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Porque não estou preocupado com os reatores nucleares japoneses

Sugestão: Itamar Vaz

Porque não estou preocupado com os reatores nucleares japoneses

Muitas pessoas ficaram assustadas com as notícias acerca dos reatores nucleares japoneses. Por esta razão, um blogueiro americano pediu a um professor do MIT que esclarecesse sua família sobre os riscos envolvidos no acidente com os reatores. Apesar de longo, o texto é claro e didático, e por isso traduzo-o livremente para o português, para que mais pessoas leiam e saibam de fato o que está acontecendo, ao invés de ficarem ao gosto do sensacionalismo dos jornais. A versão original (e constantemente atualizada) do artigo está presente aqui. A lista de publicações do autor pode ser vista aqui, caso você tenha interesse.

PORQUE NÃO ESTOU PREOCUPADO COM OS REATORES NUCLEARES JAPONESES
por Josef Oehmen, phD pelo MIT.


Eu estou escrevendo este texto (em doze de março) para dar a você alguma paz de espírito a respeito de alguns acontecimentos no Japão, a saber, a segurança dos reatores nucleares. A situação é séria, mas está sob controle. E este texto é longo! Mas você aprenderá mais sobre usinas nucleares depois de ler do que todos os jornalistas deste planeta juntos.

Aconteceu e NÃO acontecerá nenhuma significante liberação de radiação.

Por “significante” quero dizer um nível de radiação de mais daquilo que você receberia em – digamos – um vôo de longa distância, ou bebendo uma cerveja que vem de certas áreas com altos índices de radiação natural.

Eu tenho lido cada notícia acerca do incidente desde o terremoto. Não houve uma única (!) notícia que era precisa e livre de erros (e parte deste problema é também a fraqueza na comunicação da crise japonesa). Por “não livre de erros” eu não me refiro ao tendencioso jornalismo anti-nuclear – que é bastante normal nestes dias. Por “não livre de erros” eu quero dizer erros gritantes a respeito de física e das leis da natureza, além de grosseiras interpretações de fatos, provindas de uma falta fundamental e básica de compreensão da froma como reatores nucleares são construídos e operados. Eu li uma notícia de três páginas da CNN onde cada parágrafo continha um erro.

Nós teremos que cobrir alguns fundamentos antes de ir ao que está realmente acontecendo.


A construção das usinas nucleares em Fukushima

As usinas em Fukushima são chamadas “Boiling Water Reactors” [nota: reatores de água fervente], ou BWR. Estes são similares a uma panela de pressão. O combustível nuclear aquece água, a água ferve e cria vapor, o vapor então gira turbinas que criam a eletricidade, e o vapor é então resfriado e condensado novamente em água, e a água é enviada novamente para ser aquecida pelo combustível nuclear. A planela de pressão opera em torno de 250 °C.

O combustível nuclear é óxido de urânio. Óxido de urânio é uma cerâmica com um ponto de fusão muito alto de cerca de 3000 °C. O combustível é fabricado em pastilhas (pense em pequenos cilindros do tamanho de peças de Lego). Esses pedaços são então colocados juntos em um tubo longo feito de zircaloy [uma solução sólida de vários metais, entre eles o zircônio], com ponto de fusão de 2200 °C, e então selados. Isto tudo é chamado de ‘bastão de combustível’. Estes bastões são então ajuntados para formar grandes pacotes, e um número desses pacotes são então colocados dentro do reator. Todos esses pacotes juntos são referidos como o “núcleo”.

O tubo de Zircaloy é o primeiro mecanismo de contenção. Ele separa o combustível radioativo do resto do mundo.

O núcleo então é colocado em um “recipiente de pressão”. Quer dizer, na panela de pressão na qual falamos antes. O recipiente de pressão é o segundo mecanismo de contenção. Este é um robusto pedaço de pote, construído para conter com segurança o

núcleo e temperaturas de várias centenas de graus. Isto cobre os cenários onde o resfriamento pode ser restaurado em algum momento.

Todo o ‘esqueleto’ do reator nuclear – o recipiente de pressão e todos os canos, bombas, reservas de refrigerantes (água) – é então trancado no terceiro mecanismo de contenção. Este é uma bolha hermeticamente fechada e muito espessa, feitas do mais forte metal e concreto. O terceiro mecanismo de contenção é idealizado, construído e testado com um simples propósito: Para conter, indefinidamente, um derretimento completo do núcleo. Para esse propósito, um grande e espesso ‘dique’ de concreto é lançado sob o recipiente de pressão (o segundo mecanismo de contenção), tudo dentro do terceiro mecanismo. Este é o tão-chamado “agarrador do núcleo”. Se o núcleo derreter e o recipiente de pressão explodir (e eventualmente derreter), ele irá segurar o combustível derretido e tudo mais. É tipicamente construído de forma que o combustível nuclear irá se espalhar, para que possa se resfriar.

O terceiro mecanismo de contenção é então cercado pela construção do reator. Esta é uma casca externa que mantém as intempérias climáticas de entrarem, mas nada dentro (esta é a parte que foi danificada na explosão, mas mais sobre isso depois)

Fundamentos de reações nucleares

O combustível de urano gera calor através de fissão nuclear. Grandes átomos de urânio são divididos em átomos menores. Isto gera calor e neutrons (uma das partículas que formam átomos). Quando o neutron atinge outro átomo de urânio, este se divide, gerando mais neutros e dai por diante. Isso é chamado de reação nuclear em cadeia.

Agora, apenas deixar vários bastões de combustível perto um do outro rapidamente conduziria a um superaquecimento e, após cerca de 45 minutos, a um derretimento dos bastões de combustível. É digno de menção que, neste ponto, o combustível nuclear em um reator NUNCA causará uma explosão nuclear no tipo de uma bomba. Construir uma bomba nuclear é na verdade muito difícil (pergunte ao Irã). Em Chernobyl, a explosão foi causada por acúmulo excessivo de pressão, explosão de hidrogênio e ruptura de todas as contenções, propalando material de núcleo derretido no ambiente (uma “bomba suja”). Por que isso não aconteceu e não irá acontecer no Japão, mais abaixo.

Para controlar a reação nuclear em cadeia, o operador do reator usa o tão-chamado “bastão de controle”. Estes bastões absorvem os neutrons e matam a reação em cadeia instantaneamente. O reator nuclear é construído de tal forma que, quando operado normalmente, você retira todos os bastões de controle. A água refrigeradora então retira o calor (e o converte em vapor e eletricidade) na mesma proporção que o núcleo o produz. E você tem muito espaço para pensar em torno desta operação padrão de cerca de 250 °C.

O desafio é que o núcleo continua produzindo calor após a inserção dos bastões que cessam a reação em cadeia. O urânio “parou” a reação em cadeia. Mas um número de elementos radioativos intermediarios são criados pelo urânio durante a fissão, mais notavelmente isótopos de Césio e Iodo, isto é, versões radioativas destes elementos que irão eventualmente se dividir em átomos menores e que não serão mais radioativos. Estes elementos continuamente decaem e produzem calor. Porque eles não são novamente gerados pelo urânio (pois ele parou de decair quando os bastões de controle foram inseridos), eles ficam menores e menores, e então o núcleo respira em questão de dias, até que estes elementos radioatios intermediários são completamente usados.

Este calor residual está causando as dores de cabeça agora.

Então, o primeiro “tipo” de material radioativo é o urânio nos bastões de combustível, e também os elementos radioativos intermediários no qual o urânio se divide, também dentro do bastão de combustível (Césio e Iodo).

Há um segundol tipo de mateirla radioativo, fora dos bastões de combustível. A grande diferença: Este segundo tipo de material tem uma vida muito curta, o que quer dizer que decai muito rápido e se divide em materiais não radioativos. Por rápido eu quero dizer segundos. Então se eles materiais radioativos são liberados no ambiente, sim, radioatividade foi liberada, mas não, não é perigoso de forma alguma. Por quê? No tempo em que você soletrar R-A-D-I-O-N-U-C-L-É-I-C-O, eles serão inofensivos, pois terão se dividido em elementos não radioativos. Estes elementos radiativos são N-16, o isotopo radioativo do nitrogênio (ar). Os outros são gases nobres como o argônio. Mas de onde eles vem? Quando o urânio se divide, ele gera um neutron. A maioria desses neutros irá atingir outros átomos de urânio, mantendo a reação em cadeia. Mas alguns deles irão deixar o bastão de combustível e atingir as moléculas de água, ou o ar que há na água. Entaõ, um elemento não radioativo pode “capturar” o neutron. Ele se torna radioativo. Como descrito acima, ele irá rapidamente (segundos) se livrar do neutron e retornar à sua forma anterior.

Este segundo “tipo” de radiação é muito importante quando nós falamos sobre a radiação sendo liberada no ambiente.


