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Tentativa de golpe militar na Turquia: Erdogan sai fortalecido como chefe de Estado

Segundo especialista Michael Lüders, golpe fracassado contra presidente turco, Recep Erdogan, deverá reforçar posição do chefe de Estado, que pode utilizar a ocasião para acerto de contas com opositores e críticos.

Em entrevista à Deutsche Welle, o editor e estudioso do Islã Michael Lüders, presidente da Sociedade Árabe-Alemã, afirma que é muito simplista imaginar que o Movimento Gülen esteja por trás do levante e que esse fosse capaz de realizar sozinho o golpe de Estado que se sucedeu na noite de sexta-feira (15/07) Turquia.

O especialista em assuntos islâmicos disse ainda que o presidente turco deverá sair fortalecido da tentativa fracassada de golpe de Estado e que “irá, obviamente, agir com o maior rigor contra todos os seus adversários, não apenas dentro das Forças Armadas.”

Pergunta DW: Como você avalia a situação atual na Turquia?

Michael Lüders: Aparentemente, os golpistas não alcançaram o objetivo de derrubar o governo. As forças fiéis ao governo, dentro e fora do Exército, foram capazes de tomar o controle da situação. Assim, o golpe pode ser visto como fracassado.

Aparentemente, a totalidade das Forças Armadas não participou do levante. Já se sabe quem está por trás dessa tentativa de golpe?

Até agora, não temos nenhuma informação sobre os antecedentes e os responsáveis pelo golpe. É certo que somente parte dos militares se rebelou. Mas, no presente momento, ainda não se conhecem detalhes.

Você acha que é possível que Fethullah Gülen esteja por trás da tentativa de golpe, como afirma o presidente Recep Tayyip Erdogan?

O governo Erdogan reage de forma um pouco reflexiva ao fazer tal acusação. É certamente muito simplista imaginar que o Movimento Gülen – ou seja, uma organização transnacional, que está bastante enraizada na Turquia e defende uma visão de um mundo islâmico conservador – esteja por trás do levante.

Anteriormente, esse movimento esteve intimamente ligado ao AKP, partido de Erdogan. Então, os dois brigaram, em parte devido a diferentes pontos de vista sobre a distribuição de poder e recursos. A extensa reivindicação de poder por parte de Erdogan também desagradou ao movimento iniciado pelo imã Fethullah Gülen.

Pode-se descrever tal movimento como uma rede que reúne pessoas com a mesma visão de mundo, tentando fazer com que elas assumam postos importantes no governo e na sociedade. Parece-me um pouco absurdo pensar que os seguidores do imã Gülen sejam capazes agora de realizar, sozinhos, esse golpe.

O que poderia ter motivado os golpistas?

O provável motivo pode ser a insatisfação de partes do Exército e da população com a política do governo Erdogan. No centro das críticas devem estar a reivindicação de poder absoluto por parte do presidente e a questão de como lidar com a crescente violência na Turquia – ou seja, com os atentados terroristas, com o conflito no sudeste do país, como também na Síria.

Possivelmente, houve opiniões divergentes quanto a esses pontos – mas também contas que os golpistas queriam acertar com Erdogan devido a algumas de suas decisões. Mas tudo isso são suposições, até agora não temos nenhuma certeza.

Houve alguma indicação de que os militares ou elementos das Forças Armadas poderiam se posicionar contra Erdogan e o governo AKP?

Não, não houve. Nos últimos tempos, as relações entre Erdogan e os militares turcos estavam, na verdade, boas. Nos anos anteriores, o Exército via no presidente um adversário, porque ele havia enfraquecido os militares. Antes da subida ao poder pelo governo de Recep Tayyip Erdogan, em 2002, os militares eram a instância que dominava a política no país – até mesmo a execução de um golpe.

Erdogan reduziu maciçamente essa influência. Em contrapartida, ele concedeu privilégios aos membros das Forças Armadas. Por esse motivo, as relações entre o chefe de Estado e os militares eram tão boas. Assim, esse golpe foi uma surpresa. E ele não foi muito bem preparado, pois os golpistas não conseguiram nem mesmo assumir o controle completo dos meios de comunicação. Esse é um dos pré-requisitos para que um golpe seja bem-sucedido. Eles também não foram capazes de atrair para seu lado partes indecisas do Exército.

