Categories
Conflitos Geopolítica Obama no Brasil

Patriota cobra ‘engajamento’ dos EUA em reforma do Conselho de Segurança

João Fellet

Da BBC Brasil em São Paulo

Às vésperas da primeira visita do presidente Barack Obama ao Brasil, o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, disse esperar que “os Estados Unidos permaneçam engajados em uma reforma do Conselho de Segurança da ONU que preveja a inclusão de novos membros permanentes do mundo em desenvolvimento, como o Brasil, a Índia e outros”.

“Já não é razoável nem justificável convivermos com um Conselho de Segurança que parece refletir mais um mundo do século 20 que um do século 21”, disse Patriota, em entrevista à BBC Brasil por telefone, durante viagem à China, na última sexta-feira.

Na entrevista, o chanceler afirmou ainda que o governo brasileiro se solidariza com os protestos no mundo árabe e que qualquer decisão sobre intervenções militares na Líbia ou em outros países da região devem ser tomadas no âmbito do Conselho de Segurança.

Leia os principais trechos da entrevista.

BBC Brasil: Nos últimos anos, o Brasil decidiu se abster em votações do Conselho de Segurança da ONU sobre violações de direitos humanos, como numa resolução contra o Sudão pela violência em Darfur, em 2005. Na semana passada, porém, o Brasil votou a favor de uma resolução contra a Líbia. A posição da diplomacia brasileira quanto a direitos humanos mudou neste governo?

Antonio Patriota: Direitos humanos são uma prioridade importante para o Brasil. Primeiro, e mais importante, o Brasil busca melhorar a situação dos cidadãos brasileiros internamente, e com isso o governo do presidente Lula esteve extremamente engajado, inclusive com a criação da secretaria de Direitos Humanos, a secretaria para promover a igualdade de raças e uma secretaria para promover igualdade de gêneros.

Quando se lida com sua situação interna, sua posição internacional tende a ser mais respeitada e votar a favor ou se abster deve ser visto como manifestação dentro de contextos.

Uma situação que nos preocupa muito é a divisão Norte-Sul em algumas deliberações sobre direitos humanos. Se há uma polarização muito aguda ao tratar algum assunto, em que o norte parece prover todas as respostas e o sul é tratado só como o receptor do conselho, às vezes o Brasil tenta agir como uma ponte, para unir os dois lados, e abstenções podem ser justificadas nesse contexto.

Mais recentemente, no Conselho de Segurança e no Conselho de Direitos Humanos, houve resoluções adotadas por consenso. O Brasil é muito frequentemente um país que tenta superar divisões, construindo consensos, então ficamos satisfeitos que resoluções sobre a Líbia nesses dois órgãos da ONU tiveram um amplo apoio e foram aprovadas não só por países do norte, mas também por países na região onde a Líbia está situada. Isso dá à comunidade internacional uma voz muito mais forte na situação.

BBC Brasil: O Brasil, desde o governo Lula, tem ampliado as relações comerciais e diplomáticas com o mundo árabe. Qual a posição do Brasil em relação à revolta em curso na região?

Patriota: O Brasil não pode deixar de se solidarizar com manifestações que são motivadas por aspirações com as quais nos identificamos. Os manifestantes desejam maior participação no destino de seus países, maior participação política, maiores oportunidades para suas economias, maiores oportunidades de emprego, dignidade, soberania. São objetivos que merecem todo o nosso apoio.

O Brasil tem estendido sua mão ao mundo árabe de maneira bilateral com relações com vários países, mas também através de novas coalizões e novas iniciativas como a chamada Aspa, a cúpula América do Sul – Países Árabes, iniciada em 2005 em Brasília.

Foi uma forma de aproximarmos duas regiões que têm objetivos comuns, que inclusive dialogam através da história pela presença na América do Sul de numerosos e significativos segmentos de imigrantes de origem árabe.

Desejamos que essas manifestações evoluam de forma pacífica. Acho que se existe crise, também existe oportunidade. Existe oportunidade, por exemplo, para trabalharmos pelo estabelecimento de uma zona livre de armas nucleares no Oriente Médio, para melhorarmos o respeito aos direitos humanos – agora a Líbia foi suspensa do Conselho de Direitos Humanos, e essa não é uma decisão que não deve ser tomada como superficial, ela envolve uma postura muito forte do conselho em seu conjunto em favor dos direitos humanos na região e na Líbia.

