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Defesa Fotos do Dia Negócios e serviços

Embraer prevê novas compras na área de defesa

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O presidente da Embraer, Frederico Curado, sinalizou ontem que a empresa deve fazer novas aquisições na área de defesa. Segundo o executivo, o segmento de defesa é marcado por grandes empresas no mundo todo e a consolidação do mercado brasileiro é uma “tendência natural”. “É importante não depender de poucos contratos, porque no caso do atraso de uma verba governamental de um país, por exemplo, isso não prejudica o desempenho da empresa”, afirmou.

De acordo com ele, a Embraer quer ser consolidadora no setor. “Temos tecnologia, pessoal e capacidade de levantar capital. Queremos ter esse papel consolidador no Brasil”, afirmou, em encontro com a imprensa.

No último dia 15, a Embraer anunciou a compra de 64,7% do capital social da divisão de radares da OrbiSat da Amazônia S/A. Há rumores no mercado de que a empresa também estaria negociando com a Atech, empresa brasileira que atuou no projeto Sivam e é especializada na integração de sistemas estratégicos.

A Embraer estima que seu faturamento na área de defesa este ano fique em torno de US$ 600 milhões, valor equivalente ao do ano passado. Isso deve representar cerca de 11% da receita total estimada para este ano, de US$ 5,36 bilhões. O presidente da Embraer disse que essas estimativas contemplam um cenário de controle de gastos orçamentários no governo brasileiro, assim como o ambiente de incerteza do mercado mundial.

Resultado. A empresa anunciou na quinta-feira um lucro líquido de R$ 573,6 milhões em 2010, queda de 37% na comparação com 2009. A companhia encerrou o ano com 246 jatos entregues, número semelhante ao registrado em 2009, 244. A carteira de pedidos firmes a entregar (backlog) fechou o ano em US$ 15,6 bilhões, valor 2% maior que o registrado em 30 de setembro de 2010.

Confiante na recuperação dos mercados de aviação comercial e de aviação civil, a Embraer projeta alcançar este ano uma receita líquida de US$ 5,6 bilhões, pouco acima dos US$ 5,3 bilhões (R$ 9,380 bilhões) registrados em 2010.

Fonte: Silvana Mautone – O Estado de S.Paulo via Cavok

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Conflitos Geopolítica

Itália e Alemanha podem propor plano para solucionar crise líbia

EFE  —  O ministro de Exteriores italiano, Franco Frattini, anunciou neste domingo a possibilidade de que Itália e Alemanha proponham um plano conjunto para uma solução diplomática da crise líbia na cúpula de Londres com seus colegas dos países da coalizão contra o regime de Muammar Gaddafi.

“Temos um plano e veremos se poderá se traduzir em uma proposta ítalo-alemã”, disse Frattini em entrevista publicada pelo jornal “La Repubblica”, na qual acrescentou que essa proposta poderia se traduzir em “um documento conjunto” para ser apresentado na terça-feira em Londres.

Segundo o titular de Relações Exteriores italiano, o primeiro ponto do plano seria o cessar-fogo, que deverá ser verificado e controlado pelas Nações Unidas, assim como o estabelecimento de um corredor humanitário permanente, no qual, disse, “já estamos trabalhando com o governo turco”.

Em relação ao plano político-diplomático, Frattini destacou que sua proposta se baseia em conseguir “um forte compromisso da União Africana e da Liga Árabe”, assim como o “envolvimento dos grupos tribais” líbios, com o objetivo de elaborar uma Constituição para esse país.

Sobre o possível papel de Gaddafi, Frattini destacou que depois que toda a Europa e as Nações Unidas tenham repetido que o líder líbio “não é um interlocutor aceitável, não se pode pensar em uma solução que considere sua permanência no poder”.

“Outra coisa é pensar em um exílio de Gaddafi, a União Africana já se encarregou de encontrar uma solução”, disse o ministro italiano.

CORPOS

No mesmo dia em que os rebeldes retomaram o controle de duas importantes cidades do leste da Líbia, Ajdabiyah e Brega, os EUA disseram que não há provas de que os bombardeios da coalizão internacional estejam matando civis. Em entrevista à CBS News, o secretário de Defesa dos EUA, Robert Gates, acusou o ditador Muammar Gaddafi de espalhar cadáveres de pessoas mortas pelas tropas do regime pelas ruas do país.

