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Defesa Fotos do Dia

Lula diz que vaga no Supremo e novos caças devem ser decisões de Dilma

http://4.bp.blogspot.com/_Hi2k-xGeGKY/SQiDk4tSSzI/AAAAAAAAADU/Y0QkV6yJBmg/s320/lula_pin%C3%B3quio.jpgSugestão: Jackson Almeida

A um mês de deixar o governo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende resolver o impasse da extradição do italiano Cesare Battisti, mas deve deixar para a presidente eleita Dilma Rousseff decisões que ainda estão pendentes, entre elas a indicação de um novo ministro para o Supremo Tribunal Federal (STF) e a compra de novos caças para a Força Aérea Brasileira (FAB).

Em entrevista à TV Brasil, Lula disse hoje (6) que fará o que puder para facilitar o primeiro ano do governo Dilma, mas que está ouvindo a presidente eleita sobre assuntos que dizem respeito aos dois mandatos. Segundo Lula, a decisão sobre a extradição de Battisti depende apenas do parecer da Advocacia Geral da União (AGU), que ele espera receber ainda neste mês.

“Esse é um assunto em que tanto eu posso tomar uma decisão agora ou deixar para a presidente tomar. Eu preferiria tomar agora. Se o parecer estiver pronto, decido agora, para não deixar esse assunto, que é sempre amargo. Tem gente que quer que o Battisti fique, tem gente que quer que ele vá embora. Não quero deixar nenhuma confusão para a nova presidente”.

A indicação de um novo ministro para o STF, para ocupar a vaga deixada pelo ex-ministro Eros Grau, deve ficar para Dilma. Lula disse que preferiu esperar as eleições e que ainda vai conversar com Dilma sobre a indicação. Segundo o presidente, não “não há muita pressa” em decidir o novo nome, porque o tribunal entrará em recesso nos próximos dias e só voltará aos trabalhas em fevereiro de 2011.

A decisão sobre a compra de aviões de combate para a FAB também ficará para a presidente eleita. “É uma dívida muito grande, é uma dívida de longo prazo para o Brasil.  Eu poderia assinar e fazer um acordo com a França, mas não vou fazer”. A decisão sobre os caças franceses ainda depende de parecer do Conselho Nacional de Defesa, segundo Lula.

O presidente disse que a FAB também será consultada sobre outra compra, a de um novo avião presidencial. Lula disse que não vê “nenhum problema” em comprar uma nova aeronave e lembrou que, apesar das críticas, o avião comprado em seu primeiro mandato ajudou o Brasil a fortalecer a política externa porque possibilitou mais viagens internacionais.

“Acho que o Brasil precisa de um avião melhor. Se vai comprar agora ou não, acho que é uma coisa que a Dilma vai decidir. Eu não teria nenhum problema em comprar [ainda neste governo]”.

O presidente também adiantou que vai sugerir para Dilma uma nova legislação para o marco de telecomunicações do Brasil. Ele disse que a presidente eleita terá o desafio de representar as mulheres no poder e falou sobre a despedida do governo após dois mandatos. “Vou sair consciente de que cumpri o meu dever, de que fizemos muitas coisas e ainda temos muitas a fazer, mas consciente de que o Brasil melhorou muito nesses últimos oito anos”.

A primeira parte da entrevista exclusiva do presidente Lula à TV Brasil vai ao ar hoje (6) no telejornal Repórter Brasil, a partir de 21h.


Nota do Editor

Segue mais um Remake da novela mais longa da história do Brasil, a imagem quer dizer isto mesmo, o presidente Lula mentiu para a FAB e para o Povo brasileiro.

O que fará a futura presidente? encerrar o programa? decidir? abrir outro? até lá vamos nós de F 5 M e muita, mais muita guerra midiática e provavelmente a presidente só deve se pronunciar lá por abril…

Senhor presidente sua atitude é vergonhosa.

http://piratininga.files.wordpress.com/2008/07/primeira-decolagem-redflag.jpgAté lá é rezar pois a FAB vai voard e F5M até sabe deus lá quando.

E.M.Pinto



Fonte: Uol

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Geopolítica

Austrália disse que EUA deveriam estar prontos para atacar a China

Kevin Rudd

DA EFE, EM SYDNEY

O ex-líder australiano Kevin Rudd advertiu os Estados Unidos que deveriam estar prontos para empregar a força contra a China se algum dia “tudo saísse mal”, segundo um telegrama diplomático secreto vazado pelo portal WikiLeaks.

