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Fotos do Dia Geopolítica

O Brasil segundo a CBS


Sugestão: Vinícios Motta

Veja a entrevista do empresario Eike Bastista na rede CBS dos EUA.
Clique em CC , e escolha a versão Português ( Beta ).

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Brasil

Nota de Falecimento

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É com muito pesar que anunciamos o falecimento de Luiz Gustavo de Castro Lebeis Pires, de 22 anos, filho do Brigadeiro-do-Ar Luiz Carlos Lebeis Pires Filho ex-comandante do 1°/16° Gav.  e atualmente comandante do PAMA-AF,  amigo  do nosso colega Ricardo Pereira.

O acidente ocorreu nesta tarde no Rio de janeiro, na ocasião o ultraleve caiu no campo de Gericinó, na área Militar do Exército, próximo a Realengo. Os bombeiros estão no local. Ainda não há informações da causa do acidente  que causou a  morte dos dois ocupantes entre eles Luiz Gustavo.

A área foi isolada e caberá à Força Aérea Brasileira apurar as circunstâncias do acidente. Policiais civis da 30ª (Marechal Hermes) e 34ª (Bangu) delegacias também se deslocaram para a região do acidente.

Aos familiares e amigos nós do Plano Brasil Lamentamos profundamente o  ocorrido e oferecemos aos familiares nossas condolências, bem como nossos mais estimados préstimos.

Ricardo Pereira

E. M. Pinto

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Conflitos Geopolítica

Venezuela entra em fase de radicalização, diz vice-president

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Claudia Jardim

De Caracas para a BBC Brasil

A aprovação da lei habilitante que concede plenos poderes ao presidente da Venezuela, Hugo Chávez, para governar por decreto até meados de 2012, representa uma “nova etapa” que determina a “radicalização” da revolução bolivariana, de acordo com vice-presidente da Venezuela, Elias Jaua.

Em entrevista à BBC Brasil, Jaua – que é visto como o representante do núcleo de esquerda do chavismo – defende os “super-poderes” concedidos à Chávez como um instrumento para corrigir as falhas do governo, há 11 anos no poder.

O sociólogo passou a ser o único vice-presidente que Chávez permitiu exercer maior protagonismo na cena política venezuelana e se converteu em um de seus homens de confiança.

O ex-ministro de Agricultura e de Economia Popular advertiu que a radicalização da revolução prevê uma aceleração na expropriação de terras e no combate aos monopólios no país. ” Os recursos estratégicos devem ser controlados pelo Estado”.

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Leia a entrevista na íntegra:

BBC Brasil – A oposição afirma que a lei habilitante, recém aprovada, anula a atividade legislativa da próxima Assembleia e representa um desrespeito ao voto popular. Como o senhor responde à essas críticas?

Jaua – A atual Assembleia Nacional, também eleita pelo povo, decidiu conceder a lei habilitante ao presidente da República devido a situação de emergência que estamos enfrentando. Mais de 40% do país foi afetado e a oposição tenta minimizar este fato e capitalizar a situação a seu favor. É a oposição quem deve aprender a respeitar a Constituição. Os deputados que estarão na Assembleia até a meia-noite do dia 4 de janeiro têm o direito legal de conceder a habilitante ao presidente e o presidente tem o direito de solicitá-la. Isso está previsto na Constituição.

BBC Brasil – Chávez ganhou poderes para legislar também na economia. A lei fala do combate aos monopólios e latifúndios. Haverá novas nacionalizações?

Jaua – Sim. Há uma política contínua de desenvolvimento que inclui as nacionalizações e o governo está na obrigação de cumprir com isso. Não temos nenhuma intenção de estatizar toda a economia, como nos acusa a oposição. Defendemos um modelo econômico misto, no qual os recursos estratégicos, como petróleo, telecomunicações, siderúrgica, eletricidade, alimentação, água, bancos, devem ter o controle do Estado. O restante deve estar sob controle privado. Não queremos e não podemos assumir o controle de toda a economia.

BBC Brasil – A revolução bolivariana entra em uma nova etapa, de radicalização?

Jaua – Sem dúvida. A resposta que obtivemos das urnas nas eleições legislativas é de que é preciso radicalizar o processo, corrigir os erros, melhorar a gestão. As chuvas se encarregaram de colocar em evidência que tínhamos que acelerar o passo na construção de moradias (o déficit é de 2 milhões de casas). Por isso a urgência de elaborar leis que permitam isso.

BBC Brasil- Em que consiste essa radicalização?

Jaua – Significa aplicar a Constituição. Ir à raiz da democracia. Radicalizar significa restituir o poder ao povo, tanto no plano econômico como no social. Significa colocar na prática o poder popular, que deve exigir do Estado maior eficiência para combater as causas da desigualdade social.

BBC Brasil- A oposição afirma que Chávez pretende centralizar o poder por meio das comunas socialistas, cuja legislação foi recém aprovada, e reduzir o papel dos governos e prefeituras. Isso vai acontecer?

Jaua – Não é o objetivo eliminar prefeituras e governos, isso não está colocado. Está prevista na Constituição a ideia de a população exercer o autogoverno. Para restituir os direitos à saúde e educação não há que fazer uma revolução socialista. Isso a democracia burguesa pode fazer. Agora, uma revolução socialista é a autêntica democracia e nela os meios de produção têm de ser coletivizados, assim como o exercício da política não pode ser controlado por uma só pessoa, deve ser de todos.

BBC Brasil- As comunas serão financiadas diretamente pelo Executivo. Não há risco de se transformarem em corrente de transmissão do governo?

Jaua – Sempre será o Executivo quem transferirá os recursos. O autogoverno não se trata do desmantelamento do Estado nacional. Mas a legislação agora prevê que a transferência de recursos aos conselhos comunais já não depende da vontade do governo e sim de um mandado da Constituição. A autonomia dependerá da conscientização das comunidades.

