Categories
Conflitos Geopolítica Opinião

Crise na Crimeia testa política externa de Obama

A ocupação da Crimeia por tropas russas é um dos maiores desafios de política externa para o presidente americano, Barack Obama. Depois da hesitação diante dos conflitos envolvendo o Irã e a Síria, a desconfiança dentro dos Estados Unidos em torno de sua capacidade de gestão de crises internacionais aumentou.

“Obama é forte o suficiente para enfrentar o ex-coronel da KGB?”, questionou o jornal New York Times, em referência ao presidente russo, Vladimir Putin.

Já nesta fase inicial da crise na Crimeia não faltam críticas a Obama. Para o senador republicano John McCain, a política externa do democrata é “inútil” e corresponsável pelo agravamento da situação. Em entrevista recente à DW, ele acusou o governo Obama de não ter qualquer estratégia em política de segurança.

Muitos ainda associam a política externa de Obama ao conceito de leading from behind (liderar por trás), que ganhou força após a intervenção na Líbia de 2011. Os conflitos envolvendo o Irã e a Síria, no entanto, arranharam a imagem de seu governo como gestor de crises internacionais. E no caso de Edward Snowden, delator do esquema de espionagem americano, Obama viu Putin levar a melhor.

“Vamos criar um laço democrático em torno da Rússia de Putin”, sugeriu o senador republicano Lindsey Graham, em referência à possível admissão de antigas repúblicas soviéticas à Organização do Tratado do Atlântico Norte. “No caso de membros da Otan ameaçados pela Rússia, eu ergueria uma bandeira da aliança o mais alto possível em volta de Putin.”

O senador Marco Rubio, seu correligionário da Flórida e possível candidato à presidência, disse querer “voltar novamente ao sistema de defesa antimísseis” no Leste Europeu, sem mencionar que a primeira fase do escudo já está instalada. Outros querem, simplesmente, expulsar Putin do G8.

Pressão política e econômica

Segundo o ex-embaixador dos EUA na Alemanha John Kornblum, o espaço de manobra de Obama na atual crise é limitado. A premissa, afirma, seria defender a integridade territorial ucraniana. “Mas o que isso implica? Está claro que não implica uma ação militar. Mas poderia significar fortes ações políticas e econômicas”, afirmou o ex-embaixador à DW.

A princípio, o presidente americano ameaçou Putin com “custos” que ele teria de pagar. Atualmente, o governo Obama trabalha num pacote de sanções econômicas e defende o isolamento internacional da Rússia. A suspensão dos preparativos da cúpula do G8 em Sochi foi um primeiro sinal. E a ajuda financeira americana no valor de 1 bilhão de dólares oferecida a Kiev, um segundo.

A estratégia de ação de Obama vem ficando, a cada dia, mais clara: pressão econômica e diplomática sobre a Rússia e, ao mesmo tempo, apoio à Ucrânia. Ninguém nos EUA parece exigir atualmente uma ação militar.

“É preciso ser justo: o presidente e o secretário de Estado John Kerry reagiram fortemente à provocação russa. Kerry a chamou de agressão internacional, Obama falou de uma violação clara do direito internacional”, defende o ex-embaixador dos EUA na Polônia Lee Andrew Feinstein.

Se a situação se agravar ainda mais e chegar a uma anexação oficial da Crimeia pela Rússia, segundo Feinstein, os EUA iriam reagir com o congelamento dos ativos russos e com um acesso limitado de empresas russas ao mercado financeiro internacional.

“Isso seria muito importante, pois é bom lembrar: não se trata da Rússia que avançou no Afeganistão, mas da Rússia do ano 2014, integrada à economia mundial”, assinala o diplomata.

Aproximação da UE

Não foi sem motivos que Obama procurou se aproximar da Alemanha e da União Europeia. Sem a Europa, as sanções econômicas americanas seriam ineficazes. O volume de negócios dos europeus com a Rússia é dez vezes maior do que com os americanos.

Isso explica a atual reticência dos europeus quanto a esse tema. Caso Putin não venha a mudar sua estratégia e deixe suas tropas invadirem até mesmo as províncias orientais da Ucrânia, então, afirma Feinstein, será necessária uma “longa, sistemática e extensa política direcionada à pressão econômica e ao isolamento diplomático”.

