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Quem é Fethullah Gülen, o arquirrival de Erdogan?

Fundador e líder espiritual de um movimento que foca principalmente na educação, teólogo é uma das pessoas mais influentes da Turquia e já foi aliado de Erdogan. Críticos o acusam de liderar uma seita.

A tentativa de golpe de Estado na Turquia, em 15 de julho de 2016, colocou em evidência o teólogo islâmico Fethullah Gülen, acusado pelo presidente Recep Tayyip Erdogan de estar por trás do movimento, uma acusação que o religioso nega com veemência.

Gülen, de 75 anos, é o teólogo islâmico mais influente da Turquia e o fundador e líder espiritual do movimento Hizmet (serviço), que abriu centenas de escolas no país e também no exterior, com milhões de seguidores em mais de cem países. Desde 1999, ele vive em exílio autoimposto na Pensilvânia, nos Estados Unidos.

O teólogo virou alvo da ira de Erdogan em 2013, quando promotores – supostamente ligados a ele – iniciaram investigações sobre corrupção contra ministros do governo Erdogan e pessoas ligadas ao primeiro-ministro. Este acusou Gülen de estar por trás das investigações.

Até então, Erdogan e Gülen eram aliados. Os dois se encaixam na tradição islâmica-religiosa da Turquia, em oposição ao secularismo representado pelos militares, e buscam, de maneiras distintas, dar um caráter mais religioso e menos secular à sociedade turca.

O principal caminho escolhido por Gülen para isso foi a educação de fundo religioso, que beneficiou muitas pessoas pobres, dando a elas a oportunidade de ascensão social. Muitos seguidores de Gülen alcançaram posições importantes dentro da sociedade turca, principalmente no setor de educação, na polícia e no judiciário.

Quando chegou ao poder, o partido islâmico-conservador AKP, de Erdogan, não via a ascensão social dos seguidores de Gülen como um problema. Ao contrário, eles forneciam um contraponto à velha elite, os chamados kemalistas, ou seguidores seculares de Mustafa Kemal Atatürk, o fundador do moderno Estado turco, e eram assim bem-vindos.

Defensores de Gülen afirmam que ele prega uma versão moderada, tolerante e moderna do islã, que favorece o diálogo interreligioso e a democracia. Eles lembram uma frase muito citada dele: “Construam escolas e não mesquitas”. O teólogo também critica abertamente o terrorismo islâmico.

Já os críticos – principalmente setores de esquerda e seculares – acusam-no de uma interpretação conservadora do islã. Para eles, o movimento se apresenta como tolerante, aberto ao diálogo e voltado para a educação, mas os objetivos religiosos e ideológicos de seus líderes não estão claros.

Outros críticos, principalmente ligados ao AKP, afirmam que os seguidores de Gülen criaram um “Estado dentro do Estado”, devido à grande influência de que desfrutam e por supostamente se auxiliarem mutuamente, como se fossem membros de uma seita.

Outros afirmam que o trabalho do Hizmet no setor de educação prepara o caminho para a islamização da sociedade turca, como uma espécie de revolução silenciosa. Além da educação, o movimento tem forte presença na mídia local.

Analistas afirmam que Erdogan e Gülen têm visões de mundo semelhantes, o que também explica porque foram aliados durante muito tempo. Assim, a atual divergência entre os dois não é programática, mas uma simples disputa por poder e influência na sociedade turca.

Gülen e sua organização foram declarados terroristas na Turquia, que pede, aos Estados Unidos, a extradição do teólogo.

Coluna Zeitgeist

Fonte: DW

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Vídeo: NATO / OTAN – MILITARY POWER

 

https://www.youtube.com/watch?v=6S_JzAKlwhc

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Programa nuclear iraniano: Três países por trás do vazamento de documentos secretos

Teerã suspeita de três países por trás do vazamento de documentos secretos sobre o programa nuclear iraniano, disse no domingo (31) o porta-voz da Organização de Energia Atômica iraniana Bahrouz Kamalvandi.

No início de Julho, a mídia publicou um relatório, com base em documentos secretos iranianos, que afirmavam que as principais restrições contra o programa nuclear iraniano seriam facilitadas dentro de 11-13 anos.

Isso permitiria que Teerã atualizasse mais de 5.000 centrífugas e pudesse obter uma bomba nuclear, se fosse necessário, em seis meses.

