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EUA cogitam sanções se Rússia não recuar tropas; Kerry viajará à Ucrânia

Soldados em uniformes sem identificação montam guarda em Balaklava, nos arredores de Sevastopol, na ucraniana Península da Crimeia (1/3) . Foto: AP

Secretário de Estado norte-americano tentará uma solução para a intervenção militar da Rússia na região da Crimeia

O secretário de Estado dos Estados Unidos, John Kerry, viajará a Kiev, capital da Ucrânia, na terça-feira (4) para encontrar representantes do governo e buscar uma solução para a intervenção militar da Rússia na região da Crimeia, segundo um alto funcionário norte-americano. Kerry, neste domingo (2), levantou a possibilidade de sanções econômicas, como suspender investimentos no país, proibir vistos de viagem e congelar ativos, se o presidente russo, Vladimir Putin, não recuar suas tropas e também cogitou que o país pode perder o seu lugar no G8, que reúne as principais economias mundiais.

As forças russas já tomaram controle sobre a Crimeia, uma península isolada no Mar Negro onde Moscou mantém uma base naval.

Mais cedo, Kerry classificou de “incrível ato de agressão” a decisão do parlamento russo em autorizar “um recurso às forças armadas” e a mobilização de tropas para a região autónoma da Crimeia. Ele afirmou ainda que as nações do G8 e outros países “estão preparados para isolar a Rússia” e que eles têm uma “ampla gama de opções” disponível. 

AP

Manifestantes vão às ruas de Nova York protestar contra a invasão russa na Ucrânia

 Já o ministro de Relações Exteriores da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier, pediu calma e defendeu a permanência da Rússia no G8. Ainda segundo a Alemanha, Putin aceitou a proposta do país para estabelecer uma “missão de averiguação” sobre a situação na Ucrânia, possivelmente sob a liderança da Organização para Segurança e Cooperação na Europa (OSCE). “A chanceler [Angela Merkel] pediu novamente para o presidente russo respeitar a integridade territorial da Ucrânia”, disse o porta-voz em comunicado emitido após uma conversa telefônica entre os dois líderes.

Os EUA e os outros governos ocidentais têm poucas opções para conter as movimentações militares da Rússia. O secretário-geral da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), Fogh Rasmussen, disse que a Rússia violou a Carta da ONU com sua ação militar na Ucrânia e exigiu que Moscou “recue na escalada de tensões”. Ele fez suas declarações em Bruxelas antes de abrir uma reunião para discutir a crise do órgão de tomada de decisão política da aliança militar.

A Ucrânia não é um membro da Otan, significando que os EUA e a Europa não estão obrigados a sair em sua defesa. Mas a Ucrânia participou de alguns exercícios da aliança militar e enviou tropas para sua força de resposta. Os EUA também disseram que suspenderão a participação nos “encontros preparatórios” para a cúpula econômica do G8, planejados para junho no resort de Sochi, local das recentes Olimpíadas de Inverno de 2014.

O ministro de Relações Exteriores da França, Laurent Fabius, concordou, dizendo na rádio francesa Europa que o planejamento do cúpula deveria ser suspenso. A França “condena a escala militar russa” na Ucrânia e Moscou deve “perceber que ações têm custos”, afirmou neste domingo.

Com Reuters e AP

Fonte: Último Segundo

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Conflitos Geopolítica

Rússia e Ucrânia podem entrar em guerra?

Bridget Kendall

Analista diplomática da BBC News

 Soldados patrulham uma base militar na Ucrânia | Foto: AP

Soldados russos cercaram diversas bases ucranianas na Crimeia

A situação não poderia ser mais séria. No sábado, o presidente Vladimir Putin conseguiu a autorização do Parlamento para enviar soldados russos não somente para a Crimeia, mas para a Ucrânia como um todo. Isso eleva a crise a outro nível.

Diplomatas russos dizem que podem não usar estes poderes “imediatamente” – mas isso parece implicar que eles poderiam ser usados em breve.

Putin disse que fará todo o necessário para “proteger os cidadãos russos e seus compatriotas” e já há confrontos em cidades do leste da Ucrânia.

Soldados russos estão em alerta de combate na fronteira, como parte de um grande treinamento realizado nesta semana.

‘Golpe neo-fascista’

Tanto a Rússia quando o Oeste dizem querer uma resolução pacífica, mas se opõem na questão fundamental sobre quem é a autoridade legítima na Ucrânia.

As potências ocidentais dizem que é o governo interino em Kiev, autorizado pelo Parlamento ucraniano.

Mas a Rússia diz que Kiev está nas mãos de um governo ilegítimo da “extrema direita” com pontos de vista “xenofóbicos, anti-semitas e neo-fascitas”, instalado como resultado de um “golpe de Estado” que afastou o presidente Victor Yanukovych ilegalmente.

Putin quer que o Ocidente e Kiev voltem ao acordo assinado com Victor Yanukovych em 21 de fevereiro para garantir discussões sobre a reforma constitucional que satisfizessem as demandas de todos os partidos e regiões – provavelmente um modo mais rápido de aprovar reformas que transformassem a Ucrânia em uma federação, com mais autonomia para regiões de maioria russa e para a Crimeia.

Mas isso significaria reconhecer que Yanukovych ainda é presidente e que o novo governo é, portanto, ilegítimo. O Ocidente não vai concordar com isso.

Otan pede que Rússia ordene retirada de soldados

Anders Fogh Rasmussen | Foto: AP

Neste domingo, o chefe da Otan, Anders Fogh Rasmussen, pediu que a Rússia envie seus soldados de volta às suas bases na Crimeia e evite interferências na Ucrânia.

O pronunciamento acontece enquanto a atividade militar se intensifica na região. Diversas bases militares ucranianas foram cercadas por soldados russos e estão efetivamente impedidas de circular.

Horas antes, o novo chefe da Marinha ucraniana, o contra-almirante Denys Berezovsky, jurou fidelidade à “República Autônoma da Crimeia” ao tomar posse, ao lado de Sergiy Aksyonov, político pró-Rússia eleito como primeiro-ministro local da Crimeia. O governo interino da Ucrânia, que é anti-Rússia, anunciou que investigará o contra-almirante por traição.

O secretário de Estado americano John Kerry visitará Kiev na terça-feira, segundo fontes nos EUA. Ele disse que a Rússia pode ser expulsa do G8 por suas ações, mas seu colega alemão, Frank-Walter Steinmeier, disse que o país deve permanecer como membro.

O conflito está por um fio. A mobilização de soldados russos na Crimeia ainda não causou um banho de sangue.

Mas se isso for ampliado para uma intervenção militar na Rússia em outras partes da Ucrânia, é difícil enxergar como conflitos violentos podem ser evitados.

Pedido de ajuda

O leste da Ucrânia não é uma entidade separada geograficamente do país como a Crimeia. Não há uma maneira simples de determinar onde as regiões do país onde se fala russo terminam e onde começam as partes onde se fala ucraniano.

As autoridades de Kiev se contiveram até agora – mas por quanto tempo mais?

Em relação às intenções da Rússia, o presidente Putin mostrou na Geórgia em 2008 que está completamente preparado para ir à guerra. E a Ucrânia importa muito mais para ele.

Kiev pediu ajuda de outros países, mas o fato é que as opções dos países ocidentais são limitadas.

A Otan convocou reuniões de emergência. Ministros de Relações Exteriores da União Europeia também terão um encontro emergencial na segunda-feira.

Os Estados Unidos já acusaram a Rússia de invadir a Ucrânia e de violar a carta da ONU.

O secretário de Estado americano John Kerry advertiu que, a não ser que a Rússia tome atitudes concretas e imediatas de retirada, o efeito nas relações EUA-Rússia e na posição russa na comunidade internacional seria profundo.

Mas como o Ocidente deverá responder? Parece haver pouca disposição para uma reação militar da Otan.

Manifestação pró-Rússia em Donetsk neste domingo | Foto: AFPO leste da Ucrânia é mais pró-Rússia, mas o país está muito dividido

É possível que ela aja para garantir a segurança na fronteira entre Polônia e Ucrânia. Mas o mais provável é que o Ocidente procure tomar medidas diplomáticas e econômicas para isolar a Rússia e suspender sua cooperação com o país.

