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Geopolítica

A Proveitosa Cooperação Espacial Brasil-Alemanha

Desde 19 novembro de 1971 quando assinaram o “Convênio Especial Entre o Centro Técnico Aeroespacial (CTA) e o Instituto Alemão de Pesquisa e Ensaio de Navegação Aérea e Espacial (DFVLR)” o Brasil e a Alemanha vêm colaborando na área de desenvolvimento tecnológico espacial.

Após quatro décadas de bom e frutífero relacionamento entre os dois países, oDLR – Centro Aeroespacial Alemão (instituição que substituiu o DFVLR) desenvolve atualmente conjuntamente com o Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE) do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA) e com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), mais de uma dezena de projetos científicos.

Dentre esses projetos os mais significativos são:

Foguete VS-30/Orion: Foguete composto em seu primeiro estágio pelo motor-foguete sólido brasileiro S-30 e pelo motor-foguete sólido Improved Orion de origem norte-americana em seu segundo estágio. O VS-30/Orion já é uma realidade e está sendo anualmente utilizado pelo DLR para lançamentos doCentro Espacial de Andoya (Noruega), e pela primeira vez deverá ser lançado (outubro de 2011) da Base de Woomera (sul da Austrália) com o experimento hipersônico australiano/americano HiFIRE -5 abordo.

Foguete VSB-30: Foguete composto em seu primeiro estágio pelo motor-foguete sólido brasileiro S31 (booster) e pelo motor-foguete sólido S30 em seu segundo estágio. Esse foguete é um grande sucesso e atualmente é largamente utilizado pelo DLR para lançamentos do “Programa Europeu de Microgravidade” do Centro de Lançamento de Esrange, na Suécia. Existem informações de que dois foguetes VSB-30 deverão também serem usados brevemente por algum dos projetos hipersônicos em curso na Austrália.

Reentrada atmosférica: Consiste numa parceria onde o DLR tem apoiado oBrasil a desenvolver sua tecnologia de reentrada atmosférica para utilizar nos projetos da SARA Suborbital e Orbital.

Foguete VLM-1: Esse é o mais novo projeto em desenvolvimento que se sabe que conta com a participação do DLR alemão. Trata-se do desenvolvimento doVeículo Lançador de Microsatélites (VLM-1) que inicialmente será utilizado para lançar em 2015 o experimento alemão “SHEFEX III” em um vôo suborbital.

Além desses o DLR tem se utilizado de foguetes brasileiros (VS-30) em diversas missões conjuntas lançadas do Brasil e no segundo semestre desse ano utilizará o foguete brasileiro VS-40 para lançar de Woomera o experimento alemãoSHEFEX II.

Como o leitor pode notar a cooperação espacial com a Alemanha tem sido muito boa nos últimos 40 anos e tende a aumentar muito nos próximos anos, principalmente com o projeto do VLM-1.

Vale lembrar que o órgão do DLR que apóia os órgãos locais na operacionalização dos lançamentos de foguetes seja no Brasil, naSuécia, Noruega ou na Austrália, é o Mobile Rocket Base – DLR MORABA, uma espécie de departamento móvel do Centro Aeroespacial Alemão (DLR).

Fonte: Brazilian Space

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Defesa

Marinha do Paraguai e PF trocam tiros

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Guaíra – Uma reportagem publicada na edição da Revista Veja desta semana revela um sério problema diplomático na fronteira entre o Brasil e Paraguai, em Guaíra. Segundo denúncias feitas por policiais à Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef), em Brasília, oficiais da Marinha paraguaia estariam trocando tiros com a Polícia Federal brasileira para acobertar traficantes e contrabandistas no Rio Paraná.
A polêmica teve início em 18 de março quando um agente da PF que atua em Guaíra, enviou um e-mail pedindo socorro à Fenapef. Ele informou que, em pelo menos três ocasiões recentes, oficiais da Marinha paraguaia trocaram tiros com policiais brasileiros para acobertar traficantes e contrabandistas com armas pesadas. Em outro email, enviado no último dia 21, um dos agentes informou que nos últimos dois anos houve no mínimo cinco confrontos entre a Marinha Paraguaia. O policial ainda reclamou das condições precárias das embarcações brasileiras e revelou que integrantes da PF recomendaram o abafamento da ocorrência do tiroteio no Rio Paraná.
O assessor de imprensa da Fenape, César Luis concedeu uma entrevista a reportagem do Jornal O Presente neste final de semana. De acordo com ele ainda não houve uma resposta da União depois da publicação da carência estrutural em Guaíra para encarar os problemas no Lago. “Imagino que na próxima semana tenhamos algum retorno”, estima o jornalista. O problema estrutural na Delegacia de Guaíra não é isolado na PF, lamenta o assessor. “Nos últimos três meses dois policiais federais foram mortos no Amazonas, também por essa questão. Eles estavam abordo de lanchas inadequadas, foram atacados por traficantes e morreram”, cita.
Apreensões
A Marinha paraguaia passou a vigiar a fronteira com o Brasil em março de 2005, depois que um advogado avisou o Ministério Público do Paraguai que a ‘policia’ facilitava o contrabando feito por embarcações na região. A Fenapef informou que os tiroteios estão cada vez mais frequentes porque os policiais brasileiros estão frustrando muitas travessias de barcos criminosos pelo Rio Paraná. De 2007 a 2011, 163 embarcações foram apreendidas pela Polícia Federal na fronteira paranaense.

