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Incerteza política aumenta tensão entre grupos étnicos da Crimeia

Não há como ignorar a analogia: assim como os deputados do Parlamento ucraniano estão sendo observados pelos autoproclamados “Defensores da Euromaidan”, também os parlamentares da península da Crimeia tomam suas decisões sob uma vigilância especial. Isso é o que provavelmente imaginaram as “Unidades Russas de Autodefesa da Crimeia” na última quinta-feira (27/02), ao invadirem os prédios do Parlamento e do Conselho de Ministros na capital Crimeia, Simferopol.

Para enorme satisfação dos manifestantes pró-Rússia na capital, no mesmo dia os deputados da assembleia regional decidiram autorizar um referendo sobre a situação da Crimeia no dia 25 de maio, simultaneamente às eleições presidenciais da Ucrânia (posteriormente a data foi antecipada para 30 de março). À noite, homens armados e portando bandeiras russas invadiram os aeroportos de Simferopol e Sevastopol.

Temores russos

A maioria da população na República Autônoma da Crimeia é russa e, desde a recente troca de poder em Kiev, boa parte dela fala de uma conspiração do Ocidente contra o Leste Europeu. O ativista Alexei, de cerca de 50 anos, acredita que ele e seus companheiros precisam defender a “civilização russa” contra os nacionalistas ucranianos.

Ele considera especialmente ameaçador o grupamento ucraniano Setor de Direita, que estava bem ativo na Praça da Independência (Maidan) de Kiev. “Eles dizem que precisam lutar contra nós, russos, e os judeus. Devemos assistir a isso de braços cruzados?”, questiona o ativista.

Muitos dos russos que se reúnem na praça em frente ao Parlamento da Crimeia temem, sobretudo, por seus direitos e por seu idioma – apenas há pouco elevado a língua regional pelo ex-presidente ucraniano Viktor Yanukovytch. “Cresci na antiga União Soviética, minha língua é o russo”, ressalta Dimitri, na faixa dos 30 anos de idade. Ele critica o fato de a nova maioria do Parlamento em Kiev ter anulado a lei do idioma.

Dimitri está convencido de que, com o novo governo ucraniano, não haverá um caminho comum. “Eles estão trazendo o nacionalismo e o caos. Eles tentam gerar a discórdia entre gente de diferentes religiões.”

O que está acontecendo agora na Crimeia é apenas uma reação de defesa, diz. “Quem começou isso foram os três cabeças vazias: o Oleh Tyahnybok [presidente do partido de extrema direita Svoboda], o [primeiro-ministro] Arseniy Yatsenyuk e esse lutador, o Vitali Klitschko [líder do partido pró-europeu Udar]”, opina o manifestante.

Soldados russos ocupam área próxima à fronteira com Ucrânia.

Tártaros contra a independência

Tanto Dimitri quanto Alexei garantem que não há qualquer conflito entre os grupos étnicos da Crimeia. No entanto, as imagens de confrontos entre russos e tártaros, transmitidas pela televisão nesta semana, desmentem a afirmação.

Os tártaros – que o ditador soviético Josef Stalin chegou a extraditar para a Ásia Central, na década de 1940 – respondem por 14% da população da Crimeia. De acordo com Leyla Muslimova, integrante da representação política dos tártaros denominada Medchlis, eles são os únicos povos verdadeiramente originários na península.

Para os tártaros, a elaboração de um referendo para definir a situação da península soa como uma conspiração russa. Eles criticam que o governo em Kiev simplesmente se cale, quando no parlamento em Simferopol pratica-se abertamente o separatismo.

Apoio ucraniano ao Euromaidan

Em contrapartida, os tártaros e os ucranianos parecem estar se dando muito bem. Diferentemente dos russos, que defendem a independência da península, ambos os grupos defendem que a Crimeia continue pertencendo à Ucrânia.

Os ucranianos, porém, são minoria na península. Muitos apoiaram as recentes manifestações pró-europeias em Kiev. Entre eles, Andrei Chekun, coordenador do movimento Euromaidan da Crimeia, que desde o início deu apoio aos protestos na capital ucraniana.

