Categories
Artigos Exclusivos do Plano Brasil Conflitos Economia Geopolítica PDM

Os militares dos EUA já governam o seu país?

Charge do Izânio, reproduzida de Altos Humor

Autor- Peter de Mambla (PdM) para  Plano Brasil.

Tradução e edição- E.M.Pinto

 

O mundo foi lança em uma tremenda confusão enquanto todos tentam chegar a um acordo com o significado e a implicação da presidência Trump. De repente, todas as verdades estabelecidas na ordem mundial pós-Segunda Guerra Mundial parecem como se estivessem prestes a ser surpreendidas pelos vendavais do tornado Trump. A OTAN tem futuro? Será que a importantíssima Aliança Transatlântica será dividida? A América decidiu abandonar seu histórico papel de liderança para se concentrar e retornar ao isolacionismo? O que está acontecendo? E quais são as implicações para o Brasil?

Uma melhor compreensão do que está acontecendo pode ser obtida olhando por trás das cortinas e olhando nos bastidores para ver o que realmente está a se passar. Ou, mais realisticamente, dada a falta de acesso, pode-se procurar fazer suposições com base nas pistas disponíveis.

Uma coisa que se tornou particularmente evidente desde a presidência de Donald Trump é a ideia ou a percepção de que existe um estado profundo que opera em segundo plano, independentemente de qual administração está no poder. É a burocracia militar e de inteligência permanente que detém muito poder nos bastidores sobre a direção a qual o país tomará. Um dos exemplos mais óbvios de um estado profundo em ação foi visto na rede Ergenekon na Turquia, que detinha um poder significativo ao longo de muitas décadas.

Mas o que está se tornando evidente, especialmente desde a presidência de Trump, é que o estado profundo não é monolítico e é constituído por diferentes facções. Seria ingênuo acreditar que Trump é apenas um indivíduo que simplesmente se tornou presidente em vez de alguém com uma sofisticada rede de apoio de estado profundo que o apoia e protege. Esta rede pode inclusive ter  agido em coordenação com os russos para alavancar sua eficácia.

A rede mais conservadora e estabelecida pode ser assumida como tendo prevalecido desde o período do pós-Segunda Guerra Mundial até a queda do comunismo e o início do momento unipolar americano. Essa facção representa basicamente o establishment anglo-americano, manifestado em organizações como o Conselho de Relações Exteriores, a Comissão Trilateral e o Grupo Bilderberg. Tem-se a impressão de que havia um amplo consenso entre as elites dominantes ocidentais sobre a direção geral que deveria ser tomada durante a Guerra Fria, apesar de exemplos óbvios de lutas internas entre facções, como ficou evidente com o assassinato do presidente John F. Kennedy.

No entanto, após o fim da Guerra Fria, uma nova facção procurou explorar o momento unipolar da América e colocou a América em um rumo diferente. Essa era a facção neoconservadora, fundada por antigos trotskistas que estavam dispostos a reformular a ordem mundial através da força militar, dado que a União Soviética não mais se interpunha no caminho.

Eles procuraram se concentrar particularmente no uso do poder militar americano para eliminar ou neutralizar os inimigos de da única democracia do Oriente Médio de uma vez por todas. Eles foram bem-sucedidos nesse empreendimento, embora nunca tenham tido a chance de lidar adequadamente com o Irã. O general Wesley Clark, antigo Comandante Supremo Aliado da OTAN Europa, notoriamente revelou o plano dos neoconservadores de destruir sete países do Oriente Médio e Norte da África no espaço de cinco anos.

Antes que os neoconservadores pudessem eliminar seu alvo mais importante, o Irã, a facção mais dominante mencionada acima conseguiu o controle executivo do governo. Essa luta nos bastidores foi destacada no incidente de 2007 envolvendo um bombardeiro B-52  armado ilegalmente com seis mísseis de cruzeiro com armas nucleares que tentaram fazer um vôo não autorizado para o Oriente Médio a partir da Base Aérea de Minot antes de serem detidos a tempo Base da Força Aérea de Barksdale ( Clique para saber mais sobre este incidente   numa matéria do Washington Post).

O incidente foi evidentemente apresentado como uma espécie de acidente inocente, mas representou a última tentativa desesperada dos neoconservadores de acabar com o Irã por meio de um ataque furtivo. Deste ponto em diante, a presidência de Bush era um “pato manco”, apenas mantendo o poder formalmente, até que a facção principal confirmou seu retorno ao poder através da presidência de Obama.

Enquanto os neoconservadores se concentravam na reorganização do Oriente Médio, a Rússia usava esse tempo para estabilizar-se durante a primeira presidência de Putin e a China continuou calmamente seu crescimento meteórico. Em 2008, a Rússia estava preparada para não recuar contra os Estados Unidos na Guerra Russo-Georgiana, com Putin sinalizando a intenção da Rússia de desafiar a ordem mundial unipolar em seu discurso em Munique em 2007.

Não há dúvida de que a facção dominante do establishment anglo-americano estava exasperada com as ações dos neoconservadores, que permitiram que o espaço vital da Rússia se recuperasse a um ponto em que pudessem novamente desafiar os Estados Unidos. Em vez das divisões de tanques que os neoconservadores teriam preferido, o Oriente Médio continuaria a ser reformado, mas desta vez com uma pegada mais leve, confiando mais em forças especiais, drones e a Primavera Árabe, uma forma mais violenta de “revolução colorida” pautada no uso de terroristas islâmicos para desestabilizar os alvos.

Os países seriam, naturalmente, trazidos à Rússia e à China, dois países que têm a capacidade de desafiar a ordem mundial unipolar dos EUA. A Rússia seria desestabilizada através da Ucrânia e haveria um pivô geral americano em direção à Ásia para conter a ascensão da China.

… E então Trump apareceu e tudo foi jogado no caos. Ambas as facções conservadora e neoconservadora são fáceis de identificar e é relativamente fácil identificar seus objetivos mais amplos. Mas é muito difícil identificar quem ou o que está por trás de Trump.

Que existe uma facção do estado profundo, bem como poderosos interesses por trás dele, há poucas dúvidas. Um “reles mortal” não se torna simplesmente um presidente dos Estados Unidos exatamente assim. Mas essas forças facilitadoras estão muito na sombra e são difíceis de se delinear com clareza. Uma filosofia orientadora que tente explicar o fenômeno Trump, deve inclinar as pessoas primeiro a olharam para Steve Bannon, mas ele não durou muito tempo na administração. Qualquer filósofo que ele tenha oferecido parecia apelar para a tensão isolacionista que sempre existiu na história americana, além de oferecer indícios de nativismo e nacionalismo branco.

Mas, além do embasamento filosófico obscuro de Bannon, parece que ninguém sabe realmente o que Trump vai fazer, ou o que seus atores coadjuvantes pretendem que ele faça. As facções conservadoras e neoconservadoras do estado profundo concentraram-se em dirigir sua fúria contra a Rússia, enfurecidas com o fato de que os russos poderiam ter interferido tão descaradamente em seus processos políticos, parecendo ter se articulado com uma facção para ajudar a eleger Trump.

Quem parece fornecer alguma visão sobre a parte do estado profundo que está por trás de Trump é a figura de Steve Pieczenik. Ele é uma figura significativa na comunidade de inteligência dos EUA, que afirma, entre outras coisas, ter desempenhado um papel significativo na derrubada da União Soviética, além de ajudar a garantir que a África do Sul passasse suavemente da minoria para a maioria após o término do Apartheid.

Durante a administração Obama, ele apareceria na estação de rádio Alex Jones queixando-se do governo Obama e dos neoconservadores, parecendo ser a voz dos generais americanos insatisfeitos com todas as guerras que precisavam combater quando o interesse nacional dos EUA não era a subsequente super-representação de generais recém-aposentados (ou mesmo de um general que atua no caso do Assessor de Segurança Nacional HR McMaster) parece sugerir que os generais pelos quais Pieczenik falou, assumiram o comando do ramo executivo do governo. Na verdade, Pieczenik sugeriu que um golpe silencioso havia sido empreendido por esses generais e suas facções de apoio dentro da comunidade de inteligência dos EUA (obviamente em coordenação com os russos).

Embora possa ser difícil imaginar um golpe militar ocorrendo nos Estados Unidos ( “silencioso” ou “furtivo”, conduzido através de um processo eleitoral, uma tentativa pouco conhecida de conduzir um tipo mais tradicional de golpe foi feita em 1933 contra o Presidente Franklin D. Roosevelt. Conhecido como o Business Plot, os ricos interesses de Wall Street tentaram levar o general aposentado altamente condecorado Smedley Butler para liderar o golpe, mas ele informou as autoridades e deu depoimento ao Congresso.

Qualquer que seja a realidade por trás de Trump, o que está claro é que estamos passando por algumas mudanças muito significativas, com os militares dos EUA parecendo cansados ​​de obedecer às ordens para lutar contra essas intermináveis ​​guerras em nome dos neoconservadores ou da representação de facções de Obama e Clinton. Algumas dessas operações militares poderiam facilmente se tornar nucleares, especialmente quando confrontadas com a Rússia.

O que isso significa para o Brasil?

…é difícil de dizer…

Americanos e europeus assim como muitas outras pessoas não sabem o que isso significa para eles. Curiosamente, o Brasil está em processo de passagem por seu próprio processo de mudança de época, e muitos brasileiros clamam para que os siloviki brasileiros intervenham e assumam o governo. (Os americanos parecem ter mostrado como isso pode ser feito em silêncio.) Com um governo menos ideologicamente hostil aos Estados Unidos, estamos vendo mais cooperação militar mutuamente benéfica, como a compra de obuseiros americanos autopropulsados ​​M109 a preço modesto. A possível compra americana de Super Tucanos brasileiros (o contrato já havia sido adjudicado antes de ser disputado por um licitante rival e suspenso) e a possível compra dos brasileiros de helicópteros de ataque  Bell Cobra, e assim por diante…

Além disso, existe a possibilidade de cooperação espacial entre os dois países. A ordem mundial multipolar significa que o Brasil pode usar as outras potências emergentes para equilibrar a influência e o poder dos Estados Unidos. Isso significa que os americanos estão encorajados a tentar conquistar o Brasil, em vez de agir de maneira arrogante, que procura fortalecer os que considera estar em seu próprio quintal. Isso pode somente ser uma coisa boa…

O Brasil é um país ocidental e, portanto, tem afinidades naturais com os Estados Unidos. Mas o Brasil também é um país em desenvolvimento cujos interesses são mais bem servidos por meio de um mundo multipolar do que unipolar. Não faz sentido atrair a ira dos americanos sendo tão anti-ianque quanto os venezuelanos, já que os americanos ainda têm a capacidade de tornar a vida muito difícil para os que moram em seu próprio quintal. Mas, se o Brasil quiser realizar seu potencial, não há sentido em contentar-se em permanecer indefinidamente como lacaios dos Estados Unidos.