BBC Brasil: Há sinais de que o Brasil e os Estados Unidos estão mais próximos desde a posse da presidente Dilma Rousseff, como a afirmação dela de que pretende aprofundar as relações com o governo americano e o alinhamento nessa votação recente na ONU sobre a Líbia. A importância dos EUA para a diplomacia brasileira aumentou?

Patriota: Como ex-embaixador em Washington, considero que os Estados Unidos e o Brasil não estavam distantes durante o governo Lula. Pelo contrário, houve um número grande de novas iniciativas, tanto na área de biocombustíveis como na área da promoção da igualdade racial, de gêneros, entre outros.

O comércio bilateral chegou a um recorde pouco antes da crise econômica de 2008, atingindo a cifra de US$ 53 bilhões nos dois sentidos. Aumentaram os investimentos brasileiros nos Estados Unidos, foram criados também mecanismos que aproximaram os empresariados dos dois países, de modo que o que está acontecendo é uma evolução natural.

Agora com a visita próxima do presidente Barack Obama, gostaríamos de elevar o nível da relação em algumas áreas de interesse especial para o Brasil, como ciência e tecnologia, e continuar trabalhando em mecanismos existentes para aprofundar nosso diálogo – um diálogo político também, que é extremamente importante, com os Estados Unidos permanecendo a principal economia e a principal potência mundial.

Não sei se concordaria com sua descrição sobre um alinhamento do Brasil com os Estados Unidos na última resolução. Como comentei antes, a resolução foi adotada por consenso, de modo que o mundo inteiro está alinhado em torno de uma certa visão para o encaminhamento da situação na Líbia.

BBC Brasil: Em visita à Índia em 2010, o presidente Obama apoiou a criação de uma cadeira permanente no Conselho de Segurança para aquele país. O governo brasileiro espera que ele faça o mesmo durante a primeira visita dele ao Brasil, neste mês?

Patriota: Há poucos dias estive em Washington, para conversas no Conselho de Segurança Nacional e no Departamento de Estado. Nós conversamos sobre a reforma do Conselho de Segurança e a mesma pergunta foi feita à secretária de Estado, Hillary Clinton. Ela disse que admira – acho que essa foi a palavra que ela usou – a contribuição do Brasil à promoção da paz e segurança internacional.

Existe, por exemplo, um respeito muito grande pelo trabalho que o Brasil tem desempenhado no Haiti, como líder das tropas da ONU naquele país, de modo que esperamos que os Estados Unidos permaneçam engajados numa reforma do Conselho de Segurança da ONU que preveja a inclusão de novos membros permanentes do mundo em desenvolvimento, como o Brasil, a Índia e outros, também da África, e que possamos dentro de um prazo relativamente breve introduzir maior legitimidade, maior representatividade nesse órgão, na medida em que o mundo está vivendo mudanças aceleradas na sua governança global.

Já não é razoável nem justificável convivermos com um Conselho de Segurança que parece refletir mais um mundo do século 20 que de um século 21.

Fonte: BBC Brasil

Categories
Acidentes e Catástrofes Geopolítica

Japão enfrenta pior crise desde Segunda Guerra Mundial, diz premiê

http://especiais.ig.com.br/zoom/wp-content/blogs.dir/7/files/tsunami-no-japao/terremoto001.jpg

O primeiro-ministro do Japão, Naoto Kan, afirmou neste domingo que o país enfrenta sua crise mais difícil desde a Segunda Guerra Mundial.

“Este terremoto e tsunami, e também a situação que diz respeito à usina nuclear, são talvez a as adversidades mais difíceis que enfrentamos desde a Segunda Guerra Mundial, em 50 anos.”

“Se nós, o povo japonês, podemos superar estas adversidades, isto depende de cada um de nós, cidadãos japoneses”, disse Kan em um pronunciamento transmitido pela televisão japonesa.

“Acredito que podemos superar este grande terremoto e tsunami se nos unirmos.”

O premiê também afirmou que o país terá que implementar um programa de cortes de energia. Kan citou a situação na usina nuclear de Fukushima, que sofreu uma explosão em um de seus reatores no sábado e corre o risco de uma segunda explosão, e acrescentou que poucas usinas foram afetadas pelo terremoto.

