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Conexão Geo com Cmte. Leonardo Mattos

Conexão Geo 33

1) Atualizando a crise com o Irã.

2) As tensões que correlacionam China, EUA, Hong Kong e Taiwan.

3) 42 Reunião do Tratado Antártico.

 

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Estudo de palestinos ajuda a compreender sua sociedade fraturada

Nakba – “catástrofe” em árabe – expulsão das populações árabes pelos israelenses durante a guerra de 1948

 

Por José Ailton Dutra Júnior*

A Questão Palestina é um dos temas centrais da história contemporânea, pois a existência de uma sociedade que vive dividida em uma população exilada e expulsa por um movimento colonial de origem europeia apoiado pelas potências capitalistas anglo-saxãs hegemônicas no mundo desde o fim das guerras napoleônicas (primeiro a Grã Bretanha e depois EUA)-o sionismo-e outra sobre a ocupação do estado criado por esse movimento (Israel), sendo que esse povo é a população nativa do país no qual se encontram alguns dos mais importantes sítios religiosos da duas maiores religiões do mundo (Cristianismo e Islamismo), sendo esse país uma terra sagrada para essas religiões e o povo vítima dessas perseguições ter populações que as praticam, se trata de um fato que de forma, direta ou indireta, acaba envolvendo. Aceitar ou repudiar o destino imposto ao povo palestino, nessa situação, significa definir um padrão de como se devem tratar os seres humanos nos séculos seguintes em todo o globo: ou se aceita que os direitos humanos, como definidos na Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948, assinada pela maioria dos estados do mundo, são válidos- ao menos teoricamente-para todos os seres humanos, ou ela se aplica a alguma minoria poderosa e privilegiada dentro da ordem mundial atual.

Evidentemente, os palestinos não são a única população no mundo que sofre injustiças terríveis. Podemos citar os habitantes da Nova Guiné Ocidental vitimados por uma brutal ocupação militar da Indonésia (que pode ter matado entre 100 e 500 mil pessoas, segundo diversos órgãos de imprensa) cujo objetivo é entregar suas terras, florestas e subsolos para o saqueio por parte das corporações multinacionais americanas, australianas e britânicas, dentre outros países. Podemos citar a questão dos curdos na Turquia, país da mesma região da Palestina e de certa forma um vizinho, cujas políticas repressivas e negação de direitos, em maior ou menor grau, independente se suas forças políticas tenham ou não se aliado aos EUA e Israel, caracteriza a conduta padrão do estado turco há um século. Podemos citar inúmeros e mais terríveis e sangrentos casos, em relação à Palestina, ao longo do continente africano e outras partes do mundo. Todos são acontecimentos importantes, mas em nenhum deles existe essa questão colocada pela existência do drama palestino: o povo nativo da Terra Santa cristã e muçulmana, falante da mesma língua que os habitantes dos países vizinhos, compartilhando com eles-exceto os egípcios- uma identidade maior síria- foi parcialmente expulsa por colonos de origem judaica (que também considera a Palestina e vários de seus lugares sagrados), cujos líderes fundadores e movimentos vieram da Europa, e outro esta exilada nos países vizinhos, mas cada vez mais possui comunidades dispersas pelo mundo.

Por isso, para se poder compreender a Questão Palestina também é necessário conhecer informações básicas sobre a sociedade palestina e sua história. Bons sites, boas reportagens, bons documentários e bons livros de divulgação ajudam a começar a entender esse assunto tão complexo. Uma compreensão mais profunda requer livros de caráter mais acadêmico e uma das melhores obras nesse sentido é o trabalho de Samih K. Farsun e Christina E. Zacharia Palestina and the Palestinian, publicado em Nova York em 1997.

Infelizmente, como acontece com muitos livros bons em diversas áreas das ciências humanas, esse trabalho não foi editado no Brasil, mas ele pode ser encomendado pela internet em sites estrangeiros.

Nesse trabalho, os dois autores palestinos irão mostrar a sociedade palestina como ela existiu antes de depois da Nakba (desastre em árabe, a expulsão de 700 mil palestinos pelos sionistas em 1948), mais especificamente como era a sociedade palestina desde o século XVIII, as transformações por que passou no século XIX (Reformas Tanzimat no Império Otomano e a penetração do capitalismo ocidental), a colonização britânico-sionista (1918-1948), e depois, a sua transformação profunda como resultado da Nakba e sua divisão em três segmentos: os exilados, os habitantes da Faixa de Gaza e Cisjordânia (conquistados por Israel na guerra de 1967), os habitantes do interior do estado de Israel.

Os autores, ao falarem da sociedade palestina antes de 1948 comentam também sob sua geografia e a influência que esta teve na formação das culturas locais e nos sistemas econômicos de cada localidade e região que compõe a Palestina, assim como o papel importante dela como Terra Santa para muçulmanos e cristãos e, por isso, um local de peregrinação importante no Oriente Médio por séculos. (Estes fatos: abrigar lugares sagrados muçulmanos, cristãos e judeus), além de ser uma das rotas mais importantes de peregrinação para Meca e Medina (os dois mais importantes lugares sagrados do islamismo) na Arábia ocidental sempre a colocou em destaque em termos geopolíticos e também ajudou a configurar a sua economia, pois alimentar, ajudar a transportar, abrigar e vender artigos religiosos ou de outros tipos aos peregrinos sempre foi uma receita importante para a economia das cidades palestinas e fez com que duas delas se destacassem nesse processo: Jerusalém e a cidade portuária de Haifa, atualmente dentro do estado de Israel.

Um outro aspecto importante para se entender a sociedade palestina até o começo do século XX é o seu pertencimento a Síria histórica-geográfica fazendo com que a população palestina compartilhe a mesma língua (em versões dialetais locais): o árabe-levantino ou árabe sírio, e uma cultura e identidade mais geral, embora seus particularismos sejam importantes também para se poder compreender a sua dinâmica interna e particularismo culturais-religiosos importantes como a forte devoção aos profetas Moisés e Saleh, objetos de cultos nas mais importantes festas palestinas até a Nakba no qual participavam tanto muçulmanos como cristãos e também judeus não sionistas.

Celebração de um Casamento em 1929 em Ramallah, Sede Atual da Autoridade Palestina

Uma ideia central, segundo Farsun e Zacharia, é importante para se entender os palestinos antes e depois da Nakba: antes de 1948 os palestinos eram, apesar das modificações provocadas pela penetração capitalista ocidental desde o século XIX, uma sociedade que ainda era muito regida pelos valores tradicionais ligados a vida aldeã, a forte presença da religião (muçulmana ou cristã) na organização da vida privada e publica e os laços comunitários dos complexos familiares (hamulas) nas aldeias interioranas, um mundo assentado ainda em uma base econômica majoritariamente agrícola; depois da Nakba, diante do exílio ou da ocupação israelense, a antiga estrutura perde o sentido, apesar dos esforços dos palestinos para mantê-las. Como resultado a alfabetização, urbanização, proletarização, emancipação das mulheres, difusão dos ideais socialistas, comunistas, terceiro-mundistas e pan-árabes, democráticos e o islã político conservador moderno (que se expande com mais força a partir dos anos 1980), uma vida marcada pela precariedade, o receio e a presença da violência e da segregação, mudam o perfil psicocultural das gerações palestinas pós 1948 em relação aos seus antecessores. Também, como apontam Farsun e Zacharia, no caso dos refugiados: estes se dividiram em dois grupos: os das antigas elites palestinas, cuja possibilidade de reconstruir suas vidas era muito mais fácil, e os pobres que irão sentir todo o peso da condição de exilados.

O território da Palestina, como Farsum e Zacharia mostram, era tradicionalmente dividido em dois grupos de populações cujos meios de vida faziam com que se relacionassem constantemente a ponto de viverem em simbiose econômica: os beduínos nômades ou seminômades-dependendo da tribo-de economia pastoril, que se fixavam nas terras baixas ou nas zonas semidesérticas e as populações sedentárias, vivendo principalmente nos planaltos, majoritariamente de economia agrícola, no qual o sistema de posse coletiva da terra (chamada Musha´a) e distribuição dos lotes de acordo ao tamanho e necessidades das famílias era predominante. Junto a isso estavam as identidades coletivas locais baseadas nas hamulas, grupos de aldeias e regiões sobre o qual surgiam lideranças que eram reconhecidas oficialmente pela administração otomana. Os camponeses eram socialmente submetida à notáveis que viviam em aldeias maiores ou nas cidades. Essa população rural sustentava a população urbana de localidades como Nablus, Jerusalém, Haifa, Jaffa, Hebrom, Gaza, Belém e outras, que, no caso das cidades interioranas, formavam sistemas econômicos locais (no qual o artesanato e o comércio eram as atividades principais) com culturas regionais bem definidas, sendo que várias, ou eram cidades sagradas ou com locais sagrados ou eram parte das rotas de peregrinação religiosa e nas litorâneas no qual haviam os contatos permanentes com o exterior por meio do comércio internacional. Em Jerusalém havia também os Ashraf: as famílias descendentes dos generais conquistadores árabes do século VII, a quem o Califa Omar havia dado a guarda ou proteção dos lugares sagrados da cidade. Esse grupo tinha um papel de liderança na Palestina e se sobrepunha aos notáveis urbanos do restante do país.

Sobre esse complexo sistema econômico-social se imporá a ordem internacional capitalista vinda da Europa e estimulado pelas reformas sociais, legais, administrativas, econômicas e políticas pelo governo otomano desde 1839 chamadas de tanzimat (reorganização em turco). Estas reformas estabeleceram a propriedade privada plena e as garantias legais para sua estabilidade e transmissão por herança (cujos resultado a longo prazo será a formação de grandes propriedades fundiárias nas mãos das elites em todo país), centralização administrativa, regularização e modernização do sistema fiscal, igualdade jurídica entre muçulmanos e não-muçulmanos entre outras medidas. Esse processo de modernização otomana, por conta da expansão do imperialismo europeu (especialmente o britânico no caso da Palestina) teve como resultado a entrada do capital europeu na economia local orientando-a para as necessidades dos mercados ocidentais (exportações de produtos agrícolas como laranja e trigo), investimento e controle europeu das infraestruturas modernas como ferrovias, telégrafos e navegação a vapor entre outros, controle financeiro anglo-francês do governo otomano com impacto sobre a Palestina, importação de bens indústrias europeus (particularmente os britânicos), o que levou ao desenvolvimento de uma classe mercantil vinculada aos capitalistas europeus. Isso modificou a estrutura social, levando a progressiva proletarização dos camponeses, a introdução do sistema moderno de trabalho assalariado, decadência da classe artesanal nas cidades, o desmonte progressivo do sistema de propriedade coletiva musha´a e o aumento da diferenciação social e da concentração de renda.

Tudo isso foi muito intensificado após a Guerra da Crimeia (1853-1856) no qual o Império Otomano participou ao lado da Grã-Bretanha e da França contra a Rússia. Farsun e Zacharias comentam que “a penetração econômica imperialista do século XIX (que desviou para os seus interesses os efeitos das reformas tanzimat) criou as condições para que a colonização sionista pudesse acontecer”, pois ela foi retirando, progressivamente do controle otomano a Palestina e permitindo aos europeus se estabelecerem no país como privilegiados com poder econômico e social, fato que irá caracterizar os colonos sionistas no século XX sob a ocupação britânica.

Por outro lado, a modernização também levou a formação de um setor social com educação técnica e cultural moderna vivendo nas cidades, constituindo uma nova classe média, e a formação de ideias político-sociais distintas dos comunitarismos religiosos, clânicos, nômades, regionais e locais e outros que se expressavam no aparecimento da noção de nacionalismo (palestino, sírio, pan-árabe) e nos diversos projetos políticos-ideológicos de origem europeia: democracia, liberalismo, modernização econômica, a ideia moderna de tolerância religiosa e secularismo, etc.

Após a Primeira Guerra Mundial que levou a derrota do Império Otomano (aliado da Alemanha), a ocupação britânica em 1918 e o estabelecimento do mandato pela Liga das Nações (1920-1948) trouxe o projeto de colonização judaica promovido pelas elites britânicas que aceitaram promover o projeto do movimento sionista estabelecido por estes durante o I Congresso Sionista de 1897 em Basileia na Suíça. A Declaração Balfour de 11 de novembro de 1918 estabeleceu publicamente essa aliança entre sionistas e o império Britânico que tinha na burguesia financeira judaica inglesa, como o ramo britânico dos Rothichilds, os intermediários.

