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Defesa

Planos genéricos para as Forças Armadas

Submarino da Marinha brasileira: 1,5% do PIB gasto com defesa, o que representa R$ 72 bilhões por ano
Submarino da Marinha brasileira: 1,5% do PIB gasto com defesa, o que representa R$ 72 bilhões por ano

Nenhum dos três principais presidenciáveis tem propostas específicas para defesa nacional. Programas apresentam questões amplas, como “modernização” da frota e “valorização” de militares

Paulo de Tarso Lyra

As Forças Armadas, que hoje comemoram 192 anos da Independência do país, recebem pouco destaque nos programas de governo dos três principais candidatos ao Palácio do Planalto – Dilma Roussef (PT), Marina Silva (PSB) e Aécio Neves (PSDB). As referências ao tema nas plataformas de campanha são genéricas e limita-se, quase sempre, à modernização da frota e à valorização dos militares como elementos essenciais para a segurança nacional. “No Brasil, ainda existe a percepção de que as áreas militar e de segurança não dão votos”, declarou o coordenaor do curso de relações internacionais das Faculdades Rio Branco, Gunther Rudzit.

No entanto, é uma área que envolve projetos bilionários e não pode ser alvo de desprezo por parte do futuro presidente da República. Quem tomar posse em 1º de janeiro de 2015, seja Dilma reeleita ou algum dos demais candidatos de oposição, terá diante de si uma pasta cujas 10 maiores ações custarão ao governo aproximadamente R$ 115,8 bilhões (veja quadro). Nesse pacote estão, por exemplo, a aquisição dos caças FX-2 da sueca Gripen, orçados em R$ 21,2 bilhões, mas cujo desembolso orçamentário mais robusto só deve acontecer a partir de 2016. Ou a construção de quatro submarinos convencionais e um de propulsão nuclear, no valor total de R$ 31,1 bilhões.

Gunther acredita que a ausência de ameaças externas concretas para o Brasil explica o fato de a área militar não levantar tanta preocupação de presidenciáveis e dos próprios eleitores. “As pessoas entendem que existem outras prioridades para gastar o dinheiro público”, completou o especialista no setor.

O Brasil gasta, em média, 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB) com defesa, o que representa, aproximadamente, R$ 72 bilhões. Cerca de 70% desse valor são consumidos com pagamento de pessoal. São 320 mil homens das Três Forças — Marinha, Exército e Aeronáutica —, incluindo militares da ativa, reservas e pensionistas — e manutenção das estruturas militares existentes. No início de 2014, aproximadamente R$ 3,5 bilhões destinados a investimentos do Ministério da Defesa foram contingenciados, mas a expectativa é de que, até o fim do ano, R$ 2,5 bilhões retornem aos cofres da pasta.

O ministro Celso Amorim defende que o percentual seja elevado para algo em torno dos 2% do PIB — R$ 96 bilhões. Mesmo se as aspirações de Amorim fossem realizadas, ainda estaríamos abaixo da média dos gastos com segurança dos Brics — grupo de países formados por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Excetuando-se chineses e russos, que têm gastos muito maiores, a média de orçamento dos demais integrantes do bloco é de 2,4% do PIB dos respectivos países.

 

CAMPANHAS
Mesmo sendo o partido que comanda o país há 12 anos e tendo iniciado boa parte dos atuais projetos bilionários de reequipamento do setor, o PT não tem claro, no programa de governo da reeleição de Dilma, o que pretende fazer ao longo dos próximos quatro anos. Procurado pelo Correio, o comando de campanha respondeu que “o programa registrado no TSE e divulgado pela coligação Com a Força do Povo reúne as diretrizes gerais das políticas que serão implementadas. As propostas estão sendo discutidas e aprofundadas em grupos temáticos que já realizaram mais de 300 reuniões plenárias em todo o país, cujas contribuições estão sendo sistematizadas para fechamento do programa de governo”.

O presidente do PSB, Roberto Amaral, também reconhece que são genéricas as menções às Forças Armadas no programa de Marina Silva. No texto, há a promessa de fortalecer e de modernizar Exército, Marinha e Aeronáutica para o cumprimento da missão constitucional de defesa da pátria, de garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da manutenção da lei e da ordem. “Mas precisamos nos atentar, sobretudo, à segurança de nosso litoral, do pré-sal, e do espaço aéreo do país”, completou Amaral.

Responsável pela capítulo de segurança no programa do tucano Aécio Neves, Cláudio Beato reconhece que as menções, neste momento, são pontuais, mas que o PSDB dará mais atenção ao tema caso chegue ao Planalto. “Pretendemos fortalecer as ações de inteligência nas fronteiras, em conjunto com a Polícia Federal e com a Agência Brasileira de Inteligência (Abin)”, disse.


forcas-armadas


Os bilionários números da Defesa
A pasta que tem um dos maiores orçamentos da Esplanada é repleta de projetos que ainda estão em fase de execução

Programa de Desenvolvimento
de Submarinos (Prosub)
Orçamento total: R$ 31,1 bilhões
Executado até o momento: R$ 12,7 bilhões
Previsão de execução para 2015: R$ 1,7 bilhão

Caças FX-2 da Gripen
Orçamento total: R$ 21,2 bilhões
Executado até o momento: R$ 0
Previsão de execução para 2015: R$ 1 bilhão

Blindados Guarani
Orçamento total: R$ 20,8 bilhões
Executado até o momento: R$ 551 milhões
Previsão de execução para 2015: R$ 200 milhões

Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul
Orçamento total: R$ 14,03 bilhões
Executado até o momento: R$ 28 milhões
Previsão de execução para 2015: R$ 9 milhões

Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras
Orçamento total: R$ 11,9 bilhões
Executado até o momento: R$ 730 milhões
Previsão de execução para 2015: R$ 285 milhões

Fonte: Correio Braziliense

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Sistemas de Armas Tecnologia Vídeo

Vídeo: Autobots transformen…Dahir Insaat – Russia Unmanned Gun & Missile Copter Container System Combat Simulation

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BID Brasil 2013 Defesa EVENTOS Mostra BID 2014 Sistemas de Armas Sistemas Navais

Projetos estratégicos da Marinha

MD3O estande da Marinha do Brasil foi uma das atrações da III Mostra BID-Brasil. As imagens mostram as maquetes do submarino nucelar brasileiro e do reator nucelar, além do local exato onde ele ficará na embarcação. O projeto, desenvolvido pela Marinha, faz parte da construção do núcleo do poder naval, que conta, ainda, com a fabricação de quatro submarinos convencionais.

Fotos: Jorge Cardoso

MD2

Descrição:

O Programa Nuclear da Marinha, iniciado em 1979, está dividido em dois grandes projetos: o domínio do ciclo do combustível nuclear e o Laboratório de Geração Núcleo-Elétrica (Labgene).

O Brasil já domina o ciclo de produção do combustível nuclear. A Marinha inaugurou, em fevereiro de 2012, a Unidade Piloto de Hexafluoreto de Urânio (Usexa), última etapa para o domínio pleno do ciclo.

O Labgene tem o propósito de desenvolver a capacidade tecnológica para o projeto, construção, operação e manutenção de reator nuclear do tipo PWR (Pressurized Water Reactor) que será empregado na propulsão do primeiro Submarino Nuclear (SN-BR) a ser construído no Brasil.

Importância Estratégica:

O Programa Nuclear da Marinha dará ao Brasil capacidade técnica para o projeto, a construção e operação de plantas núcleo-elétricas de tecnologia nacional. A energia gerada por essas plantas poderá ser utilizada tanto para a propulsão de meios navais, como os submarinos SN-BR, de propulsão nuclear, quanto para a alimentação de redes elétricas urbanas e rurais.

Principais Benefícios:

  • Fomento da Indústria Nacional de Defesa;
  • Arrasto tecnológico;
  • Domínio de tecnologia sensível;
  • Capacitação e aprimoramento de mão de obra;
  • Desenvolvimento de planta núcleo-elétrica de emprego dual.

Cronograma de Execução:

A conclusão do Laboratório de Geração Núcleo-Elétrico (Labgene) está prevista para julho de 2016.

MD

 

Fonte: Ministério da Defesa

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Conflitos Economia Geopolítica

Libra se desvaloriza após pesquisa apontar “sim” à independência escocesa

Referendo na Escócia

O líder da campanha contra a independência, Alistair Darling, diz que não há pânico

A libra esterlina teve nesta segunda-feira uma desvalorização de 1,3% frente ao dólar, refletindo o resultado de uma pesquisa que indica, pela primeira vez, a dianteira da campanha a favor da independência da Escócia – faltando dez dias para o plebiscito no país, hoje parte do Reino Unido.

A cotação das ações de empresas escocesas com forte presença em outros locais da Grã-Bretanha também caíram.

A pesquisa publicada no jornal britânico Sunday Times no domingo indica que 51% dos escoceses agora apoiam a independência, enquanto que os demais 49% disseram que pretendem votar contra na votação do dia 18.

A campanha pelo “não” à independência, que conta com o apoio do governo em Londres e do principal partido de oposição, o Trabalhista, agora busca maneiras de recuperar o apoio dos escoceses.

Novo órgão

Nesta segunda-feira, a campanha pelo “não” negou que o anúncio feito no domingo pelo ministro das Finanças britânico, George Osborne – de que seria apresentado nos próximos dias um “plano de ação” por mais autonomia para a Escócia para o caso de o “não” vencer -, seja um “suborno” de última hora, como acusou a a campanha pelo “sim”.

Osborne disse que nos próximos dias anunciaria mudanças que garantiriam maiores poderes fiscais e financeiros e sobre a distribuição de benefícios aos escoceses.

A BBC apurou que o governo em Londres também cogita criar um novo órgão para ampliar a autonomia escocesa.

Um porta-voz do primeiro-ministro britânico, David Cameron, disse o novo órgão iria lançar um cronograma para ampliar a autonomia escocesa.

No entanto, ele disse que ainda não há data para a criação do órgão, cujos detalhes estariam sendo discutidos pelos partidos Conservador e Liberal Democrata (que formam a coalizão de governo) e Trabalhista.

O gabinete de Cameron também confirmou que nenhum plano de contingência está sendo elaborado para o caso do “sim” vencer no plebiscito.

‘Corrida apertada’

Em entrevista à BBC, o líder da campanha contra a independência, Alistair Darling, disse que o aceno por mais autonomia para os escoceses já tinha sido feito por líderes britânicos há tempos.

Alex Salmond

Alex Salmond, criticou o governo por acenar com mais autonomia às vésperas da votação

Ele admitiu que a disputa está “muito apertada”.

“Estamos numa situação em que cada eleitor da Escócia poderia potencialmente mudar o equilíbrio do referendo”, disse ao programa Today, da BBC. “Estou confiante de que venceremos porque temos uma visão muito forte e positiva daquilo que a Escócia pode ser, tanto em termos de oportunidades quanto da segurança de fazer parte do Reino Unido.”

