Defesa & Geopolítica

Esta União Européia não tem futuro

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Expressões como “ideal europeu” e “sonho europeu” soam como piadas

Bruxelas – A União Européia já encontra-se em plena confusão e desordem. A crise financeira dos bancos transformou-se em crise fiscal dos Estados que os salvaram e, em continuação, os repugnantes gerenciamentos do enfrentamento da crise fiscal provocaram uma mais profunda crise política, a qual ameaça não deixar pedra sobre pedra no sofredor Velho Continente. Somente como piada de mau gosto ouve-se hoje o “ideal europeu”.

Os empoados governos europeus transformaram-se em “especuladores” que “arrancam o couro” de seus súditos para reunirem os recursos que dão de presente aos bancos. Hoje, cada um dos 27 países-membros da União Européia (UE) preocupa-se somente como poderá viver bem à custa dos demais, indiferente com as consequências econômicas e políticas da linha de dissolução.

Frugalidade para todos os povos europeus, abolição das conquistas sociais, perda da autodeterminação nacional dos países da UE sob o peso de insuportável dívida pública – esta é hoje a realidade européia.

Como alguém hoje poderá falar em “sonho europeu” sem parecer ridículo? É possível alguém caracterizar “sonho europeu” os novos cortes de salários, aposentadorias e pensões dos europeus que anunciou o denominado pelos povos europeus “verdadeiro primeiro-ministro”, o diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Khan, com disposição cômicotrágica?

Por acaso é “sonho europeu” a “falência ordenada” dos Estados-membros da UE que prepara-se para aprovar durante a Conferência de Cúpula dos países-membros da UE que inicia-se nesta quinta, aqui, em Bruxelas, a chanceler da Alemanha, Angela Merkel?

A abolição do direito de voto de todos os países que registrem elevado déficit de orçamento que tentou impor o governo de Berlim? É possível em tempo algum acontecerem fatos assim que emocionam os cidadãos da Europa e os impelem para exigir maior, mais forte e, mais estreita unificação européia sobre esta base? Sequer pensar, naturalmente.

Viva aos “mercados”

Não existe mais ninguém na Europa apoiando publica e seriamente (não quer dizer os atuais empoados líderes políticos, os quais mentem descaradamente e sem vergonha alguma e os quais não acreditam em sequer uma palavra de tudo que dizem) que a UE e a Zona do Euro continuarão existindo com a feição e os princípios que as definem hoje.

Todos falam em expulsões de Estados-membros, em bloqueios de países, em linhas-duras dos novos agrupamentos europeus, os quais, em essência, constituirão campos opositores, a exemplo daqueles que, durante séculos, caracterizaram a poli-ensanguentada história européia.

Os atuais empoados líderes da Europa – todos eles, sem exceção, com altura de nanicos políticos – extasiam-se louvando as “virtudes” da disciplina fiscal. Enlevando com hinos os “mercados” – isto é – os inescrupulosos usurários especuladores do sistema financeiro.

Somente da boca de políticos do passado, já de respeitável idade, poderá alguém ouvir alguma verdade como, por exemplo, os banqueiros alemães e instituições como o Banco Central da Alemanha (Bundesbank), que repete as mesmas palavras já há 30 anos.

“Para funcionar a Zona do Euro, o espírito de colaboração deverá estar à mesma altura daquele do antagonismo pela fé em uma Europa unificada dentro de sua diversidade”, destacou o jornal francês Le Monde. Palavras que nenhum empoado líder político europeu hoje não acredita e sequer quer ouvir.

Recusa-se – de pirraça – o Governo da Alemanha a concordar com a emissão de eurodebêntures, o endividamento direto dos países pelo BCE. Insiste na aplicação de penalidades contra os Estados-membros que cometem “pecados” fiscais, mesmo que estas tenham consequências liquidantes para o nível de vida dos povos correspondentes e consequências dissolventes para a edificação européia.

A falta de sorte é que os europeus não enfrentam apenas um “desvio” na evolução da complementação européia, mas, com a evolução da própria UE de 2010 e não outra. Naturalmente, nunca a história será um caminho sem retorno. Se, contudo, alguém estiver sonhando a evolução da UE a algo diferente, deve ter também a correlação de forças para fazê-lo.

Mary Stassinákis

Sucursal da União Européia.

Banco Central Europeu adverte e Merkel exclui

Bruxelas – Os membros do Conselho Diretor do Banco Central Europeu (BCE), denominados os “cardeais”, convocam os governos dos 27 países-membros da União Européia (UE) para assumirem suas responsabilidades, em vista da Reunião de Cúpula que inicia-se nesta quinta-feira, aqui, em Bruxelas. E como advertem os presidentes dos bancos centrais dos 27 países-membros da UE, seus respectivos governos não deverão esperar que o BCE solucione sozinho a crise.

Para se evitar a disseminação da crise após a salvação da Irlanda, conforme avaliam vários “figurões” do mercado, os empoados líderes europeus precisarão enviar uma mensagem mais forte aos mercados, tanto hoje, quanto amanhã, quando a Reunião de Cúpula será encerrada.

Por enquanto, as pressões sobre os bônus de países com elevado déficit, como Portugal e Espanha, aparentemente recuaram por causa da iniciativa do BCE adquirindo títulos estatais dos dois países.

Gertrude Tumpel-Gugerell, uma dos “cardeais” do BCE, em seu artigo publicado na revista Format, da Áustria, disse que “o programa de aquisição de bônus pelo BCE foi bem sucedido, porque deu tempo aos países para se prepararem e decidirem as medidas fiscais a serem adotadas”.

