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Conflitos Geopolítica

Deputados russos propõem estender sanções do Ocidente a ‘todos os parlamentares’ do país

Deputados russos propuseram ao Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e aos políticos da União Europeia que as sanções impostas no início desta semana a uma série personalidades consideradas responsáveis pela organização do referendo na Crimeia fossem estendidas a todos os parlamentares da Rússia. Segundo informou a agência de notícias ITAR-TASS, a proposta recebeu o apoio de 373 dos 450 deputados da Duma (câmara baixa do parlamento russo).

Também nesta terça-feira, 18, o assessor da Presidência da Rússia Yuri Ushakov revelou que as sanções impostas pelo Ocidente em relação a alguns políticas russos têm provocado ironia e sarcasmo no país. Na segunda-feira, 17, a União Europeia e os Estados Unidos adotaram restrições de viagem e bloqueio de bens contra 21 personalidades da Ucrânia e da Rússia consideradas responsáveis pela organização do referendo no qual os habitantes da Crimeia votaram a favor da anexação da península à Federação Russa.

Fonte: Diário da Rússia

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Conflitos Geopolítica

Crise ucraniana é teste para unidade europeia

Gavin Hewitt

Editor de Europa da BBC News

Soldado ucraniano em posto militar próximo à Crimeia (Reuters)Crise ucraniana colocará à prova a unidade europeia e a relação entre UE e Rússia

Os próximos dias colocarão à prova a determinação e a habilidade da Europa em lidar com a crise ucraniana.

“Será um grande teste à unidade europeia pós-Guerra Fria”, resumiu um funcionário do alto escalão da União Europeia (UE).

A UE, que discute sanções contra a Rússia, advertiu Moscou das “consequências” caso não participe de um diálogo sério a respeito da crise e recue suas tropas.

Essa pressão deverá ser reforçada em encontros entre chanceleres europeus, nesta semana.

Até agora, a Europa fez um gesto: suspendeu as negociações de um pacto econômico com a Rússia e as facilitações para emissões de visto. Para Moscou, essas medidas causam apenas uma leve irritação.

Tanto os Estados Unidos como a UE dizem que não vão reconhecer o referendo realizado na Crimeia, em que 97% votaram pela anexação do território ucraniano à Rússia.

O presidente francês, François Hollande, alega que não reconhece o que chamou de “pseudo-consulta”; o chanceler britânico, William Hague, afirma que “chegou a hora para medidas restritivas mais duras”.

Dilemas

Embaixadores europeus em Bruxelas definiram que 21 autoridades russas (ainda não identificadas) e ucranianas serão alvo das sanções, que incluem o congelamento de bens e restrições a viagens ao bloco.

Todas as ações, até agora cautelosas e modestas, têm a intenção de aumentar os custos de uma ação russa em território ucraniano.

Mas a verdadeira questão é se a UE está preparada para adotar sanções econômicas que afetem as exportações e os negócios russos (semelhantes, por exemplo, às sanções adotadas contra o Irã).

Isso afetaria a economia russa em um momento vulnerável: os custos de seus empréstimos estão crescendo, e acredita-se que alguns dos maiores bancos do mundo estejam reduzindo suas linhas de crédito a clientes russos.

Mas as sanções econômicas estão muito longe de acontecer. Seria necessário obter o apoio unânime dos 28 Estados-membros da UE, e muitos hesitariam em tomar tal medida.

O ministro alemão de Relações Exteriores, Frank-Walter Steinmeier, advertiu que qualquer medida deve deixar abertas “possibilidades para impedir uma escalada que leve a um racha mais profundo na Europa”.

Seu par holandês agregou que “fará todo o possível para impedir sanções”, por acreditar que elas “trariam sofrimento a todos”.

O dilema se estende por toda a Europa: as sanções só serão adotadas se os países estiverem preparados para também aceitar as perdas que vierem com elas – e num momento em que muitos países ainda lutam para superar os efeitos da crise de 2008.

