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Estado Islâmico: Analistas russos avaliam o uso de caças F-22 dos EUA

Lockheed Martin F-22 Raptor

Uma série de proeminentes analistas russos falou à agência de notícias RIA Novosti sobre as possíveis razões para o uso de caças F-22 Raptor de quinta geração na ofensiva dos Estados Unidos contra os extremistas do Estado Islâmico na Síria. O presidente da Academia de Problemas Geopolíticos da Rússia, Konstantin Sivkov, afirma que o caça é pouco eficaz contra alvos terrestres e foi escolhido porque o Pentágono teme ter seus aviões abatidos pela defesa antiaérea síria. Segundo ele, a aeronave é muito difícil de ser interceptada porque incorpora a tecnologia stealth, que a torna virtualmente invisível para os radares.

Já o analista Igor Korotchenko, membro do Conselho Público do Ministério da Defesa da Rússia, diz que os Estados Unidos usam apenas armamentos de rotina na Síria. Em suas palavras, o Estado Islâmico não é uma formação regular e, portanto, não há sentido em testar novas armas no conflito, sendo suficiente “encontrar os postos de comando e os grupos extremistas e destruí-los”.

Outro especialista russo, presidente da Academia de Estudos Geopolíticos, coronel-general Leonid Ivashov, não descarta que os caças norte-americanos tenham sido usados na atual ofensiva com o objetivo de testá-los. De acordo com ele, a legislação dos Estados Unidos proíbe o uso de armas sem testes em um conflito real.

O Pentágono confirmou na terça-feira, 23, ter usado os aviões de combate F-22, bem como os mísseis de cruzeiro de alta precisão Tomahawk contra as forças do Estado Islâmico na Síria. Este caça, posto em serviço em 2005, é o único de guerra de quinta geração.

Fonte: Diário da Rússia

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Rússia/EUA: Ameaça comum, objetivos distintos

Apesar do convite de participação no projeto internacional de combate ao Estado Islâmico, governo russo não está pronto para aceitá-lo devido às condições e agenda de colaboração com os Estados Unidos previstas pela campanha.

A possível cooperação entre os dois líderes mundiais está travada sobretudo pela desconfiança mútua. Além de cada um suspeitar que o outro utiliza os grupos de terroristas para alcançar os próprios objetivos, as interpretações diferentes do termo “terrorismo” desestimulam a parceria.

“A maioria dos atos terroristas perpetrados em solo russo não foram incluídos na lista das principais ações do gênero, como os atentados de 11 de setembro nos Estados Unidos, de 7 de julho em Londres e de 11 de março em Madri, assim como pelas tragédias em Mumbai e em Bali”,  explica Dmítri Trenin, diretor do Centro Carnegie de Moscou.

Segundo o especialista, a comunidade internacional igualou as fatalidades na Rússia aos episódios registrados em Israel, onde o terrorismo é considerado uma resposta às repressões do governo, e não como um ataque contra a humanidade.

Apesar de os Estados Unidos continuarem considerando os terroristas que servem os seus interesses como “lutadores pela liberdade” – a exemplo dos militantes do Exército Livre da Síria –, a presente posição nem sempre foi a mesma. O planejamento da campanha de intervenção armada no Afeganistão contou com a colaboração dos serviços secretos russos e iranianos, que forneceram ao seu então parceiro americano informações importantes sobre a localização dos objetos do Talibã.

Além disso, os agentes russos entregaram aos americanos todos os seus contatos dentro da Aliança do Norte, uma união dos comandantes militares do Tadjiquistão e Uzbequistão que, durante um período prolongado, contaram com a ajuda do governo russo para manutenção do seu controle na região norte do Afeganistão. Na época, a Rússia autorizou a criação de bases militares americanas na antiga Ásia Central soviética e permitiu a abertura da rota de abastecimento das tropas dos Estados Unidos baseadas no Afeganistão através do seu território.

Sem dúvida, o governo russo estava ciente das possíveis consequências negativas da radicalização do Talibã para a realização das suas políticas nos Estados centro-asiáticos. Portanto, a colaboração com os Estados Unidos parecia uma escolha certa. “Apesar de nós falarmos sobre as ações conjuntas nas primeiras páginas do ‘The Wall Street Journal’, elas aumentam o nível de segurança e o bem-estar do povo americano”, comentou certa vez Michael McFaul, ex-embaixador dos Estados Unidos na Rússia.

Mikhail Marguelov, presidente do Comitê de Relações Exteriores da Assembleia Federal da Rússia, também concorda que, após os eventos de 11 de setembro de 2001, “as autoridades russas e americanas descobriram a existência dos assuntos em comum”. Porém, essa colaboração durou pouco.

