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OTAN: Em busca de uma missão

O pessoal da OTAN dispõe de dois computadores para realizar seu trabalho. Um deles é convencional, para gerenciar o que a maior organização político-militar do mundo chama de informação não-classificada. Um aviso colado a esses aparelhos adverte que o seu conteúdo não é protegido pelo sigilo da OTAN. O outro computador é mais delicado: sem conexão à Internet, possui uma rede própria, na qual circula informação secreta das operações da organização. A dupla ferramenta de trabalho é apenas uma das muitas peculiaridades da sede da OTAN em Bruxelas, um edifício concebido em 1967 como sede provisória e que só agora, em 2016, será substituído por uma nova sede. A mudança de quartel-general não é a única que a organização terá de enfrentar nos próximos meses. O fim da missão no Afeganistão, a maior já feita pela OTAN, a volta da Rússia como adversário e novas ameaças como o jihadismo obrigam a redefinir o papel desta organização para o século XXI.

A segurança é a marca registrada do gigantesco complexo da OTAN, com regras próximas da ficção: as reuniões de altos dirigentes políticos e militares da organização são realizadas em um piso nobre do edifício, em salas sem luz natural nem celulares (nem mesmo desligados) para preservar a máxima confidencialidade das negociações. E no fim do dia, ninguém pode deixar papéis sobre a mesa; devem ser guardados a chave. Mas, além de manter o sigilo, a organização deve formular novos métodos para vencer nos novos conflitos, distantes das guerras clássicas para as quais a OTAN tinha se preparado.

Um desses desafios que a organização hesita em aceitar é a convulsão no Oriente Médio, onde o jihadismo se apresenta como a maior ameaça tanto para a região, como para o Ocidente. Os chefes de Estado ou de Governo dos 28 países aliados deverão tratar dos problemas do Iraque, da Síria e da Líbia em um jantar no dia 4 de setembro, o primeiro dia da cúpula que a OTAN realiza em Cardiff (País de Gales). Nessa reunião, o presidente Barack Obama pretende pedir apoio – político e, talvez, prático – aos bombardeios no Iraque, um vespeiro no qual a OTAN hesita intervir, segundo fontes diplomáticas.

Os aliados darão a Obama ese respaldo político, embora seja pouco provável que, além de colaboração de algum parceiros, a OTAN se envolva militarmente. A intervenção na Líbia em 2011 – país agora mergulhado no caos – deixou pouca vontade de voltar a aproximar-se da região, uma atitude evidente desde o início da guerra na Síria, onde a organização se recusou a se envolver.

Interessará mais aos aliados falar do confronto com a Rússia. Embora essa crise represente um retorno às origens da organização, fundada em 1949 para proteger o Ocidente do bloco comunista, a briga pela Ucrânia também força a renovar as estratégias. “Não haverá guerras clássicas com colunas de tanques que vão de uma cidade a outra. São guerras híbridas, que incluem ataques cibernéticos, grupos insurgentes com estrutura militar, mas que não são exércitos … Na Ucrânia fica evidente que há uma guerra de propaganda”, afirma uma fonte aliada. Os recursos orçamentários para enfrentar todos esses desafios, que a organização abordará na próxima semana em Cardiff, estão minguando, uma carência que também está presente nas discussões.

Depois de muitos anos centrada em missões além das suas fronteiras (Kosovo, Afeganistão, Líbia …), a briga com a Rússia reavivou um órgão cuja função gera dúvidas depois do fim da Guerra Fria. Mas seus membros estão cientes de que Moscou não é a única – nem provavelmente a maior – ameaça mais à segurança global. “Hoje temos um ambiente de ameaças múltiplas. É ilusório pensar que a solução de um problema resolverá os outros. Temos de equilibrar nossos esforços, desenvolver a solidariedade entre os membros. No passado, os europeus costumavam olhar para os Estados Unidos para ver que passos estavam dando. Mas a crise na Ucrânia foi um sinal de alerta para a Europa. Precisamos desenvolver um maior sentido de dissuasão, não tanto o chamado soft power exercido até agora”, explica Jamie Shea, um dos assessores do Secretário-Geral da OTAN para os desafios de segurança.