Rudd também disse à secretária de Estado americana, Hillary Clinton, que os líderes chineses eram “paranóicos” sobre Taiwan e o Tibete e que seu objetivo de estabelecer uma nova comunidade Ásia-Pacífico era conter o avanço de Pequim, acrescenta o relatório divulgado nesta segunda-feira pelo jornal “Sydney Morning Herald”.

O telegrama do WikiLeaks detalha a conversa durante um almoço entre ambos em março de 2009 em Washington.

Rudd, que fala mandarim e afirmou ser um “realista brutal” com Pequim, apostou perante a chefe da diplomacia americana em levar a cabo uma política que “integre efetivamente a China na comunidade internacional e lhe permita demonstrar uma maior responsabilidade, e ao mesmo tempo (que os EUA) se preparem para o uso da força se tudo sair mal”.

O então primeiro-ministro também antecipou que provavelmente o novo presidente da China a partir de 2012 será Xi Ping, graças aos contatos militares de sua família.

Rudd também assinalou que os líderes chineses se comportam de forma “irracional e profundamente emocional” em relação a Taiwan e que a dureza da repressão no Tibete é uma mensagem clara para outras minorias étnicas.

O telegrama secreto do Wikileaks acrescenta que, por sua vez, Hillary indicou que os EUA desejam que a China “eleve seu nível de vida e avanço para a democracia a um ritmo que possam tolerar seus líderes”.

Washington também deseja que Pequim tome uma maior responsabilidade na esfera econômica mundial, construa uma maior estrutura de proteção social para sua população, e melhore o marco regulador para suas exportações.

No entanto, Hillary admitiu que a China cada vez mais tem uma maior influência econômica: “Como você pode ser duro com seu banqueiro?”, se perguntou a secretária de Estado.

Fonte:   Folha

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Inteligência

WikiLeaks: para EUA, divisão interna levou à política externa brasileira desarticulada

O Globo

RIO – Em mais um documento divulgado no domingo pelo site WikiLeaks, o ex-embaixador americano no Brasil Clifford Sobel apresenta uma extensa análise sobre o papel de três figuras-chave no país, afirmando que a divisão entre eles foi responsável por uma política externa desarticulada, que “pode levar à frustração por parte de diplomatas brasileiros”.

A mensagem de Sobel, datada de 11 de fevereiro de 2009, concentra-se no ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, definido como “nacionalista”, no então secretário-geral da pasta, Samuel Pinheiro Guimarães, apresentado como “antiamericano”, e no assessor especial da Presidência para assuntos internacionais, Marco Aurélio Garcia, classificado como “acadêmico esquerdista”.

“Cada um entalhou seu próprio nicho de política externa: comércio, relações com países desenvolvidos, questões multilaterais, África e Oriente Médio para Amorim; questões político-militares, relações com alguns países em desenvolvimento, e trabalhos internos do Ministério de Relações Exteriores para Guimarães; e países da América do Sul e esquerdistas na América Latina e em outros lugares para Garcia. O efeito é a visão e a implementação da política externa do Brasil de alguma maneira desarticuladas, o que pode levar à frustração por parte de diplomatas brasileiros”, afirma Sobel no documento .

Preocupação com terrorismo em São Paulo, cabos de comunicação e minas

Outros documentos divulgados pelo WikiLeaks revelam também mais preocupações dos americanos com o Brasil. Em pelo menos duas mensagens publicadas no site no domingo, diplomatas americanos afirmam que São Paulo é o principal foco do combate ao terrorismo no país , deixando a Tríplice Fronteira em segundo plano. Os documentos indicam a presença de suspeitos ligação com extremistas do Hezbollah no Sudeste brasileiro.

O Brasil também é citado em documentos vazados pelo WikiLeaks que listam locais “vitais” para a segurança nacional dos EUA . O Departamento de Estado americano pediu em 2009 a todas as missões diplomáticas no exterior informações sobre instalações diversas. Entre as brasileiras estão cabos de comunicação submarinos com conexões em Fortaleza e no Rio de Janeiro e minas de minério de ferro, manganês e nióbio em Minas Gerais e em Goiás.

Fonte: O Globo


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Geopolítica

Cuba-Venezuela, o eixo da Malícia/Maldade

Le Monde

Por Paulo A. Paranagua

Depois do “eixo do Mal” tão caro a George Bush (Iraque-Irã-Coreia do Norte), eis que surge o “eixo da Malícia/Maldade” (mischief, em inglês). É assim que a embaixada americana em Caracas classifica a aliança entre Cuba e Venezuela, em um relatório secreto de janeiro de 2006 obtido pelo WikiLeaks e revelado pelo “Le Monde”. No entanto, a embaixada está levando muito a sério “a ampla cooperação dos cubanos com os serviços de inteligência venezuelanos”.