As declarações de Gates chegam dias após o regime ter divulgado um balanço de que entre o domingo (20) e a quarta-feira (23), ao menos 114 pessoas morreram e mais de 445 ficaram feridas pelos ataques das forças internacionais.

“De 20 a 23 de março, 114 pessoas morreram e 445 ficaram feridas nos bombardeios da coalizão”, declarou Khaled Omar, autoridade do Ministério da Saúde líbio.

Neste sábado, em reação, Gates disse à emissora americana CBS News que há “diversos relatórios de inteligência” sugerindo que Gaddafi estaria colocando corpos de civis mortos pelo Exército da Líbia nos locais que são alvo dos bombardeios das aeronaves da coalizão.

O secretário da Defesa disse ainda que a missão tem tomado “cuidado extremo” para não ferir civis.

A entrevista foi gravada e deve ir ao ar neste domingo no programa “Face the Nation”.

Fonte: Folha

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Acidentes e Catástrofes Geopolítica

Ajuda humanitária do Pentágono reconstrói as relações entre Japão e EUA

Porta-aviões USS Ronald Reagan

Martin Fackler
A bordo do USS Ronald Reagan
The New York Times

Quando os helicópteros da Marinha dos EUA desceram na escola de um vilarejo japonês em ruínas, os sobreviventes primeiro olharam desconfiados de suas janelas. Depois correram para ajudar a descarregar comida, água e roupas. Eles apertaram as mãos dos norte-americanos. Alguns os abraçaram.

“Eles são como deuses descendo do céu”, disse em prantos Junko Fujiwara, 37, secretária da escola elementar que se transformou em abrigo na cidade de Kesennuma, na costa norte do país. “Está frio e escuro aqui, então precisamos de tudo: comida, água, eletricidade, gasolina, velas.”

Logo depois do terremoto e do tsunami devastadores que atingiram o Japão, os militares norte-americanos deram início à chamada Operação Tomodachi (Amigo), um dos maiores esforços de ajuda humanitária dos últimos anos. Atualmente, cerca de 20 navios norte-americanos se reuniram na costa nordeste do Japão, incluindo o USS Ronald Reagan, um porta-aviões movido a energia nuclear cujos helicópteros estão ocupados enviando suprimentos para os sobreviventes.

A ajuda está chegando a áreas costeiras de difícil acesso, devastadas pelo duplo desastre de 11 de março. Eles também são o exemplo mais recente dos esforços do Pentágono de usar suas forças para que os EUA sejam vistos com simpatia no exterior, uma estratégia que o país usou com sucesso na Indonésia depois do tsunami de 2004.

Em particular, os EUA agarraram a chance de reconstruir os laços com um aliado crucial na Ásia, que há apenas um ano estava flertando com a ideia de se retirar a órbita de Washington. O fato de os navios norte-americanos terem chegado tão rápido ao cenário tem sido uma chance de demonstrar o valor das dezenas de bases norte-americanas no Japão, que abrigam cerca de 50 mil militares.

“O que estamos fazendo aqui é diplomacia”, disse George Aguilar, comandante do HS-4 Black Knights, um esquadrão de helicópteros do Ronald Reagan. “O país é o nosso melhor amigo na região.”

Até agora parece uma iniciativa de grande sucesso, pelo menos nas regiões que os helicópteros visitaram. No domingo, enquanto o esquadrão levava suprimentos para cidades devastadas pelo tsunami, normalmente para pátios ou campos esportivos transformados em áreas de pouso, os moradores japoneses os recebiam com uma profunda gratidão. Muitos ficaram isolados depois que as estradas foram destruídas pelas águas.

“Sempre nos lembraremos dos norte-americanos chegando no momento em que precisamos de ajuda”, disse Osamu Abe, 43, funcionário da prefeitura de Minamisanriku, onde o esquadrão de Aguilar deixou água engarrafada, rações militares e roupas infantis no domingo.

