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Fragata “Almirante Makarov” é transferida para os testes de mar

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Rustam par ao Plano Brasil

Tradução e adaptação: E.M.Pinto

Em 09 de julho de 2016, partindo de Kaliningrado do JSC Yantar no Báltico foi transferida para os testes de mar a terceira  fragata de patrulha da Marinha Russa, a ” Almirante Makarov “, navio modificado do Project 11356 (por vezes referido como o project 11356R ou 11357).

A Fragata deixará o Báltico rumo aos teses no final de julho, modificado primeira saída para o ZHI navio de Baltiysk é esperada antes do final de julh.

A “Yantar”Shipyard  em Kaliningrado concluiu dois contratos sequenciados de três navios cada foram assinados pelo estaleiro com o Ministério da Defesa.

Os respectivos contratos possuem número 704/27/2 / PMC / SC / 1176-10, de 28 de Outubro de 2010 (três primeiros navios) e  W / 1/1/0553 / GK-11-DGOZ de 13 de Setembro de 2011 (três últomos). O custo de cada contrato é de cerca de 40 bilhões de rublos algo em torno de US$ 624 milhões. Todos os seis navios inicialmente são previstos para equipar a frota do Mar Negro.

A “Almirante Makarov” é o terceiro navio de número de série 01359 e teve a sua quilha batida no “Yantar” em 29 de fevereiro de 2012, o navio foi lançado ao mar em  3 de Setembro de 2015.

O navio Cabeça de série, a fragata “Almirante Grigorovich” (número de série 01357) foi lançada no Yantar em 18 de dezembro de 2010, e lançada ao mar em 14 de Março, 2014, mudou-se de Kaliningrad no Báltico em 08 de abril de 2015 e e iniciou os testes de mar em 24 de abril de 2015.

A Grigorovich, foi foi mais tarde introduzida na Marinha Russa em 11 de março de 2016 e em 09 de junho de 2016 chegou à base em Sevastopol. O segundo navio “Almirante Essen” (número de série 01358) teve a quilha batida no “Yantar” em 08 de julho de 2011, e foi lançada no dia 7 de novembro de 2014. A fragata foi transferida de Kaliningrad no Báltico em 16 de outubro de 2015, iniciando os ensaios em 5 de novembro de 2015 e foi transferido para a Marinha da Rússia 07 de junho de 2016.

A construção da Almirante Istomin e Admiral Kornilov estão suspensas enquanto se aguarda a montagem do sistema de propulsão. Também no Yantar encontram-se em construção as  fragatas do segundo lote “Almirante Butakov” cuja quilha foi batida em 12 de julho de 2013, e lançada no dia 02 de março de 2016 com número de série 01360. A “Almirante Istomin”, Batimento de quilha em 15 de novembro de 2013, número de série 01361 e a “Almirante Kornilov” (cuja quilha ainda não foi  batida mas terá o número de série 01362.

 

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América do Sul Brasil Destaques Forças Especiais Segurança Pública

Brasil: Ministério da Justiça vai “mudar totalmente” a formação e o modo de atuação da Força Nacional

Há menos de dois meses à frente do Ministério da Justiça, Alexandre de Moraes escolheu como bandeira a questão da Segurança Pública.

O ministro vai “mudar totalmente” a formação e o modo de atuação da Força Nacional, dando prioridade à defesa das fronteiras secas do Brasil.

“A Força Nacional vai ser utilizada para policiamento ostensivo e preventivo”, afirmou em entrevista à ISTOÉ.

A ideia é aumentar o número de policiais de 1.500 para 15 mil homens. Assim, acredita que combaterá a entrada de drogas, armas e contrabando no País, diminuindo a criminalidade das cidades. A estréia do novo efetivo está prevista para as Olimpíadas. Para ele, a União se afastou dos assuntos de segurança.

Outra ideia para reduzir a criminalidade é acabar com a progressão da pena, a partir do cumprimento de um sexto, para crimes praticados com violência, grave ameaça ou relacionados à corrupção. “Como você consegue explicar para uma família, que acabou de perder um parente morto em um homicídio que, com um ano, o autor já vai estar na rua de novo? É totalmente sem proporcionalidade. Então, nesses casos, a pena tem de ser cumprida nos seus três, quatro quintos”, disse.