Kamalvandi não especificou quais foram os países que alegadamente estariam envolvidos nos vazamentos, acrescentando que a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) negou seu envolvimento.

“Nós apresentámos um protesto contra o incidente. Não vamos ter medo da publicação completa do documento, mas ele não deve ficar nas mãos da mídia internacional tão rapidamente”, destacou Bahrouz Kamalvandi.

Ele acrescentou que Teerã iria procurar uma “solução para o vazamento”.

Em 14 de Julho de 2015 o Irã e o sexteto: — Estados Unidos, China, França, Rússia e Grã-Bretanha, mais a Alemanha — assinaram um Plano Global de Ação Conjunta, que garantiu a natureza pacífica do programa nuclear do Irã.

O Irã concordou em admitir inspetores da AIEA nos locais em que a agência quer verificar a ausência de material e atividades nucleares em troca do alívio das sanções.

Foto: © AP Photo/ ISNA, Hamid Foroutan, File

Fonte: Sputnik News

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Turquia: Base aérea de Incirlik da OTAN foi bloqueada

Todas as entradas e saídas da base aérea de Incirlik, localizada na província meridional de Adana, foram encerradas.

Enquanto o ministro turco para os Assuntos Europeus avisa que se trata apenas de uma “inspeção de segurança” no seu Twitter, os jornais locais especulam que pode estar a caminho uma segunda tentativa de golpe.

Segundo o jornal Hurriyet, cerca de 7.000 policiais armados com veículos pesados cercaram e bloquearam a base aérea de Incirlik, em Adana, utilizado pelas forças da OTAN, já de forma limitada na sequência do golpe fracassado.

A base aérea de Incirlik é uma base fundamental da OTAN na Turquia, ela é usada pelas aeronaves dos estados-membros da coalizão internacional para combate ao Daesh. Os EUA mantêm entre 50 e 90 armas nucleares táticas na base.

Na noite de 15 de julho, embora as principais cenas dos eventos fossem Istambul e Ancara, a energia de Incirlik foi cortada por algum tempo pelas autoridades locais logo após o golpe, e vários militares turcos da base foram considerados como envolvidos na tentativa de derrubada.

O bloqueio de Incirlik se segue a uma enorme onda de protestos na quinta-feira, quando nacionalistas pró-Erdogan saíram às ruas gritando “morte aos EUA” e pediram o fechamento imediato da base de Incirlik.

Foto: © flickr.com/ U.S. Department of Defense

Fonte: Sputnik News

 

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Vídeo: Australia programa General Dynamics Land Systems LAV (CRV)

 

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Afeganistão: Sangue e esquecimento

Os afegãos têm um encontro marcado diariamente com a morte. Sua presença é sentida nos cinemas e restaurantes, nas salas de cirurgia e nas mesquitas.

Em um país com um Governo frágil, que perdeu cerca de 5% de seu território para os talibãs e sofrendo ataques esporádicos do Estado Islâmico, a única certeza é de que a violência pode pegar você em qualquer esquina.

Neste ano, com 1.600 vítimas fatais, o país foi o mais sangrento para os civis desde que a ONU passou a contabilizar os mortos da população civil.

“Você sai de casa sem saber se vai voltar”, relata, ao telefone, Lotfullah Najafizada, de 27 anos. Diretor da Tolo News, a CNN afegã, ele conta que todos os dias são marcados pela incerteza. “Veja, cinco minutos atrás eu ouvi uma explosão, deve ter sido perto daqui. O que aconteceu? Não faço nenhuma ideia? Este é o meu cotidiano”, afirma ele, de Cabul, capital do país. Poucas horas depois, ficou-se sabendo que aquilo que Najafizada tinha escutado depois do almoço era a detonação de um explosivo colocado debaixo de um carro, dentro do qual viajava um parlamentar afegão.

O conflito armado no Afeganistão gerou, neste primeiro semestre, um número recorde de vítimas civis. A ONU estima em 5.000 as pessoas atingidas pela guerra. Tadamichi Yamamoto, chefe da missão, diz que os afegãos morrem em sua vida comum, no dia a dia, enquanto rezam ou trabalham. “É vergonhoso”.

A escalada mortal vem acompanhada de um avanço paulatino dos talibãs. De acordo com um relatório militar norte-americano, o controle do território por parte do Governo passou de 70% para 65% nos últimos quatro meses. Bill Rogio, editor de uma publicação online em que mapeia o país, afirma que os talibãs controlam 20% do Afeganistão e que sua influência se estende a quase metade do país.