A relevância da Ucrânia na cúpula de 4 e 5 de setembro reflete-se no convidado especial dos chefes de Estado e de Governo: o presidente ucraniano, Petro Poroshenko. Os líderes oferecerão a ele maior cooperação financeira e assessoria militar sem violar o compromisso de não fornecer armas a esse país.

Essa aproximação de Kiev é acompanhada de um afastamento de Moscou. Uma dos principais assuntos que os mandatários aliados terão de decidir será a relação que querem ter a partir de agora com a Rússia. Após a queda do Muro de Berlim, a OTAN desenvolveu uma política de aproximação com Moscou, que em 1997 se tornou um parceiro essencial da organização, com estatuto especial. A frustração de quem viu todo esse trabalho evaporar com a crise ucraniana é evidente. “Trabalhamos arduamente para atraí-los para a nossa visão de mundo e tínhamos avançado tanto… agora tudo foi por água abaixo. Tínhamos uma relação única com a Rússia que nunca mais recuperaremos”, lamenta uma fonte da OTAN envolvida na cooperação com Moscou.

Embora seja muito improvável que os Estados aliados decidam em Cardiff suspender o conselho bilateral que mantêm com a Rússia, a organização admite que, hoje, esse diálogo é inexistente. “Hoje em dia diz-se que todas as decisões já estão tomadas, exceto as relativas à Rússia, o que indica que é o tema mais quente da cúpula. Será preciso encontrar um equilíbrio para condenar duramente a atitude da Rússia, sem romper as relações institucionais “, sugere Claudia Major, pesquisadora do Instituto Alemão de Assuntos Internacionais e de Segurança (SWP, na sigla em alemão).

O vai prosperar é o reforço da presença da OTAN no leste europeu, uma ideia polêmica porque tange os acordos assinados com a Rússia em 1997, que excluíam bases permanentes nos antigos países comunistas. Para aumentar o peso sem violar esses compromissos, o secretário-geral da OTAN, Anders Fogh Rasmussen, sugeriu esta semana a vários jornais, incluindo o EL PAÍS, o estabelecimento de tropas semipermanentes – ou seja, mobilizações rotativas para realizar manobras – que deem maior segurança ao flanco oriental. Alguns dos países que sofreram a dominação de Moscou agora sentem sua ameaça, depois do apoio dado pelo presidente russo, Vladimir Putin à rebelião nas regiões de língua russa da Ucrânia.

Com todos esses desafios na mesa, os dirigentes da Aliança Atlântica estão conscientes de que, para manter a credibilidade da organização, é preciso investir em defesa. A maioria dos membros da OTAN nunca cumpriu o compromisso de destinar 2% do Produto Interno Bruto (PIB) para os gastos militares, uma meta ainda mais distante com a crise econômica. Apenas os Estados Unidos, que duplica a meta, o Reino Unido, a Grécia e a Estônia superam o nível. A cúpula tentará estabelecer metas e ligá-los ao crescimento econômico em cada país, embora seja difícil para os países assumirem compromissos rigorosos em tempos de austeridade. Além do volume de investimento, os especialistas da Aliança pedem qualidade nos gastos: que pelo menos 20% sejam destinados a equipamentos e tecnologia, em vez de salários e pensões. Só França, Estados Unidos, Reino Unido e Turquia superam essa meta.

“A OTAN é como seguro de vida: tomara que nunca precise usar, mas é preciso ter. Seu sentido é a dissuasão. O problema é que perdeu muita credibilidade com a redução dos investimentos militares. Essa discussão é fundamental. E se não chegarem a um acordo sobre os 2% de investimento, deveriam pelo menos concordar em não ficar abaixo de 1%”, sugere Borja Lasheras, do European Council on Foreign Relations [Conselho Europeu de Relações Exteriores], um think tank europeu. Ian Anthony, diretor do Instituto de estudos para a paz SIPRI, com sede em Estocolmo, é ainda mais cético: “Esse objetivo foi definido muitas vezes e nunca foi cumprido. Na prática, seria mais crível decidir, pelo menos, não cortar ainda mais o orçamento de defesa”.