“Não permitirei…”

Simultaneamente, o presidente do Banco Central da Itália, um dos “cardeais” do BCE, Mario Draghi, declarou ao jornal Financial Times que “a responsabilidade pelo enfrentamento da crise é finalmente dos governos dos países da Zona do Euro, e o BCE não pode fazer mais nada”. E acrescentou: “Estou muito bem a par de que podemos facilmente passar da linha e perder tudo, perder nossa independência e, basicamente, solaparmos a Convenção da UE.”

A chanceler alemã, Angela Merkel, repetiu, antes de seu encontro com o presidente da França, Nicolas Sarkozy, que “neste momento não está em discussão o tema de aumento dos recursos do mecanismo existente de salvação e a emissão de eurodebênture comum não servirá para nada”.

“Para a Irlanda foi utilizado menos de 10% dos recursos do Mecanismo Europeu de Salvação. Contudo”, esclareceu Merkel, “não permitirei que o euro fracasse, porque é algo mais do que uma simples moeda. Se o euro fracassar, fracassará a Europa. Isto é algo muito sério”, sentenciou.

Maria Segre

Sucursal da União Européia.

O suicídio do euro: pede-se não enviar coroas e flores

Bruxelas – Surpreendente a capa da última edição da revista britânica The Economist. Um senhor de terno e gravata que, ao invés de cabeça, tem a moeda redonda de um euro, está apontando contra sua têmpora um revólver e prepara-se para se suicidar. “Não faça isso”, é o título da revista.

A verdade é que a ilustração dos riscos políticos que ameaçam a moeda comum européia seria mais fiel à realidade se o revólver preparado para estourar os miolos do euro fosse empunhado pela chanceler alemã, “Frau” Angela Merkel. A política do governo de Berlim é aquela que está levando o euro a um beco sem saída.

Desabam as muralhas de proteção do euro. O Mecanismo Europeu de Proteção, totalizando 750 bilhões de euros, que a União Européia (UE) instituiu, mostra-se insuficiente para enfrentar – ao nascer – os ataques especulativos contra os mais fracos países integrantes da Zona do Euro.

Desabou a Irlanda, Portugal prepara-se para o tombo e entra na fila a Espanha, em seguida a Itália, a Bélgica e até a esnobe Grã-Bretanha, a “Velha Albion”. Tornou-se óbvio que a linha de defesa com os mnemônicos evolui em missas fúnebres para o euro.

Dilema cruel. Permanecerão com o euro os países que, um após outro, são levados à falência, ou serão obrigados a retornar às suas moedas nacionais em busca de salvação? O The New York Times aborda o tema de forma crua: “Aqueles países desejarão permanecer em uma união, na qual não são nada mais do que pobres e escravas regiões”, escreveu sem meias palavras.

BCE fomenta especulação

Solução não existe para o euro. Solução simplesmente na feição: o Banco Central Europeu (BCE) emprestando diretamente aos países integrantes da Zona do Euro da UE. Concedendo-lhes empréstimos de longo prazo (dez ou mais anos) com baixa taxa de juro da ordem de 1% ou 2%. Emprestando recursos diretamente aos governos dos países necessitados, e não por intermédio de bancos comerciais.

Até agora o BCE está emprestando aos bancos comerciais a 1% ao mês e, depois, estes adquirem bônus estatais, exigindo taxa de juros de 4% ou 5% ou até mais ainda, arrancando o pelo dos Estados! Em seguida, depositam os títulos como garantia ao BCE e contraem novamente empréstimos.

Emprestando aos Estados diretamente, o BCE os torna inatingíveis de ataques especulativos. Reduz drasticamente em termos de tempo o volume da dívida pública, transferindo-a gradualmente ao BCE com baixas taxas de juros. Limita a barbárie social das medidas de frugalidade que estrangulam a economia. Permite o exercício de certa política de crescimento até nos países europeus mais fracos, e constitui o único caminho de saída da crise e o processo de resgate das dívidas.

Imprimir dinheiro

Emissão de dinheiro significa, essencialmente, esta política. Aquilo que na fantasia popular descreve-se com a frase “o BCE acionará sua tipografia e imprimirá euros”. Não se trata de nada original. Isto fazem todos os bancos centrais de todos os países desenvolvidos do mundo.

O norte-americano Federal Reserve (Fed), por exemplo, já colocou em circulação no mercado nos últimos tempos mais de US$ 700 bilhões para tonificar a economia dos EUA. Só o BCE não se atreve a fazer o mesmo.

Os alemães proíbem o BCE de “imprimir dinheiro”. Proíbem o BCE de adquirir bônus estatais diretamente dos países-membros da UE. No final das contas, o BCE adquire os mesmos títulos estatais por intermédio dos bancos comerciais. Com este processo, por intermédio do qual os bancos comerciais enriquecem, os Estados desabam em falência por causa das usurárias taxas de juros.

O governo de Berlim recusa-se a mudar de política. Proíbe – por ora – até a emissão de eurodebêntures. “A contínua impressão de dinheiro não é solução. As impressoras de dinheiro não passarão jamais às mãos de políticos”, diz o Ministério de Economia da Alemanha. Se a situação continuar assim, o euro não sobreviverá em sua feição atual e talvez em nenhuma outra.

Alex Corsini

Sucursal da União Européia.

Fonte: Monitor Mercantil

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