Ao mesmo tempo, os militares dos EUA tentam atingir um equilíbrio delicado. Os Estados Unidos desempenham um papel importante em muitos aspectos da resposta à recente crise no Japão, inclusive enviando caminhões de bombeiro para a usina nuclear afetada de Fukushima Daiichi. Mas os norte-americanos estão tentando evitar constranger os japoneses, ou sugerir que os EUA estão no comando.

De fato, o Japão às vezes parece abatido pelos múltiplos desastres –o terremoto e o tsunami deixaram mais de 22 mil pessoas mortas e desaparecidas, e centenas de milhares desabrigadas, e a usina ainda enfrenta o risco de derretimento.

Os EUA reuniram rapidamente uma grande presença nas áreas atingidas pelo tsunami, enquanto o Japão tem demorado para alcançar algumas das áreas mais prejudicadas, especialmente em torno da usina nuclear. A Marinha disse na segunda-feira que havia entregue 88 toneladas de suprimentos em áreas devastadas, na maior parte itens essenciais como alimentos, água e roupas.

Marinheiros a bordo do USS Blue Ridge (LCC 19) auxiliam no envio de mantimentos para o Japão.

“Nós apreciamos muito esta rapidez e imensa capacidade”, disse o capitão Hidetoshi Iwasaki das Forças de Auto-Defesa Marítimas, a Marinha do Japão. “As FADM não são capazes de conduzir os esforços de ajuda tão sistematicamente sem a Marinha dos EUA nos ajudando um pouco. Eles são como um irmão mais velho.”

Em parte, a resposta rápida foi resultado da sorte: o navio Ronald Reagan e seu grupo de batalha estavam passando pelo local a caminho de jogos de guerra na Coreia do Sul. O porta-aviões, com uma tripulação de 4.500 pessoas, pode lançar aviões e também gerar água doce, algo necessário nas zonas de desastre.

Os norte-americanos disseram que querem ficar até que os japoneses sejam capazes de entregar suprimentos com regularidade nas cidades costeiras remotas que foram afetadas pelas ondas. O Japão parece estar fazendo um progresso contínuo na construção de ligações terrestres, diz ele.

A resposta dos EUA à crise nuclear inclui não apenas caminhões de bombeiro, que contribuem com os esforços de resfriamento dos bastões de combustível superaquecidos, mas também aeronaves de reconhecimento, que têm ajudado os japoneses a monitorar os níveis de radiação.

No Ronald Reagan, as emissões da usina danificada têm sido uma preocupação séria. Os pilotos da Marinha dizem que estão tentando ficar a pelo menos 80 quilômetros de distância. Quando os helicópteros voltam das missões, eles e suas tripulações são cuidadosamente testados com contadores Geiger.

Um helicóptero HH-60H Sea Hawk do esquadrão anti-submarino Black Knights parte do convés de voo do porta-aviões USS Ronald Reagan (CVN 76) para apoiar as vítimas do Japão.

O próprio porta-aviões também se afastou pelo menos 160 quilômetros dos reatores. Quando o vento próximo à usina mudou de direção, o Ronald Reagan passou para o modo que os marinheiros chamam de “Círculo William” –fechando todas as escotilhas e aberturas de ventilação para evitar que o ar de fora entre. Integrantes da tripulação disseram que a radiação é uma coisa com a qual o navio não teve que lidar durante anos.

“Estamos desenterrando os manuais antigos da Guerra Fria para saber como proteger o navio da radiação”, disse Aguilar, chefe do esquadrão.

Aguilar, 40, afirmou também que os danos e a quantidade de mortos no tsunami do Japão são muito maiores do que no outro desastre no qual ele esteve envolvido nos esforços de ajuda: o furacão Katrina. “Isso excede o Katrina”, disse ele. “Parece que o braço de Deus varreu tudo o que tinha na terra.”

Ele e outros membros da tripulação de helicópteros norte-americanos ficaram chocados com a força do tsunami, que fez com que uma grande balsa fosse parar em cima de um prédio de três andares, e deixou uma casa inteira flutuando intacta a quilômetros do mar, com as cortinas ainda nas janelas. Um mar de escombros de peças de madeira de casas japonesas e barcos naufragados de todos os tamanhos circundava o Ronald Reagan, a cerca de 24 quilômetros da costa.