Farsun e Zacharias mostraram em seu trabalho como, ao longo de todo o mandato e independente dos críticos ingleses dentro e fora do governo, como o governo mandatário britânico (na verdade um governo colonial) promoveu uma política para aumentar a imigração judaica, protege-la economicamente, desfavorecer até as classes dominantes palestinas e fazer do cada vez maior enclave judeu uma zona mais ricas, mais industrializada, incorporadora de tecnologias estrangeiras e com melhores indicadores sociais. Ela era protegida até mesmo da concorrência econômica da burguesia metropolitana. Sua população cresceu de 84 mil em 1922 para 640 mil em 1947 (a população árabe era 666 mil em 1922 e 1,300 milhão em 1947). Essa colonização foi acompanhada de uma agressiva política de colonização por meio da compra de terras e o estabelecimento de colônias agrícolas (Kibbutzim) o e fechamento do mercado de trabalho judeu para os árabes, além disso aos judeus foi permitido a formação de uma força armada e seus grupos milicianos ilegais não eram reprimidos com muita ênfase. O resultado disso foi uma série de confrontos que culminaram na revolta anticolonial de 1936-1939 cuja derrota, desarmamento, controle policial da população, exílio ou prisão da classe política da época teve um impacto social e psicológico devastador que estabeleceu as condições locais finais para a Nakba de 1948.

Após 1948, Farsun e Zacharia, mostram como os palestinos se esforçaram para manter a sua unidade cultural e espiritual, identidade e recordação de sua pátria unificada em meio à realidade dura do exilio ou ocupação israelense. Apesar do apoio popular a sua luta no Mundo Árabe e do reconhecimento internacional do seu drama (por exemplo, a Resolução 194 da ONU de 11 de dezembro de 1948 exigindo o retorno dos exilados), os palestinos irão enfrentar em muitos países discriminação e restrição aos seus direitos vivendo a maioria nos inúmeros campos de refugiados montados nos países vizinhos e sob a administração de uma agência da ONU – a URWA, sigla em inglês para a Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados dos Oriente Próximo.

Família de refugiados palestinos no campo de Wadi Seer, na Jordânia em 1958.

A divisão da sociedade palestina em três grupos: os exilados, os habitantes de Gaza e Cisjordânia (sob a ocupação de Israel a partir de 1967) e os que viviam dentro do estado de Israel (definidos oficialmente como árabes de Israel) e que receberam uma cidadania de segunda mão e uma prática social marcada por forte discriminação racial, criou três distintas realidades que aumentava a tensão ainda mais por dentro a fraturada e traumatizada sociedade palestina e os obrigou a mudar muitos aspectos de sua vida para poder resistir ao poder sionista e o seu patrocinador principal desde 1967: os EUA. Os palestinos exiliados (6-7 milhões hoje) viveram em constante precariedade, nunca tendo certeza sobre o seu futuro e com a sombra da guerra sempre presente. Muitos se tornaram imigrantes, buscando emprego no exterior-particularmente a Europa e os estados árabes do Golfo Pérsico- formando novas comunidades de exilados nesses países e, no caso dos estados árabes do Golfo, formando desde os anos 1960, uma importante classe média de técnicos, médicos, professores e dirigentes que muito contribuiu com o desenvolvimento trazido pela riqueza do petróleo. Na Jordânia, a enorme população palestina também teve um papel similar, embora, por seu tamanho, muitos se tornaram um componente central da classe trabalhadora jordaniana. Mas essa população exilada sofreria muito com as guerras em diversos desses países (Jordânia 1969-1970), Líbano (1975-1990), Kuwait (1991), Iraque (2003-2009) e Síria (2011 ao presente), tendo estas as marcado e ajudado a definir sobre nova forma a sua identidade.

Já os habitantes de Gaza e Cisjordânia, que também tem refugiados vindos do território israelense, primeiro tiveram seus territórios sobre o controle de estados árabes vizinhos (Egito no primeiro caso e Jordânia no segundo) e depois passaram a viver sobre uma cada vez mais dura ocupação militar israelense, no qual a limpeza étnica e a colonização judaica eram realidades presentes. Estes palestinos passaram, após a guerra de 1967, por um processo de proletarização e urbanização, muitos deles se transformando em trabalhadores mal remunerados dentro de Israel. Estes, ainda mantiveram certas estruturas sociais anteriores a Nakba, como as hamulas, e a influência social das antigas famílias de notáveis, mas também, por conta da pressão sionista e influência de ideologias e movimentos progressistas do Mundo Árabe e de outras regiões do planeta, a se afastar dos valores tradicionais da sua antiga sociedade camponesa. Isso era evidente nas novas gerações nascidas depois dos anos 1950. Se os palestinos exilados se modernizavam como forma de resistir aos males do exílio, os de Gaza e Cisjordânia, como forma de resistir a perde de grande parte do seu país primeiramente e depois para enfrentar a dureza da ocupação israelense e da ausência de direitos.

Campo de Refugiados palestinos de Sabra, em Beirute, capital do Líbano

É dentro desse processo de modernização, explicam Farsun e Zacharia, que se deve entender a emergência dos movimentos políticos e guerrilheiros palestinos dos anos da Guerra Fria como a OLP (Organização para a Libertação da Palestina) de Yasser Arafat, a Frente Popular de Libertação da Palestina, de Georges Habash, marxista-leninista e a Frente Democrática de Libertação da Palestina de Nayef Hawatmeh, também marxista e sediada em Damasco, capital da Síria ou uma organização pan-arabista surgida no Líbano, mas fundada também por muitos palestinos exilados como o Movimento Nacionalista Árabe. Somente, por volta da década de 1980, é que o islã político crescerá para influenciar a luta palestina, sendo o grupo Hamas o mais importante deles.

O trabalho de Farsun e Zacharia é de 1997 e, portanto, não aborda a época do governo de Sharom (2001-2006), os ataques israelenses de 2002, a construção do Muro na Cisjordânia, a morte de Yasser Arafat e demais acontecimentos das últimas duas décadas e seu impacto sobre a sociedade palestina-no exílio ou vivendo sob o domínio israelense, mas ele fornece informações vitais para se compreender a condição dessa sociedade fraturada e traumatizada, mas cuja luta ajudará a definir os rumos que a humanidade tomará no século XXI e com isso os caminhos próprios da modernidade.

Mapa da atual ocupação política e militar israelense nos territórios palestinos.

 

* Doutor em História pela Universidade de São Paulo e especialista em História Contemporânea e Geopolítica do Oriente Médio e Mundo Árabe.

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Conflitos Geopolítica Traduções-Plano Brasil

CENTCOM apresenta vídeo do abate da aeronave BAMS-D da Marinha dos EUA no Estreito de Ormuz

Tradução e adaptação-E.M.Pinto

O Comando Central dos EUA (CENTCOM) confirmou que uma aeronave não tripulada de Vigilância Marítima de Área extendida da Marinha dos EUA (acrônimo em inglês- BAMS-D) foi derrubada por um sistema de mísseis terra-ar iraniano. 

O comando afirmou que a aeronave estava operando no espaço aéreo internacional sobre o Estreito de Hormuz, aproximadamente às 23h35 GMT de 19 de junho de 2019.

O CENTCOM refutou as reportagens iranianas de que a aeronave estava sobrevoava o espaço aéreo do Irã.

De acordo com uma nota do New York Times, os preparativos para um ataque de retaliação pelos EUA estavam bem encaminhados quando foram abruptamente cancelados. O ataque seria realizado na madrugada de 21 de junho para minimizar o riscos de danos aos civis iranianos. Outros artigos afirmaram que os ativos da Marinha dos EUA na região foram colocados em um período de 72 horas de espera para um possível ataque.

O BAMS-D é um sistema de aeronave não tripulada de grande altitude (acrônimo – HALE), baseado na aeronave RQ-4A Global Hawk e é um predecessor do MQ-4C Triton (imagem) , que inicialmente havia sido suspeito de ter sido abatido.

Informações das redes iranianas dão conta que a aeronave sobrevoava  área conjuntamente a uma aeronave P8 Poseidon o qual possuia 35 tripulantes. Em nota, os oficiais iranianos atestam que poderiam ter abatido o P-8 com seus 35 tripulantes, mas mandaram um recado à Washington ao selecionar a aeronave não tripulada que segundo eles, sobreboava o seu espaço soberano. O pentagono refuta veementemente estas informações.

 

Fonte: Naval Today

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Conflitos Economia Geopolítica

Plano Brasil/Relações Brasil Versus OCDE/Análise: “Ingresso do Brasil pode levar até cinco anos, diz Diretor de Assuntos Jurídicos da OCDE, mas que fique claro, não por culpa do Brasil!”

NOTA DO PLANO BRASIL, por Gérsio Mutti: Plano Brasil/Relações Brasil Versus OCDE/Análise: “Ingresso do Brasil pode levar até cinco anos, diz Diretor de Assuntos Jurídicos da OCDE, mas que fique claro, não por culpa do Brasil!”

Fonte da matéria em questão: [PDF]Clipping-Notícias/Câmara dos Deputados (https://www2.camara.leg.br/atividade…/18-06-2019…/file), Representação Brasileira no Parlamento do Mercosul, Clipping-Notícias, 18/06/2019, Sumário Notícias, Senado Notícias: Valor Econômico, Brasil, Página A2, Terça-Feira, 18/Junho/2019 (https://www.valor.com.br/brasil/6310591/ingresso-do-brasil-pode-levar-ate-cinco-anos-dizdiretor-da-ocde) … Ingresso do Brasil pode levar até cinco anosdiz diretor da OCDE ………………………………… 5.

Em destaque na capa do jornal Valor Econômico de Terça-Feira, 8/Junho/2019: “A entrada do Brasil na OCDE permanece em compasso de espera, mas não por culpa do Governo Brasileiro. Segundo o Diretor de Assuntos Jurídicos da OCDE, Nicola Bonucci, os 36 países membros têm dificuldades para chegara um consenso sobre quais candidaturas priorizar, assim como sobre o calendário das adesões. Mas ele está otimista com relação ao pedido brasileiro.”

 Ingresso do Brasil pode levar até cinco anos, diz diretor da OCDE

 Por Gabriel Vasconcelos | Do Rio

Valor Econômico, Brasil, Página A2, Terça-Feira, 18/Junho/2019

A entrada do Brasil na Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) permanece em compasso de espera, mas não por culpa do governo brasileiro. Segundo afirmou ao Valor o diretor de assuntos jurídicos da organização, o ítalo-francês Nicola Bonucci, os 36 países membros têm dificuldade para definir quais candidaturas priorizar, assim como sobre o calendário das adesões. Na OCDE, toda decisão tem de ser tomada por consenso.

Mas o principal responsável pelos processos de adequação à organização se diz otimista com relação ao pedido brasileiro: “Tenho muita dificuldade de imaginar um cenário em que o Brasil fique de fora das novas adesões.” Bonucci afirma, porém, que o tempo mínimo do processo de adesão não será menor do que três anos e, no caso do Brasil, pelo tamanho da economia, pode levar até cinco anos, o que impediria o governo Bolsonaro de colher os frutos políticos da integração.

Em visita ao Brasil para o Congresso Mundial de Câmaras de Comércio, realizado na semana passada, no Rio, Bonucci disse que o tempo de adequação brasileira aos termos da OCDE pode ser abreviado, em caso de aprovação, porque o governo Bolsonaro promove uma série de reformas coerentes com a cartilha da organização.

“Algo muito importante em curso, e que costuma tomar muito tempo, é o ajuste ao código de liberalização da economia em matéria de movimentação de capitais”, afirma. “O Brasil tem todas as cartas [para entrar na OCDE]. Faz parte da convenção anticorrupção da organização e o que se passou neste país nos últimos dois ou três anos atesta que há um trabalho sendo feito nesse sentido”, opina.

Além do Brasil, cinco países apresentaram candidaturas à OCDE, dois latino-americanos (Argentina e Peru) e três europeus (Romênia, Bulgária e Croácia). Bonucci diz que ainda não há uma escolha e que um grupo “importante” de membros defende o escalonamento das adesões, de modo que diferentes blocos de países sejam aceitos com uma diferença de meses.

Uma reunião do conselho da OCDE, que reúne embaixadores, está prevista para esta semana. A ideia, segundo Bonucci, é avançar nas discussões para começar tratativas prévias, mesmo que a formalização dos primeiros processos de adesão possa vir somente em um horizonte de seis meses ou mais.

