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Poseidon em missão no Brasil

Boeing P-8 ‘Poseidon’ Foto: Divulgação

Uma aeronave P-8 Poseidon da US Navy encontra-se sediada na Base Aérea do Galeão, no Rio de Janeiro desde o dia 6 de abril.

A aeronave foi desdobrada do Squadron Patrol Eight (VP-8), sediado na NAS Jacksonville para participar de uma operação internacional de busca e resgate, a pedido da República da Coréia. Os 20 tripulantes foram destacados  da NAS Jacksonville para o Galeão com o intuito de auxiliar nas operações de busca.

Aeronave Boeing P-8 ‘Poseidon’ estacionada na Base Aérea do Galeão – Foto: Plano Brasil

Um barco de bandeira Sul-coreana, Stella Daisy, partiu do Brasil no dia 26 de março e acredita-se que tenha naufragado no Atlântico Sul. Tendo o governo brasileiro autorizado, a aeronave se juntou ao esforço internacional de busca pela tripulação do navio de aproximadamente 22 homens. Os Estados Unidos contribuem com assistência aérea a este esforço que é liderado pelo Uruguay.

Com informações de: US. Navy

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América do Sul América Latina Conflitos

Bolivianos são detidos no Chile

Carabineros de Chile detiveram na madrugada de hoje, 2 militares e 7 funcionários da Aduana Boliviana na região de Cariquima.

Os bolivianos detidos, dentre eles dois militares ( um capitão e um sargento), foram surpreendidos por Carabineros em território chileno, em Panavinto, região norte de Tarapacá, enquanto controlavam veículos de carga.

Informações oficiais dão conta de que policiais da subcomissaría* de Colchane enquanto patrulhavam nas imediações de Cariquima,  reportaram que militares bolivianos estavam controlando o tráfego de veículos de carga em território chileno, na área de Salar de Coipasa, a leste da região conhecida como Panavinto.

No local que fica próximo da fronteira com a Bolívia, os dois militares e sete funcionários da Aduana Boliviana foram flagrados pelos Carabineros no momento em que apreendiam um caminhão. Todos foram presos e encaminhados para a submcomissaría de Colchane.

Pelo menos 5 caminhões com militares bolivianos adentraram em território chileno, provocando uma situação de tensão com a polícia na fronteira.

Segundo autoridades chilenas, ainda não está claro se, se tratava de uma perseguição dos bolivianos por contrabando ao caminhão; ou se o interesse era em apropriar-se da carga transportada. O caminhão apresentava ao menos duas perfurações por tiros.

Com os bolivianos foram apreendidos todo o armamento que portavam e os veículos que utilizavam.

Com informações de: El Deber

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Acidentes e Catástrofes Destaques Geopolítica Haiti

Companhia Brasileira de Engenharia de Força de Paz auxilia os trabalhos no Haiti após Furacão Matthew

Militares brasileiros desobstruem estrada. Foto: UN-MINUSTAH

A passagem do Furacão Matthew pelo Caribe nos últimos dias, deixou um rastro de destruição, avarias e um triste saldo de mais de 842 mortos. Até o momento não se tem um número exato da quantidade de pessoas mortas, mas calcula-se que cerca de 350.000 pessoas ficaram desabrigadas.

Desde o terremoto que desestruturou o país em janeiro de 2010, o Haiti não vivia uma situação catastrófica como essa. A MINUSTAH trabalha com o governo local, prestando a assistência necessária a população atingida, no entanto segundo informações o governo Haitiano tem tido dificuldades em enfrentar os diversos problemas causados pela tempestade tropical, deixando muitos haitianos isolados, irritados e desamparados.

Imagem mostra o antes e depois da inundação na região de Jeremie.
Imagem mostra o antes e depois da inundação na região de Jeremie.

A prioridade da Companhia de Engenharia brasileira, componente militar da MINUSTAH neste momento é a desobstrução de estradas e vias que dão acessos as comunidades mais remotas, uma tentativa de abrir as rotas de abastecimento, facilitando assim a chegada das equipes de apoio que assistência humanitári aos desabrigados. As áreas mais afetadas forma no interior do país: Miragoâne, Les Cayes e Jeremie, todas isoladas e devastadas.

Companhia Brasileira de Engenharia de Força de Paz (BRAENGCOY) opera com máquinas pesadas nos trabalhos de remoção de barreiras. Foto: UN-MINUSTAH
Companhia Brasileira de Engenharia de Força de Paz (BRAENGCOY) realiza a retirada de barreira que obstruía estrada. Foto: UN-MINUSTAH
Companhia Brasileira de Engenharia de Força de Paz (BRAENGCOY) realiza a retirada de barreira que obstruía estrada. Foto: UN-MINUSTAH
Fuzileiro Naval brasileiro auxilia nos trabalhos de assistência humanitária em região atingida. Foto: UN-MINUSTAH

Autoridades das Nações Unidas alertaram ainda para um possível surto de Cólera que poderia ocorrer no país nos próximos meses em decorrência das inúmeras inundações. ONG’s internacionais também trabalham no país à fim de auxiliar na distribuição de comida e água potável. Também são esperados helicópteros americanos que nesta semana iniciaram uma campanha em auxílio à população caribenha, afetada pela tormenta.

O difícil acesso as áreas mais atingidas dificulta um balanço do número exato de vítimas, mas estima-se que o número de mais de 840 pessoas mortas aumente nos próximos dias. A situação no país é tão grave, ao ponto do Comandante do Componente Militar da MINUSTAH: General Ajax Porto Pinheiro ter declarado que o país sofreu além das perdas humanas um desastre ambiental de proporções que lembram o terremoto de 2010.

NOTA DO EDITOR: Ao povo haitiano e a todos os militares envolvidos na MINUSTAH a nossa solideriedade e apreço.

Com informações do G1 e BBC.

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Atualizado: NOTA DE ESCLARECIMENTO

Estimados leitores,

Ainda pela madrugada  republicamos uma matéria a qual dava informações sobre o achamento da aeronave A4 da Marinha e da confirmação da morte do piloto.   A Matéria inicialmente publicada pela Revista Operacional e por outros meios de comunicação sendo alguns deles removidos posteriormente (Seguem LINKS).

https://www.facebook.com/revistaoperacional/photos/a.288912791169526.68551.251798514880954/1140811935979603/?type=3&theaterhttp://noticias.band.uol.com.br/cidades/rio/noticia/?id=100000816400&t=corpo-de-piloto-de-ca%C3%A3%C2%A7a-da-marinha-%C3%A3%C2%A9-encontrado&t=corpo-de-piloto-da-marinha-e-encontradohttp://noticias.band.uol.com.br/cidades/noticia/100000816372/rj-corpo-de-piloto-da-marinha-e-encontrado.htmlhttp://www.tarobacascavel.com.br/noticia-destaque/2016/07/rj-corpo-de-piloto-da-marinha-e-encontrado/

Pela manhã a  Marinha do Brasil através dos meios de comunicação, informou em nota de esclarecimento que os rumores não procediam e que até o momento NADA FOI ENCONTRADO!

