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1º de Setembro de 1939: Alemanha invade a Polônia

A invasão da Polônia pelas tropas de Hitler marcou o começo da Segunda Guerra Mundial, na madrugada de 1º de setembro de 1939.

05 de Outubro de 1939, após a invasão alemã à Polônia – Foto: AP

A Alemanha, derrotada na Primeira Guerra Mundial, havia perdido seus territórios ultramarinos, a Alsácia Lorena e parte da Prússia. As altas indenizações impostas pelos Aliados causaram o colapso da moeda e desemprego em massa, fatores que, explorados pelos nazistas, contribuíram para o fortalecimento de Hitler no poder (assumido em 1933).

As relações entre a Alemanha e a Polônia já eram tensas desde a República de Weimar. Nenhum governo do Reich nem partido alemão concordava com a nova delimitação da fronteira leste do país (com um corredor polonês, neutro, separando o país da Prússia Oriental), imposta no Tratado de Versalhes.

Ambicionando as matérias-primas da Romênia, do Cáucaso, da Sibéria e da Ucrânia, Hitler começou a expansão para o Leste. Embora as potências ocidentais temessem o perigo nazista, permitiram seu crescimento como forma de bloqueio ao avanço comunista soviético.

Conquistas passo a passo

Em 1935, a Alemanha havia reiniciado a produção de armamentos e restabelecido o serviço militar obrigatório, contrariando o Tratado de Versalhes. Ao mesmo tempo, aproximou-se da Itália fascista de Benito Mussolini; de Francisco Franco, na Espanha; do Japão; e anexou a Áustria, em 1938, com a visível concordância dos austríacos.

No ano seguinte, com a conivência da França e da Inglaterra, incorporou a região dos sudetos, que abrigava minorias alemãs, na antiga Tchecoslováquia. Por fim, aproveitou o ceticismo ocidental em relação à União Soviética e assinou com Josef Stálin um acordo de não agressão e neutralidade de cinco anos.

Estava aberto o caminho para atacar a Polônia, exigindo a devolução da zona conhecida por “corredor polonês” e do porto de Danzig (neutra, a atual Gdansk).

Diante da negativa da Polônia em ceder Gdansk, as tropas alemãs invadiram o país em 1º de setembro de 1939 e travaram uma guerra-relâmpago (Blitzkrieg) com a frágil resistência local. Dois dias depois, a Inglaterra e a França declararam guerra à Alemanha, fazendo eclodir a Segunda Guerra Mundial.

Fonte: DW.DE

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Conflitos Geopolítica História

Início da Segunda Guerra é lembrado sob a sombra da crise na Ucrânia

Em Gdansk, presidentes alemão e polonês associam eventos que deram início ao conflito mundial à atual tensão no Leste Europeu. Segundo ambos, é preciso deter avanços russos, para um retorno a uma ordem europeia pacífica.

Os presidentes Joachim Gauck, da Alemanha, e Bronislaw Komorowski, da Polônia, lembraram nesta segunda-feira (01/09) os 75 anos do início da Segunda Guerra Mundial. A cerimônia transcorreu na península de Westerplatte, próximo à cidade polonesa de Gdansk, onde a Alemanha iniciou o conflito que se estendeu de 1939 a 1945.

Ao mesmo tempo em que louvaram a reconciliação teuto-polonesa pós-guerra como sendo exemplar para a Europa, ambos os chefes de Estado lançaram um alerta sobre as pretensões de poder da Rússia.

“A celebração nos reúne aqui, hoje. Mas estamos igualmente juntos em face à ameaça atual”, disse Gauck.

Ele censurou Moscou por ter abandonado a ordem de valores europeia e disse que os russos, através de seu procedimento na Ucrânia, colocam em risco a paz no continente. O presidente alemão classificou o conflito russo-ucraniano como “confrontação bélica para estabelecer novas fronteiras e uma nova ordem”.

“Sim, é um fato: a estabilidade e a paz no nosso continente estão novamente em perigo”, afirmou.

Gauck mostrou-se decepcionado por não ter sido possível integrar a Rússia numa ordem europeia. “Nós acreditávamos e queríamos acreditar que também a Rússia, a terra de Tolstói e Dostoiévski, pudesse se tornar parte de uma Europa comum.” No entanto, completou, Moscou “rescindiu, de fato, essa parceria”.

Para ele, a Europa precisa se opor decididamente à “fome de poder” russa, pois “a história ensina que concessões territoriais costumam só aumentar o apetite dos agressores”. Portanto, disse, Moscou precisa mudar sua política, a fim de reencontrar o caminho da boa vizinhança.

 Presidentes Gauck (e) e Komorowski homenageiam mortos da Segunda Guerra Mundial na Westerplatte.

“Não” a concessões e política de apaziguamento

Bronislaw Komorowski acusou a Rússia de perseguir “sonhos de grandeza própria e de zonas de influência nacional”, colocando em jogo a paz na Europa.

“Precisamos enfrentar isso com coragem e decisão”, reivindicou. “Diante dos nossos olhos o direito internacional está sendo violado”.

Ele lembrou o incomensurável sofrimento da Segunda Guerra, em que um quinto da população polonesa foi extinta: “Não apenas as vítimas do assalto sofreram infortúnio e dor, mas sim todos, também os agressores.”

O chefe de Estado polonês insistiu que não se adote em relação à Rússia uma política de apaziguamento, como a que favoreceu a ascensão de Adolf Hitler na Alemanha da década de 1930. “Aqui na Westerplatte, a história nos fala de maneira especialmente clara”, observou.