A cautela europeia deriva de seus próprios interesses econômicos e, até certo ponto, de sua dependência energética: 30% do gás natural da UE é de origem russa.

Ideia eurasiana

Além disso, as exportações europeias à Rússia totalizaram 123 bilhões de euros (R$ 402 bilhões). A Alemanha, em especial, tem se beneficiado de uma relação econômica com Moscou que tem sido especialmente benéfica a seu setor exportador – mais de 6 mil empresas alemãs fazem negócios com a Rússia.

Uma opção para a UE seria almejar os líderes das poderosas empresas russas Gazprom e Rosneft, ou então isolar o setor bancário do país.

Haveria retaliação, mas os ministros europeus terão de decidir se sua credibilidade política é mais importante do que seus interesses comerciais.

No início da crise, o governo alemão de Angela Merkel defendiam o caminho do diálogo, e não o da punição, e pedia a criação de um grupo de debate com a Rússia.

Até agora isso não aconteceu, e a Alemanha e o restante da UE terão de decidir como vão lidar com o presidente russo, Vladimir Putin, no futuro.

Putin sonha com uma união eurasiana – que inclua Rússia, Ucrânia, Belarus e Cazaquistão -, competindo com a influência da UE sobretudo no Leste Europeu.

Quanto à crise na Ucrânia, Putin defende a criação de um grupo internacional de apoio, mas desde que Kiev aceite a anexação da Crimeia por Moscou.

‘Nossa terra’

Os Estados Unidos e a Europa ainda tentam facilitar o diálogo entre o Kremlin e o novo governo ucraniano, mas as negociações estão cada vez mais difíceis.

Cerca de 70% dos russos estão convencidos de que a população de origem russa está sob perigo real na Ucrânia. Muitos compartilham do apego emocional de Putin à Ucrânia e acreditam que seu país precisa combater os “fascistas” em Kiev.

Com isso, um meio-termo fica mais distante. E, se as tropas russas invadirem outras partes do território ucraniano, provavelmente será impossível impedir que o conflito ganhe proporções mais amplas.

Ao mesmo tempo, muitos agora admitem que a UE cometeu um erro estratégico na Ucrânia: o acordo de aproximação bilateral (cuja recusa, em novembro, pelo presidente destituído Viktor Yanukovych, desencadeou a atual crise) foi conduzido basicamente por tecnocratas.

O acordo previa tirar a Ucrânia da órbita russa. Mas, como disse uma autoridade, pedindo anonimato: “Nunca fizemos um debate substancial sobre onde achamos que é o lugar da Ucrânia” ou sobre como a Rússia reagiria.

Alguns também acham que a UE errou ao apoiar em demasia a oposição (agora no poder) ucraniana.

E a UE, que investiu pesado para construir uma Ucrânia mais democrática, agora tem de apoiar o novo governo em Kiev, cujo ministro da Defesa disse recentemente que “esta é nossa terra e não vamos sair daqui”.

Fonte: BBC Brasil

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Conflitos Destaques Geopolítica Opinião

Kosovo: cinismo belicista da “democracia ocidental”

Ilia Kharlamov

A história da Crimeia e do Kosovo tem demonstrado que o Ocidente continua seguindo à risca um princípio de dois pesos e duas medidas.

É verdade que, nas últimas décadas, os seus esforços mais enérgicos têm se voltado para estabelecer domínio sobre várias culturas, visões de mundo e modelos políticos diferentes. E, no caso de discordância ou até resistência, tentar subjugá-los mediante dinheiro (para subornar a elite governante) ou alcançar seus objetivos por meio da força (medida essa que serve para “acalmar” o resto do povo).