Havana também está ajudando Caracas com a naturalização dos estrangeiros residentes na Venezuela e o estabelecimento de carteiras de identidade. “O papel dos cubanos no plano militar é menos claro, mas não deve ser menos significativo.” Os agentes de ligação de Havana ocupam as posições que antigamente eram detidas pelos oficiais europeus ou de outros países latino-americanos. “Os serviços de inteligência venezuelanos figuram entre os mais hostis aos Estados Unidos na região, mas ainda carecem de expertise, algo que os serviços cubanos podem lhes fornecer”, observa o documento.

O treinamento é feito tanto em Cuba quanto na Venezuela e mistura “doutrinamento político e instrução operacional.” “Os agentes cubanos de inteligência têm acesso direto a Chávez e muitas vezes lhes fornecem relatórios sem passar por seus homólogos venezuelanos.” Os cubanos seriam ativos em diversos ministérios e numerosos na agricultura. Seu número exato “é difícil de determinar”, uma vez que eles se mantêm “discretos”.

Cerca de 350 pessoas pegam de três a cinco voos comerciais ou militares diariamente entre os dois países, sem parar na alfândega ou na polícia fronteiriça. Milhares de cubanos têm documentos venezuelanos. Em agosto de 2006, outro memorando apresentava uma cifra de 40 mil cubanos presentes na Venezuela. Esse segundo texto avalia o impacto da doença de Fidel Castro sobre seu amigo Hugo Chávez. O líder bolivariano poderia se tornar mais “imprevisível” em caso de morte do dirigente cubano. Na verdade, o presidente venezuelano é um “mestre tático”, mas “não é tão bom para gerir as crises”. Ora, seu mentor cubano é um “hábil gerenciador de crises” (superb crisis manager), segundo os americanos.

Clínicas custosas

Ele provou isso diversas vezes, pressionando Chávez a resistir ao golpe de Estado de 2002. “Foi Castro que concebeu as ‘missiones’ [programas sociais] para que a popularidade de Chávez voltasse a subir”. Justamente, a “missão Barrio Adentro” – clínicas instaladas nos bairros pobres por equipes cubanas – é assunto de diversos memorandos americanos. A avaliação da embaixada é severa: custoso, esse programa é ineficaz e não representa uma solução a longo prazo.

Sua implantação foi feita em detrimento dos hospitais públicos, cuja crise resultou em crescentes protestos, observa uma mensagem de dezembro de 2009. Os médicos cubanos que pediram visto para os Estados Unidos permitiram que os diplomatas fizessem um balanço detalhado do funcionamento de “Barrio Adentro”. Segundo suas confidências, ali os cubanos são rigidamente vigiados por seus superiores, seus passaportes são confiscados com frequência. Eles recebem uma parte mínima de sua remuneração, bloqueada em uma conta para garantir que eles realmente voltarão a Cuba após os dois ou três anos de serviço.

Eles trabalham em condições precárias, sem os medicamentos necessários e se veem obrigados a inflar os números de tratamentos. Uma mensagem de abril de 2010 menciona 739 candidatos a partirem para os Estados Unidos entre esses funcionários. Muitos deles tiveram de subornar a polícia fronteiriça em Caracas para não serem entregues às autoridades de Havana. Outros tentaram a sorte atravessando a fronteira terrestre com a Colômbia.

Tradução: Lana Lim

Fonte:  Brasil acima de tudo

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Geopolítica Opinião

Análise: Vazamento de segredos no WikiLeaks obriga países a repensar a diplomacia

http://mediamemo.allthingsd.com/files/2010/03/wish-you-were-here.jpgSugestões: Gérsio Mutti

Autor(es): Andrei Netto O Estado de S. Paulo – 05/12/2010

EUA e França reorganizarão a transmissão de documentos diplomáticos, tornando seus sistemas de comunicação de embaixadas e consulados mais seguros; veteranos da carreira diplomática, porém, garantem que não há como mudar o tom dos despachos secretos

O soldado americano Bradley Manning, de 22 anos, vive hoje em uma “solitária”, à espera do julgamento em corte marcial em 2011. Antes de ser isolado do mundo, porém, o jovem teve acesso, durante 14 horas por dia, sete dias por semana, ao longo de oito meses, a uma rede gigantesca de informações secretas do Departamento de Estado americano a partir de seu posto de trabalho, em Bagdá.

Ao decidir apagar os arquivos MP3 de Lady Gaga e copiar em seu lugar 1,6 gigabytes de dados em um CD regravável, Manning protagonizou o maior vazamento de informações da história.