“Estamos tentando garantir apoio elétrico de outras instalações e pedimos às indústrias para cortar o uso de eletricidade. Mas, não temos nenhuma perspectiva de restaurar o fornecimento de eletricidade dentro dos próximos dias.”

“Portanto, há uma grande possibilidade de que vamos continuar com falta de eletricidade e também há uma possibilidade de cortes do fornecimento de eletricidade em larga escala, e este tipo de corte de eletricidade vai afetar as vidas das pessoas e também as atividades industriais”, afirmou Kan.

Kan também falou sobre as operações de resgate.

“Dois dias se passaram desde o terremoto e é uma corrida contra o tempo para as equipes de resgate. Vamos tentar fazer de tudo para salvar mais vidas.”

Clique Leia também na BBC Brasil: Governo teme segunda explosão em usina nuclear

Fukushima

Naoto Kan afirmou também em seu pronunciamento que a situação na usina nuclear de Fukushima continua grave e que o fechamento desta e de outras usinas de energia depois do terremoto significa que o fornecimento de eletricidade está limitado.

Falando logo depois de Kan, o porta-voz do governo Yukio Edano, afirmou que, apesar de os técnicos continuarem a injetar água do mar no reator 3 da usina nuclear de Fukushima, que está sob ameaça de explosão, os medidores não mostram o aumento do nível da água.

“Não sabemos qual conclusão tirar disto”, afirmou.

O primeiro-ministro japonês também afirmou que, a partir de segunda-feira, os cortes rotativos de eletricidade vão afetar também o fornecimento de água e gás, além de algumas instalações médicas.

Neste domingo, autoridades do Japão informaram que existe o risco de uma segunda explosão na usina nuclear de Fukushima, que foi danificada pelo terremoto de sexta-feira e já sofreu uma explosão no sábado.

Equipes de resgate na província de Iwate (AFP/Getty)Equipes de resgate procuram sobreviventes em áreas mais afetadas

A Companhia Elétrica de Tóquio (Tepco), operadora da usina, afirmou que os níveis de radiação em volta da usina aumentaram acima dos limites permitidos.

Milhões de pessoas continuam sem energia elétrica no país e as autoridades estão intensificando as operações de ajuda e resgate, à medida que a escala real da tragédia é revelada.

Cerca de 310 mil pessoas foram levadas para abrigos de emergência, muitos deles sem energia elétrica, segundo o canal japonês NHK.

Números

A polícia do Japão afirmou que o número de mortos apenas na província de Miyagi pode passar dos dez mil.

Na província de Miyagi está o porto de Minamisanriku, que foi levado pelo tsunami que ocorreu depois do terremoto de 8,9 de magnitude que atingiu a costa de Honshu, a cerca de 400 quilômetros a nordeste de Tóquio, na tarde de sexta-feira.

A repórter da BBC Rachel Harvey, que está nos arredores de Minamisanriku, afirmou que as estradas para a cidade estão bloqueadas e as equipes de emergência estão encontrando corpos entre os destroços.

As autoridades japonesas tinham informado anteriormente que mais de 2 mil pessoas morreram ou estavam desaparecidas depois do tremor e tsunami de sexta-feira.

O governo anunciou que o número de soldados trabalhando nas operações de resgate e ajuda na região será duplicado para 100 mil.

Equipes internacionais de ajuda estão sendo enviadas ao Japão, com a ajuda da ONU na coordenação da operação.

Categories
Defesa

Relatório: 50% dos recursos das Forças Armadas estão parados

http://aviacaogeral.com/wp-content/uploads/2011/02/cortenoscacas.jpg

Cerca de 50% dos equipamentos das Forças Armadas do País não está disponível para uso, segundo relatório elaborado pelo ministério da Defesa e divulgado pela Folha de São Paulo. Segundo o documento, 54% dos recursos da Aeronáutica, por exemplo, se encontra, hoje, fora de operação por problemas técnicos. Marinha tem 58% dos artifícios encostados e o Exército 28%.

A distribuição do efetivo em solo nacional apresenta concentração. O Sul conta com 25% do exército, por exemplo. A região Norte, que abriga a floresta Amazônica nacional, tem 13% dos homens. O Rio de Janeiro tem 23% do efetivo terrestre. O Rio de Janeiro também concentra os efetivos da Marinha e da Aeronáutica.

