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Variante HAD do helicóptero de ataque Tiger destinada ao Exército da França realiza voo inaugural

Decolou pela primeira vez nesta sexta-feira (17), das instalações da Eurocopter em Marignane, França, o primeiro helicóptero de ataque Tiger na configuração HAD (Hélicoptère d’Appui Destruction), destinada ao Exército da França. Trata-se de um aparelho de pré-série que cumprirá nos próximos meses uma importante etapa de ensaios de qualificação da versão conjuntamente com o primeiro Tiger HAD espanhol, aeronave que já está sendo submetida a testes nos últimos três meses.

O Tiger HAD possui um peso máximo de decolagem de 6.600 kg e é acionado por dois motores MTU Turbomeca Rolls-Royce MTR390 capazes de desenvolver uma potência máxima 14% maior do que a versão primitiva. O helicóptero está sendo dotado de um sistema eletroóptico de visualização diurna/noturna aperfeiçoado, um interrogador amigo-inimigo (IFF – sigla em inglês), bem como de uma proteção antibalística melhorada e nova suíte eletrônica de combate. A variante HAD poderá lançar mísseis ar-terra estadunidenses Hellfire e reunirá capacidades polivalentes de combate cobrindo desta forma um variado espectro de necessidades operacionais, incluindo reconhecimento armado, apoio aproximado e ataque.

O Tiger foi construído em 4 versões, sendo elas a HAP versão de escolta e suporte de fogo desenvolvida para o exercito francês., HAD versão multifuncional para as funções antitanque, escolta e apoio de fogo desenvolvida para o exercito francês., ARH versão multifuncional de exportação para as funções antitanque, escolta e apoio de fogo desenvolvida para o exercito australiano, e a UHT versão multifuncional para as funções antitanque, escolta e apoio de fogo desenvolvida para o exercito alemão.          ( Mais informações: Defesa Aérea)

Até o momento, foram encomendados 64 Tiger HAD, sendo 40 para a França e 24 para a Espanha (seis deles são conversões de aparelhos da versão HAP (Hélicoptère d’Appui Protection) já entregues. Um total de 206 exemplares das quatro versões existentes foram encomendados, sendo que 64 unidades estão operando na França, Alemanha, Espanha e Austrália. Três Tiger HAP atuam desde julho de 2009 no Afeganistão em apoio às forças de coalizão ISAF atuantes na região.

Fonte:   Tecnologia & Defesa

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Empresas israelenses apresentam propostas de VANTs para o Chile

Aerostar da Aeronautics Defense Systems

As três maiores empresas israelenses fabricantes de veículos aéreos não tripulados (VANT) apresentaram recentemente propostas para a Força Aérea do Chile (FACh).

Dois VANTs Aerostar da Aeronautics Defense Systems, manejados por uma equipe israelense, realizaram voos no Chile em março passado cobrindo áreas atingidas pelo forte terremoto que abalou o país andino em fevereiro.

A Aeronautics Defense Systems está oferecendo para a FACh o Aerostar C. A Elbit Systems está promovendo seu Hermes 450 e pode também propor o novo Hermes 900, um VANT de maior capacidade que o anterior. Já a Israel Aerospace Industries (IAI) lançou oferta envolvendo uma variante do Heron. Sabe-se que oficiais chilenos estiveram visitando recentemente as três empresas citadas para familiarizar-se com os equipamentos.

Hermes 450

Hermes 900

Heron

A FACh possui uma certa tradição em adquirir material militar israelense, entre eles, o avião de vigilância Boeing 707 Condor equipado com radar embarcado de alerta antecipado fornecido pela Elta Systems, subsidiária da IAI.

Fonte:  Tecnologia e Defesa

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Defesa Sistemas de Armas

Marinha do Peru receberá mísseis MBDA MM40 Exocet Block III

Como parte do programa de modernização das Forças Armadas do Peru, a Marinha daquele país irá receber 16 mísseis MBDA MM40 Exocet III e quatro sistemas de lançamento para os mesmos. Esses vetores antinavio deverão ser integrados em quatro fragatas da Classe Aguirre (Lupo na classificação italiana). Essa aquisição já havia sido anunciada em 2009, entretanto, a verba para tal só foi assegurada recentemente com a liberação de US$ 41 milhões para o Ministério da Defesa do Peru adquirir novos sistemas de uso militar.

O míssil MBDA MM40 Exocet Block III é uma arma antinavio com possibilidade de ser usada contra alvos de superfície costeiros. Seu comprimento total é de 5,8 metros, o diâmetro do corpo é de 350 milímetros e o peso total é da ordem de 740 kg. A propulsão inicial é executada por um estágio de propelente sólido, sendo que após essa etapa a velocidade de cruzeiro (1.156 km/h) é mantida por um motor turbojato. Seu raio de ação é de 180 km.

Sendo possível dispará-lo em qualquer condição meteorológica e de visibilidade encontrada no horizonte, a variante Block III incorpora um sistema de navegação de “meio percurso” GPS/INS e terminal por radar ativo que opera na banda “J”.  O modo de aproximação do alvo pode ser segundo uma trajetória horizontal ou vertical. Sua resistência á “jamming” (interferência) é bastante reduzida com relação aos seus antecessores.

Fonte:  Tecnologia & Defesa

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Defesa Negócios e serviços Sistemas de Armas

Thales RaytheonSystems fornecerá radares para a Alemanha

Ground Master 400

A ThalesRaytheonSystems (TRS) assinou no último dia 16 um contrato no valor aproximado de 100 milhões de euros para o fornecimento de seis radares de defesa aérea Ground Master 400 para as Forças Armadas Alemãs.

O contrato foi conquistado pela TRS em parceria com as empresas Serco e EADS, sendo que esta última fornecerá o módulo de identificação amigo-inimigo (IFF, sigla em inglês).

O primeiro sistema para a Alemanha deve ser entregue em 2013, e o último em 2015. O país europeu se juntará a França, Estônia, Finlândia, Malásia e Eslovênia, já usuárias do moderno radar, que teve 24 unidades já comercializadas.

