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Geopolítica Opinião

Atualizado/Vídeo: China coloniza oceano construindo ilhas

A China entrou na briga por terras no Mar Meridional Sul ao lado das Filipinas, do Vietnã e de Taiwan, que também reivindicam fatias na região. Mas a estratégia chinesa vai mais longe.

O governo do país começou a construir ilhas artificiais no oceano para poder plantar o seu poder por ali. E, diante do poderio militar naval dos chineses, isso poderia representar inclusive uma ameaça ao domínio militar americano no Pacífico.

O repórter da BBC, Rupert Wingfield-Hayes, foi enviado ao Mar Meridional para investigar a situação e relata o que encontrou por lá:

O barco vai se movendo lentamente de cima a baixo, de um lado ao outro. O ruído do motor estremece a superfície e tortura a minha cabeça. Com a camisa molhada de suor e grudando no peito, dormir se torna simplesmente impossível.

Levamos mais de 40 horas navegando pelo Mar Meridional da China. Na maior parte do tempo, na velocidade de alguém andando a pé. “Quem pode querer ser pescador?”, me perguntava em voz alta.

E de repente me chama a atenção uma espécie de plataforma no horizonte. Parece uma plataforma de extrair petróleo. Mas o que isso está fazendo aqui? Seguimos nos aproximando e já é possível ver algo que parecia terra. Olho para o GPS e ele não mostra nada, nenhuma ilha ou pedaço de continente por perto.

Mas sei que meus olhos não estão me enganando. É uma ilha, algo que não estava ali algumas semanas atrás. Tentamos nos aproximar mais, mas o início de uma tempestade nos obriga a voltar para o rumo anterior.

Consigo avistar outra ilha. Essa, sim, eu já esperava encontrar. Cheguei a ver fotos aéreas dela, registradas pelas Forças Armadas das Filipinas.

Elas mostram o trabalho que a China está fazendo no local desde janeiro, plantando ilhas artificiais para exigir a posse de terras na região.

Vejo caminhões, guindastes, grandes tubos de aço e uma equipe inteira trabalhando na construção. Há milhões de toneladas de rocha e terra dragadas do fundo do mar e empilhadas sobre bancos de corais para formar novas terras.

Sobre um bloco de concreto, um soldado nos observa com seus binóculos.

Novas ilhas

O surgimento de novas ilhas faz parte de uma mudança dramática de estratégia nesta disputa territorial que existe há muito tempo na região entre China, Filipinas, Malásia, Taiwan e Vietnã.

Apenas China e Taiwan reivindicam tudo: não só as Ilhas Spratly, mas também os arrecifes de Scarborough (ou da Democracia) e as ilhas Paracelso. As Filipinas e o Vietnã também reivindicam grandes áreas, incluindo grande parte das Ilhas Spratly.

Até o começo deste ano, a presença chinesa nas Ilhas Spratly se limitava a um punhado de concreto sobre ilhas de corais.

Agora, já estão construindo ilhas sobre cinco arrecifes.

Na verdade, em um deles parece estar nascendo uma base aérea, com uma extensão grande o suficiente para ser usado como pistas para aviões de combate.

A estratégia é usada para compensar uma grave escassez de chineses na área. Entre os países reivindicando porções do Mar da China Meridional, a China é o único que não tem sob seu controle uma verdadeira ilha.

Os chineses só têm arrecifes. O de Johnson Sur foi tomado por eles em 1988 em uma batalha sangrenta contra o Vietnã, que deixou 70 combatentes vietnamitas mortos. Desde então, qualquer tipo de confronto militar foi evitado.

Durante décadas, a questão parecia esquecida, mas em 2012, o Partido Comunista reclassificou a zona como “de interesse nacional essencial”. Foi o sinal de que o interesse dos chineses na área não tinha morrido.

Agora, Pequim parece ter decidido que é hora de ir adiante com a reivindicação das terras pelas vias de fato: formando uma cadeia de ilhas e o que virtualmente seria uma base aérea sobre o mar.

Filipinas suspeita que a China parece estar se preparando para construir uma base aérea com uma pista de concreto suficiente para caças decolar e pousar.” — Imagem doque ‘supõe’ o governo das Filipunas.

Filipinos: no meio do nada

O Mar Meridional da China é cheio de pontos estranhos com bases militares e colônias civis. É difícil decifrar o que é o quê e quem controla o quê.

O Vietnã tem oito postos permanentes, a Malásia também vários na costa de Bornéu, e a China, até agora, tem sete.

