apesar da condição ideal garantida pelo governo, as usinas de Angra certamente não seriam construídas hoje, dadas as regras atuais, que exigem uma densidade populacional inferior à da região do litoral carioca.

Questionado sobre o atraso nos planos nucleares do Brasil, Mercadante disse que o assunto não compete à sua pasta e que será analisado pela presidente Dilma Rousseff e demais ministérios que, de alguma forma, fazem uso de combustível nuclear.

O retardamento de projetos como a construção de quatro novas usinas, porém, já é dado como consequência inevitável pela Eletronuclear, estatal controlada pela Eletrobrás. Na Câmara já se articulam a criação de uma comissão mista para debater a viabilidade de novos projetos.

Fonte: Valor via NOTIMP

O risco nuclear no Brasil

O tsunami pode não ter chegado aqui, mas as dúvidas sobre se é vantajoso ter uma usina nuclearcomo alternativa energética, em razão do terremoto da última sexta-feira no Japão, deram a volta ao mundo e atingiram o Brasil.

É inquestionável, dizem os estudiosos: se ocorreu no precavido Japão, pode se passar em qualquer lugar. Mas aí entram outras questões: o episódio no Japão foi “circunstância única” – como define Laércio Vinhas, diretor de segurança da Comissão Nacional de Energia nuclear. E deve ser considerada a vantagem ou não de correr riscos.

O professor Takeshi Kodama, do departamento de Física nuclear da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), nascido 67 anos atrás em Tóquio, diz não ser possível construir usinas nuclearesimunes a terremotos. Enfatiza que nenhum país está tão preparado quanto o Japão para enfrentar esse tipo de tragédia natural – e, ainda assim, a estrutura se mostrou falível.

– Cem por cento seguro, não é possível. É uma questão de economia e risco, e esse risco é uma questão de probabilidade. Todo mundo viaja de avião, mas tem o risco de cair – disse Kodama, condicionando a gravidade do acidente no Japão ao controle de resfriamento com o uso de água do mar e produtos químicos – pois é a liberação do hidrogênio pelo superaquecimento que provoca explosões.

Ana Maria Xavier, engenheira e representante da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) na Comissão Nacional de Energia nuclear, faz uma declaração forte:

– O futuro está sub judice. Essa história vai dar muito pano pra manga.

Mas depois ameniza:

– Se o Japão controlar o acidente, e acho que isso ocorrerá, aprenderemos com os erros dos outros e em novos dispositivos de segurança. Temos de esperar a direção que o mundo vai tomar.

Congresso pode ter comissão mista sobre usinas atômicas

O presidente da Comissão Nacional de Energia nuclear, Odair Gonçalves, mesmo ressalvando que é importante levar em conta a “comoção pública”, afirmou não haver motivo para que o programa nacional seja revisto em razão dos acontecimentos no Japão, pois, segundo ele, o sistema nucleardaquele país provou ser resistente.

– Eles têm 54 reatores, e 30 deles ainda funcionam normalmente.

Tão sensível se tornou a questão, que a oposição brasileira enviará ao Congresso proposta de criação de comissão mista para analisar a situação das usinas nucleares no Brasil. O líder do PSDB na Câmara, Duarte Nogueira (SP), defende a discussão das usinas em funcionamento e dos projetos.

– O mundo todo vai fazer essa discussão. Ela é inexorável para o Brasil, que não poderá abrir mão de nenhuma fonte de energia. Que isso seja debatido no Congresso – argumentou.

E a preocupação não se restringe à oposição. O secretário-geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, afirmou, em entrevista coletiva, que a presidente Dilma Rousseff está “extremamente preocupada com a crise nuclear japonesa”.

