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Conflitos Geopolítica

Ucrânia e Rússia concordam com trégua na Crimeia até 21 de março

Informação foi divulgada pelo ministro interino da Defesa da Ucrânia.
Região de maioria russa na Ucrânia fez referendo sobre anexação à Rússia.

Os governos da Rússia e Ucrânia concordaram com uma trégua na região separatista da Crimeia até o dia 21 de março, informou o ministro interino da Defesa da Ucrânia, Ihor Tenyukh. O território ucraniano realiza neste domingo (21) um referendo sobre uma possível anexação à Rússia – apesar de todos os protestos e das tentativas das potências ocidentais de impedir a votação. “Nenhuma medida será tomada contra nossas unidades militares na Crimeia durante esse tempo”, disse Tenyukh, segundo a agência de notícias Reuters.

A crise – a pior entre Ocidente e Oriente depois do fim da Guerra Fria – aumentou a tensão no leste da Ucrânia, onde ao menos duas pessoas morreram desde sexta-feira (14).

Entenda a crise na Crimeia (Foto: Arte/G1)

A Crimeia se tornou o foco da atenção internacional nas últimas semanas com uma escalada militar russa e ucraniana em seu território. As tensões separatistas da região, de maioria russa, se tornaram mais acirradas com a deposição do presidente ucraniano Viktor Yanukovich, em 22 de fevereiro – o que levou aRússia a aprovar o envio de tropas para “normalizar” a situação.

O premiê interino ucraniano, Arseny Yatseniuk, prometeu levar à Justiça todos que estão propagando o separatismo na Crimeia “acobertados pelas tropas russas”.

Para muitos russos, a Crimeia e a cidade Sebastopol, que no passado foi sitiada pelos invasores nazistas, têm grande importância emocional, por já terem sido parte do país e ainda terem a maioria de sua população de origem russa.

O primeiro-ministro da Crimeia, Sergei Aksyonov, cuja eleição não foi reconhecida pela Ucrânia, afirma que, apesar do clima tenso, há segurança  para a votação. “Acho que temos gente suficiente: mais de 10 mil pessoas nas forças de autodefesa, mais de 5 mil em diferentes unidades do Ministério do Interior e os serviços de segurança da República da Crimeia”, afirmou o premiê, segundo a agência de notícias Reuters.

Contra o referendo, o Parlamento ucraniano aprovou a dissolução da assembleia regional da Crimeia, e um líder nacionalista do Congresso em Kiev disse que a região precisa ser punida para impedir que haja mais movimentos separatistas no leste ucraniano.

E não é só a Ucrânia a insatisfeita com a consulta popular deste domingo. Os Estados Unidos e outros países ocidentais exigem que a Rússia recue suas tropas. Os EUA também suspenderam as transações comerciais com o país e cancelaram um acordo de cooperação militar com Moscou.

A Rússia é ameaçada também de ser expulsa do G8 (grupo dos países mais industrializados do mundo) caso mantenha sua posição no conflito contra a Ucrânia.

Neste sábado, um projeto de resolução do Conselho de Segurança da ONU que condenava o referendo acabou sendo arquivado. O documento recebeu 13 votos favoráveis dos 15 membros do Conselho, mas foi rejeitado devido ao veto da Rússia, que, como membro permanente, pode bloquear qualquer tipo de posição adotada nesta instância da ONU. A China se absteve.

O que pode acontecer?
O governo interino da Ucrânia denunciou uma possível invasão russa na Crimeia e pediu que a população não se levante ante às provocações. Segundo analistas, os russos moradores da Crimeia devem aprovar a anexação no referendo, e isso pode, sim, fazer com que a Rússia incorpore a região ao seu território.

“A maioria do povo da Crimeia, constituída pelos russos e russófonos [que falam russo], pretende pedir a adesão ao estado forte, rico e estável que é a Rússia”, disse em entrevista ao G1 o professor de relações internacionais da Universidade Federal do Rio de Janeiro Alexander Zhebit. Ele acredita que os russos podem defender melhor os direitos da região diante do “cenário da arbitrariedade e da falência do poder estatal no fim do governo de Yanukovich e no início do atual, cuja legitimidade é altamente questionável.”

Segundo ele, a Crimeia significa muito para a Rússia “devido aos vínculos humanos e culturais que ligam a Crimeia e a Rússia desde 1783”. Essa importância foi enfatizada na sexta-feira pelo ministro das Relações Exteriores russo, Serguei Lavrov, ao dizer que a Crimeia significa mais para a Rússia do que as Malvinas para a Grã-Bretanha.

Mas, apesar da empolgação russa para adquirir o território, o professor Zhebit não acha que a anexação só trará louros aos russos. “A curto e a médio prazos a Rússia poderá sentir efeitos políticos, econômicos e financeiros de desgaste, caso aceite a decisão do plebiscito.”

Reações e interesses

O Ocidente já anunciou sanções à Rússia e às lideranças da Crimeia, mas nada foi mencionado sobre o possível uso da força para impedir a anexação da região. Para o professor de história contemporânea da Universidade de São Paulo Angelo Segrillo, não deve haver um envolvimento militar. “Os interesses ocidentais são principalmente geopolíticos, pois há uma clara tentativa de aumentar a influência ocidental no leste da Europa e nas antigas repúblicas soviéticas. Economicamente, há a preocupação com a passagem do gás e petróleo russo para a Europa ocidental que se realiza, em parte considerável, por gasodutos/oleodutos na Ucrânia.”

O mesmo acredita o professor Zhebit. “O Ocidente não deve se envolver e não se envolverá militarmente na Ucrânia, porque não possui nem acordos militares nem interesses econômicos significativos na Ucrânia, nem tantos cidadãos dos países ocidentais no território da Ucrânia, cuja existência possa justificar ou respaldar qualquer ação deste tipo.”

Fonte: G1

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Conflitos Inteligência

‘Hackers’ derrubam sites da Otan em meio à tensão na Crimeia

Grupo ‘cyber-berkut’ diz que ataques cibernéticos foram feitos por ‘ucranianos patriotas’. Parte dos serviços já foi restaurado

Reuters

Hackers derrubaram vários sites públicos da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), disse a aliança neste domingo (16), no que parece ser a mais recente escalada cibernética devido às tensões crescentes sobre a Crimeia.

Crise ucraniana: Otan manda aviões e monitora fronteiras da Ucrânia

Reuters

Chanceleres da Otan se reúnem em Bruxelas, Bélgica (arquivo)

 

Ontem: Rússia veta resolução da ONU contra referendo na Crimeia

A porta-voz da aliança ocidental, Oana Lungescu, disse no Twitter que os ciberataques, que começaram na noite de sábado (15), continuaram neste domingo, embora a maioria dos serviços já tenha sido restaurado, agora.

“Isso não impede a nossa capacidade de comandar e controlar nossas tropas. Em momento algum houve qualquer risco para nossas redes confidenciais”, disse outro funcionário da Otan.

