Categories
Artigos Exclusivos do Plano Brasil Conflitos Conflitos e Historia Militar Defesa Equipamentos Estados Unidos Forças Especiais História Infográfico Inteligência Iraque Terrorismo

NATUREZA SINGULAR DAS OPERAÇÕES ESPECIAIS

Por: Rodney Alfredo Pinto Lisboa, especial para o Plano Brasil

No âmbito militar o termo “não convencional” é empregado em referência ao conjunto de ações que fogem à doutrina usual utilizada pelas forças regulares (convencionais), que norteiam sua conduta a partir de rígidas normas de procedimento adotadas como padrão para situações que pouco diferem umas das outras. Quando utilizam de métodos pouco ortodoxos para cada uma das situações em que se encontram envolvidas, as FOpEsp – valendo-se do princípio de que não é a tática e sim a política a responsável por definir a forma do conflito – buscam aproveitar-se do fator imprevisibilidade, característico das ações irregulares (guerra de guerrilha), para gerar uma “assimetria” mediante o uso de formas de combate pelas quais o adversário não espera, percebe ou compreende, a fim de neutralizar ou minimizar o poder de combate das forças regulares inimigas, normalmente restritas a procedimentos previamente testados e estabelecidos.

A natureza assimétrica que opõe forças diametralmente contrárias em termos de poder de combate, impõe aos irregulares (FOpEsp) a necessidade de conjugar habilidades heterogêneas que lhes confere a autonomia necessária para analisar e solucionar a situação em questão com liberdade de ação, originalidade, simplicidade, praticidade e adaptabilidade. Para tanto, cada um dos operadores, conforme a especificidade de cada tropa, recebe elevados níveis de adestramento, de modo a qualificá-lo no desempenho de diversas capacidades que se estendem para além da metodologia formal do planejamento operacional adotado pelas unidades militares tradicionais.

Quando envolvidas em um confronto de natureza irregular, as FOpEsp devem empenhar-se para atender os seis princípios que lhe são inerentes (simplicidade; segurança; repetição; surpresa; rapidez; propósito), no intuito de obter o conceito militar conhecido como “superioridade relativa”. Obtida no momento mais crítico e também no de maior risco ao longo de um engajamento (podendo ocorrer mesmo antes do combate ser travado), a superioridade relativa ocorre a partir de uma ação ofensiva rápida e precisa, levada a cabo contra um ponto vulnerável defendido pela força inimiga. Em decorrência do limitado poder de fogo das FOpEsp em relação às tropas convencionais, é crucial para os irregulares que a superioridade relativa seja alcançada e mantida o mais cedo que for possível, pois à medida que o engajamento se estende maior a possibilidade da iniciativa ser perdida, sob pena de jamais ser recuperada, aumentando a vulnerabilidade da missão em relação aos fatores relacionados à casualidade (Fricções de Guerra), que por não poderem ser considerados nos planejamentos estratégicos, constituem influências que podem comprometer o êxito do engajamento.

Conforme apresentado, o desfecho das ações irregulares empregadas pelas FOpEsp dependem da aquisição de habilidades diferenciadas mediante adestramento, da qualidade e especificidade dos materiais (equipamentos) e meios (procedimentos), da capacidade de operar rápida, sigilosa, oportuna e coletivamente (responsabilidade compartilhada) respeitando o planejamento e a preparação, da faculdade de adaptar-se ao acaso encontrando soluções pertinentes para cada situação específica, do correto estabelecimento da tríade (comando, controle e execução da ação) considerando o tempo (quando), o espaço (onde) e as particularidades defensivas do adversário.