O que aconteceu em Fukushima

Eu tentarei fazer um sumário dos principais fatos. O terremoto que atingiu o Japão foi cinco vezes mais poderoso do que o pior dos terremotos para o qual a usina nuclear foi construída (a escala Richter funciona logaritmicamente; a diferença entre o 8,2 para o qual a planta foi construída e o 8,9 que aconteceu é de cinco vezes, não 0,7). Então, o primeiro ‘hurrah’ para a engenharia japonesa, tudo ficou de pé.

Quando o terremoto de 8,9 sacodiu a terra, todos os reatores nucleares entraram em desligamento automático. Segundos após o começo do terremoto, os bastões de controle foram inseridos no núcleo e a reação nuclear em cadeia do urânio parou. Agora, o sistema de resfriamento tem que se livrar do calor residual. A carga do calor residual é de cerca de 3% da carga de calor em condições normais de operação.

O terremoto destruíu a fonte externa de energia do reator nuclear. Este é um dos acidentes mais sérios para uma usina nuclear, e, de acordo, um plano contra eventuais blecautes recebem muita atenção na criação de sistemas de segurança. A energia é necessária para manter a refrigeração funcionando. Desde que a usina foi desligada, ela não pode produzir qualquer eletricidade por ela mesma.

As coisas correram bem por uma hora. Um dos múltiplos grupos de geradores de Diesel emergenciais entrou em cena e proveu a eletricidade que era necessária. Então o Tsunami veio, muito maior do que as pessoas esperavam quando construíram a usina. O tsunami levou consigo todos os geradores de Diesel.

Ao criar uma usina nuclear, engenheiros seguem uma filosofia chamada de “Defesa de profundidade”. Isto quer dizer que você primeiro constrói tudo para suportar a pior catástrofe que você imaginar, e então cria a usina de tal modo que ela consiga ainda suportar uma falha de sistema (aquela que você pensou que nunca iria acontecer) atrás da outra. Um tsunami destruindo toda a energia de reserva em um rápido golpe é um desses cenários. A última linha de defesa é por tudo no terceiro mecanismo de contenção, que irá manter tudo dentro do reator, não importando a sujeira, bastões de controle dentro ou fora, núcleo derretido ou não.

Quando os geradores de diesel sumiram, os operadores do reator apelaram para bateriais emergenciais. As baterias foram criadas como uma reserva da reserva, para prover energia para o resfriamento do núcleo por oito horas. E eles proveram.

Nestas oito horas, outra fonte de energia tinha que ser encontrada e conectada à usina. A rede de energia estava desligada por causa do terremoto. Os geradores de diesel destruídos pelo tsunami. Então geradores móveis de diesel entraram em cena.

Aqui é quando as coisas começaram a ficar seriamente erradas. Os geradores externos não puderam ser conectados à usina (o plug não coube). Então, assim que as baterias foram consumidas por completo, o calor residual não pode mais ser resfriado.

Neste ponto os operadores começam a seguir os procedimentos de emergência existentes para o caso de “perda de refrigeração”. É novamente um passo dentro da “Defesa de profundidade”. A energia dos sistemas de refrigeração nunca deveriam ter falhado completamente, mas eles falharam, e por isso o operador ‘fugiu’ para a próxima linha de defesa. Tudo isso, ainda que possa parecer chocante para nós, é parte do treinamento de cada dia que você atravessaria se fosse um operador, logo ao lado de como lidar com um derretimento de núcleo.

É aqui que as pessoas começaram a falar sobre o derretimento do núcleo. Porque, no fim do dia, se o resfriamento não for restabelecido, o nucleo irá eventualmente derreter (após horas ou dias), e a última linha de defesa, o agarrador do núcleo e o terceiro mecanismo de contenção, irão eventualmente entrar em cena.

Mas o objetivo neste estágio era administrar o núcleo enquanto ele aquecia, e garantir que a primeira contenção (os tubos de Zircaloy que contém o combustível nuclear), assim como a segunda contenção (a nossa panela de pressão) continuem intactas e operacionais tanto quanto possível, para dar tempo aos engenheiros de consertar o sistema de refrigeração.

Porque a refrigeração do núcleo é tão importante, o reator possui um grande número de sistemas refrigerantes, cada um em multiplas versões (o sistema de limpeza de água, a remoção de calor que provém do decaimento de elementos radioativos, o sistema de refrigeração em espera e o sistema emergencial de resfriamento do núcleo). Qual deles falhou e quando falhou ainda não é claro.

Então imagine nossa panela de pressão no fogão, o fogo baixo, mas ligado. Os operadores usam qualquer sistema de refrigeração que eles tem para se livrar de tanto calor quanto possível, mas a pressão começa a se acumular. A prioridade agora é manter a integridade da primeir contenção (manter a temperatura dos bastões de combustível abaixo de 2200 °C), assim como a segunda contenção, a panela de pressão. Para manter a integridade da panela de pressão (a segunda contenção), a pressão tem que ser liberada de tempo em tempo. E é porque isso é tão importante em uma emergência que o reator possui onde válvulas para liberar pressão. Os operadores agora começam a ventilar vapor de tempo em tempo para controlar a pressão. A temperatura neste estágio era de cerca de 550 °C.

É aqui que notícias sobre “vazamento de radiação” começam a aparecer. Eu acredito que expliquei acima porque liberar o vapor é teoricamente o mesmo que liberar radiação no ambiente, mas porque não era e não é perigoso. O nitrogênio radioativo, assim como os gases nobres, não são uma ameaça à saúde humana.

Em algum momento durante essa ventilação, a explosão aconteceu. A explosão aconteceu fora da terceira contenção (nossa “última linha de defesa”), na casca exterior do reator. Lembre-se que esta casca não é usada para manter contida a radioatividade. Não está inteiramente claro porque isso aconteceu, mas este é o cenário mais provável: Os operadores decidiram ventilar o vapor do recipiente de pressão não diretamente no ambiente, mas no espaço entre a terceira contenção e a casca externa (para dar à radioatividade no vapor mais tempo para decair). O problema é que, nas altas temperaturas que o núcleo atingiu neste estágio, as moleculas de água podem se “desassociar” em oxigênio e hidrogênio – uma mistura explosiva. E ela explodiu, fora da terceira contenção, danificando a construção ao redor da usina. Foi uma explosão semelhante, mas dentro do recipiente de pressão (porque foi mal criada e pessimamente administrada pelos operadores) que ocasionou a explosão de Chernobyl. Este nunca foi um risco em Fukushima. O problema da formação hidrogênio-oxigênio é um dos maiores quando você constrói uma usina (a não ser que você seja soviético, é claro), então o reator é construído e operado de forma que nunca aconteça dentro da contenção. Aconteceu fora, o que não era planejado mas era um cenário possível e aceitável, pois não oferece risco à contenção.

Então a pressão está sob controle, e o vapor foi ventilado. Agora, se você continuar fervendo o seu pote. O problema é que o nível de água seguirá diminuindo e diminuindo. O núcleo é coberto por vários metros de água para permitir que passe algum tempo (horas, dias) até que fique exposto. Quando os bastões começam a ser expostos, as partes expostas vão alcançar a temperatura crítica de 2200 °C em cerca de 45 minutos. É quando a primeira contenção, os tubos de Zircaloy, falham.

E isso começou a acontecer. O resfriamento não pode ser restaurado antes porque houve dano limitado ao invólucro de algum dos combustíveis. O material nuclear em si continua intacto, mas a casca de Zircaloy começou a derreter. O que acontece agora é que alguns subprodutos do decaimento do urânio – Césio e Iodo radioativos – começaram a se misturar com o vapor. O principal problema, urânio, ainda estava sob controle, pois os bastões de óxido de urânio estariam bons até 3000 °C. Foi confirmado que uma pequena quantidade de Césio e Iodo foram detectados no vapor que foi liberado na atmosfera.

Isto é o sinal desencadeador de um grande plano B. As pequenas quantidades de Césio detectadas disseram aos operadores que que a primeira contenção de um dos bastões estava prestes a ceder. O plano A era restaurar a refrigeração do núcleo. Porque falhou não é claro. Uma explicação plausível é que o tsunami levou embora ou poluiu toda a água limpa necessária para o sistema regular de refrigeração.

A água usada no sistema de refrigeração é muito limpa, desmineralizada. A razão para usar água limpa é a já mencionada ativação dos neutros que vem do Urânio: Água pura não se ativa facilmente, e então continua praticamente livre de radiação. Água suja ou salgada absorvem os neutros rapidamente, se tornando mais radioativas. isto não tem qualquer efeito no núcleo – ele não liga com o que é resfriado. Mas faz a vida mais difícil para os operadores e mecânicos quando eles tem que lidar com a água ativada, quer dizer, irradiada.