Filipinas tem nove, um é Pagasa, onde vivem 200 pessoas, segundo o governo filipino. Desembarcar ali é um alívio depois de dois dias e duas noites navegando entre óxidos.

Pagasa é uma ilha minúscula de águas cristalinas e areia branca, que está bem distante das Filipinas e do Vietnã, e muito mais distante do resto do mundo.

Ela não tem nem um píer decente.

O ditador Ferdinand Marcos retomou a ilha em 1971, pagando uma quantia simbólica para um empresário excêntrico do país, Tomas Cloma, que a ocupara desde 1956, batizando o local de “Freedomland” (“Terra da Liberdade”). Cloma acabou preso.

Ao tomá-la de volta, a intenção do comandante Marcos era transformá-la em fortaleza militar. Mas hoje, os muros de defesa de concreto reforçado deslizam para o mar e tanques e artilharia aérea enferrujam na maresia. Apenas a pista de pouso ainda tem uso.

Sobraram 30 fuzileiros navais por lá. Quando visitei o seu comandante, às dez horas da manhã, ele estava dormindo. Na parte da tarde, ainda de olhos inchados, ele me recebeu.

“Essa informação é sigilosa”, responde ele, quando pergunto que tipo de armamento ele tem para defender a ilha. Olho ao redor e não consigo ver mais do que alguns rifles.

Eles não poderiam fazer nada se um dia o exército chinês decidisse apagá-los do mapa.

Cerca de 30 famílias vivem no povoado de Pagasa. Segundo o governo filipino, são 200 pessoas no total, mas vi no máximo cem. Eles têm comida e casa de graça, além de uma escola para crianças.

Mary Jo, por exemplo, chegou para montar um negócio de pesca, mas não deu certo. Ela, então, aceitou um emprego de administradora da ilha. Tem planos ambiciosos, mas falta o dinheiro para torná-los realidade.

“Os chineses têm tanto dinheiro”, lamenta. “Nós temos tão pouco…mas é importante que continuemos aqui. Se não, acho que os chineses viriam”.

Para a China, a ação ali é improvável. Porque uma coisa é atacar soldados, como fez em 1988 contra os vietnamitas. Outra bem diferente é atacar mulheres e crianças.

“Barco fantasma”

Barco fantasma

Às 16h, pouco antes de anoitecer em Pagasa, chegamos a Ayungin. De alguma forma, temos que atravessar arrecifes e ondas sem encalhar.

Não muito longe, aparece a silhueta do Sierra Madre, um barco militar fantasma filipino ancorado nos arrecifes. Vindos do sul, dois navios da guarda costeira chinesa a todo vapor, mas é tarde demais, por cima do arrecife, a água é rasa demais para embarcações grandes.

Já tinha visto fotos do Sierra Madre, mas a realidade é ainda mais chocante. De perto, parece ainda pior. Está podre e é preciso ter muito cuidado com onde se pisa. E também é preciso ter cuidado com as mãos: ao subir uma escada, arranquei sem querer um pedaço do corrimão de madeira.

Do alto da embarcação, somos recebidos pela “tripulação” militar filipina.

A cena é absurda e seria cômica, não fosse trágica. Os onze fuzileiros navais, longe de terem um ar de superioridade militar, parecem constrangidos pela forma como vivem.

“É muito difícil para os meus homens”, disse um jovem tenente no comando. “Estamos longe de casa e às vezes temos quase nada para comer, é um peso grande sobre os meus homens.”

Fuzileiros-Sierra Madre

Os fuzileiros navais filipinos de Sierra Madre lutam para se manterem motivados.

Barcos chineses voltam a aparecer no horizonte. Há mais de um ano, eles têm bloqueado qualquer tentativa de levar ajuda e suprimentos para Sierra Madre. Se tivéssemos vindo do sudoeste, eles também teriam nos interceptado.

A Marinha filipina ajuda os fuzileiros navais com suprimentos que são lançados de para-quedas uma vez por mês. Mas na prática, sobrevivem da pesca.

O Sierra Madre, de acordo com o meu GPS, está a 120 milhas náuticas da costa das Filipinas, ou seja, dentro da área de 200 milhas náuticas reivindicada pelos filipinos como “zona econômica exclusiva”.

No entanto, Pequim afirma que o arrrecife submerso, a mais de 800 milhas náuticas da China, é parte do seu território.

Poder chinês

Guarda Costeira da China

A China está começando a se utilizar de seu notável poder naval. A velocidade da mudança é enorme. Pequim constrói navios de guerra e submarinos mais rápido do que qualquer outro país, incluindo os Estados Unidos. O segundo porta-aviões do país está praticamente pronto.