Ainda na noite da tentativa de golpe, Erdogan retornou de suas férias para Ancara. Isso não é sem risco. Ele já estava certo de que o golpe iria fracassar?

Logo após sua chegada à Ancara, ele deu uma coletiva de imprensa, para sinalizar que a situação era estável. Quando um golpe de Estado acontece, certamente faz sentido que o presidente se mostre à população. Que ele sinalize aos seus apoiadores: Eu estou aqui, vocês podem continuar a contar comigo. Mas, é claro, que isso pode ser arriscado. Não se podem descartar ataques quando Erdogan sobrevoa a Turquia com seu helicóptero.

Os partidários de Erdogan se posicionaram contra o golpe. Isso poderia contribuir para que o presidente veja a sua posição reforçada e que ele dê continuidade à sua política, sobretudo a de enfraquecimento da democracia?

Depois da tentativa fracassada de golpe, Erdogan irá, obviamente, agir com o maior rigor contra todos os seus adversários, não apenas dentro das Forças Armadas. Qualquer pessoa que, no passado ou no presente, tenha falado de forma crítica contra ele ou seu governo, estará agora sob suspeita generalizada de traição. Certamente, o país será varrido agora por uma chamada onda de expurgo. Os opositores de Erdogan serão afastados de seus postos. Em última análise, o golpe vai ajudar Erdogan a fortalecer ainda mais a sua posição absoluta de poder.

Que implicações essa tentativa de golpe terá para a Europa, Otan e para a luta contra o “Estado Islâmico” na Síria e no Iraque?

Acredito que nada vai mudar. Erdogan teve muita solidariedade, do presidente Barack Obama até a chanceler federal alemã, Angela Merkel. Ambos se posicionaram contra essa tentativa de golpe. Isso fortalece, indiretamente, o apoio ao presidente turco. Então é de se esperar que os políticos turcos deem continuidade ao seu curso anterior, com todas as suas vantagens e desvantagens.

Foto: Chris McGrath / Getty Images

Fonte:DW

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TERRORISMO – Sociedades livres precisam aprender a se defender

A intervalos cada vez menores, cidadãos comuns são atingidos pelo terrorismo fundamentalista. Paira a ameaça de que as democracias possam se modificar para pior, opina o editor-chefe da DW.

Há muito o terrorismo fundamentalista islâmico se transformou num pesadelo. Por toda parte, ele investe contra as sociedades livres: em restaurantes, aeroportos, hotéis, estádios de futebol, clubes, trens, praias, escolas e agora também nas ruas. O terror está por toda parte, e os cidadãos das sociedades livres – e não só delas – sentem cada vez mais medo. Eles sentem e pressentem o perigo, a ameaça à espreita em todos os lugares – tanto no dia a dia como nas férias.

O terrorismo se tornou um desafio para as democracias – especialmente a França, que acaba de sofrer seu terceiro, terrível atentado terrorista. Elas foram impelidas à guerra forçada contra o terror. É uma guerra assimétrica: lobos solitários ou pequenos grupos sem grande aparato logístico matam seres humanos a esmo. E os democratas temem por sua liberdade, por suas liberdades.

Ao que parece, o Estado não é mais capaz de cumprir sua tarefa mais importante: apesar dos departamentos criminais, dos serviços secretos, apesar da crescente vigilância sobre a população, apesar da imensa mobilização policial, o Estado não consegue proteger seus cidadãos. O terror é onipresente, pois ele vem de dentro da própria sociedade.

Fascinados pelo poder do fundamentalismo islâmico, inspirados pelo jihad, a “guerra santa”, jovens, geralmente do sexo masculino, mobilizam-se para desafiar a nossa sociedade – que também é a deles. Eles matam a esmo, mas não sem um plano: eles querem abalar as sociedades livres – e estão conseguindo.