O principal site público da Otan que publicou uma declaração do secretário-geral Anders Fogh Rasmussen dizendo que o referendo de domingo sobre o status da Crimeia violaria o direito internacional e não tinha legitimidade, funcionou de forma intermitente.

O chamado ataque DDoS – “negação distribuída de serviço”, quando hackers bombardeiam sites com solicitações que fazem com que eles fiquem lentos ou caiam, também atingiu o site de um centro de segurança cibernética, uma afiliada da Otan, na Estônia. A rede de e-mails não-confidenciais da Otan também foi afetada.

Hoje: Crimeia inicia referendo sobre anexação à Rússia

Um grupo que se autodenomina “cyber-berkut” disse que o ataque foi realizado por ucranianos patrióticos, irritados com o que eles consideram uma interferência da Otan no seu país. A reivindicação feita no site www.cyber-berkut.org não pode ser verificada de forma independente. “Berkut” é uma referência às temidas e atualmente desfeitas, tropas de choque, usadas pelo governo deposto do presidente ucraniano pró-Rússia, Viktor Yanukovich.

Confira galeria de fotos sobre a ocupação da Rússia na Crimeia

Soldado armado, provavelmente russo, anda perto de uma base militar ucraniana na aldeia de Perevalnoye (9/3). Foto: Reuters
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Entenda: Quais são as motivações da Rússia na crise da Ucrânia?

O especialista em guerras cibernéticas, Jeffrey Carr, descreveu em um blog sobre os ataques, o grupo cyber-berkut, como convicto defensor de Yanukovich e um “grupo ‘hacktivista’ (hackers ativistas) pró-Russia, que está trabalhando contra a independência da Ucrânia.”

Lungescu tomou conhecimento da declaração do “grupo de hacktivistas” mas disse que devido às complexidades envolvidas em atribuir os ataques, a OTAN não pretendia especular sobre quem foi o responsável ou seus motivos.

“Cutando Areia”

John Bumagarner, diretor de tecnologia da Unidade de Consequências Cibernéticas dos EUA, um instituto de pesquisa, sem fins lucrativos, disse que a evidência inicial sugere fortemente que esses ataques cibernéticos foram lançados por simpatizantes pró-russos.

“Podemos equiparar esses ataques cibernéticos contra a Otan como jogar areia no rosto de alguém na praia,” ele disse.

Ataques cibernéticos aos sistemas de computação da Otan são comuns, mas um funcionário da Otan, que falou sob a condição de anonimato no domingo, disse que esse tinha sido um sério ataque online. Ian West, diretor do centro de defesa cibernética da OTAN em Mons no sul da Bélgica, disse no ano passado que os sistemas de detecção de invasão de rede da OTAN, lidam com cerca de 147 milhões de “eventos suspeitos” diariamente, e teve cerca de 2.500 ataques sérios aos seus computadores confirmados no ano passado.

A tensão entre Moscou e o Ocidente vem aumentando continuamente, desde que a Rússia interveio, depois da expulsão de Yanukovich. Sites ucranianos e russos tem sido alvo de ataques cibernéticos nas últimas semanas e esse parece ter sido o primeiro grande ataque a um site ocidental desde o início da crise.

Suspeita-se que hackers russos usaram ataques DDoS para paralisar sites e serviços na Estônia em 2007, durante uma disputa sobre um memorial de guerra e contra a Georgia, durante a sua breve guerra com e Rússia, em 2008. Moscou negou ter orquestrados esses ataques, dizendo que eles foram simplesmente realizados por patriotas independentes.

O cyber-berkut, que alguns especialistas acreditam que podem ser associados à inteligência russa, publicou seu comunicado em russo em vez de em ucraniano.
Fonte: Último Segundo

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Geopolítica

Multidões na Crimeia celebram aprovação em referendo de anexação pela Rússia

Apuração de 50% dos votos indica que mais de 95% aprovam medida. EUA e UE devem impor sanções à Rússia após votação

Fogos de artifício explodiram e bandeiras da Rússia ondularam acima de multidões em júbilo depois que os residentes na estratégica Península da Crimeia aprovaram de lavada a secessão da Ucrânia e a anexação pela Rússia em um referendo neste domingo. Os EUA e a União Europeia caracterizam a votação de ilegal, e há expectativas de que adotem mais sanções contra a Rússia.

Boca de urna: Mais de 90% apoiam anexação da Crimeia pela Rússia

Reuters

Duas mulheres seguram bandeira em que se lê: ‘Crimeia está com a Rússia’ em Simferopol

Sábado: Rússia veta resolução da ONU contra referendo na Crimeia

O novo governo em Kiev classificou o referendo de um “circo” conduzido pela mira de uma arma por Moscou – referindo-se aos milhares de soldados russos posicionados agora na península do Mar Negro depois de tomarem seu controle há duas semanas.

Mas depois que as urnas fecharam neste domingo, multidões da população de etnia russa na capital da Crimeia, Simferopol, encheram a praça central gritando de felicidade pela perspectiva de mais uma vez fazer parte da Rússia.

Após reunião de 6 horas: EUA e Rússia fracassam em chegar a acordo sobre Crimeia

Na cédula de votação, os eleitores foram questionados se queriam que a Crimeia fizesse parte da Rússia. Uma segunda questão perguntava se a Ucrânia deveria retornar para seu status sob a Constituição de 1992, que daria à região uma autonomia muito maior. Não havia uma opção para aqueles que gostariam de manter inalterada a atual situação constitucional.

Depois da apuração de 50% dos votos, Mikhail Malishev, chefe da comissão do referendo, disse que mais de 95% dos eleitores aprovaram a separação da Ucrânia para que a área seja anexada à Rússia.

  
Mulher celebra com bandeira russa resultados preliminares de referendo em Simferopol, Crimeia (16/3). Foto: Reuters
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Ataque: ‘Hackers’ derrubam sites da Otan em meio à tensão na Crimeia

Há expectativa de que a Rússia enfrente fortes sanções na segunda-feira dos EUA e a Europa por causa da votação, que poderia também encorajar um ascendente sentimento pró-Rússia no leste da Ucrânia e levar a mais divisões no país de 46 milhões de habitantes. Os residentes no oeste da Ucrânia e na capital, Kiev, são fortemente pró-Ocidente e nacionalistas.

O Parlamento da Crimeia se reúne na segunda para formalmente pedir a Moscou a anexação da região, e legisladores da penínsual e viajarão à Rússia no fim do dia para negociações, disse o primeiro-ministro pró-Rússia da Crimeia no Twitter.

Análise: Referendo traz perspectiva real de escalada militar na Ucrânia

Em Moscou, o presidente da Câmara baixa do Parlamento, Sergei Naryshkin, sugeriu que a anexação à Rússia era algo já acertado.