O Kremlin logo chegou à conclusão de que os dirigentes dos Estados Unidos se recusavam a considerar os interesses do parceiro. Além da forte reação às objeções dos líderes russos em relação à invasão do Iraque, as autoridades americanas não cumpriram a única condição imposta pelo país em troca da autorização de permanência das bases militares dos Estados Unidos na região centro-asiática. Assim que os russos perceberam que os comandantes americanos não tinham intenção de retirar suas tropas do território do Quirguistão no futuro próximo, eles iniciaram as negociações para expulsar os antigos parceiros.

Tal decisão, somada aos conflitos posteriores, incluindo o caso Snowden e as posições contrárias em relação à Síria e Irã, eliminaram tanto a confiança mútua, assim como qualquer premissa para o seu surgimento. E apesar da série de episódios de colaboração bem-sucedida que permitiram Serguêi Lavrov, ministro de Relações Exteriores russo, a sugerir a existência de um “mecanismo bilateral eficiente que reúne os órgãos diferentes envolvidos no combate ao terrorismo”, a cooperação russo-americana teve caráter apenas pontual.

Os recentes eventos na península de Crimeia e no sudeste ucraniano precipitaram a saída demonstrativa dos Estados Unidos dos últimos projetos antiterrorismo conjuntos, gerando uma reação negativa por parte dos russos.

O término da colaboração nesta área não significa, contudo, que o Kremlin deixou de compartilhar os interesses dos ex-aliados – ele apenas perdeu o seu apoio. Ao contrário dos EU, a Rússia facilitou o abastecimento das tropas iraquianas com o armamento nacional destinado ao combate dos grupos de militantes do Estado Islâmico prestes a invadir Bagdá.

Embora a Rússia esteja pronta para prestar apoio nas missões contra o grupo terrorista em questão, o país não pretende participar das operações ilegítimas no território sírio sem uma negociação prévia com as suas autoridades. Infelizmente, as autoridades americanas não conseguem garantir a transparência completa das suas operações militares em solo sírio nem o cumprimento do procedimento jurídico antes de uma possível invasão.

“O Secretário Geral dos Estados Unidos falou mais de uma vez sobre a apresentação do novo formato de negociação que permitiria os Estados Unidos, a Rússia e outros Estados na região a avaliar os últimos acontecimentos e tentar equilibrar os seus interesses para obter mais eficiência na eliminação da ameaça terrorista”, explicou recentemente Lavrov. “Apesar da minha disposição em trabalhar nessa direção, não houve nenhum passo concreto do lado americano.”

Guevorg Mirzaian: Correspondente da revista “Expert” e pesquisador do Instituto de Análise dos Estados Unidos e Canadá da Academia de Ciências da Rússia.

Fonte: Gazeta Russa

 

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Fundos de reserva da Rússia poderão investir em eurobonds dos BRICS

Vice-ministro das Finanças Serguêi Stortchak

Ministério das Finanças da Rússia vai especificar o foco de investimento dos fundos de riqueza nacional do país favorecendo o seu investimento em eurobonds emitidos pelo grupo do BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China África do Sul). A informação foi divulgada pelo vice-ministro das Finanças, Serguêi Stortchak.

“Há possibilidade de mudar a declaração de investimento até o final do ano. Para ser mais exato, podemos especificar em vez de mudá-la. Ou, melhor ainda, adaptando-a às condições atuais”, disse ele.

O ministério vinha procurando uma alternativa aos títulos com classificação AAA que atualmente geram retornos baixos. “A opinião pública é contra manter reservas em títulos dos nossos emissores tradicionais”, acrescentou Stortchak.

O possível investimento dos fundos de reserva russos nos eurobonds dos Brics é uma iniciativa para responder às mudanças nos cenários político e econômico externos.

O foco de investimento em obrigações emitidas pelo grupo dos Brics ajudará a revogar o excesso de liquidez de divisas no mercado interno, prevenir a aceleração da inflação e evitar a pressão sobre os instrumentos financeiros nacionais.

“Paralelamente, a Rússia deve preservar o que ganhou nos mercados de exportação estrangeiro sob a forma de reservas e garantir rendimentos mais elevados”, finalizou Stortchak.

Publicado originalmente pela agência Itar-Tass

Fonte: Gazeta Russa

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A Índia chegou a Marte!

Mars_Orbiter_Mission_-_India_-_ArtistsConceptNOTA DO PLANO BRASIL: Parabéns a Índia e ao seu Povo, que com muita determinação e vontade política tornou um sonho realidade.

