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AH-X BR: Denel AH-2 Rooivalk

 

Autor: Anderson Barros e Carlos E.S. Junior

Matéria produzida em parceria com o Site Warfare

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PREFÁCIO

A África do Sul tem mostrado grande capacidade de desenvolvimento de sistemas de armas próprios graças ao embargo internacional de armas que sofreu durante os anos 70 e 80. Com isso a industria sul africana cresceu de forma que hoje pode ser considerada um dos polos de desenvolvimento bélico do planeta.  este embargo, imposto pela ONU devido ao governo sul africano da época ser racista, obrigou aos militares sul africanos buscarem soluções próprias para sua defesa, uma vez que havia uma guerra em andamento em sua fronteira com sudoeste africano, (atual Namíbia), onde o apoio soviético e cubano começou a trazer muitos carros de combate para as tropas inimigas de Pretória. A força aérea sul africana sentiu que precisava de um helicóptero de combate dedicado para escoltar seus helicópteros de transporte de tropas e mesmo dar uma resposta a altura para os tanques de origem soviéticas que estavam fortalecendo as forças inimigas.

ORIGEM

A história do desenvolvimento do AH-2 Rooivalk começa com os estudos da então Atlas, uma empresa aeroespacial sul africana para adaptar os helicópteros em uso pela força aérea sul africana para transportar e operar armamentos. Avaliou-se o Aérospatiale Alouette III, produzindo um derivado cujo nome foi XH-1 Alpha, porém o modelo se mostrou menos potente que o ideal para a missão.

O protótipo Atlas XH-1 Alpha demonstrador de conceito desenvolvido a partir um helicóptero utilitário Aérospatiale Alouette III.

Assim a um outro protótipo, desta vez baseada na célula do helicóptero de transporte Puma, consideravelmente mais potente e com mais espaço para integração de sistemas, foi construído sob o nome de XTP-1 Beta, que recebeu diversos sistemas de armas e sensores em uma plataforma do SA 330 Puma e que acabou encorajando a Atlas a seguir o desenvolvimento de seu helicóptero de combate dedicado, usando diversos componentes do SA-330 da versão produzida localmente sob o nome de Oryx, com modificações que melhoraram o desempenho do Puma para o ambiente quente sul africano.

O XTP-1 Beta demonstrador desenvolvido a partir de um Aérospatiale SA 330 Puma, utilizado como bancada de testes e para avaliação dos sistemas dinâmicos do futuro Rooivalk

O primeiro protótipo do “novo” helicóptero de combate ficou pronto em 1989 e fez seu primeiro voo no começo de 1990, sendo batizado de XH-2. Os protótipos foram designados como  XH-2XDM (Experimental Development Model – Modelo de Desenvolvimento Experimental Rooivalk (posteriormente designado CSH-2, e mais adiante AH-2).

O primeiro protótipo de pré-produção XH-2 XDM realizou seu primeiro vôo em 11 de fevereiro de 1990. O XH-2 XDM utilizava o sistema de transmissão e os rotores do puma, que foram adaptados e aperfeiçoados para o vetor. O XH-2 XDM tinha como função testar os sistemas mecânicos do vetor. Com a paralização dos combates em que o país estava envolvido, a SAAF interrompeu o programa, que foi posteriormente reaberto com fundos próprios, onde um segundo protótipo foi construído, sendo designado XH-2ADM (Advanced Demonstration Model – Modelo de Demonstração Avançado), realizando seu primeiro vôo durante o segundo trimestre de 1992 tendo todos os aviônicos e sistemas de armas totalmente integrados e funcionais. OXH-2 ADM foi incumbido da função de bancada de testes para testar os armamentos, incluindo o míssil antitanque Mokopa e com o canhão Vektor GI-2 de 20 mm.

https://youtu.be/GSTbYb_1H90

O terceiro protótipo de pré-produção XH-2 EDM (Engineering Development Model – Modelo de Desenvolvimento Aplicado) realizou seu primeiro vôo em 17 de novembro de 1996. Este protótipo foi equipado com supressores IR que reduziram substancialmente a assinatura infravermelha do vetor e teve uma maior utilização de materiais compostos na construção de sua estrutura e fuselagem.  Em 1992 a Atlas foi absorvida pela Denel Aviation, que por sua vez, deu sequencia ao desenvolvimento de fabricação do, agora rebatizado AH-2 Rooivalk .

Os três protótipos da esquerda para a direita: XH-2XDM (Experimental Development Model), XH-2ADM (Advanced Demonstration Model) e o XH-2 EDM (Engineering Development Model)

PROPULSÃO

O AH-2 AH-2 Rooivalk faz uso de dois motores Turbomeca Makila 1K2 que entregam uma potência de 2301 HP cada. Vale ressaltar que os motores da família Makila equipam outras aeronaves de asas rotativas como o AS-332 Super Puma, AS-532 Cougar ( H215M ) e o EC-725 (H-225M) Caracal.

Acima: As aeronaves são propulsadas por um par de turbinas Turbomeca Makila 1k2

Os motores que são instalados nas laterais da fuselagem de forma isoladas que se conectam à caixa de transmissão do rotor, de forma a ajudar evitar danos simultâneos aos motores. O vetor também está equipado com supressores IR nos dutos de exaustão dos motores e com uma tela protetora no duto de admissão do motor para impedir a ingestão de detritos do solo – FOD (Foreign Object Damage – Dano Causado por Objeto Estranho), que possam causar avarias nos propulsores.

Os dois motores Turbomeca Makila 1K2 dão ao AH-2 uma boa velocidade máxima, que chega a 309 km/h e uma excelente razão de subida de 798 m/min, permitindo ao Rooivalk  ter boa capacidade de manobra. O AH-2 possui um alcance de 740 km com combustível interno e 1335 km com combustível externo.

Acima: O AH-2 equipado com tanques extras de combustível possui um alcance de travessia de 1335 km.

PROTEÇÃO

 A Denel dedicou sua atenção na segurança da aeronave e de seus tripulantes no campo de batalha, por isso o AH-2 foi desenvolvido desde o início para suportar o ambiente quente, seco, áspero e sem infraestrutura da África, o que acabou gerando um helicóptero capaz de operar em regiões sem a mínima infraestrutura, necessitando apenas de um helicóptero médio equipado com fermentas básicas, poucas peças sobressalentes e uma pequena equipe de apoio em terra de apenas 4 homens para manter o vetor operacional em combate.

O AH-2 A teve como um dos objetivos prioritários ter uma elevada capacidade de sobrevivência, para tanto o mesmo foi projetado para ser um vetor com baixa assinatura de calor (IR), visuais e acústicas visando dificultar sua detecção., mesmo assim, sua blindagem é classificada, o que, num mercado onde este dado costuma ser publico até como argumento de venda, leva duvidas sobre sua capacidade. O AH-2 possui uma estrutura primária construída em uma liga de alumínio e as estrutura secundárias, fuselagens e as lâminas dos rotores construídas em materiais compostos.

A estrutura principal do Rooivalk utiliza a tecnologia anti-crash (anti-choque) com capacidade de absorção de impacto. Os assentos foram projetados para serem resistentes e atenuarem o choque em caso de queda da aeronave. O conjunto de trens de pouso principais também foram concebidos para absorverem a energia do choque. E todos os tanques de combustíveis possuem auto vedação para impedirem que se incendeiem conseguindo manter a tripulação a salvo em caso de uma queda com estas cargas.

As pás são feitas de compósitos que reduzem o peso e aumentam a proteção balística Seu sistema de controles elétricos, hidráulicos e circuitos foram duplicados para aumentar a capacidade de sobrevivência em combate, pois em uma situação real é bem comum alguns desses sistemas serem avariados.

Acima :Nesta imagem é possível ver os supressores IR nos bocais de exaustão do AH-2 Rooivalk. Os mesmos direcionam o fluxo das turbinas para longe da estrutura, reduzem substancialmente a assinatura IR do vetor, elevando a capacidade de sobrevivência do Rooivalk.


SISTEMAS EMBARCADOS

O Rooivalk utiliza unidades de exibição com o conceito de glass cockpit visando à redução da carga de trabalho sobre a tripulação, que pode concentrar nas questões táticas da missão.

O vetor está equipado com uma completa suíte de navegação e também conta com um sistema HMD (Helmet Mounted Display) Thales TopOwl, que é um HMD que pode ser equipado com um sistema de visão noturna NVG (Night Vision Googles) integrado, e um HUD (Head-Up Display) que prove informações de navegação que permitem o vôo Nap-of-the-earth (NOE) com baixo perfil de vôo seguindo a baixa altura, utilizando o mascaramento do terreno, se escondendo atrás das imperfeições do solo e das copas das árvores evitando a detecção pelos radares inimigos a uma altura de 15 metros.

O AH-2 A é equipado com o sensor giro estabilizado Sagem STRIX, que fica montado sob o nariz do vetor e está equipado com sensores FLIR, câmeras CCD-TV, telêmetro laser com um alcance de 8 km, um designador laser, e um sistema de periscópio com visão ótica direta.

Acima: O sistema multisensor giro estabilizado francês Sagem STRIX dá ao Rooivalk a capacidade de enxergar em qualquer condição de luminosidade ou climática, além de fornecer dados para pontaria das armas guiadas a laser.

O Rooivalk está equipado com uma suíte de contramedidas eletrônicas e descartáveis totalmente integrada HEWSPS (Helicopter Electronic Warfare Self Protection System), que incorpora um sistema de alerta de radar RWR (Radar Warning Receiver), um sistema de alerta de laser LWR (Laser Warning Receiver), sistema IFF (Identification Friendor Foe – Identificação Amigo ou Inimigo) e dispensadores de Chaff e Flare.

SISTEMAS DE ARMAS

O AH-2 A utiliza como armamento primário o canhão Vektor GI-2 no calibre 20mm que possui uma cadência de disparo de 700-750 tiros por minuto, tendo uma capacidade para 700 munições. Este canhão possui uma mobilidade de 120º azimute e +15º e -65º de elevação, tendo uma taxa de movimentação de 90º por segundo.

Acima: O Rooivalk utiliza como armamento primário o canhão Vektor GI-2 no calibre 20mm que possui uma cadencia de disparo de 700-750 tiros por minuto, tendo uma capacidade para 700 munições.

O AH-2 também pode ser equipado com até 4 PODs lançadores de foguetes Hydra 70 19x70mm, com capacidade para 19 foguetes totalizando 76 unidades, ou com Hydra 70 9x70mm com capacidade para 9 foguetes Hydra 70 totalizando 36 unidades.

No quesito misseis ar-solo o AH-2 pode ser armado com até 16 misseis guiados por laser semi-ativo Denel Dynamics ZT-6 Mokopa que possui um alcance máximo de 10 km e uma excelente precisão com um CEP de 30 centímetros.

Acima: Denel Dynamics ZT-6 Mokopa que possui um alcance máximo de 10 km e uma excelente precisão com um CEP de 30 centímetros.

O AH-2 A também pode ser equipado com o míssil AGM-114 Hellfire com um alcance máximo de 8 km ou com o MBDA HOT 3 com um alcance máximo de 4,3 km. Para auto defesa contra outro helicóptero ou aeronave leve, o  Rooivalk pode ser equipado com até 4 mísseis ar-ar MBDA Mistral com um alcance máximo de 6 km.

 


CONCLUSÃO

A Aafrica do Sul fez a lição de casa e conseguiu desenvolver seu helicóptero de ataque dedicado em um momento critico de sua história, onde os fornecedores tradicionais fecharam as portas devido ao regime do apartheid vigente na época. A aeronave não teve clientes externos e assim, só a Africa do Sul utiliza esta aeronave, onde 12 aeronaves foram construídas e 11 servem a força aérea do país, atualmente. Com esse numero extremamente pequeno de unidades, certamente  o custo de aquisição foi alto.

A África do Sul utiliza os helicópteros Rooivalk em missões de paz das Nações Unidas.

A linha de produção se encerrou em 2007 com a entrega da ultima aeronave.  Quando comparado com helicópteros de ataque disponíveis no mercado internacional, o Rooivalk se posiciona na categoria do consagrado (e clássico) Bell AH-1W Super Cobra. Porém, a favor do modelo norte americano, tem a quantidade muito maior de unidades fabricadas que facilita e barateia a reposição de peças.

O Rooivalk continuará a fazer parte do arsenal sul africano por muitos anos e deverá passar por um programa de modernização para um padrão que foi designado Rooivalk MK2 e que, caso siga em frente, poderá reabrir a linha de montagem para exportação do novo modelo, o que pode facilitar a aquisição de um helicóptero de ataque dedicado, principalmente para países que não tem liberação para aquisição de helicópteros de ataque dos fornecedores tradicionais.

https://youtu.be/FLeTTX4ngOw

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AH X- Brasil Artigos Exclusivos do Plano Brasil Rússia Sistemas de Armas Tecnologia

AHX-BR: KAMOV KA 52 B - HOKUN

Autor: Iuri Gomes

Plano Brasil

 

 

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Matéria produzida em parceria com o Site Warfare

Oriundo de um projeto herdado da extinta URSS o Kamov KA-52 (Alligator) é um helicóptero de reconhecimento e de combate de última geração projetado para destruir alvos terrestres com níveis consideráveis de blindagem.