A condição velada do universo que envolve as FOpEsp, faz com que o conjunto específico de técnicas empregadas em determinados procedimentos operacionais, necessariamente, seja resguardado sob a égide do sigilo a fim de assegurar a consecução dos princípios supracitados. Embora muitos aspectos relacionados a essas técnicas sejam difundidos internacionalmente entre unidades análogas por conta do intercâmbio realizado em diferentes situações, os pormenores obtidos apenas mediante o empirismo, que por sua vez distinguem a metodologia adotada por cada FOpEsp, proporcionam um diferencial que deve ser protegido, sob pena de comprometer a eficiência da unidade em caso de exposição dessas técnicas. Essa “identidade metodológica”, nascida, sobretudo, da experimentação sistemática, é adquirida pela interação de fatores relacionados à capacidade humana (física, intelectual e psicológica) dos quadros operacionais e à versatilidade dos recursos (armas, equipamentos e vetores de lançamento/recolhimento) que lhes são disponibilizados.

Quando são identificadas e vêm a público, as operações militares revelam a identidade do Estado que as patrocinou, situação que dependendo da natureza da ação pode comprometer o desempenho de uma OpEsp. Desse modo, ações que requerem o emprego de FOpEsp devem ser realizadas como uma operação aberta, de baixa visibilidade, encoberta ou clandestina.

As Operações Abertas são declaradas publicamente pelo Estado patrocinador que assume a iniciativa da ação. Embora não sejam formalmente negadas pelo Estado patrocinador, as Operações de Baixa Visibilidade são realizadas da forma mais discreta possível. Nas Operações Encobertas o Estado patrocinador dissimula a ação, resguardando-se de modo a negar de maneira plausível que seja o responsável pela operação. Por sua vez, devido à natureza sensível da operação (que pode comprometer o Estado patrocinador) as Operações Clandestinas ocorrem de forma dissimulada, com as autoridades negando seu envolvimento. Particularmente nesse caso, as consequências da ação, necessariamente, devem ser percebidas pela opinião pública como obra do acaso.

Realizadas normalmente como uma operação de natureza “clandestina”, cujo sigilo constitui elemento fundamental para proteger a integridade da missão, as campanhas conduzidas por FOpEsp ocorrem de duas formas distintas: por Ação Direta (AD), quando a FOpEsp estabelece contato direto com o inimigo; por Ação Indireta (AI), quando a FOpEsp disponibiliza organização, treinamento e logística para que forças amigas estabeleçam o contato com o adversário.

Conforme ambiente operacional e tempo de engajamento, ambos métodos (AD e AI) podem ser planejados e conduzidos de forma independente ou conjunta, sendo levados a efeito de maneira autônoma ou em apoio às forças convencionais. Embora possam ocorrer de forma integrada, o efeito produzido será muito superior quando as AD e AI materializam-se separadamente.

Embora as FOpEsp de diversas nações guardem sensíveis diferenças entre si, a classificação das missões a que se destinam (Tabela 1) apresentam similaridades conforme a categoria e o método de execução.

No cenário contemporâneo, a globalização econômica fez surgir uma nova ordem mundial onde despontam atores com motivações político-ideológicas sem vínculos com os Estados Nacionais, que buscam impor sua posição pelo uso da força. Por não disporem de representatividade estatal, retirando do Estado o monopólio da guerra, essas “novas ameaças” (insurreições, crime organizado, narcotráfico, pirataria e terrorismo) apresentam-se como um desafio para as instituições militares como um todo, uma vez que a modalidade de “guerra assimétrica” proposta por elas, em alguns casos, ignora o Direito Internacional dos Conflitos Armados (DICA/Law of Armed Conflict [LOAC]) que é regido pelos termos da Convenção de Genebra.

