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Brasileiros na Turquia: Não saiam de casa

O Itamaraty recomendou aos cidadãos brasileiros na Turquia que não saiam de casa e que procurem tranquilizar seus familiares, informou Agência Brasil.

De acordo com o Ministério das Relações Exteriores, o governo brasileiro está atento à situação dos brasileiros no local.

“Na expectativa de informações mais precisas sobre os eventos em curso na Turquia, o governo brasileiro acompanha com atenção a evolução da situação e recomenda aos cidadãos brasileiros residentes ou de passagem por aquele país que tomem as medidas necessárias para garantir sua segurança até que a situação se normalize”, informou a pasta, por meio de nota à imprensa. Segundo o comunicado, a embaixada do Brasil em Ancara e o Consulado-Geral do Brasil em Istambul funcionam em regime de plantão de 24 horas.

O Itamaraty também publicou no Twitter recomendando que os brasileiros entrem em contato com seus familiares e “evitem circular pelas ruas”.

Fonte: Sputnik News

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América do Sul Brasil Defesa Terrorismo

Brasil: Ministro da Defesa diz que vai reforçar segurança no Rio após atentado em Nice

O ministro da Defesa do governo interino, Raul Jungmann, disse nesta sexta-feira (15), em entrevista ao canal Globo News, que ampliará as medidas de segurança durante os Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro após o atentado de ontem (14) em Nice, na França.

“Isso nos preocupa e nós estamos revendo e ampliando os nossos controles, as nossas checagens, embora isso venha representar um desconforto a mais para aqueles que vão participar ou para aqueles que vão assistir às Olimpíadas, mas isso se faz necessário em nome da segurança de todos”, disse Jungmann.

O ministro informou ainda que, a fim de reajustar a estratégia de segurança, sua pasta está trocando informações com a área de inteligência da Segurança Institucional e com o Ministério da Justiça.

“Hoje, na parte da tarde, nós vamos ter uma reunião para discutir isso conjuntamente e estamos cobrando informações dos nossos amigos militares na França”, acrescentou.

Ontem, um homem identificado como Mohamed Lahouaiej Bouhlel atropelou e matou dezenas de pessoas em Nice, no dia nacional da França.

As Olimpíadas Rio 2016 começam no próximo dia 5 de agosto.

Foto: Tomaz Silva/ Agência Brasil/FotosPúblicas

Fonte: Sputnik News

Brasil vai rever plano de segurança da Rio 2016

Vila Olímpica no Rio de Janeiro.

Ministro afirma que medidas serão reforçadas, incluindo mais postos de controle e barreiras e restrições no trânsito. “Vamos trocar um pouquinho de conforto por muita segurança.”

O ministro do Gabinete de Segurança Institucional, Sérgio Etchegoyen, afirmou nesta sexta-feira (15/07) que o governo brasileiro vai rever as medidas de segurança para os Jogos Olímpicos de 2016 depois do atentado em Nice, no sul da França.

“Desde aquele momento [atentado em Nice], o Ministério da Justiça, o Ministério da Defesa e o GSI estão trabalhando para garantir que continuaremos no mesmo nível de segurança nos Jogos Olímpicos”, afirmou. Serão necessárias revisões, novas providências e “muito trabalho intenso daqui para frente para manter o nível de segurança”, disse Etchegoyen.

“Essa revisão, obviamente, identificará algumas lacunas e posso lhes dizer, com bom grau de probabilidade, que o quadro atual sugere incremento de algumas medidas relativas aos Jogos”, adiantou Etchegoyen.

Entre as medidas, explicou o governante, estão mais postos de controle, mais barreiras e algumas restrições no trânsito. “É importante que a população entenda que vamos trocar um pouquinho de conforto por muita segurança”, acrescentou.

Segundo o titular do GSI, o planeamento de segurança feito até aqui será auditado para perceber se houve uma “eventual lacuna” nas ações de preparação.

AS/lusa/afp

Fonte: DW

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Conflitos Destaques

Turquia: Militares turcos dizem que tomaram o poder para proteger ordem democrática

As Forças Armadas da Turquia disseram nesta sexta-feira que tomaram o poder no país para proteger a ordem democrática e manter os direitos humanos.

Em um comunicado enviado por e-mail e divulgado por canais de televisão turcos, os militares afirmaram que todas as relações externas existentes da Turquia serão mantidas e que o Estado de direito permanecerá como prioridade.