 PREFÁCIO

Oriundo de um projeto herdado da extinta URSS o Kamov KA-52 (Alligator) é um helicóptero de reconhecimento e de combate de última geração projetado para destruir alvos terrestres com níveis consideráveis de blindagem, tropas inimigas, pequenas embarcações e carros de combate, essa aeronave foi projetado para operar em condições climáticas adversas de dia e de noite e aumenta o escopo de operações das asas rotativas russas nas frentes de batalha. Estreando no teatro de operações do conflito Sírio, o KA-52 esteve presente nas versões baseadas em terra e na versão naval “K” que operou  a partir do Porta-aviões Russo Almirante Kuznetsov. A nova maquina de guerra russa despertou o interesse do Egito e já conta com mais de uma centena de aeronaves entregues e pouco mais de uma centena de encomendas firmes

Estreando no teatro de operações do conflito Sírio, o KA-52 esteve presente nas versões baseadas em terra e na versão naval

ORIGEM

Tanto a versão mais moderna KA-52B Alligator, quanto a antecessora KA-50 Black Shark são oriundas do conceito Kamov V-80,

A versão mais recente, KA-52B Alligator, é derivado do helicóptero de combate Kamov KA-50 Black Shark , ambos oriundos do conceito Kamov V-80, entretanto o KA-50 se difere de outras aeronaves do tipo por ser monoposto (o piloto tem por função controlar a aeronave e ser  o artilheiro ao mesmo tempo) e não possuir rotor de calda, e sim um curioso sistema de dois rotores principais  coaxiais superpostos já conhecido em muitos outros helicópteros da Kamov.

Esse tipo de aeronave foi pedido pelo departamento de defesa soviético devido à experiência adquirida na guerra do Afeganistão (1979-1989) com o MI-24 Hind, que mesmo sendo uma excelente aeronave, era lenta para manobras nas grandes montanhas afegãs. Foi observado também a necessidade de se ter um helicóptero puro de combate ao estilo americano AH-64 Apache.

O KA-50 predecessor do KA52B difere de outras aeronaves do tipo por ser monoposto.

No início da década de 80, a OKB Kamov apresentou o KA-50 como o seu mais novo projeto de helicóptero de combate ao lado da empresa rival OKB Mil com seu mais novo Helicóptero o MI-28.

Mas, devido à crise dos anos 90 na Rússia e o fim da URSS em 1991, essas aeronaves sofreram um duro golpe na demora de entrada em serviço, mas seus fabricantes sempre buscaram manter essas aeronaves com altos níveis de modernizações, somente no final da primeira década do século 21 é que esses helicópteros vieram a ser adquiridas pelo estado russo.

SURGE ENTÃO O CROCODILO

Desenvolvido para operar em condições climáticas adversas o KA 52B equipara-se aos mais modernos helicópteros de ataque e ataque reconhecimento atualmente existentes.

Ainda nos anos 90, a Kamov fez modificações no KA-50 instalando um segundo a assento ao estilo side by side (lado a lado) para facilitar o manuseio da nova suíte de eletrônica e de radar, a vantagem dessa configuração, é que os instrumentos não precisam ser duplicados pelo fato da visão serem compartilhados pelos dois tripulantes.

Após o tenebroso período de sombras que assolou a indústria militar russa, os anos seguinte que se seguiram trouxeram novas perspectivas e foi neste momento, que o mundo viu emergir dos escritórios de projetos o KA-52 Alligator (Hokum-B) uma nova aeronave, bi-place evoluída do KA-50 “Black Shark”, seu sistema de rotores coaxiais ajudou-lhe a ser um dos helicópteros de combate mais manobráveis do mundo.

O Poder de fogo do KA-52B é inegavelmente incomparável para os Helicópteros de sua categoria e até mesmo para quase todos os helicópteros de ataque atualmente existentes.

O KA-52 pode executar tarefas do tipo de reconhecimento, apoio aéreo aproximado e escolta, caso necessário, a aeronave executa a troca de dados simultaneamente com outros helicópteros.

O primeiro voo do Hokum-B aconteceu no dia 25 de junho de 1997, sendo aperfeiçoado até 2008 quando foi adquirido pelo ministério da defesa russo, ano que começou a produção em série. O Alligator compartilha cerca de 85% dos componentes estruturais e principais do “black Shark”.

VARIANTES

Estreante no teatro de operações do conflito Sírio, o KA-52 esteve presente nas versões baseadas em terra e na versão naval “K” que operou a partir do Porta-aviões Russo Almirante Kuznetsov.
O KA-52 em sua versão naval “K” pode operar também o míssil anti-navio Kh-35 Uran, essa arma pode ter um alcance de até 260 km, sua ogiva pesa 145 kg e possui uma velocidade de máxima de 0.8 mach.

Na versão Ka-52 Alligator, a mesma usado na VKS ( Força Aeroespacial Russa) possui características comuns do projeto original que já foi e será mencionado na matéria.

Em sua versão naval, conhecida como Ka-52K “Katran”, a aeronave tem como diferencial em relação ao Ka-52 Alligator da VKS a sua capacidade de dobrar parte de sua meia asa e as pás dos rotores para traz, para ser acomodado melhor no interior de navios de assalto e porta aviões, para qual foi projetado, possui também como grande diferencial a capacidade de lançar o míssil antinavio do Kh-35.

V

Atualmente o KA52B tem sido incorporados as fileiras da VKS com pouco mais de 150 aeronaves encomendadas/entregues, entretanto a Marinha russa também possui encomendas desta aeronave.

PROTEÇÃO

Os rotores coaxiais do KA 52B são desenvolvidos para suportar vários impactos de munições 23mm.

O centro de engenharia da OKB Kamov dedicou  sua atenção na segurança da aeronave e de seus tripulantes no campo de batalha, a capacidade de sobrevivência dos tripulantes é reforçada pelo fato da aeronave resistir a disparos de armas calibre 23mm na estrutura da cabine, na estrutura coaxial e no tanque de combustível que é equipado com sistemas anti-explosão e anti-vazamento, já as janelas são capazes de resistir a disparos de 12.7mm.

Mesmo com as hélices tendo sofrido vários impactos de 23mm, o helicóptero foi projetado para permanecer em voo em plena capacidade. Além do mais, a proteção das munições de 30 mm de seu canhão são garantidas por uma caixa de kevlar e Nomex, seu sistema de controles elétricos, hidráulicos e circuitos foram duplicados para aumentar a capacidade de sobrevivência em combate, pois em uma situação real é bem comum alguns desses sistemas serem avariados.

Dentre as exclusividades do projeto, o KA 52B possui assentos ejetáveis, do sistema K-37-800 e kit de sobrevivência NAZ-7M e usa paraquedas do tipo OS-37 e um bote salva vidas.

Um equipamento único em sua classe, utilizado no Ka-52 para segurança dos seus tripulantes é o assento ejetável, em uma emergência, quando o sistema é acionado, as hélices são expelidas do rotor principal, o sistema ejetor do tipo K-37-800 lança o piloto e o artilheiro na vertical com o helicóptero em diferentes velocidades e altitudes como parado ou até 350 km/h de velocidade em diferentes altitudes de 0 a 6000 metros. O assento ejetor utiliza-se do kit de sobrevivência NAZ-7M e usa paraquedas do tipo OS-37 e um bote salva vidas.

 

SISTEMAS EMBARCADOS

 

 ELETRÔNICA           

O Radar Phazotron- NIIR Arbalet FH-01-52 compõe a suíte de eletrônicos embarcados do KA-52B.

O caçador da Kamov possui uma suíte eletrônica bem completa, o que faz um dos helicópteros mais avançados do mundo. O Ka-52 pode ser equipado com um radar montado no mastro do rotor, semelhante ao helicóptero de ataque AH-64D Apache das forças norte americanas, esse sistema é chamado L-Arbelet que opera em ondas decimetricas.

O L-Arbelet pode detectar uma aeronave de caça convencional a uma distancia máxima de 5 km, esse sistema opera de forma integrada com a suíte de defesa e contra medidas da aeronave o que reforça a capacidade de proteção do helicóptero.

Além do mais, o Ka-52 é equipado com outro sistema de radar, chamado de Phazotron- NIIR Arbalet FH-01-52, que tem seu modo de operação ondas milimétricas, pode detectar um MBT a uma distancia máxima de 12 km e possui a capacidade de reproduzir mapas do solo com alcance máximo de 32 km.

O HMD Zh-3YM-1 Schechel-3U, possibilita a aeronave engaje seus alvos sem a necessidade de manobra.

 A tripulação do Ka-52 usa um capacete que está equipado com display integrado as armas e aos sistemas eletrônicos de ataque do helicóptero chamado HMD Zh-3YM-1 Schechel-3U, esse equipamento possibilita a aeronave engaje seus alvos sem a necessidade de manobra.

O KA 52B é equipado com o sensor 50T de detecção passiva constituído de sistema de TV, s infravermelho (FLIR- Forubrd Looking Infra-Red), telêmetro a laser com alcance de 10 km e um designador laser para iluminar seus alvos no uso dos mísseis anti-carro.

O Ka-52 vem equipado também com sensor 50T de detecção passiva que possui um sistema de TV, sistema de visão infravermelho (FLIR- Forubrd Looking Infra-Red), telêmetro a laser com capacidade de alcançar 10 km e um designador laser para iluminar seus alvos no uso dos mísseis anti-tanque. O Ka-52 pode ser equipado como alternativa com o mesmo sistema FLIR usado pelo seu compatriota, o helicóptero de ataque MI-28, que usa o sistema GOES-521.

O Ka-52 pode ser equipado como alternativa com o mesmo sistema FLIR usado pelo MI-28, que usa o sistema GOES-521, na imagem um novo sistema designador e FLIR acoplado ao nariz da aeronave que se encontra em constante atualização.

Para aumentar a capacidade de sobrevivência, o vetor possui uma complexa e moderna suíte de contramedida eletrônica e descartáveis como dispensadores infravermelho (FLARE) e eletromagnético ( CHAFF) do tipo UV-26 que fica localizado nas extremidades das semi asas do helicópteros. Outro sistema de defesa do Alligator é o seu sistema L370 (President-S) que será explicado abaixo e conta também com MAK-UFM, um sistema muito moderno de alerta ant-mísseis.

A moderna suíte de contramedida eletrônica e descartáveis como dispensadores infravermelho (FLARE) e eletromagnético ( CHAFF) do tipo UV-26. Porém a aeronave é equipada com o moderno sistema L370 (President-S) MAK-UFM, um sistema muito moderno de alerta ant-mísseis.

Recentemente, foram vistos imagens de uma nova versão do Ka-52 Alligator, equipado com o novo sistema de pontaria OES-52 instalado na parte frontal do helicóptero. Esse sistema possa vir a ser instalados nos helicópteros adquiridos pelo Egito pois os Ka-52 operacionais na VKS estão equipados com o sistema GOES-451. Segundo alguns especialistas, o sistema OES-52 se baseia no equipamento europeu Strix, que é utilizado no helicóptero de ataque Eurocopter Tiger.

PRESIDENT-S: L-370-5 Vitebsk

Aumentando o poder de proteção da aeronave e de suas tripulações, o KA-52B vem sendo equipado com o moderno sistema ativo de proteção L370 President-S.

Um dos principais sistemas para garantir a proteção do Ka-52 é o uso do President-S, um sistema ótico-eletrônico que tem por função, fornecer a proteção individual do helicóptero contra mísseis de guiamento infra vermelho lançados de defesas antiaéreas ou portáteis que são conhecidos como MANPADS ( Man Portable Air Defense System).Esse sistema é produzido pela KRET, parte da gigante russa Rostec.

VÍDEO- L370 PPRESIDENT-S

O L-370-5 Vitebsk consiste em uma variada gama de sensores que detecta automaticamente o míssil guiado a calor do inimigo, assim que é rastreado, o localizador de infra vermelho passa imediatamente as coordenadas para o sistema de controle que aciona ao mesmo tempo os dispensadores de flares e o sensor ótico-eletrônico que emite sinais infra vermelho e de micro ondas confundindo assim o míssil disparado contra o helicóptero

 PROPULSÃO

O Kamov Ka-52 é equipado com duas turbinas do tipo klimov VK-2500 com potência cada de 2400 HP

O Kamov Ka-52 é equipado com duas turbinas do tipo klimov VK-2500 com potência cada de 2400 HP que são instaladas nas laterais da fuselagem de forma isoladas que se conectam a caixa de transmissão do rotor, esse tipo de configuração ajuda evitar danos simultâneos aos motores.

A turbina Klimov VK-2500 passou por testes exaustivos, o que comprovou a capacidade de se manter em pleno funcionamento na ausência de óleo por 30 minutos, apenas um motor VK-2500 funcionando possui a capacidade de manter o helicóptero em pleno voo, sua provação não para por ai, o VK-2500 foi projetado para operar em temperaturas superior a 40°C, seu eficiente sistema de filtros permite operações em ambientes com alto nível de poeira de areia.

VÍDEO KA52B

https://www.youtube.com/watch?v=bW0mdvBptLM

Os dois motores VK-2500 dá ao KA-52 grande agilidade, com manobras de até 3G, capacidade de voo lateral a 80 km/h, capacidade de voar para trás a 90 km/h, em mergulho pode chegar a 350 km/h e uma velocidade máxima de 300 km/h, fazem do Alligator um helicóptero de combate muito ágil e manobrável, o que o torna um caçador implacável até mesmo para outros helicópteros do mesmo tipo. O Ka-52 possui um alcance de 460 km com combustível interno e 1150 km com combustível externo, a aeronave pode ter um teto de serviço máximo de 5500 metros de altitude e um teto de serviço estático de 4000 metros de altitude, seus motores também proporcionam uma excelente razão de subida de 720 m/min.