Fonte: Zero Hora via NOTIMP

Categories
Defesa Fotos do Dia Sistemas de Armas

Primeira utilização operacional do pod Dâmocles no Rafale

http://www.meretmarine.com/objets/500/13704.jpg

Pod Dâmocles no Rafale durante os testes do sistema

Créditos: © Dassault Aviation / F. ROBINEAU

Sugestão e tradução: Justin Case para o Plano Brasil

De acordo com os nossos colegas Air & Cosmos, a Aviação Naval desempenhou, em janeiro, sua primeira missão operacional da dupla Dâmocles/Rafale. A partir do porta-aviões Charles de Gaulle, durante a última operação Agapanthe, os pilotos do Rafale F3 operaram o novo pod de designação laser desenvolvido pela Thales. Este equipamento, que chegou ao mercado em 2010, permite às aeronaves da Marinha e Força Aérea francesas realizar de forma independente o lançamento de armas guiadas a laser. Anteriormente, o emprego de bombas guiadas a laser requeria, efetivamente, o uso de dois aviões: um Super Etendard Modernizado (SEM) iluminava o alvo, enquanto outra aeronave lançava o armamento. Com a entrada em serviço do Rafale padrão F3 e com a chegada do pod Dâmocles, um único avião pode agora identificar, acompanhar e atacar o alvo.

http://www.meretmarine.com/objets/500/13705.jpg

Pod Dâmocles no Rafale (©: Dassault Aviation)


Segundo a revista Air & Cosmos, ainda não foram lançadas bombas desta maneira no Afeganistão, onde o grupo aéreo operou, a partir do Charles de Gaulle, no final de 2010. No entanto, foram realizados lançamentos de exercício com o pod Damocles e as GBU 12.

Para lembrar, também durante a Agapanthe, o Rafale, operando a partir do Charles de Gaulle, utilizou o pod Reco NG (AEROS) pela primeira vez durante missões operacionais.

http://www.meretmarine.com/objets/500/30145.jpg


Reco NG no Rafale (©: EMA)

Fonte: Mer et Marine

Categories
Obama no Brasil

Prometer cegamente pré-sal aos EUA é perigoso, diz especialista

Danilo Fariello, iG Brasília |

Para Luiz Pinguelli Rosa, o Brasil deve ter cautela em acordos com petróleo, que pode ser trocado por menores barreiras ao etanol

Energia será um dos principais temas das negociações bilaterais entre Brasil e Estados Unidos durante a visita do presidente Barack Obama, a partir de sábado. Em meio à crise recente no mundo árabe, que elevou a cotação do barril de petróleo no mercado internacional, Obama mostrou interesse em importar petróleo do pré-sal brasileiro em um futuro próximo. Para Luiz Pinguelli Rosa, especialista em energia da Coppe, instituto de engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), essa é uma  oportunidade para o Brasil tentar fazer bons acordos e colocar na mesa de negociações a exportação de etanol.

Professor da Coppe/UFRJ prevê novas discussões sobre expansão do parque nuclear brasileiro após tragédia do Japão

iG: Um dos principais temas a ser tratado entre os dois países durante a visita do presidente Obama ao Brasil é energia. O que esperar dessa aproximação?
Luiz Pinguelli Rosa:
É evidente a possibilidade de exportarmos petróleo para lá, em particular do pré-sal, onde a produção pode crescer muito em um futuro próximo. Os EUA mostraram interesse em importar petróleo, mas o Brasil tem de tomar muito cuidado em assumir compromissos nessa direção, que podem obrigar uma aceleração de investimento pesado.

iG: Mas por que ter medo de exportar petróleo?
Pinguelli:
O petróleo é muito traiçoeiro, porque o seu preço oscila bastante. Os países que são grandes produtores e exportadores não têm tido grande êxito econômico, tirando raríssimas exceções, como a Noruega. Portanto, eu não acho bom que o Brasil se comprometa com uma grande exportação aos EUA, embora também não deva se negar a alguma exportação. A China, por exemplo, se interessou por uma espécie de compra antecipada de petróleo, financiando investimentos com compromisso de exportação no futuro. Os EUA devem vir com proposta similar. O Brasil tem de ser muito cauteloso nisso. O México, por exemplo já se esvaiu exportando petróleo para os EUA e perdendo praticamente todas as suas reservas. O Brasil não deve se comprometer só com um país.

iG: Mas por que, então, já é bom se comprometer um pouco com os EUA?
Pinguelli:
Por causa das exportações, da balança comercial. Exportar sempre é necessário para fechar o balanço de pagamentos e o Brasil é grande exportador de commodities, como o petróleo. A dificuldade é não se subordinar a uma política de exportação de petróleo cega. O Brasil não pode jogar todo o seu futuro em cima do petróleo agora.