Defendemos um modelo econômico misto, no qual os recursos estratégicos, como petróleo, telecomunicações, siderúrgica, eletricidade, alimentação, água, bancos, devem ter o controle do Estado. O restante deve estar sob controle privado. Não queremos e não podemos assumir o controle de toda a economia.


BBC Brasil- O presidente governará por decreto até cinco meses antes das eleições presidenciais. Há preocupação quanto à reeleição de Chávez?

Jaua – Mais do que a preocupação com a reeleição, há um problema ético. Temos 133 mil pessoas desabrigadas em consequência das chuvas, além dos outros problemas já existentes antes da emergência. O governo tem que ser submetido aos três erres que o presidente Chávez fala. Retificação, revisão e reimpulso ao quadrado. Em um governo neoliberal, no qual impera a lógica do Estado mínimo, seria impossível solucionar esses problemas

BBC Brasil – Chávez fala da construção de um projeto hegemônico, porém, mais de 5 milhões de pessoas não votaram a favor do chavismo nas eleições legislativas. A polarização não impede a construção dessa hegemonia?

Jaua – A polarização é um instrumento de avanço da democracia. Qual é a armadilha da burguesia? Fazer ver que o sistema democrático tem que ser consensual. Para nós, as ditaduras é que são consensuais. As democracias são o espaço para a divergência, para a batalha das ideias. Isso é o que fazemos todos os dias. A polarização e a confrontação são necessárias para alcançar a real unidade. Unidade não é que governo e elite façam parte do mesmo pacto e não digamos coisas duras um para o outro.

BBC Brasil – Então nessa lógica é positivo para o governo que a oposição tenha voltado à Assembléia Nacional?

Jaua – É o que tem que ser. Há uma parte da população que se opõe ao projeto da revolução bolivariana e deve ter uma representação na Assembleia Nacional. É bom que a tenha. É bom que usem esse espaço para o debate e que defendam ali seus projetos de privatização do país. Nós já tivemos a esses parlamentares ali e não precisamente apresentaram um debate de ideias. Queimaram as leis. Chegaram a levar porcos em uma sessão na Assembleia. Tomara que venham de verdade defender o projeto neoliberal que eles acreditam e nós responderemos, a partir de uma visão socialista, o projeto de país que queremos.

Fonte: BBC Brasil

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Inteligência

Agência de códigos dos EUA opera em regime de ameaça grave

Site mostra informações de 92 mil documentos secretos sobre a guerra no Afeganistão. Foto: AFP
Sugestão: Gérsio Mutti
WikiLeaks começou a divulgar acervo de 250 mil cabogramas diplomáticos

A principal agência de criação e decifração de códigos do governo dos Estados Unidos está trabalhando sob a suposição de que inimigos podem ter violado até mesmo as mais sigilosas das redes de computadores da segurança nacional que ela protege.

“Não podemos considerar nada mais como ‘seguro’,” disse Deborah Plunkett, da National Security Agency (NSA), em meio à ira e embaraço dos EUA quanto à revelação de cabogramas diplomáticos sigilosos pelo site WikiLeaks.

“Os mais sofisticados adversários poderão atuar despercebidos em nossas redes”, acrescentou. Deborah comanda a diretoria de proteção de informações da NSA, que é responsável por proteger as informações sensíveis de segurança nacional e as redes de computadores desse setor, das trincheiras à Casa Branca.

“Temos de construir nossos sistemas sob a suposição de que os adversários conseguirão penetrá-los”, disse ela em um fórum de segurança na computação patrocinado pelas revistas Atlantic e Government Executive. Os EUA não podem depositar sua confiança “em diferentes componentes do sistema que já podem ter sido violados”, acrescentou Deborah, em uma das raras ocasiões em que a NSA se expressa em público sobre o tema.

A NSA precisa constantemente refinar sua abordagem, disse ela, acrescentando que não existe um “estado estático de segurança”. Mais de 100 organizações estrangeiras de inteligência estão tentando invadir redes norte-americanas, escreveu o secretário assistente da Defesa William Lynn em artigo para a edição setembro/outubro da revista Foreign Affairs. Algumas delas já têm a capacidade de perturbar a infraestrutura de informação dos EUA, afirmou.

Deborah se recusou a comentar sobre o WikiLeaks, que começou a divulgar seu acervo de 250 mil cabogramas diplomáticos, os quais incluem detalhes sobre instalações no exterior que funcionários do governo dos EUA consideram como vitais para a segurança norte-americana.

Fonte: Terra

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Conflitos Geopolítica

Presidente expulsa força de paz da ONU da Costa do Marfim

http://downloads.unmultimedia.org/photo/medium/417/417969.jpgO presidente em exercício da Costa do Marfim Laurent Gbagbo exigiu a retirada imediata de todos os soldados de paz estrangeiros do país, aumentando a tensão política na região.

Em um comunicado na rede de televisão estatal neste sábado, a porta-voz de Gbagbo, Jacqueline Oble, disse que o presidente exigiu a “saída imediata da Onuci (missão da ONU no país) e das tropas francesas que a apóiam”.

Oble acusou as tropas da ONU e da França de conspirar com rebeldes e disse que as forças de paz “interferiram seriamente nos assuntos internos da Costa do Marfim”.

O correspondente da BBC em Abidjan. John James, disse que a tensão vem crescendo desde que o chefe da Onuci, Choi Young-Jin, reconheceu o líder da oposição, Alassane Ouattara, como o vencedor das eleições de 28 de novembro.

Um acordo de paz assinado por todas as partes deu à ONU o papel de certificar o resultado do pleito.

No entanto, Laurent Gbagbo se recusa a deixar o cargo. Ele diz que as eleições foram fraudadas pelos rebeldes que ainda dominam o norte do país após a guerra civil de 2002.

Ouattara está atualmente sobre a proteção da ONU em um hotel em Abidjan, a maior cidade do país.

