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Após “vai e vem”, Polônia pode mesmo é ir de Patriot

patriot_missile_batteryE.M.Pinto, colaboração Przemek

Quem nunca teve um FX na vida? que atire a primeira pedra!!!

Os “vai” e “vem” nos contratos de defesa mundo a fora são muito frequentes e por vezes estão embutidos de interpretações falsas, tendenciosas e completamente fora da realidade. Atrasos em decisões nem sempre estão associadas a falta de recursos  e até mesmo vontades políticas e nesse quesito, poucos países do mundo podem dar-se ao luxo de adquirirem aquilo que necessitam, realmente querem ou ainda, no prazo que querem.
Pois é.. em se tratando de programa estratégicos a situação é ainda mais complicada. Diga-se neste caso, Polônia e Rússia e o escudo de defesa europeu, e para complicar, tudo isso junto.

A equação parece ser mais complicada do que a escassez de recursos anteriormente alardeada.  Se você quiser fazer um exercício de futurologia, pegue todos estes fatores e some, ou melhor multiplique, ai sim, você continuara sem a resposta, pois toda esta questão referente a escolha do sistema de defesa Antiaéreo Polonês, não se resume ao que muitos possam pensar que seja a escolha da “melhor” arma, do “melhor” custo, da “vontade” dos militares poloneses.

No centro desta discussão está o desejo da Polônia em reaparelhar a sua força de defesa antiaérea com modernas armas em substituição aos sistemas oriundos do extinto Pacto de Varsóvia da era Soviética e nesse quesito, sempre foi de conhecimento de todos que a Polônia desejava o sistema americano. Mas a discussão é sobre a vontade e direito da Polônia em adquirir um sistema dissuasor de ameaças (leia-se Rússia),  passava sobre o protesto de Moscou a instalação de um sistema que minimamente indicasse a sua integração ao que os russos alegam ser a ameaça a soberania russa. Ou seja, Polônia não “deveria” adquirir sistemas americanos de defesa antiaérea capazes de ultrajar Moscou.

Para alguns críticos a solução seria adquirir sistemas europeus numa clara demonstração de cavalheirismo polaco, (como se isso resolvesse alguma coisa).

O problema é que ao indicar a escolha de sistemas de armas Americanos (leia-se Patriot) os Poloneses não desagradaram tão somente os Russos, mas também os seus parceiros europeus, inclusive nações atualmente operadoras do sistema Americano.

O fato é que fatores econômicos e estratégicos tem por vezes se sobrepostos aos políticos e até mesmo aos técnico-militares, e até mesmo influenciado as decisões das autoridades Polacas,  já viram este filme antes?

eurosam
A EUROSAM também concorre a proposta de fornecimento de sistemas de defesa para a Polônia

Nesta segunda feira (04.07) o ministro da Defesa polonês Antoni Macierewicz afirmou em uma comitiva de imprensa que o seu país havia aceitado a carta de intenções da Raytheon, a carta evidentemente versa sobre a proposta para a aquisição de sistemas de mísseis de defesa Patriot, num contrato avaliado em cerca de US$5,6 Bilhões.

O desagrado (europeu) embora seja imperceptível para o público leigo e até mesmo para o especializado, se justifica dentro de um interesse europeu pela aquisição de sistemas europeus, uma vez que os “vai” e vens” desse contrato haviam indicado  a vitória para o consórcio Eurosam que incluem MBDA França, Itália e MBDA Grupo Thales da França. 

O consórcio dava como certa a sua vitória, além disso, no campo diplomático, para alguns membros europeus, a escolha polonesa pelo sistema americano pode soar como um claro posicionamento anti-Rússia, justamente na hora que muitos tem se esmerado em por panos quentes em questões “ácidas” como  Báltico, Ucrânia e por ai a fora, discussões proibidas para signatários da aliança de “pés descalços”.

Mas esperem? a Polônia não tem esse direito? Se ao invés de Patriot o vencedor fosse o Eurosam, o recado para os russos não seria o mesmo?

O governo polonês havia dito em abril de 2015 que planejava a aquisição de oito baterias do sistema Patriot, mas logo depois de chegar ao poder em novembro do mesmo ano, o  atual governo conservador colocou um ponto de interrogação sobre a compra. Macierewicz afirmou naquela época:

“O preço do sistema americano é muito maior, o tempo de entrega muito maior… em suma, este contrato é praticamente inexistente.”

Porém, nesta última segunda-feira 04 de julho, Macierewicz mudou o discurso declarando que a Polônia seguirá em frente com plano de aquisição de sistemas americanos dado que a Raytheon prometeu investir na forma de Off-set cerca de 50% do montante total pago pela Polônia, revertendo estes quase 2,8 bilhões de dólares na própria indústria de defesa Polonesa.

O Ministério da Defesa da Polônia informou que pretende adquirir  oito baterias de defesa aérea até 2025, mas que dada a urgência operacional, pretende que duas delas sejam entregues dentro de um horizonte de tempo de três anos a contar da assinatura do contrato.

Para alguns analistas desavisados, a declaração de Macierewicz não passou de um flerte para barganhar vantagens dos seus parceiros europeus, para outros, trata-se do martelo opressor do negociador americano. Para os poloneses, pelo menos para os que entendem da estratégia de defesa Polonesa, trata-se da aposta mais cara, porém ,mais segura.

Cara em todos os sentidos, até mesmo diplomática, mas também, como não podia deixar de ser, a mais célere já que não custa lembrar que não foram tratados de defesa mútuas quem impediram que a Polônia sofresse agressões no passado.

Não se trata de menosprezar os seus irmãos e aliados europeus porém, mesmo sendo membro da comunidade europeia a Polônia vê nos EUA a única chance de impor um fator dissuasivo contra a constantes provocações Russas. Os episódios da Ucrânia e mais recentes invasões sistemáticas dos espaços aéreos europeus acenderam novamente o alerta sobre as intenções russas.

Ter os EUA como parceiro militar e mais seguro, ainda mais se a Polônia conseguir manter de pé e atualizar o seu parque de indústrias de defesa, algo difícil de se enxergar a longo prazo dentro da perspectiva europeia, cujo histórico demonstra o sucateamento e até mesmo o fechamento das indústria nos países recém aderidos ao bloco europeu.

A Polônia quer ser parceira mas entende que precisa manter em sua relativa importância a participação de sua indústria nos itens de defesa do seu país. Deste modo, o recado de Macierewicza à Agência de Notícia Polonesa PAP, talvez deva ser melhor compreendido pelos analistas internacionais.