O mesmo discurso escutou-se, porém, em 2008, quando tropas russas ocuparam parte da Geórgia. Até hoje, a Rússia não abandonou as suas posições. Na ocasião, o presidente era George W. Bush. E a imprensa americana vem chamando a atenção para o fato de que ele tinha à disposição as mesmas – limitadas – opções que hoje tem Obama.

“Atualmente, é bastante popular falar dos meios limitados que dispõem americanos e europeus”, disse Feinstein. “Mas quando americanos e europeus falam com uma só voz, eles podem fazer muitas coisas.”

Além disso, o diplomata também aponta para o fato de a “Rússia não ser uma ilha”. “O país tem muitos recursos naturais e dinheiro, mas também está bastante integrado à economia internacional. Eu não subestimaria o efeito sobre Putin”, afirma.

Fonte: DW.DE

Categories
Conflitos Geopolítica Opinião

Paulo Sérgio Pinheiro: “A impunidade foi consagrada na Síria”

Brasileiro que chefia comissão da ONU sobre o conflito critica inércia do Conselho de Segurança e afirma que, devido a divisões entre potências, comunidade internacional é também responsável pelas atrocidades.

A comissão da ONU responsável por investigar as violações dos direitos humanos na guerra síria divulgou um relatório nesta quarta-feira (05/03) no qual critica a inércia da comunidade internacional em agir para solucionar o conflito.

Em entrevista à DW Brasil, o brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro, que chefia a comissão, diz que “a impunidade foi consagrada” na Síria, em parte devido a divisões entres os membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (EUA, Rússia, China, Reino Unido e França).

“Os crimes e violações vêm sendo cometidos, e os perpetradores estão totalmente tranquilos porque não precisam enfrentar qualquer nível de justiça”, afirma Pinheiro.

Deutsche Welle: No relatório divulgado nesta quarta-feira foi citado que houve negligência das grandes potências em relação ao conflito da Síria. De que forma as grandes potências falharam?

Paulo Sérgio Pinheiro: Nós chamamos a atenção para a incapacidade do Conselho de Segurança em referir o caso da Síria para o Tribunal Penal Internacional (TPI). Isso porque a Síria não faz parte do Estatuto de Roma, que criou o TPI e, desta forma, o único órgão dentro da comunidade internacional e da ONU que poderia fazer isso seria o Conselho de Segurança.

Mas, por causa da divisão dentro do Conselho, especialmente entre os membros permanentes, a impunidade foi consagrada na Síria. Os crimes e violações vêm sendo cometidos, e os perpetradores estão totalmente tranquilos porque não precisam enfrentar qualquer nível de justiça.

O relatório terá consequências políticas práticas?

O que estamos fazendo é documentando as violações aos direitos humanos e ao direito internacional humanitário, para que, no futuro, quando o TPI, que nós esperamos que em algum momento possa atuar, possa abrir investigações criminais. Nosso único mandato é primeiro reconstruir os fatos relativos às violações e, em segundo lugar, indicar quando possível os autores, o que nós temos feito.

O senhor disse a jornalistas que países que têm influência sobre os grupos em guerra na Síria deveriam tentar persuadi-los a chegar a uma solução para o conflito. Como isso seria possível?

Não é uma questão de possibilidade. Essa guerra continua porque os dois lados – governo e grupos não estatais armados – são subsidiados por Estados-membros das Nações Unidas. E nós chamamos a atenção para que os que estão apoiando as duas partes do conflito poderão ser responsabilizados no futuro. De certa forma, aqueles que subsidiam o governo e os grupos não estatais armados tem a corresponsabilidade na prática eventual dos crimes de guerra e nas violações de direitos humanos.

O senhor vê uma solução para o conflito a médio prazo? Como ela seria?

A solução está encaminhada. Desde 2011 nós temos repetido que não há nenhuma solução militar para o conflito. Pode haver uma solução militar daqui a 20 anos, mas a Síria já estará totalmente destruída. Esse processo de certa forma começou, na conferência Genebra II há um mês. Eu não diria que este primeiro round fracassou. Nunca tivemos a ilusão de que a negociação seria fácil. Mas a via para a negociação está aberta. Agora, é lamentável que enquanto se faz essa negociação que o governo e os grupos não estatais armados continuem a combater. Enfim, sírios matando sírios, o que é lamentável.