Conflitos

Horas antes do comunicado, a ONU disse que uma de suas patrulhas foi atacada ao entrar na sede da missão em Abidjan.

Partidários da oposição dizem que voltarão às ruas da cidade após conflitos armados que deixaram 20 mortos na última quinta-feira.

Além da ONU, os Estados Unidos, a França e a União Africana pediram a Laurent Gbagbo que abdique do poder.

O presidente francês Nicolas Sarkozy disse na última sexta-feira que Gbagbo deveria sair até o próximo domingo ou enfrentar sanções da União Europeia.

Fonte: BBC Brasil

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Geopolítica Opinião

Esta União Européia não tem futuro

Expressões como “ideal europeu” e “sonho europeu” soam como piadas

Bruxelas – A União Européia já encontra-se em plena confusão e desordem. A crise financeira dos bancos transformou-se em crise fiscal dos Estados que os salvaram e, em continuação, os repugnantes gerenciamentos do enfrentamento da crise fiscal provocaram uma mais profunda crise política, a qual ameaça não deixar pedra sobre pedra no sofredor Velho Continente. Somente como piada de mau gosto ouve-se hoje o “ideal europeu”.

Os empoados governos europeus transformaram-se em “especuladores” que “arrancam o couro” de seus súditos para reunirem os recursos que dão de presente aos bancos. Hoje, cada um dos 27 países-membros da União Européia (UE) preocupa-se somente como poderá viver bem à custa dos demais, indiferente com as consequências econômicas e políticas da linha de dissolução.

Frugalidade para todos os povos europeus, abolição das conquistas sociais, perda da autodeterminação nacional dos países da UE sob o peso de insuportável dívida pública – esta é hoje a realidade européia.

Como alguém hoje poderá falar em “sonho europeu” sem parecer ridículo? É possível alguém caracterizar “sonho europeu” os novos cortes de salários, aposentadorias e pensões dos europeus que anunciou o denominado pelos povos europeus “verdadeiro primeiro-ministro”, o diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Khan, com disposição cômicotrágica?

Por acaso é “sonho europeu” a “falência ordenada” dos Estados-membros da UE que prepara-se para aprovar durante a Conferência de Cúpula dos países-membros da UE que inicia-se nesta quinta, aqui, em Bruxelas, a chanceler da Alemanha, Angela Merkel?

A abolição do direito de voto de todos os países que registrem elevado déficit de orçamento que tentou impor o governo de Berlim? É possível em tempo algum acontecerem fatos assim que emocionam os cidadãos da Europa e os impelem para exigir maior, mais forte e, mais estreita unificação européia sobre esta base? Sequer pensar, naturalmente.

Viva aos “mercados”

Não existe mais ninguém na Europa apoiando publica e seriamente (não quer dizer os atuais empoados líderes políticos, os quais mentem descaradamente e sem vergonha alguma e os quais não acreditam em sequer uma palavra de tudo que dizem) que a UE e a Zona do Euro continuarão existindo com a feição e os princípios que as definem hoje.

Todos falam em expulsões de Estados-membros, em bloqueios de países, em linhas-duras dos novos agrupamentos europeus, os quais, em essência, constituirão campos opositores, a exemplo daqueles que, durante séculos, caracterizaram a poli-ensanguentada história européia.

Os atuais empoados líderes da Europa – todos eles, sem exceção, com altura de nanicos políticos – extasiam-se louvando as “virtudes” da disciplina fiscal. Enlevando com hinos os “mercados” – isto é – os inescrupulosos usurários especuladores do sistema financeiro.

Somente da boca de políticos do passado, já de respeitável idade, poderá alguém ouvir alguma verdade como, por exemplo, os banqueiros alemães e instituições como o Banco Central da Alemanha (Bundesbank), que repete as mesmas palavras já há 30 anos.

“Para funcionar a Zona do Euro, o espírito de colaboração deverá estar à mesma altura daquele do antagonismo pela fé em uma Europa unificada dentro de sua diversidade”, destacou o jornal francês Le Monde. Palavras que nenhum empoado líder político europeu hoje não acredita e sequer quer ouvir.

Recusa-se – de pirraça – o Governo da Alemanha a concordar com a emissão de eurodebêntures, o endividamento direto dos países pelo BCE. Insiste na aplicação de penalidades contra os Estados-membros que cometem “pecados” fiscais, mesmo que estas tenham consequências liquidantes para o nível de vida dos povos correspondentes e consequências dissolventes para a edificação européia.

A falta de sorte é que os europeus não enfrentam apenas um “desvio” na evolução da complementação européia, mas, com a evolução da própria UE de 2010 e não outra. Naturalmente, nunca a história será um caminho sem retorno. Se, contudo, alguém estiver sonhando a evolução da UE a algo diferente, deve ter também a correlação de forças para fazê-lo.

Mary Stassinákis

Sucursal da União Européia.

Banco Central Europeu adverte e Merkel exclui

Bruxelas – Os membros do Conselho Diretor do Banco Central Europeu (BCE), denominados os “cardeais”, convocam os governos dos 27 países-membros da União Européia (UE) para assumirem suas responsabilidades, em vista da Reunião de Cúpula que inicia-se nesta quinta-feira, aqui, em Bruxelas. E como advertem os presidentes dos bancos centrais dos 27 países-membros da UE, seus respectivos governos não deverão esperar que o BCE solucione sozinho a crise.

Para se evitar a disseminação da crise após a salvação da Irlanda, conforme avaliam vários “figurões” do mercado, os empoados líderes europeus precisarão enviar uma mensagem mais forte aos mercados, tanto hoje, quanto amanhã, quando a Reunião de Cúpula será encerrada.

Por enquanto, as pressões sobre os bônus de países com elevado déficit, como Portugal e Espanha, aparentemente recuaram por causa da iniciativa do BCE adquirindo títulos estatais dos dois países.