“Uma vez que há contrapartidas de investimentos na nossa indústria, nós estamos assinando a carta de intenções”  .

Sobre pressão de todos os lados, resta a Polônia se defender e se não houver mais nenhum “vai” e “vem” nesta negociação, a decisão polonesa será pelos Patriot.

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América do Sul Defesa Estados Unidos Mísseis Negócios e serviços Sistemas de Armas

US$ 140 milhões em mísseis Sea Sparrow para o Chile

O Departamento de Estado dos Estados Unidos aprovou uma possível venda de mísseis Sea Sparrow para o Chile, avaliada em pouco mais de U$ 140 milhões, segundo informou a Agência de Cooperação em Segurança de Defesa em um comunicado nesta terça-feira (5).

“O Departamento de Estado fez uma determinação que aprova uma possível Venda Militar Estrangeira para o Chile de Mísseis Evolved Sea Sparrow (ESSMs, na sigla em inglês), equipamentos, treinamento e apoio”, declara a nota de imprensa, acrescentando que “o custo estimado é de US $ 140,1 milhões”.

O governo chileno solicitou a compra de 33 ESSMs, além de seis modelos com tecnologia de telemetria e três sistemas de lançamento vertical MK 41.

A Agência de Cooperação em Segurança de Defesa declarou as armas aumentariam a capacidade do Chile para “dissuadir ameaças regionais e reforçar a sua defesa nacional”. Além disso, ressalta o Departamento de Estado, promoveria a interoperabilidade com os EUA.

O Evolved Sea Sparrow é um míssil antiaéreo instalado em navios, que posteriormente também foi modificado para a defesa aérea em terra.

As companhias Raytheon, BAE Systems e Lockheed Martin seriam os contratantes principais para a possível venda norte-americana para o Chile, de acordo com o release.

Fonte: Sputnik News

 

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América do Sul América Latina Geopolítica Negócios e serviços Opinião Rússia

América Latina: Novas relações com Moscou

As últimas eleições presidenciais no Peru tornaram-se um aspecto importante do cenário político na América Latina. O que se pode esperar do novo líder peruano e de outros países latino-americanos, como Brasil e Argentina, em relação à Rússia?

Pouco antes das eleições de janeiro passado, o presidentes da Rússia, Vladímir Pútin, e seu homólogo do Peru, Ollanta Humala, tiveram uma conversa telefônica. Ambos os chefes de Estado destacaram que, apesar do desenvolvimento desfavorável da economia mundial, o volume de comércio bilateral havia aumentado em 40% no ano passado.

Durante o governo de Velasco Alvarado, o país viveu o auge das relações bilaterais entre Peru e Rússia. No entanto, segundo assinala o jornal peruano ‘El Men’ em seu artigo ‘A nova aliança com a Rússia’, após a renúncia do general Alvarado, a colaboração com a URSS foi praticamente interrompida, e seus sucessores não pouparam críticas a Moscou. Entre os críticos encontrava-se também Alberto Fujimori, embora o agravamento das relações bilaterais tenha se dado, em grande parte, por causa da queda soviética e da crise pela qual passava a Rússia.

Ollanta Humala recuperou os níveis anteriores de cooperação econômica e comercial com Moscou. Seu governo conta com inúmeros exemplos de sucesso na resolução dessa tarefa, entre eles o da fabricante de automóveis Kamaz, que criou uma unidade de montagem de ônibus no Peru, e o da AvtoVAZ, que começou a exportar sua produção para a região andina.

Além disso, com a ajuda de especialistas russos, colocou em órbita o primeiro satélite peruano, chamado Chaski 1. Também foram celebrados diversos contratos para a modernização de equipamentos militares e para o fornecimento de sistemas antitanque Kornet-E e helicópteros militares Mi-35. E, desde o início da guerra de sanções entre o Kremlin e o Ocidente, foi alcançado ainda um acordo para a exportação de frutas do Peru à Rússia.

Se não bastasse, no início deste ano, a Rússia enviou o último lote de 24 helicópteros Mi-171, conforme contrato assinado em 2013, cujo valor total somou em torno de 528 milhões de dólares. De acordo com a jornalista e especialista militar Tatiana Rusakova, Rússia e Peru se distanciam gradualmente da típica relação “fornecedor-cliente”. Além do envio direto de tecnologia militar, Moscou vem abrindo joint ventures no Peru. Por exemplo, no início de setembro de 2014, os países ratificaram um acordo para a construção de um centro conjunto para produção e manutenção de helicópteros perto da base das Forças Aéreas do Peru.

Pedro Pablo Kuczynski, que tomará posse no próximo dia 28, é conhecido na Rússia. Como primeiro-ministro e ministro das Finanças nos governos anteriores do Peru, viajou à Rússia em várias ocasiões e está bem a par do status atual das relações políticas e econômicas de seu país com a Rússia. Segundo Emil Dabaguián, pesquisador sênior do Instituto da América Latina, essas relações não sofrerão mudanças significativas após a mudança de governo no Peru. “A tendência atual estabelecida por Humala e seus antecessores entre os nossos países vai continuar”, diz o especialista. “O Peru não vai participar das sanções ocidentais. O fornecimento de produtos alimentares para a Rússia vai continuar. E pode-se dizer com toda certeza que também permanecerá a cooperação na Apec.”

Mudanças na esquerda latino-americana

No entanto, alguns especialistas russos, acostumados a dividir as forças políticas na América Latina entre “aliados” e “inimigos”, dependendo da ideologia de cada uma, estão céticos. A recente decisão da Assembleia Nacional da Venezuela (cuja maioria corresponde à oposição do presidente Nicolás Maduro) de rever o contrato de petróleo com a empresa russa Rosneft, no valor de 500 milhões de dólares, tem sido vista em Moscou como prova da tendência negativa nas relações russo-venezuelanas.

Também existe certa preocupação no governo russo em relação ao processo iniciado no Brasil, um importante parceiro comercial da Rússia, após o afastamento da presidente Dilma Rousseff. A mudança de poder na Argentina, onde o candidato de direita Mauricio Macri substituiu uma antiga aliada de Moscou e amiga pessoal de Pútin, Cristina Fernández de Kirchner, tampouco gera otimismo entre os especialistas em América Latina, especialmente depois um decreto do novo presidente argentino proibindo a transmissão do canal Russia Today na TV aberta.

