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Espaço Tecnologia

FAB não aceitaria retirada do controle de tráfego aéreo militar

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Brigadeiro da reserva concorda com criação de secretaria para aviação civil, mas sem alterar militarização do controle aéreo.

Severino Motta, iG Brasília

O brigadeiro da reserva e ex-presidente da Infraero, José Carlos Pereira, disse ao iG que a Aeronáutica não concordaria com a criação de um sistema de controle de tráfego aéreo formado somente por civis. De acordo com ele, a criação de uma secretaria com status de ministério para a área, como quer a presidente eleita Dilma Roussef, seria positiva, mas haver controle somente civil para os vôos regulares é algo “que nem se deve cogitar”.

“A Aeronáutica ri para essa história de tirar a aviação civil da Defesa. É bom para todos. O que é impensável é o controle aéreo global sair do comando militar”, disse.

Segundo o brigadeiro, a criação de um sistema de controle de tráfego aéreo para a aviação civil, sem a presença militar, seria extremamente caro e na prática duplicaria os mecanismos de controle, uma vez que a Aeronáutica deve manter a defesa do espaço aéreo independentemente dos vôos comerciais.

“Ter somente controladores civis nos aeroportos, como é hoje em Garulhos, não tem problema. O que tem de ficar com comando militar é o controle do espaço aéreo, quem controla um avião entre dois aeroportos tem que ser militar, pois é o controle global. Quem faz isso lida também com aviões de traficantes, contrabandistas. Por isso precisa ser algo militar em contato com a Polícia Federal”, comentou.

A criação de um sistema de controle de tráfico desmilitarizado não está clara na proposta da presidente eleita. Por enquanto sabe-se da retirada da Secretaria de Aviação Civil (SAC) e Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) do bojo da Defesa, além da estatal que administra os aeroportos, a Infraero – que deve ter seu capital aberto.

“A abertura do capital da Infraero é algo muito positivo e deve melhorar a qualidade dos serviços, pois haverá cobrança dos investidores. O que não se pode fazer é vender aeroportos inteiros, que bem administrados são fonte de renda”, disse Pereira.

No processo de migração dos órgãos de controle de avião civil que estão ligados à Defesa para uma secretaria, Pereira observa que um técnico deveria ser escolhido para comandar a nova pasta. “Quanto mais a Aeronáutica se afastar da aviação civil, melhor. O que precisa é colocar um técnico na nova secretaria, assim pode gerar resultados positivos”, pontuou.

Fonte: Último Segundo

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Defesa Fotos do Dia

Navio de Assistência Hospitalar (NAsH) Soares de Meirelles é incorporado à Flotilha do Amazonas


Conforme havíamos divuldado anteriormente (clique aqui para ler):

A Marinha do Brasil realizou a incorporação de mais um Navio de Assistência Hospitalar (NAsH) para atender à população ribeirinha da Amazônia. O NAsH “Soares de Meirelles”, como foi chamado, teve sua cerimônia de apresentação realizada no dia 23 de novembro, na Estação Naval do Rio Negro (ENRN), em Manaus (AM). Presidida pelo Comandante da Marinha, Almirante-de-Esquadra Julio Soares de Moura Neto, a solenidade contou com diversas autoridades, entre elas o Chefe do Estado-Maior da Armada, Almirante-de-Esquadra Marcus Vinicius Oliveira dos Santos, e o recém-eleito Vice-Governador do Amazonas, José Melo de Oliveira.

O evento atraiu a atenção das emissoras de TV da região, que efetuaram matérias sobre a cerimônia. Em entrevista, o Comandante da Marinha explicou que “a aquisição do navio teve início a partir da detecção da necessidade de aumentar a quantidade de Navios de Assistência Hospitalar (NAsH) de três para cinco na Amazônia, identificada pelo Plano de Articulação e Equipamento da Marinha do Brasil (PAEMB)”.

Fonte: Marinha do Brasil

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Geopolítica

Japão e EUA iniciam suas maiores manobras militares conjuntas

EFE  — Cerca de 44 mil militares dos Estados Unidos e Japão participarão a partir desta sexta-feira das maiores manobras conjuntas realizadas pelos dois países, destinadas a interceptar eventuais ataques com mísseis contra o arquipélago japonês. Segundo a agência Kyodo, os exercícios se desenvolverão até o dia 10 nos arredores de bases militares no Mar do Japão e perto do arquipélago de Okinawa e das ilhas Nansei.

Cerimônia marca o início das manobras entre forças americanas e japonesas, em Sasebo, no sul do Japão
Foto: Reuters

Participarão das manobras 34 mil soldados japoneses e dez mil americanos, além de 40 navios japoneses e 20 dos EUA, entre eles o porta-aviões nuclear George Washington. Militares da Coreia do Sul serão observadores dos exercícios. Os exercícios também contarão com 250 aviões japoneses e 150 americanos, assim como destróieres japoneses equipados com o sistema antiaéreo Aegis, capaz de interceptar mísseis balísticos.

O objetivo das manobras é responder a eventuais ataques com mísseis balísticos e defender as distantes ilhas japonesas. É a primeira vez que militares da Coreia do Sul participam como observadores de exercícios dos Exércitos de Japão e EUA, o que foi interpretado como uma mostra de unidade frente à ameaça norte-coreana na região.

Coreia do Sul e Estados Unidos concluíram na quarta-feira seus exercícios militares conjuntos no Mar Amarelo, em resposta ao ataque norte-coreano contra uma ilha sul-coreana, o que causou a morte de quatro pessoas.

Fonte:  Terra

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Conflitos Geopolítica

Os EUA não deixarão nunca mais a Al-Qaeda usar o Afeganistão (Obama)

BASE DE BAGRAM, Afeganistão, 3 dez 2010 (AFP) -O presidente Barack Obama afirmou que os Estados Unidos nunca mais deixarão a Al-Qaeda usar o Afeganistão como base para atacar o solo americano, durante visita surpresa realizada na noite desta sexta-feira, hora local, ao país.

“Não deixaremos nunca mais o país servir de santuário a terroristas para atacar novamente os Estados Unidos da América”, declarou Obama aos soldados da base aérea de Bagram, a 50 km de Cabul.