O primeiro-ministro da Turquia havia dito anteriormente que um grupo dentro do Exército havia tentado tomar o poder, mas que fora rechaçado e que seria errado chamar o fato de golpe.

Nick Tattersall

Fonte: Reuters

Lei marcial é imposta na Turquia, diz comunicado militar lido na TV estatal

A lei marcial foi imposta em toda a Turquia e um toque de recolher declarado, com o país agora sendo comandado por um “conselho de paz” que não vai permitir que a ordem pública seja prejudicada, disse um apresentador da emissora estatal turca TRT na sexta-feira, lendo uma declaração sob as ordens de militares.

O locutor disse que o regime democrático e secular foi erodido pelo atual governo e que uma nova constituição será elaborada em breve. A liberdade dos cidadãos foi garantido pelo “conselho de paz”, independentemente de religião, raça ou língua, disse o apresentador.

Humeyra Pamuk

Fonte: Reuters

Autoridade militar da Turquia está entre reféns em Ancara, diz agência estatal Anadolu

O chefe do gabinete militar da Turquia está entre as pessoas feitas reféns na sede das Forças Armadas em Ancara nesta sexta-feira, informou a agência estatal Anadolu, enquanto outra emissora, a CNN turca, disse que o presidente da Turquia, Tayyip Erdogan, estava seguro.

As Forças Armadas da Turquia disseram nesta sexta-feira que tomaram o poder no país para proteger a ordem democrática e manter os direitos humanos.

David Dolan

Fonte: Reuters

Erdogan garante que irá responder a tentativa de golpe

Em declaração oficial, o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, afirmou que está retornando para Ancara e pediu ajuda à população do país para responder à tentativa de golpe militar.

Segundo o chefe de Estado, os golpistas não terão sucesso e os inimigos do seu governo irão lamentar profundamente suas ações.

“Eu peço a todos os cidadãos do país que tomem as ruas e ajudem a parar essa mutilação”, afirmou o político.

Fonte: Sputnik News

Grande explosão é registrada em Ancara

A CNN-Turk informou há pouco ter registrado uma intensa explosão em Ancara, perto do prédio da rede de TV estatal TRT, que estaria sob controle dos golpistas. Um correspondente da agência russa RIA Novosti confirmou ter ouvido ao menos três explosões na capital turca.

Testemunhas descrevem um verdadeiro cenário de guerra no país, com tiros, bombas, carros, tanques, helicópteros e aviões para todos os lados. Há relatos de ataques também à estação de satélite TURKSAT e ao palácio presidencial.

Embora um grupo de militares tenha afirmado que o poder está nas mãos do Estado-Maior, tanto o presidente Recep Tayyip Erdogan como o primeiro-ministro Binali Yildirim garantem que ainda estão no governo. Outras autoridades turcas, seguindo na mesma linha, também defendem que o apoio dos golpistas é limitado.

Atendendo a pedidos de Erdogan, várias pessoas foram às ruas em diferentes cidades do país, como Istambul e Trabzon, para protestar contra o golpe.l

Fonte: Sputnik News

 

 

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Golpe de Estado em andamento na Turquia

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Informes de diversas mídias internacionais reportam o andamento de um possível Golpe de Estado na Turquia.

A jornalista da BBC em Ankara, Selin Girit postou em sua conta do Twitter uma imagem com um bloqueio de militares em um ponto da cidade e a informação de sobrevôos de aeronaves pela cidade, no momento da postagem ainda não havia a certeza sobre a situação.

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De acordo com o Hareetz e o The Wall Street Journal o primeiro ministro turco Binali Yildirim teria anunciado na TV Estatal turca o golpe em andamento movido por somente uma parcela dos militares e que os participantes do golpe teriam de arcar com severas consequências.

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De acordo com o analista para Turquia Mahir Zeynalov, em sua conta no Twitter, os Militares turcos responsáveis pelo golpe já teriam tomado o governo e tem o chefe das forças armadas como refém, mas o presidente Recep Tayyip Erdogan estaria ainda à salvo.

O grupo responsável pelo Golpe já anuncia pela TV Turca que tomou o controle do país, de acordo com a BBC.