Como medida retiramos a nota do ar e postamos uma nota de esclarecimento neste link que está sendo atualizado mais completo.

Cientes do dever de informar corretamente os leitores, pedimos as sinceras desculpas pelo incidente e especialmente aos familiares do militar envolvido e aguardamos para  breve, novas atualizações sobre as buscas.

 

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Exército Iraquiano recorre a tática antiga para cortar o fluxo de carros-bomba

(Foto: AP através de vídeo AP). Esta imagem feita a partir de video na sexta-feira, julho 22, 2016 mostra uma vala recém-escavadas nos arredores de Fallujah, no Iraque

Depois de lutar pelo controle de Fallujah, contra militantes do Estado Islâmico, o Exército Iraquiano está empregando diversas técnicas e métodos, com o intuito de evitar que a cidade caia novamente sob domínio dos militantes do ISIS.

Entre as estratégias, está sendo testado o antigo método medieval de cavar uma trincheira (fosso) gigante ao redor da cidade. O método tem por objetivo fazer que com a entrada e saída da cidade sejam feitas por um único local.

Com tal intento, o Exército Iraquiano espera que por essa única via de acesso se torne facilitada as inspeções dos veículos que entram e saem da cidade. De forma que, com tal atitude as forças de segurança possam limitar o número de carros-bomba que saem da cidade rumo à Bagdá, capital do país, distante apenas 65km de Fallujah.

Segundo informações veiculadas em canais de notícia como a Al Jazeera, Fallujah é o local de origem dos carros-bomba que frequentemente atacam Bagdá, causando danos devastadores e mortes.

Ainda de acordo com as autoridades iraquianas, os militantes do ISIS utilizam de áreas desertas da cidade para planejarem suas atividades.

Já em processo de construção, a trincheira está prevista para ter 11km de comprimento, 12 metros de largura e 1,5 metros profundidade. O lado leste da trincheira está previsto para iniciar as margens da principal rodovia que dá acesso à cidade, sendo esta, fortemente patrulhada. Enquanto que do lado oeste, a existência do Rio Euphrates representa um obstáculo natural.

Esta política de restringir o acesso à cidade por apenas uma via de acesso, fechando assim outras estradas, almeja que assim, os militares poderão melhor controlar e monitorar os cidadãos que entram e saem. Ao explicar sobre a construção da trincheira, o Vice-Comandante das Forças de contraterrorismo tenente-general Abdul-Wahab al-Saadi salienta que: “a medida vai proteger principalmente os moradores da cidade, que tanto já sofreram com os ataques, assim como as forças de segurança que aqui estão estabelecidas”.

Trincheira na periferia de Fallujah, no Iraque.

Ademais, os iraquianos vão implementar outras medidas de segurança para complementar esta política de segurança- incluindo cartões de identificação à prova de falsificação e emblemas de exibição que contêm chips eletrônicos para veículos.

O uso de trincheiras e fortificações para a proteção no Iraque não é exclusivo para Fallujah. A Al Jazeera abordou em uma matéria recente que as forças iraquianas também estão pensando em criar uma trincheira na fronteira entre a província de Anbar, uma grande província dominada pelo ISIS, e Karbala. Bagdá também poderia ser protegida com trincheiras, principalmente em zonas da cidade de onde partem ataques.

Fonte: Associated Press

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NATUREZA SINGULAR DAS OPERAÇÕES ESPECIAIS

Por: Rodney Alfredo Pinto Lisboa, especial para o Plano Brasil

No âmbito militar o termo “não convencional” é empregado em referência ao conjunto de ações que fogem à doutrina usual utilizada pelas forças regulares (convencionais), que norteiam sua conduta a partir de rígidas normas de procedimento adotadas como padrão para situações que pouco diferem umas das outras. Quando utilizam de métodos pouco ortodoxos para cada uma das situações em que se encontram envolvidas, as FOpEsp – valendo-se do princípio de que não é a tática e sim a política a responsável por definir a forma do conflito – buscam aproveitar-se do fator imprevisibilidade, característico das ações irregulares (guerra de guerrilha), para gerar uma “assimetria” mediante o uso de formas de combate pelas quais o adversário não espera, percebe ou compreende, a fim de neutralizar ou minimizar o poder de combate das forças regulares inimigas, normalmente restritas a procedimentos previamente testados e estabelecidos.

A natureza assimétrica que opõe forças diametralmente contrárias em termos de poder de combate, impõe aos irregulares (FOpEsp) a necessidade de conjugar habilidades heterogêneas que lhes confere a autonomia necessária para analisar e solucionar a situação em questão com liberdade de ação, originalidade, simplicidade, praticidade e adaptabilidade. Para tanto, cada um dos operadores, conforme a especificidade de cada tropa, recebe elevados níveis de adestramento, de modo a qualificá-lo no desempenho de diversas capacidades que se estendem para além da metodologia formal do planejamento operacional adotado pelas unidades militares tradicionais.

Quando envolvidas em um confronto de natureza irregular, as FOpEsp devem empenhar-se para atender os seis princípios que lhe são inerentes (simplicidade; segurança; repetição; surpresa; rapidez; propósito), no intuito de obter o conceito militar conhecido como “superioridade relativa”. Obtida no momento mais crítico e também no de maior risco ao longo de um engajamento (podendo ocorrer mesmo antes do combate ser travado), a superioridade relativa ocorre a partir de uma ação ofensiva rápida e precisa, levada a cabo contra um ponto vulnerável defendido pela força inimiga. Em decorrência do limitado poder de fogo das FOpEsp em relação às tropas convencionais, é crucial para os irregulares que a superioridade relativa seja alcançada e mantida o mais cedo que for possível, pois à medida que o engajamento se estende maior a possibilidade da iniciativa ser perdida, sob pena de jamais ser recuperada, aumentando a vulnerabilidade da missão em relação aos fatores relacionados à casualidade (Fricções de Guerra), que por não poderem ser considerados nos planejamentos estratégicos, constituem influências que podem comprometer o êxito do engajamento.

Conforme apresentado, o desfecho das ações irregulares empregadas pelas FOpEsp dependem da aquisição de habilidades diferenciadas mediante adestramento, da qualidade e especificidade dos materiais (equipamentos) e meios (procedimentos), da capacidade de operar rápida, sigilosa, oportuna e coletivamente (responsabilidade compartilhada) respeitando o planejamento e a preparação, da faculdade de adaptar-se ao acaso encontrando soluções pertinentes para cada situação específica, do correto estabelecimento da tríade (comando, controle e execução da ação) considerando o tempo (quando), o espaço (onde) e as particularidades defensivas do adversário.