Logo, o poder naval chinês cresce em um ritmo surpreendente. Por enquanto, a força naval americana na região permanece maior e mais poderosa, mas a China tem se aproximado bem mais rápido do que qualquer um esperava.

E o que acontece no Mar Meridional da China é uma amostra das intenções de Pequim: dominar o mar e o ar com a “primeira cadeia de ilhas”.

A longo prazo, a China quer ir além das Filipinas e do sul do Japão para a “segunda cadeia de ilhas”: Palau, Guam e Marianas.

Isso seria uma mudança radical no equilíbrio de poder no Pacífico Ocidental.

Nos últimos 70 anos, os americanos não foram contestados por qualquer país na região.

Agora, pela primeira vez, a China tem não só a intenção, mas condições militares para desafiar o domínio militar de Washington.

Ao que tudo indica, os próximos anos não serão de calmaria por estes mares.

BBC Brasil

Fonte: Terra

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Destaques Geopolítica Inteligência Sistemas de Armas

EUA e Reino Unido têm acesso a redes de telecomunicações e provedores alemães a partir da Alemanha

Por meio de um programa chamado de Treasure Map, agências de espionagem dos EUA e Reino Unido acessam as redes de telecomunicações de grandes provedores alemães como Deutsche Telekom e NetCologne.

A revista alemã Der Spiegel afirmou neste sábado (13/09) que os serviços secretos dos EUA e Reino Unido têm acesso a redes de telecomunicações de grandes provedores alemães como da gigante Deutsche Telekom e da companhia regional NetCologne. Outras empresas menores, como Stellar, Cetel e IABG também seriam espionadas.

Até então, acreditava-se que a Agência de Segurança Nacional (NSA) e o serviço de informações britânico GCHQ espionavam as comunicações da Alemanha a partir do exterior. Mas, de acordo com a revista, documentos filtrados pelo ex-técnico da NSA, Edward Snowden, mostram que os serviços secretos também atuam a partir da Alemanha.

O artigo afirma ainda que os analistas americanos e britânicos usam um programa da NSA chamado Treasure Map, que lhes permite visualizar, quase em tempo real, as conexões da rede de routers e, também, de computadores, smartphones e tablets. O objetivo do programa é “tornar visível cada aparato em qualquer lugar e a qualquer hora”, diz a revista.

A publicação confrontou a Deutsche Telekom e a NetCologne com os documentos obtidos, e as empresas afirmam que não encontraram dispositivos ou tráfego de dados suspeitos.

“O acesso dos serviços secretos estrangeiros a nossa rede seria completamente inaceitável”, diz o chefe de segurança da Deutsche Telekom, Thomas Tschersich. “Nós examinaremos todos os indícios de uma possível manipulação. Além disso, alertamos todas as autoridades de segurança alemãs.”

FC/dpa

Fonte: DW.DE

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Artigos Exclusivos do Plano Brasil Defesa Sistemas de Armas Vídeo

Vídeo: Belas imagens do MBT Uralvagonzavod T-90MS

http://www.youtube.com/watch?v=UCDqfH2ZVAA

Saiba mais sobre o MBT Uralvagonzavod T-90MS  acessando este link: MBT Brazil

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Conflitos Geopolítica História

13 de Setembro de 1993: Yitzhak Rabin e Yasser Arafat assinam Acordo de Oslo

Em 13 de setembro de 1993, Yitzhak Rabin, primeiro-ministro de Israel, o líder palestino Yasser Arafat e o presidente dos EUA, Bill Clinton, assinam no pátio da Casa Branca acordo pela paz no Oriente Médio.

Bill Clinton, então presidente dos Estados Unidos, havia conseguido trazer ao jardim da Casa Branca o chefe do governo de Israel, Yitzhak Rabin, seu ministro de Relações Exteriores, Shimon Peres, e o líder da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), Yasser Arafat, para assinarem um documento que sinalizaria o início do fim de décadas de conflitos. Finalmente, estava pronto o Acordo de Oslo, negociado secretamente na Noruega durante vários meses entre representantes israelenses e palestinos.

O mundo foi surpreendido pela notícia do consenso, pois, em Israel, ainda era proibido manter qualquer tipo de contato com a OLP. Diplomatas noruegueses, no entanto, haviam conseguido convencer Shimon Peres da necessidade de negociações.