Gertrude Tumpel-Gugerell, uma dos “cardeais” do BCE, em seu artigo publicado na revista Format, da Áustria, disse que “o programa de aquisição de bônus pelo BCE foi bem sucedido, porque deu tempo aos países para se prepararem e decidirem as medidas fiscais a serem adotadas”.

“Não permitirei…”

Simultaneamente, o presidente do Banco Central da Itália, um dos “cardeais” do BCE, Mario Draghi, declarou ao jornal Financial Times que “a responsabilidade pelo enfrentamento da crise é finalmente dos governos dos países da Zona do Euro, e o BCE não pode fazer mais nada”. E acrescentou: “Estou muito bem a par de que podemos facilmente passar da linha e perder tudo, perder nossa independência e, basicamente, solaparmos a Convenção da UE.”

A chanceler alemã, Angela Merkel, repetiu, antes de seu encontro com o presidente da França, Nicolas Sarkozy, que “neste momento não está em discussão o tema de aumento dos recursos do mecanismo existente de salvação e a emissão de eurodebênture comum não servirá para nada”.

“Para a Irlanda foi utilizado menos de 10% dos recursos do Mecanismo Europeu de Salvação. Contudo”, esclareceu Merkel, “não permitirei que o euro fracasse, porque é algo mais do que uma simples moeda. Se o euro fracassar, fracassará a Europa. Isto é algo muito sério”, sentenciou.

Maria Segre

Sucursal da União Européia.

O suicídio do euro: pede-se não enviar coroas e flores

Bruxelas – Surpreendente a capa da última edição da revista britânica The Economist. Um senhor de terno e gravata que, ao invés de cabeça, tem a moeda redonda de um euro, está apontando contra sua têmpora um revólver e prepara-se para se suicidar. “Não faça isso”, é o título da revista.

A verdade é que a ilustração dos riscos políticos que ameaçam a moeda comum européia seria mais fiel à realidade se o revólver preparado para estourar os miolos do euro fosse empunhado pela chanceler alemã, “Frau” Angela Merkel. A política do governo de Berlim é aquela que está levando o euro a um beco sem saída.

Desabam as muralhas de proteção do euro. O Mecanismo Europeu de Proteção, totalizando 750 bilhões de euros, que a União Européia (UE) instituiu, mostra-se insuficiente para enfrentar – ao nascer – os ataques especulativos contra os mais fracos países integrantes da Zona do Euro.

Desabou a Irlanda, Portugal prepara-se para o tombo e entra na fila a Espanha, em seguida a Itália, a Bélgica e até a esnobe Grã-Bretanha, a “Velha Albion”. Tornou-se óbvio que a linha de defesa com os mnemônicos evolui em missas fúnebres para o euro.

Dilema cruel. Permanecerão com o euro os países que, um após outro, são levados à falência, ou serão obrigados a retornar às suas moedas nacionais em busca de salvação? O The New York Times aborda o tema de forma crua: “Aqueles países desejarão permanecer em uma união, na qual não são nada mais do que pobres e escravas regiões”, escreveu sem meias palavras.

BCE fomenta especulação

Solução não existe para o euro. Solução simplesmente na feição: o Banco Central Europeu (BCE) emprestando diretamente aos países integrantes da Zona do Euro da UE. Concedendo-lhes empréstimos de longo prazo (dez ou mais anos) com baixa taxa de juro da ordem de 1% ou 2%. Emprestando recursos diretamente aos governos dos países necessitados, e não por intermédio de bancos comerciais.

Até agora o BCE está emprestando aos bancos comerciais a 1% ao mês e, depois, estes adquirem bônus estatais, exigindo taxa de juros de 4% ou 5% ou até mais ainda, arrancando o pelo dos Estados! Em seguida, depositam os títulos como garantia ao BCE e contraem novamente empréstimos.

Emprestando aos Estados diretamente, o BCE os torna inatingíveis de ataques especulativos. Reduz drasticamente em termos de tempo o volume da dívida pública, transferindo-a gradualmente ao BCE com baixas taxas de juros. Limita a barbárie social das medidas de frugalidade que estrangulam a economia. Permite o exercício de certa política de crescimento até nos países europeus mais fracos, e constitui o único caminho de saída da crise e o processo de resgate das dívidas.

Imprimir dinheiro

Emissão de dinheiro significa, essencialmente, esta política. Aquilo que na fantasia popular descreve-se com a frase “o BCE acionará sua tipografia e imprimirá euros”. Não se trata de nada original. Isto fazem todos os bancos centrais de todos os países desenvolvidos do mundo.

O norte-americano Federal Reserve (Fed), por exemplo, já colocou em circulação no mercado nos últimos tempos mais de US$ 700 bilhões para tonificar a economia dos EUA. Só o BCE não se atreve a fazer o mesmo.

Os alemães proíbem o BCE de “imprimir dinheiro”. Proíbem o BCE de adquirir bônus estatais diretamente dos países-membros da UE. No final das contas, o BCE adquire os mesmos títulos estatais por intermédio dos bancos comerciais. Com este processo, por intermédio do qual os bancos comerciais enriquecem, os Estados desabam em falência por causa das usurárias taxas de juros.

O governo de Berlim recusa-se a mudar de política. Proíbe – por ora – até a emissão de eurodebêntures. “A contínua impressão de dinheiro não é solução. As impressoras de dinheiro não passarão jamais às mãos de políticos”, diz o Ministério de Economia da Alemanha. Se a situação continuar assim, o euro não sobreviverá em sua feição atual e talvez em nenhuma outra.

Alex Corsini

Sucursal da União Européia.

Fonte: Monitor Mercantil

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Defesa Fotos do Dia Negócios e serviços

Rússia começa a construir primeira Fragata do Project 11356 para a Frota do Mar Negro

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O estaleiro Yantar posicionao no enclave báltico de Kaliningrado vai dar inicio a  construção da primeira Fragata Russa oriunda do Projeto 11356 destinada à frota do Mar Negro.