Um equilíbrio delicado terá que ser mantido entre o mundo unipolar existente (mas moribundo), e o emergente mundo multipolar do qual o Brasil pode exercer uma significativa participação. O Brasil está navegando em mar agitado. Pode ser um pouco de conforto saber que todo mundo está navegando nas mesmas águas agitadas. Todo mundo vai ter que segurar firme.


Sobre o Autor- Peter de Mambla é  bacharelado em ciências políticas pela Universidade Monash- Victoria, Austrália. Analista e escritor de assuntos relacionados às políticas e sociais e relações internacionais em sites de notícias dedicados a combater a narrativa da grande mídia em relação à Rússia e ao mundo multipolar.

 

Categories
Artigos Exclusivos do Plano Brasil Brasil Conflitos Geopolítica PDM

PdM- A Lei do Equilíbrio do Brasil

Autor- Peter de Mambla (PdM) para  Plano Brasil.

Tradução e edição- E.M.Pinto


O Brasil está passando por um período de significativas mudanças. A confiança na classe política, em primeiro lugar, embora nunca tenha sido elevada, praticamente entrou em colapso. As investigações da Operação Lava-Jato servem apenas para confirmar o que todos já sabiam: que a classe política, na maioria das vezes, não é movida por preocupações nobres pelo bem maior, mas pelo simples desejo de encher seus próprios bolsos. Quando chegou ao poder, O PT de Lula, havia prometido ser diferente. Mas eles acabaram não sendo melhores. Por outro lado, a presidência de Temer não alimenta esperanças, e nesse cenário, há um crescente clamor, pelo menos por setores da direita, por uma intervenção militar. Por tudo isso, a posição do Brasil no mundo multipolar emergente é deveras questionada.

 

O Silovik Brasileiro

Com a queda do comunismo e a dissolução da URSS, a Rússia caiu em um período de caos, onde “gângsteres” dominavam as ruas e poucos sabiam de onde viria o próximo cheque para o pagamento. Os oligarcas que emergiram desse caos se importavam apenas com eles mesmos, em nada se importando com a “Mãe Rússia”.

Por seu lado, o ocidente não queria desperdiçar uma boa oportunidade e se concentrou em “nocautear” a Rússia enquanto a guarda estava aberta. O país diminuído, mas ainda vasto, precisaria, portanto, ser subdividido em cinco ou mais países menores e mais manejáveis, começando pela Chechênia.

Dado que a Rússia sempre foi multi-étnica (existem quase 200 etnias russas), é possível que o país tenha sofrido a mesma experiência que a Jugoslávia, vendo uma sangrenta guerra étnica de todos contra todos.

A comunidade de inteligência militar (o Siloviki em russo) tal como em qualquer outro país, tende a ser o segmento mais patriótico da sociedade e por razões óbvias a Rússia não seria exceção. Vendo o que estava acontecendo com sua amada pátria, os Siloviki russos não estavam preparados para simplesmente ficar de braços cruzados e assistir o país ser destruído e ao concluir que bastava decidiram intervir.

Com  Putin no comando, a ordem foi progressivamente restaurada, com os oligarcas expurgados e a situação no Cáucaso pacificada, dentre muitas outras recuperações, as aposentadorias e os salários do governo retornaram a ser pagos a tempo. Assim, a Rússia foi salva e, no processo surge um contrapeso à ordem mundial unipolar imposta pelos Estados Unidos.

A situação no Brasil é menos dramática, mas tem alguma semelhança. A classe política brasileira é reconhecida pelo público como sendo desesperada, a maioria dos políticos pensam apenas em si mesmos e não no bem público. A educação pública básica encontra-se em um estado abismal (com a notável exceção das escolas dirigidas pelos militares) e a classe média é sobrecarregada pela tributação excessiva, nesse cenário, o governo tem pouco para mostrar em termos de serviços sociais.

Um estado de piora da ilegalidade e da desordem prevalece, com a classe política não querendo ou sendo incapaz de fazer algo a respeito. Consequentemente, tem havido um clamor de segmentos da população para que os militares intervenham da mesma forma que fizeram em 1964.

O establishment militar brasileiro desfruta de alguns dos mais altos níveis de confiança do público no país – muito, muito acima da classe política. Constitucionalmente, as forças armadas são também as principais garantidoras da lei e da ordem. A esse respeito, recentemente o General Mourão advertiu recentemente que, se a atual turbulência política não for resolvida judicialmente, os militares não terão outra escolha a não ser intervir e que já existem planos bem elaborados para essa eventualidade.

Mundo multipolar ou mundo unipolar?

Os siloviki brasileiros podem ser obrigados a intervir para salvar o país, seja em trajes militares, como em 1964, ou sob uma presidência civil pró-militar, como a que poderia ser liderada por exemplo por Jair Bolsonaro.

A intervenção de 1964 foi compreensivelmente coordenada com os americanos, já que ambos compartilhavam do mesmo inimigo, o comunismo da época. Com o colapso da União Soviética e o fim da ordem mundial bipolar, os Estados Unidos avançaram para criar uma ordem mundial unipolar e consolidar sua vitória na Guerra Fria.

Com o poder americano descontrolado causando estragos em todo o mundo em sua busca pela dominação global, especialmente no Oriente Médio, esse mundo unipolar representava uma ameaça para outros países, incluindo o Brasil. Uma ordem mundial multipolar pode, portanto, garantir melhor os interesses do Brasil.

Destaca-se que nesse sentido, a liderança brasileira que mais avançou na posição do Brasil no jovem mundo multipolar foi o PT de Lula e Dilma. Mesmo quando a Guerra Fria recuou da memória, muitos no poder público, e particularmente no Siloviki brasileiro, continuaram a manter sérias reservas em relação ao PT, não confiando que haviam abandonado completamente suas tendências comunistas, mas apenas modificado sua abordagem à luta. 

De fato, o lançamento do Fórum de São Paulo pelo PT após a queda do Muro de Berlim pareceu indicar a determinação de continuar a carregar a chama do socialismo após o fim da União Soviética.

Os militares brasileiros, juntamente com muitos da ala de direita do país, têm uma visão muito obscura sobre as lideranças esquerdistas da venezuelana e de tais esforços de integração regional como a Aliança Bolivariana para os Povos da  América, de Hugo Chávez.

O quintal da América?

Isso levanta a questão sobre o que aconteceria se os Siloviki brasileiros de alguma forma intervissem e tomassem o poder, seja explicitamente enquanto ainda usassem seus uniformes, ou nos bastidores sob uma presidência nominalmente civil liderada por gente como Jair Bolsonaro.

Será que todos os esforços em prol da multipolaridade e da integração regional seriam abandonados em favor da unipolaridade, estabelecendo, assim, o status de um cão de estimação do Tio Sam?

A independência brasileira será melhor garantida por uma ordem mundial multipolar e a aversão dos patriotas brasileiros ao socialismo e ao comunismo precisará ser equilibrada contra a necessidade primordial de multipolaridade. Um consenso emergente entre os pensadores multipolares a respeito da natureza dessa ordem mundial é que ela será de direita em termos de valores sociais e de esquerda em termos de economia.

Assim, a venda de ativos estratégicos como a Petrobras seria impensável para uma liderança brasileira reconhecendo a importância de uma ordem mundial multipolar. O general Gelio Fregapani parece ser um dos Silovik que reflete esse ponto de vista, sendo de direita em termos de valores sociais, mas mais esquerdista quando se trata da economia.

A Rússia parece estar traçando precisamente esse rumo, com um conservadorismo social conspícuo, aliado ao controle governamental de indústrias e campos estrategicamente importantes, como a mídia, o petróleo e o gás. Se o siloviki brasileiro eventualmente for obrigado a intervir de alguma maneira (aberta ou discretamente) para salvar o Brasil, como o Siloviki russo interveio para salvar a Rússia, então um delicado equilíbrio terá que ser alcançado entre se afastar do socialismo e do comunismo sem ao mesmo tempo abandonar a multipolaridade e a integração regional que é uma parte inevitável deste processo. 


Sobre o Autor- Peter de Mambla é  bacharelado em ciências políticas pela Universidade Monash- Victoria, Austrália. Analista e escritor de assuntos relacionados às políticas e sociais e relações internacionais em sites de notícias dedicados a combater a narrativa da grande mídia em relação à Rússia e ao mundo multipolar.

 

Categories
Artigos Exclusivos do Plano Brasil Conflitos Destaques Fotos do Dia Geopolítica PDM

Brasil e a tática AIKIDO

Autor: Peter de Mambla exclusivo para o Plano Brasil

Tradução: Luiz Medeiros


Peter de Mambla é um australiano que recentemente passou um ano no Brasil. É  bacharel em Ciência política pela Universidade de Monash e está atualmente a realizando o doutorado em Direito (Júris doutor) pela Universidade de New England, Austrália. Possui um grande interesse na geopolítica e, mais amplamente, nas questões relativas à boa vida (no sentido Aristotélico)

contatos: peterdemambla@gmail.com

leia também: Desafios assimétricos do Brasil

Do complexo ambiente global o Brasil precisa traçar um mapa que se destina para navegar o seu caminho para a posição durável e que ambiciona e merece significa que o país deve  alcançar dentro de seus recursos humanos a capacidade para utilizar a criatividade e engenhosidade necessária visando superar os desafios que estão diante dele.