Na península ao norte de Gdansk, na manhã de 1º de setembro de 1939, a nau de guerra alemã Schleswig-Holstein disparou contra um posto do Exército polonês, dando início ao conflito que custou pelo menos 60 milhões de vidas.

O início da Segunda Guerra foi relembrado em diversos locais da Polônia. Numa cerimônia anterior na Westerplatte, pela manhã, o primeiro-ministro polonês, Donald Tusk, alertou contra um “perigo de guerra, não só no leste da Ucrânia”.

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) precisa desenvolver uma “nova política”, a fim de se opor a esse perigo, reivindicou o recém-indicado presidente do Conselho Europeu.

AV/afp/epd/dpa

Fonte: DW.DE

Alemanha tirou lições da Segunda Guerra Mundial

Em 1º de setembro de 1939, os alemães deram início ao segundo grande conflito do século. Ao fim, estavam vencidos e arrasados. Mas aprenderam três lições importantes, afirma o editor-chefe da DW, Alexander Kudascheff.

Alexander Kudascheff, editor-chefe da DW

Há 75 anos começou a Segunda Guerra Mundial. A Alemanha, o “Terceiro Reich”, atacou a Polônia, arrastando, assim, todo o mundo para um conflito que, ao longo de seis anos, alastrou-se pela Europa, África, Oriente Médio e a região do Pacífico, onde o Japão também desencadeara a guerra. Sessenta nações estiveram envolvidas, 110 milhões de pessoas pegaram em armas.

Ao fim, entre 60 milhões e 70 milhões morreram, 6 milhões de judeus foram exterminados no Holocausto. A Europa estava arrasada. A Alemanha, vencida e dividida, e milhões de pessoas haviam sido expulsas ou deportadas. E pela primeira e, até agora, última, armas nucleares haviam sido empregadas numa guerra, em Hiroshima e Nagasaki.

Não houve nem há, até hoje, a menor dúvida quanto ao culpado pelo conflito – ao contrário dos debates históricos em torno da Primeira Guerra Mundial. A Alemanha quisera e provocara a Segunda Guerra, da qual saiu não apenas vencida, mas destruída.

Depois do Holocausto, o país passou a carregar a marca do crime do milênio. Mais de 9 milhões de alemães estavam mortos, entre os quais mais de 3 milhões de civis. As cidades haviam sucumbido aos bombardeios. A Alemanha perdera uma parte de seu território, no leste, 12 milhões de habitantes haviam sido expulsos. Após essa guerra devastadora, a nação jazia no chão.

Depois disso, a parte oeste da Alemanha dividida se recuperou, primeiro econômica, depois politicamente. Na confrontação entre blocos da Guerra Fria, a República Federal da Alemanha se afirmou como parte do Ocidente, até do ponto de vista militar, ao ingressar na Otan.

Mais tarde, foi membro fundador da Comunidade Econômica Europeia, a célula germinal da atual União Europeia. E daí tirou a primeira lição básica da Segunda Guerra: ela queria ser uma Alemanha europeia, parceira das democracias, procurou aliados na Europa e para além do Oceano Atlântico, nos Estados Unidos. Incursões políticas solitárias eram tabu.

A segunda grande lição do conflito mundial foi o “não” à guerra, o “não” ao inferno na terra. A filiação à Otan, logo após o rearmamento, mais tarde o reforço bélico no contexto da Dupla Resolução da Otan de 1979 – tudo isso foi encarado pelos alemães com ceticismo extremo ou simplesmente rejeitado.

E até hoje, 25 anos após a Reunificação, a grande maioria dos alemães rejeita a guerra, mesmo como último recurso da política. E toda vez que um governo alemão precisa se engajar militarmente ao lado de seus parceiros e aliados – seja no Kosovo, seja no Afeganistão – há debates ferrenhos e quase nunca apoio entre a população.

Por isso é espantoso que, há alguns anos, a Alemanha haja abolido o serviço militar compulsório – embora mais por razões financeiras do que por considerações estratégicas – e agora comece a criar um exército profissional, com o fim declarado de estar apto a atuar como parceiro forte em intervenções militares.

O espantoso aqui é que justamente essas operações militares são mais do que controversas e praticamente só conseguem ser impostas sem o aval da população.

E, desse modo, a segunda grande lição, “Guerra nunca mais!”, se tornou um autoengano alemão. Toda vez que é exigida a cooperação alemã numa missão militar, a política se contorce, sublinha os aspectos humanitários ou invoca logo um genocídio para tentar, talvez, convencer a população – geralmente sem sucesso.

Há 75 anos começou a Segunda Guerra, desencadeada pelos alemães. Hoje, a Alemanha é um gigante econômico, também a caminho de se tornar uma protagonista da política mundial. Um papel que não é bem-visto pelos alemães, que prefeririam ser uma “Suíça verde”.

Mas esses tempos se foram. Da Alemanha, esperam-se liderança política na aliança ocidental e contribuições militares relevantes. E também um comportamento discreto. E isso corresponde a uma terceira lição: comportamento fanfarrão, prepotente até, não é mais o jeito dos alemães.

Fonte: DW.DE

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Conflitos Geopolítica

Putin: “Se eu quiser, ocupo Kiev em duas semanas”

Líder russo teria feito ameaça ao presidente da Comissão Europeia durante telefonema momentos antes da cúpula da UE, segundo jornal italiano. Merkel adverte que não se pode confiar no Kremlin.

