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Após a END no Brasil entre 2003 e 2012 investimentos em Defesa aumentou mais de 568%

Imagem: Assessoria de Comunicação Social Ministério da Defesa

Ivan Plavetz

Desde seu lançamento em 2008, a Estratégia Nacional de Defesa (END) conseguiu concretizar significativos avanços nos investimentos feitos na indústria brasileira do setor.

A constatação foi feita por especialistas presentes no 50º Fórum de Debates Brasilianas.org, realizado na última quinta-feira (11) em São Paulo.

Segundo dados apresentados, entre 2003 e 2012 registrou-se  aumento de mais de 568% de investimentos no setor de defesa, que ganharam maior força após o advento da END.

Os efeitos desse crescimento – que se baseia em levantamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) – foram constatados, por exemplo, no aumento das exportações de produtos de defesa.

Estimativas da Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança (ABINDE) indicam que as exportações para 2014 devem chegar a US$ 2,8 bilhões.

Outro efeito positivo pode ser visto no crescimento ou manutenção de postos de trabalho do  setor. Apenas no segmento de armamentos, o número de funcionários saltou de 4.356 para 7.147 entre os anos de 2007 a 2013.

A fabricante de helicópteros Helibras, sediada em Itajubá (MG), simboliza esse aumento na geração de empregos no setor. Em 2009 a empresa contava com 260 colaboradores, enquanto em 2014 essa quantidade subiu para  847 funcionários.

“O salto foi para atender ao projeto HXBR. Seguimos com boas perspectivas”, disse o presidente da empresa, Eduardo Marson Ferreira, que também participou do fórum de debates.

Apesar dos avanços, alguns especialistas avaliaram que a indústria de defesa brasileira ainda carece de garantias de investimento para viabilizar um crescimento mais efetivo. Para o diretor do Departamento da Indústria de Defesa (COMDEFESA) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), Jairo Cândido, é preciso que o país “faça uma reorganização constante das Forças Armadas para reestruturação da indústria”.

Também participaram do evento palestrantes como o professor especialista em segurança internacional das Faculdades Integradas Rio Branco, Gunther Rudzit e o especialista em Ciência Mecatrônicas e Assessor de Defesa da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) da Presidência da República, Samuel César da Cruz Júnior.

Fonte: Tecnologia & Defesa

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Conflitos Geopolítica

Austrália vai enviar tropas e aviões para combater Estado Islâmic

SYDNEY — A Austrália vai começar a enviar tropas e aviões para o emirado de Abu Dhabi nesta semana, tornando-se o primeiro país que apoia por terra a ofensiva dos Estados Unidos contra o Estado Islâmico no Iraque, anunciou nesta segunda-feira a agência local AAP.

O primeiro-ministro australiano, Tony Abbot, detalhou no domingo que seu país enviará até 600 soldados e dezenas de aviões, entre eles sofisticados caças Super Hornet. O premier reconheceu em declarações à imprensa local que a guerra contra o grupo extremista pode estender por muitos meses.

— Não vou colocar um limite (de tempo) — disse ele, que justificou seu apoio aos EUA devido à presença de australianos no grupo extremista. — Mais uma vez quero enfatizar que estamos falando de um movimento que é não é islâmico e nem um Estado. É um culto mortal que foi introduzido em países como a Austrália.

De acordo com o chefe da Organização de Inteligência e Segurança (Asio) australiana, David Irvine, há entre 60 e 70 cidadãos de seu país lutando ao lado do Estado Islâmico no Iraque e na Síria, com outros cem integrados às redes de apoio logístico.

Nesta segunda-feira, os 30 países presentes na conferência internacional em Paris sobre segurança no Iraque comprometeram-se a apoiar a luta do país contra o Estado Islâmico, utilizando todos os meios necessários, incluindo militar, segundo o que o documento final da reunião. Embora não detalhe o tipo de ajuda, o texto destaca o caráter de urgência na assistência ao governo iraquiano.

Os planos de combater o Estado Islâmico, que ocupou vastos territórios no Iraque e na Síria, ganharam impulso com a decapitação do britânico David Haines no sábado. Ele é terceiro refém do Estado Islâmico executado em menos de um mês, depois dos jornalistas americanos James Foley e Steven Sotloff.

 Fonte: O Globo

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Conflitos Defesa Destaques História Sistemas de Armas Tecnologia

15 de Setembro de 1916: Primeiro tanque de guerra em ação

Tanque de guerra durante a Primeira Guerra Mundial

Em 15 de setembro de 1916, um tanque de guerra foi usado pela primeira vez na história militar em uma frente de batalha, no norte da França.

Em setembro de 1916, as tropas alemãs combatiam em Flers, na França, numa das batalhas mais sangrentas da Primeira Guerra Mundial, que deixou um saldo de mais de um milhão de soldados mortos. Durante a chamada Batalha do Somme, alemães e aliados enfrentaram-se durante semanas numa frente de combate com mais de 40 quilômetros de extensão.

Na luta por alguns metros de terreno, foram cavadas longas trincheiras, e cercas de arame farpado protegiam os soldados de ataques repentinos do inimigo. Trocas de tiros e ataques diretos alternavam-se, sem que qualquer das partes conseguisse levar vantagem.