“Isto não acontecerá nunca mais. Esta parte do mundo está no centro de um esforço mundial destinado a destruir, desmantelar e vencer a Al-Qaeda e seus aliados extremistas e é por isto que estamos aqui. É por isto que sua missão é tão importante”, disse ainda o presidente aos soldados.

Fonte:  UOL

Obama faz discurso a tropas americanas no Afeganistão sob risos e aplausos

O presidente americano, Barack Obama, chegou nesta sexta-feira à base aérea de Bagram, em visita surpresa ao Afeganistão.

Em discurso bem humorado, intercalado por risos e aplausos, Obama disse: “Não estou aqui para fazer um longo discurso. Eu quero apertar o máximo de mãos possíveis”.

“No momento em que começamos essa temporada de férias, não há nenhum lugar onde eu gostaria mais de estar do que aqui, no Afeganistão”, disse Obama, acrescentando que reconhece a dificuldade de estar longe de casa e da família.

Obama chamou separadamente cada unidade das Forças Armadas –Marinha, Exército, Forças Aéreas e Fuzileiros Navais–, recebendo aplausos e assobios da plateia militar.

“Estamos aqui para dizer obrigado a vocês por tudo o que fazem, e para suas famílias que estão longe de vocês.”

Entre os agradecimentos, Obama dedicou atenção especial ao David Petraeus, chefe das tropas dos EUA e da Otan (Organização do Tratado do… Norte) que atuam no confronto contra insurgentes. “É uma pessoa que fez mudar o jeito que lutamos e vencemos as guerras no século 21”.

“Não preciso dizer que essa guerra não é fácil”, disse Obama, contando que antes passou pelo hospital, onde viu soldados feridos, disse com a voz embargada e passando a mão no olho, como se enxugasse uma lágrima.

Um dos aplausos mais intensos, no entanto, veio quando Obama lembrou que os salários de funcionários federais foi congelado, mas que militares foram excluídos dessa medida.[

VISITA

Entre os compromissos no país estavam reuniões com o presidente afegão, Hamid Karzai, e o general David Petraeus, chefe das tropas dos EUA e da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) que atuam no confronto contra insurgentes.

O encontro com Karzai, no entanto, foi cancelado devido ao mau tempo que impede o voo de helicóptero entre a base de Bagram e a capital Cabul. Os dois líderes devem conversar pelo telefone, indica a Casa Branca.

Obama aterrissou no Afeganistão em meio a um forte esquema de segurança, com o objetivo de agradecer pessoalmente aos soldados americanos por sua dedicação na guerra, principalmente para os que passarão as festas de fim de ano lutando no conflito.

No total o presidente dos EUA deve passar três horas no Afeganistão, cerca de metade do tempo previsto inicialmente.

WIKILEAKS

A visita de Obama ocorre em meio à crise gerada após o site WikiLeaks divulgar mais de 250 mil despachos diplomáticos do Departamento de Estado dos EUA.

Ainda na terça-feira, um telegrama redigido por diplomatas americanos no Afeganistão revelado pelo WikiLeaks apontou que o presidente Karzai libertou prisioneiros considerados perigosos e perdoou traficantes de drogas porque eles tinham conexões com figuras poderosas — colocando em destaque as já antigas acusações de corrupção contra o governo afegão.

Já nesta sexta-feira, outro documento vazado tratava do principal aliado dos EUA na Guerra do Afeganistão, o Reino Unido.

De acordo com os despachos divulgados, autoridades militares americanas e afegãs, além do próprio presidente afegão Hamid Karzai, criticaram a atuação das forças britânicas na província de Helmand, acusando os soldados de “criar desordem”.

Disponibilizados pelo jornal britânico “The Guardian”, os telegramas apontam que as forças britânicas são criticadas por não terem sido capazes de garantir a segurança na província, um dos bastiões da rebelião afegã liderada pelos talebans.

Uma nota enviada em abril de 2007 indica que o comandante Dan McNeill, então à frente das forças da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) no país, havia declarado a um oficial americano que “estava particularmente consternado com a falta de esforço” dos britânicos.

“Eles criaram uma boa desordem em Helmand, sua tática era ruim”, afirmou Dan McNeill.

Da mesma maneira, um funcionário americano critica em outra nota, com data de 8 de dezembro de 2008: “Nós, os americanos, e Karzai estamos de acordo ao constatar que os britânicos não estão à altura de sua missão de garantir a segurança da província de Helmand”.

Fonte:  BOL

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História Sistemas de Armas

Britânicos se despedem de porta-aviões que será desativado

O navio HMS Ark Royal volta ao porto de Portsmouth para que moradores se despeçam antes de ser desativado
Foto: Reuters

Uma multidão enfrentou o frio e a neve nesta sexta-feira para ver o navio HMS Ark Royal chegar pela última vez ao seu porto de origem, em Portsmouth, na Inglaterra, antes de ser desativado. O comandante do porta-aviões disse que foi um dia “triste”, segundo a BBC News.

O governo britânico decidiu aposentar a embarcação como parte do plano de corte de 8% nos gastos em defesa. O HMS Ark Royal será desativado em janeiro, após um desfile em Portsmouth.

Em novembro, a rainha Elizabeth II fez uma visita de despedida ao navio. O evento marcou o 25º aniversário da embarcação em serviço.

Fonte:  Terra

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Defesa Sistemas de Armas

Venezuela fabricará fuzis Kalashnikov a partir de maio

Kalashnikov AK-103.

EFE  —   A Venezuela vai começar a fabricar fuzis Kalashnikov e suas munição antes do que o previsto e as primeiras remessas sairão da linha de produção em em maio de 2011, informou nesta sexta-feira a corporação estatal russa para a exportação de armamento, Rosoboronexport.

“Devemos acabar de construir as fábricas e colocá-las em andamento em maio de 2011. Queremos fabricar a primeira remessa de teste em maio”, afirmou o subdiretor-general do Rosoboronexport, Igor Sevastyanov, citado pela agência Interfax.

A construção de fábricas para produzir rifles de assalto Kalashnikov da série 100 e suas munições começou na Venezuela na primeira metade de 2009 depois da assinatura de um contrato assinado entre Moscou e Caracas.