“Se eu quiser, ocupo Kiev em duas semanas.” Em meio ao agravamento da crise no leste ucraniano, a frase teria sido dita pelo presidente russo, Vladimir Putin, ao presidente da Comissão Europeia, o português José Manuel Durão Barroso, em conversa telefônica.

A informação é do jornal italiano La Repubblica. Barroso comunicou o ocorrido aos chefes de Estado e de governo presentes na cúpula da União Europeia, em Bruxelas, no último sábado (01/09).

O episódio foi confirmado por um diplomata, que estava presente na cúpula, ao site da revista alemã Der Spiegel. Barroso teria questionado Putin sobre operações militares russas em território ucraniano. E o presidente teria respondido que este não é um fator decisivo, mas sim, que, se que ele quiser, pode ocupar o país vizinho rapidamente.

As circunstâncias da ligação telefônica não são conhecidas, mas tanto o diário italiano quanto o portal alemão classificaram as palavras do presidente como uma ameaça. De acordo com o La Repubblica, Putin queria deixar claro que não toleraria provocações com sanções econômicas. Na cúpula da UE, foi discutida a possibilidade de ampliar e endurecer os embargos comerciais à Rússia.

O diário italiano publicou ainda que após Barroso ter informado os políticos europeus na cúpula sobre o telefonema, o primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, fez uma alerta sobre os riscos de lidar com Putin.

Segundo o britânico, não se pode cometer o mesmo erro feito com a Alemanha nazista, em 1938 – o então primeiro-ministro britânico, Neville Chamberlain, na Conferência de Munique, aceitou as garantias oferecidas por Adolf Hitler para manter o equilíbrio europeu. O discurso de Cameron foi apoiado por várias delegações presentes na cúpula.

O La Repubblica informou também que a chanceler alemã Angela Merkel, em tom bastante irritado, declarou que Putin estaria se movendo em direção a uma escalada militar. Merkel alertou ainda, que, após a Ucrânia, Letônia e Estônia também poderiam estar nos planos russos.

Para a Spiegel, uma tese plausível, pois Merkel advertiu repetidamente que não se pode confiar em Putin neste conflito – sobretudo, porque o governo russo oficialmente nega qualquer envolvimento ou apoio aos separatistas no leste ucraniano. Em seu discurso no Parlamento alemão nesta segunda-feira, a chanceler acusou a Rússia de tentar mudar à força as fronteiras ucranianas.

Fonte: DW

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Vídeo: Agrale Marruá | 3º GAAAe

Assista ao vídeo e entenda, por que o Agrale Marruá tornou-se indispensável ao Exército Brasileiro.

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Gripen-Technical brochure: Tudo sobre o futuro caça da Força Aérea Brasileira

 

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Conflitos Geopolítica

Brasil rejeita intervenção militar no Iraque para conter EI

Jamil Chade, correspondente / Genebra – O Estado de S. Paulo

01 Setembro 2014 | 08h 37

ONU elabora nesta segunda uma resolução para enviar uma comissão de inquérito ao Iraque para avaliar crimes

GENEBRA – O Itamaraty se posiciona ao lado de Rússia, China e Índia contra qualquer tipo de intervenção militar no Iraque sob o pretexto de combater o Exército Islâmico. Em um discurso nesta segunda-feira, 1, no Conselho de Direitos Humanos da ONU, o governo brasileiro condenou as violações cometidas pelo grupo extremista e pediu que os responsáveis sejam levados à Justiça. Mas também pediu que a forma de combate ao grupo seja por meio de um apoio ao governo do Iraque.

A ONU vota nesta segunda uma resolução que enviará à região uma comissão de inquérito para avaliar os crimes. Na semana passada, um levantamento da entidade apontou que os extremistas estavam cometendo crimes contra a humanidade e crimes de guerra na Síria. Agora, a meta da ONU é poder ampliar a investigação também para o Iraque.

Nesta manhã, a ONU confirmou que 1,4 mil mortes foram registradas apenas em julho por conta dos extremistas, além de 850 mil refugiados.

Em discurso antes da votação, a embaixadora do Brasil nas Nações Unidas, Regina Dunlop, fez questão de “expressar a profunda preocupação” do Itamaraty diante da crise no norte do Iraque. “O Brasil condena os abusos e violações”, declarou a embaixadora, acusando o grupo de atacar civis, jornalistas e perseguir cristãos.

Dunlop confirmou que o Brasil “apoia a implementação” de uma missão que investigue as violações cometidas pelos extremistas islâmicos.

Mas o governo deixa claro que a forma de frear o movimento não é uma nova intervenção. “A ONU deve apoiar o novo governo do Iraque em sua tarefa de promover a estabilidade no país e o respeito aos direitos humanos”, disse a diplomata.

“A comunidade internacional tem um papel importante a desempenhar no combate à escalada de violência que atualmente ocorre no Iraque. Mas, como os países dos Brics já declararam em julho em Fortaleza, o atual contexto exige que intervenções que acabem aprofundando a crise devem ser evitadas”, disse. “Todas as ações devem apoiar os esforços do governo do Iraque a superar essa crise.”

O Brasil ainda pediu que o novo governo iraquiano “trabalhe com a sociedade para encontrar uma solução negociada para conciliar as diferentes perspectivas de todos os atores envolvidos”.