A TRS está envolvida em outras 10 concorrências no mundo em diferentes estágios. O Ground Master 400, aliás, está sendo oferecido à Força Aérea Brasileira, que deve lançar uma concorrência em médio prazo.

Fonte: Tecnologia & Defesa

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Defesa Negócios e serviços

Forças Armadas recebem o helicóptero EC-725

o Ministério da Defesa realizou nesta segunda-feira (20/12), na Base Aérea de Brasília, a entrega formal de três helicópteros EC-725 aos Comandos da Marinha, Exército e Aeronáutica. A solenidade contou com a presença do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do Ministro da Defesa Nelson Jobim e dos Comandantes das três Forças Armadas.

As primeiras unidades fazem parte do contrato firmado entre o governo brasileiro e o consórcio Helibrás/Eurocopter. “Não são apenas novos helicópteros, estas máquinas representam a aquisição de um pacote tecnológico e exigimos que houvesse capacitação nacional”, disse o Ministro da Defesa, Nelson Jobim na solenidade. Veja o pronunciamento.

Os três helicópteros foram produzidos na França, mas o projeto prevê uma transferência gradual de tecnologia para que a produção dos demais seja feita pela fábrica da Helibrás, em Itajubá, Minas Gerais. Ouça entrevista do gerente do projeto Coronel Aviador Hilton Grossi Silveira.

O EC-725 é um helicóptero biturbina de porte médio de 11 toneladas com capacidade para decolar com até 29 combatentes equipados. Desenvolvido pela européia Eurocopter, o projeto inclui tecnologias como monitores LCD na cabine e um sistema de controle automático de vôo. Ao todo serão entregues 50 unidades-, 16 para cada Força e dois para uso da Presidência da República.

EC-725 na FAB

Os helicópteros EC-725 foram designados na Força Aérea Brasileira de H-36. A primeira unidade vai equipar o Esquadrão Falcão, da Base Aérea de Belém. Os H-36 vão substituir os Bell H-1, empregados na FAB desde 1964 em missões como transporte, resgate, ajuda humanitária e apoio a vários órgão do governo, como transporte de urnas eletrônicas e de vacinas.

Fonte: CECOMSAER via CAVOK

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Conflitos Geopolítica

Os sujos e os maus lavados

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Títuo alterado pelo Plano Brasil, original da BBC é:

Rússia diz que não aceita mudanças em tratado nuclear com EUA

A Rússia fez nesta segunda-feira um alerta aos parlamentares americanos, afirmando que qualquer mudança no tratado contra de armas nucleares entre os dois países de implicaria no fim do pacto.

O ministro do Exterior russo, Sergei Lavrov, disse nesta segunda-feira que o novo Tratado Estratégico de Redução de Armas (Start) não pode ser renegociado, segundo a agência de notícias russa Interfax.http://antinatoportugal.files.wordpress.com/2009/10/cam41799_nato_bombs.gif?w=525&h=381

Apesar de o pacto ter sido assinado pelos dois governos em abril, sua ratificação nos Estados Unidos foi adiada por causa de objeções de senadores americanos, mas deve ocorrer nessa terça-feira.

“O tratado Start, cuja primeira versão foi feita sob total paridade (entre as duas partes), acata totalmente os interesses nacionais tanto da Rússia como dos Estados Unidos”, afirmou Lavrov à Interfax.

“Por isso, ele não pode ser reaberto nem se tornar alvo de novas negociações.”

Alguns republicanos vêm pressionando para mudar o texto do acordo. Eles também querem adiar o debate até janeiro, quando o Congresso eleito terá mais senadores do mesmo partido.

O senador republicano Jon Kyl afirmou no domingo que o “acordo precisa de alterações”. O líder da minoria republicana no Senado, Mitch McConnell, também disse que se oporia ao acordo.

Votos suficientes

No entanto, cerca de dois terços do senado americano, formado por cem representantes, defende a ratificação da atual versão do tratado.

Senadores democratas afirmam ter votos suficientes para ratificar o tratado – que reduziria os arsenais dos Estados Unidos e da Rússia para 1,5 mil ogivas nucleares, um corte de cerca de 30% do limite de oito anos atrás.

O pacto também limitaria a 700 o número de mísseis e de aviões de bombardeio nuclear que podem ser acionados. Além disso, estabeleceria um novo mecanismo para o envio de inspetores a instalações nucleares em outros países.

Desde que o tratado Start anterior expirou, em dezembro de 2009, Rússia e Estados Unidos não estão conseguindo conduzir inspeções em seus respectivos arsenais nucleares – trazendo incertezas sobre o que cada lado está fazendo.

‘Segurança em jogo’

Se a ratificação do pacto for adiada, a situação do presidente americano, Barack Obama, no que diz respeito a um dos assuntos mais importantes de sua política externa, pode se complicar.

Isso porque em janeiro os republicanos terão mais representantes no Senado, reduzindo as chances de o acordo ser aprovado.

Obama, que sustenta que o pacto tornará o mundo mais seguro, está fazendo lobby com os senadores, pressionando para que eles aprovem o texto.

“A segurança dos Estados Unidos está em jogo”, afirmou o presidente americano sobre o tema no sábado, durante seu pronunciamento semanal.

Fonte: BBC Brasil

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Geopolítica

Presidente da Rússia apoia vaga para Índia no Conselho de Segurança da ONU

http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/f/f8/Dmitry_Medvedev_in_India_4-5_December_2008-13.jpg

O presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, disse nesta terça-feira (21) que apoia a reivindicação da Índia por uma vaga permanente no Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas), o que pode representar uma pressão diplomática sobre a China, rival regional dos indianos.

Medvedev declarou seu apoio nem entrevista coletiva ao lado do primeiro-ministro indiano, Manmohan Singh, no início de uma visita de dois dias à Índia.

A Índia tenta uma vaga no Conselho de Segurança – o principal órgão da ONU – refletindo sua importância econômica e demográfica.

Outros países emergentes, como o Brasil, também reivindicam sua inclusão como membro permanente do Conselho, propondo sua ampliação.