Delegado da PF se reúne com Marinha Paraguaia

O delegado chefe da Polícia Federal em Guaíra, Ricardo Cubas César, na função desde outubro passado, falou sobre o caso. De acordo com ele, o Paraguai ainda não se manifestou sobre o problema. “Na semana que vem [esta semana] vou para Foz do Iguaçu para ter uma reunião com o comando da Marinha do Paraguai, em Foz, que é responsável pela Marinha em Salto Del Guairá”, informou. O problema com o Paraguai se concentra com o órgão da Marinha, informou o delegado, afirmando que a PF tem boa parceria com a Secretaria Nacional AntiDrogas (Senad). Cubas disse que a situação estrutural da Delegacia de Guaíra foi oficializada à Superintendência do órgão, em Curitiba, que repassou as informações a Direção Geral, em Brasília.” Agora, esperamos uma resposta”, comenta. “Temos embarcação e armamentos, mas não para fazer frente a armamento de guerra. Num confronto com uma Marinha que está usando barco de ferro, blindado, metralhadora, arma de grosso calibre, nosso armamento, que é para outro tipo de trabalho, não é compatível”, finalizou o delegado.

Marinha Paraguaia se defende

De acordo com um comunicado feito pelo comandante da Marinha paraguaia instalada em Salto Del Guairá, Edgar Cantero Quintana, a denúncia sobre o confronto no último dia 18 ‘carece de veracidade’. Segundo Quintana, “não há relatos de confrontos e tiroteios na sua área de responsabilidade”, diz o capitão. Segundo ele, no referido dia foi avistado um barco blindado, presumivelmente da PF, com dois tripulantes. O barco, diz o capitão, foi para as águas brasileiras sem problemas. Ele informou que a Marinha não tem barco com as características citadas na denúncia dos policiais brasileiros.


Fonte: Umuarama Ilustrado

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Defesa Sistemas de Armas

Novos designadores laser para o USMC

A Elbit Systems of America, subsidiária da empresa israelense Elbit Systems, recebeu um contrato de US$9,6 milhões para o fornecimento de JTAC LTD (Joint Terminal Attack Controller Laser Target Designator). Se exercidas as opções de suporte logístico, o valor do contrato pode subir para US$10,8 milhões. O JTAC (foto: Elbit Systems) é um designador e marcador laser leve, alimentado por baterias, que possibilita designar alvos para munições guiadas a laser.

Fonte: Segurança&Defesa

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Fotos do Dia Geopolítica

O Japão vai contar conosco ou com a China?

O Brasil quer conhecimento e capital. Eles precisam de uma fonte segura de alimentos e minério

PAULO RABELLO DE CASTRO
Por outro lado, há recursos de conhecimento e capitais ociosos do lado de lá, que aqui são mais escassos e podem ser mobilizados em nossa direção. Eles funcionariam como moeda de troca pelo acesso as nossas riquezas que, na metáfora abusada de Raul Seixas, seria o “mingau” pelo aluguel do nosso “quintal”.
Será que temos uma noção clara e um planejamento bem delineado da exploração inteligente e sustentável dos parques agropecuário e mineral brasileiros? Apesar de todos os esforços recentes de delimitação do campo de jogo, temo que ainda não. Passados cerca de 30 anos de avanço extraordinário da produção agrícola e pecuária desde 1980 (ano de crise de petróleo), o Brasil ainda largamente desconhece o que fez o agronegócio para salvar a economia brasileira do buraco, e o que ele ainda fará por nós no futuro.
Desde a grande crise da economia mundial anterior à atual, nos anos 80, é a agricultura que paga o cartão de crédito brasileiro no exterior. Desta vez, na era Lula, foi de novo o saldo comercial primário que propiciou a magnífica acumulação de reservas em moeda estrangeira, da ordem de US$ 300 bilhões.
E que têm a ver com essa história o terremoto e o tsunami no Japão? É que o risco de contaminação radioativa na tragédia atual e de repetição de novas catástrofes desse tipo, lá e em outros países, ressaltam a situação privilegiada do Brasil e da América do Sul como região estável, segura e capaz de fornecer alimentos e minerais em escala planetária. Com a demanda global crescente por essas mercadorias, o valor do aluguel só tende a aumentar…
Mas o mingau ainda está longe da nossa boquinha. Temos de elaborar melhor uma estratégia de longo prazo – que, para ser honestos, não temos –, de nos aproximar dessa demanda futura por suprimentos agindo como quem entende o jogo de interesses das nações até 2050.
Casar interesses é tarefa delicada e complexa. O Japão, país competentíssimo na inovação e na indústria, vai se reerguer. Será que contará com o Brasil nesse processo? Também por razões que remontam à nossa interessante história de absorção migratória, os países poderiam ser parceiros estratégicos ao trabalhar para garantir sua viabilidade futura. Em 2050 (raramente se ouve aqui alguém mencionar planejamento com horizonte tão longo), o Brasil poderá emergir com um tamanho até duas vezes maior, em termos de renda anual, que o Japão de hoje. Foram projeções que apresentei a um grupo de parlamentares japoneses em Tóquio em 2008, ao ressaltar a proximidade dos interesses de longo prazo dos dois países, apesar da grande distância física entre ambos.
O que ocorre hoje, no entanto, é que os olhos do Japão estão mais na China que no Brasil. Com isso, vejo uma crescente vulnerabilidade japonesa e uma tremenda perda de oportunidade de casamento para o Brasil. O episódio de Fukushima acabou de comprovar isso. Fora a cobertura da TV Globo, não se viu nada de mais inteligente ou denso sendo dito ou feito na direção de nos aproximarmos das angústias do Japão de hoje.
O Brasil quer conhecimento e capital. Eles precisam de uma fonte segura de alimentos e minério
É uma pena, pois o valor das matérias-primas brasileiras não está apenas em poder produzi-las em seguidas safras recorde, mas na capacidade de o país garantir aos parceiros o abastecimento futuro. Os maiores desafios não estão no volume colhido, e sim na logística, nos financiamentos e nas tecnologias adequadas para a sustentação da produção por muitas décadas. Esse é o prazo do aluguel do Brasil a que se referia o sonhador Raul Seixas. Mas sua visão de futuro ainda é uma mera balada.