Os postos de comando que devem ser levados são ocupados pelas potências hegemônicas, a sua experiência e astúcia tem tornando a rampa que os poderes emergentes como o Brasil devem escalar, uma íngreme e difícil. Isto chama Brasil a utilizar suas vantagens para superar suas desvantagens, a jogar pelas regras que o beneficiam ao invés daquelas que beneficiam os atuais proprietários do poder global, a oligarquia financeira Anglo-Americana.

A história tem mostrado que é possível para o menor e mais fraco prevalecer contra um maior e mais forte através da aplicação de criteriosos fatores de alavancagem como multiplicadores de força. Um melhor planejamento e táticas podem ser empregados, um bom uso do solo e do terreno, bem como dissimulações e engodos – estas possibilidades podem ser usadas ​​para superar as vantagens do mais forte.

Os Espartanos demonstraram o mais famoso exemplo de alavancagem quando, juntamente com seu alto nível de treinamento e moral, o Rei Leônidas levou seu pequeno número de guerreiros espartanos para defender a passagem estreita na Batalha das Termópilas, utilizando a geografia em sua vantagem para impedir o avanço um exército persa de tamanho muito superior.

Os segmentos apropriados da sociedade brasileira cujas tarefas são de defender o interesse nacional e a integridade terão de empregar tais princípios na busca de superar os vários desafios assimétricos que se interpõem no caminho da ascensão bem sucedida do Brasil.

A perspectiva de um confronto militar direto não é factível, e mesmo que alguma vez chegue a isso, seria mais provável ações de tipo guerrilha na Amazônia ao invés de qualquer guerra convencional de concentração. Além disso, o tipo de confronto que nos interessa aqui são assimétricos e não envolve quaisquer tipos de confrontos diretos, como tal, na verdade em muitos casos, tal confrontação pode ser de natureza tão sutil chegando a ser difícil de discernir, às vezes.

É claro que Brasileiros astutos já vem utilizando esse método de Aikido para lidar com os desafios que enfrenta na cena global. Um exemplo mais requintado e instrutivo deste método pode ser visto no Fundo Amazônia.

Algumas pessoas brilhantes, ou personalidades, conseguiram neutralizar completamente o que é reconhecidamente um exemplo superlativo da esperteza e intriga Anglo-Americana em seu esforço para arrebatar a Amazônia das mãos Brasileiras. Ao se recusar a enfrentar os Anglo-Americanos diretamente, os Brasileiros, como no Aikido, misturaram o movimento de ataque e redirecionaram sua força, deixando o flácido e sem força.

Se tivessem os Brasileiros tentado um choque direto empurrando o ataque Anglo-Americano para trás, o resultado poderia ter sido em danos para o Brasil. Um dos pontos mais fortes, letais e vantajosos da oligarquia Anglo-Americana possuí é aquele de ser capaz de controlar uma parcela significante da opnião pública internacional.

O Brasil teria sentido a força de ser retratado como egoísta, recalcitrante e um obstáculo do mal para a proteção do bem coletivo público vital que é a Amazônia. Isto por sua vez, teria virado a opnião pública Brasileira contra o seu próprio governo, dado que a população Brasileira seria pouco capaz de resistir a calúnia fulminante de ser retratado como uma pária internacional semelhante a África do Sul do Apartheid e a Alemanha Nazista.

O exemplo de estratégia utilizada no Fundo da Amazônia deve ser tido como padrão de ouro para idéias e estratégias para o Brasil prevalecer nesta luta. O adversário é forte e ardiloso, e não irá tentar tornar isso em uma disputa direta de força, uma vez que haverá pouca chance de prevalecer em tal confronto direto. Em vez disso, a estratégia e vantagem do adversário devem ser neutralizados, ou mesmo voltados contra ele se possível. Na mesma forma que o praticante de Jiu-Jitsu Brasileiro visa trazer o seu oponente para o chão, onde ele tem a vantagem, por isso os Brasileiros devem trazer esse oponente geopolítico para o chão, por se assim dizer, onde o Brasil goza de vantagem.

Entretanto pelos anglo-americanos empregarem tais métodos sutis e ardilosos, como uma aplicação da guerra assimétrica de quarta geração, eles estão realmente escolhendo jogar o jogo em terreno doméstico do Brasil – talvez nem mesmo percebendo corretamente ou apreciando isso.

De fato, é somente porque a maioria dos Brasileiros se esquecem que uma campanha sutil está sendo realizada contra eles que os Anglo-Americanos são ainda capazes de se safar tanto como eles fazem. Para cada brasileiro que está acostumado a negociar um sistema e a sociedade que muitas vezes é injusta e não organizada de acordo com formal, regras impessoais que tratam todos com justiça e igualdade, e assim os Brasileiros são muitas vezes obrigados a recorrer à astúcia e habilidade para contornar e superar as muitas não razoáveis e constritivas regras burocráticas e convenções sociais que eles enfrentam, especialmente se forem provenientes de uma seção marginalizada da sociedade.

Em uma palavra, os brasileiros são adeptos a praticar a arte social de “jeitinho”, a aplicação da engenhosidade e criatividade em encontrar uma maneira de contornar o que muitas vezes são obstáculos tolos e injustos.

É tanta familiaridade em jogar tal jogo que faz dos Brasileiros alvos insensatos contra quem apontar tais armas assimétricas, talvez a oligarquia Anglo-Americana ignora o risco que estão tomando. Isto é porque os brasileiros uma vez que aprendem que tipo de jogo está sendo jogado, eles podem muito bem se alegrar! Porque eles vão perceber imediatamente que é um jogo que poucos são tão acostumados a jogar quanto eles são, e assim um jogo em que poucos são tão bem colocados para competir e vencer como eles são.

Uma vez que a suposição equivocada é tirada de que o resto do mundo joga um jogo digno regido por regras honestas e jogo justo, e que a falta de comportamento justo tal no Brasil é justamente o porque do país estar travado – uma vez que a realização é feita de que os poderes hegemônicos estão apenas mais nuances e refinados na sua corrupção e malandragem, e de fato práticas como trapaça em uma escala muito maior – então o que é muitas vezes visto como uma fonte de embaraço e debilidade para os Brasileiros pode, alternativamente, ser visto como o meio perfeito e capacidade para navegar através do ambiente global complexo no qual o Brasil se encontra.

Uma maldição pode ser transformada em uma bênção quando os Brasileiros perceberem que desfrutam da vantagem de terreno nesta competição.

Então, quem deve lutar – toda a população brasileira? A população deve ser despertada para o fato de que os poderes dominantes são dominantes porque jogam um jogo sujo através de malandragem? Este talvez não seja tão necessário, porque o jeitinho cotidiano empregado no Brasil é normalmente a nível individual, enquanto o que estamos falando envolve agentes Estatais ou, pelo menos, os interesses oligárquicos capazes de usar aparatos de Estado para seus próprios fins, tais como agências de inteligência e serviços diplomáticos.

Portanto esse esforço não precisa necessariamente envolver desse tanto o cidadão comum. Além disso a um contrato social implícito pelo qual certas agências de Estado são investidas com a confiança e a responsabilidade de fazer o que eles consideram necessário para cumprir com a sua responsabilidade fiduciária, sem necessariamente informar o público geral de cada detalhe do que fazem.

Mesmo em sociedades abertas e transparentes tais agências não são exatamente abertas e transparentes como o esperado por sua sociedade, dado que a natureza de seu papel requer que elas sejam o oposto. É claro que tal segredo e falta de transparência pode ser abusado, como as oligarquias Anglo-Americanas e outras Européias conseguiram realizar com sucesso em suas próprias agências de tal natureza, mas as sociedades não podem fazer mais do que confiar nestas agências e esperar pelo melhor.

O paciente confia em seu médico e não precisa primeiro de conhecer e entender os detalhes médicos para aceitar o conselho do médico e sua prescrição, o mesmo acontece na relação cliente-profissional vis-à-vis os contadores, advogados, consultores financeiros, etc. Então talvez ao público em geral possa ser permitido desfrutar de seu futebol, novelas, samba e da praia, na feliz ignorância enquanto tais assuntos sérios são deixados para os profissionais e ao pequeno segmento do público geral que tem grande interesse por estes assuntos.

Também a população Brasileira não é voltada para o confronto, a cultura colocando um prêmio muito alto na interação social agradável e na cordialidade. Enquanto esse atributo social contribui em muitos aspectos a uma invejável qualidade de vida (nem todas as medidas de qualidade de vida são materiais), isto não produz uma população bem adaptada para ser empacotada para o sacrifício e luta nacional, como a população Russa parece ser, uma vez que tal uma população provavelmente se encolheria diante de tal perspectiva e apenas esperaria que o problema desaparece, assim como espera que os políticos deixem de ser corruptos ou que a educação vai melhorar sem a sua exigência para tal .

Então investir muita energia na tentativa de transformar uma população pacífica em uma população guerreira pode ser um desperdício de tempo. De qualquer forma, sempre haverá uma parcela suficiente da população que tem a mentalidade guerreira para que isso sem necessariamente se tornar um problema, uma vez que uma população tão grande quanto no Brasil pense que a sua vontade será um conjunto suficiente de pessoas preparadas e adequadas para fazer o que é necessário de qualquer maneira.

Será que a população em geral, por exemplo, precisa estar ciente do brilho e significado do movimento xeque-mate do Fundo da Amazônia para que este seja bem sucedido? Isso tem sido bem sucedido sempre, mesmo se o conhecimento desta é limitado para aqueles que sabem sobre essas coisas.

Dito isto, tais ações de contra-insurgência não se limitam ao estabelecimento militar, embora a maior parte da responsabilidade recaia sobre estes. Membros alertas e engajados do público geral vêm se empenhando para empregar seus próprios “jeitinhos” para tentar minar aos esforços da engenharia-social de dividir-e-controlar da oligarquia Anglo-Americana no Brasil (embora não necessariamente conheçam tais ações que são conduzidas pela oligarquia Anglo-Americana, mesmo se eles estão informados do importante papel da Fundação Ford desempenha embora não entenda muito bem porque ela desempenha um papel).

