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Rússia vai alterar sua doutrina militar diante das novas ameaças

A agressão contra a Crimeia será avaliada como agressão contra a Federação da Rússia, com todas as consequências que daí advêm, declarou na entrevista à agência RIA Novosti o vice-secretário do Conselho de Segurança da Federação da Rússia Mikhail Popov.

A Rússia revisará a sua doutrina militar diante da nova ameaça que representa a OTAN, bloco militar que, diferentemente do Pacto de Varsóvia, não se dissolveu após a queda da URSS e que seguiu avançando para ao leste. Assim o anunciou Mijaíl Popov, vice-secretário do Conselho de Segurança do Kremlin.

“Não duvido que o problema da aproximação da infraestrutura militar dos países membros da OTAN às fronteiras de nosso país, inclusive por meio da ampliação do bloco, se converterá em um dos perigos militares para a Federação Russa”, declarou Popov, que disse que está cada vez mais clara a aspiração da Aliança de aumentar o seu potencial estratégico ofensivo. Popov sublinhou que nas relações de Moscou com Bruxelas o fator determinante é que a Rússia considera “inaceitável os planos de aproximar a infraestrutura da Aliança” às suas fronteiras.

Popov constatou que a OTAN reforçará seriamente seu grupo de tropas no Báltico, que já tem planejado enviar armamento pesado, incluindo tanques e blindados para a Estônia, e que em seu próximo encontro em Gales aprovarão a criação de novas bases militares na Europa do Leste. Moscou, antes do fim do ano, introduzirá uma série de modificações na doutrina militar aprovada em 2010 com o fim de responder a estes novos desafios. Cabe destacar que o citado documento de quatro anos atrás já contemplava a possibilidade de usar preventiva e, portanto, unilateralmente, as armas nucleares em caso de ameaça à segurança da Rússia.

As multas impostas pelo Ocidente à Rússia em relação à Ucrânia influenciaram também nas emendas da doutrina militar do Kremlin: Moscou se convenceu de que não pode depender das importações para a sua indústria de Defesa. Como explicou Popov, “a experiência mostra que a confiança de alguns de nossos sócios ocidentais é um fenômeno temporário e, lamentavelmente, está vinculada à conjuntura política”.

As relações com o Ocidente se deterioraram rapidamente nos últimos meses devido à crise da Ucrânia e ao envolvimento da Rússia nela. Europa, Estados Unidos e, claro, Kiev acusam o Kremlin de estar intervindo direta e militarmente no conflito do leste desse país, algo que Moscou nega. O líder russo, Vladimir Putin, disse em uma recente conversa com o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durao Barroso, que se ele quisesse tomaria Kiev em duas semanas. Barroso interpretou essas palavras como uma ameaça, mas Putin disse essa frase em resposta às acusações de ter enviado tropas à Ucrânia, isto é, como um argumento a favor de que na realidade não tinha intervenção militar no país vizinho.

Fonte: El País

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Crônica dos eventos recentes na Bacia do Don

Illaviask

Por: César Antônio Ferreira – “Ilya Ehrenburg”.

Os eventos recentes na Bacia do Don repetem os antigos: as forças enviadas pelo governo ucraniano, em geral os “batalhões de voluntários” da Guarda Nacional, deixam-se cercar e são fustigados por fogo de artilharia, notadamente foguetes. Uma destas formações é o Batalhão “Crimeia”, agrupamento de combatentes tártaros da Crimeia, recrutados na localidade de Genichesk, alistados para combater especialmente os populares da Bacia do Don (Donbass). Imobilizados na proximidade da localidade de Ilovaiskaya, foram alvo de barragens de artilharia e tiveram como resultado “centena de mortos, dezenas de cativos”. Os combatentes tártaros não fazem segredo em comentam o seu destino livremente nas redes sociais.

Os desastres das armas ucranianas se sucedem. A última foi a perda de um caça de alto-desempenho SU-27 da Força Aérea da Ucrânia. Esta perda chama a atenção pelo fato de ser um caça de superioridade aérea e não uma aeronave de ataque, o que pode ser revelador do estado atual da Força Aérea da Ucrânia no que tange à disponibilidade das aeronaves de ataque em rampa. Antes desta vitória a milícia havia anunciado o abate de outros quatro Su-25, e de outro An-26, todavia, a Força Aérea da Ucrânia admitiu apenas a perda de apenas um Su-25.