Foi assim que surgiu um “racismo geopolítico”. Dentro da sua lógica, o Ocidente se associa a “uma privilegiada raça branca”, com os poderes absolutos. Os demais parecem pertencer a uma casta “preta”, à qual seria autorizado aquilo que os “brancos” permitirem. Apenas através deste paradigma será possível, a meu ver, explicar um posicionamento estranho e irracional, assumido por alguns Estados ocidentais.

Um apoio prestado pelo Ocidente à separação do Kosovo em 2008 é muito elucidativo. Naquela altura, foram menosprezadas e espezinhadas as Resoluções e normas relativas à integridade territorial, estabelecidas pela ONU, para não falar de um conhecido fato de o Kosovo ter sido visto como um símbolo de integridade nacional (foi ali que se travaram batalhas históricas decisivas e se situaram santuários ortodoxos fundamentais). Todavia, tendo violado as normas internacionais, o Ocidente não levou o seu maligno projeto a um bom termo, assinala o politólogo Vladimir Bruter:

“A decisão do Tribunal de Haia sobre o Kosovo tem um carácter parcial. Do ponto de vista do Direito Internacional, não pode existir uma ordem de criação de novos Estados na carência de preceitos constitucionais sobre fenômenos separatistas e secessionistas. Assim nos sugere um bom senso. O Ocidente, reconhecendo o Kosovo e prometendo à Sérvia diversos benefícios em troca de seu reconhecimento, procura justificar a situação “de fato”, mas as decisões “de jure” ainda não foram tomadas”.

A maior promessa feita a Belgrado se refere ao ingresso do país na UE. As consequências desse passo são patentes, basta vermos o exemplo dos países comunitários “novatos”. Mas nem isto constitui um fulcro da questão. O conflito iugoslavo, bem como o apoio à separação do Kosovo, teve um detalhe característico: na maioria esmagadora dos casos, os juízes e políticos ocidentais tinham acusado os sérvios de terem cometido “hediondos” crimes económicos, sociais e militares. Não teria sido isso por causa da ligação espiritual e geopolítica entre a Sérvia e a Rússia em que o Ocidente vê uma enorme ameaça para si?

O dirigente do Centro de Política Externa, Boris Shmelev, chama atenção para o fato de que, no caso do Kosovo, o Ocidente, apoiado pela ONU, acabou por violar tanto as normas internacionais e as suas decisões próprias, como o conceito de legislação nacional, tendo criado um precedente perigoso:

“A Constituição sérvia consagrava o Kosovo como uma parte integrante do país. Foi estipulado ainda um princípio importante, segundo o qual ao Chefe de Estado “competia fazer tudo para conservar a integridade territorial da Sérvia”. Ninguém tinha direito de aceitar a hipótese de separação do Kosovo. A Resolução 1244 do CS da ONU, adoptada em junho de 1999, apontando para agressão da OTAN contra a Iugoslávia, indicava que o Kosovo fazia parte do país, integrado pela Sérvia e o Monte Negro. Mas o Ocidente foi ao ponto de desistir de todos os documentos institucionais, se solidarizando com os separatistas”.

Em resultado disso, no mapa da Europa surgiu um território com uma elevadíssima taxa de delinquência e um futuro bem vago e indefinido. O referendo na Crimeia mostrou que, desde então, a Europa se tornou menos autônoma e ainda mais dependente de Washington. Curioso que são os europeus e não os cidadãos dos EUA que estão sofrendo com duvidosos projetos semelhantes ao do Kosovo. Todavia, a UE continua desempenhando um papel de um porta-voz do seu patrão do além-mar.

Ao que se apurou hoje, já em 14 de março, os EUA tinham preparado para o exame do CS da ONU uma rígida Resolução para a situação na Ucrânia. E foi então que os diplomatas se competiam nas suas acusações de Moscou que “queria integrar a Crimeia”. Ao que parece, eles estavam convictos de que quanto mais ressonantes fossem as suas declarações anti-russas, tanto mais chances tinham para manter “digna e radiante” a sua cara política.

