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Euronaval 2014: EMGEPRON exibirá projeto de novo navio da MB OPV- (Offshore Patrol Vessel)

Nova embarcação identificada como Navio-Patrulha Oceânico BRasil (NaPaOc-BR), ou BR-OPV

Ivan Plavetz

De acordo com o portal de noticias Jane’s Defence Weekly, a estatal brasileira EMGEPRON (Empresa Gerencial de Projetos Navais) exibirá durante a próxima Mostra Internacional Euronaval 2014, evento que acontecerá entre os dias 27 e 31 de outubro na França, alguns detalhes do desenvolvimento de um novo navio de patrulha oceânica (OPV- Offshore Patrol Vessel). O projeto está sendo definido pelo Centro de Projeto de Navios da Marinha do Brasil (CPN).

A nova embarcação, identificada como Navio-Patrulha Oceânico BRasil (NaPaOc-BR), ou BR-OPV, é planejada para executar tarefas de vigilância marítima na chamada Zona Econômica Exclusiva (ZEE), incluindo proteção às plataformas de recursos offshore, combate à atividades ilícitas praticadas no mar, apoio ao tráfego marítimo e suporte às operações de busca e salvamento.

Entre as características divulgadas, consta o peso de deslocamento ao redor de 2 mil toneladas e capacidade de acomodar tripulação de 125 pessoas. O comprimento das embarcações será de 103.4 metros, com 11.4 metros de largura e 3.95 metros de calado máximo. O BR-OPV será capaz de navegar a velocidade máxima de 25 nós e alcançar distâncias de 4 mil milhas náuticas deslocando-se em velocidade constante de 12 nós. O navio poderá permanecer no mar durante 30 dias sem interrupção.

O sistema de propulsão será do tipo CODAD (combinação diesel e diesel), que associa dois motores diesel com um par de hélices acionadas por uma única caixa de transmissão. Revelando algumas características “stealth” no seu conceito de design, a única chaminé do BR-OPV foi posicionada no centro da superestrutura, atrás do mastro principal. O desenho do casco também apresenta dois estabilizadores posicionados na parte traseira do mesmo e abaixo da linha d’água.

O BR-OPV terá capacidade de transportar botes infláveis de casco rígido (RHIB) e será dotado de um deck de voo conjugado, com um hangar dimensionado para acomodar um helicóptero com tamanho entre pequeno e médio.

Em termos de suíte de sensores, o novo navio integrara sistemas eletro-ópticos giroestabilizados de observação e direção de fogo, comunicações, guerra eletrônica, navegação e de comando e controle. Adicionalmente, está prevista a integração de canhões d’agua e radares com modos de busca de superfície, aéreo e navegação.

O conjunto de armamentos será composto por uma torre móvel central para canhão de médio calibre e dois canhões de 20 mm montados nas laterais. Como canhão principal, o BR-OPV poderá ser armado com canhões de 40, 57 ou 76 mm. A ENGEPRON está realizando estudos para definir uma configuração padrão do conjunto de armamentos, entretanto, o projeto permitirá a integração de uma variada gama de combinações.

A Marinha do Brasil possui atualmente em sua frota três OPVs da classe Amazonas adquiridos de acordo com contrato firmado com a BAE Systems em dezembro de 2011, e comissionadas entre junho de 2012 e dezembro de 2013. Trata-se do Amazonas (P120), Apa (P121) e Araguari (P122). O negócio incluiu a licença de fabricação com vistas a permitir que outros exemplares do mesmo projeto sejam construídos no Brasil.

Como parte do Programa de Obtenção de Meios de Superfície (PROSUPER), a Diretoria de Gestão de Programas Estratégicos da Marinha (DGePM) está planejando a construção local de cinco OPVs de 1.800 toneladas.

Os requerimentos desse programa estão sendo submetidos às seguintes corporações: BAE Systems, Daewoo Shipbuilding & Marine, Damen Schelde Naval Shipbuilding, DCNS, Fincantieri, Navantia e  ThyssenKrupp Marine Systems. Apesar de possuir licença para construir os cascos dos OPVs da classe Amazonas, ainda não há definição se essa fórmula será empregada para atender os requisitos dos futuros OPVs.

Além disso, há possibilidades para que mais sete OPVs sejam requisitados pela Marinha.