ISTOÉ / Pergunta – O sr. definiu a segurança como uma de suas principais bandeiras à frente do Ministério da Justiça. O que a pasta pode fazer para ajudar no combate à violência no País?

Alexandre de Moraes Integração. Infelizmente, desde a Constituição de 1988, por algum motivo a União achou que não deveria se meter em questão de segurança, confundindo um pouco exercício de autoridade com autoritarismo. O que é totalmente diferente. A União se afastou dos assuntos de segurança e os estados ficaram com a responsabilidade de polícia civil e militar. Entretanto, não é o Estado que legisla direito penal, processo penal. Então, a União editava normas e os Estados tinham de correr atrás disso. Além disso, cada Estado tem uma questão territorial de não invadir a outra unidade federativa vizinha. Podem até fazer parceiras, mas elas se dão sem uma coordenação e por isso não funcionam. Isso está claramente demonstrado pelo avanço do tráfico de drogas no Brasil.

Como o sr. exemplifica isso?

O País não produz cocaína. A maconha consumida aqui vem do Paraguai. O tráfico de armas, que até sete anos atrás era só no Rio de Janeiro, agora está em São Paulo, Porto Alegre. Esse armamento vem da Venezuela, pois comprou muito da Rússia nas últimas décadas e acaba vendendo clandestinamente. E todos os crimes graves têm relação: ou com tráfico de entorpecente ou com tráfico de armas. É necessária uma integração e coordenação por parte da União, que tem mecanismos que complementam os Estados e municípios.

O sr. reivindicava mais cuidado com as fronteiras quando era secretário de segurança pública de São Paulo. Como ministro, como é seu plano hoje para resolver essa questão?

Assim que eu assumi o Ministério, obviamente não podia reclamar de mim mesmo. Então, fizemos um projeto de fronteiras seguras. Passei ao presidente (Michel) Temer a ideia e ele achou boa. Trata-se de integração entre Ministério da Justiça, secretarias de segurança pública, ministérios das Relações Exteriores, dos Transportes e de Defesa, Gabinete de Segurança Institucional para montar algo global. Não adianta você, em 17 mil quilômetros de fronteiras secas, colocar homens ao lado do outro, de mãos dadas, para barrar a fronteira. Não é isso o combate de fronteira. Temos de ter serviços de inteligência integrados para, a partir desse serviço, montarmos as operações. Elas devem ser ostensivas, como policiamento preventivo, e operações já investigativas: de cumprimento de mandados, ataques a grandes traficantes de armas, drogas, contrabando. Eu levei a proposta para os secretários de segurança de São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Matogrosso e Mato Grosso do Sul de criar em cada um dos estados um núcleo permanente de inteligência.

Por que esses Estados?

São os estados que têm maiores informações sobre a criminalidade. Vamos integrar esse sistema de informações com imagens. Esses núcleos vão juntar tudo isso. O Brasil não precisa mais de diagnósticos em questão de segurança. Já temos excesso de diagnósticos. Precisamos partir para ação. Esse núcleo permanente de inteligência e integração vai fazer exatamente isso. Esperamos que cada núcleo coloque os pontos por onde passam (as drogas, armas e contrabando) para saber onde precisa de mais policiamento. Você precisa prender quem produz, transporta e recebe para distribuir nos estados.

Qual será a segunda parte desse trabalho?

A partir desse mapeamento, o Ministério vai dar prioridade absoluta para a Força Nacional atuar nas fronteiras. Vamos agregar a segunda fase que é a externa. Aí temos de apontar onde cada Ministério vai ajudar nesse processo. O que não é razoável é que o Paraguai e Bolívia, de onde vem boa parte da maconha, cocaína e armas, tenham relação diplomática com o Brasil, comércio com o Brasil e não tomem uma postura mais dura com relação a isso. Até o ministro (José) Serra, das Relações Exteriores, concordou.

Então o sr. vai mudar a característica da Força Nacional?