O estaleiro de Yantar ganhou a concorrência para construir três fragatas do Projeto 11.356 em Outubro passado. O comandante da Frota do Mar Negro disse  à RIA Novosti que a construção começaria já em Janeiro de 2011.

O navio receberá o nome de Almirante Grigorovich, nomo do ex-ministros Ivan Grigorovich, que ocupou a pasta entre 1911-1917.

A fragata, apresenta deslocamento de 4.000 toneladas, será equipado com um canhão de  100 mm, mísseis superfície-Ar e Superfície-Superfície,  sistemas Kashtan e torpedos 533 mm.

Yantar está actualmente a construir três fragatas do Projeto 11.356 para a Marinha indiana, oriundas do contrato de US $ 1,6 bilhões, assinado em 2007. Dos quais foram construídas três fragatas da classe Talwar para a Índia – INS Talwar (Espada), INS Trishul (Trident), eo INS Tabar (Axe).

MOSCOU, 18 dez (RIA Novosti)

Fonte: Ria Novosti

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Defesa

Simpósio Internacional no Naval Command College do Exército Popular de Libertação da China

Oficiais-alunos estrangeiros do Curso de Comando e Estado-Maior,
participantes do Simpósio

Sugestão: Gérsio Mutti

No dia 17 de novembro, no Auditório do Naval Command College (NCC) da Marinha do Exército Popular de Libertação (PLAN) da China, foi realizado o “Simpósio Internacional sobre Operações Militares outras que não Guerra”(Military Operation Other Than War- MOOTW). O evento ocorreu na cidade de Nanjing e foi parte do currículo do Curso de Comando e Estado-Maior, sendo realizado pela primeira vez na China por um oficial da Marinha do Brasil.

No simpósio, que contou com a presença do Comandante do NCC e de outras autoridades, foram apresentados dois paineis pelos oficiais-alunos chineses e dois paineis pelos oficiais-alunos estrangeiros. Um deles, exposto  pelo grupo dos oficiais estrangeiros trouxe o tema “Operações de escolta de comboios e a Cooperação no Combate à Pirataria no Estreito de Málaca”. Após as apresentações, foi realizado um período de debates.

Os oficiais-alunos estrangeiros que realizam o Curso de Comando e Estado-Maior são das seguintes nacionalidades: Arábia Saudita, Bangladesh, Brasil, Paquistão, Serra Leoa e Venezuela.

Fonte: Marinha do Brasil

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Geopolítica Opinião

Sucessora de Lula, Dilma terá de lidar com peso global do Brasil na política externa

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Em seus quase oito anos de mandato, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez mais de 200 viagens internacionais, prova da importância dada por ele à política externa, um dos campos em que mais investiu esforços durante seu governo.

A petista Dilma Rousseff receberá de suas mãos a tarefa de dar continuidade a uma diplomacia que ficou marcada, sobretudo, pela articulação com as demais nações do hemisfério Sul e pela busca por uma crescente integração com os vizinhos sul-americanos.

Trata-se de uma missão que, para o cientista político Luiz Alberto Moniz Bandeira, especialista em política externa brasileira, deve ter como objetivo maior preservar a conquista principal de Lula: a autonomia internacional do Brasil e a sua transformação em uma potência política global.

O professor espera que Dilma dê continuidade ao legado do antecessor e mentor político. Em novembro, os dois foram juntos à reunião de cúpula do G20, na Coreia do Sul. Foi a estreia da ex-ministra da Casa Civil em fóruns internacionais já como presidente eleita.

– O governo do presidente Lula tratou de ampliar a autonomia internacional do Brasil e projetá-lo como uma potência política global. Não há a menor dúvida de que Dilma dará continuidade a essas diretrizes da política externa.

Em um documento que apresentou no fim da campanha, intitulado “13 compromissos programáticos para debate na sociedade brasileira”, Dilma reservou um tópico à política externa.

Nele, a presidente eleita menciona alguns dos principais eixos da linha seguida pelo atual governo, como o compromisso com os processos de integração sul-americana e latino-americana, a cooperação Sul-Sul e a solidariedade com países pobres e em desenvolvimento.

O documento cita ainda o Bric – bloco formado Brasil, Rússia, Índia e China – e o Ibas, do qual fazem parte Índia, Brasil e África do Sul. “Nossas parcerias tradicionais serão preservadas e ampliadas”, diz o texto.

Também foram apresentados como compromissos de Dilma o respeito aos princípios de não intervenção, a defesa dos direitos humanos, a luta pela paz e pelo desarmamento e a democratização dos fóruns internacionais – bandeiras de Lula em seus anos de governo.

Outro indicativo de que Dilma poderá dar continuidade às linhas principais da política externa do atual governo é a escolha do diplomata Antônio de Aguiar Patriota para comandar o Ministério das Relações Exteriores. Patriota é hoje secretário-geral do Itamaraty, segundo posto na hierarquia do órgão, e próximo do chanceler Celso Amorim. Os dois trabalharam juntos em Nova York e Genebra. Marco Aurélio Garcia, assessor de Lula para Assuntos Internacionais, também será mantido.

Campanha

Embora tenha sido uma das prioridades do atual presidente, a política externa esteve praticamente ausente na campanha eleitoral. Nem Dilma nem o tucano José Serra deram muita bola para o assunto, que nos poucos momentos em que surgiu, ainda foi motivo de polêmicas.

Serra, nas ocasiões em que opinou sobre ações do atual governo no campo diplomático, não poupou críticas. Em agosto, condenou a aproximação entre Brasil e Irã e lembrou o caso de Sakineh Ashtiani, iraniana condenada à morte, para afirmar que o governo Lula tratou como “camarada” um regime que tortura e mata mulheres.