O movimento Nação Mestiça, por exemplo, tem procurado usar o termo pardo e moreno para neutralizar a tentativa Anglo-Americana para dividir a sociedade ao longo de linhas rígidas de brancos e negros como é o caso das sociedades nos Estados Unidos e na África do Sul.

Assim, o impulso brusco de tal divisão racial entre brancos e negros é desviado e dirigido para longe por uma ênfase sobre a realidade do Brasil, onde há uma ausência de um dicotomia rígida codificada por cores, e em vez disso tem um contínuo de cores que reflete a realidade histórica e social do país. Se as autoridades reconhecerem a categoria “moreno”, como o movimento Nação Mestiça tem tentado fazer, então isso irá em um longo caminho para anular os esforços de divisão das oligarquias Anglo-Americanas.

As instituições militares deveriam apoiar este movimento civil em seus esforços patrióticos como um parceiro valioso na luta.

Brasil encontra-se confrontado com a formidável tarefa de navegar em um ambiente complexo e sofisticado, enquanto procura assumir uma posição na cena internacional condizente com seu tamanho e ambição. Uma grande parte do sucesso para navegar através desses desafios está em aceitar e se adaptar a essas realidades.

Parece que o Destino, com seu senso de humor, tornou uma desvantagem do Brasil em sua vantagem, isto é, numa sociedade cuja organização e estrutura  tem criado uma cultura de “jeitinho” para permitir que a população supere e contorne esse sistema social por vezes injusto, a uma abundância de pessoas bem dotadas com a astúcia e criatividade para vencer a oligarquia Anglo-Americana em seu próprio jogo, como o exemplo do Fundo Amazônia tem claramente se demonstrado assim.

O número de pessoas necessárias para fazer isso nunca precisa de ser grande, nem suas ações precisam de ser proeminentes e bem conhecidas. Enquanto um leme é uma parte pequena e invisível de um navio, é esta parte que determina a direção que o navio leva. Da mesma forma, um pequeno número de pessoas que operam nas sombras deve praticar sua arte sutil com habilidade superior que a sua cultura, por um acidente do destino, dotou-las. Destino conferiu-lhes a capacidade de prevalescer nessa luta. E no Grande Jogo, o Brasil está certamente destinado para jogar um bom jogo.


Peter de Mambla é um australiano que recentemente passou um ano no Brasil. É  bacharel em Ciência política pela Universidade de Monash e está atualmente a realizando o doutorado em Direito (Júris doutor) pela Universidade de New England, Austrália. Possui um grande interesse na geopolítica e, mais amplamente, nas questões relativas à boa vida (no sentido Aristotélico).


 

Categories
Artigos Exclusivos do Plano Brasil Conflitos Fotos do Dia Geopolítica Inteligência

Desafios assimétricos do Brasil

Peter de Mambla (PdM) para o Plano Brasil

Tradução: E.M.Pinto
Clique nas imagens para vê-las em maior definição


Segundo um velho ditado, existem três tipos de pessoas: aqueles que fazem as coisas acontecerem, aqueles que assistem as coisas acontecerem e aqueles que se perguntam o que está acontecendo. Nos dias de hoje podemos levar este pensamento a todas as nações do mundo, e determinar que existem aquelas nações que fazem acontecer, as outras que sabem o que está acontecendo e por último aquelas que têm pouca ou nenhuma idéia do que está acontecendo de fato.

Peter de Mambla

Desafios assimétricos do Brasil

As nações que fazem as coisas acontecerem são obviamente as grandes potências que compõem os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Eles são os Estados Unidos da América, o Reino Unido, a França, a China e a Rússia.

As nações que “sabem” o que está acontecendo são as potências intermédias, como a Austrália, Canadá, Espanha, os países escandinavos, bem como as potências vencidas na  Segunda Guerra Mundial, como a Alemanha o Japão e a Itália.

Por fim teríamos as nações que certamente não sabem o que se passa no mundo, por exemplo Bangladesh, as Ilhas do Pacífico, Guiné Equatorial e muitos outros. Estas são nações pequenas e que podem ser consideradas os “peões” do tabuleiro de xadrez global. Eles são os que se perguntam “o que está acontecendo?”.


Como mencionado, há algumas nações que por natureza seriam grandes potências, mas, pelo fato de terem sido derrotadas na Segunda Guerra Mundial, não têm outra opção senão aceitar a sua posição subordinada, observando os assuntos um pouco à margem, mantendo uma distância respeitosa e de silêncio, são nomeadamente a Alemanha, Japão e a Itália.

Porém, há um quarto tipo de nações, as chamadas potências emergentes, “jovens” entusiasmadas e ansiosas nações que almejam ou assentar-se ao lado das potências da “velha guarda” ou simplesmente suplantá-las. Neste contexto, temos entre outras nções, o Brasil, inegavelmente uma dessas novas  aspirantes à super potências.

Mas para aqueles que ousam “fazer”  acontecer e com isto desfrutar do posto de “comando”, é necessária muita experiência e astúcia, as potências emergentes devem antes de mais nada escalar o íngreme e difícil caminho para alcançarem o olimpo, e poderem atuar e decidir nos assuntos globais. Tendo isto em mente, aprimeira pergunta que vem a mente é de um modo tão básica como também relevante, o Brasil tem condições de chegar a este objetivo e adentrar ao clube?

…este é o tema central deste artigo.

 

1. “O clube dos Big Boys os meninos grandes “

Os “meninos grandes” neste jogo, são os “donos’ do campo e da bola, ou seja, os membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas. E os “meninos grandes” dentro deste conselho, a força dominante, os caras que dtam as regras são os anglo-americanos, isto é, os Britânicos e os Americanos. Nesta análise, a França pertence ao grupo dos “big boys” tão somente porque acabou no lado dos vencedores da Segunda Guerra Mundial, além disso, suponho, porque eles têm algum status residual decorrente da sua história. Já a Rússia e a China representam as forças preeminentes fora da dominação e do controle Anlgo-Americano, em outras palavras, aqueles que representam um obstáculo para a hegemonia Anglo-Americana.

Tempos atrás a Alemanha apresentou o maior perigo para a hegemonia britânica, a Alemanha assumiu o papel da França que lutou por séculos contra la perfide Albion até que finalmente fez as pazes em uma Entente cordiale, cujo objetivo foi o de enfrentar a ameaça Germânica.

Como F. W. Engdahl afirma em seu livro A Century of War (um século de guerra), A grande potência da Grã-Bretanha aplicou a sua estratégia envolvida no apoio às potências mais fracas do continente, com o único objetivo de oporem-se à potência mais forte, isto é, a fim de manter o equilíbrio de poder tal que a British hegemony (hegemonia britânica) não seria assim ameaçada. Como é óbvio, a melhor opção era jogar as duas grandes potências uma contra a outra, para que assim pudessem eventualmente, degladiarem-se em uma guerra, tornando a equação nula pois ao fazê-lo, se anulariam mutuamente, deixando o espaço para a potência britânica intacta e igualmente poderosa.

De fato isso constituía a grande estratégia da Grã-Bretanha na última parte do século XIX, ao longo do século XX e, porque não dizer, até hoje…

Porém, enquanto a Alemanha foi retirada, anulada pela equação, a Rússia sobreviveu, mas numa análise mais profunda, a retirada deste segundo ator não será fácil e deve ser feita com muito cuidado, a distância. De lá para cá muita cosia mudou e o ponto central da discussão agora alinhou-se a um outro ator de peso, a China, que surgiu desde então e levanta-se opondo-se as potências anglo-americanas.

 

2. The Powers That Be

 

Nesta altura, torna-se necessário esclarecer exatamente quem são os anglo-americanos. Para muitos este anglo americano seria o americano médio o “comedor de hamburger”, que vive nos subúrbios dos Estados Unidos e que tenta pagar as suas hipotecas ou  mesm, o seu homólogo britânico do mesmo gênero. Estes “tolos”, não sabem o que está acontecendo no mundo que os cerca, talvez nem queiram… mas de alguma forma estes sujeitos se somam a massa dos que fazem as “coisas acontecer”, ou mesmo que as vêem acontecer e por vezes unem-se a esmagadora maioria dos habitantes deste planeta aqueles que nem sabem o que está acontecendo.

Este cidadão médio, embora seja parte do grupo dos “big boys”, não faz a mínima idéia de como funciona o sistema bancário e financeiro e por isto está sendo enganado e transformado num escravo da sua dívida, forçado a passar a maior parte de suas horas de vigília lutando para saldar esta dívida criadanas sombras da noite por um cartel privado de ricos e poderosos Banqueiros.

Este cartel bancário, com seus centros de poder dividido entre o Batman da Cidade de Londres e do Robin de Wall Street, e que finalmente venceu no início do século XX a sua batalha para executar e controlar os Estados Unidos.  Houve até cerat resistência por alguns, mas apesar de presidentes como o FDR e JFK resistirem ao poder do seu dinheiro, o interesse do povonão poderia prevalecer no final e, desde JFK, os presidentes norte-americanos têm sido algemados e firmemente subjulgados ao controle dessa oligarquia financeira.

Esta oligarquia representa um governo que não é do povo, pelo povo ou para o povo. Por esta razão, ela deve ser necessariamente um governo das “sombras”, que opera nos bastidores em segredo, pois não pretende despertar a curiosidade e escrutínio deste povo.

Este sistema oligárquico de governo tem suas raízes, principalmente, na oligarquia de Veneza, que durante mais de um milênio atuou de forma diabólica na diplomacia e inteligência política, manipulando e controlando os seus vizinhos europeus, jogando-os  uns contra os outros na prática dos seus próprios interesses nefastos. Eventualmente, essa oligarquia transplantou-se nas Ilhas Britânicas e de lá continuou a ser uma ameaça para a humanidade. Porém, apesar de poderosa esta oligarquia enfrenta atualmente uma série de grandes desafios e adversários.

O cassino de dívida de reservas Fraction-banking está finalmente atingindo seu ponto final matemático. Se a economia global vale cerca de US$ 60 trilhões de dólares e as quantidades fictícias derivados da dívida são cerca de US$ 1,5 quatrilhão, então essa dívida não pode ser paga. A insistência atual decai sobre as medidas de austeridade – cortar serviços públicos de tal modo a poder saudar a dívida que é impagável, nada mais é do que “crueldade sobre palafitas”( creio que  amelhor tradução seria bater aleijado). Porém a resistência entre as massas está aumentando e a oligarquia de mesmo modo tem acelerado a chegada do momento final.