Totalmente. A Força Nacional vai ser utilizada para policiamento ostensivo e preventivo. Mas vamos tentar não desfalcar os estados, que hoje cede um número de policiais para a Força Nacional. Eu redigi e o presidente Temer concordou. O presidente vai editar uma Medida Provisória permitindo que nós chamemos para a Força Nacional policiais com até cinco anos de inatividade, que acabaram de sair. O policial que tem uma aposentadoria especial. Com isso, a gente consegue ampliar o efetivo da Força Nacional, que tem até 1,5 mil policiais. A intenção é que esse efetivo chegue a 15 mil homens e possa focar na segurança das fronteiras. Nada impede que a Força Nacional possa ser usada em emergências.

Em quanto tempo o sr. estima que poderíamos chegar a esse efetivo de 15 mil homens?

Veja bem, a Medida Provisória deve ser editada ainda nesta semana. Depois, precisa ser regulamentada uma portaria. Então, temos de publicar um edital de chamamento. A primeira utilização (da Força com um efetivo maior) será no reforço da segurança nas Olimpíadas.

Quanto aos presídios brasileiros, como resolver os problemas da superlotação e rebeliões?

A questão penitenciária também é uma questão de segurança pública. Quem entende de segurança pública sabe que os reflexos de um bom tratamento do sistema penitenciário é importantíssimo para se ter melhores resultados em segurança pública. O problema é que o Brasil prende muito, mas prende mal. O que significa isso? A gente prende quantitativamente, não qualitativamente. Alguém que furta um botijão de gás tem de ir para cadeia. Alguém que com um fuzil ameaça ou explode caixa eletrônico também terá pena privativa de liberdade. A hora que você faz com que todos cumpram só um sexto para ter a progressão, você aproxima o criminoso grave do criminoso leve. Qual a ideia? Primeiro é uma alteração legislativa. Já pedi para a gente discutir no Congresso Nacional que crimes praticados com violência ou grave ameaça e crimes de corrupção não precisam ter a pena aumentada. Basta que esses criminosos cumpram a pena inteira. Acabar com essa progressão de um sexto.

O sr. tem apoio do presidente para enviar essa matéria à apreciação do Congresso?

Sim. Essa é uma ideia de combate à criminalidade. Como você consegue explicar – eu fui promotor do júri – para uma família, que acabou de perder um parente que foi morto em um homicídio que com um ano o autor já vai estar na rua de novo? É totalmente sem proporcionalidade. Então, nesses casos, a pena tem de ser cumprida nos seus três, quatro quintos. No final, se tiver bom comportamento, no último quinto, aí faz-se o livramento condicional, com restrição, uso de tornozeleira. Agora, no caso de crimes praticados sem violência – furto, estelionato – por que a pessoa precisa ser presa? Não que eles tenham de ficar impunes. Mas por que não investir em penas alternativas, como prestação de serviços à comunidade? E deixa o sistema penitenciário para quem praticou violência ou crime de corrupção.

O sr. está elaborando este projeto de mudança na Lei de Execuções Penais para mandar ao Congresso?

Na verdade, há bons projetos na Lei de Execuções Penais. Pegamos todos esses projetos para realizar um estudo de consolidação para, a partir disso, dentro dessas ideias que te passei, irmos discutir com os líderes do Congresso.

O sr. foi recentemente visitar a equipe da Força Tarefa da Lava Jato no Paraná. Qual que é a sua opinião sobre os trabalhos da operação?

Desde que assumi, estou visitando e pretendo, até o fim do ano, visitar todas as superintendências da Polícia Federal. Já havia visitado aqui no Distrito Federal, em São Paulo, Santa Catarina. Então, marquei também uma visita no Paraná. Aproveitei para parabenizar o trabalho do juiz (Sérgio) Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, da Força Tarefa do Ministério Público e dos próprios policiais. Eu fui promotor e sei a dificuldade que é você conseguir fazer fase após fase e com ligação. É um trabalho muito bem feito o que o Sérgio Moro está fazendo. E com resultado. Ele pode contar com o apoio do Ministério.