Um sinal de desespero evidente foi a ordem para que sejam erguidas estruturas defensivas em concreto armado na cidade Zaporozhie. Este desespero, diga-se, não é sem motivo. As perdas excessivas representadas no laudo butim, agora em posse do inimigo e pronto para ser utilizado contra as forças ucranianas, são significativas do estado de espírito dos combatentes do governo. A lista de equipamentos capturados até a data de 28.08.2014, divulgada pelas forças federalistas é a que segue: 79 – T-64; 94 IFVs; 57 – APCs; 3 – ARVs; 9 – IFVs; 24 – MRLS BM-21 “Grad”; 3 – MRLS “Uragan”; 2 – SPH 2C4 “Tulip”; 6 – SPH 2C9 “Nona”; 27 – SPH 2C1 “Gvozdika”; 14 – obuses D-30A; 36 – morteiros 82mm; 19 – ZU-23-2; 157 automóveis. Já o governo de Kiev admite um número menor: 14 – T-64; 25 – IFVs; 18 – APCs; 1 – ARV; 1 – MRLS “Uragan”; 2 – SPH “Gvozdika”; 4 – obuses D-30A; 4 – morteiros 82mm; 1 – ZU-23-2; 33 automóveis. Somam-se as perdas matérias, às simbólicas, como a morte do comandante do Destacamento de Guardas da 28ª Brigada Mecanizada, Capitão Andrey Bezruchak.

Mariupol

Mariopol

O cerco a Mariopol se fecha. Deu-se a partir de um grande arco feito ao norte, enquanto o comando ucraniano raciocinou que os inimigos federalistas fariam uma corrida rápida pelo litoral. O resultado é a formação de outro cerco. Os federalistas estão entusiasmados com a oportunidade de capturarem junto com o butim, oficiais da OTAN que segundo informações de inteligência estariam na cidade e estes seriam no número de seis. As forças federalistas reportam o rechaço de três tentativas das forças ucranianas para rompimento do anel. As forças milicianas reportam breves combates no entorno da cidade de Yalta, distrito de Pershotravnevoye.

O uso de embarcações leves para infiltrar efetivos à retaguarda federalistas também resultaram em fracasso, com uma embarcação leve da Marinha da Ucrânia colocada fora de ação por disparos de peças de 122mm D30A. O choque inicial se deu no mar de Azov nas proximidades de Shirokino. Duas embarcações rápidas fizeram fogo e foram afundadas pelo fogo de resposta. Em seguida, outra embarcação em apoio, esta armada com lança – granadas, também foi alvo da artilharia, e se afastou levantando denso fumo. A tentativa de ataque naval frustrada foi de responsabilidade da Guarda Costeira da Marinha da Ucrânia.

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Donetsk

A cidade de acesso a Donetsk, Illovaisk, tornou-se o cemitério das ações militares do governo de Kiev. A mais recente rendição das forças ucranianas nas proximidades daquele local, no caso em Chervonoselskoe, se refere ao Batalhão “Donbass”, que teve capturados 108 combatentes. Segundo informações da Agência Life News, esta formação detinha mais de 300 combatentes. O detalhe dantesco foi a declaração de um dos combatentes capturados aos repórteres. O soldado de nome Constantin declarou que a sua genitora fora morta devido aos bombardeios da artilharia governamental à cidade de Lugansk. Ou seja, morta pelo mesmo governo pelo qual combatia. Outro dado interessante sobre este batalhão, “Donbass”, versa sobre o seu comandante, o político Semyon Semyonchenko, que dele se encontra ausente devido a ferimento recebido em combate na cidade de Illovaisk.

As tropas federalistas não obstante terem iniciado uma contraofensiva, e passado a operar com efetivos maiores, mantém ainda o modo operativo de pequenas formações altamente móveis e fluidas, que fustigam o inimigo no campo, emboscando-o seguidamente, sem piedade. Tal se deu em 28 de agosto último, quando uma coluna com membros do Exército Nacional da Ucrânia, com efetivos agregados da Guarda Nacional da Ucrânia, foram apanhados pela milícia em uma emboscada na estrada Debaltsevo – Uglegorsk. As baixas admitidas oficialmente foram de 19 feridos e quatro mortos.

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Lugansk

As ações de fustigamento ao aeroporto Lutugino, resultou no abandono deste em meio aos combates pelas forças ucranianas. Foram feitos cativos 13 soldados paraquedistas do 80º Destacamento aeromóvel de Lvov (Lviv). Os relatos das ações efetivadas contra a base aérea informam: mais de uma centena de baixas nas forças que o guarneciam, entre mortos, feridos e cativos. Dois carros de combate T-64 capturados, dois blindados BMP, seis lança-foguetes “Grad”, vinte e quatro veículos leves off Road e dois depósitos de munição. Dois helicópteros foram destruídos no solo, durante o combate. O recuo sob fogo, com as perdas substancias foi relatada pelo Porta-Voz e Presidente do Centro (Nacional) de Informação Analítica, Andrey Lysenko, como uma “retirada ordenada”. Admitiu também a perda da posição na aldeia de Georgievka.

As tropas milicianas não agem apenas sob a luz do dia. Estas realizaram um assalto contra Tsvetniye Peski sob a cobertura da noite, e em uma ação coordenada Volnukhino. A artilharia ocupou-se de efetuar barragem de fogo na linha de Rodakovo, que após as ações foi capturada de passagem, em sequência, entrou em cobate nas imediações do assentamento rural de Beloye, onde uma formação do Exército Ucraniano estava imóvel, em pouco tempo estabeleceu-se o cerco. Outras ações ofensivas da milícia se dão na aldeia de Styl, bem como nas de Ilíria e Malonikolaevka. A localidade de Novosvetlovka foi ocupada e ocorrem combates pesados em Krasny Luch.