Na manhã do dia 15 de setembro de 1916, os alemães aguardavam os costumeiros ataques das tropas inglesas de infantaria. Para surpresa geral, no lugar de combatentes, surgiu à distância o que alguns soldados acreditaram tratar-se de tratores.

“Movidos por forças sobrenaturais”

Um correspondente de guerra relatou o fato da seguinte forma: “Sobre as crateras vinham dois gigantes. Os monstros aproximavam-se hesitantes e vacilantes, mas chegavam cada vez mais perto. Para eles, que pareciam movidos por forças sobrenaturais, não havia obstáculos. Os disparos das nossas metralhadoras e das nossas armas de mão ricocheteavam neles. Assim, eles conseguiram liquidar, sem esforço, os granadeiros das trincheiras avançadas”.

O que os estupefatos alemães presenciaram era a ação dos primeiros tanques de guerra da história da humanidade – a nova arma que ingleses e franceses tinham construído em sigilo absoluto. Essa arma recebeu dos militares aliados o codinome de “tanque”, a fim de que os inimigos pensassem em reservatórios de água ou de combustível, caso extravasasse alguma informação sobre o projeto secreto.

Os novos tanques de guerra desencadearam a situação mais fatídica ocorrida até então numa frente de combate. Os “monstros” superavam obstáculos, em função dos quais milhares de soldados tinham morrido antes. Armas, trincheiras ou cercas de arame farpado – nada conseguia deter os poderosos veículos.

Um tanque inglês avariado foi descrito da seguinte forma pelos militares alemães que conseguiram tomá-lo: “Nos lados, ele tem chapa de blindagem de dois centímetros e meio de espessura e uma torre giratória de canhão, do formato de um ninho de andorinha. É dirigido através de uma peça traseira de articulação que pode ser movida para cima e para baixo. O veículo é tão pesado, que um vagão de trem sucumbiu sob o seu peso. Eles transportam muita munição, alimentos e uma gaiola com pombo-correio”.

Os primeiros tanques eram consideravelmente lentos, perfazendo apenas seis quilômetros por hora, além de serem bastante difíceis de manobrar. Dos 49 tanques de guerra da primeira geração, que foram usados em Flers, poucos retornaram a seus postos de origem.

Elogios à coragem alemã

Grande parte deles foi abandonada no caminho em função de panes no motor ou na esteira de rodagem ou acabou atolada em algum buraco ou lamaçal profundo. Nove tanques foram destruídos pelos alemães. Depois de vencer o susto inicial, os soldados alemães passaram a atacar os tanques com granadas de mão e armas de fogo.

Segundo um correspondente de guerra inglês, “a coragem dos alemães era fora do comum. Ignorando o fogo das metralhadoras dos veículos, eles tentavam, com uma fúria desesperada, assaltar os tanques e matar a sua tripulação. Eles se alçavam reciprocamente ao teto do tanque, procuravam escotilha ou fendas e atiravam com revólveres nas frestas”.

O número consideravelmente alto de baixas dos tanques de guerra levou o Exército alemão a acreditar que a artilharia seria sempre superior à nova invenção, o que foi considerado um erro estratégico alguns anos mais tarde.

Enquanto franceses e ingleses trabalharam na melhoria da qualidade dos seus tanques, chegando a ter no último ano da guerra alguns milhares deles, os alemães só tinham produzido 45 unidades até então. Um desequilíbrio que se tornou cada vez mais visível e acelerou a derrota alemã na guerra.

Fonte: DW.DE

 

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Conflitos Geopolítica

Exército russo leva terror a tropas ucranianas

UKRAINE-RUSSIA-POLITICS-CRISIS-DONETSK-FIGHTING

Por Roman Olearchyk e Neil Buckley | Financial Times, de Kiev 

Para os 400 soldados de uma unidade do Exército ucraniano perto de Stepanivka, um vilarejo no sudeste do país, meados de agosto foi o momento em que suas vidas viraram um horror.

Durante algumas semanas, a unidade havia se envolvido em escaramuças com os rebeldes separatistas pró-russos. Mas os soldados tinham cumprido sua missão de impedir a chegada de suprimentos provenientes da Rússia pela fronteira e ao longo da estrada que leva ao reduto rebelde de Donetsk, 100 km a noroeste.

“Então os russos invadiram”, relatou um soldado da unidade ao “Financial Times”, apertando seus dedos queimados e inchados.

Dezenas de tanques sem identificação, veículos blindados de transporte de tropas, lança-mísseis e caminhões militares, disse ele, apareceram na estrada, provenientes da fronteira. De repente, a unidade não estava apenas diante de rebeldes, mas enfrentando tropas regulares russas e barragens de artilharia disparadas de território russo que transformaram a área no que outro sobrevivente chamou de “fornalha, um verdadeiro inferno”.

Quando surgiram rumores de que mercenários tchetchenos – que têm a reputação de torturar prisioneiros – estavam para chegar, para uma operação de “limpeza”, o que restava da unidade ucraniana entrou em pânico.