Outra surpresa, dizem os militares, foi o baixo número de feridos. O Reagan havia considerado oferecer seus grandes hangares para funcionarem como hospital improvisado. Entretanto, poucos dos sobreviventes que se amontoam nas escolas e outros abrigos improvisados precisaram de cuidado médico emergencial. Os norte-americanos disseram que eles evacuaram apenas um número pequeno de feridos, incluindo um sueco com apendicite.

“Ou você estava no caminho do tsunami, ou não”, disse o tenente Chad Upright.

No centro de refugiados lotado de Minamisanriku, onde 250 sobreviventes dormiam no chão, Abe disse que a coisa mais urgente necessária era remédio para gripe, febre e alergias. Mas os militares norte-americanos disseram que não podiam dar remédios sem a permissão do governo japonês, da qual não dispõem.

Um helicóptero SH-70B da Força de Auto-Defesa Marítima do Japão pousa a bordo do porta-aviões USS Ronald Reagan.

Algo semelhante aconteceu depois do terremoto devastador de Kobe em 1995, quando suprimentos médicos estrangeiros e até médicos foram recusados na fronteira pelos burocratas japoneses.

Desta vez, os norte-americanos prometeram pedir logo a permissão dos japoneses para entregar remédios feitos nos EUA, e para ajudar a traduzir as bulas para o japonês.

A maior parte do que os norte-americanos entregaram é formada por itens retirados de seus próprios navios: comida extra e cobertores, e até as roupas dos próprios marinheiros.

Também havia bichos de pelúcia para as crianças.

Para aliviar a falta de alimentos nos abrigos, o Ronald Reagan enviou 77 mil cachorros-quentes congelados para um navio de guerra japonês, que os esquentou e entregou.

Os militares dos EUA também pareciam tocados pela recepção dos japoneses. Na sala de reuniões do esquadrão a bordo do Reagan, alguém pendurou um desenho de dois sapos sorridentes dizendo: “obrigado” e “de Saki Owada (5 anos)”.

Os militares de outros esquadrões também falaram longamente sobre o afeto dos japoneses. Michael Adomeit, 34, membro da tripulação de um helicóptero do destroyer USS McCampbell, lembrou-se de um episódio.

“Uma fila de avós veio até nós para nos abraçar e agradecer”, disse ele. “Isso faz você perceber o quão importante é essa missão.”

Fonte: UOL

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Geopolítica

Rebeldes líbios tomam cidade exportadora de petróleo Ras Lanuf

G1, com agências internacionais

A cidade de Ras Lanuf, na Líbia, que é um terminal exportador de petróleo, foi tomado pelos rebeldes neste domingo (27), segundo repórteres da agência de notícias AFP presentes no local e informações de insurgentes a repórteres da Reuters. As forças leais ao presidente Muammar Kadhafi haviam expulsado os rebeldes da cidade em 12 de março.

A refinaria fica a 370 quilômetros a oeste de Benghazi, bastião dos rebeldes na região, e a 210 quilômetros de Ajdabiya, cidade estratégica que foi retomada pelos rebeldes no sábado (26).

Na estrada próxima ao terminal de petróleo, podiam ser vistos os sinais dos enfrentamentos, munição abandona e um prédio parcialmente destruído. As forças pró-Kadhafi continuam indo em direção a Sirte, cidade natal do dirigente líbio.

“Não há tropas de Kadhafi em Ras Lanuf”, afirmou o rebelde Walid AL-Arabi a repórteres da Reuters.

Rebeldes na região de Ras Lanuf

Outras cidades
No sábado (26), rebeldes líbios afirmaram ter obtido o controle da cidade de Brega, na região leste da Líbia, localizada a cerca 182 km a oeste da capital Trípoli.

“As forças rebeldes ocupam 100% de Brega”, disse Shamsiddin Abdulmolah, porta-voz do grupo de libertação em Benghazi. Ele disse também que mais tropas de oposição ao governo de Kadhafi saíram nas ruas, o que prova o sucesso da campanha rebelde no país.