Nas mãos do australiano Julian Assange e do site WikiLeaks, esses 250 mil relatórios escritos por diplomatas de embaixadas dos Estados Unidos vieram à tona no último domingo e, desde então, já começam a mudar o modo de se fazer diplomacia.

Por ordem de Washington, computadores cedidos pelo Departamento de Estado a diplomatas que redigem relatórios confidenciais não mais contarão com tecnologias banais, como os drives USB para pen drives. A decisão é adotar “uma solução temporária para mitigar os riscos futuros de que dados confidenciais sejam movidos por funcionários para sistemas não seguros”, segundo nota distribuída pelo Departamento de Estado americano.

Além disso, o número de computadores que terão acesso aos sistemas que armazenam informações “sensíveis” será brutalmente reduzido no Pentágono, por decisão do secretário de Defesa dos EUA, Robert Gates. As medidas são as primeiras adotadas pelo governo americano e formam parte de uma série de soluções de curto, médio e longo prazos que vêm sendo adotadas ou estudadas em todo o mundo nos últimos meses para aprimorar a segurança de dados sigilosos.

Novas normas. Esses procedimentos já estão em curso na França, por exemplo. De acordo com o porta-voz do governo do presidente Nicolas Sarkozy, François Baroin, desde a revelação dos dados pelo WikiLeaks, o Palácio do Eliseu vem colocando em prática medidas para evitar a perda de informações.

“O vazamento terá por consequência redefinir as modalidades de transmissão de documentos de natureza diplomática no interior do dispositivo da chancelaria francesa”, revelou.

Entre diplomatas ouvidos pelo Estado, a preocupação com o sigilo é tangível – até mesmo entre brasileiros. Bruno Carrilho, ex-conselheiro Político da Embaixada do Brasil em Paris, citado em um dos telegramas divulgados pelo site WikiLeaks, admitiu na noite de quarta-feira que a fuga de dados pelo Departamento de Estado americano levou todos na profissão a questionarem eventuais procedimentos que possam resultar em novos e constrangedores vazamentos. “Neste momento, nós, diplomatas, estamos no olho do furacão. É um momento de reflexão para todos nós”, disse Carrilho.

No meio diplomático europeu, imagina-se que os vazamentos farão crescer a prudência nas relações entre colegas de países diferentes. Uma das preocupações é a de assegurar aos interlocutores a credibilidade dos sistemas de comunicações.

Para François Nicoullaud, ex-embaixador da França em países sensíveis como o Irã, os vazamentos do WikiLeaks põem em perigo um dos princípios mais importantes da diplomacia: o sigilo. “Se quisermos ser transparentes e objetivos nos nossos relatos, precisamos ter a garantia do segredo”, argumentou. “A liberdade de análise e de discrição do diplomata é muito importante para que os líderes políticos tomem decisões acertadas.”

Já Antoine Blanca, ex-embaixador francês em alguns países da América Latina, vê as relações internacionais expostas neste momento, circunstância que pode ter implicações práticas.

Limites. De acordo com ele, sistemas de informação mais complexos – já existentes – serão adotados para garantir a segurança da comunicação diplomática. Já a linguagem empregada nos relatos, acredita Blanca, não mudará – porque não pode. “Há relatos, muitos dos quais sensíveis, que precisam ser feitos entre um embaixador e seus superiores. Não é possível codificar todas as informações.”


PARA LEMBRAR

No dia 22, o WikiLeaks avisou, por meio de sua conta no site de microblogs Twitter, que publicaria na internet “uma quantidade de documentos sete vezes maior do que o conteúdo revelado sobre a guerra no Iraque”, quando 400 mil documentos sigilosos foram parar na rede. Quatro dias depois, o dono do WikiLeaks, Julian Assange, enviou uma carta ao Departamento de Estado americano pedindo informações sobre funcionários do governo que pudessem estar em locais nos quais suas vidas fossem colocadas em risco no momento da publicação. No dia 28, alguns jornais europeus e americanos começaram a ter acesso privilegiado ao conteúdo, antes que os mais de 250 mil documentos fossem colocados no site do WikiLeaks.

Fonte Estadão via Ministério do Planejamento

EUA expandiram espionagem direta, revelam telegramas vazados pelo WikiLeaks

ANDREA MURTA
DE WASHINGTON

A avalanche incessante de informações vinda à tona com o vazamento de documentos dos EUA no site WikiLeaks expôs ao menos uma evolução importante das práticas da diplomacia americana: a expansão das tarefas de espionagem direta.

Diplomatas foram orientados a coletar dados biométricos, números de cartões de crédito e até DNA de autoridades estrangeiras.