A população de etnia russa da Crimeia corresponde a 58,5% da população da região, e havia a expectativa de que muitos deles optassem pela anexação pela Rússia. Há 1,5 milhão de eleitores com direito a voto na península.

*Com AP

Fonte: Último Segundo

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Conflitos Defesa Geopolítica Hangout

Atualizado : Hang out Plano Brasil: Ucrânia e a crise na Criméia

 

Crise na ucrânia

 

Neste domingo 16/03 a partir das 20:00 h acompanhe aqui no Plano Brasil, o 1º hang out do Plano Brasil que convida especialistas em história e geopolítica para uma análise comentada da crise Ucraniana e os mais recentes acontecimentos na Crimeia.
O programa será transmitido ao vivo pelo Plano Brasil e receberá ao vivo as mais importantes perguntas dos leitores do nosso blog site.

As questões poderão ser feitas via página do Plano Brasil no facebook (clique aqui)  a partir das 20:00h no post do Hangout Crimeia).

Convidados 

Mediador:  Luiz Medeiros 

Convidados especiais:

Dídimo Mattos ( Filósofo e especialista em questões Eurasianas)

José Carlos Viana  Cinquini (Professor de História da Rede Pública e editor da Trilogia Forças de Defesa)

Leitores convidados

Leonardo Carvalho  (leitor e colaborador do Blog site Plano Brasil)

César Antônio Ferreira (leitor e colaborador do Blog site Plano Brasil)

Participantes do Plano Brasil

José Messias Gamba  (Messiah)  (Editor do Blog Site Plano Brasil)

Edilson Moura Pinto (E.M.Pinto) (Editor Chefe do Blog Site, Plano Brasil)

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Conflitos Geopolítica

Governo diz que 95% dos eleitores votam por anexação da Crimeia à Rússia

Multidão celebra resultado parcial de referendo em Simferopol (foto: AFP)Washington e seus aliados condenam realização de referendo na Crimeia

Autoridades da Crimeia anunciaram que metade dos votos do referendo sobre o destino da região já foram apurados. O governo local disse que 95,5% dos eleitores votaram pela separação da Ucrânia e anexação pela Rússia.

Milhares de pessoas celebram o anúncio – chamando o resultado de vitória histórica – na praça central de Simferopol. Autoridades da Crimeia anunciaram que solicitarão a anexação à Rússia já na segunda-feira.

As urnas fecharam às 20h (15h de Brasília) e autoridades eleitorais afirmaram que o comparecimento foi “recorde”.

Porém muitos eleitores boicotaram a votação, que foi considerada ilegal pelos Estados Unidos e pela União Europeia.

Forças partidárias da Rússia tomaram o controle da Crimeia em fevereiro logo após a queda do presidente ucraniano pró-Moscou Viktor Yanukovych.

Na cédula de votação os eleitores foram questionados se desejavam que a Crimeia voltasse a fazer parte da Rússia.

Uma segunda questão questionava se a Ucrânia deveria retornar ao status que tinha na Constituição de 1992, quando a Crimeia tinha mais autonomia.

Não havia opção para aqueles que desejam que a situação constitucional permaneça sem alterações.

Os russo étnicos formam 58,5% da população da região, e esperava-se que muitos deles votassem pela união com a Rússia.

“A Rússia vai nos defender e proteger”, disse a professora Olga Koziko após votar. A eleitora disse ser favorável a Moscou por não querer ser governada “pelos nazistas que tomaram o poder em Kiev”.

A minoria tártara, que representa 12% da população boicotou a votação.

O número total de eleitores aptos a votar era de aproximadamente 1,5 milhão e resultados preliminares não confirmados dizem que 80% deles compareceram às urnas.

Sergei Aksyonov, que foi nomeado líder do governo na Crimeia após a intervenção militar russa, disse que a população votou de forma livre.

Ele afirmou que não houve problemas nas estações de votação. “Eu não sinto nem vejo nenhuma pressão sendo feita”, afirmou à agência de notícias Interfax durante a votação.

Sessão no Parlamento

Aksyonov afirmou que haverá uma sessão no Parlamento na segunda-feira. “O Soviet Supremo da Crimeia fará uma solicitação oficial para que a república se una à Federação Russa em uma reunião em 17 de março”, afirmou em sua conta no Twitter.

Mas o porta-voz da Casa Branca Jay Carney afirmou que a votação foi “perigosa e desestabilizadora”.

“Como os Estados Unidos e seus aliados já deixaram claro, intervenção militar e violação da lei internacional farão os custos para a Rússia aumentarem – não apenas por medidas impostas pelos Estados Unidos e seus aliados, mas também como um resultado direto das próprias ações desestabilizadoras da Rússia”, declarou.

Manifestações

Longe da região da Crimeia, a cidade de Donetsk, no sudeste da Ucrânia, registrou uma série de tumultos.

Manifestantes pró-Rússia invadiram o edifício da Promotoria gritando “Donetsk é uma cidade russa”. Depois, ocuparam a base das forças de segurança pela segunda vez em dois dias – dispersando-se em seguida e prometendo voltar ao local na segunda-feira.

O grupo exigia à Promotoria a libertação do líder pró-Rússia Pavel Gubarev.

O Kremlin afirmou que o presidente Vladimir Putin disse à chanceler (premiê) alemã Angela Merkel por telefone estar preocupado com a escalada da tensão em Donetsk e culpou “grupos radicais” que agiriam a mando de Kiev.

Putin disse à Merkel que o referendo deste domingo foi de acordo com a lei e que Moscou respeitará o resultado.

Um porta-voz de Merkel disse que a chanceler propôs a expansão da presença de observadores internacionais no leste da Ucrânia e que Putin teria apoiado o pedido.

O premiê ucraniano Arseniy Yatsenyuk afirmou que autoridades do país rastrearão lideranças separatistas.

“Nós vamos encontrar todos eles – mesmo que isso leve um ou dois anos – e os levaremos à Justiça para que sejam julgados por tribunais ucranianos e internacionais”.

Outros acontecimentos

  • O ministro da Defesa do governo de fato da Ucrânia Ihor Tenyukh disse que uma trégua temporária foi negociada com a Rússia até o dia 21 de março – período em que o bloqueio às bases militares ucranianas será suspenso.
  • Autoridades de Kiev acusaram forças russas de capturarem o vilarejo de Strilkove, ao norte da Crimeia, descrevendo a ação como uma “invasão militar”

Fonte: BBC Brasil

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Conflitos Geopolítica

Ucrânia forma Guarda Nacional

mobilização, ucrânia, guarda nacional, ministério do interior, Arsen Avakov

Foto: AFP

A Ucrânia pretende mobilizar nos próximos dias milhares de indivíduos para a Guarda Nacional, informou Arsen Avakov que desempenha função como ministro do Interior.