Os dados são inequívocos. Embora os Estados Unidos sozinhos tenham menos riqueza do que os outros 27 membros da Aliança juntos, seu gasto em defesa representa 73% do total. E do investimento desses 27 estados, metade vem de apenas três países: França, Alemanha e Reino Unido. Washington acredita que chegou a hora de acabar com essa supremacia norte-americana e pressiona fortemente para que outros Estados assumam sua responsabilidade.

O elemento que marcará mais claramente uma nova era na OTAN será o fim da missão no Afeganistão, que termina em dezembro deste ano, sem que esteja claro o contingente da Aliança que permanecerá no país para garantir uma transição suave para um novo comando militar, inteiramente afegão. A intenção é manter uma missão de dois anos, mas tudo deve ser acordado com os novos governantes do Afeganistão, a serem definidos nas eleições presidenciais de junho último.

A grande operação de combate no Afeganistão, um contingente de 44 mil soldados enviados por 48 países, será o principal legado de Rasmussen, que dirige a organização desde 2009 e passará o cargo para o norueguês Jens Stoltenberg, em outubro. Com o encontro de Cardiff, sua última cúpula, Rasmussen encerrará um ciclo que começou com um discurso de aproximação a Putin e termina com palavras pesadas contra um dirigente que, em sua opinião, “deixou de considerar a OTAN como um aliado”.

Fonte: El Pais

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“Hoje o terrorismo virou um negócio”, diz veterano de divisão antiterrorista russa

Serguêi Gontcharov

Na véspera do 10 º aniversário do ataque terrorista em Beslan, que causou a morte de mais de 300 pessoas, a Gazeta Russa entrevistou o presidente da Associação de Veteranos da Subdivisão Alpha, Serguêi Gontcharov. A Alpha é uma subdivisão do Serviço de Segurança Federal russo, cuja missão é impedir atos de terrorismo, fazer o resgate de reféns e participar de outras operações de grande complexidade. Junto com a subdivisão Vímpel, a Alpha é considerada um dos departamentos de missões especiais mais experientes e eficientes do mundo.

Houve progressos significativos nos serviços de segurança russos na luta contra o terrorismo após a captura dos reféns em Beslan?

Não posso dizer que após Beslan  todos os procedimentos de combate ao terrorismo na Rússia melhoraram. Ainda há atos terroristas, e no Cáucaso do Norte permanece a mesma luta de forças especiais contra grupos criminosos. Porque ela não está em destaque? Porque agora todas as manchetes são dedicadas aos acontecimentos na Ucrânia.

Há aspectos positivos. Lembre-se que, quando ganhamos as Olimpíadas de Sôtchi, o problema principal apresentado por nossos adversários e inimigos políticos era a proximidade de Sôtchi ao Cáucaso, eles duvidavam que a Rússia fosse capaz de realizar os Jogos Olímpicos com segurança. Nossas subdivisões antiterroristas envolvidas na segurança dos Jogos Olímpicos apresentaram a maior eficiência e provaram que podemos realizar esse tipo de evento. Esse fato me convenceu de que hoje em dia temos forças e meios suficientes para poder combater o terrorismo no território da Rússia.

Quais unidades agora estão envolvidas nesse trabalho?

Na Rússia há um Centro de Operações Especiais que inclui três subdivisões.  A primeira é a Alpha, a segunda é a Vímpel e o departamento de operações especiais é o terceiro. Esse centro é a principal estrutura que opera na área de combate contra o terrorismo. Além disso, a Rússia tem forças especiais com missões específicas, por exemplo, as subdivisões de combate  ao terrorismo no Ártico e nas montanhas.

Quais medidas ajudaram a melhorar a luta contra o terrorismo na Rússia ao longo dos últimos dez anos?