Impossível não recordar trechos da letra do impagável Raul Seixas após o acidente de Fukushima no Japão. Na primeira estrofe da música, Raul diz: A solução pro nosso povo eu vou dar/Negócio bom assim ninguém nunca viu/Tá tudo pronto aqui/É só vir pegar/A solução é alugar o Brasil. Passou algum tempo até o prognóstico do compositor se materializar. Mas hoje é evidente o enorme potencial de trocas entre o Brasil e os outros países, entre as necessidades deles e os nossos vastos recursos.

Fonte: Resenha CCOMSEX

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Geopolítica Obama no Brasil

Resultados da visita de Obama

Pelas perspectivas que promete abrir no médio e no longo prazos, a recente visita do presidente Barack Obama ao Brasil, embora no contexto das incertezas e instabilidades globais, poderá ser um marco no relacionamento Brasil-EUA.

Essas relações apresentam três desafios a serem enfrentados e superados para que os entendimentos se possam desenvolver de maneira pragmática e positiva: de que forma conectar interesses comuns, como modificar as percepções de Washington em relação ao Brasil e como definir o que o nosso país quer da relação com os EUA.

Os governos de Brasília e Washington, depois de um período de tensão que durou a maior parte do governo Lula, gerada por motivações ideológicas antiamericanas e por desencontros na política externa e comercial, decidiram inaugurar uma nova etapa nas parcerias bilaterais, deixando para trás as dificuldades dos últimos anos.

A visita de Obama, centrada em temas econômicos e comerciais, ressaltou o reconhecimento, pelos EUA, da nova importância global do Brasil nas áreas de meio ambiente, comércio e energia, com o estabelecimento de parcerias globais e acordos significativos. A graduação do Brasil na área política ainda não ocorreu, como evidenciado pela manifestação de apreço, mas não de apoio à pretensão brasileira de se tornar membro permanente do Conselho de Segurança da ONU, pela percepção de que o País é ainda um parceiro relutante.

O comunicado conjunto, firmado pelos dois mandatários e divulgado ao final da visita, apresenta um roteiro para uma nova parceria global e bilateral, e não uma aliança estratégica, que pressupõe uma lenta construção entre iguais.

A presidente Dilma Rousseff observou que, no passado, o relacionamento esteve muitas vezes encoberto por uma retórica vazia que fugia do que estava realmente em jogo. Nesse sentido, a viagem foi marcada por uma visão pragmática, e não ideológica, propiciando resultados, embora ainda no campo das intenções.

Cabe ressaltar que os presidentes tomaram a decisão de elevar ao nível presidencial o diálogo em algumas áreas prioritárias, como parceria global, econômica, financeira e energética. Dez acordos foram assinados com vista a explorar novas possibilidades de cooperação nas áreas de comércio, educação, inovação, infraestrutura, transporte aéreo, espacial, grandes eventos esportivos, biocombustível para aviação.

Desses documentos, quatro merecem ser ressaltados:

O Acordo-Quadro Bilateral para a Cooperação sobre os Usos Pacíficos do Espaço Exterior e o anúncio do início de negociações de acordo para proteger tecnologia de operação de lançamento;

o Acordo de Comércio e Cooperação Econômica (Teca), cujo objetivo principal é facilitar o acesso de produtos dos EUA e do Brasil aos mercados dos dois países, além de criar mecanismos para examinar dificuldades nas questões comerciais e de investimento, avaliar barreiras fitossanitárias, simplificar processos alfandegários e harmonizar normas técnicas;

o acordo de cooperação em terceiros países, sobretudo africanos, nas áreas de educação, segurança alimentar, agricultura, nutrição, saúde e fortalecimento institucional; e o acordo de biocombustível para a aviação.

Nos encontros Dilma-Obama foram lançadas as bases em que as relações deverão evoluir nos próximos anos, e que poderão beneficiar os governos e o setor privado. O mundo não cessa de mudar e, no melhor interesse dos dois países, foram mencionadas parcerias em áreas que, se de fato vierem a ocorrer, propiciarão uma mudança na qualidade do relacionamento bilateral, com ganhos concretos para ambos os lados.