A hesitação israelense ficou mais evidente nos jardins da Casa Branca, quando Clinton praticamente teve de forçar o premiê de Israel a trocar o tradicional aperto de mão com Arafat. Rabin havia tomado conhecimento das negociações quando elas já estavam numa fase adiantada.

Por isso, reconheceu: “Esta assinatura não é fácil para mim. Nem para mim mesmo, como soldado na guerra de Israel, nem para o povo israelense, ou o povo judeu na diáspora, que agora nos observam num misto de esperança e ceticismo”.

Promessa vã

Israel e palestinos resolveram que a maioria dos territórios ocupados durante a Guerra dos Seis Dias a oeste do Rio Jordão seria devolvido aos palestinos e que estes organizariam uma administração própria. Para os palestinos, era como a proclamação de um Estado próprio.

Como destacou Arafat: “Gostaria de agradecer ao presidente Clinton e sua administração por terem possibilitado este acontecimento histórico esperado por todos. Aproveito para garantir ao grande povo norte-americano que meu povo compartilha os vossos ideais de liberdade, justiça e direitos humanos”.

Tanto em Washington como no Oriente Médio, ainda predominava uma certa euforia, pois havia a crença de que a paz estaria próxima. Engano. Um ano mais tarde, Rabin foi assassinado e seu sucessor, Benjamin Netanyahu, iniciou a desconstrução do processo selado na capital estadunidense em 1993.

Peter Philipp (rw)

 

Fonte: DW.DE

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América Latina Brasil Defesa Destaques Sistemas de Armas

Desfile de 7 de Setembro no RJ mostrou novidades

Os novos fuzis de assalto Imbel IA2, vistos pelo público carioca pela primeira fez, já começam a equipar a Brigada de Infantaria Paraquedista. (Imagem: Ronaldo Olive)

Ronaldo Olive

Embora numa escala menor do que foi apresentado em Brasília, a parada militar de sete de setembro no Rio de Janeiro também mostrou ao público algumas novidades. Em termos de armamento portátil, por exemplo, foi à primeira vez em que o fuzil de assalto nacional Imbel IA2, calibre 5,56x45mm, pode ser visto nas mãos de vários integrantes da Brigada de Infantaria Paraquedista, muito embora a maioria da tropa ainda esteja usando o veterano M964 A1 Para-FAL, calibre 7,62x51mm.

Algumas submetralhadoras Taurus SMT9, calibre 9x19mm, cujo contrato de aquisição pelo Exército Brasileiro foi assinado em 12 de dezembro de 2013, igualmente foram exibidas por pessoal embarcado num caminhão.

Nas mãos de um integrante da Cia Prec Pqdt (Companhia de Precursores Paraquedista), identificado pelo gorro vermelho com a tocha alada, uma submetralhadora Taurus SMT9 sem as miras mecânicas, mas, equipada com mira de ponto vermelho, além de uma empunhadura vertical de apoio com lanterna tática integral. Os acessórios estão acoplados  aos trilhos Picatinny da arma. (Imagem: Ronaldo Olive)

Uma das duas unidades do míssil antiaéreo RBS 70 Mk recentemente entregues à EsACosAAe desfilou sobre uma viatura  4×4 Marruá de ¾ ton. (Imagem: Ronaldo Olive)

Outra novidade observada no desfile realizado na Avenida Presidente Vargas foi um lançador de mísseis RBS 70 Mk 2, fabricado na Suécia pela Saab Bofors Dynamics, montado na traseira de uma viatura Agrale Marruá AM21,  pertencente à EsACosAAe – Escola de Artilharia de Costa e Antiaérea, cuja sede é na Vila Militar, no Rio de Janeiro.

Pouco antes do desfile oficial, a VBC AAe Gepard 1A2 da EsACosAAe. (Imagem: Ronaldo Olive)

Da mesma unidade do EB, desfilou sobre uma prancha rebocada um blindado KMW Gepard 1A2 recentemente entregues para uso na instrução da tropa. Ambos os sistemas fazem parte da modernização dos meios de defesa antiaérea de baixa altura (até 3.000 metros) do EB.

Duas viaturas do Sistema ASTROS CFN 2020, pertencentes ao BtlArtFuzNav, desfilando em público pela primeira vez no Rio de Janeiro. (Imagem: Ronaldo Olive)

Mais uma apresentação inédita foram duas viaturas do Sistema de Lançadores Múltiplos de Foguetes ASTROS CFN 2020, fabricadas no Brasil pela Avibrás, parte do lote inicial de seis unidades entregues em março último ao Batalhão de Artilharia de Fuzileiros Navais, com sede na Ilha do Governador, no Rio.