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Operação Condor: 30 anos depois Argentina condena militares

No dia 27 de maio deste ano, a Argentina divulgou a sentença do histórico processo sobre os crimes cometidos pela ditadura do país na Operação Condor. Após uma longa investigação iniciada em 1999, pela primeira vez na América Latina, um tribunal federal condenou 18 militares a penas entre 12 e 25 anos por “associação ilícita no âmbito da Operação Condor”, passados mais de 30 anos da criação desse sistema. Durante o processo, investigou-se o desaparecimento de 108 pessoas na Argentina (sendo argentinos, bolivianos, uruguaios e paraguaios e um peruano) e ouviu-se o depoimento de 222 testemunhas. Entre os condenados – na maioria argentinos – está um coronel uruguaio, extraditado do Brasil para a Argentina em 2007.

Em um contexto de Guerra Fria, o Plano Condor foi o primeiro sistema de cooperação em informação entre os países do Cone Sul (Argentina, Bolívia, Brasil, Uruguai e Paraguai) estabelecido com o objetivo de eliminar a “ameaça comunista” do continente sul-americano. Formalmente institucionalizada em 1975, em uma reunião em Santiago do Chile, a Operação consistiu em um plano altamente complexo e sofisticado de compartilhamento e troca de informações e prisioneiros – os chamados “subversivos” – fazendo uso de técnicas de espionagem, perseguições, torturas e até assassinados. Seu nome se refere à maior ave que sobrevoa os Andes, símbolo nacional de diversos países da região e que se alimenta de carcaças e carne em putrefação.

A Operação Condor esteve diretamente relacionada aos regimes ditatoriais na América do Sul, pois envolveu países que estavam sob governos militares. No Chile, o golpe militar liderado por Augusto Pinochet, em 1973, depôs Salvador Allende e, na Argentina, María Estela Martínez Perón foi derrubada pelos militares em 1976, sob o comando de Jorge Rafael Videla.

Outros países também passaram por processos semelhantes, tendo o apoio dos EUA, tanto abertamente quanto por meio de ações secretas perpetradas pela CIA (Central Intelligence Agency, a agência de Inteligência estadunidense).

No golpe na Argentina praticamente não houve derramamento de sangue. No entanto, quando a tarefa de conter o avanço da esquerda foi passada para a polícia federal argentina e para os esquadrões da morte paramilitares, o governo deu abertura para uma ditadura mais brutal do que a do general Augusto Pinochet, no Chile. Enquanto que para o período militar chileno (de 1973 até 1990) foram contabilizados aproximadamente 3.000 mortos e desaparecidos, na Argentina, em um período muito menor (de 1976 a 1983), foram cerca de 30.000 pessoas.

A complexidade da Operação Condor – e, por isso, seu amplo alcance e eficiência – foi, entre outros fatores, resultado da flexibilidade conferida ao termo “inimigo”. Segundo essa perspectiva, qualquer cidadão que se opusesse ao regime militar de seu país de origem seria considerado seu “inimigo interno”, mesmo que estivesse exilado em outro país. Isso dava aos governos militares não apenas o amparo conceitual necessário para a realização de operações clandestinas no âmbito da cooperação regional na área de informações como também a justificativa para atuação fora dos seus limites fronteiriços.

A decisão do tribunal argentino representa, portanto, não apenas a condenação de indivíduos que atentaram contra os Direitos Humanos de milhares de pessoas. O veredito representa, também, o reconhecimento da ilegalidade de um sistema de colaboração extraoficial, multinacional e transfronteiriço entre órgãos repressivos, de responsabilidade do Estado, que controlava, reprimia e perseguia qualquer pessoa que adotasse uma postura ideologicamente contrária aos governos militares, dentro ou fora de seu próprio país.

É importante frisar que o Brasil também participou da Operação Condor e nela desempenhou um papel fundamental, apesar de discreto. Tal discrição, muitas vezes confundida com ausência, refletia a preocupação do país com sua imagem no exterior. No entanto, o país influenciou outros regimes em seu entorno, condensando princípios em leis e práticas determinantes para a configuração das relações e das atividades realizadas dentro do sistema Condor.

De todo modo, à medida que acontecimentos como este ocorrem na Argentina, no Chile e até na Itália, onde quatro brasileiros serão julgados pela participação na morte de pessoas de nacionalidade italiana através da Condor, é notável o vácuo ainda existente no debate sobre as violações de Direitos Humanos durante o regime militar no Brasil, tanto na mídia quanto na esfera acadêmica. Embora a participação do país nesse sistema venha sendo revelada pouco a pouco pelas Comissões da Verdade criadas em diversas instâncias, pelas pesquisas acadêmicas baseadas em documentos oficiais recentemente abertos ao público e pelas condenações mundo afora, não há qualquer indício de que os tribunais do Brasil seguirão o exemplo argentino.