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Marinha russa receberá versão naval do sistema antiaéreo Pantsir

Sistema antiaéreo naval Pantsir-M

A Marinha da Rússia planeja receber em 2016 a versão naval do novo sistema de artilharia antiaérea Pantsir-M, que irá substituir o sistema Kortik, conhecidos no exterior como Kashtan. O Panstir-M é mais leve, compacto e eficiente do que seu antecessor e foi desenhado para ser instalado nos navios modernizados da frota russa. Especialistas afirmam, no entanto, que ainda não há perspectivas de exportação do novo sistema.

Recentemente, militares da Marinha da Rússia completaram o ciclo de testes operacionais do sistema de defesa antiaérea Pantsir –M, e o contrato de fornecimento já foi assinado pelo Ministério da Defesa, segundo afirmou a companhia estatal russa Rostech.

Pantsir-M

Exterminador de mísseis

A empresa russa Tula Instrument Design Bureau (KBP), parte da holding Visokotótchnie Kómpleksi, que atua sob direção da Rostech, vem trabalhando há anos no desenvolvimento da versão naval do conhecido sistema de artilharia antiaérea terrestre Panstir – S1. A versão terrestre do sistema foi desenhada para combater mísseis de cruzeiro, veículos aéros não tripulados, aviões a até 15 km de altura e alvos terrestres a uma distância de 20 km e é equipada com canhões e mísseis que atingem uma velocidade de até 1.300 metros por segundo. O projeto da versão naval, sob denominação Pantsir – ME, foi lançado em 2011.

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“O novo Panstir-M veio substituir o ultrapassado sistema antiáereo Korkit. Ele é mais leve, compacto e eficiente, no entanto mantém a mesma vantagem do seu antecessor: a combinação de dois tipos de armamentos – mísseis e canhões –, que se complementam e proporcionam uma linha de defesa ampla até os limites mais próximos do objeto a ser defendido”, afirmou à Gazeta Russa o especialista em sistemas antiaéreos Said Aminov.

“O armamento mais perigoso que um navio de guerra pode enfrentar na atualidade é o míssil antinavio que, voando rente às águas a uma alta velocidade, pode perfurar uma defesa antiaérea composta somente por mísseis. Levando isso em conta, o Pantsir-M é equipado com dois canhões de alto calibre, capazes de combater mísseis que alcançaram a última linha de defesa do navio”, disse o especialista.

A principal vantagem que o Pantsir-M apresenta em relação ao Kortik é a sua capacidade de lidar com múltiplos alvos, empregando simultaneamente seus canhões e mísseis.

Poderoso, mas não único

O Panstir-M não será o único sistema operacional antiaéreo moderno em operação na Marinha russa. Atualmente está em fase final de testes o sistema antiaéro Palash, cuja versão de exportação denomina-se Palma. O novo sistema será empregado nas novas fragatas Project 22350 e em outros navios de combate da marinha.

O sistema Palash é menos poderoso do que o Pantsir-M. O alcance nominal dos mísseis deste é de 20 km em oposição aos 6 a 8 km do primeiro. No entanto, os dois canhões de 30 mm que equipam ambos os sistemas são os mesmos que compunham o Kashtan. O sistema Palash foi instalado nas corvetas da classe Gepard (Project 11661), feitas pelo Vietnã.

Perspectivas de exportação

A Rostech publicou em seu site a informação, fornecida pelo diretor da companhia, Dmitri Konoplev, de que o Pantsir-M será instalado em diversas fragatas e outros navios de combate da Marinha russa. Os trabalhos de integração já estão em andamento.

Aminov explicou à Gazeta Russa que o Pantsir-M, desde sua criação, foi projetado para ser utilizado nos grandes cruzadores, destróiers e fragatas da Marinha. Apesar de haver certa facilidade de utilizar as instalações do sistema Kortik, é necessário um amplo trabalho de integração do armamento com os sistemas embarcados, principalmente os sistemas eletrônicos de comunicação.

Se o contrato de fornecimento à Marinha já é tido como fato concreto, o mesmo não se pode falar sobre as exportações do sistema. Conforme relatado à Gazeta Russa pela empresa estatal russa Rosoboronoexport, apesar de o sistema ter completado recentemente o ciclo de testes operacionais, a possibilidade de exportação ainda não foi cogitada.

Fonte: Gazeta Russa

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Conflitos Geopolítica Opinião

“Rússia deixa de ser parceiro estratégico da Europa” – Federica Mogherini

Federica Mogherini, ministra das Relações Exteriores da Itália que foi eleita este sábado nova chefe da diplomacia europeia e tomará posse em 1 de novembro, acredita que a Rússia já não é um parceiro estratégico da Europa.

Mogherini destacou a importância do fato de a Ucrânia poder escolher para si a alternativa europeia.

“A opção europeia é uma escolha positiva. E deve ser vista assim. É com esta mesma ideia que temos articulado uma parceria com Moscou. Hoje, aliás, devido à vontade de Putin, essa parceria não existe mais. No presente momento, a Rússia já não é um parceiro estratégico, mas sim continua mantendo a importância estratégica no nosso continente”, disse a ministra das Relações Exteriores italiana em entrevista ao Corriere della Sera, publicada nesta segunda-feira.

Fonte: Voz da Rússia

Lições da Segunda Guerra Mundial para a Europa de hoje

Setenta e cinco anos atrás, em 1 de setembro de 1939, na Europa eclodiu a Segunda Guerra Mundial, outro incêndio sangrento que levou dezenas de milhões de vidas. Nosso colunista, candidato de ciências em história Piotr Iskenderov, lembra as lições daqueles trágicos acontecimentos.