Mas mesmo que o Ocidente impusesse sanções ou outras medidas, Putin deve calcular que – assim como no caso do conflito com a Geórgia em 2008 – elas podem não durar.

Em um ano ou dois, governos Ocidentais mudariam e novos líderes restabeleceriam as relações com Moscou, reconhecendo que a Rússia é muito poderosa e perigosa e muito importante para a estabilidade internacional para ser mantida como inimiga.

Não é preciso um grande exercício para imaginar o impacto que uma nova relação hostil entre Ocidente e Oriente teria nas negociações sobre o programa nuclear do Irã, na guerra na Síria e na incerteza sobre a Coreia do Norte.

Apostas altas

De qualquer forma, sanções como as do Irã poderiam ser uma opção? A Rússia provavelmente está muito entrelaçada economicamente aos seus parceiros no Ocidente, especialmente na Europa.

Além disso, a Rússia poderia, teoricamente, retaliar usando a “carta da Gazprom” – a dependência europeia do gás russo faz com que ela seja vulnerável.

O perigo deste confronto é que, ao contrário da Geórgia, as apostas são muito mais altas para os dois lados.

Confronto na Geórgia em 2008 | Foto: GettyA crise atual traz lembranças do conflito entre Rússia e Geórgia em 2008

Para as potências ocidentais, não se trata apenas de defender um pequeno país no Cáucaso. É uma crise militar que acontece nas fronteiras da Europa e da Otan.

Para o presidente Putin, não é apenas uma batalha geopolítica por influência em um país no quintal da Rússia. Trata-se de proteger um território que para ele é, historicamente e culturalmente, uma parte essencial da ideia de Rússia.

O Principado de Kiev foi onde, há mais de mil anos, o Estado russo e a fé ortodoxa russa começaram. É por isso que ele fará o que puder para não perdê-lo, seja qual for o custo.

No conflito de 2008, a Geórgia perdeu a Ossétia do Sul e a Abecásia, anexadas pela Rússia.

Apesar de reconhecidos como países novos por boa parte do mundo, os dois territórios passaram, na prática, do controle da Geórgia para o controle russo. As negociações da ONU para resolver a disputa não chegaram a lugar algum.

Então a pergunta permanece: o que a Rússia pretende fazer na Ucrânia? Anexar a Crimeia e outras regiões de maioria russa, dividindo o país ao meio?

Fonte: BBC Brasil

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Su-30SM e Yak-130 para a Marinha Russa, Mig 29 Para a VVA e os problemas no Su-35S

SU 30 SM

 

Rustam, Moscou

Tradução e Adapatção: E.M.Pinto

 

O Retorno da Aviação Naval

O Vice-Ministro da Defesa russo Yuri Borisov confirmou aos jornalistas que em dezembro de 2013 o Ministério da Defesa assinou um importante contrato com a JSC “Irkut Corporation” que contempla a aquisição para a aviação da Marinha Russa, dos primeiros lotes de caças multi-função Sukhoi, Su-30SM.

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Além da aviação de combate a Marinha Russa também receberá aeronaves de treinamento Yakovlev, Yak-130.

Segundo a fonte, esta declaração de Borisov foi feita no passado 16 de janeiro de 2014 em uma conferência de imprensa no Ministério da Defesa da Rússia.

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Na mesma conferência de imprensa, Yu Borisov, o Vice-General Dmitry Bulgakov, bem como Chefe do Departamento de a construção do ministério da defesa, Roman Filimonov falou sobre os resultados da execução da ordem de defesa do Estado para 2013.

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Embora tenham sido contratados apenas os lotes iniciais de cinco caças Su-30SM e cinco treinadores Yak-130, a intensão é de que para muito em breve sejam adquiridas dezenas de aeronaves do modelo Su-30SM e cerca de 50 de treinadores Yak-130.

SU 30SM

Mig 29 SMT para a VVA

Yuri Borisov também informou que o contrato para a compra junto a JSC “RAC” MiG ” de 18 caças MiG-29 SMT para a Força Aérea da Rússia, que fora relatado anteriormente, será concluído no primeiro trimestre de 2014, e o atraso na assinatura foi causado pela necessidade de emitir a RAC” MiG “como o único fornecedor para o Ministério da Defesa.

SU35

Problemas com o SU 35S

Borisov também abordou os problemas encontrados durante os testes de avaliação dos 12 caças Su-35S adquiridos ano passado. De acordo com o vice-ministro, os pilotos o consideram o “o melhor do mundo em sua categoria” do qual só existe um concorrente na atualidade o F15 das séries “I”, “K” e “Slam Eagle” e “Silent Eagle”.

Porém, a interface piloto-aeronave é totalmente digital e semelhante ao do projeto de caça de 5G, T-50, a consciência situacional depende de inúmeros dispositivos que nas palavras de Borisov o “Ministério da Defesa considera necessário testar exhaustivamente para certificar-se de que foram superadas.

Para ele, os militares não deveriam ter presa na adoção formal do próximo lote de 12 Su-35s produzidos no ano passado, sob contrato da Força Aérea, cujos problemas levaram a uma prorrogação dos prazos para a entrega de um trimestre.

Segundo Borisov, os ensaios da aeronave revelaram deficiências de aterramento elétrico dos seus aviônicos, o que levou a um “piscar indicadores multifuncionais” ao passar por nuvens de tempestade, bem alguns problemas com os dispositivos digitais do motor. Para colmatar estas lacunas, o Ministério da Defesa insistiu em testes em duas aeronaves adicionais que não tinham completado ainda as suas primeiras 40 horas de voo.

Segundo a TsAGI, a falha foi causada no processo “pontual” de fabricação, e não seria um defeito “congênito” das aeronaves. No entanto, a segunda aeronave voou ontem, após a eliminação das deficiências identificadas no sistema de propulsão, perfazendo 40 horas.

Após os bem sucedidos testes de voo ocorridos em fevereiro passado, toda a série de caças produzidos no ano passado, serão adotadas pelo Ministério da Defesa, e a cerimônia, segundo Sergei Shoigu acontecerá no cronograma previsto.

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Conflitos Defesa Tecnologia

A nova natureza da guerra

drones barack obama

Mudanças trazidas por drones, espionagem eletrônica em massa e revolução científica na biotecnologia estão borrando as fronteiras que há séculos organizam a política

THOMAS E., RICKS (*), FOREIGN POLICY

As mudanças na natureza da guerra moldam profundamente tanto a maneira como o Estado é organizado quanto as leis. Um exemplo disso é como a adoção da pólvora no campo de batalha e o surgimento de pequenos exércitos permanentes ajudaram a produzir as monarquias absolutistas dos séculos 16 e 17. O recrutamento em larga escala pelos Exércitos revolucionários de Napoleão, por sua vez, ajudou a explicar o começo do fim dessas monarquias. A necessidade de construir e sustentar forças cada vez maiores levou também à criação dos aparatos do Estado moderno, como censo, tributação universal e educação básica.

Estamos num outro ponto de inflexão importante, no qual a tecnologia está reformulando a maneira como as guerras são travadas. O futuro da guerra será moldado pelo papel de aviões não tripulados cada vez menores, robôs no campo de batalha, capacidade de guerra cibernética, capacidades extraordinárias de vigilância tanto no campo de batalha quanto de indivíduos particulares, maior dependência de forças especiais em conflitos não convencionais, a militarização do espaço e o avanço tecnológico no campo da biotecnologia – que tem implicações importantes para a construção de armas de destruição em massa.

Cientistas já podem fabricar organismos vivos, incluindo novos vírus. Essas inovações são úteis para cientistas, mas também, potencialmente, para terroristas e Estados inescrupulosos.

No caso dos drones, eles permitem assassinar indivíduos a grande distância por controle remoto e estão se proliferando de maneiras inesperadas. O breve monopólio que EUA, Grã-Bretanha e Israel detiveram já se evaporou. A China surpreendeu os EUA em 2010 quando anunciou 25 modelos de drones numa feira aeronáutica, alguns deles capacitados a disparar mísseis. No ano passado, os chineses anunciaram que haviam planejado assassinar um notório chefão da droga que estava escondido numa área remota de Mianmar com um drone armado, mas acabaram optando pela sua captura.