“Anunciamos a mobilização de 20 mil pessoas, fizemos os respectivos cálculos e preparamos locais para a próxima mobilização. Um dos centros está perto de Kiev, e nele já se encontram cerca de 600 recrutas”, afirmou.

A mobilização será efetuada durante duas próximas semanas. Ao mesmo tempo, o Ministério do Interior procedeu à recolha de donativos e verbas para que se possa garantir as atividades da Guarda Nacional.

Fonte: Voz da Rússia

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Conflitos Geopolítica

Eleitores comparecem às urnas em referendo sobre destino da Crimeia

Manifestantes pró-Russia aguargam resultado de referendo em Simferopol (foto: Reuters)Ocidente aguarda resposta da Rússia a resultado de referendo para adotar ações

A votação do referendo para decidir se a região da Crimeia será ou não anexada à Rússia foi encerrada às 15h (20h no horário local) deste domingo. Avaliações iniciais indicam que o índice de comparecimento às urnas foi superior a 80%.

O resultado esperado por analistas é que os eleitores da região tenham escolhido a anexação pela Rússia. Os cidadãos de origem étnica russa formam 58% da população da região. As minorias ucraniana e tártara decidiram boicotar a votação. O número total de pessoas aptas a votar chega a 1,5 milhão

Agências de notícia russas chegaram a anunciar que o resultado seria mais de 90% dos votos a favor da anexação.

Milhares de manifestantes partidários da Rússia fizeram atos por toda a Ucrânia. Na cidade de Donetsk, no leste do país, um desses grupos invadiu o prédio da Promotoria e o das forças de segurança para exigir a libertação de um ativista que havia sido preso na semana anterior.

Em Simferopol, capital da Crimeia, uma multidão favorável à anexação aguarda na praça principal pelos primeiros resultados das urnas.

Na cédula de votação os eleitores foram questionados se desejam que a Crimeia volte a fazer parte da Rússia.

Uma segunda questão questionava se a Ucrânia deveria retornar ao status que tinha na Constituição de 1992, quando a Crimeia tinha mais autonomia.

Não havia opção para aquele que desejam que a situação constitucional permaneça sem alterações.

“A Rússia vai nos defender e proteger”, disse a professora Olga Koziko após votar. A eleitora disse ser favorável a Moscou por não querer ser governada “pelos nazistas que tomaram o poder em Kiev”.

Partidários da Rússia na Crimeia vêm fazendo nos últimos dias propaganda que afirma à população que a revolução de Kiev foi conduzida por facistas, e os compara ao nazismo.

A revolução que derrubou o governo no fim de fevereiro foi deflagrada pela recusa do então presidente Viktor Yanukovych de um acordo que aproximaria a Ucrânia da União Europeia.

Reação

A reação dos Estados Unidos e da União Europeia foi classificar o referendo da Crimeia como ilegal e dizer que não irão reconhece-lo.

O governo de Kiev afirmou ter acordado uma trégua com Moscou até o próximo dia 21 de março. O cerco a bases militares ucranianas na Crimeia deve ser levantado.

Enquanto o resultado oficial do referendo não é divulgado, o Ocidente aguarda as próximas ações de Moscou para optar ou não por ações de retaliação.

Fonte: BBC Brasil

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Geopolítica

Convergência na diversidade: A nova política latino-americana do Chile

Sugestão: Roberto CR

A estratégia exterior não terá uma inclinação ideológica, mas sim favorecerá uma região mais integrada e com uma identidade própria

 

 12 MAR 2014 – 20:00 BRT

A América Latina mudou na última década. A região é hoje mais diversa e autônoma e, apesar de suas conquistas em crescimento e redução da pobreza, enfrenta importantes desafios. Para enfrentar estes problemas, o Chile, sob o governo agora comandando pela Presidenta Michelle Bachelet, buscará trabalhar a partir e com a América Latina e Caribe.

O novo governo do Chile priorizará a região e em particular a América do Sul. Nosso propósito será fortalecer a presença do país nos distintos mecanismos de integração existentes, impulsionando pontes de acordo sobre as diferenças ideológicas ou sub-regionais. A política exterior do Chile não terá uma inclinação ideológica, mas colocará ênfase em avançar pragmaticamente em direção a uma região mais integrada e com uma identidade própria.

Os princípios de lealdade ao direito internacional, promoção e defesa da democracia e dos direitos humanos, solução pacífica das controvérsias, independência e respeito à soberania, entre outros, que sempre têm guiado nossa política exterior, serão mantidos como eixo de uma política de Estado. Mas o Chile dará um giro em sua política exterior a partir de um enfoque que tem privilegiado as relações econômicas –que continuarão sendo muito importantes para o país– até uma perspectiva integral que outorgue um peso semelhante às dimensões políticas, sociais e culturais de nossos laços externos em um mundo cada vez mais globalizado, com uma cidadania ativa e interconectada por meio de fronteiras nacionais.

As opções de integração de nossa região hoje bifurcam-se em diversas direções econômicas e políticas, em detrimento de sua influência em um mundo organizado em blocos regionais. Falta convergência e consenso na América Latina e Caribe.

O Chile valoriza a Aliança do Pacífico como esquema de integração econômica, mas não a concebe como um bloco ideológico excludente

Nossa região é caracterizada por economias de renda média, que tem necessidades diferentes às de outras regiões em desenvolvimento. Entre nossas prioridades está a redução das enormes desigualdades, remediar a indiferença aos povos indígenas e outras minorias, enfrentar a baixa qualidade da educação, o investimento insuficiente em ciência e tecnologia, a insegurança dos cidadãos. Mas se não somos capazes de chegar a um acordo para promover respostas como bloco, a agenda de desenvolvimento pós-2015 das Nações Unidas, já em plena elaboração, não refletirá adequadamente nossos interesses comuns.

Existe uma diversidade de caminhos na região para avançar o desenvolvimento. Respeitaremos essas diferenças entendendo, no entanto, que é possível construir um todo integrado de partes distintas e desiguais. Há espaço para projetos sub-regionais que podem ser tijolos para a construção de um projeto maior e mais abrangente de integração latino-americana.

O Chile valoriza a Aliança do Pacífico como esquema de integração econômica e plataforma comercial de projeção coletiva à região da Ásia-Pacífico; mas não compartilhará pretensão alguma de conceber tal Aliança como um bloco ideológico excludente ou antagônico com outros projetos de integração.

A título de exemplo, deveríamos discutir a possibilidade de materializar uma convergência da Aliança do Pacífico com o Mercosul, sem prejuízo de adotar o conceito da União Europeia das “velocidades diferenciadas” que permitiria aos países que estejam em condições, e assim o desejem, avançar mais rápido do que os demais no processo de integração.

Convergência na diversidade é a política que o Chile buscará promover na América Latina. É uma opção que combina realismo e vontade política de avançar em direção a uma região mais integrada e autônoma.