O aumento do trabalho do serviço de inteligência ajudou muito. O terrorismo não pode ser combatido apenas com a força ou com ações militares. A eficácia na luta contra os terroristas se explica principalmente pelos trabalhos de alto nível de inteligência. Francamente, eu não acho que tenhamos chegado a um nível de alto profissionalismo ou que temos bom resultado no trabalho dos serviços de inteligência no Cáucaso do Norte. Todos sabem das particularidades da região e trabalhar lá é muito difícil.

Ajudou também o fortalecimento das subdivisões que eu já mencionei. O Centro de Operações Especiais foi reforçado não só por profissionais competentes, como também tecnicamente, e o mais importante é que em quase todas as regiões do país foram criadas agências do centro.

Como você avalia os acontecimentos atuais na Ucrânia? 

Se o presidente [deposto Víktor Ianukovitch] tivesse tomado medidas mais firmes com relação ao grupo Maidan, não haveria revolução e ele poderia permanecer no poder. Mas como ele queria comer peixe e não engasgar com a espinha, ele quis obter garantias para sua segurança sem ser um ditador. Como resultado, ele recebeu aquilo que aconteceu. Nesse sentido, creio que durante a repressão de manifestantes na praça Bolotnaya, em Moscou, a nossa polícia agiu dentro de certos limites. As medidas foram adequadas e atuais.

De que forma os acontecimentos na Ucrânia afetarão as forças especiais russas?

Em todo o mundo estão ocorrendo guerras locais que envolvem forças especiais, portanto atualmente todos os países, inclusive a Rússia, têm por objetivo principal seu desenvolvimento. Assim fazem os americanos, os russos, os ingleses e os franceses. Portanto, as forças especiais, enfraquecidas por Serdyukov [Anatóli Serdiukov, ministro da Defesa], serão renovadas. E no futuro teremos forças especiais de nível igual às dos americanos. Essas forças também estarão envolvidas na luta contra o terrorismo.

Como o senhor avalia a luta contra o extremismo na Rússia?

Quando se trata do trabalho operacional do Ministério do Interior e do FSB (Serviço Federal de Segurança), ela funciona muito bem, com especial sucesso na prevenção. Se um cidadão preocupa os serviços de inteligência com seus apelos a uma mudança de governo e à queda da ordem constitucional, ele enfrenta conversas preventivas, ou, no mínimo recebe advertências. Não podemos fechar o enorme nicho da internet ou bloquear todos equipamentos técnicos que temos no mundo. Não só nós, mas ninguém conseguiu fazê-lo. Precisamos fazer de forma diferente, como na China: proibir tudo e então aí teremos algum resultado. Mas não estamos preparados para isso.

É preciso controlar a Internet?

Na internet você pode encontrar tudo: como fazer uma bomba, como se preparar para ser um atirador de elite. Tudo isso está na internet. Portanto, todos esses sites devem ser proibidos.

Por que isso não foi feito antes?

Parece-me que antes não estávamos tecnicamente preparados para isso. E é um passo na direção certa.

Por que o terrorismo ainda não foi derrotado?

O maior problema de hoje é que o terrorismo se tornou um negócio. Não é apenas um crime, é um negócio que movimenta bilhões de dólares. As pessoas começaram a fabricar terroristas. Se antes eles eram movidos por ideias, agora eles são movidos por dinheiro. Tome o caso da Síria, por exemplo. De um lado, cerca de 500 militantes do norte do Cáucaso estão lutando lá para ganhar dinheiro. Outros combatentes estão lutando de outro lado, também por dinheiro e não por ideias. Existe apenas um alinhamento financeiro claro.

Fonte: Gazeta Russa

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Rússia: Substituição de importações pode atrasar rearmamento das tropas

A implementação do programa de substituição de importações no setor industrial militar pode atrasar os contratos do Estado e as entregas de novas armas e equipamento militar para as tropas, que começariam em 2016. A informação foi divulgada pelo vice-chefe da comissão de indústria militar do governo, Oleg Botchkariov.

“A implementação do programa de substituição de importações vai levar tempo e terá efeito sobre as ordens de Defesa do Estado para 2016 e 2017”, disse Botchkariov.