Vídeo: cenas de batalhas no Sudeste do País

https://www.youtube.com/watch?v=CJAUbrh9mrE#t=106

“Alguns de nossos rapazes deram um tiro na cabeça, bem na minha frente”, disse o soldado, que pediu para não ser identificado por não estar autorizado a falar à imprensa. “Outros largaram as armas e fugiram a pé, perseguidos pelos campos. Um punhado de nós tivemos a sorte de sairmos vivos.”

A entrada de soldados regulares russos virou a maré no conflito de quatro meses no leste da Ucrânia, revertendo a sorte das forças ucranianas que pareciam prestes a derrotar os rebeldes.

O episódio provou que o presidente da Rússia, Vladimir Putin, estava disposto a fazer tudo o que fosse necessário para evitar uma derrota dos rebeldes, e transformou o que era, em princípio, um conflito interno ucraniano numa guerra não declarada entre Rússia e Ucrânia.

O presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko, foi encurralado, pressionado a aceitar um cessar-fogo, que agora já dura uma semana, e firmar um acordo com Putin – mesmo que, com isso, os rebeldes fiquem com o controle de partes do leste do país, o que dará a Moscou influência sobre a Ucrânia durante anos.

O mundo exterior soube da extensão do acúmulo de forças russas na Ucrânia somente no dia 28 de agosto, quando a Otan disse que “bem mais de mil” soldados russos foram enviados para lá. Há cerca de dez dias, a Otan (aliança militar ocidental) estimou o número em 3.000; autoridades ucranianas dizem que o total pode ter ultrapassado 10 mil.

Apesar das repetidas negações de Moscou, as autoridades de Kiev e soldados ucranianos alegam que forças especiais russas e agentes de inteligência militar, em pequeno número, vêm orientando a insurgência no leste desde o início de abril.

Mas o acúmulo de forças regulares russas, diz Oleksandr Danylyuk, conselheiro do ministro da Defesa da Ucrânia, começou cerca de um mês atrás. Naquele momento, um comboio russo de ajuda humanitária formado por 280 caminhões partiu dos arredores de Moscou com destino ao leste da Ucrânia, missão que, sugere Danylyuk, era uma manobra para desviar a atenção.

Colunas militares russas começaram a cruzar a fronteira em vários locais, rapidamente superando unidades de fronteira ucranianas, como a de Stepanivka.

Ao mesmo tempo, disse um soldado de outra unidade de fronteira ucraniana, perto Amvrosiivka, ataques de artilharia partindo do outro lado da divisa criaram uma zona de matança. “Estávamos sendo constantemente bombardeados de solo russo, sem o direito de reagir disparando”, disse ele.

Soldados ucranianos disseram que as forças separatistas estavam mal equipadas e eram mal disciplinadas. As forças russas, ao contrário, eram bem organizadas, com armas muito melhores do que as tropas pobremente financiadas da Ucrânia.

Os russos empregaram os temíveis foguetes Uragan, que podem fazer chover estilhaços em brasa em ataques de precisão a 35 km de distância. “Nossos soldados estavam sendo exterminados, e eles nunca sequer viam o inimigo”, disse o assessor presidencial. “Foi como um moedor de carne”.

Algumas forças russas cruzaram a fronteira perto de Lugansk, outra importante cidade controlada pelos rebeldes, forçando as forças ucranianas a deixar o aeroporto local. Outras criaram um front no sul, ajudando os rebeldes a tomar a cidade de Novoazovsk, na costa do mar de Azov. Isso intensificou o temor, em Kiev, de que eles pudessem avançar rumo ao porto estratégico de Mariupol e abrir um corredor por terra, rumo oeste, até a Crimeia, anexada pela Rússia em março.

As tropas russas também rumaram para Donetsk, retomando cidades que forças ucranianas haviam reconquistado poucas semanas antes. Acredita-se que algumas forças russas que esmagaram as unidades ucranianas em Stepanivka e Amvrosiivka acabaram indo para Ilovaisk, 20 km a sudeste de Donetsk, para uma batalha feroz e decisiva.

Depois que um batalhão pró-Kiev tomou parte da cidade, em meados de agosto, e pediu reforços, disse Danylyuk, cerca de 3.000 soldados do Exército ucraniano foram enviados em apoio. Eles rapidamente cercaram e bombardearam as recém-chegadas forças russas.

Quando soldados e voluntários ucranianos negociaram com os comandantes russos o que eles acreditavam ser um “corredor” seguro para deixar Ilovaisk, em 29 de agosto, e começaram a sair, foram emboscados. Mais de 200 ucranianos morreram na carnificina, elevando o número oficial de soldados de Kiev mortos no conflito para quase mil – embora muitos soldados que vivenciaram os combates acreditem que o total verdadeiro é bem maior.

Em 1º de setembro, os rebeldes voltaram a controlar Ilovaisk. No início da manhã de 3 de setembro, Poroshenko telefonou para Putin para discutir um possível acordo de paz.

Fonte: Valor Econômico

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Por que o Brasil parou de crescer?