Ele lamenta que grupos pró-russos tenham frequentemente atrapalhado seu movimento. “Fomos chamados de os traidores da Crimeia. Havia vídeos difamatórios sobre a gente, que eram mostrados em estabelecimentos públicos e em ônibus”, conta Chekun em entrevista à Deutsche Welle.

O ativista considera infundado o medo da população de origem russa de que a troca de poder em Kiev possa tirar a autonomia da península. Ele acredita que Moscou está por trás dos últimos distúrbios na península, e que as forças pró-russas na Crimeia se deixaram instrumentalizar pelo Kremlin.

Medo de escalada de violência

Diante dos distúrbios ocorridos nos últimos dias, alguns moradores da Crimeia temem que possam eclodir conflitos armados. “Não descartaria uma guerra neste momento, mas não por causa dos protestos. Isso é tudo cortina de fumaça. Na verdade, a questão aqui são os grandes interesses militares e econômicos”, afirma o advogado Ivan, de idioma russo.

“Não se deve ter receio nenhum. Aqui não haverá guerra, nem separação”, garante uma empresária natural de Kiev. “Com esses truques tipo KGB [antigo serviço de inteligência soviético], Moscou quer garantir a sua base militar no Mar Negro. A Crimeia foi tomada como refém para que Kiev se comporte direitinho.”

 

 Fonte: DW.DE

 

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Ex-embaixador britânico Tony Brenton: – A guerra poderia ser uma opção do ocidente

Sir Anthony Russell “Tony” Brenton embaixador britânico para a Rússia de 2004-2008

Ex-embaixador britânico, Tony Brenton: “Se for concluído que o Memorando de Budapeste está juridicamente comprometido” – uma guerra poderia ser uma opção do ocidente.

O Memorando de Budapeste foi lembrado neste sábado como “forma de garantia ocidental” de proteger a soberania e integridade ucraniana, depois que 2 mil soldados russos atravessaram a fronteira do Mar Negro, segundo informações do jornal Daily Mail. 

O acordo (que não é um tratado formal, mas um documento diplomático)  foi assinado pelos ex-líderes dos EUA, Inglaterra, Rússia e Ucrânia: Bill Clinton, John Major, Boris Yeltsin e Leonid Kuchma, e prevê garantias de soberania e integridade da Ucrânia em troca de um compromisso do país de desistir de suas armas nucleares da era soviética. Tecnicamente, isto significa que, se a Rússia invadir a Ucrânia, se tornaria difícil aos países ocidentais evitarem uma guerra.

O ex-embaixador britânico, Tony Brenton, que ocupou o cargo entre 2004 e 2008, disse ao jornal que uma guerra poderia ser uma opção do ocidente “se for concluído que o Memorando de Budapeste está juridicamente comprometido”.

O atual secretário de Relações Exteriores britânico, William Hague, disse neste sábado que a ação russa é um “potencial grave ameaça” à soberania da Ucrânia, a independência e a integridade territorial.  Hague, que deve ir à Kiev no domingo, 2, disse que a Grã-Bretanha apoiou o pedido do governo ucraniano para consultas urgentes ao Memorando de Budapeste..

Hague ainda informou que tinha falado com o presidente em exercício da Ucrânia, Oleksander Turchynov, e mostrou um claro apoio da Grã-Bretanha ao novo governo da Ucrânia.  “Eu assegurei o compromisso do Reino Unido para trabalhar com outros parceiros e instituições internacionais para garantir que as reformas da Ucrânia serão acompanhadas internacionalmente, e será dado um  apoio econômico”, disse Hague.

O secretário britânico afirmou que era necessária uma ação diplomática internacional para resolver a crise.

Na sessão de sexta-feira, a Ucrânia acusou a Rússia de incursões militares ilegais em território ucraniano, enquanto as delegações dos EUA e de países europeus alertavam Moscou a retirar quaisquer novas forças militares empregadas na Ucrânia. A Rússia, porém, disse que qualquer movimento militar por forças russas estava em consonância com seu acordo com Kiev de manter sua base naval lá.

 

Fonte: Terra

 

 

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Ocidente entra em alerta sobre Crimeia e pressiona Rússia a respeitar soberania da Ucrânia

PARIS, 1 Mar (Reuters) – O Ocidente expressou preocupação neste sábado com os rápidos acontecimentos na Crimeia, uma região da Ucrânia, pressionando todos os envolvidos a evitar um agravamento da crise e pedindo à Rússia que respeite a soberania ucraniana.