Mayra do Prado

  • Mayra do Prado é mestranda em Relações Internacionais pelo Programa de Pós-Graduação San Tiago Dantas (UNESP, UNICAMP, PUC-SP) e pesquisadora do GEDES.

Edição/Imagem: Plano Brasil

Fonte: ERIS

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FAB PÉ DE POEIRA: FAB começa a deslocar sua infantaria para a segurança dos Jogos Olímpicos

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Boeing C-767 FAB 2900 e militares da Infantaria da Aeronáutica ,momentos antes da sua partida para o RJ.

Cerca de 100 militares da Força Aérea de Unidades de Manaus, Boa Vista e Porto Velho, embarcaram no Boeing 767 da Força Aérea Brasileira com destino ao Rio de Janeiro. Os militares vão atuar nos Jogos Olímpicos Rio 2016‬. Esse voo é a primeira missão do Boeing 767.

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Militares da Infantaria da Aeronáutica a bordo do C-767 da FAB. Foto: Mateus Rodrigues/G1
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FAB PÉ DE POEIRA: FAB apresenta ações de sua infantaria durante os Jogos Olímpicos e Paralímpicos

Aeronáutica detalha sua atuação durante o evento em coletiva de imprensa no Rio de Janeiro (RJ)

A Força Aérea Brasileira (FAB) apresentou, na manhã desta quinta-feira (14/07), o planejamento para os Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016, em entrevista coletiva realizada no Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA), no Rio de Janeiro. Foram detalhadas as ações de gerenciamento do fluxo de tráfego aéreo, defesa aérea e missões em terra, como a recepção aos chefes de Estado, abordagem a aeronaves que realizaram pouso obrigatório e, também, defesa biológica, química, radiológica e nuclear. Mais de 15 mil militares da FAB e 80 aeronaves estão envolvidos nessas atividades.

Diretor-Geral do DECEA

O Diretor-Geral do DECEA, Tenente-Brigadeiro do Ar Carlos Vuyk de Aquino destacou a importância do papel da sociedade na consecução dos objetivos ligados à segurança e defesa. “É fundamental colocarmos para a sociedade o nosso planejamento. Devemos ter em mente que não são só as Forças Armadas bem equipadas e bem treinadas que provêm a segurança, mas precisamos também de uma sociedade bem informada a respeito do que fazemos”, afirmou o Tenente-Brigadeiro Aquino.

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Em terra, militares da Infantaria da Aeronáutica estão prontos para manter a segurança das bases aéreas e demais instalações da FAB e, ainda, atuar como batedores em comboios de autoridades. No caso de aeronaves que tenham sido interceptadas pela defesa aérea e forçadas a pousar, grupos com treinamento especial farão a abordagem em solo na Base Aérea de Santa Cruz (BASC). As ações de segurança em solo são coordenadas pelo Terceiro Comando Aéreo Regional (III COMAR). “Realizaremos na Base Aérea do Galeão todos os serviços que acontecem em um voo internacional ao chegar em um aeroporto no Brasil. Temos a capacidade de receber três chefes de Estado a cada 20 minutos”, explicou o Comandante do III COMAR, Major-Brigadeiro do Ar José Euclides da Silva Gonçalves.

Segundo o coordenador de segurança e defesa da FAB para os Jogos Olímpicos, Coronel de Infantaria Almir Pinto de Lima, uma das missões da FAB será garantir a segurança dos chefes de estado do governo e membros de comitivas que pousarem ou decolarem dos aeródromos sob responsabilidade da Forca Aérea.

“Também é de responsabilidade da Aeronáutica o apoio à segurança e defesa no aeroporto internacional. Será uma ação em cooperação com os demais órgãos de segurança, policia Federal, Civil, Militar, a própria RioGaleão, que é a concessionária do aeroporto, e a guarda civil”, disse o coronel.

O treinamento das atividades previstas para atuação dos militares no evento procurou mostrar na prática se o planejamento atende as necessidades ou se precisa de alguma correção. “O treinamento é essencial para a maturação desse processo de preparação para a segurança das Olimpíadas”, ressaltou o coronel Almir.

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Defesa Espaço Estados Unidos Rússia Sistemas de Armas Tecnologia

“Qualquer satélite pode ser usado para fins militares”

Imagem meramente ilustrativa

Historiador especializado em exploração espacial, Anatóli Zak conversou com o portal Gazeta.ru sobre satélites espiões e uso de filmes fotográficos no espaço na era digital.

