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Conflitos Inteligência

Diplomatas foram enganados por modos cordiais de Saddam na Guerra do Golfo

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Uma declaração inábil da embaixadora americana no Iraque provocou a primeira Guerra no Golfo? Os cabogramas americanos vazados mostram que os diplomatas fracassaram em perceber os sinais de que Saddam Hussein estava se preparando para invadir o Kuait e que pintavam seu regime sob luz consistentemente favorável nos anos que antecederam o conflito.

Na manhã de 25 de julho de 1990, o ditador iraquiano Saddam Hussein telefonou para a embaixadora americana no Iraque, April Glaspie. Foi o primeiro encontro dela com Saddam e durou duas horas. E provavelmente entrará para a história como um dos incidentes mais controversos na diplomacia americana.

Naquela noite, Glaspie enviou por cabograma seu relatório sobre a conversa para Washington. Ela o resumiu sob o título: “Mensagem de amizade de Saddam ao presidente Bush”.

Apenas oito dias depois, estourou a guerra quando as tropas de Saddam invadiram o Kuait. A invasão provocou um conflito que duraria mais de 15 anos e terminaria nem mesmo com a morte de Saddam Hussein.

É o pesadelo de todo diplomata. O que transcorreu exatamente no encontro de Glaspie com o presidente iraquiano?

Donald Rumsfeld e Saddam Hussein

Saddam estava sob pressão em meados dos anos 90. Ele se queixou à embaixadora americana de que os oito anos de guerra com o Irã tinham deixado seu país esgotado e altamente endividado. Ainda pior, o vizinho Kuait estava deliberadamente mantendo baixos os preços do petróleo –tão baixos, de fato, que seu país tinha sido obrigado a cortar as pensões que pagava às viúvas e órfãos.

“A esta altura”, declarou o relatório de Glaspie, “o intérprete e um dos tomadores de notas começaram a chorar”.

Saddam então passou para a questão da disputa de fronteira do Iraque com o Kuait. A conversa se tornou técnica, e ele até mesmo começou a recitar uma lista de distâncias em quilômetros. “A embaixadora”, Glaspie escreveu falando de si mesma, “disse que tinha servido por 20 anos no Kuait; naquela época, como agora, nós não tomamos nenhuma posição a respeito dessas questões árabes”.

Poucas semanas depois, os iraquianos romperam todo protocolo diplomático divulgando uma transcrição resumida da conversa. Nunca antes os Estados Unidos pesaram tão cuidadosamente as palavras de um de seus diplomatas. Nunca antes uma única sentença foi tão discutida quanto à da embaixadora Glaspie.

Os críticos dizem que a resposta dela “confundiu” Saddam Hussein, que ela foi ambígua e vaga demais. Saddam pode ter pensado que os Estados Unidos não interviriam caso atacasse o Kuait. Assim, eles afirmam, Glaspie teve um papel decisivo no início da guerra. Seus defensores dizem que esta crítica é imprópria. Eles apontam que Glaspie disse a Saddam o que qualquer diplomata em sua posição teria dito.

A controvérsia persiste até hoje. Mas novos despachos diplomáticos, recém divulgados pelo WikiLeaks, agora revelam o que os embaixadores americanos em Bagdá informaram a Washington entre 1985 e 1990. Eles mostram o ambiente político no qual Glaspie atuava, a posição americana a respeito de Saddam Hussein na época e o que levou à sentença fatídica dela.

Os Estados Unidos romperam as relações diplomáticas com o Iraque após o conflito entre árabes e israelenses de 1967. A embaixada americana foi reaberta em 1984 e, desde o início, um assunto dominava os relatos dos diplomatas americanos estacionados em Bagdá: o Irã.

Na época, as tropas de Saddam lutavam contra as dos revolucionários do Irã desde as montanhas do Curdistão até o Rio Shatt al Arab, e era bem óbvio de que lado estava a simpatia americana: Washington queria a vitória de Saddam.

Glaspie chegou ao Iraque no final de 1987. Na época ela tinha 46 anos e tinha vasta experiência nos países árabes. Washington certamente não enviou uma novata para Bagdá.

Visão estreita

Uma das primeiras viagens dela foi para se encontrar com os cristãos no norte, cuja situação ela considerou satisfatória. Qualquer “reassentamento” que tenha ocorrido acabou semanas antes. Ela descreveu o governador de Saddam na província de Mosul como “impecavelmente agradável” e seu chefe de segurança como “prestativo e compassivo”. De fato, para onde quer que olhasse, ela estava surpresa em quanto dinheiro o governo iraquiano tinha gasto com sua minoria cristã. Um mosteiro foi reformado e “vários novos vilarejos” –marcados como “vilarejos modelo Saddam”– foram construídos.

Tudo aquilo poderia ser verdade, mas representava uma visão deliberadamente estreita do Iraque no início de 1988. Pois enquanto a embaixadora Glaspie estava visitando Mosul, o primo de Saddam, Ali Hassan al Majid (que viria a ser conhecido como “Ali Químico”), bombardeava os curdos no norte do Iraque, a apenas 250 quilômetros de distância, com gás venenoso. Em 16 e 17 de março de 1988, 10 semanas após a visita, um destino semelhante ocorreu à cidade de Halabja. Cerca de 5 mil pessoas foram mortas ali nesses dois dias, com mais centenas morrendo posteriormente de modo doloroso, devido aos efeitos das armas químicas usadas contra elas.

Não é que a embaixada americana em Bagdá não sabia nada desses ataques. Em meados de fevereiro, Abd al Rahman Qassemlu, um líder curdo iraniano que ficou ao lado de Saddam contra Teerã, foi a Bagdá. Após uma reunião com o ditador, ele também passou na embaixada americana. Ele avisou que não queria nem dinheiro e nem armas. “É claro que sempre é possível ter mais, mas temos o suficiente”, ele disse, segundo um despacho da embaixada.

Ele então narrou o que estava se passando no norte. O relatório disse que o chefe de seu departamento político “perguntou a Qassemlu qual era sua reação diante da campanha iraquiana de destruição das aldeias curdas. Qassemlu reconheceu que a ‘maioria’ das aldeias foi destruída, mas parecia sem nenhuma emoção sobre o assunto”, notou o relatório.

Qassemlu disse aos americanos precisamente quem culpava pelos ataques assassinos ocorridos no norte: “Saddam. Ele está encarregado de tudo”.

Desde cedo, os relatórios americanos começaram a mencionar os temores iraquianos de que os Estados Unidos poderiam abandonar o Iraque por laços mais estreitos com Teerã. Em um cabograma para Washington, escreveu Glaspie: “Nós tranquilizamos os iraquianos no alto escalão e por diferentes canais de que não contemplamos uma ‘inclinação’ em qualquer direção”.