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Kharkov

A cidade de Kharkov não faz parte da frente de combate, e se encontra sobre firme administração de Kiev, embora tenha sido palco de ações espetaculares de sabotagem e guerrilha. Uma delas, pitoresca, que narro a seguir:

Primeiro os guerrilheiros fizeram que duas belas jovens eslavas simulassem problemas automotivos na beira da estrada, justo quando passava um veículo militar leve (jeep), com dois ocupantes. Armadas os renderam, para espanto dos militares. Despidos, foram deixados nus na relva, sob vigilância. Em seguida, com as vestes dos militares, montaram um falso “Check Point”. Quando um “BMP-4” reluzindo de novo se aproximou, os militares foram surpreendidos. Rendidos, foram fazer companhia nus, com os demais. Em posse do blindado, os guerrilheiros se infiltraram em uma coluna de suprimentos, que se deslocava em direção ao front. Destroçaram o comboio sem piedade, e logo após queimaram o blindado na beira da estrada. Os militares rendidos anteriormente tornaram-se alvos de piadas, afinal, nada mais perigoso do que jovens eslavas necessitadas…

Os relatos informam que a vítima da cilada era um comboio da 92ª Brigada Mecanizada, e que o ataque se deu no través da vila de Klugino-Bashkirovla, no sentido Chuguev. Houve captura de suprimentos, e se reporta a morte de dois militares do comboio na ação.

A cidade observou, entretanto, outro evento dramático: elementos armados do batalhão “Aydar” invadiram o Palácio da Procuradoria Distrital de Kharkov, tomando como refém o Procurador Militar. O assalto se deu através de um grupo pequeno, que chegaram em dois veículos, um deles caracterizado como militar, off Road estilo “jeep”. O local foi cercado por policiais e houve troca de tiros. O evento narrado pelo ativista civil local Andrey Verruga, até a presente data, estava em ocorrência, ou seja, sem término. Independente disto, o ato é revelador da falta de disciplina e dos sentimentos dos “voluntários” dos batalhões da Guarda Nacional.

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Conflitos Geopolítica

Ucrânia perde controle sobre aeroporto e diz que Rússia iniciou ‘grande guerra’

Moradores de Donetsk, no leste da Ucrânia (Reuters)

Confronto continua se concentrando em Lugansk e Donetsk, no leste ucraniano

O Ministro da Defesa da Ucrânia, Valeriy Heletey, disse nesta segunda-feira que o país é palco de uma “grande guerra” provocada pela Rússia, que, segundo ele, teria iniciado uma ofensiva militar de “larga escala” no país vizinho.

A declaração foi feita no mesmo dia em que as autoridades ucranianas admitiram ter perdido o controle sobre o aeroporto de Lugansk (leste da Ucrânia), ao se verem obrigadas a retirarem suas tropas do local – que, dizem, estava sob cerco de tropas russas.

“Uma grande guerra chegou à nossa casa, uma guerra jamais vista na Europa desde a Segunda Guerra Mundial. Infelizmente, as vidas perdidas em guerras como essa chegam não só a centenas, mas a milhares e até dezenas de milhares”, disse Heletey no Facebook.

Ainda de acordo com o Ministro da Defesa ucraniano, o governo russo foi obrigado a começar a intervenção em grande escala porque a força militar da Ucrânia estava “ganhando terreno no leste do país”, onde, além de Lugansk, fica a cidade de Donetsk, outro foco de combates.

Enquanto isso, a Rússia segue negando sua participação militar na Ucrânia e diz que não está enviando soldados para o país vizinho.

A última rodada de negociações para resolver a crise – realizadas em Minsk, capital da Belarus -, envolvendo membros do governo ucraniano e russo, além de líderes dos rebeldes separatistas, terminou sem que se chegasse a nenhum acordo.

Alemanha

Reagindo aos últimos desdobramentos, a chanceler (primeira-ministra) alemã, Angela Merkel, disse que estava claro que os choques no leste da Ucrânia nunca foram uma questão interna ucraniana, mas sim um conflito entre Rússia e Ucrânia.

Merkel ressaltou que Berlin estava pronto para adotar mais uma rodada de sansões contra Moscou, mesmo que isso venha a ter consequências negativas sobre a economia alemã.

O presidente da Alemanha, Joachim Gauck, foi além. Ele disse que a Rússia optou em encerrar sua parceria com a Europa ao buscar impor o que chamou de “nova ordem” no continente.

Por sua vez, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, pediu à União Europeia que mostre “bom senso” e não siga em uma escalada de sanções contra a Rússia que possam ser mutualmente prejudiciais.

Resposta da Otan

Também nesta segunda-feira, a Otan indicou que planeja criar uma força militar de resposta rápida, mobilizando milhares de soldados, para proteger o leste europeu.