Uma semana depois que violentos protestos forçaram o presidente Viktor Yanukovich, apoiado pela Rússia, a abandonar o cargo, os novos líderesda Ucrânia dizem que a Rússia está tentando assumir o controle da Crimeia, uma península no sul que tem uma população de maioria étnica russa.

França, Grã Bretanha e Alemanha emitiram alertas pedindo um alívio das tensões na Crimeia, depois que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, advertiu na véspera que uma intervenção militar na região seria profundamente desestabilizadora e “teria custos”.

“A França está extremamente preocupada com as notícias sobre a Crimeia, que descrevem movimentação significativa de tropas”, disse o ministro das Relações Exteriores francês, Laurent Fabius, em um comunicado. “Pedimos às partes que se abstenham de atos que possam aumentar a tensão e afetar a unidade territorial da Ucrânia.”

Não houve um derramamento de sangue após a queda de Yanukovich, mas a nova liderança da Ucrânia está enfrentando um desafio na Crimeia, que fazia parte da antiga União Soviética até 1954. O primeiro-ministro ucraniano, Arseny Yatseniuk, acusou a Rússia de enviar milhares de soldados à região neste sábado.

Homens armados, vestindo uniformes de combate sem identificação, tomaram o controle de dois aeroportos na região e ocuparam o Parlamento regional, no que Kiev descreve como uma ocupação pelas tropas de Moscou.

O primeiro-ministro pró-Rússia da Crimeia assumiu o comando das forças militares, da polícia e de outros serviços de segurança na região. Ele também pediu ajuda ao presidente russo, Vladimir Putin, para “garantir a paz e a calma” na região.

Putin pediu à Câmara Alta do Parlamento para aprovar o envio de tropas russas à região da Crimeia, na Ucrânia, citando ameaças à vida de cidadãos russos.

O ministro das Relações Exteriores britânico, William Hague, que viaja para a Ucrânia no domingo para se reunir com a nova liderança, pediu ao seu colega russo que aja para “aliviar” a tensão.

Em uma mensagem no Twitter, Hague acrescentou que conversou com o ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier, e que discutiram a necessidade de uma ação diplomática internacional para lidar com a crise.

Mais cedo, Steinmeier considerou os acontecimentos das últimas horas na Crimeia perigosos e apelou à Rússia que explique suas intenções.

“A situação na Crimeia se tornou consideravelmente mais séria. Quem colocar mais lenha na fogueira agora, com palavras ou ações, estará conscientemente buscando um novo agravamento da situação,” disse ele.

Steinmeier disse que os líderes europeus devem se reunir rapidamente a fim de acordar uma posição comum da União Europeia sobre a situação.

A Rússia alega que qualquer movimentação de seus militares na Crimeia está em conformidade com os acordos com a Ucrânia no contrato de arrendamento de uma base naval na cidade portuária de Sebastopol e Moscou acusou Kiev de tentar desestabilizar a península no Mar Negro.

(Reportagem de John Irish, em Paris; de Sarah Marsh, em Berlim; e de Belinda Goldsmith, em Londres)

Fonte: Reuters

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Declaração de guerra: Senadores russos votam por unanimidade o envio de tropas russas para a “estabilização” da Ukrania

Conselho da Federação da Rússia aprovou por unanimidade o pedido do presidente Vladimir Putin de usar forças militares russas na Ucrânia. A medida destina-se a resolver a turbulência no país dividido.

A câmara alta do parlamento russo votou a favor do envio de tropas para a República Autônoma da Crimeia, o que garantiria a paz e a ordem na região “até que a situação sócio-política no país esteja estabilizada.”

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O debate no Conselho da Federação revelou que os deputados russos estão unidos sobre a questão, com muitos deles compartilhando preocupações sobre os recentes acontecimentos na Ucrânia. A noção comum é que uma vez que o poder foi apreendido em Kiev, a situação só foi se deteriorando com nacionalistas radicais rapidamente chegando ao poder e ameaçando a vida dos que se opõem as suas ações, principalmente os cidadãos russos que vivem na Ucrânia.