Colaboração excelente

Perto do fim da guerra Irã-Iraque, no segundo trimestre de 1988, os cabogramas da embaixada americana falavam de um crescente otimismo dentro do Iraque. Os diplomatas informaram uma colaboração excelente nos bastidores.

Quando a guerra Irã-Iraque finalmente acabou após oito anos e quase meio milhão de mortos, Glaspie colocou a palavra “vitória” entre aspas; mas assim que a celebração passou, os relatos novamente passaram a se concentrar na ameaça iraniana que criou o elo primário entre o regime de Saddam e os Estados Unidos –passando por cima de todas as queixas sobre assassinatos, armas químicas e violações de direitos humanos. “Nós duvidamos que os iraquianos sejam ingênuos a ponto de acreditarem que qualquer regime clerical no Irã, mesmo após a morte de Khomeini, renunciará à revolução ou a seus elementos integrais, o expansionismo e a interferência nos assuntos internos de outros países, principalmente do Iraque.”

Mas então, no início dos anos 90, “nuvens escuras” se formaram sobre o relacionamento do Iraque com os Estados Unidos, nas palavras do próprio Saddam, falando em uma coletiva de imprensa após uma visita do presidente do Egito, Hosni Mubarak. Saddam atribuiu a deterioração a uma suposta interferência de um “lobby sionista” na política americana. Isso preocupou a embaixadora americana? Ela se preocupou com a escolha de palavras do ditador iraquiano?

Não. Ela apenas enviou para casa um relatório intitulado “Saddam explica e defende”. No despacho, Glaspie falou sobre a posição de Saddam como “talvez derivando de seu antigo esforço para promover um senso de identidade para os ‘iraquianos’ –um senso que ele frequentemente se lembra de carecer quando era menino”. Sua avaliação do presidente iraquiano em abril de 1990 foi a seguinte: “Saddam não está fazendo pose. Ele está genuinamente preocupado com Israel e com o Irã”.

Em maio daquele ano, os chefes de Estado da Liga Árabe se reuniram em Bagdá, tendo como fundo as ameaças de Saddam contra o Kuait e os Emirados Árabes Unidos. De novo, Glaspie elogiou os esforços de Saddam. Ela disse que ele “deu um passo à frente” e reuniu os árabes, apesar de que no “menor denominador comum”.

‘Liderança intelectual’

Ela realmente não viu as nuvens de tempestade se formando no horizonte? No início de junho, Glaspie enviou um cabograma a Washington com o título –aparentemente sem ironia– “Liderança Intelectual”. Ela disse que Saddam tinha passado recentemente muitas horas com um grupo de seis homens finalizando uma nova Constituição. A embaixadora pediu ao Departamento de Estado para anotar os nomes dos homens, porque esse projeto era “importante”, como se Saddam estivesse seriamente pensando na Constituição iraquiano apenas dois meses antes de suas tropas invadirem o Kuait, se de fato esse notório conspirador e mestre da espionagem alguma vez tenha levado uma Constituição a sério em sua vida.

A julgar por seus memorandos, a embaixadora sabia muito pouco sobre as dúvidas perturbadoras que alguns membros do círculo interno de Saddam tinham a respeito de seus planos de invasão cada vez mais concretos. Os rumores de que ele estava sob pressão internamente foram desprezados por Glaspie como meras invenções por parte do Irã e dos exilados iraquianos. E ela rejeitou explicitamente um relatório da embaixada americana no Kuait, que dizia que o comportamento errático de Saddam sugeria “pressões internas e instabilidade de seu regime” –o que, olhando para trás, parece altamente provável. O embaixador em Bagdá insistiu que Saddam era motivado por muitas coisas, mas rumores de golpe não eram um deles.

Isso foi seguido por dois parágrafos que levantam sérias dúvidas a respeito da objetividade de Glaspie em relação ao regime de Saddam: “Nós não estamos sugerindo”, ela escreve, “que não existam algumas ‘ações disciplinares’ ocasionais aqui. Por exemplo, o adc (nota do editor: o ajudante de ordens) curdo de longa data do presidente, Sabah Mizra, sem dúvida rasurou seu livro de notas neste ano. Ele foi preso e pode estar morto”.

E de qualquer forma, ela acrescentou, Saddam está apenas tentando “melhorar o bem-estar dos cidadãos. O partido não tem dificuldade em mobilizar milhares de árabes (não curdos) iraquianos para saudar seu presidente”.

Em junho de 1990, a emissora de televisão americana “ABC” transmitiu uma entrevista que a jornalista Diane Sawyer fez com Saddam Hussein, após mediação da embaixada americana. Os iraquianos ficaram furiosos, porque a conversa de três horas foi editada para 20 minutos. De novo, Glaspie pediu pela compreensão tanto do secretário pessoal de Saddam quanto de Washington. Ela disse que Saddam não estava “jogando a toalha”. Ele estava defendendo sua “nova política de disponibilidade à imprensa ocidental (‘Le Figaro’ é o próximo) e sua disposição de permitir que o público iraquiano o visse e ouvisse sem cortes e sem retoques”.

A entrevista de Sawyer também apareceu na conversa contenciosa de Glaspie com Saddam, em 25 de julho. Glaspie escreveu, se referindo a si mesma, “a embaixadora disse que assistiu ao programa de Diane Sawyer e o considerou barato e injusto. Mas a imprensa americana trata todos os políticos sem gentileza –este é o nosso modo”.

Saddam “cordial, razoável e até mesmo caloroso”

Se o seu comentário sobre a neutralidade americana nas disputas de fronteira árabes fizeram Saddam decidir invadir o Kuait é uma pergunta que talvez apenas o próprio Saddam poderia responder com certeza. Mas os despachos diplomáticos que vazaram mostram que Glaspie e seu antecessor viam o regime de forma extremamente favorável desde o início, fizeram vista grossa para os crimes amplamente conhecidos de Saddam e foram tão influenciados pela inimizade mútua com o Irã a ponto de serem negligentemente não críticos. Essa atitude certamente influenciou a reunião fatídica de Glaspie com Saddam.

A postura do presidente foi “cordial, razoável e até mesmo calorosa”, começa seu relato da reunião. Ele termina concluindo que ele sem dúvida era sincero ao “buscar um acordo pacífico” para o conflito com o vizinho Kuait. Entre eles se encontra parágrafo após parágrafo listando o suposto egoísmo do Kuait e os sacrifícios e intenções pacíficas dos iraquianos.

Saddam Hussein sem dúvida enganou a embaixadora americana, apesar de que também em seu próprio detrimento. Mas ela particularmente não dificultou para ele.

A embaixada enviou mais quatro despachos para Washington antes do início da guerra. Um começa com a crença equivocada de que Saddam estava realmente respondendo às tentativas de mediação mais recentes tentadas pelo presidente do Egito, Hosni Mubarak, mas termina com a análise etnológica que diz mais a respeito dos motivos para a guerra do que muitas avaliações posteriores:

“É difícil exagerar a profundidade do sentimento antikuaitiano no Iraque. Este é um fundo extremamente importante para as tensões atuais. E a antipatia é velha e profunda –não algo estimulado pela mídia para a ocasião.”