Segundo o secretário-geral da entidade, Anders Fogh Rasmussen, tais tropas poderiam ser mobilizadas no local em apenas 48 horas, se for necessário.

A resposta da Otan vem depois de membros da organização no leste europeu e dos países bálticos terem sinalizado preocupação com o que enxergam como “ambições russas” na sequência da contínua crise na Ucrânia.

Rasmussen disse que todo o apoio militar seria pré-posicionado em países membros da Otan do leste europeu como parte de um “Plano de Ação Instantânea”, que permitiria o rápido envio das tropas.

Isso faria com que a aliança militar do ocidente se tornasse uma presença mais visível no leste da Europa e “reparadora, rápida e mais flexível para se ajustar a todos os tipos de desafios de segurança”, disse o secretário-geral da Otan a jornalistas em Bruxelas.

Rasmussen disse que novas medidas estão sendo tomadas “não porque a Otan quer atacar ninguém, mas porque o perigo e as ameaças estão mais presentes e mais visíveis (…) nós vamos fazer o que for preciso para defender nossos aliados”.

Para o analista diplomático da BBC Jonathan Marcus, a mudança apresentada por Rasmussen é parte de uma reforma mais ampla das forças de reação da Otan que, segundo os funcionários organização, não é exclusivamente ligada a Ucrânia.

“Para uma força dessas ser efetiva, serão necessários testes regulares. Além disso, representantes da Otan dizem que quartéis e outros ‘facilitadores’ (elementos- chave para a logística da ação, por exemplo) precisarão estar perto de áreas de ‘ameaças em potencial’ – o que, na prática, significa as fronteiras leste e sul da Otan.

Fonte: BBC Brasil

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Brasil Destaques Geopolítica

Israelense da polêmica do “anão diplomático” deixa cargo

O ex-porta-voz do Ministério de Relações Exteriores de Israel deixou o cargo, nesta segunda-feira, após seis anos de trabalho. Segundo informou Yigal Palmor ao Jornal Nacional, o motivo da aposentadoria foi porque ele queria fazer “algo diferente” e passar “mais tempo com a família”.

Palmor tem 28 anos de carreira diplomática e, segundo ele, a decisão de deixar o cargo de porta-voz do ministério foi tomada em março, antes, portanto, da polêmica em que esteve envolvido com a diplomacia brasileira, após declarar que o Brasil é “ao mesmo tempo, um gigante econômico e um anão diplomático”.

A polêmica aconteceu em 24 de julho, no auge dos ataques de Israel à Gaza, considerados “desproporcionais” por diversos líderes. Em uma resposta irônica, Yigal Palmor disse que “quando um jogo termina em empate você acha proporcional, e quando é 7 a 1 é desproporcional. Lamento dizer, mas não é assim na vida real e sob a lei internacional”.

Fonte: Terra

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Conflitos Geopolítica

Qualquer agressão contra a Crimeia será agressão contra a Federação da Rússia

As autoridades da Ucrânia declararam reiteradas vezes que irão lutar pela recuperação da Crimeia a que consideram, assim como antes, um território seu. Por exemplo, o presidente Piotr Poroshenko ressaltou que a “Crimeia é nossa e não pode existir nenhum compromisso com quem quer que seja a este respeito”.

“Hoje a Crimeia é território da Federação da Rússia e uma agressão armada contra a Crimeia será avaliada como agressão contra a Federação da Rússia, com todas as consequências que daí advém”, disse Popov.

A Crimeia e Sevastopol tornaram-se regiões russas depois do referendo, realizado nos seus territórios, em que a maioria dos seus habitantes se pronunciou pelo ingresso na Federação da Rússia.

Fonte: Voz da Rússia

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Cúpula da OTAN no País de Gales: — Retorno à Guerra Fria?

A cúpula da OTAN, que abre em 4 de setembro na cidade galesa de Newport, será realizada numa situação “explosiva”. Enquanto alguns membros da Aliança do Atlântico Norte, liderados pela Polônia e os países bálticos, estão tentando persuadir o Ocidente a implantar o sistema de defesa antimíssil e até mesmo cessar a cooperação com Moscou, nas fileiras do próprio bloco estão surgindo controvérsias.

Na véspera da cúpula, Varsóvia e as capitais bálticas anunciaram proposições que de facto significam um retorno à era da Guerra Fria. Além disso, está sendo discutida a questão de Bruxelas romper unilateralmente o ato fundador de cooperação entre a Rússia e a OTAN.

O secretário-geral da OTAN, Anders Fogh Rasmussen, por enquanto, adota uma posição mais contida. Ele ressalta que a aliança deve se tornar mais “flexível” para “resistir a possíveis ameaças”. Para isso, planeja-se tomar em Newport a decisão de criar de uma brigada reação rápida de pelo menos 10 mil homens. Segundo o jornal The Financial Times, essas forças podem incluir militares da Grã-Bretanha, Holanda, Dinamarca, Noruega, países Bálticos e Canadá.