O desafio de conectar os interesses dos dois países, aludido anteriormente, começou a ser respondido. Alguns exemplos podem ser mencionados. O governo norte-americano está interessado em se tornar um cliente importante do petróleo produzido no pré-sal e o governo brasileiro poderá levar adiante o programa espacial, reconstruindo a Base de Alcântara, com a colaboração de empresas dos EUA. Grandes projetos de infraestrutura, atraindo investimentos de empresas norte-americanas, poderão ajudar o Brasil a cumprir os prazos para as obras da Copa do Mundo e dos Jogos Olímpicos. O Pentágono, o maior comprador de querosene de aviação do mundo, busca segurança energética com a produção de biocombustível para a aviação, o que abrirá grandes oportunidades para o setor privado brasileiro.

Do ponto de vista da política externa brasileira, a visita marcou diferenças em relação à atitude do governo anterior, segundo se depreende dos discursos e do comunicado conjunto emitido ao final da visita. Desapareceram as restrições ideológicas e foram ressaltadas as oportunidades das parcerias com os EUA, inclusive na área espacial, com salvaguardas tecnológicas. A contribuição do Brasil para a paz no Oriente Médio e outras regiões será dada sem voluntarismos. O Irã tem de demonstrar a natureza exclusivamente pacífica de seus programas nucleares. O respeito aos direitos humanos e à democracia deve ser mantido até mesmo no contexto de movimentos e transições democráticos, referência indireta à Líbia. Foram ressaltado o compromisso com a Organização dos Estados Americanos (OEA) e saudados os esforços empreendidos para torná-la mais transparente e eficiente. A Unasul e o Mercosul foram tratados no último capítulo do comunicado. Dificilmente referências dessa natureza poderiam ser encontradas em comunicados conjuntos com os EUA nos últimos cinco ou seis anos.

De certa maneira, as decisões tomadas durante a visita de Obama retomam o tom e o espírito dos entendimentos mantidos em junho de 2003, quando da primeira visita do presidente Lula a Washington, ao buscar projetos de interesse comum e avançar na mudança da percepção em relação ao Brasil, diferenciando-o no contexto latino-americano.

Fonte: O Estado de São Paulo via NOTIMP

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Conflitos Fotos do Dia Geopolítica Opinião

Ocidente rasga resolução do Conselho de Segurança ao apoiar os rebeldes

Independentemente do seu desfecho, a campanha liderada pelo Ocidente na Líbia já entra para a história como mais um capítulo de inobservância das leis internacionais.

Se por um lado fica evidente que os EUA sob o presidente Barack Obama tentaram dar um verniz legal à ação advogada por seus colegas europeus, ao insistir por uma resolução no Conselho de Segurança da ONU sobre o tema, também é claro que esta acabou sendo desrespeitada integralmente.

Desde o começo, foi alvejada não só a infraestrutura de defesa antiaérea de Muammar Gaddafi.

Foram bombardeadas também posições de forças terrestres. Ainda seria possível argumentar que isso faria parte do compromisso central da resolução: proteger civis “por todos os meios necessários”.

Ao fim da semana passada, a ofensiva mudou de natureza. Além da zona de exclusão aérea, o que o Ocidente passou a fazer foi dar apoio às tropas rebeldes.

Até o começo dos ataques, as forças de Gaddafi tinham retomado o controle de cidades importantes como Ras Lanuf, e batido às portas do principal bastião rebelde, Benghazi.

Agora, o movimento contrário ocorre, com as bombas ocidentais abrindo caminho para o avanço das picapes rebeldes.

Isso implica tomar lado pela deposição de Gaddafi, o que não está previsto na resolução da ONU.

Não que Nicolas Sarkozy, em busca de reeleição, e David Cameron, atrás de alguma agenda positiva em meio a seus cortes orçamentários, estejam preocupados. Mas há outros problemas.

Sem o apoio da Otan, é previsível que os rebeldes não tenham como tomar o poder em Trípoli.

Mesmo um cessar-fogo agora deixaria Gaddafi em posição de força contra eles, e nada indica até aqui que ele pretenda entregar facilmente o jogo.

Resta matá-lo em um bombardeio “impreciso” -aspas propositais. Mesmo se isso acontecer, os rebeldes parecem demasiadamente descentralizados para a negociação política com o que tenha sobrado do Estado líbio.

Especula-se então o papel de forças mediadoras africanas ou árabes/islâmicas, já que o Ocidente não quer se meter em mais um atoleiro. O cenário sugere guerra civil, e aí teremos de ver quais civis serão protegidos e como.

Fonte: Folha de SãoPaulo Via Notimp

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Conflitos Geopolítica Opinião

Mas será o Benedito????? Brasil está certo em apoiar investigação no Irã, diz Lula

Jair Rattner

De Lisboa para a BBC Brasil

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou em Lisboa que é favorável ao envio de um relator da ONU para investigar a condição dos direitos humanos no Irã.

“Eu sou favorável a que tenha um relator. Acho que foi correto o voto do Brasil. Tem que ter um relator que vá ao Irã investigar. O relator não é obrigado a concordar com as acusações feitas por outros países, mas você não pode impedir que vá alguém investigar se há ou não atrocidades contra os direitos humanos”, disse o ex-presidente em entrevista à BBC Brasil e ao jornal Valor Econômico, em Portugal.