Nas zonas liberadas, como a região norte da capital de Cunduz, o presidente Ashraf Ghani, um homem mais discreto e aparentemente mais honesto do que seu antecessor, Hamid Karzai, prometera que esses territórios nunca mais cairiam nas mãos dos talibãs. No novo país, que estava quase vendo uma luz no fim do túnel, um grupo de funcionários públicos e policiais implantaria um novo padrão, desprovido das amarras da ignorância. Mas isso jamais aconteceu. Oito meses depois, os talibãs voltam a mandar ali, até mesmo em lugares distantes, onde eles não têm o controle, implantaram-se a proibição de fumar e de ouvir música.

O presidente dos EUA, Barack Obama, pretendia efetuar uma retirada paulatina das tropas norte-americanas presentes nessa guerra sem horizonte definido, mas teve de retardar seus planos à medida que se tornava cada vez mais evidente a incompetência das forças locais de segurança. Até janeiro de 2017, quando seu mandato já estará encerrado, 8.400 militares, ou seja, 3.000 a mais do que o planejado, estarão no território afegão.

“Infelizmente, não somos capazes de mobilizar as pessoas contra os talibãs. Eles são financiados e treinados pelo Paquistão. E o seu terror se espalha. Não estão, necessariamente, mais fortes do que nunca, mas os seus ataques são mais mortais”, explica Masud Jalili.

Montado em um jumento, Jalili, então poeta, enfiou-se nas montanhas na década de oitenta para combater a invasão soviética. Guerrilheiro, testemunhou como o império soviético teve de fugir açodadamente. “Mas depois surgiram os talibãs com seu fanatismo”, lamenta Jalili, 68 anos, hoje embaixador de seu país na Espanha.

Enquanto a atenção internacional se volta para o Iraque e a Síria, a quase esquecida guerra afegã segue seu caminho. O Estado Islâmico reivindicou a autoria do atentado de segunda-feira em Cabul, em que morreram mais de 80 pessoas. A esse passo, o Afeganistão corre o risco de acabar se transformando em um imenso memorial da morte.

JUAN DIEGO QUESADA

Edição/Imagem: Plano Brasil

Fonte: El País

 

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31 de Julho de 1991: Assinado o primeiro acordo Start

Bush e Gorbatchov assinaram acordo no Kremlin

Em 31 de julho de 1991, as superpotências União Soviética e Estados Unidos assinaram um acordo histórico sobre a redução de armas estratégicas, conhecido como Start.

Era um dia ensolarado de verão em Moscou e o otimismo estava no ar. Milhares de jornalistas procedentes do mundo inteiro encontravam-se na capital russa para fazer a cobertura do encontro de cúpula das duas superpotências. Distensão, democratização, cooperação e desarmamento eram manchetes da imprensa internacional naquele tempo, quando se falava com otimismo sobre uma nova ordem mundial.

No entusiasmo que reinava após a queda da Cortina de Ferro, parecia fazer quase parte do cotidiano a distensão entre as superpotências outrora antagônicas – Estados Unidos e União Soviética. A situação permitia que se festejasse uma abertura histórica.

No dia 31 de julho de 1991, o então chefe de Estado e de Partido da União Soviética, Mikhail Gorbatchov, e o presidente dos Estados Unidos George Bush sênior assinaram, no Kremlin, o acordo de desarmamento que ficou conhecido como Start, abreviatura em inglês de Strategic Arms Reduction Talks. A palavra-chave era redução, porque até então só se falava em limitação da corrida armamentista. O Start era um sucesso diplomático, que parecia prenunciar o fim da confrontação atômica.

Ogivas nucleares

Pela primeira vez, a espiral do armamentismo se inverteria. Pela primeira vez, haveria redução de armas nucleares. EUA e União Soviética reduziriam o número de suas ogivas nucleares em um terço cada um. Holger Mey, do Instituto de Análises sobre Defesa, de Bonn, se lembra:

“Ao contrário dos acordos anteriores, que previam apenas a limitação dos arsenais estratégicos, o novo estabelecia uma redução de fato e por isso era importante. Os dois lados concordaram em eliminar parte de suas armas porque eram de opinião que possuíam mais que o suficiente e aumentariam a sua segurança se concordassem em reduzir o excedente de sua capacidade para um teto comum”.