O senhor é a favor de uma missão de paz da ONU na Síria? Acredita que a ONU receberia o aval de países como China e Rússia?

Não. Por isso que estamos muito longe [de uma solução]. Ainda que em algum momento possa haver alguma força de interposição organizada pela ONU, isso não pode ser excluído, mas não é absolutamente o caso. Sem o cessar-fogo das hostilidades, sem a suspensão dos combates, não há nenhum sentido em pensar numa força das Nações Unidas. Isso é algo extremamente remoto para o panorama atual.

A crise na Ucrânia retirou um pouco o foco do conflito na Síria. Há agora um grande empenho de forças como EUA e Rússia na Ucrânia e parece haver um esquecimento do conflito sírio.

O que eu espero é que essa crise será resolvida diplomaticamente e que a responsabilidade tanto dos EUA como da Federação Russa continuará em termos do papel que as duas potências vinham exercendo no processo de negociação na Síria juntamente com a ONU. São dois países extremamente importantes e que têm condições de lidar com mais de uma crise. Eu não creio que o fato de ter sido aberta outra crise na Europa que a Síria vai ser esquecida.

Fonte: DW.DE

 

Categories
Defesa Destaques Segurança Pública Sistemas de Armas Vídeo

Vídeo: Forças Especiais Russas /1

Sugestão do amigo, leonardo_sp

[embedplusvideo height=”395″ width=”650″ editlink=”http://bit.ly/1fK4kNN” standard=”http://www.youtube.com/v/M1fY8lblBlQ?fs=1″ vars=”ytid=M1fY8lblBlQ&width=650&height=395&start=&stop=&rs=w&hd=0&autoplay=0&react=1&chapters=&notes=” id=”ep2953″ /]

Categories
Conflitos Geopolítica

Parlamento da Crimeia decide anexar região à Rússia

The Moscow News

Por votação unânime, autoridades aprovaram realização de referendo no próximo dia 16 para decidir o futuro da península. Presidente russo Vladímir Pútin reuniu-se com altos funcionários em uma sessão de emergência do Conselho de Segurança para discutir a decisão.
Parlamento da Crimeia decide anexar região à Rússia

Milhares de soldados, aparentemente sob o comando russo, tomaram o controle das bases militares ucranianas por toda a Crimeia na semana passada Foto: Serguêi Savostianov/RG

O Parlamento da Crimeia, região ucraniana com maioria étnica russa, decidiu nesta quinta-feira (6) separar-se do país e se tornar parte da Rússia, de acordo com um comunicado oficial publicado em seu site.

Um referendo popular para aprovar a decisão ou restaurar a Constituição de 1992, segundo a qual a península permaneceria uma república autônoma dentro da Ucrânia, foi agendado para o dia 16 de março.

A votação, que será impressa nos idiomas russo, ucraniano e tártaro, incluirá apenas duas perguntas. Nenhuma das questões permitirá aos eleitores indicar preferência pela independência.

O presidente russo Vladímir Pútin reuniu-se com altos funcionários em uma sessão de emergência do Conselho de Segurança para discutir a decisão do Parlamento da Crimeia, informou o porta-voz do Kremlin, Dmítri Peskov.

Pútin declarou na última terça-feira (4) que a Rússia não estava considerando anexar a Crimeia ao seu território, mas que os moradores da região deveriam ser capazes de determinar o seu próprio futuro.

Após a formação do novo governo em Kiev, vários protestos pela península de língua predominantemente russa pediam abertamente pela secessão e anexação russa. As autoridades locais também se recusaram a reconhecer a legitimidade do novo governo central em Kiev, que depôs o presidente Viktor Ianukovitch no último dia 22 de fevereiro.

Milhares de soldados, aparentemente sob o comando russo, tomaram o controle das bases militares ucranianas por toda a Crimeia na semana passada. O Parlamento russo havia aprovado a intervenção militar na Ucrânia, mas Pútin negou que as tropas tivessem sido enviadas e se referiu aos soldados mascarados como “milícia local”.