SISTEMAS DE ARMAS

A suíte de armas disponíveis para o Ka-52 são o dispensador de sub-munições KMGU-2 , um lança minas anticarro e antipessoal, assim como o poderoso míssil ar-ar WVR R-73 Archer.
O helicóptero de ataque da Kamov pode ser armado com até 12 mísseis antitanque, sua principal arma é o míssil 9K121 Vikhr,
O KA-52 pode ser equipado também com os mísseis de guiamento a rádio do tipo 9M120M Ataka-V (AT-9 ‘ Spiral-2’),
Os mísseis ar-ar Igla V, derivados do míssil antiaéreo MANPAD guiado por infravermelho e com alcance de 5 km é uma das armas de autodefesa da aeronave.

O Ka-52 transporta a maioria de suas armas em 6 pontos duros de sua semi-asa, onde a capacidade de carga pode alcançar 2000 kg. O helicóptero de ataque da Kamov pode ser armado com até 12 mísseis antitanque, sua principal arma é o míssil 9K121 Vikhr, uma arma projetada para atingir alvos terrestres, incluindo alvos blindados, pode ser disparado de helicóptero a uma distancia de 8 km do alvo com uma probabilidade de acerto de 95% contra alvos fixos, este míssil está equipado com uma ogiva integrada a um sensor  de aproximação, isto dá ao míssil a possibilidade de atingir alvos aéreos voando até 800km/h.O KA-52 pode ser equipado também com os mísseis de guiamento a rádio do tipo 9M120M Ataka-V (AT-9 ‘ Spiral-2’) com alcance de 8km, mais moderno, mais rápido e preciso do que a versão anterior que é o 9K114 Shturm ( AT-6 Spiral), sua probabilidade de erro é de apenas 4% em intervalo de 3 a 6 km, o mesmo pode ser usado para abater helicópteros e para proteção aérea, o Alligator pode ser equipado com até 4 mísseis ar-ar como 9K38 Igla-V com alcance de 5 km.O KA-52 em sua versão naval “K” pode operar também o míssil anti-navio Kh-35 Uran, essa arma pode ter um alcance de até 260 km, sua ogiva pesa 145 kg e possui uma velocidade de máxima de 0.8 mach.

Em sua versão naval, conhecida como Ka-52K “Katran”, a aeronave tem como diferencial em relação ao Ka-52 Alligator da VKS a sua capacidade de dobrar parte de sua meia asa e as pás dos rotores para traz, para ser acomodado melhor no interior de navios de assalto e porta aviões, para qual foi projetado, possui também como grande diferencial a capacidade de lançar o míssil antinavio do Kh-35.
A Arma de cano que equipa o KA-52B é o potente canhão de Shipunov 2A42 calibre 30 mm carregado com 460 munições que podem ser intercambiadas entre as do tipo HE Frag (alto explosivo de fragmentação ou a AP (armor piercing ou perfurante de blindagem). Este canhão é o mesmo canhão instalado no Mi-28 Night Hunter

O Alligator tem como arma permanente um canhão 2A42 de 30mm, posicionado na direita da aeronave em uma estrutura semirrígida, esse canhão possui uma mobilidade vertical de apenas +10° e – 45° e horizontal de + ou- 15°,dessa forma, esse armamento se demonstra pouco móvel, porém mais preciso, seu alcance efetivo é de 3 km, o artilheiro pode controlar a cadencia de tiro em 300 a 600 tiros por minuto com diferentes tipos de munições como de fragmentação ou incendiária alto explosiva, o seu cofre de munição possui a capacidade para até 460 cartuchos .

Dependendo da missão, o Ka-52 pode ser configurado para levar 4 lançadores de foguetes de 80mm do tipo S-8 com capacidade de 20 foguetes cada lançador ou 4 lançadores de foguetes de 122mm do tipo S-13 com capacidade de 5 foguetes cada lançador.

KA-52: “NO MUNDO”

https://www.youtube.com/watch?v=rP8omK43sug

O KA-52 estreou no conflito Sírio sendo flagrado na defesa da base aérea de Latakia quando foi desembarcado e onde está atualmente hospedado.

O helicóptero da Kamov começou a aparecer em manchetes e telejornais do mundo todo em suas operações de combate na Síria, a primeira operação de combate do Ka-52 ocorreu em março de 2016 no conflito na Síria, onde o governo russo busca defender com firmeza seus interesses.

Sua primeira aparição ocorreu na cidade cristã de Al- Qaryatayn dos Daesh (Estado Islãmico), essa aeronave tem se demonstrado uma das principais ferramentas para o sucesso na reconquista de territórios pelas tropas do governo sírio, sabe-se que à pelo menos 4 aeronaves do tipo na região.

No início do conflito as forças russas enviaram 12 MI-24P e 12 MI-8 para dar apoio as forças russas e sírias, a quantidade de helicópteros envolvidos nessa nova fase do conflito não é divulgada ao certo pela imprensa, mas foram vistas aeronaves mais modernas como MI-28, MI-35 e KA-52.

https://www.youtube.com/watch?v=jBM1J-w0hXs

A reclusa da França a entrega de dois (LHD) porta-helicópteros da classe Mistral para marinha russa após o envolvimento da Rússia no conflito da Ucrânia, fez com que, o governo francês e o governo russo acordarem na venda dos dois navios para a marinha do Egito. Dessa maneira, foi assinado também com o governo russo a venda de 46 helicópteros de ataque naval Ka-52K para ser usado na marinha do Egito.

O Ka-52 que deve operar ao lado com as unidades Mi-28 Night Hunter, bem como na escolta armada dos helicópteros de transporte Mil Mi 8/17 e Mil mi 25/35 em suas mais variadas missões.

Na VKS (Força Aeroespacial Russa), o Ka-52 irá dividir suas tarefas com os lendários MI-24 Hinds e os seus compatriotas modernos como o MI-28 e MI-35, garantindo um pesadelo maior ainda para qualquer inimigo que encontre essa obra prima da engenharia bélica.

FICHA TÉCNICA

Velocidade máxima  / km/h 300
Velocidade de cruzeiro  / km/h 260
Raio de ação/Alcance máximo  / km/h 460 / 1100
Aceleração máxima ao nível do mar / km/h 57,6
Taxa de subida / m/min 600
Fator de carga / G +3
Altitude máxima/ Altitude máxima Pairando / m 5500 /4000
Motorização 2 X Klimov VK-2500
Empuxo individual / HP 2400
Dimensões
Comprimento/m 13.53
Altura total /com trem de pouso recolhido  /m 4.95 /4,05
Diâmetro do rotor / m 14.50
Massa vazio / kg 8.000
Massa máxima de decolagem /kg 10.800
Sistemas de armas:
Mísseis Ar-Ar: IGLA-V

Mísseis Ar-Superfície: 9K121 Vikhr ,AT-6 Spiral, AT-9 ‘Spiral-2’, AT-16 “Scallion”. Foguetes: S-13 Rocket, S-8 Rocket.

Interno: 1x Shipunov 2A42 30mm

CONCLUSÕES

O Kamov KA-52B Alligator é sem dúvida alguma uma dos mais bem equipados helicópteros do mundo. A aeronave chegou para preencher uma importante lacuna existentes nas forças de asas rotativas russas. A aeronave resume-se em capacidades desenvolvidas a partir dos duros aprendizados levados no conflito do Afeganistão, portanto, trata-se de uma aeronave bastante blindada, dotada de sistemas inteligentes de proteção contra mísseis e munições especiais, é uma aeronave formidavelmente manobrável e possui um excelente desempenho em voo.

É equipado com uma moderna suíte eletrônica que vem sendo atualizada constantemente e que deverá incorporar novos melhoramentos após o serviço no teatro Sírio. Quanto ao seu armamento, apesar de ser em princípio um helicóptero de reconhecimento armado, o KA-52B possui um pesado armamento comparável aos mais bem equipados helicópteros genuinamente destinados à função anticarro e ataque.

No status atual, a aeronave deslanchou em sua planta de produção que hoje conta com um número crescente de aeronaves. Iniciada em 32 aeronaves KA-50 entregues à VKS das quais algumas foram desmontadas e/ou desativadas. Entretanto, somam-se outros 74 KA-52B já entregues e 80 encomendados para esta força. Outros 04 aparelhos já foram entregues à Marinha Russa que encomendou outros 24 helicópteros. Adicionalmente, o Egito tornou-se o primeiro cliente internacional da aeronave com outras 46 encomendas realizadas e há a procura pela aeronave por outros clientes potenciais.

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ATE Mi-24 SUPER HIND Mk.IV O CROCODILO SUL- AFRICANO.

Mil Mi 24 Superhind

Autor: Anderson Barros


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Saiba mais sobre Helicópteros de combate em AH-X Brasil

                                                                                                                                                                                                                                   

PREFÁCIO

 Poucas aeronaves na história se tornaram tão emblemáticas quanto o helicóptero russo Mil Mi-24. Em um certo momento, foi considerado um verdadeiro símbolo do poder militar soviético. O Mi-24, denominado pela OTAN como “Hind”, quarenta anos após entrar em serviço, ainda continua em produção e é uma referência em poderio aéreo.

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ORIGENS

Desde que foi visto pela primeira vez, o potente Mil Mi-24 “Hind” tornou se o rei dos helicópteros de combate sobre o campo de batalha. Esta grande e potente máquina é um exemplo clássico da filosofia da “força bruta” que dominava o pensamento militar soviético durante a Guerra Fria. O Mi-24 foi expressamente dimensionado para transportar uma seção de assalto de oito soldados totalmente equipados na cabine principal, com grandes portas laterais para permitir uma rápida evacuação, ao mesmo tempo em que um pesado armamento garantia a eliminação de qualquer resistência por parte das forças terrestres inimigas. Este novo helicóptero tinha a função de transporte/ataque com uma capacidade extraordinária, de apoio a Assalto armado, anti-blindados, escolta de outros helicópteros e tropas e adicionalmente podia enfrentar outros oponentes no combate ar-ar até mesmo aeronaves de asa fixa. O Hind tenha sido projetado para dispor de uma grande velocidade e agilidade através de uma melhor relação peso/potência, juntamente com uma blindagem maior e outras proteções para suportar o fogo antiaéreo. A principal missão do “Hind” é proporcionar o apoio imediato. A estratégia ofensiva soviética previa um avanço ininterrupto das forças terrestres e, nesse contexto, o Mi-24 atuava como veículo de combate de infantaria, ou peça de artilharia voadora, proporcionando uma potência de fogo altamente móvel, de apoio às tropas no terreno, empenhadas no esforço ofensivo.

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Acima: O primeiro mockup do V-24  possuía configuração da cabine  lado a lado e uma cabine  central que podia transportar oito soldados sentados. O mesmo  possuía um conjunto de semi asas posicionadas na parte traseira superior da cabine de passageiros com capacidade para transportar até quatro mísseis ou foguetes, além de um canhão duplo GSh-23. 

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Acima: O primeiro protótipo foi produzido em 1969 recebendo a designação oficial V-24, equipado com trens de pouso triciclo retráteis, duas asas, que tinham como função elevar a sustentação em voo frontal e servir de estrutura para o transporte de PODs de foguetes ou misseis. O V-24 possuía uma cabine de transporte apaz de transportar 8 soldados totalmente equipados.

 EXPERIÊNCIA EM COMBATE

 O Mi-24 Hind foi muito utilizado no Afeganistão, onde revelou seu poder devastador nos confrontos com os rebeldes fundamentalistas afegãos, equipados com armas ligeiras. No começo, os afegãos não tinham armamento antiaéreo eficaz, por isto o Mi-24 obteve uma vitória após a outra, tanto de dia como de noite, chegando mesmo a encurralar combatentes isolados, que depois eram capturados pela infantaria transportada a bordo do próprio helicóptero ou por forças terrestres chamadas por rádio. Contudo. No inicio do conflito, os “Hind” atacavam a baixa velocidade ou mergulhavam dos 1.000 m, metralhando, lançando foguetes de 57 mm e bombas de fragmentação. Este esquema regular de ataque permitia aos afegãos mudar de local ou procurar um refúgio entre uma passagem e outra. Quando os Mujahidin conseguiram dispor de armas antiaéreas, sobretudo de mísseis portáteis Stinger guiados por infravermelhos. A partir da introdução desta arma, os afegãos passaram a limitar a operacionalidade do Hind naquele conflito, obrigando ao soviéticos a adoção de novas táticas e sistemas de defesa como “flares” destinados a confundir os mísseis. Os pilotos soviéticos tiveram de mudar de tática na tentativa de reduzir as perdas de suprimentos, veículos e homens, os soviéticos começaram a “preparar” as rotas dos comboios, como faziam para as operações ofensivas: atacando e bombardeando cada suposto local de emboscada a uma distância de 6 km, à frente do comboio. O conflito no Afeganistão trouxe inúmeros aprendizados aos soviéticos,  a operação em grandes altitudes era dificultosa e obrigou o desenvolvimento de novas versões do helicóptero, mais potentes surgindo assim o Mil Mi 24 V, entre outras. O Mi-24 Hind foi comercializado em suas mais variadas versões para uma infinidade de países, recentemente o governo brasileiro adquiriu de 12 unidades do helicóptero de assalto Mil Mi-35M Hind. Alem do Brasil outros dois pais sul americano utilizam o Hind Venezuela que comprou 10 unidades da versão MI-35 M2 chamados localmente de “Caribe” e o Peru que e o mais antigo operador do Hind na America do Sul atualmente opera uma frota de 16 unidades do Mi-25D e duas unidades do Mi-35P. Devido ao grande número de Mi-24 Hind em suas diversas versões ainda em serviço, há inúmeros e importantes programas de modernização que visam mante-los operacionais durante grande parte deste século. A África do Sul através da empresa ATE (Advanced Technologies and Engineering) Aerospace pertencente a Paramount Group  desenvolveu um pacote de modernização para o Hind, com capacidades similares ao encontrado sistema originais russos, porém qualificando o Hind para uso de armamento ocidental.