À medida que as forças de segurança tradicionais não são mais capazes de proteger os cidadãos, estes vão perdendo sua serenidade – até agora exemplar, em especial no Reino Unido e na França. Paira a ameaça de um estado na sociedade em que triunfem o ódio, a rejeição, o racismo. Um pesadelo para uma sociedade aberta.

E naturalmente agora é preciso travar guerra: contra o “Estado Islâmico” (EI). Isso é politicamente necessário, mas também delicado, pois significa se colocar do lado dos russos e do magarefe sírio Bashar al-Assad. Mas não há como evitá-lo.

A cidade síria de Raqqa tem que ser retomada, o EI, derrotado, os combatentes sobreviventes, julgados, o pavoroso pesadelo de um califado islâmico precisa ter fim. Para tal, é necessário cooperar com todas as forças envolvidas – por mais que isso seja política e diplomaticamente indigesto.

E então será preciso se perguntar: por que tantos jovens muçulmanos – na Europa laica, mas também nos plurirreligiosos Estados Unidos – cedem ao fascínio de um islã violento? O que danifica a identidade deles ao ponto de seguirem o autonomeado califa em Raqqa ou de aclamarem entusiasticamente na internet os autores de atentados suicidas e os festejarem como heróis?

Esse será seguramente um processo social de longo termo. Antes, porém, as sociedades livres terão que aprender a superar a própria falta de defesa. É preciso elevar a pressão sobre os círculos de simpatizantes, intervir com mais rigor. Os muçulmanos têm também que se libertar da simpatia clandestina pelos pregadores do ódio e expulsá-los das mesquitas.

É preciso parar com a tolerância passiva para defender a liberdade, o nosso modo de vida liberal. Senão as sociedades vão se transformar – e na direção contrária à democracia. Na França, a Frente Nacional manda lembranças.

Alexander Kudascheff

  • Alexander Kudascheff é editor-chefe da DW

Fonte: DW

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FAB PÉ DE POEIRA: Militares da FAB vão reforçar segurança nos Jogos Olímpicos

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153 integrantes da FAB e 91 militares da Marinha foram transportados

A primeira missão da Força Aérea Brasileira (FAB) com o Boeing 767 foi realizada nesta sexta-feira (15) com o transporte de militares que atuarão na segurança dos Jogos Olímpicos Rio 2016.

“A gente retoma a atividade aérea com o privilégio de realizar as missões aéreo logísticas, que consiste no emprego de meios aéreos para transporte de pessoas e de cargas. Representa a volta da atividade aérea do Esquadrão Corsário e fôlego de vida de uma unidade aérea operacional”, disse o Comandante do Esquadrão, Tenente-Coronel Aviador Luiz Eduardo Ferreira da Silva.

No total, 244 militares da FAB e da Marinha foram levados de Belém (PA), Boa Vista (RR), Porto Velho (RO) e Brasília (DF) até o Rio de Janeiro (RJ). A participação de tropas das Forças Armadas em complemento à segurança pública – para Garantia da lei e da Ordem (GLO) – ocorre por solicitação do Governo estadual e com autorização da Presidência da República.

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O Capitão de Infantaria da FAB Bruno Heloy Herculano, responsável pelos grupamentos de Porto Velho e Boa Vista, explicou que os militares passaram por um preparo especial para esta missão. “Foram realizadas instruções de policiamento, pontos de bloqueio, controle de vias, escolta, patrulhamento a pé e motorizado e, também, legislação, como Estatuto da Criança e do Adolescente e Direito Penal”, disse ele.

“Nosso treinamento foi bem completo. Queremos fazer a diferença, que a população se sinta nossa amiga e saiba que estamos lá para garantir a segurança”, ressaltou o Soldado Jairo Gomes da Silva, da Base Aérea de Boa Vista (BABV).

Grupamentos de militares da FAB na BAGL
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Reforço – Na chegada ao Rio de Janeiro, cerca de dois mil militares da FAB aguardavam os colegas do Norte e Centro-Oeste. O Comandante do Terceiro Comando Aéreo Regional (III COMAR), Major-Brigadeiro do Ar José Euclides da Silva Gonçalves, destacou o preparo da tropa. “Estamos prontos para o desafio e para trazer à população a defesa e a segurança que nos compete”, disse.