Para vários especialistas russos, os governos de direita na América Latina apostarão em uma política mais voltada aos Estados Unidos. “Se chegam ao poder liberais que contam com o apoio dos Estados Unidos, as portas se abrirão para empresas norte-americanas, que voltarão a exercer uma política colonialista”, afirma Andrêi Manoilo, doutor em ciência política e professor da Universidade Estatal de Moscou.

Outros analistas alegam, porém, que esse tipo de abordagem para a situação está desatualizada e que muitas das preocupações de políticos e especialistas russos em relação ao continente latino-americano são simplistas. Graças à democratização do continente e ao desaparecimento das ditaduras, as forças de esquerda na América Latina também estariam mudando, como no Chile, por exemplo, e isso não apresenta qualquer ameaça real para as relações políticas e econômicas com Moscou.

Sob essa perspectiva, o importante é que a Rússia deixe de lado os padrões ideológicos do passado e ofereça aos países da América Latina um modelo eficaz, competente e diversificado para as relações políticas, econômicas e comerciais. E o Peru é a prova de que isso é possível.

Evguêni Bai é jornalista internacional, especialista em América Latina e colaborador nos veículos The New Times, Novaia Gazeta e Ekspert.

EVGUÊNI BAI

  • Jornalista internacional, especialista em América Latina e colaborador dos veículos: The New Times, Novaia Gazeta e Ekspert.

Imagem: Plano Brasil

Fonte: Gazeta Russa

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Aviação Brasil Defesa Sistemas de Armas Vídeo

Vídeo: Conexão FAB – Julho 2016

 

Confira no Conexão deste mês as operações Transportex e Sabre, realizadas pela Força Aérea Brasileira em Campo Grande (MS) e Anápolis (GO). Você vai ficar sabendo também como foi a etapa de testes do KC-390 com o lançamento de paraquedistas e o treinamento de tripulantes em Defesa Química Biológica, Radiológica e Nuclear.

 

https://www.youtube.com/watch?v=2SFz7f7w_7s

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Acidentes e Catástrofes Brasil Defesa

Caça da Força Aérea cai em Santa Cruz, Rio; tripulantes se salvam

Em voo de instrução, piloto e aluno se ejetaram e desceram de paraquedas.
Avião caiu em uma área desabitada dentro do terreno da base aérea.

Um caça da Força Aérea Brasileira (FAB) caiu na Base Aérea de Santa Cruz (BASC), na Zona Oeste do Rio, no início da noite desta terça-feira (5). Segundo a FAB, era um voo de instrução e os dois tripulantes conseguiram se ejetar, descer de paraquedas e pousar com segurança.

Ainda de acordo com a FAB, os dois perceberam o problema técnico no trem de pouso e que não conseguiriam pousar. O avião caiu em uma área desabitada dentro do terreno da Base Aérea. Ninguém ficou ferido.

A Força Aérea informou que o procedimento de ejeção foi necessário, já que um pouso de barriga não seria possível. A FAB disse ainda que houve fogo na aeronave, um caça F5-FM Tiger modernizado, e que bombeiros da própria área militar fizeram atendimento no local do acidente.

Segurança olímpica
A base será uma das unidades militares responsáveis pela segurança do espaço aéreo durante o período da Olimpíada e da Paralimpíada.

Segundo o comandante, coronel Luiz Cláudio Macedo Santos, a base receberá cerca de 250 militares de cinco esquadrões, que vão atuar em turnos. O objetivo é “manter a soberania nacional e a segurança dos voos durante 24 horas”, segundo a FAB. Serão utilizados aviões de caça, helicópteros e aeronaves remotamente pilotadas.

A BASC também teve a mesma atuação em outros grandes eventos, como a Copa das Confederações, a Rio+20, a Jornada Mundial da Juventude e a Copa do Mundo.

Na simulação, caças escoltam aeronave que invadiu espaço aéreo restrito até a Base Aérea de Santa Cruz (Foto: Alba Valéria Mendonça/ G1)
Areonáutica tem caças F5 fazendo a segurança do espaço aéreo do país (Foto: Alba Valéria Mendonça/G1)

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Brasil EVENTOS Opinião Segurança Pública Terrorismo

Brasil: Força Nacional de Segurança inicia operação para os Jogos Rio 2016

A 30 dias do início dos Jogos Olímpicos, também começa nesta terça a operação integrada de segurança, coordenada pela Secretaria Extraordinária de Segurança para Grandes Eventos do Ministério da Justiça brasileiro.

Entre as medidas da operação está a ativação do Sistema Integrado de Comando e Controle, que vai integrar as forças de segurança no evento. O sistema será baseado no Centro Integrado de Comando e Controle do Rio de Janeiro, que funciona no centro da cidade.

Participarão do sistema as forças de segurança pública, defesa civil e ordenamento urbano.

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Fonte: Sputnik News

A um mês dos Jogos, Rio vê pressão aumentar

Enquanto instalações esportivas estão no cronograma, cidade vê seus problemas mais graves de infraestrutura expostos aos olhos internacionais: da segurança pública à poluição de cartões-postais.

O Rio de Janeiro entra nesta terça-feira (05/07) em contagem regressiva de 30 dias para o início dos Jogos Olímpicos e vê diversos problemas internos colocarem em risco o potencial de sua imagem. Em vez de impulsionar as belezas e virtudes da cidade, as últimas notícias poderão fazer do megaevento um cartão-postal dos problemas cariocas.

Por um lado, a cidade está quase pronta para receber o evento, com instalações esportivas entregues e obras próximas da conclusão. Por outro, o decreto de calamidade pública, deixando clara a grave crise financeira do estado; os problemas na segurança; os atletas que cancelaram a participação por causa do vírus zika; e promessas que não saíram do papel, como a despoluição da Baía de Guanabara, mancham a imagem da cidade perante turistas e atletas.

“O Rio de Janeiro enfrenta uma tempestade perfeita. Há crises em diversas áreas”, afirma Lamartine DaCosta, pesquisador do Comitê Olímpico Internacional (COI) e professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj). “Mas não existem Jogos sem problemas: eles foram registrados em todos estes eventos nesta fase de gigantismo a partir de Sidney [em 2000], quando passaram a ser monumentais.”

Calamidade pública

Em 17 de junho, a 49 dias para o início do evento, o estado do Rio de Janeiro declarou calamidade pública devido à crise financeira – o governo estadual prevê um déficit de 19 bilhões de reais em 2016. Um dos motivos apresentados pelo governador em exercício, Francisco Dornelles, para optar pela medida é que a crise impediria o estado de honrar os compromissos com os Jogos Olímpicos e Paralímpicos.