Os pedidos foram requisitados a diplomatas alocados em diversos países, e chegaram até à ONU (Organização das Nações Unidas), onde a prática é expressamente proibida por convenções.

As ordens foram feitas em nome da secretária de Estado, Hillary Clinton, e da embaixadora do país na ONU, Susan Rice.

As revelações estão no seio dos cerca de 250 mil despachos diplomáticos sigilosos dos EUA que estão sendo publicados gradualmente no WikiLeaks há uma semana.

Não surpreende que diplomatas façam coleta de dados –é parte intrínseca do trabalho–, mas ficou claro que os limites entre diplomacia e espionagem estão em uma zona cada vez mais cinzenta.

“Posso dizer que nunca recebi nem ouvi falar de um pedido desse tipo em meus 36 anos no Departamento de Estado”, disse à Folha o diplomata americano aposentado Howard Schaffer, 81, atual conselheiro do Instituto para Estudo da Diplomacia da Universidade Georgetown.

“Claro que pediam informações, mas não esses dados. Me parece algo novo”, afirmou.

Para alguns analistas, o esforço dos EUA em grampear amigos e inimigos é uma resposta à perda gradual de poder e influência.

Seumas Milne, colunista e editor do jornal britânico “The Guardian”, afirma que as ações “mostram como o império americano começou a perder o rumo quando o momento do mundo unipolar pós-Guerra Fria passou, Estados antigamente dependentes como a Turquia resolveram andar sozinhos e poderes regionais como a China começaram a fazer sua presença global mais sentida”.

Fred Burton, ex-membro dos serviços de segurança diplomáticos e atual analista da empresa de inteligência Stratfor, diz que a avaliação tem limites. “Varia de acordo com as relações diplomáticas com cada país.”

O Departamento de Estado dos EUA tentou minimizar o impacto das revelações. “Nossos diplomatas não são ativos de inteligência”, disse o porta-voz P.J. Crowley. “Eles coletam algumas informações, como fazem diplomatas de todos os países.”

Há quem argumente que o caso apenas escancarou uma prática antiga. “As linhas entre a diplomacia e a espionagem sempre foram tênues”, disse James Lindsay, vice-presidente sênior do Council on Foreign Relations (CFR). “Alguns tipos de dados não eram possíveis de ser coletados no passado, a diferença está aí”, complementa.

Roberto Abdenur, ex-embaixador do Brasil nos EUA, diz que sempre falou ao telefone e fez comunicações em Washington “partindo do princípio de que estava tudo grampeado”.

Segundo ele, é “notório que os EUA são particularmente ativos em espionagem internacional”.
O fato de que espionam aliados também seria normal. Para Burton, “não existe processo de inteligência amigável”. “Nessas horas, não existem aliados.”

Fonte: Folha de São Paulo

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Inteligência

Hillary acusa aliada Arábia Saudita de financiar grupos terroristas

DE SÃO PAULO

Em memorando divulgado pelo site WikiLeaks neste fim de semana, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, diz que a Arábia Saudita é origem da maior parte do dinheiro que financia grupos terroristas no Oriente Médio e no Paquistão.

O regime de Riad é um importante aliado dos EUA na região.

“É preciso fazer mais, porque a Arábia Saudita continua a ser um financiador importante de grupos militantes islâmicos como a Al Qaeda, o Taleban, o LeT [o grupo Lashkar-e-Taiba, sediado no Paquistão] e outros grupos terroristas”, afirma.

O documento foi assinado em dezembro de 2009 por Hillary e enviado às embaixadas americanas em Riad, Abu Dhabi, Al Kuait, Islamabad e Doha.

“Os doadores na Arábia Saudita constituem a fonte mais significativa de fundos para grupos terroristas a nível mundial”, revela.

Segundo o texto, outros países aliados dos EUA no Oriente Médio também permitem o financiamento de grupos extremistas.

Entre eles, os Emirados Árabes Unidos, chamado de “um buraco estratégico” que pode ser explorado pelos terroristas, o Qatar, “o pior da região” na luta antiterrorista, e o Kuait, visto como “um ponto-chave de trânsito”.

O memorando expõe a preocupação dos EUA em impedir que grupos extremistas recebam financiamento.

Washington questiona o fluxo contínuo de recursos financeiros a que têm acesso grupos terroristas, o que estaria solapando os planos do governo Obama de estabilização do Afeganistão.

O representante especial dos EUA para o Afeganistão e o Paquistão, Richard Holbrooke, estabeleceu uma Força de Trabalho sobre Financiamento Ilegal, visando gerar mais vontade política entre os países aliados no combate ao terrorismo.