O grupo de países céticos ao ingresso simultâneo de novos sócios argumenta que esse processo pode sobrecarregar a administração da OCDE. Bonucci discorda. “No passado recente, entre 2007 e 2010, abrimos processos de adesão para cinco países ao mesmo tempo. Então podemos fazer”, diz. Ele faz referência aos casos de Chile, Israel, Eslovênia, Estônia e Rússia. Destes, só processo da Rússia não foi à frente em razão da invasão na região da Crimeia, em 2014, abrindo conflito com a Ucrânia.

Com relação à articulação dos apoios, o dirigente é evasivo. Não é segredo que os membros da União Europeia fazem forte lobby para que todos os seus membros integrem a OCDE e, por isso, exigem uma entrada pareada dos países que apoia com outros, apoiados pelos EUA, como são os casos de Brasil e Argentina.

Quanto à articulação em torno do pedido brasileiro, o diretor da OCDE afirma que a conjuntura mudou desde que Washington formalizou seu apoio ao Brasil em reunião do conselho no último 23 de maio. Até então a posição americana era lida como dúbia nos bastidores da organização. Além disso, o país contaria, desde o início, com o apoio do Japão, voz importante no processo decisório fora do eixo EUA-UE. “O Japão é muito favorável à candidatura brasileira e isso é um elemento importante”, afirma. “Nenhum país fez objeção oficial a entrada do Brasil”, diz ele, para sugerir, em seguida, que alguns condicionam seu aval a outras adesões.

Com relação às inclinações políticas do governo Bolsonaro, como o desejo expresso de alinhamento externo com os EUA, Bonucci se mostrou indiferente. Disse que, desde 1961, quando a OCDE foi criada, os países-membros tiveram governo das mais variadas orientações e que a agenda econômica sempre teria pautado as relações de forma pragmática. “Na economia do mundo atual, a ideologia encontra seu limite muito cedo. Há escolhas que funcionam, e outras que simplesmente não andam”, afirma. “Claro que é melhor uma troca comercial bilateral a não ter acordo nenhum, mas a OCDE prefere [acordos] multilaterais.

” Questionado, ainda, sobre políticas ligadas ao ambiente, o dirigente afirmou que o governo brasileiro terá de se ajustar e que as ameaças de saída do Acordo de Paris, por exemplo, poderiam, sim, levar a atritos com países-membros que votam pela adesão. Ele afirma, no entanto, que as instruções jurídicas da OCDE nesse campo, em sua maioria das décadas de 1980 e 1990, tratam mais de temas como o tratamento de dejetos e produtos químicos, em voga à época.

 

Fonte: Valor Econômico via Câmara dos Deputados 

 

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Plano Brasil/História do Brasil Colonial/Análise: “A Lei Colonial Portuguesa de 1570 em vigor no Brasil Colônia e as Forças Armadas”

NOTA DO PLANO BRASIL, por Gérsio Mutti: Plano Brasil/História do Brasil Colonial/Análise: “A Lei Colonial Portuguesa de 1570 em vigor no Brasil Colônia e as Forças Armadas”.

Imagem meramente ilustrativa

A Batalha dos Guararapes foi o primeiro confronto ocorrido entre o Exército da Holanda e os defensores do Império Português em dois dias seguidos, 18 e 19 de abril de 1648, no Morro dos Guararapes, Capitania de Pernambuco, em pleno Brasil Colonial. Assim, para ilustrar a presente dissertação do professor Manoel Rodrigues Ferreira sobre “A lei colonial de 1570 e as Forças Armadas” escolhi a reprodução óleo sobre tela “Batalha dos Guararapes” do pintor Victor Meirelles de Lima [(1832 – 1903) – https://pt.wikipedia.org/wiki/Victor_Meirelles].

 

A lei colonial de 1570 e as Forças Armadas

Por Manoel Rodrigues Ferreira (*)

Portugal, ou mais propriamente a Monarquia Portuguesa, era formada de repúblicas das vilas e cidades. O órgão político-administrativo das repúblicas das vilas e cidades era a Câmara que compreendia os três poderes, legislativo, executivo e judiciário e seus membros (vereadores, juízes ordinários e procurador) que eram eleitos pelos respectivos moradores. Assim, era paradoxal que uma monarquia fosse constituída de repúblicas, mas a sua origem remonta à Idade Média.

As Forças Armadas 

1) O exército (usando essa denominação moderna) nacional era o Exército da Monarquia Portuguesa, ou mais exatamente, o Exército do Rei; e

2) Em 10 de Dezembro de 1570, o Rei D. Sebastião assinou uma lei criando a Força Armada das Repúblicas das Vilas e Cidades, lei que tinha o título de “Regimento dos Capitães Mores e mais Capitães e Oficiais das Companhias da Gente”. Por “gente” subentenda-se os homens das vilas e cidades e seus termos que constituíam o exército (mais uma vez aqui usando o termo moderno) popular ou milícia do povo. Assim, “gente” tem o seu equivalente hoje, de miliciano ou soldado.

A Bandeira 

Essa Força Armada das Repúblicas das Vilas e Cidades recebia o nome de Bandeira. Portanto, a Bandeira tinha, segundo a Lei de D. Sebastião de 10/12/1570, o objetivo de organizar os homens das vilas e cidades em uma força militar com a finalidade de servir ao Rei e defender as mesmas vilas e cidades. Passavam a existir, portanto, duas forças armadas:

1) O Exército Nacional ou Exército do Rei; e

2) As Bandeiras das Vilas e Cidades.

A Bandeira era composta, constituída de Companhias, tendo cada Companhia 250 homens. Cada companhia era dividida em 10 Esquadras, tendo pois cada esquadra 25 (vinte e cinco) homens. Assim, por exemplo, se uma vila ou cidade tivesse 1000 homens, haveria uma Bandeira com quatro companhias e quarenta esquadras. Caso houvessem gente para fazer uma só companhia, essa única companhia reduzia-se à própria Bandeira, o que é lógico. E se nem assim houvesse 250 homens, a Companhia poderia ser organizada com 200, 150, ou 100 homens. E se houvessem menos de 100 homens, então existiriam somente as esquadras de 25 homens.

A Bandeira, constituída de Companhias, era superintendida por um Capitão Mor, que recaía nos “senhores dos mesmos lugares ou Alcaides Mores”: caso não existissem esses, o Capitão Mor seria eleito pela Câmara da República da Vila ou Cidade. Cada Companhia era dirigida por um Capitão e seus subordinados, o Alferes, o Sargento, o Meirinho e o Escrivão, todos eleitos pela mesma Câmara da República, mas os Cabos eram escolhidos pelo Capitão da Companhia. Nessas condições, a Bandeira era subordinada à Câmara da República da Vila ou Cidade (eleita pelo povo), mas militarmente dirigida pelo Capitão Mor.

Conclusão 1 

Todos os homens (gente) de uma Vila ou Cidade eram obrigatoriamente membros de uma Bandeira, através de suas Companhias ou Esquadras. Todos eram, pois, membros de uma Bandeira, sendo pois, Bandeirantes. E no sertão, mesmo que não existisse uma Companhia completa, ao menos, uma Esquadra que fosse, ela significava a presença da Bandeira. Era, pois, a presença da própria Bandeira. Quando um documento do sertão refere-se somente a uma Companhia, ou a um Capitão, ou a um Cabo, ou um Escrivão, ou a um Meirinho, ou à gente, esse documento está implicitamente referindo-se à Bandeira da qual todos eram parte integrante. Da mesma maneira, quando um documento refere-se a um Escrivão somente, ele está, como nas outras denominações, identificando um Bandeirante, e ipso facto, uma Bandeira.

E não nos esqueçamos de que esses Bandeirantes nos sertões eram responsáveis, pelos seus chefes, perante a Câmara da República das Vila ou Cidade, à qual teriam que prestar contas na volta, principalmente à sua Justiça, apresentando os inventários, testamentos, inquéritos, etc. feitos nos sertões.

Quanto às penetrações de Bandeirantes (e ipso facto de Bandeiras) nos sertões, não importa que os documentos refiram-se às mesmas como entradas, jornadas, viagens, descobrimentos, etc., pois essas expressões nada mais significam do que deslocamentos de Bandeirantes (e ipso facto de Bandeiras), isto é, penetrações nos sertões (usando esta denominação hoje).

O que importa é que no corpo do documento são as denominações que assinalam, caracterizam, identificam os membros de uma Bandeira: Capitão, Alferes, Cabos, Escrivães, Meirinhos, Gente (milicianos), etc.

Conclusão 2 

É historicamente correto, legitimo, identificar Bandeirantes e Bandeiras, através das denominações que aparecem nos documentos e que são as mesmas da Lei do Rei D. Sebastião, isto é, “Regimento dos Capitães Mores e mais Capitães e Oficiais das Companhias da Gente”, a Lei Orgânica das Bandeiras.

(*) Sobre o Autor: Manoel Rodrigues Ferreira, é professor universitário

FONTE: JORNAL DO COMMERCIO, RJ, 13 de abril de 1995, Caderno DIREITO & JUSTIÇA, Página 18

 

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Coalizão liderada pelos EUA matou mais de 1.600 civis na Síria, acusa Anistia Internacional

Civis caminham emfrente a prédios severamente destruídos em Raqqa, na Síria Foto: Aboud Hamam / Reuters 14-05-18

Civis caminham emfrente a prédios severamente destruídos em Raqqa, na Síria (Foto: Aboud Hamam / Reuters 14-05-18)

Campanha para tomar a cidade de Raqqa do Estado Islâmico em 2017 deixou dez vezes mais vítimas civis do que apontam dados oficiais, segundo estudo

 

BEIRUTE – A coalizão liderada pelos Estados Unidos matou mais de 1.600 civis em Raqqa ao longo de vários meses em 2017, durante sua campanha para expulsar o Estado Islâmico da cidade, acusa um relatório lançado nesta quinta-feira pela Anistia Internacional e pelo Airwars, ONG de monitoramento de guerras.

O número indicado é dez vezes superior aos dados oficiais sobre vítimas civis. O documento diz que ataques aéreos e de artilharia americanos, franceses e britânicos mataram e feriram milhares de inocentes entre junho e outubro de 2017 na antiga capital do Estado Islâmico . Muitos dos casos, diz o texto, “constituem violações à lei humanitária internacional e exigem investigação adicional”.

As organizações passaram 18 meses pesquisando as mortes de civis, incluindo dois meses fazendo pesquisa de campo em Raqqa, disseram. “Nossa descoberta conclusiva depois de tudo isso é que a ofensiva militar da coalizão liderada pelos EUA (EUA, Grã-Bretanha e França) provocou diretamente mais de 1.600 mortes de civis em Raqqa”.

O relatório pede que os membros da coalizão criem um fundo para compensar as vítimas e suas famílias

A coalizão respondeu que tomou “todas as medidas razoáveis para minimizar as baixas civis” e que ainda existem alegações abertas que estão sendo investigadas. “Qualquer perda involuntária de vida durante a derrota do Daesh é trágica”, disse Scott Rawlinson, um porta-voz da coalizão, em um comunicado enviado por email mais tarde na quinta-feira, usando um acrônimo em árabe para Estado Islâmico.

“No entanto, estas perdas devem ser comparadas com o risco de permitir que o Daesh continuasse as suas atividades terroristas, causando dor e sofrimento a qualquer pessoa que quisesse”, acrescentou.

O Estado Islâmico dominou Raqqa no início de 2014, época em que avançou rapidamente na Síria e no Iraque e constituiu um autoproclamado califado. Caracterizado pelas execuções sumárias de opositores, o grupo cometeu uma matança em massa e escravizou minorias, em um processo que a ONU descreveu como um genocídio.

O grupo, que controlava um terço da Síria e do Iraque em 2014, já foi expulso de todo o território que controlou, a partir de campanhas militares empreendidas por um conjunto de forças, incluindo os governos da Síria e do Iraque, dos Estados Unidos, de seus aliados europeus e de seus rivais Rússia e Irã. Apesar de não controlar mais o território, o grupo ainda ameaça lançar ataques terroristas em todo o mundo.

As Forças Democráticas Sírias lideradas pelos curdos (SDF) e apoiadas por Washington  capturaram Raqqa em outubro de 2017, após uma ofensiva de cinco meses apoiada por ataques aéreos liderados pelos EUA e por forças especiais.

A Anistia disse no ano passado que havia evidências de que ataques aéreos e de artilharia da coalizão eem Raqqa violavam a lei humanitária internacional e punham em perigo as vidas de civis, mas até agora não tinha dado uma estimativa do número de mortos durante a batalha.