Ruth Costas

Da BBC Brasil em São Paulo

Fábrica (Reuters)

Indústria é um dos setores que puxaram o PIB para baixo no primeiro semestre

Agora é oficial: o Brasil parou de crescer. É verdade que a desaceleração não ocorreu de repente. Nos últimos três anos, o PIB teve uma expansão tímida de 2,7%, 1% e 2,5%, respectivamente, menor do que na década de 2000 e 2010, quando, mesmo com duas crises financeiras internacionais, o crescimento médio foi de 3,7% ao ano.

Mas foi o anúncio do IBGE de que a economia brasileira teve uma retração de 0,2% no primeiro trimestre e 0,6% no segundo que parece ter feito até o governo admitir que o país chegou em uma encruzilhada.

“Gostaria que o Brasil estivesse crescendo em um ritmo mais acelerado”, reconheceu a presidente Dilma Rousseff.

O dado levou Dilma a prometer mudanças em sua política e equipe econômica em um eventual segundo mandato e analistas “do mercado” revisaram suas expectativas de expansão do PIB para este ano pela 15ª vez consecutiva – para 0,48%.

Segundo o serviço Broadcast, da Agência Estado, até a estimativa oficial do governo, de um crescimento de 1,8% em 2014, já estaria sendo revista – embora não esteja claro para quanto, especialmente depois da ligeira recuperação da economia em julho, registrada no índice IBC-Br, do Banco Central.

A questão é que se há consenso de que temos um problema, suas causas ainda estão longe de ser unanimidade.

O governo atribuiu a freada ao contexto internacional desfavorável e uma onda de “pessimismo” em parte motivada por questões políticas.

Ao explicar o caso específico dos números negativos do segundo trimestre, também culpou os feriados da Copa do Mundo pela queda da atividade de setores como varejo e indústria.

Já economistas, analistas de mercado e consultorias apontam erros na condução da política econômica – também destacados por candidatos da oposição.

Numa tentativa de mapear esse debate, a BBC Brasil fez uma compilação das “hipóteses” sobre o que, afinal, teria contribuído para empurrar o país desse patamar de 3,7% de crescimento para o que internacionalmente se convenciona chamar de “recessão técnica”. Confira abaixo o resultado:

Há certo consenso de que o cenário externo não ajudou o Brasil nos últimos anos, ao contrário do que ocorreu na década passada – embora o governo atribua a esse fator um peso muito maior que economistas críticos da atual política econômica.

“Vivemos um período muito diferente daquele em que a economia mundial crescia 4,4% e todos comiam o mamão com açúcar da globalização”, resumiu, em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, o presidente da Vale, Murillo Ferreira.

Em 2010, ano em que o país cresceu 7,5%, a expansão da economia internacional foi de 5,2%. Já em 2014, a estimativa é que cresça 3,3% segundo o FMI e 2,7% segundo a ONU. Em 2013, o crescimento foi de 2,3%.

Essa mudança de contexto afetaria desde o nível das exportações, até a atração de investimentos e expectativas dos investidores domésticos.

O país também estaria sofrendo os efeitos da desaceleração da China e da queda no preço das commodities no mercado internacional.

“Mas também é preciso considerar os limites dessa influência do cenário externo”, opina Alessandra Ribeiro, economista da consultoria Tendências.

“Mesmo com um cenário desfavorável, outros países conseguiram crescer muito mais que o Brasil, por exemplo.”

De 2011 a 2013, o PIB dos países latino-americanos cresceu 3,1% ao ano em média. A média da Aliança do Pacífico – Colômbia, Peru, Chile e México – foi de 4,6%, e a dos emergentes, de mais de 5%.

Já o Brasil cresceu a um ritmo de 2% ao ano.

Outra hipótese sobre a qual há certo consenso diz respeito às “expectativas negativas” que estariam achatando os investimentos.

O governo, porém, tem dado a entender que esse “pessimismo” seria politicamente motivado enquanto consultorias econômicas e analistas do mercado o atribuem às incertezas ligadas à condução da política econômica.

“O mesmo pessimismo que se tinha em relação à Copa está havendo em relação à economia brasileira. E no caso da economia é mais grave, porque a economia é feita de expectativas”, disse Dilma recentemente.

Na entrevista à Folha, o presidente da Vale, Murilo Ferreira, parece ter endossado o argumento governista sugerindo que haveria um “Fla-Flu” político entre a administração do PT e o mercado financeiro e industriais de São Paulo.

“A política em São Paulo está muito rancorosa”, disse.

Para Marcelo Moura, economista do Insper, porém, “é bobagem” pensar que os empresários deixariam de investir para “atrapalhar” o governo.

“Os empresários e investidores querem retorno: vão investir sempre que calcularem que podem obter lucro com isso. Imagina se iriam arriscar seus ganhos por questões políticas ou ideológicas”, diz ele.

“A questão é entender por que essas expectativas estão tão negativas. Por que os empresários não estão investindo? E aí a resposta estará provavelmente ligada às incertezas provocadas pela péssima condução da política econômica”, opina.

Essa é uma hipótese defendida por economistas críticos ao governo: a de que o suposto abandono do chamado “tripé” macroeconômico, teria contribuido para a desaceleração.

O termo refere-se à política que combina metas fiscais, metas de inflação e câmbio flutuante – adotada para garantir a estabilidade da economia no final dos anos 90, quando o sistema de câmbio fixo ruiu.