“Os kuaitianos que chegam ao Iraque com bolsos cheios de dinares iraquianos (comprados com cotação do mercado negro que é menos que um décimo da taxa de câmbio oficial) e que gastam ostentosamente, não são de classe média educada –estes vão para a Europa. O Iraque recebe o equivalente ao ‘lixo branco pobre’, a classe média baixa, que pode ser vista em grande número em Basra na sexta-feira e nos resorts de verão do norte, frequentemente bêbada, às vezes desordeira, e geralmente apostando em cassinos fora isso vazios. Ela também vai para Bagdá em grande número, fornecendo clientela para as boates baratas e para as garotas de programa.”

“Os iraquianos sentem profundamente que os kuaitianos são grandes sovinas vivendo ostentosamente enquanto o Iraque, que fez sacrifícios terríveis durante a guerra, ainda está sofrendo.”

Quatro dias depois, a embaixadora Glaspie voou para Washington. Sete dias depois, em 2 de agosto de 1990, as tropas iraquianas invadiram o Kuait.

Naquele dia, o vice de Glaspie, Joseph Wilson, que ficou famoso 13 anos depois como o marido da espiã desmascarada da CIA, Valerie Plame, enviou ao Departamento de Estado a mensagem mais breve que a embaixada em Bagdá já tinha enviado: “Nós tentamos repetidamente, desde 0630 local, contatar os altos funcionários diplomáticos, incluindo o ministro Aziz. O subsecretário Hamdun aparentemente não está em casa, já que ninguém atende seu telefone de casa (…) A embaixada enviou uma equipe de gestão de crise”.
Saddam tinha atacado. E da noite para o dia, ele passou de aliado americano por quase 10 anos a inimigo mortal. Tudo o que antes parecia certo, repentinamente estava errado.


Fonte: UOL

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Defesa Fotos do Dia

P-3AM Orion – FAB 7203

A previsão é que as três primeiras aeronaves cheguem a Salvador (BA), de onde serão operadas, no primeiro semestre do ano que vem, após uma campanha de treinamento de tripulações na Espanha. Os nove aviões estarão no Brasil até 2012.

O P-3 é uma aeronave equipada com uma grande gama de sensores especiais, que viabilizarão a execução de diversas missões, por exemplo, de busca e resgate, como ocorreu no ano passado, com o emprego de aeronaves R-99 na localização de destroços do voo 447 no meio do Oceano Atlântico, dentro da área de responsabilidade brasileira de 6.400.000 km². O P-3 representará efetivo apoio às atividades de busca e salvamento no Atlântico Sul, que, conforme acordos internacionais, é de responsabilidade do Brasil.

A aquisição desse modelo de aeronave e de sua modernização representa importante mudança no padrão operacional da FAB, colocando a instituição na primeira linha de equipamentos de Patrulha Marítima. Para se ter uma ideia das vantagens operacionais, o novo avião possui autonomia de 16 horas de voo, mesmo à baixa altura, o que permite se manter em uma área de operação por muitas horas, mesmo que afastada do litoral.

Sua variada gama de sensores não permite a passagem desapercebida de navios e submarinos por onde estiver voando e, se for necessário, poderá dispor de diversos tipos de armamentos como mísseis, torpedos, bombas e boias radiossônicas para negar o uso do mar à embarcações hostis.

No próximo ano, a primeira aeronave que equipará o 1°/7° Grupo de Aviação, sediado na Base Aérea de Salvador, passará por uma avaliação operacional completa. O objetivo é comprovar o comportamento e as características funcionais de cada componente dos sistemas de missão, em confronto com os requisitos operacionais e logísticos do Comando da Aeronáutica, em ambiente operacional real, conforme estipulado no contrato de modernização.

No processo de modernização, houve total revitalização da estrutura da aeronave. Além disso, foram modificados equipamentos que tornaram o P-3AM completamente atualizado às necessidades operacionais, dos motores aos sensores do avião.

De acordo com a Comissão Coordenadora do Programa Aeronave de Combate (COPAC), os P-3AM ORION brasileiros, com os seus modernos equipamentos e sistemas embarcados, são vetores poderosos em consonância com as diretrizes estabelecidas na Estratégia Nacional de Defesa, visto que incrementarão, substancialmente, a capacidade do Brasil na busca de proteger os interesses nacionais e, de modo especial, na região do pré-sal.

Fonte: Agência Força Aérea

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Geopolítica

Desigualdade na educação é calcanhar de Aquiles do Brasil, diz jornal

http://medidaprovisoria.zip.net/images/Menina.jpgUma análise publicada nesta quarta-feira pelo jornal francês Le Monde afirma que as desigualdades no sistema educacional são o “calcanhar de Aquiles do Brasil”.

Intitulado “As desigualdades da educação, calcanhar de Aquiles do Brasil”, o artigo repercute o resultado de um levantamento da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que coloca o nível educacional do Brasil no mesmo nível de Trinidad e Tobago.

“Elogiado por seus inúmeros progressos nos campos econômico e social, o Brasil permanece estagnado em uma área crucial: a educação”, diz o texto.

A análise nota que o país conseguiu “praticamente vencer” o analfabetismo entre os mais jovens, mas “continua a castigar um em cada dez brasileiros de 15 a 17 anos”. “Na prática, a escolarização não é universal.”

Para o jornal francês, “o marasmo brasileiro é resultado em parte da democratização do ensino promovida nos anos 1990. O afluxo de milhões de novas crianças levou a uma queda no nível de ensino, acentuada pela rejeição a expulsar os piores estudantes de das escolas”.

“A mediocridade do ensino público está no centro do problema”, diz o texto, segundo o qual “os professores são mal formados e mal pagos”. “Muitos têm pouca bagagem escolar e experiência”, afirma o Monde.

Além disso, “a estrutura federal do Brasil – em três escalões – agrava esses fenômenos” ao criar mais burocracia e abrir espaço para a corrupção no setor.

“Assim se perpetua, com algumas exceções, um ensino de base em dois níveis: público, gratuito, muitas vezes em estado de calamidade, para as crianças das famílias pobres; privado, pago, de bom nível, para os filhos das famílias abastadas, mais bem preparados para o vestibular e gozar do terceiro ciclo e dos centros de pesquisa financiados com dinheiro público”, descreve o vespertino francês.

País melhorou índices de leitura e ficou em 51° entre 65 países, segundo pesquisa.País ficou em 55º lugar em matemática e em 52º em ciências

O jornal avalia que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ensaiou algumas ações, “reais, embora tardias e insuficientes”. Exemplo disso é o orçamento da saúde, que “tem crescido, mas permanece muito longe, em termos per capita, dos níveis do Chile ou a Argentina”, lista o artigo.

