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China ajudará Israel a construir ilha no mar Mediterrâneo

A experiência chinesa de construção de ilhas artificiais pode ser procurada por Israel.

O primeiro vice-premiê israelense Yisrael Katz apresentou um projeto de criação de uma ilha artificial perto da costa da Faixa de Gaza no Mediterrâneo. O político vê sua iniciativa como um palco para ampla cooperação internacional. Entre os países que poderiam participar da mesma ele também vê a Rússia e a China.

O projeto prevê a criação, a uma distância de 4,5 quilômetros da costa, de um porto marítimo, um aeroporto, uma estação de dessalinização da água do mar, uma usina elétrica e um hotel. A construção de alojamentos na ilha não está prevista. A ilha estará ligada com a Faixa de Gaza por uma ponte com o posto de controle no centro desta.

O controle e segurança da ilha é proposto que sejam internacionais, mas o controle marítimo permanecerá israelense.

De acordo com avaliações de Yisrael Katz, o projeto será pela sua essência econômico, mas terá também um significado estratégico e político. Segundo disse o ministro, o programa facilitará em muito a vida da população da Faixa de Gaza e será um passo importante no caminho da demarcação civil de Israel.

Em entrevista à Sputnik, o professor do Centro de Estudos das Relações Internacionais do Instituto chinês de meios de comunicação social Yan Mian comentou a possível adesão da China ao projeto:

“Se este projeto ajudasse a melhorar a situação em torno da própria Faixa de Gaza ou prestasse ajuda à Gaza, por exemplo, do ponto de vista de abastecimento de água doce e com a construção do porto, poderia de alguma forma atenuar os problemas da vida da população civil de Gaza, neste caso a China teria possibilidade de considerar a possibilidade de participar neste projeto.”

O especialista da Academia diplomática da China Ren Yuanzhe também comentou o assunto à Sputnik, dizendo:

“Primeiramente a China presta muita importância às negociações palestino-israelenses e à resolução pacífica do conflito. Segundo, a construção da ilha também pode ajudar a pacificar a situação nesta região. Israel tem acordo de paz com o Egito, um grande contributo para o processo de paz poderia no futuro garantir uma próxima reconciliação de Israel e Palestina”.

O jornal The Washington Post escreveu que “o Estado palestino está ativamente procurando parceiros financeiros para um projeto de 5 bilhões de dólares. A participação da China neste representaria as aspirações geopolíticas da diplomacia econômica de Pequim”.

A este respeito, em entrevista à Sputnik, Avraam Shmulevich, um famoso cientista político, rabi e presidente do Instituto da Parceria Oriental, disse:

“Na realidade a ideia de construção de uma ilha artificial é antiga. Esta foi proposta há já bastante anos atrás – mais de dez anos, pelo Shimon Peres, o então primeiro-ministro [de Israel]. A ideia é executável do ponto de vista técnico. De ponto de vista político e econômico a perspectiva deste é também bastante clara. Porque foi a China convidada? Isso não provoca qualquer surpresa minha. Ela muito cuidadamente, muito sensatamente e muito coerentemente aumenta sua presença em toda a região em redor de Israel”.

Neste respeito cabe mencionar também que, nos finais de março, a China e Israel começaram as negociações para um acordo criando o mecanismo de uma zona de livre comércio. A zona conseguiria dobrar o volume das trocas comerciais entre os dois países para 16 bilhões de dólares.

Foto: © AFP 2016/ POOL / RITCHIE B. TONGO

Fonte: Sputnik News

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América do Sul Geopolítica Opinião

“A crise da política é internacional. Temos de rever tudo” – Michelle Bachelet

Michelle Bachelet caminha para se tornar a última moicana da esquerda latino-americana.

Cercada por países com governos cada vez mais liberais – Argentina, Peru, Brasil, Paraguai, e com um Evo Moráles, na Bolívia, em plena baixa –, ela resiste com sua social-democracia moderada, que aposta no livre comércio, embora também passe por dificuldades nas pesquisas, como quase todos os presidentes da região.

Bachelet é a anfitriã da Cúpula da Aliança do Pacífico (México, Colômbia, Peru, Chile e 49 países observadores), que se realiza em Puerto Varas, que ratifica essa virada política com a chegada de Mauricio Macri – a Argentina quer entrar na Aliança e levá-la a convergir com o Mercosul—, um acordo que antes representava um insulto para a esquerda bolivariana.