Fonte: Tecnologia & Defesa

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Vídeo: FAB – Tecnologia aeroespacial

Você vai conhecer um pouco do papel do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA) para o desenvolvimento tecnológico nacional.

Localizado em São José dos Campos (SP), o DCTA reúne institutos que são responsáveis por ensino, pesquisa e inovação.

http://www.youtube.com/watch?v=Edu7rFCLAhc

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Vídeo: BOEING CST 100 The Next Generation dos Estados Unidos

Ivan Plavetz

A Boeing receberá US$ 4,2 bilhões da NASA para aplicar na próxima fase do Programa de Tripulação correspondente à nova nave espacial dos Estados Unidos.

A espaçonave Crew Space Transportation (CST-100) da Boeing está sendo desenvolvida como parte do Programa de Tripulação Comercial (CCP, na sigla em inglês) da agência espacial estadunidense, que tem como objetivo retomar os voos espaciais nos Estados Unidos até 2017. A CST-100 transportará até sete passageiros ou uma combinação entre tripulantes e carga até a Estação Espacial Internacional (ISS), e outros destinos na órbita baixa da Terra.

De acordo com John Elbon, vice-presidente e diretor geral da divisão de Exploração Espacial da Boeing, a companhia tem participado de todos os programa de voo espacial dos Estados Unidos. Segundo ele, a CST-100 oferece à NASA a solução mais econômica, segura e inovadora para acesso à órbita baixa da Terra.

Na fase de Transporte de Tripulação Comercial (CCtCap) do programa, a Boeing construirá três espaçonaves CST-100 na Instalação de Processamento de Tripulação Comercial da empresa, localizada no Centro Espacial Kennedy, Flórida. A nave espacial passará por um teste de lançamento abortado em 2016 e fará um voo não tripulado no início de 2017, preparando-se para o primeiro voo tripulado com destino à Estação Espacial Internacional (ISS) em meados de 2017.

A empresa finalizou recentemente a Revisão Crítica de Projeto (CDR) e a Fase 2 da Revisão de Segurança de Espaçonave da Crew Space Transportation (CST)-100, o que a torna a única competidora do programa de Tripulação Comercial da NASA a passar no CDR, e também a concluir todas as etapas do CCtCap no prazo e dentro do orçamento estipulado.

É oportuno lembrar que com a desativação dos ônibus espaciais (ou Space Shuttle) da NASA, os Estados Unidos ficaram totalmente dependentes dos veículos espaciais Soyuz da Rússia para realizar suas operações de ligação com a ISS.

Fonte: Tecnologia & Defesa

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Conflitos Geopolítica Opinião Ucrânia

O futuro do leste da Ucrânia depois do armistício

O cessar-fogo no leste da Ucrânia colocou fim ao derramamento de sangue na região, mas não aproximou as partes em conflito de uma solução aceita por todos e o processo político que se aproxima promete ser extremamente difícil.

Após a troca de prisioneiros, a primeira fase do cessar-fogo prevê a delimitação das áreas de responsabilidade de cada país. Conflitos desse tipo não possuem uma linha de frente bem definida, por isso as “fronteiras” têm que ser negociadas após as tréguas. Uma vez que, do ponto de vista do direito internacional, o território da Ucrânia está sob a jurisdição de Kiev e a formação das repúblicas de Donetsk e Lugansk não tem estatuto reconhecido, o acordo exige boa vontade, principalmente do lado ucraniano. Isso significa o reconhecimento por parte das autoridades ucranianas de que perderam o controle efetivo de uma parte do país, o que obviamente não é fácil.

Depois da delimitação de fronteiras, surge a questão do controle da linha de contato. A OSCE (Organização para a Segurança e Cooperação na Europa) está envolvida na resolução do conflito desde o início, sendo por isso bastante lógico que esta organização venha a assumir o monitoramento da região. Para tal, ela precisará de um mandato, que deve ser expedido em Viena, onde fica a sede da OSCE, somente após intensos debates sobre as atribuições de poder e estrutura da organização.

Em seguida, deverão ter início as negociações sobre o estatuto da região. Pelas declarações feitas pelas partes envolvidas no conflito, é impossível avaliar a probabilidade de compromisso. Naturalmente, as posições públicas são mais inflexíveis, mas nos bastidores é possível realizar negociações mais concretas. No entanto, a experiência de outros conflitos suspensos – na Transnístria, Abecázia e Ossétia do Sul – indica que é muito difícil manter o controle adquirido. Por isso, para se conseguir manter a integridade da Ucrânia, serão necessários esforços extremos e uma abordagem muito criativa quanto aos direitos da autonomia.