Alguns advogados e muitos investigados reclamam de arbitrariedade e excessos por parte da Lava Jato. O sr. concorda?

Não. Basta verificar o seguinte: o número de habeas corpus e quantos foram julgados procedentes para verificar que é uma operação gigantesca, que vem há quase três anos, e é confirmada em todas as suas etapas pelo Tribunal Regional Federal, Superior Tribunal de Justiça e pelo Supremo Tribunal Federal. Então, não se pode dizer que há arbitrariedade. Essa arbitrariedade estaria sendo confirmada pelo TRF, STJ e STF? Lógico que não. É todo um sistema judiciário que está mantendo o que está sendo feito dentro da legalidade.

Como o sr. avalia a disposição do presidente do Senado, Renan Calheiros, de resgatar o projeto de 2009 que prevê punição a crimes de abuso de autoridade?

Como a Operação Lava Jato atua dentro da legalidade, não tem impacto nenhum.

O sr. vai acatar essa ideia da Polícia Federal de indicar uma lista tríplice para a escolha do novo diretor-geral?

O cargo não está vago. Tem como chefe da PF o doutor Leandro Daiello e vai continuar sendo. Enquanto eu for ministro e tiver a confiança do presidente Temer e enquanto doutor Daiello quiser continuar. E acredito, pela animação dele, que vai continuar. O Senado decidindo pela manutenção do presidente Temer, então doutor Daiello continua comigo.

Ary Filgueira / Débora Bergamasco

Título original: “Corrupto tem que cumprir a pena inteira” – ALEXANDRE DE MORAES

Edição/Imagens: Plano Brasil

Fonte: ISTOÉ

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Aviação Conflitos Defesa Rússia Síria Terrorismo Vídeo

Vídeo: Helicóptero de ataque Mil Mi-35M Hind Russo é abatido na Síria

Tradução e adaptação

Informações: Rustam

Na noite de 08 de Julho, de 2016, um helicóptero  de combate russo Mil Mi-35M da VKS (Vozdushno-Kosmicheskiye Sily – Forças Aeroespaciais Russas) foi abatido nas cercanias de Palmyra, no leste da Síria. O helicóptero foi supostamente alvejado  por militantes do autodeclarado “Estado Islâmico”.

https://www.youtube.com/watch?v=j2yOMPeTXEs

O vídeo de alguns segundos mostra o helicóptero sendo atingido no seu rotor traseiro, perdendo o controle e se chocando contra o solo. Algumas fontes afirmam que a aeronave não foi abatida por MANPADS (Man-portable air-defense systems – sistemas de defesa aérea portáteis), mas sim por um míssil anti-carro.

Devido a qualidade das imagens não é possível confirmar tais informações, ao que parece a aeronave lança o seus sistema defensivo mas ainda sim é atingida no rotor principal.

Incorreções na internet dão conta do uso do sistema defensivo “President-S”.  Entretanto, este sistema não se encontra em operação nos helicópteros  que voam na Síria, os modelos operacionais nesse teatro utilizam-se de chaff/flare (contra medidas) para tal.

O Ministério da Defesa Russo a princípio não havia confirmado o abate da aeronave, porém depois confirmou a perda desta e de sua tripulação, confirmando o óbito do experiente piloto Coronel Eugene Dolgin  (foto a direita) comandante do 55º Regimento de Aviação do Exército (baseado em Korenovsk) e do Tenente Ryafagat Khabibullin  (foto a esquerda).

 

 

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Conflitos Destaques Estados Unidos Geopolítica

OTAN decide manter 12 mil soldados no Afeganistão

Secretário-geral admite “certa presença” do “Estado Islâmico” no país e anuncia ampliação da ajuda financeira dada às forças de segurança locais para 1 bilhão de dólares anuais.

Os líderes da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) decidiram neste sábado (09/07), ao fim de dois dias de cúpula em Varsóvia, manter 12 mil soldados no Afeganistão e elevar para 1 bilhão de dólares anuais a ajuda às forças de segurança locais.