Muito lentamente está sendo instituído um estado policial, extremista, que pode ser sentidos nos EUA com a imposição do Patriot Act e medidas similares no Reino Unido.
O outro grande desafio para esta oligarquia está na parte do mundo que não está sob o seu controle. Tendo finalmente afastado a Alemanha como uma grande ameaça à sua hegemonia na metade do século XX, esta oligarquia tem na sua frente dois gigantes, a Rússia e a China que bloqueiam o seu caminho rumo a hegemonia global.

 

3.  Pax (Anglo)- Americana

 

Halford Mackinder foi um geógrafo britânico que ajudou a geopolítica encontrado nela a Geoestratégia. Ele é particularmente lembrado por sua  Heartland Theory, que pode ser resumida da seguinte forma: “Quem controla a Europa oriental comanda a Heartland. Quem governa a Heartland comanda o Mundo Ilha. Quem governa o Mundo Ilha controla o mundo”.  Esta teoria teve alguma influência sobre os estrategistas nazistas levando-os a incentivar o seu” caminho para o Oriente “durante a Segunda Guerra Mundial.
A importância desta teoria para os estrategistas britânicos era servir como um alerta sobre a possibilidade de ter uma outra potência, ou um conglomerado de potências, dominando o território da Eurásia, o que  tornaria irrelevante a supremacia marítima britânica que até então era capaz de controlar as rotas de comércio marítimo mundial.


Atualmente esta é a mesma preocupação dos geoestrategistas Americanos, como os britânicos do passado, os EUA são hoje a potência marítima que tenta impedir qualquer potência rival de dominar a Eurásia e, a partir daí, o mundo.

Zbigniew Brzezinski, a eminência parda da administração Obama, que anteriormente serviu como Conselheiro de Segurança Nacional do presidente Jimmy Carter, escreveu sobre as exigências geoestratégica dos Estados Unidos em seu livro de 1998, The Grand Chessboard: a Primazia americana e seus imperativos geoestratégicos.

Ele começa o livro da seguinte forma: “É imperativo que nenhum desafiador Eurasiano tenha emergia capaz de dominar a Eurásia e, portanto, a América. A formulação de uma abrangente e integrada geoestratégia eurasiana é, portanto, o propósito deste livro. “

Falando do momento histórico da América, ele diz: “Para a América, o principal trunfo geopolítico é a Eurásia … Agora, um poder não-Eurasiano é proeminente na Eurásia – e a primazia global dos Estados Unidos é diretamente dependente de quanto tempo e quão eficazmente a sua preponderância no continente euro-asiático será sustentado “.

Debruçado sobre este tema, ele julga ser um assunto, tênue e crítico, mas também, deixa transpassar claramente não só “o que” mas também o “como” a América deve gerenciar Eurásia”. Um poder que dominasse a Eurásia controlaria duas das três regiões do mundo mais produtivas e avançados economicamente. Um simples olhar ao mapa também sugere que o controle sobre a Eurásia quase que automaticamente implicaria na subordinação da África, tornando o Hemisfério Ocidental (Américas) e Oceania, geopoliticamente periféricos ao continente central do mundo. Cerca de 75% da população mundial vive na Eurásia e a maioria da riqueza física do mundo está lá também, isto sem falar nas riquezas que se escondem a baixo do solo. A Eurásia responde por cerca de 3/4 dos recursos energéticos do mundo conhecido”.

Seu conselho para manter e gerir este continete é o seguinte: “Para colocá-lo em uma terminologia que remonta à idade mais brutal dos antigos impérios, os três grandes imperativos da geoestratégia imperial são: evitar a colisão e manter a dependência da segurança entre os vassalos, desta forma mantemos nossos “clientes” dóceis e protegidos, e assim impedimos que os bárbaros se unam. “

Ele continua mais adiante: “De agora em diante, os Estados Unidos pode ter que determinar como lidar com as coalizões regionais que buscam empurrar a América para fora da Eurásia, ameaçando o status da América como uma potência global.”

Sua conclusão é, essencialmente, que a importância de alguns lugares da Eurásia para o Estados Unidos nada mais são que o “prêmio de uma manobra de manipulação, que deve visar evitar o surgimento de uma coalizão hostil que desta maneira poderia, eventualmente, visar contestar a primazia dos Estados Unidos.”

 

4. La Résistance

Os “bárbaros” para a oligarquia anglo-americana que não podem manter-se unidos, são essencialmente os Russos e os chineses. Os russos têm lutado muito contra o poder antagônico, resistindo a intriga da geopolítica britânica – “O grande jogo” – e foram cruciais para frustrar os esforços britânicos em derrotar a União durante a Guerra Civil dos EUA. Eles suportaram o peso da fúria de Hitler durante a Segunda Guerra Mundial, o líder alemão foi alimentado e financiado pela inteligência anglo-americana, quer dizer, pela oligarquia financeira (embora eles não contassem que Hitler tomaria o seu rumo a oeste, mudando de direção e tornando-se um Frankenstein que ameaçaria a existência do seu criador).

Esta oligarquia de certa forma prejudicou a Rússia ao derrotar o comunismo soviético, quase acabou com ela, para isto implantou lá a famosa “terapia de choque“, instituída durante o reinado caótico e desastroso de Boris Yeltsin, período o qual a Rússia foi saqueada pelos oligarcas locais e trazida aos seus joelhos.

Patrióticos russos na comunidade da inteligência russa decidiram que já era o suficiente e acabaram com essa destruição e empobrecimento do país. Eles perseguiram a maioria desses oligarcas (novos Russos) que fugiram correndo com seus mal-ganhos bilhões de dólares para Londres e Tel Aviv. Com Putin ao leme, a Rússia começou a resistir ainda mais aos esforços no exterior, esforços estes que visavam enfraquecer a Rússia e eliminá-la a partir da equação global, dividindo o país em cinco ou mais nações menores, e desta forma entregando-os facilmente as manipulações de qualquer multinacional aos seus serviços.

Uma parte óbvia da resistência seria esmagá-los militarmente.  Mas para isto seriam necessários alguns requisitos, o que tem sido atrapalhados pela resposta russa.  Prevendo este colapso a Rússia tem recentemente se concentrado em investimentos específicos e busca manter-se na vanguarda das principais áreas cruciais para a sua defesa, como por exemplo os ICBM Topol-M que é projetado para penetrar qualquer defesa antimísseis altamente avançados. Junta-se a isso o desenvolvimento de caças da família Sukhoi, iguais ou melhores que os rivais ocidentais (com exceção do F 22), bem como dos sistemas terra-ar S-300, S-400 e, agora os S-500, projetados para neutralizar a vantagem do Ocidente mediante a superioridade aérea.

Outra parte da resistência está na guerra de informação e neste ponto, um jogador importante na resistência Russa é sem duúvida o General Leonid Ivashov, que anteriormente era o chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas e que atualmente ocupa o cargo de vice-presidente da Academia de assuntos Geopolíticos.

Consciente do tipo de dominação que os anglo-americano gozam na guerra de informação, o General Ivanov e os seus colegas criaram um intrincado sistema de contra ataque cibernético e informativo. Revistas escritas em Inglês surgiram, dando uma perspectiva da alternativa russa sobre os temas. De fato, estes escritórios são alimentados por escritores da inteligência russa. É interesse da comunidade de inteligência russa dizer a “verdade” no que diz respeito a esta luta, portanto fornecem as informações sobre o que realmente está acontecendo em matéria de geopolítica segundo a sua ótica.

Assim, sempre que surge uma dúvida sobre questões geopolíticas eles recorrem aos Think-tank: Strategic Culture Foundation; New Eastern Outlook; e Oriental Revie.

A versão russa da BBC, a RT, é uma outra forma da guerra de informação que os russos estão oferecendo. Aparentemente fazendo muito bem, a rede abriu a RT Latina, oferecendo a multidão de “tolos” (os cidadãos médios), uma alternativa de notícias nos EUA, uma plataforma de destaque diga-se de passagem. Soma-se a isso a abertura das versões em espanhol e em língua árabe, o que tem feito o suficiente para pelo menos deixar Hillary Clinton preocupada. Qual a razão de deixar a geração de opinião apenas nas mãos dos Anglo-Americanos?

Os russos, deve ser dito, parecem estar adorando irritar aos anglo-americanos com a RT. Eles relatavam com alegria indisfarçável o que acontecia na reunião dos Bilderberg na Espanha em Junho de 2010, quebrando um tabu proibido pela mídia. A existência até então desta organização foi oficialmente negada e a crença em sua existência foi limitada a wild-eyed dos conspiracionistas. Mas com a RT proclamando a sua existência a partir do seu terraço, a pretensão não poderia mais ser mantida em segredo, após todas essas décadas os Bilderbergers são agora obrigados a ter um site e a revista the Economist (como o porta-voz do establishment britânico, centrada em torno da cidade de Londres, a oligarquia financeira, a instituição mais poderosa do mundo) prontamente reconhece a sua existência e admite que o seu editor é um participante ocasional, embora de um modo desdenhado projetado para minimizar a sua importância e significado.

A OTAN prometeu a Gorbachev que não iria se expandir para a Europa Oriental se Gorbachev não interviesse na reunificação da Alemanha. Evidentemente esta promessa foi feita de dedos cruzados, pois violando o acordo assinado com a Rússia a OTAN se expandiu até a sua fronteira limitrofe e até quase  a ultrapassou, até que a Rússia resolveu dar um basta, esmagando a Geórgia na Guerra de 2008, que muito provavemente teria sido instigada pela ação de Brzezinski.


Pelo menos, desde que Wladmir Putin esteja por perto mesmo a facção “rebelde” a qual ele está associado, a Rússia irá resolver e vai continuar a desafiar a oligarquia anglo-americana.