O líder da campanha pró-independência, Alex Salmond, chefe do Poder Executivo escocês, classificou o anúncio do plano de ação por mudanças pró-autonomia como uma “medida de pânico” dos adversários.

A campanha diz que no momento os indecisos estão migrando para o “sim” na proporção de dois para um.

Durante o fim de semana, jornais britânicos chegaram a noticiar que a rainha Elizabeth 2ª estaria “preocupada” com a possibilidade do desmembramento de seu reino.

No entanto, o Palácio de Buckingham divulgou uma nota nesta segunda-feira afirmando que a monarca se mantém neutra.

Alex Salmond já afirmou que pretende manter a rainha como chefe de Estado caso a campanha pelo “sim” vença.

Fonte: BBC Brasil

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Conflitos Geopolítica

Rebeldes libertam 1,2 mil prisioneiros no leste da Ucrânia

Poroshenko (AFP)

O presidente ucraniano, Petro Poroshenko, disse que não deixará que rebeldes tomem a cidade de Mariupol

Rebeldes pró-Rússia libertaram 1,2 mil prisioneiros no leste da Ucrânia, segundo o presidente do país, Petro Poroshenko. As libertações ocorreram depois de ser fechado na última sexta-feira um acordo de cessar-fogo, que incluía a troca de prisioneiros.

Poroshenko fez o anúncio durante visita à cidade portuária de Mariupol, que vem sendo bombardeada pelos separatistas nos últimos dias. O conflito no leste da Ucrânia já matou 2,6 mil pessoas desde abril.

“Mariupol é a Ucrânia. Não abriremos mão desta terra”, disse o presidente ucraniano em sua conta no Twitter.

Antes da trégua, os rebeldes haviam avançado no leste do país e assumido o controle de uma área a alguns quilômetros de Mariupol. Apesar de alguns tiros disparados isoladamente, o cessar-fogo parece estar sendo mantido.

Novas sanções

Ucrânia (AFP)

Trégua perdura apesar de tiros esporádicos

Ao mesmo tempo, a União Europeia (UE) prepara novas sanções à Rússia por sua influência no conflito, apesar do alerta feito pelo Kremlin que haverá retaliação.

As novas sanções devem ser colocadas em prática já nesta terça-feira, mas podem ser “reversíveis”, segundo uma porta-voz da UE, dependendo de como estiver a situação na Ucrânia.

Grandes empresas de petróleo estatais, incluindo a Rosneft, que já havia sofrido sanções por parte dos Estados Unidos, estão entre os alvos desta nova leva. O setor de gás não faz parte da lista.

As sanções restringiriam o acesso destas empresas ao mercado financeiro europeu, algo importante para a Rosneft, que pediu um empréstimo de US$42 bilhões (o equivalente a R$94,5 bilhões) ao governo russo no mês passado.

Também expandiriam a proibição de concessão de vistos e o congelamento de bens de autoridades russas, inclusive de líderes separatistas.

Resposta ‘assimétrica’

Ucrânia (Reuters)

Separatistas lutam desde abril para criar Estado independente no leste da Ucrânia

Andrew Walker, correspondente de economia da BBC, explica que a Rosneft é uma empresa muito importante no mercado europeu de energia.

“A UE importa 90% do petróleo não-refinado que usa e a Rosneft é, de longe, a principal fornecedora. As sanções não parecem afetar diretamente esta relação, mas impediriam que a empresa conseguisse dinheiro no mercado europeu”, diz Walker.

“Como o petróleo é transportado majoritariamente pelo mar, se esse comércio fosse prejudicado, a Rússia poderia ser substituída, apesar de haver um custo maior. Com o gás, a história é outra, porque chega à Europa por gasodutos, e seria muito difícil compensar uma interrupção do fornecimento do gás russo.”

Em resposta, a Rússia diz que responderá “assimetricamente” às novas sanções.

Uma das reações possíveis, segundo o premiê russo Dmitry Medvedev, seria proibir que voos internacionais passem por seu espaço aéreo, o que faria com que empresas gastassem mais dinheiro com combustível para chegar a seus destinos na Ásia.

O governo russo nega as acusações feitas por Kiev e por governos ocidentais de que estaria enviando tropas para as cidades de Donetsk e Lugansk para ajudar os rebeldes, que querem criar um Estado independente na região.

Fonte: BBC Brasil

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Defesa MBT Brazil

Em breve no MBT Brazil… MITSUBISHI HEAVY INDUSTRIES TYPE 10

Type 10

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Defesa Geopolítica Mísseis Opinião Sistemas de Armas

Tratado de forças nucleares torna-se um fardo para a Rússia

08/12 /1987 Washington DC – EUA: Mikhail Gorbachev e o presidente dos EUA Ronald Reagan assinam o Tratado INF (Forças Nucleares de Alcance Intermedia) na Casa Branca.

O Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário (INF) foi assinado em dezembro de 1987, em Washington, por Ronald Reagan e Mikhail Gorbatchov, que por meio dele se comprometeram a destruir todos os seus mísseis balísticos e de cruzeiro, com base em terra e cujo alcance estivesse entre mil e 5.500 km (médio alcance) e entre 500 e mil km (curto alcance).