O referendo estava originalmente programado para 25 de maio, mesma data em que acontecerão as eleições presidenciais antecipadas da Ucrânia.

 

Publicado originalmente pelo The Moscow News;

Fonte: Voz da Rússia

 

Categories
Defesa Sistemas de Armas

Vladivostok – no mar!

Rustam, Moscou

Tradução e adaptação: E.M.Pinto

Porte Hélicoptère por OuestFranceFR

Em 05 de Março de 2014 em Saint-Nazaire, o BPC (LHD) Vladivostok teve o seu  primeiro acesso ao mar para testes de mar executado pelo estaleiro francês STX France, o navio porta helicóptero e desembarque de doca Russo é o primeiro navio da classe  Mistral de um total de dois encomendados no âmbito do contrato de 2011. 
Imagem do Navio Desembarque Doca “Vladivostok” vai para os testes no mar de fábrica. Saint-Nazaire, 2014/03/05 (c) liberation.fr

Categories
Conflitos Defesa Geopolítica

Pentágono decide aumentar número de caças em países bálticos

f-15, f-15s, caças, eua, países bálticos, reforço, ucrânia, crise política

Foto: EPA

Em meio aos acontecimentos na Ucrânia, o Pentágono pretende mais que dobrar o número de caças F-15S destinados a patrulhar o espaço aéreo sobre a Estônia, Letônia e Lituânia, anunciou um representante do estabelecimento de defesa norte-americano.

Aos quatro jatos que cumprem a missão da OTAN nos Estados Bálticos, serão adicionados outros seis e um avião de reabastecimento KC-135. O incremento de forças, como se prevê, ocorrerá já esta semana.

O secretário de Defesa dos EUA, Chuck Hagel, disse quarta-feira em uma audiência no Congresso que o Pentágono iria expandir a cooperação militar com a Polônia e os países bálticos, devido à crise política na Ucrânia.

Fonte: Voz da Rússia

Categories
Conflitos Geopolítica

Diplomatas debatem solução para crise na Ucrânia em negociações em Paris

UE prepara pacote de auxílio de US$ 15 bilhões para a Ucrânia, mesmo total oferecido por Moscou a líder deposto Yanukovych

As bases para uma possível solução diplomática na Ucrânia surgiram nesta quarta-feira enquanto importantes autoridades russas e do Ocidente tentaram pôr fim a uma das piores crises na Europa desde a Guerra Fria. A União Europeia (UE) preparou um pacote de auxílio de US$ 15 bilhões para a Ucrânia, e os diplomatas europeus e ucranianos elaboraram formas para que todos os lados pudessem evitar um novo conflito global.

Alerta: Rússia ameaça confiscar bens estrangeiros se sofrer sanção do Ocidente

AP

Secretário de Estado dos EUA (D) e chanceler russo, Serguei Lavrov, se reúnem na residência do embaixador da Rùssia em Paris

Negócio paralelo: Navio de guerra fabricado na França zarpa com destino à Rússia

Apesar disso, tudo depende da Rússia, cujas tropas continuam na estratégica Península da Crimeia e que vê a Ucrânia como uma parte crucial de seu quintal geopolítico. O ministro de Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, rejeitou se encontrar com seu homólogo ucraniano em uma dia de negociações em Paris nesta quarta-feira, de acordo com um graduado diplomata francês.

O que está em jogo na crise entrou em uma rápida escalada desde a fuga no mês passado do presidente pró-Rússia Viktor Yanukovych depois de meses de protestos de rua e da tomada de controle da Crimeia pela Rússia. A Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) está abordando a situação da Ucrânia diretamente com a Rússia em uma reunião extraordinária em Bruxelas da aliança militar, originalmente criada como um contrapeso à União Soviética.

Entenda: Saiba quais são os interesses da Rússia na região da Crimeia

Leia: Saiba quais são as opções do Ocidente para lidar com a crise da Ucrânia

A Rússia está aberta à mediação internacional, mas um grande obstáculo tem sido a recusa de Moscou de reconhecer o novo governo ucraniano, muito menos sentar à mesa com eles, disse o diplomata francês. Ele descreveu os elementos diplomáticos que surgiram nesta quarta-feira como um “trabalho em andamento”.