O Conselho de Segurança da ONU tem cinco membros permanentes com poder de veto – Reino Unido, China, França, Rússia e Estados Unidos -, além de dez membros rotativos e sem direito a veto.

A China tradicionalmente se opõe à reivindicação indiana, bem como a uma reforma mais ampla do conselho, principalmente por entender que esse movimento poderia incluir o Japão, outro rival regional do gigante asiático.

Fonte: R7

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Defesa Fotos do Dia

Mensagem de fim de ano do Comandante do Marinha

Sugestão: Gérsio Mutti

Assista o Video clicando aqui

http://4.bp.blogspot.com/_glyLfBk9Cic/SUmq-bpvmMI/AAAAAAAAFlc/LLbCIIjXVC4/s400/LOGO+MARINHA.gifMeus Comandados!

É com renovada satisfação que me dirijo a todos, por meio desta tradicional Mensagem de Fim de Ano. Nesta oportunidade, desejo abordar os assuntos que considerei mais relevantes no decorrer do ano que está por se encerrar. Tenho a convicção de que tivemos muitos êxitos, os quais passarei a citar, mercê dos inegáveis entusiasmo e dedicação de nossos militares e servidores civis.

I. Na Área do Pessoal, significativas metas foram alcançadas e outras estão sendo buscadas:

– No mês de julho, foram concedidas as últimas parcelas de reajustes

salariais estabelecidos pela Lei nº 11.784/2008, o que permitiu aos militares, no período de janeiro de 2008 a julho de 2010, acumularem aumentos de soldos que variaram de 35,31% a 137,83%, dependendo do posto ou graduação. Entretanto, considerando que eles não foram suficientes, mantivesse o encaminhamento, para o Ministério da Defesa, de subsídios e estudos referentes a uma reestruturação da atual legislação remuneratória dos militares, visando a sua melhoria;

– Foi aprovada, pelo Conselho de Planejamento de Pessoal (COPLAPE), e ratificada pelo Comandante da Marinha, a proposta de aumento para 36 anos, da idade limite para ingresso de Oficiais no Corpo de Engenheiros no Corpo de Saúde e no Quadro Técnico. Tal medida equipara as idades de ingresso nesses Corpos e Quadro com as adotadas pelo Exército e pela Força Aérea;

– Foram nomeados 105 candidatos civis, aprovados para a Carreira de Ciência e Tecnologia e 344 para a Carreira de Tecnologia Militar;

– No campo da Medicina Assistencial, a fim de proporcionar um melhor atendimento aos militares e seus dependentes, as obras de revitalização do Hospital Naval Marcílio Dias seguem em ritmo acelerado, incluindo a reestruturação das instalações de algumas clínicas e serviços, destacando-se a reforma dos banheiros da área ambulatorial, com adaptações visando permitir o acesso de portadores de necessidades especiais e a climatização de áreas de espera em setores do ambulatório. A recuperação dos Pavilhões Meireles e Carlos Frederico foi concluída e está em andamento o seu reaparelhamento.

Com a ativação desses dois prédios, o que ocorrerá ainda em dezembro, o Hospital Naval Marcílio Dias contará com novas instalações para Medicina Hiperbárica, Transplante de Medula Óssea, Tratamento de Queimados, Diálise e Cirurgias Ambulatoriais, além do acréscimo de mais 86 leitos à capacidade de internação do hospital;

– Continua sendo reestruturada a rede de atendimento médico e odontológico, com destaque para a construção da Policlínica Naval de Niterói, cuja entrega está prevista para este mês de dezembro; o início das obras do novo Ambulatório Naval de Campo Grande; a continuidade da expansão da Odontoclínica Central da Marinha, com previsão de término em outubro de 2011; e a construção do novo Centro de Atenção Diária na Unidade Integrada de Saúde Mental (UISM), representando um inegável avanço no campo da atenção psiquiátrica na Marinha e no País, e tendo por finalidade promover a reinserção social e o desenvolvimento das habilidades interpessoais dos portadores de psicoses graves, por meio de Oficinas Terapêuticas;

– Quanto à Assistência Integrada, as ações priorizaram a divulgação de projetos e serviços oferecidos à Família Naval, tais como o estímulo à produção de trabalhos científicos; o aumento expressivo no número de convênios para descontos nas mensalidades em instituições de ensino em todo o Brasil; e a reestruturação de projetos sociais do Abrigo do Marinheiro, especialmente aqueles voltados para o público jovem, como o Projeto Adolescer, que visa aproveitar o tempo ocioso de adolescentes, na faixa etária dos 12 aos 17 anos,/auxiliando-os no desenvolvimento de atividades escolares;

– No mês de agosto, foi realizado o 3º Festival “Âncora Social”, com o propósito de divulgar e facilitar o acesso de praças, servidores civis assemelhados e dependentes a serviços prestados pela Marinha, incluindo a realização daqueles considerados essenciais, tais como identificação, recadastramento e medição de pressão arterial e de glicemia;

– Não poderia deixar de dizer algo a respeito das “Voluntárias Cisne Branco”, das quais fazem parte esposas de Oficiais, Praças e Servidores Civis.