“O Brasil tomou consciência do seu calcanhar de Aquiles diante de uma dupla urgência, econômica e social. De um lado, seu forte crescimento obriga à formação da mão-de-obra qualificada que lhe falta, sob pena de perder competitividade. De outro, uma classe média em plena ascensão reivindica seu direito ao conhecimento, chave de um futuro melhor”, avalia o vespertino francês.

“Esta dupla necessidade deveria incitar a presidente eleita, Dilma Rousseff, a prolongar o ciclo virtuoso que mal começou a ser esboçado sob o governo de seu predecessor.”

Fonte: BBC Brasil

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Conflitos Geopolítica

Reconhecimento do Estado palestino gera especulações sobre interesse brasileiro

Para alguns especialistas, posição brasileira não muda nada. Outros veem interesse do Brasil em se firmar como líder internacional independente dos EUA. Há quem sustente que o país queira vender armamento aos palestinos.

Agosto de 2011 é o prazo que os líderes palestinos fixaram como limite para criar suas instituições oficiais e requerer às Nações Unidas o reconhecimento da Palestina como Estado livre e independente, caso as negociações de paz com o governo israelense fracassem completamente.

Há meses a Autoridade Nacional Palestina (ANP) sonha em receber o aval da ONU e assim obter respaldo legal para declarar como palestinos os territórios da Cisjordânia, da Faixa de Gaza – atualmente governada pela organização radical islâmica Hamas – e de Jerusalém Oriental, zona ocupada por Israel em 1967 e anexada ao seu território posteriormente. Apoio moral é o que não falta à ANP.

A Argentina seguiu os passos do Brasil e se juntou, nesta segunda-feira (06/12), a mais de cem países que já reconheceram o Estado palestino. No último 4 de dezembro, o presidente da ANP, Mahmud Abbas, agradeceu a Lula o reconhecimento do Estado palestino, que deverá incluir os territórios ocupados entre 5 e 10 de junho de 1967, durante a guerra dos Seis Dias.

O governo israelense condenou, nesta terça-feira, a decisão de Brasília e de Buenos Aires, alegando que uma solução definitiva do conflito entre israelenses e palestinos – inclusive a instauração de um Estado palestino – só poderia ser fruto de um acordo satisfatório para ambas as partes.

Impacto

“Eles estão destruindo as bases do processo de paz”, disse o porta-voz do Ministério israelense das Relações Exteriores, Yigal Palmor, salientando que os anúncios da Argentina e do Brasil não alteram em nada a situação territorial e não promovem a conciliação entre as partes no conflito.

Jorge Gordin, pesquisador do Instituto Alemão para Estudos Globais e Regionais (Giga), tem uma opinião semelhante. “É normal que Israel encare isso como um assunto de vida ou morte, mas não acredito que as posturas da Argentina e do Brasil venham a ter consequências. Se é que isso terá algum efeito, será mais negativo do que positivo, podendo tornar Israel e Estados Unidos ainda mais intransigentes do que são nesse assunto.”

O congressista norte-americano Eliot Engel, presidente do subcomitê para o Hemisfério Ocidental da Câmara dos Representantes, criticou o reconhecimento do Estado palestino pelo Brasil. Para Engel, essa não é a maneira de “se obter respaldo como poder emergente ou de se transformar em membro permanente do Conselho de Segurança da ONU”. Na visão do político democrata, a posição brasileira em relação ao presidente iraniano, Mahmud Ahmadinejad, revela uma “imagem muito obscura” do Brasil.

Já Wolfgang Hein, pesquisador do Giga e – juntamente com Oz Aruch – coautor da análise A política da América Latina para o Oriente Médio: entre Israel e Irã, vê a situação de outra perspectiva.

América Latina e Oriente Médio

“A importância que o Brasil dá às suas relações comerciais com os Estados árabes, incluindo o Irã, não deve ser vista como um empecilho nas trocas econômicas com Israel. A maioria dos países europeus tem boas relações econômicas tanto com Israel como com os Estados árabes”, diz Hein.

Ainda segundo Wolfgang Hein, as relações exteriores das nações da América Latina são muito heterogêneas: assim como Chile, Colômbia e México se alinharam com a política norte-americana para o Oriente Médio, nações como Venezuela, Cuba, Bolívia, Nicarágua e Equador cooperam estreitamente com o Irã e fazem frente a Israel. Argentina e Brasil, por sua vez, defendem seus próprios interesses e cultivam relações harmoniosas com ambos.

Jorge Gordin ressalta que ainda é muito cedo para esclarecer todas as razões do reconhecimento do Estado palestino por parte do Brasil e da Argentina neste momento. Por um lado, os anúncios de Lula e da presidente argentina, Cristina Kirchner, aconteceram apenas alguns dias depois que Abbas lhes havia pedido apoio e alguns meses depois da visita do líder árabe. Por outro, a rápida ascensão do Brasil como economia emergente consolidou sua posição como ator político global e exacerbou o interesse de seu governo em articular uma política exterior própria.

Ego brasileiro

“Mais uma vez, só posso descrever cenários possíveis neste momento. Mas Israel possivelmente acha que a Argentina só quer ficar bem com o Brasil, enquanto o Brasil – sim – teria verdadeiros motivos estratégicos para reconhecer o Estado palestino.

Afinal, o governo brasileiro quer assumir uma postura diferente e independente da dos Estados Unidos na política internacional, aponta Godin. Há poucos meses, Lula se apresentou a si mesmo como ‘a ponte entre o Irã e o Ocidente’.

Mas será que o Brasil só quer mesmo massagear o próprio ego como “global player”? Será que também não teria chance de participar do processo de reconstrução da Palestina?

Para Hein , “isso pode ser de interesse do Brasil e dos outros países do Mercosul.” Outro indício é o fato de o presidente do Uruguai, José Mujica, ter aderido e reconhecido o Estado de Israel junto com o Brasil e a Argentina.

“Mas levando-se em consideração o fato de a União Europeia e até os Estados Unidos estarem comprometidos com esse processo há anos, haveria apenas um pequeno lugar a ser ocupado. Em comparação com as possibilidades de comércio e troca econômica que oferecem os Estados árabes, as que ofereceriam a Palestina como Estado independente não seriam especialmente atraentes”, conclui o pesquisador.

Tudo como antes

“Eu diria que, mais do que na reconstrução, o Brasil estaria interessado em vender armamento aos palestinos. O Brasil é um dos grandes exportadores mundiais de armas de médio calibre”, arrisca Gordin, deixando no ar a impressão de que, num conflito tão complexo como o que envolve Israel e Palestina, não existem mediadores inocentes nem mostras de solidariedade altruístas.