 Criança brinca perto de soldado russo (D) enquanto soldados ucranianos observam do outro lado do portão de base em Perevalne, Crimeia (4/3). Foto: AP
1/14
 O chanceler britânico, William Hague, afirmou que uma demanda-chave era que o Exército russo recuasse para suas bases no Mar Negro para mostrar que refreava a escalada, mas ele não pressionou por um ultimato para quinta-feira, como diplomatas europeus inicialmente alertaram.

Kerry: Rússia tenta criar pretexto para invadir ainda mais a Ucrânia

Para ajudar a Ucrânia: EUA preparam pacote de US$ 1 bilhão

À beira do colapso econômico, a Ucrânia acusou a Rússia de uma invasão militar depois que as tropas pró-Rússia tomaram o controle da Crimeia no sábado, posicionando forças ao redor de seu terminal de balsas, bases militares e postos de fronteira. Moscou vem ameaçando Kiev de que porá fim aos descontos que dá em seu fornecimento de gás natural.

A oferta desta quarta feita pela UE se equipara ao pacote de resgate oferecido pelo Rússia a Yanukovych, que começou a enfrentar protestos em novembro depois abriu mão de um amplo acordo comercial e econômico com a UE para se aproximar de Moscou.

Putin: Houve golpe na Ucrânia e Rússia tem direito de usar a força se necessário

Mais tarde, a UE congelou os bens de 18 pessoas consideradas responsáveis por apropriação indébita de fundos estatais na Ucrânia, ecoando uma ação similar na Suíça e na Áustria. A divulgação da lista, que provavelmente teve como alvo funcionários no governo deposto ou empresários relacionadas a ele, ficou retida até quinta para evitar que qualquer um deles retire os fundos no último minuto.
Na Espanha antes de encontros planejados com o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, em Paris, o chanceler russo alertou contra o apoio ocidental ao que Moscou considera um golpe. Para ele, isso poderia encorajar a tomada de poder em outros lugares do mundo.

*Com AP

Fonte: Último Segundo

Categories
Conflitos Geopolítica

Rússia ameaça confiscar bens estrangeiros se sofrer sanções por ação na Ucrânia

Chefe do comitê de legislação russo, Andrei Klishas, diz que eventual punição da UE e dos EUA contra o país será recíproca

Senadores russos devem adotar uma lei que permitirá o confisco dos bens de empresas e pessoas físicas da Europa e dos Estados Unidos em solo russo caso a União Europeia imponha sanções à Rússia pela crise na Ucrânia, disse nesta quarta-feira o chefe do Comitê de Legislação Constitucional do Senado, Andrei Klishas, autor do projeto.

Hoje: Navio de guerra fabricado na França zarpa com destino à Rússia

AP

Vladimir Putin, no topo à direita, lidera reunião na casa presidencial, que fica próxima de Moscou

 

Putin: Houve golpe na Ucrânia e Rússia tem direito de usar a força se necessário

Andrei Klishas disse que o projeto “ofereceria a oportunidad de que o presidente y o governo defendam nossa soberania perante as ameaças”, segundo a agência estatal de notícias RIA Novosti.

Veja a presença russa na Crimeia, Ucrânia:

 Soldado pró-Rússia bloqueia base naval na vila de Novoozerne, Crimeia, na Ucrânia (3/3). Foto: AP
1/13

Leia: Saiba quais são as opções do Ocidente para lidar com a crise da Ucrânia

EUA: possíveis sanções

O presidente americano, Barack Obama, disse na segunda-feira (3) que cogita opções econômicas e diplomáticas para isolar a Rússia. Obama convocou o Congresso para trabalhar em um pacote de ajuda à Ucrânia. Os EUA afirmaram ter ainda uma ampla gama de opções para agir contra a Rússia caso as tensões sobre a Ucrânia aumentem.

“Ao longo do tempo isso será custoso para a Rússia. E agora é o momento para eles considerarem se podem cumprir seus interesses por meio da diplomacia e não pela força”, disse Obama.