A lógica é que, com a flexibilização dessa política, a inflação corroeria a renda das famílias e os empresários hesitariam em investir.

Durante o governo Dilma, anunciou-se a transição para a chamada “nova matriz econômica”, que combinaria juros baixos, taxa de câmbio “competitiva” e uma “consolidação fiscal amigável ao investimento e ao crescimento”, nas palavras do secretário de Política Econômica da Fazenda, Márcio Holland.

Segundo economistas ortodoxos, o fato de o Banco Central (BC) ter sido obrigado a voltar a elevar os juros seria uma prova do fracasso da “nova matriz”.

O governo nega, porém, que o “tripé” tenha sido “substituído”. Diz que, apesar de a inflação rondar os 6,5%, está dentro da meta definida pelo BC, de 4,5% com tolerância de 2 pontos percentuais para cima e para baixo. Ao menos oficialmente, também garante que a meta de superávit primário, de 1,9% do PIB, ainda pode ser alcançada.

Para economistas como Ribeiro, da Tendências, e Mauro, do Insper, o grande problema é como as metas têm sido atingidas nos últimos anos.

Mauro diz que, no caso das metas fiscais, o governo vem lançando mão da chamada “contabilidade criativa” – manobras contábeis que fariam parecer que se estaria economizando recursos, quando na realidade isso não ocorreria.

Por exemplo: o tesouro faz repasses ao BNDES, que empresta para estatais, que pagam dividendos ao governo. Os dividendos entram como receita, mas os repasses não são contabilizados como despesas.

No caso das metas de inflação, Ribeiro faz coro com economistas que denunciam a represa de preços administrados, como energia e combustíveis, para segurar o índice.

“Isso tem criado uma série de desequilíbrios”, diz ela. “A Petrobras, por exemplo, deve ter sua capacidade de investimento afetada por não poder repassar a alta de seus custos aos consumidores.”

De acordo com os defensores dessa hipótese, na segunda metade dos anos 2000, o país teria crescido em função do aquecimento do seu mercado interno e medidas de estímulo ao consumo, mas teria faltado empenho para a ampliação dos investimentos. O resultado seria o desgaste desse “modelo de crescimento baseado em consumo”.

De fato. Nos últimos três anos o nível dos investimentos na economia brasileira caiu do patamar dos 19,5% do PIB – já considerado baixo – para cerca de 17%.

“O governo achava que, ao estimular o consumo, os investimentos viriam naturalmente e não foi o que ocorreu”, acredita Ribeiro, da Tendências. “O resultado foi uma inflação de demanda, por falta de produtos.”

Em um primeiro momento, medidas anticíclicas ligadas à expansão do crédito e gastos do governo ajudaram a evitar que o Brasil fosse duramente atingido pelos efeitos da crise internacional de 2008, como explica André Biancarelli, economista da Unicamp.

Mesmo Michael Reid, colunista da revista liberal Economist e autor de Brasil: A Ascensão Turbulenta de uma Potência Global, admite que tais políticas foram efetivas em 2008 e 2009.

“Mas as medidas de estímulo deveriam ter sido interrompidas uma vez que a economia começou a se recuperar”, opina Reid. “Se o governo tivesse rapidamente voltado a focar no superavit fiscal a partir de 2010, as taxas de juros e a inflação seriam hoje menores e o Brasil estaria crescendo mais.”

Já Biancarelli discorda da tese do “esgotamento do modelo de crescimento baseado em consumo”.

Para ele, o dinamismo do mercado interno brasileiro é um dos trunfos do país em seus esforços para retomar o crescimento – e impor medidas que reduzam esse dinamismo seria “arriscado”.

Por essa hipótese, o maior problema não seria o que o governo fez nos últimos anos, mas o que deixou de fazer.

A ideia é que a única forma de garantir o crescimento do PIB no médio e longo prazo teria sido reduzir os problemas estruturais que afetam a competitividade das empresas brasileiras – como a complexa burocracia e sistema tributário do país, as deficiências de infra-estrutura e a escassez de mão de obra qualificada.

Sem reformas de peso nessas áreas, seria esperado que, cedo ou tarde, o crescimento arrefecesse.

“Temos problemas de logística graves, um sistema tributário intrincado e uma legislação trabalhista anacrônica”, diz Helio Zylberstein, economista da USP.

“Sem resolver questões como essas será difícil fazer avanços na produtividade das empresas brasileiras – o que é essencial para retomarmos o crescimento”.

Para Mauro, do Insper, se continuar a adiar as reformas e investimentos para amenizar esses problemas, o Brasil pode abandonar o sonho de ser um país desenvolvido.

“Não dá para querer ser desenvolvido crescendo 3% em ano em que a economia vai bem”, opina.

“Precisamos passar para o patamar dos 5%, 6% de crescimento, ou mais – e sem desatar esses nós estruturais isso nunca vai ocorrer.”

Fonte: BBC Brasil

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Conflitos Geopolítica

Referendo na Escócia: britânicos alertam para decisão ‘sem volta’

Escócia (Getty)

Referendo sobre futuro da Escócia será realizado na 5a-feira; pesquisas apontam disputa apertada

O debate sobre o futuro da Escócia entra na reta final a três dias de um referendo que decide sobre sua separação da Grã-Bretanha, com pesquisas indicando que a acirrada disputa continua em aberto.