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Acima: Os Mi-24 soviéticos foram empregados em grande numero durante a intervenção soviética no Afeganistão.  O inicio do conflito os os Soviéticos operavam o Hind com total liberdade. Porem com a introdução de MANPADS (Man-portable air-defense systems) por parte dos Guerrilheiros Mujahidin fizeram os soviéticos mudarem suas táticas de emprego do Hind.

 CROCODILO AFRICANO, O Mi-24 SUPER HIND

 Esta é uma variante do helicóptero de ataque Mi-24 Super Hind desenvolvida sobre a plataforma do modelo russo Mi-24 Hind. O modelo foi vendido apenas para a Argélia (35 unidades entregue entre 1999-2004), Azerbaijão (12 unidades entregues entre 2010-2011) e Nigéria (duas unidades em 2015 via Ucrânia). O pacote de modernização oferecido pela ATE Aerospace e por outras companhias sul-africanas, atualmente na versão Mi-24 Mk3, oferecem um modelo com sistemas de armas melhoradas e capacidade real de operações noturna e diurna em quaisquer condições meteorológicas. Os testes iniciais do modelo modernizado começaram em 1999 e foram completados em 2002.

Mi-24_SuperHind_09Acima: A Argélia foi o cliente lançador do Super Hind. O governo argelino encomendou 35 unidades do Super Hind.

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Acima: Recentemente a Nigéria adquiriu o Super Hind para equipar suas Forças Armadas na luta  contra o grupo Radical Boko Haram.

As principais versões do ATE Mi-24 Super Hind são:

ATE Mi-24 Super Hind Mk. II é um upgrade da variante Mi-24 V com a utilização de avionica ocidental moderna.

 ATE Mi-24 Super Hind Mk. III è a modernização da versão MK. II com uma ampla modernização dos avionicos, armas e contramedidas,

A versão ATE Mi-24 Super Hind Mk. IV é um desenvolvimento da versão MK. III,  e apresenta melhorias consideráveis em relação aos outros modelos e será foco desta matéria.

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DETALHES ESTRUTURAIS.

 A cabine da tripulação e o compartimento de cargas que pode transportar oito soldados totalmente equipados são climatizados e possui sistemas de aquecimento e refrigeração. O Super Hind esta equipado com cilindros de oxigênio para operação em grandes altitudes. Atrás do acento do piloto existe uma estreita porta onde pode ser acrescida uma cadeira dobrável para mais um tripulante. A blindagem desta versão também melhorou com a integração de uma blindagem composta por kevlar (O Kevlar substituiu em grande parte as placas de titânio do Super Hind no qual houve redução de cerca de duas toneladas no seu peso) e cerâmica o titânio foi mantido apenas nos sistemas vitais do helicóptero como tanques de combustível, hastes de controle, sistemas hidráulicos e eixo de transmissão sendo resistentes a disparos de 20 mm.

Mi-24_ATE_021Acima: O Super Hind também e equipado com filtro separador de partículas (Pall Vortex Engine Air Particle Separator System) que visa a não ingestão de FODs ou grãos de areia.

A banheira do cockpit possui uma blindagem de titânio reforçada capaz de resistir a disparos de 37 mm, As janelas da cabine dos pilotos são blindadas e resistem a disparos de 12,7 mm, granadas de 20 mm e á impactos de detritos gerados por mísseis, também existe uma placa blindada separando os dois cockpits para proteger cada tripulante contra estilhaços que atinjam o cockpit de seu parceiro, aumentando a capacidade de sobrevivência do tripulante e do vetor.  Todas as blindagens do vetor podem ser substituídas em caso de danos. Os tanques de combustível são cobertos por uma espuma de borracha e são preenchidos internamente com uma espuma auto selante de poliuretano para evitar explosões. Porém, de acordo com o gosto do cliente, o Super Hind pode receber trens de pouso fixo ou retrátil, lâminas dos rotores principais e da cauda em materiais compostos integração do novo rotor de cauda com as hélices em X, semelhante às usadas no Mi-35M que possuíam uma menor taxa de ruído.

 SENSORES

 Sem dúvida o que mais chama a atenção no Super Hind é a torre giro estabilizada equipada com o sistema eletro-óptico ARGOS 410-Z, que é composto por um sistema FLIR (Forward looking infrared – visor de imagens infravermelhas) utilizado para designação de alvos e para navegação, com zoom digital de 2x, sistema de imagem por TV com zoom ótico de 40 x, um telêmetro laser com alcance de 20 km, e um designador laser.

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Acima: sistema eletro-óptico ARGOS 410-Z

O vetor está equipado com uma completa suíte de navegação e foi projetado para possuir um glasscockpit visando à redução da carga de trabalho sobre a tripulação  também conta com um sistema HMD (Helmet Mounted Display) Zh-3YM-1 Schchel-3U de origem russa ou o sistema francês Thales TopOwl dando uma boa solução para clientes que não estão acostumados com produtos de defesa russo.  O HMD direciona o canhão automaticamente para onde o copiloto-artilheiro estiver olhando e  pode ser equipado com um sistema de visão noturna NVG (Night Vision Googles) integrado, e um HUD (Head-Up Display) que prove informações de navegação que permitem o vôo Nap-of-the-earth (NOE) com baixo perfil de vôo seguindo a baixa altura, utilizando o mascaramento do terreno, se escondendo atrás das imperfeições do solo e das copas das árvores evitando a detecção pelos radares inimigos a uma altura de 15 metros. Sistema digital de piloto automático e de navegação GPS.

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Acima: O modelo “Top-Owl” da Thales  incorpora conceitos alternativos de visão noturna com base na tecnologia existente promovendo uma integração com a tecnologia já comprovada.

No que se diz a contramedidas o Super Hind recebeu uma completa suíte de contramedidas eletrônicas e descartáveis composta por um sistema de alerta de radar RWR (Radar Warning receiver) totalmente integrada HEWSPS (Helicopter Electronic Warfare Self Protection System), que incorpora um sistema de alerta de radar RWR (Radar Warning Receiver), um sistema de alerta de laser LWR (Laser Warning Receiver), sistema IFF (Identification Friendor Foe – Identificação Amigo ou Inimigo) e dispensadores de Chaff e Flare.

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Acima: HMD (Helmet Mounted Display)  Arsenal Zh-3YM-1 Schchel-3U.

 ARMAMENTO

 A gama de armamentos, empregada pelos Mi-24 originais é extremamente variada, podendo ser armdos  com um canhão de dois canos GSh-23L em calibre 23 mm ,  metralhadora Yakushev Borzov YAK-B 12,7 mm com 4 canos rotativo  ou canhão duplo Gryazev-Shipunov GSh-30-2 de 30 mm. Porem no Super Hind o canhão de origem russa foi substituído pelo canhão Vektor GI-2 no calibre 20 mm que possui uma cadencia de disparo de 700-750 tiros por minuto, tendo uma capacidade para 700 munições. Este canhão possui uma mobilidade de 120º azimute e +15º e -65º de elevação, tendo uma taxa de movimentação de 90º por segundo.

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Acima:  O Super Hind utiliza como armamento primário o canhão Vektor GI-2 no calibre 20mm que possui uma cadencia de disparo de 700-750 tiros por minuto, tendo uma capacidade para 700 munições.

 O Super Hind pode ser armado com metralhadoras em suas portas laterais que podem ser do modelo PKT 7.62 mm de fabricação russa. Dependendo do gosto do cliente o Super Hind pode ter a suas metralhadoras de origem russa substituída pelas M-240 (FN-MAG) em calibre 7,62X51 mm, FN Herstal M3M calibre (. 50), GAU-17A(M-134 Minigun) com seis canos rotativos em calibre 7,62X51 mm, metralhadora GAU-16A (Browning M-2) calibre 12,7mm (. 50), ou metralhadoras MG-3 em calibre 7,62×51 mm. O Hind e dotado de grandes semi-asas montadas na fuselagem que podem transportar até 2400 kg de armamento de diversos tipos.  No quesito mísseis antitanque o MK.IV pode ser equipado com mísseis Kentron ZT35 Ingwe com um alcance de 5 km, ou mísseis guiados por laser semi-ativo Denel Dynamics ZT-6 Mokopa que possui um alcance máximo de 10 km e uma excelente precisão com um CEP de 30 centímetros.

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Acima:  POD UPK-23-250 que consiste em um POD com um canhão duplo GSh-23 de 23mm com 250 munições

Caso o gosto do cliente seja por armamento de origem russa (embora o modelo tenha sido comercializado apenas com armas ocidentais) o Super Hind pode manter a capacidade de operar até 16 mísseis antitanque que pode ser o AT-6 Spiral (9K114 Shturm) com alcance de 6 km e guiado por radio, ou o míssil AT-9 Spiral 2 (9M120 Ataka V) com 6 km de alcance e guiado por radio. A vantagem do AT-9 é ser mais preciso e destrutivo contra blindados. O Super Hind também pode operar com casulos de foguetes de diversos calibres, podendo operar quatro PODs UB-32-57 mm, que podem ser equipado com 32 foguetes S-5 de 57 mm, até quatro PODs B-8M1 e B8V20-A, que podem ser equipados com até 20 foguetes S-8 Rocket de 80 mm e o POD B-13L que pode ser equipado com até cinco foguetes S-13 Rocket de 122 mm. O Super Hind também pode ser equipado com o foguete não guiado S-24B que possui uma ogiva de 125 kg e um alcance de 3 km. Um dado interessante é que somente o piloto pode lançar foguetes, pois estes dependem do alinhamento com o alvo.

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Acima: Denel Dynamics ZT-6 Mokopa que possui um alcance máximo de 10 km e uma excelente precisão com um CEP de 30 centímetros.

No que se diz a bombas o Super Hind pode ser equipado com bombas de origem ocidental da família Mk. 80 sendo armado com até oito bombas de queda livre Mk. 81 de 112kg , 8 bombas Mk.82 de  225 kg, 4 bombas Mk.83 de 450 kg  ou duas bombas Mk.84 de 900 kg, outra solução pode ser as bombas de origem russa FAB (Fugasnaya aviatsionnaya bomba –  equivalente russo às bombas da série Mk.80) sendo armado com até 8 bombas de queda livre FAB 50UD de 50 kg , 8 FAB 100 de 100 kg, 8 FAB-250M-46 de 250 kg  ou duas de FAB-500M-46 de 500 kg, (as bombas FAB  2 bombas incendiarias “Naplm” ZB-500 ou 4 “Naplm” ZB-250, e um dispensador de submunições KMGU-2. Alem do armamento o Hind também pode transportar sob suas asas até 4 tanques externos de 500 litros (132 Galões), porem pode ser acrescido um tanque de combustível no compartimento de carga para 757 litros ( 200 galões) montada sobre uma placa de kevlar para proteger o tanque, aumentando o alcance em 112 km (70 milhas)

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 Acima: Família de Bombas FAB (FAB (Fugasnaya aviatsionnaya bomba).

PROPULSÃO

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 O Super Hind é propulsado por duas turbinas Klimov TV3-117V nas versões iniciais e TV3-117VMA nas versões mais recentes  que possuem uma potencia máxima unitária de 2200 HP cada e são posicionadas nas laterais da fuselagem, sendo “totalmente” isolados e independentes. O trabalho independente dos motores assegura a possibilidade do vôo com apenas um motor em funcionamento. Estes propulsores podem operar em qualquer ambiente com temperaturas de -60º a +60ºC, Esta motorização garante uma excelente manobrabilidade Super Hind possibilitando ao vetor atingir a velocidade máxima de 324 km/h, o que representa um excelente desempenho para um helicóptero do porte do Super Hind sendo consideravelmente mais pesado que outros helicópteros de ataque. O Super Hind também e equipado com filtro separador de partículas (Pall Vortex Engine Air Particle Separator System) que visa a não ingestão de FODs ou grãos de areia. O super Hind também pode ser equipado com supressores de calor usado na saída dos motores do Hind que resfria e direciona o fluxo das turbinas para longe da estrutura da aeronave diminuído a assinatura IR do vetor.

 Mi-24 SUPER AGILE HIND Mk. V.

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 A ATE (Advanced Technologies and Engineering) Aerospace  apresentou recentemente o seu mas novo produto o Mi-24 Super Hind Mk.V  que é a mais nova versão do “Super Hind”  no qual melhorias foram incorporadas como a fuselagem dianteira totalmente redesenhada, ao invés do tradicional com duas bolhas separadas, uma para cada piloto, será adotado o modelo das aeronaves de ataque mais modernas, com o artilheiro ficando atrás e acima do piloto, melhorando a visão do piloto e quebrando um paradigma que se estendia desde que o primeiro helicóptero de ataque foi criado, com o atirador no banco da frente.. A nova cabine lembra em muito a cabine usada pelo AH-1 Cobra.  A estrutura do cockpit será construída em alumínio e materiais compostos. Ele utiliza os armamentos e sensores da versão MK. IV, porem utiliza avionicos mais modernos como cockpit no conceito glass, supressores de calor nos dutos de exaustão, filtros de areia nas entradas dos motores, pás do rotor feitas de material composto e um sistema digital de piloto automático, que resultarão no modelo Mi-24 Super Agile Hind Mk. V. Porem com todas essas melhorias, o principal upgrade em termos de emprego da aeronave será a possibilidade de utilização real como uma aeronave de ataque moderna e não como uma aeronave de emprego geral armada.

