Defesa & Geopolítica

Gaddafi trabalha em acordo para deixar o poder e o país, diz CNN

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Muammar Gaddafi

O ditador líbio, Muammar Gaddafi, está trabalhando em um acordo para deixar o governo após 41 anos e para isso quer que os rebeldes da oposição garantam passagem segura para fora do país e que nem ele, nem sua família, sejam processados, informa a rede de TV americana CNN. Os rebeldes de oposição, que controlam o leste do país, rechaçaram a oferta.

Gaddafi teria proposto um encontro do Parlamento líbio para acordar os termos da transição e os passos para sua renúncia. Segundo a TV Al Jazeera, os termos do ditador incluem ainda uma boa quantia em dinheiro.

O ditador teria inclusive enviado o ex-premiê Jadallah Azzouz Talhi para se reunir com os rebeldes e trabalhar na versão final de um acordo, pelo qual ele entregaria o poder a um comitê formado pelo Congresso Geral do Povo.

O governo de Trípoli não confirmou a informação.

A proposta, contudo, já teria sido rejeitada pelo Conselho Nacional de Transição, órgão criado por parte dos rebeldes de oposição em Benghazi. Eles alegam que uma saída “honrosa” de Gaddafi ofenderia as vítimas da violência de suas forças.

Os rebeldes ofereceram, contudo, várias contrapropostas. Entre elas, que Gaddafi assuma imediatamente que não é o líder da Líbia, segundo Amal Bugaigis, membro do opositor Coalizão 17 de Fevereiro, citado pela CNN.

“Acho que houve uma tentativa da gente de Gaddafi [de negociar] com o Conselho Nacional. Foi rechaçado”, confirmou Mustafá Gheriani, responsável pelas relaçoes com a imprensa. “Não vamos negociar com ele. Ele sabe onde está o aeroporto de Trípoli e o que tem que fazer é ir embora e por fim ao banho de sangue”.

1970, o general revolucionário – Inspirado no líder egípcio e nacionalista árabe Gamal Abdel Nasser, aos 27 anos Muammar Gaddafi lidera as tropas revolucionárias que tomaram o governo do país, no dia 1º de setembro do mesmo ano.

PRESSÃO

A notícia de um possível acordo chega após um dia de grande escalada na pressão internacional. A Casa Branca afirmou nesta segunda-feira que os Estados Unidos estudam, entre as muitas opções para lidar com a crise naquele país, armar os rebeldes que lutam contra forças leais a Gaddafi.

A afirmação foi feita após o presidente norte-americano, Barack Obama, e a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) terem reconhecido com cautela, em mais um dia de intensos e violentos confrontos, que uma intervenção militar no país do norte da África não está descartada.

Obama havia advertido aos seguidores do ditador líbio que eles responderão por seus atos e pelo uso da violência contra os rebeldes no país.

“Quero dizer àqueles próximos [a Gaddafi] que depende deles tomar a decisão sobre como querem agir daqui por diante”, assinalou Obama na Casa Branca, onde se reuniu com a primeira-ministra da Austrália, Julia Gillard. “Terão de prestar contas por qualquer ato de violência que ocorrer.”

Obama disse ainda que a Otan deve se reunir em Bruxelas para discutir uma reação à violência na Líbia, incluindo incursões militares.

“Enquanto isso, temos a Otan, com quem falamos, que está consultando em Bruxelas o amplo leque de potenciais opções, incluindo potenciais ações militares, como resposta à violência que continua acontecendo na Líbia”, explicou Obama.

Na frente europeia, o Reino Unido confirmou que prepara um projeto de resolução na ONU (Organização das Nações Unidas) sobre uma zona de exclusão aérea no território líbio. O projeto, que conta com apoio da França, Liga Árabe, e Estados Unidos, é rejeitado pela Rússia –que tem poder de veto no Conselho de Segurança.

A zona de exclusão é um pedido doa próprios rebeldes para conter os bombardeios das Forças Aéreas de Gaddafi.

Enquanto uma decisão não é tomada, o embaixador americano na Otan, Ivo Daalder, disse que a aliança ocidental já havia concordado em aumentar a vigilância aérea da Líbia com aviões para 24 horas por dia, dando aos planejadores militares uma visão detalhada do terreno enquanto forças pró-Gaddafi entram em sangrentos conflitos com os rebeldes.

Anteriormente, a vigilância era feita por cerca de 10 horas por dia. Um porta-voz do Pentágono afirmou que nenhuma aeronave americana está envolvida na missão.

A Otan já realizou duas missões de exclusão aérea na década de 1990, uma durante a guerra da Bósnia-Herzegovina e outra no conflito do Kosovo.

Fonte:  Folha

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