Nos últimos dias da campanha, o primeiro-ministro da Escócia, Alex Salmond, reforçará a mensagem de que um voto pela independência ajudará no crescimento da economia local. A estratégia responde a incertezas sobre o futuro econômico de uma Escócia independente levantada por especialistas e grandes empresas britânicas.

Será a segunda viagem de Cameron à Escócia em uma semana. Ele também apostará em uma mensagem de apelo mais direto, ao dizer que há razões “da cabeça e do coração” para se votar pelo “Não”.

A disputa no referendo, que será realizado na quinta-feira, segue apertada. Uma nova pesquisa do jornal Sunday Times, realizada pela empresa Panelbase, colocou o “Não” com 50,6% e o “Sim” com 49,4%. Os números mostram a redução da diferença entre os dois campos; uma semana antes, a pesquisa colocava o “Não” com 52% e o “Sim” com 48%.

A combinação das seis últimas pesquisas, realizadas entre 9 e 12 de setembro e excluindo eleitores indecisos, deu ao “Não” 51% das intenções de voto e ao “Sim” 49%.

Escócia (Getty)

No domingo, a rainha Elizabeth 2ª fez seu primeiro comentário público sobre o referendo e disse esperar que as pessoas pensem cuidadosamente sobre o futuro antes de votar.

No último fim de semana antes do voto, milhares de pessoas participaram de manifestações na Escócia, com ambos os lados alegando vantagem.

Em Glasgow, partidários da independência da Escócia realizaram ato

Manifestantes participaram de ato pelo “Não” em Edimburgo

Um grande ato também ocorreu em frente ao prédio da BBC Escócia em Glasgow, com manifestantes acusando a cobertura da empresa pública de comunicação de ser tendenciosa – contra a independência. Cerca de 1 mil pessoas participaram do protesto, segundo a polícia, mas observadores disseram que o número de participantes foi bem maior.

Um porta-voz da BBC disse que “a cobertura tem sido justa e imparcial e que segue plenamente as exigências das nossas Diretrizes Editoriais e do Referendo”.

‘Maioria considerável’

Salmond disse no domingo que o referendo era “uma oportunidade de uma geração” e que ele estava em busca de uma “maioria considerável”.

Perguntado se ele tentaria a realização de um novo referendo caso a separação seja rejeitada, ele disse: “Não estamos querendo ganhar por um voto. Queremos alcançar uma maioria considerável se pudermos”.

Escócia (BBC)

Darling, do “Melhor Juntos”, e Salmond, pela independência, participaram de programa na BBC

Alistair Darling, ex-ministro das Finanças britânico e deputado eleito por Edimburgo – segunda maior cidade da Escócia – e líder da campanha “Melhor Juntos”, disse que a campanha pelo “Não” irá focar nos eleitores indecisos.

“Eu disse há um ano que essa disputa ficaria acirrada na véspera e é exatamente isso o que está acontecendo”, disse Darling. “Não é uma surpresa. É a maior decisão individual que iremos tomar”.

“Se nós votarmos por deixar o Reino Unido na quinta-feira, não tem volta. Não é igual a uma eleição em que você pode mudar de opinião se as coisas não funcionarem”, disse.

A campanha entra na reta final com grandes nomes da música escocesa fazendo campanha pela independência, incluindo as bandas Franz Ferdinand e Mogwai.

Enquanto isso, o ex-capitão da seleção inglesa David Beckham anunciou apoio ao voto pelo “Não”, e pediu uma renovação do “vínculo histórico” do Reino Unido.

Fonte: BBC Brasil

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Rússia implanta base militar nas ilhas de Nova Sibéria

Ação é resposta da Rússia às crescentes ameaças à “segurança nacional” e também representa defesa aos interesses econômicos do país na região.

Rússia implanta base militar nas ilhas de Nova Sibéria
A presença militar russa no Ártico, bem como a construção desta base, é carregada de um significado geoestratégico profundo Foto: ITAR-TASS

No início de setembro, na ilha de Wrangel, localizada no mar de Chukchi, a Rússia deu início à construção de uma base militar batizada de Estrela Polar. Oficiais e funcionários viverão e trabalharão no campo militar que tem por objetivo a defesa e controle da área localizada na chamada Rota do Mar do Norte, precisamente no cruzamento dos hemisférios oriental e ocidental. Está planejada também a construção de uma pequena cidade de apoio na ilha de Kotelni, localizada a oeste das ilhas de Nova Sibéria.  

A Rússia enviou à região uma frota de navios de transporte com todos os materiais e ferramentas necessários à construção da cidade e da base que será equipada com pista de pouso.

A flotilha foi composta das seguintes embarcações: o navio antisubmarino Admiral Lévtchenko, o navio anfíbio de desembarque Gueórgi Pobedonosets, o navio-tanque Serguêi Óssipov, o navio de resgate Pamir e o rebocador de alto-mar Aleksandr Púshkin, provenientes do Mar Báltico. Em determinados trechos da rota, principalmente onde o gelo era mais espesso, a frota foi acompanhada por navios quebra-gelo da companhia russa Rosatom.