O ponto culminante da retórica antirrussa foi a declaração do comandante-em-chefe das forças da OTAN na Europa Philip Breedlove. O general norte-americano, em entrevista ao jornal alemão Die Welt, ameaçou a Rússia com guerra por causa da Ucrânia com base no artigo 5o do Tratado do Atlântico Norte. “Se tropas estrangeiras vêm ao território de um estado, e nós podemos considerar essas ações um comportamento de agressor, então é o artigo número cinco: resposta militar a ações de um agressor”, disse o general Breedlove sem se preocupar em explicar como o artigo do acordo de defesa colectiva da OTAN pode ser aplicado a não-membros da Aliança.

A política de Bruxelas de reforçar precisamente a componente militar da OTAN não é acidental, confirmou à Voz da Rússia o vice-presidente da Academia russa de Problemas Geopolíticos, Konstantin Sivkov:

“Atualmente, a Aliança do Atlântico Norte, como uma organização militar do mundo ocidental, está servindo como um meio de salvação das próprias elites ocidentais. Portanto, a OTAN tem de continuar a se desenvolver e fortalecer justamente na direção de uma proteção mais eficaz e realização dos interesses geopolíticos do Ocidente”.

Para o seu desenvolvimento, a OTAN precisa de uma “imagem de inimigo”, na qualidade de qual estão hoje tentando apresentar a Rússia. No entanto, o “vector” antirrusso da Aliança Atlântica não se deve superestimar. A aliança antirrussa dos Estados Unidos, países Bálticos, e em parte Polônia é apenas um dos elementos da “paciência” jogada pela OTAN. Mas o campo das forças que favorecem a interação com a Rússia é não menos influente. São Alemanha, França, Itália, Espanha, vários países da Europa Central e do Leste, bem como até certo ponto a Turquia.

Um importante catalisador de divergências dentro da OTAN são também novas evidências de vigilância interna nas fileiras da Aliança, que praticavam os Estados Unidos, a Alemanha e possivelmente outros países. Assim, segundo a imprensa alemã, o serviço local BND estava “espionando” a Turquia desde 1976, e nos últimos anos começou a fazer o mesmo em relação à Albânia. À Voz da Rússia falou da divisão interna na OTAN o diretor do Centro russo de Pesquisas Sociais e Políticas, Vladimir Evseev:

“Não há razões para falar de verdadeira unidade interna da OTAN. Um fator importante é que os chamados “novos” membros da Aliança, os países da Europa Central e do Leste, muitas vezes tomam posições diametralmente opostas às posições dos estados europeus ocidentais. Por isso, a unidade interna da OTAN vai diminuir”.

Outro fator que objetivamente forçaria a OTAN a conter as suas ambições em relação à Rússia poderá ser o agravamento da situação no Oriente Médio, em particular no Iraque. Vários países membros da OTAN já concordaram, junto com os Estados Unidos, em armar os curdos iraquianos para lutarem contra o Estado Islâmico do Iraque e do Levante. Segundo o chefe do Pentágono, Chuck Hagel, são Albânia, Canadá, Croácia, Dinamarca, Itália, França e Grã-Bretanha. Os próximos serão a Austrália e a Alemanha. Consequentemente, mesmo após a retirada do Afeganistão a OTAN terá as mãos ainda amarradas numa região não relacionada com a Europa.

Tão pouco devemos ignorar o fator financeiro. “O risco geopolítico está novamente erguendo a sua terrível cabeça. Notícias de tensões nas relações russo-ucranianas estão preocupando investidores já bastante assustados”, nota o analista da empresa financeira IG Ltd. em Melbourne, Stan Shamu. Ora o “jogos galeses” da OTAN em Newport podem virar bem imprevisíveis.

Fonte: Voz da Rússia

OTAN insiste no rearmamento

Em recente entrevista à rádio BBC, o antigo Segundo Comandante Supremo Aliado da OTAN na Europa, general Sir Richard Shirreff, declarou que a Europa Ocidental poderá com dificuldade proteger-se no caso de uma agressão russa e que, para responder à Rússia, os países da Aliança devem proceder ao rearmamento em grande escala. Em suas palavras, os países da Europa “fizeram dinamitar seu potencial militar”, devendo “meter a mão no seu bolso e gastar dinheiro para a defesa”.

Shirreff destacou ainda a diferença entre as palavras do comando da OTAN e seus planos práticos. Para a OTAN “será muito difícil pôr em ação forças necessárias, de aéreas a marítimas, mas sobretudo as tropas terrestres para resistir a qualquer aventura russa”. O presidente da Academia de Problemas Geopolíticos, Konstantin Sivkov, considera que a declaração do general, que até março último era o britânico mais altamente colocado nas estruturas da OTAN, não tem nada a ver com a realidade:

“Shirreff está criando condições morais e psicológicas para garantir intensificação do agrupamento das forças terrestres da OTAN. Atualmente, passando para a formação por contrato, as forças armadas da OTAN tornaram-se de fato mais fracas. Mas quanto à composição combativa, o agrupamento militar dos países da Aliança supera em várias vezes as forças russas e as conversas de que esse componente será fraco e incapacitado não são mais que um absurdo. Trata-se apenas de um motivo informativo para estimular a histeria militar nos países da Europa e nos EUA”.