Para o Ministro da Defesa, Raul Jungmann, o preparo dos integrantes das Forças Armadas é um diferencial para a segurança dos Jogos Olímpicos. “Os senhores foram trazidos de diferentes lugares e selecionados entre os melhores para que o evento ocorra com paz e tranqüilidade. O Brasil espera que cumpram com seu dever e, ao final da Olímpiada, possam dizer que a missão foi cumprida”, declarou ao se dirigir à tropa durante a formatura realizada na Base Aérea do Galeão (BAGL).

Saúde – Na Base Aérea do Galeão também estava exposta a aeronave C-105 Amazonas da FAB, preparada para realizar missões de evacuação aeromédica de vítimas de contaminação Química, Bacteriológica, Radiológica e Nuclear (DBQRN).

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Fonte: FAB

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FAB PÉ DE POEIRA: Militares da Amazônia Ocidental embarcam rumo às Olimpíadas Rio 2016

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54 militares de Unidades de Infantaria da Região Norte vão trabalhar nas Olimpíadas

Profissionais que estiveram em missão no Haiti e na Copa de 2014 integram o grupo

Uma missão e diferentes histórias de vida. Militares das unidades de infantaria das Bases Aéreas de Boa Vista e de Porto Velho embarcaram, nesta manhã (15/07), com destino ao Rio de Janeiro para participar do esquema de segurança dos Jogos Olímpicos Rio 2016. Formada por 54 militares , a Companhia Garantia da Lei e da Ordem (GLO) do Norte vai cumprir missões durante todo o evento olímpico e vai ficar na capital fluminense até o final do mês de setembro.

O grupo é formado por soldados, cabos, sargentos e oficiais. Um desses militares é o Capitão de Infantaria Bruno Heloy Herculano, da Base Aérea de Boa Vista (BABV). Experiente em missões reais, o oficial participou da missão de paz no Haiti. Mas a missão realizada agora no Brasil tem mais uma vida envolvida. Há exatos 16 dias, a filha do Capitão Heloy nasceu e, mesmo com a distância da família, o oficial destaca a importância do cumprimento da missão. “Dá dó ficar longe dela, mas temos que cumprir a missão. Nosso trabalho envolve entrega e entendimento do trabalho realizado pela Força Aérea. Após o cumprimento do dever, a gente curte a família. Minha esposa é sargento e ela entende”, disse.

O soldado Jairo Gomes da Silva, também da BABV, vive experiência semelhante à do Capitão. O militar é recém-casado. “Minha esposa ficou apreensiva, pois casamos há três meses, mas tive o apoio de toda a família e dos amigos. Estão todos torcendo pelo País e por nós”, explicou. O soldado, que já havia participado de operação envolvendo um grande evento, a Copa do Mundo 2014, também falou sobre a troca de experiências que a missão vai proporcionar. “Poucos têm essa oportunidade e eu posso aproveitar em minha passagem na Aeronáutica. Espero levar segurança e respeito. Mostrar que o nosso País é unido e nosso grupo tem mescla de pessoas de todo o País. Uma troca de experiência com civis e militares de todo o Brasil”, falou.

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Boing 767 realiza sua primeira missão

A preparação do grupo envolveu cerca de 100 horas de instrução, envolvendo 22 disciplinas operacionais e teórico-legais. Um dos militares responsáveis pelo treinamento físico foi o Suboficial Alexandre Fernandes Peçanha, da Base Aérea de Porto Velho (BAPV). Dentre as atividades físicas, estavam corrida de longa distância, ginástica com toros, com pneus e cordas, barra, flexão, atividades em piscina, abdominal entre outros. O grupo treinou durante dois meses, de domingo a domingo. “Trabalhamos com evolução no condicionamento do militar na parte aeróbica, anaeróbica e neuromuscular para que o militar ficasse em condições de segurar o armamento e ficar de pé durante bastante tempo sem cansar”, explicou.