“Realmente houve uma nítida chantagem, que é comum em qualquer governo do mundo. Mas, por outro lado, do ponto de vista político, a decisão [de declarar calamidade pública] está correta, pois o prejuízo seria muito maior se a crise prejudicasse os Jogos”, diz DaCosta. “O Rio não é um fato isolado. Nos Jogos de Londres, por exemplo, a Câmara dos Comuns tentou embargar muitas das modificações que foram feitas no final da construção das instalações olímpicas.”

Após análise, o governo federal liberou 2,9 bilhões de reais. Deles, cerca de 800 milhões de reais deverão ser usados para pagar a metade do salário de maio e o integral de junho dos policiais. O governo promete liberar ainda as parcelas atrasadas do Regime Adicional de Serviço (RAS), que paga os homens que trabalham durante as folgas, e ainda a premiação do Sistema de Metas do primeiro semestre de 2015, para os que reduzem a criminalidade.

A crise na segurança pública – como salários atrasados dos policiais civis, militares e bombeiros; e a falta de combustível para veículos e helicópteros das forças de segurança – chegou a gerar diversos protestos de policiais, como uma faixa estendida no setor de desembarque do aeroporto internacional do Galeão com os dizeres “Welcome to hell” (Bem-vindo ao inferno). O estado do Rio vê, ainda, um aumento da criminalidade: houve uma alta de 15,4% no número de homicídios dolosos entre janeiro e abril em comparação ao mesmo período de 2015.

Parque aquático olímpico: a cidade está quase pronta para receber o evento.

O Rio terá reforços das Forças Armadas para o período dos Jogos. Porém, segundo a mídia brasileira, serão disponibilizados 4.500 homens – número inferior ao solicitado pelo governo estadual, que era de 5 mil. Representantes do governo federal afirmaram que, com o aporte de 2,9 bilhões de reais, não será necessário deslocar o número pedido pela administração fluminense.

“Vai ter a Força Nacional de Segurança, o Exército, a Marinha. Todos estarão aqui. Acho que eles [governo estadual] fazem um trabalho terrível na segurança, antes e depois dos Jogos. Ainda bem que não serão os responsáveis pela segurança durante os Jogos”, afirmou o prefeito Eduardo Paes, em entrevista recente à CNN.

Metrô em cima da linha

Com os recursos federais aplicados na segurança pública, o estado promete fazer um remanejamento de verbas para concluir as obras da linha 4 do metrô, que liga a zona sul da cidade à Barra da Tijuca – bairro com o maior número de competições olímpicas. Com o aporte, a inauguração da linha – que tem 16 quilômetros de extensão e cinco estações – foi adiada para 1º de agosto, a cinco dias do início dos Jogos.

Mas a despoluição da Baía de Guanabara, um dos compromissos assumidos pelo Rio em sua candidatura para os Jogos, não vai sair do papel. A promessa de reduzir em 80% o esgoto e lixo jogados na baía até 2016, local palco das competições de vela, não foi cumprida. Estima-se que menos de 40% do esgoto seja tratado. E, devido ao vírus zika, alguns esportistas – como o golfista australiano Jason Day e o norte-irlandês Rory McIlroy – desistiram de participar da Rio 2016.

Para Kai Michael Kenkel, professor do instituto de Relações Internacionais da PUC-Rio e pesquisador associado do Instituto Alemão de Estudos Globais e Regionais (Giga), em Hamburgo, quando o então presidente Lula defendeu a candidatura da Rio 2016, o evento tinha tudo para dar certo. Agora, porém, a situação é outra, segundo ele.

“Com uma grave recessão econômica e a crise política, o quadro é o oposto. Mas, se qualquer gestor público olhar para as edições anteriores do evento, ele vai ver que não ficou nada ou pouco de sustentável nas cidades que já foram sede”, afirma Kenkel. “Se tivessem pesquisado, os líderes políticos teriam visto o peso financeiro que um evento como este traz para as finanças públicas.”

Policiais em treinamento no Rio: para Paes, trabalho do governo estadual é terrível nesta área.

Efeitos da crise

A crise do estado tem diversos motivos, como a queda do preço do barril de petróleo e, consequentemente, na arrecadação de royalties pelo estado; a crise do setor petrolífero brasileiro devido ao escândalo da Petrobras; a diminuição na arrecadação de ICMS, também devido à crise econômica, os gastos com a organização dos Jogos e da Copa do Mundo, além de má gestão das contas públicas.

O estado sofre ainda com a desvalorização do valor do barril de petróleo – que custava na faixa de 105 dólares em julho de 2013 e, atualmente, vale cerca de 50 dólares –, já que o valor dos royalties depende do preço do barril. Assim, o estado arrecadará, em 2016, 3,6 bilhões de reais – em comparação, no ano anterior foram 5,5 bilhões de reais, segundo dados da Secretaria da Fazenda.

Quando o valor do barril de petróleo estava em alta, o estado ampliou seus gastos. As despesas do Rio de Janeiro com o pagamento de servidores ativos, inativos e pensionistas do Poder Executivo explodiu nos últimos anos. Segundo dados da Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão, em 2010 foram gastos 17,2 bilhões de reais. Já em 2016, o valor será de 37 bilhões de reais – quase o dobro.

Mesmo com tantas notícias ruins antes de atingir a marca de 30 dias para o início dos Jogos, Lamartine DaCosta, da Uerj, diz que, pela tendência histórica, os Jogos deverão ocorrer normalmente. E, ainda, segundo estudos científicos, a um mês dos Jogos a mídia nacional e internacional começa a mudar o tom em relação ao megaevento.

“E a população absorve muito bem isso [os problemas]. É uma característica do povo aderir aos eventos, como nos Jogos Pan-Americanos e a Jornada Mundial da Juventude. E, pela tendência histórica, isso deverá se repetir também na Rio 2016”, prevê DaCosta.

Fonte: DW

“Crime organizado preocupa mais que terrorismo no Rio”

Policiais em treinamento no Rio de Janeiro: para especialista, Brasil não é terreno fértil para terroristas.

Ex-estrategista antiterrorismo do governo dos EUA questiona se autoridades estadual, municipal e federal serão capazes de responder de forma coordenada a uma emergência nos Jogos Olímpicos, evitando crise ainda maior.

A um mês da abertura dos Jogos Olímpicos, o Rio ainda vem tentando responder a questionamentos sobre sua capacidade para sediar o maior evento esportivo do mundo. Além da estrutura para os atletas e turistas, uma das preocupações é sobre a possibilidade de ataque terrorista.