Tomar a decisão de usar as Forças Armadas na Ucrânia, não significa que ela vai ser realizada imediatamente, disse Grigory Karasin, representante oficial de Putin no Conselho da Federação.

“A aprovação, que o presidente vai receber, não significa literalmente que este direito será utilizado imediatamente”, disse Karasin.

Putin no sábado pediu ao Conselho da Federação autorização para o uso do Exército para normalizar a situação sócio-política na Ucrânia, devido a “situação extraordinária”. Os acontecimentos na Ucrânia indicam que há uma “ameaça para a vida dos cidadãos da Federação Russa … e o pessoal das forças armadas da Federação Russa em território ucraniano”, disse o presidente russo.

Fonte: RT

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Navios ucranianos entram no mar após alerta de combate em Sevastopol

O Serviço Estatal de Fronteiras da Ucrânia “está tomando medidas excepcionais para evitar a invasão do território do destacamento de fuzileiros navais e do destacamento de navios e lanchas” em Sevastopol, notificou o Serviço Estatal de Fronteiras em conexão com a aproximação de um grupo de homens armados.

“Todos os navios de combate estão deixando o porto, após o alerta. A administração do Serviço Estatal de Fronteiras da Ucrânia declara que irá agir de acordo com as leis da Ucrânia”, afirma um comunicado.

Fonte: Voz da Rússia

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Putin pede que Parlamento aprove envio de tropas russas à Ucrânia

Tropas russas na Ucrânia. Foto: ReutersSoldados russos estavam de prontidão no sábado na cidade de Balaclava, na Crimeia

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, pediu neste sábado que a câmara superior do Parlamento aprove o envio de tropas russas à Ucrânia.

A informação foi divulgada em nota oficial pelo próprio governo russo. Putin alega que seu pedido foi feito “em relação à situação extraordinária na Ucrânia e à ameaça às vidas de cidadãos russos”.

Ele pede que forças armadas russas sejam usadas “até a normalização da situação política naquele país”.

Nos últimos dias, as duas câmaras do Legislativo da Rússia discutiam formas de estabilizar a situação na península da Crimeia. A Rússia já possui uma presença militar na região da Crimeia, que é território ucraniano.

De Kiev para Crimeia

A Ucrânia e a Rússia vivem dias de grande tensão, em uma disputa de influência entre o Ocidente e os russos na Ucrânia.

No mês passado, após várias semanas de protestos nas ruas da capital Kiev, o presidente ucraniano, Viktor Yanukovych, foi afastado por uma votação no Parlamento. As manifestações começaram em novembro do ano passado, quando Yanukovych rejeitou uma aproximação com a União Europeia em prol de um acordo econômico com a Rússia.

Quem é quem

Viktor Yanukovych

  • Viktor Yanukovych (foto): presidente afastado da Ucrânia. Sua aproximação com a Rússia gerou protestos que culminaram no seu afastamento. Está atualmente em Moscou.
  • Yulia Tymoshenko: oposicionista crítica à Rússia e Yanukovych,a ex-premiê estava na prisão, acusada de corrupção. Foi solta no mês passado, após o afastamento do presidente ucraniano.
  • Vitali Klitschko: o ex-campeão mundial de boxe também fez oposição a Yanukovych e é considerado o principal líder dos protestos em Kiev.
  • Sergiy Aksyonov: premiê interino da Crimeia (região autônoma na Ucrânia), ele é líder doprincipal partido pró-Rússia na região. Pediu a Putin ajuda russa para “reestabelecer a calma” na Crimeia.
  • Olexander Turchynov: presidente interino da Ucrânia, que assumiu após o afastamento de Yanukovych. Visto como crítico da Rússia, e próximo da líder da oposição Yulia Tymoshenko.

Um governo interino crítico à influência russa assumiu a Ucrânia após a queda de Yanukovych, que agora é procurado pela Justiça do país, acusado de mandar matar manifestantes. O ex-presidente recebeu abrigo na Rússia e prometeu continuar lutando pelo seu país.

Na última semana, o foco do conflito passou a ser a Crimeia, uma região de 2,3 milhões de habitantes que faz parte da Ucrânia, no litoral do Mar Negro. Muitos na Crimeia se consideram russos étnicos e falam o idioma russo, com grande simpatia por Yanukovych. A Rússia tem forte presença militar na região do Mar Negro.