Duas guerras mundiais é o preço que os povos do mundo pagaram pelos crimes, ambições e erros de seus próprios governantes. Mas se a Primeira Guerra Mundial foi realmente uma surpresa para a grande maioria dos europeus, não se pode dizer o mesmo sobre a Segunda Guerra Mundial. Ao longo de toda a década de 1930 na Europa estavam ocorrendo conflitos, e seu vetor global era bastante claro.

No entanto, como se viu, não era claro para todos. Os líderes da Grã-Bretanha e França, em vez de se contraporem realmente ao agressor ganhando força, que era a Alemanha de Hitler, optaram por seguir o curso de seu “apaziguamento”. Foi justamente por culpa desses países que no final da década de 1930 foi perdida a última chance real de estabelecer uma coalizão preventiva anti-hitleriana.

Em vez disso, a Europa viu negócios vergonhosos envolvendo inclusive aqueles estados que eram destinados, por sua vez, a tornarem-se as próximas vítimas da Alemanha nazista. Em vez de cortar pela raiz o fortalecimento do poder militar e político alemães, deram a Hitler a Áustria, os Sudetos, e depois o resto da Tchecoslováquia, fecharam os olhos ao surgimento de campos de concentração no país e ao desenfreio de antissemitismo bruto.

E alguns dos atuais críticos vocais da Rússia, em particular a Polônia, participaram eles próprios no desmembramento da Tchecoslováquia, não esquecendo, entretanto, de lançar acusações contra Moscou que ofereceu assistência militar a Praga.

Nos anais da diplomacia foi preservada a declaração proferida em maio de 1938 pelo embaixador polonês em Paris. Ele assegurou seu colega norte-americano de que a Polônia iria imediatamente declarar guerra contra a União Soviética se Moscou tentar transportar suas tropas para a Tchecoslováquia através de território polonês.

Na mesma altura, o ministro das Relações Exteriores francês Georges-Étienne Bonnet informou o lado polonês que o “Plano de Hermann Goering de divisão da Tchecoslováquia entre a Alemanha e a Hungria com a transferência da Silésia de Cieszyn à Polônia não é um segredo”. Na Silésia de Cieszyn na altura viviam 80 mil poloneses e 120 mil tchecos.

Era ainda mais cínica a posição dos então líderes do Reino Unido, incluindo o primeiro-ministro Neville Chamberlain. Segundo o vice-chanceler do Reino Unido Alexander Cadogan, o chefe do gabinete disse naqueles dias que “preferia se demitir que assinar uma aliança com os soviéticos”.

E em 10 de setembro de 1938, na véspera de uma reunião crucial de Chamberlain com Hitler sobre a questão da Tchecoslováquia, o conselheiro mais próximo do primeiro-ministro para assuntos políticos, Sir Horace Wilson, sugeriu a Chamberlain que confirmasse que “a Alemanha e a Inglaterra são os dois pilares que sustentam o mundo da ordem contra a pressão destrutiva do bolchevismo”, e que por isso ele “não quer fazer nada que pudesse enfraquecer a resistência que podemos juntos contrapor àqueles que ameaçam a nossa civilização”…

Stalin também estava defendendo seus interesses quando a União Soviética assinou o Pacto Molotov-Ribbentrop com os notórios protocolos secretos. O preço de tal conivência é bem conhecido: em 1 de setembro de 1939 Hitler atacou com todo o seu poderio militar não a União Soviética, como secretamente esperavam em Londres ou Paris, mas a Polônia. Em seguida, foi a vez de outros países da Europa Ocidental. O fortalecido regime alemão descartou todos os acordos e começou a redesenhar o mapa da Europa a seu exclusivo critério.

No entanto, após o fim da Segunda Guerra Mundial, as capitais ocidentais não tinham pressa em mudar suas abordagens para assuntos internacionais, habitualmente culpando Moscou de todos os problemas. Já em 1946 o governo do presidente dos Estados Unidos Harry Truman decidiu que a própria existência da União Soviética é incompatível com os interesses da segurança nacional norte-americana, recordou à Voz da Rússia o diplomata, doutor em ciências históricas, professor Valentin Falin:

“O mesmo dizia o premiê britânico Chamberlain: para que a Grã-Bretanha viva, a União Soviética deve desaparecer. Uma abordagem semelhante é professada pelo ocidente também hoje. Que “a Rússia deve desaparecer”, declarou em 1996 o então presidente dos EUA Bill Clinton. Segundo ele próprio admitiu, foi com ativa participação dos norte-americanos que foi desmembrada a Iugoslávia. E agora a o nosso próximo objetivo é desmembrar a Federação Russa, prometeu Clinton”.

Hoje na Europa, na Ucrânia, por iniciativa dos Estados Unidos e de alguns líderes europeus ocidentais está novamente sendo jogado um guião geopolítico antirrusso cínico. A população de Donbass está sendo sacrificada a planos de “isolamento” e “punição” da Rússia, de redistribuição de esferas de influência e fortalecimento de suas próprias posições.

“Nós não estamos em condição de uma nova “guerra fria”, mas as acusações públicas, exigências e ameaças por parte dos nossos líderes políticos contribuem claramente para a reconstrução de um tal ambiente”, salientou, com razão, nas páginas da edição norte-americana The National Interest o ex-embaixador dos Estados Unidos na Rússia Jack Matlock, Jr. Mas será que o ouvirão em Washington e Bruxelas?