Do mesmo modo como o governo americano justifica os ataques com drones no Paquistão e no Iêmen, com o argumento de que estão em guerra com organizações terroristas como a Al-Qaeda, pode-se imaginar a China atacando separatistas uigures, chineses exilados no Afeganistão, sob o mesmo pretexto. O Irã – que alega possuir drones armados – poderia atacar nacionalistas baluchi ao longo de sua fronteira com o Paquistão.

Ainda assim, o Pentágono, com sua característica mentalidade de curto prazo e com enfoque excessivo na “prontidão” e não suficiente na “prevenção”, parece recuar de uma adoção plena dos drones, cortando gastos neles apesar de continuar dedicando bilhões de dólares a aviões de guerra tripulados.

Já o “cerco cibernético” é uma técnica em potencial no novo mundo da guerra, como determina Sascha Meinrath, da New America Foundation. Atualmente, concebemos a maioria dos ataques de hackers como oportunistas, significando que eles se concentram nos alvos mais desprotegidos. Entretanto, Meinrath prevê que um inimigo que elimine funcionalidades básicas de nossos sistemas de computadores pode prejudicar nossa sociedade, cada vez mais dependente da tecnologia, e isso conduziria então a um ciberataque mais invasivo e de longo alcance.

A fabricação científica de vida, a proliferação de drones e a crescente oportunidade de cercos cibernéticos são apenas a ponta do iceberg. A evolução de tecnologias de vigilância, de armas espaciais e de sistemas não tripulados autônomos de todos os tipos também está transformando a guerra.

Novas tecnologias também democratizaram a violência, permitindo que atores não estatais usem e ameacem usar força letal numa escala anteriormente associada somente a Estados. Os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001 abalaram o pressuposto confortável de que os EUA só teriam de enfrentar adversários convencionais. Desde o 11 de Setembro, os EUA lutaram em conflitos de vários tipos contra uma variedade de redes como a Al-Qaeda e seus aliados no Afeganistão, no Iraque, no Paquistão, na Somália e no Iêmen.

Tomadas em conjunto, as mudanças recentes tanto nos equipamentos tecnológicos da guerra como nos inimigos apagaram as fronteiras entre o que consideramos tradicionalmente como “guerra” e “paz”, militar e civil, estrangeiro e doméstico, nacional e internacional.

Essas alterações borraram as linhas entre a lei militar e a legislação penal, fazendo os EUA entrarem em conflito sobre a forma ideal de processar membros da Al-Qaeda que são parte de uma organização criminosa que, ao mesmo tempo, está em guerra contra os EUA e seus aliados.

Borraram as linhas entre papéis militares e civis, como o fornecimento de ajuda e desenvolvimento. Considere o caso dos membros das equipes de reconstrução provincial em zonas de guerra como o Afeganistão, onde eles são basicamente assistentes sociais armados.

Borraram as linhas entre público e privado. Empreiteiros privados agora lidam com um número considerável de funções militares que anteriormente seriam de funcionários públicos. Isso suscita questões legais e contábeis espinhosas. Por exemplo, um funci0nário terceirizado envolvido no programa de drones da CIA pode ser acusado de assassinato se um civil for morto num ataque com esse avião?

Borraram as linhas entre os militares e a comunidade de inteligência. Quase não se comenta mais que a CIA virou uma espécie de organização paramilitar que, por estimativas conservadoras, matou cerca de 3 mil pessoas com ataques de drones no Paquistão e no Iêmen apenas durante o governo do presidente Barack Obama.

Borraram as linhas entre interno e externo. A agência de espionagem mais bem financiada do Pentágono, a NSA, foi montada para conter as ameaças de uma União Soviética com armas nucleares.

Essas mudanças corroeram conceitos tradicionais de soberania. Com cada vez mais Estados desenvolvendo tecnologias que lhes permitem “chegar ao interior” de outros Estados com um risco pequeno (seja usando tecnologias de drones, sistemas de vigilância ou ferramentas cibernéticas), a natureza e significado de soberania está mudando.

Como observou o historiador Charles Tilly: “A guerra fez o Estado, e o Estado fez a guerra”. Se a guerra está mudando, o Estado mudará e também as organizações não estatais que desafiam cada vez mais esses Estados e as organizações internacionais que buscam canalizar o comportamento do Estado. Como evoluirão essas mudanças é difícil de prever, mas elas provavelmente serão tão profundas quanto a transformação do mundo pré-Vestfaliano no mundo moderno de Estados-nação. / TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK

(*) THOMAS E., RICKS é jornalista

FONTE: Foreign Policy via O Estado de S.Paulo 

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Defesa

A criação de líderes fortes e unidades fortes

Usar a história da Força Aérea Americana (USAF) como instrumento de liderança

James T. Hooper

A maior parte dos líderes da Força Aérea compreende que são responsáveis por exercer o papel de mentor para os homens do ar e estruturar o trabalho em equipe em suas unidades. Os líderes podem valer-se de numerosas teorias e práticas de liderança, tanto de fontes civis quanto de fontes militares, para ajudá-los a enfrentar essas responsabilidades. O propósito deste artigo, entretanto, é discutir por que os líderes devem considerar a história da Força Aérea como um instrumento indispensável nessas atividades. O uso da história dessa maneira não foi ensinado a muitos de nossos oficiais e sargentos. Freqüentemente eles não conhecem o pleno espectro dos métodos, técnicas e recursos históricos que podem usar, não apenas para aprenderem acerca de liderança mas, também, para a ensinarem e para o apoio de sua missão no nível unidade. Este artigo discute o valor da história para liderar e desenvolver o pessoal da Força Aérea e fornece uma visão geral de aplicações possíveis para os chefes de unidades na Força Aérea de hoje.

A história e a educação do líder

Em 1999, a Força Aérea iniciou um reexame amplo de suas exigências e práticas para o desenvolvimento de liderança. Como parte deste trabalho, fez uma revisão de como era ensinada liderança ao longo do sistema de ensino de pós-formação (PME). Entre outras coisas que se descobriram, a Força percebeu que muito da instrução em PME baseava-se em uma revisão da literatura militar e acadêmica a respeito de gerência, liderança e comando, bem como na apresentação de idéias e tópicos teóricos de importância.1

A compreensão de conceitos teóricos e a familiaridade com a literatura relevante são elementos importantes da educação de um líder. Contudo, se educação significa “aprender uma disciplina/matéria que capacita a compreensão, extrapolações e aplicações”, a Força Aérea necessita de um tratamento mais amplo do assunto.2 A teoria da liderança é essencial para fornecer o contexto, mas não pode capacitar um líder da Força Aérea a colher conclusões notáveis, conferir significados e agir. Em última análise, a liderança diz respeito às relações humanas: mais especificamente, a líder e seguidores que se empenham e trabalham para alcançar uma meta ou propósito comum. Como a liderança diz respeito a pessoas, deve-se considerar a prática da liderança como uma arte a ser desenvolvida, em vez de um processo a ser dominado. Certamente, princípios e habilidades identificáveis de liderança podem ser analisados, fornecendo uma teoria generalizada que os bons líderes seguem. Entretanto, esses princípios e habilidades só existem como fundamento, para serem usados por líderes eficazes à maneira de uma orientação, em vez de serem um substituto do seu próprio pensamento. Sendo a liderança uma arte, a educação dos líderes deve incorporar numerosas dimensões, inclusive a fundamentação numa teoria, exercícios práticos e experiências aplicadas e treinamento no emprego dos instrumentos de liderança, como levantamento de clima organizacional, instrumentos psico-métricos e estudos de casos – todos considerados na perspectiva fornecida pela história e pelas reflexões de outros líderes, tanto do presente quanto do passado.3

O Gen RR Barry R. McCaffrey, do Exército dos EUA, observou recentemente que a história é inapreciável, porque capacita o líder a “ganhar perspectiva, maturidade e discernimento ao viver, colocando-se no lugar deles, as lições tanto de líderes inspirados quanto de líderes fracassados de outras épocas e de outros lugares.”4 Isto capacita um líder a pensar a respeito de questões que estão para além de sua própria experiência individual e tirar vantagem da sabedoria dos outros. Quando chega o momento de agir, o líder serve-se de um espectro mais amplo e mais profundo de experiências e descortinos. Para os líderes da Força Aérea, o estudo da história pode ajudar a fornecer descortino e compreensão em sete áreas específicas, cada uma diretamente relevante para as responsabilidades de liderança na Força Aérea.