Mas o Plano A falhou – sistemas de refrigeração desligados ou fontes adicionais de água limpa indisponíveis – e o Plano B veio a tona. Isto é o que parece ter acontecido: Para prevenir o derretimento do núcleo, os opedaores começaram a usar águas do oceano para resfriar o núcleo. Eu não estou certo se eles inundaram a panela de pressão (a segunda contenção) com ela, ou se inundaram a terceira contenção, imergindo a panela de pressão. Mas isso não é relevante para nós.

O ponto é que o cobustível nuclear está agora resfriado. Já que a reação em cadeia foi interrompida há muito tempo, agora pouquíssimo calor residual é produzido. A grande quantidade de água usada para refrigerar o núcleo é suficiente para receber esse calor. Porque é muita água, o núcleo não produz calor suficiente para liberar qualquer pressão significante. Além disso, ácido bórico foi adicionado à água. O ácido bórico é um “bastão líquido de controle”. Caso esteja acontecendo algum decaimento, o Bório vai capturar os neutrons e acelerar o resfriamento do núcleo.

A usina chegou perto de um derretimento de núcleo. Este é o pior cenário que foi evitado: Se a água do oceano não pudesse ser usada, os operadores continuariam a ventilar o vapor de água para impedir o acúmulo de pressão. A terceira contenção seria completamente selada para permitir que aconteça o derretimento do núcleo sem liberação de material radioativo. Depois do derretimento, haveria um periodo de espera para que os elementos radioativos intermediários decaíssem dentro do reator, e todas as particulas radioativas assentassem dentro da contenção. O sistema de refrigeração seria eventualmente restaurado, e o núcleo derretido resfriado a uma temperatura aceitável. A contenção teria que ser limpa por perto. E então um trabalho sujo de remover o núcleo derretido iria começar, juntando o (agora sólido) combustível pedaço por pedaço para transportá-lo para usinas de processamento. A depender do dano, todo o bloco da usina deveria ser ou reparado ou desmanchado.

Agora, onde isso nos deixa? Minha avaliação:

* A usina está segura e continuará segura.


* O Japão está lidando com um acidente nível 4 na escala INES: acidente nuclear com consequências locais. Isso é ruim para a companhia que é dona da usina, mas não é para todos os outros.
* Alguma radiação foi liberada quando a panela de pressão ventilou. Todos os isótopos radioativos do vapor irradiado sumiram (decairam). Uma pequena quantidade de Césio foi liberada, assim como Iodo. Se você estava sentado bem emcima das chaminés da usina quando ela estava ventilando, você provavlemente deve desistir de fumar para retornar à sua antiga expectativa de vida. Os isótopos de Césio e Iodo foram carregados para o mar e nunca mais serão vistos.
* Houve dano limitação à primeira contenção. Significa que alguma quantidade de Césio e Iodo foram também liberados na água, mas não Urânio ou outras coisas (o óxido de Urânio não dissolve na água). Existem estações de tratamento para a água usada na refrigeração dentro da terceira contenção. O Césio e Iodo radioativos serão removidos e eventualmente guardados como lixo radioativo em um armazém.
* A água do oceano usada na refrigeração ficará irradiada em certo grau. Porque os bastões de controle estão completamente inseridos, a reação em cadeia do Urânio não está acontecendo. Isso significa que a principal reação nuclear não está acontecendo, não está contribuindo para a ativação. Os materiais radioativos itnermediários (Césio e Iodo) praticamente desapareceram nesse estágio, pois a reação do Urânio parou há muito tempo. Isto reduz a irradioação. No fim, haverá um pequeno nível de irradiação da água do oceano, que será removida nas estações de tratamento.
* A água do oceano será então substituída com o tempo por água normal para resfriamento.
* O núcleo do reator será desmontado e transformado para uma estação de processamento, assim como em qualquer mudança regular de combustível.
* Os bastões de combustível e toda a usina serão checados em busca de danos potenciais. Isso leva cerca de 4 ou 5 anos.
* A segurança dos sistemas das usinas japonesas serão melhoradas para suportar um terremoto de 9.0 e tsunamis (ou pior).
* Eu acredito que o mais significamente problema será a prolongada falta de energia. 11 dos 55 reatores nucleares em diferentes usinas foram desligados e terão de ser inspecionados, diretamente reduzindo a capacidade de geração de energia nuclear do Japão em 20%, num pais onde a energia nuclear responde por 30% da capacidade de geração. Eu não observei possíveis consequências para outras usinas nucleares não diretamente afetadas. Isso será provavelmente coberto com usinas de gás que são utilizadas apenas em momentos de picos de consumo. Eu não estou familiarizado com a cadeia janpoesa de suprimentos de petróleo, gás e carvão, e que dano os portos, refinarias, estoques e sistemas de transportes receberam, assim como danos à rede de distribuição. Tudo isso irá aumentar sua conta de energia, assim como levar à blecautes durante picos de demanda e esforços de reconstrução no Japão.
* Isto é apenas parte de uma figura muito maior. Uma resposta de emergência tem que lidar com abrigos, água potável, comida e cuidados médicos, infraestrutura de transporte e comunicação, além de suprimentos de eletricidade. Em um mundo de magras cadeias de suprimentos, nós estamos olhando para um dos maiores desafios em todas essas áreas.

Se quiser se manter informado, por favor esqueça as habituais mídias e consulte os seguintes sites

*

http://www.world-nuclear-news.org/RS_Battle_to_stabilise_earthquake_reactors_1203111.html
* http://www.world-nuclear-news.org/RS_Venting_at_Fukushima_Daiichi_3_1303111.html
* http://bravenewclimate.com/2011/03/12/japan-nuclear-earthquake/
* http://ansnuclearcafe.org/2011/03/11/media-updates-on-nuclear-power-stations-in-japan/


Fonte: Pollemika

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Brasil, Índia, África do Sul e a revolta Árabe

Brasil-Índia-África do Sul já viram que a revolta árabe obriga a remodelar a ordem mundial

Por M K Bhadrakumar (Embaixador indiano), no “Asia Times Online”, em 10/3/2011

ARAB REVOLT REWORKS THE WORLD ORDER

O Brasil, a Índia e a África do Sul meteram uma cunha na engrenagem norte-americana, a qual, até domingo, parecia girar e girar e girar inexoravelmente na direção de implantar uma zona aérea de exclusão [orig. “a no-fly” zone”] sobre a Líbia.

De fato, os EUA ainda podem impor a tal zona de exclusão aérea. Mas, nesse caso, o presidente Obama terá de beber do cálice envenenado e ressuscitar a controversa doutrina do pós-Guerra Fria, cara aos governos que o antecederam, do “unilateralismo” por “coalizão de vontades”. Obama não terá onde esconder-se. E tudo o que fez em sua presidência para neutralizar a imagem dos EUA como país agressor [orig. “a ‘bully’”] irá por águas abaixo.

Domingo, Delhi hospedou reunião de alto nível de ministros de Relações Exteriores, com o Brasil e a África no Sul, que bem poderia não passar de ocasião para alguma retórica inócua sobre cooperação “sul-sul”. Nada disso.

A reunião ecoou diretamente no tumultuado sistema e na atormentada ordem internacional contemporânea. A reunião decidiu a favor de declarada oposição à galopante disposição do ocidente para impor uma zona aérea de exclusão sobre a Líbia.

Tudo indica que os EUA e aliados, que estão ajudando os rebeldes líbios politicamente, militarmente e financeiramente, esperavam extrair um “pedido” do povo líbio, no máximo em um ou dois dias, que usariam como folha de parreira para aproximar-se do Conselho de Segurança da ONU e arrancar de lá a autorização para impor sanções sob os auspícios da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). Os rebeldes líbios são casa em que ninguém se entende: os nacionalistas opõem-se furiosamente a qualquer intervenção externa; e os islâmicos (muitos dos quais são nacionalistas) opõem-se a qualquer forma de intervenção ocidental.

O “UNILATERALISMO” É A ÚNICA OPÇÃO QUE RESTA SOBRE A MESA

Domingo também, reuniram-se em Bruxelas os ministros da Defesa dos países da OTAN para dar os toques finais, operacionais, à intervenção, pela OTAN, na Líbia. O fato de o secretário da Defesa dos EUA, Robert Gates, ter participado da reunião mostra a importância que os EUA atribuem ao trabalho da OTAN na proposta de intervenção militar na Líbia. Gates não apareceu em outra reunião informal dos ministros de Defesa dos países da OTAN sobre a Líbia, realizada há duas semanas, nos arredores de Budapeste.

A diplomacia EUA-Grã Bretanha movia-se por trilha paralela, alardeando uma posição conjunta de todos os rebeldes líbios a favor de pedirem intervenção internacional na Líbia e, especificadamente, sob a forma de uma zona aérea de exclusão. A Liga Árabe e a União Africana mantinham-se sem se definir nem a favor nem contra aquela zona de exclusão.

Pelo cálculo de Obama, somente se se conseguisse gerar “um pedido” do povo líbio haveria meios para que a história algum dia absolvesse o ocidente, e o próprio Obama, pessoalmente, pelo crime de invadir membro soberano da ONU –pelo menos, alguma absolvição moral, que fosse. E o “pedido” seria via para empurrar também a Liga Árabe e a União Africana para dentro da mesma empreitada.