Fonte: Terra

Categories
Fotos do Dia Inteligência

Abin fica submetida ao GSI

http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/foto/0,,14726917,00.jpgJoão Bosco Rabello

Contornado o motim que pretendia retirá-la da hierarquia militar, a Agência Brasileira de Informação (Abin) passa por uma reformulação de natureza ideológica e operacional. A presidente Dilma Rousseff deu aval para que o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) restaure a missão original da agência como órgão de inteligência estratégica a serviço do Estado.

O Ministério da Defesa minimizou o conflito classificando-o como uma ação de inspiração sindicalista que reuniu pouco mais de uma centena de funcionários num universo de 800. Não se fala em punições, o que não significa que não ocorram: antes, pode haver até afastamentos.

O ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Elito de Siqueira, alvo mais visível da rebelião, não fala publicamente sobre o assunto, mas tem admitido informalmente que está em curso um processo de correção de rumos na agência.

O conceito a orientar a mudança é o de que a Abin não é órgão de espionagem nem gabinete de crise, mas de prevenção de crises, o que a levará a se concentrar no monitoramento de cerca de 400 pontos de um mapa logístico considerado de segurança nacional – abrangendo desde as fronteiras terrestres, marítimas e aéreas até sistemas vitais ao País como o elétrico, hidrelétrico e energético.

A ideia é manter a presidente da República previamente informada sobre assuntos de importância estratégica, para que o governo se antecipe aos fatos.

Fonte: O Estado de São Paulo  via Notimp

Categories
Fotos do Dia Geopolítica Obama no Brasil

Brasil e EUA têm os mesmos valores

http://www.eunaoaceito.com.br/eunaoaceito/wp-content/uploads/2011/02/usa-brazil-460x250.jpg

A visita do presidente americano Barack Obama reforça a dimensão da importância do Brasil no cenário internacional, diz o embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Thomas Shannon. Em entrevista ao Estado, Shannon exaltou os caças da Boeing, falou em melhorar o comércio bilateral e minimizou os recentes atritos diplomáticos entre os dois países – em questões como o controverso acordo que o Brasil mediou com o Irã de Mahmoud Ahmadinejad, a crise em Honduras e a instalação de bases americanas na Colômbia. “Nossas convergências são mais importantes que nossas divergências”, afirmou, em ótimo português, como pediu para fazer a seguinte entrevista.

Dois anos após assumir a Casa Branca, o que a viagem do presidente Barack Obama ao Brasil representará para os dois países?
A visita do presidente Obama mostra grande interesse dos Estados Unidos no Brasil, um reconhecimento do papel do Brasil no mundo como poder emergente. É uma reunião histórica, repleta de simbolismos: Barack Obama, o primeiro presidente americano descendente de pai africano; Dilma, a primeira mulher eleita presidente do Brasil. Os Estados Unidos veem o Brasil como uma grande nação, uma democracia fundamental no sistema internacional, na ONU e em questões como os direitos humanos. O Brasil demonstrou como a democracia e a economia de mercado podem promover justiça social.

Por falar na questão dos direitos humanos, como o senhor avalia a postura da diplomacia brasileira diante da turbulência no mundo árabe?
Faço uma avaliação positiva. O papel do Brasil no Conselho de Segurança, liderando a resolução contra a Líbia, foi extremamente importante.

Na viagem de Obama, um dos principais assuntos em pauta é a venda dos caças para a Força Aérea Brasileira, um negócio de US$ 7 bilhões de dólares (cerca de R$ 12 bilhões) que ainda não foi definido. Apesar da preferência da administração anterior pelo modelo francês, vai ser possível virar o jogo?
A concorrência segue aberta, com os caças da Boeing sob avaliação do governo. Temos a certeza de que temos não apenas o melhor avião, como o melhor pacote de transferência de tecnologia, que pode crescer com o tempo nos próximos anos. Esse pacote é inédito e estamos muito confiantes em ter o Brasil como parceiro.