Leia também:

iG: O etanol também deverá ser um grande tema de discussões durante a visita?
Pinguelli:
As empresas estrangeiras, inclusive americanas, estão cada vez mais interessadas no etanol brasileiro. E podemos exportar muito etanol. Os EUA produzem etanol de milho, que é mais caro e emite muito gás de efeito estufa na atmosfera. Com o milho, é preciso usar o óleo combustível para produzir o álcool. Aqui, é possível queimar direto o bagaço de cana-de-açúcar, o que é melhor e mais barato. Entretanto, as barreiras de importação impedem a entrada maior do etanol brasileiro nos EUA. Eles produzem mais etanol do que nós, mas tudo de milho. Se eles abrissem para importação do etanol brasileiro, permitindo uma parcela do etanol na gasolina que vendem lá, por exemplo, seria muita vantagem para nós. Essa seria uma boa reivindicação brasileira, que poderia ser trocada, em certa medida, pelo petróleo.

iG: Há questões a serem negociadas em transferência de tecnologia na área de energia?
Pinguelli:
Isso está fora do escopo do Estado americano, porque o controle de tecnologia nos EUA é quase toda privada nesse setor. O foco maior, então, vai ser comercial.

iG: Há também interesses na área nuclear?
Pinguelli:
Na área nuclear, os EUA gostariam que o Brasil assumisse mais compromissos quanto às inspeções das instalações existentes. O Brasil tem sido muito intransigente ao não concordar com o aumento das obrigações que já tem nessa transparência.

iG: Isso pode interferir na construção de Angra 3 e as quatro novas usinas previstas?
Pinguelli:
Não, mas independentemente da visita do presidente Obama, vamos ser submetidos a uma nova discussão após o que ocorreu no Japão. É um país muito avançado, mas que, apesar disso, está tendo enormes problemas com vazamento dos seus reatores depois dos desastres. As usinas brasileiras também estão perto do mar. O tsunami no Brasil é improvável, mas não é impossível.

Fonte: Último Segundo

Categories
Defesa Fotos do Dia Negócios e serviços

Chile foi o principal comprador de armas entre 2006 e 2010

Sugestão: Santa Catarina BR

Informe elaborado pelo Instituto de Investigação para a Paz (SIPRI), de Estocolmo, aponta que o Chile foi o principal comprador de armas na América Latina entre 2006 e 2010.

O país ficou em 10º lugar no ranking mundial de importadores de armamentos. A Venezuela é outro país latino-americano entre os principais compradores mundiais de armas.

De acordo com o relatório, a Índia é o principal comprador mundial de armas enquanto Estados Unidos e Rússia exportaram o equivalente à metade das armas que adquiriram no mesmo período.

O estudo mostra que o volume de vendas de armas no mundo cresceu 24% num período de cinco anos em comparação com o anterior de 2001 a 2005.

Dos Estados Unidos saíram 30% das exportações de armas para 75 países.

Coréia do Sul, Austrália e Emirados Árabes Unidos foram os três maiores importadores de armas norte-americanas.

A Rússia ficou com 23% das vendas globais e foi o principal provedor de armas para China e Índia. Aviões de transporte e de combate foram os principais equipamentos adquiridos.

A Índia importou 9% do volume mundial de armas sendo Rússia, Reino Unido e Israel, os principais provedores.

As rivalidades com Paquistão e China são considerados os principais fatores para a aquisição de armas.

A Alemanha ficou em terceiro lugar entre os principais exportadores de armas com 11%. Anteriormente, detinha apenas 7% do mercado mundial.

O país cresceu graças à venda de fragatas e submarinos principalmente para Grécia, África do Sul e Turquia.

A França foi o quarto principal exportador de armas com 7% do total e o Reino Unido ocupa o 5º lugar com 4%.

Na África, Argélia e África do Sul foram os principais compradores. Juntos, somaram quase três terços de todo o armamento importante pelo continente neste período. O Sudão ficou em terceiro lugar com 4%.

FONTE: InfoRel

Categories
Defesa Fotos do Dia Opinião

As novas armas do Exército Russo são mais caras e de qualidade inferior se comparada com as armas da OTAN

http://diplomacide.files.wordpress.com/2008/05/russia_parade.jpgs mais avançados sistemas de armas russos fabricados para atender as necessidades do Exército de Terra Russo, estão abaixo dos padrões da OTAN e até mesmo dos padrões chineses e são extremamente caros, disse nessa terça-feira o comandante do Exército de Terra Russo, o coronel-general Alexander Nikolaevich Postnikov-Streltsov.