“O principal objetivo desta força-tarefa, destacada a partir da frota do Mar Báltico, é transportar para as ilhas de Nova Sibéria pessoal, equipamentos e víveres. A partir deste ano, esta missão será permanente”, declarou o almirante Vladímir Koroliov, comandante da Frota do Norte.

A presença militar russa no Ártico, bem como a construção desta base, é carregada de um significado geoestratégico profundo.

Início da batalha do Ártico

Em dezembro do ano passado, o vice-primeiro-ministro russo, Dmítri Rogôzin, afirmou que logo uma “grave batalha pelo Ártico” se desenrolaria no “âmbito virtual”, apesar da “seriedade dos envolvidos”. O status jurídico internacional do território ártico, rico em recursos naturais, ainda não está definido. Influenciam na determinação os Estados Unidos, Canadá, Rússia, Dinamarca, Islândia e Noruega, países cujos litorais são banhados pelos mares do oceano Ártico.

Na disputa jurídica também participam países que não possuem fronteiras com a região, tais como Finlândia, China, Japão, Coreia do Sul, Índia e até mesmo Brasil. Neste cenário, a Rússia tem mais interesse em defender seus interesses na região, principalmente por possuir uma Zona Econômica Exclusiva, de largura de 200 km a partir de sua costa. Até recentemente não havia tropas russas na região.

O contínuo aquecimento global, através do degelo ártico, tem tornado economicamente viável a exploração da Rota do Mar do Norte, principalmente na ligação do oceano Pacífico com os portos europeus, encurtando as viagens por rotas tradicionais do oceano Índico e  do canal de Suez em duas semanas. As novas descobertas de jazidas de hidrocarbonetos também reacendeu o interesse das diversas potências pela região.

Em discurso no Fórum da Juventude Seliger, o presidente russo, Vladímir Pútin, afirmou que a Rússia reativará sua infraestrutura militar e de defesa civil no Ártico não com o objetivo de confrontar ou ameaçar alguém, mas para  garantir a segurança da rota marítima do norte, que tem se tornado intensa.

Segurança nacional

A questão do Ártico é ainda analisada por um outro aspecto estratégico-militar, sobretudo agora, quando as relações dos Estados Unidos e Otan com a Rússia estão degradadas. Para a Rússia, a questão é de extrema relevância, uma vez que Washington aumentou o número de bases militares e alocou seus mísseis perto das fronteiras do país, e seus navios de guerra aparecem regularmente nos mares Báltico e Negro. A Rússia tem receio de que logo os Estados Unidos e a Otan se estabeleçam no Ártico, ameaçando o complexo de mísseis estratégicos implantados nos Urais e na Sibéria.

O Canadá, por exemplo, já realiza voos regulares com seus drones sobre regiões polares adjacentes à zona russa e cresce o número de exercício militares com países estrangeiros. As nações árticas estão todas, sem exceção, em processo de modernização profunda de suas forças armadas, levando em consideração o novo teatro de operações do Ártico.

A Rússia, em resposta a estes movimentos, construiu os aeródromos da ilha de Wrangel e de Franz Josef, bem como reformou as pistas abandonadas de Tiksi, Vorkuta, Anadir e Cabo Schmidt.

Enquanto veste o Ártico com sua “camuflagem”, a Rússia declarou que a calota polar ártica é uma “zona de paz” e convidou os outros Estados limítrofes à cooperação mútua durante a utilização de seus recursos. No entanto, o país faz questão de enfatizar seus direitos à posse desta região do planeta.

Fonte: Gazeta Russa

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A coalizão de Obama contra o Estado Islâmico vai funcionar?

Armamento em poder do Estado Islâmico (foto: AP)

Jonathan Marcus

Analista de Defesa da BBC

Coalizão liderada pelos Estados Unidos contra o Estado Islâmico tem apoio de países árabes

O secretário de Estado Americano John Kerry completou uma visita por países do Oriente Médio tentando juntar aliados para enfrentar o EI (Estado Islâmico).

Durante a ação diplomática, ele conseguiu o apoio de dez países árabes, incluindo a Arábia Saudita e o Catar.

Alguns países até se comprometeram a participar de ataques aéreos – desde que aprovados pelo governo do Iraque – e até o envio de tropas terrestres, o que por enquanto não faz parte dos planos americanos.

Enquanto a comunidade internacional se articula para atender à demanda da Casa Branca, o analista de Defesa da BBC, Jonathan Marcus examina como essa coalisão está sendo formada e quais as chances que tem de atingir seus objetivos.

Por que os EUA estão adotando uma posição dura contra o Estado Islâmico?

A escala e o escopo do EI o destacam de outros grupos jihadistas até agora. A organização controla grandes parcelas de um território que abrange a Síria e o Iraque, já capturou grandes quantidades de armamento e tem consideráveis recursos financeiros.

Isso tudo faz o EI mais semelhante a um “quase-Estado” do que a um grupo terrorista organizado em células. Sua ambição de criar um califado islâmico e de se expandir ainda mais faz dele uma ameaça aos aliados dos americanos na região. A presença de combatentes estrangeiros entre suas patentes mais altas também levanta a hipótese de atentados contra o Ocidente.