IRÃ

O memorando aponta ainda que o governo saudita se preocupa muito com a ameaça de terrorismo interno, mas não tem sido fácil convencer seus funcionários a combater o financiamento de grupos terroristas.

Riad alerta para os riscos das restrições a instituições acusadas de financiar radicais, por serem “profundamente enraizadas na cultura saudita”.

Queixa-se, ainda, de que a proibição da transferência de fundos para fora do país desde 2005 tem beneficiado o regime iraniano.

Segundo o jornal espanhol “El País”, um funcionário do Ministério do Interior saudita diz que os iranianos deram um passo à frente e ocuparam o vazio deixado pela interrupção da assistência saudita, aumentando sua influência em países como Líbano, Paquistão, Síria, Iêmen e Nigéria.

Fonte: Folha

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Geopolítica Negócios e serviços

Sarkozy fecha acordos que situam a França como grande sócio nuclear da Índia

Julia R. Arévalo.

EFE –  O presidente francês, Nicolas Sarkozy, fechou nesta segunda-feira em Nova Délhi acordos que colocam a França como um dos sócios preferenciais da Índia em matéria nuclear, a grande aposta energética do gigante asiático para sustentar seu crescimento econômico.

Cinco dos sete acordos assinados nesta segunda-feira pelas delegações reunidas na capital indiana são de cooperação nuclear, que as partes confiam será um setor que contribuirá para duplicar as trocas econômicas, até colocá-las em 12 bilhões de euros no fim de 2012.

A francesa Areva e a Corporação de Energia Nuclear da Índia assinaram dois dos acordos, que definem as bases para a construção de dois reatores de tecnologia francesa na futura planta de Jaitapur, em Maharashtra (oeste).

Os outros três são relativos a aspectos como a segurança, pesquisa e o manejo de resíduos nucleares, explicou o primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh, em sua entrevista coletiva com o presidente francês.

Embora não foi divulgada uma data da construção, pois ficam “aspectos técnicos, incluídos os preços, sujeitos a negociações”, Singh destacou que os dois reatores vão gerar 10.000 megawatts de eletricidade frente aos 4.000 megawatts de energia nuclear que a Índia produz atualmente.

O Governo indiano apostou pela energia “limpa” nuclear para superar o crônico déficit energético do país e manter seu crescimento econômico, que no primeiro semestre deste ano fiscal foi de 8,9%.

Sarkozy apreciou a “escolha indiana de confiar na tecnologia nuclear francesa” e ressaltou que os acordos desta segunda-feira são “muito favoráveis” para a indústria de seu país.

Os acordos entre Areva e a Corporação são o primeiro resultado material do pacto de cooperação nuclear que a França e a Índia assinaram em setembro de 2008, após a “dispensa” outorgada ao gigante asiático pelo Grupo de Fornecedores Nucleares (NSG), facilitada por um pacto semelhante com os EUA.

A Índia, que possui arma atômica e não assinou os tratados de não-proliferação (TNP) e Proibição de Testes Nucleares (CTBT), saiu assim de décadas de exclusão do mercado atômico internacional, em troca de um acordo de salvaguardas com a AIEA pelo que permitirá inspeções em suas plantas civis.

Na entrevista coletiva, Sarkozy garantiu que a França “fez a escolha estratégica de acreditar na Índia” e demandou para ela seu “lugar legítimo” como membro permanente do Conselho de Segurança da ONU, assim como um posto em fóruns nucleares como o NSG.

No comunicado conjunto emitido após a reunião Singh-Sarkozy, ambos avaliaram o “diálogo significativo” entre os estados nucleares, “em particular aqueles que possuem os arsenais maiores, para construir confiança” e promover a paz mundial.

Além dos acordos nucleares, as partes assinaram nesta segunda-feira um tratado de co-produção cinematográfica e outro de cooperação em matéria de ciência e mudança climática.

“Reafirmaram o comum interesse em fortalecer sua relação” em matéria de defesa, que é um “pilar importante de sua relação estratégica”, segundo a declaração, que aludiu às discussões em andamento para um acordo de modernização dos aviões Mirage 2000 em posse da Índia.

Singh expressou a “determinação” dos dois países de colocar seu volume de trocas comerciais nos 12 bilhões de euros em 2012, frente aos 5,360 bilhões de 2009 em que se viram ressentidos pela crise.

As partes confiam em que o objetivo será viável graças aos acordos nucleares atuais, o reatamento de contratos para a indústria de aviação indiana e a possível assinatura de um acordo de livre-comércio entre a Índia e a UE, que segue negociando.