Por Salvador Nogueira

A Índia acaba de se tornar o primeiro país asiático a colocar um satélite em órbita de Marte. E o primeiro país do mundo a conseguir isso na primeira tentativa. Num evento eletrizante transmitido ao vivo pela internet, o mundo acompanhou a inserção orbital bem-sucedida da sonda MOM (sigla para Mars Orbiter Mission) no fim da noite desta terça-feira (23/09/2014).

Com isso, os indianos conseguiram bater seus rivais locais, China e Japão, no estabelecimento de um artefato em órbita do planeta vermelho. Ambos já haviam lançado espaçonaves com esse objetivo, mas a japonesa Nozomi falhou na inserção em sua rota interplanetária, em 1998, e a chinesa Yinghuo-1 sofreu com a falha de um foguete russo que a levaria a Marte, junto com a sonda russa Fobos-Grunt, em 2011.

A MOM, também chamada informalmente de Mangalyaan (algo como “nave marciana”, em sânscrito), é sem dúvida o maior sucesso do pujante programa espacial indiano, que já enviou uma espaçonave em órbita da Lua com sucesso, tem seus próprios lançadores e centros de lançamento, assim como a capacidade técnica para produzir satélites científicos de alto nível e a ambição de desenvolver um programa tripulado.

A missão marciana foi orçada em cerca de US$ 74 milhões — uma ninharia, em termos de projetos de exploração interplanetários. Sem dúvida é algo que nós, brasileiros, poderíamos estar fazendo, se houvesse determinação e visão em nosso próprio programa espacial. E o entusiasmo que um projeto desses produz certamente trará resultados importantes para a Índia, estimulando mais pessoas a buscar carreiras na ciência e na indústria aeroespacial. Sem falar no prestígio internacional.

“Inovação envolve risco. Somente se aceitarmos o risco, teremos sucesso”, disse o primeiro-ministro Narendra Modi, logo após a confirmação do sucesso, direto do controle da missão. “Nós assumimos esse risco.”

Mas, claro, nada disso aliviou a tensão momentos antes da confirmação da inserção orbital.

Meia hora nervosa

Uma primeira salva de palmas efusiva aconteceu exatamente às 23h. O disparo dos motores foi confirmado. E então a pequena MOM se escondeu atrás de Marte, com o planeta vermelho bloqueando o sinal da sonda captado na Terra. O “blecaute” durou por 24 minutos. Longos 24 minutos de tensão. Se tudo corresse bem, o fim do voo propulsado, com a consequente inserção orbital, aconteceria coisa de três minutos antes do fim do silêncio de rádio. Os engenheiros da ISRO (Organização de Pesquisa Espacial Indiana, a Nasa da Índia) esperaram. Esperaram e esperaram.

Então, às 23h30, a mais entusiástica salva de palmas confirmou o retorno do sinal. Manobra bem-sucedida. A MOM estava capturada numa órbita em torno de Marte!

A sonda indiana se junta a outras quatro espaçonaves atualmente operando em torno do planeta vermelho — as antigas Mars Odyssey (EUA), Mars Express (Europa) e Mars Reconnaissance Orbiter (EUA), e a recém-chegada Maven (EUA).

Com cinco instrumentos, os indianos farão imagens da superfície marciana e analisarão a composição da atmosfera, procurando nela sinais de metano — gás possivelmente ligado à atividade biológica. Para os íntimos, vida. A exploração de Marte fica mais entusiasmante a cada dia!

Parabéns à Índia pelo incrível sucesso!

Fonte: Concepção artística da MOM, primeira missão indiana a Marte.

Fonte: Folha de São Paulo  

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Conflitos Geopolítica

Países árabes prometem acompanhar Obama “até o fim” contra EI

Arábia Saudita, Jordânia, Bahrein, Catar e Emirados Árabes Unidos prometeram nesta terça-feira (23) ao presidente americano, Barack Obama, que acompanharão os Estados Unidos no combate ao Estado Islâmico “até o final”, um dia após os primeiros ataques coordenados sobre posições do grupo jihadista na Síria.

Arte UOL

Cidades sob controle do Estado Islâmico ou sob ameaça de ataques na Síria e Iraque

Obama se reuniu com representantes desses cinco países árabes e com o primeiro-ministro do Iraque, Haidar al Abadi, por ocasião de sua participação nas sessões da Assembleia Geral da ONU, e saiu do encontro com a sensação que a posição de todos eles está “unificada”, segundo uma fonte diplomática americana.