A condição velada do universo que envolve as FOpEsp, faz com que o conjunto específico de técnicas empregadas em determinados procedimentos operacionais, necessariamente, seja resguardado sob a égide do sigilo a fim de assegurar a consecução dos princípios supracitados. Embora muitos aspectos relacionados a essas técnicas sejam difundidos internacionalmente entre unidades análogas por conta do intercâmbio realizado em diferentes situações, os pormenores obtidos apenas mediante o empirismo, que por sua vez distinguem a metodologia adotada por cada FOpEsp, proporcionam um diferencial que deve ser protegido, sob pena de comprometer a eficiência da unidade em caso de exposição dessas técnicas. Essa “identidade metodológica”, nascida, sobretudo, da experimentação sistemática, é adquirida pela interação de fatores relacionados à capacidade humana (física, intelectual e psicológica) dos quadros operacionais e à versatilidade dos recursos (armas, equipamentos e vetores de lançamento/recolhimento) que lhes são disponibilizados.

Quando são identificadas e vêm a público, as operações militares revelam a identidade do Estado que as patrocinou, situação que dependendo da natureza da ação pode comprometer o desempenho de uma OpEsp. Desse modo, ações que requerem o emprego de FOpEsp devem ser realizadas como uma operação aberta, de baixa visibilidade, encoberta ou clandestina.

As Operações Abertas são declaradas publicamente pelo Estado patrocinador que assume a iniciativa da ação. Embora não sejam formalmente negadas pelo Estado patrocinador, as Operações de Baixa Visibilidade são realizadas da forma mais discreta possível. Nas Operações Encobertas o Estado patrocinador dissimula a ação, resguardando-se de modo a negar de maneira plausível que seja o responsável pela operação. Por sua vez, devido à natureza sensível da operação (que pode comprometer o Estado patrocinador) as Operações Clandestinas ocorrem de forma dissimulada, com as autoridades negando seu envolvimento. Particularmente nesse caso, as consequências da ação, necessariamente, devem ser percebidas pela opinião pública como obra do acaso.

Realizadas normalmente como uma operação de natureza “clandestina”, cujo sigilo constitui elemento fundamental para proteger a integridade da missão, as campanhas conduzidas por FOpEsp ocorrem de duas formas distintas: por Ação Direta (AD), quando a FOpEsp estabelece contato direto com o inimigo; por Ação Indireta (AI), quando a FOpEsp disponibiliza organização, treinamento e logística para que forças amigas estabeleçam o contato com o adversário.

Conforme ambiente operacional e tempo de engajamento, ambos métodos (AD e AI) podem ser planejados e conduzidos de forma independente ou conjunta, sendo levados a efeito de maneira autônoma ou em apoio às forças convencionais. Embora possam ocorrer de forma integrada, o efeito produzido será muito superior quando as AD e AI materializam-se separadamente.

Embora as FOpEsp de diversas nações guardem sensíveis diferenças entre si, a classificação das missões a que se destinam (Tabela 1) apresentam similaridades conforme a categoria e o método de execução.

No cenário contemporâneo, a globalização econômica fez surgir uma nova ordem mundial onde despontam atores com motivações político-ideológicas sem vínculos com os Estados Nacionais, que buscam impor sua posição pelo uso da força. Por não disporem de representatividade estatal, retirando do Estado o monopólio da guerra, essas “novas ameaças” (insurreições, crime organizado, narcotráfico, pirataria e terrorismo) apresentam-se como um desafio para as instituições militares como um todo, uma vez que a modalidade de “guerra assimétrica” proposta por elas, em alguns casos, ignora o Direito Internacional dos Conflitos Armados (DICA/Law of Armed Conflict [LOAC]) que é regido pelos termos da Convenção de Genebra.

 

Classificação das Operações Especiais
Categoria Método Descrição
Ação de Comandos AD Operações destinadas a conduzir: interdição/destruição de alvos críticos; captura, resgate, evacuação ou neutralização de pessoal/material localizado em território hostil (todos avaliados como objetivo de valor estratégico); Planejadas para serem executadas como uma ação de choque, conduzida de surpresa, com alta intensidade e curta duração.
Guerra Irregular AI Ações realizadas em área politicamente sensível ou controlada pelo inimigo, mediante emprego de técnicas e táticas da “guerra de guerrilha”. Operações dessa natureza são realizadas por pessoal nativo da área de operações, a partir de organização, treinamento e logística (armas e equipamentos) ofertados por destacamentos de FOpEsp. Desenvolvidos de modo a possibilitar movimentos de resistência ou insurgência.
Operações contra Forças Irregulares AD/AI Decorrentes de ações executadas em função de objetivos atrelados à Defesa da Pátria (defesa externa), à Garantia da Lei e da Ordem/GLO (defesa interna), bem como em cumprimento aos compromissos assumidos com organismos internacionais. Em geral, consideram basicamente os procedimentos não convencionais empregados na condução da Guerra Irregular.
Reconhecimento Estratégico/Especial AI Ações objetivando o recolhimento de um conjunto de informações de importância estratégica ou operacional relacionadas à capacidade de combate do inimigo e características do ambiente (terreno e clima).
Operações Psicológicas AI Conjunto de medidas adotadas pelas FOpEsp de modo a influenciar o público-alvo a adotar comportamentos favoráveis que venham de encontro com a consecução de objetivos políticos, militares e econômicos.

Tabela 1: Classificação das operações consideradas como sendo de natureza especial. (Fonte: adaptado de PINHEIRO, 2012).

Para os países soberanos, o grande desafio de enfrentar o combate irregular e assimétrico encontra-se na capacidade de estudar e compreender os fenômenos relacionados a essa categoria de confronto, promovendo um conjunto de adaptações político-militares que contribuam para que ações dessa natureza sejam coibidas, uma vez que a postura conservadora de enfrentamento, considerando o emprego de tropas e métodos convencionais, mostra-se sujeita a falhas devido à inadequação dos procedimentos adotados. Os artifícios pouco ortodoxos utilizados pelo inimigo na conduta de um conflito irregular requerem uma resposta igualmente diferenciada, demandando a elaboração e/ou desenvolvimento de metodologias compatíveis, eficientes e aceitáveis de confrontação. Nesse ponto devemos esclarecer que o termo “aceitável” refere-se à legitimidade das ações militares em favor de um Estado, uma vez que elas são consideradas legítimas quando levadas a garantir a estabilidade política, econômica e social da nação em questão, mas perdem esse caráter quando atingem sua cultura, valores, interesses e pessoas.