A encomenda total do CFN é de treze unidades, sendo seis Viaturas Lançadoras, três Remuniciadoras, uma Posto de Comando e Controle,  uma Meteorológica e uma Oficina Veicular e Eletrônica.

Fonte: Tecnologia & Defesa

 

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Desde 11 de Setembro de 2001

Foto: NYC & Company / Marley Branco

Fonte na base de onde estava uma das torres gêmeas antes de ser destruída em 11 de setembro de 2001. Um monumento e um tributo ao passado deste lugar e a todos aqueles  que ali pereceram.

13º ANIVERSÁRIO DO 11/09

Em um primeiro momento, se observarmos a resposta norte-americana ao terrorismo jihadista, e seus planos de segurança desde o 11/09 até agora, poderia parecer que Obama mudou completamente a ideologizada estratégia militarista de seu predecessor. Entretanto, uma olhada mais atenta nos mostrará que, na essência, se mantiveram boa parte dos instrumentos empregados e os mesmos objetivos: evitar que se repita um ataque similar e defender os interesses globais de quem segue se vendo como a nação indispensável. O que felizmente se perdeu no caminho é a carga messiânica que movia Bush, dando lugar para um governante mais pragmático, centrado em preservar a liderança mundial de seu país com um uso mais realista de seus imensos recursos.

Obama, equivocadamente, costuma ser chamado de pacifista, quando não teve nenhuma dúvida em continuar com o legado militarista de Bush (recordemos a insurgência no Iraque), ampliando-o para muitos outros cenários como a Líbia, Somália e Iêmen. Assim, durante seu mandato apostou decididamente pela militarização da CIA, o emprego de drones (aviões não tripulados) para eliminar seus inimigos, o crescente protagonismo das unidades de operações especiais e o apoio de forças locais de parceiros ou aliados mais ou menos apresentáveis. E ainda que esses sejam instrumentos menos visíveis, não são em nenhum caso menos letais que as unidades convencionais que seu antecessor utilizava nos países que representavam alguma ameaça para seus interesses. É, em resumo, outra forma de fazer a guerra, na qual a aversão em utilizar tropas próprias no terreno leva a aproveitar ao máximo as vantagens da tecnologia militar, ao mesmo tempo que fortalece atores locais (com assessoria, instrução e fornecimento de equipamento e armamento) para que assumam a pesada carga do combate terrestre.

A situação chegou nesse ponto após as amargas lições extraídas do Afeganistão e do Iraque, exemplos de decisões equivocadas ao pensar que os soldados norte-americanos seriam recebidos pelas populações locais como heróis libertadores, ao acreditar que a superioridade tecnológica da máquina militar evitaria o desgaste até o limite da própria capacidade em locais que não eram vitais (enquanto a Rússia e a China voltavam-se com força para outros que eram) e ao considerar que a sociedade (e os oponentes políticos) assumiriam sem reclamar as baixas próprias e a desatenção para necessidades internas mais urgentes.

Enquanto isso, como era previsível apesar da eliminação de Osama Bin Laden, o monstro não só segue ali, com a Al Qaeda e suas franquias regionais plenamente operativas, como se diversificou com a ameaça que o Estado Islâmico atualmente representa, os grupos locais inspirados nessas referências em diversos países e até os chamados lobos solitários, que também se sentem parte de uma guerra global urbi et orbi.

Como consequência disso tudo, Obama retornou para suas raízes. Isso significa reformular sua maneira de defender os interesses próprios, entendendo, em primeiro lugar, que os EUA não podem resolver sozinhos todos os problemas de segurança do mundo e que muitos deles não afetam seus interesses vitais. Implica, igualmente, assumir que o terrorismo não pode ser derrotado definitivamente, e muito menos através dos meios militares convencionais. Se na Líbia (2011) foi onde primeiro se aplicou sua ideia do que significa “liderar da retaguarda” – sem utilizar tropas convencionais próprias, mas colaborando com a maior parte do esforço aéreo, a inteligência e até o fornecimento de munição para seus aliados europeus –, agora na Síria/Iraque assistimos sua consolidação.