A China, talvez em consonância com a sua tradição confuciana, age com moderação e finesse na sua resposta à contínua intriga anglo-americana que tenta cercá-la e depois quebrá-la. A grande estratégia neste caso é a de gradualmente torná-la dependente dos recursos vitais até que ela seja forçada a entrar nas fronteiras pouco povoadas da Rússia do extremo oriente, fazendo com que a Rússia e a China partam para o confronto e, assim, se anulem mutuamente, aos mesmos moldes do esperado na segunda guerra, quando os atores eram Rússia e Alemanha, diga-se de passagem, plano parcialmente bem sucedido.

Para este fim, os EUA, como potência marítima, tem estado ocupado a tentar dominar as posições navais estratégicas ao estrangulamento do comércio marítimo, crucial para o crescimento continuado da China, ou seja, o Estreito de Ormuz, Bab-el-Mandeb e o Estreito de Malaca, de tal forma que um bloqueio destas rotas cruciais, selaria por si só o seu destino, deixando a China aleijada.

A China respondeu a esta ameaça às suas linhas de comunicação marítimas com o que foi chamado de política de “colar de pérolas”, que segundo um relatório interno dos EUA, do Departamento de Defesa, intitulada “Energy Futures in Asia“, que descreve-o como a manifestação “da crescente influência da China geopolítica através dos esforços para aumentar o acesso aos portos e aeroportos, e desenvolver especiais relações diplomáticas, modernizar as forças militares que se estendem desde o Mar da China Meridional através do Estreito de Malaca, em todo o Oceano Índico, e para o Golfo Pérsico. “

Em resposta à ameaça representada pelo ponto de estrangulamento no Estreito de Malaca, os chineses têm se esforçado em construir corredores de transporte por vias terrestres destinados ao transporte de recursos vitais para a China e ignorar tais pontos de estrangulamento. A Birmânia e o Paquistão são dois países onde os chineses estão fazendo tais esforços, como a construção de um porto de águas profundas em Sittwe, Myanmar, e um grande porto em Gwadar, no Paquistão, que também é provavelmente uma base naval para os chineses a aproximadamente 200 milhas do Estreito de Ormuz.

Os anglo-americanos reagiram tentando desestabilizar Mianmar com uma mudança de regime através da “Revolução do Açafrão” e, com relação ao Paquistão, parecem decididos a romper o país em três ou mais, com a parte que contém o grande porto de Gwadar criando o novo país de Baluchistan.

Os Esforços para desestabilizar e dividir a China estão em curso, talvez começando com a revolta da praça de Tienanmen em uma tentativa inicial de uma revolução de cores, em 1989, mais recentemente com a agitação uigur no oeste da China e a agitação contínua por um particular estritamente definido conjunto de “direitos humanos”, que é, na realidade, uma significava criação de divisões que irão resultar na fragmentação da China em feudos rivais insignificantes, que como presumível, não são páreo para a Halliburton ou qualquer outra multinacional sem princípios.

Escusado será dizer que os chineses e os russos não vão ficar de braços cruzados assistindo tudo isto acontecer, eles já mexem as suas peças no tabuleiro, até mesmo decidiram organizarem-se entre si para resistir a esses esforços que visam a sua destruição.

Os chineses, em 2001, tomaram a iniciativa de fundação da Organização de Cooperação de Xangai (SCO), composto por China, Rússia, Cazaquistão, Uzbequistão, Quirguistão e Tajiquistão. Índia, Irã, Mongólia e Paquistão desfrutam do status de observadores na organização, a Bielorrússia e o Sri Lanka, nenhum dos quais são países da Ásia Central, assumiram o status de parceiros de diálogo, em 2009.

Após esta união o Sri Lanka foi finalmente capaz de derrotar os separatistas Tigres Tâmeis depois de muitos anos de guerra civil com a ajuda de membros da SCO Rússia e China. O Sri Lanka é estrategicamente importante para os chineses, porque está localizado ao longo das linhas do seu mar de comunicação. A China está atualmente construindo o que é amplamente considerado como uma base naval no Sri Lanka na cidade de Hambantota. Durante a ofensiva do governo do Sri Lanka contra os Tigres Tamil, os anglo-americanos reagiram aos gritos sobre os direitos humanos e desde então, ameaçaram as lideranças do Sri Lanka com processos por alegadas violações dos direitos humanos durante a luta final contra os Tigres.

Sem dúvida para a consternação dos Estados Unidos, o Afeganistão é a parte do Grupo-SCO que serve com um meio pelo qual os países membros da SCO podem contribuir para a estabilidade e reconstrução da região e do próprio Afeganistão.

O escritor iraniano  Hamid Golpira declarou os objetivos geopolíticos do SCO definindo-o segundo a teoria de Brzezinski:

“O controle do território Eurasiano é a chave para a dominação global, o controle da Ásia Central é a chave para o controle do território Eurasiano”.

Parece que a Rússia e a China tem prestado atenção à teoria Brzezinski, já que eles formaram a Organização de Cooperação de Xangai em 2001, supostamente para conter o extremismo na região e aumentar a segurança nas fronteiras, mas muito provavelmente com o real objetivo de contrabalançar as atividades das Nações Unidas e da OTAN na Ásia Central.Além das iniciativas como a resistência SCO que representa a resistência para a unidade anglo-americana em sua busca pela hegemonia global, existem outras formas de multilateralismo que vieram à tona, como o agrupamento incipiente dos BRICS ( Brasil, Rússia, Índia e China), representando as aspirações das potências emergentes para um assento na mesa das instituições globais e tomadas de decisão.

 

5. Brasil – O País do Futuro?


O Brasil, como uma potência em desenvolvimento, está baseando sua ascensão diplomaticamente sobre a integração regional, com o Brasil como líder natural da região. E para fazer isso, ele deve deslocar os Estados Unidos como nação hegemônica na América do Sul. A União de Nações Sul-Americanas (Unasul) é um esforço do Itamaraty, o ator principal que busca alcançar a união sul-americana na emulação da União Européia.

Contribuindo para esse objetivo no cenário internacional, o Brasil é a favor de um mundo multilateral, em oposição a um mundo unipolar anglo-americano e portanto, trabalha em cooperação com outras potências emergentes para este fim, especialmente após agrupar-se aos BRICS, mas também aos IBSA (Índia, Brasil, África do Sul). O Brasil  acredita que a ascensão de outras potências emergentes e o multilateralismo que ela representa seja a melhor garantia da sua própria ascensão
. A própria ascensão econômica do Brasil, depende, em grande medida, do crescimento econômico dos parceiros BRICS como a China. Especialmente na sua exigência de recursos o que torna o Brasil um elegível parceiro totalmente aparelhado para lhe sanar as necessidades.

A oligarquia Norte-americana entretanto, não olha com bons olhos a possibilidade desta “perda” de hegemonia regional. Em resposta a criação da incipiente UNASUL e da criação de um Conselho de Defesa Sul-Americano (CDS), os EUA reativaram a IV Frota, que permanecia adormecida desde 1950. Isto acendeu os protestos oficiais do Brasil e da Argentina quanto à finalidade da frota. Não para por aí, os EUA pouco depois anunciaram a sua intenção de estabelecer sete bases na Colômbia, provocando mais alarme nas nações sul-americanas, incluindo o Brasil.

Além de criação destas entidades o Brasil e a política externa estão consciente de que o caminho necessário para o Brasil realizar o seu objetivo, passa pela integração regional e mais importante ainda,  da garantia da hegemonia regional. Por isto o que já era estabelecido no meio militar já há algum tempo, passou a ser consciência de que a cobiça por nações estrangeiras na Amazônia, tanto na verde quanto na Azul (em momento oportuno) não são meros devaneios e já estão se ajustando e se preparando em conformidade a realidade que se avizinha.

 

6. Probidade incomum

 

Eu estava fazendo uma refeição com uns amigos no restaurante Oklahoma no Flamengo, Rio de Janeiro e a TV estava no fundo mostrava a notícia de que o então Presidente Lula da Silva, havia recentemente decidido avançar com a construção da barragem de Belo Monte. o vídeo mostrava índios protestando contra a obra.


Virando-se para um dos meus interlocutores eu perguntei: “Você acha que eles devem ir em frente e construir essa represa?” Ele disse que achava que deveriam. Depois de assistir o filme e relatar mais algumas novidades, aquele sujeito logo seguiu a conversa com um: “Sabe aqueles índios protestando? são financiadas por interesses estrangeiros, a fim de prejudicar o desenvolvimento do Brasil e roubarem as riquezas contidas na Amazônia” Ele balançou a cabeça vigorosamente.

Surpreso, perguntei-lhe como ele sabia disso?  Leu numa revista ou jornal? Como ele havia se informado sobre o assunto? Para meu espanto ele anunciou com orgulho que tinha sido um oficial do Exército Brasileiro durante oito anos, no corpo de blindados e ainda estava servindo na reserva como tenente. Esquemas  estrangeiros na Amazônia eram de conhecimento comum no serviço militar, ele me assegurou.


Isto contrastou fortemente com o que percebi na população civil que, pela minha experiência, parecia não saber nada sobre tais esquemas, foi quando então ele disse que inclusive já havia lutado para defendê-la. Por exemplo, meus colegas de casa (Rio de Janeiro), em seus vinte e tantos anos de idade, quando não estão interessados em fumar “maconha” seja qual for o motivo, estão preocupados com o fim de semana, com uma ida à praia ou, à noite, Lapa ou algum clube.

A impressão geral que fiquei no meu tempo no Brasil, era de que as pessoas tendem a ver menos o seu governo como uma instituição, servindo-os e mais como um obstáculo a ser evitado ou, na falta deste, superado, por meio de uma aplicação hábil do famoso “jeitinho brasileiro”. Na minha cabeça eu achava que informando-os de tais realidades geopolíticas eu iria levá-los a indignação e uma insistência para que os seus representantes eleitos fizessem algo, mas a resposta quase sempre era na forma de um olhar de consternação e ingenuidade.

A resposta parecia ser: “O que isso tem a ver comigo?  É da responsabilidade de quem tem a responsabilidade de tais coisas “, era o que eles pareciam dizer em seus olhares.

Isto explica a grande desconexão entre os militares e o público em geral. Enquanto o estabelecimento militar parece plenamente consciente de tais enganos e esquemas de interesses estrangeiros e governos no Brasil, o público parece totalmente ignorante de tal fato, trata-o como absurdo quando se diz, ou simplesmente são completamente indiferentes.