A série 100 compreende desde o modelo Kalashnikov AK-101 até o AK-105, adaptados a cartuchos de diversos calibres segundo os standards da Rússia e da Otan.

Após a assinatura do acordo, Rosoboronexport e Izhmash, uma das principais fábricas de armas da Rússia já entregou à Venezuela 100 mil rifles Kalashnikov AK-103.

Em abril, Putin afirmou na Venezuela que o país sul-americano planejava comprar armas russas no valor de mais de US$ 5 bilhões.

Esse número inclui o crédito de US$ 2,2 bilhões que Moscou entregará a Caracas para a aquisição de armamento pesado.

Venezuela, que desde 2005 adquiriu armas russas no valor de US$ 4,4 bilhões, se tornou o principal cliente latino-americano da indústria militar russa, o que preocupa os Estados Unidos e a Colômbia.

Fonte  Terra

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Geopolítica

Brasil reconhece Estado Palestino com fronteiras de 67

BBC BRASIL  —  O Itamaraty divulgou nesta sexta-feira carta em que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva diz “reconhecer o Estado Palestino nas fronteiras de 1967”, em resposta a pedido do presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas. Segundo o ministério, Abbas mandou uma carta a Lula em 24 de novembro, solicitando o reconhecimento brasileiro de um Estado que inclua os territórios palestinos ocupados por Israel na Guerra dos Seis Dias (1967).

Lula, que em seu mandato fez esforço para envolver-se nas negociações de paz no Oriente Médio, respondeu a Abbas que “o reconhecimento do Estado palestino é parte da convicção brasileira de que um processo negociador que resulte em dois Estados convivendo pacificamente e em segurança é o melhor caminho para a paz no Oriente Médio. (…) O Brasil estará sempre pronto a ajudar no que for necessário”.

Segundo o comunicado do Itamaraty, “a iniciativa é coerente com a disposição histórica do Brasil de contribuir para o processo de paz entre Israel e Palestina” e reitera apoio à solução de dois Estados para dois povos.

Lula escreveu a Abbas que considerava sua solicitação “justa”, ressaltando que “o entendimento do governo brasileiro é de que somente o diálogo e a convivência pacífica com os vizinhos farão avançar verdadeiramente a causa palestina”.

Segundo o Itamaraty, o anúncio não prejudicará as relações com Israel, “que nunca foram tão robustas”. Em março, Lula fez a primeira visita de um chefe de Estado brasileiro a Israel, retribuindo visita de seu par israelense, Shimon Peres.

Fonte:  Terra

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Defesa Fotos do Dia

Ministro da Defesa Nelson Jobim inspeciona o primeiro P-3 Orion modernizado pela Airbus Military

O Ministro da Defesa Nelson Jobim, juntamente com o Tenente Brigadeiro do Ar Juniti Saito, e representantes da Airbus Military, juntos ao primeiro P-3 Orion para Força Aérea Brasileira em Getafe, Espanha.

A primeira aeronave P-3 Orion modificada pela Airbus Military para a Força Aérea Brasileira foi inspecionada hoje pelo Ministro da Defesa do Brasil, durante sua visita oficial a Espanha.

A aeronave é a primeiro de uma frota de nove a qual está passando por um completo programa de modernização, incluindo a instalação do Sistema Tático Totalmente Integrado (FITS) da Airbus Military.

Assim como o FITS, a aeronave será beneficiada com uma nova suite de sensores mais potentes, novos sistemas de comunicações, e um cockpit com modernos aviônicos. Os motores foram melhorados, e dependendo da condição de cada aeronave, a estrutura da fuselagem e asas estão sendo renovadas para permitir mais muitos anos de efetiva operação.

A Força Aérea Brasileira utilizará as aeronaves para patrulha marítima, guerra anti-submarina, e uma ampla gama de missões civis incluindo vigiância de zonas de exclusão econômicas e busca e salvamento.

Fonte:  CAVOK

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Geopolítica

México pediu que EUA pressionassem Brasil contra presidente da Venezuela, diz documento

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O México alertou os Estados Unidos sobre o ativismo do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, na América Latina, e pediu que Washington comprometesse o Brasil para ajudar a freá-lo, de acordo com um documento da Embaixada dos EUA na Cidade do México vazado pelo site WikiLeaks e publicado no jornal espanhol El País.

Em outubro de 2009, a embaixada informou sobre um encontro entre Dennis Blair, então diretor Nacional de Inteligência dos Estados Unidos, e o presidente do México, Felipe Calderón, em que o governante mexicano “enfatizou que Hugo Chávez está ativo em toda parte, incluindo no México”.

Para o embaixador dos EUA no México, Carlos Pascual, o governo americano precisaria trabalhar e pressionar o governo brasileiro contra Chávez.

– Os Estados Unidos têm de estar prontos para comprometer o próximo presidente do Brasil.

O Brasil é “vital para conter Chávez”, disse Calderón, lamentando que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenha sido reticente em fazê-lo. De acordo com a correspondência, o próprio presidente do México relatou que estava tomando ações para diminuir a força de Chávez.

– O México está tentando isolar a Venezuela através do Grupo do Rio.

A comunicação relata que Calderón se mostrou especialmente preocupado com as relações da Venezuela com o Irã e com sua crescente influência na América Latina.

– Há um vínculo entre Irã, Venezuela, drogas, traficantes de drogas e assuntos relativos ao estado de direito.

No encontro, realizado na residência oficial de Los Pinos, Calderón disse acreditar que Chávez tenha financiado, em 2006, a campanha presidencial do esquerdista Andrés Manuel López, que perdeu as eleições mexicanas por apenas 0,05% dos votos.

Fonte: R7

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Fotos do Dia Tecnologia

Ciência brasileira é tema da principal matéria da prestigiosa Science

por Conceição Lemes

Ter trabalho mencionado ou publicado na Science é o sonho de todo cientista. Pudera. Publicada pela Associação Americana pelo Avanço da Ciência (www.aaas.org), é a mais prestigiosa revista de ciência do mundo, ao lado da Nature , inglesa.

A triagem é rigorosíssima. Os critérios para publicação, científicos, mesmo.