Ainda não se sabe até que ponto Kiev poderá chegar nas atuais circunstâncias. A situação política é tensa, as próprias tréguas não são bem vistas por todos. Além disso, a ideia de que sem o Donbass a Ucrânia teria maiores chances de implementar uma soberania nacional estável apareceu ainda antes da última rodada do sangrento confronto.

As autoridades das repúblicas separatistas têm agora a tarefa de restabelecer o aparelho administrativo e econômico dos órgãos de gestão, que devem se apoiar em algum tipo de legitimidade. Para tal são necessárias eleições e organizações políticas que delas participem. A experiência dos conflitos anteriores mostra que após a conquista da independência é natural o surgimento de líderes individuais, como Ígor Smirnov, na Transnístria, ou Vladislav Ardzinba, na Abecázia. No entanto, no leste da Ucrânia não existem personalidades fortes que desfrutem de indiscutível autoridade de liderança, e um governo autocrático dificilmente será do agrado dos habitantes desta região, localizada quase no centro da Europa.

É evidente que, como em outros casos semelhantes, o papel de membros e líderes das forças armadas, será muito importante. Por exemplo, em Karabákh e na Abecázia, a facção governante simplesmente não consegue desempenhar as suas funções sem o apoio de grupos do exército, ou seja, a elite política é formada, acima de tudo, por representantes da elite militar. A inexistência de um estatuto político universalmente reconhecido torna as garantias militares de existência independente destes territórios as únicas disponíveis.

Outro fator a ser levado em consideração são os interesses das forças externas, que elevaram consideravelmente os riscos e o grau de tensão do conflito. A Rússia enfrenta uma escolha difícil, uma vez que a responsabilidade moral e material pelo território que se separou da Ucrânia recai sobre Moscou. É claro que será prestada ajuda econômica para a recuperação do Donbass, no entanto, a inexistência de um acordo sobre o estatuto da região torna arriscado qualquer investimento feito ali. O cenário ideal para a Rússia, ao que parece, seria uma Ucrânia unida com elevado grau de autonomia em Donetsk e Lugansk e garantias de salvaguarda de seus direitos e oportunidades como parte constituinte do país vizinho. Então, a ajuda a essas regiões poderia ser prestada no âmbito dos esforços internacionais para restaurar a Ucrânia, e fazer parte da Ucrânia daria a essa regiões alguma influência sobre a política interna do país.

No entanto, a probabilidade de tal acordo não parece ainda muito alta. Por isso Moscou terá que promover a construção das instituições da República Popular de Donetsk e da República Popular de Lugansk (o mais provável é que esses nomes mudem, mas provisoriamente usaremos os atuais), sem claras perspectivas para o futuro.

Quanto à União Europeia, que contribuiu bastante para a crise, a sua primeira prioridade será, provavelmente, encontrar parceiros para restaurar a Ucrânia – em outras palavras, alguém com quem partilhar os custos. Na Europa já ficou claro que sem a ajuda da Rússia a tarefa de levantar a Ucrânia se torna simplesmente impossível, e após a assinatura das tréguas os europeus vão procurar maneiras de colaborar com Moscou a fim de diminuir a pressão econômica sobre Kiev. O resultado disso ainda não é claro porque, ao mesmo tempo, a UE fala em reforçar as sanções contra a Rússia, o que naturalmente não irá contribuir para uma atmosfera de confiança construtiva.

Os Estados Unidos obviamente assumirão uma posição mais destrutiva, já que olham para a crise ucraniana principalmente através do prisma de seus próprios interesses estratégicos na Europa e do objetivo de contenção da Rússia.

Os eventos de 2014 foram uma clara indicação de que no território da ex-União Soviética continuam se desenrolando processos fundamentais, que também chegarão às fronteiras e à identidade dos diferentes povos, bem como ao alinhamento geopolítico do poder. O destino do leste da Ucrânia é parte de uma imagem grande e confusa do futuro, que por enquanto só podemos tentar adivinhar. 

Fiôdor Lukianov: Presidente do Conselho de Política Externa e Defesa da Rússia

Fonte: Gazeta Russa