Obama é reconhecido por ser intelectual inteligente e cerebrino. É político com traços específicos e raros e merece confiança, no mínimo, por seu agudo senso histórico. Seu antecessor George W Bush, em situação semelhante, teria agido com “audácia”, palavra que, muito estranhamente, o próprio Obama escolheu para associar ao seu nome, em campanha eleitoral [1].

Obama, que sabe que tem encontro marcado com a história, tem dificuldades específicas para decidir-se sobre a Líbia. Robert Fisk, conhecido comentarista de assuntos do Oriente Médio, do jornal londrino Independent, publicou despacho urgente e sensacional, na 2ª-feira (“Obama pede que sauditas entreguem armas em Benghazi”), noticiando que o governo Obama havia procurado a ajuda do rei Abdullah da Arábia Saudita para que entregasse armas aos rebeldes líbios em Benghazi, com o que Riad ficaria ‘com o mico’, a Casa Branca nada teria a explicar ao Congresso dos EUA e não haveria pistas que levassem a Washington.

A depravação moral da jogada –alugar os serviços de um autocrata, para violar as fronteiras da democracia– destaca o desejo obsessivo, em Obama de camuflar qualquer intervenção unilateral dos EUA na Líbia, garantindo para ele mesmo “negabilidade” [2] perpétua, a qualquer custo.

E então, agora, vem o cruzado, certeiro, da reunião em Nova Delhi. Os três ministros de Relações Exteriores, que pertencem ao fórum conhecido pela simpática sigla IBSA (Índia- Brasil-Africa do Sul, ing. India-Brazil-South Africa) atrapalharam o bem urdido golpe de Obama, e lançaram comunicado conjunto, domingo, no qual “destacam que uma zona de exclusão aérea no espaço aéreo da Líbia, ou qualquer outra das medidas coercitivas além das previstas na Resolução 1970 só poderão entrar em cogitação se estiverem plenamente previstas na Carta da ONU e no Conselho de Segurança da ONU”.

O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Antonio de Aguiar Patriota, disse à imprensa, em Delhi, que a declaração dos IBSA foi “importante manifestação” do que o mundo não-ocidental estava pensando. Disse o ministro brasileiro: “O recurso a uma zona aérea de exclusão é visto como expediente útil, em alguns casos, mas enfraquece todo o sistema de segurança coletiva e provoca consequências indiretas prejudiciais ao objetivo que todos estamos tentando alcançar”. Patriota acrescentou:

Intervir militarmente em situação de tumulto interno é sempre muito problemático. Qualquer decisão que vise à intervenção militar tem de ser analisada no contexto da ONU, em cerrada coordenação com a União Africana e a Liga Árabe. É muito importante não perder o contato com elas e identificar como veem a situação”. (The Hindu, Delhi, 8/3/2011)

Explicou que medidas como a zona aérea de exclusão de que agora se cogita podem tornar ainda pior uma situação já difícil e gerar sentimentos antiOcidente e antiEUA “ que até agora ainda não surgiram”.

Também muito significativo é o fato de que o trio de ministros também divulgou declaração conjunta sobre o quadro geral no Oriente Médio. Apresentada como “ IBSA Declaration” (Ministério das Relações Exteriores da Índia, 8/3/2011, em inglês, à espera de que o Ministério de Relações Exteriores do Brasil traduza e divulgue), a Declaração reitera a expectativa de que as mudanças que estão em curso no Oriente Médio e Norte da África “tenham desdobramento pacífico”; e manifestam confiança num “resultado positivo, em harmonia com os desejos do povo”.

Parte muito importante da declaração é o reconhecimento, já na introdução, de que o problema da Palestina está no coração do grande distanciamento de que padece o Oriente Médio, e que “ desenvolvimentos recentes na Região oferecem uma oportunidade para uma paz ampla (…). Esse processo deve incluir a solução do conflito Israel-palestinos (…) que levará a uma solução de Dois Estados, com a criação de um Estado Palestino soberano, independente, unido e viável, coexistindo em paz ao lado de Israel, com as fronteiras pré-1967 asseguradas e com Jerusalém leste como capital”.

‘P-5′ PERDE BRILHO

Israel deve estar enlouquecidamente furioso com essa Declaração. Isso à parte, o que preocupará Obama e a OTAN, se três países, de três continentes ‘longínquos’, levantam-se e apresentam declaração conjunta sobre uma zona “no-fly”? Quem, afinal, são esses países? Ah, sim, Obama, sim, está preocupadíssimo. Em resumo curto, os três países estão hoje assentados como membros não-permanentes do Conselho de Segurança da ONU e o que quer que digam tem altíssima visibilidade na ordem mundial que acicata a Líbia.

Em Delhi, tudo indica que pelo menos mais um membro não-permanente do Conselho de Segurança –o Líbano– acompanha a trilha aberta pelos IBSA. O que significa “a voz árabe”, afinal, no Conselho de Segurança.

Em resumo, o que se ouve agora é uma voz coletiva afro-asiática, árabe e latino-americana. E não é voz que possa ser facilmente nem calada nem descartada. Ainda mais importante, a posição de Brasil-Índia-África do Sul empurra pelo menos duas grandes potências, membros permanentes, com poder de veto, contra os chifres de um dilema agudo.

A Rússia diz que mantém política externa contrária ao “unilateralismo” dos EUA, e que se pauta estritamente pelo cânone da lei internacional e da Carta da ONU. E a China insiste que representaria os países desenvolvidos. Agora, a posição de Brasil-Índia-África do Sul torna virtualmente impossível que a China construa qualquer tipo de acordo faustiano com os EUA e as potências ocidentais em relação à Líbia… no concílio secreto dos detentores de poder de veto do Conselho de Segurança –conhecido como “P-5”.

Por tudo isso, a declaração conjunta de Brasil-Índia-África do Sul, IBSA, semelhante em vários sentidos ao movimento Turquia-Brasil, na questão do programa nuclear do Irã, está, de fato, denunciando a hipocrisia moral do P-5 e dos segredos e vielas ocultas pelas quais se esgueiram.

Interessante, também, que Delhi tenha subscrito o Comunicado IBSA no momento em que o vice-presidente dos EUA Joseph Biden voava para Moscou para reuniões amplas sobre os futuros rumos do “reset” das relações EUA-Rússia. Qualquer negócio que EUA e Rússia acertem agora, sobre a Líbia, no quadro do tal “reset”, aparecerá, inapelavelmente, como movimento de oportunismo político amoral ou, dependendo do negócio, imoral.

A posição da China não é menos apertada. A China hospedará a reunião de cúpula dos BRICSs em Pequim, em abril. Três ‘brics’ ( Brasil, Índia e África do Sul) dos BRICS (Brasil, Índia, África do Sul e China) subscreveram a Declaração da IBSA. O grupo BRICS pode correr o risco de esvaziar o comunicado conjunto do IBSA sobre a Líbia? Falta perguntar à China. E a China pode, sozinha, andar na contramão de três importantes “países em desenvolvimento”?

Mas, pelo menos para a China, há perspectiva de algum alívio. A China pode, de fato, até, suspirar aliviada. A posição dos IBSA alivia a pressão que os EUA estão fazendo sobre ela, e impossibilita que o problema da “no-fly zone” sobre a Líbia converta-se em questão bilateral entre EUA e China. Semana passada, a China ajudou os EUA a aprovar a Resolução sobre a Líbia, no Conselho de Segurança. Foi movimento surpreendente, que a China tenha votado a favor de resolução que admite intervenção nos assuntos internos de país soberano.

Comentaristas ocidentais festejaram euforicamente a mudança no comportamento dos chineses na mesa superior da política mundial e já apostavam na certeza de que a China, afinal, teria começado a agir como potência “responsável”, disposta a trabalhar aliada ao ocidente, como “acionista” do sistema internacional –como faz a Rússia.

Claramente, a China está sob ataque de sedução, para que dê um passo adiante e fure suas próprias muralhas de princípios, também no que tenha a ver com aprovar a zona “no-fly” na Líbia. Nada sugere que a China ceda, sucumbida ante a bajulação. Mas fato é que, se sucumbir, lá estará, exposta, à plena luz, sob atenção vigilante dos países em desenvolvimento. Verdade é que será muito difícil, para Pequim, esconder tanto “pragmatismo”, sob o manto dos venerados princípios. Evidência indiscutível, isso sim, é que a Declaração de Brasil-Índia-África do Sul livrou a China de toda a pressão que os EUA aplicavam contra ela, para aprovar a zona “no-fly” sobre a Líbia.