Imaginem ser o tema de uma reportagem de seis páginas. É o supra-sumo.

Pois a edição 331 da Science, que começou a circular nessa tarde, dedica seis páginas à ciência brasileira. É a principal reportagem da edição. Nessa magnitude, é a primeira vez que isso acontece na publicação que já teve como um dos seus editores o genial Thomas Edison (1847-1931), criador da lâmpada elétrica, do fonógrafo e do projetor de cinema, entre outras invenções.

A reportagem começa e termina por Natal (RN). Mais precisamente no município Macaíba, que sedia o Instituto Internacional de Neurociências de Natal Edmond e Lilly Safra, mais conhecido como Centro do Cérebro, implantado pelos neurocientistas Miguel Nicolelis e Sidarta Ribeiro.

A reportagem destaca também, entre outras,  as pesquisas da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), da Petrobras e da Amazônia. Sinceramente emocionante. Uma demonstração clara de que:

1) Lá fora, estão de olho no que se faz aqui.

2) É preciso mudar o modo de gestão científica no Brasil.

3)  A Universidade de São Paulo, apesar de ter grande produção científica, está perdendo espaço. Nenhuma pesquisa da USP foi destacada. Sinal de alerta de que há algo errado.

4) O que o Brasil está fazendo em termos de ciência tem sentido.

5) A visão do  Centro de Natal de que ciência é  agente de transformação social convenceu até os gringos, apesar de ela ainda sofrer resistência e bombardeio de setores da academia brasileira.

A propósito, todos os aspectos da  Ciência Tropical estão no artigo da Science. Sinal de que ela é o futuro.

Confira você mesmo. Segue a íntegra da tradução do artigo da Science, exceto os quadros.

Ciência brasileira: de vento em popa

Uma economia vigorosa e descobertas de petróleo estão impulsionando a pesquisa no Brasil a novas alturas. Mas as lideranças científicas precisam superar um sistema educacional fraco e um histórico de pouco impacto

NATAL – De pé, braços abertos, Miguel Nicolelis aponta para uma escavação retangular na terra seca nos arredores da cidade litorânea brasileira de Natal. “É aí que vai ficar o supercomputador”, diz ele. E indicando uma área ainda coberta de mato, acrescenta: “ali é o complexo esportivo”.

Nicolelis é o cientista mais conhecido do Brasil. Neurobiologista da Universidade Duke, em Durham, Carolina do Norte, ele tornou-se famoso depois de experiências espetaculares que usam sinais emitidos por cérebros de macacos para fazerem robôs andarem. Mas quando apresentou, em 2003, seus planos de criação de um instituto de neurociência em uma região atrasada do Nordeste do país, poucos acreditaram que poderia dar certo (Science, 20 de fevereiro de 2004, p. 1131).

A ideia era combinar ciência de ponta com uma missão social: desenvolver uma das regiões mais pobres do Brasil. Nicolelis, que atualmente passa parte do ano no país, mostra-se ansioso para oferecer ao visitante uma “prova categórica” do sucesso. Ele pôs a mão na massa e construiu duas escolas de ciência para crianças mais uma clínica de atendimento materno, e recrutou 11 neurocientistas PhD para dirigir laboratórios numa sede improvisada. Dentro de alguns meses, diz ele, US$ 25 milhões de recursos  federais brasileiros vão começar a escoar para seus terrenos arenosos, criando um vasto complexo de neurociência que Nicolelis chama de seu “Campus do Cérebro”.

“No Brasil, precisamos da ciência para construir um país”, diz Nicolelis, um entusiasmado nacionalista cujas paixões incluem usar um boné verde do clube de futebol Palmeiras e entornar jarras de suco de maracujá amarelo. “Este lugar vai criar a próxima geração de líderes brasileiros.”

Alguns continuam a achar excêntrica a ideia de Nicolelis. Mas o momento não poderia lhe ser mais propício. Nos últimos 8 anos, o maior país da América Latina começou a viver uma grande expansão. Sua economia está crescendo de maneira acelerada e ele se tornou um ator nos assuntos mundiais, festejando um surto sem precedente de autoconfiança. O país vai receber a Copa do Mundo de Futebol de  2014 e os Jogos Olímpicos dois anos depois.

Os bons tempos estão beneficiando a ciência, também. Entre 1997 e 2007, o número de papers brasileiros em publicações indexadas, avaliadas por pares mais que dobrou, para 19.000 por ano. O Brasil figura hoje em 13º em publicações, segundo a Thomson Reuters, tendo ultrapassado Holanda, Israel e Suíça. Universidades brasileiras formaram duas vezes mais doutores este ano do que em 2001, e milhares de novos empregos acadêmicos foram abertos em 134 novos campi federais.

Trata-se de uma inversão da sorte para um país que durante os anos 1990 teve de enfrentar problemas econômicos terríveis. Naquela época, os pesquisadores mendigavam fundos; o Brasil chegou a ter sua bandeira retirada do logotipo da Estação Espacial Internacional depois de não conseguir financiamento para construir seis componentes. “Nós estávamos pensando cada vez menor”, diz Sérgio Rezende, ministro da Ciência e Tecnologia nos últimos cinco anos. “Se não conseguíamos resolver pequenos problemas, como poderíamos resolver os grandes? Agora estamos em condição de pensar grande novamente.”

O combustível que impele a ciência no Brasil é um imposto de P&D sobre grandes indústrias; ele aumentou o orçamento do ministério de Rezende de US$ 600 milhões, há uma década, para US$ 4 bilhões. A companhia de petróleo nacional, a Petrobrás, é a maior contribuinte. O Brasil reiniciou seu programa de pesquisas nucleares em 2008, após 20 anos de calmaria, e, em outubro, uma delegação viajou a Genebra para negociar uma associação com o CERN. Com a economia brasileira crescendo a uma taxa de 7%, neste ano, o país pode se dar ao luxo de pagar US$ 14 milhões por ano para isso.