Pergonta: Quantos países no mundo dispõem de satélites militares?

Anatóli Zak: Todos os países envolvidos em atividades espaciais podem usar os resultados para fins militares. Uma vez que qualquer sistema de sensoriamento remoto para observação da Terra é, via de regra, com o que se iniciam as atividades espaciais de todos os países. E qualquer sistema pode ser usado para fins militares – de inteligência, vigilância, planejamento operacional.

É verdade que, na era digital, a Rússia ainda lança satélites espiões que utilizam filme fotográfico e enviam os resultados para a Terra em cápsulas?

Vamos começar falando que essa concepção era também usada pelos Estados Unidos, basta lembrar detalhes do programa Corona. Os veículos desse programa faziam registros em película fotográfica de grande formato, e estes filmes eram então enviados em cápsulas por paraquedas e apanhados por aeronaves.

Os veículos soviéticos eram muito mais difíceis de manejar, empregando um equivalente da nave espacial Vostok, usada para lançar [Iúri] Gagárin e outros cosmonautas [ao espaço]. Um veículo similar chamado Zenit tinha câmeras, em vez de uma cabine tripulada, e foi também colocado em órbita usando o foguete R-7.

Isso aconteceu na década de 1960, depois esses sistemas foram modificados diversas vezes. A geração seguinte foi dos satélites Yantar, que foram usados sob diferentes nomes por muitos anos, até o presente, embora o conceito e a arquitetura do sistema tenham permanecido os mesmos.

E qual é esse conceito?

Trata-se de uma grande cápsula, que vai acumulando o filme exposto. A cápsula era conectada a um grande telescópio que tirava fotos. O filme exposto era colocado dentro de pequenas cápsulas – cujo número dependia da versão do sistema –, que eram periodicamente enviadas à Terra por paraquedas.

Cada cápsula era o elemento remanescente de uma pequena sonda: tinha um motor com freio, um sistema de orientação etc. Quando o filme terminava, a unidade principal também descia da órbita e trazia o material restante ao solo.

Se tudo corria normalmente, as cápsulas desembarcavam em uma área determinada para pouso na região de Orenburg. Com diferentes nomes, este sistema foi utilizado até recentemente. Há informações de que o último sistema desse tipo foi lançado no ano passado. Esses sistemas eram produzidos em massa e, até que se esgotassem a possibilidade de lançá-los foi mantida.

Onde são montados os satélites de inteligência russos?

A indústria espacial russa tem uma particularidade que determina as atividades militares e civis. O Centro de Foguetes Espaciais Progress está envolvido no desenvolvimento de satélites de observação da Terra há muitos anos, desde os dias do Zenit, que, aliás, foi transferido para eles a partir da empresa Koroliov, de Podlipki, em meados dos anos 1960.

Há a Sistemas de Informação por Satélite Rechetnev, de Krasnoiarsk, que trabalha com satélites de navegação e comunicações. Além disso, existe ainda a Associação de Pesquisa e Produção Lavotchkin, que por muitos anos fabrico satélites de alerta precoce para detectar lançamentos de mísseis balísticos. Há relatos de que a corporação de foguetes espaciais Enérguia [Energia] faz o mesmo.

Na Rússia, há um sistema de licitação, com a agência espacial russa Roscosmos, que emite diretrizes para cada projeto, e diferentes empresas podem se inscrever para a execução das encomendas.

O governo dos EUA está mesmo preocupado por ter de lançar seus próprios satélites militares com o foguete Atlas, que utiliza os motores russos RD-180?

Para não politizar a situação, eu diria que há dois dispositivos para isso nos EUA – o Atlas e o Delta. O propósito original dos dois foguetes é assegurar lançamentos em caso de qualquer problema, não necessariamente político.

Afinal, você sabe, não só na indústria do espaço, mas também na da aviação, quando há um problema com um portador, todos os outros lançamentos são interrompidos até que a causa dos problemas seja identificada. Portanto, quando há um grande número de lançamentos de sistemas estrategicamente importantes, é muito útil contar com dois sistemas de lançamento diferentes.