 

Classificação das Operações Especiais
Categoria Método Descrição
Ação de Comandos AD Operações destinadas a conduzir: interdição/destruição de alvos críticos; captura, resgate, evacuação ou neutralização de pessoal/material localizado em território hostil (todos avaliados como objetivo de valor estratégico); Planejadas para serem executadas como uma ação de choque, conduzida de surpresa, com alta intensidade e curta duração.
Guerra Irregular AI Ações realizadas em área politicamente sensível ou controlada pelo inimigo, mediante emprego de técnicas e táticas da “guerra de guerrilha”. Operações dessa natureza são realizadas por pessoal nativo da área de operações, a partir de organização, treinamento e logística (armas e equipamentos) ofertados por destacamentos de FOpEsp. Desenvolvidos de modo a possibilitar movimentos de resistência ou insurgência.
Operações contra Forças Irregulares AD/AI Decorrentes de ações executadas em função de objetivos atrelados à Defesa da Pátria (defesa externa), à Garantia da Lei e da Ordem/GLO (defesa interna), bem como em cumprimento aos compromissos assumidos com organismos internacionais. Em geral, consideram basicamente os procedimentos não convencionais empregados na condução da Guerra Irregular.
Reconhecimento Estratégico/Especial AI Ações objetivando o recolhimento de um conjunto de informações de importância estratégica ou operacional relacionadas à capacidade de combate do inimigo e características do ambiente (terreno e clima).
Operações Psicológicas AI Conjunto de medidas adotadas pelas FOpEsp de modo a influenciar o público-alvo a adotar comportamentos favoráveis que venham de encontro com a consecução de objetivos políticos, militares e econômicos.

Tabela 1: Classificação das operações consideradas como sendo de natureza especial. (Fonte: adaptado de PINHEIRO, 2012).

Para os países soberanos, o grande desafio de enfrentar o combate irregular e assimétrico encontra-se na capacidade de estudar e compreender os fenômenos relacionados a essa categoria de confronto, promovendo um conjunto de adaptações político-militares que contribuam para que ações dessa natureza sejam coibidas, uma vez que a postura conservadora de enfrentamento, considerando o emprego de tropas e métodos convencionais, mostra-se sujeita a falhas devido à inadequação dos procedimentos adotados. Os artifícios pouco ortodoxos utilizados pelo inimigo na conduta de um conflito irregular requerem uma resposta igualmente diferenciada, demandando a elaboração e/ou desenvolvimento de metodologias compatíveis, eficientes e aceitáveis de confrontação. Nesse ponto devemos esclarecer que o termo “aceitável” refere-se à legitimidade das ações militares em favor de um Estado, uma vez que elas são consideradas legítimas quando levadas a garantir a estabilidade política, econômica e social da nação em questão, mas perdem esse caráter quando atingem sua cultura, valores, interesses e pessoas.

No contexto internacional, a virada do século XX para o século XXI ficou marcada pela série de atentados terroristas promovidos pela al-Qaeda contra as cidades norte-americanas de Washington e Nova York em 11 de setembro de 2001. A partir desses eventos, as FFAA estadunidenses reagiram imediatamente, revisando sua estratégia de defesa para mobilizar todos os recursos necessários no intuito de desencadear uma Guerra Global contra o Terrorismo (Global War on Terror [GWOT]), cujos alvos prioritários seriam a al-Qaeda e o Talibã. Diferente das guerras travadas pelos EUA no passado, o conflito em questão requeria o engajamento de tropas norte-americanas contra inimigos sem fronteiras. Estendendo sua declaração de guerra contra qualquer nação, organização ou pessoa que corroborasse com a iniciativa terrorista, o governo de Washington iniciou uma campanha militar no Afeganistão (país que servia como reduto da al-Qaeda).

As particularidades restritivas do acidentado terreno afegão impossibilitaram o emprego de tropas convencionais, fato que levou os estadunidenses a valerem-se de suas FOpEsp para a execução das ações de campo. A importância estratégica que o Pentágono atribuía às FOpEsp na campanha afegã era tamanha, que o conflito foi classificado pelos militares como Guerra Centrada nas Forças de Operações Especiais (Special Forces Centric Warfare). O resultado do empreendimento norte-americano no Afeganistão evidenciou as tropas não convencionais de modo jamais visto em engajamentos militares anteriores. Sobre os procedimentos operacionais conduzidos pelas FOpEsp estadunidenses, são dignos de nota: coleta de dados de inteligência; marcação de alvos com dispositivos laser para aviação e/ou artilharia; formação, recrutamento e apoio às forças da Aliança do Norte; ataque à infraestrutura da al-Qaeda; captura de Alvos de Grande Valor; resgate de pilotos abatidos; apreensão de documentos; entre outros.