“Houve uma rotunda unanimidade na mesa. Todos os que estavam nessa mesa estão envolvidos nisto a longo prazo”, assegurou aos jornalistas a fonte, que pediu anonimato.

“O presidente recebeu uma mensagem de ‘Estamos com o senhor e estamos com o senhor até o final'”, ressaltou o funcionário.

Da reunião participaram o rei Abdullah da Jordânia, e os ministros das Relações Exteriores da Arábia Saudita, príncipe Saud al-Faisal; do Bahrein, o xeque Khalid Bin Ahmed Bin Mohammed al-Khalifa; do Catar, Khalid bin Mohammed Ao-Attiyah; e dos Emirados Árabes Unidos, o xeque Abdullah Bin Zayed Al-Nahyan.

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Avanço do Estado Islâmico provoca nova onda de violência no Oriente Médio

24.set.2014 – Refugiados curdos caminham para cruzar a fronteira entre a Síria e a Turquia na cidade de Suruc, na província de Sanliurfa. A ONU alertou que 400 mil pessoas devem tentar entrar na Turquia fugindo da violência do Estado Islâmico Murad Sezer/ Reuters

Em entrevista à imprensa antes da reunião, Obama afirmou que a luta contra os grupos jihadistas não será algo “rápido” nem “fácil”, mas permitirá demonstrar a “mensagem muito clara” da comunidade internacional contra o radicalismo islâmico.

“Graças aos esforços desta coalizão que quase não tem precedentes, acho que temos a oportunidade de enviar agora uma mensagem muito clara que o mundo está unido”, declarou.

O secretário de Estado americano, John Kerry, assegurou hoje que mais de 50 países já se uniram à coalizão internacional contra o EI que impulsiona o governo americano, entre eles a Turquia.

Entre os últimos países em comprometer-se de uma forma ou outra a apoiar a iniciativa estão México, Tunísia, Suíça, Cingapura, Geórgia e Taiwan, segundo um documento divulgado pelo Departamento de Estado.

Os Estados Unidos preferem deixar que cada país anuncie seus compromissos concretos para a aliança, que além do aspecto militar trabalhará para pressionar economicamente o EI e evitar que recrute mais combatentes estrangeiros.

Entenda a violência no Iraque
  • O que está acontecendo?

    Desde que as tropas americanas saíram do Iraque, em 2011, o grupo islâmico EI vem rapidamente ocupando cidades do país. Desde junho, já tomou Mosul, segunda maior cidade e bastião da resistência à ocupação dos EUA e aliados, e partes de Tikrit, cidade de Saddam Hussein próxima da capital Bagdá

  • Quem está atacando?

    O EI (Estado Islâmico), um grupo islamita sunita que surgiu da união de diversos grupos que lutaram contra a ocupação do Iraque pelos EUA e que recentemente criou um califado nas áreas sob o seu controle no Iraque e no Levante (parte de Síria e Líbano). Seu principal líder foi Al-Zarqawi, morto em 2006. Hoje a liderança tem vários nomes, mas o principal é Al-Baghdadi

  • O que é um califado?

    É uma forma de governo centrada na figura do califa, que seria um sucessor da autoridade política do profeta Maomé, com atribuições de chefe de Estado e líder político do mundo islâmico. O Estado, que seguiria rigorosamente a lei do Islã, compreenderia a região entre o mar Mediterrâneo e o rio Tigre

  • Qual a força do EI?

    O grupo, que recebe grandes doações ocultas de dinheiro, tem milhares de militantes, inclusive “jihadistas” americanos e europeus, e se aproveita da disputa entre o governo de Maliki, apoiado pelos xiitas, e a minoria sunita para conquistar espaço. Acredita-se que seja patrocinado por governos da região. Embora seja considerado um braço da Al-Qaeda, se rebelou e foi expulso pelo líder Al-Zawahiri

  • Qual o papel dos EUA?

    Alegando risco de genocídio, o presidente dos EUA, Barack Obama, determinou o bombardeio de áreas controladas pelos militantes do EI no norte do país. Os EUA também estão fornecendo armas e munição aos curdos para que combatam o movimento

  • Quem está na mira do EI?

    Cerca de 50 mil membros da minoria yazidi, que estão isolados em montanhas no noroeste do Iraque, sem comida nem água, depois de terem fugido de suas casas, e cristãos, que chegaram a ser crucificados. Mulheres tem sido forçadas a se submeter à mutilação genital e usar véus cobrindo o corpo inteiro

  • O Iraque pode se dividir?