Durante e depois da campanha, repórteres em Raqqa noticiaram que o bombardeio causou destruição maciça na cidade, devastando bairros inteiros.

Fonte: O Globo e Reuters

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Nova Coluna Conexão Geo - com CMG Leonardo Mattos

Tópicos de hoje:
1) OS ATENTADOS NO SRI LANKA
2) ELEIÇÕES NA UCRÂNIA
3) OS COLETES AMARELOS E O INCENDIO NA NOTRE DAME
4) O ENCONTRO ENTRE VLADIMIR PUTIN E KIM JONG UN

[embedyt] https://www.youtube.com/watch?v=VDklQlvMHRE[/embedyt]

Leonardo Faria de Mattos é Capitão de Mar-e-Guerra da Marinha do Brasil, Mestre em Estudos Estratégicos da Defesa e Segurança pelo Instituto de Estudos Estratégicos da Universidade Federal Fluminense (INEST – UFF) e é Professor de Geopolítica da Escola de Guerra Naval (EGN).

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ONU: "Forças dos EUA e do governo afegão mataram mais civis do que os insurgentes"

Enterro de civis mortos num ataque aéreo conduzido por aeronaves remotamente pilotadas da CIA em Khogyani (Jim Huylebroek / New York Times)

Pela primeira vez, os civis afegãos são mortos em maior número pelas forças governamentais e pela coalizão liderada pelos EUA do que o Taleban e outros grupos insurgentes, informou um relatório da ONU divulgado nesta quarta-feira.

Esta triste cifra ocorre no momento em que os EUA intensifica sua campanha aérea no Afeganistão enquanto realiza conversações de paz com o Taleban, que agora controla grandes partes do país pela primeira vez desde que foi retirado do poder em 2001.

Nessa imagem, fotografada em 23 de Março, um homem afegão descobre os corpos de crianças em cima de um caminhão após serem mortas num ataque aéreo na província de Kunduz. Pelo menos 13 civis foram mortos, a maior parte crianças, num ataque aéreo por “forças internacionais” na cidade setentrional de Kunduz na semana passada, segundo informou a ONU, no dia 25 de março. Os EUA é o único membro da coalizão internacional no Afeganistão que providencia apoio aéreo no conflito. (Bashir Khan Safi / AFP)

Durante os três primeiros meses de 2019, as forças da ISAF (Força Internacional de Assistência para Segurança), uma força-tarefa da OTAN e outros parceiros, liderada pelos EUA que conduz as operações no Afeganistão, além do próprio governo afegão, foram responsáveis pela morte de 305 civis, enquanto os insurgentes mataram 227 pessoas, de acordo com o relatório da Missão de Assistência das Nações Unidas no Afeganistão (UNAMA).

A maior parte das mortes resultam de ataques aéreos ou operações de busca em solo, primariamente conduzidas pelas forças afegãs treinadas e equipadas pelos EUA, o que a UNAMA qualifica como “ações realizadas com impunidade”.

“A UNAMA conclama que as forças de segurança afegãs e a coalizão internacional para conduzir investigações em alegações de danos e mortes a civis, que publiquem os resultados de seus dados coletados, e providenciem compensações apropriadas as vítimas,” conclui o relatório.

A UNAMA iniciou a copilação de dados de baixas civis em 2009 a partir da deterioração das condições de segurança no Afeganistão.

É a primeira vez desde que a coleta de dados começou que mostra que as forças pró-governamentais mataram mais do que as forças insurgentes.

Em 2017, As forças dos EUA iniciaram uma aceleração de seu tempo operacional após o presidente Donald Trump flexibilizou restrições e facilitou as condições para bombardeio a posições do Taleban.


Jovem fazendeiro afegão morto em 15 de janeiro de 2010 por um grupo de soldados do Exército norte-americano autointitulado “The Kill Team”.

Enquanto outras nações contribuem com apoio logístico e técnico, os EUA conduzem a maior parte dos ataques aéreos. E em menor escala, a pequena Força Aérea afegã está voando mais missões.

Os EUA enviaram os grandes bombardeiros estratégicos Boeing B-52 em traslados sobre o país, beneficiados pelo aumento da infraestrutura aérea para as operações contra o Estado Islâmico no Iraque e na Síria, onde foram derrotados.

Entretanto, o relatório da UNAMA relatou uma diminuição das baixas civis em 23% em comparação com o primeiro trimestre de 2018.

O decréscimo resultou de uma diminuição dos ataques suicidas, mas a UNAMA não sabe se essa mudança ocorreu após o rigoroso inverno ou a diminuição de ataques do Taleban a civis durante as conversações de paz.

Ainda assim, o chefe da UNAMA, Tadamichi Yamamoto, que também serve como representante especial da Secretaria Geral da ONU no Afeganistão, disse que a morte de civis é um “número chocante”.

“Todas as partes envolvidas devem zelar mais pela segurança dos civis,” Yamamoto disse em declaração.

Ano passado foi o ano mais mortal para a população afegã, com 3.804 mortos, de acordo com a UNAMA

Em 17 anos de ocupação, foram 62 mil mortos nas Forças de Segurança afegãs, 3,5 mil mortos entre as forças da coalizão (sendo 2,4 mil mortos entre soldados dos EUA) contra 65 mil mortos entre os insurgentes do Taleban, além de pequenas células da Al-Qaeda e afiliados do Estado Islâmico. O total de civis mortos totaliza 38 mil mortos até o presente momento. E não há perspectivas concretas de estabilização política do país.

No vídeo abaixo mostra as dificuldades enfrentadas pelos EUA, o que resultou no fracasso dos esforços de reconstrução e estabilidade do país, que culminou na rápida expansão do Taleban nos últimos anos

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Fonte: AFP e New York Times

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Conflitos

Com extradição pedida por EUA, fundador do WikiLeaks é preso na embaixada do Equador em Londres

LONDRES — O fundador do WikiLeaks, Julian Assange, foi preso na manhã desta quinta-feira pela polícia britânica em Londres. Os agentes foram autorizados pela embaixada do Equador a entrar na sede diplomática do país, na qual o ativista estava exilado desde 2012. O governo equatoriano do presidente Lenín Moreno revogou o asilo do australiano e suspendeu a cidadania que lhe havia sido concedida. Moreno rompeu com Rafael Correa, seu antecessor que concedeu o asilo a Assange, e desde o ano passado vinha indicando que a proteção poderia ser cancelada.

Manning, que servia no Iraque, foi a fonte de documentos militares americanos e de mais de 250 mil telegramas da diplomacia dos EUA vazados em 2010 e 2011 pelo WikiLeaks, a maior parte deles revelando os bastidores da chamada “guerra ao terror”. Mais recentemente, a organização publicou e-mails da campanha à Presidência de Hillary Clinton em 2016 que, segundo a Justiça americana, foram obtidos por hackers russos. Detida em 2010, Manning foi condenada a 35 anos de prisão, mas teve a pena comutada por Barack Obama depois de cumprir sete.

A prisão de Assange, de 47 anos, também atendeu a um pedido da Justiça britânica, que determinara sua detenção quando ele pediu refúgio na embaixada equatoriana, acusando-o de violar as condições da liberdade condicional que lhe havia sido imposta no âmbito de uma investigação de estupro na Suécia. Essa investigação foi posteriormente arquivada pela Justiça sueca, mas os advogados de Assange não conseguiram derrubar o pedido de prisão por violação da condicional. Nesse caso, ele pode ser condenado a até 12 meses de prisão.

 

Fonte: O Globo

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Imprensa indiana explica a não utilização do SU-30MKI no conflito entre Paquistão e índia

Tradução e adaptação-E.M.Pinto

A mídia indiana The Hindu apresentou mais outra razão pela qual os modernos caças Su-30 da Força Aérea Indiana não se envolveram em combate com aviões F-16 paquistaneses. Como resultado dessa batalha, o MiG-21 indiano foi abatido no céu sobre a Caxemira  e o piloto foi capturado e depois libertado pelos militares paquistaneses.

Segundo The Hindu , os caças Su-30 não participaram do conflito aéreo por causa da indisponibilidade de infraestrutura terrestre para receber aeronaves dessa classe.

“Devido a atrasos burocráticos, não conseguimos construir hangares fortificados para caças Su-30MKI perto da linha de controle. O Comitê de Segurança do Gabinete aprovou este projeto apenas no final de 2017”, disse uma fonte indiana do Ministério da Defesa.

Como resultado, os aviões não foram redistribuídos mais perto da zona de combate devido à falta de hangares fortificados. Os caças Su-30MKI foram criados para interceptar os caças da Força Aérea do Paquistão em alerta de áreas remotas. Portanto, os caças MiG-21 foram os primeiros a se envolver em combate aéreo com aeronaves paquistanesas e entraram em uma emboscada aérea.

Lembre-se que na manhã de 27 de fevereiro, mais de 20 aeronaves de combate da Força Aérea do Paquistão cruzaram a linha de controle por um curto período de tempo. No entanto, eles foram interceptados por jatos de combate MiG-21 Bison atualizados . Os caças Mirage 2000 e Su-30MKI foram levantados de outras bases aéreas.

Fonte: The Hindu

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Conflitos Terrorismo Traduções-Plano Brasil

IAF confirma que que o comandante da ala aérea Abhinandan Varthaman derrubou o caça F-16 do Paquistão e foi abatido na sequência

Tradução e adaptação- E.M.Pinto

Ainda numa controvérsia do disque me disque, desta vez, as palavras do próprio aviador indiano confirmam o abate do F16 paquistanês, numa matéria assinada pelo India Today,

Shiv Aroor especialista militar e jornalista indiano afirma que Abhinandan Varthaman tinha disparado um míssil R-73 contra o F-16 paquistanês.

A informação havia sido divulgada antes pelas principais fontes da IAF que alegavam o uso dos caças do Paquistão na ofensiva aérea.

As principais fontes da Força Aérea Indiana (IAF) confirmaram oficialmente que o Comandante da Ala Abhinandan Varthaman abateu um jato F-16 no Paquistão em 27 de fevereiro.

Abhinandan havia disparado um míssil R-73 antes que seu MIG 21 fosse atingido por um míssil AMRAAM lançado por outro caça F16.

As principais fontes também revelaram para a India Today TV que Abhinandan foi o único piloto da IAF que disparou um míssil durante o combate a curta distância (Dogfight). Em sua última transmissão de rádio antes que a Força Aérea do Paquistão atacasse sua aeronave, Abhinandan confirmou que ele havia engajado uma aeronave paquistanesa.

O Comandante da Ala da IAF foi capturado pelo Paquistão, mas teve que ser libertado em apenas três dias devido à crescente pressão diplomática sobre o Paquistão. Desde o seu retorno, o aviador recebeu elogios por mostrar tal valor depois de ser capturado.

Depois de retornar ao país, Abhinandan passou por uma série de exames médicos e está atualmente se recuperando dos ferimentos causados durante a ejeção.

Enquanto isso, a situação entre a Índia e o Paquistão continua tensa após a escalada do conflito intensificado entre as duas nações que começou depois que o grupo terrorista Jaish-Mohammed, baseado no Paquistão, realizou um ataque a bomba, matando pelo menos 40 soldados paramilitares da Força de Polícia da Reserva Central em Pulwama, no sul da Caxemira.

Muitos países, incluindo os Estados Unidos, apoiaram a posição da Índia no confronto e advertiram o Paquistão para eliminar os grupos terroristas que atuam em seu território.

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EDITORIAL-Exército Árabe Sírio Parte II – SOBRE A PROTEÇÃO DOS GUARDIÕES

EDITORIAL-Exército Árabe Sírio Parte II – SOBRE A PROTEÇÃO DOS GUARDIÕES

 

 


 

 

Autor:

E.M.Pinto

 


Leia também: EDITORIAL-Exército Árabe Sírio Parte I – A primavera das sombras

O SENSO COMUM

Assad tem que cair!!! este era o plano, mas pelo que se viu, isso seria bem mais difícil do que imaginavam. Alguns autores avaliam que ele esteve perto disso, porém, outros acreditam que esta possibilidade era remota desde o início.

O fato é que ele se levantou após uma aparente queda e a cada dia parece mais fortalecido internamente e internacionalmente. Prova disso, é que nesta semana de Fevereiro de 2019, a Síria retornou a mesa de negociação na Liga Árabe como nação membro, numa clara declaração de que o regime Sírio além de presente, mostra sua superação frente aos que patrocinaram a sua queda.