Durante as Olimpíadas Rio 2016, o efetivo da Força Aérea vai realizar atividades de polícia aeronáutica, segurança em pontos específicos, patrulha motorizada, controle de vias e coibir a prática de crimes, entre outros.

“É a primeira missão desse nível que participo. Eu fui voluntário. É gratificante saber que, entre outros militares, fui escolhido e espero desempenhar bem a função e colaborar com a Força”, disse o Soldado Kaique Lima de Oliveira, da BABV.

Fonte: FAB

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Rússia na Síria endurece ofensiva

Bombardeiros estratégicos realizaram primeiro ataque após retirada de tropas russas. Iniciativa teria sido motivada por derrotas do Exército sírio e assassinato de militares.

As Forças Aeroespaciais da Rússia utilizaram na Síria, pela primeira desde o anúncio da retirada de parte do contingente, seis bombardeiros estratégicos Tu-22M3 para enfrentar as guerrilhas do Estado islâmico (EI).

“Em 12 de julho, seis bombardeiros de longo alcance Tu-22M3, que decolaram de um aeroporto no território russo, realizaram um ataque concentrado com munição de alto poder explosivo contra as posições do grupo terrorista Estado Islâmico em uma área ao leste de Palmira, as-Suhnah e Arak”, divulgou, em nota, o Ministério da Defesa russo.

Em virtude do ataque, foram destruídos um dos principais campos dos extremistas e três armazéns com armas e munições. Ainda segundo a pasta da Defesa, a operação teria atingido também 3 tanques, 4 veículos de combate de infantaria e 8 blindados.

Operação retomada

De acordo com o observador militar do “Izvéstia”, Dmítri Safonov, a situação na área de Palmira havia saído do controle do Exército sírio. “As tropas sofreram uma série de derrotas, e os guerrilheiros do EI haviam passado a um ataque em grande escala. Por isso era necessária uma maior participação das Forças Armadas russas”, afirma.

Além de estabilizar a situação, os ataques russos permitiram ao Exército local iniciar uma ofensiva. “Havíamos destruído a infraestrutura principal do Estado Islâmico e privado os guerrilheiros de realizar manobras. Porém, mais tarde, a Rússia retirou parte de sua aviação e reduziu a intensidade dos ataques contra os terroristas. Isso permitiu que eles se reagrupassem e retomassem a iniciativa”, explica Safonov.

Após os últimos fracassos de tropas do governo sírio, as Forças Aeroespaciais russas deverão aumentar o número de ataques aéreos, prevê o especialista. “Sobretudo, continuarão conduzindo ataques da aviação estratégica a partir do território russo.  Mas Moscou não vai ordenar o regresso do agrupamento principal à Síria.”

 

 

Segundo uma fonte da Gazeta Russa no Ministério da Defesa, durante a recente operação, cada um dos Tu-22M3 transportava oito toneladas de ogivas. O ataque foi realizado a partir do aeródromo da cidade de Mozdok, a 1.725 quilômetros ao sul de Moscou, e a rota das aeronaves atravessou o mar Cáspio, o Irã e o Iraque.

A primeira vez que foram utilizadas tropas da aviação de longo alcance da Rússia foi em meados de novembro passado, quando os órgãos de aplicação da lei divulgaram a informação de que militantes do EI estariam envolvidos no abate do Airbus A321.

 

 

Vingança ou missão

Mais cedo, alguns meios de comunicação haviam relatado que os ataques da aviação de longo alcance seriam uma vingança pela morte de pilotos russos perto de Palmira.

No último dia 8 de julho, durante uma operação militar nesta região, alguns militantes do Estado Islâmico conseguiram romper a defesa do Exército sírio e começaram a avançar rumo à parte histórica da cidade.

Após serem informados do ataque, helicópteros russos que sobrevoavam a província de Homs seguiram para o local e conseguiram brecar o avanço dos extremistas. No entanto, durante o combate, soldados do Estado islâmico derrubaram um veículo Mi-25 (a versão de exportação do Mi-24), causando a morte dos dois tripulantes.