    Apesar de o governo central de Bagdá ainda controlar oficialmente as províncias do país, é possível que haja a fragmentação em ao menos três territórios. Isso porque a divisão do Iraque entre árabes sunitas, xiitas e curdos já está bem avançada

Fonte: UOL

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Luta contra Estado Islâmico vai durar anos, dizem EUA

  • John Kirby. Credito: Getty

Representante do Pentágono falou com exclusividade à BBC

Os ataques aéreos liderados pelos EUA interromperam os avanços do autodenominado Estado Islâmico (EI), mas a luta contra o grupo extremista ainda vai levar anos, disse à BBC o porta-voz do Pentágono.

“Acreditamos que estamos falando de anos”, disse o almirante John Kirby dias após os EUA e países aliados iniciarem ataques aéreos contra o EI na Síria.

A afirmação foi feita no momento em que ativistas relataram novos ataques ao redor da cidade de Kobane, perto da fronteira da Síria com a Turquia.

Kobane foi cercada por militantes do Estado Islâmico durante vários dias, forçando cerca de 130 mil curdos sírios a fugir para a Turquia.

O Estado Islâmico tomou grandes áreas da Síria e do Iraque. Desde agosto, os EUA lançaram cerca de 200 ataques aéreos no Iraque.

Na segunda-feira, os ataques estenderam a campanha para a Síria pela primeira vez. Ativistas dizem que pelo menos 70 militantes do Estado Islâmico, 50 combatentes ligados à Al-Qaeda e oito civis foram mortos nos ataques, que atingiram vários alvos no norte e no leste do país.

Leia também: EUA divulgam imagens de ação contra ‘Estado Islâmico’

Leia também: Os riscos dos EUA e aliados na luta contra o Estado Islâmico

‘Êxodo’ de Raqqa

Em Washington, o almirante John Kirby disse que os ataques aéreos na Síria tinham diminuído com sucesso o poder do Estado Islâmico. “Achamos que atingimos o alvo”, disse ele.

No entanto, ele afirmou que o grupo é competente em se adaptar e reagir a mudanças, e que representa uma “grave ameaça” que não seria eliminada “dentro de dias ou meses.”

O Pentágono disse que aviões bombardeiros, drones e mísseis de cruzeiro Tomahawk foram usados nos ataques. As ações atingiram a sede do Estado Islâmico, em Raqqa, no nordeste da Síria, bem como áreas de treino, veículos e instalações de armazenamento em várias outras áreas.

O presidente americano, Barack Obama, disse que militantes ligados à Al-Qaeda conhecidos como o Grupo de Khorasan também foram alvo. Os EUA acusam o grupo de planejar “ataques iminentes” contra o Ocidente a partir de um reduto a oeste de Aleppo.

A ofensiva foi organizada em três ondas distintas, com jatos de combate norte-americanos usados na primeira e nações árabes participando na segunda e na terceira, disseram autoridades militares dos EUA.

A porta-voz do Departamento de Estado americano, Jan Psaki, disse que os EUA haviam alertado a Síria com antecedência para “não se envolver com aviões dos EUA”. Mas ela acrescentou que Washington não pediu permissão ou informou com antecedência sobre a programação dos ataques.

Moradores de Raqqa disseram aos jornalistas que os ataques aéreos tiveram um grande impacto sobre os militantes.

Um ativista na cidade, Abu Yusef, disse à agência de notícias AFP que os militantes estão agora “focados em tentar salvar suas próprias vidas”.

Abo Mohammed, um morador, disse à Reuters que o principal prédio administrativo da cidade tinha sido atingido por quatro foguetes e que centenas de combatentes que estavam controlando o tráfego e a segurança na rua haviam ido embora.

“Há um êxodo de Raqqa neste momento”, disse ele, relatando a fuga não só de militantes, mas também de moradores da cidade.

Refugiados sírios ameaçados pelo Estado Islâmico fugiram para Turquia
Menino perto de carro atingido, segundo ativistas, por um ataque aéreo dos EUA na Síria

Distorcendo o Islã

Na terça-feira, Obama elogiou o suporte das nações árabes aos ataques aéreos: “Isto não é uma luta dos EUA sozinhos.”

Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Jordânia, Bahrein e Catar apoiaram ou participaram dos ataques na Síria, disse o presidente americano.

O secretário de Estado americano, John Kerry, disse a jornalistas que mais de 50 países concordaram em unir esforços para combater o Estado Islâmico.

“Nós não vamos permitir que esses terroristas encontrem um refúgio seguro em outro lugar”, afirmou.

Em Nova York, o chanceler saudita, príncipe Saud al-Faisal, disse: “Hoje estamos diante de uma situação muito perigosa, já que o terrorismo evoluiu de células para exércitos”.