Em todo o caso, as repercussões do apoio dado pela Argentina e pelo Brasil à causa palestina ainda estão por vir. “Estaríamos diante de um grande marco se, nos próximos dois meses, outros países decidissem reconhecer o Estado palestino; e se fossem potências europeias, a situação se complicaria ainda mais para os Estados Unidos”, especula Gordin.

Hein não concorda com seu colega: “Essas mostras de apoio podem fortalecer um pouco a posição dos palestinos em suas negociações com Israel, mas, mesmo que a Palestina seja reconhecida como Estado independente, sua situação não mudaria muito de um dia para outro.

Diante da proporção das disputas entre israelenses e palestinos, não somente no que diz respeito a território, os Estados Unidos e Europa deverão continuar servindo de mediadores, bem como diversos outros países, como Índia e Paquistão. Os problemas no Oriente Médio prometem se manter os mesmos, com a diferença de que a ANP poderia se sentar à mesa de negociações como representante de um Estado internacionalmente reconhecido.”

Autor: Evan Romero-Castillo / dpa / rts (np)
Revisão: Simone Lopes

Fonte:  DW -WORLD.DE

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Defesa Sistemas de Armas

MBDA entrega 600º míssil TAURUS KEPD 350 para a Luftwaffe

A TAURUS System GmbH, joint venture formada pela LFK-Lenkflugkörpersysteme GmbH (MBDA Deutschland) e  Saab Bofors Systems, entregou o 600º míssil ar-superfície TAURUS KEPD 350 para o Escritório Federal Alemão de Tecnologia e Aquisições para Defesa (BWB). Essa entrega marcou o final bem sucedido de produção dessa primeira série.

Segundo Werner Kaltenegger, diretor da MBDA da Alemanha, essa encomenda do TAURUS foi de grande importância para a subsidiária do grupo europeu pois contribuiu de maneira importante para o crescimento da mesma. Helmut Hederer, diretor da TAURUS Systems GmbH, disse que esta otimista com relação às possibilidades de comercialização do TAURUS KEPD 350 no mercado internacional.

O brigadeiro-general Hermann Muntz, assistente-chefe do Comando de Sistemas de Armas da Força Aérea da Alemanha (Luftwaffe) e oficial da área de contratação mais graduado da Força, disse que a Força conta agora com um dos mais avançados e eficazes mísseis ar-superfície para serem lançados contra alvos fortificados a partir de uma distância segura com a finalidade de se evitar exposição da aeronave lançadora às defesas antiaéreas inimigas.

O TAURUS é considerado um dos mísseis ar-superfície guiados de longo alcance mais modernos da atualidade. Graças ao seu sistema de navegação Tri-Tec, ou seja, composto por um sistema de navegação híbrido GPS/ INS (inercial), um radar altímetro e um buscador por imagens IR (infra-vermelhas), o míssil possui elevada precisão de ataque. Para que o alvo seja atingido com eficiência, ele foi dotado com uma ogiva em tandem MEPHISTO (provida de sensor de proximidade, carga explosiva moldada, ogiva de elevada capacidade de penetração e detonador PIMPF inteligente. Esse vetor de ataque foi projetado para ser lançado contra uma variada gama de alvos, incluindo fortificações (bunkers), mesmo aquelas construídas em profundidade, permitindo a neutralização de objetivos pontuais de alto valor tático com reduzidos danos colaterais e riscos para aeronaves e tripulações que os lançam. O alcance efetivo do TAURUs é da ordem de 500 km.

A Luftwaffe está integrando seus TAURUS KEPD 350 nos aviões de combate Tornado IDS. Melhorias futuras no míssil poderão ser feitas, notadamente nos sistemas de controle de voo, capacitação para operações antinavio, possibilidade de integração do míssil em um ambiente tático de operações em rede  e integração nos aviões de combate Eurofighter Typhoon.

Além do fornecimento desses 600 mísseis, o contrato avaliado em € 570 milhões, assinado em 2002 com o BWB, prevê o fornecimento de elementos de logística tais como conjuntos de peças sobressalentes e equipamentos de monitoramento do hardware e software dessa arma.

Fonte:  Tecnologia & Defesa

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Geopolítica

Otan reitera que não considera Rússia um adversário

Secretário Geral da OTAN, Anders Fogh Rasmussen e o Presidente a Rússia Dmitri Medvedev

EFE  —  A Otan reiterou nesta quarta-feira, durante uma discussão sobre o vazamento de documentos a respeito dos planos aliados no caso de um ataque russo aos países bálticos, que não considera a Rússia um adversário. A questão “foi colocada e discutida” durante uma reunião do Conselho OTAN-Rússia em nível de embaixadores, segundo a porta-voz da Aliança Atlântica, Oana Lungescu.

A Otan deixou clara sua posição de que “não considera, em absoluto, a Rússia um adversário”, tal como estabelece o novo conceito estratégico da organização, acrescentou.

No entanto, a discussão desta quarta-feira não entrou em detalhes, já que a posição da Otan é de nunca discutir em público seus planos militares ou possíveis documentos confidenciais.

A reunião ficou centrada na potencialização da cooperação conjunta entre Otan e Rússia após a cúpula realizada em Lisboa no dia 21 de novembro.

Alguns dos documentos confidenciais entre embaixadas dos EUA e o Departamento de Estado divulgados pelo Wikileaks nos últimos dias se referem a supostos planos da Otan para defender Polônia, Estônia, Letônia e Lituânia no caso de um hipotético ataque russo.

“Nove divisões foram identificadas para operações de combate no caso de uma eventual agressão contra a Polônia ou algum dos três países bálticos”, diz um documento de final de 2009 da missão dos EUA na Otan.

Os crescentes temores ocorreram pela recente guerra, de agosto de 2008, entre Rússia e Geórgia, e um suposto ciberataque contra a Estônia realizado de território russo em 2007.

Segundo os documentos, vários portos alemães e do norte da Polônia foram preparados para a recepção de forças de combate e navios de guerra procedentes de Reino Unido e Estados Unidos.

Fonte: TERRA

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Fotos do Dia História Sugestão de Leitura

Desafiando o Rio-mar: descendo o Solimões

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Aquisição do livro

Caros amigos, o primeiro livro da série “Desafiando o Rio-mar: descendo o Solimões” poderá ser adquirido através de minha conta bancária. Os interessados deverão, além do depósito bancário, enviar seu endereço por e-mail (para rosangelamvs@bol.com.br) e data do depósito, confirmando-o para que possamos agilizar a entrega. Minha amiga Rosângela se encarregará da remessa já que em breve estarei no Amazonas partindo para a 3ª etapa do Projeto. Como alguns depósitos (de outros bancos) não trazem o nome do correntista é interessante adicionar alguns centavos para facilitar a identificação do correntista.