No contexto internacional, a virada do século XX para o século XXI ficou marcada pela série de atentados terroristas promovidos pela al-Qaeda contra as cidades norte-americanas de Washington e Nova York em 11 de setembro de 2001. A partir desses eventos, as FFAA estadunidenses reagiram imediatamente, revisando sua estratégia de defesa para mobilizar todos os recursos necessários no intuito de desencadear uma Guerra Global contra o Terrorismo (Global War on Terror [GWOT]), cujos alvos prioritários seriam a al-Qaeda e o Talibã. Diferente das guerras travadas pelos EUA no passado, o conflito em questão requeria o engajamento de tropas norte-americanas contra inimigos sem fronteiras. Estendendo sua declaração de guerra contra qualquer nação, organização ou pessoa que corroborasse com a iniciativa terrorista, o governo de Washington iniciou uma campanha militar no Afeganistão (país que servia como reduto da al-Qaeda).

As particularidades restritivas do acidentado terreno afegão impossibilitaram o emprego de tropas convencionais, fato que levou os estadunidenses a valerem-se de suas FOpEsp para a execução das ações de campo. A importância estratégica que o Pentágono atribuía às FOpEsp na campanha afegã era tamanha, que o conflito foi classificado pelos militares como Guerra Centrada nas Forças de Operações Especiais (Special Forces Centric Warfare). O resultado do empreendimento norte-americano no Afeganistão evidenciou as tropas não convencionais de modo jamais visto em engajamentos militares anteriores. Sobre os procedimentos operacionais conduzidos pelas FOpEsp estadunidenses, são dignos de nota: coleta de dados de inteligência; marcação de alvos com dispositivos laser para aviação e/ou artilharia; formação, recrutamento e apoio às forças da Aliança do Norte; ataque à infraestrutura da al-Qaeda; captura de Alvos de Grande Valor; resgate de pilotos abatidos; apreensão de documentos; entre outros.

Operadores Tier 1, no Afeganistão

As campanhas levadas a efeito por FOpEsp na Guerra do Kosovo (1999) e na Guerra do Afeganistão(2001), são exemplos do emprego estratégico das unidades de elite em favor dos interesses dos Estados, uma vez que os resultados obtidos conscientizaram as autoridades estatais que grandes objetivos políticos podem ser alcançados por ElmOpEsp organizados em pequenas unidades e sem a onerosa necessidade de utilizar os grandes contingentes das tropas convencionais.

Sobre a relevância estratégica das FOpEsp, Colin Gray afirma:

“As Forças de Operações Especiais são um ativo da grande estratégia nacional: elas constituem uma ferramenta de política que pode ser empregada cirurgicamente em apoio à diplomacia, assistência estrangeira (de inúmeras formas), bem como um das forças militares regulares, ou como uma arma independente.”

Ponderando sobre a utilização das FOpEsp em favor da Grande Estratégia dos Estados, Gray evidencia as unidades de elite como um importante instrumento do Poder Militar que pode ser empregado em favor dos interesses estatais (política).

Especificamente no caso do Brasil, cuja sociedade não se mostra devidamente identificada com suas FFAA e tampouco reconhece a abrangência de suas atuações, os inúmeros problemas sociais enfrentados pelo país dificultam maiores investimentos nos setores de Segurança e Defesa. Outro agravante que compromete a consciência do povo brasileiro em relação às FFAA, bem como à necessidade de promover mudanças na Política de Defesa Nacional (PDN), é a sensação de que o país, mesmo dispondo de uma ampla diversidade de recursos naturais, não está sujeito a qualquer tipo de ameaça. Para reverter esse quadro, é fundamental que os diferentes setores da sociedade sejam introduzidos no debate que têm a PDN como foco, discutindo os programas a ela relacionados como medidas comprometidas, não com o programa político de um determinado governo, mas com sucessivos governos que se empenham em estabelecer uma política de Estado duradoura.

Referencial:

PINHEIRO, Álvaro de Souza. Knowing your Partner: the evolution of Brazilian Special Operations Forces. JSOU Report 12-7. Hurlburt Field, FL: Joint Special Operations University (JSOU), 2012.

Notas sobre o autor: Professor universitário; especialista em História Militar; mestre em Estudos Marítimos pela EGN (Escola de Guerra Naval). É fundador da Poseidon: Análises de Defesa e editor do blog FOpEsp (Forças de Operações Especiais). É membro do Instituto de Geografia e História Militar do Brasil (IGHMB) e da Associação Brasileira dos Estudos de Defesa (ABED). Foi agraciado em 2014 com o título de Mergulhador de Combate Honorário e em 2016 com o título de Submarinista Honorário. Publicou diversos artigos em periódicos e revistas especializadas abordando a temática da Guerra Irregular e das Operações Especiais.

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A QUE SE DESTINAM AS OPERAÇÕES ESPECIAIS?

1st Special Forces Operational Detachment – Delta (1st SFOD-D) criada em 1977, a principal força contra-terrorismo e de operações especiais do Exército dos Estados Unidos

Rodney Alfredo Pinto Lisboa[1] especial para o Plano Brasil.

 

Considerando que as ações clandestinas, características das Forças de Operações Especiais (FOpEsp), dependem, fundamentalmente, do elemento “surpresa” para determinar o sucesso ou o fracasso de uma campanha militar, é possível afirmar que as denominadas Operações Especiais (OpEsp) constituem uma modalidade de condução da guerra tão antiga quanto à própria guerra.

Os inúmeros conflitos armados travados em diferentes períodos históricos estão repletos de situações em que tropas pequenas e especialmente treinadas, valendo-se do princípio militar clássico da “economia de forças”, realizavam um tipo de missão particularmente difícil – muitas vezes envolvendo ações denominadas “golpes de mão” – para as quais as forças convencionais não se encontravam devidamente qualificadas.

A mitologia por trás da figura do guerreiro revela que várias culturas do mundo antigo construíram mitos e lendas com base em situações reais de confronto, nas quais o guerreiro, lançando mão de sua astúcia, capacidade e adestramento, acabava transformando-se em herói ao derrotar um adversário muitas vezes mais forte e melhor equipado em uma ação até então considerada impraticável.

O herói mitológico incitou o imaginário popular tornando-se o ideal de guerreiro para várias organizações militares ao longo da história. Entretanto, embora alguns conflitos históricos sejam pródigos em apresentar episódios envolvendo tropas constituídas por guerreiros especializados, a tarefa de estabelecer um programa nacional efetivo para a formação de unidades compostas apenas por esse tipo específico de combatente mostrou-se proibitiva até meados do século XX, quando as Forças Armadas (FFAA) dos países mais desenvolvidos substituíram o sistema de conscrição (recrutamento) e reserva, que preparava seus contingentes de forma inadequada, pelo regime de voluntariado profissional, que oferecia os requisitos necessários para selecionar, treinar, capacitar e manter a tropa em um padrão operacional constantemente elevado.