Ele disse que a ameaça havia engolido Líbia, Líbano, Síria, Iraque e Iêmen e “distorcido a imagem do Islã e dos muçulmanos.”

Na segunda-feira, o primeiro-ministro britânico, David Cameron, defendeu uma coalizão internacional para “destruir” o Estado Islâmico, indicando que se trata de uma luta inevitável.

A BBC apurou que o Parlamento do Reino Unido será chamado na sexta-feira a discutir o possível papel da Grã-Bretanha em ataques aéreos contra alvos de Estado Islâmico.

O presidente sírio, Bashar al-Assad, citado pela imprensa estatal, disse que apoiou todos os esforços internacionais de luta contra o “terrorismo” na Síria.

No entanto, o presidente iraniano, Hassan Rouhani, um aliado do governo sírio, disse que a ação militar na Síria não tinha “status legal” sem um mandato da ONU ou a aprovação do governo sírio.

Credito: AP

Quem é o Estado Islâmico?

  • Formado a partir da al-Qaeda no Iraque em 2013, conseguiu conquistar, primeiro, a região de Raqqa, no leste da Síria
  • O grupo tomou amplas áreas do Iraque em junho, incluindo Mosul, e declarou um califado nas áreas que controla na Síria e no Iraque
  • Adepto de uma forma extrema de islamismo sunita, o Estado Islâmico tem perseguido não muçulmanos como yazidis e cristãos, assim como os muçulmanos xiitas, que considera hereges
  • Conhecido por suas táticas brutais, incluindo decapitações de soldados, jornalistas ocidentais e trabalhadores humanitários
  • A CIA diz que o grupo pode ter até 31 mil combatentes no Iraque e na Síria
  • Os EUA têm lançado ataques aéreos contra alvos do Estado Islâmico no nordeste do Iraque desde meados de agosto

 

Fonte: BBC Brasil

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Eurofighter oferece aeronaves de combate Typhoon à Polônia

TyphoonO consórcio Eurofighter anunciou que pode oferecer uma resposta adequada, caso que a Força Aérea Polonesa formalize a compra de uma aeronave de combate de última geração. Polónia quer substituir seus veteranos Su-22 e Mig-29 de fabricação russa, mas ainda não iniciou qualquer processo ou tem sido emitido um pedido de informações (RFI) pelo que este processo ainda estaria vigente nos próximos anos.

Eurofighter acredita que, quando o interesse da Força Aérea polonesa  por um novo avião de caça seja formalizado, o Typhoon disporá já as melhorias nas que afirma têm que trabalhar agora. Estes são: a integração de radar de varredura eletrônica, o míssil de cruzeiro Storm Shadow e o  Brimstone  anti-tanque ambos da empresa MBDA.

Durante a recente feira de defesa  MOSOP, que teve lugar em Kielce, Polónia, Eurofighter ofereceu novamente o avião Typhoon , garantindo que se um acordo for alcançado, este pode incluir a transferência de tecnologia e de carga de trabalho, mas não a integração final da aeronave. Eurofighter Typhoon acredita que poderia substituir as duas aeronaves de caça  atualmente utilizadas nas missões da Força Aérea polonesa, tanto de ataque ao solo como de combate aéreo e confirmou que algumas reuniões ja foram realizadas entre delegados e da empresa e do Ministério da Defesa da Polônia. (J.N.G.)

Fonte: Defensa

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Polônia vende Ilegalmente mais de 150 MANPADS

AMPADS

Tradução e adaptação: E.M.Pinto

Agência de Propriedade Militar Polonesa (AMW) vendeu mais de 150 mísseis Arrow-2M, a partir do excedente do exército polonês. A operação pode ter violado as leis e regulamentos internacionais sobre a comercialização desta categoria de armas. O ministro da Defesa Tomasz Siemoniak afirmou, no entanto, que vendeu sistemas antiaéreos  desprovidas de capacidade de combate.

De acordo com a TVN 24 , a AMW, uma empresa com sede na Silésia, forneceu em 2012 cerca de 153 mísseis antiaéreos arrow-2M com 78 lançadores e mecanismos de inicialização. A transação pode ter violado o acordo com Wassernaar, que regula o comércio de exportação de armas convencionais, incluindo mísseis da classe MANPADS, bem como os chamados produtos e tecnologias de dupla utilização.