A ministra de Economia francesa, Christine Lagarde, em seu discurso nesta segunda-feira em um fórum de empresários em Délhi, cifrou em 10 bilhões de euros os compromissos de investimento de empresas francesas na Índia entre 2008 e 2012. Ao tempo que demandou a abertura de setores até agora vedados ao investimento estrangeiro como o comércio no varejo e o de seguros, segundo a agência “Ians”.

Sarkozy chegou à Índia no sábado, fez uma breve visita as instalações espaciais em Bangalore e passou o fim de semana visitando com sua esposa, Carla Bruni, o Taj Mahal e os arredores.

Acompanhado por sete ministros e uma delegação empresarial, nesta segunda reúne-se com a presidente do partido governante, Sonia Gandhi, e a chefe do Estado, Pratibha Patil, e na terça irá Mumbai para homenagear as vítimas do atentado de 2008 e fazer um discurso diante de um conclave de negócios.

Fonte: UOL

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Defesa Fotos do Dia

Venezuela e FX2

http://venezuelanalysis.com/files/imagecache/block_node_images/images/2008/04/chavez-brasil_p.jpg

O Globo

RIO – Documentos obtidos pela ONG WikiLeaks e divulgados neste domingo pelo jornal francês “Le Monde” evidenciam as divergências entre Brasil e Estados Unidos sobre a relação diplomática com a Venezuela de Hugo Chávez. Em uma correspondência secreta, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, afirma que o presidente venezuelano “late mais do que morde” e que isolá-lo não é uma opção.

“A orientação política de Hugo Chávez não é a do Brasil, mas os brasileiros não se sentem ameaçados por Chávez. (…) O isolamento não é uma solução para Chávez. Ele late mais do que morde”, diz Amorim em uma nota de março de 2007.http://www.reuters.com/resources/r/?m=02&d=20080415&t=2&i=3883239&w=460&fh=&fw=&ll=&pl=&r=2008-04-15T031318Z_01_N14415332_RTRUKOP_0_PICTURE0

“Não queremos isolá-lo, queremos falar com ele, mas ele não negocia conosco”, respondem os americanos.

Em julho do mesmo ano, uma outra correspondência ressalta que o governo Lula defende um distanciamento a administração americana para não afetar as relações com os países da América Latina.

“Apesar das preocupações crescentes suscitadas pelo papel regional de Chávez, o governo (do presidente Luiz Inácio Lula da Silva) crê que se deve guardar distanciamento da administração americana para não comprometer a capacidade de trabalhar com a Venezuela e seus aliados”.

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, por outro lado, parece ser a voz dissonante. Em um telegrama secreto de janeiro de 2008, ele afirma que a Venezuela é “uma nova ameaça” para a estabilidade regional.

Uma outra mensagem do governo americano chega a afirmar que “o Brasil tem uma necessidade quase neurótica de ser igual aos Estados Unidos”.

“O Brasil considera entrar em uma competição com os Estados Unidos na América do Sul e desconfia das intenções americanas (…) O Brasil tem uma necessidade quase neurótica de ser igual aos Estados Unidos e de ser percebido como ele”, diz uma correspondência de novembro de 2009.

Os documentos ainda discutem sobre a gestão do futuro ministro de Relações Exteriores, Antonio Patriota . Segundo a mensagem, Patriota, que foi embaixador em Washington, não deve mudar o rumo da política externa brasileira.

“Mesmo que Patriota conheça bem os Estados Unidos e esteja pronto para trabalhar conosco, ele não o fará numa perspectiva pró-americana, mas sobre uma base do nacionalismo tradicional da diplomacia brasileira”, afirma um telegrama datado de novembro de 2009.

Uma outra série de documentos obtidos pela WikiLeaks e divulgada pelo jornal “Folha de S.Paulo” revela que Patriota disse no início do ano não saber exatamente o grau de confiabilidade do governo iraniano.

“A desconfiança é grande (sobre o Irã). (…) Nós nunca sabemos o quão sinceros (os iranianos são)”, ele em um telegrama confidencial da embaixada norte-americana em Brasília, em 9 de fevereiro.

http://www.aircraftinformation.info/Images/FA-18E-F_02.jpg

Presidente da Embraer diz em documento que apóia Boeing na compra de caças da FAB

As correspondências divulgadas pelo “Le Monde” ainda tratam da compra de 36 caças pela Força Aérea Brasileira (FAB). Segundo os diplomatas americanos, o veto para a venda dos aviões brasileiros Super Tucanos para a Venezuela ainda em 2005 foram uma “gafe” cometida pelo governo Bush e prejudicaram o modelo de caça americano Super Hornet, da Boeing, na disputa.