Comentário Konner:

Crimeia e Kosovo tem muito em comum, o estatuto de autonomia das bases militares em outros países em seus territórios, o desejo de independência pela a maioria da população.

Mas há algumas coisas em que eles diferem: — Os patronos.

Fonte: Voz da Rússia

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Conflitos Geopolítica

Kiev pede ao mundo que não reconheça anexação da Crimeia

Um cartaz em Sevastopol em 11 de março de 2014 pedindo às pessoas para escolher entre Crimeia em vermelho com uma suástica, e Crimeia com as cores da bandeira da Rússia. Foto por AFP

A Ucrânia pediu nesta terça-feira à comunidade internacional que não reconheça a independência da Crimeia, aprovada no domingo em um referendo condenado pelo Ocidente, nem os acordos que a península possa anunciar com outros países.

As autoridades separatistas desta península ucraniana pró-Moscou solicitaram a incorporação à Rússia, algo que deve ser ratificado por um acordo entre Moscou e seu “Estado”.

“Levando em consideração que a independência da Crimeia foi proclamada por um organismo ilegítimo depois de um referendo inconstitucional, realizado em violação manifesta das normas europeias, o ministério das Relações Exteriores da Ucrânia envia a todos os membros da comunidade internacional uma solicitação urgente de que se abstenham de reconhecer a nível internacional a ‘República da Crimeia'”, afirma um comunicado da chancelaria de Kiev.

O direito internacional vigente proíbe aos Estados reconhecer os “pseudo-estados” ou “qualquer situação, acordo ou entendimento” consecutivos a sua criação, “se o mesmo é resultado do uso ilegal da força” para apoiar a proclamação da independência da Crimeia, completa a nota.

“Considerando o status de potência nuclear da Rússia, este procedimento apresenta um caráter particularmente perigoso para a integridade territorial da Ucrânia, assim como para a paz e a segurança internacional em seu conjunto”.

O presidente Vladimir Putin e a Duma (câmara baixa do Parlamento russo) já anunciaram que apoiam a incorporação da Crimeia à Rússia, apesar das críticas e sanções dos países ocidentais.

AFP

 

Fonte: Terra

Putin dá sinal verde para incorporação da Crimeia à Rússia

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, deu seu sinal verde para a minuta de um tratado para a incorporação da Crimeia à Federação Russa, informou nesta terça-feira o site oficial de informação jurídica do país.

O documento, com data de ontem, aprova “o projeto do Tratado entre a Federação Russa e a República da Crimeia sobre a incorporação da República da Crimeia à Federação Russa”. “Considerar conveniente a assinatura do tratado contemplado na presente resolução ao mais alto nível”, conclui a resolução do chefe do Kremlin.

Putin se dirigirá hoje ao parlamento russo em uma reunião extraordinária no Kremlin por ocasião do pedido da Crimeia sobre sua incorporação à Federação Russa.

O discurso do chefe do Estado vai acontecer na sala São Jorge do Grande Palácio do Kremlin às 15h locais (8h de Brasília), no mesmo formato em que apresenta seu relatório sobre o estado da nação uma vez por ano. Putin reconheceu ontem, por decreto, à região autônoma ucraniana da Crimeia como um Estado soberano e independente.

“Levando em conta a expressão da vontade do povo crimeano no referendo realizado em 16 de março de 2014, (decreto) reconhecer a República da Crimeia, na qual a cidade de Sebastopol tem um status especial, como um Estado independente e soberano. Este decreto entra em vigor hoje”, diz o documento.

O parlamento da Crimeia aprovou ontem uma resolução pela qual a república autônoma foi declarada independente da Ucrânia e pediu oficialmente sua incorporação à Rússia depois que mais de 95% de sua população apoiou no domingo em referendo sua reunificação ao país ao qual pertenceu até 1954.