Por meio de ações complementares àquelas desenvolvidas pelos Serviços de Saúde e de Assistência Integrada da Marinha, as Voluntárias vêm demonstrando muito carinho e disponibilidade, dedicando parte de seu tempo a melhorar a qualidade de vida do nosso pessoal militar, civil e seus dependentes. Mais uma vez, somos gratos ao profícuo trabalho das “Voluntárias Cisne Branco”;

– Desejo citar a criação da Unidade Médica Expedicionária da Marinha, com o propósito de prestar apoio de saúde aos Grupamentos Operativos de Fuzileiros Navais e de guarnecer a Unidade Médica Nível Dois, no contexto das Operações de Paz e Humanitárias e em outras oportunidades a critério da Administração Naval;

– No âmbito da formação de pessoal, foram iniciadas, no Centro de Instrução Almirante Alexandrino (CIAA), a recuperação e a modernização do prédio do rancho, do alojamento dos Cursos de Especialização e das Escolas de Máquinas, Eletrônica e Eletricidade. No Centro de Instrução Almirante Wandenkolk (CIAW), está em andamento a reforma dos alojamentos e a ampliação do auditório. Na Escola Naval, continua em execução a construção do prédio de apoio, tendo sido iniciadas as obras de ampliação das instalações náuticas, que serão utilizadas para as competições de vela, durante os 5os Jogos Mundiais Militares, em meados de 2011 . A propósito, gostaria de convidar a Família Naval a prestigiar os Jogos Militares, evento de singular relevância para a Marinha e demais Forças Armadas e Auxiliares, não somente pelo espírito de congraçamento que desperta, sem dúvida essencial, mas também pela oportunidade de divulgação e fortalecimento de nossa imagem de probidade, vocação para o serviço e credibilidade junto à sociedade brasileira;

– Ainda com referência às bases materiais para a formação de pessoal, as Escolas de Aprendizes-Marinheiros estão passando por obras estruturais para elevar as suas capacidades, visando atender ao aumento de efetivos;

– Em relação ao Colégio Naval, foram assinados dois Termos de Cooperação com o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, prevendo o aporte de recursos para a construção do novo prédio do rancho e a modernização do auditório. Está também em andamento a recuperação de suas instalações, em face dos danos sofridos durante as fortes chuvas do final do ano passado e do começo deste ano;

– Outras ações, com vistas ao bem-estar do pessoal, tiveram prosseguimento, através da Caixa de Construções de Casas para o Pessoal da Marinha:

– Por meio do Programa PROMORAR, foram reduzidas ainda mais as taxas de juros para o financiamento de aquisição de imóvel. Comparando-o com o Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo, o PROMORAR apresenta taxas de juros semelhantes às adotadas pela Caixa Econômica Federal, as menores do mercado, e o diferencial de financiamento de até 100% do valor do imóvel, novo ou usado. Em 2010, observou-se um incremento de cerca de 45% na quantidade de empréstimos concedidos, em relação ao mesmo período de 2009;

– O Programa PROHABITAR vem empregando recursos financeiros do FGTS para a aquisição do 1º imóvel, sendo essas as melhores condições para os beneficiários de baixa renda. Cabe ressaltar que o atendimento da Caixa de Construções de Casas para o Pessoal da Marinha é diferenciado, com assessoria imobiliária gratuita, garantindo, a seus beneficiários, a aquisição segura de seu imóvel;

– O Programa PREAMAR tem destinado empréstimos para melhorar a condição residencial de beneficiários vivendo em áreas de risco quanto à violência urbana, tendo sido estendido, no início deste ano, aos que tenham tido suas residências danificadas por ações da natureza, tipo chuvas, enchentes e deslizamentos;

– O Empréstimo Rápido Imobiliário (ERAP) tem atendido à reforma da casa própria, construções e legalização documental de imóveis, com taxas que têm sido as menores do mercado;

– Em abril, foi finalizada a construção dos empreendimentos Barão de São Gonçalo I e II, no bairro de Neves, município de São Gonçalo, no total de 60 casas destinadas a Praças e Servidores Civis assemelhados.

A entrega das chaves das unidades aos compradores será efetuada após a liberação do “HABITE-SE” pela Prefeitura de São Gonçalo;

– A construção do empreendimento na Rua Retiro dos Artistas, em Jacarepaguá, ocorrerá por conta dos recursos do Programa Carta de Crédito Associativo da Caixa Econômica Federal.

Cabe mencionar, ainda:

– A aquisição, por oportunidade, de 60 PNR para as Praças do Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo;

– A entrega de 36 PNR para Praças em São Pedro da Aldeia e 12 para Oficiais em Manaus. Estão previstos, para serem entregues a curto prazo: 40 PNR em Aratu; 3 em Porto Seguro; 48 em Belém; 12 em Santarém; 48 em Rio Grande; 48 em Ladário; e 36 em Manaus, todos para Praças. Com previsão de entrega em 2011, teremos 24 PNR em Angra do Reis e 48 em Ladário, todos para Praças e, até o ano de 2013, está prevista a prontificação de 784 PNR em Águas Claras, no Distrito Federal, sendo 56 para Oficiais e 728 para Praças;

– Além disso, e no contexto dos 5os Jogos Mundiais Militares, a Vila Olímpica da Marinha em Campo Grande terá 396 apartamentos que, após as competições, serão incorporados como PNR, diminuindo, assim, o grande déficit habitacional para o pessoal no Rio de Janeiro, constituindo-se em importante legado dos Jogos;

II. No Setor do Material, prossegue o esforço incansável para a modernização e a obtenção de novos meios. Ressalto que, mesmo com a evolução positiva do patamar orçamentário da Marinha, conseguida mediante o empenho de todos os setores, os recursos obtidos ainda encontram-se em nível muito aquém das nossas necessidades, dada à demanda reprimida existente no aprestamento dos meios e à premência pelo reaparelhamento da Força.

Nesse contexto, tivemos em 2010:

– A prontificação da Corveta “Barroso”, já entregue ao Setor Operativo.