Para alguns autores, a retomada dos territórios pelas forças de Assad foi lenta e inconclusiva, para outros, reside aqui uma falha de avaliação estratégica, pois pauta-se na assertiva de que a Síria foi desmantelada e desconsidera que a cada dia, o poder de influência do regime comandado por ele, ganha força e confronta os seus inimigos internacionais.

Há ainda quem julgue o papel dos Estados Unidos como fator decisório no conflito, especialmente por destruir o seu maior inimigo, o Estado Islâmico, ainda que a participação ambígua no conflito por parte dos EUA ateste que isso seja improvável.

Pode-se creditar o mérito da ação americana no Iraque, especialmente nos conflitos deflagrados no norte em Mossul, o palco dos mais pesados combates contra o Estado Islâmico, mas na síria? não, definitivamente não, até porque os Estados Unidos por diversas vezes frearam o avanço das Forças de Assad em inúmeros episódios.

Outros ainda creditam a reviravolta no conflito exclusivamente à campanha aérea massiva da aviação de combate russa, que após cinco meses praticamente aniquilou as forças resistentes dentro do território Sírio.

Os pouco mais de 70 aviões de combate russos atuaram no apoio à “virada de mesa” do SAA, isso é um fato, porém, não é o determinante. Pode-se dizer que esta teria sido uma das grandes  ações responsáveis pela recuperação vertiginosa das forças de Assad, porém a ação do Irã dentro país desde o início do conflito é talvez a mais proeminente dentro todas.

Trabalhando nas sombras e atuando na frente de combate, o apoio iraniano ao regime de Assad chegou a ser ridicularizado e foi pouco mencionado, porém, como veremos a seguir, este talvez tenha sido a garantia de sustentação de Assad nos momentos mais difíceis do conflito.

A manutenção ainda que a duras penas do regime nos quatro primeiros anos abriu a possibilidade para um posicionamento Russo mais contundente, ao mesmo tempo em que o conflito passou a se transformar a olhos vistos, dando a impressão que a Rússia teria tido a principal função na retomada do regime de Assad.

Neste capítulo da série de artigos sobre, “como o SAA” recuperou a sua capacidade combativa, eu apresentarei uma visão pessoal sobre a influência do Irã no combate Sírio e abro a frente para as colocações que vieram após a entrada russa no conflito, o qual será apresentado no próximo artigo da série.

PRELÚDIO

Operacionais estrangeiros foram implantados na Síria e já atuavam no território antes mesmo do conflito se iniciar. Porém, quando a guerra civil começou, o Exército Árabe Sírio (SAA) se deparou com baixas aceleradas no efetivo vindos de deserções e perdas em combate, ambas acentuadas com o constante incremento do esforço para derrubar o regime de Assad.

Quando eclode a guerra civil, uma horda de mercenários e voluntários, recrutados, armados e patrocinados com recursos diretos e indiretos provenientes da Arábia Saudita, França, Qatar, Alemanha, Estados Unidos e Turquia, penetrou no território Sírio através das fronteiras da Turquia, Jordânia e Israel.

Assad convocou a massa de reservistas estimada em 270 mil homens para lutar contra o levante porém, por medo de perderem suas vidas ou mesmo por terem sido cooptados a colaborar com o esforço de derrubar o regime, cerca de 130 mil reservistas não compareceram às convocações.

Muitos deles já se encontravam em áreas que haviam caído nas mãos dos rebeldes ou do que posteriormente ficou conhecido como o Estado Islâmico (ISIS).

Nos três primeiros anos de conflito o SAA sofreu pesadas baixas e perdeu mais equipamento e pessoal do que durante todas as guerras contra Israel, 75% do território estava nas mãos dos rebeldes e muito desse território foi tomado sem muita resistência, basicamente por deserções em massa dos Soldados.

Durante os cinco primeiros anos de guerra cerca de 30 a 50 mil desertores ou largaram as armas fugindo do país ou se somaram as fileiras rebeldes contra o regime de Bashar Al Assad.

A grande maioria do exército Sírio era composta por unidades que atuavam isolados e sem coordenação com as unidades profissionais e o resto era um mal armado, carente de treinamento físico adequado e que fracamente havia recebido o treinamento de tiro. Muitas dessas unidades eram comandadas por oficiais subalternos, uma vez que na debandada do governo, os mais experientes optaram por se opor a Assad.

Como resultado, sobraram oficiais com pouca experiência em combate e recém formados em escolas militares sem um nível de conhecimento e aplicações em situações de combate.

Estes movidos apenas pelo entusiasmo patriótico e pelo o espírito de sobrevivência caíram fácil frente aos rebeldes por vezes comandados por lideres e mercenários experientes, sendo exibidos como troféus naqueles espetáculos grotescos de decapitações e execuções sumárias em praça pública.

Dentre as forças leiais a Assad, haviam militares bem treinados e experientes em combate especialmente ex combatentes que lutaram no Líbano e que garantiram a resistência do seu exército.

Porém estas forças ficaram isoladas com o colapso inicial do seu exército e a sua reorganização levou bastante tempo para ocorrer, dando a impressão de que Assad havia caído num fracasso sem retorno.

É nesse cenário que a mídia mundial prevê a queda eminente de Assad pois este não possuia um robusto apoio de nenhuma nação. O final melancólico e merecido do regime de Assad seria apenas uma questão de tempo, mas será que tudo isso é verdade?

O ATAQUE DOS LOBOS

A partir das fronteiras abertas da Jordânia, Turquia e Iraque, os grupos de guerrilheiros patrocinados pelas potências estrangeiras incursionaram no território Sírio e implantaram uma campanha de ataques às instalações do SAA, das polícias e das representações do estado, semeando o caos e fragilizando a estrutura governamental.

A primeira fase dessa campanha teve como alvo, fragilizar o Exército e debilitar a imagem do regime. Para tal, deu-se o levante que foi favorecido pela mídia e pelo apoio das redes de televisão que não se cansavam em reproduzir as execuções bárbaras e sumárias cometidas em sua maioria aos civis de minorias étnicas e religiosas.

Concomitantemente aos ataques surpresas às instalações militares, iniciou-se uma campanha de chacinas horrendas de minorias religiosas e étnicas de modo a propagar o terror e demonstrar a inaptidão do estado em proteger seus cidadãos. Para os analistas internacionais, isto enfraqueceu o poder do governo central de Damasco.

As ações dos grupos “Rebeldes” tiveram êxito e obrigaram o Exército Sírio a se dispersar pelo território para combater pequenos grupos, num país ocupado por milícias e outros mais grupos armados que apenas expandiram seus poderes frente a incapacidade do SAA de gerir a situação.

Os “Rebeldes” obtiveram êxito e a reação do SAA foi avaliada pela mídia como lenta e desastrosa, especialmente no que se refere à defesa dos civis, o principal alvo dos grupos armados.

Com um efetivo inadequado e pessimamente armado, o SAA cujas melhores unidades eram a 104ª divisão da Guarda Republicana bem como a 4ª divisão mecanizada, ambas preparadas para reações em conflitos convencionais.

Estas forças atuaram de forma contundente, porém, seu esforço foi incipiente frente a grande derrocada de outras unidades que padeceram aos pés do inimigo.
Por Exemplo apenas na tomada da Base aérea de Raqqa, o ISIS executou sumariamente 250 soldados sírios que haviam se rendido, as execuções nunca foram contestadas por observatórios dos direitos humanos ou mesmo pelos tribunais da ONU em Genebra, e até hoje mesmo as chacinas de civis foram relativizadas pela imprensa internacional. O esforço para derrubar Assad passou a ser mais importante.

Como num efeito cascata, a propaganda “Rebelde” colecionava e divulgava o fracasso das forças Sírias frente a uma campanha que demolia todas as capacidades do SAA.

Os rebeldes melhor aparelhados, apoiados por oficiais desertores do serviço Sírio que tinham um profundo conhecimento das debilidades de que dispunha o SAA, causaram perdas significativas, ademais, estes grupos foram apoiados por membros da inteligência de outras nações.

Segundo o então porta voz governo sírio Omran Al Zoebido,

“O planejamento dos ataques foi coordenado por integrantes das forças especiais turcas e da Arábia Saudita durante os três primeiros anos da Guerra”.

Nos três primeiros anos da Guerra o SAA demonstrou uma aparente inépcia e estava incapacitado de lutar aquele conflito tendo nenhuma capacidade efetiva, além disso, adotava práticas erradas sem apoio da Força Aérea que como será visto em outra oportunidade, já entrou com o “pé amarrado no conflito”.

As forças atuavam sem cobertura aérea e a tomada das principais rodovias e acessos pelos rebeldes, tornou impossível o apoio de unidades de artilharia devido a total falta de mobilidade.

Por seu lado, os Rebeldes haviam obtido máquinas e sistemas capazes de cavar túneis em altas velocidades que haviam obtido antes do início do conflito, dominavam estradas e passagens estratégicas, passando agora a dominar passagens de rios, aeródromos e centrais energéticas.

O SAA não dispunha de dispositivos capazes de detectar a existência de túneis e isto permitiu aos “Rebeldes” realizar operações que tinham ao seu favor o efeito surpresa, por sua vez, as tropas sírias, claramente incapazes de reagir ante a infiltração massiva de insurgentes perdia anualmente numerosas bases militares, fosse pela tomada surpresa, fosse pela deserção de seus comandantes em apoio ao esforço de derrubar o regime.

Por conseguinte, o exército Sírio sequer poderia garantir as medidas básicas de combate e prever as melhores dispositivos para reagir aos ataques implementados pelos Rebeldes. Alguns bastiões da resistência registraram avanços coordenados e bem arquitetados bloqueando o avanço das hordas rebeldes e do Estado Islâmico.

Estamos no segundo ano do conflito e é nesse momento que o Irã manifesta oficialmente o seu apoio e a ajuda, muito bem vinda e oportuna para o regime de Assad.

O EXÉRCITO DOS GUARDIÕES

Nas fases iniciais da guerra civil na Síria, o papel do Irã foi demasiadamente ignorado pela inteligência americana e Israelense, pois supostamente o Irã estava fornecendo à Síria apoio técnico e equipamento obsoleto e baseado nas capacidades do Irã desenvolvidas após os protestos eleitorais de 2009-2010 resultados da revolução verde que se abatera no país.

O Irã era desacreditado e ridicularizado quanto a sua capacidade de sustentar o apoio as forças Sírias naquele conflito, tanto do ponto de vista técnico, quanto econômico. Acreditava-se que uma escalada do conflito levaria a ruína econômica, diplomática e militar do Irã e de seu aliado Bashar Al Assad, “matando dois coelhos com uma cajadada só”.

Em abril de 2011, o então presidente dos Estados Unidos, Barack Hussain Obama e a embaixadora dos EUA na ONU, Susan Rice, fizeram a primeira acusação pública de que o Irã apoiara secretamente Assad em seus esforços para reprimir os protestos e que as forças iranianas já atuavam nas operações de repressão aos manifestantes.

O The Guardian relatou em maio de 2011 que o governo iraniano estava ajudando o governo sírio com equipamentos de controle de distúrbios e técnicas de monitoramento de inteligência. Segundo o jornalista norte-americano Geneive Abdo, em setembro de 2011, o governo iraniano forneceu ao governo sírio tecnologia para monitorar e-mails, telefones celulares e mídias sociais.

O Irã desenvolveu essas capacidades na esteira dos protestos de 2009 e gastou milhões de dólares estabelecendo um “exército cibernético” para rastrear os dissidentes de forma online. Apesar de descredibilizada, esta capacidade de guerra cibernética do Irã é extremamente avançada e sua tecnologia de monitoramento talvez esteja entre as mais sofisticadas do mundo, provavelmente logo atrás da China.

Em maio de 2012, em uma entrevista à Iranian Students News Agency, a qual foi posteriormente removida de seu site, o vice-comandante da Força Quds do Irã afirmou que havia fornecido tropas especializadas para o combate e apoio as operações militares sírias.

Foi alegado pela mídia ocidental que o Irã também treinou combatentes do Hezbollah, um grupo militante Xiita baseado no Líbano. Nessa mesma altura o governo do Iraque, foi criticado pelos EUA por permitir que o Irã enviasse suprimentos militares para Assad os quais circulavam livremente sobre o espaço aéreo iraquiano.

O The Economist lançou uma matéria especial que relatava o apoio econômico do Irã em fevereiro de 2012, convertido em US $ 9 bilhões em ajuda à Assad para que este resistisse às sanções ocidentais. Além da ajuda financeira, o governo iraniano enviou combustível para o país e dois navios de guerra para um porto sírio em uma demonstração de poder e apoio.