Fonte: Voz da Rússia

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Governo alemão aprova envio de armas para conter EI

Coalizão alemã de governo, formada por democrata-cristãos e social-democratas, aprovou na noite deste domingo o envio de mísseis antitanques e metralhadoras para ajudar os combatentes curdos no norte do Iraque a conter o avanço do grupo terrorista Estado Islâmico.

O envio deverá incluir 30 armas antitanque do tipo Milan com 500 mísseis e 8 mil fuzis de assalto do tipo G3 e G36, entre outras armas. Além disso, o governo federal deverá liberar mais 50 milhões de euros para ajuda humanitária.

Trata-se de uma exceção na política externa alemã, que rejeita categoricamente o fornecimento de armas para regiões em conflito.

A proposta ainda será levada à aprovação pelo Parlamento alemão, nesta segunda-feira. Apesar de esse fornecimento enfrentar certa resistência entre os social-democratas, o líder do Partido Social Democrata (SPD), Sigmar Gabriel, declarou esperar grande apoio de sua bancada ao projeto.

A bancada do Partido Verde, por sua vez, anunciou em Berlim neste domingo que irá votar contra a proposta dos democratas-cristãos e social-democratas, justificando que esse fornecimento poderia desestabilizar ainda mais a região.

Veja as principais perguntas e respostas em torno do esforço alemão para conter o avanço do “Estado Islâmico” no norte do Iraque.

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G3 – Imagem meramente ilustrativa

Por que o governo alemão intervém no norte do Iraque?

O avanço do grupo terrorista Estado Islâmico (EI) ameaça todo o Oriente Médio. O grupo conquistou grande parte da Síria e do norte do Iraque, proclamando ali um chamado “califado”. De acordo com as Nações Unidas, no “califado” pratica-se um reinado de terror, no qual execuções públicas pertencem à ordem do dia, enquanto outras comunidades religiosas são perseguidas impiedosamente pelos combatentes sunitas do EI. A chanceler federal alemã, Angela Merkel, falou de um “genocídio”.

Qual é o apoio alemão?

A Alemanha já enviou mais de 100 toneladas de suprimentos para os refugiados no país. Além dessa ajuda humanitária, também deverá ser prestada agora ajuda militar para os combatentes curdos. A primeira entrega já está reunida e não contém armas, mas equipamentos de defesa, como capacetes, coletes de proteção e equipamentos de radiocomunicação.

Neste domingo, o governo em Berlim aprovou o fornecimento de armas. Aparentemente, está prevista a disponibilização de fuzis de assalto e armas anticarro, capazes de perfurar veículos blindados, como os mísseis Milan. Calcula-se, atualmente, que todas as unidades do Estado Islâmico possuem pelo menos um tanque de guerra, enquanto os combatentes curdos peshmerga estão lutando com armas de pequeno porte ainda dos tempos da União Soviética.

Quais as tarefas dos seis soldados das Forças Armadas alemãs que já estão no Iraque?

Os seis soldados estão baseados no Consulado Geral da Alemanha em Erbil e devem, de acordo com o site do Exército alemão, coordenar “o fornecimento de equipamento militar e de qualquer instrução a ser dada no local durante a entrega”. Ao contrário da maioria das cidades iraquianas, Erbil, capital do Curdistão, é considerada como segura. São raros os atentados. As lutas entre os peshmerga e os combatentes do Estado Islâmico se localizam a 170 quilômetros de distância.

G36 – Imagem meramente ilustrativa

O que outros Estados estão fazendo?

Desde o início de junho, os EUA e o Exército iraquiano estão apoiando os combatentes curdos Peshmerga com bombardeios aéreos contra posições do EI. Além disso, estão fornecendo equipamento de guerra. Um número cada vez maior de países também quer enviar armas e munições, entre eles, a Albânia, França, Reino Unido, Itália, Canadá e Croácia. A Dinamarca pretende disponibilizar um avião de transporte. Na última terça, o Irã foi um dos primeiros países a iniciar o fornecimento de armas.

Por que as tropas curdas estão sendo apoiadas?

Enquanto o Exército do governo central iraquiano pouco pôde fazer para conter o avanço dos islamistas, as forças peshmerga se mostraram uma tropa eficaz. “O Exército regular iraquiano está dividido por tensões religiosas e étnicas”, afirmou Henner Fürtig, diretor de Estudos do Oriente Médio no Instituto Alemão para Estudos Globais e Regionais (Giga) em Hamburgo.

“Diferentemente do Exército iraquiano, os peshmerga são altamente motivados, quando se trata de defender a terra curda”, afirmou Fürtig. Os cerca de 130 mil combatentes do governo autônomo curdo não possuem Força Aérea, estando, portanto, dependentes dos ataques aéreos americanos.

O apoio aos curdos promete sucesso?

Observadores acreditam que o Exército curdo possa cortar o avanço do EI no Iraque. No entanto, o Estado Islâmico controla uma região que vai da Síria ao Iraque. Calcula-se que nos dois países operam, respectivamente, metade dos quase 15 mil combatentes do grupo terrorista. “Ele pode ser derrotado sem que a parte da organização na Síria seja atingida?”, indagou recentemente o general e chefe do Estado-maior americano, Martin Dempsey. “A resposta é não”, disse o general.