O bom desempenho, demonstrado em sua primeira longa viagem internacional à África, possibilitou ratificar os resultados que eram esperados, em decorrência das alterações que foram introduzidas no projeto original das Corvetas classe “Inhaúma”, notadamente no que se refere às características de comportamento no mar;

– O término da construção do Navio-Patrulha “Macaé”, de 500 toneladas, no estaleiro INACE, em Fortaleza, já entregue à Marinha. Primeiro navio da classe, obteve resultados bastante satisfatórios nas Provas de Mar, realizadas em agosto. Trata-se de uma das mais modernas unidades navais da Força. O Navio-Patrulha “Macaé” potencializará a nossa capacidade de patrulha marítima, além de aumentar, juntamente com o emprego dos outros Navios- Patrulha existentes ou a serem incorporados, nossa capacidade de salvaguarda da vida humana no mar e de proteção do meio ambiente em nossas Águas Jurisdicionais. Tudo isso permitirá, à Marinha, intensificar sua ação de presença, vigilância, proteção e defesa das áreas onde se encontram as instalações marítimas de exploração e explotação de petróleo e gás;

– O batimento da quilha do primeiro dos quatro Navios-Patrulha classe “Macaé”, em construção no estaleiro EISA, no Rio de Janeiro, com previsão de entrega em 2012;

– O batismo e a incorporação, em novembro, do Navio-Patrulha “Macau”, o segundo da classe “Macaé”, construído no estaleiro INACE, em Fortaleza;

– O recebimento do Aviso de Pesquisa “Aspirante Moura”, adquirido por oportunidade e já incorporado ao Setor de Ciência e Tecnologia, subordinado ao Instituto de Estudos do Mar Almirante Paulo Moreira (IEAPM);

– O prosseguimento da conversão do Navio de Assistência Hospitalar “Tenente Maximiano”, do Comando do 6º Distrito Naval, já tendo sido adquiridos os equipamentos necessários;

– A aquisição do navio “Ludovico Celani”, por oportunidade, para futura conversão em Navio-Hospital para o Comando do 9º Distrito Naval, cuja transferência, para a Marinha, ocorreu em novembro. O navio recebeu o nome de Navio de Assistência Hospitalar “Soares de Meirelles”;

– A entrega de diversas unidades do Plano Plurianual de Obtenção de Embarcações de Apoio e do Sistema de Segurança do Tráfego Aquaviário. Já foram obtidas sessenta e duas de casco semirrígido, 12 “Jet Ski” e 30 de casco inflável;

– A Força, através de um Programa de Obtenção de Meios de Superfície, intitulado PROSUPER, está buscando contratar, mediante um Acordo entre Governos que garanta o financiamento, a construção de 5 Navios-Patrulha Oceânicos de 1800 toneladas, 5 Fragatas de 6000 toneladas e 1 Navio de Apoio Logístico, que são os meios navais de superfície priorizados dentro do Programa de Articulação e Equipamento da Marinha;

– Está em fase final, o processo de Manutenção e Modernização do Navio Aeródromo “São Paulo”, com a instalação de novos sistemas que permitirão o restabelecimento de sua capacidade, em conjunto com seu destacamento aéreo embarcado, para a execução de tarefas de Controle de Área Marítima, de Projeção de Poder, de Operações de Ataque, e de Ações de Defesa Aeroespacial de uma Força Naval;

– Foi iniciado o processo de obtenção de 4 Avisos Hidroceanográficos Fluviais e de 1 Navio Hidroceanográfico Fluvial a serem construídos em estaleiro nacional. Quanto ao Navio Hidroceanográfico Fluvial, o projeto foi totalmente desenvolvido pelo Centro de Projetos de Navios;

Quanto aos meios aéreos, estão previstos os seguintes compromissos:

– Foi realizado, no período de 4 a 15 de julho, o lançamento do Míssil Ar- Ar “Side Winder”, por duas aeronaves AF-1/1A. Após o lançamento de 4 mísseis, a Marinha adquiriu a capacidade de realizar lançamento operacional de modo autóctone;

– A entrega, em dezembro de 2011, da primeira aeronave C-1A “TRADER”, na configuração COD/REVO;

– O recebimento, em abril de 2012, de 4 Helicópteros de Multiplo Emprego S-70B “Sea Hawk”;

– A entrega, em março de 2011 da primeira das 16 aeronaves EC 721, “Super Cougar”, a qual já chegou ao Brasil em novembro;

Quanto aos meios do Corpo de Fuzileiros Navais e com o propósito de assegurar as melhores condições de proteção ao nosso pessoal, foram adquiridas 30 Viaturas Blindadas Especiais sobre Rodas PIRANHA III C, para serem empregadas em Missão de Paz e na tarefa de Garantia da Lei e da Ordem. Das 12 já recebidas, 7 operam, atualmente, no Haiti. Até 2014, chegarão as 18 viaturas restantes.

III. Outras importantes ações foram realizadas ou tiveram prosseguimento ao longo do ano, cabendo mencionar:

– A realização de trabalho conjunto, com a participação de representantes dos diversos setores envolvidos, para estabelecer o conceito operacional e os requisitos de alto nível, visando ao delineamento da arquitetura do Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul (SISGAAz), ferramenta vital para o monitoramento e a vigilância de nossas Águas Jurisdicionais;

– O desenvolvimento dos motores dos mísseis EXOCET MM-40 para a sua recertificação no Brasil. O resultado alcançado será indispensável para o sucesso do projeto do nosso Míssil de Superfície Antinavio, com tecnologia autóctone e a ser construído por empresas nacionais;

– A conclusão da construção da Estação Cientifica da Ilha da Trindade, utilizando uma técnica de engenharia em PVC, de fácil manuseio, resistente à corrosão e apropriada para locais de difícil acesso. A Estação dispõe de dois laboratórios e tem capacidade para acomodar até oito pesquisadores. Além da construção da Estação, a Marinha e o Ministério das Minas e Energia, por intermédio da Eletrobras, retomaram as negociações para concretizar uma cooperação em geração de energia a partir de fontes eólica e fotovoltaica. Isto permitirá a redução do consumo de óleo combustível, além da diminuição do risco de poluição por derramamento e da quantidade de gás carbônico emitido;

– O levantamento batimétrico realizado, pelo Navio-Hidrográfico “Sirius”, na Elevação do Rio Grande, localizada além das 200 milhas marítimas, em prol do Programa de Prospecção e Exploração de Recursos Minerais da Área Internacional do Atlântico Sul e Equatorial, o PROAREA. Esse programa tem relevância política e estratégica, pois contribui para ampliar a presença brasileira no Atlântico Sul, desenvolvendo tecnologia e qualificando recursos

humanos, o que possibilitará ao Brasil, no futuro, reivindicar, perante a Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos, a exploração de áreas oceânicas localizadas além de suas Águas Jurisdicionais. É necessário enfatizar que, associados aos minerais, existem, nos Fundos Marinhos, recursos de biodiversidade que podem ser de grande utilidade para aplicação na agricultura e nas indústrias nacionais;