Em palavras do perito, tais declarações, por mais estranho que seja, são vantajosas para as autoridades americanas e europeias que tencionam formar nos seus povos uma ideia de que a Rússia seja um monstro terrível que aspira a subjugar militarmente a Europa. Para isso é necessário provar que as forças armadas russas são muito potentes, porque é impossível sem quaisquer explicações cortar as despesas sociais a favor da capacidade defensiva.

Ao mesmo tempo, Shirreff apontou que atualmente o tema do rearmamento não é popular na Europa. O Velho Continente considera prioritário resolver os problemas econômicos. Mas o nosso perito defende que a intervenção do general é norteada contudo em primeiro lugar para os cidadãos europeus:

“Há muito que a América apresenta reclamações à Europa afirmando que ela dispensa pouco dinheiro para o rearmamento. Essa intervenção e algumas outras ações testemunham que a direção americana tenta obrigar os políticos europeus a abrirem a bolsa para comprar novos armamentos. A Europa canalizaria com prazer esse dinheiro, se a situação econômica seja mais favorável. Por causa dos recentes acontecimentos, países europeus já perderam montantes consideráveis ao declarar sanções contra a Rússia sob pressão dos Estados Unidos”.

Pelo visto, as declarações de Richard Shirreff não são mais que uma farsa. Este é um dos elementos de influência na direção política europeia. Mas, como se costuma, o principal papel será desempenhado pelas conversas nos corredores, quando diplomatas americanos vão convencer a direção europeia da necessidade de aumentar as despesas militares.

Em palavras do perito, não se deve esperar um rearmamento de envergadura, sendo real contudo manter as despesas militares ao mesmo nível ou aumentá-las um pouco.

Fonte: Voz da Rússia

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Destaques Economia Tecnologia

O ‘fracking’ sob suspeita

Primeiro foi Sacramento. Em meados de março, uma multidão se manifestou contra o fracking (técnica de fraturação hidráulica para extrair gás e petróleo do subsolo) por seu impacto ambiental. Agora são várias as comunidades da Califórnia que se dispõe a levar às urnas projetos de lei para proibir a prática.

É o que acontece em Santa Bárbara, onde a briga entre as petroleiras e os defensores do meio ambiente está em plena ebulição. Nas eleições de novembro, a população do condado dará seu veredito sobre a chamada proposta P, que pede o fim do fracking na região.

Os grupos ambientalistas não têm dúvidas quanto à necessidade de proibir a prática. “Não podemos deixar as companhias petrolíferas usarem nossa água”, afirma Rebeca Claassen, cofundadora do Santa Barbara County Water Guardians, o grupo que promove a submissão da proposta P às urnas.

A indústria do fracking tem outra opinião. Seu argumento é o de que, se a proibição seguir adiante, muitos postos de trabalho serão afetados. “Isso significará o fechamento de muitas empresas de produção de petróleo na região e a perda de milhares de empregos”, afirma Dick Hart, supervisor de Orcur Hill para a Pacific Coast Energy.

As petroleiras tremem diante da possibilidade de que a proibição se torne realidade e já começaram a se mobilizar contratando uma equipe de consultores influentes politicamente para combater a medida. Há muitos interesses econômicos em jogo, que seriam afetados se o condado de Santa Bárbara se opuser à continuidade da prática do fracking em seu território.

Diante desses interesses pesam os argumentos de quem dá voz a um medo coletivo. “Não podemos permitir a continuidade dessas práticas na Califórnia até que não estejamos completamente seguros de que não supõem uma ameaça para a saúde humana e a natureza”, destaca a diretora do Sierra Club California, Kathryn Philips. E acrescenta: “A última coisa que queremos é que a água deixe de ser potável e nunca mais possamos recuperá-la”.

Não só Santa Bárbara levará às urnas a proibição da fraturação hidráulica a alta pressão. Também San Benito e até Los Angeles estão apresentando propostas similares.

Os aquíferos podem ter sido afetados

As suspeitas sobre os efeitos negativos que a prática do fracking pode trazer para a saúde pública e o meio ambiente crescem a cada dia, ao mesmo ritmo que as empresas petroleiras aumentam suas prospecções no subsolo para explorar novos nichos de gás e petróleo.

Um estudo recente desenvolvido por cientistas da Universidade de Stanford alerta sobre o risco de que a extração de gás e petróleo, com a utilização de uma mistura de milhões de litros de água, areia e produtos químicos à alta pressão, poderia estar contaminando os aquíferos de água potável. A razão se deve a que as perfurações estariam sendo realizadas em camadas superficiais do subsolo, as mesmas pelas quais corre a água que bebemos.