O preço de cada exemplar, incluindo as despesas de correio, é de R$ 50,00 e o depósito deverá ser feito na conta bancária de:

Hiram Reis e Silva

Banco do Brasil (001)

Agência: 4848-8

Conta Corrente: 117 889 – X

CPF: 415 408 917 04

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Nota do Editor

Como é de conhecimento de todos o Cel Hiram Reis é um velho colaborador e amigo do Plano Brasil onde possui a coluna Amazônia nossa Selva, durante anguns anos o nosso ilustre colaborador retratou ali a sua epopéia pelo interior do Amazonas, relatando a sua viagem e princinpais acontecimentos.

O Plano Brasil apoia a sua iniciativa e o parabeniza pelo feito.

Sugerimos aqueles que estejam interessados em colaborar com o Cel. Hiram ou que estejam interessados em conhecer suas histórias e sua viagem pelo interior do nosso “rio mar” que adiquiram o seu mais recente livro Desafiando o Rio-mar: descendo o Solimões”.

Esclarecemos que todos os recursos financeiros são de exclusividade do autor, o Plano Brasil e seus integrantes nada recebem por estas sugestões, para nós é um grande orgulho e prazer poder apoiar e incentivar este importantíssimo projeto, que tem nosso total apoio.

Parabéns Cel. Hiram e sucesso, aguardamos sua nova epopéia.

E.M.Pinto

Plano Brasil

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Sistemas de Armas Tecnologia

Novo sistema aéreo anti-minas da Northrop Grumman demonstra capacidades contra IEDs

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Um novo ssistema eletroóptico laser embarcado desenvolvido nos Estados Unidos para detectar campos minados está demonstrando particular habilidade para encontrar dispositivos explosivos improvisados (IED – sigla em inglês). Trata-se do ASTAMIDS (Airborne Surveillance, Target Acquisition and Minefield Detection System) da Northrop Grumman, que demonstrou boas capacidades durante avaliações conduzidas pelo Exército dos país. Para esses testes foi utilizada a plataforma aérea não tripulada de asas rotativas MQ-8B Fire Scout, desenvolvida pela própria Northrop Grumman.

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O ASTAMIDS combina um conjunto de sensores eletroópticos de alta-resolução, multi-espectrais, que emprega diferentes métodos de sensoriamento, incluindo análise de texturas e detecção de mudanças fisicas no terreno rastreado com a finalidade de localizar objetos suspeitos recentemente introduzidos nesses locais, como minas ou IEDs.

É oportuno salientar que os IEDs tornaram–se uma ameaça de proporções preocupantes, notadamente no Afeganistão. A variedade de tipos e efeitos tornou imperativa a necessidade de combatê-la e encontrar meios de controlar sua proliferação.

O ASTAMIDS pesa 36 kg. Funcionando integrado com o AGES (ASTAMIDS Ground Exploitation Station), esse sistema detecta, localiza e identifica alvos de superfície, determinando as distâncias que estes últimos encontram-se e assinalando-os para combatê-los com armas guiadas a laser. Durante os ensaios de avaliação, o Exército designou com sucesso três alvos usando o ASTAMIDS, disparando contra eles mísseis ar-superfície Hellfire.

Em setembro passado, o US Army conduziu uma nova série de ensaios com o sistema, voando 12 missões diurnas e noturnas usando helicópteros tripulados Bell UH-1 e não tripulados MQ-8B. Esses voos avaliaram as capacidades C-IED (Counter-IED) nadir step stareoff-nadir road following (varredura fora do ângulo de visada vertical), bem como de mapeamento de precisão.

Fonte: Tecnologia&Defesa

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Defesa Fotos do Dia Negócios e serviços Sistemas de Armas

A Rússia vai vender aviões Su-35 Flanker E à China

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O Su-35 Flanker E é propulsado por dois motores 117S com impulso vetorial, combinando assim elevada manobrabilidade com a capacidade para atacar vários alvos ao mesmo tempo. O modelo deverá começar a ser fabricado a partir de finais de 2011 e a China deverá receber os seus primeiros aparelhos entre 2011 e 2015. No total, e segundo algumas fontes, a China poderá adquirir entre 40 a 50 aviões deste modelo.

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Apesar de se tratar do último modelo do Su-35, a Rússia vai vender uma “versão de exportação” o que na linguagem russa significa uma versão com menos capacidades que a versão original. Curiosamente, esta foi a versão proposta ao Brasil (no âmbito do programa F-X2) e entretanto afastada.

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Esta decisão inédita pode ter sido potenciada pela patente necessidade chinesa por várias centenas de aviões de combate modernos e pela necessidade russa de manter a China como um dos seus principais clientes.

Fonte: SpacewarVia Quintus

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Defesa Vídeo

Novo Vídeo do AH -02 Sabre

MIL MI-35M HIND II(AH-2 SABRE):COMEÇA UMA NOVA ERA NA FORÇA AÉREA BRASILEIRA

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Em recente visita do presidente da Federação da Rússia Dmitri Medvedev ao Brasil, foi revelado que o governo brasileiro tinha assinado um contrato de aquisição de 12 unidades do helicóptero de assalto Mil Mi-35M Hind, uma versão avançada de exportação do famoso helicóptero de combate Mil Mi-24 Hind. Era a confIrmação de uma suspeita que já circulava entre os interessados em defesa a algum tempo. Desde esse anuncio, tenho recebido inúmeros pedidos de leitores de que escrevesse um artigo sobre esse verdadeiro tanque de guerra voador. Sendo assim, atendendo a pedidos, vou descrever o protagonista dessa interessante novidade para nossa força aérea, o Mil Mi-35M.

O Mil Mi-35M2 usado pela Venezuela é similar ao modelo adquirido pelo Brasil, porém, a FAB solicitou que alguns dos avionicos fossem substituídos por similares de origem israelense.
O helicóptero Mi-35M é fabricado pela famosa fabricante russa de helicópteros Mil e deriva de um de seus produtos mais famosos o Mi-24 Hind. Na verdade o Mi-35M é a versão de exportação do modelo Mi-24V Hind E, um dos mais modernos Mi-24. O grande diferencial que faz do Mi-35 e toda a família Hind ser única é a capacidade de transportar 8 soldados totalmente equipados, além do forte armamento de ataque, que caracteriza helicópteros de ataque. Por isso o Mi-35 não pode ser considerado um helicóptero de ataque especializado uma vez que sua missão é mais ampla, cabendo assim, a classificação de helicóptero de assalto. O seu tamanho descomunal e seu desenho agressivo o fazem um dos helicópteros mais impressionantes já construídos, sendo chamado com frequência de “tanque voador”.

Deste ângulo pode-se ver o novo rotor de cauda em formato de “X” similar ao usado no helicóptero de ataque Mi-28 Havoc.