– A elaboração de uma nova proposta de limite exterior da margem continental brasileira, além das 200 milhas marítimas, visando dirimir os pontos questionados pela Comissão de Limites da Plataforma Continental da ONU, e que deverá ser apresentada até 2012, já tendo sido concluída a fase de aquisição de dados. Dois navios de pesquisa, contratados pela Marinha, efetuaram levantamentos geofísicos e batimétricos de modo a melhorar o embasamento de nossa proposta. O LEPLAC, a partir de agora, entrará na fase de processamento e interpretação dos dados adquiridos;

IV. No que concerne às tarefas de “apoio à política externa do País”, é mister ressaltar o cumprimento de algumas importantes ações, tais como:

– A participação da Marinha na 1ª Reunião dos Ministros dos Assuntos do Mar da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, a CPLP, realizada em março, em Portugal. O encontro teve, como uma de suas principais metas, a concretização da Estratégia da CPLP para os Oceanos, que incorpora iniciativas de cooperação, relacionadas ao mar, para os próximos anos. Esse acontecimento em muito prestigiou o colegiado da Comissão Interministerial para os Recursos do Mar (CIRM), uma vez que seu Coordenador, na pessoa do Comandante da Marinha, chefiou a delegação brasileira, confirmando a importância da CIRM para o trato dos assuntos do mar no Brasil e, a partir da reunião, também no exterior;

– A participação ativa da Marinha no apoio às vitimas dos terremotos ocorridos no Haiti e no Chile. Com relação a esses desastres, desejo fazer um registro especial àqueles que, direta ou indiretamente, contribuíram para minorar o sofrimento de milhares de pessoas. Foi um trabalho abnegado e solidário, digno dos maiores elogios.

Para o Haiti, foram enviados os Navios de Desembarque de Carros de Combate “Almirante Saboia” e “Garcia D’Ávila” com materiais necessários à população, tendo sido realizadas quatro comissões no 1º semestre de 2010, transportando cerca de 1500 toneladas de material de ajuda humanitária e 700 toneladas de material militar. Também foram enviados helicópteros e uma equipe médica, embarcados no Navio-Aeródromo da Marinha Italiana “Cavour”. Atualmente, temos um efetivo de 299 fuzileiros navais em ação no Haiti.

Com relação ao Chile, foi instalado um Hospital de Campanha da Marinha, que funcionou durante 41 dias, realizando atendimentos médicos, odontológicos e de enfermagem à população da região metropolitana de Santiago, em substituição a um hospital público, que havia sido interditado devido às avarias estruturais que sofrera por ocasião do terremoto. O Hospital de Campanha funcionou 24 horas por dia, tendo realizado 12.357 consultas, 9.721 procedimentos, 1.421 exames de imagem e 736 exames laboratoriais;

– Considerando o relacionamento com outras Marinhas, cabe destacar que, no corrente ano, foram realizadas diversas Reuniões entre Estados- Maiores, Grupos de Trabalho Conjuntos e encontros com Marinhas estrangeiras, sendo 6 no exterior e 4 no Brasil, cabendo ressaltar a primeira Reunião de Estados-Maiores com a Marinha do Paquistão.

Neste momento, desejo fazer uma menção especial à 24ª Conferência Naval Interamericana (CNI), ocorrida no Rio de Janeiro, de 13 a 17 de setembro, em que estiveram presentes 17 delegações de países das Américas, além de 2 Organismos Internacionais, a Junta Interamericana de Defesa (JID) e a Rede Naval Interamericana de Telecomunicações (RNIT). A CNI se constituiu em uma excelente oportunidade para a discussão de temas e problemas de interesse hemisférico e transcorreu em clima de muita cooperação e entendimento mútuo.

V. Considero, também, da maior importância comentar algumas atividades realizadas pela Marinha e que têm significativos reflexos junto ao público externo:

– A realização do VII Congresso Acadêmico sobre Defesa Nacional, promovido pelo Ministério da Defesa no segundo semestre deste ano, nas dependências da Escola Naval, que incluiu conferências e grupos de discussão, tendo reunido cerca de 250 professores e universitários de 28 instituições de ensino superior, pertencentes a dez unidades da Federação.

Eventos dessa natureza contribuem sobremaneira para a divulgação do conceito “Amazônia Azul” e são fundamentais para aproximar a Força dos Centros Acadêmicos, fomentando a mentalidade marítima em nosso País;

– A participação da Marinha, por intermédio das OMs ligadas ao segmento de Ciência, Tecnologia e Inovação, na 4ª Conferência Nacional de Ciência e Tecnologia, ocorrida em Brasília, e na sexagésima segunda Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, realizada em Natal;

– Enfatizo as ações relacionadas à Segurança do Tráfego Aquaviário na Amazônia que, ao longo dos dois últimos anos, apresentaram níveis

significativos de aumento da conscientização dos usuários de embarcações, sobretudo quanto aos seus direitos e deveres, o que influencia diretamente na redução do número de acidentes. Nesse contexto, tem sido notável a ativa participação da Marinha na Campanha de Prevenção ao Escalpelamento, lançada pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, em março deste ano. De fato, a Marinha não só apoia como também coordena alguns aspectos da Campanha, contribuindo, decisivamente, para erradicar esse trágico incidente, que tem mutilado tantas mulheres, jovens e crianças;

– A entrega, ao Presidente do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, em março, das duas primeiras lanchas destinadas ao transporte de estudantes da Região Norte, no contexto do Programa “Caminho da Escola”, resultado de um convênio assinado entre a Marinha e o Ministério da Educação, para a construção de 600 lanchas escolares. Outras cinco foram entregues, em junho, na cidade de Manaus. O objetivo desse programa é garantir conforto e segurança aos milhares de estudantes de remotas áreas do País, que não dispõem de meios adequados de locomoção, permitindo que se recupere a cidadania de jovens e crianças que necessitam estar nas escolas;

– Neste segundo semestre, foram instalados dois aparelhos mamógrafos, um no Navio de Assistência Hospitalar “Doutor Montenegro”, do 9º Distrito Naval, e outro no Navio-Auxíliar “Pará”, do 4º Distrito Naval, capacitando-os a efetuar, durante as Operações de Assistência Hospitalar, exames de prevenção do câncer de mama nas mulheres das populações ribeirinhas da Região Amazônica. A propósito, o “Doutor Montenegro” e o “Pará”, juntamente com o Navio de Assistência Hospitalar “Oswaldo Cruz”, receberam sistemas de transmissão de dados por satélite, que permitirá ao INSS levar o atendimento previdenciário às populações locais.