Há temores de que a Ucrânia e a Rússia possam entrar em conflito pelo controle da Crimeia.

Esta semana, homens não-identificados – que seriam parte de milícias pró-Rússia – tomaram o controle de prédios públicos e aeroportos na Crimeia. Na quinta-feira, o Parlamento regional nomeou um novo primeiro-ministro na região, Sergey Aksyonov, que é líder do principal partido pró-Rússia.

Neste sábado, Aksyonov fez um apelo a Vladimir Putin para que a Rússia “reestabeleça a calma na região”. A Rússia afirmou que não ignoraria o apelo feito por Aksyonov, e pouco depois Putin noticiou o pedido ao Parlamento russo para analisar o envio de tropas à Ucrânia.

Ucrânia e Rússia trocam acusações em relação às ações na Crimeia.

O ministério das Relações Exteriores da Rússia diz que o governo da Ucrânia enviou tropas à Crimeia neste sábado para tentar retomar o prédio do ministério do Interior. Já as autoridades interinas da Ucrânia acusam a Rússia de enviar 6 mil soldados à Crimeia.

Na madrugada de sexta-feira para sábado, homens armados não-identificados teriam tomado outra pista de aviação. O governo russo nega qualquer envolvimento no episódio.

Estados Unidos

Os acontecimentos na Crimeia também despertam preocupações nos Estados Unidos.

Antes do anúncio russo, o presidente americano, Barack Obama, havia feito um alerta aos russos de que qualquer ação militar russa na Ucrânia traria “custos” à região.

“Qualquer violação da soberania e integridade territorial da Ucrânia seria profundamente desestabilizadora, o que não está nos interesses da Ucrânia, da Rússia ou da Europa”, afirmou Obama, na noite de sexta-feira.

“Isso representaria uma profunda interferência em assuntos que precisam ser determinados pelo povo da Ucrânia. Seria uma clara violação do compromisso da Rússia de respeitar a independência e soberania e as fronteiras da Ucrânia – e as leis internacionais.”

Fonte: BBC Brasil

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Análise: A Rússia quer invadir a Ucrânia?

Jonathan Marcus

Analista diplomático da BBC

 

Atualizado em  1 de março, 2014 – 08:57 (Brasília) 11:57 GMT
Homem armado na Assembleia da Crimeia. Foto: GettyHomem armado sem identificação de qualquer exército no uniforme cerca Parlamento da Crimeia

A Rússia poderia intervir militarmente na região da Crimeia para garantir seus interesses estratégicos na região? Ou, colocando a pergunta de outra forma, as atitudes da Rússia até agora já são uma forma de intervenção?

Há temores de que a Ucrânia e a Rússia possam entrar em conflito pelo controle da Crimeia. A região de 2,3 milhões de habitantes é parte da Ucrânia, no litoral do Mar Negro, mas muitos lá se consideram russos étnicos e falam o idioma russo.

Na última eleição presidencial ucraniana, a população da Crimeia votou em peso em Viktor Yanukovych, político visto como pró-Rússia e que foi afastado no mês passado após semanas de protestos em Kiev.

Desde então, supostas milícias pró-Rússia invadiram o Parlamento regional da Crimeia, prédios públicos e o aeroporto de Simferopol, a capital da região.

Milícias treinadas

Ninguém sabe ao certo a identidade destes homens armados, mas seus equipamentos, veículos e comportamento dão sinais de que se trata de uma unidade militar treinada, e não apenas um grupo qualquer de ativistas pró-Rússia.

“Estes homens parecem um grupo organizado de tropas. Eles parecem ser disciplinados, confiantes, vestidos em uniformes e equipados”, diz Ben Barry, militar especialista em combate terrestre doInternational Institute for Strategic Studies, entidade de pesquisa baseada em Londres.

A ocupação do aeroporto de Simferopol deu início a uma rotina previsível de ameaças da Rússia às autoridades interinas da Ucrânia. Unidades de combate aéreo foram colocadas na fronteira da Ucrânia e estão em estado de alerta. Exercícios militares foram imediatamente iniciados, demonstrando o preparo das forças russas.