Claramente parece haver uma grande divergência entre o estabelecimento militar e os outros estabelecimentos e instituições. Ao contrário, por exemplo, em países anglo-saxões, onde o Judiciário goza de uma reputação de imparcialidade, justiça e assim por diante, o Judiciário brasileiro é conhecido por ser corrupto.
E o establishment político é extremamente venal, o que descaradamente, faz com que o público tenha pouca confiança e portanto demonstre quase nenhuma surpresa ou mesmo preocupação com o mais recente escândalo chocante. (Os únicos que parecem realmente ter trabalhado ao longo desses escândalos é a mídia e alguns estudantes).

O que faz com que o estabelecimento militar olhe o todo com melhor percepção. Fiquei surpreso ao saber que durante a Ditadura, os líderes militares não se enriqueceram, mas em vez disso, modestamente se aposentaram com suas pensões militares. Propriedades e probidades tais que contrastam marcantemente com a liderança civil que se seguiu à ditadura, a ponto de me perguntar se o estabelecimento militar é do mesmo país ou  de algum outro laneta completamente diferente.

Fica-se perplexo ao saber que uma das grandes “injustiças” declaradas destes pais (como se não houvesem outras) diz respeito a quantidade de abuso de poder que havia, durante a ditadura, que durou cerca de 20 anos, mas especificamente de quão pouco… Isto claro em contraste com as ditaduras em países vizinhos como Chile e Argentina, onde muitos milhares foram mortos pelo governo, ao longo dos 20 anos de ditadura militar no Brasil, a quantidade de assassinatos foi surpreendentemente limitado a menos de 400. Claro que isso é lamentável por si só, porém, proporcionalmente e relativamente a sua população, a ditadura do Brasil aparece de forma positivamente “benigna”.


Isso apesar do fato da ditadura basear a sua existência sobre a ameaça da revolução comunista, que, se tivesse sido permitida ter sucesso, teria supostamente realizado muito mais abusos de direitos humanos.


 

7. Use It Or Lose It

 

Se o estabelecimento militar é o mais nobre dos estabelecimentos e instituições Brasileiras (como parece o caso – eu sei muito pouco sobre a instituição da Igreja Católica, no Brasil ou em outro lugar, para comentar sobre isso), por isso não seria nenhuma surpresa que o establishment militar seria um dos mais preocupados com as ameaças de curto e longo prazo para a soberania da nação e da integridade territorial e até mesmo a coesão social.

O Coronel Gelio Fregapani era, antes de sua aposentadoria, um alto oficial do exército brasileiro ligado às questões estratégicas e suas implicações no domínio militar. Ele ocupou cargos importantes do Exército e da Secretaria de Estado, mas também foi um alto funcionário do serviço de inteligência do Brasil, ABIN. Ele é um especialista em Amazônia e foi um dos fundadores e desenvolvedores da doutrina de guerra na selva do Brasil. Ele tem pós-graduação em ciências políticas, política e estratégia e planejamento de governo, e escreveu três livros: “A Amazônia e a cobiça internacional maciça”; “No lado de dentro da selva”, e “Segredos da Espionagem”.

O coronel Fregapani foi franco e direto quando respondeu as perguntas sobre as ameaças à soberania do Brasil e a integridade territorial na Amazônia, bem como dos interesses estrangeiros sobre as riquezas da mata e dos minerais, ele tem sido um dos principais impulsionadores por trás orientação do Exército Brasileiro para a preparação da defesa  da Amazônia contra supostos agressores externos.

Devido as suas reclamações (talvez demasiadas) sobre essas ameaças como o chefe do Grupo de Trabalho da Amazônia, um grupo de inteligência composto por representantes das forças armadas, Polícia Federal e Serviço de Inteligência, o coronel Fregapani foi dispensado de seu comando pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim.


Talvez o abismo que separa os líderes civis e os militares no Brasil é tal que a liderança civil muitas vezes não acredita no que os seus militares dizem. Mas se esta ação foi feita para parar o militar de continuar a reclamar da ameaça à soberania da nação e da integridade territorial, não funcionou, pouco tempo depois, não menos que o General Augusto Heleno criticou publicamente a política indigenista do governo, repetindo muitas das queixas levantadas pelo Coronel Fregapani.

O general estava alertando sobre a Declaração de 2007 da ONU sobre os direitos dos povos indígenas, dos quais o Brasil foi signatário, mas que, curiosamente, os países anglo-saxões como os EUA, Canadá, Austrália e Nova Zelândia, que também possuem as suas próprias populações indígenas, não assinaram.


Os militares brasileiros mantém firmemente a opinião de que tal medida constitui uma grave ameaça à soberania do país e da integridade territorial, e dá a entender que isso é pura desculpa encoberta por uma verdadeira preocupação pelos  interesses dos povos indígenas. Eles defendem a presença do governo brasileiro na região, não só militarmente, mas em termos de prestação de serviços sociais básicos pelo Estado e assim por diante.

O Geral Heleno, em primeiro lugar, é um general, e, por outro, foi o primeiro comandante da missão da ONU liderada pelos brasileiros no Haiti. No momento em que criticava publicamente a política indigenista do governo, ele ostentava o posto de comandante da região Amazônica. Talvez por esta razão ao contrário do Coronel Fregapani, o governo não estava disposto a demiti-lo.


8. Frentes ONG

Como resultado das revelações prejudiciais levantadas pelo comitê Church, chefiada pelo senador de  mesmo nome oe da Comissão Rockefeller em 1975, as quais apuravam as investigações sobre os abusos da CIA, o presidente Reagan, em 1981, assinou a Ordem Executiva 12333, permitindo a privatização de muitas funções da CIA, e assim eximia o estado americano das críticas e pressupostos negativos.

A partir desta medida, surgiram como resultado várias ONGs (Organizações Não Governamentais) que se configuraram na forma de fundações cooptadas para atuar como frentes de ações que agiam publicamente tal como a CIA havia atuado de forma encoberta até então. Desta forma, na altura em que foi criada a National Endowment for Democracy (NED), 1983, uma importante ONG utilizada pelo governo dos EUA instituída para provocar uma mudança de regime, Allen Wenstein, um dos redatores da legislação pertinente, comentou: “Muito do que nós fazemos hoje era feito de forma encoberta, há 25 anos pela CIA. “

Assim, não era surpresa que o Serviço de Inteligência do Brasil suspeitasse de que muitas das numerosas ONGs que operam na Amazônia, supostamente para o benefício da população indígena (na maioria dos casos), são na verdade, gabinetes de fachada da CIA e MI6 entre outros.

A grande estratégia que estes “desbravadores” da Amazônia parecem estar se preparando é para provavelmente garantir a autonomia dos “territórios” índigenas – que se assim acontecer, garantirá o assentamento definitivo sobre a vasta riqueza mineral – e, eventualmente,  estes territórios declararão as suas independências.Uma vez que isso acontecer, os líderes indígenas que foram tão bem manipulados, terão as suas nações recém-independentes prontas e maduras para a exploração por pessoas muito queridas por eles…

Sobre estes mesmos interesses, diversos grupos fizeram ruídos ao longo dos anos na campanha de internacionalização da Amazônia, argumentando que, devido à sua rica biodiversidade e, portanto, importância para o resto do mundo (como “os pulmões da Terra”, por exemplo), este patrimônio deveria ser tratado como ” bem público e coletivo”, e assim deveria estar sob o controle internacional, em vez de permanecer sob a gestão supostamente dos pobres brasileiros. Para tal argumento a resposta lapidar do senador Cristovam Buarquem não poderia ser superada…

 

9. O Brasil move-se em direção do Checkmate

 

Diante dessa crescente pressão para internacionalizar a Amazônia a partir de várias vozes internacionais de um lado, e o rosnado da pressão dos militares brasileiros por outro lado, tentando fazer algo para proteger a soberania da nação, o governo, talvez declinou agindo com o seu famoso “jeitinho brasileiro”, fazendo surgir uma resposta brilhante, que tomou completamente o vento das velas do que é reconhecidamente um esforço astuto e sofisticado da apropriação da Amazônia pelos anglo-americanos.

O governo brasileiro criou o Fundo Amazônia, essencialmente para desafiar os interesses internacionais e para colocar seu dinheiro onde sua boca está – com o discurso de que o Brasil administra os esforços para proteger a floresta e, assim, mantém o controle soberano sobre seu próprio território. No website do Estado, pode-se ler que o fundo “é destinado a captar doações para investimentos não reembolsáveis ​​nos esforços de prevenir, monitorar e combater o desmatamento, bem como promover a conservação e o uso sustentável da floresta no bioma Amazônia”.

Como que a aplicação hábil de um xeque-mate, houve pouco barulho após esta jogada de mestre, a internacionalização da Amazônia tem se silenciado desde então.  A ameaça, no entanto, continua a ser dos grupos indígenas manipulados por interesses estrangeiros  em consolidar a sua separação e, talvez, eventualmente, tentar a secessão.

O Exército Brasileiro vem investindo em suas habilidades de combate em selva, na medida de consultar os vietnamitas e adquirir as suas experiências de combate as quais foram as armas utilizadas para enfrentar os norte-americanos durante a Guerra do Vietnã, de modo que eles agora estão confiantes de que possuem a melhor escola de formação de guerra de selva  em todo o mundo, assim como os melhores guerreiros de selva do mundo. Se a Raposa-Serra do Sol, por exemplo, escolher declarar-se uma nação indígena independente, mesmo com a aprovação da ONU, o Exército Brasileiro tem deixado claro que irá ignorar esta declaração e que vai lutar por isto seja com quem for…


10. Dividir para reinar


Os militares, como a instituição mais alerta dos brasileiros a tais ameaças, foram muito conscientes sobre o modus operandi dos interesses estrangeiros, da ameaça a soberania brasileira e à integridade territorial. No entanto, enquanto o militar exibia uma consciência louvável e adaptação a estes desafios emergentes da guerra assimétrica, ou de quarta geração, outros setores do governo parecem não se dar conta da real ameaça e da natureza desta nova forma de guerra, muitas vezes sutis em seus métodos e estratégias.