Cientistas daqui dizem que seus argumentos em prol de mais educação, inovação e tecnologia foram ouvidos na capital, Brasília, e esperam que os orçamentos continuem crescendo sob o comando da presidente eleita Dilma Rousseff, a primeira mulher a ocupar esse posto no país. Segundo autoridades da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), até 2020 o Brasil deve dobrar ou triplicar a produção de alunos, de papers e os investimentos e se tornar uma força “formidável” em ciência. Autoridades federais querem ver o Brasil entre os 10 principais países produtores de ciência do mundo.

Mas o Brasil ainda não é formidável. Como o instituto de Nicolelis ­– onde a construção está com um atraso de anos no cronograma – a produção científica brasileira segue atrás de suas ambições. O país produz poucos papers de alto impacto e apenas um filete de patentes. Seu sistema de educação pública primária e secundária está em frangalhos, deixando o país de 195 milhões de habitantes cronicamente carente de trabalhadores técnicos.

“Precisamos ser lúcidos e não cair num discurso de vitória”, ressalva Sidarta Ribeiro, um neurocientista formado na Rockfeller University em Nova York e cofundador do instituto do cérebro de Nicolelis. “Em termos de impacto, somos marginais. O discurso externo para o mundo deveria ser que estamos interessados em ciência e estamos progredindo. O discurso interno deveria ser, ´Vamos melhorar. Vamos focar no mérito`.”

Tempos de expansão

O Brasil está claramente se destacando na América Latina, como mostram os indicadores. O país responde hoje por mais de 60% de todos os gastos em pesquisa na América Latina, e os cientistas brasileiros escrevem metade dos papers. A burocracia científica do Brasil é influente, também, contando com um ministério próprio desde 1985. Esse é um passo que a Argentina só deu há três anos e que a vizinha Bolívia está discutindo atualmente. “O Brasil é o único exemplo na América Latina em que 1% do PIB vai para P&D e o ministro da Ciência e Tecnologia é um físico que ainda publica. Assim, o Brasil é o farol”, diz Juan Asenjo, presidente da Academia Chilena de Ciências.

A globalização dos mercados também está operando em favor do Brasil. Como em outros países latino-americanos, a base de pesquisa do Brasil é pesadamente orientada para agricultura, ecologia e doenças infecciosas – ele é o primeiro do mundo em publicações relacionadas a açúcar, café e suco de laranja. A indústria pecuária brasileira produz 33% dos embriões bovinos do mundo. Pesquisa outrora secundária, hoje ela está crescentemente bem situada para abordar preocupações globais com produção de alimentos, mudanças climáticas e conservação.

Nicolelis diz que vê uma “maneira tropical emergente de fazer ciência” movida pela pesquisa em energia renovável, agricultura, água e genética vegetal e animal. “Essas são as questões definidoras do planeta, e, acreditem ou não, os players estão bem aqui”, diz Nicolelis.

A pesquisa biológica é uma área de crescimento acelerado. A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, empresa estatal de pesquisa agrícola conhecida como Embrapa, pretende contratar 700 novos pesquisadores neste ano. A Embrapa é considerada uma das unidades de pesquisa agrícola de primeira linha do mundo e seu orçamento de US$ 1 bilhão é hoje do mesmo porte do orçamento do Agricultural Research Service do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos. “Nunca vi tantos recursos para a ciência como nos últimos cinco anos”, diz Maria de Fátima Grossi de Sá, uma geneticista de plantas que recebeu recentemente US$ 1,5 milhão para desenvolver uma planta de algodão transgênica.

De Sá trabalha na estação de pesquisa da Embrapa em Brasília, que também está concluindo testes de uma soja resistente a herbicidas que será a primeira planta geneticamente modificada projetada por cientistas brasileiros a chegar ao mercado. A demanda por cientistas PhD está tão elevada que De Sá diz que é difícil encontrar alguns para assumirem cargos de pós-doc. “Nós passamos muito rapidamente da dificuldade de colocar PhDs a ter verbas sem receptores.”

A Embrapa está finalizando a construção de um centro de agroenergia de quatro andares e custo de US$ 15 milhões que empregará 100 pesquisadores no campus de Brasília. Um objetivo é transformar os 22 milhões de hectares de soja do Brasil em produtos mais valiosos como o biodiesel.

“Nós captamos energia solar e a transformamos em outras formas de energia. Achamos que podemos mudar muito rapidamente da agricultura voltada à produção de alimentos para a agricultura destinada à energia. Podemos ser um player”, diz Frederico Ozanan Machado Durães, diretor geral da nova unidade. Para ele, incontáveis carregamentos de soja que embarcam para a Ásia a cada dia de portos brasileiros poderiam energizar indústrias domésticas de lipoquímica e plásticos que produzem “produtos com valor agregado”.

O projeto representa uma importante virada do pensamento brasileiro: a saber, que a ciência pode transformar a economia do país, atualmente dominada por commodities como soja, carne bovina, cana de açúcar, minério de ferro e petróleo. “O novo Brasil será uma economia de conhecimento natural”, diz Gilberto Câmara, diretor da agência espacial do Brasil.

Com mais dinheiro e uma missão de ciência verde emergente, pesquisadores brasileiros dizem que serão levados mais a sério. A maioria dos cientistas seniores das Embrapa foi formada nos estados Unidos, como o Diretor-Executivo José Geraldo Eugênio de França, que em 1987 foi para a Texas A&M University para estudar genética do sorgo, França diz que notou uma mudança durante uma missão a Washington, D.C., em novembro passado, quando se encontrou com o consultor americano de ciências John Holdren e outras autoridades. “Pela primeira vez na história, tivemos um reconhecimento de que alguma coisa está mudando no Brasil. Eles não nos perguntaram quantos pós-doc precisávamos enviar, ou onde nós precisávamos de ajuda, mas onde poderíamos trabalhar juntos”, diz França.

Dinheiro privado

O objetivo mais importante neste momento, reconhece Rezende, “é que a ciência faça diferença na produtividade da indústria. Eu teria de dizer que esse é nosso grande desafio”. Outros objetivos são aumentar o número de cientistas, investir em áreas estratégicas, e resolver problemas sociais chaves.