Por que a Rússia assinou esse tratado? Porque os mísseis americanos Pershing 1A, Pershing 2 e BGM-109G, montados em bases na Europa e armados com ogivas nucleares, poderiam bombardear toda a parte europeia da URSS até às cidades de Arkhangelsk, Gorki e Batumi. A duração de voo de um míssil desses até à capital do país não duraria mais de 12 minutos. Já os mísseis soviéticos de médio alcance SS-10, P-12, P-14 e RC-55 e, em menor medida, os OTP-22 e OTP-23, chegariam a qualquer um dos países da Otan até às margens do oceano Atlântico. A eliminação de toda uma classe de mísseis nucleares que nos ameaçava mutuamente se tornou, no início dos anos 90 do século passado, uma grande contribuição para o abrandamento das tensões entre Moscou e Washington.

Ao contrário da Rússia, os EUA não fazem fronteira com nenhum país que possua mísseis de médio e curto alcance (MMCA). Eles não tinham qualquer interesse em que, por exemplo, a Turquia ou o Paquistão se livrassem desses tipos de mísseis, ou que a China e o Irã aderissem a esse tratado. Além disso, toda a política externa posterior norte-americana se organizou de modo a obter vantagens unilaterais na expansão de mísseis e armas convencionais. Assim, em 2002, a administração de George W. Bush se retirou do Tratado de Defesa Antimíssil – considerado a pedra angular da estabilidade internacional em ambos os lados do Atlântico. Esse tratado limitava seriamente os sistemas de defesa antimíssil de ambos os países, não lhes permitindo assim desestabilizar o equilíbrio entre a defesa estratégica e o ataque estratégico. Mas Washington não considerou os interesses de segurança da Rússia e começou a implantar seus sistemas ao longo das fronteiras russas, justificando isso como uma “proteção contra os Estados párias”, entre os quais estariam o Irã e a Coreia do Norte. Segundo especialistas, nem Teerã nem Pyongyang têm, ou terão em um futuro próximo, mísseis capazes de atingir os Estados Unidos ou os países da Otan.

Violação do equilíbrio estratégico

Além disso, em violação ao tratado INF, que exigia a destruição de todos os estoques de mísseis de médio e curto alcance, bem como daqueles em depósitos e seus componentes, Washington utiliza blocos dos mísseis Pershing em testes de mísseis-interceptores, e os drones supostamente usados para caçar terroristas correspondem, por suas características táticas e técnicas, a mísseis de cruzeiro terrestres, banidos pelo tratado. Os sistemas de lançamento Mk-4, que os Estados Unidos pretendem colocar em bases na Polônia e na Romênia, também podem ser usados para lançar mísseis de cruzeiro de médio alcance, por isso sua instalação também representa uma grave violação desse acordo.

Mas nada disso incomoda Washington, que se recusou a considerar os interesses de Moscou no âmbito do Tratado sobre Forças Armadas Convencionais na Europa e não tentou sequer convencer os seus aliados da Otan a aderir a esse acordo. Essa situação criou, juntamente com os países da Europa Oriental que se juntaram à Otan, uma superioridade em armas convencionais três ou quatro vezes maior para a aliança  perante a Rússia.

Por quanto tempo Moscou poderá tolerar isso? Não estará na hora de passar das palavras, com as quais o Kremlin tenta esfriar as cabeças quentes em Washington e Bruxelas, para a ação?

Direito de sair

Quem sabe um dos passos de tal ação não deva ser uma declaração do Kremlin anunciando a retirada da Rússia do Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário, que na situação atual já está se tornando um fardo para o país? Compreendo que esta proposta será recebida pelo público e pelos própios militares de modo ambíguo. Mas, por outro lado, como devemos reagir à implantação do sistema de defesa antimísseis norte-americano na Romênia e na Polônia? No Ocidente, ninguém esconde que ele está direcionado contra Moscou. Como podemos compensar tal ameaça sem arruinar a economia do Estado com uma nova corrida armamentista? Por exemplo, com a colocação na Crimeia de bombardeiros de longo alcance Tu-22M3 e também do sistema tático-operativo Iskander-K.

Para fazer os nossos Iskander serem capazes de alcançar as bases da Otan, torna-se necessário aumentar o alcance de voo dos seus mísseis. Ou seja, sair do tratado INF. Isso não custará muito à economia nacional. Além disso, se esse passo for consistente com os interesses nacionais e com o reforço da segurança da Rússia, então penso que deveríamos fazer isso.

Víktor Litóvkin: Jornalista militar e coronel reformado do Exército russo.

Fonte: Gazeta Russa

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Defesa Geopolítica

Brasil vai apoiar desenvolvimento do Poder Naval de Angola

Brasília, 05/09/2014 – Os ministros da Defesa do Brasil, Celso Amorim, e de Angola, João Manuel Lourenço, assinaram, nesta sexta-feira (5), Memorando de Entendimento Técnico que viabilizará o apoio da Marinha na implementação do Programa de Desenvolvimento do Poder Naval Angolano (Pronaval). De acordo com o documento, os africanos deverão adquirir sete navios-patrulhas a serem produzidos pela Empresa Gerencial de Projetos Navais (Emgepron) da Força Naval Brasileira.

A previsão é que quatro das embarcações sejam produzidas pela Emgepron no Rio de3 Janeiro. Os demais navios-patrulha deverão ser fabricados em estaleiro a ser montado a 200 km ao sul de Luanda, capital do país, com assessoria técnica, materiais e equipamentos brasileiros. Além disso, a Marinha do Brasil deverá atuar na formação e capacitação de pessoal tanto para operar as embarcações como para a fabricação que será feita no novo estaleiro.