O porta-voz do Kremlin, Dmítri Peskov, garantiu, por outro lado, que o ataque da aviação de longo alcance já estava previsto pelo Ministério da Defesa. “Todos esses ataques [com Tu-22M3] estão sendo realizados no âmbito da operação em curso das tropas aeroespaciais da Rússia”, disse Peskov, em entrevista à agência Interfax.

Segundo Safonov, que não confirmou a versão, os militares não tinham a intenção de se vigar, mas sim resolver missões globais. “A missão de hoje era permitir que o Exército sírio continuasse sua operação militar na sequência dos prejuízos sofridos”, arremata.

NIKOLAI LITÔVKIN

Edição/Imagens: Plano Brasil

Fonte: Gazeta Russa

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Turquia: Tentativa de golpe militar fracassou

As autoridades da Turquia, onde aconteceu uma tentativa de golpe militar, declaram que a situação está sob controle e que os rebeldes estão sendo presos. No entanto, segundo testemunhas, os militares insurgidos continuam a realizar ataques.

Segundo a emissora NTV, um grupo de militares turcos envolvidos no golpe tenta tomar o prédio do grupo de Doğan Holding (um dos mais importantes grupos económicos da Turquia)e da emissora CNN Turk, em Ancara. Uma intensa troca de tiros também acontece nos arredores do prédio parlamento na capital do país.

Segundo a Organização Nacional de Inteligência, a tentativa de golpe na Turquia foi empreendida pelo comando da Aeronáutica e da polícia militar.

Durante a noite, os envolvidos no golpe atacaram uma série de instalações em Ancara, inclusive o prédio do Estado Maior, sedes da polícia, do ministério do Interior e do parlamento. O parlamento também sofreu ataques aéreos, deixando um número ainda desconhecido de feridos.

Depois do apelo do presidente do país, Recep Tayyip Erdogan, as ruas das principais cidades da Turquia foram tomadas por milhares de pessoas contrárias ao golpe militar. Na praça Taksim, em Istambul, os militares disparam contra os manifestantes, que protestavam contra a intervenção do exército. Os dados sobre mortos e feridos ainda não foram compilados, segundo informa a emissora NTV, mas pelos menos 6 pessoas morreram durante os tumultos em Istambul. Segundo a agência Anadolu, 17 policiais morreram em Ancara.

Golpe fracassa, começam as prisões

Após algumas horas, desde o início da tentativa de golpe, a Organização Nacional de Inteligência da Turquia informou que a situação no país “voltou ao normal”.

“A tentativa de golpe militar na Turquia foi suprimida. O responsável é o comando da Aeronáutica e da polícia militar”, declarou o porta-voz da Organização Nacional de Inteligência, Nuh Yilmaz, para a emissora NTV.

Yilmaz também informou que o comandante do Estado Maior, Hulusi Akar, foi liberado do cativeiro, onde era mantido pelos organizadores do golpe militar, e retornou às suas funções.

O governador de Istambul, Vasip Sahin, também informou sobre o fracasso da tentativa do golpe militar na Turquia e anunciou que seus organizadores já estão sendo presos.

A agência Anadolu informou que 13 partidários do golpe militar foram presos durante a tentativa de tomar de assalto o palácio presidencial em Ancara. Entre os detidos, três seriam oficiais de alta patente.

O primeiro-ministro da Turquia, Binali Yildirim, declarou que mais de 120 pessoas foram presas por tentativa de golpe no país.

As ruas das três maiores cidades do país, Ancara, Istambul e Esmirna, foram tomadas por milhares de pessoas contrárias ao golpe militar. Conforme explicou por telefone ao Sputnik um dos participantes dos protestos, as pessoas não estão defendendo somente o atual governo, mas principalmente se manifestam contra a tentativa dos militares de interferir na vida política do país.

“Somos a favor dos princípios democráticos e contra métodos de força”, desse o interlocutor da agência.

Foto: © AP Photo/ Emrah Gurel

Fonte: Sputnik News

Erdogan prometeu ‘limpeza’ e prisões no exército

O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, disse que estava em um hotel na cidade de Marmaris, no sudeste do país, e que o prédio foi bombardeado logo depois de sua partida.