Mas, de uma certa forma, o Start ficou superado antes que o acordo fosse ratificado. Seis meses mais tarde, o Departamento de Defesa norte-americano e seu congênere russo já discutiam sobre um acordo subsequente, o Start 2.

Dividendos da paz

Depois do colapso da União Soviética, em dezembro de 1991, a Rússia restou como a única potência nuclear na área do antigo Pacto de Varsóvia. Nessa condição, russos e norte-americanos tinham pressa em embolsar os chamados “dividendos da paz”. Acreditava-se na época que os dois lados iriam poupar somas gigantescas de dinheiro, se encerrassem a corrida armamentista. O perito em desarmamento Mey opina:

“Havia realmente distensão, o relacionamento era de fato muito cooperativo. De forma que se podia, tranquilamente, negociar a redução de armas e também ter esperança de poder poupar custos, porque se partia do pressuposto de que os termos do Start já correspondiam aos fatos, à realidade política”.

Quimera geoestratégica

Foi nesse ponto histórico, no mais tardar, que o Start passou da condição de sucesso diplomático para quimera geoestratégica. Na realidade, não se concretizou a boa vontade expressa no texto do acordo. O controle das medidas de desarmamento tornou-se muito difícil e houve retardamentos.

Grandes acordos de desarmamento, a aplicação do Start, a ratificação do Start 2 e a adaptação do Tratado sobre Mísseis Antibalísticos (ABM) foram usados, de forma crescente, como instrumento de barganha nas negociações para fazer prevalecer outras metas.

Ameaça da Duma

No início de 2001, a câmara baixa do Legislativo russo, a Duma, ameaçou não ratificar o Start 2, caso os Estados Unidos se retirassem do ABM. A ameaça foi vista por peritos como uma farsa, uma vez que a Rússia retardou durante anos a implementação do Start, apesar da ajuda financeira maciça de Washington. E, nessa data, muitos peritos em defesa já consideravam o Start um projeto fracassado há muito tempo.

Em meados de dezembro de 2001, o presidente norte-americano George W. Bush informou oficialmente ao governo russo a saída dos EUA do Tratado sobre Mísseis Antibalísticos, que Washington e Moscou haviam assinado em 1972. Os atentados do 11 de Setembro, em Nova York e Washington, teriam tornado mais urgente a meta dos EUA de construir um novo sistema nacional de defesa antimísseis, o que não seria permitido pelo ABM.

Fonte: DW

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Turquia: Forças Armadas responderão à presidência

Presidente vai propor ao Parlamento que serviço de inteligência e chefes do Estado-maior fiquem sob controle civil, e publica decreto que fecha todas as escolas militares e as substitui por uma universidade nacional.

O presidente da Turquia, Recip Tayyip Erdogan, afirmou neste sábado (30/07) que os comandantes militares responderão ao ministério da Defesa do país e as academias militares serão fechadas. As medidas visam colocar os militares sob completo controle civil após uma tentativa fracassada de golpe.

“Vamos apresentar uma pequena reforma constitucional [ao Parlamento] que, caso seja aprovada, colocará o Serviço Nacional de Inteligência e os chefes do Estado-maior sob controle da presidência”, disse Erdogan em uma entrevista para a emissora de televisão pró-governo A-Haber.

O governo precisará do apoio dos partidos de oposição para avançar com a mudança, já que são necessários dois terços dos deputados para realizar mudanças na Constituição.

O presidente publicou na edição deste domingo do diário oficial do país o decreto que fecha todas as escolas militares e as substitui por uma universidade nacional para formar homens para as Forças Armadas. Além disso, expulsou mais 1.389 soldados, entre eles um de seus antigos assessores.

Erdogan declarou ainda que o estado de emergência de três meses poderá ser prolongado, assim como fez a França após os ataques terroristas.

O presidente declarou que até agora 18.699 pessoas foram detidas após a tentativa frustrada de golpe, sendo que, delas, 10.137 estão ainda presas. Estima-se que mais de 50 mil pessoas perderam seus empregos.

O líder turco voltou a acusar o clérigo Fethullah Gülen, que vive exilado nos EUA, de ser o responsável pela tentativa de golpe de Estado de 15 de julho. Ele afirmou, ainda, que Gülen tem por trás um “mentor”, dando a entender que mais forças estariam por trás da tentativa frustrada.

FC/lusa/dpa/afp/rtr

Fonte: DW