Em entrevista à DW Brasil, o especialista em terrorismo David Kilcullen, ex-estrategista-chefe de Antiterrorismo do Departamento de Estado dos EUA, afirma que o Brasil será capaz de prover a segurança necessária aos visitantes durante os Jogos. Kilcullen, no entanto, alerta que a crise política no país pode prejudicar a coordenação dos trabalhos em âmbitos estadual, municipal e federal.

Embora ressalte que terroristas “sempre encontram uma desculpa” na escolha do alvo, o australiano explica que o Brasil não reúne as mesmas condições de exclusão social de comunidades muçulmanas como países da Europa Ocidental, que facilitam o recrutamento por parte do “Estado Islâmico”.

“Não acho que o Rio seja mais alvo do que qualquer outra cidade que tenha sediado Jogos”, afirma. “Eu estaria mais atento à população nas favelas e ao crime organizado e à possibilidade de fecharem linhas de transporte de acesso aos locais das competições.”

DW Brasil: Como o senhor avalia o risco de ataques terroristas durante os Jogos do Rio?

David Kilcullen: Qualquer evento de grande porte, especialmente internacional, pode ser alvo de terrorismo. Mas não acho que o Rio seja mais alvo do que qualquer outra cidade que tenha sediado Jogos Olímpicos, como Atenas e Londres. O Rio é, sim, uma cidade maior e mais complexa do que Londres, mais complicada para prover segurança. Além disso, o Brasil mantém-se neutro em termos geopolíticos, mas empresas como a Embraer fornecem aeronaves para a força aérea afegã atacar o “Estado Islâmico”. E se você é um jihadista, sempre consegue encontrar uma desculpa para atacar alguém. Por isso, preocupar-se em tornar-se menos alvo não é uma abordagem realista. É preciso, sim, fazer com que as cidades sejam mais resistentes em caso de ataque, saibam responder a ele, para que não haja um desastre.

Na América Latina e no Brasil, há muito tempo vivem comunidades árabes – particularmente libanesas – que não são imigrantes marginalizados, mas sim, ligados a negócios. A existência de populações marginalizadas, excluídas da participação econômica e política, e observadas sob suspeita, gera um ambiente fértil para extremismos e violência. Olhando para o Brasil, eu estaria mais atento à população nas favelas e ao crime organizado e à possibilidade de fecharem linhas de transporte de acesso aos locais das competições.

A crise que o Brasil vive no momento poderia afetar a eficiência da resposta no caso de um ataque?

O que observo no Brasil é uma abordagem de policiamento militar muitas vezes ineficaz, pode até funcionar em certas circunstâncias, mas pode acabar saindo pela culatra, gerando ressentimento e criando áreas praticamente sem presença de policiamento e, quando a polícia aparece, sabe que será atacada de volta. Existe também uma questão de capacidade: cidade e Estado serão capazes de responder rapidamente em caso de urgência, evitando transformar a situação em uma crise ainda maior?

Acredito que o Brasil será capaz de responder efetivamente. Há alguns anos funciona no Rio um centro de controle de segurança que centraliza dados. Há ainda um protocolo de ação estabelecido e a experiência positiva da Copa do Mundo. Mas é claro que instabilidade política em um nível alto pode tornar mais difícil, porque você poderá ter que contar, durante os Jogos Olímpicos, com pessoas que não tiveram experiência anteriormente à frente desses sistemas.

Policiais patrulham praia na Zona Sul carioca: para Kilcullen, Rio é cidade mais complexa do que Londres.

Como a segurança poderia ser afetada?

Há o envolvimento, durante as Olimpíadas, de diferentes forças policiais e esferas políticas. E coordenar tudo é algo complicado. Estabelecer um mecanismo para compartilhar informações rapidamente, verificar o que está acontecendo, onde, e responder de maneira apropriada, é mais difícil do que se imagina.

Durante o ataque de Mumbai em 2008, por exemplo, a força policial da cidade, o Mahastra State Constabulary, e o governo federal não conseguiram coordenar muito bem as ações, e acabaram a atrasando uma resposta em mais de quatro horas, e houve mortes até eles chegarem.

Quando um ataque acontece, há a tendência de responder a ele achando que acabou aí. E aí em seguida outros atentados ocorrem. Este foi o caso de Paris, quando sete ataques aconteceram num intervalo de 90 minutos. Primeiramente houve três ataques – uma estratégia para desviar a atenção dos órgãos: polícia, bombeiros, serviços de emergência. Quando todos estavam ocupados, e a cidade praticamente fechada, outros ataques ocorreram. Esta é uma estratégia adotada agora pelos terroristas.

E como lidar com essa estratégia terrorista?

O mais importante é admitir que pode haver ataques e não ficar pensando muito em como evitá-los, mas em como responder quando acontecerem. Vou dar um exemplo que vai parecer extremo: a Primeira Guerra Mundial começou com um ataque terrorista contra o arquiduque Francisco Fernando. O ataque em si causou três mortes, mas a guerra gerou milhões. O número de pessoas que morreram no atentado às Torres Gêmeas foi superado em muito pelas mortes que ocorreram nos conflitos decorrentes do 11 de Setembro.

Eu tendo a focar em como fazer com que o sistema seja suficientemente robusto para que possa resistir em caso de ataque sem que sofra um colapso total, sem que haja uma onda de violência. Um bom exemplo disso seria Sidney em dezembro de 2014, quando um homem fez reféns em um café no coração financeiro da cidade. A resposta imediata das autoridades foi fechar a área onde o ataque estava acontecendo. Mas fizeram de tal maneira que apenas aquela área foi bloqueada. O resto do centro, ruas, trens, continuaram funcionando. Eles tentaram minimizar a interrupção no restante da cidade, por isso, embora o caso tenha levado um dia inteiro para ser resolvido, e reféns acabaram sendo mortos, a cidade não foi tumultuada mais do que deveria.

Este é um exemplo de sistema flexível, que não fica totalmente destruído quando um incidente acontece. Além disso, as pessoas em Sidney foram às comunidades muçulmanas para dizer “não foi culpa de vocês, foi um cara maluco, estamos com vocês”, como num movimento para abraçar a comunidade. Voluntários se ofereceram para andar de trem com pessoas que se sentiam inseguras; houve um movimento no Twitter para diminuir a reação negativa. Isso foi de grande importância para que os ataques terroristas não gerassem uma paranoia, o que levaria a mais violência.