Na segunda metade do século XX, por ocasião da constante tensão internacional provocada em decorrência da Guerra Fria, vários Estados influenciados direta ou indiretamente por uma das duas alianças militares antagonistas – bloco capitalista, liderado pelos EUA, e bloco socialista, liderado pela URSS – reestruturaram e/ou intensificaram suas políticas de defesa em face ao ambiente de guerra global iminente. Diante das incertezas geradas por ameaças mútuas, as FOpEsp assumiram um papel capital na estratégia de defesa dos países membros de cada uma das duas alianças. Operando normalmente na retaguarda do inimigo, elas agiam clandestinamente com a missão de desestabilizar o poder de combate da força opositora.

A modalidade de guerra não convencional relaciona-se com os princípios formulados por Carl Von Clausewitz quando, considerando que as operações militares são influenciadas por objetivos políticos uma vez que a guerra é um instrumento do qual se vale a política, as FOpEsp atuam “cirurgicamente” com o objetivo de enfraquecer o inimigo conquistando vantagens tanto militares quanto políticas.

Partindo da premissa formulada por Clausewitz, que estabelece uma relação íntima e direta entre guerra e política, as FOpEsp, por sua forma eficiente e sigilosa de operar, são utilizadas como uma valiosa ferramenta para garantir a estabilidade nacional e internacional. Portanto, ao serem empregadas como instrumento comprometido com as políticas nacionais, cabe ao Estado oferecer as condições necessárias para que as FOpEsp adquiram a capacidade de operar de forma autônoma, dispondo dos componentes (informação, transmissão, transporte e logística) que lhe são imprescindíveis para a execução das tarefas a que se destinam. Nesse aspecto, um enfoque relevante a ser analisado refere-se ao Nível de Condução da Guerra (escalonados no âmbito político, estratégico, operacional e tático) e sua abrangência quando considerados os resultados obtidos por ocasião de uma operação executada por tropas especializadas. Conforme é possível avaliar tomando por referência uma diversidade de campanhas realizadas por unidades de elite em momentos distintos da história, na imensa maioria das ações envolvendo FOpEsp os resultados obtidos ocorrem em nível tático, podendo, conforme as particularidades de cada caso, chegar a ocorrer em nível estratégico.

Neste ponto cabe ressaltar que o processo de formação de uma unidade de guerreiros aptos a conduzir ações militares não convencionais – OpEsp  – é um empreendimento que requer uma combinação de fatores que dependem, fundamentalmente, das políticas nacionais de segurança, da iniciativa e capacidade da força militar em questão (Marinha, Exército ou Força Aérea), do aporte financeiro destinado para esse fim, da disponibilidade de tempo (adestramento técnico operacional) e recursos (homens, equipamentos e armamentos), da adequação e modernização tecnológica, de engajamentos compatíveis que permitam o emprego das habilidades adquiridas e a aquisição de experiência de combate que possibilite a ampliação e diversificação dos conhecimentos obtidos.

Os conflitos contemporâneos mostram-se cada vez mais dependentes dos avanços da tecnologia. O planejamento e a condução de uma OpEsp seriam muito mais complexos e sensíveis às adversidades sem o conjunto de aparatos tecnológicos (armas e equipamentos) desenvolvidos para o desempenho optimizado das tarefas a que se destinam. Contudo, operadores do Serviço Aéreo Especial (Special Air Service [SAS]) britânico, considerada a FOpEsp mais bem preparada do mundo, atribuem a excelência de suas capacidades militares não apenas ao moderno material tecnológico por eles empregado, mas principalmente ao meticuloso adestramento a que são constantemente submetidos. Na contramão desse conceito, provavelmente na tentativa de compensar o desajuste de suas políticas de Segurança e Defesa, muitos países em desenvolvimento tendem a valorizar a moderna tecnologia em detrimento da qualificação da tropa. Embora a discrepância tecnológica seja um fator que, indiscutivelmente, afeta o moral dos militares que enfrentam adversários melhor armados e equipados, ela não é sua faceta preponderante. Nesse sentido, considera-se que o aspecto mais importante para o moral de uma FOpEsp é a consciência relacionada à qualidade e eficiência do treinamento, permitindo que seus operadores sejam capazes de enfrentar situações desfavoráveis valendo-se da melhor forma possível dos recursos tecnológicos que lhes são disponibilizados.

Militares da US Navy durante o BUD/S (Basic Underwater Demolition/Seals), o curso que seleciona os futuros Navy Seals

É importante destacar, que embora apresentem algumas semelhanças entre si, os conceitos, doutrinas e procedimentos operacionais adotados pelas FOpEsp variam conforme as políticas nacionais de defesa promovidas por cada país, distinguindo-se de acordo com a importância estratégica que o Estado atribui à utilização e manutenção dessas unidades, independente da condição (períodos de guerra ou tempos de paz) em que a nação se encontre.

Particularmente no que se refere à posição do Brasil, o Ministério da Defesa (MD) e o Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas entendem que as FOpEsp constituem:

Força especializada na condução de guerra irregular que, pela versatilidade que lhe confere a estrutura, o grau de instrução e o grande número de especialistas, pode ser empregada em grande variedade de missões que contribuem para a consecução dos objetivos da força como um todo.

Com base nesta definição, as OpEsp realizadas pelas tropas brasileiras adestradas para a condução desse tipo de ação, ocorrem normalmente em ambiente de guerra irregular, em áreas conflagradas ou não, dentro ou fora do país, em ambiente amigo ou inimigo, interno ou externo, tendo por finalidade a conquista de objetivos estratégicos.

Militares das operações especiais brasileiras.

Por ocasião da abrangência que o termo “Forças de Operações Especiais” alcançou ao longo dos anos, sendo amplamente empregado nos diferentes níveis e setores das FFAA (Marinha, Exército e Força Aérea) e dos Órgãos de Segurança Pública (Polícia Federal, Força Nacional de Segurança, Polícia Militar, Polícia Rodoviária, Polícia Civil e Corpo de Bombeiros), é impreterível esclarecer que as OpEsp consideradas neste estudo referem-se a um gênero particular de ação que contempla missões do tipo “destrua e fuja”. Embora tenham evoluído para categorias distintas de OpEsp, essa modalidade peculiar de missão ficou caracterizada pela ação rápida e furtiva de tropas de pequeno porte, especialmente adestradas para agir clandestinamente com o objetivo de destruir ou inutilizar alvos operacionais ou estratégicos localizados na retaguarda do inimigo. A unidade precursora em ações dessa natureza foi idealizada em 1941 por Archibald David Stirling, oficial da Guarda Real Escocesa (Scots Guards), quando de sua proposta de criação do SAS britânico para minar a capacidade de combate do Afrika Korps alemão no norte da África durante a Segunda Guerra Mundial.

Unidades do SAS durante patrulha no norte da África, na Segunda Guerra Mundial.