Operadores Tier 1, no Afeganistão

As campanhas levadas a efeito por FOpEsp na Guerra do Kosovo (1999) e na Guerra do Afeganistão(2001), são exemplos do emprego estratégico das unidades de elite em favor dos interesses dos Estados, uma vez que os resultados obtidos conscientizaram as autoridades estatais que grandes objetivos políticos podem ser alcançados por ElmOpEsp organizados em pequenas unidades e sem a onerosa necessidade de utilizar os grandes contingentes das tropas convencionais.

Sobre a relevância estratégica das FOpEsp, Colin Gray afirma:

“As Forças de Operações Especiais são um ativo da grande estratégia nacional: elas constituem uma ferramenta de política que pode ser empregada cirurgicamente em apoio à diplomacia, assistência estrangeira (de inúmeras formas), bem como um das forças militares regulares, ou como uma arma independente.”

Ponderando sobre a utilização das FOpEsp em favor da Grande Estratégia dos Estados, Gray evidencia as unidades de elite como um importante instrumento do Poder Militar que pode ser empregado em favor dos interesses estatais (política).

Especificamente no caso do Brasil, cuja sociedade não se mostra devidamente identificada com suas FFAA e tampouco reconhece a abrangência de suas atuações, os inúmeros problemas sociais enfrentados pelo país dificultam maiores investimentos nos setores de Segurança e Defesa. Outro agravante que compromete a consciência do povo brasileiro em relação às FFAA, bem como à necessidade de promover mudanças na Política de Defesa Nacional (PDN), é a sensação de que o país, mesmo dispondo de uma ampla diversidade de recursos naturais, não está sujeito a qualquer tipo de ameaça. Para reverter esse quadro, é fundamental que os diferentes setores da sociedade sejam introduzidos no debate que têm a PDN como foco, discutindo os programas a ela relacionados como medidas comprometidas, não com o programa político de um determinado governo, mas com sucessivos governos que se empenham em estabelecer uma política de Estado duradoura.

Referencial:

PINHEIRO, Álvaro de Souza. Knowing your Partner: the evolution of Brazilian Special Operations Forces. JSOU Report 12-7. Hurlburt Field, FL: Joint Special Operations University (JSOU), 2012.

Notas sobre o autor: Professor universitário; especialista em História Militar; mestre em Estudos Marítimos pela EGN (Escola de Guerra Naval). É fundador da Poseidon: Análises de Defesa e editor do blog FOpEsp (Forças de Operações Especiais). É membro do Instituto de Geografia e História Militar do Brasil (IGHMB) e da Associação Brasileira dos Estudos de Defesa (ABED). Foi agraciado em 2014 com o título de Mergulhador de Combate Honorário e em 2016 com o título de Submarinista Honorário. Publicou diversos artigos em periódicos e revistas especializadas abordando a temática da Guerra Irregular e das Operações Especiais.

Categories
Brasil Defesa Destaques Israel Mísseis Negócios e serviços Sistemas de Armas Tecnologia

MECTRON – ELBIT Systems negocia com Odebrecht compra de ativos

A empresa de tecnologia e defesa israelense ELBIT Systems, fabricante de drones e sistemas eletrônicos, está em negociações com a Odebrecht Defesa e Tecnologia. A informação da Agência Bloomberg, divulgada no fim de semana, foi confirmada por DefesaNet, nesta segunda-feira (25JUL2016).