EFE

 

Fonte: Terra

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Defesa Destaques Geopolítica Negócios e serviços Opinião Sistemas de Armas

Ásia investe cada vez mais em armamentos, diz estudo

Os maiores importadores de armamentos do mundo são China, Índia e Paquistão, segundo o mais recente relatório do Instituto Internacional de Pesquisa sobre a Paz de Estocolmo (Sipri), divulgado nesta segunda-feira (17/03).

O estudo constatou que nos últimos cinco anos a Índia aumentou em 111% suas importações de armas, em comparação com o quinquênio anterior. E quando o país eleva seu orçamento militar, Paquistão e China acompanham, comenta Pieter Wezeman, um dos principais autores do estudo sobre o relatório global de armas pesadas – como navios, submarinos, aviões, tanques de combate e sistemas de mísseis.

A Assembleia Popular Nacional em Pequim aprovou neste ano um acréscimo de mais de 12% em seus gastos com armas, provenientes sobretudo da Rússia. Paralelamente, aumentam vertiginosamente as exportações da indústria bélica chinesa, que está em expansão.

Mesmo assim Wezeman prefere não falar de uma corrida armamentista. “O processo de armamento não está fora de controle, embora certamente acarrete riscos”, contemporiza.

Expansão e menos controle

Paquistão, Bangladesh e Mianmar estão entre as nações que dão preferência aos sistemas bélicos da China, atualmente bastantes competitivos em termos internacionais. “Antes, as armas chinesas eram mais para baratas, geralmente de qualidade não tão boa e pouco desenvolvidas tecnicamente”, explica Wezeman.

Esse quadro, porém, mudou. “A China modernizou a própria indústria armamentista, e a maioria dos especialistas concorda que suas armas são, hoje, consideravelmente melhores do que antes”, afirma. O pesquisador do Sipri detecta no ramo uma tendência semelhante ao dos aparelhos elétricos, no qual os fabricantes chineses ou sul-coreanos são agora bem-sucedidos em escala mundial.

Para Jan Grebe, colaborador científico do Instituto Internacional para Pesquisa da Paz e de Conflitos (Bicc), sediado em Bonn, a expansão da indústria bélica chinesa é um fato preocupante. “A China não tem um sistema de controle tão desenvolvido como, por exemplo, a União Europeia ou os Estados Unidos e o Canadá”, argumenta.

Ele classifica as crescentes exportações de armas por Pequim como “um instrumento político do governo”, citando como exemplo as vendas para Mianmar. “A China vai certamente também fornecer para nações que não podem comprar de outros Estados”, avalia Grebe.

Potencial de conflito marítimo

O Bicc analisa regularmente relatórios de institutos de pesquisa como o Sipri, publicando todos os anos um índice de militarização global. “Todo o continente asiático é há anos o maior mercado para compras de bens armamentistas”, diz Jan Grebe, apontando também as medidas de modernização em países como Vietnam, Cingapura, Indonésia e Coreia do Sul.

Sobretudo no âmbito marítimo, há conflitos territoriais, pois lá as fronteiras são menos definidas, prossegue o colaborador do BICC, criticando a falta de “instituições apropriadas para a solução de conflitos na região”.

“Isso naturalmente incentiva tais iniciativas armamentistas e inevitavelmente eleva o potencial de escalada no caso, digamos, de um choque de navios no Mar do Sul ou do Leste da China.”

Interesses de Moscou

O relatório atual do Sipri sobre o comércio armamentista internacional também revela que a Rússia pretende projetar sua indústria bélica. Mesmo após o fim da Guerra Fria, ela permaneceu como segundo maior exportador de armas do mundo, atrás apenas dos EUA.

“Nos últimos anos, o governo em Moscou tem repetidamente anunciado investimentos bilionários na indústria de armas, a fim de modernizá-la e de desenvolver novas tecnologias e sistemas armamentistas”, observa Grebe. Ao mesmo tempo, lembra, o país segue investindo nas exportações de armas.