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FICHA TÉCNICA
Velocidade máxima: 312 Km/h
Velocidade de cruzeiro: 260 Km/h
Raio de ação/Alcance máximo: 160 km / 435 km – 1085 km com tanques externos.
Taxa de subida: 750 m/min.
Fator de carga: +1.75 Gs
Altitude máxima:5750 m
Empuxo: 2 X Klimov VK-2500 com 2700 HP cada.
Dimensões
Comprimento:17,51 m
Altura:3,84 m
Diâmetro do rotor:17,2 m
Peso vazio:8050 kg
Peso máximo de decolagem:11500 kg (Combate) 12000 kg translado

ARMAMENTO
Mísseis Ar-Ar: IGLA-V, R-60 M, R-73 M,
Mísseis Ar-Superfície: AT-6 Spiral, AT-9 ‘Spiral-2’, foguetes D-5 Rocket, S-13 Rocket, S-8 Rocket, S-24B Rocket.
Bombas: ZB-500, ZB-250, FAB-500M-46, FAB-250M-46, OFAB 100, OFAB 50UD, dispensadores de submunições KMGU-2, contêiner (Casulo) de submunições.
Gun Pod: GUV-8700, UPK-23-250, SPPU-22, SPPU-6
Interno: 1x cano duplo Gryazev Shipunov-GSH-23L de 23 mm

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AH-X BR: Agusta/Westland AW-129 Internacional

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AgustaWestlandCOLORE[1]Autor: Anderson Barros

Matéria produzida em parceria com o Site Warfare

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PREFÁCIO

Os últimos anos a Europa tem mostrado que vem diminuindo sua dependência dos EUA no campo de sistemas bélicos. Sua forte indústria de defesa vem desenvolvendo tecnologia e sistemas para o campo militar apresentando soluções próprias para suas Forças Armadas.

Um exemplo é o desenvolvimento, pelos italianos, do primeiro helicóptero de combate europeu, o Agusta A-129 Mangusta. Foi projetado em 1978, mas só agora, com a versão A-129 International, fabricado pelo consórcio Agusta-Westland, esse helicóptero tem chamado a atenção, sobretudo depois que a Turquia selecionou o AW-129 para servir de base para o seu programa de um Helicóptero de ataque e reconhecimento conhecido como ATAK.

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A ORIGEM

O Agusta A-129 Mangusta foi desenvolvido a pedido do exercito italiano que viu a necessidade de dotar suas unidades aéreas com um vetor de ataque dedicado com capacidade antitanque. O A-129 foi o primeiro helicóptero de ataque dedicado totalmente projetado e construído na Europa ocidental. Seu projeto se iniciou em 1978 sendo que seu projeto final ficou pronto apenas em 1982.

Os requisitos do Exercito italiano apontava para um vetor apto a realizar missões antitanque, escolta e ataque á objetivos em solo. O primeiro voo do protótipo inicial (de um total de cinco) ocorreu em 1983. Seu programa de testes e avaliações se estendeu ate meados de 1987, quando então foi assinado o contrato de produção do modelo que viria gerar diversas versões ao logo de sua carreira.

O nome escolhido pelo exercito italiano e pela Agusta para batizar seu novo Helicóptero de ataque foi Mangusta (O mangusto e conhecido pela sua facilidade em matar cobras venenosas.). Esse nome comercial foi escolhido devido o A-129 ser um concorrente direto do Bell A-1 Cobra que naquela época rivalizava com o projeto da Agusta.

Em 1986, os governos da Itália, Holanda, Espanha e Reino Unido assinaram um memorando de entendimento para desenvolver uma versão melhorada do A129, chamado de “Joint European Helicopter”. O memorando solicitava a instalação de motores mais potentes, um novo sistema de rotor, trem de pouso retrátil, melhores sensores e armamento mais potente. Porém o projeto ruiu em 1990, quando Grã-Bretanha e a Holanda decidiram pela compra do AH-64 Apache, enquanto a Espanha optou pelo Eurocopter Tiger.

No inicio da década de 1990 a Agusta começou a trabalhar em uma variante do A-129 Mangusta voltada para o mercado de exportação. Essa nova versão recebeu melhorias nos motores, avionicos e armamentos para atender as exigências do mercado de exportação. Devido a essas modificações a Agusta (agora AgustaWestland ) alterou o nome de Mangusta para Internacional (segundo o fabricando esse novo nome condiz melhor com o seu objetivo  que e o mercado de exportação).

VARIANTES

A129A Mangusta – Versão de produção original, alimentado por dois motores Rolls-royce. Gem 2-1004D

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Acima: O A129A Mangusta  inicialmente não possuía canhão ou metralhadoras seu armamento era composto por  misseis BGM-71B TOW, e  PODS de foguetes pois sua missão era caças tanques e veículos blindados do Pacto de Varsóvia. Entretanto sua operação em outros tipos de missão ficava comprometida. Em 1983 os A-129 A foram utilizados em combate real na Somália, a partir das experiências colhidas foram detectadas deficiências táticas em termos de capacidade de combate em determinados cenários sobretudo a falta de armamento de tubo.

A-129C (CBT – Combate) – versão atualizada para o exército italiano, que incorpora os mesmos avanços da versão A-129 internacional,  onde os avionicos foram modernizados e a motorização foi mantida  original, com os Rolls Royce Gem 2-1004D que possuem uma potencia máxima unitária de 1120 HP.

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Acima: A Versão A-129CBT sanou as deficiências encontradas do modelo A-129A onde os avionicos foram modernizados e o mesmo recebeu um canhão de 20mm.

A-129D Mangusta – versão modernizada do modelo CBT com sistemas desenvolvidos para o AW-129 Internacional. O mesmo recebeu um novo conjunto de rotores de cinco pás, canhão General Dynamics M197, torre EOS (Electro-Optical Systems) Rafael Toplite III e capacidade de lançar mísseis Spike ER.

Além disso, o vetor foi  homologado para uso em operações navais onde futuramente ira receber um sistema de dobragem das pás do rotor.

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Acima: A versão Delta do Mangusta variante modernizada a partir das células da versão CBT onde recebeu um Upgrade com sistemas de origem Israelenses como a torre EOS (Electro-Optical Systems) Rafael Toplite III e o sistema de misseis Spiker ER. Outras melhorias foram sistema de dobragem das pás do rotor para a melhor hangaragem em navios e tratamento anti-corrosão.

 A-129I Internacional (Renomeado como AW-129 Internacional) – versão dedicada ao mercado de exportação seu projeto começou no inicio dos anos de 1990. Para atender esse mercado o A-129I foi equipado com os propulsores LHTEC T800 e a nova torre OtobredaTM 197B equipada com o canhão General Dynamics M197 20 mm de 3 canos giratórios tipo Gatling.

Esta nova versão também apresentava um novo conjunto de rotores de cinco pás ao invés de quatro da versão A-129 A, também possuía maior capacidade de combustível e uma avionica modernizada. Essa variante foi selecionada pela Turquia para seu programa de helicoptero de ataque.

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Acima:  Variante AW-129 Internacional variante do Mangusta voltada ao mercado de exportação. A mesma recebeu uma nova motorização avionicos e uma possui uma boa diversidade de armamentos afim de satisfazer a eventuais clientes estrangeiros.

TAI T-129 ATAK – versão baseado no  AgustaWestland  A-129 internacional (AW-129) para atender as exigências Turcas que incluía entre outras coisas o uso de sistemas/avionicos  e armamentos de Origem Turca.

O mesmo também recebeu melhorias para reduziu substancialmente o RCS do vetor como tinta RAP (Radar Asborbent Paint) e materiais RAM (Radar Absorbent Material) e novos bocais de admissão que escondem o duto de entrada da turbina, mascarando as partes quentes, que juntamente com os supressores IR nos bocais de exaustão que direcionam o fluxo das turbinas para longe da estrutura, reduzem substancialmente a assinatura IR do vetor. 

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Acima: O T-129 e a variante turca do AW-129I no qual  foi desenvolvido em conjunto pela Agusta Westland e pela TAI. O mesmo teve o sistema HIRNS,  substituido pelo sistema turco  ASELSAN ASELFLIR-300T.

GALERIA 3D TURBOSQUID

PROTEÇÃO

Um dos pontos mais trabalhados no desenvolvimento do AW-129 foi a sua capacidade de sobrevivência e segurança da tripulação. A estrutura da cabine da tripulação e os sistemas vitais tais como motorização, tanques de combustível, rotor principal são blindados e resistentes a disparos de 12,7 mm. 

Os propulsores são posicionados nas laterais da fuselagem bem espaçados um do outro e separados pela caixa de transmissão para reduzir a probabilidade de danos simultâneos. Os  tanques de combustível possuem um sistema anti-explosão e anti-vazamento composto por um sistema auto selante alem de um completo sistema de extinção de incêndio. As pás são construídas em materiais compostos altamente resistentes, aumentando à resistência balística das mesmas as hélices são capazes de resistir a vários impactos de 23 mm, fornecendo a capacidade de voo seguro mesmo após ter sido atingida.  

A estrutura principal do AW-129 possui tecnologia anti-crash (antichoque) com capacidade de absorção de impacto, que também é aplicada nos assentos da tripulação, que juntamente com o conjunto de trens de pouso principais que foram projetados para suportar o impacto uma queda.

Outro sistema de proteção e o supressor de calor nos bocais de exaustão que resfria e direciona o fluxo das turbinas para longe da estrutura da aeronave diminuído a assinatura IR do vetor e a integração do filtro separador de partículas (Pall Vortex Engine Air Particle Separator System), que visa a não ingestão de FODs ou grãos de areia.  O vetor também possui proteção contra ambientes QBN (Químico, biológico e nuclear).

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Acima : supressores IR nos bocais de exaustão do AW-129. Os mesmos direcionam o fluxo das turbinas para longe da estrutura, reduzem substancialmente a assinatura IR do vetor, elevando a capacidade de sobrevivência do Mangusta.

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SISTEMAS EMBARCADOS

O AW-129 utiliza unidades de exibição com o conceito de glass cockpit e um elevado nível de automação de seus sistemas, visando à redução da carga de trabalho dos tripulantes nas múltiplas tarefas que este vetor pode realizar.

O vetor possui integração de um sistema de posicionamento global GPS, sistema de navegação inercial (satélite-inercial), novas e poderosas unidades de processamento, novos softwares e a integração do sistema de visão noturna HIRNS (Helicopter Infrared Navigation System).

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Acima: OAW-129 possui uma moderna avionica com conceito Glass cockpit, que reduz a carga de trabalho da tripulação.

O vetor também foi compatibilizado com a utilização de óculos de visão noturna. Para a detecção, identificação e designação de alvos o A-129 I foi equipado com o sistema HIRNS, que é composto por um sistema FLIR fornecido pela Honeywell, uma câmera CCD TV que substituiu o sistema de mira telescópica TSU (Telescópica Sight Unit), um sistema de telêmetro laser e um designador laser, que são montados em uma torre giratória sobre o nariz e um sensor IR que fica alocado à frente do nariz em uma pequena torre giratória, que fornece uma visão progressiva ao piloto em ambientes noturnos e em, mas condições climáticas.

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Acima: IHADSS (Integrated Helmet And Display Sight System), que consiste em um monóculo posicionado a frente do olho direito, que projeta as imagens FLIR sobrepostas com dados críticos, como altitude, velocidade e posição.

Este sensor é integrado ao sistema de mira montado no capacete IHADS (integrated helmet and display sighting system), que direciona o sensor IR para onde o piloto estiver olhando, a mira montada prove informações de navegação que permitem o Nap-of-the-earth (NOE) com baixo perfil seguindo a baixa altura, utilizando o mascaramento do terreno, se escondendo atrás das imperfeições do solo e das copas das árvores evitando a detecção pelos radares inimigos.

Este sistema de mira montada no capacete também permite apontar automaticamente o canhão para onde o copiloto-artilheiro estiver olhando. O AW-129 está equipado com uma suíte de contramedidas eletrônicas e  descartáveis composta por um sistema de alerta de radar RWR (Radar Warning receiver) Elettronica ELT-156, sistema de alerta de laser LES (laser warning systen) BAE Systems Itália RALM-101, sistema de jammer EM Elettronica ELT-554, sistema de jammer IR BAE Systems IEWS NA/ALQ-144A e dispensadores de Chaff e Flare.

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Acima: AW-129 fazendo uso do seus  dispensadores de Flare. O modelo possui uma boa  suíte de contramedidas eletrônicas e descartáveis

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SISTEMAS DE ARMAS

O AW-129 Internacional pode ser dotado com uma ampla gama de armas em seus quatro pontos de fixação de armamento. Para missões anti superfície e antitanque o mesmo pode ser equipado com  mísseis ar-terra AGM-114 Hellfire de origem americana possuindo um alcance máximo de 8 km, Rafael Spike-ER (Extender Range) de origem israelenses com alcance máximo de 8 km.