“Os modelos de armas que são fabricados por nossa indústria, incluindo a artilharia, blindagem, armas pequenas e armamento leve, deixam de cumprir as normas de qualidade da OTAN e até a China”, disse Alexander Postnikov em uma sessão do Comitê de Defesa e Segurança da câmara alta do parlamento russo.

Ele fez uma série de comparações, em especial no âmbito dos carros de combate. Segundo o comandante do Exército Russo, o mais avançado tanque da Rússia, o T-90, na verdade é uma versão modificada do antigo tanque da era soviética, o T-72 (que começou a ser fabricado em 1971), mas que tem um custo elevado, cerca de 118 Rublos (US$ 4 milhões) a unidade.

“Seria mais fácil para nós comprarmos três Leopars (tanques de combate fabricados pela Alemanha) com esse dinheiro”, disse Postnikov.

Nota:

Um Leopard A2 não custa menos que 5 -6 milhões de euros, que eu saiba um T 90 seria 1/ 3 disto.

No mais o pronunciamento do general é bastante interessante.

E.M.Pinto

Fonte: O Informante

Categories
Fotos do Dia Obama no Brasil

Boom econômico atrai americanos em busca de ‘sonho brasileiro’

http://www.brazusa.com.br/imagens/logos/logo-brazusa-branco.jpg

Paula Adamo Idoeta

Da BBC Brasil em São Paulo

Em um momento em que a economia dos Estados Unidos ainda luta para voltar a crescer e que a taxa de desemprego é de quase 9% no país, mais cidadãos americanos têm enxergado oportunidades profissionais no Brasil.

Segundo o Ministério do Trabalho, 7.550 americanos obtiveram vistos de trabalho no Brasil em 2010, contra 5.590 permissões concedidas a cidadãos dos EUA no ano anterior.

O número é mais do dobro do total de vistos profissionais dados a americanos em 2006. E os Estados Unidos seguem sendo o país que mais envia trabalhadores legalizados para o Brasil.

“As oportunidades estão acontecendo aqui no Brasil, especialmente para pessoas de outras culturas”, opina a americana Marcela Lizarraga, que veio com o marido, o executivo José Lizarraga, para São Paulo, há um ano, para trabalhar no setor hoteleiro.

No Brasil, José acabou se transferindo para uma empresa fornecedora de tecnologia de aviação e deve ficar mais um ano e meio no país.

Clique Leia mais na BBC Brasil: Americanos descobrem simpatia, preços altos e trânsito em SP

Salários

Dados da agência de recursos humanos Manpower citados em janeiro na revista Economist apontam que 64% dos empregadores brasileiros sentem dificuldades para preencher suas vagas em aberto.

A revista acrescentou que, enquanto o Brasil coloca no mercado cerca de 35 mil engenheiros por ano, a China forma 400 mil desses profissionais anualmente.

A falta de trabalhadores puxa os salários para cima: executivos em São Paulo já estão ganhando mais do que seus pares em Nova York, Cingapura ou Hong Kong.

“Os pacotes de remuneração das empresas brasileiras estão muito atraentes”, confirma Olavo Chiaradia, da consultoria Hay Group.

Nesse contexto, o professor da Escola de Economia da FGV-SP André Portela vê como positiva a vinda de mais estrangeiros para o Brasil.

“Os benefícios são maiores que eventuais desvantagens. É uma chance de trazer mão de obra que vai difundir conhecimento a curto prazo. É mais barato trazê-los do que esperar a formação dos trabalhadores brasileiros (em setores com escassez).”

Mas o professor adverte: “A longo prazo, enquanto ainda estamos crecendo, precisamos de investimentos em educação para atender nossa demanda por produtividade.”

Interesse crescente

A visita do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, ao Brasil, prevista para o próximo fim de semana, também contribui para um clima de entusiasmo nas relações comercias entre os dois países.

Quatro empresas de recrutamento consultadas pela BBC Brasil confirmam o crescente interesse de americanos pelo mercado brasileiro.

“Não é um interesse exclusivo dos americanos, mas, como nossa relação comercial é grande, o número de cidadãos dos Estados Unidos (que vêm ao Brasil) é grande também”, diz Renato Gutierrez, da consultoria Mercer. “E há muitas empresas americanas adquirindo brasileiras, e vice-versa.”