“Eles bombardearam o hotel um pouco depois de eu ter deixado o prédio. A tentativa de golpe, realizada por um pequeno grupo de traidores militares será totalmente suprimida. Que ninguém duvide disso. Eu continuo com o meu povo, não vou a lugar algum”, disse Erdogan durante uma coletiva de imprensa em Istambul, transmitida pela emissora NTV.

“Vamos limpar o nosso exército de traidores. Eles levantaram as armas contra o povo. Haverá muitas prisões ainda nas nossas forças armadas, inclusive nos postos mais altos”, continuou o chefe de Estado.

O presidente turco também disse que caças da força aérea do país já decolaram para destruir um helicóptero, que está atacando o parlamento da Turquia em Ancara.

Foto: © AFP 2016/ STR / TURKISH PRESIDENTIAL PRESS OFFICE

Fonte: Sputnik News

Líderes mundiais condenam tentativa de golpe na Turquia

Multidão foi às ruas protestar contra a tentativa de golpe militar.

ONU, OTAN e UE clamam por respeito aos direitos fundamentais em Ancara e rechaçam tentativa de golpe por parte de grupo de militares. Obama e outros líderes também expressam apoio a governo “democraticamente eleito”.

A tentativa de golpe perpetrada por um grupo insurgente de militares na Turquia gerou reações negativas por parte de líderes mundiais. Enquanto o grupo declarava ter tomado o controle total de Ancara nesta sexta-feira (15/07), autoridades locais negavam ter perdido o comando.

Em depoimento após chegada a Istambul, já na madrugada deste sábado, o presidente turco Recep Tayyip Erdogan declarou que a tentativa foi um ato de traição por parte dos militares, mas pelo menos serviria para “limpar” as Forças Armadas. O líder garantiu que “permanecerá com seu povo”.

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, fez um apelo em prol do respeito aos “direitos fundamentais” na Turquia e afirmou que a interferência militar nos assuntos de qualquer Estado é “inaceitável”.

“É crucial respeitar o regime civil e a ordem constitucional de uma forma rápida e pacífica, de acordo com os princípios da democracia”, disse Ban por meio de seu porta-voz em declaração oficial.

Já o secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Jens Stoltenberg, pediu “calma e moderação” e “total respeito” às instituições democráticas e à Constituição turca. “A Turquia é um valioso aliado da Otan”, sublinhou Stoltenberg em comunicado.

A União Europeia (UE) também destacou a importância da parceria com a Turquia ao declarar apoio às instituições democráticas no país. Em comunicado, líderes do bloco, que participam de uma cúpula na Mongólia entre países da Europa e da Ásia, clamaram por um rápido retorno à ordem.

“A Turquia é um parceiro-chave da União Europeia. A UE apoia completamente o governo eleito democraticamente, as instituições do país e o estado de direito”, diz a nota, assinada pelo presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, e a chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini.

Steffen Seibert, porta voz da chanceler federal alemã, Angela Merkel, defendeu o respeito pela ordem democrática na Turquia. “Tudo deve ser feito para proteger vidas humanas”, disse ele, acrescentando que Merkel está em contato constante com altos funcionários de seu governo para discutir o caso.

Logo no início do caos na Turquia, o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, também fez um apelo para que o país evitasse qualquer “derramamento de sangue” e insistiu que os problemas turcos deveriam ser resolvidos “de acordo com a Constituição”.

Também em Moscou, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse que a Rússia está “profundamente preocupada” com a situação na Turquia, e garantiu que o presidente Vladimir Putin está acompanhando o caso de perto junto a Lavrov e aos serviços de inteligência.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, clamou por apoio ao governo “democraticamente eleito” de Ancara. O líder ligou para o secretário de Estado americano, John Kerry, que está na Europa, para “discutir os acontecimentos na Turquia”, informou a Casa Branca em comunicado.

Ambos concordaram que “todos os partidos turcos devem apoiar o governo democraticamente eleito, mostrar moderação e evitar qualquer tipo de violência ou derramamento de sangue”.