Nota sobre o autor:
[1] Professor universitário; especialista em História Militar; mestre em Estudos Marítimos pela EGN (Escola de Guerra Naval). É fundador da Poseidon: Análises de Defesa e editor do blog FOpEsp (Forças de Operações Especiais). É membro do Instituto de Geografia e História Militar do Brasil (IGHMB) e da Associação Brasileira dos Estudos de Defesa (ABED). Foi agraciado em 2014 com o título de Mergulhador de Combate Honorário e em 2016 com o título de Submarinista Honorário. Publicou diversos artigos em periódicos e revistas especializadas abordando a temática da Guerra Irregular e das Operações Especiais.

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BATALHA DO RIACHUELO: Guerra sangrenta há 150 anos não termina com ameaças para MS

Em 11 de junho de 1865, Marinha garantiu que Estado seguisse no Brasil.

A única guerra na América do Sul envolvendo quatro países (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai) e com confronto mais violento registrado no continente aconteceu há 152 anos. A Guerra do Paraguai, que se iniciou em 1864 e só terminou em 1870, deixou rastros em Mato Grosso do Sul mesmo depois de mais de um século e meio. Para começar, se não houvesse a vitória brasileira, o Estado provavelmente pertenceria ao país vizinho.

Base do 6º Distrito Naval de Ladário, às margens do rio Paraguai. Só foi construído três anos depois do fim da guerra – Foto: Divulgação / Marinha do Brasil

Essa conquista nacional começou a ser desenhada com uma batalha decisiva, conhecida como Riachuelo. Os paraguaios, que eram mais fortes, acabaram perdendo nesse episódio e a defesa de uma região fronteiriça estratégica foi conquistada, mesmo sem os devidos equipamentos e estrutura que eram oferecidos à Marinha do Brasil.

A disputa naval foi travada em 11 de junho de 1865. Neste sábado (11), completou-se 151 anos dessa vitória que ajudou a manter o então Mato Grosso anexado ao país.

Naquele ano, a Marinha, que veio se instalar em Ladário em 1873, conseguiu vencer as tropas paraguaias no rio Riachuelo, um afluente do rio Paraná que fica em território argentino e é caminho para acesso ao mar. A conquista, considerada a mais importante para a força brasileira, tornou-se motivo de orgulho, mas revelou também deficiências que perduram com o tempo.

O Contra-Almirante Petronio Augusto Siqueira de Aguiar, comandante do 6º Distrito Naval de Ladário, há 39 anos na Marinha, disse que a data que marca a vitória da Batalha do Riachuelo precisa ser lembrada e celebrada para não se esquecer das ameaças que as regiões fronteiriças continuam passando.

“O mundo mudou da época da Guerra do Paraguai. As ameaças também. Temos hoje o crime organizado e o terrorismo como preocupações”, destaca.

Comandante do 6º Distrito Naval, Contra-Almirante Petronio Augusto. Foto – Divulgação / Marinha do Brasil

DESPREPARO DE SÉCULOS

O paralelo entre o passado e o presente mostra que as forças de proteção do país não tinham, e ainda não tem, estrutura adequada em caso de ataque.

O Paraguai era dono da melhor frota fluvial da América do Sul, enquanto o Brasil contava com navios preparados para navegar no alto mar, mesmo tendo uma extensa área fluvial a ser monitorada.

O país dependia muito mais da atuação de seus combatentes, do que dos equipamentos que eram oferecidos pelo governo, que na época era do Segundo Reinado.

“Precisamos pensar mais em defesa, tanto no militar como na segurança pública. Temos que estar prontos para defender nossos interesses”, alerta o Contra-Almirante, comentando sobre a situação atual e o que aconteceu há mais de um século.

COMO SE CHEGAR À VITÓRIA

A vitória na Batalha do Riachuelo é atribuída a dois fatores importantes. Um foi o erro da tropa paraguaia que pretendia fazer ataque na madrugada, surpreendendo navios brasileiros em uma noite de neblina, aproveitando que a Marinha não tinha a melhor estrutura para navegar em rio. A estratégia não deu certo e o Paraguai só chegou ao local da batalha na manhã, eliminando o efeito surpresa.

O segundo está atrelado ao desempenho de Francisco Manoel Barroso, o Almirante Barroso. Ele comandou a força naval brasileira em 11 de junho de 1865. Depois de escapar da armadilha, retornou à foz do Riachuelo e com a Fragata Amazonas derrotou os adversários. Com isso, a passagem para o Oceano Atlântico não foi tomada pelo Paraguai e se manteve no domínio brasileiro.

“Fazemos questão de cultuar alguns valores. Nessa época de comemoração da Batalha do Riachuelo abrimos a Marinha para a população e tentamos mostrar o que foi preciso para vencer. O Almirante Barroso mostrou moral, comprometimento, ética, propósito e resiliência. Achamos importante que as pessoas saibam disso”, opinia o Contra-Almirante Petronio.

Indicação do local onde foi travada a Batalha do Riachuelo. Reprodução / Marinha do Brasil

O QUE NÃO MUDOU

A atuação da Marinha resultou na manutenção do atual Mato Grosso do Sul como território brasileiro. Mas as falhas do passado, envolvendo a falta de estrutura, perdura. “O Brasil não estava preparado para a guerra”, reconhece o atual comandante do 6º Distrito Naval de Ladário. “Hoje as ameaças são outras, mas ainda precisamos pensar mais em defesa”, completa.

Apesar de constitucionalmente a Marinha não atuar no combate direto ao tráfico internacional de drogas, tráfico de pessoas, atuação do crime organizado na fronteira e mesmo terrorismo, existe o trabalho de inteligência do 6º Distrito Naval que procura monitorar a região, tanto no Estado como em Mato Grosso.

Como a força militar tem estrutura naval mais eficiente do que outras corporações que atuam na fronteira, tais como Polícias Federal, Militar, Civil e Militar Ambiental, existe a possibilidade de trabalho conjunto. Essa parceria está sendo mais amplamente sendo feita com a Polícia Militar Ambiental.

Parte da frota naval do 6º Distrito de Ladário. Foto – Divulgação / Marinha do Brasil

GUERRA ONDE TODOS PERDERAM

A historiadora e professora em Ladário, Terezinha Assad, analisa que o conflito teve vitória bélica, mas todos os lados sofreram derrotas.

“O Paraguai deixou de ser a grande potência da América do Sul que era, o país perdeu uma grande parte de sua população e a sua economia foi devastada. O Brasil, embora vitorioso, teve também grandes prejuízos financeiros com o conflito”, indica.

Para conseguir manter-se em combate ao longo de seis anos o país pegou empréstimos estrangeiros, principalmente da Inglaterra.

O Paraguai, que até a época estruturava-se como uma potência, inclusive industrial, perdeu em torno de 300 mil pessoas. Estima-se que 90% era da população masculina maior de 20 anos. A fome e pobreza disseminaram no país vizinho e não houve recuperação mais de 150 anos depois.