Bachelet defende o livre comércio, mas também apoia as políticas de esquerda como contrapeso diante dos custos da globalização e para evitar que se caminhe para novos fenômenos como o do Brexit ou de Donald Trump.

Pergunta. Esta cúpula da Aliança do Pacífico marca uma guinada regional ao livre comércio?

Resposta. A Aliança foi criada em 2011 por quatro governos que compartilham valores. Isso foi antes do meu Governo, mas também os compartilhamos. Acreditamos na democracia, nos direitos humanos, na inclusão e no valor de uma economia aberta. O Chile percebeu a muitos anos que somos 17 milhões de pessoas, não podemos depender de nosso mercado interno. Saímos pelo mundo, temos acordos com países que representam 80% do PIB mundial. Tentamos, em meu Governo anterior, fazer o arco do Pacífico, mas eram muitos países, e não entrávamos em acordo, não avançávamos.

Porque havia ideologias diferentes, Bolívia e Equador estavam lá.

Sim, por muitas razões. Mas finalmente entraram em acordo México, Colômbia, Peru e Chile, e começaram a avançar. Confesso que enquanto fazia campanha perguntava: O que é esta Aliança do Pacífico? Preocupava-me que fosse vista como um movimento ideológico que desse as costas ao resto da região. Mas na primeira reunião no México a que fui como presidenta me dei conta de que ele é uma acordo comercial com livre trânsito de pessoas, de produtos, muito pragmático.

A vinda de Macri consolida a guinada política da região?

Nós dissemos “não queremos que a Aliança dê as costas ao resto da região”. Cremos na convergência na diversidade. Não para fundir, e sim para ver o que podemos fazer. Convidamos a Argentina, Uruguai, Brasil. A Aliança deu resultados positivos, por isso temos 49 países observadores.

Imaginam o MERCOSUL dentro da Aliança?

Sim, mas convergência não significa fusão. Há determinada regulamentação interna no MERCOSUL que fez com que o Chile não seja um membro pleno, e sim um membro associado. Para alguém fazer qualquer coisa no MERCOSUL precisa pedir permissão a todos os demais. Alguns quiseram fazer tratados de livre comércio com outros países, e não foram autorizados.

Argentina, Brasil, Venezuela, são países com muita tradição protecionista. Agora a região vai desviar para o livre comércio?

O Chile tinha uma experiência diferente, acreditava e acredita que a saída para o exterior é muito importante e que o protecionismo não é a solução. Mas entendemos que podemos encontrar pontos em comum com o MERCOSUL. Há muitos países observadores que querem ser membros da Aliança, mas têm que aceitar as regras. No momento temos a Costa Rica e o Panamá. Macri está nesta cúpula, vamos ver, e o Brasil. A presidenta Dilma tinha manifestado seu interesse, mas agora o Brasil está em outras questões, não creio que essa seja sua prioridade hoje.

A senhora continua com baixa avaliação nas pesquisas. É algo que acontece com a maioria dos presidentes da região, sem distinção de ideologia. O que estão fazendo de errado os políticos latino-americanos?

Tenho a impressão de que a crise da política é universal. Na Europa acontece o mesmo. Os partidos todos, temos que nos repensar. A democracia representativa por si só não responde mais aos anseios das pessoas de ser parte construtora da sociedade. Por isso nós no Chile estamos fazendo um projeto constituinte de baixo para cima.

É possível governar com essa avaliação tão baixa?

Primeiro é preciso cumprir com os compromissos assumidos. E enxergar como restabelecer a confiança. A desconfiança é com a política, mas também com o mundo empresarial, com as instituições religiosas. Há um questionamento à elite. As elites latino-americanas precisam se reenxergar, questionar o que estamos fazendo e se reinventar para continuar fazendo o papel que cabe aos partidos políticos, a única organização que pode oferecer a uma nação uma ideia coletiva. Precisamos de uma política próxima, limpa, preocupada com as pessoas.

A senhora, que viveu em seu mandato anterior o auge da esquerda latino-americana, como vive a virada da região para o liberalismo?

Nós respeitamos as decisões de cada país. O Chile sempre acreditou no livre comércio e o defende com força. Muitos países com presidentes de esquerda nos pediram no passado apoio para fazer tratados de livre comércio, para ver nossa experiência, trabalhamos com muitos deles. Sempre explicamos por que para o Chile isso foi positivo, e não negativo.

Muitas pessoas na América Latina, nos EUA, em todo o mundo, pensam que o livre comércio traz redução de salários, mais desigualdade, menos direitos para os trabalhadores. O que lhes diz?