Os sete navios-patrulha terão 500 toneladas cada um e a configuração técnica será definida durante a fase de negociação dos contratos de fabricação e fornecimento de serviços. De acordo com o ministro João Manuel Lourenço, a assinatura do memorando é o primeiro passo para “aumentar a infra-estrutura estaleira e os meios navais da Marinha de Guerra angolana.”

Para Lourenço, o fortalecimento das patrulhas na costa angolana permitirá ao país combater ameaças que, segundo o dirigente, “fazem parte do mundo contemporâneo”: a pirataria marítima e o terrorismo. “Faremos de tudo para a que implementação dessa cooperação não demore.”

Atlântico Sul

Em seu pronunciamento, o ministro Celso Amorim ressaltou os laços históricos e culturais entre os dois países, destacando o fato de o Brasil ter sido a primeira nação a reconhecer a independência de Angola de Portugal, em 1975. Amorim disse que a parceria com o país é altamente estratégica, sobretudo pelo interesse recíproco na vigilância do Atlântico Sul.

Os dois países, junto de 23 outras nações africanas e sul-americanas, são signatários da Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul (Zopacas), organismo multilateral criado pelas Nações Unidas (ONU), em 1986, com o objetivo de evitar a introdução de armamentos nucleares e de destruição em massa na região.

“Angola é uma nação pujante e cada vez mais atuante na África. Temos uma relação de amizade e de grande respeito mútuo. Não é de interesse ao Brasil ter uma atitude paternalista com Angola, até porque os angolanos não aceitariam isso”, disse o ministro Amorim.

Além da compra dos sete navios-patrulha e da assessoria na construção do estaleiro, o memorando de entendimento prevê a cooperação na área acadêmica e a formação e capacitação de pessoal para construir e operar as embarcações, bem como para a qualificação de homens da marinha mercante.

BID-Brasil

A delegação angolana participou da 3º Mostra BID Brasil, evento organizado pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) e pela ABIMDE (Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança), com apoio do Ministério da Defesa e que reuniu quase 100 empresas do setor no Centro de Convenções Ulisses Guimarães, em Brasília. Os visitantes se interessaram por várias soluções e equipamentos apresentados na feira e participaram de reuniões de negócios com empresas brasileiras do setor.

Leia aqui a íntegra do Memorando de Entendimento Técnico assinado entre Brasil e Angola.

Fotos: Jorge Cardoso
Assessoria de Comunicação
Ministério da Defesa

61 3312-4071

Fonte: Ministério da defesa

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Conflitos Defesa Destaques Geopolítica Opinião Sistemas de Armas

Rússia começou a construir no Ártico cidade militar ‘Estrela Polar’

A construção de cidades militares começou na ilha de Wrangel e no cabo Otto Shmidt, para onde foram transportados blocos modelares para a construção do complexo Estrela Polar, anunciou hoje aos jornalistas o coronel Alexander Gordeev, chefe do serviço de imprensa da Região Militar Oriental da Rússia.

“Na ilha de Wrangel e no cabo Otto Shmidt foram descarregados blocos modelares para a edificação de cidades militares. O complexo está sendo montado em forma de estrela, o que permitirá aos militares circularem livremente no interior do edifício, limitando ao máximo a presença ao ar livre quando estiverem temperaturas baixas”, afirmou Gordeev.

Dois complexos habitacionais e administrativos serão montados com 34 módulos durante um mês para garantir a atividade de uma unidade ártica da defesa antiaérea.

O complexo é composto por blocos de habitação, apoio e administrativos, salas de esporte, saunas e gabinete de descompressão psicológica.

Comentário konner:

O Ártico se tornou uma arena de competição global para o tráfego marítimo e para os recursos naturais, duas coisas de extrema importância no mundo. A história do mundo desconhece onde uma competição entre nações por esses dois fatores tão relevantes, tenha-se dado sem levar em conta os aspectos militares. A situação no Ártico é particularmente complicada, devido o direito internacional em relação a esta região ter lacunas significativas. Mas não há dúvida de que com a Rússia já estando estabelecida na região, será um sério obstáculo coso algum dos rivais que disputam a região tentem resolver a situação pela força.  

Fonte: Voz da Rússia

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Defesa Geopolítica Negócios e serviços Opinião Sistemas de Armas Sistemas Navais

Japão procura entrar no mercado de submarinos convencionais

Esse mercado vai crescendo a cada ano que passa devido ao aumento das capacidades operacionais e da importância política desse tipo de armas. Há já muito que o Japão tem encarado a frota de submersíveis e de meios de luta antissubmarina com as suas prioridades incondicionais. Como é evidente, os submarinos Soryu se reputam como um dos melhores tipos de submersíveis convencionais. Nesse contexto, a questão que se coloca é essa: poderá o Japão vir a ser um concorrente sério para os outros países exportadores de submarinos?

Convém notar que não obstante o abrandamento das restrições, a política nipônica na esfera de exportações contínua sendo muito conservadora. Além disso, muitos subsistemas de submarinos japoneses têm a origem estrangeira.

As mais usadas nessa vertente têm sido as tecnologias e componentes dos EUA. Os submarinos nipônicos, por via se regra, se dotam de mísseis Harpoon e sistemas hidro-acústicos norte-americanos. Segundo a tradição existente, isto permite aos EUA bloquear a exportação de submarinos desse tipo para qualquer outro país.

Face a um elevado nível das características do Soryu, é pouco provável que os EUA admitam o seu fornecimento para a Índia ou para o Vietnã. Uma vez que a Rússia tem exportado suas armas aos países que se encontram fora da influência norte-americana, a eventual exportação do Soryu não encerra uma ameaça séria para os interesses russos.