Nesse período, a economia do país foi trocada de produtos manufaturados para produção agrícola, porta aberta para o contrabando e um dos maiores produtores de maconha da América do Sul, além de ser o principal fornecedor da droga para o Brasil. O caminho para esse entorpecente ser distribuído passa justamente por Mato Grosso do Sul.

Corpos de paraguaios no campo, em imagem de 1866. Foto – Fundação Biblioteca Nacional

“Passados 150 anos da Guerra do Paraguai, outros tipos de questões fronteiriças estão aí e que precisam ser refletidas, como é o caso dos ‘brasiguaios’ (há conflito envolvendo brasileiros e seus descendentes que vivem no país vizinho com os nativos por conta de terra), a questão do uso da energia da Usina de Itaipu, o preparo das forças navais brasileiras para enfrentar um conflito externo, a questão do contrabando de mercadorias, e os tráficos de drogas, armas e de pessoas. São questões que não podem ser relegadas ao esquecimento”, reforça a historiadora.

Fonte: Correio do Estado

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América do Sul América Latina Defesa Destaques Forças Especiais Terrorismo

Forças especiais de nações parceiras competem no exercício Fuerzas Comando Peru 2016

Equipes das Forças Especiais de países aliados das Américas do Norte, Central e do Sul competem na Copa Fuerzas Comando 2016, na Base de Infantaria da Marinha em Ancón, Peru, de 2 a 12 de maio de 2016. [Foto: Claudia Sánchez-Bustamante/Diálogo]

Por Claudia Sánchez-Bustamante/Diálogo

Na margem do Pacífico, na Base de Infantaria da Marinha em Ancon, o General de Brigada Moisés del Castillo, Comandante Geral do Comando de Inteligência e Operações Especiais Conjuntas das Forças Armadas do Peru, presidiu em 2 de maio o ato de abertura da 14a edição do exercício multinacional Fuerzas Comando 2016. “Esses encontros competitivos nos permitem testar o trabalho árduo de preparação [dos soldados das Forças Especiais], o trabalho que dá vigor ao músculo, ritmo ao pensamento, firmeza ao pulso, fortaleza ao caráter, calor ao coração e energia ao nosso corpo.”

O Peru sedia o evento pela primeira vez, por meio do Estado-Maior Conjunto de suas Forças Armadas, mas o torneio amistoso é realizado anualmente, desde 2004, com o patrocínio do Comando Sul dos Estados Unidos (SOUTHCOM). O evento é organizado pelo Comando de Operações Especiais Sul (SOCSOUTH), em conjunto com um país amigo que serve de anfitrião em cada ano do evento. É também uma oportunidade para que os participantes melhorem suas habilidades em treinamento de operações especiais, aumentem seus conhecimentos e aprofundem a interoperabilidade e as relações entre si, especialmente para combater ameaças comuns de maneira unificada.

O Fuerzas Comando 2016 reúne membros de forças especiais militares e policiais de 20 países das Américas: Argentina, Belize, Colômbia, Costa Rica, Chile, El Salvador, EUA, Guatemala, Guiana, Haiti, Honduras, Jamaica, México, Panamá, Paraguai, Peru, República Dominicana, Suriname, Trinidad e Tobago e Uruguai. Cada equipe tem sete soldados, em alguns casos de forças conjuntas, além de um juiz imparcial que comparecerá ao torneio. Vencedora da edição anterior, a Colômbia traz uma equipe conjunta de membros de Forças Especiais do Exército e da Força Aérea.

O General de Brigada Moisés del Castillo, Comandante Geral do Comando de Inteligência e Operações Especiais das Forças Armadas do Peru, abriu a 14a edição do exercício multinacional Fuerzas Comando em 2 de maio na Base de Infantaria da Marinha em Ancón, no Peru. [Foto: Claudia Sánchez-Bustamante/Diálogo]

Esperança, camaradagem e irmandade

“Aproveitamos essa convergência de soldados das Forças Especiais de muitos países amigos para pintar nossos rostos, mas não com tinta de guerra”, disse o Gen Brig Del Castillo no discurso de abertura. “Fazemos isto usando tinta de esperança, paz, amizade, camaradagem e irmandade.”

O Peru recebe durante 10 dias as equipes de cada país amigo, que competem por um dos troféus mais apreciados do continente. “O Fuerzas Comando Peru 2016 é uma oportunidade única que as Forças Armadas de 20 países irmãos têm para demonstrar preparação, capacidade e profissionalismo de seus membros de elite, levando-os ao extremo em cada uma das provas realizadas”, diz o mestre de cerimônias, membro das Forças Armadas do Peru.

Após o ato de abertura, os quase 700 participantes iniciaram o primeiro evento da competição, a prova de resistência física em equipes combinadas. Incluiu agachamentos por dois minutos, barras paralelas por um minuto, flexões em barra fixa por um minuto e uma corrida de 6,4 quilômetros sob o forte sol peruano.

Nos outros dias do exercício, os participantes competiram em três categorias: equipes de assalto, equipes de franco-atiradores e equipes combinadas. As equipes de assalto participaram de uma avaliação de tarefas críticas, combate urbano, tiro de fuzil, seleção de alvos e teste de estresse.

Enquanto isso, as equipes de franco-atiradores competiram em campo de tiro, alvos em movimento, tiro a distâncias conhecidas e posição de perseguição. Finalmente, além da prova física, as equipes combinadas competiram em testes de assalto combinado, evento aquático, marcha forçada e pista de obstáculos.

“A natureza transnacional dos desafios de segurança do século 21 exige uma cooperação multinacional, regional e transfronteiriça mais forte”, diz o Segundo Sargento Osvaldo Equite, Oficial de Relações Públicas do SOCSOUTH e porta-voz do torneio. “Eventos como o Fuerzas Comando fortalecem a cooperação militar e promovem a interoperabilidade entre os países participantes das Américas.”

O Peru, país anfitrião, e a Colômbia, vencedora da última edição do torneio, exibem suas bandeiras em formação perto da taça do compeonato e da equipe de Forças Especiais dos EUA durante a cerimônia de abertura do Fuerzas Comando Peru 2016. [Foto: Claudia Sánchez-Bustamante/Diálogo]

Fonte: Diálogo

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VÍDEO: Helicóptero EC225LP (H225) cai na Noruega

Em vídeo divulgado no site youtube constam imagens do momento em que o rotor principal da aeronave H225LP da empresa CHC se desprende.

No vídeo é possível ver o rotor em queda livre, enquanto uma enorme coluna de fumaça negra se ergue por de trás de montanhas. Elementos que confirmam as primeiras informações sobre o acidente obtidas através de moradores locais que relataram o momento do acidente que matou 13 pessoas. Sendo 2 tripulantes e 11 trabalhadores do setor petroleiro.

https://www.youtube.com/watch?v=LjBh3PF6-Xk

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Helicóptero H225 cai na costa da Noruega

H225 similar ao acidentado, pertencente a empresa CHC
H225 similar ao acidentado, pertencente a empresa CHC

Um helicóptero Airbus H225 da empresa CHC caiu ao largo da costa oeste da Noruega, com 13 pessoas a bordo.