Não é verdade. Pelo menos não para o Chile. Há tratados e tratados. Nós firmamos alguns que nos exigem muito em termos de padrões trabalhistas ou ambientais. O Chile precisou melhorar, por exemplo, para entrar na OCDE, em questões também de paraísos fiscais.

Rejeita essa ideia da esquerda de que a globalização gera mais desigualdade?

Não a rejeito. Por trás do Brexit e do sucesso de Donald Trump há algo claro, e isto é mais velho que andar para frente, soubemos disto sempre: a globalização aumentou as desigualdades. Mas a globalização é um fato, não vai desaparecer porque não gostem dela. Estamos conectados por todos os lados. Temos desafios enormes, que os países não conseguem resolver sozinhos. Uma das conclusões que tiramos do Brexit e da ascensão de Trump é que temos que introduzir políticas para que o que os acordos de livre comércio trazem de positivo resulte em prosperidade compartilhada, que se possam gerar políticas de inclusão, que as pessoas não fiquem fora do que tem êxito. Quem vota pelo Brexit? Os de mais de 50 anos, regiões rurais com pior educação, pessoas cujas fábricas não conseguiram competir devido à globalização e tiveram que fechar. Isso é um aviso para que o livre comércio seja usado para políticas de desenvolvimento e para não deixar ninguém fora do progresso.

A esquerda latino-americana tem futuro nesse ambiente de guinada liberal?

A luta pela justiça social, por sociedades mais integradas, mais solidárias, mais justas, sempre tem sentido e vai encontrar seu espaço.

CARLOS E. CUÉ

Imagem: Plano Brasil

Fonte: El País

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Economia Geopolítica Opinião

“Nacionalismo e xenofobia são a resposta mais fácil diante das desigualdades” – Thomas Piketty

Autor de ‘O Capital no Século XXI’ analisa o ‘Brexit’ e os problemas da União Europeia.

Depois de vender em três anos 2,5 milhões de exemplares de seu livro O Capital no Século XXI, Thomas Piketty (Clichy, 1971) tem recusado os constantes convites que recebe para participar da vida política ativamente.

Nesta entrevista, realizada no prédio frio e insosso da Escola de Economia de Paris, onde ele atua como diretor de Estudos, este especialista em desigualdades afirma a cinco jornalistas de veículos de comunicação europeus que a xenofobia e o nacionalismo rondam a Europa e estão na origem do Brexit.

A chanceler alemã, Angela Merkel, e o presidente da França, François Hollande, segundo ele, deveriam se apoiar no Syriza, no PSOE e no Podemos, partido em que, como ela conta no início da conversa, votou a sua esposa, Julia Cagé, nascida em Metz (França), mas que tem dupla nacionalidade (francesa e espanhola).

Pergunta. O Brexit representaria a chegada da catástrofe sobre a qual o senhor fez um alerta durante a crise grega?

Resposta. Faz tempo que a Europa vinha brincando com fogo, especialmente na zona do euro. A crise de 2008, a mais grave desde a II Guerra Mundial, foi mal gerida. Empenhamo-nos em diminuir o déficit rapidamente demais, e acabamos com a recuperação, com o crescimento.

A Inglaterra não sofreu diretamente por causa desse erro, já que está fora da zona do euro.

A Europa fracassou e criou inúmeras tensões. Paradoxalmente, a Inglaterra se saiu melhor da crise, mas as políticas antissociais de David Cameron reacenderam os ressentimentos das classes populares, o que levou a uma reação irracional baseada na xenofobia e no nacionalismo.

Como sair desse imbróglio?

Parece que ninguém tinha se preparado para o Brexit. Temos a sensação de que, passada uma semana, todo mundo ainda navega sem instrumentos. Apesar de tudo, é preciso reconstituir a esperança de poder construir algo novo a partir desse desastre. Um desastre para as gerações mais novas, que irão sofrerão por muito tempo as consequências de uma opção feita pelos mais velhos.

Como avalia a resposta dada pela União Europeia (UE) ao Brexit?

Foi totalmente insuficiente. E restam assuntos pendentes de grande importância. Os custos gerados pelo sigilo bancário suíço e, depois, pelos paraísos fiscais da Coroa britânica e a falta de transparência da City são consideráveis. Se isso não for tratado, o populismo crescerá ainda mais. Tenho medo de ver como falta coragem aos líderes europeus.

E como deveria a mudança na zona do euro?