A viagem de Obama vai amenizar atritos recentes entre a Casa Branca e o Palácio do Planalto, como a reação americana ao acordo mediado pelo Brasil com o Irã e as divergências quanto à crise em Honduras?
Discordâncias são normais, especialmente quando consideramos um país como o Brasil, que tem suas próprias opiniões. Nossos valores, contudo, são os mesmos. Temos interesses compartilhados. Nossos pontos de convergência são mais importantes que os de divergência.

Abre-se a possibilidade de algum resultado concreto para as questões comerciais, como a tarifa imposta ao etanol brasileiro?
O etanol é um assunto que passa pelo Congresso, do qual não posso me antecipar. Mas pretendemos melhorar a relação comercial entre os dois países e aperfeiçoar as oportunidades de investimento.

Especula-se muito sobre a passagem de Obama pelo Rio. Afinal de contas, ele vai subir morro e discursar para a população?
O presidente Obama tem um desejo e interesse muito forte de ir para o Rio, cidade que vai receber a Olimpíada e jogos da Copa do Mundo e que passa por um tempo de muitas mudanças e transformações. É um momento de confiança no Rio e o presidente quer falar com o povo do Rio e do Brasil, mas vou guardar algumas surpresas.

Fonte: O Estado de São Paulo via NOTIMP

Categories
Defesa Fotos do Dia Sistemas de Armas

Metade dos armamentos do país está indisponível

http://www.naviosbrasileiros.com.br/ngb/P/P015/P015-f03.jpgFoto: Navios  Brasileiros

Estudo do Ministério da Defesa revela fragilidade das Forças Armadas. Blindados, navios e caças sem condições de combate e concentração de tropas no Sudeste expõem deficiência

Fernando Rodrigues
Igor Gielow

Um levantamento reservado com uma detalhada radiografia das Forças Armadas brasileiras mostra o sucateamento do equipamento militar do país. Explicita também as conhecidas distorções na distribuição de tropas no território nacional, confrontando o discurso oficial de que a Amazônia é uma prioridade. O estudo ao qual a Folha teve acesso é produzido pelo Ministério da Defesa e atualizado todo mês. Ele mostra que metade dos principais armamentos do país, como blindados, aviões e navios, está indisponível para uso.

O levantamento é usado provisoriamente pelo governo, enquanto não é elaborado o chamado “Livro Branco”, que trará, segundo decreto assinado neste ano, todo esse diagnóstico. O livreto obtido pela Folha tem 76 páginas e traz dados orçamentários, operacionais e de pessoal que são difíceis de encontrar com esse grau de detalhe.

Quando alguém precisa elaborar comparações com outros países, como fez a Folha em sua edição de 20 de fevereiro, a praxe é buscar fontes externas -confiáveis, mas não tão detalhadas. O documento usado nesta reportagem traz um inventário dos chamados meios de cada Força, ou seja, os principais equipamentos para uso em guerra.

O resultado dá argumentos aos defensores do reequipamento militar, um processo caro, demorado e que costuma esbarrar em obstáculos como pressões políticas.

O caso da Marinha é paradoxal. Especialistas consideram a Força a mais bem aparelhada, mas 132 dos seus 318 principais equipamentos estão parados. Metade dos 98 navios está no estaleiro. A aviação naval é figurativa: apenas 2 de seus 23 caças voam, e só para treino. Isso no fim de 2010 -hoje, só um funciona. O porta-aviões São Paulo ficou anos parado e agora está em testes.

DEFICIÊNCIA CRÔNICA

O Exército contribui para que o resultado geral de disponibilidade de meios atinja ilusórios 68% -isso porque a Defesa coloca na conta as “viaturas sobre rodas”, que basicamente são quaisquer veículos. Dessas, 5.318 das 6.982 estão funcionando. Dos 1.953 blindados do Exército, só metade está à disposição. Metade dos helicópteros está no chão, isso sem contar a deficiência crônica de defesa Aérea, maior fragilidade militar do país.

Por fim, a Força Aérea tem indisponíveis 357 dos seus 789 meios, que incluem 48 lançadores portáteis de mísseis, todos funcionando. O governo avalia ter 85 dos seus 208 caças disponíveis, o que parece algo otimista. Seja como for, a renovação da frota de combate, unificada em um modelo, está postergada novamente por causa de cortes orçamentários.