A desconexão entre ciência e negócios é quase total no Brasil, segundo pesquisadores. Nos Estados Unidos, cerca de 80% do pessoal de pesquisa trabalha na indústria, segundo dados da OCDE, enquanto no Brasil essa cifra fica em torno de 25%. O Brasil quase não produz patentes – apenas 103 patentes americanas foram emitidas para inventores no Brasil em 2009 – e companhias brasileiras gastaram metade do que as européias gastam em P&D. Quando elas gastam, é mais na importação de tecnologia que em seu desenvolvimento.

Pesquisadores dizem que os 20 anos de ditadura no Brasil, findos em 1984, foram em parte responsáveis pelo atraso. As universidades se tornaram redutos da oposição política e círculos de leitura marxista, nos quais as patentes eram vistas como opressão. “Nós nos isolamos das grandes indústrias, que apoiavam os militares. Elas não podiam entrar na universidade. A universidade se tornou fechada, hermética, e agora precisamos mudar isso”, diz Maria Bernardete Cordeiro da Sousa, pró-reitora de pesquisa da Universidade Federal do Rio Grande do Norte.

As autoridades vêm tentando vencer o atraso na inovação. Em 2004 e 2005, o Brasil aprovou leis que concedem benefícios fiscais à P&D para empresas e começou a permitir que o Ministério da Ciência e Tecnologia conceda verbas a empresas, e mesmo pague salários de pesquisadores nas empresas industriais. Em agosto, o ministério anunciou um grande projeto de P&D industrial, oferecendo US$ 294 milhões em verbas para apoiar projetos de inovação dentro de companhias em “áreas estratégicas” como carros elétricos, marca-passos e culturas agrícolas geneticamente modificadas.

Ainda é cedo para dizer que os incentivos do governo estão funcionando. Somente um pequeno número de empresas se candidatou às isenções fiscais. Mas a inovação de risco no estilo americano, antes considerada estranha, está sendo vista cada vez mais em termos favoráveis. Capitalistas de risco começaram a se instalar no Brasil, e em 2010, tanto a IBM como a General Electric anunciaram planos de criar centros de pesquisa no país.

“Nos falta uma cultura de inovação e empreendedorismo. Há um  longo caminho a percorrer para mudar isso”, diz Luiz Mello, um médico que no ano passado foi designado pela segunda maior empresa do Brasil, a mineradora de minério de ferro Vale S.A, para gastar US$ 180 milhões estabelecendo três novos institutos de ciências corporativos. Mello diz que foi contratado depois de abordar o CEO da Vale, Roger Agnelli, para levantar dinheiro para um programa de engenharia. “A coisa se transformou numa reunião para ele dizer o que queria. E ele queria o MIT [Instituto de Tecnologia de Massachusetts] da Vale”, recorda Mello. “Eu estava sendo convidado pra chefiar algo que seria um novo Bell Labs ou Xerox PARC.”

Mello viajou recentemente ao vale do Silício para colher idéias. Embora o negócio da Vale seja de baixa tecnologia, a companhia de commodities, que despacha imensas quantidades de minério para a China e a Europa, quer gastar pesadamente em pesquisa em parte porque tem enfrentado uma forte escassez de mão de obra especializada, aumentando a pressão de ambientalistas, e a concorrência de companhias globais. Os três laboratórios da Vale operarão com biodiversidade, energia renovável e tecnologia de mineração. “Esse é o maior investimento espontâneo em P&D que eu conheço no Brasil”, diz Mello.

As novas leis também encorajam universidades brasileiras a depositar patentes e criar escritórios de transferência de tecnologia, o que muitas estão fazendo pela primeira vez. Na Universidade Federal de Minas Gerais, o número de pedidos de patentes atingiu 356, incluindo uma para uma vacina canina contra leishmaniose , que já chegou ao mercado. “Tudo isso está provocando ressonância no sistema”, diz Ado Jorio, o professor que coordena os esforços de patente da universidade. “Está havendo uma explosão de publicações, e isso também vai ocorrer em inovação.”

Partilhar a riqueza

A ciência brasileira sofre de um outro desequilíbrio, entre o sul afluente e as regiões setentrionais pobres, que as autoridades colocaram como prioridade tentar corrigir. A maior parte da ciência ainda ocorre em apenas três estados sulinos, com a Universidade de São Paulo sozinha respondendo por quase um quarto de todas as publicações científicas. “Um dos maiores problemas que enfrentamos é essa assimetria brasileira, a desigualdade das regiões”, diz Lucia Melo, diretora do Centro de Estudos Estratégicos e Gestão em Ciência, Tecnologia e Inovação, um think tank de política científica do governo em Brasília.

Para levar a ciência ao interior negligenciado do Brasil, o governo se embrenhou numa farra de construção de universidades e reservou 30% dos recursos de pesquisa para os estados pobres do norte e do centro-oeste. Por um programa de 2009, autoridades em Brasília disseram que dariam bolsas de estudo para todos os alunos de pós-graduação em regiões distantes, independentemente do mérito acadêmico. A ideia provém do Partido dos Trabalhadores, o partido governante no país, que fez da melhoria das condições nas áreas pobres uma prioridade. Um programa de bem-estar bastante expandido ajudou a tirar muitos milhões de brasileiros da pobreza. Isso também deu aos cientistas brasileiros espaço para respirar.

“Antes, nós tínhamos de enfrentar a questão, ´Por que vocês estão dando comida e leite para um macaco quando há crianças famintas na casa vizinha?`” diz Cordeiro de Sousa, que também faz pesquisas sobre primatas. Mas ela vê uma compensação: os pesquisadores sentem uma pressão crescente para dedicar tempo para solucionar problemas locais. Ele está analisando a criação de um instituto do sal para respaldar a indústria local de mineração de sal. “É preciso ter uma vocação, porque no futuro poderemos ser chamados a responder intensamente.”

Em nenhum outro lugar a carência de ciência brasileira é mais preocupante do que na Amazônia, a floresta tropical que cobre aproximadamente 49% do território brasileiro, mas abriga somente cerca de 3.000 pesquisadores doutores, dos quais pouquíssimos fazem ciência aplicada. “Imagine o que esse número absolutamente irrelevante representa para essa região imensa”, diz Odenildo Teixeira Sena, secretário de Ciência e Tecnologia do Estado do Amazonas. Embora seja maior que a França e a Espanha juntas, o Amazonas possui somente um arqueólogo PhD residente, e apesar de seu vasto sistema fluvial, nenhum engenheiro naval, diz Teixeira.

