Defesa & Geopolítica

Brasil e a tática AIKIDO

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Autor: Peter de Mambla exclusivo para o Plano Brasil

Tradução: Luiz Medeiros


Peter de Mambla é um australiano que recentemente passou um ano no Brasil. É  bacharel em Ciência política pela Universidade de Monash e está atualmente a realizando o doutorado em Direito (Júris doutor) pela Universidade de New England, Austrália. Possui um grande interesse na geopolítica e, mais amplamente, nas questões relativas à boa vida (no sentido Aristotélico)

contatos: peterdemambla@gmail.com

leia também: Desafios assimétricos do Brasil

Do complexo ambiente global o Brasil precisa traçar um mapa que se destina para navegar o seu caminho para a posição durável e que ambiciona e merece significa que o país deve  alcançar dentro de seus recursos humanos a capacidade para utilizar a criatividade e engenhosidade necessária visando superar os desafios que estão diante dele.

Os postos de comando que devem ser levados são ocupados pelas potências hegemônicas, a sua experiência e astúcia tem tornando a rampa que os poderes emergentes como o Brasil devem escalar, uma íngreme e difícil. Isto chama Brasil a utilizar suas vantagens para superar suas desvantagens, a jogar pelas regras que o beneficiam ao invés daquelas que beneficiam os atuais proprietários do poder global, a oligarquia financeira Anglo-Americana.

A história tem mostrado que é possível para o menor e mais fraco prevalecer contra um maior e mais forte através da aplicação de criteriosos fatores de alavancagem como multiplicadores de força. Um melhor planejamento e táticas podem ser empregados, um bom uso do solo e do terreno, bem como dissimulações e engodos – estas possibilidades podem ser usadas ​​para superar as vantagens do mais forte.

Os Espartanos demonstraram o mais famoso exemplo de alavancagem quando, juntamente com seu alto nível de treinamento e moral, o Rei Leônidas levou seu pequeno número de guerreiros espartanos para defender a passagem estreita na Batalha das Termópilas, utilizando a geografia em sua vantagem para impedir o avanço um exército persa de tamanho muito superior.

Os segmentos apropriados da sociedade brasileira cujas tarefas são de defender o interesse nacional e a integridade terão de empregar tais princípios na busca de superar os vários desafios assimétricos que se interpõem no caminho da ascensão bem sucedida do Brasil.

A perspectiva de um confronto militar direto não é factível, e mesmo que alguma vez chegue a isso, seria mais provável ações de tipo guerrilha na Amazônia ao invés de qualquer guerra convencional de concentração. Além disso, o tipo de confronto que nos interessa aqui são assimétricos e não envolve quaisquer tipos de confrontos diretos, como tal, na verdade em muitos casos, tal confrontação pode ser de natureza tão sutil chegando a ser difícil de discernir, às vezes.

É claro que Brasileiros astutos já vem utilizando esse método de Aikido para lidar com os desafios que enfrenta na cena global. Um exemplo mais requintado e instrutivo deste método pode ser visto no Fundo Amazônia.

Algumas pessoas brilhantes, ou personalidades, conseguiram neutralizar completamente o que é reconhecidamente um exemplo superlativo da esperteza e intriga Anglo-Americana em seu esforço para arrebatar a Amazônia das mãos Brasileiras. Ao se recusar a enfrentar os Anglo-Americanos diretamente, os Brasileiros, como no Aikido, misturaram o movimento de ataque e redirecionaram sua força, deixando o flácido e sem força.

Se tivessem os Brasileiros tentado um choque direto empurrando o ataque Anglo-Americano para trás, o resultado poderia ter sido em danos para o Brasil. Um dos pontos mais fortes, letais e vantajosos da oligarquia Anglo-Americana possuí é aquele de ser capaz de controlar uma parcela significante da opnião pública internacional.

O Brasil teria sentido a força de ser retratado como egoísta, recalcitrante e um obstáculo do mal para a proteção do bem coletivo público vital que é a Amazônia. Isto por sua vez, teria virado a opnião pública Brasileira contra o seu próprio governo, dado que a população Brasileira seria pouco capaz de resistir a calúnia fulminante de ser retratado como uma pária internacional semelhante a África do Sul do Apartheid e a Alemanha Nazista.

O exemplo de estratégia utilizada no Fundo da Amazônia deve ser tido como padrão de ouro para idéias e estratégias para o Brasil prevalecer nesta luta. O adversário é forte e ardiloso, e não irá tentar tornar isso em uma disputa direta de força, uma vez que haverá pouca chance de prevalecer em tal confronto direto. Em vez disso, a estratégia e vantagem do adversário devem ser neutralizados, ou mesmo voltados contra ele se possível. Na mesma forma que o praticante de Jiu-Jitsu Brasileiro visa trazer o seu oponente para o chão, onde ele tem a vantagem, por isso os Brasileiros devem trazer esse oponente geopolítico para o chão, por se assim dizer, onde o Brasil goza de vantagem.