O exército francês conseguiu abater com sucesso cinco aeronaves Galeb e dois helicópteros de combate Mi-35 do governo líbio próximo a cidade de Misrata, de acordo com o Ministério da defesa do país. Este ataque foi alguns da França na Líbia nas últimas 24 horas, que investiu contra diversos alvos nas cidades de Zintan e Misrata.

A França continua utilizando caças Rafale que partem do porta-aviões Charles de Gaulle que está no Mar Mediterrâneo.

Usina petroquímica incendiada em Ras Lanuf

Também no sábado o acesso pelo leste da estratégica cidade de Ajdabiya, a 160 quilômetros ao sudoeste de Benghazi, na Líbia, caiu em mãos dos rebeldes.

Os rebeldes conseguiram entrar na localidade e lançaram um ataque contra o local onde as forças de Kadhafi guardavam sua munição e interromperam a passagem ao centro da cidade.

Segundo informações da rede de TV “Al Jazeera”, os rebeldes fizeram vários prisioneiros e mataram um número não preciso de combatentes das forças de Kadhafi.

A aviação da coalizão internacional lançou na sexta-feira (25) sucessivos ataques sobre as posições das brigadas de Kadhafi, que controlavam o centro da cidade e mantinham carros de combate e unidades blindadas em alguns de seus acessos para sustentar o controle viário do leste do país.

Os rebeldes planejaram o assalto durante toda a tarde de ontem, quando vários veículos com o armamento pesado disponível em mãos rebeldes foi transferido desde Benghazi até as imediações de Ajdabiya.

(com informações da Reuters e da AFP)

Fonte: G1

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Conflitos Geopolítica

Hillary exclui envolvimento dos EUA na Síria por enquanto

Secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton

REUTERS  —  A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, excluiu a possibilidade de os Estados Unidos se envolverem na Síria por enquanto como se envolveram na Líbia, dizendo em entrevista à TV que cada levante árabe é único e singular.

Falando em uma entrevista gravada no sábado, Hillary disse que os Estados Unidos deploram a violência na Síria, mas que as circunstâncias são diferentes da situação na Líbia, onde o líder Muammar Gaddafi usou sua força aérea, além de blindados pesados, contra a população civil.

Indagado se o mundo pode esperar um envolvimento dos EUA na Síria na linha da zona de exclusão aérea que os EUA e outros países impuseram sobre a Líbia, Hillary Clinton disse ao programa Face the Nation with Bob Schieffer, da CBS News: “Não.”

“Cada uma dessas situações é singular,” disse ela em uma transcrição da entrevista divulgada pela CBS. “Com certeza deploramos a violência na Síria. Exortamos a Síria, assim como temos exortado todos esses governos, a responder às necessidades de seus povos, a não praticar violência, a permitir os protestos pacíficos e iniciar um processo de reforma econômica e política.”

Hillary sugeriu que as circunstâncias presentes na Síria e na Líbia são diferentes, já que não há o mesmo nível de violência na Síria e que a repressão governamental aos protestos nesse país ainda não gerou a mesma condenação global, nem chamados da Liga Árabe e outros pela criação de uma zona de exclusão aérea, como foi o caso com a Líbia.

“Se houvesse uma coalizão da comunidade internacional, se fosse aprovada uma resolução do Conselho de Segurança da ONU, se houvesse um chamado da Liga Árabe, se houvesse uma condenação que fosse universal, mas isso não vai acontecer porque creio que ainda não está claro o que vai acontecer, como os fatos vão se desenrolar na Síria,” disse Hillary.

“O que vem ocorrendo nesse país nas últimas semanas é profundamente preocupante, mas existe uma diferença entre convocar sua força aérea e bombardear indiscriminadamente suas próprias cidades (como na Líbia) e ações policiais que, francamente, excederam o uso de força que qualquer um de nós gostaria de ver,” ela acrescentou.

Fonte:  Terra

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Conflitos Geopolítica

Governo sírio derruba estado de emergência, exército entra em Latakia

Presidente  sírio Bashar Al Asad

AFP – As autoridades sírias decidiram neste domingo derrubar o estado de emergência, que restringe as liberdades políticas, vigente desde 1963 e execrado pela população, ao mesmo tempo em que anunciaram um discurso do presidente, Bashar Al Assad, “muito em breve”.