Em síntese, trata-se de seguir implicado em assuntos globais – não existe nenhuma tentação isolacionista em sua política –, mobilizando parceiros e aliados para compartilhar esforços (somando até 40 companheiros de viagem contra o EI, sem deter-se para solicitá-los o crachá de democrata), colaborando à distância com meios (incluindo material letal) para quem passa a ser bucha de canhão, encarregado de atolar-se em batalhas que, no melhor dos casos, só vão ganhar tempo. Um elemento essencial deste enfoque é voltar a “jogar” com o equilíbrio de poderes, utilizando atores locais na tarefa (por exemplo, o Irã, a Turquia e a Arábia Saudita no caso do EI) que, por estarem muito mais interessados em neutralizar a ameaça jihadista, podem estar mais dispostos a aceitar o apoio norte-americano contra uma causa comum. Em relação a este último fator, a preocupação dos EUA é distribuir seus apoios de maneira que todos os implicados no jogo desejem seguir adiante, procurando que nenhum deles (como aconteceu com Saddam Hussein) chegue ao ponto de adquirir um poder que o tente a criar sua agenda própria contra os interesses de Washington.

Deste modo, é muito improvável que vejamos grandes unidades de combate norte-americanas utilizadas pelo mundo; mas também é improvável que Guantánamo, as violações do direito internacional e o rompimento do Estado de direito em nossas sociedades desapareçam. Enquanto isso, presos em uma visão de curto prazo, continua ficando para amanhã a ativação de mecanismos não militares que ataquem as causas estruturais que alimentam o terrorismo.

Jesús A. Núñez Villaverde: Diretor do Instituto de Estudos sobre Conflitos e Ação Humanitária (IECAH)

Fonte: El País

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Conflitos Economia Geopolítica Negócios e serviços Ucrânia

Novas sanções dos EUA para a Rússia miram a gigante russa Gazprom

Os Estados Unidos deixaram claro nesta sexta-feira que manterão a pressão contra Moscou até que seja consolidado o retorno da estabilidade na Ucrânia ao mirar pela primeira vez a joia da coroa do setor energético russo: a gigante Gazprom, o maior fornecedor energético da Europa. A Administração de Barack Obama sancionou em julho algumas empresas do setor financeiro da Gazprom, mas nesta sexta o fez pela primeira vez contra o conglomerado como conjunto e em particular contra sua filial de exploração petrolífera, a Gazprom Neft.

O Departamento do Tesouro impôs à Gazprom, Gazprom Neft e outras três companhias energéticas – Lukoil, Surgutneftegas e Rosneft – sanções que “proíbem” a exportação de bens, serviços – excluindo financiamento – e tecnologia em “apoio” aos projetos de exploração de petróleo nas águas sob controle russo do oceano Ártico. Os EUA concedem duas semanas – até o dia 26 – para todo cidadão norte-americano encerrar qualquer transação desse tipo.

“Foi elaborado para terminar efetivamente com esse tipo de exploração e produção de petróleo ao privar essas companhias russas dos bens, tecnologia e serviços que necessitam para fazer esse trabalho”, disse um alto funcionário da Administração em uma entrevista por telefone com jornalistas. Ou seja, Washington busca cortar por completo as asas de um dos principais projetos energéticos russos que, além disso, tem profundas implicações geopolíticas em um momento em que o degelo do Ártico abriu uma ampla via de oportunidades energéticas e de transporte.

Na quinta-feira a UE já havia mirado o financiamento do setor petroleiro russo com medidas contra a Gazprom Neft, Rosneft e Transneft. O capital europeu não poderá financiar as empresas controladas pelo menos em 50% pelo Kremlin, que faturem mais de 31 bilhões de euros (93 bilhões de reais) e que obtenham pelo menos a metade desse dinheiro da venda de petróleo. Da mesma forma que a UE, os EUA não atacaram, por enquanto, o setor de gás.

Um dos mais afetados pelas sanções poderá ser o gigante energético norte-americano ExxonMobil, que desde 2011 tem uma parceria de exploração na zona do Ártico de controle russo com a companhia pública Rosneft. A Exxon disse nesta sexta-feira que estava analisando o impacto das novas limitações. Ambas as companhias iniciaram no mês passado as perfurações no mar de Kara, na zona de controle russo do oceano Ártico.

Fonte: El País

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Conflitos Geopolítica Opinião

Ataques aéreos na Síria contra Estado Islâmico (EI) sem consentimento de Damasco nem sanção da ONU – é agressão à Síria

Porta-voz do Ministério do Exterior russo Alexander Lukashevich

“Washington ainda não consegue afastar-se de seus próprios “padrões duplos”, tentando substituir genuínas ações coletivas na luta contra o terrorismo internacional por manobras ambíguas.