Fica também explícito um problema que a Estratégia Nacional de Defesa editada em 2008 promete combater. Na Estratégia, a Amazônia aparece como prioridade do Exército. Só que a disposição das tropas ainda reflete a ideia de que o país um dia poderia entrar em guerra com sua antiga rival, a Argentina, hoje longe de representar uma ameaça militar. A região Sul concentra 25% das Forças terrestres do Brasil, enquanto a área amazônica só tem 13% do efetivo. Outros 23% estão estacionados na área do Comando Militar do Leste, no Rio.

A concentração no Rio também é perceptível no poderio aéreo. Nada menos que um terço do efetivo da FAB está por lá, enquanto a enorme região Norte não soma 15% com dois comandos aéreos separados.

A Marinha também está baseada no Rio, de forma avassaladora: 71% do efetivo está lá. Há planos para criação de uma segunda esquadra no Nordeste e no Norte.

Essa concentração no Rio é uma herança dos tempos em que a cidade centralizava o poder no país.

ASSIMETRIA

A Estratégia critica essa assimetria na disposição geográfica das tropas, mas a mudança depende de vontade política e de recursos cuja justificativa sempre é difícil num país de tradição pacífica e cheio de problemas sociais.

Por fim, o mapa lembra também detalhes do comprometimento financeiro. Em outubro de 2010, o governo gastou quase igualmente com pessoal ativo, aposentados e pensionistas, somando uma folha salarial de R$ 2,9 bilhões naquele mês. No Orçamento de 2011, antes do corte anunciado recentemente pelo governo, a despesa com pessoal representava 72% do gasto total.

Ainda sobre pessoal, destaca-se a alta proporção de oficiais-generais. Há um deles para cada 971 homens. No mais poderoso exército do mundo, o americano, esse número salta para um para cada 1.400 soldados.

Fonte: FSP via NOTIMP

Categories
Conflitos Geopolítica Opinião

As ameaças das grandes potências à democratização dos países árabes

Os Estados Unidos e a Europa Unida estão de olho no petróleo da Líbia e dos demais países do norte da África e do Oriente Médio, sem nenhuma dúvida, mas querem também livrar-se de Kadafi, um inimigo que os incomodou muito nas últimas décadas.

As potências imperialistas, refeitas do susto que levaram com as insurgências populares na Tunísia e no Egito, estão recuperando o controle do processo democratizador que, de repente, varreu alguns países árabes. Tratam de abortar as insurgências populares valendo-se do nível insuficiente de organização e direção desses movimentos, manipular as aspirações democráticas dos povos árabes e manter as mudanças institucionais na região em limites que não afetem seus interesses.

E, enquanto posam de defensores preocupados dos direitos humanos na Tunísia, no Egito e na Líbia (depois de terem tolerado e apoiado seus regimes ditatoriais por muitos anos), procuram manter em plano secundário e esquecido a situação na Arábia Saudita (monarquia fundamentalista e absoluta), no Bahrein (poço de petróleo transformado em país e, mais recentemente, também em base estadunidense) e na repressora Jordânia (reino inventado, juntamente com Israel, para impedir a formação de um grande Estado Palestino binacional). Se há uma esfera em que a hipocrisia prevalece da maneira mais descarada no mundo contemporâneo, é a das relações internacionais.

Não nos deixemos confundir. Num mundo dividido em Estados, não pode haver democracia real sem autodeterminação popular e, portanto, sem soberania dos Estados. Há uma inter-relação, mas também uma subordinação incontornável entre as questões nacional, democrática e social.

No enfrentamento do sistema capitalista-imperialista mundial, a luta pelo socialismo e pelo internacionalismo passa pelos combates antiimperialistas em defesa da soberania dos Estados periféricos, dependentes e vulneráveis, da democratização efetiva de seus regimes políticos e dos direitos políticos, econômicos e culturais de seus trabalhadores.

Não serão as grandes potências imperialistas que democratizarão os países por elas subjugados e espoliados, nem que promoverão os direitos e a emancipação de seus trabalhadores.

Todas elas, dependentes do petróleo árabe e ansiosas por aliados no norte da África e no Oriente Médio, engoliam Kadafi, como engoliam antes Saddam. Mas, surgindo a possibilidade de se livrarem desses aliados inseguros sem prejudicar seus interesses, tais potências os depõem e executam sem a menor hesitação nem piedade.