Nelson Düring

Editor-chefe DefesaNet

Com informes da Bloomberg

Matéria completa -> DefesaNet

 

Categories
Africa Brasil China Defesa Destaques EVENTOS Geopolítica Opinião Rússia

BRICS se reúnem para discutir fortalecimento político do grupo

Debates sobre Síria e Mar do Sul da China estão na pauta de encontro em Patna, na Índia. Governança internacional e aumento do papel do BRICS também terão destaque.

As prioridades políticas do BRICS ao longo dos próximos anos são tema de um encontro entre os representantes dos cinco países-membros em Patna, a capital do estado oriental indiano de Bihar, nesta segunda (25) e terça-feira (26). Este é um dos 50 encontros previstos antes da cúpula de líderes do grupo, em outubro.

Segundo uma fonte na chancelaria russa, os esforços atuais vão “para além das questões imediatas da diplomacia cotidiana”, e serão buscadas questões em que os cinco países “possam efetivamente e coletivamente cooperar e colaborar para fortalecer a organização”.

O objetivo, disse a fonte à Gazeta Russa, seria aprofundar o papel dos BRICS na governança internacional e a cooperação em andamento nos diversos fóruns do grupo, além de melhorar o compartilhamento das melhores práticas em avaliação e planejamento de política externa.

O Ministério das Relações Exteriores da Índia, país que assumiu a presidência rotativa do grupo em fevereiro deste ano, afirmou em um comunicado que a reunião é “uma oportunidade para o intercâmbio de avaliações estratégicas da situação global e regional de cada país-membros, e as tendências internas”.

A delegação do Brasil é liderada Michel Arslanian Neto, Coordenação-Geral de Planejamento Político e Econômico, junto ao Ministério das Relações Exteriores.

Síria, China e outros

As situações na Síria e na porção oeste da Ásia serão levantadas pela Rússia durante as discussões. Da mesma forma, segundo a fonte, o representante chinês irá “provavelmente informar sobre o veredito do Tribunal Permanente de Arbitragem de Haia sobre as reivindicações chinesas no Mar do Sul da China e das ações que Pequim pretende tomar a partir de então”.

Mais cedo, o governo da Índia instou a China, por meio de um comunicado, a aceitar a resolução, dada em favor das Filipinas.

“As rotas marítimas de comunicação que passam pelo Mar do Sul da China são essenciais para paz, estabilidade, prosperidade e desenvolvimento. Como um Estado signatário da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, a Índia insta todas as partes a mostrar maior respeito para ao acordo, que estabelece a ordem jurídica internacional nos mares e oceanos”, disse o porta-voz da pasta indiana das Relações Exteriores, no último dia 12.

NILOVA ROY CHAUDHURY

Fonte: Gazeta Russa

Três Brics são apontados como os cinco maiores exércitos do futuro

Exércitos de China, Índia e Rússia é destaque em publicação norte-americano. França e Estados Unidos completam topo de ranking, devido a particularidades descritas a seguir.

Rússia, EUA, China, Índia e França serão as mais poderosas forças armadas do mundo em 15 anos, segundo publicação político-militar “The National Interest”.

Para chegar a esta conclusão, os autores da previsão levaram três fatores em conta: o acesso dos militares a recursos nacionais, incluindo mais recente tecnologia e inovação; apoio da liderança do país, permitindo que as forças armadas mantenham a sua independência; e a capacidade de testar novas armas e táticas em combate.

Rússia

O Exército russo passou por um momento difícil de transformação e restauração do acesso a verbas nacionais no período que seguiu a Guerra Fria. Juntamente com a recuperação econômica, houve uma poderosa corrente de investimentos nas forças armadas, enquanto a reforma das divisões de elite permitiu à Rússia conduzir duas operações militares bem-sucedidas, na Tchetchênia e na Ossétia do Sul. As forças terrestres podem ter dificuldade de acesso à tecnologia no futuro, uma vez que o complexo militar-industrial do país ainda se recupera do colapso da URSS, segundo o colunista da “The National Interest” Robert Farley. No entanto, o Exército nacional manterá as suas principais vantagens por um longo período – o tamanho e a força psicológica de seus soldados.