Por outro lado, o Soryu poderá fazer concorrência aos produtos da França ou da Alemanha nos mercados de alguns países. Cumpre não esquecer, contudo, que tais produtos são mais caros do que os análogos europeus. Além disso, os europeus têm sistemas mercadológicos bem estruturados e os serviços de manutenção técnica bem desenvolvidos. Deste modo, entre os importadores podem figurar certos países ricos da região asiática do Pacífico que se consideram aliados dos EUA. A Austrália é o primeiro exemplo elucidativo de um país como esses.

No caso de agravamento das relações entre a China e o Japão em que os japoneses compreenderão “não terem mais nada a perder”, o Soryu poderia ser oferecido ao Taiwan. Assim, seria resolvido um grave problema de modernização de submarinos desse país. A aquisição de tais navios pelo Taiwan seria, ao mesmo tempo, uma surpresa desagradável para a Marinha chinesa. Tal submersível seria capaz de assestar golpes a redes de comunicações chinesas situadas à grande distância das costas chinesas onde as potencialidades da luta antissubmarina da China são por enquanto limitadas.

Por fim, os submarinos nipônicos poderiam ser exportados para as Filipinas se houver, claro, uma boa vontade e a disponibilidade dos EUA e do Japão de prestar-lhes um apoio financeiro no processo de formação das Forças Armadas. Mas isso poderia mudar a situação no mar de China Meridional, o que não seria do agrado da China.

Como vemos, a oferta à exportação de submarinos nipônicos convencionais não poderá produzir alterações substanciais no mercado dessas armas. Mas em perspectiva, tal cenário poderá vir a ser um fator de peso no estabelecimento da situação segura e estável na Ásia Oriental.

 

Fonte: Voz da Rússia

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Conflitos Geopolítica

EUA e Ucrânia realizam exercício militar no Mar Negro

Em meio à tensão no leste da Ucrânia e críticas da Rússia, navio de guerra executa manobra marítima na região. Segundo governo de Donetsk, cessar-fogo entre rebeldes e Exército ucraniano foi respeitado na madrugada.

Apesar de protestos por parte da Rússia, os Estados Unidos e a Ucrânia dão início nesta segunda-feira (08/09) a uma manobra marítima conjunta no Mar Negro. O objetivo do exercício Sea Breeze 2014, que deve durar três dias, é garantir a segurança marítima numa região de crise, segundo o Ministério da Defesa ucraniano.

A Rússia havia criticado o exercício nas imediações do leste da Ucrânia, atingido por conflitos há meses, como “completamente descabido”. Além dos EUA, também o Canadá, a Romênia, a Espanha e a Turquia participarão do exercício, realizado com o navio de guerra do tipo contratorpedeiro USS Ross, com 280 soldados a bordo.

Apesar dos esforços pela paz, o cessar-fogo acordado para o leste ucraniano na última sexta-feira mostrou-se frágil no fim de semana. Uma mulher morreu durante um ataque com granada à cidade portuária de Mariupol.

Nesta segunda-feira pela manhã, entretanto, a trégua deu sinais de estar sendo respeitada. Segundo um comunicado publicado pelo governo municipal de Donetsk, nenhum incidente foi registrado na madruga de domingo para segunda, e nenhum bombardeio ou explosão foi ouvido.

Segundo a agência de notícias Interfax-Ukraine, 15 soldados ucranianos foram libertados pelas forças separatistas – um ponto-chave do acordo de cessar-fogo da última sexta-feira.

Os separatistas pró-Rússia disseram-se dispostos a chegar a uma separação do governo central ucraniano através de negociações. Eles vão se reunir “dentro de sete a oito dias” com representantes da Ucrânia, da Rússia e da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) em Minsk, capital de Belarus, disse o líder separatista Alexander Zakharchenko neste domingo.

O tema do encontro em Minsk deve ser a independência das autroproclamadas Repúblicas Populares de Donetsk e Lugansk. O governo de Kiev rejeita uma separação.

O também líder separatista Pavel Gubarev afirma que os rebeldes não vão desistir do plano de criar o Estado Independente Noworossija (Nova Rússia) no leste do país. Ele pede referendos oficiais nas regiões para decidir sobre a separação da Ucrânia.

Enquanto isso, o governo de Kiev causou confusão ao se manifestar sobre o fornecimento de armas por parte de alguns países-membros da Otan. O conselheiro do presidente ucraniano disse que os EUA, a França, a Itália, a Polônia e a Noruega haviam prometido ajudar a Ucrânia na luta contra os separatistas. Os EUA, a Noruega e a Polônia negaram. O governo italiano não se manifestou sobre o assunto, mas, de acordo com a mídia do país, a Itália não fornecerá armas, mas equipamento militares, como coletes de proteção e capacetes.

Em agosto, a chanceler federal alemã, Angela Merkel, havia descartado com veemência a possibilidade de a Alemanha fornecer armas a Kiev.

Na última cúpula da Otan, a organização definiu que seus países-membros poderão fornecer armas às Forças Armadas ucranianas futuramente, sem especificar que países seriam esses. A Rússia reagiu com preocupação, pedindo que a Otan esclarecesse para que finalidade as armas seriam fornecidas e contra quem seriam usadas.