Entretanto, para Moscou não são apenas os aspectos econômicos que contam, mas também os estratégicos e políticos, ressalva Pieter Wezeman. “Países como Belarus ou Cazaquistão continuam obtendo armas russas a preços camaradas ou até mesmo de presente”, diz.

Ele cita a Síria como um exemplo da dimensão política das vendas de armas russas: “A Rússia decidiu seguir apoiando Bashar al-Assad com o abastecimento de armas, embora do ponto de vista econômico isso não faça muito sentido.”

Alemanha exportou submarinos Dolphin para Israel.

Europeus: novos mercados

De acordo com o relatório do Sipri, a indústria bélica francesa exportou 30% menos armas no último quinquênio do que no anterior, sendo ultrapassada pela China. Na Alemanha, as exportações de armamentos pesados caíram 24%, no mesmo período.

Isso se deve ao fato de os países da União da Europeia e seus parceiros na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) estarem investindo menos em mercadorias bélicas. Assim, para compensar as perdas internas, os produtores europeus precisam de novos mercados fora do continente.

Os Estados do Oriente Médio seriam clientes ideais, pois possuem os meios financeiros e o desejo de comprar. Como mostra o relatório do Sipri, quase um quinto do total das exportações no setor vai para essa região. No entanto, tais transações não são simples para os conglomerados europeus de equipamento militar, pois há restrições para as vendas fora da UE e da Otan, que dependem do aval dos governos nacionais.

Durante anos, a política de exportação de Berlim para equipamentos armamentistas foi muito restritiva, recorda Jan Grebe. Mas isso parece estar mudando: “Os negócios mais recentes indicam que o governo alemão está disposto a também fornecer armas para países problemáticos.”

O colaborador científico do Bicc cita como exemplos Arábia Saudita, Catar, Indonésia e Cingapura. “Isso mostra que, até certo ponto, vai-se cedendo à pressão da indústria para que se encontrem novos mercados de compras.”

 

Fonte: DW.DE

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UE e EUA endurecem sanções contra Rússia após referendo da Crimeia

A União Europeia e os Estados Unidos decidiram, nesta segunda-feira (17/03), aplicar novas sanções contra cidadãos russos e ucranianos, em reação ao referendo, da véspera, que determinou a independência da Crimeia em relação à Ucrânia.

Após uma reunião entre os 28 ministros de Relações Exteriores da UE em Bruxelas, o chefe da diplomacia alemã, Frank-Walter Steinmeier, disse que os 21 atingidos pelas novas medidas “foram responsáveis, de diferentes maneiras, pelo acirramento da crise na Crimeia”.

Trata-se de oito políticos de primeiro escalão da própria Crimeia, dez russos, sobretudo parlamentares, assim como o comandante da frota russa no Mar Negro e dois militares encarregados das operações no sul e oeste da península. As sanções, que incluem embargo de contas bancárias e proibição de entrada na UE, valem inicialmente por seis meses.

Paralelamente, o governo em Washington bloqueou todas as contas, propriedades, bens e rendimentos nos EUA de quatro políticos ucranianos e sete russos, entre os quais, o vice-primeiro-ministro Dimitri Rogozin. Também estão na lista dos sancionados o presidente ucraniano deposto Viktor Yanukovytch e Serguei Aksyonov, chefe do governo da Crimeia não reconhecido por Kiev.

Invocando o apoio da comunidade internacional, o presidente americano, Barack Obama, assegurou que seu país está pronto a aplicar até mesmo embargos econômicos, caso Moscou continue intervindo na Ucrânia.

“Vamos continuar a deixar claro que mais provocações não vão levar a nada, senão a um maior isolamento da Rússia e a uma diminuição de seu espaço no mundo”, disse Obama. “Se a Rússia continuar a interferir na Ucrânia, estaremos preparados para impor mais sanções.”