Curiosamente as ações na Síria são pouco mencionadas pela mídia, especialmente porque os analistas duvidavam de sua eficácia, porém, o que se viu com o desenrolar do conflito foi uma crescente e atuante influência das tropas Iranianas especialmente no apoio ao SAA.

Abre-se aqui um parêntese para reafirmar o valor das tropas Iranianas que desde a revolução promovida por Khomeini, tem se especializado no conflito assimétrico.

Isto ficou latente nas guerras entre Irã e Iraque quando as forças de Saddan Russain melhor aparelhadas e dispondo de unidades de cavalaria extremamente sofisticadas foram derrotadas em solo iraniano por forças mais leves e especializadas.

Estes ensinamentos foram transferidos as milícias libanesas que  com o Hezbollah, trazem para síria uma capacidade de combate em conflito assimétrico fundamental para o SAA se sustentar.

Em março de 2012, oficiais de inteligência dos EUA alegaram um aumento significativo nas armas fornecidas pelo Irã e outras ajudas para o governo sírio.

Autoridades de segurança iranianas passaram a viajar com frequência à Damasco prestando assistência. Isto  foi confirmado em uma seção pública no senado americano de que membros do principal serviço de inteligência do Irã, o Ministério da Inteligência e Segurança, estavam ajudando os sírios à sufocar as ondas rebeldes.

De acordo com um painel da ONU em maio de 2012, o Irã forneceu armas ao governo sírio durante o ano anterior, apesar da proibição da exportação de armas pela República Islâmica.

Em 2012, autoridades turcas capturaram containers e caminhões transportando fuzis de assalto, metralhadoras, explosivos, detonadores, morteiros de 60 mm e 120 mm, além de outros itens em sua fronteira. Acreditava-se que estes fossem destinados ao governo sírio.

O relatório confidencial vazou poucas horas depois que um artigo do The Washington Post, revelar como os combatentes da oposição síria começaram a receber mais, e melhores, armas em um esforço pago pelos países árabes do Golfo Pérsico e coordenados em parte pelos EUA. Foram investigados três grandes carregamentos ilegais de armas iranianas no ano anterior e afirmou que o Irã continuou a desafiar a comunidade internacional através de remessas ilegais de armas.

Dois desses casos envolveram a Síria, assim como a maioria dos casos inspecionados pelo Painel durante seu mandato anterior, ressaltando que a Síria continuava a ser o destino principal das transferências ilícitas de armas iranianas.

Ainda em 2012, a ONU afirmou que as armas estavam se movimentando nos dois sentidos entre o Líbano e a Síria, onde armas trazidas do Líbano estavam sendo fornecidas para a oposição à Assad.

O suposto aumento do fluxo de armas iranianas foi provavelmente uma resposta a um iminente influxo de armas e munições para os rebeldes provida pelos estados do Golfo.

Em 24 de julho de 2012, o comandante da Guarda Revolucionária Iraniana, Massoud Jazayeri, afirmou publicamente que os iranianos não permitiriam que os planos inimigos mudassem o sistema político da Síria e que estes não teriam sucesso.

Em agosto de 2012, Leon Panetta, 23º Secretário de Defesa dos Estados Unidos, acusou o Irã de criar uma milícia pró-governo para combater na Síria e o comandante do Estado Maior, General Martin Dempsey a comparou ao Exército Mahdi do líder Xiita Muqtada Al-Sadr. Panetta disse que havia evidências de que a Guarda Revolucionária Iraniana estava tentando treinar uma milícia dentro da Síria para poder lutar em nome do regime.

Neste mesmo ano os rebeldes do Exército Livre da Síria (FSA) capturaram então 48 iranianos em Damasco, posteriormente as fontes oficiais dos EUA atestaram que os soldados capturados faziam parte da Guarda Revolucionária Iraniana.

Em 2013 ocorreu uma troca de prisioneiros entre os rebeldes sírios e as autoridades do governo sírio e segundo relatos, os 48 ​​iranianos foram libertados pelos rebeldes em troca de quase 2130 prisioneiros detidos pelo governo sírio. Os rebeldes confirmaram que os cativos estavam ligados à Guarda Revolucionária Iraniana.

Ainda em setembro de 2012, funcionários da inteligência dos EUA afirmaram que o Irã havia enviado 150 operacionais da Guarda Revolucionária Iraniana para a defesa pessoal de Assad, além de centenas de toneladas de equipamento militar, entre elas, armas, mísseis anti carro, antiaéreo e granadas.

OLHOS NO CÉU

O corredor aéreo entre a Síria e o Irã tornou-se uma rota de acesso fácil para os equipamentos e pessoal para treinamento das forças Sírias. Ainda nesta altura, o painel do Senado americano já alertava que a presença Iraniana havia melhorado substancialmente as capacidades do exército Sírio e das milícias pró Assad, apesar da campanha televisiva insistir no colapso  do SAA.

Em outubro de 2012, de acordo com os rebeldes, veículos aéreos não tripulados iranianos foram usados ​​para guiar os aviões, militares e artilharia síria em missões de  bombardeio as posições rebeldes. A CNN informou que drones que os rebeldes chamam de “Wizwayzi” eram facilmente visíveis do solo e vistos em vídeos feitos por combatentes rebeldes. 

Esta foi sem dúvida a primeira grande mudança no conflito e veio quando o Irã cedeu às forças de Assad as aeronaves não tripuladas de reconhecimento SHAHED 129, os quais permitiram ao exército Sírio planejar melhores ataques e obter respostas mais rápidas das movimentações das tropas inimigas.

O exército Sírio passou a implantar manobras de maior envergadura bem como, reações muito mais rápidas as mobilizações das tropas invasoras no terreno. Ao mesmo tempo o apoio diplomático russo converteu-se na cedência de armas as quais permitiram levantar as defesas ainda que pontualmente.

Apesar de tímida nesta fase do conflito, a ajuda russa veio na forma de troca de informações importantes, obtidas pelos satélites e sistemas de inteligência eletrônica. A Rússia que agia nos bastidores, no campo diplomático, passou a atuar com a inteligência Síria e Iraniana anulando e obtendo informações dos apoiantes e das estratégias de ataques organizadas de fora do território Sírio, operando em silêncio contra os opositores do regime fora de seu país.

As imagens de satélite das movimentações das tropas dos comboios de abastecimento e, dos postos de comando, de onde partiram as decisões que culminariam nas operações dos grupos insurgentes foram, de vital importância para o governo Sírio, o qual, pode respirar mais aliviado, uma vez que se antecipava aos acontecimentos, anulando os efeitos das repetidas investidas dos insurgentes que agora já não obtinham o mesmo efeito esmagador sobre as forças do SAA.

Esta relativa pausa para respirar, deu ao SAA a oportunidade de se reorganizar e com apoio iraniano passou treinar melhor as forças do fronte que por sua vez, passaram a receber equipamentos mais adequados.

Essa foi a fase na qual o avanço do ISIS e dos grupos rebeldes começou a ser freado. Nela o apoio russo foi fundamental tal como o apoio iraniano e o exército Sírio recuperou rapidamente uma de suas capacidades, a de poder planejar e executar suas operações.

Com grande parte do seu potencial efetivo confinado e isolado em regiões dominadas pelos seus adversários, o SAA passou a recorrer a estratégia implantada por um proeminente General da Guarda Revolucionária iraniana, o general Qassem Soleimani,  que executa a criação de subunidades formadas por voluntários, em sua maioria de idade avançada e oriunda de cidades atacadas pelos Rebeldes.

Estes grupos de resistência populares haviam heroicamente resistido aos avanços do ISIS e lutavam em defesa de seus lares.A inteligência Síria passou dar mais atenção aos grupos locais fortalecendo a sua capacidade de defesa.

Com a melhoria da situação e a estabilização do avanço das forças invasoras que passaram a não conseguir mais lograr territórios, o exército Sírio iniciou um amplo treinamento das milícias locais de defesa, concentrando-se no treinamento de Guerrilha Urbana por vezes empregada em combates reais, suportada por noções de Engenharia e pirotecnia, estas milícias recebiam o treinamento no fronte.

Tudo isto ainda nos primeiros anos do conflito onde o apoio dos iraniano no treinamento das milícias para defender suas posições foi fundamental o que permitiu que o SAA destacasse as suas forças militares mais preparadas para atuarem nos conflitos mais densos, passando a desloca-las para as frentes de combate, deixando a retaguarda guarnecida por uma milícia bem treinada, capaz de resistir as investidas rebeldes.

O resultado foi a modificação rápida do panorama predominante até então, que se caracterizava por perdas de território após retomadas sucessivas, uma vez que o contingente era engajado na frente e a retaguarda ficava desprotegida.

A ponte aérea entre damasco e Teerã permitiu que voluntários pudessem receber treinamento dos milicianos da Basij, uma milícia paramilitar voluntária fundada por ordem do Ayatollah Khomeini em novembro de 1979.

Os Basij são  subordinados à Guarda Revolucionária  Iraniana e o Líder Supremo Ayatollah Khamenei e servem como uma força auxiliar, engajada em atividades como segurança interna além de aplicar leis,  serviço social e policiamento moral e suprimindo reuniões dissidentes.

Assim, o treinamento cedido aos integrantes das forças regulares e milícias passou a ser dado aos Soldados do Exército Sírio, que por sua vez foi filtrado e reorganizado, passando a utilizar em suas frentes de batalha apenas combatentes experientes e profissionais, delegando aos inexperientes o treinamento básico de guerrilha e função de guarnecer os postos e posições reconquistadas com apoio das milícias estabelecidas.

As milícias populares que enfrentaram as invasões das hordas do Estado Islâmico e de outros grupos terroristas em defesa de sua sobrevivências eram agora treinadas por operacionais das forças especiais e suas táticas de defesa se aprimoraram e tornaram-se mais letais.

Agora, ao invés de apenas se defender, o SAA passou a lançar ataques contra os levantes insurgentes. Passando a programar campanhas militares além das fronteiras internas que haviam surgido após o desencadear do conflito.

Então, um evento significativo marcou um ponto de virada no conflito. As coisas começaram lentamente a mudar em 2014 quando a capacidade logística das forças rebeldes passou a enfrentar dificuldades em controlar os vastos territórios tomados ao SAA, invertendo a frente de combate em favor de Assad.

Os avanços dos rebeldes passaram a ser menos frequentes, por outro lado, as forças de elite Sírias começaram a lograr importantes vitórias por todo o país. Com o apoio técnico do Irã, em maio de 2014, duas aeronaves não tripuladas Shahed 129 foram desmontadas e transportadas por um cargueiro Ilyushin Il-76 para o Aeroporto Internacional de Damasco, juntamente com suas estações de controle terrestre e equipes de apoio. 

A primeira missão dos drones era apoiar a Força Quds e seus aliados da milícia que já atuavam em campo. As forças Quds são uma unidade especial do Exército dos Guardiões da Revolução Islâmica do Irã, cuja missão primária é de organizar, treinar, equipar e financiar movimentos revolucionários islâmicos estrangeiros, sendo responsável pela construção e manutenção de contatos com organizações militantes islâmicas clandestinas por todo o mundo islâmico.

A Quds responde diretamente ao Líder Supremo do Irã, o Aiatolá Ali Khamenei e seu  comandante atual, o Brigadeiro-General Qassem Suleimani o qual será frequentemente reportado nesta série de reportagens.

Sabe-se que os drones irianianos cedidos a Força Aérea Síria exerceram em primeira função as missões de inteligência e coordenação das tropas, porém uma mudança de filosofia, inserida pela Quds teve seu papel fundamental na mudança da gestão do conflito.

Na verdade, os Shahead não foram os únicos Drones destacados para a Força Aérea Síria,  uma infinidade de outros já operavam no território Sírio em apoio as forças iranianas desde o início do conflito. Isto pode ser constatado pelo fato dos rebeldes exibiram aeronaves capturadas que descrevem como drones construídos pelo Irã.

Em muitas ocasiões, as aeronaves eram acompanhadas por manuais de treinamento com a imagem do líder revolucionário do Irã, o falecido Aiatolá Ruhollah Khomeini.

TROPAS EM TERRA

Em junho de 2013 o conflito encontrava-se num ponto de inflexão e apesar do apoio iraniano, o SAA dava sinais de estagnação uma vez que lutava uma guerra em diversas frentes e seu efetivo estava comprometido. Foi quando o governo iraniano resolveu enviar 4000 soldados para ajudar as forças do governo sírio.