A ÍNDIA RECUPERA A IDENTIDADE

Ocorre uma ideia interessante: estará a Índia forçando a mão dos chineses? Não há dúvidas de que Delhi percebeu que a crise da Líbia gera grande oportunidade para que a China trabalhe, em espírito de cooperação, com os EUA –o que seria bem vindo fermento no relacionamente geral entre as duas potências. A “no-fly” zone seria excelente aditivo e China e EUA entrariam em fase de boas relações alquimicamente produzidas. Pequim sabe que a presidência de Obama [e sua reeleição] dependem criticamente de como opere na crise do Oriente Médio.

Ao mesmo tempo, o movimento da Índia no IBSA não pode ser analisado como apenas “chinacêntrico”. Em termos geopolíticos e bofetada altamente visível, nos EUA. Em termos de ‘a ira de Obama’, haverá um preço a pagar. O fato de que a Índia se disponha a correr esse risco e, eventualmente, pagar o preço –com tanta coisa em disputa, no momento em que a Índia aspira a um assento permanente no Conselho de Segurança– dá significado especial à Declaração do IBSA. Fazia muito tempo que a Índia não se levantava para ser vista como front significativo da política exterior dos EUA.

É mais que simples coincidência, também, que a Declaração da IBSA fale tão abertamente a favor da causa dos palestinos. A Índia optou por correr risco calculado e incomodar Israel e o lobby pró-Israel nos EUA. Além disso, há outros sinais, também, de que a Índia afinal, decidiu promover ampla recauchutagem em suas políticas para o Oriente Médio. A Declaração da IBSA é apenas uma primeira manifestação de que a Índia começou a repensar sua política –e talvez essa não seja a modificação de mais longo alcance, na geopolítica da Região.

No momento em que os IBSA adotavam posição sobre a Líbia e o Oriente Médio, claramente a favor do nacionalismo árabe, o Conselheiro de Segurança Nacional da Índia, Shiv Shankar Menon –político de alta reputação como eficientíssimo diplomata, e que trabalha sob ordens diretas do primeiro-ministro Manmohan Singh– estava ocupado em importantes conversações em outro ponto do Oriente Médio, no Irã, com o presidente Mahmud Ahmadinejad.

Longe das câmeras de televisão, Menon entregou carta de Manmohan a Ahmadinejad. Segundo comunicado distribuído pelo gabinete de Ahmadinejad, o presidente do Irã disse a Menon:

Irã e Índia são países independentes, com papel significativo no encaminhamento das questões internacionais (…) As relações entre Irã e Índia são históricas e sustentáveis. Irã e índia, porque sempre se beneficiaram de preservar pontos de vista humanitários nas relações internacionais, devem trabalhar para modelar o futuro sistema mundial, de modo a que se rejam por princípios de justiça e amizade. A ordem que ainda rege o mundo está à beira do colapso. Sob as atuais circunstâncias, é muito importante que uma nova ordem mundial seja construída e é preciso conseguir que os que impuseram as leis da opressão contra todos não consigam reimpô-las, no novo contexto (…) Irã e Índia terão papel significativo nos desenvolvimentos mundiais futuros. Nossas duas nações, por suas origens e culturas fazem falta ao mundo, hoje.”

A mesma fonte informa que Menon disse a Ahmadinejad:

New Delhi trabalha hoje a favor de boas e amplas relações com o Irã, laços estratégicos, inclusive (…) Muitas das suas [de Ahmadinejad] previsões sobre desenvolvimentos políticos e econômicos no mundo já são realidade e as mudanças envolvem a própria ordem mundial, o que exige que continuemos a construir e estreitar as relações entre o Irã e a Índia (…) As relações entre a República Islâmica do Irã e a República da Índia estão além das relações políticas atuais, têm raízes culturais e civilizacionais, e os dois países têm grande potencial para aprofundarmos relações bilaterais, regionais e internacionais”.

Nada mais a dizer. Está tudo declarado e dito. Em resumo, esse tipo de contato político de alto nível entre Irã e Índia era impensável até bem pouco tempo. É sinal muito eloquente de quanta coisa mudou no Oriente Médio, do papel importante que o Irã alcançou e é sinal, também, de que a Índia já viu tudo isso, muito claramente.

Mais importante que tudo isso, a chegada de Menon a Teerã nesse momento, sob as atuais complexas e tumultuadas circunstâncias, em missão diplomática pioneira e sem precedentes [3], para ativar os entendimentos estratégicos entre Índia e Irã também é evidência de que cresce em toda a Região a consciência de que os tempos de dominação ocidental sobre o Oriente Médio caminham inexoravelmente para o fundo dos livros de história. A ordem mundial nunca mais será a mesma.”

Notas de tradução:

[1] The Audacity of Hope: Thoughts on Reclaiming the American Dream [A Audácia da Esperança] é o título do segundo livro de autoria do então senador Barack Obama. No outono de 2006 alcançou o 1º lugar na lista dos mais vendidos do New York Times e da Amazon.com, depois de promovido no programa de Oprah Winfrey. Dia 10/2/2007, menos de três meses depois da publicação do livro, Obama anunciou sua pré-candidatura, afinal vitoriosa no Partido e nas urnas, à presidência.

[2] Sobre “negabilidade total”, ver “Blackwater e a negabilidade total”, 21/9/2010, em , sobretudo a nota 1.

[3] Aqui, nosso brilhante companheiro analista erra. Há precedentes para esse movimento em que a Índia agora, afinal, está embarcando, bem vinda companheira. Celso Amorim e Lula do Brasil viram tudo isso ANTES da Índia. Patriota segue aquela trilha, bem seguida. E a Índia, muito provavelmente, também segue aquela trilha, aquela, sim, livre, independente, visionária e pioneira.”

FONTE: escrito por M K Bhadrakumar no “Asia Times Online” e reproduzido no “Rede Castorphoto” em “Arab revolt reworks the world order”. O autor do artigo, Embaixador*M K Bhadrakumar, foi diplomata de carreira; serviu no Ministério de Relações Exteriores da Índia. Ocupou postos diplomáticos em vários países, incluindo União Soviética, Coreia do Sul, Sri Lanka, Alemanha, Afeganistão, Paquistão, Uzbequistão, Kuwait e Turquia. Artigo traduzido pelo “Vila Vudu” e postado no portal “Viomundo” (http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/brasil-india-africa-do-sul-e-o-oriente-medio.html) [imagem do Google adicionada por este blog].

Fonte: Democracia Política

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Fotos do Dia Tecnologia

Estudos de propulsão a laser tem reconhecimento em publicação internacional

http://ie.org.br/site/ieadm/fotos/noticia_1612_152362487.jpgAs atividades brasileiras em hipersônica, em andamento no Instituto de Estudos Avançados – IEAv, são citadas na revista internacional Aerospace America do American Institute of Aeronautics and Astronautics – AIAA, na reportagem “Propulsão para altas velocidades com ar atmosférico”.

É a primeira vez que o Brasil é citado na revista a respeito de estudos deste tipo. Juntamente com os projetos brasileiros, são apresentados o X51-A, dos Estados Unidos, o LEA, da França, e os do Japão e Rússia.

“O Brasil é o único país da América Latina que possui capacitação em pesquisas nas áreas de Aerodinâmica e Hipersônica. No hemisfério sul, são o Brasil e a Austrália”, disse o Coronel Engenheiro Antonio Sala Minucci, diretor do IEAv.

Os projetos 14-X e os ensaios hipersônicos com Propulsão a Laser, em colaboração com o Laboratório de Pesquisas da Força Aérea Americana, são destacados entre os esforços internacionais em andamento no campo da propulsão para altas velocidades com ar aspirado. Saiba mais. http://www.baixaki.com.br/imagens/materias//8575/34799.jpg

No futuro, estes sistemas de propulsão serão utilizados em veículos para o transporte de cargas para o espaço, em substituição com vantagem aos foguetes tradicionais. De acordo com o Coronel Sala, no caso particular da propulsão a laser, este é um método limpo, já que a luz do laser propele o veículo, dispensando a utilização de propelentes tóxicos/explosivos. Mesmo no caso do veículo 14X, sendo o combustível hidrogênio, o resultado da combustão será o vapor de água.

A parceria com os Estados Unidos teve início em 2007, com o objetivo de compartilhar conhecimentos entre os países. Os Estados Unidos tinham o conhecimento, mas não os laboratórios. O Brasil é o único país do mundo que faz ensaios de propulsão a laser em túneis de vento hipersônicos, como o T3. Neste período, foram realizados cerca de 25 testes em solo em colaboração com o Departamento de Pesquisa Científica da Força Aérea Americana.

“Os testes no túnel de vento do IEAv são inéditos no mundo. Poucos países detém o domínio da tecnologia”, explicou o Coronel Sala.

O Instituto de Estudos Avançados continua a desenvolver o seu 14-X, um veículo Hipersônico tipo Waverider que voa a Mach 10.