Leia mais na fonte em http://gustavoadolfo.flogbrasil.terra.com.br/

Fonte: Gustavoadolfo

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Conflitos Fotos do Dia Inteligência

Austrália diz que dará apoio legal a fundador do WikiLeaks

http://i.telegraph.co.uk/telegraph/multimedia/archive/01380/kevinRudd_1380188c.jpgO ministro das Relações Exteriores da Austrália, o ex-primeiro-ministro Kevin Rudd, afirmou nesta quarta-feira que seu país dará ao fundador do WikiLeaks, Julian Assange, o mesmo apoio legal que daria a qualquer cidadão australiano com problemas na Justiça de outro país.

Assange foi preso na terça-feira na Grã-Bretanha após se apresentar à Justiça e deve enfrentar um processo de extradição para a Suécia, onde é acusado por crimes sexuais contra duas mulheres.

Assange e o site WikiLeaks vêm sofrendo uma forte pressão internacional, principalmente por parte dos Estados Unidos, desde que começaram a divulgar um pacote de mais de 250 mil comunicações diplomáticas secretas americanas, na semana passada.

Kevin Rudd afirmou à agência de notícias Reuters que Assange não “é pessoalmente responsável” pela divulgação dos documentos. “Os americanos são responsáveis por isso”, afirmou.

“Acho que há questões importantes a serem feitas sobre a adequação dos sistemas de segurança (dos Estados Unidos), e o nível de acesso que as pessoas têm a esse material”, disse.

“A responsabilidade principal, e portanto responsabilidade legal, está com os indivíduos responsáveis por esse vazamento inicial”, afirmou.

Em outra entrevista, à rádio australiana ABC, Rudd disse que somente a Justiça poderá dizer se Assange é culpado de algo.

“Ele está certo em ter a expectativa e a presunção de inocência em relação às questões pelas quais foi levado à Justiça na Grã-Bretanha, e deveria obter todo o apoio que normalmente daríamos a qualquer outro australiano nas circunstâncias de comparecer em juízo diante das autoridades legais de qualquer outro país”, afirmou.

Artigo

Assange vem criticando a posição da Austrália desde o início da divulgação dos documentos. Em um artigo publicado nesta quarta-feira pelo jornal The Australian, ele acusou o governo australiano de “se vender vergonhosamente” aos Estados Unidos e de colocar seus serviços à disposição do governo americano.

“O procurador-geral da Austrália está fazendo tudo o que pode para ajudar uma investigação americana com o objetivo claro de atingir cidadãos australianos e extraditá-los aos Estados Unidos”, disse.

No artigo, intitulado “Não mate o mensageiro por revelar verdades desagradáveis”, ele afirma ainda: “As sociedades democráticas precisam de uma mídia forte, e o WikiLeaks é parte dessa mídia. A mídia ajuda a manter o governo honesto”.

A primeira-ministra australiana, Julia Gillard, que tomou o posto de Rudd em junho, havia classificado anteriormente a divulgação dos documentos secretos americanos por Assange como “altamente irresponsável”.

O governo americano também classificou a divulgação de “irresponsável” e disse que ela é “um ataque contra a comunidade internacional”.

Os Estados Unidos iniciaram uma investigação criminal sobre o caso e prometeram punir os responsáveis pelos vazamentos ilegais dos documentos.

Ninguém foi indiciado pelo vazamento até agora, mas as suspeitas caíram sobre o analista de inteligência do Exército americano Bradley Manning, que já havia sido preso em junho passado sob acusação de entregar dados confidenciais ao WikiLeaks.

O ministro das Relações Exteriores da Suécia, Carl Bildt, disse que não recebeu contatos das autoridades americanas sobre uma possível extradição de Assange da Suécia para os Estados Unidos.

O advogado de Assange, Mark Stephens, afirmou que as acusações contra seu cliente na Suécia são “politicamente motivadas”.

Fonte: BBC Brasil

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Negócios e serviços Tecnologia

J-11: China clona e começa a exportar caças russos

Um dos caças J-11B chinês, cópia do Sukhoi Su-27 Flanker da Rússia.

Um ano depois do colapso da União Soviética, o Kremlin, com os cofres vazios, começou a vender à China uma parte de seu vasto arsenal, incluindo o orgulho da Força Aérea Russa, o caça Sukhoi Su-27.

Durante os 15 anos seguintes, a Rússia se tornou o maior fornecedor de armas para a China, vendendo entre US$ 20 bilhões e US$ 30 bilhões em caças, destróieres, submarinos, tanques e mísseis. O país vendeu a Pequim até a licença para fabricar o caça Su-27 — com peças importadas da Rússia, é claro.

Mas agora a festa de vendas militares russas acabou e a da China está apenas começando.

Depois de décadas importando e fazendo engenharia reversa dos equipamentos bélicos da Rússia, a China atingiu um estágio crucial: agora ela pode fabricar muitas de suas próprias armas avançadas — como caças de última geração ao estilo do Su-27 — e está prestes a construir um porta-aviões.

Não apenas os engenheiros chineses conseguiram clonar os valiosos sistemas eletrônicos e de radar do Su-27, como estão equipando o caça com a última peça desse quebra-cabeça tecnológico: uma turbina a jato de fabricação própria.

Nos últimos dois anos, Pequim não realizou grandes compras bélicas de Moscou.

E agora a China começa a exportar boa parte desses armamentos, roubando mercado da Rússia no mundo em desenvolvimento e talvez até alterando o equilíbrio militar de vários locais de conflito no mundo.

Essa reviravolta histórica ficou palpável no pavilhão russo da feira de aviação Airshow China, realizada em novembro nesta cidade no sul do país. A Rússia costumava ser a estrela do evento, impressionando os visitantes com seu time de acrobacias aéreas “Cavaleiros Russos”, exibindo caças, helicópteros e aviões de carga, e fechando vendas bilionárias nos bastidores do evento.

Este ano, o país não exibiu um único avião de verdade — só um punhado de miniaturas plásticas, cercadas por meia dúzias de vendedores entediados.

A China, por outro lado, fez sua maior exibição comercial de tecnologia militar — quase toda baseada no know-how russo.

As estrelas do evento foram os “Sherdils”, um time paquistanês de acrobacia aérea que usa caças de origem russa mas que agora são fabricados no Paquistão e na China.

“Antes, éramos os sócios maiores nesse relacionamento — agora somos os menores”, disse Ruslan Pukhov, integrante do Conselho de Consultas Públicas do Ministério da Defesa da Rússia, um grupo de civis que assessora os militares do país.

O problema enfrentado pela Rússia espelha o de muitas empresas estrangeiras no momento em que a China começa a concorrer nos mercados mundiais com trens avançados, equipamentos de geração elétrica e outros produtos para o mercado civil baseados em tecnologia obtida dos países ricos.

Mas neste caso há um problema adicional relacionado à segurança: a China está desenvolvendo sistemas avançados, como porta-aviões e caças navais, que podem ameaçar Taiwan e confrontar o domínio americano do Pacífico.