Uma força de trabalho cada vez mais científica na região poderia ajudar a encontrar alternativas para a agricultura baseada na derrubada e nas queimadas. Mas as ansiedades nacionais também figuram no cálculo. “A maioria das publicações sobre a Amazônia não tem um autor brasileiro. Isso nos preocupa”, diz Jorge Guimarães, o funcionário do Ministério da Educação que supervisiona a educação superior no Brasil. “Precisamos de mais brasileiros participando.”

O Brasil nunca se sentiu seguro de seu controle sobre a vasta região que a Espanha cedeu a Portugal pelo Tratado de Madri de 1750. Com a Amazônia, um foco de manobras internacionais sobre créditos de carbono, a dependência do Brasil da produção externa de conhecimento se tornou “uma questão muito delicada”, diz Adalberto Val, diretor do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia em Manaus. Durante uma conferência nacional de ciência e tecnologia em maio último, Val propôs uma “hegemonia informacional” brasileira sobre o bioma da floresta. “Existe uma questão de soberania nacional”, diz ele

Esses tons nacionalistas podem parecer hostis fora do Brasil, mas eles caem bem no país. O físico Luiz Davidovich, que presidiu a conferência de maio, diz que a comunidade científica brasileira precisa levantar “grandes bandeiras” para mobilizar o país. “´A Amazônia é nossa` é uma delas”, diz ele.

Mesmo alguns especialistas estrangeiros responderam ao apelo. Daniel Nepstad, um renomado ecologista americano especializado em florestas tropicais largou seu emprego em outubro no Woods Hole Research Center, em Massachusetts. para se tornar residente brasileiro e empregado em tempo integral do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia, uma organização sem fins lucrativos que ele cofundou, baseada na cidade de Belém.

Daniel Nepstad trocou Massachusetts pelo Instituto Pesquisa Ambiental da Amazônia

Nepstad diz que sua filiação americana “era interpretada no sentido de que eu seria menos comprometido com a agenda científica no Brasil”. A política florestal brasileira está evoluindo rapidamente e, diz Nepstad, “enquanto a ciência for liderada por pesquisadores do Hemisfério Norte, estamos perdendo a oportunidade de tornar informações realmente boas em decisões políticas.”

Fazendo acontecer

Apesar de suas ambições crescentes, o Brasil ainda precisa provar que pode fazer pesquisa básica de classe mundial. A contagem dos impactos de seus papers científicos é modesta, cerca de dois terços da média mundial, e caiu em algumas áreas. Nenhum brasileiro ganhou o Prêmio Nobel em ciência ou medicina, enquanto a rival regional, Argentina, tem três. Os cientistas culpam problemas estruturais nas universidades estatais do Brasil. Críticos dizem que eles desencorajam a competição, por exemplo, com mandatos automáticos após três anos no emprego e avaliações que premiam a publicação em língua portuguesa.

“A atitude durante muitos anos foi evitar a competição, manter a cabeça baixa, e escolher um tema marginal”, diz Ribeiro. Em vez de competir de igual para igual em tópicos quentes com grandes laboratórios do exterior, diz ele, os pesquisadores brasileiros às vezes têm se contentado em estudar questões locais. “O pensamento era, ´O tamanduá é nosso por isso não se preocupem com os gringos`.”

Os cientistas brasileiros que voltavam do exterior, atraídos por empregos e os recursos de empresas iniciantes, se queixam de que ainda há muitos obstáculos que tornam quase impossível produzir uma ciência de classe mundial. Após 11 anos nos Estados Unidos, a bióloga Luciana Relly Bertolini retornou ao Brasil em 2006 com seu marido, Marcelo, para começar um laboratório para clonar cabras transgênicas. Embora o esforço esteja financiado de maneira adequada, Bertolini diz que a pesada carga de ensino requerida de professores e a falta de pessoa treinada implica que “aqui se faz ciência por teimosia”.

Também são notórios os regulamentos de importação kafkianos do Brasil. Mesmo simples reagentes demoram meses para chegar, com amostras radioativas e biológicas muitas vezes em condições duvidosas. Bertolini diz que um equipamento de fusão celular que ela encomendou da Hungria ficou preso por quatro meses na alfândega. “Pode-se ter a melhor cabeça do mundo e não conseguir jamais a competitividade porque o governo trabalha contra nós”, diz Bertolini. “Quando começamos a pensar nisso, queremos voltar.”

Alguns dizem que as perspectivas continuarão sombrias até esses problemas ser resolvidos. “Não tenho conhecimento de nenhuma ciência extraordinária no Brasil”, diz Andrew J. G. Simpson, diretor científico do Ludwig Institute for Cancer Research na cidade de Nova York.

Cidadão naturalizado brasileiro, Simpson viveu em São Paulo por sete anos e coordenou um dos triunfos memoráveis do Brasil, o seqüenciamento do patógeno de planta Xylella fastidiosa, que foi parar na capa da revista Nature em 2000. Mas quando Simpson retornou este ano para uma celebração de 10 anos do feito, ele notou que, pelo menos no campo da genômica, “não houve mais nenhum paper de grande impacto. Não houve um processo ascendente. Foi uma situação anormal.”

Autoridades brasileiras se concentraram antes em resolver outro problema: a insegurança nos recursos para pesquisa. Em 2008, em sua maior rodada de financiamento da pesquisa básica em todos os tempos, o Ministério da Ciência e Tecnologia do Brasil ofereceu US$ 350 milhões em três anos para financiar 122 institutos nacionais para enfrentarem temas que  variam  da computação quântica e células-tronco a modernização da estação de pesquisa na Antártica.

“Eles viram que precisávamos de programas de longo prazo com estabilidade”, diz Davidovich, que divide a direção do programa de computação quântica. Outros cientistas manifestam dúvidas privadamente sobre institutos com nomes grandiosos, notando que na verdade eles são redes virtuais com uma média de 20 pesquisadores universitários cada e dinheiro espalhado demais para se conseguir muita coisa. Em papers de posicionamento, a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência disse que o Brasil precisa se concentrar na criação de mais empregos de pesquisa pura fora do sistema universitário. Ela quer um novo instituto com grande staff para estudar os oceanos, e outro para a Amazônia, moldados na agência de estudos agrícolas Embrapa ­– neste caso com financiamento condizente com a visão grandiosa.