Fonte: DW

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Conflitos Destaques Estados Unidos Geopolítica Negócios e serviços Rússia

EUA começam a levantar sanções contra a Rússia – ‘Discretamente’

A plataforma de educação on-line norte-americana Coursera volta à Crimeia apesar das sanções introduzidas contra a península depois de sua adesão à Rússia.

Segundo informa o jornal russo Kommersant, a Coursera obteve a autorização necessária para realizar suas atividades na península russa. O jornal citou a porta-voz do serviço Inessa Roman que insistiu na importância de garantir uma melhor educação para todos, independentemente do local de sua residência.

É o primeiro caso de levantamento de sanções norte-americanas contra a Rússia. Segundo dados do Kommersant, o serviço recebeu autorização devido aos esforços conjuntos da comunidade educativa russa, bem como da norte-americana.

Após o referendo da reunificação da Crimeia com a Rússia em 2014, os EUA e a UE impuseram sanções contra a Rússia, incluindo restrições econômicas. Em agosto de 2014, Moscou respondeu com um embargo às importações de produtos alimentares provenientes desses países.

Fonte: Sputnik News

 

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Turquia propõe cooperação com a Rússia em luta contra EI

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Turquia propõe cooperação com a Rússia em luta contra EI

Ministro turco das Relações Exteriores, Mevlut Cavusoglu, durante cúpula da ONU em Antalya. 27/05/2016

ANCARA/MOSCOU (Reuters) – A Turquia propôs cooperar com Moscou para combater o Estado Islâmico na Síria, dando a entender que pode disponibilizar sua Base Aérea de Incirlik para a Rússia, comentários que enfatizam uma retomada dos laços afetados no ano passado, quando a Turquia abateu um avião de guerra russo.

Moscou se comprometeu a ressuscitar a relação depois que o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, lamentou a derrubada da aeronave na semana passada, na qual o piloto morreu, perto da fronteira síria. A Rússia havia rompido virtualmente todos os laços econômicos e proibido turistas de visitarem estâncias turcas.

“Iremos cooperar com todos contra o Daesh (acrônimo árabe para o Estado Islâmico). Estamos fazendo isso já há algum tempo, e abrimos a Base Aérea de Incirlik para aqueles que quiserem se unir à luta ativa contra o Daesh”, disse o ministro turco das Relações Exteriores, Mevlut Cavusoglu, em entrevista à rede de televisão estatal TRT Haber no domingo.

“Por que não cooperar também com a Rússia nestes termos? O Daesh é nosso inimigo em comum, e precisamos combater este inimigo.”

O Kremlin descreveu a indicação de que a Turquia poderia abrir a base de Incirlik como uma “declaração séria”, embora tenha dito que ainda não fez nenhum contato com Ancara a respeito do assunto.

Embora tanto Turquia quanto Rússia reconheçam a ameaça do Estado Islâmico, os dois países estão em lados opostos do conflito na Síria, o que provoca dúvidas sobre a viabilidade do uso russo de Incirlik.

 

Fonte: Reuters

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América do Sul Geopolítica Negócios e serviços

Macri vê oportunidades para acelerar o acordo comercial UE-Mercosul

O presidente do Conselho Europeu Donald Tusk, recebe o presidente da Argentina Mauricio Macri, em Bruxelas.

Em 1996, o ex-presidente da Argentina, Carlos Menem aterrissou em Bruxelas com um objetivo claro, que expressaria minutos depois de descer das escadas do avião: “Queremos acelerar o processo de construção de uma área de livre comércio entre a União Europeia e o MERCOSUL”.

Vinte anos depois dessa aproximação, o acordo ainda não foi fechado e continua marcando uma parte importante da agenda entre Buenos Aires e Bruxelas. “Abre-se uma enorme oportunidade para aprofundar a integração da UE vis a vis o MERCOSUL”, afirmou Macri na segunda-feira depois de sua reunião com o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk.

O presidente argentino manteve encontros para reativar o pacto tanto com Tusk quanto com a chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, que apoiou a “liderança” de Macri e sua política de estreitar laços com a Europa. “Vamos embora com uma visão otimista. A mudança de ofertas iniciais é o começo de um processo que queremos que avance mais rápido”, reafirmou Macri. O foco dos dois lados é avançar as negociações, mas durante a visita não se vislumbraram soluções para o capítulo agrícola, o principal obstáculo que paralisa o acordo de associação. “Todos temos claro que a verdadeira integração inclui todos os setores, por isso devemos trabalhar nos próximos meses para ver como podemos resolver isso “, disse o presidente argentino em Bruxelas, que não vê no Brexit nem na presidência venezuelana do Mercosul obstáculos para as negociações.

As principais organizações agrícolas e pecuárias europeias e 13 países da UE, incluindo a França, pediram em abril passado que Bruxelas recuse as demandas do MERCOSUL de abrir o mercado europeu para a entrada de produtos lácteos e carne, e o próprio presidente francês, François Hollande, deixou clara sua intenção de defender os agricultores franceses em sua última visita à Argentina em fevereiro, poucas semanas após a vitória eleitoral de Macri. “É como se pedíssemos que não deixasse entrar computadores”, responderam com raiva do Consórcio de Exportadores de Carnes Argentinas.

O MERCOSUL, formado por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai (Venezuela faz parte do grupo, mas não está incluída na negociação) representa para a Europa um mercado de 250 milhões de consumidores, e, juntos, formariam a quinta maior economia do mundo. A Comissão Europeia estima que 85% das exportações europeias pagam tarifas, assim o acordo significaria uma economia bilionário para setores como o de máquinas, carros e bebidas alcoólicas.

Além do acordo de comércio, Macri conversou com os representantes europeus sobre o fim dos direitos antidumping que oneram a entrada de biodiesel argentino desde o final de 2013. A UE justificou a medida alegando que se beneficiam de vantagens desleais, mas embora a Organização Mundial do Comércio tenha dado razão à Argentina, a UE apelou da decisão. Também abordou a questão das Malvinas. “Esperamos algum dia poder sentar em torno de uma mesa para dialogar em profundidade a questão, sem invalidar que podemos ter outras formas de cooperação”. Macri não acredita que a saída do Reino Unido da UE modifique em nada o cenário. “Com ou sem Brexit, nossa reivindicação nunca vai mudar”, disse taxativo.

ÁLVARO SÁNCHEZ

Foto: JOHN THYS / AFP

Fonte: El País

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Conflitos Estado Islãmico Terrorismo

“Estado Islâmico” perde território e reforça ofensiva terrorista

Onda de atentados da última semana deixou cerca de 300 mortos em diversos países.