Segundo ele, não haverá atrasos para a maioria dos modelos do aparato militar, mas alguns deles podem requerer trabalho adicional de dois ou três anos. “Não há decisões concretas até agora. Isso ficará claro daqui cerca de um ano, em meados de 2015. Nada foi adiado até então”, acrescentou.

 Publicado originalmente pela agência Itar-Tass 

Fonte: Gazeta Russa

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Conflitos Geopolítica

Putin: Poroshenko e eu chegamos a acordo sobre resolução pacífica do conflito na Ucrânia

Foto: REUTERS

Vladimir Putin e Piotr Poroshenko acordaram em que a situação na Ucrânia seria resolvida por via pacífica e negociada e que erros como tomada do poder pela força nunca mais se repetiriam, revelou o presidente russo ao programa “Voskresnoye vremya” (“Hora Dominical”) do Pervy Canal da televisão russa.

“Penso que é uma lição muito boa para todos nós, para que esta tragédia seja terminada quanto antes, por via pacífica e negociada, e foi isto, aliás, o que acordamos, o presidente da Ucrânia e eu, tal como acordamos em que ninguém e nunca mais repetiria erros como o que foi cometido na Ucrânia quando da tomada do poder pela força das armas. Pois é esta a causa do que atualmente ocorre ali”, acentuou Putin.

Fonte: Voz da Rússia

Putin: Conflito na Ucrânia é resultado de evolução política

Os eventos atuais em Donetsk e Lugansk são o resultado de um desenrolar dramático da situação política dentro da Ucrânia, disse o presidente da Federação da Rússia, Vladimir Putin.

De acordo com Putin, a grave situação que se produz no país vizinho foi discutida durante a sua reunião com o presidente da Ucrânia, Piotr Poroshenko, em Minsk.

“Nós conversamos também sobre a grave situação em Donetsk e Lugansk, claro que nós falamos sobre isso. Naturalmente, nós, na Rússia, procuramos que o derramamento de sangue seja parado e que seja parado o mais rápido possível”, afirmou o chefe de Estado russo em entrevista ao programa Voskresnoye vremya (Hora Dominical) do canal de TV russo Pervy.

“Tudo o que está acontecendo agora, eu acho, é uma reação absolutamente natural das pessoas que lá vivem e estão lutando por seus direitos. Não foram eles os primeiros a pegar em armas, veja só. É o resultado de um desenvolvimento dramático da situação política, o que ali está acontecendo agora”, enfatizou o líder russo.

Fonte: Voz da Rússia

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Novo submarino vai entrar em serviço de Marinha iraniana

Screenshot:  YouTube

Um novo submarino iraniano do projeto Fateh (Vencedor) será colocado em operação em novembro, disse à agência de notícias ISNA o comandante das Forças Navais da República Islâmica, almirante Habibullah Sayar.

“O novo submarino, agora em fase de preparativos para ser lançado, não só aumentará substancialmente o poderio da Marinha iraniana, mas será também mais uma prova de grande experiência e realizações dos construtores navais iranianos”, destacou ele.

O submarino do projeto Fateh, de 600 toneladas de deslocamento, é capaz de mergulhar a profundidades de até 200 metros. O comprimento do navio é de 40 metros, enquanto a sua autonomia chega a 6 semanas. O submarino foi projetado e construído exclusivamente pelos especialistas iranianos.

Fonte: Voz da Rússia

 

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China poderá desenvolver submarino supersônico

O material publicado pelo South China Morning Post sobre as pesquisas na área da supercavitação que estão sendo realizadas pelo Instituto Politécnico de Harbin provocou um grande interesse da mídia internacional. Uma especial atenção foi suscitada pela afirmação dos pesquisadores chineses sobre a possibilidade de criação de submarinos supersônicos, ou seja, potencialmente capazes de atingir a velocidade do som em posição submersa.

A continuação dos trabalhos sobre supercavitação significa que a China, ao que tudo indica, continua investindo meios consideráveis na criação de um sistema de armas usando tecnologias desenvolvidas com os torpedos soviéticos Shkval.