O MEDO DA DEMOCRACIA

A história dos séculos XIX e XX está cheia desses exemplos. Mas as grandes potências não liquidam seus antigos aliados e clientes para implantar uma democracia real nos países encabeçados por eles, nem para promover os direitos e a emancipação dos trabalhadores. Apenas trocam de métodos e de serviçais, como estão tentando fazer no Egito: tiraram Mubarak para deixar no lugar a mesma máquina militar dependente dos Estados Unidos e cúmplice de Israel, da qual Mubarak emergiu e que o sustentou por tanto tempo. Uma máquina distanciada há várias décadas da tradição nacionalista de Nasser, da qual também Kadafi se afastou nos últimos anos.

No enfrentamento das grandes potências capitalistas, não há como não manter relações diplomáticas e econômicas com os demais países da América Latina, Caribe, Ásia e África, independentemente de que muitos desses países tenham regimes e governos antidemocráticos e antipopulares. As revoluções não se exportam. É cada povo que tem de libertar-se, apoiando-se em sua própria luta. O apoio dos demais povos deve ser político e moral. Somente em casos muito excepcionais, diante da intervenção sanguinária de grandes potências capitalistas, é que se poderia justificar, se viável, o apoio também militar.

Seria um contrassenso e uma capitulação fazer o contrário: aliar-se com as grandes potências, também dominadas por democracias restritas e por governos e regimes antipopulares, para combater os governos de países dependentes, vítimas no passado de agressões e colonizações, como a Líbia, a pretexto da defesa seletiva e hipócrita de “direitos humanos”, entre os quais nunca se destaca o direito à soberania, à autodeterminação e à não-intervenção nos assuntos internos de cada país.

Já se está falando nos Estados Unidos em levar Mubarak e Kadafi ao Tribunal Penal Internacional, ao qual, porém, o governo de Washington não admite submeter nenhum de seus funcionários. Que bela justiça, discriminatória por definição! Uma inconfundível justiça colonialista!

*Duarte Pacheco Pereira é jornalista e autor do livro 1924: Diário da Revolução – os 23 dias que abalaram São Paulo , editado e publicado pela Imprensa Oficial.

Fonte:  Opera Mundi

Categories
Defesa Sistemas de Armas

Fuzileiros Navais dos EUA vão também adquirir o modelo F-35C

http://www.naval.com.br/blog/wp-content/uploads/2010/10/F-35C-3.jpg

O U.S. Marine Corps, o Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA, concordou em adquirir a versão embarcada em porta-aviões do caças Lockheed Martin F-35 Joint Strike Fighter adicionalmente as versões F-35B, de decolagens curtas/pouso vertical (STOVL).

O Gen. James Amos, comandante do USMC, confirmou que os atrasos e incertezas associadas a versão F-35B STOVL forçaram a mudança nos planos de aquisição.

“Quando nós definimos os requerimentos para versão STOVL nós esperávamos que poderíamos ter a capacidade, algum dia, de voar com algumas aeronaves fora de porta-aviões com convés de voo de larga extensão,” disse Amos, explicando a decisão no Comitê de Serviços Armados do Senado no dia 8 de março. “Isso ainda precisamos ver se será possível, de modo que, entretanto, parece prudente adquirir algumas aeronaves da versão C antes mesmo do planejado, onde nós poderemos começar a transição de nossos pilotos.”

A U.S. Navy e o U.S. Marine Corps planejam juntos adquirir uma combinação de 680 caças F-35Bs e Cs, com cerca de 460 do modelo STOVL e 220 do modelo embarcado. No entanto, as duas forças estão reavaliando a aquisição entre as duas aeronaves, disse o Secretário da Marinha Ray Mabus, no comitê do Senado.

“Nós estamos realizando um integração TacAir [aeronaves táticas] entre a marinha e os fuzileiros para ver qual o número exato de modelos C que poderiam ser operados entre as duas forças,” disse Mabus.

Ao mesmo tempo, o USMC permanece comprometido e estusiasmado sobre o modelo STOVL apesar dos atrasos nos testes e dos desafios de desempenho que fizeram com que o Secretário de Defesa Robert Gates impusesse um período de dois anos de provação do modelo F-35B.

Fonte: Flight Global – Tradução e Adaptação do texto: Cavok