Ataques aéreos dos Estados Unidos contra posições de terroristas do Estado Islâmico (EI) na Síria sem o consentimento de Damasco nem sanção do Conselho de Segurança da ONU serão considerados um ato de agressão. Tal declaração foi feita pelo Ministério das Relações Exteriores russo, depois do presidente Barack Obama ter anunciado a sua intenção de bombardear o EI na Síria sem discussão com Damasco.

Os Estados Unidos se permitem ações similares também noutros países, em particular no Paquistão, quando lançam golpes sobre o território de outro país sem o consentimento das autoridades locais. Além disso, nestes ataques frequentemente são mortos civis.

Os Estados Unidos devem coordenar suas ações com o governo da Síria antes de realizar ataques aéreos no território do país, afirmou o ministro sírio de Reconciliação Nacional, Ali Haidar. Há dias, o presidente dos Estados Unidos Barack Obama anunciou que irá começar sem hesitação ações contra o Estado Islâmico na Síria.

“Nós vamos perseguir os terroristas que ameaçam os Estados Unidos, estejam eles onde estiverem”, prometeu Obama num discurso televisionado à nação.

No entanto, Washington não pretende pedir um mandato da ONU para uma operação militar aérea nem falar sobre o assunto com os dirigentes sírios, enfatiza o porta-voz do Ministério do Exterior russo, Alexander Lukashevich:

“Washington ainda não consegue afastar-se de seus próprios “padrões duplos”, tentando substituir genuínas ações coletivas na luta contra o terrorismo internacional por manobras ambíguas. Ajudando, por um lado, o governo do Iraque a resistir aos islamistas, Barack Obama pede novamente ao Congresso dos EUA para alocar 500 milhões de dólares para apoiar a oposição armada síria, não muito diferente na sua maioria dos radicais do Estado Islâmico.

Além disso, o presidente dos Estados Unidos declarou explicitamente a possibilidade de aplicação pelos militares norte-americanos de golpes contra as posições do EI em território da Síria sem o consentimento de seu governo legítimo. Tal passo, na ausência da respectiva decisão do Conselho de Segurança da ONU será um ato de agressão, uma violação flagrante do direito internacional. Há razões para supor que neste caso podem ser atacadas também forças governamentais sírias, levando a graves consequências negativas em termos de uma nova escalada das tensões”.

Durante muito tempo, os Estados Unidos têm se recusado a reconhecer que o Estado Islâmico do Iraque do Levante é uma organização terrorista e têm bloqueado as propostas da Rússia de adicioná-la às respectivas listas da ONU. Só quando os militantes tomaram grande parte do Iraque é que Washington reconheceu o problema, mas apenas no Iraque. Os Estados Unidos se recusaram a reconhecer que os dirigentes sírios estão lutando com militantes da mesma organização no norte do país. A proposta de assistência mútua na luta contra o EI que Damasco fez a Washington em agosto foi rejeitada. Agora os Estados Unidos pretendem atacar do ar as posições de militantes em território da Síria sem pedir opiniões nem de Damasco, nem do Conselho de Segurança da ONU.

Os Estados Unidos já têm experiências semelhantes de violação do direito internacional. Realizando a operação antiterrorista no Afeganistão, comandantes norte-americanos muitas vezes enviavam drones para bombardear o território do vizinho Paquistão. Na sequência, nos ataques aéreos foram mortos centenas de civis paquistaneses que os operadores tomavam erradamente por terroristas. Os protestos oficiais do Paquistão eram ignorados, nota o diretor do Instituto Internacional de Estados Recentes, Alexei Martynov:

“A situação com a Síria lembra não só o Paquistão, onde drones norte-americanos, além de funções de inteligência, ainda bombardeavam o território, mas também muitas outras histórias. Nas últimas décadas, os Estados Unidos têm feito o que querem, desde a Iugoslávia bombardeada até à Líbia recentemente destruída”.

Apesar da declaração de Obama de que seu plano de destruição do EI no Iraque e na Síria é apoiado por uma ampla coalizão, não foi fácil formar essa coalizão sem se guiar pelo direito internacional. A Alemanha, o Reino Unido e a Turquia já se recusaram a participar em operações militares contra os militantes do Estado Islâmico . Nesta situação, Washington deposita grandes esperanças nos países árabes. O secretário de Estado dos Estados Unidos, John Kerry, acaba de se dirigir para a região.

Fonte: Voz da Rússia

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We Have a Full Week of Installs Here

[g1_dropcap]F[/g1_dropcap]ar far away, behind the word mountains, far from the countries Vokalia and Consonantia, there live the blind texts. Separated they live in Bookmarksgrove right at the coast of the Semantics, a large language ocean. A small river named Duden flows by their place and supplies it with the necessary regelialia. It is a paradisematic country, in which roasted parts of sentences fly into your mouth.