As últimas informações podem criar a ideia que os pesquisadores chineses continuam trabalhando em mais um projeto exótico fantástico que não permitirá obter resultados práticos em um futuro previsível. Os objetivos desse projeto são, contudo, bastante práticos.

O princípio da exclusão total do contato com a água, usado em navios sobre almofadas de ar, também pode ser usado debaixo de água. O movimento dentro de água, a uma velocidade superior a 180 quilômetros por hora, provoca a criação de uma bolha de cavitação, que protege totalmente o corpo em movimento do seu contato com a água e reduz a resistência da água. Esse fenômeno obteve a designação de supercavitação.

Ainda nos anos de 1990 a China adquiriu ao Cazaquistão 40 mísseis soviéticos subaquáticos VA-111 Shkval, que usavam o princípio da supercavitação e capazes de atingir debaixo de água velocidades de 200 nós (cerca de 370 km/h). Simultaneamente decorriam negociações também com a parte russa para a compra das respectivas tecnologias. Foram desenvolvidos trabalhos para a criação de um análogo chinês do Shkval.

Os materiais anteriormente publicados na Internet chinesa demonstram que a China conseguiu criar antes de 2006 o seu próprio análogo do foguete subaquático Shkval e que possuía características aprimoradas por comparação com seu original soviético. As características do sistema chinês, que passou em todos os testes, foram reconhecidas como satisfatórias e seus criadores foram condecorados.

Entretanto, neste momento não existem informações acerca da sua produção em série e utilização. Isso não é de admirar. Apesar das suas características únicas, o Shkval tinha um nicho tático de utilização bastante estreito. O torpedo-foguete subaquático, possuindo uma enorme velocidade, era extremamente ruidoso e não podia ser equipado com um sistema de pontaria. Ele era disparado em linha reta e tinha um alcance limitado. Na marinha soviética ele era apenas equipado com uma ogiva nuclear e era, na prática, uma “arma de último recurso” em submarinos nucleares, que só poderia ser usada numa Terceira Guerra Mundial.

A marinha russa retirou este sistema do seu efetivo. Ele também dificilmente corresponde às necessidades da marinha chinesa, tanto mais que a China possui um arsenal nuclear limitado e não está instalando armas nucleares. Outro país que desenvolveu um análogo aproximado do Shkval é o Irã, o qual, segundo tudo indica, poderá usar essa arma para bloquear o estrito de Ormuz.

A continuação dos trabalhos na área da supercavitação mostra que a China provavelmente continua investindo consideravelment e na criação de um sistema de armas que recorra às tecnologias desenvolvidas com o Shkval. Pelos vistos os chineses esperam que seu foguete subaquático possa superar as insuficiências relacionadas com seu alcance limitado e ausência de sistema de pontaria. Algumas tentativas de evolução nesse sentido também foram realizadas nos últimos anos de existência da URSS.

A solução desses complexos problemas de engenharia pode resultar no aparecimento na marinha chinesa, além dos mísseis balísticos anti-superfície já conhecidos, de mais um tipo de arma que altera completamente as regras do jogo da guerra naval.

Entretanto, tendo adquirido tecnologia soviética de ponta para a época e continuando seu desenvolvimento, a China provavelmente já estará em posições de liderança mundial nessa área. As investigações da supercavitação também eram desenvolvidas pela agência norte-americana de estudos perspetivos DARPA. Além disso, também a Alemanha esteve desenvolvendo seu torpedo supercavitante Barracuda.

 

Fonte: Voz da Rússia

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Rebeldes sírios atacam soldados da ONU nas Colinas de Golã

Após capacetes azuis terem sido feitos prisioneiros no lado sírio das Colinas de Golã, soldados da tropa de observação da ONU foram atacados por rebeldes sírios. Negociação continua para libertação de homens capturados.

Após a captura de 44 soldados da ONU nas Colinas de Golã, capacetes azuis das Filipinas travaram combates com rebeldes sírios. O ministro da Defesa filipino, Voltaire Gazminin, declarou neste sábado (30/08) em Manila que um posto das Nações Unidas foi atacado e que houve lutas. Outro posto pôde ser esvaziado, disse o ministro.