E se a Rússia decidir não fornecer os motores, os EUA terão um veículo semelhante, mas que não depende da importação do motor russo. Geralmente, é uma questão de tempo e dinheiro. Aliás, uma abordagem similar já se deu na Rússia – dois foguetes pesados semelhantes, o Angara e o Rus-M, estavam sendo desenvolvidos simultaneamente. No entanto, o último programa foi encerrado por razões financeiras.

PÁVEL KOTLIAR

Entrevista originalmente publicada pela Gazeta.ru

Fonte: Gazeta Russa

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EUA manipulam OTAN com “ameaça russa”

Não é o Daesh que a OTAN considera uma ameaça, mas Moscou, para justificar seus gastos exagerados com a defesa, escreve o jornalista irlandês Brian McDonald.

Na Declaração de Varsóvia, que os países da OTAN aprovaram no final da cúpula da aliança, a Rússia é mencionada quatro vezes, enquanto o Daesh aparece no documento apenas uma vez, destaca o jornalista.

Segundo ele, isso pode ser associado ao fato de que a luta contra o terrorismo não exige submarinos caros ou armas nucleares, ao contrário do confronto com um país como a Rússia. Ao mesmo tempo, a OTAN não se preocupa com o fato de Moscou não estar interessada no hipotético conflito.

“O fato é que uma guerra dessas, com envolvimento dos arsenais nucleares e que provavelmente causaria a morte da civilização humana, não preocupa a OTAN porque é conveniente para a aliança usar a Rússia como uma ameaça horrível a fim de manter os gastos dos EUA com a defesa”, conclui o artigo.

Agora Washington gasta com sua defesa cerca de 17% do orçamento dos EUA. Isto se deve ao fato de seis das oito principais empresas mundiais serem norte-americanas. Elas fornecem empregos a cerca de 750 mil pessoas, isso sem incluir as indústrias que dependem delas. Assim, a redução dos gastos dos EUA com a defesa seria equivalente a um suicídio político, disse o jornalista.

McDonald acredita que a maior ameaça à segurança europeia tem suas origens no Oriente Médio. Só para Alemanha no ano passado vieram mais de um milhão de refugiados, o que contribuiu para a instabilidade política e social no continente. As pessoas fogem dos países que os EUA ajudaram a destruir, em particular, do Iraque e da Líbia. Além disso, o Daesh está matando pessoas no território de membros da OTAN, organizando atentados terroristas em Paris e Bruxelas, mas a aliança continua insistindo no fato de que a Europa não está ameaçada pelo terrorismo, mas pela Rússia, resume o autor.

Foto: © flickr.com/ U.S. Naval Forces

Fonte: Sputnik News

OTAN é instrumento dos EUA para controlar Europa

De acordo com a opinião do especialista, a Aliança Atlântica neste caso teria o mesmo objetivo que 50 anos atrás: conter a Alemanha na Europa, e a antiga União Soviética, sobretudo a Rússia, o mais longe possível da Europa, e os EUA manterem o estatuto de potência militar mais poderosa do “velho mundo”.

O processo de tornar a UE mais fraca, segundo Jovanovic, não acabará com um “brexit”, não só por causa das contradições internas de certos países, mas também devido a vários outros problemas na Europa, que ela não poderá resolver em breve, se é que isso em geral poderia ser feito usando métodos existentes, que parecem já ter deixado de ser atuais.

Mas seja qual for a situação na Europa, os interesses dos EUA continuarão a incluir a manutenção de suas posições no continente, então a OTAN pode receber mais uma função adicional — não só a militar, mas também a de controle do nível de influência dos EUA sobre a EU, opina o ex-embaixador.

“Os americanos influíram a Europa através da OTAN e da Grã-Bretanha e agora, se o Reino Unido sair, será preciso fortalecer o outro fator, quer dizer a OTAN,” disse.

Mesmo assim, continua pouco claro, se a Aliança Atlântica continuará considerando a Europa de Leste como um propagador de seus interesses na cena política da velha Europa.

“O Reino Unido se opôs por muito tempo à entrada na CEE [Comunidade Econômica Europeia], mas os EUA o encorajou e ele entrou, e sempre travou o posterior desenvolvimento da ideia de Europa como estrutura supranacional. Ele atrasava tudo o que poderia tornar a CEE ou a UE em uma força mundial independente, que não seria tão dependente assim dos EUA”, fez lembrar o diplomata.

Seja como for, após o Brexit os Estados Unidos deverão procurar um novo país ou grupo de países para controlar os processos de integração dentro da União Europeia, concluiu o especialista político.

Fonte: Sputnik News