As exportações chinesas de caças e outras armas avançadas também ameaçam alterar o equilíbrio bélico no sul da Ásia, no Sudão e no Irã.

Caça Shenyang J-11B da Força Aérea da China.

O poderio militar chinês ainda é bem menor que o dos Estados Unidos, de longe o maior fabricante e exportador bélico do mundo. A China obteve apenas 2% das vendas mundiais de armamentos entre 2005 e 2009, o que faz dela a nona maior exportadora, segundo o Instituto Internacional de Pesquisas sobre a Paz de Estocolmo.

Mas nenhum outro país asiático tentou projetar poderio militar — e conta com capacidade própria para isso — desde a derrota do Japão em 1945.

O rápido domínio chinês das tecnologias russas motiva questionamentos sobre a cooperação americana com a face civil dos fabricantes chineses de armamentos.

A Corporação da Indústria de Aviação, ou Avic, a fabricante estatal de aviões da China, é que faz os caças do país, por exemplo. Mas ela também está desenvolvendo um jato de passageiros com ajuda da General Electric Co. e outros fabricantes americanos de produtos aeroespaciais. Um representante da GE disse que a empresa se associou há décadas a fabricantes estrangeiros de turbinas, “sempre com mecanismos elaborados de proteção” que preservaram as patentes da empresa.

A evolução chinesa também tem consequências para os programas americanos de armamento. O Pentágono decidiu cortar os recursos para o F-22, atualmente o caça mais avançado em uso no mundo, em parte porque a China só deve ter aviões parecidos daqui a 15 anos, pelo menos.

Mas o general He Weirong, vice-comandante da Força Aérea da China, anunciou que a versão chinesa do jato estava prestes a passar pela fase de testes de voos e poderá entrar em uso em “oito ou dez anos”.

A Agência de Inteligência de Defesa dos EUA agora afirma que vai levar “cerca de dez anos” para a China conseguir mobilizar os chamados caças “invisíveis” a um “número substancial”.

Para Moscou e Pequim, enquanto isso, disputas sobre a patente de caças como esses estão dificultando os esforços dos dois países para superar uma rivalidade histórica e criar uma nova era de relações amigáveis.

“Não prestamos atenção suficiente a nossas patentes no passado”, disse uma autoridade russa da defesa. “Agora a China é que está concorrendo conosco no mercado internacional.”

Poucas coisas ilustram com mais clareza essa questão como o J-11B, o caça chinês que as autoridades russas alegam ser uma cópia direta do Su-27, caça de um tripulante desenvolvido pelos soviéticos nos anos 70 e 80 para enfrentar os americanos F-15 e F-16.

Antes do início dos anos 90, Moscou não fechava um acordo bélico de grande porte com Pequim desde o racha ideológico dos países em 1956, motivo de breves combates fronteiriços em 1969.

Mas depois do colapso da União Soviética, o Kremlim ficou desesperado para obter recursos. Em 1992, a China se tornou o primeiro país fora da ex-União Soviética a comprar o Su-27, pagando US$ 1 bilhão por 24 unidades.

O acordo foi uma jogada de mestre da China, que mudara o foco de seus militares de uma possível invasão soviética por terra e passara a buscar defender áreas que considera seu território, como Taiwan e partes do Mar da China Meridional e do Mar do Leste da China.

As tentativas chinesas de modernizar sua Marinha e Força Aérea foram atrapalhadas pelos embargos de armas impostos pelos EUA e a União Europeia depois da repressão aos protestos na Praça da Paz Celestial, em 1989.

O programa de modernização militar da China ganhou urgência quando os líderes chineses ficaram chocados com a exibição de poderio americano durante a Guerra do Golfo, disseram militares de países ocidentais.

A grande virada de Pequim ocorreu em 1996, quando ela pagou US$ 2,5 bilhões à Rússia para licenciar e montar mais 200 caças Su-27 na Senyang Aircraft Company.

O acordo estipulava que o avião — a ser chamado J-11 — contaria com sistemas eletrônicos, radar e turbinas da Rússia e não poderia ser exportado.

Mas depois de construir 105 aeronaves, a China cancelou repentinamente o contrato em 2004, alegando que o avião não atendia mais às suas exigências, segundo autoridades russas e especialistas em defesa.

Três anos depois, os temores russos se confirmaram quando a televisão estatal da China apresentou uma versão própria do jato de caça — o J-11B.

“Quando a licença foi vendida, todo mundo sabia que eles fariam isso. Era só um risco que foi aceito”, disse Vassily Kashin, um especialista russo em questões militares da China. “Na época foi uma questão de sobrevivência.”

O J-11B era praticamente idêntico ao Su-27, embora a China afirme que ele tem 90% de tecnologia local e recebeu sistemas de radar e eletrônicos chineses que são mais avançados que os originais. Só a turbina ainda é russa, afirmou a China.

Agora, a China também começou a instalar uma turbina própria, segundo Xhang Xinguo, vice-presidente da Avic, dona da Shenyang Aicraft.

“Não dá para dizer que é só uma cópia”, disse ele. “Todos os celulares são parecidos. Mas a tecnologia está evoluindo rapidamente. Mesmo que o aspecto seja o mesmo, nem tudo o que está dentro pode ser o mesmo.”

O J-11B forçou a Rússia a tomar uma decisão difícil: continuar vendendo armas à China e se arriscar a também perdê-las para a imitação chinesa, ou ficar fora de um mercado ainda lucrativo.

A reação inicial da Rússia foi suspender as negociações para vender à China o Su-33, um caça com asas dobráveis que pode ser usado em porta-aviões.

Mas, desde então, o país reabriu as negociações com a China sobre o Su-33, embora tenha rejeitado a oferta chinesa para comprar apenas dois aviões, insistindo num pedido mais volumoso.

A posição oficial da Sukhoi Aviation Holding Co. agora é que ela continua apostando em seus negócios na China.

De fato, muitos especialistas em aviação acreditam que a Avic tem enfrentado problemas para desenvolver uma turbina nacional para o J-11B com o mesmo empuxo e durabilidade que o produto original da Rússia.

A Sukhoi está apostando que a China vai ter de comprar o Su-33 sob as condições russas, já que será difícil para Pequim desenvolver um caça naval próprio a tempo de equipar seus primeiros porta-aviões, previstos para entrar em operação em 2011 ou 2012.

A empresa também espera vender à China o Su-35 — uma versão mais avançada do Su-27 — se o J-11B não se desempenhar bem o bastante.

“Só esperamos que nosso avião seja melhor”, disse Sergey Sergeev, vice-diretor geral da Sukhoi. “Uma coisa é fazer uma cópia de qualidade de uma colher, mas fazer uma de um avião é outra história.”

Nota do  Editor.

A china detém a licença para produção e ecomercialização do J-11.

E.M.Pinto

Fonte: Wall Street Journal – Jeremy Page – Via: CAVOK via Hangar do Vinna