Fonte: IEAv – CECOMSAER

Patriota Diz Crer em Acordo na Área Espacial

Há possibilidade de cooperação
para a construção de satélite
O Globo
15/03/2011
SÃO PAULO – O chanceler Antonio Patriota afirmou ontem que o Itamaraty está apostando fortemente em um acordo de cooperação no setor espacial com os Estados Unidos, que deve ser anunciado na visita do presidente Barack Obama ao país. Essa área já foi motivo de atrito e desentendimentos, especialmente no que concerne à falta de aprovação de um acordo de salvaguardas para o uso da base de lançamento de Alcântara e à tentativa brasileira de obter tecnologia para o lançamento próprio de satélites por foguetes.
Ainda não há detalhes sobre o acordo. Sabe-se que há a possibilidade de cooperação para a construção de um satélite de monitoramento de precipitações, o GPM (sigla em inglês para Medida de Precipitação Global):
– Queremos dar o maior conteúdo possível à visita, construindo sobre uma base que já é muito ampla nas relações comerciais, no diálogo político, em programas de dimensão social, com ênfase especial em áreas estratégicas de ciência e tecnologia – disse Patriota, em entrevista ao lado do presidente do Uruguai, José Alberto Mujica, após encontro empresarial Brasil-Uruguai na Federação das Indústrias de São Paulo (FIESP). – E gostaríamos de enfatizar a cooperação especial na área espacial.
Fonte: Jornal O GLOBO – via Brazilian Space

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Conflitos Fotos do Dia Geopolítica

Marinha Israelense intercepta cargueiro Liberiano carregado de munições e Mísseis anti navio

http://defense-update.com/wp/wp-content/uploads/2011/03/victoria_intercepted.jpg

Texto: Plano Brasil

Informações: Defense Update

Na manhã de hoje (15-03-2011) a Marinha Israelense e os serviços de inteligência interceptaram à 200 km da costa oeste de Israel, um cargueiro Liberiano suspeito de transportar carregamento ilegal.

Ao inspecionar a carga do navio a Marinha Israelense encontrou um completo arsenal de munições e armamentos que incluíam mísseis anti navio chineses C 704 porém da versão de fabricação Iraniana.

http://defense-update.com/wp/wp-content/uploads/2011/03/c_704_found_on_victoria.jpg

Míssil C-704 anti-navio encontrado pela Marinha israelense  Foto: O porta-voz da IDF. Na voto abaixo o míssil da versão chinesa em perfil.

Estes mísseis dom alcance de 35 km poderiam colocar em risco os navios israelenses no mar, nas proximidades de gaza, bem como a infra-estrutura estratégica, perto de Ashkelon.

Juntamente com os mísseis foram encontrados documentos e provas substanciais da participação do Irã na tentativa de contrabandear armas, bem como de transgredir as regras impostas da ONU no que se refere ao transporte de cargas militares clandestinas abordo de navios mercantes (civis).As autoridades israelenses não tem dúvidas, estas armas parariam nas mãos de organizações terroristas, cujo alvo seria Israel.

http://www.ausairpower.net/C-704-Cruise-Missile-Zhenguan-Studio-1S.jpg

No primeiro dia da operação, os comandos navais embarcaram no navio e constataram a existência de armamento a bordo. Após o encontro com a Marinha de Israel, o navio foi enviado para o porto israelense de Ashdod para uma  inspeção detalhada de sua carga. O navio estava a caminho do Porto de Mersin na Turquia e para Port Alexandria, no Egito. Segundo a avaliação israelense, o verdadeiro destino da transferência de armas seria provavelmente o porto egípcio de El-Arish, onde a transferência seria contrabandeada por terra, através de túneis, chegando às organizações terroristas que operam na Faixa de Gaza.

Clique para ver o Vídeo do momento do contato entre as autoridades e o comandante do navio

De acordo com os documentos de embarque e a tripulação interrogada, a embarcação partiu inicialmente de Lattakia, na Síria e, em seguida, procedeu à porta Mersin, na Turquia. “A Turquia não é considerada como envolvido no incidente “, declarou uma autoridade israelense.

A interceptação de hoje foi apenas mais uma de muitas implementadas por Israel na incessante caçada pelas armas ilegais contrabandeadas pelo Irã para organizações terroristas no Oriente Médio, incluindo o Hamas e o Hizbollah. Curiosamente, os últimos navios envolvidos nos contrabando de armas apreendidos são registrados na Índia e Alemanha.

Algumas das carregamento de armas iranianas interditada pela Marinha de Israel nos últimos anos incluem:

07 maio de 2001: O Santorini, um navio sírio que transportava 40 toneladas de armas, incluindo mísseis antiaéreos, morteiros, fuzis e pistolas, granadas, minas e material explosivo, antitanque RPG-7 lançadores de mísseis, foguetes e artilharia. Parte do armamento anti-tanque era oriundo do Iran.

3 de janeiro de 2002: Karin-A foi interceptada no Mar Vermelho, em direção a Gaza. O navio com 50 toneladas de armas que incluía foguetes RPG-7, RPG-18, lançadores de foguetes anti-tanque, de fabricação iraniana,  minas anti-pessoal, 2.200 kg de explosivos de poder, fuzis de assalto, metralhadoras e granadas de mão, 700.000 cápsulas de munições de pequeno porte, e equipamento de mergulho.

21 de maio, 2003: Abu Hasan, um barco de pesca foi interceptado no mar a oeste do porto israelense de Haifa, a carga continha sistemas de ativação  remota para cargas explosivas, fusíveis de foguetes e detonadores.

Outubro 12, 2009: Hansa Índia, transportava balas e material industrial destinada à produção de armas, aparentemente com destino à Síria.

03 de novembro de 2009: Francop, um navio alemão que continha 36 “containers” com 500 toneladas de armas: 9.000 morteiros, 3.000 foguetes Katyusha, 3.000 coletes a prova de bala, 20.000 granadas e 500 000 cartuchos de munição de pequeno porte, todos escondidos atrás de sacos de polietileno.

http://defense-update.com/wp/wp-content/uploads/2011/03/weapons_cache_victoria.jpg

Um esconderijo de armas descoberto no compartimento de carga de um navio de bandeira liberiana “Victory” interceptado hoje pela marinha de Israel. Entre as munições haviam petardos pesados de 120mm (mostrado aqui) e 60mm morteiros e outras armas. Fotos: Porta-voz do IDF.

Fonte: Defense Update

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Conflitos Geopolítica

Esboço de resolução da ONU pede zona de exclusão aérea na Líbia

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Reuters – O esboço de uma resolução do Conselho de Segurança da ONU sobre uma zona de exclusão aérea na Líbia, que circulou na terça-feira, deve autorizar “todas as medidas necessárias para aplicar” uma suspensão de todos os voos a fim de proteger civis.

O documento, visto pela Reuters, diz que o Conselho “decide autorizar a suspensão de todos os voos no espaço aéreo (da Líbia) com o objetivo de ajudar a proteger civis”.

Autoriza, ainda, os países membros a “tomar todas as medidas necessárias para garantir o cumprimento” da decisão.

Após receberem o projeto numa reunião do Conselho, os membros adiaram a sessão sem tomar uma decisão e devem se reunir novamente na quarta-feira.

Alguns dos 15 países membros expressaram dúvidas sobre se uma zona de exclusão aérea vai funcionar no país norte-africano, onde protestos populares pelo fim do governo de Muammar Gaddafi, há 41 anos no poder, têm sido violentamente reprimidos.

(Reportagem de Louis Charbonneau)

Fonte:  UOL

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Geopolítica Obama no Brasil

Tropa de elite do Exército fará segurança de Obama no Rio

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A Brigada de Infantaria Paraquedista, tropa de elite do Exército, será usada no Rio na segurança do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, de acordo com informação do Comando Militar do Leste (CML), na tarde desta terça-feira. Como o iG mostrou em reportagem sobre a visita do presidente norte-americano ao país, haverá um megaesquema combinado de segurança, com a escolta do Serviço Secreto norte-americano e das polícias estaduais, e participação das Forças Armadas, sob a coordenação do Exército, por meio do CML.

Os paraquedistas são uma unidade operacional do Exército Brasileiro, formada essencialmente por soldados profissionais – não recrutas –, com experiência em situações de combate real. São considerados uma unidade de elite da Força, mais adestrados, e tem como marca a cor de seus coturnos, marrons, em oposição ao militar chamado “pé preto”. Por definição, os paraquedistas são treinados como uma das primeiras tropas a entrar em campo de combate, sendo frequentemente lançados atrás das linhas de frente inimiga. O mote da Brigada é “Missão dada, missão cumprida”.

Os PQDs, como são chamados, devem contar com veículos blindados sobre rodas, os Urutus.
Boa parte dos militares da brigada têm experiência no Haiti, com participação na Minustah (Missão de Paz para a Estabilização do Haiti). Eles estão desde novembro nos complexos do Alemão e da Penha, onde atuam como Força de Ocupação, enquanto a Polícia Militar do Rio não tem contingente necessário para uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP).