Na última quinta-feira, o Brasil votou no Conselho de Direitos Humanos da ONU a favor da nomeação de um relator para investigar a situação dos direitos humanos no Irã. O gesto foi considerado uma mudança na postura do Brasil em relação às frequentes abstenções no governo Lula.

Prêmios

Em Lisboa, Lula vai receber o Prêmio Norte-Sul, do Conselho da Europa, e na quarta-feira se tornará doutor honoris causa pela Universidade de Coimbra.

Questionado sobre o que o Brasil pode fazer para ajudar Portugal, que tem sofrido instabilidades políticas e econômicas, Lula afirmou:

“Isso é uma coisa que a presidenta Dilma vai discutir com o presidente Cavaco Silva e com o primeiro-ministro (José) Sócrates. Eu, particularmente, acho que a retomada das relações entre Brasil e Portugal, o trabalho conjunto que nós possamos fazer com os países africanos, os investimentos das empresas brasileiras em Portugal, até para que a gente possa entrar nos mercados europeus, é muito importante. Acho que este é um momento muito importante para fortalecer as relações entre Brasil e Portugal”.

Lula atribuiu a crise econômica na Europa à crença de que o “mercado poderia resolver todos os problemas”. “É preciso rever o desenvolvimento da Europa, sem que as pessoas abram mão das conquistas sociais que adquiriram nos últimos 40 anos”, afirmou.

Sobre as revoltas no Oriente Médio e no norte da África, disse que as transformações vêm sendo provocadas pela juventude: “É uma sede de democracia que bateu na juventude. O que aconteceu com a juventude é que eles queriam dignidade, queriam ter esperança outra vez. Eu acho que a democracia é isto, você permitir que as pessoas participem das decisões, que as pessoas tenham alternância de poder. Isto resulta num benefício importante para o mundo e para o Oriente Médio”.

Brasil

A respeito da ameaça de volta da inflação no Brasil, o ex-presidente afirmou que o país vive uma situação melhor do que os outros países.

“Acho que se tem um país que não tem problemas é o Brasil. O Brasil continua crescendo, a inflação está controlada e vai ser controlada, não há nenhuma perspectiva de a inflação voltar. Eu tenho lido e ouvido pronunciamentos da presidenta Dilma de que ela fará todo o esforço possível para não permitir a volta da inflação, porque ela sabe que a volta da inflação significa prejuízo aos trabalhadores que vivem de salário”.

Lula explicou por que não foi ao jantar com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, em que estiveram os outros ex-presidentes, durante a visita do americano ao Brasil.

“Foi por uma razão muito simples. Fazia apenas dois meses e meio que eu tinha deixado a Presidência. Eu acho importante que o Fernando Henrique Cardoso tenha ido, que o Collor tenha ido, que o Itamar tenha ido, que tenha ido o Sarney como presidente do Senado. Agora eu, fazia apenas dois meses e meio que tinha saído da Presidência da República. Eu não poderia voltar ao Itamaraty, tinha que deixar passar um tempo. Senão seria eu competindo com a nossa presidenta”.

Lula negou que tenha divergências com a presidente Dilma. “Não há hipótese de haver divergência. Porque quando houver divergência, ela está certa”.

Para o ex-presidente, a visita de Obama ficou abaixo das expectativas.

“Eu esperava que ele anunciasse algumas coisas mais importantes, por exemplo que o Brasil deveria entrar no Conselho de Segurança da ONU, que ele reconhecesse e cumprisse a decisão da OMC (Organização Mundial do Comércio) em relação à questão do algodão, que ele diminuísse a taxação do etanol e mais ainda que ele retomasse as negociações da rodada de Doha, porque a rodada de Doha parou por causa das eleições nos Estados Unidos e na eleição da Índia. Porque somente o comércio é que vai criar condições para a melhoria da vida dos países mais pobres”.

Sobre seus planos para o futuro, ele disse que nas próximas semanas vai fazer conferências em vários países e, depois, retomará a militância no Brasil.

“A partir da segunda quinzena de abril eu vou fazer uma agenda mais forte dentro do Brasil. Quero ajudar a fortalecer o PT, quero ajudar a fortalecer o movimento social, quero manter contato com o movimento sindical. Vou voltar à porta de fábrica em São Bernardo do Campo, porque eu apenas deixei de ser presidente da República, mas eu jamais serei um ex-militante político, um ex-militante sindical, um ex-militante social. Está na minha vida fazer isso e eu vou continuar fazendo porque é uma coisa que eu gosto e que eu preciso”.

Fonte: BBC Brasil

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Geopolítica

Portugal recebe Dilma em momento de crise e expectativas, dizem analistas

Jair Rattner

De Lisboa para a BBC Brasil

Ao desembarcar em Portugal nesta terça-feira, a presidente Dilma Rousseff vai encontrar um país mergulhado em uma crise política e econômica, com um governo demissionário apenas 18 meses após ser eleito.

A presidente vai se deparar também com a grande discussão: se Portugal vai ou não ter de recorrer a um programa de ajuda do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Para a socialista Ana Gomes, membro do partido governista e deputada do Parlamento Europeu, o país vive um momento “esquizofrênico”.

“Por um lado, uma grande normalidade, de um país aparentemente europeu, onde tudo funciona normalmente. E por outro, uma crescente pobreza e dificuldades da classe média, devido à crise e aos sacrifícios que a situação impõe”, diz Gomes.