A provável candidata democrata à Casa Branca, Hillary Clinton, também pediu apoio ao governo turco. “Estou acompanhando os eventos na Turquia com grande preocupação”, afirmou Hillary em comunicado, no qual pediu “calma” e “respeito” pelas leis, instituições e liberdades.

No Brasil, o ministro das Relações Exteriores, José Serra, também pediu cautela. “O governo brasileiro insta todas as partes a se absterem do recurso à violência e recorda a necessidade de pleno respeito às instituições e à ordem constitucional”, disse o ministro em comunicado.

A nota também comunicava que a Embaixada do Brasil em Ancara e o consulado brasileiro em Istambul funcionam em regime de plantão de 24 horas e estão atentos à situação dos brasileiros, inclusive aqueles que integram delegações oficiais em visita à Turquia.

EK/efe/afp/ap

Fonte: DW

Tentativa de golpe militar na Turquia

Na noite de 15 para 16 de julho, um grupo de militares turcos tentou levar a cabo um golpe de Estado. Os militares usaram helicópteros e tanques para derrubar a liderança turca. As autoridades afirmam que controlam a situação. O número de detidos atingiu 1.563 pessoas. O golpe falhado causou 90 mortos, 1.154 sofreram ferimentos.

Fonte: Sputnik News

Fracassa tentativa de golpe na Turquia

Ancara afirma que tentativa de golpe de Estado está amplamente debelada. Segundo governo, número de mortos chega a mais de 265, entre golpistas, militares e civis. Para especialistas, presidente Erdogan sai fortalecido.

O governo turco declarou neste sábado (16/07) que ao menos 265 pessoas morreram na tentativa de golpe de Estado na noite de sexta-feira por parte de membros do Exército. Após um momento inicial, os insurgentes acabaram sendo reprimidos por tropas leais ao Presidente Recep Tayyip Erdogan.

Inicialmente, poucas horas após o início da rebelião militar, o Exército sublevado indicou controlar o país e estabeleceu a lei marcial, ao mesmo tempo em que acusava Erdogan de ser um “traidor” e de ter estabelecido um “regime autoritário de medo”.

Cerca de quatro horas depois das primeiras informações, os Serviços de Inteligência Turca (MIT) anunciaram que a tentativa de golpe de Estado havia fracassado, admitindo, porém, que ainda persistem alguns focos de resistência de revoltosos.

De acordo com o primeiro-ministro Binali Yildirim, entre os mortos, estão 161 membros das forças fiéis ao governo ou civis. O número de golpistas que perderam a vida chega a 104, informaram fontes do governo em Ancara.

Yildirim disse ainda que há 1.140 feridos e que 2.839 golpistas, pertencentes ás Forças Armadas do país, estão presos. Indagado sobre a aplicação da pena de morte, o premiê turco respondeu que tal sentença teria sido retirada da Constituição turca, mas que “medidas adicionais” estariam sendo discutidas para impedir que tais “loucuras” se repitam no futuro.

Erdogan fortalecido

No momento do golpe, o Presidente turco se encontrava de férias num hotel em Marmaris, estância turística na costa do Mar Egeu e que foi bombardeado esta madrugada pouco depois de Erdogan ter saído do edifício. O presidente culpou pelo golpe de Estado os apoiadores do seu arqui-inimigo, Fethullah Gülen, um imã exilado há anos nos Estados Unidos.

O movimento que apoia Gülen (Hizmet) já condenou o golpe, num comunicado em que sublinha que “há mais de 40 anos que Fethullah Gulen e o Hizmet têm defendido e demonstraram o seu compromisso com a paz e a democracia”.

A tentativa de golpe de Estado foi condenada por várias das principais organizações internacionais, como a União Europeia (UE) e a Otan, bem como pelos Estados Unidos, Rússia, França, Irã e Grécia, que apelaram à calma e ao regresso à normalidade constitucional.

Segundo o diretor do escritório da Fundação Heinrich Böll em Istambul, Kristian Brakel, a tentativa fracassada de golpe deverá fortalecer a posição de Erdogan. Segundo Brakel, o chefe de Estado turco vê agora confirmada a sua “paranoia” de que há forças que queriam tirá-lo do governo.

Fonte: DW