De acordo com resposta do CML a pedido de informações do iG feito na quarta-feira (9), “as Forças Armadas, cumprindo determinação da Exma. Senhora Presidenta da República, serão empregadas em ações de segurança, nos dias 19 e 20 de março, na região metropolitana do Rio de Janeiro, por ocasião da visita oficial do Presidente dos Estados Unidos da América Barack Obama”.

Segundo o CML, as ações serão “emergenciais e temporárias” e contarão com a colaboração da Força Aérea e dos ministérios das Relações Exteriores e da Justiça, além dos órgãos de Segurança Pública federais, estaduais e municipais.

Fonte: Último Segundo

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Fotos do Dia Negócios e serviços Tecnologia

Chineses ineteressados em reiniciar a produção de helicópteros S-64

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Texto Plano Brasil

Informações: China Military Power

O venerável  helicóptero S-64  poderá ressurgir em uma nova vida caso um memorando de entendimento entre o detentor dos seus direitos a empresa Erickson Air-Crane e algumas empresas Chinesas incluindo a Avicopter cheguem a um acordo.

O Memorando de Entendimento, assinado em 7 de março na ocasião da feira aeroespacial Heli-Expo, em Orlando- Flórida, EUA, as empresas interessadas assinaram um contrato para aquisição e manutenção para cinco helicópteros S-64 e “kit”  “fire killer” para uso como um sistema de combate a incêndios e resgate vítimas.

As Autoridades dizem que é provável acordo pode se extender por pelo menos oito meses até a entrega das aeronaves.

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A Erickson desenvolveu um sistema de resposta a incidentes após ter recebido pedidos de clientes tis como o “Los Angeles County Fire Department” entre outros, diz gerente do programa Dennis Hubbard.

O sistema encomendado pelos chineses inclui um bocal de mangueira e tanque para combate a incêndio, “container” para resgate de até 50 pessoas, cesta de salvamento, e uma cápsula para até 18 pacientes de içada e equipada com UTI Aeromóvel.

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No âmbito do memorando de entendimento, as empresas também vão analisar a  criação de linhas de montagem para a produção de novas aeronaves, bem como instalações de manutenção e operações no Parque Industrial de Aviação de Kunshan , próximo a Xangai.

Atualmente além dos 17 helicópteros  que a Erickson possui e opera,  a empresa presta suporte para  outros 12 modelos da aeronave que ainda operam mundo afora.

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Acidentes e Catástrofes Fotos do Dia Geopolítica

Alerta: Novo incêndio atinge reator 4 de usina nuclear do Japão

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País se aproxima de desastre nuclear após incêndios e explosões em Fukushima; para França, situação só perde para Chernobyl.

Um novo foco de incêndio foi descoberto às 5h45 de quarta-feira no Japão (17h45 desta terça-feira em Brasília) na seção nordeste do prédio do reator 4 da usina nuclear japonesa de Fukushima Daiichi, disse Hajimi Motojuku, porta-voz da Tokyo Electric and Power Co. (Tepco), que administra a instalação.

O novo incêndio acontece um dia depois de uma explosão no reator 2 da usina e do primeiro incêndio no 4, que danificou o teto do edifício e emitiu radiação na atmosfera, causando pânico no país e pressionando o governo a tentar conter uma crise causada pelo terremoto de 9,0 graus seguido por tsunami de sexta-feira. Há informações de que o novo incêndio aconteceu porque o primeiro não foi extinto totalmente.

Níveis de radiação em áreas ao redor da usina nuclear, que aumentaram na tarde desta terça-feira, parecem ter diminuído durante a madrugada de quarta no país, disse a Agência Internacional de Energia Atômica da ONU (AIEA). Previamente, o porta-voz do governo, Yukio Edano, disse que o alto nível de radiação detectado no início da manhã após a explosão e o incêndio “certamente teria efeitos negativos no corpo humano”. Segundo a Tepco, no momento do pico de radiação, uma hora de exposição superava em oito vezes o limite legal permitido para um ano.

A crise nuclear aumenta o sentimento de incerteza em um país que tenta se recuperar de desastres que, estima-se, deixaram mais de 10 mil mortos e estremeceram a terceira maior economia do mundo.

A AIEA disse que outras usinas nucleares japonesas, como Onagawa, Tokai e Fukushima Daini estão “estáveis e seguras”, mas que a situação em Fukushima Daiichi, onde estão os reatores danificados, é preocupante. Segundo o diretor-geral da agência nuclear da ONU, Yukiya Amano, há o temor de que tenha acontecido um dano no núcleo do reator 2 da usina.

De acordo com a AIEA, 150 pessoas na região da usina foram examinadas para detectar possíveis contaminações por radiação. Já foram tomadas medidas para a descontaminação de 23 pessoas. O Itamaraty anunciou nesta terça-feira que o consulado do País em Tóquio lançou uma operação para resgatar brasileiros que vivem perto da instalação atômica.

A agência nuclear da ONU diz que o total de radiação a que uma pessoa normalmente se expõe durante um ano, contando todas as fontes normais, é de cerca de 2,4 milisieverts (unidade de medida que avalia os efeitos da radiação absorvida pelo organismo). Pessoas que vivem nas proximidades de instalações nucleares estão expostas a uma dose de 1 milisievert adicional ao ano, segundo a agência.

Dentro da usina de Fukushima Daiichi, uma medição chegou a detectar 400 milisieverts de radiação no ar, entre os reatores número 3 e número 4, antes do novo incêndio. Nos arredores da instalação, a quantidade de radiação liberada no ar chegou a atingir 11,9 milisieverts, mas caiu para 0,6 milisieverts seis horas depois.

A Organização Meteorológica Mundial disse que ventos começam a dispersar o material radioativo do ar para o oceano. No entanto, há previsões de que a direção das correntes de ar mudem na quinta-feira.

O primeiro-ministro japonês, Naoto Kan, pediu aos 140 mil moradores em um raio de até 30 quilômetros da usina que permaneçam dentro de casa com as janelas fechadas, para evitar a exposição à radiação. Autoridades também estabeleceram uma zona de exclusão aérea sobre o complexo nuclear.

Preocupações sobre a radiação atingiram Tóquio e outras regiões. Na Província de Ibaraki, ao sul de Fukushima, o nível de radiação na terça-feira estava 100 vezes maior do que o normal. Na Província de Kanagawa, a sudoeste de Tóquio, radiação nove vezes maior do que o nível normal também foi detectada. Na capital do país, os níveis estariam acima do normal, mas sem apresentar riscos à saúde, segundo o governo.

Cerca de 800 funcionários da usina também foram retirados do local, segundo a Tepco. Outros 70 continuam trabalhando para tentar conter o desastre.

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Segundo o presidente da Autoridade Francesa de Segurança Nuclear (ASN), André-Claude Lacoste, o acidente nuclear de Fukushima alcançou um nível de gravidade maior do de Three Mile Island, em 28 de março de 1979, mas não chegou ao nível de Chernobyl, de 1986.

“Está muito claro que estamos em um nível seis, que é intermediário entre o que aconteceu na ilha Three Mile e Chernobil”, disse o presidente da ASN, Andre-Claude Lacoste, em Paris nesta terça-feira. De acordo com a Comissão Europeia, cenário nuclear no Japão é “apocalíptico”.

O temor de que possa haver o derretimento dos núcleos dos reatores do complexo nuclear, que fica 250 km a nordeste de Tóquio, aumentou após a explosão na manhã desta terça-feira (horário do Japão), a terceira desde o terremoto que atingiu o país há quatro dias. A explosão ocorreu no reator 2, que os engenheiros tentavam estabilizar. Outros dois reatores já haviam sofrido explosões.

O primeiro incêndio no reator 4 nesta terça-feira teria queimado barras de combustível e levado a vazamentos radioativos.

Outras explosões

Na manhã de segunda-feira, uma explosão no reator número 3 da usina deixou 11 feridos, um deles em estado grave. A explosão foi sentida a 40 quilômetros da usina e fez com que uma imensa coluna de fumaça tomasse o local. Já a primeira explosão ocorreu no sábado, quando o reator 1 teve problemas.

As explosões foram precedidas por problemas no sistema de resfriamento dos reatores, que pararam de funcionar em consequência do terremoto que atingiu o país seguido por um tsunami.

As explosões em Fukushima causaram preocupação em diversos países do mundo com suas próprias instalações. Os governos da Índia, Alemanha, Suíça e Áustria também anunciaram mudanças em seus programas nucleares.

Revisão de magnitude

Especialistas do Instituto de Geofísica dos Estados Unidos (USGS) elevaram de 8,9 para 9 a magnitude do terremoto de sexta-feira, o que o torna o quarto mais forte já registrado no mundo desde 1900, informou a instituição.