1. Capacidade de compreender os homens do ar. Desde a publicação da obra pioneira do Dr. James MacGregor Burn Leadership (New York: Harper & Row, 1978), a teoria da liderança enfatizou a importância dos seguidores e suas ligações com os líderes. Embora a Força Aérea se tenha beneficiado grandemente dessa obra teórica, a maior parte dela trata os “seguidores” em termos genéricos. É claro que existem diferenças significativas entre um seguidor que seja um homem do ar e um que seja um empregado da General Motors ou um voluntário da Cruz Vermelha americana.5 De um modo semelhante, podem-se identificar diferenças entre as expectativas, valores, crenças e comportamentos típicos do pessoal da Força Aérea e dos membros das outras Forças. O estudo histórico lança luz sobre essas diferenças e fornece descortino dos métodos usados, no passado, para inspirar e liderar, com êxito, o pessoal da Força Aérea.

2. Dinâmica das unidades. As unidades da Força Aérea são mais do que a soma das pessoas designadas para elas individualmente. A história pode auxiliar os líderes mostrando-lhes como foram formadas e organizadas, no passado, unidades fortes, como os valores organizacionais foram inculcados aos membros, como líderes bem-sucedidos favoreceram o trabalho de equipe e a camaradagem, e como foram resolvidos/superados problemas dentro das unidades.

3. Condições do combate. Espera-se que o pessoal da Força Aérea opere em condições de combate caracterizadas pelo isolamento, elevado nível de estresse, perigo e temor. O estudo histórico auxilia um líder a compreender o impacto das condições de combate, bem como as técnicas de segurança que, no passado, capacitaram unidades a combater e vencer. Essas técnicas incluem dar exemplo pessoal, liderando a partir da frente e implementar programas de treinamento da unidade no que diz respeito a disciplina e trabalho em equipe.

4. Combate na guerra e operações militares. O estudo histórico é essencial para com-preender a guerra nos níveis estratégico e operacional e para apreciar as reações humanas no nível tático. Embora a natureza das operações aéreas e espaciais esteja evoluindo constantemente, a história pode lançar luz sobre elementos e princípios duradouros da guerra. Os líderes podem usar estudos de casos históricos para ajudá-los a compreender o planejamento de campanha, o uso de forças militares para alcançar os objetivos nacionais, o papel do poder aéreo e espacial em operações combinadas e de coalizões e a integração das diferentes capacidades funcionais para alcançar efeito em combate. Finalmente, o estudo da história ajuda a lançar luz nas doutrinas e práticas atuais da Força Aérea. Por exemplo, a idéia de comando centralizado e execução descentralizada está firmemente enraizada nas práticas da Força Aérea desenvolvidas na provação da guerra e que se revelaram bem sucedidas.

5. Ambientes de operações. As unidades da Força Aérea desdobram-se diariamente em apoio a cada um dos comandos combatentes geográficos. Os chefes da Força Aérea têm como rotina não apenas treinar e liderar forças militares estrangeiras, e operar com elas, mas também interagir com populações estrangeiras e trabalhar com empregados locais, para realizarem suas missões. Uma compreensão do contexto histórico que emoldura a operação da unidade e o concomitante conhecimento cultural e descortino do processo de tomada de decisão, tem probabilidade de revelar-se muito benéfica durante operações de coalizão e desdobramentos expedicionários no exterior.

6. Responsabilidades e desafios do líder. Fornecendo um fórum para examinar as ações dos líderes que nos antecederam, a história também serve de ferramenta para pensar-se a respeito dos desafios e responsabilidades da liderança. Biografias e estudos de casos históricos descrevem como outros líderes resolveram problemas, por que tomaram determinadas decisões, como trataram exigências e dilemas éticos e como lidaram com as responsabilidades de liderança, em competição.

7. Aspectos duradouros da liderança. Embora a tecnologia da guerra tenha evoluído significativamente desde que os irmãos Wright voaram pela primeira vez, em 1903, os fundamentos da liderança permaneceram constantes. A história fornece descortino dos aspectos duradouros dos líderes, assim como o papel da visão e do propósito compartilhado, a importância de construir confiança e trabalho de equipe e os tratamentos da motivação dos seguidores, para que eles dêem o máximo de seus esforços para o bem da organização. A este respeito, os exemplos de liderança fornecidos por Abraham Lincoln ou pelo Gen George C. Marshall são tão aplicáveis aos líderes de hoje da Força Aérea quanto o são os exemplos dados pelo Gen Billy Mitchell e pelo Gen Jimmy Doolittle.

Como podem os que aspiram a ser líderes na Força Aérea tirar vantagem do que a história oferece de valioso? Primeiro, é preciso lembrar que a história trata de interpretação e pensamento. Não é uma simples narrativa de fatos e acontecimentos. Significa uma viagem de descobertas, seguida por uma tentativa de conferir significado. Segundo, a capacidade de pensar criticamente a respeito da história não acontece acidentalmente. Os líderes devem emoldurar os líderes da história em um contexto mais amplo de desenvolvimento profissional, que envolve tanto o estudo privado quanto o ensino de pós-formação (PME).

Muita leitura e reflexão são elementos críticos. A relação de leituras do chefe do estado-maior da Força Aérea fornece um bom ponto de partida para os líderes da Força Aérea em todos os níveis.6 Ela inclui muitas fontes históricas e bibliográficas com as quais os líderes devem familiarizar-se. As unidades locais e os estabelecimentos de ensino de pós-formação freqüentemente acrescentam a essa lista leituras adicionais. Os líderes que estão profundamente preocupados a respeito de sua profissão devem fazer o investimento em tempo que é necessário não apenas para ler e pensar a respeito de obras históricas fundamentais mas, também, discuti-las com outros. Devem, também, tirar vantagem das numerosas oportunidades de aprender a respeito da história da Força Aérea, como cursos eletivos nas escolas de pós-formação e nas universidades civis, visitas a museus e sítios históricos da Força Aérea e comparecimento a palestras, conferências e simpósios.

Embora bons líderes da Força Aérea usem a história para estudo privado e educação, os melhores líderes reconhecem que têm responsabilidade em serem mentores dos que seguem sua liderança. Consideram as necessidades do pessoal que está diretamente a seu cuidado, por meio de um tratamento individualizado que desenvolva os subordinados e garanta que o estudo e a reflexão históricos sejam componentes integrais do processo. Emprestam livros, artigos, vídeos e outros materiais aos seguidores e discutem sua importância e significados. Criam oportunidades para que os homens do ar sob sua responsabilidade aprendam, seja providenciando visitas a museus e campos de batalha próximos, seja convidando chefes já na reserva para falarem a respeito de experiências pessoais. Desenvolvem programas ajustados às necessidades dos homens do ar sob seu comando na situação local. Por exemplo, um líder em uma unidade desdobrada na Coréia poderia compartilhar livros a respeito da guerra na Coréia e providenciar viagens a locais históricos próximos. Em poucas palavras: líderes fortes desempenham um papel proativo, usando uma multiplicidade de tratamentos para ajudar a desenvolver os homens do ar sob seu comando e passar adiante sua herança.