Também houve ameaças econômicas, com o possível aumento de tarifas na fronteira dos dois países, e com retórica elevada de ameaças às minorias étnicas russas na Crimeia.

Tentação ocidental

Novo premiê da Crimeia pede ajuda à Rússia para ‘reestabelecer calma’

O novo premiê da região ucraniana da Crimeia, Sergey Aksyonov, fez um apelo neste sábado ao presidente russo, Vladimir Putin, para que a Rússia “reestabeleça a calma na região”.

A Rússia afirmou que não vai ignorar o apelo feito por Aksyonov, que assumiu o poder na região depois que milícias pró-Rússia assumiram o comando do Parlamento regional.

O ministério das Relações Exteriores da Rússia disse que o governo da Ucrânia enviou tropas à Crimeia neste sábado para tentar retomar o prédio do ministério do Interior.

As autoridades interinas da Ucrânia acusam a Rússia de enviar 6 mil soldados à Crimeia.

Na madrugada de sexta-feira para sábado, homens armados não-identificados teriam tomado outra pista de aviação. O governo russo nega qualquer envolvimento no episódio.

Até agora, o cenário é parecido com a véspera da invasão russa à Geórgia, em 2008. Naquela ocasião, o Exército da Geórgia “fez um favor” aos russos, ao invadirem eles próprios o enclave da Ossétia do Sul, dando margem à resposta da Rússia.

Mas as comparações se encerram aqui.

A Geórgia era um país pequeno que havia irritado profundamente o regime de Moscou, e nunca teria condições de responder a qualquer tipo de ação militar russa.

Muitos especialistas acreditam que uma invasão de grande escala de tropas russas, como aquela de 2008 na Geórgia, seria impraticável na Ucrânia agora.

Dado o tamanho da Ucrânia e as divisões internas da população, esse tipo de ação só poderia ter um desfecho: uma grave guerra civil.

A pressão russa neste momento tem um objetivo diferente.

O Estado da Ucrânia está perto da bancarrota. O país precisa de financiamento externo. O governo de Moscou sabe que as instituições financeiras do Ocidente precisarão assumir algum tipo de papel no país.

A Rússia quer deixar claro que o governo ucraniano depende tando de Moscou quanto da União Europeia, e que a Ucrânia precisa se equilibrar entre estas duas forças.

A conclusão russa é de que a Ucrânia precisa resistir à tentação de se aproximar da aliança militar ocidental Otan.

Presença russa

A Crimeia é outro assunto. A Rússia sequer precisa invadir o local, pois já possui grande presença lá, alugando instalações junto ao governo ucraniano.

A maior parte da frota russa no Mar Negro está na Crimeia, com um quartel-general na cidade ucraniana de Sevastopol. Militares da Marinha da Rússia já entram e saem da cidade como se fosse um território russo.

Grande parte da população da Crimeia – talvez até mesmo a maioria – é de apoiadores da Rússia. A região abriga muitos militares russos aposentados, e fica geograficamente distante da capital Kiev.

A pressão russa é para que a Ucrânia tenha consciência de que os interesses de Moscou precisam sempre ser preservados em qualquer decisão tomada pelos ucranianos sobre seu futuro econômico e diplomático.

Fonte: BBC Brasil

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Primeiro-ministro da Crimeia república autônoma da Ucrânia pede ajuda a Rússia

Sergei Aksenov primeiro-ministro da Crimeia

Sergei Aksenov, primeiro-ministro da Crimeia, república autônoma da Ucrânia, afirmou neste sábado que tem o controle de todo o aparato militar, policial e demais serviços de segurança na região, mas pediu para o presidente da Rússia, Vladimir Putin, ajuda para manter a paz na península, de acordo com informações da agência AP.

Em um comunicado divulgado pela mídia local e por agências russas, Aksenov declarou que os militares, policiais, serviço nacional de segurança e guardas de fronteira responderão apenas às suas ordens. O premiê regional disse que qualquer comandante que não concordará deverá perder seu posto.

“Entendendo minha responsabilidade pela paz e segurança dos cidadãos, eu apelo ao presidente da Rússia, Vladimir Putin, por assistência em garantir a paz e calma no território da República Autônoma da Crimeia”, afirmou.