Apesar do crescente desgaste do Ocidente com uma guerra que já se estende por mais de uma década, o secretário-geral da OTAN, Jens Stoltenberg, defendeu o papel da Aliança Atlântica na estabilização do país – considerado potencial terreno fértil para extremistas.

“Manteremos a presença militar e continuaremos financiando as forças de segurança afegãs”, declarou Stoltenberg.

Conforme ficou decidido pelo líderes da OTAN, para o ano de 2017 será mantido o mesmo nível de tropas na missão de formação, assessoria e assistência das forças afegãs. Dos soldados, a grande maioria é americana.

O secretário-geral agradeceu de forma específica ao presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, pela “significativa decisão sobre o nível de tropas”, assim como à Alemanha, Itália e Turquia, países envolvidos na missão, pelo “forte compromisso”.

Obama anunciou na quarta-feira que os militares americanos no Afeganistão passarão dos 9,8 mil atuais para 8,4 mil no fim de seu mandato, número ainda muito superior aos 5,5 mil que, segundo anunciou o presidente americano em outubro, permaneceriam em janeiro de 2017.

Stoltenberg lembrou que os EUA têm uma “presença antiterrorista” no Afeganistão que se soma à “Apoio Decidido” da OTAN, que é uma operação de assessoria, formação e assistência e “não de combate” – a missão de combate aliada no Afeganistão, Isaf, terminou no final de 2014.

De acordo com o secretário-geral, em seguida, a OTAN realizará um planejamento nos próximos meses para “definir a presença global em 2017”. Por outro lado, disse que os líderes aliados se comprometeram a continuar financiando as forças de segurança afegãs até 2020, e que reafirmaram apoio à organização a longo prazo e à cooperação prática com o Afeganistão, que “não está só”.

“A situação no Afeganistão não é fácil, é difícil. Vemos violência, ataques terroristas, e não espero que se torne fácil em breve, vai continuar sendo uma situação desafiadora”, resumiu.

Stoltenberg admitiu que há “certa presença” do “Estado Islâmico” no Afeganistão além dos talibãs, mas deixou claro que o importante é “apoiar os afegãos na lutar contra diferentes grupos terroristas”.

“O governo afegão se comprometeu a implementar reformas, a trabalhar pelo respeito dos direitos humanos, inclusive os direitos das mulheres, e combater a corrupção”, apontou.

RPR/rtr/efe

Edição de imagens: Plano Brasil

Fonte: DW

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América do Sul História Opinião

Argentina: Despedaçado o sonho da terra prometida

A Argentina chega ao 200º aniversário da sua independência longe de ser a terra de oportunidades que seduziu milhões de imigrantes europeus. Embora se mantenha como uma das sociedades mais igualitárias da América Latina, um em cada três habitantes do país vive abaixo da linha da pobreza. Além disso, existe uma grande disparidade laboral entre os que trabalham com contrato e os que trabalham no mercado informal, e a qualidade da saúde e da educação públicas, que foram modelos no continente, retrocederam – em linhas gerais – desde os anos 70.

Como variaram as condições de vida dos argentinos ao longo dos últimos dois séculos? Em 1816, a independência da Espanha provocou uma reorganização econômica que teve forte impacto geográfico e social. Ao ver fechada a torneira de investimentos que vinha das minas de prata do Alto Peru, o novo país inclinou-se à exportação de gado, e sua escassa população, que vivia majoritariamente no interior, mudou-se para Buenos Aires e para a zona litoral. Diante da grande disparidade que caracterizava, naquele momento, cidades como Córdoba, Salta e Tucumán, muitos dos recém-chegados ao litoral prosperaram com rapidez. “Havia muitos pequenos e médios produtores, e suas condições de vida eram bastante boas, comparadas ao nível internacional. Entre 1820 e 1840, seus salários tinham mais capacidade de compra que em Londres, mais ainda na Espanha”, afirma Jorge Gelman, pesquisador do Instituto de História Argentina e Americana Dr. E. Ravignani. Em 1821, inaugurou-se a Universidade de Buenos Aires (UBA), e nessa mesma época, começou a primeira campanha de vacinação contra a varíola.