Criar unidades fortes

O valor da história não se confina à educação e desenvolvimento individuais. A história é um instrumento importante que os líderes devem usar para ajudar a construir trabalho de equipe, orgulho e senso de pertinência a suas unidades. A Força Aérea reconheceu o papel da história na criação de unidades fortes desde o começo. O Air Force Manual (AFM) 35-15, Air Force Leadership, publicado em 1948, ofereceu orientação prática a respeito de como os líderes podem usar a história para inculcar senso de pertinência à unidade. Por exemplo, aconselhava os líderes a que “cada homem que passe a fazer parte de sua unidade deve aprender sua história; isto deve ser ensinado por você, preferencialmente, em sua palestra de boas-vindas”.7 Os líderes da Força Aérea foram estimulados a pendurar fotografias de antigos membros da unidade e retratos da unidade em ação por todo o quartel e escritórios. O manual também recomendava a manutenção de álbuns de recortes a respeito da unidade – preferencialmente em um lugar em que o pessoal pudesse lê-los e, também, de histórias escritas a respeito de membros da unidade. Finalmente, o AFM 35-15 sublinhava a importância da insígnia da unidade e enfatizava a relevância de garantir que os homens do ar entendessem seu significado, sua história e suas tradições.8

O Coronel David L. Goldfein, cujo livro Sharing Success––Owning Failure: Preparing to Command in the Twenty-first Century Air Force é agora leitura obrigatória no treinamento de liderança da Força Aérea para comandantes de esquadrão, dá um conselho semelhante. Ele recomenda que os novos líderes estudem a história de seu esquadrão e sublinhem a importância do historiador do esquadrão, aconselhando que, se não for designado um historiador, o comandante deve “encarregar alguém de fazer este papel”. O Cel Goldfein recomenda, além disso, que antigos comandantes do esquadrão e membros da unidade ajudem a relatar a história dela. Ele enfatiza a importância de concentrar-se nos homens do ar que serviram anteriormente na unidade, em vez de nas aeronaves e máquinas. No fim das contas, esses esforços devem buscar “trazer à vida a história do esquadrão”.9

Todas estas técnicas e métodos ilustram tratamentos potenciais do uso da história para fortalecer a unidade. Cada um deles tem seu mérito e deve ser considerado pelos líderes da Força Aérea. Contudo, no nível unidade, freqüentemente faltam dois elementos: (1) um tratamento deliberado que relacione a história diretamente aos objetivos, valores e atividades da unidade e (2) uma compreensão do alcance dos instrumentos e recursos disponíveis para apoiar tanto o líder quanto a unidade.

O processo de integrar e estruturar a história nas atividades da unidade começa com a “visão”. A visão do comandante é informada pela missão da unidade e fornece um enunciado da direção que os membros da unidade devem compartilhar. Contudo, um bom enunciado da visão é mais do que uma diretriz para ações futuras: deve servir, também, para definir os valores e os comportamentos aceitos na unidade. Usando os valores e comportamentos como ponto de partida, o líder pode identificar os elementos da história da unidade que os apóiam e trazê-los à vida. Por exemplo, poder-se-ia ilustrar o valor do “serviço altruísta” por meio das citações meritórias conferidas a membros anteriores da unidade. O comandante também deve usar os comportamentos e valores desejados como base para criar ou reforçar tradições da unidade. A história desempenha um papel crítico a este respeito, conferindo significado às tradições existentes e servindo como fundamento para a criação de novas tradições.

Com esta compreensão de “o quê” é necessário e “por que”, o líder deve incluir os membros da unidade no desenvolvimento de programas e acontecimentos específicos que tornem significativa a história. A história da Força Aérea e da unidade pode ser incorporada no pleno espectro das atividades, inclusive na recepção e orientação do pessoal recém-ingressado na Força, nas reuniões gerais com o comandante, nas cerimônias de “rito de passagem”, nas atividades de treinamento da unidade, no aconselhamento dos membros da unidade, nas cerimônias de promoção e nos eventos cotidianos. O comandante chefiará a maior parte desses eventos, mas, em uma boa unidade, homens do ar de todas as patentes e graduações também desejarão estar envolvidos. Um líder inteligente tirará vantagem de seu entusiasmo e engenhosidade.10

Fazer acontecer

Este artigo mencionou idéias e conceitos de como os líderes podem usar a história. Contudo, a Força Aérea opera em um ambiente caracterizado por acelerado andamento das operações e exigências em competição. A maior parte das unidades já tem a agenda completa e muitas tarefas para desempenhar. Considerados esses vínculos, como pode um líder pôr essas idéias em prática? Que recursos estão disponíveis? É importante recordar que existem canais estabelecidos para o apoio histórico na Força Aérea. Tanto quanto possível, os líderes devem empenhar-se em alavancar estes recursos. A maior parte destes líderes nem tem o tempo nem o treinamento necessários para funcionarem pessoalmente como historiador da unidade. Simplesmente designar um historiador, contudo, não vai garantir que o trabalho seja feito. Só o comandante tem perspectiva para compreender as necessidades de desenvolvimento e de orientação dos membros da unidade. Só os comandantes têm responsabilidade pessoal pela missão da unidade e, desse modo, compreendem completamente não apenas onde a unidade tem de chegar mas, também, os comportamentos, valores e tradições que devem ser sublinhados e reforçados. Mais importante que isso, apenas o comandante pode incorporar a história às cerimônias da unidade, reuniões gerais com o comandante e outros eventos; além disso, dando exemplo pessoal, o líder pode tornar a história uma parte viva e significativa da história. Conseqüentemente, o comandante deve fornecer ao historiador da unidade orientação suficientemente minuciosa a respeito de como ele ou ela pretende usar a história, de modo que o historiador possa apoiar os objetivos do comandante de modo significativo.

Dentro do contexto fornecido por essa diretriz, o historiador e outros integrantes da unidade podem trabalhar juntos para identificar fontes e materiais históricos relevantes. O espectro de materiais que podem revelar-se úteis é quase infindo, indo de documentos primários (por exemplo, relatórios, memorandos, correspondências e transcrições originais) a fontes secundárias (por exemplo, livros, monografias e artigos de revistas), bibliografias anotadas e outras obras de referência, apresentações e fitas de vídeo e de audio, fotografias, quadros, gravuras e obras de arte, além de objetos históricos (por exemplo, relíquias, distintivos e itens de equipamento).

A gama de fontes potencialmente relevantes para apoio e informação históricos é aproxi-madamente da mesma dimensão. Uma relação completa ocuparia volumes e logo estaria superada. Contudo, para o propósito de usar a história como instrumento de liderança, o Air Force History and Museums Program geralmente fornece o melhor ponto de partida. Além do Air Force Support Office (Bolling AFB, Washington, D.C.), do Air Force Historical Research Agency (Maxwell AFB, Alabama) e do Air Force Museum (Wright-Patterson AFB, Ohio), os escritórios de história e os museus em comandos e bases importantes são, freqüentemente, excelentes fontes.

Os programas de história de organizações combinadas e das Forças irmãs também podem ser importantes. Por exemplo, ao compilar a história de uma unidade Red Horse desdobrada no exterior podem-se encontrar mais informações e registros de relevância nas organizações do Exército e do Corpo de Fuzileiros Navais apoiadas pela unidade Red Horse do que talvez existam em canais oficiais da Força Aérea. As unidades no exterior freqüentemente têm oportunidades singulares. Por exemplo, os membros de uma unidade baseada no Reino Unido talvez sejam capazes de suplementar os programas de história do esquadrão considerando a Batalha da Inglaterra e visitando sítios locais, como o Real Air Force Museum, em Hendon, ou St. Clement Danes (a Igreja Central da RAF). Fontes não-governamentais também podem ser muito úteis. As universidades e centros acadêmicos podem patrocinar conferências e eventos especiais relevantes. Podem ser encontradas fotografias e registros nos National Archives e outros repositórios que se apliquem a este assunto; e acontecimentos especiais, como a próxima celebração do centenário do primeiro vôo podem fornecer elementos adicionais.

A imaginação é importante. Um esquadrão da Força Aérea usou, recentemente, um quadro histórico de seus oficiais em um castelo francês, na Primeira Guerra Mundial, como base para a edificação de um novo salão. Fotografias dos heróis da unidade e mementos da história do esquadrão foram expostos de maneira notória ao longo de todo o espaço de trabalho do esquadrão. O comandante do esquadrão dava boas-vindas a novos membros ou visitantes à unidade com uma palestra apaixonada a respeito da história e tradições da unidade, usando o fundo da Primeira Guerra Mundial e os diversos quadros e lembranças como elementos de apoio.11 Outras unidades da Força Aérea desenvolveram tratamento igualmente criativo para ensinar história e edificar tradições da unidade.

Finalmente, a chave do sucesso está no envolvimento pessoal do chefe da unidade. Líderes fortes identificarão o que é importante e por que é importante. Usando boas idéias recolhidas dos membros da unidade, outras unidades bemsucedidas e do Air Force History Museums Program, o comandante pode estabelecer parâmetros para orientar os esforços da unidade e rascunhar os tipos de atividades necessárias (por exemplo, um programa de conferências por oradores convidados que sejam antigos membros da unidade, a exposição de fotografias e retratos dos heróis do esquadrão, acompanhados de informação biográfica, ou um programa estruturado de leitura profissional e de cerimônias de “rito de passagem” para sargentos recém-promovidos). Trabalhando com essa diretriz, o historiador designado e outros membros podem elaborar programas que sejam criativos, agradáveis e diretamente relevantes para a unidade. Por meio de um envolvimento pessoal contínuo, o comandante pode dar o exemplo e fazer “história viva” na unidade.