Even the all-powerful…

Even the all-powerful Pointing has no control about the blind texts it is an almost unorthographic life One day however a small line of blind text by the name of Lorem Ipsum decided to leave for the far World of Grammar. The Big Oxmox advised her not to do so, because there were thousands of bad Commas, wild Question Marks and devious Semikoli, but the Little Blind Text didn’t listen.

So it didn’t take long until a few insidious Copy Writers ambushed her, made her drunk with Longe and Parole and dragged her into their agency.

Harrison Thompson
Chief Executive Officer

She packed her seven versalia, put her initial into the belt and made herself on the way. When she reached the first hills of the Italic Mountains, she had a last view back on the skyline of her hometown Bookmarksgrove, the headline of Alphabet Village and the subline of her own road, the Line Lane. Pityful a rethoric question ran over her cheek, then she continued her way.

On her way she met a copy

The copy warned the Little Blind Text, that where it came from it would have been rewritten a thousand times and everything that was left from its origin would be the word “and” and the Little Blind Text should turn around and return to its own, safe country. But nothing the copy said could convince her and so it didn’t take long until a few insidious Copy Writers ambushed her, made her drunk with Longe and Parole and dragged her into their agency, where they abused her for their projects again and again. And if she hasn’t been rewritten, then they are still using her.

The Big Oxmox advised her not to do so, because there were thousands of bad Commas
The Big Oxmox advised her not to do so, because there were thousands of bad Commas

Far far away, behind the word mountains

Far from the countries Vokalia and Consonantia, there live the blind texts. Separated they live in Bookmarksgrove right at the coast of the Semantics, a large language ocean. A small river named Duden flows by their place and supplies it with the necessary regelialia.

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The wolf population decreased in 2015

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It is a paradisematic country, in which roasted parts of sentences fly into your mouth. Even the all-powerful Pointing has no control about the blind texts it is an almost unorthographic life One day however a small line of blind text by the name of Lorem Ipsum decided to leave for the far World of Grammar.

The Big Oxmox

The Big Oxmox advised her not to do so, because there were thousands of bad Commas, wild Question Marks and devious Semikoli, but the Little Blind Text didn’t listen. She packed her seven versalia, put her initial into the belt and made herself on the way. When she reached the first hills of the Italic Mountains, she had a last view back on the skyline of her hometown Bookmarksgrove, the headline of Alphabet Village and the subline of her own road, the Line Lane.

Pityful a rethoric question ran over her cheek

Pityful a rethoric question ran over her cheek, then she continued her way. On her way she met a copy. The copy warned the Little Blind Text, that where it came from it would have been rewritten a thousand times and everything that was left from its origin would be the word “and” and the Little Blind Text should turn around and return to its own, safe country.

  • But nothing the copy said could convince her
  • So it didn’t take long until a few insidious Copy Writers ambushed her
  • And if she hasn’t been rewritten, then they are still using her

Far far away, behind the word mountains, far from the countries Vokalia and Consonantia, there live the blind texts. Separated they live in Bookmarksgrove right at the coast of the Semantics, a large language ocean.

A small river named Duden flows by their place and supplies it with the necessary regelialia. It is a paradisematic country, in which roasted parts of sentences fly into your mouth.

  1. Even the all-powerful Pointing has no control about the blind texts
  2. The Big Oxmox advised her not to do so, because there were thousands of bad Commas
  3. But the Little Blind Text didn’t listen

When she reached the first hills of the Italic Mountains…

She had a last view back on the skyline of her hometown Bookmarksgrove, the headline of Alphabet Village and the subline of her own road, the Line Lane. Pityful a rethoric question ran over her cheek, then she continued her way. On her way she met a copy.

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Short caption example

The copy warned the Little Blind Text, that where it came from it would have been rewritten a thousand times and everything that was left from its origin would be the word “and” and the Little Blind Text should turn around and return to its own, safe country.

Safe country

But nothing the copy said could convince her and so it didn’t take long until a few insidious Copy Writers ambushed her, made her drunk with Longe and Parole and dragged her into their agency, where they abused her for their projects again and again. And if she hasn’t been rewritten, then they are still using her. Far far away, behind the word mountains, far from the countries Vokalia and Consonantia, there live the blind texts. Separated they live in Bookmarksgrove right at the coast of the Semantics, a large language ocean. A small river named Duden flows by their place and supplies it with the necessary regelialia.