EUA

O elevado nível de prontidão do Exército norte-americano será fornecido até 2030 por um sistema inovador no complexo militar de defesa, disponível para todas as unidades militares dos EUA: Marinha, Força Aérea e Exército terrestre.

Além disso, os militares norte-americanos “mantiveram a forma” ao longo dos últimos 15 anos em combates contra o terrorismo no Iraque e no Afeganistão. Trata-se do maior período de guerra desde os tempos dos conflitos contra os povos ameríndios da América do Norte. Essa constante tensão impõe diversas ameaças, como uma depleção completa das unidades em consequência de guerras incessantes.

China

A principal vantagem do Exército de Libertação do Povo Chinês (CPLA) continua a ser o seu tamanho, e a desvantagem mais significativa, a falta de experiência em termos de aplicação prática. A última vez que os militares chineses participaram de um conflito foi em 1979, durante a guerra contra o Vietnã. Como o norte-americano, o Exercito chinês tem acesso total a recursos e tecnologias nacionais. Embora o desenvolvimento da economia chinesa tenha proporcionado aos militares a oportunidade de construir armas modernas, estas permanecem inacessíveis para os vizinhos na região Ásia-Pacífico.

Índia

Ao contrário da China, o Exército indiano tem grande experiência de combate; realiza constantes operações contra rebeldes maoístas no interior do país e se opõe a separatistas da Caxemira, que gozam de apoio maciço do Paquistão.

A desvantagem do Exército indiano é seu atraso tecnológico, que vem sendo revertido com a compra de sistemas modernos da Rússia, dos EUA e de Israel. Mesmo assim, a liderança em Nova Déli tem por missão desenvolver armamento nacional.

França

O Exército francês vai, em um futuro breve, tornar-se a grande potência militar na Europa. Deve “ganhar o controle do aparato militar no Velho Mundo (Europa) e determinar, em grande medida, a política de segurança no continente”, sugere o colunista da ‘National Interest’. A principal vantagem da estrutura militar francesa é o apoio recebido pelo governo, que investe volumosas quantias no setor de defesa.

ANTON VALÁGUIN

Fonte: Gazeta Russa

 

Categories
Estado Islãmico Opinião Terrorismo

Alemanha é a bola da vez: Quatro ataques em uma semana – Porque ?

Ansbach – Alemanha

Pelo menos 13 mortos e 50 feridos. Esse foi o saldo de quatro ataques que atingiram a Alemanha em apenas uma semana.

Os atentados causaram pânico e geraram incertezas quanto à segurança do país, que até agora não havia sofrido incidentes do tipo.

Os mais recentes ocorreram no último domingo. Mas por que o alvo dessa vez foi à Alemanha?

Segundo especialistas, o país corre o mesmo risco de ser palco de ataques violentos como França e Grã-Bretanha.

No final do ano passado, o governo anunciou que se juntaria à campanha militar internacional contra o grupo autodenominado Estado Islâmico na Síria, com o envio de aviões de reconhecimento, navios e um contingente de 1,2 mil de pessoal militar à região.

Os militares alemães não estariam ativamente envolvidos nos bombardeios, mas prestando auxílio às ações.

Além de ver a Alemanha como “inimiga” no front de batalha, o EI também quer ataques no país mais populoso da União Europeia ─ e que mais recebe refugiados do Oriente Médio ─ por outra razão: segundo o especialista em terrorismo Michael Ortmann, o EI que, com “incitar o ódio aos muçulmanos na Europa”.