A estratégia de dividir para reinar é antiga, usada ao longo dos séculos pela classe dominante ou elite para manter as ordens inferiores divididas e fracas, seja em colônias distantes ou mesmo dentro das suas próprias sociedades.

Como já mencionado, os poderes que são de natureza oligárquica, a oligarquia anglo-americana, atualmente desfrutam de status de “ocultos” a este respeito. Dado que a maioria de seus povos assumem serem democracias liberais, e desta forma estas oligarquias necessitam ser ocultas para que seus poderes e controles possam necessariamente ser disfarçados e escondidos. Como escritor norte-americano Michael Lind observou: “A oligarquia americana não mede esforços para promover a crença de que ela não existe …”


Uma maneira de fazer isso é transformar a fortuna da família desses clãs oligárquicos em fundações. Assim, (nos EUA) a Fundação Ford e a Fundação CarnegiePew Foundation, Rockefeller Foundation e assim por diante, são usados ​​pela elite dominante para manter o controle social por meio da fundação financidora da divisão e regra de engenharia social, jogando um grupo da população contra o outro, de modo que no final, os interesses de Wall Street não serão ameaçados.

A grande ameaça para a elite dirigente dos EUA veio na década de 1960, na sequência da derrota na Guerra do Vietnã e da anti-guerra, estudantes e movimentos de direitos civis. Líderes como Martin Luther King ameaçaram oferecer uma frente unida coletivamente e promover os interesses que se sobrepõem aos do movimento dos direitos civis, os interesses de trabalho da classe trabalhadora e do movimento anti-guerra. Campanha seu “Povo Pobre”, que por exemplo apresentou uma ameaça mortal para a Oligarquia.


A Oligarquia entrou em ação com sua estratégia de contra-insurgência atuando nas bases destes movimentos de forma a fragmentá-los, dividindo-os nas classes mais baixas em mesquinhas disputas estreitas e grupos de interesse que nunca poderiam se unir para ameaçar Wall Street.

Sob a mão orientadora de Skull & Bones e do patrício McGeorge Bundy, a Fundação Ford começou a jogar o coquetel Molotov de provocadores em coligações, como as de Martin Luther King na tentativa de desestabilizá-lo.

Esses provocadores eram defensores do Black Power, como os “Panteras Negras”, extremistas como H Rapp Brown, com seu incendiário “burn, baby, burn” declarações como “a violência é tão americana quanto a torta de cereja” serviram aos propósitos de alimentar uma reação da classe média contra as exigências dos militantes.


A Fundação Ford continuou a dividir ainda mais as classes inferiores americanas mas não somente através da fragmentação, mas também através da criação de pequenos feudos de grupos de interesse. Não apenas entre os “negros” e “brancos” a Fundação procurou acentuar e enfatizar – ou até mesmo criar onde não existia diferenças anteriormente. Ela financiou e fundou a identidade hispânica e continua a financiar extremistas e grupos de divisões como La RazaAztlan.

Para fragmentar ainda mais as classes média e baixa, estão adicionando a estes o glorioso ativismo feminista radical e os grupos homossexuais que atendem pela cacofonia das siglas GLS, criando a eles identidade política e assim por diante. Alguns oligarcas cuidam das coisas dentro da ala da direita, como os Irmãos Koch, que atuam promovendo a cooptação e financiamento do Tea Party entre outros grupos de tendência direitistas, enquanto George Soros opera na esquerda, capturando e domesticando os grupos de esquerda. O falecido comediante George Calin lamentou esta estratégia de dividir para governar com humor.


11. Cuidado com os presentes de grego

 


Os Interesses da oligarquia anglo-americana são, obviamente, extensíveis além das suas fronteiras english-speakingthe world is your oyster, after all, o mundo é sua ostra, depois de tudo.  E como já mencionado, essa oligarquia está enfrentando alguns desafios, como os países emergentes arrogantes e com claras pretensões de ocupar um assento na mesa ao em vez de se portarem como meros operários do sistema. De fato! a presunção de um país como o Brasil é um exemplo, parece que o Brasil não sabe ou esqueceu de vez o momento e o seu lugar no mundo, o quintal dos Estados Unidos e que nunca deveria presumir entrar na Casa dos senhores pela porta da frente!

Já falei aqui de projetos sobre a floresta amazônica mas sem dúvida haverá também projetos na Amazônia Azul. Já mencionei as intenções nefastas da Fundação Ford no Brasil, ainda que com sarcasmo e humor.

Portanto, agora vou elaborar sobre ela, a oligarquia que parece ter  a intenção de investir no Brasil nos moldes da mesma estratégia de dividir para reinar da contra-insurgência empregada através das frentes de suas fundações,  tal como nas suas próprias sociedades, de modo a obter o mesmo sucesso.

O Brasil, como uma sociedade relativamente homogênea e coesa, deve ser dividido. fragmentado e reduzido aos feudos de restritos grupos de interesse, os quais servirão para ascensão bem sucedida do poder da oligarquia no Brasil.

Claramente a estratégia usada não será a divisão de classes, pois esta  já existe e muito provavelmente será reduzida com o crescimento econômico, o que a torna descartável.

Portanto, uma forma de fazê-lo é implementando a divisão de raça – ou “raças” . Uma “raça americana”  do tipo, da cor e consciência terá que ter raiz, incutida e enraizada na próxima geração, para que a oligarquia anglo-americana seja capaz de jogá-los uns contra os outros, a nova raça confrontará as mais velhas. Dividir para reinar, é como é chamado.

Infelizmente, o governo brasileiro, evidentemente, sem a sofisticação e conhecimento necessários para ser capaz de discernir tais más intenções, aceitou de bom grado e com boa intenção os caminhos  que levam a estes planos tortuosos. A Oligarquia ordena “salte!” e o governo brasileiro submisso ansiosamente responde: “Quão alto?”. Resposta extraordinariamente absurda para um país como o Brasil, o estado brasileiro e o governo federal, a pedido da Fundação Ford estão institucionalizando o racismo, dando o conceito de raça legal pela primeira vez no país em 500 anos de história.

É claro que a Fundação Ford está cheia de boas intensões, diga-se de pasagem, das melhores intenções para o com Brasil e o seu povo, afinal eles estão no seu coração são amados de longa data, é claro…

Os sociólogos franceses Pierre Bourdieu e Loïc Wacquant, deixaram-nos  a melhor impressão sobre o tema em seu artigo, “Sobre as Artimanhas do Raciocínio imperialista”, nas páginas 44-48, onde lamentam esta imposição forçada a qual eles se referem como “a universalização pelos EUA do conceito popular de  raça como resultado da exportação mundial de categorias das academias, em países como o Brasil, um país tão longe da realidade  americana.”


Os próprios brasileiros, alarmados com esta tentativa de deformar e desfigurar a realidade da sua nação e a identidade social, têm montado uma defesa valente. Liderados pelos acadêmicos da UFRJ Yvonne MaggiePeter Fry, um brésilienne da resistência, alguns patriotas tem se manifestado em grandes esforços como “Uma gota de Sangue: Uma História do Pensamento Raciale Divisões Perigosas: Políticas Raciais no Brasil Contemporâneo, editado por FryMaggie, a esforços menos acadêmicos e mais populares como o blog Contra a racialização do Brasil  e do Movimento Nação mista.

Quem vai prevalecer? a oligarquia anglo-americana através da sua frente de batalha, a  Fundação Ford? ou os brasileiros empenhados em salvaguardar a integridade de sua nação?  Só o tempo poderá dizer…

Mas tal é a velocidade com que os esforços divisivos da Fundação estão a dar frutos que um parlamentar brasileiro já propôs a criação de territórios “brancos” territórios étnicos, evidentemente emulados nos territórios “índígenas” ou “negros” que  já estão sendo agitados vigorosamente para, o fim de “preservar os direitos culturais, o exercício de práticas comunitárias, a memória, cultura e a identidade racial da etnia branca”.  Isso no Brasil, talvez o mais multirracial pais do mundo.

 

12. A sorte favorece os fortes

 

Os militares brasileiros já cumpriram o seu dever constitucional de proteger a nação contra as ameaças externas, seja no sentido tradicional convencional, ou seja no mais novo sentido, na assimetria desenhada para o conflito na Amazônia.

No entanto, a ameaça ainda mais assimétrica (e, portanto, sutil e desafiadora), que visa quebrar a coesão social do Brasil parece ter passado despercebido até mesmo pelos militares,  tal é a natureza, muitas vezes sutil da guerra de quarta geração.

Devem ter notado, que eu sou um pouco suspeito para tratar do assunto, mas parece que não foi reconhecida a importância que merece.
A ameaça a coesão social  deve ser tratada no seu grau de importância, pois apesar de um projeto destes ser relativamente de longo prazo, e também pelo fato de não haver aparentemente nenhuma ameaça imediata, já que uma mentalidade racial toma conta, as mentes dos brasileiros serão capturadas e controladas para realmente pensar que eles pertencem a uma comunidade “negra” ou a comunidade “branca” que é, ou deveriam ser, segregados, com identidades diferentes e interesses divergentes e assim por diante, então essa mentalidade vai ser muito difícil de remover uma vez que esta idéia já será sedimentada.

O resultado prático será a transformação da população do Brasil em brinquedos dos oligarcas estrangeiros, sem piedade jogados uns contra os outros.

Os brasileiros têm a vontade ou não de resistir? Os brasileiros tem que se sentar à mesa dos adultos? Ou será que vão ser jogados e manipuladas, muito ingênuos e pouco sofisticados para ter qualquer esperança de desafiar o poder global que ai está? Talvez eles não estão prontos para o grande momento.  Mas, então talvez eles estejam. O tempo dirá…


Peter de Mambla é um australiano que recentemente passou um ano no Brasil. É  bacharel em Ciência política pela Universidade de Monash e está atualmente a realizando o doutorado em Direito (Júris doutor) pela Universidade de New England, Austrália. Possui um grande interesse na geopolítica e, mais amplamente, nas questões relativas à boa vida (no sentido Aristotélico) contatos: peterdemambla@gmail.com