“Sempre vimos um movimento de europeus (rumo ao) Brasil, mas não de americanos. Eles estão identificando oportunidades aqui”, afirma Jacques Sarfatti, da empresa de headhunting Russell Reynolds.

A situação brasileira se repete em outros países emergentes, que também estão recebendo maior mão de obra estrangeira.

Estudo de 2010 da Mercer aponta que, apesar da crise global, as transferências internacionais de profissionais tiveram aumento de 4%.

Clique Leia mais na BBC Brasil: Chef americano concilia trabalho e amor ao trocar EUA pelo Brasil

Energia

O setor de energia é apontado como o mais procurado, por causa das descobertas do pré-sal e dos investimentos em combustíveis. Mas especialistas dizem que há interesse dos estrangeiros também pelas áreas de infraestrutura, mineração, siderurgia, varejo e mercado financeiro.

Na Welcome Expats, empresa de auxílio a expatriados com base em Macaé (RJ), a procura por seus serviços dobrou desde 2009, principalmente por causa do crescimento da indústria petroleira na cidade fluminense.

“E vai aumentar. Escuto empresas falando que vão trazer mais mil pessoas (do exterior)”, diz Mônica de Mello, sócia da Welcome Expats.

Segundo ela, 80% de seus clientes são americanos. Muitos têm experiência no setor de petróleo e gás e vieram para o Brasil após a explosão da plataforma Deepwater Horizon, no Golfo do México, em abril passado.

A advogada Ziara Abud, especializada em vistos para estrangeiros, afirma que a maioria das solicitações é para vistos de dois anos ou de 90 dias a um ano (em geral, para técnicos que vêm para treinar mão de obra local).

Dificuldades

Mas, em meio às oportunidades, os profissionais estrangeiros também encontram empecilhos no Brasil.

Fernando Mantovani, diretor de operações da empresa de recrutamento Robert Half, diz que, à exceção dos mercados financeiro e de petróleo e gás, ainda existem restrições à contratação de americanos pela dificuldade deles com o idioma e a cultura de trabalho.

“Ainda vai demorar para nos acostumarmos com esse fluxo (migratório) inverso”, afirma Mantovani.

“Eles se surpreendem que poucos falam inglês aqui”, conta Marilena Britto, da empresa de auxílio a expatriados Settling-In. Outras dificuldades, segundo ela, são a burocracia para a obtenção de documentos, o alto custo de vida nos grandes centros brasileiros e as preocupações com segurança pessoal.

“Por outro lado, eles gostam do estilo de vida, da oferta cultural e da qualidade dos serviços médicos”, ressalta Britto. “Muitos ficam por pouco tempo, mas demonstram vontade de voltar ao Brasil.”

Para Sarfatti, da Russell Reynolds, “o estímulo aos americanos são as oportunidades imediatas, algo de curto prazo, para se realizar profissionalmente. Mas acho que está se abrindo um canal (de intercâmbio profissional) que pode virar duradouro.”

Fonte: BBC Brasil

Categories
Fotos do Dia Obama no Brasil

Boom econômico atrai americanos em busca de 'sonho brasileiro'

http://www.brazusa.com.br/imagens/logos/logo-brazusa-branco.jpg

Paula Adamo Idoeta

Da BBC Brasil em São Paulo

Em um momento em que a economia dos Estados Unidos ainda luta para voltar a crescer e que a taxa de desemprego é de quase 9% no país, mais cidadãos americanos têm enxergado oportunidades profissionais no Brasil.

Segundo o Ministério do Trabalho, 7.550 americanos obtiveram vistos de trabalho no Brasil em 2010, contra 5.590 permissões concedidas a cidadãos dos EUA no ano anterior.

O número é mais do dobro do total de vistos profissionais dados a americanos em 2006. E os Estados Unidos seguem sendo o país que mais envia trabalhadores legalizados para o Brasil.

“As oportunidades estão acontecendo aqui no Brasil, especialmente para pessoas de outras culturas”, opina a americana Marcela Lizarraga, que veio com o marido, o executivo José Lizarraga, para São Paulo, há um ano, para trabalhar no setor hoteleiro.

No Brasil, José acabou se transferindo para uma empresa fornecedora de tecnologia de aviação e deve ficar mais um ano e meio no país.