Por outro lado, reforços militares entraram neste domingo em Latakia, importante cidade costeira no noroeste da Síria, com o objetivo de conter os franco-atiradores entrincheirados nos telhados, que desde sexta-feira já mataram quatro pessoas, entre elas dois políciais, e feriram 150.

Em entrevista à AFP, a assessora do presidente Al Assad, Busaina Shaaban, revelou que “a decisão de derogar a lei do estado de emergência já foi tomada, mas não sei quando será aplicada”.

A lei do estado de emergência, que entrou em vigor em 1963, ano em que o Partido Baath chegou ao poder, impõe restrições à liberdade de associação e movimento e permite a prisão de “pessoas que ameaçam a segurança”.

Além disso, libera o Estado para interrogar pessoas, vigiar as comunicações e censurar a imprensa.

Rami Abdelrahman, diretor do Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSHD), expressou satisfação ao saber do fim do estado de emergência, e estimou que pelo menos 2.000 pessoas devem ser libertadas das prisões assim que a decisão entrar em vigor.

“Todas as pessoas condenadas pela Alta Corte de Segurança do Estado devem recuperar a liberdade, já que este tribunal de exceção foi criado em função da lei”, explicou.

Busaina Shaaban afirmou este domingo à AFP que o presidente sírio falará “muito em breve” à população.

“O presidente Bashar Al Asad falará com seu povo muito em breve para explicar a situação e esclarecer as reformas que se propõe a adotar no país”, indicou.

Por outro lado, a imprensa síria informou que reforços militares foram enviados neste domingo para Latakia.

“O exército entrou em Latakia, a 250 km de Damasco, para pôr fim à destruição e os assassinatos”, afirmou neste domingo o Al Watan, periódico próximo ao regime.

No sábado, dois oficiais das forças de segurança foram mortos e 70 militares ficaram feridos em confrontos na cidade.

Um alto funcionário sírio revelou no sábado sob condição de anonimato que “franco-atiradores dispararam contra os pedestres, matando duas pessoas e ferindo outras duas”.

“Dezenas de veículos e lojas foram queimados, o que levou o exército a intervir para impor a ordem”, escreveu o Al Watan.

O jornal oficial Techrine, por sua vez, relatou 150 feridos entre sexta-feira e sábado, sem distinguir entre civis e militares.

O Al Watan afirmou que “os provocadores não são sírios e sua nacionalidade será revelada em breve”.

No sábado, Busaina Shaaban acusou perante a imprensa “alguns refugiados palestinos do campo de Ramel, perto de Latakia, que querem criar a fitna (discórdia religiosa) ao disparar contra as forças de segurança e os manifestantes”, para aumentar a tensão entre eles.

O secretário-geral da Frente Popular para a Libertação da Palestina-Comando Geral (FLP-CG) desmentiu “qualquer envolvimento de palestinos do campo de Ramel nos acontecimentos do sábado”.

Fonte: UOL

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Conflitos Fotos do Dia História

Os ventos da mudança

Immanuel Maurice Wallerstein

Há 51 anos, a 3 de Fevereiro de 1960, o então primeiro-ministro conservador da Grã-Bretanha, Harold Macmillan, dirigiu-se ao parlamento da África do Sul, cuja maioria era do partido que erigira o apartheid como base do seu governo. A sua intervenção ficaria conhecida como o discurso dos “ventos de mudança”. Vale a pena recordar as suas palavras:

“Os ventos da mudança estão a soprar neste continente, e o crescimento da consciência nacional é um fato político, queiramos ou não. Precisamos aceitá-lo como fato político, e as nossas políticas nacionais têm de levá-lo em conta”.

O primeiro-ministro da África do Sul, Hendrik Verwoerd, não gostou do discurso e rejeitou as suas premissas e o seu conselho. 1960 passou a ser conhecido como “O ano da África”, porque 16 colônias tornaram-se estados independentes. O discurso de Macmillan tinha como alvo, na verdade, os Estados do Sul da África que tinham grupos expressivos de colonizadores brancos (e, quase sempre, enormes riquezas minerais) e resistiam à simples ideia do sufrágio universal, na qual os negros constituiriam a esmagadora maioria dos eleitores.