Aviso: EUA preparam sanções contra a Rússia, diz Obama

O presidente americano afirmou também que a Rússia está “do lado errado da história” e que a intervenção militar do país na Ucrânia viola a soberania ucraniana e o direito internacional . Ele acrescentou que Moscou já foi alertada de que o governo dos EUA vai buscar uma série de sanções econômicas e diplomáticas para isolar a Rússia.

A União Europeia também ameaçou tomar “medidas específicas”, a menos que a Rússia recue e abra negociações com o novo governo da Ucrânia.

Ocupação na Crimeia

Na segunda-feira, ficou claro que a Rússia tem o controle operacional completo da Crimeia. Soldados russos controlam os postos fronteiriços da região, bem como todas as instalações militares no território. Tropas também controlavam um terminal de balsas na cidade de Kerch. Isso intensificou os temores em Kiev de que Moscou poderia avançar para o restante da Ucrânia.

Crise na Ucrânia: Punição a presidente russo é teste para Obama

O porta-voz da autoridade de fronteira Sergei Astakhov disse que os russos exigiam que soldados ucranianos e guardas transferissem a lealdade à Rússia. “Os russos estão se comportando de forma muito agressiva”, disse. “Eles estão quebrando tudo e cortando todas as comunicações”, afirmou.

Segundo Astakhov, quatro navios militares russos, 13 helicópteros e oito aviões de carga tinham chegado à Crimeia em violação ao acordo que permite que a Rússia mantenha sua Frota no Mar Negro. Ela tem uma base na região da Crimeia, mas o envio de forças adicionais à base é limitado.

*Com informações da AP, Reuters e informações da CNN

Fonte: Último Segundo

Categories
Geopolítica

Obama enfrenta revolta de diplomatas por gafes de indicados a embaixador

Alessandra Corrêa

De Nova York para a BBC Brasil

 

Atualizado em  28 de fevereiro, 2014 – 14:48 (Brasília) 17:48 GMT
Foto: AFPTradição americana de recompensar doadores de campanha com postos diplomáticos resiste

Uma série de declarações que revelam ignorância de futuros embaixadores – indicados pelo presidente Barack Obama – sobre os países onde vão atuar vem causando constrangimento à diplomacia americana.

Os protagonistas desses episódios têm em comum a falta de experiência diplomática e o fato de serem grandes doadores para a campanha de reeleição de Obama, no segundo caso, uma tradição no país.

A American Foreign Service Association (AFSA), entidade que representa mais de 16 mil diplomatas de carreira, realizará na próxima semana uma reunião para decidir se manifesta oficialmente oposição a essas nomeações.

Caso decida agir publicamente, será uma atitude rara, a primeira vez desde o início dos anos 1990.

“Vamos decidir se realmente queremos nos envolver e, caso a resposta seja positiva, de que maneira vamos agir, se com uma declaração sobre indivíduos específicos ou um comentário sobre o sistema como um todo”, disse à BBC Brasil um dos diretores da AFSA, Ásgeir Sigfússon.

Requisitos

A associação também acaba de publicar um manual com pré-requisitos que deveriam ser levados em conta na indicação e confirmação de candidatos a chefe de missão.

São qualificações que poderiam ser consideradas óbvias, como ter conhecimento de relações internacionais e do país em questão – além dos principais interesses dos EUA na região -, mas que faltam a nomeados recentes.

Desde o mês passado, pelo menos três casos ganharam manchetes devido ao desconhecimento demonstrado pelos escolhidos sobre os países nos quais deverão representar os EUA.

Ao ser sabatinada pela Comissão de Relações Exteriores do Senado, a produtora de telenovelas Colleen Bell, indicada para comandar a embaixada americana na Hungria, não conseguiu responder quais os interesses estratégicos dos EUA naquele país.

O futuro embaixador em Buenos Aires, Noah Bryson Mamet, reconheceu que nunca foi à Argentina.

O nomeado para a embaixada em Oslo, George Tsunis, um executivo do setor hoteleiro, demonstrou não saber que o país para onde será enviado é uma monarquia constitucional. Ele também descreveu o Partido do Progresso como um elemento “à margem, responsável por um discurso de ódio”, e afirmou que “a Noruega havia denunciado o partido”, cujo discurso anti-imigração é notório.