A Empresa Polonesa pretendia vender os mísseis a uma empresa com sede na República Checa. No entanto, o pedido foi de autorização para exportar armas, inclusive devido à possível violação de um acordo com Wassernaar foi retirado. De acordo com inciso 3.1 do documento, que trata explicitamente de mísseis  tipo MANPAD, a exportação deste tipo de armas devem ser realizadas somente através de órgãos governamentais ou entidades com permissão especial das autoridades para a transação.

 

Fonte: Defence24

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Os riscos dos EUA e aliados na luta contra o Estado Islâmico

Credito: AFPMilitantes do Estado Islâmico com os restos do que dizem ser um drone americano que caiu em Raqqa

O anúncio foi grandioso: cerca de 30 países, entre árabes e ocidentais, concordaram em formar uma coalizão para lutar contra o grupo radical autodenominado Estado Islâmico (EI), que se instalou em um grande território do Iraque e da Síria e choca o mundo com suas práticas cruéis, incluindo a divulgação de vídeos de decapitações.

A aliança seguirá basicamente as linhas apresentadas pelo presidente Barack Obama em 10 de setembro: ataques aéreos, apoio às forças locais, uso da inteligência e contra-terrorismo e fornecimento de assistência humanitária.

A coalizão começou a funcionar poucos dias após a reunião de cúpula em Paris. A França foi o primeiro país a aderir ativamente os ataques dos EUA no Iraque, na última sexta.

E, nesta terça-feira o grupo deu um golpe estratégico. O Pentágono disse que os Estados Unidos e cinco aliados árabes (Jordânia, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Barein e Catar) lançaram os primeiros ataques aéreos contra alvos do EI na Síria. Até agora, os bombardeios estavam concentrados no Iraque.

O desafio é conseguir que países com diferentes estratégias, políticas e interesses se unam sob a liderança de um país do qual muitos têm receio ou suspeita.

O plano visa conciliar a experiência que os Estados Unidos têm acumulado ao longo de meio século de intervenções com a realidade turbulenta e volátil do Oriente Médio.

Mas Obama tenta evitar intervir sozinho e, portanto, precisava de uma coalizão que incluísse, especialmente, os países árabes.

Até agora, Egito, Iraque, Jordânia, Líbano, Barein, Kuwait, Omã, Catar, Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos manifestaram disponibilidade para apoiar a ação.

Obama apresentou o plano de modo a liderar “por trás”, como ele fez na intervenção na Líbia em 2011.

O comentarista político Geoff Dyer disse ao jornal britânico Financial Times que “o risco de liderar por trás é que ele deixa os Estados Unidos dependentes dos esforços de seus membros”.

“Se eles não conseguirem, Obama poderia se encontrar em meio a uma guerra no Iraque, precisamente aquela que seu governo prometeu sair.”

Ecos do 11 de Setembro

Rami Khouri, da Universidade de Beirute, aponta vários problemas para a coalizão.

Khouri observa que este grupo foi criado por Washington, em estado de pânico, antes de consultar as partes interessadas e chegar a acordo sobre os países árabes, deixando-os em uma posição desconfortável.

Além disso, os Estados Unidos e seus aliados acreditam que, sem um governo inclusivo dos sunitas no Iraque, não há como lutar contra o EI.

Washington investiu bilhões de dólares na última década, e o resultado até agora é o sectarismo e a corrupção dos líderes xiitas.

Sectarismo e repressão

Credito: GettyEUA lideram a coalizão contra o Estado Islâmico

A ascensão do EI se deve em grande parte ao sectarismo e à repressão dos governos xiitas.

O governo de Nouri al-Maliki, primeiro-ministro iraquiano até agosto de 2014, usou o exército e milícias para reprimir a população sunita.

Patrick Cockburn, do jornal britânico The Independent, acredita que os 5 ou 6 milhões de árabes sunitas que vivem entre o Iraque e a Síria temem mais a violência em Bagdá e suas milícias do que o Estado Islâmico.

O New York Times publicou recentemente denúncias de milícias xiitas retaliando cidades e aldeias sunitas.

Os riscos do uso de drones

Outro possível problema, segundo o acadêmico libanês Khouri, é que o presidente Obama mencionou o uso de drones e colocou os casos do Iêmen e da Somália como exemplos do que quer conseguir com a coalizão.

Nem nesses países e no Paquistão os drones eliminaram as organizações insurgentes.

Pelo contrário: as mortes de civis aceleraram a radicalização contra Washington.

Liderança de sucesso?

Também existem dúvidas, diz Khouri, sobre o fato de que o coordenador da coalizão contra o EI seja o general aposentado da Marinha John Allen.

Anteriormente, Allen teve cargos de responsabilidade no Afeganistão, no Comando Central para o Oriente Médio, no Iraque e no conflito israelense-palestino.