‘Na mira’

Já no começo de junho, autoridades alemãs alertavam novamente que a Alemanha “estava na mira”, ao anunciar a prisão de quatro suspeitos em cidades diferentes, acusados de pertencerem à uma célula do EI, infiltrada no país com o objetivo ─ segundo a promotoria ─ de realizar um ataque em Dusseldorf, no oeste do país.

Três dos quatro suspeitos eram sírios, e tinham entrado no país “disfarçados” de refugiados. A revista Der Spiegel afirmou que a célula buscava recrutar um total de dez pessoas para o suposto atentado.

Segundo a imprensa local, as prisões de suspeitos e os recentes ataques criaram no país um cenário que muitos temiam: de que terroristas se utilizem do fluxo de refugiados sírios (que chegaram às centenas de milhares ao país no ano passado) para chegarem sem ser descobertos à Alemanha.

No ano passado, a Alemanha recebeu mais de 1 milhão de refugiados, embora o número tenha caído dramaticamente neste ano desde que a União Europeia tomou medidas para reduzir o fluxo de imigrantes.

Semana sangrenta

24 de julho

No último domingo, um refugiado sírio de 21 anos foi preso após matar uma polonesa com um machado e ferir outras duas pessoas. A polícia acredita se tratar de um “crime passional”.

O ataque aconteceu depois de uma discussão entre o homem e a mulher, de 45 anos, em Reutlingen, perto de Stuttgart, no sudoeste da Alemanha.

A vítima e o agressor trabalhavam juntos em um restaurante de comida turca perto de onde a discussão ocorreu, informou a polícia.

24 de julho

Já na cidade de Ansbach, na Baviera, outro refugiado sírio se explodiu do lado de fora de um festival de música, ferindo pelo menos 12 pessoas. O motivo ainda não é conhecido.

O ministro do Interior da Baviera, Joachim Herrmann, disse que o homem, de 27 anos, detonou os explosivos depois de ter sido proibido de entrar no evento.

Cerca de 2,5 mil pessoas foram evacuadas do festival após a explosão.

A explosão teria acontecido às 22h10 (17h10 de Brasília) no centro da cidade, cuja população é de 40 mil pessoas e tem uma base militar dos Estados Unidos.

Três vítimas estão em estado grave, segundo a polícia.

Autoridades bloquearam o acesso ao centro da cidade e especialistas ainda estão tentando descobrir quais tipos de explosivos o homem-bomba usou.

22 de julho

Na sexta-feira passada, um adolescente alemão de origem irianiana, David Ali Sonboly, de 18 anos, abriu fogo em um fogo em um Shopping Center de Munique, matando nove pessoas, a maioria imigrantes, antes de cometer suicídio.

Sete dos mortos são adolescentes – dois turcos, dois alemães, um húngaro, um grego e um kosovar.

Outras 35 pessoas ficaram feridas, mas apenas quatro foram baleadas – muitas se feriram ao fugir correndo do local.

Segundo Robert Heimberger, chefe da polícia criminal da Baviera, Sonboly estava planejando o ataque desde que visitou a cidade de Winnenden, onde tirou fotos. Em 2009, uma escola da cidade foi alvo de um massacre a tiros.

Mas Heimberger descartou a suspeita de que a ação de Sonboly tivesse sido inspirado no notório ataque a tiros do norueguês Anders Behring Breivik, que matou 77 pessoas em 2011.

Autoridades tinham levantado a suspeita dessa ligação por que ambos os ataques ocorreram no mesmo dia do ano. Mas a polícia vasculhou o quarto do atirador na casa dos pais dele e não encontrou evidências que comprovassem a teoria.

Segundo a Promotoria de Munique, Sonboly havia passado dois meses como paciente em um centro de saúde mental no ano passado.

A polícia também informou que prendeu um amigo do atirador, de 16 anos. Ele está sendo investigado como cúmplice no ataque. O jovem teria deixado de informar às autoridades sobre os planos de Sonboly.