O candidato também mirou a Bolívia, acusando o governo do presidente Evo Morales de “fazer corpo mole” ante o tráfico de cocaína, e o Mercosul, ao qual se referiu como “uma farsa”.

Dilma, por outro lado, adotou um tom mais contido. Em julho, ao fazer críticas à postura de Serra, mas sem citá-lo, afirmou que os líderes políticos precisam ser “prudentes” ao falar de governos de outros países. Na ocasião, a candidata do PT disse que “política externa se faz com a cabeça, e não com o fígado”.

No entanto, em entrevista que concedeu após ser eleita, foi questionada sobre o caso da iraniana condenada à morte e definiu a execução por apedrejamento como “uma coisa bárbara”.

Mais recentemente, o assunto voltou à pauta em uma entrevista que ela concedeu ao jornal americano Washington Post. Dilma criticou a opção do Brasil, que se absteve de votar sobre uma resolução da ONU (Organização das Nações Unidas) que condenava violações de direitos humanos ocorridas no Irã.

– Não sou a presidente do Brasil [hoje], mas me sentiria desconfortável, como uma mulher eleita presidente, em não dizer nada contra o apedrejamento [de Sakineh].

O pesquisador Tullo Vigevani, da Unesp (Universidade Estadual Paulista), diz que, embora haja especulações comuns ao momento eleitoral, na prática haverá poucas mudanças a partir do ano que vem.

– Apesar do tom da campanha eleitoral, não haverá alterações substantivas. Poderia haver alguma inflexão, mas a diretriz geral não irá mudar. Os interesses brasileiros no exterior não dependem apenas do presidente, mas envolvem a sociedade inteira, o parlamento e as forças econômicas. Segundo ele, alterações de rumo seriam mais prováveis em algumas questões pontuais, como o relacionamento com o governo do iraniano Mahmoud Ahmadinejad.

– A questão do Irã não é exatamente estrutural do ponto de vista dos interesses brasileiros. Mas, nas relações com os países vizinhos, por exemplo, não acredito que possa haver mudanças importantes.

Para Paulo Edgar Almeida Rezende, professor da PUC (Pontifícia Universidade Católica) de São Paulo, Dilma terá de lidar com a responsabilidade de conduzir um país que se tornou um importante ator global, o que a impedirá de fazer “regressões” neste processo.

Peso do presidente

Questionado sobre o papel do presidente da República na inserção internacional do Brasil, Rezende minimiza o peso de Lula e de seu antecessor, o tucano Fernando Henrique Cardoso, e diz que Dilma terá à sua disposição uma “tradição diplomática das mais qualificadas” no Itamaraty.

– O Brasil tem uma tradição diplomática das mais qualificadas. Não creio que as figuras do Fernando Henrique ou do Lula tenham sido isoladamente decisivas na projeção do Brasil. Contribuíram, mas foram gratificadas por uma assessoria diplomática que levou ambos a terem uma presença internacional que esteve longe de ser improvisada.

Fonte: R7

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Conflitos Geopolítica

Em nova política de defesa, Japão promete responder à China

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Novas Diretrizes do Programa de Defesa Nacional representam significativa mudança em relação a táticas adotadas na Guerra Fria.

Na nova política de defesa anunciada na sexta-feira, o Japão prometeu responder ao crescente poder militar da China com a construção de mais submarinos e de outras forças móveis capazes de defender as ilhas mais ao sul do país.

As novas Diretrizes do Programa de Defesa Nacional representam o maior passo dado em uma década – e uma mudança perceptível das táticas adotadas na Guerra Fria, de tanques pesados e unidades de artilharia posicionados no norte da ilha de Hokkaido para combater uma ameaça soviética que já não existe – e para reforçar as forças japonesas em torno das ilhas do sul de Okinawa, onde a Marinha da China tornou-se uma presença constante.

As novas diretrizes também adotam uma linguagem incomumente forte para alertar sobre a China e sua crescente atividade militar, chamando suas ações de “um motivo de preocupação para a região e para a comunidade internacional”. Três meses atrás, Pequim e Tóquio entraram em confronto diplomático sobre as ilhas desabitadas reivindicadas por ambas as nações, mas controladas pelo Japão. As ilhas são chamadas de Senkaku em japonês e Diaoyu em chinês.

A nova política pede o aumento do número de submarinos do Japão dos 16 atuais para 22, e a redução do número de tanques em um terço para cerca de 400 unidades. Também há um apelo para a criação de mais forças móveis, que os analistas dizem poder incluir a criação de novas unidades aéreas e marítimas que possam se deslocar rapidamente para defender ilhas remotas.

Pedidos de Washington

As orientações também pedem uma maior cooperação militar com os Estados Unidos, protetor do Japão pós-guerra, e outras democracias na região, incluindo Coreia do Sul, Austrália e Índia. Elas não abordam os recentes pedidos de Washington para que os militares japoneses, conhecidos como Forças de Autodefesa, participem de treinamentos com os Estados Unidos e a Coreia do Sul que seriam destinados a possíveis confrontos com a Coreia do Norte.

O Japão tem resistido há muito tempo a pedidos dos Estados Unidos para que aumente seu papel militar na região por causa das restrições da sua Constituição pacifista pós-guerra e as lembranças amargas de uma derrota devastadora na Segunda Guerra Mundial. As novas orientações parecem indicar uma vontade de melhorar um pouco o perfil militar do Japão, mas apenas de maneira defensiva e em conjunto com os EUA.

As orientações também pedem que o Japão reconsidere sua proibição autoimposta sobre a exportação de armas, uma medida que tornaria mais fácil para o Japão se juntar as outras nações, e particularmente aos EUA, no desenvolvimento conjunto de novos sistemas de armas.

O Japão já se juntou aos EUA no desenvolvimento de novos sistemas antimíssil. As orientações de sexta-feira pediram a implantação de mais mísseis interceptores Patriot para derrubar mísseis balísticos da Coreia do Norte, que tem desenvolvido mísseis e armas nucleares.