O AW-129 também pode ser equipado com a família de mísseis mais antigos Raytheon BGM-71 TOW II (Tube-launched, Optically-tracked, Wire-guided) o seu alcance varia de acordo com a versão podendo chegar ate 4.200 metros.

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Acima: Podemos ver o AW-129 equipado com o moderno míssil antitanque israelense Spike ER guiado por sistema IR e CCD passivo, para capacidade dispare e esqueça, com alcance que chega a 8 km.

Outro armamento ar-solo e o foguete Medusa de 81 milímetros no qual o podem ser carregados quatro lançadores com sete foguetes, outro modelo de foguete empregado e o Hydra 70 (70 mm) podendo receber lançadores do modelo M260 para sete foguetes ou M261 para 19 foguetes.  

Outra possibilidade que pode ser integrada ao AW-129 e o novo míssil Turco Roketsan UMTAS, que possui um alcance máximo de 8 km e o foguete guiado Roketsan CIRIT 70 mm, guiado a laser semiativo, que possui um alcance máximo de 8 km ambas as armas equipam a versão Turca do AW-129 Internacional (denominada T-129 ATAK).

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Acima: O AW-129 pode ser armado com o míssil turco Roketsan UMTAS, e com o foguete guiado Roketsan CIRIT 70mm.

O Armamento de tudo consiste em um canhão General Dynamics M197 20 mm de 3 canos giratórios tipo Gatling  com cadência de 750 tiros por minuto montado em uma torre OtobredaTM 197B.

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Acima: Detalhe de canhão General Dynamics M197 20 mm  e do sistema HIRNS (Helicopter Infrared Navigation System).

Alem do canhão  existe provisão para dois  POD  FN Herstal HMP-250 equipado com uma metralhadora  FN Herstal M3P calibre 12.7×99mm (.50 BMG) com capacidade para 250 munições. Para combate ar ar  o mesmo pode ser equipado com  mísseis MBDA Mistral guiados por infravermelho (IR) com alcance de 6 km e FIM-92 Stinger, guiado por infravermelho, com um alcance de 4,5 km.

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Acima/Abaixo:  POD  FN Herstal HMP-250 equipado com uma metralhadora  FN Herstal M3P calibre 12.7×99mm (.50 BMG) com capacidade para 250 munições.

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 Propulsão

 O AW-129 faz uso de uma nova propulsão que substituiu os antigos motores Rolls-royce. Gem 2-1004D. A nova motorização ficou a cargo dos motores LHTEC T800 fabricado pela Light Helicopter Turbine Engine Company (joint venture entre a Rolls-Royce e Honeywell.).

Originalmente este motor foi desenvolvido para o programa do helicoptero Boeing-Sikorsky RAH-66 Comanche. Porém depois do cancelamento do Comanche a LHTEC começou a oferecer seu motor no mercado no qual foi bem aceito passando a equipar os modelos AgustaWestland  Super Lynx 300 e AW-159 WildCat alem de outros projetos.

Os dois motores LHTEC T-800 (sua variante de exportação e chamada de CTS800) entregam normalmente uma potência de 1563 hp cada mas caso seja necessário o os motores em caráter de emergência podem desenvolver uma potencia de  1608 hp.

Graças a essa potencia o AW-129 possui uma taxa de subida de :612 m/min podendo atingir uma velocidade máxima de 302 Km/h e velocidade de cruzeiro de 278Km/h. Seu raio de ação e de  561 km e seu alcance e de 1000km (podendo ser estendido para 1200 com o uso de tanques extras de combustível).

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Acima: As aeronaves são propulsadas por um par de turbinas  LHTEC T-800.

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Acima: O AW-129 equipado com tanques extras de combustível possui um alcance de travessia de 1200 km.

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FICHA TÉCNICA 

Peso: 3220 kg (vazio).

Peso máximo de decolagem: 5100 kg

Altura: 3,04 m.

Comprimento: 12,62 m.

Propulsão: 2 motores  Rolls Royce LHTEC T800-LHT-802 com 1608 HP de potência cada.

Velocidade máxima: 302 Km/h.

Velocidade de cruzeiro: 278 Km/h.

Raio de ação/Alcance máximo: 561 km / 1000km (1200 com tanques externos).

Razão de subida vertical: 612 m/min.

Fator de carga: +3.5/

Altitude máxima: 6096 m.

ARMAMENTO
Mísseis Ar-Ar: FIM-92 Stinger RMP e MBDA Mistral
Mísseis Ar-Superfície: BGM-71D TOW-2 , Spike-ER, AGM114 Hellfire., Foguetes: Hydra 70 e SNIA BPD 81 mm Medusa.
Interno: 1x Dynamics M197 de 20 mm com 500 munições.

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CONCLUSÃO

O AW-129 incorpora tecnologias e soluções interessantes que englobam um custo de aquisição e operação bem acessível. Um bom exemplo disso foi à Turquia que vendo a necessidade de equipar seu exercito com um helicóptero de ataque dedicado capaz de combater nos novos cenários da guerra moderna escolheu o AW-129 Internacional como o modelo base para o desenvolvimento de seu novo vetor.

O desenvolvimento do programa Turco ficou a cargo da Agusta Westland da Itália e pelas turcas Aselsan e TAI (Turkish Aerospace Industries). Esse exemplo poderia ser seguido pelo Brasil onde o AW-129 Internacional poderia ser adaptado aos requerimentos da Aviação do Exercito, sobretudo para suas operações no teatro amazônico. Seguindo o exemplo Turco empresas brasileiras poderiam se tornar fornecedoras para uma variante nacionalizada do  AW-129.

O AW-129 seria um ótimo vetor para operar no Teatro de Operações Brasileiros podendo ser operado pela Aviação do Exercito quanto pelo Corpo de Fuzileiros navais (graças a capacidade do AW-129 de se operar embarcado). Operacionalmente seria uma excelente escolta para os Helicópteros de Manobras da Aviação do EB apoiando os mesmos em missões de assalto aerotransportado, Operações especiais (Infiltração/Exfiltração), Busca e Salvamento em Combate. Alem do fato de que atualmente a AvEx (Aviação do Exercito) carece de um vetor de ataque dedicado no cenário amazônico.

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AH-X BR: Airbus Helicopters EC-665 Tiger

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Resposta Franco-Germânica para a ameaça das forças blindadas do “Pacto de Varsóvia”, o EC-665 Tiger foi desenvolvimento ainda nos finais da Guerra Fria para atuar como uma plataforma de armas anti-carro de combate. 

 

downloadAutor: Carlos Emílio Santis Junior

Matéria produzida em parceria com o Site Warfare

Acompanhe a série de matérias clicando em AH-X Brasil

 

Prefácio

Resposta Franco-Germânica para a ameaça das forças blindadas do “Pacto de Varsóvia”, o EC-665 Tiger foi desenvolvimento ainda no final da Guerra Fria para atuar como uma plataforma de armas anti-carro de combate. Em meados de 1984, os governos da França e da Alemanha Ocidental emitiram um requisito para um helicóptero avançado criando assim uma joint venture constituída pela então “Aerospatiale” e “MBB” e após sofrer cortes e até mesmo o seu cancelamento temporário,  o programa renasceu das cinzas e agora não mas se destinava a conter as poderosas divisões de carros de combate das forças aliadas da extinta URSS, mas sim, renasceria como uma plataforma multi-propósito destinada a cumprir uma mais variada gama de missões. Desenvolvido para operar em ambiente saturado de emissões e interferências eletromagnéticas, a aeronave foi projetada para possuir significativa descrição no campo de batalha. O Tigre foi o primeiro helicóptero todo-compósito desenvolvido na Europa, a primeira aeronave Glass-Cocpit; agregando furtividade e grande agilidade,  pioneiramente projetando uma aeronave até então inexistente em quaisquer inventários de forças armadas no mundo. Após entrar em serviço, equipado com motores mais potentes e compatíveis com uma vasta gama de armas os Tigres têm sido usados ​​em combate no Afeganistão, Líbia e Mali, provando a  sua excelência em operação a qualquer tempo.

 

O Helicóptero

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O Tigre foi o primeiro helicóptero todo-compósito desenvolvido na Europa, a primeira aeronave Glass-Cocpit
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Os EC 665 têm sido usados ​​em combate no Afeganistão, Líbia e Mali, provando a sua excelência em operação a qualquer tempo.

O avançado helicóptero  EC-665 Tiger desenvolvido pela Eurocopter GMBH, hoje Airbus Helicopter, é resultado de uma coincidência de necessidades entre franceses e alemães para uma nova geração de helicoptero de ataque dedicado.

No fim dos anos 60 do século passado a França estava em busca de um helicóptero com capacidade antitanque cujo projeto foi chamado de Helicoptere Anti-Char (HAC) (helicoptero antitanque) e através de sua empresa Aérospatiale se juntou com a Westland, uma das maiores empresas britânicas no setor aeronáutico para desenvolver uma variante do excelente helicóptero LYNX.

Porém, os franceses pularam fora desse projeto que acabou sendo cancelado com sua saída. Nesse momento, a Alemanha estava atrás de um helicóptero de ataque de segunda geração sob o projeto PanzerAbwehr Hubschrauber 2 (PAH-2) que iria substituir os BO-105 que equipava o exército alemão.

Em 1984, a Alemanha e a França assinaram um memorando de entendimento em que os dois países desenvolveriam em conjunto o helicóptero HAC/ PAH-2. Depois de algumas dificuldades e uma suspensão de quase um ano entre 1986 e 1987, o projeto foi repensado e seguiu para a produção de protótipos sendo que o primeiro voo do Tiger se deu em 27 de abril de 1991. Pouco depois desta data, já em 1992, houve a criação da Eurocopter, através da fusão da Aerospatiale, MBB e outras empresas, o que ajudou na consolidação do Tiger.

 

A França já opera as suas aeronaves de ataque embarcadas nos seus BPC classe Mistral.
A França já opera as suas aeronaves de ataque embarcadas nos seus BPC classe Mistral.

Os dois países colocaram uma encomenda de 160 exemplares dos Tiger em 3 versões sendo ela a UH Tiger alemã,  usado como helicóptero de ataque multi-missão; Tiger HAP francês para escolta e apoio de fogo e a versão HAD que é uma versão de apoio e ataque desenvolvido seguindo algumas mudanças solicitadas pelo exército espanhol que usa uma motorização com 14% mais potencia e melhor proteção balística.

Variantes
Variantes das aeronaves Francesas e alemãs, atualmente a Espanha desenvolve o seu modelo próprio.

Cada operador do Tiger solicitou modificações que melhor atendessem os requisitos de cada força. O modelo HAP, porém, serviu de base para 3 das 4 versões.

Esta versão também é usada pela França e a Espanha foi o primeiro cliente externo do Tiger.  Posteriormente uma quarta e ultima versão, a ARH, foi projetada e construída. Esta versão opera em missões de reconhecimento armado e foi desenvolvido para um pedido feito pelo governo australiano para seu exército. Esta versão é, essencialmente um modelo da versão HAP francesa com modificações no motor, um designador a laser e a integração de mísseis antitanque de origem norte americana AGM-114 Hellfire. Ao todo, os quatro operadores do Tiger somam 208 unidades do modelo em operação.

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O Tiger foi projetado para ser consturído em materiais leves, modernos e resistentes, a aeronave é constituída em 80 % por materiais compostos.

O Tiger foi projetado para ser consturído em materiais leves, modernos e resistentes, a aeronave é constituída em 80 % por materiais compostos, tais como polímeros reforçados, Nomex (estrutura em favos de mel), kevelar, fibra de carbono e fibra plástica, cerca de 11 % de seu material é produzido em alumínio, 6% em titânio e 3% em Vidro, plexiglass, Cobre, bronze entre outros materiais.

A estrutura do Tiger é construída em laminados de carbono e Kevelar, já os painéis da fuselagem são construídos em polímero reforçado com fibra de carbono e kevlar. O cockpit e sistemas críticos são reforçados com blindagens compostas de Nomex, fibra de carbono e Kevelar,  já os rotores são construídos em fibra plástica reforçada e fibra de carbono, projetadas para absorver impactos diretos de aves.

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A aeronave foi projetada para operar no cenário de guerra saturado de ondas eletromagnéticas, para tal possui expressiva redução de RCS e emissões IR.

O Tiger concebido para ser capaz de voar e combater em ambientes noturnos com elevada capacidade de sobrevivência. Todas as variantes foram projetadas para possuírem baixíssima assinaturas visuais, de radar (RCS) e infravermelho IR. As aeronaves foram construídas em grande parte, com materiais compostos reduzindo o  RCS do vetor no quadrante frontal, em se tratando das emissões IR,  foram integrados supressores IR, que resfriam e direcionam o fluxo dos gases gerados pelos propulsores para longe da fuselagem do vetor, reduzindo assim sua assinatura infravermelha.

Propulsão

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As aeronaves são propulsadas por um par de turbinas MTR-390.

O Tiger é uma aeronave relativamente leve e sua versão básica UH Tiger alemã e a versão francesa Tiger HAP é propulsionada por dois motores MTR-390, fabricado pelo consórcio MTU (Alemanha), Turbomeca (França) e Rolls & Royce (Inglaterra) que desenvolve, segundo seu fabricante, 1464 hp de força e poderia, em situações de emergência, elevar essa força para até 1774 hp, porém, por estar fora da especificação, depois desse esforço, o motor teria que passar por uma revisão para avaliar possíveis danos ou desgastes excessivos.