“Os líderes políticos brasileiros acreditam que o seu país não deve depender da tecnologia militar americana (e) que os americanos recusaram a transferência de tecnologia “, observa um documento secreto de junho de2008.

O presidente da Embraer, Federico Curado, teria “sugerido aos Estados Unidos comprar os Super Tucanos em troca do contrato do caça”.

“A Embraer quer se associar à Boeing”, acrescenta Curado.

Nota do Editor.

Ué???? a EMBRAER não tinha escolhido outro candidato como preferido?

Jobim contra Chavez? será que o Wikileaks tem razão? não era ele pró governo alinhado?

E.M.Pinto

Fonte: Viomundo

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Inteligência

WikiLeaks: Reino Unido está paranoico com Obama nos EUA

EFE  — Um diplomata americano revelou que o Reino Unido ficou “paranoico” sobre a chamada relação “especial” com os Estados Unidos após a eleição de Barack Obama como presidente, revelam novos documentos vazados pelo site WikiLeaks aos quais teve acesso o jornal britânico “The Guardian”.

Em uma das filtragens, publicadas neste sábado, um diplomata dos EUA destacou o que ele descreve como “a paranoia” britânica sobre as relações com seu país.

Em 2008, em um documento escrito a partir da embaixada dos EUA em Londres o diplomata Richard LeBaron descreve um encontro com o agora ministro de Exteriores do Reino Unido, William Hague, antes de os ‘tories’ chegarem ao poder.

LeBaron relatou que quando perguntou a Hague se a relação entre EUA e o Reino Unido continuava sendo “especial”, o hoje titular de Exteriores respondeu: “Queremos um regime pró-americano. Precisamos. O mundo precisa”.

As mensagens estão entre as mais de 250 mil obtidas pelo WikiLeaks, cujo fundador, Julian Assange, tem prisão decretada pela Justiça sueca por supostos abusos sexuais e, aparentemente, se encontra vivendo com amigos no sudeste da Inglaterra.

“Os britânicos perguntam se a relação especial continua especial em Washington”, é o título de uma das mensagens enviadas por LeBaron em fevereiro de 2009.

LeBaron afirmou que “mais de um funcionário britânico perguntou aos diplomatas da embaixada se o presidente Obama pretende enviar algum sinal em seu discurso inaugural sobre as relações entre EUA e o Reino Unido”.

O fato de a imprensa britânica estar dedicando muito espaço a comentar que a Casa Branca devolveu ao Governo britânico o busto de Churchill que adornou o Salão Oval durante o mandato de Bush (George W.) foi outro episódio destacado em um dos documentos enviados pelo diplomata.

“Este período de especulação excessiva no Reino Unido sobre a relação (entre os países) é mais paranoico do habitual”, disse LeBaron, quem considerou a leitura britânica do assunto “cômica com frequência, se não fosse tão corrosiva”.

Ressalta ainda que “o compromisso britânico de recursos financeiros, militares, diplomáticos – em apoio das prioridades globais dos EUA continua sem ter comparação”.

Os relatos indicam que os conservadores prometeram antes das eleições um Governo “pró-americano” se chegassem ao poder e comprar mais armamento dos EUA.

Em outro comunicado enviado a Washington, LeBaron lembrou que Hague descreveu seus colegas tories, incluindo a si mesmo, como “os meninos de Thatcher” e acérrimos partidários da conexão Atlântica.

Fonte:  Último Segundo

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Conflitos Geopolítica

Pyongyang adverte Seul e Washington contra novas manobras

EFE  —  A Coreia do Norte advertiu neste domingo Seul e Washington que haverá consequências se foram realizadas novas manobras conjuntas no Mar Amarelo (Mar Ocidental) e assinalou que a situação política na região está alcançando “um nível incontrolável”.

O ministro da Defesa sul-coreano, Kim Kwan-Jin (à esquerda), cumprimenta soldado da zona desmilitarizada entre o Norte e o Sul em Paju
Foto: AP

Um informe da agência estatal norte-coreana KCNA, recolhido pela sul-coreana Yonhap, avisou que EUA e Coreia do Sul “não devem agir precipitadamente”, mas estarem conscientes “das possíveis consequências de suas provocações militares”.

Na quarta-feira passada, Coreia do Sul e EUA concluíram quatro dias de manobras navais perto da fronteira intercoreana no Mar Amarelo e assinalaram que planejam novos exercícios militares conjuntos em resposta às provocações norte-coreanas.

“Uma guerra em grande escala entre Norte e Sul terá graves consequências para a paz e a segurança na península e em toda a região”, indicou o regime comunista norte-coreano através da KCNA.

Fonte:  TERRA