*Por Martin Fackler

Fonte: Último Segundo

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Geopolítica

Imagem de país sem corrupção é questionada na Suécia

http://empirestatefx.com/wp-content/uploads/2010/05/swedish-flag.jpgSugestão: Gérsio Mutti

Pascale Harter

Da BBC News em Estocolmo

País listado por organizações internacionais entre os menos corruptos do mundo, a Suécia tem passado por várias discussões internas para atestar se essa imagem de “limpeza” é verdadeira ou falsa.

Em uma viagem para a série Extremos, analisando a extrema falta de corrupção na Suécia, a reportagem da BBC perguntou a moradores da capital, Estocolmo, o que achavam sobre essa fama.

“Sim”, alguns disseram, “existe uma maneira sueca de fazer as coisas: discutir, concordar, fazer o bem”.

“Nós vemos a nós mesmos como um modelo para outros países”, disse uma mulher.

Na unidade anticorrupção do governo sueco, localizada no centro de Estocolmo, o promotor-chefe, Gunnar Stetler, disse que o telefone toca frequentemente.

Na maioria das vezes, ele disse, são pessoas dizendo que os seus vizinhos erguerar um muro, ou pintaram a casa de verde, e alegando que a permissão para a construção havia sido obtida por meios escusos.

Dificilmente o motivo do crime é diferente disso.

“Não é que nós sejamos melhores que vocês”, disse Stetler, “mas somos mais transparentes, e isso torna a corrupção mais difícil”.

Ele se ofereceu para me mostrar seu relatório de despesas, porque na Suécia qualquer pessoa tem o direito de checar os gastos dos agentes públicos.

Suspeita em Gotemburgo

Durante a visita à Suécia, no entanto, as manchetes eram dominadas por um escândalo em Gotemburgo, a segunda maior cidade do país. A polícia estava investigando alegações de que autoridades locais aceitaram propina de uma grande construtora.

Os suecos ficaram chocados com a suspeita, e os editoriais nos jornais populares questionavam se a Suécia era tão “limpa” quanto pensava.

O escritor Henning Mankell, autor da série de detetive Wallander, afirma que a Suécia é um “país muito decente”, mas acredita que existe há muito tempo um mito de que é um país perfeito.

Ele diz que, em seus livros, que examinam os aspectos incômodos da sociedade sueca, pretende ser parte da “consciência da Suécia”.

“O que eu tento fazer é talvez dar um ponto de vista mais realista da Suécia. Às vezes é necessário pegar uma lanterna e olhar nos cantos escuros.”

Mankell diz que os suecos se sentem traídos pelo escândalo em Gotemburgo, e estão questionando se sua transparência os torna complacentes. Eles reconhecem a corrupção quando a veem?

Casamento real

Em um belo dia de verão, a princesa Victoria se casou com o seu personal trainer em uma igreja no centro de Estocolmo. Uma multidão compareceu para ovacionar o casal.

A lua-de-mel, no entanto, foi menos humilde. Um magnata sueco transportou o casal em um jato particular para um iate luxuoso.

Peter Wolodarski, editor de política do jornal Dagens Nyheter, afirma que figuras públicas não devem ficar em dívida com negócios privados.

Ele acredita que ter a família real abrindo portas pode ser útil para o bilionário, proprietário da maior empresa de ensino de línguas do mundo.

“Existe um risco potencial”, diz Wolodarski, “em ter a família real retribuindo um favor a um homem como esse”.

A coroa disse que a viagem foi privada, um presente dado por um amigo da família.

Stetler considerou abrir uma investigação sobre o presente de lua-de-mel, mas decidiu que a Constituição sueca coloca a família real à margem das leis anticorrupção.

Polêmica com caças

A unidade lançou uma investigação, no entanto, sobre outro ícone nacional – a companhia Saab.

Além de carros, a Saab fabrica os caças Gripen, que são fonte de orgulho nacional. Um anúncio de televisão chama os jatos de “asas de uma nação”.

A unidade anticorrupção sueca investigou suspeitas de que a Saab usou um intermediário para subornar o governo sul-africano para garantir um acordo lucrativo.

A Saab se recusou a dar entrevista à BBC, mas disse por meio de um comunicado que não considera ter cometido atos ilegais.

“Para nós na Saab, é extremamente importante conduzir nossos negócios com altos padrões éticos, e nós agimos com tolerância zero em relação a propinas”, disse.

“A investigação preliminar foi conduzida por vários anos, e a Saab deu assistência todas as vezes, compartilhando as informações requisitadas.”

O caso foi abandonado por falta de provas.

“Na verdade, tanto faz se você pergunta à Saab sobre isso. Você tem que ter um promotor independente para fazer uma investigação séria. Depois disso, só então poderemos dizer se eles são culpados ou não”, diz Nils Resare, que escreveu um livro sobre o caso dos Gripen.

Segundo o autor, o promotor deixou o caso porque ele não conseguia montar uma equipe para encontrar provas. “E isso é provavelmente o maior escândalo de corrupção na história da Suécia”, afirma Resare.

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) também criticou a Suécia por não se esforçar o suficiente nesse caso.

Poucos funcionários

Stetler assumiu seu cargo depois que o caso foi abandonado. Ele diz, no entanto, que a sua unidade poderia ter mais funcionários. Ele tem que contar com que outros departamentos de governo lhe emprestem policiais, por exemplo.

Para ele, a falta de corrupção em geral fez os seus compatriotas ficarem “um pouco ingênuos”.

“Se você não está a par, você não aloca recursos suficientes e não entende a importância de combater a corrupção”, diz Stetler. “E se as pessoas acham que não estão sendo investigadas, elas provavelmente terão a chance de se tornar um pouco corruptas.”