Sergei Aksenov, líder do principal partido pró-Rússia na península, foi apontado primeiro-ministro pelo Parlamento da Crimeia na última quinta-feira, devido ao aumento da resistência na península diante das novas autoridades que tomaram o poder na capital ucraniana na semana passada.

Homens armados, supostamente ligados a grupos pró-Rússia, tomaram nessa sexta-feira controle de dois aeroportos da Crimeia, onde a Frota do Mar Negro da Rússia está estacionada.

A Crimeia foi presenteada à Ucrânia em 1954 pelo então líder soviético Nikita Khrushchev. A região continua sendo a única da Ucrânia onde a etnia russa é majoritária, e parte da frota russa do mar Negro fica estacionada no porto de Sevastopol.

Agora, a Crimeia, que conta com 2 milhões de habitantes, dos quais quase 60% são russos, 25% ucranianos e 12% tártaros, é o último reduto importante de oposição à nova ordem política pós-Yanukovich, e os novos líderes do país manifestam preocupação com os sinais de separatismo na península.

 

Fonte: Terra

Pedido de ajuda da Crimeia será atendido, diz fonte russa

A Rússia disse neste sábado que não deixará de atender ao pedido de ajuda feito pelo primeiro-ministro da república autônoma da Crimeia, Sergei Aksionov, ao presidente Vladimir Putin para pacificar a região.

A resposta de Moscou à solicitação das autoridades da Crimeia, região ucraniana cuja maioria da população é de origem russa, veio através de uma breve declaração divulgada pelas agências russas, que citam uma fonte do Kremlin.

Minutos antes, o chefe do executivo da Crimeia pediu ajuda a Putin para “restabelecer a paz e a tranquilidade” na região, em um comunicado no qual também anunciou sua decisão de pôr todas as forças de segurança locais sob seu controle pessoal.

Aksionov foi nomeado primeiro-ministro no último dia 27 pelo Parlamento da Crimeia, que destituiu o governo anterior e, além disso, aprovou a convocação de um referendo para ampliar a autonomia da região, que será realizado no dia 25 de maio.

“Como chefe do Conselho de Ministros da república autônoma da Crimeia, e no exercício dos poderes que me foram delegados pela Rada Suprema (legislativo) da Crimeia, tomei a decisão de pôr temporariamente sob meu controle as unidades e grupos militares do Ministério do Interior, do Serviço de Segurança, das Forças Armadas, do Ministério de Situações de Emergência, da Frota, do Ministério Público e da Guarda de Fronteiras”, afirmou Aksionov.

O chefe do Executivo autônomo justificou sua decisão dizendo que ocorreram distúrbios na região com o uso de armas de fogo e as estruturas de segurança são incapazes de restabelecer a ordem de maneira efetiva.

O primeiro-ministro também considerou ilegal a designação, por parte das autoridades centrais de Kiev, do novo chefe de polícia da Crimeia, Igor Avrutski, em um novo episódio da crescente tensão entre as autoridades pró-Rússia dessa região e o novo governo ucraniano.

EFE

 

Fonte: Terra

 

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Protestos aprofundam crise econômica na Venezuela

Daniel Pardo

Da BBC Mundo em Caracas

 

Protestos na Venezuela | Foto: ReutersProtestos anti-governo prejudicam distribuição de insumos e vendas no comércio

A livraria Lugar Común, localizada em frente à praça Altamira, centro nervoso dos protestos em Caracas, na Venezuela, opera de forma intermitente há semanas.

“Tem dias em que nem abrimos. Em outros funcionamos por apenas duas horas”, diz o dono do estabelecimento, Garcilaso Pumar, à BBC Mundo, o serviço hispânico da BBC, apontando para as barricadas montadas nas ruas.

Apesar de não se opor às manifestações, ele admite que só conseguiu abrir sua loja em horário integral na última terça-feira.

O cotidiano de Pumar é um retrato fiel da arritmia que afeta o coração da economia venezuelana.

O país enfrenta uma das piores crises financeiras de sua história: a inflação é uma das mais altas do mundo, a escassez de alimentos chega a 23% e o déficit fiscal parece sem solução, apesar das seguidas desvalorizações do bolívar, a moeda local.