Clique Leia mais na BBC Brasil: Americanos descobrem simpatia, preços altos e trânsito em SP

Salários

Dados da agência de recursos humanos Manpower citados em janeiro na revista Economist apontam que 64% dos empregadores brasileiros sentem dificuldades para preencher suas vagas em aberto.

A revista acrescentou que, enquanto o Brasil coloca no mercado cerca de 35 mil engenheiros por ano, a China forma 400 mil desses profissionais anualmente.

A falta de trabalhadores puxa os salários para cima: executivos em São Paulo já estão ganhando mais do que seus pares em Nova York, Cingapura ou Hong Kong.

“Os pacotes de remuneração das empresas brasileiras estão muito atraentes”, confirma Olavo Chiaradia, da consultoria Hay Group.

Nesse contexto, o professor da Escola de Economia da FGV-SP André Portela vê como positiva a vinda de mais estrangeiros para o Brasil.

“Os benefícios são maiores que eventuais desvantagens. É uma chance de trazer mão de obra que vai difundir conhecimento a curto prazo. É mais barato trazê-los do que esperar a formação dos trabalhadores brasileiros (em setores com escassez).”

Mas o professor adverte: “A longo prazo, enquanto ainda estamos crecendo, precisamos de investimentos em educação para atender nossa demanda por produtividade.”

Interesse crescente

A visita do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, ao Brasil, prevista para o próximo fim de semana, também contribui para um clima de entusiasmo nas relações comercias entre os dois países.

Quatro empresas de recrutamento consultadas pela BBC Brasil confirmam o crescente interesse de americanos pelo mercado brasileiro.

“Não é um interesse exclusivo dos americanos, mas, como nossa relação comercial é grande, o número de cidadãos dos Estados Unidos (que vêm ao Brasil) é grande também”, diz Renato Gutierrez, da consultoria Mercer. “E há muitas empresas americanas adquirindo brasileiras, e vice-versa.”

“Sempre vimos um movimento de europeus (rumo ao) Brasil, mas não de americanos. Eles estão identificando oportunidades aqui”, afirma Jacques Sarfatti, da empresa de headhunting Russell Reynolds.

A situação brasileira se repete em outros países emergentes, que também estão recebendo maior mão de obra estrangeira.

Estudo de 2010 da Mercer aponta que, apesar da crise global, as transferências internacionais de profissionais tiveram aumento de 4%.

Clique Leia mais na BBC Brasil: Chef americano concilia trabalho e amor ao trocar EUA pelo Brasil

Energia

O setor de energia é apontado como o mais procurado, por causa das descobertas do pré-sal e dos investimentos em combustíveis. Mas especialistas dizem que há interesse dos estrangeiros também pelas áreas de infraestrutura, mineração, siderurgia, varejo e mercado financeiro.

Na Welcome Expats, empresa de auxílio a expatriados com base em Macaé (RJ), a procura por seus serviços dobrou desde 2009, principalmente por causa do crescimento da indústria petroleira na cidade fluminense.

“E vai aumentar. Escuto empresas falando que vão trazer mais mil pessoas (do exterior)”, diz Mônica de Mello, sócia da Welcome Expats.

Segundo ela, 80% de seus clientes são americanos. Muitos têm experiência no setor de petróleo e gás e vieram para o Brasil após a explosão da plataforma Deepwater Horizon, no Golfo do México, em abril passado.

A advogada Ziara Abud, especializada em vistos para estrangeiros, afirma que a maioria das solicitações é para vistos de dois anos ou de 90 dias a um ano (em geral, para técnicos que vêm para treinar mão de obra local).

Dificuldades

Mas, em meio às oportunidades, os profissionais estrangeiros também encontram empecilhos no Brasil.

Fernando Mantovani, diretor de operações da empresa de recrutamento Robert Half, diz que, à exceção dos mercados financeiro e de petróleo e gás, ainda existem restrições à contratação de americanos pela dificuldade deles com o idioma e a cultura de trabalho.

“Ainda vai demorar para nos acostumarmos com esse fluxo (migratório) inverso”, afirma Mantovani.

“Eles se surpreendem que poucos falam inglês aqui”, conta Marilena Britto, da empresa de auxílio a expatriados Settling-In. Outras dificuldades, segundo ela, são a burocracia para a obtenção de documentos, o alto custo de vida nos grandes centros brasileiros e as preocupações com segurança pessoal.