Fonte: El País

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Economia Geopolítica

93% dos Crimérios votam a favor da reunificação com a Rússia

crimeaRustam Moscou

Tradução e adaptação: E.M.Pinto

 

16 de março de 2014 | 22:02
A avaliação dos dados segundo o canal de TV  Rússia 24h indicam que apenas 7% dos entrevistados eram a favor da preservação da Criméia como parte da Ucrânia. O comparecimento às urnas no referendo em Sevastopol  foi de cerca de 85% dos cidadãos segundo noticiou a rede de TV e notícias RIA Novosti.

A Criméia passará a fazer parte da Federação da Rússia o mais rápido possível – disse o primeiro-ministro Sergei Aksenov. Segundo os observadores o referendum da Criméia ocorre, sem problemas afirmou o presidente da Comissão Mikhail Malyshev

O levantamento foi realizado em 150 locais da Criméia e 50 estações na cidade de Sevastopol. Os votantes seguiram voluntariamente e anonimamente responderam à questão sobre se eles votaram a favor da reunificação da Criméia com a Rússia sobre os direitos da Federação da Rússia ou a restauração da Constituição da República da Criméia, em 1992, e da estatuto da Criméia como parte da Ucrânia. ao todo foram entrevistados 59.111 pessoas.

O referendo na Criméia acorreu segundo as normas internacionais, procedimentos democráticos totalmente responsáveis. Isto foi afirmado à ITAR -TASS que nas palavras do chefe da missão de observadores internacionais Mateusz Piskorski (Polónia) afirmou.” O referendo foi  adequado a lei local e realizado de acordo com o direito internacional.  O que vimos hoje na Crimeia, não é diferente de um plebiscito, em qualquer outro país democrático europeu “, – disse ele.

Moradores da península da Criméia, em caso de entrada na Rússia receberão um passaporte russo em modo simplificado, informou a  Interfax o Primeiro Vice-Primeiro-Ministro da  Crimeia, Rustam Temirgaliev. “No caso de ocorrência da Criméia para a Rússia cada krymchanin (crimério) é capaz de apresentar um pedido para a polícia, que será formado no princípio Russo e assim obter um passaporte, carteira de motorista e outros documentos ao abrigo do regime simplificado, ” – disse ele. Ele explicou que as autoridades da Criméia esperam que “a Rússia fornecerá estruturas adequadas e documentos relevantes no futuro próximo . “

 

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Conflitos Geopolítica Opinião

A Segunda Guerra Fria

APAGAAAAAAARÀ diferença do conflito original do século XX, desta vez a briga não se alimenta da ideologia, mas de interesses estratégicos dos EUA e da Rússia

Entrevista – Luiz Alberto Moniz Bandeira

André Barrocal, Carta Capital, publicado 05/03/2014

O brasileiro que se desligou do mundo e caiu na folia durante o Carnaval tem motivos para um certo déjà vu ao voltar à realidade nesta quarta-feira de Cinzas. Em um lugar de nome esquisito e bem longe do Brasil, Estados Unidos e Rússia travam uma batalha diplomática que corre o risco de descambar para as armas. Aliados a forças locais distintas de um país em ebulição, Moscou e Washington lutam para que o poder caia nas mãos de um governo alinhado. E parece não haver meio termo: ou se está afinado com um lado ou com o outro. A Guerra Fria ressuscitou?

A crise na Ucrânia, aguçada com a queda do presidente pró-Rússia Viktor Yanukovich em 22 de fevereiro, tem muitos dos ingredientes da disputa “capitalistas x comunistas” que rachou o globo após a II Guerra Mundial. No sábado 1°, o parlamento russo autorizou o presidente Vladimir Putin a enviar tropas à Ucrânia para defender instalações militares e cidadãos russos naquele país, cuja parte leste tem forte identidade com Moscou. Na terça-feira 4, Putin chamou de “golpe de Estado” a queda de Yanukovich e admitiu usar a autorização parlamentar. No mesmo dia, o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, foi à Ucrânia manifestar o apoio de Washington ao governo de transição e acenar com 1 bilhão de dólares de ajuda.

Estes lances encaixam-se no que se poderia chamar de uma “segunda guerra fria”. À diferença do conflito original do século XX, porém, não se alimenta de ideologia, mas de interesses estratégicos dos EUA. O fenômeno foi descrito no livro “A Segunda Guerra Fria”, lançado no ano passado pelo cientista político, historiador e professor aposentado de política exterior do Brasil Luiz Alberto Moniz Bandeira.

Desde os anos 90, diz o livro, os EUA dão importância crescente à Eurásia, região onde está a Ucrânia. Em 1994, o Departamento de Energia norte-americano identificou o Mar Cáspio, próximo da Ucrânia, como uma das maiores fontes de petróleo do globo. Uma baita descoberta para quem não sobrevive sem petróleo importado. E mais ainda porque a principal fonte conhecida, o Golfo Pérsico, é um caldeirão de antiamericanismo islâmico. Dali em diante, diz Moniz Bandeira, a prioridade geopolítica dos EUA consistiu em atrair os governos de países da região do Cáucaso, alguns dos quais pertenciam à ex-URSS. Washington fez isso inclusive mediante o envolvimento militar e uma política de regime change, ou seja, desestabilizando governos eleitos.

Na década passada, houve uma leva de vitoriosas “revoluções coloridas” contra regimes na região do Cáucaso: a Rosa na Georgia (2003), a Lilás no Quirquistão (2005) e a Laranja na Ucrânia (2004/2005). As três, diz Moniz Bandeira, foram incentivadas pelos EUA com um modus operandi batizado de “guerra fria revolucionária”: ONGs defensoras dos valores norte-americanos instigaram as populações locais contra os governos e as estimularam a ir às ruas, tudo descrito pela mídia internacional como revoltas espontâneas e democráticas.

O que acontece agora na Ucrânia, diz Moniz Bandeira, é uma reedição da “Revolução Laranja” de dez anos atrás. O problema – não só no caso da Ucrânia como nas demais revoluções coloridas – é que as turbulências ocorrem muito perto das fronteiras da Rússia. Um país que, sob Putin, superou a crise econômica decorrente do colapso da URSS e voltou a pensar-se como superpotência.

A seguir, o leitor confere os principais trechos da entrevista concedida por e-mail por Moniz Bandeira, que mora na Alemanha.

CartaCapital (CC): Os EUA estão por trás das turbulências na Ucrânia?

Moniz Bandeira (MB): Essa participação na subversão dos regimes na Eurásia é comprovadamente antiga. Na edição de 24 de novembro de 2003, o Wall Street Journal atribuiu o movimento contra o regime na Georgia a operações de um grande número de “organizações não-governamentais (…) apoiadas por fundações americanas e por outras fundações ocidentais”. E não pode haver maior evidência agora do que a participação aberta de dois senadores americanos – John McCain (Partido Republicano) e Christopher Murphy (Partido Democrata) – como líderes nas manifestações em Kiev. O economista Paul Craig Roberts, que foi secretário assistente do Tesouro no governo Reagan (1981-1989), escreveu que “a Ucrânia ou a parte ocidental do país está cheia de ONGs mantidas por Washington cujo objetivo é entregar a Ucrânia às garras da União Europeia, para que os bancos da União Europeia e dos Estados Unidos possam saquear o país como saquearam, por exemplo, a Letônia; e simultaneamente enfraquecer a Rússia, roubando-lhe uma parte tradicional e convertendo esta área em área reservada para bases militares de Estados Unidos-OTAN”.