LPF/dpa/ap/afp

Fonte: DW.DE

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Conflitos Geopolítica

‘Legião estrangeira’ pega em armas no conflito na Ucrânia

Combatente espanhol luta ao lado dos rebeldes / Crédito: Reuters

Rafa Munoz Perez, um espanhol servindo com os rebeldes em Donetsk

Franceses, espanhóis, suecos ou sérvios, os estrangeiros que lutam por ambos os lados no conflito sangrento que acontece no leste da Ucrânia vêm de toda a Europa e trazem uma lista enorme e confusa de motivações para isso.

Os ‘não-mercenários’ entre eles são motivados por causas que remetem às guerras na antiga Iugoslávia ou ainda a Civil Espanhola, nos anos 30.

A Rússia é ‘o elefante na sala’, superando qualquer outra nacionalidade estrangeira presente no leste da Ucrânia – embora seja cada vez mais difícil separar os russos que lutam como voluntários dos soldados oficiais, supostamente enviados em missões secretas.

Os rebeldes ucranianos pró-Rússia gostam de exaltar seus combatentes voluntários de fora, apresentando-os como os mais novos “Brigadistas Internacionais” lutando contra o “fascismo”. Enquanto isso, começa a acontecer um debate em Kiev sobre a possibilidade de se criar uma “legião estrangeira” da Ucrânia.

Apresentamos aqui alguns dos combatentes estrangeiros por país de origem, em um fenômeno que, de alguma forma, lembra o dos jovens muçulmanos da Grã-Bretanha e de outras partes da Europa que viajam para o Oriente Médio para lutar em suas guerras e defender suas crenças.

Rússia

Não é nenhum segredo que cidadãos russos ocuparam as principais posições de liderança entre os rebeldes na Ucrânia. E o mais famoso deles é Igor ‘Strelkov’ Girkin, que supostamente detinha a patente de coronel no Serviço de Segurança Russo até o ano passado.

Também há fortes evidências indicando que os outros combatentes “normais” da Rússia invadiram o leste da Ucrânia para se juntar aos rebeldes. Mas a definição deles como “voluntários” lutando por uma causa comum em Luhansk e Donetsk ou “soldados mercenários” ainda é algo que não está claro.

Um dos líderes dos rebeldes, Alexander Zakharchenko, declarou publicamente que cerca de 3 mil ou 4 mil “voluntários” russos lutaram com os rebeldes desde o começo do conflito, em abril.

“Há também vários soldados russos que preferem passar o período de férias conosco, irmãos que estão lutando pela liberdade deles em vez de estarem relaxando na praia”, disse ele na última quinta-feira.

Soldado checheno Ruslan Arsayev

Checheno Ruslan Arsayev luta ao lado do governo ucraniano porque não quer ‘se curvar’ para Putin

As evidências têm mostrado que soldados russos estão envolvidos no conflito – dez paraquedistas militares foram capturados em território ucraniano e há evidências indiretas na Rússia de mortes ou desaparecimentos de militares do país.

Acredita-se que os chechenos – da República da Chechênia e os da diáspora anti-Rússia que vivem no exílio – estejam envolvidos em ambos os lados do conflito, mas há uma predominância entre eles dos que lutam pelos rebeldes.

Um homem armado que se apresentou como checheno e chamado Ruslan Arsayev disse ao site de notícias Mashable, em uma entrevista, que estava lutando pela Ucrânia porque não vai “se curvar para Putin”.

França

Há franceses lutando pelos dois lados, segundo informações divulgadas pela rádio pública francesa no início do mês. Cerca de 20 cidadãos do país estão em território ucraniano para tomar parte no conflito.

Quatro deles, incluindo dois ex-soldados, foram a Donetsk para lutar com os rebeldes. Eles até chegaram a ser filmados por um jornal russo posando com armas nas mãos.

De acordo com o jornal francês Le Monde, os quatro seriam fundadores de um movimento ultranacionalista chamado “União Continental”. Na visão deles, a Rússia representa “o último suspiro” contra a globalização liberal – a qual eles consideram “responsável pelo declínio dos valores nacionais e pela perda de soberania da França”.

O principal papel desses franceses seria, aparentemente, providenciar treinamento de combate para soldados recrutados de países da Europa Ocidental.

Do outro lado, Gaston Besson tem lutado pelo governo ucraniano como um membro do Batalhão voluntário de Azov, uma unidade conhecida por suas associações de extrema direita.

Ainda assim, com 47 anos, ele se descreve como um “revolucionário de esquerda”, de acordo com a mídia francesa. Besson teria sido um paraquedista militar no passado, tendo lutado em vários conflitos anteriores, da Croácia à Colômbia.

Ele também é conhecido por sua habilidade em recrutar outros estrangeiros. “Todos os dias eu recebo dezenas de pedidos de pessoas que querem se juntar a nós, principalmente de lugares como Finlândia, Noruega e Suécia”, disse, em junho, para o Eurasianet.

Espanha

Para dois espanhóis de esquerda que se juntaram aos rebeldes pró-Rússia, o conflito no leste da Ucrânia é a chance de retribuir o que eles consideram como um “favor histórico”.

Angel Davilla-Rivas disse à agência de notícias Reuters que ele foi ao território ucraniano junto com seu companheiro Rafa Muñoz Pérez para lutar com os rebeldes em um reconhecimento pelo apoio da União Soviética ao lado republicano na Guerra Civil Espanhola.

Rafa Muñoz, de 27 anos, é de Madri e é membro da ala jovem do movimento político Esquerda Unida desde 2010, de acordo com o jornal espanhol El País. O amigo dele tem 22 anos e é de Múrcia (leste da Espanha) – ele faz parte da ala jovem do Partido Comunista Espanhol.