Conclusões

A história é um instrumento de valor incalculável para os líderes da Força Aérea. Tem grande valor para o desenvolvimento individual dos homens do ar, a orientação dos seguidores e a criação de unidades fortes. Usada eficazmente, a história amplia a experiência e o treinamento pessoal do indivíduo e edifica sobre ele, fornecendo ao líder perspectiva e descortino inapreciáveis. No nível da unidade a história é importante pois é fonte fundamental de orgulho e ajuda a desenvolver o senso de pertinência à equipe.

Sem um planejamento e um esforço deliberado, não há como beneficiar-se do valor potencial que a história fornece. Os líderes devem incluir o estudo da história tanto em seu desenvolvimento pessoal quanto nas experiências de pós-formação. Devem também incorporar o estudo histórico às orientações dos seguidores. No nível unidade, o planejamento deliberado é necessário para edificar tradições positivas e relacionar a história aos valores e comportamentos desejados. Finalmente, o planejamento deliberado é uma condição necessária do sucesso, mas não é suficiente por si só. O envolvimento, a paixão e o exemplo pessoal do chefe são essenciais, para que a história “ganhe vida” na unidade. Os melhores comandantes na Força Aérea de hoje compreendem o que é necessário e usam a história para inspirar o pessoal a seus cuidados e para a transmissão do seu legado.

Notas

1. Developing Air and Space Leaders (DAL) Support Office, Squadron Commander Training: Air Force Leadership Core Curriculum Facilitator’s Guide(Washington, D.C.: DAL Support Office, 16 April 2002), x.

2. Pode-se fazer a diferença entre educação e treinamento (definido como “aprendizagem de um conjunto particular de atividades para realizar tarefas específicas, geralmente não transferíveis ou aplicáveis a outras situações”) e experiência (aprender das obrigações, ampliadas substancialmente da educação e treinamento”).Veja-se United States Air Force, “Education and Training Strategic Plan,” vol. 1, “The Core Document,” draft, 16 May 2002, 2.

3. Esses pensamentos foram inspirados por Leadership: The Warrior’s Art, ed. Christopher D. Kolenda (Carlisle, Pa.: Army War College Foundation Press, 2001), xv–xviii; e Contemporary Issues in Leadership, 5th ed., ed. William E. Rosenbach e Robert L. Taylor (Boulder, Colo.: Westview Press, 2001), 1–3.

4. Gen Barry R. McCaffrey, “Foreword,” in Leadership: The Warrior’s Art, xiv.

5. Por exemplo, organizações civis não são responsáveis por administrar violência. Não colocam deliberadamente seus “seguidores” em situações de perigo e não têm o mesmo nível de autoridade sobre as vidas pessoais de seus empregados como tem um chefe da Força Aérea.

6. Chief’s Sight Picture: CSAF’s Reading List, 22 July 2002, on-line, Internet, 16 de agosto de 2002, acessado em http://www.af.mil/lib/csafbook.

7. AFM 35-15, Air Force Leadership, December 1948, 18.

8. Ibid., 17–20.

9. Col Daniel L. Goldfein, Sharing Success—Owning Failure: Preparing to Command in the Twenty-First Century Air Force (Maxwell AFB, Ala.: Air University Press, October 2001), 103–4.

10. Robert W. Madden, “Living on the Edge: Building Cohesion and the Will to Win,” in Leadership: The Warrior’s Art, 71–78.

11. Observação pessoal do autor, fevereiro de 2002.


Colaborador

James T. Hooper é gerente de programa na Operação de Análise e Liderança Estratégica da Science Applications International Corporation.

As opiniões expressas ou insinuadas nesta revista pertencem aos seus respectivos autores e não representam, necessariamente, as do Departamento de Defesa, da Força Aérea, da Universidade do Ar ou de quaisquer outros órgãos ou departamentos do governo norte-americano.

Fonte: Air & Space Power Journal (ASPJ) 

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Defesa

As duas primeiras Mulheres formadas no CIGS

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Em tempo, no dia 02/09/2010, o Exército Brasileiro (EB), formou as duas primeiras mulheres pelo Centro de Instrução de Guerra na Selva (CIGS). O Curso de Operações na Selva teve a duração de oito semanas e reuniu 47 militares.

O mais curioso foi de que as Terceiros Sargentos, Xavier (Elisângela Ferreira Xavier) e Lidiana (Lidiana Reinaldo Jiló da Costa), brevetadas pelo CIGS com a “cara da onça são integrantes da aérea do Serviço de Saúde do Exército Brasileiro (EB) e além de conhecimentos inerentes aos guerreiros de selva, elas também obtiveram capacitação de Assistência Hospitalar.

Em 12/09/2010, a Rede Globo, numa matéria do Esporte Espetacular, dividido em duas partes, tratou do assunto em questão.

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Primeiras Mulheres formadas no CIGS – parte 1

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Primeiras Mulheres formadas no CIGS – parte 2

 

Em tempo, leia também:

 

Exército forma as primeiras guerreiras de selva do Brasil

Curso de Operações na Selva teve duração de oito semanas e reuniu 47 militares

Após formar mais de 4.937 militares do sexo masculino, o Centro de Instrução de Guerra na Selva (Cigs) diplomou ontem (02/09/2010), em solenidade militar, as primeiras guerreiras de selva das Forças Armadas brasileiras.

Com outros 45 militares, as 3º sargentos do serviço de saúde, Lidiana Reinaldo Jiló da Costa e Elisângela Ferreira Xavier, participaram dos cursos de Guerra na Selva nas categorias A, D, E e F.

De acordo com o comando do Cigs, as duas concluíram com aproveitamento um dos cursos mais difíceis do Exército Brasileiro. Além de conhecimentos inerentes aos guerreiros de selva, elas também obtiveram capacitação de Assistência Hospitalar.

O Curso de Operações na Selva teve duração de oito semanas, das quais mais da metade com atividades de treinamento no campo de instrução do Cigs, em zona de mata fechada, a 70 quilômetros de Manaus.

Fonte: UOL

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Tecnologia

Brasil: “Reator Multipropósito Brasileiro (RMB) começa a ser construído em Iperó, SP”

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“Do novo complexo, sairá a produção de insumos cruciais para a área da saúde, materiais usados em tratamentos complexos – como o de câncer – e que garantirão a autossuficiência do Brasil em um setor dependente de importação e que hoje gera uma demanda superior a dois milhões de procedimentos por ano no país.

 

Suas aplicações vão desde tecnologias usadas para a localização de microfissuras em asas de avião, até a verificação da quantidade de agrotóxicos encontrada em alimentos, atribuições que vão alimentar pesquisas e conhecimento nacionais.

 

“É um projeto estruturante. Se não avançarmos neste setor, acabaremos à margem do desenvolvimento mundial e ficaremos a mercê do que existe no Exterior”, diz José Augusto Perrotta, coordenador técnico do complexo nuclear.””

Complexo nuclear começa a sair do papel

Por André Borges | De Brasília

Um importante projeto nuclear começa a ganhar corpo no país. O governo deu os primeiros passos concretos para erguer, no interior de São Paulo, um complexo de pesquisa e produção nuclear, estrutura avaliada em mais de R$ 1 bilhão e que promete revolucionar a atuação do país neste setor.

Nada relacionado a empreendimentos como Angra ou Fukushima, onde a fissão nuclear é usada para gerar energia elétrica. Do novo complexo, sairá a produção de insumos cruciais para a área da saúde, materiais usados em tratamentos complexos – como o de câncer – e que garantirão a autossuficiência do Brasil em um setor dependente de importação e que hoje gera uma demanda superior a dois milhões de procedimentos por ano no país.

Paralelamente, o reator vai atender diversas áreas industriais. Suas aplicações vão desde tecnologias usadas para a localização de microfissuras em asas de avião, até a verificação da quantidade de agrotóxicos encontrada em alimentos, atribuições que vão alimentar pesquisas e conhecimento nacionais.