É fácil entender por que os milhões de habitantes do empobrecido sul da Europa sentiram-se atraídos pela terra prometida e decidiram emigrar. Apenas entre 1881 e 1914, chegaram 4,2 milhões de pessoas à Argentina, procedentes do velho continente, com a esperança de progredir. A maioria conseguiu. O desembarque deles barateou a mão de obra rural e provocou problemas urbanísticos, como a precarização da habitação e a superlotação. Nesse período, “a riqueza que a oligarquia ostentava era espetacular, mas as condições de vida dos setores mais pobres ficaram cada vez piores”, explica o historiador Daniel Santilli, que pesquisou, junto com Gelman, a distribuição de renda na Argentina durante o século XIX.

Nessa época, cresceram também as desigualdades territoriais. “A Argentina tornou-se uma criança disforme, com uma cabeça enorme – a província de Buenos Aires – e um corpo raquítico – o norte e o sul -, submetido à política portenha e, por sua vez, aos ferroviários e ao comércio inglês”, descreve Norberto Galasso, um dos historiadores mais conhecidos da Argentina, muito vinculado ao peronismo.

A chegada de italianos, espanhóis, franceses, poloneses e russos, entre outros, converteu a Argentina em uma grande torre de Babel, mas a escola favoreceu a integração e a unificação deles, especialmente a partir de 1884, quando a Argentina aprovou a lei de educação laica, gratuita e obrigatória. De 71% de população analfabeta na Argentina em 1869, passou a 36% em 1916, quando o país completou seu primeiro século de independência e era a quinta economia do mundo. Foram criadas também muitas escolas no interior, mas alfabetização foi mais difícil. “Se o pai não foi educado, se não há emprego, seus filhos vão à escola? Em Buenos Aires, sim, porque há muita gente culta, que recebia os últimos livros europeus. Havia dois países, como agora, de certa maneira, também há”, acrescenta Galasso.

Paradoxalmente, a década de 1930 marcou de uma vez só o distanciamento da Argentina das primeiras economias do mundo e a melhora das condições de vida das classes populares, pelo auge da industrialização e a necessidade de potencializar o mercado interno. “Para poder comprar, precisa ter dinheiro no bolso”, resume Santilli. Com a chegada do peronismo, em 1945, a redistribuição interna melhorou, assim como as condições de trabalho, saúde e educação para grande parte da população. Nessas últimas, influenciou muito a democratização do acesso à universidade pública, em 1949, quando passou a ser gratuita: o número de matriculados multiplicou-se por seis em 20 anos.

A maioria dos historiadores concorda que a grande decadência argentina começou a partir de 1970. À crise mundial, na Argentina, somou-se a brutalidade da última ditadura (1976-1983), que sequestrou, torturou, matou e fez desaparecer dezenas de milhares de pessoas, além de provocar um forte ajuste econômico e um grande retrocesso em direitos sociais.

O país conviveu, em seguida, com a democracia, hiperinflações e uma década ultraliberal, e foi ao fundo do poço com a crise de 2001, a pior de sua história. A pobreza disparou a 60%, o desemprego, a 25%. Os argentinos saíram em massa para Espanha, Itália e outros países europeus, desfazendo o caminho realizado pelos seus antepassados.

Depois de uma década de crescimento sustentado pelo boom da soja e amplas políticas sociais de inclusão, durante a gestão kirchnerista a pobreza caiu para abaixo de 30%, mas não desapareceu. “A pobreza estrutural é um fenômeno dos últimos 30-40 anos. Antes, até os anos 70, viver em uma vila miserável não era uma situação permanente, mas transitória. Agora, é incerto”, afirma Gelman. Mauricio Macri chegou ao governo no último mês de dezembro com a “pobreza zero” entre suas prioridades, mas seus primeiros passos, que incluíram um forte ajuste econômico, foram na direção contrária: nos primeiros meses, houve um aumento de 1,4 milhão no número de pobres.