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Na imagem u detalhe do motor e da estrutura que o comporta

As versões desenvolvidas para a Espanha Tiger HAD e a australiana Tiger ARH receberam uma versão deste mesmo propulsor, com 14% mais potência, chegando a 1668 hp. Com essa propulsão, o Tiger voa a uma velocidade máxima de 315 km/ h e conseguem manter uma velocidade de cruzeiro de 271 km/ h.

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Devido à confiabilidade e potência advindas das turbinas MTR-390, os Tiger adquiriram significativa capacidade de manobra, na imagem, uma sequência superposta de fotos de um Tiger realizando uma manobra difícil de ser executada por outras aeronaves.

Sua relação potência peso, permite que o Tiger execute manobras complexas em segurança dando agilidade em voo.

Seu alcance, apenas com o combustível interno, chega a 740 km, o que representam um desempenho superior ao encontrado no helicóptero de ataque pesado AH-64D Apache dos Estados Unidos, que é uma referência quando comparamos desempenho de helicópteros de combate. Este alcance pode ser ampliado para 1130 km se forem removidos os armamentos e instalados tanques externos.

As turbinas MTU Turbomeca Rolls-Royce MTR390, um motor modelo  turboshaft desenvolvido para aplicações  nos helicópteros de ataque foi projetado para alimentar helicópteros na faixa de massa entre 05 e 07  toneladas. Atualmente apenas os Airbus Helicopters Tiger operam este motor cujos ensaios de avaliação foram iniciados em 1989.

O primeiro voo com o motor ocorreu em 1991 sendo que o MTR390 recebeu a certificação militar apenas em maio de 1996 e aprovação civil, em junho de 1997.

Recentemente uma nova versão designada MTR390-E, está sendo desenvolvida para as aeronaves espanholas.

 

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Após um parafuso o Tiger da imagem retoma o seu voo normalizado, estas manobras ocorrem graças aos refinamentos aerodinâmicos e potencia adicional dos motores MTR-390.

 

Galeria de imagens (Turbosquid)

Sensores

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O cockpit da Direita é o do piloto, disposto na frente do Tiger enquanto que o artilheiro fica na cabine traseira, mostrada no lado esquerdo desta foto.

Um ponto interessante a se observar na configuração do Tiger é o posicionamento de seu piloto, que, ao contrário dos helicópteros de sua categoria, fica posicionado na cabina da frente, enquanto o artilheiro  fica na cabine de trás.

Tiger UHT helicópteros de apoio multi-função de fogo têm uma visão Osiris mastro montados de SAGEM, com infravermelho Charge Coupled Device (IRCCD) câmera e telêmetro laser.
Os helicópteros de apoio multi-função Tiger UHT, possuem um sistema de visão Osiris montados no mastro SAGEM, que possuem sensores infravermelho Charge Coupled Device (IRCCD) e câmera e telêmetro laser.

As variantes do Tiger diferem entre si em sistemas de aviônicos e sensores. O modelo alemão UH Tiger, por exemplo, tem seu principal sensor montado acima do rotor principal. Trata-se do sistema multisensor SFIM Osiris que parece como a cabeça de um “ET” em cima do helicóptero.

O Osiris é composto por uma câmera infravermelha CCD e um telêmetro laser. Este sistema é usado para aquisição  e designação de alvo para artilheiro do Tiger.

Na frente do UH Tiger alemão existe um sistema FLIR que é usado pelo piloto para auxiliar a navegação em condições desfavoráveis de luminosidade e visibilidade.

Variante ARH com seu sistema de visão e  designação de alvos.
Variante ARH com seu sistema de visão e designação de alvos.

As outras variantes do Tiger usam um sistema multisensor como no modelo alemão, porém ele fica montado no teto do artilheiro, a frente dos motores do Tiger.

O modelo desse sistema é o SFIM Strix que incorpora os mesmos componentes do sistema Osiris usado no Tiger alemão, porém com o incremento do FLIR na mesma torre.

A suíte de contramedidas eletrônicas instalada no Tiger é fornecida pela EADS Defense Eletronics e é composta por um sistema de alerta de radar RWR e um sistema de alerta laser LWR.

A EADS DE fornece o sistema de detecção de lançamento de míssil MILDS que alerta o piloto que um míssil foi lançado contra a aeronave agilizando a tomada de decisão do piloto para tentar se evadir do ataque.

visores
Comparativo de ambos os visores utilizados nas variantes da aeronave.

A MBDA forneceu o sistema de contramedidas contra mísseis guiados por calor e radar Flare e Chaff, respectivamente, com o lançador SAPHIR-M. O sistema pode operar automaticamente integrado ao sistema MILDS agilizando a resposta e defesa, ou através do comando do artilheiro.

Capacete e sistema integrado de visada TopOwl

A tripulação do Tiger opera a aeronave usando um capacete com mira tipo HMS, porém de diferentes modelos sendo que o alemão usa um modelo inglês da BAe enquanto que os franceses usam um modelo TopOwl desenvolvido pela Thales Avionique.

Vídeo

Armamento e Carga

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Embora as versões do Tiger difiram levemente na configuração de armamento, o fato é que, invariavelmente, seu armamento é pesado.

 

Na hora de mostrar os dentes, o Tiger faz jus a seu nome. Embora as versões do Tiger difiram levemente na configuração de armamento, o fato é que, invariavelmente, seu armamento é pesado. Dentre as 4 versões, a única a não estar equipada com um canhão móvel a frente do helicóptero é a versão UH Tiger alemã.

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Variada gama de armas que equipam os Tiger.

As outras três versões estão armadas com um canhão GIAT-30M-781 em calibre 30X113 mm com cadência de 750 tiros por minuto e com alcance de carca de 2000 metros. A caixa de munição tem capacidade de transportar 450 munições deste potente canhão. O arsenal de mísseis que o Tiger pode usar é amplo porém representa uma das diferenças entre todas as versões pois cada uma está integrada a um tipo específico de míssil de acordo com a necessidade do cliente. O UH Tiger está armado com o míssil antitanque europeu Trigat LR, desenvolvido por um consórcio entre a Diehl BGT Defence e a MBDA Deutschland GmbH., ambas da Alemanha.

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Momento de lançamento de testes de míssil por um Tiger. A aeronave pode se servir nas suas variantes, de uma extensa lista de mísseis da ataque a superfície e anti-carro.

O Trigat LR tem guiagem dual por infravermelho IR e câmera CCD, sendo seu alcance de 7 quilômetros. Sua ogiva tem 9 kg de alto explosivo e é capaz de superar blindagens reativas ERA ou até 1000 mm de blindagem de aço laminado. Os Tigers franceses e australianos estão integrados ao potente míssil antitanque norte americano AGM-114K Hellfire II guiado por laser e capaz de readquirir o alvo caso a iluminação a laser for perdida. Este míssil tem alcance de 8 quilômetros e sua ogiva é de 9 kg de carga moldada em tandem de alto explosivo.

Não existe um carro de combate conhecido que sobreviva ao ataque deste míssil, atualmente. Já o Tiger espanhol usa o moderno míssil antitanque israelense Spike ER guiado por sistema IR e CCD passivo, para capacidade dispare e esqueça, com alcance que chega a 8 km. Nos três mísseis mencionados, a quantidade que pode ser transportada chega a 8 mísseis em dois cabides com quatro mísseis cada.

O Míssil PARS3LR também equipa a suite de armas disponível aos Tiger.
O Míssil PARS3LR (Trigat LR) também equipa a suite de armas disponível aos Tiger.

Por ultimo, a Alemanha tem a opção de usar ainda o antigo míssil HOT 3, ainda em operação no exército alemão. O HOT 3 usa um sistema de guiagem conhecido como comando de linha de visada, onde o operador de armas do Tiger mantém o alvo sob um ponto em seu sistema de designação de alvos e envia o dado de posicionamento para o míssil através de um cabo de fibra óptica enquanto este se encontra voando contra o alvo. O alcance do HOT 3 é bem mais limitado que os outros mísseis antitanque mencionados nesse artigo, chegando a 4,3 km.

Os Tiger HAP, HAD e ARH possuem armamento orgânico na forma de um potente canhão automático GIAT-30M-781 em calibre 30 X 113 mm capaz de impor pesados estragos a viaturas inimigas.
Os Tiger HAP, HAD e ARH possuem armamento orgânico na forma de um potente canhão automático GIAT-30M-781 em calibre 30 X 113 mm capaz de impor pesados estragos a viaturas inimigas.

Ainda tratando do arsenal disponível para o Tiger, há diversos  tipos de lançadores de foguetes não guiados como o SNEB que pode ser de 7 ou 19 foguetes de 70 mm ou 22 foguetes de 68 mm, além do lançador de foguetes Hydra  de 70 mm com 19 foguetes. Esses foguetes, lançados em alta cadência, permitem saturar uma área relativamente grande, negando aquele ponto as tropas inimigas a distancias até no máximo de 8 km.

Para combate ar ar (sim, o Tiger pode ser empregado para destruir helicópteros ou aeronaves de baixo desempenho em voo) o Tiger pode ser armado com mísseis MBDA Mistral guiados por infravermelho (IR) com alcance de 6 km ou o modelo norte americano AIM-92 ATAS, versão ar ar do míssil antiaéreo lançado do ombro FIM-92 Stinger, que também é guiado por infravermelho, mas seu alcance é limitado a 4,5 km no máximo.

Tiger Stinger
Tiger equipado com o míssil de modelo norte americano AIM-92 ATAS, versão ar ar do míssil antiaéreo lançado do ombro FIM-92 Stinger

O Tiger foi projetado com uma blindagem composta de polímero reforçado com fibra de carbono, Kevlar, titânio e alumínio que permite ao Tiger sobreviver a impactos direto de munição calibre 23 mm. É interessante notar que essa capacidade de proteção acabou levando ao encarecimento do helicóptero a um nível particularmente alto. O Tiger está entre os mais caros helicópteros de combate do mundo, atualmente, com um preço de prateleira de U$ 50 milhões de dólares cada um.

Quando visto de frente, o Tiger tem pouca área dado a sua pequena largura da cabine, o que o torna um alvo difícil de engajar quando atacado deste angulo.
Quando visto de frente, o Tiger tem pouca área dado a sua pequena largura da cabine, o que o torna um alvo difícil de engajar quando atacado deste angulo.

Caso você, caro leitor, não tenha ideia de quanto isso é caro, vamos usar como parâmetro o helicóptero de combate norte americano AH-64D Apache, cujo já elevado custo chega a U$ 41 milhões cada um, e reparem que o Apache é uma aeronave mais pesadamente armada que o Tiger. Outro parâmetro que pode ser usado é que o custo do Tiger sobre o preço de um caça F-16C block 50 que custa cerca de U$ 34 milhões cada um, considerando o preço da aeronave limpa, de prateleira.  O próprio desenho do Tiger, bastante fino quando observado pela frente, representa uma forma de defesa da aeronave também por dificultar o engajamento dele.

EC-665 Tigre (10)

FICHA TÉCNICA 

Peso: 3060 kg (vazio).

Altura: 3,84 m.

Comprimento: 14,77 m.

Propulsão: 2 motores MTU Turbomeca Rolls-Royce MTR390 com 1464 hp de potência cada.

Velocidade máxima: 315 Km/h.

Velocidade de cruzeiro: 271 Km/h.

Alcance: 740 km com combustível interno e 1130 Km com combustível externo.

Razão de subida vertical: 642 m/min.

Fator de carga: +3.5/ -0,5 G.

Altitude máxima: 4000 m.

Armamento: Um canhão  GIAT-30M-781 de 30 mm com 450 tiros, Misseis antitanque AGM-114 Hellfire,  mísseis PARS-3LR, HOT-3 e Rafael Spike ER. Casulos lançadores de foguetes SNEB de 68 e 70 mm com opções para 7, 19 e 22 foguetes. Para autodefesa pode ser usado mísseis ar ar AIM-92 Stinger em dois lançadores duplos ou o modelo francês Mistral

Tiger
Provado em combate e recentemente extensivamente empregado nos mais recentes conflitos, o Tigre europeu tem provado o seu valor, confirmando as expectativas de seus projetistas e operadores.

 

CONCLUSÃO

O mercado de armas está repleto de opções. Alguns segmentos, como o dos helicópteros de combate, particularmente se encontra saturado de opções.

De certa forma, todos os helicópteros executam bem suas missões, cabendo a cada cliente  escolher o modelo mais adequado a suas necessidades baseando-se na facilidade de linha de apoio logístico, interesse político, transferência de tecnologia e off sets, que cada um possa exigir. Tecnicamente falando, focando apenas nas características da aeronave, o EC-665 Tiger é um moderno helicóptero de ataque, escolta e reconhecimento, capaz de infringir danos sérios a um inimigo bem equipado, fornecendo fogo pesado sobre o campo de batalha.

Embora seu fabricantes seja um dos maiores players do mercado mundial em helicópteros e tenha um histórico altamente positivo de suporte e qualidade de serviços pós venda, é importante se pesar o fator custo benefício na hora de se optar pelo Tiger.

Com um custo maior que de alguns aviões de caça, o Tiger acabou sendo um produto elitizado que cabe no bolso de poucos. Caso o exército brasileiro leve a cabo seu interesse de um dia ter um esquadrão de helicópteros de ataque dedicados, o Tiger, certamente seria um concorrente natural, uma vez que a Helibras, fabricante de helicópteros do Brasil, é uma subsidiária da Airbus Helicopters, fabricante do Tiger, porém, seria necessário se pesar os elevados custos relacionados a aquisição e operação do Tiger para um país onde o orçamento de defesa não é, exatamente, uma prioridade e sofre de contingenciamentos frequentes.