Este evento foi descrito como o “primeiro contingente” num artigo assinado pelo repórter Robert Fisk, do The Independent, acrescentando que a medida ressaltava o alinhamento Sunita x Xiita no Oriente Médio, e talvez tenha sido de fato a primeira remessa de soldados estrangeiros de forças regulares a atuar em apoio à Assad.

Soldados da Guarda Revolucionária Iraniana, junto com outras forças Xiitas do Hezbollah e membros da milícia Basij do Irã participaram da captura de Qusair um estratégico ponto de confluência de rotas que caíra nas mãos rebeldes anos antes. A batalha de 9 de junho de 2013 demonstrou que a capacidade de luta do SAA e de seus aliados estava a beira de uma viragem importante.

Em 2014, o Irã aumentou ainda mais presença de tropas na Síria e também teria proposto a abertura de uma nova frente contra Israel nas Colinas de Golan, ocorrida um dia depois de o presidente egípcio romper relações diplomáticas com a Síria e exigir que o apoio iraniano ao governo pró-Síria do Hezbollah terminasse.

As autoridades sírias chamaram a diplomacia de Morsi de “irresponsável” atribuindo aos EUA e Israel o planejamento de divisões na região.

De acordo com autoridades americanas questionadas pelo jornalista Dexter Filkins, oficiais da força de Quds, coordenaram ataques, treinaram milícias e montaram um elaborado sistema para monitorar comunicações rebeldes na Síria já nos finais de 2012 e 2013 e agora em 2014 operavam impunemente dentro do teatro Sírio.

Com a ajuda do Hezbollah, e sob a liderança do general da Força Quds, Qassem Soleimani, o governo de Assad recuperou o território estratégico dos rebeldes em 2013, em particular uma importante rota de abastecimento foi anexada durante a ofensiva de Al-Qusayr em abril e maio daquele ano.

Ainda sim, a mídia internacional relativizava o papel iraniano na viragem de poder obtida pelas forças de Assad. Para se ter uma ideia do papel iraniano no conflito, basta verificar as baixas de altos oficiais  em território Sírio, que demonstram que a presença iraniana naquele conflito não era ignorável como se havia previamente pensado.

Em 2013, o general de brigada iraniano Mohammad Jamali-Paqaleh, da Guarda Revolucionária, foi morto supostamente enquanto se voluntariava para defender um santuário Xiita. Em fevereiro do mesmo ano, o general Hassan Shateri, também da Guarda Revolucionária, foi morto enquanto viajava de Beirute para Damasco.

Com a ofensiva feroz do estado Islâmico ameaçando e retomando regiões controladas tanto pelo SAA quanto pelos Rebeldes, o Irã aumentou o apoio ao presidente sírio, fornecendo centenas de especialistas militares para coletar informações e treinar tropas.

Este apoio adicional de Teerã, juntamente com as entregas de munições e equipamentos de Moscou ocorreu no início de 2014 e foi em parte uma decisão fortemente promovida por Qasem Soleimani.

Soleimani um exímio estrategista militar soube explorar a eclosão de lutas internas entre combatentes rebeldes, Al-Qaeda e o Estado Islâmico que tanto no Iraque quanto na Síria davam claros sinais de desentendimentos e buscavam cada um as suas próprias conquistas, rompendo até então com o claro interesse em comum de derrotar o regime de Assad.

Soleimani encontrou nas milícias locais sírias que resistiam ferozmente aos levantes do ISIS, a chance esperada para treinar e capacitar os populares à apoiarem o regime de Assad. A Guarda Revolucionária do Irã delegara então aos principais comandantes da força Quds a missão de aconselhar e treinar os militares de Assad e seus comandantes.

Além disso, os milhares de combatentes voluntários paramilitares Basij iranianos, passaram a se infiltrar nas regiões onde a frente de combate era mais feroz. Sua missão era preparar os populares para a a resistência tal como fora promovido no Iraque pelas milícias Xiitas e Cristãs.

A oposição síria informou que nos últimos meses de 2013 as forças lideradas pelo Irã já operavam nas áreas costeiras, onde não havia conflito de média  intensidade, isto incluía as regiões e circunscritas a Tartus e Latakia.

A Agência de Notícias ANNA chegou a informar que os operacionais iranianos possuíam documentos de identidade locais, vestiam uniformes militares sírios e trabalhavam com a unidade de inteligência da elite da Força Aérea da Síria.

Nesse ponto o leitor pode estar se perguntando, porque operar nestas regiões se o conflito circundava Damasco?

Esta é a pergunta que qualquer um poderia fazer, no entanto, uma vez que estas regiões encontravam-se mais seguras, os oficiais do SAA e iranianos puderam preparar melhor as suas forças, enviando-as as frentes de combate quando necessário, as experiências eram acumuladas e os militares passaram a propagar os ensinamentos para os integrantes das milícias populares cuja função era a de guarnecer os territórios reconquistados.

Voltando aos drones, em 10 de abril de 2014, os rebeldes na Síria registraram a presença de drones Shahed 129 voando sobre o leste de Ghouta, em Damasco. A guerra na Síria provou ser um bom ambiente para testar o Shahed 129 e mais três foram posteriormente transferidos para a Força Aérea Síria.

Um Shahed 129 foi flagrado transportando o que parecia ser uma arma guiada, sendo avistado nos céus ao sul de Aleppo em novembro de 2014.

Citando duas fontes libanesas, a Reuters informou em 1 de outubro de 2015 que centenas de soldados iranianos chegaram a síria em finais de setembro daquele ano e logo se juntariam às forças do governo Sírio e seus aliados libaneses do Hezbollah em uma grande ofensiva apoiada por ataques aéreos russos, algo que explanarei melhor na sequência.

O Wall Street Journal noticiou em 2 de outubro de 2015 que a Guarda Revolucionária do Iraniana colecionava no país naquele Outubro de 2015 um efetivo de cerca de 7000 tropas entre voluntários e paramilitares e que planejava expandir sua presença no país por meio de combatentes e milicianos locais.

Na mesma matéria o WSJ afirmou que outros vinte mil combatentes estrangeiros Xiitas estavam no terreno. Estes por sua vez seriam oriundos de países do Cáucaso e de voluntários vindos de outras quatro nações, número este que até hoje não foi confirmado por nenhum dos pares envolvidos no conflito.

É de se ressaltar que como em todo o conflito, as baixas sempre foram muito supervalorizadas pela mídia, O Midle East Monitor chegou a anunciar que cerca de 2100 iranianos teriam morrido em combate até março de 2018 sendo que  desses, ao menos 121 eram soldados e operacionais da guarda revolucionária.

O fato é que o papel do Irã no conflito foi cruscial para a retomada do poder do SAA e é inegável que as principais vitórias foram alcançadas com o apoio substancial da força Quds, nas batalhas de Al-Ghab, nas ofensivas de Aleppo, Dara’aya e Al-Qusayr ainda em 2015.

Estas ofensivas estabeleceram o controle do governo e do Hezbollah sobre a região de Qalamoun. A abertura das fronteiras com o Líbano de onde foram retomadas as passagens de material e pessoal para a Síria dentre outros, garantiu o fluxo de tropas e material de apoio à Assad liberando a fronteira que passou a  ser vigiada e que agora era menos vulnerável ao contrabando de armas para os insurgentes.

Em junho de 2015, alguns relatórios sugeriram que os militares iranianos estavam efetivamente no comando das tropas do governo sírio no campo de batalha nas regiões mais quentes do conflito como em Allepo e Idlib, uma posição estratégica para Assad, esta informação nunca chegou a ser confirmada, nem tão pouco refutada pelo regime.

CHAMEM A CAVALARIA

O Ano de 2015, começou não muito diferente do que se tinha vistoa té então, senão pela ferocidade do Estado Islâmico que naquela altura se tornara a mais perigosa ameaça ao regime. Foi quando um evento criou preocupação para o regime de Assad.

Num ataque orquestrado e perfeitamente executado pelos rebeldes apoiados pela inteligência da coalizão, a província de Idlib caiu frente a ofensiva rebelde no primeiro semestre de 2015, a situação foi considerada crítica para a sobrevivência de Assad.

Nesse momento, uma ronda de negociações de alto nível entre Moscou e Teerã passou a ganhar destaque na mídia internacional. E quando todos apostavam numa retração russa devido ao problemático conflito na Crimeia e baixo Dom, Teerã saiu vitoriosa novamente com um acordo político e em 24 de julho, o general Qasem Soleimani visitou Moscou para elaborar os detalhes do plano de ação militar coordenado na Síria.

A Rússia entra oficialmente no conflito e desafia a capacidade dos aliados contrários a Assad. No emblemático discurso na plenária das Nações Unidas, Vladimir Putin se posiciona em favor da manutenção do regime e estabelece uma aliança com o Irã para solução deste conflito.

https://www.youtube.com/watch?v=lJHdV2YvIQQ

Mais uma vez a capacidade Iraniana havia sido subestimada e em meados de setembro de 2015, chegam à Tartus e Latakia os destacamentos da Guarda revolucionária Iraniana que agora passam a operar com equipamentos mais modernos de interferência eletrônica e novas armas testadas no fronte do conflito dentre eles, drones portáteis equipamentos de rádio e armas anticarro.

Com grande parte das unidades do Exército Árabe Sírio e das Forças de Defesa Nacional posicionadas em frentes mais voláteis, os fuzileiros navais russos e a Guarda Revolucionária Iraniana liberaram suas posições instalando postos militares nas cidades de Slunfeh e Masyaf à leste de Latakia, Tartus e Ras Al-Bassit na cidade costeira.

Este primeiro contingente foi seguido de um segundo ainda maior que que chegou à Síria no início de outubro de 2015.

Em 1 de outubro de 2015, citando duas fontes libanesas, a Reuters informou que centenas de soldados iranianos haviam chegado à Síria para se unirem às forças do governo de Assad e seus aliados libaneses do Hezbollah em uma grande ofensiva terrestre apoiada pela aviação de combate russa.

As Forças Aeroespaciais Russas (VKS) começaram a operar naquele país a partir de 30 de setembro de 2015 e foram sempre relacionados como vitais para a sobrevivência de Bashar Al-Assad. A sua participação será melhor descrita na matéria subsequente a esta que tratará do papel russo no conflito.

Em 8 de outubro de 2015, o general de brigada Hossein Hamadani, primeiro homem abaixo do general Qasem Soleimani na Síria foi morto num ataque. Em 12 de outubro, mais dois comandantes da Guarda Revolucionária Iraniana, Hamid Mokhtarband e Farshad Hassounizadeh tiveram o mesmo fim.

No final de outubro de 2015, o Irã concordou em participar das negociações de paz na Síria em Viena. As negociações pela primeira vez levaram o Irã à mesa de negociações com a Arábia Saudita, que estaria envolvida em uma guerra por procuração na Síria.

As conversações, entretanto, foram prontamente seguidas por uma troca de duras críticas entre os altos funcionários do Irã e da Arábia Saudita, que lançaram dúvidas sobre a futura participação do Irã naqueles países.

Em 2017 na ofensiva pela tomada de Deir ez-Zor os Shahed 129 já haviam realizado centenas de surtidas contra o Estado Islâmico e as forças rebeldes. As autoridades militares iranianas afirmaram que os seus drones haviam aumentado de sobremaneira a capacidade de vigilância nas áreas fronteiriças, de maneira inteligente, precisa e barata.

Os Shahed 129 foram amplamente dispersos pelo território de onde passaram a ser operados a partir de pistas curtas. Em 2017, dois deles estavam baseados em Damasco na Síria e imagens de satélite apontavam modelos na base aérea de Hama e na base aérea T4.

Em 7 de junho de 2017, o Hezbollah divulgou um vídeo mostrando um UAV americano MQ-1 ou MQ-9 voando perto de Al-Tanf. Especialistas atestaram que a filmagem foi “consistente” e que realmente foi efetuada por um drone de reconhecimento Shahed-129.

Em 8 de junho de 2017, um dos cinco Shahed 129 enviados para a Síria tentou realizar um ataque aéreo contra a coalizão perto de Al-Tanf, atacando-os com um míssil guiado. Embora o ataque aéreo claramente visasse às forças da coalizão na área, ele não danificou nenhum equipamento ou pessoal americano uma vez que a munição alegadamente teria falhado

O Drone foi então abatido por um caça F-15E Strike Eagle. Dias depois, em 20 de junho de 2017, outro F-15E Strike Eagle abateu outro drone novamente perto de Al-Tanf. Este havia se aproximado do perímetro de maneira semelhante ao incidente anterior e foi abatido antes de chegar ao alcance em que poderia lançar suas armas.