Que tipo de apoio John Kerry conseguiu obter?

Os Estados Unidos obtiveram um forte apoio, ao menos no papel, de países pró-Ocidente na região.

Entre as medidas requeridas dos Estados não há apenas ações militares. Também devem ser colocados em prática o controle de fronteiras, repressão o financiamento do EI, além de esforços contra a propaganda ideológica para impedir que mais estrangeiros se juntem ao grupo.

Alguns aliados de Washington já estão elevando o tom, entre elas a Austrália, que anunciou o envio de uma equipe de 600 especialistas inicialmente para os Emirados Árabes. O grupo incluiria combatentes de forças especiais para treinar militares iraquianos e curdos, além de seis caças F-18 Super Hornet e outras aeronaves de apoio.

A França também parece estar disposta a se envolver militarmente.

Um alto general americano – John Allen – foi apontado para coordenar o que parece ser uma extensa coalizão que pode persistir por um tempo considerável.

Os países da região podem cumprir a tarefa sozinhos?

Eles simplesmente não têm as habilidade e capacidades necessárias. Mesmo as tropas iraquianas treinadas e equipadas pelos Estados Unidos não resistiram ao ataque do EI. Contudo, elas estavam enfraquecidas por problemas de corrupção e favoritismo surgidos durante o governo do premiê Nouri Maliki.

Os Estados Unidos e seus aliados ocidentais não devem usar suas tropas terrestres, mas tomarão as medidas necessárias para que as tropas locais recebam o apoio aéreo necessário para ter sucesso.

Na Síria, onde a situação é mais complexa e não deve haver uma força terrestre apoiada pelo Ocidente e pelos países árabes, os bombardeios americanos devem ser guiados por informações de inteligência – com o objetivo de enfraquecer lideranças e destruir instalações do EI.

A Grã-Bretanha participará dos ataques?

Apesar dos sinais de que os britânicos se juntarão à coalizão, ainda não está claro quando o anúncio de participação militar ocorrerá e se ela se restringirá apenas ao Iraque ou se ocorrerá também na Síria.

A Grã-Bretanha já participou do resgate de membros da comunidade Yazidi e pode acionar rapidamente caças Tornado, uma avião de coleta de dados de inteligência e helicópteros Chinook.

Mas o premiê David Cameron tem que lidar com fatores domésticos. Pode haver resistência no Parlamento e o referendo na Escócia pode atrasar eventuais decisões. Isso porque o governo teme que mais eleitores votem pela independência para não se envolver no que entendem por guerras da Grã-Bretanha.

Mas por outro lado o assassinato de um cidadão britânico pelo EI pode compelir Cameron a agir.

Se os EUA são tão poderosos, por que precisam de aliados?

Por razões políticas e práticas. Os Estados Unidos deixaram um legado amargo na região devido aos erros da campanha militar que derrubou Saddam Hussein.

Além disso, os aliados árabes de Obama acreditam que ele tem vacilado em agir decisivamente.

Assim, criar uma coalizão ampla é importante no Oriente Médio – para convencer a população local que essa não será mais uma reedição da Guerra do Iraque. E também para o público interno dos Estados Unidos, que deve ser persuadido de que tropas terrestres americanas não entrarão em combate, uma vez que essa tarefa será de aliados regionais.

A guerra pode ser travada sem o Irã e a Síria?

O Irã é um fator vital e seu apoio é essencial para que o governo de Bagdá resista aos assaltos do EI.

Mas os Estados Unidos insistem que não pode haver uma relação explícita com Teerã – apesar de conversações estarem acontecendo à margem dos grandes encontros internacionais.

Outro problema é que apesar dos interesses americanos, iranianos e árabes convergirem em relação ao Iraque, isso não acontece na Síria. O Irã é um dos poucos países que ainda apóiam o regime de Bashar Assad.

Apesar do governo sírio também estar lutando contra o EI, a coalizão não vai querer ter laços explícitos com Damasco.

Esse é um caso em que o inimigo do meu inimigo não é meu amigo.

Então, enquanto a situação na Síria não for resolvida, o país continuará como um refúgio para as forças do EI.

Qual a diferença dessa coalizão em relação às anteriores?

Todas as coalizões tendem a ser similares até um certo ponto e, ao mesmo tempo, serem diferentes das formadas em crises anteriores.

Em 1991 uma coalizão de cerca de 30 países foi formada para tirar forças iraquianas do Kuwait.

Ela incluiu potências como França e Grã-Bretanha e Estados árabes como Arábia Saudita, Egito e até Síria.

A diferença é que tratava-se de uma campanha militar curta, com um objetivo claro e tangível.

Já desde 11 de Setembro o esforço amplo contra a al Qaeda envolveu uma grande quantidade de países em operações de paz no Afeganistão.

Mas as ações eram menos formais e as ameaças diferenciadas e difusas – com ramos do grupo extremista operando no Iraque, Iêmen e na África.

A campanha também envolveu ataques de drones americanos e atividades conduzidas por forças militares locais.

Além disso a ação reuniu elementos de contra insurgência e contraterrorismo.

Fonte: BBC Brasil