18 de julho

Há uma semana, outro adolescente, um refugiado afegão de 17 anos, foi morto pela polícia depois de ferir cinco pessoas, duas delas com gravidade, com um machado e uma faca em um trem na cidade de Würzburg, no sul do país.

Quatro das vítimas eram turistas de Hong Kong.

O grupo autodenominado Estado Islâmico reivindicou a autoria do ataque e divulgou um vídeo do adolescente fazendo ameaças.

Nas imagens, o jovem, que aparece segurando uma faca, diz ser um soldado do EI preparando-se para uma missão suicida.

Autoridades alemãs afirmaram que descobriram uma bandeira do grupo extremista pintada no quarto dele.

BBC Brasil

Fonte: Terra

Categories
Conflitos Destaques Geopolitica

Turquia: Jornal pró-Erdogan diz que General americano dirigiu golpe

O jornal Yeni Safak afirma que a tentativa de golpe na Turquia foi liderada por um comandante militar norte-americano. Passadas poucas horas um enorme incêndio deflagrou perto de uma base da OTAN.

No domingo, horas antes de o fogo ter começado perto da base da OTAN na cidade turca de Izmir, o jornal de apoiantes do presidente turco, Yeni Safak, divulgou uma imagem do general John F. Campbell, acusando o oficial dos EUA de tramar o golpe contra Erdogan juntamente com o clérigo Fethullah Gulen, exilado nos Estados Unidos.

O jornal diário turco conservador é conhecido por seu apoio à linha dura do presidente Recep Tayyip Erdogan e do Partido da Justiça e Desenvolvimento. O jornal é conhecido por incitar à violência e espalhar desinformação sobre os protestos de Gezi em 2013-2014 na Turquia, ameaçando jornalistas e fabricando entrevistas. No entanto, o jornal tem uma forte base de leitores pró-Erdogan e islâmicos, servindo como mídia do Governo turco, que influencia opiniões e ações do povo.

Poucas horas depois da publicação do artigo, deflagrou um fogo na base militar da OTAN em Izmir, que continua até agora, apesar das tentativas desesperadas de conter o incêndio usando helicópteros e aviões de combate a incêndios. O fogo ameaça as munições norte-americanas armazenadas na base.

 

https://www.youtube.com/watch?v=PujuYdcu61A

 

Os EUA mantêm um estoque de até 90 armas nucleares táticas na Turquia, mais do que em qualquer outro país estrangeiro, mas as bombas atômicas não estão ameaçadas pelo fogo. Essas armas são armazenadas em outra base, em Incirlik, e supostamente em Izmir não há tais munições.

De acordo com relatórios locais, o fogo, que já queimou uma casa de repouso de idosos, está sendo investigado pelas autoridades da base como ato de sabotagem antiamericana.

Fonte: Sputnik News

Casa Branca nega participação de general norte-americano no golpe na Turquia

O porta-voz da Casa Branca, Josh Earnest, negou nesta segunda-feira as notícias, segundo quais o general reformado dos EUA, John F. Campbell, teria sido um dos organizadores da tentativa do golpe de Estado na Turquia.

“As acusações contra o general Campbell são infundamentadas e não merecem refutação”, declarou Earnest aos jornalistas.

Neste domingo, o jornal turco Yeni Safak afirmou, citando fontes anônimas, que Campbell teria ajudado os militares insurgidos. O general norte-americano comandou as tropas dos EUA no Afeganistão.

O jornal diário turco conservador é conhecido por seu apoio à linha dura do presidente Recep Tayyip Erdogan e do Partido da Justiça e Desenvolvimento. O jornal é conhecido por incitar à violência e espalhar desinformação sobre os protestos de Gezi em 2013-2014 na Turquia, ameaçando jornalistas e fabricando entrevistas. No entanto, o jornal tem uma forte base de leitores pró-Erdogan e islâmicos, servindo como mídia do Governo turco, que influencia opiniões e ações do povo.

Fonte: Sputnik News