O cenário se agravou ainda mais com as manifestações, que vem dificultando qualquer esboço de recuperação da economia.

Na última quarta-feira, em uma reunião “para a paz”, promovida pelo partido do presidente Nicolás Maduro com a participação de vários setores, uma das declarações mais fortes partiu do empresário Lorenzo Mendonza, presidente das Empresas Polar, do setor de alimentação e bebidas.

Segundo ele, a agenda nacional deixou de contemplar discussões sobre o andamento da economia do país.

“Enquanto 95% (do debate) envolve política, o resto – 5% – é dedicado à economia”, disse ele. “O país precisa de uma reflexão profunda sobre a economia”, acrescentou.

O presidente Maduro, por sua vez, reiterou que a economia é um tema central para o seu governo.

“Vamos parar com as guarimbas e com a violência, e estabelecer um bom nível de respeito à Constituição, para que possamos nos concentrar mais na economia.”

As “guarimbas”, como as barricadas montadas pelos manifestantes são conhecidas, vêm se espalhando por várias partes do país, especialmente na província de Táchira, onde os protestos ainda mantêm um nível alto de tensão.

Distribuição

Protestos na Venezuela | Foto: ReutersComerciantes fecham as portas temendo a escalada de violência

Com medo da escalada de violência, muitos comerciantes decidiram permanecer de portas fechadas. Nas últimas semanas, os poucos estabelecimentos que abriram ficaram às moscas e milhares de venezuelanos tiveram de trabalhar de casa.

Mas enquanto o varejo e o comércio são afetados por fechamentos, o setor da economia mais atingido é o da distribuição.

O próprio Maduro já disse acreditar que a escassez de produtos é uma das principais causas das manifestações.

Já para Eduardo Garmendia, presidente da Conindustria, confederação que reúne as principais indústrias da Venezuela, “a capacidade de entregar os produtos no varejo tem sido restrita, o que aumenta a escassez”.

A distribuição na Venezuela encontra-se em estado crítico, uma vez que a produção e o volume de importações, ambos a um nível consideravelmente baixo, já não são suficientes para abastecer todos os estabelecimentos do país.

Na semana passada, Giovanni Lupi, presidente da Catracentro, câmara que reúne empresas de transporte terrestre de carga pesada, disse que a tensão política provocou um aumento de 20% nas paralisações na frota de distribuição na região central do país.

Segundo o jornal de economia El Mundo, soma-se a esse fato a paralisação de 40% da frota desde o início dos protestos.

“Há motociclistas encapuzados que queimaram veículos. Por causa disso, estamos protegendo os carros, quase ninguém está fazendo viagens de longas distâncias. Na última semana, como a tensão está mais forte, muitos de nós não podemos sair para trabalhar”, disse Lupi ao jornal.

Segundo as secretarias de transporte dos Estados de Vargas e Carabobo, o efetivo do escritório foi reduzido em 60% devido às recentes manifestações.

Preocupação

Protestos na Venezuela | Crédito: APEmpresários pediram que funcionários públicos trabalhem durante Carnaval para garantir distribuição

Garmendia, da Conindustria, disse à BBC Mundo que as empresas pediram ao governo, encarregado de autorizar as rotas de distribuição, que mantenha um efetivo trabalhando nos próximo dias, apesar do recesso de Carnaval.

“Dissemos ao governo que os funcionários públicos não podem sair de férias”, afirmou Garmendia. “Depois de cinco dias com a distribuição parada, não há nada nas prateleiras.”

Enquanto o governo tenta encontrar uma alternativa para a crise econômica, Pumar continua tentando manter a viabilidade do seu negócio apesar dos protestos.

“Dada a situação atual, acredito que todo empresário que opere hoje na Venezuela esteja preparado para um ou dois meses de baixa rentabilidade”.

Mas, enquanto muitos enfrentam uma queda nas vendas, outros aproveitam as manifestações para catapultar os ganhos.

Este é caso da pizzaria Mesón de Altamira. De acordo com o gerente e filho do dono do estabelecimento, Alexandre Freitas, o restaurante tem vendido mais do que a média nos últimos dias.

“Os jovens vêm aqui comprar pizza para comer durante os protestos”, afirmou.

Fonte: BBC Brasil