O chamado Reator Multipropósito Brasileiro (RMB) vai ocupar uma área equivalente à de 200 campos de futebol na pequena Iperó, cidade de 28 mil habitantes, localizada a 125 km da capital paulista. Sua primeira etapa de estudos acaba de ser concluída. Projetado pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen), autarquia vinculada ao Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o RMB já recebeu R$ 51 milhões, dinheiro que foi aplicado na elaboração do projeto básico de engenharia, além de estudos para licenciamento ambiental. No mês passado, o Ibama encerrou a etapa de audiências públicas do empreendimento e, nos próximos meses, deve emitir a licença prévia do complexo.

“Agora, entramos na etapa de contratação do projeto executivo de engenharia. Já temos R$ 120 milhões para aplicar no desenvolvimento desse estudo detalhado, que será concluído entre junho e julho do ano que vem”, disse ao Valor o secretário-executivo e ministro interino do MCTI, Luiz Antonio Elias. “Nos próximos meses, já vamos iniciar a etapa de terraplenagem, para preparar o terreno.”

A área de dois milhões de metros quadrados prevista para o complexo está localizada ao lado do Centro Experimental de Aramar (CEA), da Marinha. O objetivo do governo é transformar a região próxima a município de Sorocaba no maior polo de desenvolvimento nuclear do país.

“É um projeto estruturante. Se não avançarmos neste setor, acabaremos à margem do desenvolvimento mundial e ficaremos a mercê do que existe no Exterior”, diz José Augusto Perrotta, coordenador técnico do complexo nuclear.

Fonte: Valor Econômico via Resenha do Exército

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Conflitos Inteligência

Espião retorna a Cuba depois de passar 15 anos preso nos EUA

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Em Havana (Cuba), 01/03/2014

O espião Fernando González, um dos cinco agentes cubanos preso nos EUA e libertado nesta quinta-feira (27) após cumprir sua pena, se tornou nesta sexta-feira (28/02/2014) o segundo do grupo a retornar a Cuba, onde foi recebido por parentes e pelo presidente Raúl Castro.

González foi preso em 1998 e condenados em 2001. Ele desembarcou por volta das 12h (14h no horário de Brasília) no aeroporto “José Martí” de Havana vindo dos Estados Unidos, após ter sido libertado e posteriormente deportado pelas autoridades migratórias americanas.

A imprensa cubana interrompeu sua programação para informar sobre a chegada de González ao país. O espião foi condenado a 17 anos de prisão por não ter se registrado como um agente estrangeiro e por usar documentos falsos, mas foi libertado por bom comportamento depois de passar 15 anos, 5 meses e 15 dias na prisão.

Em suas primeiras declarações em Cuba, o agente de 50 anos explicou que ao sair da prisão na cidade de Safford (Arizona) foi detido para sua deportação e viajou “algemado” para Havana até que o avião aterrissou.

González, que falou no aeroporto para veículos da imprensa cubana, agradeceu ao povo de Cuba por sua solidariedade com o caso dos “Cinco”, manifestou seu compromisso para seguir lutando, a partir de agora, pela libertação de seus companheiros, e considerou uma “honra” as boas-vindas oficiais de Raúl Castro.

Mostrando bom aspecto físico e acompanhado por sua esposa, mãe e outros familiares, González se reuniu com Raúl Castro no aeroporto e ao vê-lo, lhe prestou continência e lhe deu um abraço.

“O que fizeram foi uma verdadeira proeza, um verdadeiro esforço, nos sentimos encorajados com a firmeza dos senhores”, disse Castro a González durante a conversa, de acordo com alguns trechos transmitidos em um noticiário da televisão.

O líder cubano destacou a “firmeza durante tantos anos” dos agentes e considerou que com sua atitude “demonstraram o que é a juventude” formada pela revolução cubana.

Fernando González também trocou saudações e abraços com outros dirigentes, entre eles o primeiro vice-presidente, Miguel Díaz Canel, o vice-presidente e segundo secretário do Partido Comunista, José Ramón Machado Ventura, e o ministro do interior, general Abelardo Colomé Ibarra.

Ao encontro também compareceu René González, o primeiro do grupo dos “Cinco” a ser libertado em outubro de 2011 e a retornar definitivamente para Cuba em maio de 2013, após renunciar sua cidadania americana.

Grupo foi detido em 1998

Fernando González e René González foram detidos em 1998 nos Estados Unidos junto com Gerardo Hernández, Ramón Labañino e Antonio Guerrero, quando o FBI (polícia federal americana) desmantelou a rede de espionagem cubana “Avispa Roja” (vespa vermelha), que operava no sul da Flórida.

Todos admitiram que eram agentes do governo cubano, mas disseram que seus alvos eram “grupos terroristas de exilados” que conspiravam contra o então presidente Fidel Castro, e não o governo americano.

O grupo foi julgado e condenado a longas penas de prisão em 2001.

Cuba denunciou reiteradamente que houve irregularidades nesse processo e que os “Cinco” – considerados heróis na ilha – receberam penas desproporcionais, por isso o caso se transformou em outro ponto de controvérsia ao longo da tensa disputa entre Havana e Washington.

“É uma felicidade difícil de descrever estar aqui em Cuba, estar aqui com a família, é uma felicidade que é imensa e, ao mesmo tempo, incompleta”, disse hoje Fernando à imprensa, ao se referir à situação dos outros três agentes que ainda cumprem longas penas nos EUA.

Para Fernando, sua “verdadeira felicidade total” será quando o grupo dos “Cinco” esteja finalmente reunido e insistiu que fará tudo o que estiver ao seu alcance “para que essa realidade chegue o mais rápido possível”.

Outros integrantes devem ser soltos em 2017 e 2024

Está previsto que Ramón Labañino seja libertado em 30 de outubro de 2024, enquanto Antonio Guerrero deve sair da prisão em 18 de setembro de 2017.

No entanto, Gerardo Hernández foi condenado a duas penas de prisão perpétua, já que em 2001 também foi julgado e condenado por colaborar na queda de dois pequenos aviões do movimento anticastrista “Hermanos al Rescate” (irmãos ao resgate) quando morreram quatro pilotos.

Precisamente, Hernández enviou a Fernando uma mensagem por ocasião de sua libertação divulgada pela imprensa cubana, na qual lembrou que a missão dele em Miami “era de substituo” e era esperado que retornasse a Cuba no momento em que foram detidos.

Hernández elogiou e comemorou a atitude de González, que recusou a estratégia de defesa de seu advogado de separá-lo do restante do grupo “pela menor gravidade das acusações sobre ele”.

Em comemoração à libertação de Fernando González, foram anunciados vários eventos em sua homenagem em Cuba, entre eles um grande concerto convocado por organizações estudantis no sábado na Universidade de Havana.

Foto: 28.fev.2014 – O espião Fernando González anda acompanhado de sua esposa, Rosa Aurora (ao centro), e sua mãe, Magali Llort, depois da sua chegada ao Aeroporto Internacional José Marti, em Havana, Cuba

Fonte: EFE via UOL 

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História

Plano Brasil/ Documentário: “Getúlio do Brasil”

 

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O documentário “Getúlio do Brasil” produzido pela TV Senado, em memória dos 50 anos do suícidio do então Presidente da República do Brasil, Getúlio Dorneles Vargas (São Borja, 19 de abril de 1882 — Rio de Janeiro, 24 de agosto de 1954)   faz um“reexame dos momentos que antecederam o suicídio de Getúlio Vargas e mergulha nos bastidores do atentado de Toneleros, contra o jornalista e político Carlos Lacerda, 19 dias antes da morte do presidente. O documentário tem locações em Porto Alegre e São Borja (RS), em Brasília e no Rio de Janeiro, com gravações no Palácio do Catete”.

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Getúlio Dorneles Vargas foi um advogado e político brasileiro, líder civil da Revolução de 1930, que pôs fim à República Velha, depondo seu 13º e último Presidente da República, Washington Luís, e impedindo a posse do Presidente Eleito em 1º de março de 1930, Júlio Prestes.