CC: Que interesses norte-americanos o governo deposto da Ucrânia ameaçaria? Que evidências disso o sr. apontaria?

MB: Não se trata de “ameaça”. Nenhum país, evidentemente, ameaça os EUA. O problema é que o governo da Ucrânia não atende e não se submete aos interesses econômicos, geopolíticos e estratégicos de Washington. O presidente Viktor Yanukovych recusou-se a aderir à União Europeia e tendia a incorporar-se à União Econômica Eurasiana, cujo tratado o presidente Putin, como um grande estadista, está a negociar com as antigas repúblicas soviéticas. Esse tratado permitirá à Rússia conquistar dimensão estratégica e geopolítica de igual dimensão à da extinta União Soviética e voltar a constituir outro polo de poder internacional. O problema é a rivalidade dos EUA com a Rússia. A questão não é ideológica. É geoestratégica.

CC: Diria que a crise na Ucrânia é um prolongamento da Revolução Laranja?

MB: Claro que é uma nova Revolução Laranja. E não terminou. A Ucrânia está na órbita de gravitação da Rússia. E o governo que substitua o de Yushchenko não terá condições de resistir à sua vis attractiva [força atrativa], principalmente porque os EUA e a União Européia não têm condições de bancar financeiramente os problemas da Ucrânia e ainda por cima pagar a conta do gás que o país recebe da Rússia, com a qual tem enorme débito. Yushchenko era a favor do Ocidente quando assumiu a presidência da Ucrânia, porém, tal como seu antecessor, Leonid Kuchma, que solicitara adesão à OTAN em 2002, teve de mudar sua posição, diante da realidade geopolítica. A queda de Yushchenko seria certa se ele consumasse a adesão à OTAN. A Rússia não vai admitir a integração da Ucrânia na União Europeia. Ela possui uma base naval em Sebastobol e mais um porto em Odessa desde o reinado de Catarina, a Grande (1762 e 1796). A frota russa, baseada na península da Crimeia, controla o Mar Negro e as comunicações de importantes zonas energéticas (de reservas de gás e petróleo) através dos estreitos de Bósforo e Dardanelos com o Mar Mediterrâneo. A Criméia pertenceu à Rússia até 1954, e o povo em Kiev, com a queda de Yushchenko, está a demandar a secessão. A Rússia, decerto, não apoiará, abertamente, o separatismo. Porém, milhares de pessoas já estão nas ruas de Sebastopol a clamar “Rússia, Rússia, Rússia” com a bandeira russa e a gritar “Não nos renderemos a esse fascistas”. A Crimeia tem cerca de 2 milhões de habitantes etnicamente russos, que não se submeterão ao governo dos fascistas em Kiev, apoiado pelo Ocidente. Em Simferopol, capital da Crimeia, com cerca de 350 mil habitantes, já estão sendo organizadas milícias para resistir a qualquer força de Kiev.

CC: O sr. parece identificar um padrão de intervenção não-violenta por parte dos EUA no pós-guerra fria. Um padrão a combinar a ação de ONGs e de líderes oposicionistas financiados por Washington com propaganda midiática. Diria que esta combinação está presente hoje na Ucrânia?

MB: Não há nenhum padrão de intervenção não-violenta dos EUA no pós-Guerra Fria. Os EUA intervém militarmente, de forma unilateral ou sob o manto da OTAN, quando podem. Intervieram na Líbia, mas não tiveram condições de fazê-lo na Síria, devido à oposição da Rússia e da China, embora continuem a financiar os rebeldes – na realidade, terroristas de Al Qa’ida e organizações similares. A guerra fria, portanto, continua, em uma etapa histórica superior, como demonstram os acontecimentos na Ucrânia, na Síria e nos demais países do Oriente Médio. Os EUA não deixaram de perceber a Rússia como seu principal adversário. De fato, a Rússia não perdeu, militarmente, nenhuma guerra. O que lá ocorreu foi a implosão de um regime socialista autárquico, inserido em uma economia internacional de mercado capitalista, da qual dependia e não podia desprender-se. Como sucessora jurídica da URSS, a Rússia herdou todo o seu potencial militar: cerca de 1.800 ogivas nucleares estratégicas operacionais e reservas de 2.700 ogivas, contra 1.950 ogivas operacionais e 2.500 ogivas de reserva dos EUA. O poderio militar das duas potências era equivalente. Após a dura crise econômica e política que atravessou nos anos 1990, a Rússia recuperou-se economicamente sob o governo Putin. E outra guerra fria, assim, recomeçou, uma vez que os EUA se empenham em implantar o full spectrum dominance [domínio de espectro total]. Na Ucrânia, um dos teatros onde as ONGs ocidentais impulsaram a cold revolutionary war em 2004-2005, a guerra fria reacendeu em 2013, uma vez que o governo recuou nas negociações para incorporar o país à União Europeia, o que podia abrir as portas para o estacionamento de tropas da OTAN dentro do seu território, conforme os EUA pretendem.

CC: Quais as ONGs vinculadas a Washington que mais se destacam na desestabilização de governos não-alinhados com os EUA?

MB: Essas ONGs, que promovem a política de export of democracy [exportação de democracia], são muito variadas, assumem nomes diferentes, embora os patrocinadores sejam virtualmente os mesmos: National Endowment for Democracy (NED), CIA e entidades civis, entre as quais Freedom House, a USAID [United States Agency for Cooperation International], o Open Society Institute (renomeado Open Society Foundations em 2011) do megainvestidor George Soros. Estas e outras organizações não-governamentais são uma fachada para promover mudança de governo sem que pareça golpe de Estado. Na Ucrânia, operam ONGs financiadas pela União Europeia.

CC: A crise na Ucrânia teria o mesmo peso e a mesma importância sem a cobertura dada pelas mídias locais e pela mídia mundial? Por quê?

MB: A Ucrânia é um país econômica e financeiramente muito debilitado. Seu governo, por diversos fatores e em distintas circunstâncias, cometeu muitos erros. E Washington trata de aproveitar as forças domésticas de oposição para fazer avançar seus interesses econômicos e geoestratégicos, através de ONGs financiadas pela NED, USAID, CIA e outras instituições públicas e privadas. Elas representam a mão invisível Washington nessas crises. Consciente ou inconscientemente, a mídia internacional serve como instrumento de psychological warfare [guerra psicológica], ao repetir e reproduzir como se tudo fossem demonstrações de massas e revoltas espontâneas. Isso vale particularmente para a BBC, a CNN e a Fox News. O fato é que o governo Obama continua a implementar uma estratégia para consolidar o full spectrum dominance estabelecido desde o  governo George H. W. Bush. No atual contexto, isto significa que não interessa a Washington que a Ucrânia integre a União Econômica Eurasiana promovida pela Rússia.