“Por outro lado, eles gostam do estilo de vida, da oferta cultural e da qualidade dos serviços médicos”, ressalta Britto. “Muitos ficam por pouco tempo, mas demonstram vontade de voltar ao Brasil.”

Para Sarfatti, da Russell Reynolds, “o estímulo aos americanos são as oportunidades imediatas, algo de curto prazo, para se realizar profissionalmente. Mas acho que está se abrindo um canal (de intercâmbio profissional) que pode virar duradouro.”

Fonte: BBC Brasil

Categories
Obama no Brasil

Déficit comercial com EUA é desafio em visita de Obama ao Brasil

http://images.b105.com.au/2009/04/30/176508/barack-obama-bts-air-force-one-600x400.jpg

Alessandra Corrêa

Da BBC Brasil em Washington

Em um momento em que o Brasil amarga um déficit de US$ 8 bilhões em sua balança comercial com os Estados Unidos, o presidente Barack Obama chega a Brasília neste sábado disposto a promover novos negócios e a fomentar ainda mais as exportações americanas.

Obama viaja acompanhado de vários ministros da área e de uma comitiva de empresários em busca de oportunidades de comércio e investimento, especialmente nas áreas de energia, turbinada pelas descobertas de petróleo na camada do pré-sal; de infra-estrutura, com a expectativa em torno da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos em 2016; e de alta tecnologia.

O governo americano, que em casa luta para acelerar o ritmo da recuperação econômica pós-crise e baixar a taxa de desemprego, atualmente em 9%, já avisou que pretende ampliar o comércio com a América Latina e, em especial, o Brasil.

“Essa viagem é fundamentalmente sobre a recuperação dos Estados Unidos, as exportações dos Estados Unidos, e a relação crucial que a América Latina tem em nosso futuro econômico e na criação de empregos aqui”, disse nesta terça-feira o vice-conselheiro de segurança nacional para assuntos de economia internacional do governo americano, Mike Froman.

Do lado brasileiro, o desejo de reforçar os laços comerciais vem acompanhado da cobrança por mais equilíbrio na balança. “É claro que queremos mais comércio, mas também queremos um comércio bem equilibrado”, disse o embaixador brasileiro em Washington, Mauro Vieira.

Balança

A diferença de US$ 8 bilhões representa o maior déficit brasileiro e o quinto maior superávit dos Estados Unidos, que no ano passado perderam para a China o posto de principal parceiro comercial do Brasil.

De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, em 2010 o Brasil exportou US$ 19 bilhões para os Estados Unidos, e importou US$ 27 bilhões.

O déficit foi agravado pela crise econômica nos Estados Unidos, que freou as exportações brasileiras para o mercado americano, e pela valorização do real frente ao dólar. Aliado a esses fatores está o plano agressivo de Obama de dobrar as exportações até 2014, como forma de impulsionar a recuperação da economia doméstica e gerar empregos.

Alguns analistas afirmam ainda que o foco na América Latina é também fruto de uma preocupação com a crescente influência chinesa, relação negada pelo governo americano, que diz também ter presença marcante na região.

Segundo dados do governo americano, as exportações dos Estados Unidos para o Brasil dobraram nos últimos cinco anos, tornando o Brasil o oitavo principal mercado para os americanos. Só no ano passado, o crescimento foi de 35%.

“As exportações para o Brasil mantêm 250 mil empregos nos Estados Unidos”, disse Froman.

Se no âmbito político a visita de Obama vem cercada de simbolismo, com a promessa de um recomeço nas relações bilaterais após dois anos marcados por divergências durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na área econômica o objetivo é ampliar os laços comerciais.

“A eleição de Dilma Rousseff nos dá uma oportunidade de nos engajarmos com o novo governo e marcar um bom início em economia e outros temas”, afirmou Froman, ao lembrar que o Brasil saiu da crise mundial “mais forte e estável” e hoje é a sétima maior economia do mundo, com crescimento de 7,5% em 2010.

“Metade de sua população é considerada de classe média agora, e isso cria uma grande oportunidade para nos engajarmos e vendermos nossos produtos e criarmos uma relação econômica mais profunda”, disse o conselheiro de Obama.