Dificilmente Macmillan poderia ser considerado radical. Explicava o seu raciocínio em termos de conquistar as populações asiáticas e africanas para o lado do Ocidente, na Guerra Fria. O seu discurso foi significativo por ser um sinal de que os líderes da Grã-Bretanha (e, consequentemente, os dos Estados Unidos) viam como causa perdida o domínio eleitoral branco no Sul da África, que poderia arrastar o Ocidente para o abismo. O vento continuou a soprar, e num país após o outro as maiorias negras impuseram-se, até que, em 1994, a própria África do Sul sucumbiu ao voto universal e elegeu Nelson Mandela presidente. Neste processo, porém, os interesses econômicos da Grã-Bretanha e dos Estados Unidos foram de alguma forma preservados.

Há duas lições que podemos aprender deste episódio. A primeira é que os ventos da mudança são muito fortes e provavelmente irresistíveis. A segunda é que quando os ventos varrem os símbolos da tirania, não é certo o que virá a seguir. Quando os símbolos caem, todos, retrospectivamente, os denunciam. Mas todos querem também preservar os seus próprios interesses nas novas estruturas que emergem.

A segunda revolta árabe, que começou na Tunísia e no Egipto, está agora envolvendo mais e mais países. Não há dúvida de que outros símbolos da tirania vão cair, ou vão fazer grandes concessões e promover amplas mudanças nas suas estruturas estatais. Mas quem vai, então, deter o poder? Na Tunísia e no Egipto, os novos primeiros-ministros foram figuras-chave dos anteriores regimes. E o exército, em ambos países, parece estar dizendo às multidões para porem fim aos protestos. Nos dois países, há exilados que regressam, assumem cargos e procuram prosseguir, ou mesmo expandir, os laços com os mesmos países da Europa e da América do Norte que sustentavam os anteriores regimes. É claro que as forças populares estão reagindo e acabam de forçar a renúncia do primeiro-ministro tunisiano.

No meio da Revolução Francesa, Danton aconselhou “de l’audace, encore de l’audace, toujours de l’audace” (“audácia, mais audácia, sempre a audácia”). Ótimo conselho talvez, mas Danton foi guilhotinado não muito tempo depois. E os que o executaram foram guilhotinados em seguida. Depois, vieram Napoleão, a Restauração, 1848, a Comuna de Paris. Em 1989, no bicentenário, quase toda a gente era retrospectivamente a favor da Revolução Francesa, mas é razoável perguntar se a trindade da Revolução Francesa – liberdade, igualdade e fraternidade – foi realmente realizada.

Algumas coisas são diferentes, hoje. Os ventos da mudança são hoje verdadeiramente mundiais. Por enquanto, o epicentro é o mundo árabe, e os ventos ainda sopram ferozes por lá. A geopolítica desta região nunca mais será a mesma. Os pontos-chave a observar são a Arábia Saudita e a Palestina. Se a monarquia saudita for seriamente desafiada – e parece possível que isso aconteça – nenhum regime do mundo árabe vai se sentir seguro. E se os ventos da mudança levarem as duas maiores forças políticas da Palestina a dar-se as mãos, até mesmo Israel pode sentir que é preciso adaptar-se às novas realidades e levar em conta a consciência nacional palestiniana, queira ou não queira, para parafrasear Harold Macmillan.

Desnecessário dizer que os Estados Unidos e a Europa Ocidental estão fazendo tudo o que está ao seu alcance para canalizar, limitar e redirecionar os ventos da mudança. Mas o seu poder já não é o que costumava ser. E os ventos da mudança estão soprando no seu próprio terreno. É a maneira de ser dos ventos. A sua direção e impulso não são constantes nem, portanto, previsíveis. Desta vez são muito fortes. Já não será fácil canalizá-los, limitá-los ou redirecioná-los.

(*) Tradução, revista pelo autor, de Luis Leiria para o Esquerda.net

Fonte: Carta Maior

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Conflitos Defesa Fotos do Dia

Caças franceses derrubam cinco aviões e dois helicópteros de Gaddafi; rebeldes tomam cidades estratégicas


“As forças de Gaddafi estão atacando Misrata a partir do oeste e leste. (Há) bombardeio pesado”, afirmou um rebelde, chamado Saadoun, por telefone à Reuters.