CC: É possível para governos de países como a Ucrânia resistir à ofensiva da “guerra fria revolucionária” patrocinada por Washington? Por quê?

MB: Tudo depende das circunstâncias. É difícil prever. Apesar da decadência, os EUA são e serão uma superpotência por muitas décadas, enquanto o dólar for a moeda de reserva internacional. Militarmente, sem dúvida, os EUA nunca seriam derrotados. Mas uma superpotência devedora, cuja dívida pública se iguala ou mesmo supera sua produção de bens e serviços, uma superpotência que depende das importações, inclusive de capitais de outros países, para financiar guerras, sem as quais sua indústria bélica e toda a cadeia produtiva de tecnologia podem quebrar, não poder sustentar indefinidamente um sistema assim. Um dia, certamente, entrará em colapso. Certamente não mais estarei vivo. Mas o Império Americano, como todos os impérios, perecerá.

CC: Que desfecho considera mais provável para a crise na Ucrânia?

MB: Grande parte da oposição na Ucrânia é composta por elementos notoriamente fascistas. Eles são muito bem armados, muito bem organizados militarmente em companhias, patrulham as ruas em grupos de combate de dez pessoas, com capacetes e armas, alguns usando capacetes da divisão SS Galicia [região no Oeste da Ucrânia], que lutou ao lado dos nazistas alemães contra os soviéticos entre 1943 e 1945. Eles pertencem ao partido Svoboda, chefiado por Oleg Tiagnibog, forte especialmente no leste da Galícia, reduto da extrema-direita. Os chamados “ativistas” e “democratas” que fomentaram as demonstrações pro-União Europeia pertencem, em larga medida, a comandos do Svoboda e de outras tendências neonazistas e não escondem suas tendências xenófobas, racistas, anti-semitas e contra a Rússia. E foram com eles que os senadores americanos John McCain e Christopher Murphy se misturaram nas demonstrações contra o governo Yanukovych, democraticamente eleito e derrubado por um golpe, sob os aplausos dos EUA e da União Europeia. É muito provável que tais grupos neonazistas intentem a captura do poder em Kiev. Porém será difícil submeter a Crimeia.

CC: A Rússia jogou tudo o que podia diplomática e politicamente na atual crise na Ucrânia?

MB: A Rússia não jogou todas as suas cartas. O presidente Putin, que se revela o maior estadista da atualidade, sabe muito bem como dispor e lançar as pedras no xadrez da política internacional. Formado na KGB e havendo servido durante muitos anos na Alemanha Oriental, principal teatro do conflito Leste-Oeste, conhece muito bem como funciona a guerra nas sombras. A Ucrânia continuará ainda como cenário da segunda guerra fria e certamente a Rússia não aceitará, passivamente, que se integre na União Europeia. Haverá negociações ou derramamento de sangue. Quem viver verá.

Fonte: Carta Capital 

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SAAB assina contrato para fornecer RBS 70 para o Exército Brasileiro (EB)

RBS-70-NG-e-radar-Giraffe-foto-SaabA Empresa de Defesa e segurança SAAB assinou um contrato para entregas do RBS 70 VSHORAD ( sistema de defesa aérea de alcance muito curto ) para o Exército Brasileiro (EB). A ordem tem um valor de aproximadamente 80 milhões de coroas suecas, dispõe de entregas de lançadores portáteis de mísseis, e equipamentos associados .

As primeiras entregas do material estão programadas já para 2014.

O acordo compreende um número não revelado de RBS 70 lançadores portáteis de mísseis tipo Mk II, simuladores, equipamentos de visão noturna , um conjunto de teste, ferramentas de manutenção, peças de reposição, equipamentos associados, e treinamento para operadores e mantenedores da arma. Os sistemas são, entre outros destinados à infra estrutura estratégica e será utilizado na proteção de grandes eventos, incluindo a Copa do Mundo FIFA 2014 e Jogos Olímpicos de Verão 2016 no Rio de Janeiro.

“Isso é muito positivo e prova ainda mais a capacidade do sistema RBS 70, que, por contrato, já  foi adquirido por 19 países nos cinco continentes. Capacidades únicas do sistema, confiabilidade e custo muito baixo do ciclo de vida são muito apreciados por todos os usuários em diferentes ambientes exigentes” , afirma Görgen Johansson , Chefe da SAAB para a  Área de Negócio Dynamics .

A carteira SAAB de sistemas de mísseis de defesa aérea instalados no solo de curto alcance compreendem o RBS 70 e RBS 70 NG. Com a família RBS 70, a SAAB oferece sistemas de mísseis no estado da arte para clientes que investem num futuro exigente. O sistema RBS 70 tem uma impressionante aceitação  no mercado mundial. Dezenove países adquiriram mais de 1.600 RBS 70 sistemas, incluindo mais de 17.000 mísseis.

RBS-70-NG-foto-Saab

O novo RBS 70 NG é projetado para reforçar a capacidade VSHORAD ainda mais. Um sistema de mísseis precisos, guiados a laser, o RBS 70 e 70 RBS NG não é afetado por medidas preventivas, fontes de calor e desordem. A visão RBS 70 NG pode ser aplicado numa  infinidade de configurações de sistemas que variam de MANPADS (sistema de defesa aérea conduzido por soldado), bem como sistemas de defesa aérea de navios integrados remotamente a partir de um veículo terrestre, ou navio. A visão é projetado para ser usado com todos os atuais e futuras gerações da família de mísseis RBS 70.

As várias configurações de sistema torna RBS 70 e 70 RBS NG são altamentes adequadas para emprego terrestre com base na defesa aérea estática contando com importante infra estrutura , proteção de unidades móveis ou para a proteção de eventos.

Tradução e Adaptação: Plano Brasil

Fotos: SAAB

Fonte: SAAB

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Umkhonto, Barak e MicaVL fora da futura corveta da Marinha do Brasil (MB)

Umkhonto, Barak e MicaVL fora da futura corveta da Marinha do Brasil (MB)

Umkhonto-no-NAe-São-Paulo

Através de diversas notas exclusivas Alide vem nos últimos meses acompanhando a evolução contínua do programa CV3 da Marinha do Brasil para a definição e o desenvolvimento das novas corvetas derivadas do casco da Barroso. Até aqui, uma das variáveis mais críticas ainda em aberto era justamente o sistema de misseis antiaéreos que virá a ser empregado na nova classe.