É a Marinha, em parceria com os Governos Federal e Estadual, levando a presença do Estado brasileiro a distantes rincões do território nacional, por meio dos “Navios da Esperança”, cada vez mais conhecidos pelos brasileiros, haja vista terem sido objeto de matérias jornalísticas de importantes veículos de comunicação, no decorrer de 2010.

Finalmente, resta mencionar, antes do término desta Mensagem, a continuidade do Programa de Desenvolvimento de Submarinos, o PROSUB. O Programa foi definitivamente implantado com a execução dos contratos comerciais.

Em maio, foi iniciada, na França, a construção do primeiro da série de quatro submarinos convencionais S-BR, mediante os trabalhos de corte e de solda das chapas que estão sendo utilizadas na confecção da seção de proa do submarino, com a participação efetiva de operários do Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro.

Também em maio, começaram as obras civis do Estaleiro e da Base Naval em Itaguaí, com os trabalhos de terraplanagem da área localizada junto à NUCLEP, onde está sendo erigida a Unidade de Fabricação de Estruturas Metálicas (UFEM), destinada à montagem das seções de casco dos submarinos. As obras marítimas na Ilha da Madeira foram iniciadas em setembro.

As equipes incumbidas da absorção das tecnologias de projeto e de construção encontram-se na França, na Escola de Projeto de Submarinos, realizando os cursos e estágios destinados a capacitá-las a projetar e construir, no Brasil, o nosso Submarino de Propulsão Nuclear.

Assim sendo, o PROSUB, juntamente com a finalização do Programa Nuclear da Marinha, satisfazem uma necessidade inadiável de defesa, principalmente neste momento alvissareiro para o Brasil, em que estão sendo descobertas grandes reservas de petróleo e gás natural em nossa “Amazônia Azul”.

Gostaria de ressaltar que a posse, pelo Brasil, de um Submarino de Propulsão Nuclear significará o fortalecimento de nossa capacidade de dissuasão contra possíveis ameaças. Mais uma vez, afirmo que sua construção é estratégica para o País, que deve permanecer sendo uma Nação pacífica, disposta a colaborar com seus parceiros, porém capaz de garantir sua defesa.

É chegado o momento de encerrar as minhas palavras. Foram muitas as boas notícias no decorrer de 2010.

Sem dúvida alguma, a tomada de consciência acerca de quão complexas e multifacetadas são as tarefas da Marinha, implica, necessariamente, nos veículos eficazes de Comunicação Social que foram implementados, entre os quais podemos citar: a TV Marinha na Web, cujo propósito é apresentar, em vídeo, diversas atividades da nossa Força e o trabalho dos homens e mulheres que a integram; a transmissão, ao vivo, pela Intranet ou Internet, de eventos significativos, tanto os exclusivos da Instituição como os que têm a participação da MB; e um periódico, intitulado “Marinha em Revista”, que se propõe a mostrar o trabalho que é feito, diuturnamente, em prol do preparo e emprego do Poder Naval.

Ao abordar tantos e variados assuntos, é possível constatar que a Marinha encontra-se em um momento bastante favorável. Metas ambiciosas foram alcançadas, tendo sido tomadas medidas, com vistas à consolidação de uma Força à altura de suas atribuições constitucionais e da crescente relevância do Brasil no cenário internacional, sempre com muito zelo, estudo e consciência por parte da Alta Administração Naval.

A Marinha tem granjeado o respeito da sociedade brasileira, fruto do trabalho, muitas vezes silencioso e anônimo, de seus militares e servidores civis, tanto do passado como de hoje.

Nesta feliz ocasião, não poderia deixar de fazer menção aos 30 anos da presença da Mulher Militar na Marinha, cuja comemoração ocorreu no dia 7 de julho. Cabe enfatizar o pioneirismo da Instituição, permitindo o ingresso das mulheres em suas fileiras, tendo sido a primeira Força Armada a fazê-lo, o que ocorreu em 1980, quando o Almirante-de-Esquadra Maximiano Eduardo da Silva Fonseca, então Ministro da Marinha, criou o Corpo  Auxiliar Feminino da Reserva, que tinha o propósito de atuar nas áreas técnica e administrativa.

Desde então, as mulheres militares vêm concretizando uma história de competência, dedicação e profissionalismo, estando perfeitamente integradas aos diversos Corpos e Quadros.

Prezados Marinheiros, Fuzileiros Navais e Servidores Civis! Homens e Mulheres que servem em nossa Força!

A Marinha do futuro baseia-se não só nas grandes, mas nas pequenas ações cotidianas. Ela resulta, também, de um passado repleto de glórias e realizações.

A Força altaneira, forte e aprestada que desejamos, depende de cada um de nós, cabendo-nos assumir um compromisso íntimo com os resultados positivos e com o bem da Instituição. Assim agindo, estaremos moldando um genuíno e contagiante amor à Pátria que só ganha substância quando identificado com reais serviços prestados ao povo brasileiro.

É tempo de comemorar, com orgulho e júbilo, tudo o que foi conquistado em 2010 e de pedir a Deus a renovação do mesmo entusiasmo, para que, no próximo ano, com confiança e fé nos destinos da Marinha, seja dada sequência ao processo do seu aperfeiçoamento em todas as áreas, a fim de torná-la, sempre mais e mais, suficientemente preparada para a defesa dos interesses do Brasil em suas Águas Jurisdicionais.