De acordo com reportagem da BBC, os socorristas confirmaram 11 pessoas morreram, e dois estão desaparecidos. Centro de Coordenação Conjunto de Resgate da Noruega (JRRC) está liderando os trabalhos de resgate.

Todos os H225s comerciais na Noruega e no Reino Unido foram “groundeados”, como resultado do acidente, seguindo diretivas de segurança de autoridades da aviação civil dos dois países.

A aeronave envolvida no acidente, que estava sendo operada em nome da Statoil, voltava para Bergen a partir da plataforma Gullfaks B, a 120 quilômetros do continente norueguês, quando caiu na borda da ilha de Turøy no município Fjell em hora local cerca de 12:00 (06:00 EDT).

“É uma ilha muito pequena e partes do helicóptero estão espalhados em terra e no mar,” disse Jon Sjursoe, um porta-voz do JRRC, à AFP. Das pessoas a bordo da aeronave, 11 eram norueguesas, uma da Grã-Bretanha e um italiano.

Embora os detalhes do acidente ainda não estejam esclarecidos, de acordo com Flightradar24, os dados ADS-B mostram que a aeronave caiu 2.100 pés (640 metros) durante os últimos 10 segundos de seu voo. E isto parece ser corroborado por relatos de testemunhas.

“Houve uma explosão e um som muito peculiar de motor, então eu olhei para fora da janela. Disse uma residente ilha ao jornal local Bergensavisen. “Eu vi o helicóptero caindo rapidamente para o mar. Seguido de uma grande explosão. Partes [do helicóptero] voaram no ar. “Bergensavisen também informou que várias testemunhas afirmaram ter visto o rotor se desprender antes do helicóptero cair, mas isso não foi confirmado oficialmente.

A CHC confirmou que a aeronave estava carregando dois tripulantes e 11 passageiros, e que o acidente ocorreu quando a aeronave se aproximava do aeroporto Flesland. No entanto, foi informado que os detalhes exatos “ainda não são conhecidos.” Equipes de resposta a emergências foram mobilizadas além da organização dos parentes das vítimas, porém mais detalhes serão liberados, quando mais informações se tornarem disponíveis.

“Por respeito aos passageiros e tripulantes, todos os voos com o tipo de aeronave H225 / EC225 foram interrompidos no setor offshore norueguês”, disse a CHC em um comunicado. “Operações com outras aeronaves do mesmo modelo foram temporariamente interrompidos, e serão continuamente avaliados.”

Em uma breve declaração sobre o acidente, a Statoil disse que mobilizou sua organização de resposta a emergências e estabeleceu um centro de atendimento aos parentes mais próximos. A empresa também optou por “groundear” temporariamente todos os ” helicópteros de modelos equivalentes” usados para transportar os seus trabalhadores.

A fabricante do H225, Airbus Helicopters disse em nota estar “profundamente entristecido” com o acidente.

“Expressamos nossos mais profundos sentimentos e nossos pensamentos estão com as vítimas, seus familiares, amigos e colegas”, disse a companhia em um comunicado. “A segurança é a principal prioridade da Airbus Helicopters, e estamos oferecendo nosso apoio tanto para os investigadores do acidente bem como a CHC. Equipes da Airbus Helicopter estão totalmente prontos para auxiliarem a entender as causas do acidente. “

Relembre outros incidentes…

O AS332 / H225 passou por um escrutínio e severo processo para a operação no mar em 2012, após dois incidentes no Mar do Norte – um dos quais com uma aeronave operada pela CHC. A CHC inclusive esteve entre os operadores que proibiram temporariamente sua frota de aeronaves H225 para operações sobre a água após o segundo incidente, quando foi constatado que uma das causas poderia ser em decorrência de uma rachadura circunferencial no eixo vertical, ocasionando a interrupção no acionamento da engrenagem que opera a bomba de óleo principal.

Airbus passou a maior parte do ano de 2012 em desenvolvimento e extensivos testes num eixo de engrenagem cónica vertical, redesenhado para que fosse eliminado todos os três fatores que causaram as panes em 2012.

Em agosto de 2013, apenas algumas semanas após a CHC iniciar a retornada do serviço dos H225s sobre a água, um dos AS332 do operador L2s caiu ao largo da costa das ilhas Shetland, ao nordeste do continente escocês, matando quatro trabalhadores offshore.

O incidente levou à Autoridade de Aviação Civil do Reino Unido iniciar uma revisão de segurança das operações de helicóptero transportes públicos no exterior em apoio a exploração de petróleo e gás. A revisão resultou na publicação da PAC de 1145, e o anúncio de uma série de medidas destinadas a reforçar a segurança nas operações de helicóptero no Mar do Norte, como a proibição rotinas voos de helicóptero em condições superior estado do mar 6, e uma exigência para operadores de helicópteros para garantir que sistemas de flutuação de emergência estejam armados para o excesso de água durante todas partidas e chegadas.

Devido à sua experiência recente na investigação de acidentes marítimos, a AAIB (Air Accidents Investigation Branch) disse que foi mobilizada de uma pequena equipe para ajudar os seus homólogos noruegueses que trabalham para reunir o que causou o acidente de hoje.

Fonte: Vertical Magazine

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CH-53K realiza testes com cargas externas

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Entre os dias 12 e 19 de abril, a Sikorsky iniciou a campanha de testes de içamento de cargas externas com o helicóptero CH-53K ‘King Stallion’. Os primeiros testes consistiam em levantar uma carga externa de 12.000 libras (5.000kg) em voo pairado.

Assim como outros testes que ocorrerão no futuro, como de lançamento de cargas pela rampa traseira, os ensaios tem por objetivo analisar o envelope de carga externa da aeronave. Os testes foram executados com a carga inicial de 12.000 libras em voo pairado. Entretanto, a intenção do engenheiros é de incrementar gradativamente a velocidade para cerca de 120 nós e a massa das cargas externas utilizadas para 20.000 e 27.000 lbs.

O novo CH-53K dispõe de um sistema elétrico de travamento e liberação da carga automático cujo os controle podem ser manejados desde o cockpit ou na cabine de carga. Além de um sistema mecânico de mesma função.

Esse sistema tem por finalidade a proteção da aeronave em casos de emergências que exijam a soltura da carga, seja por fatores externos ou falha em algum dos pontos de fixação. Os três ganchos de carga externos incluem: um gancho único no ponto central, com uma capacidade de 36.000 libras e ganchos de ponto duplo, cada um capaz de transportar até 25.200 libras.

 

Fonte: Sikorsky