ALIDE apurou junto a suas fontes que a Diretoria de Sistemas de Armas da Marinha descartou três sistemas de mísseis da corrida: o sul-africano Umkhonto, o israelense Barak e o francês Mica VL para ficar um “shortlist” com apenas o sistema Evolved Sea Sparrow Missile (ESSM) da Raytheon americana e o Sea Ceptor do braço britânico da MBDA.

Espaço sempre foi uma questão muito crítica neste projeto uma vez que a nova corveta desloca cerca de 2400 toneladas e seu casco tem uma boca de apenas 13 metros. Este é um navio bem menor que as fragatas da classe Niterói e, mas assim mesmo, por determinação do Estado Maior da Armada deverá ter uma tripulação relativamente grande para os navios do seu segmento.

A vantagem inicial do sistema Barak, especialmente devido ao seu lançador ser o mais compacto, acabou não sendo suficiente para reproduzir na Marinha do Brasil o sucesso recente do sistema israelense na modernização das Type 22 da Marinha do Chile. O Umkonto da Denel apresentava como ponto a seu favor, o fato desta indústria sul-africana já ser uma parceira importante do Brasil no programa A-Darter, míssil que armará os futuros caças Gripen da FAB. Finalmente, foi justamente a escolha do caça sueco em vez do Rafale francês (que usa ao MICA como míssil de defesa aproximada) o que provavelmente causou o desinteresse da Marinha pelo MICA VL.

O Evolved Sea Sparrow

O RIM-162 ESSM é um derivado moderno do clássico sistema de defesa antiaérea naval americano RIM-7 Sea Sparrow. O ESSM foi desenvolvido pela US Navy e por nove dos onze países da NATO SeaSparrow Consortium: marinhas da Alemanha, Austrália, Bélgica, Canadá, Dinamarca, Espanha, Grécia, Holanda, Noruega, Portugal, e Turquia. Escal é sempre uma vantagem dos grandes programas americanos, em 2012 a empresa comemorou a entrega do 2000º míssil ESSM e o executivo Ed Roesly, então Diretor do programa na Raytheon Missile Systems contou que:”Nós já entreguamos ESSMs há uma década, e esperamos ter uma linha de produção ativa para além de 2017″.

Atualmente a Marinha do Brasil depende para a defesa aérea das fragatas da Classe Niterói do sistema Aspide, outra evolução italiana do Sea Sparrow original. É interessante notar que os lançadores Albatros dos Aspide usados nas Niterói são a versão italiana do lançador americano Mk.29 da Raytheon, o qual mediante uma atualização pode receber o ESSM no lugar dos Sea Sparrow. Se isto for verdadeiro para os Albatros também as Niterói poderia potencialmente ser equipados com o ESSM no final de sua vida útil além das corvetas.

O ESSM é aerodinamicamente bem distinto do seu predecessor apesentando um sistema de guiagem na cauda e asas estreitas ao longo do comprimento da fuselagem do míssil o que lhe garante uma grande manobrabilidade contra mísseis antinavio independentemente se eles vem rente ao mar ou em uma trajetória terminal vertical. Lançado verticalmente de diversos modelos de VLS como o lançador contyeirável MK 29, o MK 41 VLS, o MK 57 VLS, o MK 48 Guided Missile VLS, e o MK 56 Dual Pack ESSM Launching System. Uma grande vantagem do ESSM é que ele pode ser acomodado até quatro mísseis por tubo do VLS fazendo que mesmo um navio de pequeno porte possa carregar muitos mísseis para pronto emprego de uma só vez.

MBDA Sea Ceptor

Este sistema de defesa naval da gigante pan-europeia MBDA é parte da família CAMM (Common Anti-Air Modular Missile). Nesta família o Sea Ceptor é o modelo de defesa naval, uma versão lançada de terra para a defesa de bases aéreas e de unidades móveis do Exército, ambos os modelos devem estar operacionais até 2016. Existe ainda o potencial de se desenvolver uma versão ar-ar através de pequenas alterações técnicas para poder substituir mísseis como o onipresente AIM-9 Sidewinder. O envolvimento profundo da FAB no programa A-Darter, no entanto, torna esta última vantagem da família CAMM menos atraente no caso específico do Brasil. As Forças Armadas britânicas geraram este requerimento e estão adotando todos seus variantes objetivando extrair vantagens logísticas através de uma maior escala de produção e da padronização de meios militares entre as suas forças individuais. O argumento da MBDA é que esta padronização reduzirá todos os custos futuros de manutenção e modernização dos sistemas.

O alcance do Sea Ceptor é de 25km contra alvos existentes atualmente e contra aqueles que devem entrar em serviço em breve. Este conta com um sistema compacto de datalink bi-direcional que faz o míssil poder ser usado, não apenas contra aeronaves, mísseis, helicópteros e UAVs mas, também contra pequenos alvos na superfície como patrulheiros e lanchas. A MBDA prevê que configurações quadruplas do míssil padrão da família pode ser disparado indistintamente desde VLS americanos como o MK-41 ou de lançadores verticais Sylver que primariamente usados para a família Aster. Criado desde o início para ser integrado a uma grande variedade de radares 2D e 3D além de sensores óticos o míssil inglês dispensa o uso de radares de acompanhamento de alvos. Para reduzir as demandas sobre as plataformas de lançamento o Sea Ceptor usa o sistema a frio do tipo “soft launch” sendo guiado na sua trajetória por um radar ativo instalado no bico. A Royal Navy usará este míssil para substituir os antigos Sea Wolf na modernização de meia vida das fragatas Type 23 e os usará também nas novas fragatas Type 26, ora em desenvolvimento. A Marinha Neo-Zelandeza já anunciou que será o primeiro cliente de exportação do Sea Ceptor planejando coloca-lo no lugar dos Sea Sparrows do VLS Mk. 41 de suas duas fragatas ANZAC (MEKO 200ANZ).

Participação da indústria brasileira

Qualquer programa de defesa nacional segundo a Estratégia Nacional de Defesa exige a participação da indústria local de defesa e deve deixar um legado de transferência de tecnologia que alavanque as capacidades futuras da nossa indústria neste segmento. O player ou os dois players locais envolvidos ainda não estão totalmente claros, mas como a Avibras exibiu ativamente o sistema CAMM durante a LAAD do ano passado isso a coloca como a provável parte nacional do grupo do Sea Ceptor. Nesta concorrência não é obrigatória (como é no Prosuper) que a seleção de um parceiro nacional seja feita pela empresa detentora da tecnologia. Isso abre a possibilidade que este sócio local só venha a ser selecionado independentemente pela Marinha numa fase posterior à escolha do sistema de mísseis. Sabe-se, no entanto, que a americana Raytheon não estaria pré-associada à Odebrecht/Mectron nem a qualquer outra empresa de engenharia nacional, mas que neste momento ela negocia com um dos “suspeitos de sempre”… Façam suas apostas!

Fonte: ALIDE