Fonte: Alide

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Geopolítica Opinião

A geopolítica da crise

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Economia Paul Kennedy

“A perda de força do dólar é uma tendência de longo prazo que deve se acirrar. No momento, isso não é visível. O dólar se apreciou. Mas a crise financeira deve acentuar a migração de reservas internacionais da moeda americana para outras moedas”

O exemplo de Roosevelt
Para Kennedy, a economia tem de ser a prioridade do próximo presidente americano

Vinte anos atrás, o inglês Paul Kennedy causou furor com o livroAscensão e Queda das Grandes Potências. Depois de estudar a trajetória das nações globalmente dominantes nos últimos 500 anos, ele indagava se os Estados Unidos, superpoder do presente, teriam entrado em declínio. Para Kennedy, a resposta era de certa forma afirmativa. No século XXI, os Estados Unidos deveriam perder uma parte de sua influência. Mas a queda não seria absoluta – apenas um “declínio relativo”. Nesta semana, Kennedy, um dos mais respeitados cientistas políticos em atividade, visita o Brasil a convite do Instituto Fernando Henrique Cardoso. Em entrevista ao editor executivo Carlos Graieb, ele explicou por que acredita que a crise financeira vai fragilizar ainda mais o poderio americano.

O impacto da crise no poderio americano
A crise financeira deve enfraquecer o dólar. Ela deve acentuar a migração de reservas internacionais da moeda americana para outras moedas. No momento isso não é visível. O dólar se apreciou ao redor do mundo, porque muitos americanos estão repatriando o dinheiro investido no exterior. Mas a perda de força do dólar é uma tendência de longo prazo que a crise deve acirrar. Não haverá fuga em massa do dólar, pois um colapso da moeda deixaria o mundo todo em sérias dificuldades. Mas uma parte das reservas internacionais deverá ser feita em outras denominações.

Finanças e armamentos
O orçamento militar tomou contornos sagrados nos Estados Unidos. Os dois partidos prometeram mantê-lo sólido e vistoso, para demonstrar compromisso com as tropas que combatem no Iraque e no Afeganistão. Todos os gastos somados, contudo, o pacote de resgate econômico americano já gira em torno de 1 trilhão de dólares – um valor próximo do orçamento destinado à defesa. Por causa disso, a maioria dos analistas militares acendeu sinais de alerta. Os Estados Unidos se mantêm isolados na ponta na esfera militar, mas uma fração dessa força deve ser minada.

O declínio relativo da grande potência
Aquilo que o comentarista político Charles Krauthammer chamou de “momento unipolar” na história mundial acabou. Esse momento se caracterizou pela total hegemonia americana, logo após a derrocada da União Soviética. Retornamos ao cenário discutido em Ascensão e Queda das Grandes Potências, que publiquei em 1988. É um cenário de declínio relativo dos Estados Unidos. Nos últimos dez anos, surgiram potências que o país não pode intimidar ou mesmo influenciar. É o caso da China e da Índia, e também da nova Rússia de Vladimir Putin. Há duas maneiras de lidar com essas mudanças: a sensata e a desastrada. Quem quer que substitua George W. Bush, que optou pela via desastrada, terá de agir com enorme cautela. A maior tarefa será a estabilização econômica. O novo presidente americano deveria ter em mente a figura de Franklin Delano Roosevelt. Os três primeiros anos de seu mandato, de 1933 a 1935, foram devotados a tirar o país da depressão econômica. Um presidente inteligente vai se concentrar nisso, não tendo em vista apenas a crise financeira atual, mas também a tendência de mais longo prazo de deixar que o país acumule déficits monstruosos.

No mesmo barco Com a crise, 60% da capitalização da Rússia de Vladimir Putin (acima) se evaporou

A Rússia na ciranda financeira
A crise econômica teve algo de positivo para o Ocidente, que via com apreensão uma Rússia que exercita novamente os seus músculos. Nas últimas semanas, a Bolsa de Valores de Moscou interrompeu o pregão várias vezes. Houve fuga de capitais. Mais de 60% da capitalização do país se evaporou. Além disso, o preço do petróleo está caindo – e a Rússia é imensamente dependente dessa única commodity. Mas não é só isso. Pela primeira vez, desde o começo do século XX, a Rússia tem de se preocupar com o que os bancos europeus e americanos fazem. No tempo de Brejnev, o nível da taxa Libor – que regula os empréstimos interbancários no plano internacional – era a última preocupação dos soviéticos. Eles não estavam envolvidos nesse jogo. Agora, contudo, se bancos não emprestam a outros bancos, o dinheiro não chega aos negócios russos. O país se descobriu interligado ao sistema financeiro internacional – e isso aumentou o poder de barganha do Ocidente.

Cuidado com o que você deseja
Refletir sobre a perda de poder dos Estados Unidos não é o mesmo que ansiar por ela. Cada vez que vejo europeus, por exemplo, com semblante satisfeito por causa de algum fracasso americano, vem-me à mente aquele alerta: cuidado com o que você deseja. Será que realmente desejamos os Estados Unidos feridos, ressentidos, defensivos, protecionistas ou nacionalistas? Não creio. Acho preferível ver os Estados Unidos de volta à tradição mais cooperativa de presidentes como Truman, Eisenhower ou Kennedy. Pensemos, até mesmo, em presidentes como Bush pai, que foi muito sagaz em questões de política externa e soube lidar muito bem com a desintegração da União Soviética, ou em Clinton, afeito ao multilateralismo.

Um fórum internacional
O grau de interligação se tornou imenso. A atividade acontece 24 horas. Nenhuma das instituições internacionais existentes, como o Banco Mundial ou o FMI, pode
lidar com isso. Falta um comitê dos banqueiros centrais das dez ou doze maiores economias do mundo encarregado de lidar de maneira sistemática com as grandes questões financeiras e apto a agir nos momentos de emergência. Não proponho a criação de uma instituição enorme, mas de um comitê com maior força política.

Fonte: Veja