Foto: APWalter Mondale é considerado um bom exemplo de indicação política para uma embaixada

Após a declaração, ele foi informado pela segunda vez pelo senador republicano John McCain de que o partido faz parte da coalizão de governo, o que poderia provocar imediatamente um constrangimento entre EUA e Noruega.

Em seguida, Tsunis tentou se corrigir, dizendo que a sociedade norueguesa prezava pelo direito a livre expressão e havia sido rápida em criticar o discurso de ódio do partido.

Tradição

Diferentemente da maioria das grandes potências, os EUA adotam a prática de recompensar aliados e doadores de campanha com postos diplomáticos, em uma tradição que resiste, apesar das críticas.

“Infelizmente, é uma prática comum em ambos os partidos (Democrata e Republicano)”, disse à BBC Brasil o diplomata Ronald Neumann, ex-embaixador dos EUA no Afeganistão e presidente da American Academy of Diplomacy (Academia Americana de Diplomacia).

Ao assumir o poder, em 2009, Obama falou em mudar a prática, dando preferência a diplomatas de carreira.

No entanto, segundo dados da AFSA, diplomatas de carreira respondem por apenas 47% das nomeações feitas em seu segundo mandato – entre elas a de Liliana Ayalde, embaixadora em Brasília, que tem mais de 30 anos de experiência.

Os outros 53% foram nomeações políticas, de aliados e doadores de campanha. Segundo a AFSA, isso representa um aumento em relação à média histórica, que é de 30% de indicações políticas e 70% de diplomatas de carreira.

A Casa Branca tem rebatido as críticas dizendo que ter doado recursos para a campanha do presidente “não garante um emprego no governo, mas não o impede de conseguir um”.

Mas críticos afirmam que esses nomeados, em muitos casos, não têm preparo e acabam envergonhando os EUA e colocando em risco os interesses americanos.

Qualificações

Neumann ressalta que o importante não é que os embaixadores sejam diplomatas de carreira, mas sim que tenham as qualificações necessárias para exercer a função.

Foto: AFPA embaixadora americana em Brasília, Liliana Ayalde, ao lado da presidente Dilma, é uma diplomata de carreira

Ao longo dos anos, os EUA tiveram casos de sucesso entre embaixadores que não eram diplomatas. A Casa Branca ressalta exemplos como o do ex-vice presidente Walter Mondale, que ocupou o cargo no Japão, e o de Robert Sargent Shriver, na França.

Mas há também diversos escândalos, como o caso de um embaixador dos EUA na Dinamarca obrigado a deixar o cargo por manter prostitutas na residência oficial e o de uma embaixadora enviada por Obama a Luxemburgo, que renunciou após um relatório denunciar seus gastos excessivos em bebidas e viagens e seu estilo de gestão “hostil e agressivo” e “sem senso de direção”.

Alguns defensores das indicações políticas afirmam que é uma vantagem ter um embaixador próximo ao presidente.

Neumann, no entanto, discorda. “A maioria dos indicados políticos não são realmente próximos do presidente. Eles doaram dinheiro, mas isso não significa que seus telefonemas serão prontamente atendidos”, afirma.

Segundo o diplomata, é provável que alguns dos nomeados busquem se educar e consigam desempenhar a tarefa com sucesso.

“Mas outros não. É um trabalho de muita responsabilidade”, afirma.

Ele observa que o Departamento de Estado costuma fazer um esforço para que esses embaixadores que não são diplomatas de carreira tenham profissionais qualificados trabalhando a seu lado.

Mas ele faz uma comparação com o setor privado: “Não conheço nenhum negócio no mundo em que você contrata um gerente sem que ele precise ser competente, só porque pode contar com seus funcionários”.

Fonte: BBC Brasil

Categories
Brasil Defesa Destaques Patrulheiros Sistemas de Armas Vídeo

Vídeo: P-3AM da Força Aérea Brasileira em missão de guerra antissubmarina (ASW)

[embedplusvideo height=”395″ width=”650″ editlink=”http://bit.ly/1gT1mDg” standard=”http://www.youtube.com/v/IoJowwQlDNY?fs=1″ vars=”ytid=IoJowwQlDNY&width=650&height=395&start=&stop=&rs=w&hd=0&autoplay=0&react=1&chapters=&notes=” id=”ep3387″ /]