Entretanto pelos anglo-americanos empregarem tais métodos sutis e ardilosos, como uma aplicação da guerra assimétrica de quarta geração, eles estão realmente escolhendo jogar o jogo em terreno doméstico do Brasil – talvez nem mesmo percebendo corretamente ou apreciando isso.

De fato, é somente porque a maioria dos Brasileiros se esquecem que uma campanha sutil está sendo realizada contra eles que os Anglo-Americanos são ainda capazes de se safar tanto como eles fazem. Para cada brasileiro que está acostumado a negociar um sistema e a sociedade que muitas vezes é injusta e não organizada de acordo com formal, regras impessoais que tratam todos com justiça e igualdade, e assim os Brasileiros são muitas vezes obrigados a recorrer à astúcia e habilidade para contornar e superar as muitas não razoáveis e constritivas regras burocráticas e convenções sociais que eles enfrentam, especialmente se forem provenientes de uma seção marginalizada da sociedade.

Em uma palavra, os brasileiros são adeptos a praticar a arte social de “jeitinho”, a aplicação da engenhosidade e criatividade em encontrar uma maneira de contornar o que muitas vezes são obstáculos tolos e injustos.

É tanta familiaridade em jogar tal jogo que faz dos Brasileiros alvos insensatos contra quem apontar tais armas assimétricas, talvez a oligarquia Anglo-Americana ignora o risco que estão tomando. Isto é porque os brasileiros uma vez que aprendem que tipo de jogo está sendo jogado, eles podem muito bem se alegrar! Porque eles vão perceber imediatamente que é um jogo que poucos são tão acostumados a jogar quanto eles são, e assim um jogo em que poucos são tão bem colocados para competir e vencer como eles são.

Uma vez que a suposição equivocada é tirada de que o resto do mundo joga um jogo digno regido por regras honestas e jogo justo, e que a falta de comportamento justo tal no Brasil é justamente o porque do país estar travado – uma vez que a realização é feita de que os poderes hegemônicos estão apenas mais nuances e refinados na sua corrupção e malandragem, e de fato práticas como trapaça em uma escala muito maior – então o que é muitas vezes visto como uma fonte de embaraço e debilidade para os Brasileiros pode, alternativamente, ser visto como o meio perfeito e capacidade para navegar através do ambiente global complexo no qual o Brasil se encontra.

Uma maldição pode ser transformada em uma bênção quando os Brasileiros perceberem que desfrutam da vantagem de terreno nesta competição.

Então, quem deve lutar – toda a população brasileira? A população deve ser despertada para o fato de que os poderes dominantes são dominantes porque jogam um jogo sujo através de malandragem? Este talvez não seja tão necessário, porque o jeitinho cotidiano empregado no Brasil é normalmente a nível individual, enquanto o que estamos falando envolve agentes Estatais ou, pelo menos, os interesses oligárquicos capazes de usar aparatos de Estado para seus próprios fins, tais como agências de inteligência e serviços diplomáticos.

Portanto esse esforço não precisa necessariamente envolver desse tanto o cidadão comum. Além disso a um contrato social implícito pelo qual certas agências de Estado são investidas com a confiança e a responsabilidade de fazer o que eles consideram necessário para cumprir com a sua responsabilidade fiduciária, sem necessariamente informar o público geral de cada detalhe do que fazem.

Mesmo em sociedades abertas e transparentes tais agências não são exatamente abertas e transparentes como o esperado por sua sociedade, dado que a natureza de seu papel requer que elas sejam o oposto. É claro que tal segredo e falta de transparência pode ser abusado, como as oligarquias Anglo-Americanas e outras Européias conseguiram realizar com sucesso em suas próprias agências de tal natureza, mas as sociedades não podem fazer mais do que confiar nestas agências e esperar pelo melhor.

O paciente confia em seu médico e não precisa primeiro de conhecer e entender os detalhes médicos para aceitar o conselho do médico e sua prescrição, o mesmo acontece na relação cliente-profissional vis-à-vis os contadores, advogados, consultores financeiros, etc. Então talvez ao público em geral possa ser permitido desfrutar de seu futebol, novelas, samba e da praia, na feliz ignorância enquanto tais assuntos sérios são deixados para os profissionais e ao pequeno segmento do público geral que tem grande interesse por estes assuntos.