Mankell não acredita que a Suécia esteja se tornando mais corrupta, mas ele acha que os suecos se despertaram para a corrupção que existe no país. “Agora temos a oportunidade de conter isso”, ele afirma.

Embora a Suécia não seja tão perfeitamente limpa quanto se acreditava, as pessoas no país parecem comprometidas em fazer algo a respeito.

A reportagem da BBC foi convidada a ir ao distrito financeiro de Estocolmo para assistir a um workshop corporativo sobre como evitar propina.

No local, havia folhetos sobre o que poderia constituir um suborno, e empresários tomavam nota no auditório.

A principal oradora, Helen Waxberg, disse à BBC que isso não era um grande problema na economia sueca. Então por que fazer um workshop?

“Ele é sobre prevenção, e não cura”, ela afirmou. “Nós queremos que as empresas suecas sejam as primeiras da classe.”

Fonte: BBC Brasil

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Geopolítica Opinião

Muito longe do equilíbrio

http://www.outraspalavras.net/files/2010/12/101206-Aguia2B.jpg

Por José Luís Fiori

Toda situação hegemônica é transitória
e, mais do que isto, é auto-destrutiva,
porque o próprio hegemon acaba se desfazendo
das regras e instituições que criou,
para poder seguir se expandindo e acumulando
mais poder do que seus liderados”

J.L.F. “O Poder Global e a Nova Geopolítica das Nações”,
Editora Boitempo, 2007, p:31

A recente decisão norte-americana de desvalorizar sua moeda nacional não é nova nem surpreendente. Como tampouco, a transferência dos seus custos para o resto da economia mundial e, de forma particular, para a periferia monetário-financeira do sistema. Os EUA já fizeram a mesma coisa, em 1973, quando abandonaram o sistema de Bretton Woods, provocando a primeira grande recessão mundial, depois da II Guerra. As analogias históricas são perigosas e devem ser utilizadas com cautela, mas não há duvida de que a situação e o comportamento atual dos EUA se parecem muito com o que ocorreu na década de 1970. Como naquele momento, uma vez mais, os EUA estão envolvidos numa guerra sem solução e enfrentam uma grave crise econômica. E ao mesmo tempo, seu establishment está rachado e sua sociedade está atravessando uma luta política que deve se prolongar por muito tempo. E uma vez mais, os EUA optaram por uma resposta estratégia que combina a manipulação do valor do dólar com uma “escalada” da sua presença militar ao redor do mundo. E não é impossível que ainda façam um acordo estratégico com a Rússia e um acordo de paz como Irã, envolvendo toda a Ásia Central. E que adotem, novamente, a estratégia do “dólar forte”, do final dos anos 70.

Mas é óbvio que existem algumas diferenças fundamentais: por exemplo, a relação econômica dos EUA com a China é totalmente diferente da relação que os EUA tiveram com a URSS, e no século passado não havia nenhum país – nem a Comunidade Europeia – com força para contestar ou resistir às decisões da política monetária norte-americana. Por isto, não é fácil prever o futuro das novas iniciativas estratégicas dos EUA, mas com certeza, não é necessário que os países latino-americanos repitam os mesmos erros que conduziram à sua estagnação econômica e ao retrocesso neoliberal dos anos 80 e 90, do século passado.

O futuro está aberto e existem múltiplas alternativas sobre a mesa, mas neste momento é necessário que os governantes tenham uma visão estratégica que transcenda o debate puramente econômico, cujos argumentos e alternativas fundamentais se repetem há cerca de duzentos anos. A falta desta visão mais ampla é que explica a repetição – como na década de 1970 – de algumas propostas absolutamente ingênuas ou inviáveis, dentro do sistema político-econômico mundial em que vivemos. Como é o caso, por exemplo, da decretar o fim da hegemonia do dólar; ou de criar uma nova moeda supranacional; ou ainda, de estabelecer uma meta fixa e consensual para os desequilíbrios das contas correntes nacionais; ou ainda pior, de voltar ao padrão-ouro ou delegar ao FMI a função de governo monetário do mundo. Sem falar, nos que acreditam que os EUA e a China possam mudar suas políticas econômicas nacionais, por conta da “pressão amiga”. Propostas e expectativas que pecam pelo desconhecimento, ou negação ideológica, de alguns aspectos centrais da economia política da moeda dentro do sistema inter-estatal e capitalista. Assim, por exemplo:

  1. Com o desconhecimento ou negação de que as moedas soberanas não são apenas um “bem público”. Envolvem relações sociais e de poder entre seus emissores e os seus detentores, entre credores e devedores, entre poupadores e investidores, e assim por diante. E por trás de toda moeda e de todo sistema monetário esconde-se e se reflete sempre uma determinada equação e correlação de poder, nacional ou internacional.
  2. Com o desconhecimento ou negação de que as moedas de referência internacional não são apenas uma escolha dos mercados. São produto de uma longa luta de conquista e dominação de territórios supra-nacionais, e um instrumento estratégico de poder dos seus Estados emissores e dos seus capitais financeiros.
  3. Com o desconhecimento ou negação de que neste sistema inter-estatal, a contradição implícita no uso de moedas nacionais como referencia internacional é uma contradição co-constitutiva e inseparável do próprio sistema. A moeda pode até mudar, mas a regra seguirá sendo a mesma, com o Yuan, o Yen, o Euro, ou o Real, dá no mesmo.
  4. Por fim, com o desconhecimento ou a negação de que faz parte do poder do emissor da “moeda internacional”, transferir os custos de seus ajustes internos para o resto da economia mundial, e, em particular para sua periferia monetário-financeira. Cabendo aos seus governantes a escolha de suas respostas soberanas.

Não é fácil de pensar um sistema onde não existe nenhuma possibilidade de equilíbrio estável. Mas um estadista não pode desconhecer que dentro do “sistema inter-estatal capitalista”, jamais haverá equilíbrio econômico estável, ou coordenação política permanente.

Fonte: Outras Palavras