Defendo um sistema bicameral: um Parlamento eleito diretamente pela população e outro que represente os Estados-nação, com parlamentares do Bundestag, da Assembleia francesa etc. O sistema atual não funciona, e nunca irá funcionar. No Parlamento que eu proponho, poderiam ocorrer alianças estratégicas, coalizões ideológicas…

São os líderes políticos, e não só britânicos, os responsáveis pelo Brexit?

Sim, sim. E não apenas os britânicos. A França não fez nada em favor dos países do sul porque, com taxas de juros a zero… melhor não mudar. Claro que a atitude da Alemanha foi deplorável e completamente irracional. Esmagando a atividade econômica do sul, os credores alemães não irão conseguir fazer com que seus empréstimos sejam pagos. Há uma vontade de punição que denota fartas doses de nacionalismo.

  • Na Alemanha, existe um desejo de punição que denota fartas doses de nacionalismo

Por que o senhor se opõe à política de austeridade?

Porque ela não funciona. A Alemanha é um país que nunca pagou a sua dívida. Por isso, é paradoxal ver a Alemanha exigindo que a Grécia devolva até o último centavo de euro. A Europa foi construída com base na anistia das dívidas, para que as novas gerações não pagassem pelos erros de seus antepassados.

O que o senhor propõe em nível internacional?

O capitalismo precisa ser regulamentado. Precisamos de instituições democráticas fortes para conter a tendência à desigualdade, para controlar o poder dos mercados, do capital, a serviço do interesse de todos. É um equívoco acreditar que se pode chegar a isso de forma natural. Há uma espécie de fé exagerada na auto-regulamentação dos mercados. Em 1914, durante a primeira globalização, ocorreu uma sacralização do livre mercado e da propriedade privada, a qual acabou gerando fortes desigualdades, tensões sociais, aumento do nacionalismo e que contribuiu, de alguma maneira, para a eclosão da I Guerra Mundial.

Mais recentemente surgiu o dumping social, fiscal, financeiro…

Isso mesmo. E se não houver nenhuma resposta capaz de deter essas desigualdades, a resposta mais fácil são a xenofobia e o nacionalismo. É assim que aparecem dirigentes políticos como Donald Trump, Boris Johnson ou Marine Le Pen. São pessoas bastante privilegiadas financeira e socialmente cuja única estratégia consiste em dizer às classes populares brancas que seus inimigos são as classes populares mexicanas, negras. Com isso, elas desviam a atenção das desigualdades econômicas para dirigi-la às desigualdades de identidade, culturais, religiosas.

Se crescem os movimentos xenófobos, também se reforça uma esquerda radical, como o Syriza ou o Podemos…

Eu faço um apelo a Hollande a Merkel, no sentido de que se apoiem no Syriza, no Podemos, no PSOE… nesses partidos de esquerda mais ou menos radicais. Claro, Alexis Tsipras não é perfeito, Pablo Iglesias não é perfeito; tampouco os seus programas o são. Há imperfeições naquilo que dizem. Não têm experiência no poder. Mas são bem menos perigosos do que os nacionalistas poloneses, britânicos, húngaros…

O senhor acompanhou de perto as eleições na Espanha?

Sim, sim. A situação, agora, é quase ingovernável. Alimentou-se o medo em relação ao Podemos, humilhou-se o Syriza, humilhou-se a Grécia, exigindo que faça privatizações totalmente irracionais para vender as empresas estatais a custo de banana para os gregos ricos, aliados dos banqueiros alemães ou franceses. E isso foi feito para amedrontar os eleitores de países como a Espanha. O importante é que uma mudança na Espanha pode dar origem a uma mudança na zona do euro. França, Itália e Espanha reúnem 50% da população da zona do euro. A Alemanha, 27%. A posição da Espanha, a favor ou contra a austeridade, é capaz de desequilibrar a balança.

CARLOS YÁRNOZ

Imagem: Plano Brasil

Fonte: El País

 

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Defesa

Temer restitui poderes aos comandantes militares

Temer restitui poderes aos comandantes militares Presidente Temer recebe comandantes das Forças Armadas no Palácio do Planalto Foto: Marcos Corrêa/PR
Temer restitui poderes aos comandantes militares
Presidente Temer recebe comandantes das Forças Armadas no Palácio do Planalto
Foto: Marcos Corrêa/PR

Forças Armadas

Ao assinar decreto, presidente em exercício diz que é preciso “democratizar e reconstitucionalizar o País”

O presidente em exercício Michel Temer assinou, nesta sexta-feira (1º ), decreto que restitui aos comandantes das Forças Armadas uma série de atribuições relativas à gestão e comando das tropas, inclusive em reserva.