Também a população Brasileira não é voltada para o confronto, a cultura colocando um prêmio muito alto na interação social agradável e na cordialidade. Enquanto esse atributo social contribui em muitos aspectos a uma invejável qualidade de vida (nem todas as medidas de qualidade de vida são materiais), isto não produz uma população bem adaptada para ser empacotada para o sacrifício e luta nacional, como a população Russa parece ser, uma vez que tal uma população provavelmente se encolheria diante de tal perspectiva e apenas esperaria que o problema desaparece, assim como espera que os políticos deixem de ser corruptos ou que a educação vai melhorar sem a sua exigência para tal .

Então investir muita energia na tentativa de transformar uma população pacífica em uma população guerreira pode ser um desperdício de tempo. De qualquer forma, sempre haverá uma parcela suficiente da população que tem a mentalidade guerreira para que isso sem necessariamente se tornar um problema, uma vez que uma população tão grande quanto no Brasil pense que a sua vontade será um conjunto suficiente de pessoas preparadas e adequadas para fazer o que é necessário de qualquer maneira.

Será que a população em geral, por exemplo, precisa estar ciente do brilho e significado do movimento xeque-mate do Fundo da Amazônia para que este seja bem sucedido? Isso tem sido bem sucedido sempre, mesmo se o conhecimento desta é limitado para aqueles que sabem sobre essas coisas.

Dito isto, tais ações de contra-insurgência não se limitam ao estabelecimento militar, embora a maior parte da responsabilidade recaia sobre estes. Membros alertas e engajados do público geral vêm se empenhando para empregar seus próprios “jeitinhos” para tentar minar aos esforços da engenharia-social de dividir-e-controlar da oligarquia Anglo-Americana no Brasil (embora não necessariamente conheçam tais ações que são conduzidas pela oligarquia Anglo-Americana, mesmo se eles estão informados do importante papel da Fundação Ford desempenha embora não entenda muito bem porque ela desempenha um papel).

O movimento Nação Mestiça, por exemplo, tem procurado usar o termo pardo e moreno para neutralizar a tentativa Anglo-Americana para dividir a sociedade ao longo de linhas rígidas de brancos e negros como é o caso das sociedades nos Estados Unidos e na África do Sul.

Assim, o impulso brusco de tal divisão racial entre brancos e negros é desviado e dirigido para longe por uma ênfase sobre a realidade do Brasil, onde há uma ausência de um dicotomia rígida codificada por cores, e em vez disso tem um contínuo de cores que reflete a realidade histórica e social do país. Se as autoridades reconhecerem a categoria “moreno”, como o movimento Nação Mestiça tem tentado fazer, então isso irá em um longo caminho para anular os esforços de divisão das oligarquias Anglo-Americanas.

As instituições militares deveriam apoiar este movimento civil em seus esforços patrióticos como um parceiro valioso na luta.

Brasil encontra-se confrontado com a formidável tarefa de navegar em um ambiente complexo e sofisticado, enquanto procura assumir uma posição na cena internacional condizente com seu tamanho e ambição. Uma grande parte do sucesso para navegar através desses desafios está em aceitar e se adaptar a essas realidades.

Parece que o Destino, com seu senso de humor, tornou uma desvantagem do Brasil em sua vantagem, isto é, numa sociedade cuja organização e estrutura  tem criado uma cultura de “jeitinho” para permitir que a população supere e contorne esse sistema social por vezes injusto, a uma abundância de pessoas bem dotadas com a astúcia e criatividade para vencer a oligarquia Anglo-Americana em seu próprio jogo, como o exemplo do Fundo Amazônia tem claramente se demonstrado assim.

O número de pessoas necessárias para fazer isso nunca precisa de ser grande, nem suas ações precisam de ser proeminentes e bem conhecidas. Enquanto um leme é uma parte pequena e invisível de um navio, é esta parte que determina a direção que o navio leva. Da mesma forma, um pequeno número de pessoas que operam nas sombras deve praticar sua arte sutil com habilidade superior que a sua cultura, por um acidente do destino, dotou-las. Destino conferiu-lhes a capacidade de prevalescer nessa luta. E no Grande Jogo, o Brasil está certamente destinado para jogar um bom jogo.


Peter de Mambla é um australiano que recentemente passou um ano no Brasil. É  bacharel em Ciência política pela Universidade de Monash e está atualmente a realizando o doutorado em Direito (Júris doutor) pela Universidade de New England, Austrália. Possui um grande interesse na geopolítica e, mais amplamente, nas questões relativas à boa vida (no sentido Aristotélico).


 

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