De acordo com relatos da mídia, os EUA já iniciaram voos de reconhecimento na Síria. Ao mesmo tempo, Washington recusa uma cooperação com o governo sírio, liderado por Bashar al-Assad.

DW.DE

Fonte: Terra

Forças do Iraque rompem cerco jihadista e libertam cidade no norte do país

Combatente turcomeno xiita iraquiano vigia posição próxima a Amerli.

Localidade de 20 mil habitantes estava sitiada há mais de dois meses pelo “Estado Islâmico”. Havia temor de massacre contra população. Faltavam alimento e água. Avanço é tido como maior sucesso contra os radicais.

As forças iraquianas conseguiram neste domingo (31/08) romper o certo ao redor da pequena cidade Amerli, 150 quilômetros ao norte de Bagdá, e infligir uma rara derrota aos radicais do “Estado Islâmico” (EI). Com o apoio de milícias xiitas, combatentes curdos e ataques aéreos dos EUA, o Exército iraquiano conseguiu libertar os cerca de 20 mil habitantes que há mais de dois meses vinham resistindo, cercados pelos jihadistas. Aeronaves militares de países ocidentais também haviam lançado toneladas de suprimentos nos últimos dias para a população local.

Habitada em sua maioria por xiitas turcomanos, Amerli estava cercada há mais de dois meses pelos jihadistas, que desde o início de junho avançam sobre grandes partes do norte do Iraque. Os moradores do lugar já sofriam com falta de comida, remédio e água. A ONU havia alertado para um possível massacre dos habitantes da cidade por parte dos radicais sunitas do EI, devido à crença xiita da maioria da população.

De acordo com a televisão estatal Al Iraqiya, foram mortos pelo menos 100 combatentes do EI e oito aldeias da região foram retomadas. A região é de importância estratégica devido à comunicação entre Bagdá e Kirkuk.

Ajuda humanitária

De acordo com o Pentágono, aviões enviados por Estados Unidos, França, Reino Unido e Austrália jogaram para moradores da cidade pacotes de ajuda contendo 40 mil litros de água potável e 7 mil refeições. Como parte dos preparativos, caças americanos atacaram posições dos jihadistas perto de Amerli e da represa de Mosul, destruindo cinco veículos e um posto de controle do EI. Paralelamente, as Forças Armadas iraquianas avançaram sobre Amerli, juntamente com as milícias xiitas e combatentes curdos.

O Exército iraquiano conseguiu retirar algumas mulheres e crianças de Amerli.

No sábado, combatentes curdos (Peshmerga) avançaram sobre a cidade de Zumar,
de acordo com o site de notícias iraquiano Al Mada e o portal curdo de internet Rudav. Zumar fica cerca de 50 quilômetros a noroeste de Mosul e é um local estratégico, devido à sua localização próxima à barragem de Mosul e a dois campos de petróleo.

O ataque também foi apoiado pela aviação americana, como confirmou o comando central em Tampa, na Flórida. Os curdos começaram na útlima quarta-feira uma nova ofensiva contra os extremistas do EI que, ao se retirarem, incendiaram três poços de petróleo na quinta-feira.

MD/afp/dpa

Fonte: DW.DE

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Conflitos Geopolítica Ucrânia

Putin pede negociações sobre “modelo de Estado” para leste ucraniano

Reivindicação de presidente russo foi feita durante programa de entrevista da televisão russa. Porta-voz refuta, no entanto, que declaração possa ser interpretada como pedido pela independência da região.

O presidente russo, Vladimir Putin, apelou neste domingo (31/08) para que a Ucrânia “inicie com urgência negociações sobre o modelo de Estado”, para garantir os interesses da região pró-russa, condição indispensável, segundo ele, para o fim do conflito.

“Temos que iniciar imediatamente negociações substanciais sobre questões da organização política da sociedade e de modelo de Estado no leste da Ucrânia”, afirmou Putin em entrevista à TV pública russa, de acordo com agências de notícias do país. Até o momento, a Rússia só havia pedido por mais direitos e um sistema federalista descentralizado para as regiões mais a leste da Ucrânia, onde vivem predominantemente pessoas que falam russo.

O porta-voz de Putin, Dmitri Peskov, disse mais tarde ser uma “interpretação absolutamente incorreta” entender que Putin estivesse pedindo que a independência da região seja colocada em pauta, e que o líder russo só havia pedido “conversações inclusivas” entre Kiev e os separatistas.

“Só a Ucrânia pode chegar a um acordo com a Novorossiya e ter em conta os interesses da população da Novorossiya”, teria dito Peskov, segundo agências de notícias russas, usando um termo bastante usado no período czarista: “Novorossiya” (nova Rússia). A palavra foi reintroduzida por Putin recentemente para falar sobre várias regiões do sudeste da Ucrânia.

Novas conversações em Minsk

Novas conversações estão previstas para serem realizadas na segunda-feira na capital bielorrussa, Minsk, entre representantes de Moscou, Kiev e da OSCE, mas não está claro se os separatistas vão comparecer.

Os comentários de Putin são susceptíveis de serem considerados como uma espécie de “ato falho freudiano” por Kiev e o Ocidente, que temem que Moscou tenha enviado tropas secretamente ao país vizinho e que esteja empenhado em formar um Estado pró-russo no leste da Ucrânia.

No programa de TV, gravado na sexta-feira, Putin não abordou diretamente a possibilidade de sanções ocidentais adicionais contra a Rússia. Mas culpou o Ocidente pela crise na Ucrânia, acusando-o de apoiar um “golpe” contra o presidente Viktor Yanukovych, em fevereiro último.