“Eu sou filho único e meus pais e minha família sofrem por eu estar me arriscando assim. Mas… eu não consigo dormir tranquilo sabendo o que está acontecendo aqui”, disse Davilla-Rivas, que tem tatuagens dos líderes soviéticos Lenin e Stalin no corpo.

Os dois estão do lado dos rebeldes, mas também há relatos de espanhóis apoiando o governo ucraniano, de acordo com um artigo no jornal ucraniano Kyiv Post.

Sérvia

Acredita-se que dezenas de sérvios estejam lutando com os rebeldes na Ucrânia, muitos deles levados pelo senso étnico e nacionalista de solidariedade com a região de cristãos ortodoxos russos – e também pela posição contrária à Otan, que tem o governo ucraniano como aliado.

Ainda assim, o especialista em segurança de Belgrado, Zoran Dragisic, disse a uma televisão alemã que os combatentes sérvios estariam lutando primeiramente como mercenários e podem ser encontrados dos dois lados do conflito.

“Os jovens são ‘doutrinados’ para a guerra, alguns são praticamente crianças”, disse Dragisic.

Enquanto isso, o governo sérvio tenta afastar seus cidadãos do conflito com uma lei que pune a participação deles em guerras estrangeiras.

Suécia

Sueco luta com o governo ucraniano / Crédito: Mikael Skillt

Ao lado do governo ucraniano, sueco diz que está lutando pela ‘sobrevivência dos brancos’

Em uma entrevista à correspondente da BBC Dina Newman, um franco-atirador sueco com visões de extrema-direita, Mikael Skillt, disse que estava lutando pelo governo ucraniano porque ele acredita na “sobrevivência dos brancos”. Como o francês Gaston Besson, ele é um membro do batalhão de Azov.

“Seria idiota se eu dissesse que eu não quero ver a sobrevivência dos brancos”, disse ele. “Depois da Segunda Guerra, os vencedores dela escreveram sua história. Eles decidiram que é sempre algo ruim dizer ‘sou branco e tenho orgulho disso’.”

Polônia

Já houve relatos recentes de que poloneses estariam participando do conflito na Ucrânia, mas o governo em Varsóvia rapidamente negou que seus cidadãos estariam lutando como ‘mercenários’ junto com o governo ucraniano. As autoridades polonesas ainda deram o aviso de que qualquer polonês que fosse à Ucrânia para lutar poderia ser preso na volta, de acordo com a agência alemã Deutsche Welle.

Mas, por enquanto, segundo a mídia alternativa ucraniana Euromaidan Press, já há registro de um cidadão polonês nascido na Ucrânia morto em uma emboscada dos rebeldes no início de agosto, enquanto servia o batalhão de Dnipro como voluntário – Leonid Smolinski era o nome dele.

Pelo menos um polonês também já foi visto do lado dos rebeldes. Em um discurso em Donetsk, transmitido pelo site polonês radical xportal, Bartosz Becker se descreveu como um representante dos “poloneses livres que são contra as bases terroristas da Otan na Polônia”.

Alemanha

A alemã Margarita Zeidler é uma antiga enfermeira que se mudou para a Ucrânia em 2002 por razões religiosas depois de ter se convertido para a Igreja Russa Ortodoxa, de acordo com uma entrevista dela para um jornal russo.

Decepcionada pelos acontecimentos em Kiev durante a revolução de Maidan durante o inverno, ela se mudou primeiro para a Crimeia, depois para a região de Donetsk – depois que um de seus amigos foi morto lá em maio, ela conta. Ela se tornou uma “fonte de informação oficial” dos rebeldes em Sloviansk quando as forças do governo cercaram a região.

Atualmente, ela se diz jornalista e conta que mantém sempre uma metralhadora “ao seu alcance” por segurança. Falando russo em um vídeo do Youtube de 11 de agosto, Margarita diz que não poderia ficar sentada assistindo a “fascistas ucranianos matarem civis”.

Estados Unidos

Apesar de os rebeldes afirmarem o contrário, há pouca evidência do envolvimento de voluntários americanos no conflito da Ucrânia. A exceção foi o americano-ucraniano chamado Mark Gregory Paslawsky, que já tinha cidadania ucraniana.

Paslawsky foi morto lutando do lado do governo ucraniano na cidade de Ilovaisk. Em uma entrevista para a Vice News, ele tinha dito que queria ajudar a acabar com a corrupção na Ucrânia e afirmou: “a elite política precisa ser destruída aqui”.

Embora não haja evidência concreta, a mídia russa sugere que haja cidadãos americanos lutando com os rebeldes.

Itália

Francesco F, de 53 anos, juntou-se ao batalhão de Azov para “combater o bom combate contra a Rússia”, segundo um artigo publicado pelo jornal italiano Panorama, em junho.

Ele já fazia negócios na Ucrânia dois anos antes de o conflito violento começar e disse que “encontrou sua casa com os nacionalistas ucranianos” nas barricadas de Maidan. Ainda segundo o jornal, Francesco também tem um passado na extrema direita na Itália.

Outros países

Há registros de cidadãos de outras nacionalidades que também estão envolvidos no conflito, mas em números menores. Geógia, Bielorrússia, Estônia, Letônia, Lituânia, Finlândia, Noruega, Canadá, Croácia, Eslovênia e República Tcheca teriam voluntários envolvidos no lado do governo ucraniano.

O líder rebelde Alexander Zakharchenko disse, no último dia 17 de agosto, que os voluntários estrangeiros do lado deles incluíam também turcos e romenos.

Fonte: BBC Brasil