Já para o analista político Carlos Magno, a visita de Dilma ocorre justamente em um momento em que o governo português deve tomar decisões, na expectativa de eleições que devem ocorrer no final de maio ou na primeira semana de junho.

“Dilma vai encontrar um país em grande mudança. Ela vai encontrar em Portugal um país que parece um desenho desanimado. Portugal é uma Europa em miniatura, com a agravante de que se encontra numa guerra civil verbal”, diz Magno.

Descrença

Para o economista João Cantiga Esteves, o problema é que os portugueses deixaram de acreditar no governo. “A crise política está relacionada claramente com a questão da credibilidade”, afirma.

“A situação é muito crítica e a base disso é a situação das finanças públicas, com a dívida pública e a dívida externa, que criam uma situação de constrangimento para o país. Estamos pior do que no ano passado, 2010 foi um ano perdido.”

Magno acredita que o problema principal é político. “A crise econômica só se resolve quando houver um projeto mobilizador para a sociedade. Em Portugal, a crise não é econômica, é política. Acredito que vamos ter um entendimento no centro do espectro político.”

As eleições, na opinião de Esteve, dificilmente vão resolver a crise política e econômica: “Não sou a favor de eleições antecipadas. Vamos ficar três meses até as eleições e depois, se não houver um governo com maioria absoluta, o que vamos fazer? Não vejo um grande enquadramento político para uma saída da crise, que vai ser muito dura”.

Ele acredita que a saída para Portugal seria um governo de salvação nacional, com participação dos principais partidos.

Fonte: BBC Brasil

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Defesa Defesa em Arte Fotos do Dia

PAK FA no Precise 3D modeling

Nota, na minha opinião é a melhor galeria de arte militar em 3D, desta vez o P3D Modeling apresenta-vos o PAK FA.

Em breve novas artes estarão disponíveis.

E.M.Pinto

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Defesa Fotos do Dia Sistemas de Armas

B-1 Lancer

História de uma aeronave – (2)

Origem: EUA Bombardeiro estratégico
Velocidade máxima: Speed 8716 kt / 825 mph / 1327 km/h
Alcance máximo: 12000 km / 7.455 milhas
Envergadura: (C/ asas de geometria variável) comprimeto 41.67 m / l36 ft 8.5 Largura máxima c/ asa fechada 23.84 m / 78 ft 2.5 asas estendidas 44.81 m / 147 ft 0 in
Altura: 10.36 m / 34 ft
Máx. descolagem: 87.090 kg / max 192 mil libras. descolagem 216,364 kg /  477,000 lb
Turbinas: 4x 13,962 kg (30,780 lb) de impulso afterburning General Electric F101-GE-102 turbofans

Armamento: Três baias internas até 34019 kg (75.000 lb) de armas, além de oito estações sob a fuselagem com uma capacidade de 26762 kg (59.000 Ib), as armas podem incluir AGM-69 SRAM, AGM-868 ALCMs, B-28, B-43, B-61 e B-83 bombas nucleares, e Mk 82 ou Mk 84 bombas convencionais

O bombardeiro B-1B

O B-1 evoluiu de uma série de estudos na década de 1960 de um bombardeiro multi-função convencional de longo alcance.
Com a eleição do Presidente Nixon em 1970 o contrato inicial de desenvolvimento foi atribuído a North American Rockwell com o primeiro dos quatro voos do B-1AS em Dezembro de 1974. Os planos iniciais eram para a produção de 240 da aeronaves. Durante os quatro anos a aeronave de testes B-1A voou a baixa altitude  (200 m) até alta velocidade (Mach 2,2) executou lançamento com a arma principal, SRAM nucleare AGM-69A.

Com a eleição do presidente Carter em 1977 o programa B-1A foi encerrado devido aos custos de desenvolvimento e relacionado com vários outros sistemas de mísseis para cumprir a missão nuclear. Entretanto o teste de voo da aeronave B-1A “quatro” continuou na Edwards Air Force Base, Califórnia, validando o radar de abertura sintética e os sistemas ofensivos e defensivos.

Em 02 de outubro de 1981 o Presidente Reagan anunciou que a Força Aérea iria adquirir 100 B-1B como parte de seu programa de modernização estratégico. O contrato de desenvolvimento foi atribuído a Rockwell International em 20 de janeiro de 1982.

Dois dos B-1A foram convertidos para protótipos B-1B e a primeira produção de B-1B voou em 18 outubro de 1984. O custo de aquisição total do B-1B foi fixado em 20,5 mil milhões de dólares para 100 aeronaves, peças e equipamentos de apoio.

O B-1B é diferente do B-1A em vários pontos, houve uma redução de 2,2 Mach para 1,25, simplificando as entradas e a estrutura das asas a nível de carenagem. O peso máximo bruto de descolagem foi aumentado de 395.000 lb para 477.000 lb e a secção transversal do radar foi reduzido de uma ordem de magnitude.

O primeiro B-1B rolou fora da linha de montagem em Palmdale, Califórnia, em 04 de setembro de 1984 e foi entregue ao Comando Aéreo Estratégico em junho de 1985. A produção do B-1B de “ramp up” para quatro aeronaves por mês até o final de 100 e finalizou em 20 de janeiro de 1988 – sobre o orçamento e antes do previsto.