Dominic DiGiulio e Robert Jackson, cientistas da School of Earth Sciences, depois de concluir um estudo em duas formações geológicas de Wyoming onde o fracking é praticado, concluem que “ainda que não haja evidências de que a água potável tenha se contaminado, a prática deveria ser melhor controlada e supervisionada, uma vez que existe um alto risco de que os aquíferos sejam afetados”.

“Milhões de galões de diesel e fluidos que contêm aditivos orgânicos e inorgânicos foram injetados nessas formações centenas de vezes para amaciar as rochas”, garantem DiGiulio e Jackson. Esses métodos de estimulação ácida e fraturação hidráulica estão sendo realizados em camadas que contêm fontes de gás natural e de água potável, segundo se destaca no estudo.

“As consequências dessa atividade estão parcamente documentadas e se desconhece o risco que podem trazer para a saúde pública e o meio ambiente”, analisa DiGiulio. Um risco que é acrescido do fato de que o Energy Policy Act, de 2005, proíbe a prática do fracking nas camadas subterrâneas dos aquíferos.

A indústria do fracking nega que suas atividades estejam afetando a água potável, já que as extrações são realizadas em níveis muito mais profundos; mas segundo afirma o estudo de Stanford, nem sempre essa é a realidade. A EPA (Environmental Protection Agency) documentou em 2004 que a extração de gás natural mediante o fracking tinha sido realizada nas camadas dos aquíferos.

O estudo abre também outra brecha relativa à possibilidade de que, ainda que o fracking seja realizado em camadas mais profundas do que as da água potável, desconhece-se até que ponto a permeabilidade de certos níveis poderia estar em jogo. “Estamos falando de um meio ambiente extremamente complexo, com áreas de baixa e alta permeabilidade pelas quais a água se move”, reflete DiGiulio.

O fato é que, em toda a Califórnia, cresce a oposição ao fracking, o que coincide com o aumento da prática que não fez nada além de aumentar suas prospecções e buscar novas jazidas não só nesse Estado como em todo o país.

Fonte: El País

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Conflitos Geopolítica Ucrânia

Kremlin comenta declaração sobre “tomada” de Kiev atribuída a Putin

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Foto: RIA Novosti/Mikhail Kireev

As palavras do presidente da Rússia Vladimir Putin sobre a possibilidade da “conquista de Kiev em duas semanas” foram retiradas do contexto e tinham outro sentido, declarou Yuri Ushakov, assessor do presidente russo.

Anteriormente, na imprensa foi publicada uma notícia na qual se atribui a José Manuel Durão Barroso, dirigente da Comissão Europeia, palavras de uma sua conversa com Putin. Nessa conversa, Putin alegadamente teria dito que, em caso de necessidade, as tropas russas poderiam tomar Kiev em pouco tempo.

Segundo Ushakov, a revelação de detalhes de conversas telefônicas pelo presidente da União Europeia é “incorreta, vai além da prática diplomática”.

“Se isso foi feito, considero indigno de um político sério”, assinalou o representante do Kremlin.

“Quanto ao fato de se essas palavras foram ditas ou não, considero que a citação foi retirada do contexto e tinha um sentido completamente difícil, sublinhou Ushakov.”

Fonte: Voz da Rússia

 

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Conflitos Geopolítica Opinião

Segunda Grande Guerra foi um conflito anunciado

Em 1° de setembro de 1939, a Wehrmacht invadiu a Polônia, aparentemente sem aviso prévio. A guerra, porém, não era uma surpresa, mas algo que Hitler planejava desde que chegara ao poder, em 1933.

Esta guerra não chegou de surpresa. Hitler nunca fez segredo de seus agressivos planos de expansão, mesmo que de vez em quando tenha tocado o “disco pacifista”, como ele mesmo dizia, segundo o historiador Klaus Hesse, do centro de documentação Topografia do Terror, de Berlim.

“Desde que chegou ao poder, em janeiro de 1933, Hitler fez toda a preparação em direção à guerra. Desde então, tudo se prestava à revisão da ordem imposta pelo Tratado de Versalhes, à recuperação da hegemonia na Europa por uma Alemanha ampliada, tudo se direcionava para a criação de um espaço econômico europeu que tornasse possível à Alemanha a realização de uma grande e prolongada guerra na Europa”, afirma.

Guerra interna contra a oposição e os judeus

O Tratado de Paz de Versalhes de 1919 havia colocado toda a responsabilidade pela eclosão da Primeira Guerra Mundial sobre o Império Alemão e seus aliados e o obrigou a fazer concessões territoriais, a se desarmar e a indenizar as potências vencedoras. No entendimento de Hitler, uma humilhação que deveria ser revista.

A chamada “lenda da apunhalada”, segundo a qual os social-democratas e os judeus estariam dispostos a dar uma “punhalada no país pelas costas”, vinha bem a calhar para as intenções do ditador. Assim, o caminho para a nova guerra começou dentro da Alemanha.

Apenas poucos dias depois de sua tomada do poder, Hitler fez com que fosse organizado o primeiro boicote nacional de negócios judeus, em 1° de abril de 1933. Depois, veio a “Lei para restabelecimento da carreira do funcionalismo público”, que, na prática, determinou a exclusão de todos os judeus de atividades do serviço público.