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Corte esquemático do Airbus Helicopters EC-665 Tiger.
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Em breve na série AH-X BR

Tigre

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AH-X BR: Bell AH-1Z Viper

Bell AH-1Z Viper

Autor: MessiaH
Plano Brasil

Matéria feita em parceria com o Site Warfare

 

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PREFÁCIO

Em meados dos anos 60 no auge da Guerra do Vietnam após uma requisição do US ARMY a Bell Helicopter apresentava um modelo nomeado de 209. Utilizando: motor, transmissão e rotor do famoso Bell UH-1 Iroquois “Huey”, nascia o então Bell AH-1, batizado de COBRA. O helicóptero que revolucionou o conceito de “Cavalaria Aérea”.

Por muitos anos, o AH-1 foi a espinha dorsal das forças armadas americanas e a última palavra em helicóptero de ataque e escolta, até o surgimento do Apache.

Quase 50 anos depois, entrava em operação a variante Z denominada de ZULU ou Viper no USMC onde será utilizado pelo corpo aéreo dos Marines.

Baseado no seu antecessor, o AH-1 “Whiskey” SuperCobra com dois motores, e carregando armas e sensores no Estado da Arte, o AH-1Z, dá sinais claros de que a cobra está mais potente e mais letal, representando a continuidade dessa família que está pronta para responder às demandas modernas para guerra contemporânea.

O Helicóptero

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O AH-1Z Viper é derivado direto do AH-1W SuperCobra. Representando um dos helicópteros mais poderosos e avançado, voando hoje. A ideia de uma nova versão do famoso Cobra, surgiu em paralelo ao desenvolvimento da versão Y do helicóptero UH-1, também produzido pela Bell Helicopter com o programa de modernização H1 lançado em 1996, o resultado foi uma comunalidade entre o AH-1Z e UH-1Y tendo 84% de seus componentes idênticos. Assim como o AH-1W que está sendo reconstruído e redesenhado para o padrão AH-1Z. A confiabilidade tradicional da série Huey agora contribui para o excelente desempenho, dinâmica de state-of-the-art e aviônicos do Programa H1. O primeiro voo ocorreu em 2000. Sendo introduzido no US Marine Corps dez anos depois, em 2010. E tendo produção de grande escala iniciando já em 2012.

Propulsão

Uma das modificações principais no AH-1Z Viper foi a nova propulsão, agora baseada em duas turbinas General Electric T700-GE-401C Turboshaft que entregam uma potência de até 1.940 shp cada uma se necessário (a potência operacional fica em torno de 1622 shp e 1800shp). Vale ressaltar que turbinas da mesma família equipam outras aeronaves de asas rotativas como o UH-1Y Venom, UH-60 BlackHawk, MH-60 SeaHawk e AH-64 Apache.

Esquema de funcionamento da turbina Turboshafts
Esquema de funcionamento de uma turbina Turboshafts
Turbina General Eletric T700 GE 401C
Turbina General Eletric T700 GE 401C

Além da remotorização, foi adicionado um novo rotor com 4 pás ao invés das tradicionais duas que equipavam os Cobras desde sua primeira versão. As pás são feitas de compósitos que reduzem o peso e aumentam a proteção balística, além de contarem com um sistema de dobragem semi-automática para facilitarem o armazenamento a bordo de navios de assalto anfíbio. A configuração de quatro pás fornece melhorias nas características de voo, incluindo o aumento do envelope de voo, velocidade máxima, subida da velocidade vertical, carga útil e redução do nível de vibração do rotor. Modificações que trouxeram melhor desempenho e aumento significativo da segurança em voo. O novo sistema utiliza 75% menos peças do que rotores articulados convencionais, reduzindo significativamente o seu peso

Galeria de imagens (Turbosquid)

Sensores

A versão ZULU do AH-1 teve sua aviônica e sistemas integrados (IAS) desenvolvidos pela Northrop Grumman. O “cérebro” do Viper consiste em dois computadores de missão e um sistema automático de controle de voo, garantindo mais confiabilidade as operações. Cada estação da tripulação possui duas telas multifunções de LCD 8 × 6 polegadas e um display de 4.2 × 4.2 polegadas.

Computador de Missão desenvolvido pela Northrop Grumman

Os monitores são fornecidos pela L-3 Ruggedised Command and Control Solutions. Enquanto que a Smiths Aerospace fornece o sistema de controle de estoque de armamentos e de transferência de dados.

Além da suíte de navegação que conta com mapas digitais dinâmico, um moderno sistema de navegação inercial e sensores que auxiliam a tripulação quando em voo pairado garantido a máxima letalidade sem a necessidade de se expor ao fogo inimigo.

Tanto piloto quanto artilheiro do AH-1Z estão equipados com capacetes HMS/D (Helmet Mounted Sight and Display) no qual todas as informações referentes a velocidade, potência, altitude e principalmente informações sobre o alvo são providas na viseira da tripulação. O modelo “Top-Owl” da Thales foi o escolhido para equipar as tripulações do Viper que incorpora conceitos alternativos de visão noturna com base na tecnologia existente promovendo uma integração com a tecnologia já comprovada, ou seja, um aperfeiçoamento do “Top-Owl”.

HMS/D "TopOwl"
HMS/D “TopOwl”
Capacete Thales "TopOwl"
Capacete Thales “TopOwl”

 

A projeção na viseira fornece imagens em infravermelho, o que garante a operação em quaisquer condições climáticas, seja dia ou noite.

O sistema de mira do Viper foi desenvolvido pela Lockheed Martin, conhecido por Hawkeye XR ou TSS – Target Sight System, o sistema incorpora um sistema de controle de fogo (AN/AAQ-30) múltiplos sensores eletro-ópticos e infravermelhos(EO/IR), um sensor FLIR de 3º geração que opera nas bandas de 3-5 microns, um sensor CCD TV em cores com uma resolução de 640×512 e um designador laser. O TSS oferece a capacidade de identificar e designar alvos na faixa máxima das armas, melhorando significativamente a plataforma nos quesitos de sobrevivência e letalidade, principalmente se comparado ao antigo NTS operado nos AH-1W.

Torreta do TSS
Torreta do Hawkeye XR ou TSS
Comparativo entre as imagens do TSS e o antecessor NTS

 

O AH-1Z Viper pode operar ainda com um radar Longbow instalado na ponta de um de seus cabides de armamentos (asa). Este radar poderá detectar, classificar e priorizar múltiplos alvos fixos e moveis, sendo que o alcance para alvos moveis é de 8 km e para alvos estáticos é de 4 km.

Radar Longbow instalado em um AH-1Z.
Radar Longbow instalado em um AH-1Z.

Para fins de supressão de ruído e calor, os escapes das turbinas são cobertos com defletores de calor (HIRSS) Hover Infrared Suppression System, uma carenagem que direciona o fluxo para longe da estrutura da aeronave e refrigerar o mesmo.

Além disso, o helicóptero é equipado com o dispensador chaff/flare AN/ALE-47 “Smart” fabricado pela BAE Systems Defesa Integrated Solutions e Lockheed Martin Tactical Defense Systems, dispositivos de alerta de mísseis AAR-47 Missile Warning Device e um sistema AVR-2A Laser Warning Receive APR-39A(v) 2 Radar Warning Receiver que alerta a tripulação em caso de estarem sob mira, seja de um míssil guiado por radar ou a laser.

Vídeo

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Armamento e Carga

O AH-1Z pode ser armado em seus 6 pontos fixos nas asas: mísseis ar-terra Hellfire, mísseis ar-ar AIM-9 Sidewinder, pods de foguetes Hydra de 70 milímetros (7 e 19 tiros) e a versão APKWS guiada, além do armamento fixo na torreta abaixo do nariz um canhão M197 Gatling com 3 canos e capacidade para até 750 munições.

 

Canhão M197 do tipo Gatling.
Canhão M197 do tipo Gatling.
AH-1Z-pic
Gama de armamentos empregados pelo AH-1Z

 

Ou levar ainda tanques externos auxiliares de combustível de 291 e 378 litros. Bombas de manejo Mk-76, BDU-33D, Mk-106 e bombas incendiárias Mk-77.

AH-1Z dispara mísseis AGM-114 Hellfire durante testes
AH-1Z dispara mísseis AGM-114 Hellfire durante testes

Cockpit e Segurança

O cockpit do AH-1Z foi projetado de acordo com o conceito HOCAS (Hands on Collective and Stick) que permite ao piloto voar sempre com as mãos nos controles direcionais e de potência. Outra característica peculiar ao Viper é que ambas as posições, tanto operador/artilheiro quanto a do piloto são bastante similares dando total capacidade de pilotagem e combate a qualquer um dos tripulantes, característica que facilita inclusive o treinamento das tripulações.

Cockpit do AH-1Z Viper

Os assentos foram projetados para serem resistentes e atenuarem o choque em caso de queda da aeronave. Os skis de aterrissagem também foram concebidos para absorverem a energia do choque. E todos os tanques de combustíveis possuem auto vedação para impedirem que se incendeiem.

Toda a célula foi construída de modo a resistir a impactos e preservar as estruturas sensíveis um design conhecido como Mass Retection (retenção de massa).

 

Baia da aviônica do AH-1Z Viper

 

Bell Helicopter AH-1Z VIPER

Tripulação 2 homens
Preço US$ 29,89 milhões

Dimensões e peso

Comprimento 17.8 m
Diâmetro do Rotor Principal 14.6 m
Altura 4.37 m
Peso (vazio) 5.5 t
Peso (máximo de decolagem) 8.16 t

Motores e performance

Motores 2 x General Electric T700-GE-401C turboshafts
Potência dos Motores 2 x 1622 ~ 1940 shp
Velocidade Máxima 337 km/h
Velocidade de Cruzeiro (Operacional) 296 km/h
Teto de Serviço Abaixo de 6.1 km
 Raio de Alcance 425 km
Alcance (com tanques auxiliares) 685 / 715 km

Armamento

Canhão 20-mm com 750 cartuchos
Mísseis AGM-114A/B/C  mísseis anti-tank, mísseis AGM-114F anti-navio, míssil ar-ar AIM-9 Sidewinder.
Outros armamentos Pods com foguetes Hydra de 70-mm, bombas de queda livre, tanques auxiliares

Conclusão:

De fato, o AH-1Z Cobra/Viper pode ser considerado o mais revolucionário helicóptero da atualidade, sendo descendente de uma já testada e aprovada família, este formidável helicóptero garantirá por outros muitos anos a vanguarda da aviação de escolta e ataque dos Fuzileiros Americanos (Marines) e demais nações que venham a adquiri-lo.

Agregando a experiência adquirida nos últimos conflitos ao que há de mais moderno hoje em tecnologia o Cobra/Viper foi desenvolvido sob medida para o USMC e poderá enfrentar qualquer ameaça além das convencionais para o qual foi projetado. A capacidade de operar mísseis ar- ar AIM-9X Sidewinder deixará o campo de batalha muito mais hostil para aeronaves inimigas. Porém sua principal característica ainda será a de aeronave de contra insurgência, atuando em apoio direto as tropas.

No cenário brasileiro, o AH-1Z Viper seria excelente um vetor se operado pela Aviação do Exército ou por um corpo aéreo dos Fuzileiros Navais brasileiros que estrategicamente seria criado, visto que a Estratégia Nacional de Defesa prevê como força expedicionária o Corpo de Fuzileiros Navais da Marinha.

Atuando em parceria com os EC-725 Caracal e Blackhawk’s brasileiros nas missões de C-SAR, escolta e ataque os Cobras seriam ferramentas importantes nas ações estratégicas brasileiras, principalmente no teatro Amazônico que hoje carece de meios operativos de transporte e vigilância.

Por fim, percebe-se que muito de suas linhas originais foi preservada nesta variante Z, porém como já citado, com novo coração, novo cérebro e novos olhos essa Cobra demonstra que está mais venenosa e mais letal do que nunca e pronta para a qualquer momento dar seu bote fatal.

Corte esquemático do Bell AH-1Z Viper
Corte esquemático do Bell AH-1Z Viper

Conheça mais sobre os sistemas do AH-1Z Viper.

Link 1 : Lockheed Martin TSS

Link 2: Geaviation

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Em breve na série AH-X BR.

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Vem ai: AH-X Brasil – Um raio-X dos principais helicópteros de ataque da atualidade

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E.M.Pinto

 

A partir de 01 de Fevereiro de 2015 e atendendo ao pedido dos leitores, o Plano Brasil em colaboração com o trilogia Warfare  iniciará uma série de reportagens especiais e análises dos principais helicópteros de ataque hoje existentes.

As reportagens serão curtas e visam apresentar os principais aspectos e peculiaridades dos mais recentes projetos de aeronaves existentes. Deixamos para o público em geral as discussões a cerca dos modelos ideais, a  melhores máquinas, vantagens e desvantagens dos projetos.

Na série de reportagens serão apresentados os helicópteros:

  • Boeing-AH-64 D Block III – Apache
  • Bell- AH-1Z – Viper
  • Agusta Westland AW-129 – Mangusta
  • Kamov KA-52 – Aligator
  • Mil Mi-28 NE – Night Hunter
  • CAIC – Z 10- Fierce Thunderbolt
  • Denel – AH-02 – Rooivalk
  • Eurocopter EC 665-Tiger