Para defender dois postos sitiados na zona controlada pela ONU entre Israel e Síria, mais de 70 capacetes azuis filipinos, fortemente armados, enfrentaram rebeldes sírios nesta sexta-feira. Acredita-se que os rebeldes pertencem à Frente al-Nusra, ligada à Al Qaeda.

Os dois postos nas Colinas de Golã foram cercados após os soldados filipinos terem se recusado a entregar suas armas. De acordo com as Forças Armadas das Filipinas, os rebeldes da Al-Nusra se dirigiram aos dois campos filipinos, propondo trocar por armas os soldados da ONU feitos como reféns.

Negociações prosseguem

Na última quinta-feira, 44 capacetes azuis das Ilhas Fiji foram feitos prisioneiros no lado sírio das Colinas de Golã. Os soldados pertencem à Força das Nações Unidas de Observação da Separação (Undof, na sigla em inglês), que controla a trégua estabelecida em 1974 entre a Síria e Israel.

Israel ocupou as Colinas de Golã em 1967, anexando-as em 1981, fato que não é reconhecido internacionalmente. Uma parte das colinas continuou sob controle sírio.

De acordo com informações das Nações Unidas, os soldados estão bem e as negociações para a sua libertação prosseguem. Pertencem à missão Undof por volta de 1.220 soldados provenientes de seis países – Índia, Irlanda, Nepal, Holanda, Filipinas e Ilhas Fiji.

Depois de, no ano passado, soldados filipinos já terem sido sequestrados e, posteriormente, libertados pelos rebeldes, as Filipinas cogitaram um fim de sua participação na Undof. Apenas há poucos dias, foi decidido que a participação filipina não será prorrogada após a volta dos soldados em outubro. Agora, Manila cogita retirar mais cedo os seus soldados da missão da ONU.

CA/dpa/afp

Fonte: DW.DE

O que são as Colinas de Golã?

Região é ocupada por Israel desde a Guerra dos Seis Dias, em 1967, mas comunidade internacional rejeita ocupação e reconhece o território como pertencente à Síria.

As Colinas de Golã são uma faixa de terra pouco povoada e montanhosa no sudoeste da Síria, controlada em sua quase totalidade por Israel desde a Guerra dos Seis dias, em 1967.

O governo israelense afirma manter o controle sobre o território, internacionalmente reconhecido como sendo sírio, por motivos estratégicos militares. No passado, os sírios usaram as colinas como base militar para bombardear comunidades no Estado judeu.

Após a ocupação, os israelenses expulsaram a maioria dos residentes árabes, mas permitiram que os drusos continuassem no local, além de oferecer a eles a cidadania do país. Mas poucos a requereram.

O Conselho de Segurança da ONU exigiu a retirada de Israel das Colinas de Golã ainda em novembro de 1967. Mas a resolução não foi implementada. Durante a Guerra do Yom Kippur, em 1973, a Síria reconquistou parcialmente o território, mas o perdeu novamente ao longo do conflito.

Um ano mais tarde, os dois países assinaram um armistício, cujo cumprimento é monitorado por forças de paz das Nações Unidas. Cerca de 1.250 soldados da Índia, das Filipinas, das Irlanda, da Holanda, do Nepal e de Fiji estão estacionados nas Colinas de Golã. Eles também controlam a chamada zona tampão, região criada para separar a parte das colinas anexada por Israel e restante do território sírio.

As Forças das Nações Unidas de Observação da Separação (Undof), como são chamadas, são uma das mais longas missões em atividade das Nações Unidas. A faixa de terra onde elas operam é considerada um caso particularmente frágil.

Além disso, no lado sírio das Colinas de Golã, há confrontos frequentes entre as forças do presidente Bashar al-Assad e grupos rebeldes desde o início da guerra civil no país, em 2011. Em 2013, insurgentes sírios já haviam sequestrado soldados filipinos da Undof, mas eles foram libertados após alguns dias.

Fonte: DW.DE

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Vídeo: Japão 2035 caças de 5ª geração F3A e F3E

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