MD/lusa/afp/

Fonte: DW.DE

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Conflitos Geopolítica Ucrânia

Ucrânia – UE está de acordo que: “Uma solução militar para este conflito simplesmente não vai acontecer”

A chanceler alemã, Angela Merkel, rejeitou neste sábado a opção de uma resposta militar à Rússia por seu papel na crise ucraniana e reforçou a importância de manter o diálogo.

“Não pode haver uma solução militar para este conflito, todos os esforços devem ser dirigidos a manter os canais de comunicação abertos”, disse a chanceler na entrevista coletiva ao término da cúpula europeia extraordinária realizada em Bruxelas.

Merkel assinalou que é consciente de que há uma “escalada significativa” com a presença de tropas russas em território ucraniano, mas insistiu que os países da UE estão de acordo que “uma solução militar para este conflito simplesmente não vai acontecer”.

Questionada se trata-se de uma invasão ou não, a chanceler disse que não cabia a ela dar esta definição, mas que há evidências de que “armas e forças russas estão operando em território ucraniano”, o que “representa um novo passo na escalada do conflito” e, portanto, “precisamos lidar com isso”.

“Se excluímos as opções militares, sobram sanções econômicas” disse Merkel e acrescentou que os chefes de Estado e de governo encarregaram a Comissão Europeia (CE) de propôr novas sanções no prazo de uma semana.

Ela acredita que ainda é cedo para tirar conclusões sobre a efetividade das sanções já impostas pela UE à Rússia. E descartou a possibilidade do envio de material militar para ajudar as forças governamentais, pelo menos pela Alemanha, ao afirmar que o tema não foi tratado de maneira específica na cúpula.

EFE

Fonte: Terra

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Conflitos Destaques Geopolítica Opinião Ucrânia

OTAN abre a porta para a incorporação da Ucrânia na Aliança

Secretário-geral da OTAN, Anders Fogh Rasmussen, em sua apresentação aos jornalistas. – OLIVIER HOSLET (EFE)

A OTAN deixa a porta aberta para um possível ingresso da Ucrânia na Aliança, como havia sugerido horas antes o primeiro-ministro ucraniano, Arseni Yatseniuk. “Não quero interferir em questões políticas internas, mas permita-me lembrá-los de nossa decisão tomada em 2008 segundo a qual a Ucrânia se converterá em membro da OTAN sempre que desejar e cumprir os critérios necessários”, afirmou nesta sexta-feira o secretário-geral da Aliança, Anders Fogh Rasmussen. O máximo responsável pela Aliança também confirmou que a Rússia cruzou “ilegalmente” a fronteira ucraniana, em uma ação “não isolada” que faz parte da “perigosa” manobra de desestabilização da Ucrânia que Moscou está praticando nos últimos meses.

Rasmussen afirmou que a OTAN respeita a política de não alinhamento seguida até agora pela Ucrânia, mas defendeu que também respeitará “plenamente” qualquer mudança que Kiev decida introduzir. “Respeitamos plenamente se o Parlamento ucraniano decidir mudar esta política. Todas as nações têm o direito de decidir por si mesmas, sem interferências externas. Esperamos que outras nações também respeitem o mesmo princípio”, sublinhou em referência implícita à Rússia. O secretário-geral da Aliança, apesar disso, esclareceu que os embaixadores dos aliados não falaram sobre este assunto na reunião extraordinária mantida nesta sexta-feira no quartel-general da OTAN em Bruxelas.

Horas antes da coletiva de Rasmussen, Yatseniuk tinha anunciado que levaria ao Parlamento uma lei que mudaria o status da Ucrânia como Estado não-alinhado e estabeleceria o caminho para a adesão do país à OTAN. Depois da Guerra Fria, a OTAN se expandiu para o leste da Europa com o ingresso da Hungria, Polônia, República Checa em 1999; da Bulgária, Romênia, Eslováquia, Eslovênia, Estônia, Letônia, Lituânia em 2004 e da Albânia em 2009. Desde então, nenhum país do extinto Pacto de Varsóvia entrou na Aliança Atlântica.

Novo aviso para a Rússia

“Condenamos energicamente o desprezo da Rússia por suas obrigações internacionais e pedimos para que este país coloque um fim a suas ações militares ilegais”, recordou Rasmussen. “É uma flagrante violação da soberania e da integridade territorial ucraniana. A Rússia continua fornecendo tanques, veículos armados, artilharia e lança-foguetes, e seu exército disparou contra a Ucrânia tanto do território russo quanto do território ucraniano.” O secretário-geral da aliança militar acrescentou que Moscou dispõe de “milhares” de soldados preparados para o combate nas cercanias da fronteira entre Rússia e Ucrânia, em uma ação que, para ele, “desafia” todos os esforços diplomáticos para encontrar uma solução pacífica para o conflito.

“Hoje, expressamos nossa solidariedade com a Ucrânia e na reunião de Cardiff (os 28 Estados membros da OTAN manterão um encontro nos dias 4 e 5 de setembro na capital de Gales), nos reuniremos com o presidente Petro Poroshenko para deixar claro nosso inabalável apoio à Ucrânia”. Rasmussen reafirmou que, durante a reunião, alguns embaixadores anunciaram ajudas financeiras concretas para a modernização dos sistemas de defesa ucranianos e deixaram aberta a possível assinatura de um acordo neste sentido ao longo da reunião.

Fonte: El País