Em 2001 a USAF decidiu aposentar-se alguns dos B-1B e retirar as aeronaves de Mountain Home, Geórgia e de Ar Kansas bases da Guarda Nacional. As restantes 67 aeronaves estão consolidadas e operam a partir de Dyess AFB, TX,e Ellsworth AFB, SD.


Como a Guerra Fria acabou os B-1B´s foram transferidos para fora da sua missão nuclear, o B-1B era o seu último alerta nuclear em 1997. Em junho de 1994 o B-1B começou uma modernização “Operacional Readiness Assessment” que marcou o início do Programa de munições convencionais.
Este programa foi uma abordagem gradual para converter o bombardeiro nuclear para uma plataforma convencional. Foi dividido em quatro blocos distintos, que incluiu modificações de hardware e software para aumentar a capacidade convencional do B-1B Bloco C, foi a primeira modificação. Em 1995 a Boeing completou melhorias de hardware e software para acomodar uma maior plataforma de armas convencionais, tais como unidades de bombas de fragmentação. É certificada o uso em altitude de 84 bombas Mk82.

Mk82

Bloco D incorporou navegação GPS, Joint Direct Attack Munitions, rádios (JDAM) anti-bloqueio ALE-50 e contramedidas; estado operacional em 1999.

Bloco E incorporou computadores para novas missões como também Wind Compensated Munitions Dispensers (WCMD), the Joint Stand-off Weapon (JSOW) e Joint Air to Surface Stand-off Missile (JASSM). Bloco E também dá ao B-1B flexibilidade única para empregar três tipos de armas em simultâneo. Essa capacidade tornou-se operacional em 2005. Bloco F foi agendada para adicionar um novo receptor de alerta radar e contramedidas, sistema electrónico com fibra óptica permitindo decoy para penetrar em ambientes pós-2010.

Por questões de contenção de despesa outras melhorias ficaram para o futuro, recursos futuros incluem a integração dos novos rádios digitais, monitores cockpit de cor, exposição consciência situacional e melhorias de sensor, bem como utilizar o B-1B com capacidade externa. Essas atualizações estão atualmente em desenvolvimento e permitirá que o B-1B ser uma arma letal no campo de batalha. Outras melhorias estão em fase de planeamento e vai manter a relevância de combate do B-1B por várias décadas.

O B-1B foi usado pela primeira vez em combate em dezembro de 1998 na Operação Raposa do Deserto, onde a aeronave penetrou as defesas aéreas iraquianas para destruir o quartel da Guarda Republicana. Em 1999, B-1s

equipado com a modificação Block D apoiaram a Operação Allied Force no Kosovo. Seis aeronaves foram responsáveis ​​por 2% das missões de combate no entanto 20% do peso em bombas foram deles durante o conflito. Na operação “Liberdade Duradoura” o B-1B é responsável por 5% das surtidas de ataque no Afeganistão com 70% das armas de precisão guiadas JDAM. Na Operação Liberdade do Iraque o B-1B demonstrou desempenho similar com 1% das surtidas de combate com 22% de armas guiadas.

Por conseguinte a aeronave estava tantas vezes a ser usada que foi apelidado de Most Valuable Plane “MVP” do conflito

O B-1A recebeu o troféu de prestígio Collier em 1976. O B-1B tem 100 recordes mundiais de carga, velocidade e distância. A associação Nacional de Aeronáutica reconheceu o B-1B para completar um dos 10 voos mais memoráveis ​​de 1994. Estabeleceu 50 novos registros na Base Edwards da Força Aérea Air Show em 2003.

Boeing B-1 Lancer

Fonte: Planeta Militar

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Novo HELLFIRE II (AGM 114R) “Romeo” completa os últimos testes

O Exército dos EUA e a Lockheed Martin concluiriam com sucesso os últimos testes do novo míssil polivalente AGM 114R Hellfire II “Romeo”.
O teste de voo em Eglin Air Force Base, na Flórida, demonstraram que a Hellfire teve um desempenho superior em cenários de operações militares urbanas. O design do novo Romeo com ogiva multiuso permite que o míssil com um designador laser local procure e destrua vários tipos de alvos com grande sucesso. O Hellfire II Romeo está agendada para produção e ser usado no terreno no final de 2012.

Novos recursos de design no Hellfire II Romeo inclui uma unidade de medição inercial de três eixos que permite em várias plataformas de lançamento e defrontar alvos para o lado e para trás sem ter que manobrar por exemplo a aeronave para a posição de tiro. O míssil pode ser lançado a partir de altitudes elevadas ou baixas, devido ao seu sistema de orientação avançado e capacidades de navegação melhorada, otimizando o ângulo do míssil de impacto para uma letalidade maior.

O Hellfire II Romeo integra com todas as plataformas Hellfire II compatível e pode ser lançado de forma autónoma ou com denominação remoto, as plataformas com asas rotativas incluem o Apache, Kiowa Warrior, Cobra e Seahawk, o Tiger Armed Reconnaissance Helicopter da Austrália e Tiger da França. O disparo do Hellfire também é possível com tripés terrestres, veículos terrestres e embarcações.