Até agora, o mais forte terremoto do Japão tinha acontecido em 1933. Com 8,1 graus de magnitude, o tremor atingiu a região metropolitana de Tóquio e matou mais de 3 mil pessoas. Os tremores de terra são comuns no Japão, um dos países com mais atividades sísmicas do mundo, já que está localizado no chamado “anel de fogo do Pacífico”.

O país é atingido por cerca de 20% de todos os terremotos de magnitude superior a 6 que acontecem em todo o planeta.

Com BBC, AP e AFP

Fonte: Último Segundo

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Espaço Fotos do Dia Tecnologia

Robonauta vai se tornar mais novo membro da ISS

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Primeiro robô humanoide em uma viagem ao espaço vai realizar trabalhos técnicos e de manutenção.

O androide Robonauta, R2, será desempacotado nesta noite de terça-feira (15) para fazer parte da tripulação permanente da Estação Espacial Internacional (ISS), anunciou o próprio robô na sua conta do Twitter.

http://veiculoeletrico.org/wp-content/uploads/2010/03/010180100204-robonauta-1.jpg

“Estou esperando para ser desempacotado às 10h10. Meus sensores têm um formigamento de emoção!”, tuitou o androide.

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Os responsáveis pela operação, segundo indicou o robô em outra mensagem no Twitter, serão os especialistas da missão o americano Cady Coleman e o italiano Paolo Nespoli, da Agência Espacial Europeia.

R2 chegou à Estação Espacial Internacional (ISS) a bordo da nave Discovery, que antes de ser retirado de funcionamento pela Nasa, transportou peças de reposição, o Módulo Permanente Multiuso “Leonardo” e uma plataforma externa para armazenar carga.

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Vídeo: Androide vai viajar à Estação Espacial Internacional

O androide, que despertou grande interesse, se incorporará à tripulação para ajudar em trabalhos técnicos e de manutenção como a limpeza dos filtros dos equipamentos.

R2 é o primeiro robô humanoide em uma viagem ao espaço e servirá como teste aos cientistas para analisar como se desempenha sem gravidade, que preveem delegar mais funções pouco a pouco.

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Por enquanto, será instalado em umas semanas no laboratório Destiny e como bom exemplo das novas tecnologias manterá seus seguidores informando sobre o complexo espacial através do Twitter.

Fonte: Último Segundo

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Se a decisão do F-X2 demorar, FAB pode optar caças Dassault Mirage 2000-9 dos Emirados Árabes Unidos

http://3.bp.blogspot.com/_DOqSTiSBP3U/S8Qpmu3qibI/AAAAAAAAAmQ/_21CO1lKjos/s1600/8.jpgPrevendo uma alternativa para o sucessivamente postergado programa F-X (seja o 1, o 2 ou quantos vierem) e já antecipando o substituto para a frota de 12 caças Dassault Mirage 2000C/B, cuja desativação pode ocorrer a partir de 2014 (momento em que se encerra o contrato de manutenção dessas aeronaves com a França), comenta-se que a Força Aérea Brasileira (FAB) estaria analisando a possibilidade de adquirir dos Emirados Árabes Unidos (EAU) alguns exemplares do jato de combate Mirage 2000-9, a mais moderna versão deste caça em serviço no mundo.
Segundo o que apurou a reportagem de ASAS, a FAB deve enviar para os EAU pelos menos dois militares para analisar o estado estrutural e de conservação dos mesmos. Aproximadamente 60 Mirage 2000-9 estão em serviço nos EAU, que são equipados com radares RDY-2 e uma série de aviônicos dedicados para as missões de ataque ao solo, como o designador laser Shehab e o sistema de navegação por infravermelho Nahar, que transmite para o head-up display (mostrador digital ao nível dos olhos) do piloto imagens em alta definição do terreno a sua frente.

Além disso, os Mirage 2000-9 são equipados com sistema de comunicação segura e datalink.
Os EAU pretendem substituir, a médio prazo, pelo menos parte dos Mirage 2000-9 em serviço por aeronaves ainda mais modernas, como o caso do Eurofighter Typhoon, Dassault Rafale e Lockheed F-35. Até o momento, nenhuma decisão foi tomada, entretanto, alguns países já mostraram interesse em comprar esses aviões caso sejam desativados.

Com a desativação dos últimos Mirage IIIE/D da FAB, em 2005, o 1º Grupo de Defesa Aérea ficou sem nenhuma plataforma de combate para continuar com o cumprimento da sua missão. Naquela ocasião, para resolver temporariamente o problema, até que o vencedor do programa F-X fosse enfim anunciado, o Brasil adquiriu da França 12 Dassault Mirage 2000C/B usados, junto com um contrato de manutenção e treinamento especializados para os pilotos e mecânicos. Enquanto nenhuma decisão é tomada quanto ao F-X, a vida dos Mirage 2000C/B na FAB vai paulatinamente chegando ao fim.


http://www.aereo.jor.br/wp-content/uploads/2010/09/Mirage-2000-UAE-militaryphotosnet.jpg Dessa forma, os caças do EAU são uma boa opção para a FAB continuar com um vetor temporário de defesa aérea, uma vez que os seus militares já possuem boa familiaridade com os aviões da família deste caça.

Fonte:Revista Asas

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Conflitos Geopolítica

Governo do Bahrein decreta estado de emergência no país

Milhares marcham em direção à Embaixada da Arábia Saudita em Manama para protestar contra presença de tropas no país.

O governo do Bahrein declarou nesta terça-feira estado de emergência no país, na tentativa de conter os protestos antigoverno que ocorrem há mais de um mês. Segundo a agência de notícias oficial do Bahrein, a medida ficará em vigor durante três meses.

“Devido às atuais circunstâncias no Bahrein (…), o rei Hamad anunciou estado de emergência nacional a partir desta terça-feira por três meses”, indicou a televisão estatal.

Foto: Reuters

Veículos do Exército passam por ponte em Manama, capital do Bahrein

Também nesta terça-feira, milhares de manifestantes marcharam em direção à Embaixada da Arábia Saudita em Manama para protestar contra a presença de tropas no país no Bahrein. Na segunda-feira, cerca de mil soldados de cinco países do Golfo Pérsico chegaram ao Bahrein a pedido do governo do país. Além de Arábia Saudita, foram enviados soldados de Kuwait, Omã, Catar e Emirados Árabes Unidos.

Acredita-se que eles vão ser incumbidos de guardar instalações ligadas ao setor petrolífero e financeiro. A oposição do país afirmou que a presença de soldados estrangeiros corresponde a uma “ocupação”. Na segunda-feira, manifestantes xiitas continuam na Praça Pérola, na capital Manama, nas proximidades do coração financeiro da cidade.

No domingo, ocorreram os protestos mais violentos desde o mês passado, quando sete manifestantes foram mortos em choques com forças de segurança.

Dezenas ficaram feridos quando manifestantes enfrentaram a polícia e destruíram barricadas.

Os protestos no país são liderados pela maioria xiita, correspondente a 70% da população, que pede mais participação política. Muçulmanos sunitas detêm o poder no Bahrein há dois séculos.

Analistas dizem que outros regimes sunitas no Golfo Pérsico, especialmente na Arábia Saudita, temem que uma ruptura social no vizinho Bahrein, causada por protestos similares aos que derrubaram governos na Tunísia e Egito, leve a mais protestos na região, rica em petróleo.

Irã

O ministério das Relações Exteriores do Bahrein rejeitou as críticas iranianas ao envio de soldados estrangeiros ao Bahrein, acusando o Irã de “ingerência descarada” em assuntos internos do país. O embaixador do país em Teerã foi convocado para consultas.

O porta-voz do ministério iraniano das Relações Exteriores, Ramin Mehmanparast, afirmou que a presença de forças estrangeiras no Bahrei é “inaceitável”.

“Não achamos que seja justo que as forças de outros países, especialmente dos países do Golfo Pérsico, estejam presentes ou intervenham”, disse o porta-voc. “O povo do Bahrein tem aspirações legítimas que foram expressas pacificamente. É preciso evitar que estas aspirações legítimas sejam respondidas com violência.”

Com EFE e BBC

Fonte: Último Segundo

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Exploração de petróleo reaviva indústria naval no Brasil

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Paulo Cabral

Enviado da BBC ao Rio de Janeiro

A descoberta das reservas de petróleo do pré-sal em 2007 fez com que o governo Lula apostasse no renascimento da indústria naval com base em lucros futuros da exploração e produção do produto e forte investimento estatal no presente.

Hoje o setor emprega 56 mil pessoas; há dez anos, empregava duas mil.

Projetos ligados ao petróleo como a construção da plataforma P-56 são os que oferecem mais oportunidades. A Transpetro, a subsidiária de transportes da Petrobras, já encomendou 41 navios aos estaleiros brasileiros.

Em Angra dos Reis, sul fluminense, funciona um dos 37 estaleiros atualmente operando no Brasil. A maioria reabriu nos últimos anos depois de décadas de decadência.

Fonte: BBC Brasil