E essa perseguição também visou desde o início conseguir recursos financeiros para financiar a guerra. Mesmo antes de o governo regulamentar abrangentemente por lei o confisco de propriedades judias, empresários judeus foram colocados sob pressão, tendo de pagar mesmo por sua fuga da Alemanha.

Emigrantes tinham que abrir mão de 25% de seus ativos tributáveis para o Estado, que, dessa forma, conseguiu arrecadar 153 milhões de marcos só nos primeiros dois anos do regime nazista. A transferência de divisas ao exterior também era taxada. Até setembro de 1939, essa taxa foi subindo, chegando a abocanhar 96% do valor transferido.

Berlim 1936 – Olimpíadas e declaração de guerra

A maioria dos alemães, no entanto, via Hitler como o salvador até 1939. Para muitos, a ditadura trouxe uma melhora nas condições econômicas. O desemprego caiu, o consumo individual subiu. “Hitler era populista o suficiente para saber que tinha que, além de canhões, também tinha que oferecer manteiga”, diz Klaus Hesse.

Os canhões, entretanto, eram o verdadeiro objetivo. Enquanto o mundo se apresentava nos Jogos Olímpicos de Berlim, Hitler consolidava seus planos de guerra. Em quatro anos, as Forças Armadas deveriam estar operacionais para a guerra no leste.

O plano secreto de Hitler, escrito em seu Memorando sobre o plano de quatro anos: a Alemanha deveria ser autossuficiente no maior número possível de áreas e, assim, se isolar do mercado mundial para poder investir todos os recursos na indústria bélica. Não demorou muito para que metade de todos os gastos estatais fossem dedicados a esse setor.

Naquele mesmo ano, a Wehrmacht (Forças Armadas) ocupou a Renânia, que era desmilitarizada, cometendo uma clara violação do Tratado de Versalhes, ao qual Hitler vinha se opondo desde o início de seu governo. Em novembro de 1937, Hitler revelou em segredo seus planos aos mais graduados oficiais da Wehrmacht: a Alemanha precisava, segundo ele, de mais espaço “para a preservação da população e sua proliferação”.

Setembro 1938 – a guerra não é impedida, mas adiada

Em 1938, Hitler anexou seu país natal, a Áustria, no que ficou conhecido como Anschluss. Logo depois ameaçou invadir a Tchecoslováquia, alegando que a população de língua alemã que vivia nos Sudetos estava sendo vítima de discriminação.

Os políticos britânicos e franceses temiam uma guerra europeia e tentaram impedir um ataque através de uma política de apaziguamento. A esperança era: “se você der a Hitler o que entende como direito nacional, ele sossegará”. Pelo Acordo de Munique, a região dos Sudetos é incorporada pela Alemanha. “Chamberlain deixou Hitler obter toda uma série de ampliações territoriais sem que ocorresse uma guerra”, frisa o historiador Antony Beevor, se referindo ao então primeiro-ministro britânico.

Neville Chamberlain, Eduard Daladier, Adolf Hitler e Benito Mussolini na Conferência de Munique.

A questão sobre o que teria acontecido se um adversário da estratégia de apaziguamento, Winston Churchill, fosse o primeiro-ministro britânico é mais complicada. “Será que, em setembro de 1939, britânicos e franceses estavam em uma posição mais forte contra a Wehrmacht? Para isso, nunca vamos ter uma resposta.”

Desde 1938 havia um perceptível medo da guerra na Alemanha, ressalta Hesse. “Ficou claro que esse desenvolvimento alemão na Europa – de uma Alemanha vencida para um novo fator de poder – não era mais possível sem o risco de uma guerra.” O Acordo de Munique foi vendido pela propaganda nazista como um grande sucesso da política de paz de Hitler, mas, na verdade, ele ficou até irritado, porque preferia já ter começado a guerra.

Em setembro de 1939 não dava para se pensar em golpe

O realmente trágico em setembro de 1938 é que, naquele momento, Hitler estava isolado com seus planos de guerra. Seus generais queriam evitar a qualquer custo uma guerra prematura. O chefe do Alto Comando do Exército, Franz Halder, comandantes importantes de Berlim e arredores, assim como o chefe da polícia de Berlim já haviam discutido sobre um novo governo com funcionários governamentais críticos e ex-políticos social-democratas.

Uma tropa de choque secreta ficou de prontidão para invadir a Chancelaria do Reich assim que Hitler desencadeasse a guerra. Um ano depois, já não dava mais para se pensar em golpe. Mesmo que a população não tenha comemorado aquele 1° de setembro de 1939, a maioria dos alemães apoiava Hitler, apesar de tudo, e estava disposta a ir à guerra por ele.

A Segunda Guerra Mundial mataria 60 milhões de pessoas. Os nazistas assassinaram seis milhões de judeus. Para Beevor, a Segunda Guerra Mundial foi “o maior desastre provocado pelo homem de toda a história”.

Fonte: DW.DE