Moscou e Bruxelas se apressam

Segundo fontes do governo local, no referendo de domingo 96,8% da população decidiu pela independência da Crimeia em relação à Ucrânia. O Parlamento crimeano homologou a votação por unanimidade e já prepara a adesão à Federação Russa, a qual deve ser votada pela Duma na sexta-feira.

O presidente russo, Vladimir Putin, já assinou um decreto reconhecendo a Crimeia como um Estado soberano. E uma delegação da península no Mar Negro vai negociar em Moscou o cronograma para introdução do rublo russo como moeda.

Em contrapartida, a União Europeia anunciou para a sexta-feira a assinatura de um acordo de cooperação com a Ucrânia. Trata-se da parte política de um acordo de associação que vem sendo negociado há anos. As partes relativas a economia e livre-comércio só deverão ser abordadas depois das eleições presidenciais ucranianas, marcadas para 25 de maio.

A rodada de sanções em Bruxelas foi a segunda desde o início das tensões no Mar Negro: há uma semana, os ministros europeus do Exterior haviam decidido suspender provisoriamente as negociações com o Kremlin sobre a facilitação de vistos para russos na UE e sobre um acordo de parceria.

Os chefes de diplomacia europeus fizeram questão de enfatizar nesta segunda-feira que o bloco considera o referendo ilegítimo e irrelevante. A lista de candidatos a sanções originalmente proposta pela alta representante da União Europeia para política externa, Catherine Ashton, continha cem nomes. “Não podemos ficar sentados sem fazer nada”, declarou, ao abrir a conferência. Portanto, afirmou, cabia enviar a Moscou “o sinal mais forte possível”.

Manifestação patriótica em Moscou, contra interferência do Ocidente no Leste Europeu

“Onde é que isso vai acabar?”

O ministro luxemburguês do Exterior, Jean Asselborn, ressalvou que, embora não se fosse “abençoar algo que nasceu ilegalmente”, nem as mais fortes sanções poderiam mais forçar Moscou a se retirar da península. “Ninguém no mundo quer intervir militarmente, por isso é preciso reconhecer o que aconteceu, em termos de real-política, e dizer ‘basta’.” No momento, Asselborn também ocupa a presidência do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Steinmeier denunciou a “apropriação” da Crimeia pela Rússia como violação do direito internacional, e mostrou-se pessoalmente abalado com a veloz e dramática escalada dessa nova confrontação Leste-Oeste.

“Do ponto de vista política não posso entender, de forma alguma, que, sete décadas depois do fim da Segunda Guerra Mundial, nós vamos começar a corrigir fronteiras na Europa. Onde é que isso vai acabar?”, lamentou o ministro do Exterior alemão.

Júbilo com referendo na capital Simferopol. Ao centro, primeiro-ministro da Crimeia, Serguei Aksyonov

Referendo sob acusação de fraudes

O referendo do domingo na Crimeia, no qual cerca de 1,8 milhão de cidadãos estavam aptos a votar, foi acompanhado por inúmeros jornalistas internacionais. Os mais de 1.200 locais de votação, a maioria escolas, foram fortemente vigiados. A minoria dos muçulmanos tártaros convocara um boicote ao referendo.

Segundo a imprensa ucraniana, a votação teria sido manipulada pela Rússia. Cidadãos russos que não estariam nas listas de votantes foram incluídos de última hora para participar do referendo. A denúncia, no entanto, não pôde ser comprovada.

Já há duas semanas a Crimeia se encontra sob controle de milícias pró-russas e de soldados fortemente armados, aparentemente sob comando de Moscou. O governo de Vladimir Putin afirma defender o direito de autodeterminação da maioria russa na península e querer trazer a região de volta à sua terra natal. A Crimeia foi cedida à Ucrânia em 1954, porém há mais de 200 anos a cidade portuária de Sebastopol abriga a frota naval russa no Mar Negro.

Após o referendo, novos protestos aconteceram em diversas cidades do leste da Ucrânia, de forte tendência pró-russa: em Charkov, cerca de 3 mil manifestantes exigiram a realização de uma votação popular nos moldes da Crimeia. Em Donetsk, edifícios da administração pública foram alvos de ataques.