Do oeste, segundo ele, tanques estavam avançando em direção à cidade. “Eles também estão tentando trazer soldados”, disse.

“Do leste, eles estão bombardeando com morteiros e artilharia o porto e áreas próximas. Há no porto o principal tanque de combustível que alimenta a parte central da cidade e (há) também milhares de trabalhadores, em sua maioria egípcios, que fugiram e permaneceram no porto aguardando resgate”, disse.

Caças franceses destruíram neste sábado, em Misrata cinco aviões de combate Galeb e dois helicópteros de ataque Mi-35 das forças de Muamar Kadhafi, anunciou em Paris o Estado-Maior das Forças Armadas.

Nas últimas 24 horas, indicou o Estado-Maior em seu site, os aviões frances realizaram várias incursões nas regiões de Zintan e Misrata.

Rebeldes tomam Ajdabiyah

Rebeldes líbios, apoiados por ataques aéreos das forças aliadas, retomaram neste sábado a estratégica cidade de Ajdabiyah, depois de uma batalha que durou toda a madrugada e que sugere que a maré está mudando contra as forças do líder Muammar Gaddafi no leste do país.

Combatentes dos grupos rebeldes dançaram sobre os tanques, balançaram bandeiras e dispararam para o alto perto de edifícios crivados por balas. Seis tanques danificados ficaram estacionados perto da entrada leste da cidade, e o solo estava cheio de cartuchos de bala vazios.

Havia sinais de intensos confrontos no portão oeste de Ajdabiyah. Corpos de mais de uma dezena de soldados de Gaddafi ficaram espalhados pelo chão. Uma carga de munição abandonada sugeria que as forças do líder líbio tiveram de fazer um rápido recuo.

“Toda Ajdabiyah está livre e todo o caminho até Brega está livre”, afirmou Faraj Joeli, um estudante de ciências da computação de 20 anos que se tornou combatente rebelde.

Havia escassos sinais de destruição no centro da cidade, e os poucos moradores que ainda permaneciam lá começaram a sair de suas casas. Rebeldes dirigiram seus carros disparando para o alto ou distribuíam pão, farinha e água aos habitantes.

Conquistar Ajdabiyah, passagem da líbia ocidental para o reduto rebelde de Benghazi e à cidade petrolífera de Tobruk, é um grande incentivo para os rebeldes após duas semanas na defensiva.

Governos ocidentais esperam que os ataques aéreos, lançados há uma semana com o objetivo de proteger civis, mudarão a balança do poder a favor da revolta popular que resultou em incidentes mais violentos do mundo árabe.

Brega

Os rebeldes líbios também anunciaram a reconquista da cidade de Brega. Abdelsalam al Maadani, que combate com os insurgentes, disse por telefone à AFP que a cidade havia sido retomada. “Estamos no centro de Brega”, afirmou.
“As forças de Gaddafi bateram em retirada, devem estar agora em Al Bisher (a 30 km de Brega), e os rebeldes também estão avançando para esta região”, explicou.
Os Estados Unidos, por sua vez, anunciaram ter lançado 16 mísseis Tomahawk contra alvos líbios nas últimas 24 horas.
Os aviões da coalizão internacional já contam 153 incursões pelos céus da Líbia: 67 com caças americanos e 86 com caças dos outros países participantes, como França, Reino Unido, Itália, Canadá, Espanha, Bélgica, Dinamarca e Qatar.
Segundo o vice-almirante americano Bill Gortney, “Gaddafi já quase não tem mais dispositivos antiaéreos”.
“Sua aviação não pode voar, seus navios estão no porto, seus depósitos de munição continuam sendo destruídos, as torres de comunicação caíram e seus bunkers de comando estão inutilizáveis”, acrescentou.
O regime líbio declarou na sexta-feira que está disposto a aceitar um plano de negociações, estimulado pela União Africana (UA), que propõe um cessar-fogo e o início do diálogo entre os líbios para alcançar uma transição democrática.

*Com informações das agências internacionais

Fonte: UOL