Defesa & Geopolítica

Air France indiciada por queda de voo

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Depois de culpar a Airbus pela morte de 228 pessoas entre o Rio e Paris, em maio de 2009, Justiça francesa condena mais um

A Justiça francesa indiciou ontem a companhia aérea Air France por homicídios culposos no acidente do Airbus A330 que caiu no Oceano Atlântico com 228 pessoas a bordo em 31 de maio de 2009, quando voava entre o Rio de Janeiro e Paris. Quinta-feira, a Airbus foi indiciada pelo mesmo crime. Depois de um interrogatório de menos de uma hora em uma primeira audiência, a companhia aérea, representada pelo diretor general Pierre Henri Gourjon foi indiciada como pessoa jurídica por homicídios culposos pela juíza Sylvie Zimmerman. Os dois indiciamentos são os primeiros do processo, condicionado à eventual localização das caixas-pretas do Airbus A330 que caiu na costa do Brasil quando voava para Paris.

A decisão judicial foi anunciada às vésperas do início da quarta operação de busca do Airbus A330 da Air France. Em 20 de março, os especialistas começarão uma quarta fase de buscas em uma zona até agora não explorada de 10 mil km² para tentar encontrar as caixas-pretas da aeronave. Em 2009, familiares das vítimas – que incluem 72 franceses e 59 brasileiros – entraram com uma ação na justiça francesa para exigir uma investigação do acidente.

A Air France eximiu-se de culpa diante da justiça pelo acidente com o voo 447. A empresa acusou indiretamente os fabricantes Airbus e Thales por falhas, de acordo com uma fonte próxima às investigações. As especulações sobre a causa do acidente centralizam-se em um possível congelamento dos sensores de velocidade da aeronave, a sonda Pitot, que teriam apresentado leituras inconsistentes. “Nenhuma quebra das normas por parte da Air France pode ser apontada”, anunciou a companhia aérea em comunicado, detalhando os acontecimentos que precederam o acidente, em junho, do A330-200, que seguia do Rio de Janeiro para Paris.

A empresa também indicou que um memorando de 15 páginas, ao qual a AFP teve acesso, foi “recentemente” entregue à magistrada Sylvie Zimmermann em Paris e a especialistas envolvidos na investigação. O ministro dos Transportes francês declarou na quinta-feira que uma nova busca pelas caixas-pretas da aeronave será iniciada em fevereiro de 2011. Em relatórios anteriores, os investigadores do caso haviam apontado que as sondas de velocidade Pitot do avião, fabricados pela francesa Thales, estava fazendo leituras errôneas, mas estimaram que isso não deve ter sido a causa isolada da tragédia.

Mensagens

Uma série de mensagens automáticas incongruentes foram emitidas pelo computador de bordo pouco antes da aeronave desaparecer dos radares. Equipes de bordo voando em aviões da Airbus em vários pontos do mundo já vinham relatando anomalias com as sondas, antes do acidente com o Airbus da Air France – que alega ter, na época, começado a buscar soluções para o problema. “A análise cronológica mostra que a Air France manteve-se ativa na tentativa de resolver os problemas ligados ao mau funcionamento das sondas Pitot”, destaca o documento da empresa francesa. “A Airbus e a Thales enxergaram estes eventos como menores e sem potencial para consequências catastróficas”, completa. E afirma: “É impossível estabelecer com certeza uma relação de causa e efeito entre o mau funcionamento das sondas Pitot e o acidente” com o AF447.

A Air France indica ainda ter alertado a Airbus várias vezes sobre uma série de incidentes com as sondas da Thales. A associação das famílias das vítimas, dirigida por Jean-Baptiste Audousset, disse que o memorando mostra que a Air France reconhece que sabia do perigo representado pelas sondas defeituosas, mas continuou a voar com elas apesar disso. “Com este documento, a Air France confirma oficialmente que os problemas com as sondas Pitot constituíam um risco crítico para a segurança dos voos, e que estava ciente disso, uma vez que já vinha discutindo o assunto com a Airbus há algum tempo”, argumentou Audousset.

O sindicato francês de pilotos Alter, por sua vez, afirmou que o memorando revela a batalha travada entre as diferentes empresas envolvidas na catástrofe do AF447, que tentam responsabilizar uma à outra pelo acidente – e, assim, evitar prejuízos com o pagamento de indenizações.

Fonte: Estado de Minas via NOTIMP

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