Do que se tem confirmado, apenas dois Shahed 129 foram derrubados na Síria. Consta que mais dois deles foram destruídos durante os ataques aéreos israelenses na base aérea T-4 e estima-se que ao final de 2018 não havia mais Shahed-129 na Síria.

Apesar de controverso, alguns analistas militares dão como muito certa a afirmativa de que a curta participação dos Drones Iranianos foi crucial para as vitórias de Assad e pela mudança dos rumos do conflito, coincidindo com o fim do período do qual o Exército Sírio sacrificava o seu território limitando-se exclusivamente a proteger a sua população e as minorias internas perseguidas especialmente pelos grupos Jihadistas, passando a combater o inimigo de fato, chegando a atacar e desmobilizar estes grupos.

MUDANÇAS SIGNIFICATIVAS

Antes do conflito, o SAA possuía como armamento individual de proteção basicamente de capacetes soviéticos SSH-68 e QGF-02 chineses, fuzis Ak-47 ou a versão chinesa Type 56, além disso, apenas alguns membros da Guarda republicana dispunham de coletes à prova de bala, basicamente nenhum sistema intensificação de luz ou visão noturna.

As forças especiais Sírias que foram formadas e treinadas pelo exército egípcio nos anos 1960, mantinham uma doutrina pautada nos comandos britânicos concebida, para os militares das unidades de Infantaria leve que contavam com qualificação de paraquedistas. No início da Guerra o SAA possuía apenas seis batalhões independentes de forças especiais e um outro Batalhão de paraquedistas, alocado 104ª brigada da Guarda republicana.

Em março de 2014 o SAA criou um grupo de comandos denominados “Leões protetores” subordinados a 4ª divisão que operava ao norte da Síria no início da Guerra, os equipamentos pessoais das forças especiais era ineficiente e os comandos não tinham no seu currículo a experiência de combate urbano e Guerrilha assimétricas.

As forças especiais eram equipadas com armas como RPG-7 e mísseis anti-carro porém seus equipamentos individuais não eram tão bons quanto aqueles que foram empregues no conflito Sírio em 1982. Naquela época eles eram muito bem equipados com armas como os RPG-7 e mísseis anti-carro 9K111 Fagot e Milan.

As armas só melhoraram de padrão com a chegada à Síria dos formadores iranianos da força Al Quds e a filosofia de emprego foi expandida com a experiência trazida pelos combatentes do Hezbollah que possuem uma grande experiência em Guerra Urbana, vale lembrar que as forças especiais iranianas foram criadas e treinadas pelos americanos e ingleses durante o governo de Heza Pahlevi e absorveram muitas das estratégias de combate que acabaram sendo o fundamento para o surgimento das forças especiais da Guarda revolucionária iraniana.

As forças libanesas na síria eram equipadas com armas muito modernas como um míssil 9M113 Konkurs,  9K115 Metis e 9M133 Kornet. As forças do Hezbollah possuem vasta experiência em combate contra as forças israelenses dotadas de veículos de combate muito superiores aos empregues no conflito e adicionalmente possuem experiência em combate assimétrico em regiões urbanas.

As forças especiais sírias passaram a conduzir operações com emprego tanto de forças leves, quanto com forças blindadas pesadas, explorando as melhores capacidades de ambas mediante a exigência do conflito.

Estes ensinamentos foram decisivos para fundamentar a doutrina de defesa local tanto para as forças regulares quanto para os milicianos até a chegada dos primeiros integrantes das unidades Spetnaz russas ainda mais especializadas e preparadas.

Com a chegada dos russos, passou-se a reavaliar todas as táticas de emprego de grupos de comandos e todos os requisitos de combate, começando pelo armamento e itens de proteção individual.

A estratégia de defesa das cidades além da estratégia de combate contra os grupos insurgentes sofreu mais uma reformulação adaptando-se ao combate noturno, incursão de forças, ataques surpersas e sabotagem.

Apesar do Irã investir uma grande quantidade de dinheiro nos equipamentos das forças especiais tanto SAA  quanto os Iranianos não podiam se comparar aos modernos sistemas estreados em combate pelas forças russas.

A Rússia passou a fornecer as tropas Sírias material mais moderno, armas mais letais e sistemas ainda mais eficientes que os iranianos.

As imagens mais recentes mostram uma transformação nas forças sírias que passaram a adotar o uso extensivo de equipamento Russo com capacetes em Kevlar 6B7 e sistemas ajustáveis de visão noturna, coletes à prova de bala com camuflagem multicam, sistemas orgânicos integrados aos aparelhos de visão noturna, coturnos de alta qualidade e novos fuzis automáticos AK-74M e Ak-103 e 104 equipados com telêmetro laser, lança-granadas termobáricas do modelo GS-17, lançadores de 40mm. O equipamento de visão noturna passou a fazer parte do equipamento individual.

FORÇAS ESPECIAIS

Dentre as transformações geradas pela experiência iraniana no conflito, destaca-se  a criação em 2013 das chamadas Qawat Al-Nimr, ou Forças Tigre.

Estas são atualmente lideradas pelo general Suheil Hussan e são considerados a força de elite do Exército Sírio. A transformação e reorganização das Forças Tigre vem na esteira dos ensinamentos e treinamentos providas pelas forças Quds iranianas, porém, parte de sua doutrina de emprego e equipamentos é proveniente da assistência russa.

As Forças Tigre estão atualmente a 10 km de distância das linhas curdas e tratam-se de uma formação de elite (unidade de forças especiais) do Exército Árabe Sírio que funciona principalmente como uma unidade ofensiva na Guerra Civil Síria.

Seu efetivo relativamente reduzido torna difícil o seu emprego  em várias frentes de uma só vez. Apesar de oficialmente ser chamado de divisão, estima-se que o tamanho real das Forças Tigre esteja mais próximo de um batalhão. Sua estrutura era bastante compacta e possuia cerca de 1000 homens e uma de suas características marcantes era sem dúvida o fato de  agirem  independentemente do resto das forças armadas sírias.

As forças Tigre  lutaram em grandes batalhas como em Aleppo e Palmyra e nas ofensivas na região de Latakia, entre outros. Em janeiro de 2017 as forças do Tigre lançaram uma ofensiva contra o ISIS a leste da cidade de Aleppo capturando mais de 600km quadrados  de territórios do ISIS, além disso, impediram que as forças apoiadas pela Turquia avançassem mais para o território sírio.

https://www.youtube.com/watch?v=kOvBTPvsXAU

Após operações bem sucedidas em Latakia e Hama, o coronel Suheil Al-Hassan foi encarregado de um projeto especial pelo Comando Central das Forças Armadas Sírias no outono de 2013, passando a treinar e liderar uma unidade das Forças Especiais Hassan escolheu a dedo muitos dos soldados que mais tarde formariam as Forças do Tigre.

Em 25 de dezembro de 2015, Suheil Al-Hassan foi promovido a major general depois de se recusar a ser general de brigada. Ele desempenhou um papel fundamental no comando das tropas sírias durante a campanha de 2016 em Aleppo. As forças Tigre foram encarregadas duas vezes de cortar as principais linhas de suprimentos para a Aleppo, até então controlada pelos rebeldes.

As Forças do Tigre obtém a primazia do uso do carro de combate russo T-90, sendo outras a 4ª Divisão Blindada e a Brigada Falões do deserto. A tática mais famosa e eficaz das Forças Tigre é sondar o inimigo a partir de múltiplos eixos para encontrar um ponto fraco, enviando então uma grande força mecanizada para essa área para capturar as pequenas vilas de uma só vez.  De acordo com Gregory Waters, eles se reportam ao Major General Jamil Hassan comandante do Diretório de Inteligência da Força Aérea.

Em  outubro de 2018, estimava-se que seu efetivo já havia aumentado significativamente, situando-se entre  6500 e 8000 membros.
As Forças Tiger possuem vários grupos de operações especiais como as Forças Cheetah  ou Qawat al-Fahoud a qual atuou na retomada da Base Aérea Militar de Ku Keires, Já a Falcões do deserto, dominou Aleppo Oriental, aniquilando a resistência do  ISIS.

As Forças Panteras foi envolvida na ofensiva de Palmyra em março de 2016, onde foram transferidos para outra frente depois que a batalha terminou.

Atualmente as Forças Tigres são destacadas em grupos na ordem de regimentos como:

  • Tarmeh
  • Taha, uma unidade de assalto formada em 2014 a qual possuia em 2018 cerca de 2500 membros.
  • Yarrob
  •  Shaheen  (possivelmente ex-forças da Pantera)
  • Shabaat
  •  Al Hawarith
  • Zaydar
  •  Al Shabbour
  •  Al-Komeet
  • Al-Luyouth
  • Hayder

As Forças do Tigre consistiam em até 24 subgrupos de tamanhos variados. Os grupos e subunidades das Forças do Tigre foram fundados por indivíduos proeminentes que frequentemente também serviam como comandantes de um grupo particular (o grupo geralmente carregava o nome do indivíduo que fundou e / ou comandou o grupo.

CONCLUSÃO

A participação desde o princípio do conflito como foi apresentado neste artigo evoca o questionamento se não teria sido o esforço iraniano o responsável pela garantia da permanecia do regime de Assad.

Para este autor, a guerra que teve várias fases, altos e baixos teria sido decidida em seus primeiros anos caso não houvesse a interferência iraniana.  A formação cedidas pelas forças Basij e a presença em campo nas principais batalhas pelas forças Quds são evidências de que o Irã foi o aliado mais proeminente do regime desde o princípio e talvez seja o maior responsável pela vitória do  SAA sobre seus adversários.

Para o Autor, a criação das milícias populares foi um ponto de virada estratégica que mais contribuiu para a estabilidade do conflito. Populares passaram a  defender seus territórios permitindo que o SAA pudesse ser enviado para a frente de combate, sanando o cronico problema da mobilidade territorial das forças que não poderiam estar em todos os lugares ao mesmo tempo.

As milícias garantiram a segurança de rotas importantes e permitiram que as forças regulares pudessem receber o treinamento adequado partindo para o frente de batalha melhor preparados. A resistência feroz implementada pelos integrantes do Hezbollah também não pode ser esquecida, as forças libanesas causaram muito dano aos insurgentes e mais do que isso, garantiram a integridade de regiões estratégicas do país.

A fase de virada do conflito se deveu a atuação sagaz do general Qasem Soleimani que na visão do autor, foi o responsável pela estabilização do conflito em primeira fase e pelo contra ataque das forças do SSA.

A presença iraniana na síria sempre foi muito supervalorizada, acredita-se que nunca passou de um contingente permanente de pouco mais de 1500 integrantes, mas que com a sua rotatividade talvez tenham chegado aos números que são apresentados nas casas dos milhares. De fato o Hezbollah foi quem forneceu o maior contingente estrangeiro, talvez entre dois a três mil integrantes deste grupo estejam em solo Sírio, o que gera preocupação a Israel.

A reestruturação provida no SAA se deveu em parte aos ensinamentos no campo, especialmente cedidos pelos Iranianos em um primeiro momento e depois pelos russo num segundo momento. Porém , para o autor, a entrada da Rússia, não se deveu a possibilidade de derrocada eminente nos anos de 2015, mas sim pela segurança e estabilidade garantida pelo Irã a partir do terceiro ano da guerra.

A estabilidade garantida pelas forças iranianas em apoio e transformação do SAA e das milícias permitiram que Rússia enviasse ao território Sírio apenas hardware para apoio as operações aéreas, sem a necessidade do envio de efetivos das forças terrestres, o que demonstra que o envolvimento de forças em solo era suficiente para não necessitar do envolvimento russo.

Porém, foi sobre a proteção dos Guardiões da revolução, o regime Sírio conseguiu se sustentar lançar-se para a segunda fase do conflito.

As forças russas passaram mais a coordenar os ataques aéreos do que propriamente envolverem-se no solo, salvo algumas exceções, isto será melhor apresentado no próximo artigo desta série será reportado o papel da Rússia no conflito e seus desdobramentos.


Sobre  o Autor:

E.M. Pinto é Físico, Mestre em Física Aplicada e Doutor em Engenharia e Ciências dos Materiais, Professor Universitário editor do site Plano Brasil e de Revistas científicas  internacionais.


EDITORIAL-Exército Árabe Sírio Parte I – A primavera das sombras