“É difícil acreditar em uma combinação mais deprimente de fracassos da política americana na região do que os que acumula Allen”, diz.

Credito: AFPCoalizão reúne países ocidentais e árabes

Além disso, para Khouri e outros analistas, a coalizão também tem resquícios da resposta dos Estados Unidos e seus aliados aos ataques de 11 de Setembro de 2001.

No entanto, o problema com o IE é diferente da Al Qaeda e, segundo analistas, as reações emocionais anti-islâmicas e militaristas devem ser evitadas.

Luta regional

Apesar do sucesso duvidoso de intervenções no Afeganistão e no Iraque durante a última década e a rejeição de grande parte da população americana a entrar em uma nova guerra, Obama tem sido pressionado pelos chamados neo-conservadores em seu país, por governos de países árabes sunitas e por Israel para intervir militarmente contra o governo de Bashar al-Assad na Síria e atacar instalações nucleares iranianas.

O crescimento violento do EI levou Obama a projetar uma intervenção com o menor risco militar, político e econômico possível.

Ter uma coalizão foi uma das condições prévias para evitar um possível fracasso unilateral.

Mas a guerra na qual a coalizão ainda frágil e incerta está prestes a entrar faz parte da luta política religiosa entre sunitas e xiitas na região.

Irã contra a Arábia Saudita

E a rivalidade pela hegemonia regional entre o Irã (xiita) e Arábia Saudita (sunita) marca as alianças.

Ambos os países têm interesse em lutar contra o EI, mas mantêm uma forte concorrência regional.

O Irã apoia Bashar al-Assad, o Hezbollah no Líbano e o Hamas em Gaza; a Arábia Saudita apoia a oposição sunita na Síria.

Da mesma forma, a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos e o Egito lutam contra a Irmandade Muçulmana, enquanto o Catar e Turquia os apoiam.

Os Estados Unidos, a Arábia Saudita e o Irã estão se comunicando no combate ao EI, mas é difícil de alcançar um elevado nível de coordenação.

O dilema da Turquia

A Turquia (com população de maioria sunita), por sua vez, preferiu manter uma postura cautelosa, especialmente desde que dezenas de diplomatas foram sequestrados por EI.

O governo turco teme que o combate ao EI ajude a fortalecer os curdos iraquianos e, em médio prazo, um Curdistão turco.

Outros países temem que o Irã saia fortalecido desta guerra.

Juan Cole, professor da Universidade de Michigan, disse em seu blog: “(É) uma triste ironia que as duas potências regionais mais entusiásticas no combate ao ISIL (EI) sejam o Irã e a Síria.”

Bashar, inimigo também do EI

Credito: APPresidente sírio também é inimigo do Estado Islâmico

Em relação à Síria, durante os últimos três anos a Casa Branca insistiu que uma condição para se chegar a um acordo de paz no país era que o presidente Bashar al-Assad – alawita, um ramo xiita – saísse.

Além dos ataques a focos do EI na Síria, Obama pretende fornecer assistência militar a grupos armados do fragmentado Exército Livre da Síria -a quem se refere como “oposição moderada” – a fim de que eles combatam o governo de Damasco e o EI.

A Síria não se pronunciou sobre os recentes ataques, mas havia comunicado anteriormente que qualquer ataque a seu território seria considerado uma interferência.

E o governo russo também disse que um ataque de Washington na Síria será considerado uma violação ao direito internacional.

Rebeldes moderados?

Na volátil situação na Síria, é difícil saber quais grupos são moderados, e há risco de transferência de armas para grupos que podem se tornar inimigos dos Estados Unidos.

Lina Khatib, da Fundação Carnegie para a Paz Internacional, acredita que o plano de Obama e da coalizão não contempla uma forma de incluir o Exército Livre da Síria em um quadro político.

Esta confusão pode reproduzir o caos que ocorreu na Líbia após a intervenção da OTAN em 2011.

Grande parte da população sunita na Síria teme e rejeita o governo de Bashar al-Assad e muitos deles preferem o EI.

Ao mesmo tempo, os adversários do governo desconfiam dos Estados Unidos depois de ter esperado por quase quatro anos até que este país interviesse para apoiá-los.

O sentimento de muitos cidadãos sírios e iraquianos é de estar presos entre o Estado Islâmico e os governos de Damasco e Bagdá, e a esperança de serem salvos por uma coalizão improvisada parece distante.

(*) Mariano Aguirre coordena o Centro Norueguês de Consolidação da Paz (NOREF) em Oslo. www.peacebuilding.no

Fonte: BBC Brasil