“Precisamos democratizar e reconstitucionalizar o País”, disse o presidente em exercício, durante a assinatura do decreto, em cerimônia no Palácio do Planalto.

Com a medida, Michel Temer restituirá à Marinha, ao Exército e à Aeronáutica atribuições como a possibilidade de transferir para a reserva remunerada oficiais superiores, intermediários e subalternos, promover oficiais a postos superiores e reformar oficiais da ativa e da reserva.

Essas funções haviam sido retiradas pelo decreto 8.515, assinado pela presidente afastada Dilma Rousseff em 3 de setembro de 2015.

Durante o ato no Palácio do Planalto, o presidente em exercício afirmou que a devolução dos poderes aos comandantes militares garante às Forças Armadas a autonomia necessária para salvaguardar a boa gestão das tropas e a segurança da soberania nacional brasileira.

Fonte: Portal Planalto

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Artigos Exclusivos do Plano Brasil China Defesa Sistemas de Armas Tecnologia

China declara bem sucedido o teste de voo do demonstrador J -31 equipado com seus motores domésticos WS-31E

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Com informações, Dragão Vermelho para o Plano Brasil

Segundo o website mil.163.com foi realizado hoje 01 de julho de 2016 0 primeiro voo de testes bem sucedidos de uma aeronave J-31 equipada com o motor doméstico Liyang WS-31E. O feito foi comemorado com grande excitação pela empresa que alegou que variante é uma versão muito melhorada e com maior potência que a  WS-13.

A fonte cita que o demonstrador J-31 efetuou a decolagem ainda cedo às 09:53 hora local efetuando um curto voo de cerca de 07 minutos e 30 segundos retornando a pista às 10:01h. Segundo a fonte, ao longo dos 7 minutos e 33 segundos todos os parâmetros do motor permaneceram normais trabalhando estável e sem anomalias.chinas-j-31-stealth-fighter-jet

Em 2012 a China desenvolveu o motor WS-13 com base no russo RD-93 aumentando a sua potência para cerca de 8.500 kg. O motor foi testado com sucesso num protótipo do J-31, mas a potência final foi considerada insuficiente. Porém, em 22 de Abril, 2016, a holding da Liyang anunciou que está investindo US $ 171 milhões em Liyang para construir uma linha de produção de motores de aeronaves de empuxo médio de terceira geração e que neste projeto estão incluídos os motores WS-13E cujos feitos da engenharia, conseguiram reduzir a sua massa total e ainda aumentar a sua potência líquida.

As fontes citam que a versão WS-13 E teve reduzidos entre 1.135 kg e1.050 kg, mas a sua potência líquida teria saltado de cerca de  8.700 kg para mais de 9.000 kg elevando a razão peso-empuxo para 8,8.

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Acidentes e Catástrofes Africa Conflitos Estado Islãmico Geopolítica Iraque Síria Terrorismo

Estado Islâmico publica um infográfico com suas “unidades encobertas” ao redor do mundo

O infográfico específica os países aonde o grupo terrorista supostamente opera de maneira encoberta.

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Foto: Reuters

Tradução e adaptação: Tito Lívio Barcellos Pereira

Sob o pretexto de completar dois anos desde que o “Estado Islâmico” declarou seu “califado” na Síria e no Iraque ― em 29 de junho de 2014 ― o grupo terrorista lançou um infográfico que destaca seu raio de ação ao redor do planeta.

O gráfico divide o mundo em várias áreas: ambientes de grande controle, médio controle e controle encoberto. De acordo com o gráfico, países onde há maior controle territorial pelo EI são Iraque e Síria, enquanto um controle médio é exercido na Chechênia e Daguestão (no Cáucaso russo), Iêmen (na Península Arábica), Egito e Líbia (no Norte da África), Somália, Níger e Nigéria (na África Subsaariana), Afeganistão (na Ásia Central) e Filipinas (no Sudeste Asiático).

Fonte: RT em Espanhol / Agência de Notícias Amaq (portavoz do Estado Islâmico)
Fonte: RT em Espanhol / Agência de Notícias Amaq (portavoz do Estado Islâmico)

A parte mais arrepiante do mapa corresponde a presença das chamadas “unidades secretas encobertas” do EI, que inclui, entre outros países, a França, Líbano, Arábia Saudita e Turquia, país que sofre uma onda crescente de ataques terroristas nos últimos anos.