Na cidade de Natal, o instituto de neurociência de Nicolelis, atualmente abrigado num hotel convertido, ainda precisa produzir uma ruptura brasileira. Mas ele está cada vez mais bem posicionado para isso. Possui laboratórios razoavelmente equipados, uma instalação para primatas, e uma multidão contratada de jovens professores com currículos promissores, incluindo dois recrutados do Max Planck Center, na Alemanha. Em agosto, a École Polytechnique Fédérale de Lausanne na Suíça doou um supercomputador IBM Blue Gene/L, que Nicolelis diz será o mais rápido da América do Sul.

Ribeiro, o brasileiro que retornou de um pós-doc na Rockefeller para ser o diretor científico do instituto, diz que o ano de ciência que ele esperava perder enquanto organizava o centro se estendeu para três, na medida em que teve que lidar com as autoridades alfandegárias e com um grande número de alunos mal formados. “Agora, eu finalmente estou começando a enfrentar avaliadores de novo, em vez de burocratas, o que é um sinal de que o plano funcionou”, diz Ribeiro, cujo trabalho inclui experimentos para observar o efeito do sono e do sonho na retenção da capacidade motora e perceptiva.

A rua de terra na frente de seu prédio que leva para uma favela próxima, o faz lembrar uma fotografia que viu do Founder`s Hall da Rockefeller depois que ela foi construída em 1906 e ainda estava cercada por campos lamacentos e carruagens puxadas por cavalos: “Eles não começaram com o melhor lugar para fazer ciência tampouco.”

Antonio Regalado

Fonte: Viomundo

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Geopolítica

Amorim confirma que Brasil negou receber presos de Guantánamo

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O ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, afirmou, nesta sexta-feira (3), que o Brasil rejeitou um pedido do governo norte-americano para receber, em 2005, presos libertados da Base de Guantánamo, mantida pelos Estados Unidos em território cubano, porque alguns deles poderiam ser terroristas.

Documentos secretos da comunicação diplomática dos Estados Unidos, divulgados pelo site WikiLeaks, mostram que o governo norte-americano pediu ao Brasil que recebesse presos de Guantánamo. Um telegrama enviado pelo então embaixador em Brasília, John Danilovitch, em 17 de outubro de 2005, descreve a tentativa frustrada de conseguir que o Brasil aceitasse como refugiados prisioneiros uigures, minoria étnica de origem chinesa.

“Houve sondagens efetivas, mas o Brasil não achou adequado que devesse recebê-los por várias razões. Algumas eram pessoas suspeitas de terrorismo. O mais normal seria, se elas são inocentes, que encontrassem de volta seu caminho na vida. Não havia razão para a gente se importar com um problema que não tem nada a ver conosco”, disse o ministro.

Amorim assinou um convênio com o prefeito do Rio, Eduardo Paes, para a restauração do Palácio Itamaraty, no Centro do Rio, onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva é aguardado para a III Conferência das Comunidades Brasileiras no Exterior.

Linha de defesa
Amorim também comentou as informações divulgadas pelo site WikiLeaks de que os Estados Unidos consideram que o Itamaraty adota uma postura anti-americana. Para o ministro, a diplomacia é sempre a primeira linha de defesa de um país.

“Isso faz muito tempo que é assim, não tem nada a ver com o governo Lula. O Itamaraty, a não ser em momentos em que ele foi especialmente compreensivo a pressões estrangeiras – e não quero qualificar que momentos foram esses – o Itamaraty é a primeira linha de defesa de soberania nacional”, declarou.

Em relação aos supostos comentários do ministro da Defesa, Nelson Jobim, também presentes nos documentos vazados pelo WikiLeaks, de que o ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos, Samuel Pinheiro Guimarães, afirmara que odeia os Estados Unidos, Amorim minimizou: “O ministro Jobim emitiu uma nota desmentindo. Entre a palavra do ministro Jobim e a palavra do agente diplomático americano, eu fico com o ministro Jobim”.

Fonte: G1

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Defesa Fotos do Dia Sistemas de Armas

Wikileaks: O que o governo brasileiro pensava sobre o F-35

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Com o texto completo de apenas 478 de um total de 250.000 telegramas diplomáticos dos EUA divulgados para o domínio público até o momento, surge uma referência sobre a impressão do governo brasileiro sobre o caça de quinta geração F-35 JSF da Lockheed oferecido pelos EUA para a Força Aérea Brasileira (FAB).

Num telegrama datado de 31 de março de 2008, a U.S. Air Force passou informações para a delegação brasileira liderada pelo Ministro da Defesa Nelson Jobim sobre o caça F-35. A delegação ficou “impressionada” pelas capacidades e eestratégia de produção de forma cooperada do F-35. Mas Jobin citou preocupações sobre o custo, participação industrial e integração com a tecnologia brasileira – possivelmente relativo ao míssil ar-ar Mectron MAA-1 Piranha.

O autor do telegrama também escreveu: Se hover uma possibilidade de integração para os fabricantes de armas e equipamentos brasileiros, o F-35 poderia ser um forte candidato para o próximo caça brasileiro. O F-35 nunca foi oficialmente proposto para o F-X2, e o Brasil rejeitou a proposta da Lockheed Martin baseada no caça F-16.

Por aproximadamente dois anos, o Brasil vem considerando três finalistas – Dassault Rafale, Saab Gripen NG e Boeing F/A-18E/F Super Hornet. Mas os diplomatas norte americanos não estão otimistas sobre as chances do Super Hornet. Outro telegrama, datado de 13 de novembro de 2009, conclui que o Brasil “irá muito provavelmente favorecer as ofertas francesas [Rafale] e suecas [Gripen]“.

Nota do Editor

Como havia dito  e se estas informações são verdadeiras o F 35 nunca chegou a ser oferecido ao Brasil.

E.M.Pinto

Fonte: DEW Line – Tradução: Cavok