Subsídios

Froman rejeita a sugestão de que o déficit brasileiro seja um problema. “Eu não acho que nós vemos o déficit ou superávit comercial em qualquer ponto como um problema específico”, disse, ao ressaltar que isso demonstra o potencial para reforçar os laços comerciais entre os dois países.

No entanto, empresários brasileiros, ao mesmo tempo que estão otimistas com as perspectivas de ampliar os negócios e investimentos, esperam que o presidente americano ofereça algo em troca.

“Há uma certa polêmica. O superávit é em favor dos Estados Unidos, e o presidente Obama quer vender mais”, disse nesta terça-feira o presidente da Câmara de Comércio Americana para o Brasil, Gabriel Rico, em visita a Washington.

“É claro que, para isso, ele deverá oferecer alguma concessão. E essa concessão deve ser relacionada com os subsídios à agricultura”, afirmou.

Os subsídios aos produtores agrícolas americanos – assim como tarifas, barreiras não-tarifárias e cotas – provocam reclamações do lado brasileiro.

Em 2009, depois de uma disputa de sete anos, a OMC (Organização Mundial do Comércio) autorizou o Brasil a retaliar os Estados Unidos em US$ 829 milhões por conta dos subsídios concedidos aos produtores de algodão. No ano passado, os dois países acabaram firmando um acordo para buscar uma solução que evite a retaliação.

O subsídio ao etanol, aliado a uma tarifa de importação de 54 centavos de dólar por galão (equivalente a 3,78 litros), que acaba sobretaxando o produto brasileiro, é outra reclamação antiga.

A eliminação dos subsídios, porém, depende de aprovação Congresso americano – atualmente dividido, com a oposição republicana no comando da Câmara dos Representantes – e enfrenta resistência de vários setores.

Apesar de admitir que Obama não tem o poder de decisão sobre o tema, Rico diz que o presidente americano deveria “mostrar um compromisso de exercer sua liderança no Congresso para eliminar os subsídios”.

Acordos

A agenda econômica e comercial deverá dominar o primeiro dia da visita ao Brasil, no sábado, em Brasília. Obama deverá participar de um fórum de líderes empresariais de ambos os países e também de uma cúpula de negócios Brasil – Estados Unidos.

Segundo Steven Bipes, diretor-executivo do Conselho Empresarial Brasil-Estados Unidos, ligado à Câmara de Comércio dos Estados Unidos, 60 empresas americanas vão marcar presença no Brasil. Encerrada a visita presidencial, muitos desses emprresários permanecerão no Rio, na segunda-feira, para analisar as perspectivas nas áreas de petróleo e gás, além de passarem por São Paulo antes de embarcarem de volta aos Estados Unidos.

Como demonstração da importância da área comercial na agenda da viagem, a comitiva de Obama inclui os secretários do Tesouro, Timothy Geithner, do Comércio, Gary Locke, e de Energia, Steven Chu. Também acompanham o presidente o representante de Comércio dos Estados Unidos, Ron Kirk, a chefe da Agência de Proteção Ambiental (EPA), Lisa Jackson, e o presidente do Ex-Im Bank, Fred Hochberg.

Empresários afirmam que, mais do que negociar acordos ou resolver barreiras pontuais, o tom da visita é o de promover negócios. Apesar disso, há a expectativa de assinatura de um Tratado de Cooperação Econômica e Comercial (Teca, na sigla em inglês).

Esse tratado não significa uma liberalização do comércio ou compromisso de abertura de mercado, mas cria um processo para negociar questões comerciais. “Resulta na criação de um fórum inestimável para abordar barreiras ao comércio e aos investimentos”, diz o Conselho Empresarial Brasil-Estados Unidos.

Outra demanda do setor empresarial é avançar no acordo bilateral na área de tributação e em outro na área de investimentos. No entanto, mesmo que não haja grandes anúncios imediatos durante o fim de semana, a expectativa do setor empresarial é de que a visita de Obama abra caminho para aprofundar o diálogo comercial.

“Eu não acho que o Brasil e os Estados Unidos irão assinar muitos acordos bilaterais importantes durante esta visita. Mas estou certo de que os dois governos irão estabelecer as bases para uma nova relação, um novo clima, que vai acelerar as negociações”, disse Rico.

“Temos grandes expectativas para essa viagem. E mesmo que não tenhamos muitas ações concretas imediatas, não vai significar que a viagem não funcionou.”

Fonte: BBC Brasil