Fonte: Planeta Militar

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Conflitos Geopolítica

Entre tapas e beijos

Por Walter Maierovitch jurista, professor, foi desembargador no TJ-SP

O filósofo tomás de Aquino escreveu ser legítimo, a qualquer um do povo, cometer um tiranicídio. Matar um tirano no poder seria, à luz da doutrina tomista, como agir sob o manto da legítima defesa social. Sobre isso, os rebeldes líbios avisaram às forças da coalizão da ONU competir apenas a eles a tarefa de matar Muammar Kaddafi.
A propósito, a pena de morte está prevista na legislação da Líbia desde 1969, quando o então capitão Kaddafi promoveu o golpe que derrubou o soberano Idris, responsável pela proclamação da independência em 1951.
O premier britânico, David Cameron, pensa diferente dos rebeldes e deu canhestra interpretação à Resolução 1.973 das Nações Unidas, aquela que autorizou a intervenção humanitária e que contou, no início, com o aval da Liga Árabe, com exceção de dois Estados dela membros, Argélia e Síria. Assim, um ataque britânico destruiu, em Trípoli, toda parte residencial do complexo de Bab el-Aziziya. A meta era, efetivamente, matar Kaddafi. Nos primeiros três dias de intervenção, atuaram três comandos (EUA, França e Reino Unido), cada um a agir por si e a livremente interpretar a resolução das Nações Unidas.
Como sabem todos os grãos de areia do deserto líbio, o conflito a produzir um mar de sangue estava localizado na antiga região da Cirenaica, onde fica Bengazi, o berço da revolta e das reservas de petróleo e gás. Na velha região da Tripolitânia, sob domínio de Kaddafi, não existe conflito. Portanto, o ataque britânico a Bab el-Aziziya nada teve de humanitário. Só que Kaddafi, escaldado, lá não estava.
Em 5 de abril de 1986, um ataque terrorista financiado e ordenado por Kaddafi matou 229 frequentadores da discoteca La Belle, em Berlim Ocidental. Dentre os mortos estavam 50 militares norte-americanos que lá se divertiam. Como represália, o presidente norte-americano Ronald Reagan determinou o bombardeamento da residência de Bab-elAziziya. Avisado pelo ex-premier italiano Bettino Craxi, Kaddafi conseguiu deixar a residência, mas sem tempo de tirar sua filha adotiva de 16 anos. Sem Kaddafi, não haveria garantia de abastecimento de gás e petróleo para a Itália.
A Resolução 1.973 foi concebida num momento em que havia uma guerra civil e as forças militares de Kaddafi, próximas a Bengazi, tinham matado mais de 180 civis num único dia. A resolução “autoriza o emprego de todas as medidas necessárias a proteger as populações civis e as zonas habitadas por civis.”
No campo do direito internacional, pode-se discutir a sua pertinência em face de uma revolta interna, da violação ao princípio do Estado soberano e da autoderminação dos povos. No entanto, o texto da Declaração Universal dos Direitos Humanos permite a intervenção para a defesa da pessoa. Como frisou Massimo D’Alema, ex-premier e ex-ministro de Relações Exteriores da Itália, “a intervenção era justa. Vidas humanas foram poupadas e a ofensiva de Kaddafi levaria a um massacre de civis inocentes”. O problema, ressalta D’Alema, está na falta de definição de objetivos e no protagonismo e precipitação de Sarkozy, que se gaba de ter evitado o massacre em Bengazi.
Nesta quadra, convém registrar que França, Itália e Reino Unido sempre tiveram interesse na região. Em 1911, ela foi tomada pelos italianos do Império Otomano por 30 anos. De 1943 a 1951, ficou sob desfrute de um consórcio formado por França e Inglaterra. Por outro lado, impor uma no-fly zone para cumprir a resolução da ONU não implicava partir de pronto para um bombardeamento, voltado à destruição dos meios e das forças militares de Kaddafi. Medidas de persuasão deveriam anteceder os ataques. Mas nem o controle de fronteira com o Chade, onde são arregimentados os mercenários por Kaddafi, foi realizado. E nem se cogitou em abater apenas os caças que decolavam.
Com o fim da Guerra Fria, Kaddafi mudou de lado. Logrou levantar embargos e despejar pelo planeta dinheiro de cinco fundos soberanos da Líbia. Apenas na Europa, o país mandou investir 340 bilhões de dólares e chegou a evitar a falência da Fiat. Hoje, o Reino Unido é o maior dependente financeiro dos fundos líbios.
Uma pequena amostra dos receptores de dinheiro líbio: nos EUA, Xerox, Pfizer, Halliburton, Mobil e Chevron; na França, Electricité de France (EDF) e Alcatel-Lucent; na Alemanha, Siemens; no Reino Unido, Shell-Royal Dutch, Vodafone, Glaxo SmithKline, Person, Standard Chartered e BP; na Itália, ENI (energia), Unicred (segundo maior banco) e Finmeccanica.
De repente, fala-se em derrubar Kaddafi para implantar democracia e permitir liberdades individuais e públicas. Antes, Kad-dafi era incensado e plantava barracas em Paris e Roma. E o amigo dos ditadores, Sarkozy, agora assume o papel de protagonista de uma farsa para encobrir interesses econômicos e eleitorais. No Bahrein, na Jordânia e na Arábia Saudita, os ditadores convêm e o povo não adianta esperar por uma Resolução 1.973. A secretária Clinton queria o diálogo e não a queda de Mubarak.

Fonte: CartaCapital via MRE