AV/dw/dpa/afp/rtr

 

Fonte: DW.DE

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Paris fala em uso da força contra Rússia “caso ultrapassem certos limites”

O ministro francês das Relações Exteriores, Laurent Fabius, declarou nesta segunda-feira (17) que será necessário recorrer à força contra a Rússia “caso sejam ultrapassados certos limites” na crise da Ucrânia.

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17.mar.2014 – O ex-presidente e Nobel da Paz, Mikhail Gorbachev, faz discurso no fórum de comunicações nos Emirados Árabes, em fevereiro de 2014. Ele disse que a crise da Ucrânia é resultado da falha do governo em agir democraticamente Al Moutasim Al Maskery/AP

Perguntado pelo canal de TV “TF1” sobre as consequências que teria para Moscou anexar a região oriental ucraniana de Donetsk, o chefe da diplomacia francesa disse que seria preciso aumentar a pressão sobre o presidente russo, Vladimir Putin.

“Por um lado, aumentaríamos mais as sanções, o que pode afetar a economia, o coração da maquinaria russa. Em segundo lugar, caso sejam ultrapassados certos limites, haveria reações incluindo a força. A Ucrânia já decidiu com a mobilização popular, não podemos permitir certas coisas”, afirmou Fabius.

A respeito da decisão adotada hoje pela União Europeia (UE) de restringir os vistos e congelar os bens em território comunitário de 13 russos e oito ucranianos que o bloco considera responsáveis pela instabilidade na região, Fabius indicou que neste momento estão “no segundo grau de sanções” e que poderia se passar ao terceiro, se a Rússia não mudar de atitude.

Nesse caso, Fabius assinalou que Paris poderia romper o contrato assinado por Moscou para a venda de dois navios de guerra porta-helicópteros Mistral que estão sendo construídos em estaleiros franceses.

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Além disso, acrescentou, pediriam ao Reino Unido que congelasse os bens que os oligarcas russos têm em Londres para que todos os países suportem de forma equitativa o peso das sanções.

O ministro francês reiterou que o referendo da Crimeia de ontem, no qual uma ampla maioria de cidadãos se pronunciou a favor de se unir à Rússia, “não tem valor porque é contrário à Constituição da Ucrânia e ao direito internacional” e classificou seu resultado de “soviético”.
 

ENTENDA A IMPORTÂNCIA DA CRIMEIA

“Se um país –neste caso, a Rússia– pode anexar uma região, é que não existe nenhuma fronteira segura no mundo. Isso pode gerar conflitos lamentáveis”, alertou.

O titular lembrou que a Ucrânia renunciou a seu arsenal nuclear, o terceiro maior do mundo, em troca de sua integridade territorial e manifestou que, caso que Rússia anexe a Crimeia, “o resto dos países entenderá que a única forma de manter suas fronteiras é ter a arma atômica”.

Fabius lembrou que a UE impôs sanções a 21 personalidades, frente às 11 dos Estados Unidos, e que na próxima sexta-feira será assinado um acordo de cooperação com a Ucrânia para expressar o apoio às novas autoridades do país.

“Queremos que prevaleça a firmeza, que Putin não consiga ir adiante e que haja uma redução” da tensão, acrescentou.

Por outro lado, fontes diplomáticas francesas informaram que Fabius não irá amanhã acompanhado do ministro da Defesa, Jean-Yves Le Drian, a Moscou, como tinham acordado o presidente francês, François Hollande, e seu colega russo.

Fabius e Le Drian haviam previsto viajar para Moscou para prosseguir o diálogo entre a França e a Rússia, iniciado por telefone na semana passada por Hollande e Putin.

Paris, no entanto, já havia advertido que cancelaria a visita se Moscou não fizesse concessões diante da crise ucraniana.