Foi Presidente do Brasil em dois períodos. O primeiro de 15 anos ininterruptos, de 1930 até 1945, e que dividiu-se em 3 fases: de 1930 a 1934, como Chefe do “Governo Provisório”; de 1934 até 1937 como Presidente da República do Governo Constitucional, tendo sido eleito Presidente da República pela Assembleia Nacional Constituinte de 1934; e de 1937 a 1945, como Presidente-Ditador, enquanto durou o Estado Novo implantado após um golpe de estado.

Vargas - Educador

No segundo período, em que foi eleito por voto direto, Getúlio governou o Brasil como Presidente da República, por 3 anos e meio: de 31 de janeiro de 1951 até 24 de agosto de 1954, quando suicidou-se.

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Getúlio (Vargas) do Brasil – Vida e Obra Política

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Defesa Tecnologia

MB e FAB assinam Acordo Geral de Cooperação Técnico-Operacional

FAB começa a operar P-3AM para vigiar e abater submarinos e embarcações invasorasO Chefe do Estado-Maior da Armada, Almirante-de-Esquadra Carlos Augusto de Sousa, e o Chefe do Estado-Maior da Aeronáutica, Tenente-Brigadeiro-do-Ar Airton dos Santos Polhmann, assinaram, em 17 de fevereiro de 2014, um Acordo Geral de Cooperação Técnico-Operacional entre a Marinha do Brasil e a Força Aérea Brasileira.

O acordo permitirá a permuta de itens bélicos, além do intercâmbio de apoio logístico e operacional entre as Forças, visando ao aprimoramento do emprego das aeronaves de interceptação e ataque, AF-1 “Skyhawk”, da Marinha do Brasil, e de patrulhamento marítimo de longo alcance e guerra antissubmarino, P-3AM “Orion”, da Força Aérea Brasileira, no contexto da garantia da soberania nacional.No gráfico feito a partir do Google Earth, o raio de ação do P-3AM da FAB, de 2.070 milhas ou cerca de 3.835km.

Fonte: Marinha do Brasil (MB) 

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Artigos Exclusivos do Plano Brasil Geopolítica

O BRASIL E SEU PODER NO MUNDO INTERNACIONAL

Nadu Big Boss

O Brasil e o G20:

            Após a segunda guerra mundial o mundo foi dividido em três partes, primeiramente foram os vencedores, países que participaram ativamente da guerra, enviando muitas tropas ou com a guerra em seu território, como a França e outros. Em segundo foram os países derrotados, Alemanha, Itália e Japão. Por ultimo os países coadjuvantes que participaram de forma amena na guerra ou que foram neutros como Suécia, África do Sul, etc. Dos vencedores surgiu o Conselho de Segurança, o mais importante órgão internacional, porém com o decorrer da historia, vários países foram se desenvolvendo e enriquecendo, principalmente os países que perderam a guerra que após os anos 70 se tornaram extremamente ricos.

            No mundo de hoje, existem mais de 120 países porém, apenas 20 destes possuem 80% do mercado mundial e do lucro, estes países que comandam o mundo normalmente se reúnem em busca do interesse individual como guerra cambial, empréstimos do FMI, ajuda a instituições privadas e vários outros temas próprios. Nas reuniões do G20, vence quem gritar mais alto porém, ultimamente o Brasil vem sussurrando neste plenário, mas por quê?

            A resposta não é simples porém é explicável: como um país que não cumpre as próprias metas internas pode dizer o que deve ser feito no mundo externo?

Muitos dizem que não existe co-relação entre os fatos e que a única variável que importa é o poder econômico que o Brasil exerce no mundo externo. Logos vos digo, não temos poder nenhum, como exemplo deste fato, a própria Argentina (pais que compõem o acordo amigo chamado Mercosul) impõem taxas e complicações a vários produtos brasileiros, mesmo quando o Brasil não impõe nenhuma taxa a produtos oriundos da Argentina.

            Visto então, qual o papel do Brasil no mundo moderno dentro de um órgão internacional como o G20?

            Hoje a nossa pátria poderia ser a quinta maior economia do mundo, porém exercemos uma influência semelhante a de países como a áfrica do sul ou México. Primeiramente vem a questão óbvia que já foi exaurida neste blog pelos seus vários autores, a questão militar.

            Um país que, por causa de corte de gastos coloca o espaço aéreo mais importante do estado federativo, Brasília, sob a proteção de caças de 2º geração, como os velhos F-5, não merece ser levado a serio. Algumas pessoas podem afirmar que é mais importante o controle da inflação e do crescimento, porém este argumento não se sustenta mais em um pais que arrecada tanto.

            Segundo lugar, somos um país incapaz de cumprir com suas dívidas com outros aliados também ajuda no quesito tratado, por exemplo, como visto nas noticias anteriores, o nosso país irá dar o calote na França no programa de submarinos e de helicópteros (pelo menos é o que tudo indica).

            Por ultimo, podemos falar da fácil aceitação do nosso país com relação a vontade de terceiros, aceitamos com total alegria os embargos de tecnologia dos EUA, aceitamos o rótulo mundial do país da promiscuidade e da traição, aceitamos sermos rotulados como ladrões e enganadores aonde formos, sendo maltratados e ridicularizados. Aceitamos as coisas muito facilmente, como a corrupção que aflige nosso país.

            Agora que já sabemos do problema, como poderemos resolver?

Primeiramente, devemos levar o voto a sério, pois, nós, cidadãos, somos responsáveis pela maior parte dos problemas que existem no Brasil.

Porém, segundo O Dr. Benjamin Rabelo, ex-conselheiro da república do presidente Fernando Henrique, “O momento agora é do Brasil no cenário internacional, temos uma oportunidade nunca antes vista de sermos notados, ouvidos e levados a sério pela posição que exercemos com nossa economia e com a nossa culturas. O Brasil deve continuar a exercer o seu papel de componente em grupos internacionais como o G20, mantendo nossa opinião em todos os órgãos participantes.”

O cenário internacional está mudando, devemos manter-nos presentes em todos os órgãos de cúpula internacional, presentes na ONU, G20 e nas negociações diversas pois, nestas organizações é que podemos de melhor forma apresentar o nosso poder.

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Conflitos Geopolítica

A Origem dos conflitos e da divisão da Ucrânia

Jornal Nacional da Rede Globo

 Sugestão: Nadu Big Boss822716

A divisão da Ucrânia tem raízes antigas. E se aprofundou mais com o fim da Guerra Fria, período em que o mundo ficou divido entre capitalistas e socialistas.

A divisão da Ucrânia tem raízes antigas. E se aprofundou ainda mais com o fim da Guerra Fria: o período em que o mundo ficou divido entre os capitalistas, aliados aos Estados Unidos, e comunistas e socialistas, liderados pela então União Soviética.

A Ucrânia sempre foi o país mais fraco espremido entre a Rússia e o restante da Europa. O segundo maior país do continente declarou independência em 1991 depois da dissolução da  União Soviética.

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Na prática, nunca deixou de depender do gás e do dinheiro da Rússia, seu maior parceiro econômico.

A língua oficial é o ucraniano, mas uma em cada três pessoas fala russo, entre elas o presidente, Viktor Yanukovych. Isso acontece principalmente do lado oriental.

Os outros dois terços da população, do lado ocidental, mantêm as tradições e a cultura ucranianas e querem se aproximar mais dos europeus. Mas toda vez que chega perto da União Europeia, a Ucrânia é intimidada. Foi assim em novembro do ano passado.

Pressionado pelo presidente russo, Vladimir Putin, o presidente Viktor Yanukovych desistiu, na última hora, de assinar um acordo comercial com os europeus.

A manobra provocou a revolta que resultou no confronto sangrento dos últimos dias. Esses protestos são uma versão violenta do que aconteceu há dez anos, na pacífica Revolução Laranja, quando denúncias de fraude eleitoral forçaram a saída do então presidente eleito Yanukovych.

Mas ele foi impedido de assumir. Voltou a ser eleito em 2010, em meio a enormes problemas econômicos.

Com dinheiro em caixa, a Rússia mantém a Ucrânia na sua órbita. A União Europeia, com uma política externa ineficaz, não usa força nem dinheiro suficientes para atrair os ucranianos, que permanecem divididos. Um país seduzido pelo estilo de vida do ocidente, mas subjugado pelo poder e pelo dinheiro dos russos, que lá estão desde o tempo da União Soviética.

Fonte: Jornal Nacional, Edição do dia 21/02/2014