Ao mesmo tempo em que o Estado Islâmico (EI) perde territórios na Síria e no Iraque, seus seguidores incrementam o número e a dimensão de seus ataques fora das fronteiras do califado.

Em apenas uma semana, e com o encerramento do Ramadã (mês sagrado de jejum dos muçulmanos), o EI matou cerca de 300 pessoas, em uma onda de atentados suicidas que atingiu a Turquia (44 mortos), Bangladesh (20), Iraque (entre 165 e 213, conforme as fontes consultadas), Iêmen (40) e Líbano (5). Desde que Abu Baker al Bagdadi anunciou a criação de seu próprio califado em junho de 2014, e, portanto, a cisão definitiva de seu grupo mentor, a Al Qaeda, o EI já perpetrou uma centena de atentados fora da Síria e do Iraque, acabando com a vida de mais de 1.400 pessoas.

“O EI precisa manter uma imagem de sucesso e de vitórias para poder atrair seguidores. Se não pode afirmar que está construindo um Estado Islâmico, e se, de fato, está perdendo esse estado, precisa, então, exibir realizações em outros lugares”, avalia Daniel Byman, analista do Bookings Institute, em entrevista realizada por email.

Na Síria, o EI tem perdido território e membros de suas fileiras. O Exército regular sírio, as milícias curdas e rebeldes, assim como os bombardeios da coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos, ameaçam os jihadistas em sua própria capital, a cidade de Raqa.

No Iraque, o Exército nacional recuperou a estratégica localidade de Faluya, expulsando o EI e abrindo o caminho para enfrenta-lo em Mosul. “O EI perdeu 45% do território que controlava no Iraque e 20% no da Síria”, calcula o Coronel Steve Warren, porta-voz da operação internacional lançada contra o EI sob a liderança de Washington.

Fragilizado em seu território, o Estado Islâmico se lança em uma guerra global, confirmando a virada que efetua em seu modus operandi desde o massacre de Paris em novembro de 2015. Sua internacionalização implica tanto novos desafios para os seus líderes, como novas incógnitas no combate contra o terrorismo. “Significa um desafio econômico e um dilema estratégico para o EI na hora de priorizar seus objetivos e quais grupos jihadistas irá financiar. Trata-se de uma expansão que também carrega em si uma exposição maior diante dos serviços de inteligência que participam da luta contra o terrorismo”, explica Byman.

São 60 os países que já se somaram à guerra contra o EI, sem, no entanto, ter total clareza quanto à natureza do inimigo que enfrentam. Com lobos solitários como o do ataque em Orlando (EUA), grupos jihadistas locais como o Jamaat Muyahidin em Dacca (Bangladesh) ou redes filiadas estrangeiras em Istambul (Turquia), o EI diversifica tanto a sua logística quanto a sua estratégia. “Os lobos solitários continuar a ser o maior desafio para os serviços de inteligência na luta contra o terrorismo. São mais difíceis de monitorar do que as redes já estabelecidas, como na Turquia, que vem sendo seguidas há vários anos”, comenta Maya Yahia, diretora do Centro Carnegie de Beirute.

Ao longo dos dois anos de vida do EI, a guerra empreendida por meio dos bombardeios aéreos ocidentais, bem como por milicianos locais e soldados regulares no próprio terreno, conseguiu acabar com um terço dos 35.000 jihadistas que, segundo estimativas, constituem as suas fileiras. Embora os especialistas afirmem que o EI tem recrutado menos pessoas e perdido território, o grupo consegue se impor como liderança ideológica no combate jihadista e, com isso, vem ampliando sua presença em outros países consumidos por guerras fratricidas. “A via militar não é de modo algum a solução para acabar com o EI. Enquanto se mantiverem as causas a partir das quais milhares de jovens frustrados submetidos a Governos repressivos se alistam em suas fileiras, a ausência de legitimidade política e religiosa, ou o sistema de educação deficiente, entre outras acusas, o EI continuará existindo. E, se o expulsam fisicamente do Iraque ou da Síria, um outro EI, sob alguma outra forma, ocupará o seu lugar”, alerta Yahia.

Rumo a uma re-Alqaedização do EI?

Os atentados cometidos na última semana pelo EI confirmam uma virada na estratégia do grupo. Com efeito, este tem passado por várias mudanças desde o surgimento de sua primeira versão, uma década atrás, em um centro de detenção clandestino no Iraque, Camp Bucca, até se tornar aquilo que hoje se conhece como Estado Islâmico. Inicialmente, seus membros promoveram uma guerra de guerrilha contra os inimigos mais próximos: os Governos da Síria e do Iraque. O caos gerado pelo conflito sírio possibilitou uma ampliação de seus objetivos, com uma guerra total contra as milícias curdas e rebeldes. O EI se afastou da Al Qaeda, seu agrupamento mentor, acusado por ele de priorizar apenas alvos internacionais, justamente para realizar uma campanha de extermínio contra todas as minorias religiosas na região, com um fervor especial dirigido contra os muçulmanos xiitas.

Hoje, a internacionalização do EI leva a se pensar em um processo de re-Alcaedização do movimento, por meio de seus tentáculos no Ocidente. Ainda assim, os ataques contra alvos internacionais e em território ocidental continuam sendo menos prioritários do que a sua atuação no sentido de aprofundar a divisão entre as diferentes seitas na região. Com efeito, todos os atentados cometidos na última semana ocorreram em território muçulmano. Segundo Hassan Hassan, analista do instituto Chatham House, a transformação do EI vem se realizando sobretudo no âmbito ideológico-religioso, em que procura ocupar um espaço vazio de uma liderança sunita com uma interpretação mais violenta e selvagem do salafismo jihadista. Nessa disputa ideológica radicalizada contra a Al Qaeda, o EI também ataca as potências sunitas que disputam a liderança regional, como a Turquia e a Arábia saudita.

“O EI conquistou o apoio de uma quantidade importante de grupos jihadistas, como o Boko Haram, da Nigéria, e o Ansar Bayt al Maqdis, do Egito. Em 2015, o grupo agregou mais sete províncias, algums da Líbia e do Iêmen, entre outras, ao Estado Islâmico”, avalia o especialista norte-americano Daniel Byman.

Concorrendo para conquistar a lealdade da miríade de grupos jihadistas, o EI soma à sua guerra local e internacional uma terceira frente, por meio de intermediários. Na Síria, ele enfrenta o Al Nusra, braço local da Al Qaeda; e no Iêmen, o AQAP (filial da Al Qaeda na península Arábica, na sigla em inglês).