“Todos os países têm dilemas que atravessam sua história. A Argentina conseguiu resolver um dilema que levou muito tempo: que os governantes sejam eleitos nas urnas”, destaca Julia Pomares, diretora executiva do Centro de Implementação de Políticas Públicas para a Igualdade e o Crescimento. Entre os que seguem sem solução, Pomares destaca a distribuição dos recursos nacionais e provinciais e, especialmente, “não ter alcançado, ao longo da história, o objetivo de ser um país pujante na economia e inclusivo no social”.

MAR CENTENERA

Fonte: El País

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Conflitos Geopolítica Opinião Rússia

“Próxima guerra será a última” – Ex-presidente soviético Gorbachev

Os líderes da OTAN concordaram na sexta-feira (8) em enviar forças militares para os Estados Bálticos e Polônia oriental, aumentando as patrulhas aéreas e marítimas para demonstrar sua prontidão em defender os membros orientais contra a suposta “agressão russa”.

Após a decisão tomada na cúpula da OTAN em Varsóvia, Mikhail Gorbachev disse que se deve considerar isso como uma preparação para uma guerra “quente” com a Rússia.

No sábado, Gorbachev disse em uma entrevista à emissora de rádio russa Eco Moskvy que ele adere ao que tinha dito anteriormente, quando considerava as decisões da OTAN como míopes e perigosas.

“Esses passos levam à tensão e perturbações. A Europa está se dividindo, o mundo está se dividindo. Este é um caminho errado para a comunidade global”, disse. “Há demasiadas crises globais e individuais para abandonar a cooperação. Ela é essencial para relançar o diálogo”.

Segundo o ex-presidente soviético, instalando irresponsavelmente quatro batalhões multinacionais perto das fronteiras russas, “a uma distância de tiro”, a Aliança aproxima outra Guerra Fria e mais uma Corrida aos Armamentos.

“Ainda há maneiras de evitar (…) a ação militar”, sublinhou Gorbachev. “Eu diria que a ONU deve ser chamada para essa questão.”

Ele também pediu que Moscou não responda a provocações, mas ao invés disso viesse à mesa de negociações.

“Na situação atual (…) todas as forças políticas, econômicas, diplomáticas e culturais devem ser contratadas para pacificar o mundo. Recorde que a próxima guerra será a última.”

Foto: © AP Photo/ dpa, Jens Kalaene

Fonte: Sputnik News

 

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América do Sul Aviação BINFA Brasil Defesa Infantaria da Aeronautica PÉ DE POEIRA Sistemas de Armas

FAB PÉ DE POEIRA: Batalhão de Infantaria da Aeronáutica de Florianópolis BINFA-25 participa de exercício simulado de apoderamento ilícito de aeronaves

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Os envolvidos foram treinados nas medidas afetas às legislações que regem a segurança aeroportuária

A Base Aérea de Florianópolis (BAFL) sediou no final do mês de junho o Exercício Simulado de Apoderamento Ilícito de Aeronaves (ESAIA). Participaram da atividade militares do Batalhão de Infantaria da Base Aerea de Florianópolis BINFA-25, juntamente com profissionais da Polícia Federal e da Polícia Militar do Estado de Santa Catarina. O objetivo da atividade foi promover a integração entre os órgãos e empresas participantes do Programa de Segurança Aeroportuária – PSA e faz parte dos preparativos para os Jogos Olímpicos Rio 2016, pois a capital catarinense receberá algumas delegações.

Os envolvidos foram treinados nas medidas afetas às legislações que regem a segurança aeroportuária em situações de interferência ilícita, como sequestro de aeronaves. “A realização do exercício simulado é de grande importância para o bom andamento da atividade aérea, pois treinamentos como esse garantem a pronta-resposta às condições adversas”, afirmou o Tenente-Coronel Antonio Ferreira de Lima Júnior, Comandante da BAFL.

Fonte: FAB

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Aviação Brasil Defesa Destaques Sistemas de Armas Tecnologia Vídeo

Vídeo: Cargueiro militar KC-390 – Sucesso nos testes iniciais

 

O KC-390 realizou com sucesso os testes iniciais de lançamento de cargas e avaliação de paraquedistas.

 

https://www.youtube.com/watch?v=1ZMZHrCB4M8