Um mapa, baseado em dados fornecidos pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros da Grã-Bretanha e publicados há alguns meses, mostra os níveis de ameaça do Estado Islâmico nos países do mundo: O maior nível de ameaça concentra-se em países como Espanha, França, Grã-Bretanha, Alemanha, Rússia, Turquia, Argélia, Tunísia e Marrocos. Enquanto isso, áreas de “risco geral” repousam na Itália, Dinamarca, Suécia, Canadá, EUA, Grécia, Sérvia entre outros.

Fonte: RT em Espanhol
Fonte: RT em Espanhol

Além disso, um “risco subjacente” é categorizado em países como Portugal, Ucrânia, Noruega, Irlanda e Áustria. Áreas de “baixo risco”, de acordo com o mapa, são listadas em países como a Suíça, Polônia, República Tcheca, Estônia, Lituânia e Letônia.

Na América Latina, o elevado nível de ameaça jihadista pode ser encontrado na Colômbia; na categoria inferior encontram-se Paraguai e Peru; enquanto “risco subjacente” estão listados o Brasil, Argentina, Chile e Venezuela. Por fim, países como Uruguai, Bolívia, Guiana, Suriname, Cuba, Equador, México e países da América Central estão listados como “baixo risco”.

Fonte: RT em Espanhol

Nota do Editor: O gráfico mostrado na matéria demonstra um pouco do alcance global do autoproclamado “Estado Islâmico da Síria e do Iraque”, ou simplesmente “Estado Islâmico” ou “Califado”. Na primeira categoria, mostra claramente seus domínios territoriais as custas dos conflitos na Síria e Iraque, além da presença e atuação em vários países de maioria muçulmana (especialmente do ramo sunita) e passíveis de forte instabilidade política ou étnico-confessional.

Ingerências históricas no Oriente Médio e Norte da África por atores externos contribuiu consideravelmente para desestabilizar governos locais, seculares repúblicas autoritárias (como Iraque, Síria, Egito, Argélia e Líbia) ou mais democráticas (como o frágil Líbano) dando espaço para a propaganda fundamentalista salafista e wahabita (doutrinas extremistas e ultraconservadoras do sunismo) propagada pela Arábia Saudita e outras “petromonarquias” do Golfo Pérsico como os Emirados Árabes Unidos e o Qatar, contra os denominados “safávidas” – um adjetivo pejorativo categorizando todas as populações muçulmanas xiitas do Oriente Médio como súditos da dinastia que governou o atual Irã do século XVI ao século XVIII – uma clara referência a República Islâmica, no qual disputam com o reino saudita a hegemonia geoestratégica desta região. Tais discursos extremistas alimentam uma violência sectária direcionada não só contra os xiitas, mas também drusos, cristãos ortodoxos, maronitas, armênios, assírios, iazeditas e outras minorias religiosas. O surgimento de grupos como o Taleban, a Al-Qaeda, o Emirado do Cáucaso e o Estado Islâmico são apenas consequência desses fatores.

Numa categoria abaixo, vemos a presença de células do Estado Islâmico em outras regiões de maioria muçulmana fora do Oriente Médio e Norte da África, como o Cáucaso (uma das razões que influenciaram na intervenção direta e indireta da Rússia no Iraque e Síria), Bangladesh (no subcontinente indiano), Nigéria (África Ocidental), e nas Filipinas (no Sudeste Asiático), podendo até ter ramificações menores na Ásia Central Soviética, nos Bálcãs, e no Turquestão Chinês, servindo de ponte para “exportação” de militantes contra alvos na Europa Ocidental, Rússia, China, Irã e Índia (todos países com populações muçulmanas sunitas minoritárias).

O Brasil, apesar de encontrar-se geograficamente distante, e com uma construção identitária historicamente distinta do “Velho Mundo”, pode ser sim alvo de ataques de grupos fundamentalistas, justamente pelo fato de abrigar grandes eventos de repercussão internacional, como os Jogos Olímpicos de Verão, que contará com turistas e delegações de todo mundo. Os ataques podem não ser endereçados necessariamente contra a população e governo brasileiro, mas utilizar-se das fraquezas e deficiências da segurança local para lançar ataques contra as delegações e turistas de origem norte-americana, europeia, israelense e russa (levando em conta os principais atores atuantes na geopolítica do mundo árabe e islâmico), podendo inevitavelmente causar danos severos a infraestrutura brasileira e causando a morte de muitos de seus cidadãos.