Imagem: Plano Brasil

Fonte: El País

 

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Nova arma Ar-solo de pequeno diâmetro vai compor a suíte de armamentos do caça Chinês J-20- J-21

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Ft-07 bomba guiada de alta precisão de pequeno diâmetro

E.M.Pinto

Informações: Dragão vermelho

A nova arma de precisão chinesa vai compor a suíte de armamentos do caça chinês J-20 ou (J-21). A avançada arma guiada de precisão de diâmetro pequeno (Small Diameter Precision bomb) é uma munição de alta precisão denominada FT-07 (Fei-Teng-07).

A arma de precisão possui asas dobráveis e retráteis e foi desenvolvida tanto para redução do arraste aerodinâmico como para poder ser operada no interior das baias  internas dos caças furtivos em desenvolvimento.

A FT-07 é uma arma de precisão que pode ser guiada pelos sistemas de orientação e guiamento por satélite com INS integrado. Algumas fontes relatam que que o alcance da arma pode variar dependendo do perfil de operação entre 90 e 130 km. Como resultado, J-20 poderá atacar seus alvos fora do alcance de defesa aérea inimiga.

Com apenas 130 kg de massa, a arma foi desenvolvida para perfurar estruturas duras, como bunkers e casa matas protegidas abaixo do solo.  Segundo a fabricante, a FT-07 foi desenvolvida para ser empregada contra alvos protegidos em abrigos de concreto, como hangares de proteção individual de aeronaves (vide  imagem).

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Na imagem, Alvo protegido em Bunker atingido pela Bomba FT-07.

Atualmente a China está atualizando a FT-7 com uma ogiva mais poderosa e uma cabeça de guiamento por imagem e infravermelho integrado ao guiamento terminal INS, esta medida vai alargar ainda mais os perfis de operação da arma e  melhorar significativamente a sua precisão.

A ogiva terá um sistema de enlace de dados (datalink) bidirecional para permitir ao operador da bomba alterar o seu curso para ser mais exato em que bate o alvo em movimento ou para alterar a sua meta.

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Segundo alguns autores, o CEP ( Circular Error Probable (Erro circular Provável), índice utilizado para medir o nível de precisão de uma arma  possui um fator de 10 m para a FT-07, entretanto, o fabricante atesta que em testes recentes a arma demonstrou acuidade e precisão de 1,0m contra alvos protegidos  e em disparos a 90km.

A família de armas desenvolvidas pela china é composta por:

FT-1: Bomba Guiada por satélite 500 kg / 1000 lb

FT-2:Bomba planadora Guiada por satélite 500 kg / 1000 lb

FT-3: Bomba Guiada por satélite 250 kg / 500 lb

FT-4: Kit de asa e sistema de planeio para BombaGuiada por satélite250 kg / 500 lb

FT-5: Bomba de pequeno diâmetro 100 kg /200lb

FT-6: Kit de asa e sistema de planeio para Bomba Guiada por satélite 250 kg / 500  lb

FT-7: Kit de asas e Bomba de precisão de  pequeno diâmetro de 130 kg /260 lb

T-9: Bomba de pequena dimensão para dones 50 kg /100 lb

FT-10: Arma de pequena dimensão 25 kg / 50 lb

FT-12:  Bomba Planadora de 500 kg /1000 lb

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França quer inteligência como nos EUA pós – 11/9

Após ataques terroristas, políticos sugerem criação de agência nos moldes do Centro Nacional Antiterrorismo dos EUA. “Precisamos ser muito mais ambiciosos em termos de inteligência”, diz líder de comissão de inquérito.

Uma comissão parlamentar de inquérito encarregada de analisar os ataques terroristas que atingiram a França em 2015 recomendou nesta terça-feira (05/07) a fusão dos serviços de inteligência do país numa única agência, nos moldes do Centro Nacional Antiterrorismo dos EUA. O centro americano foi criado após os atentados de 11 de setembro de 2001.

A comissão parlamentar francesa foi formada em fevereiro deste ano, a pedido do partido Os Republicanos, de oposição, para verificar se houve falhas de segurança envolvendo os ataques em Paris, que, no total, deixaram 147 mortos. Os parlamentares colheram 200 horas de depoimentos e também analisaram os recursos acionados pelo Estado para combater o terrorismo desde janeiro de 2015.

O presidente da comissão de inquérito, Georges Fenech, afirmou que as barreiras entre os diferentes serviços de inteligência franceses fizeram com que Said Kouachi – um dos terroristas que atacou, em 7 de janeiro do ano passado, a sede do semanário satírico Charlie Hebdo – deixasse de ser vigiado. Ele e o irmão, Cherif, mataram 12 pessoas na sede da publicação.

Segundo a comissão, Amedy Coulibaly, um aliado dos irmãos Kouachi que fez reféns num mercado judaico de Paris dois dias depois, matando quatro pessoas, também é um exemplo de falhas dos serviços de inteligência dentro do sistema carcerário.

“Diante da ameaça do terrorismo internacional, precisamos ser muito mais ambiciosos em termos de Inteligência. Nosso país não estava pronto, agora precisamos nos preparar”, disse Fenech à agência de notícias AFP.

“Falha global”

Em entrevista à emissora France Info, o parlamentar socialista Sebastien Pietrasanta, relator da comissão, afirmou que “a comunicação entre diversos países europeus” falhou, referindo-se à fuga para a Bélgica de Salah Abdeslam, o único dos autores dos atentados de 13 de Novembro que foi detido.

“Os dois grandes chefes de inteligência admitiram durante seus depoimentos que os ataques de 2015 representam uma ‘falha global de inteligência'”, disse Pietrasanta.

Nos atentados do “Estado Islâmico” (EI) a bares, restaurantes, ao Stade de France e à casa de shows Bataclan, que deixaram 130 mortos em Paris em novembro passado, Pietrasanta afirmou que as forças de segurança agiram de maneira “rápida e efetiva”. No entanto, ele questionou a necessidade de haver diferentes unidades de elite atuando. Fenech propôs que estas também sejam fundidas sob um comando unificado.

Além disso, o inquérito constatou que o estado de emergência imposto após os ataques de 13 de Novembro e o acionamento de milhares de militares para patrulhar as ruas de Paris tiveram “um impacto limitado” sobre a segurança na capital. Passados oito meses, a medida ainda está em vigor.

LPF/afp/ap/efe

Fonte: DW