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Ucrânia acusa Rússia de dar ultimato a seus navios na Península da Crimeia

Embarcações da Marinha russa estacionadas em Sevastopol, na Península da Crimeia – Foto: Arquivo

O Ministério da Defesa da Ucrânia disse por meio de um porta-voz que a Marinha russa deu um ultimato a dois navios de guerra ucranianos nesta segunfa-feira, 2. O governo russo negou a acusação, que qualificou de ” sem sentido”.

De acordo com os militares ucranianos, ao menos quatro navios de guerra russos no porto de Sevastopol, na Península da Crimeia – região de maioria russa considerada estratégica para o Kremlin -, bloquearam a passagem das embarcações Ternopil e Slavutych. A tripulação foi informada de que se não se rendesse, os navios ucranianos seriam invadidos e apreendidos.

Uma situação similar, segundo a rede de TV americana CBS, ocorreu em uma base aérea ucraniana na Crimeia. Soldados russos exigiram que os militares ali concentrados deixassem o local ainda nesta segunda-feira.

Mais cedo, a agência russa Interfax noticiou que o comandante da frota russa no Mar Negro Alexander Vitko deu um ultimato de rendição a todas as forças militares na Crimeia até a meia-noite de hoje no horário de Brasília. O governo ucraniano, por sua vez, negou a existência desses ultimatos e sustenta que o único alerta foi feito aos dois navios do porto de Sevastopol.

Controle. Ao longo da manhã, tropas russas expandiram seu controle sobre a Crimeia. Soldados ocuparam um terminal marítimo em Kerch e caças Sukhoi violaram o espaço aéreo ucraniano, que tinha sido fechado na noite de domingo.

O terminal marítimo é o principal ponto de ligação entre a Crimeia e o litoral russo no Mar Negro e pode ser crucial para um eventual desembarque de tropas em uma possível ação militar. Ele foi ocupado durante a madrugada por soldados e veículos armados russos. Na cidade vizinha de Nikolaiev, moradores relataram a chegada de mais tropas russas durante a noite.Em Sevastopol, o serviço de telefonia foi cortado em algumas áreas da cidade.

Jatos de combate russos violaram duas vezes o espaço aéreo da Ucrânia sobre o Mar Morto durante a noite, informou o Ministério da Defesa da Ucrânia. A Força Aérea do país identificou um jato Sukhoi SU-27 e disse ter prevenido quaisquer “ações provocativas”.

A Rússia controlou militarmente a península sem disparar um só tiro. O temor agora no governo interino ucraniano e nos países ocidentais é o de que o presidente Vladimir Putin pretenda expandir o controle sobre áreas de etnia russa no sul e leste da Ucrânia, depois da derrubada do presidente pró-Rússia Viktor Yanukovich, no mês passado. Fontes do governo americano acreditam que os russos já controlam militarmente toda a Crimeia, com mais de 6 mil homens na região.

Reação. O primeiro-ministro da Ucrânia Arseni Yatsenyuk insistiu em reunião com o secretário do Exterior britânico, William Hague, que a Crimeia ainda faz parte do território do país. “Qualquer tentativa russa de anexar a Crimeia não terá sucesso. Mas precisamos de tempo”, disse o premiê. “Precisamos de apoio tangível e real de nossos parceiros ocidentais.”

Yatsenyuk se mostrou refratário a uma escalada militar do impasse. “Por enquanto, nenhuma opção militar está na mesa” declarou o líder ucraniano. “Sou partidário de uma solução diplomática dessa crise, porque um conflito traria instabilidade à toda região.”

AP e REUTERS

 

Fonte: Estadão

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Obama diz que Rússia violou lei internacional ao intervir na Ucrânia

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WASHINGTON, 3 Mar (Reuters) – O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou nesta segunda-feira que a Rússia violou a legislação internacional após a intervenção militar na Ucrânia e disse que o governo dos EUA tem alertado que vai buscar uma série de sanções econômicas e diplomáticas que isolarão Moscou.

O presidente russo, Vladimir Putin, precisa permitir que monitores internacionais medeiem de um acordo na Ucrânia que seja aceitável por todos os ucranianos, disse Obama a jornalistas antes de se reunir com o premiê israelense, Benjamin Netanyahu.

“Ao longo do tempo isso será custoso para a Rússia. E agora é o momento para eles considerarem se podem cumprir seus interesses através da diplomacia e não pela força”, disse Obama.

(Por Mark Felsenthal, Roberta Rampton e Matt Spetalnick)

Fonte: Reuters

EUA dizem que estão preparando sanções contra Rússia por Ucrânia

ASHINGTON, 3 Mar (Reuters) – Os Estados Unidos têm uma ampla gama de opções disponíveis para agir contra a Rússia se as tensões sobre a Ucrânia aumentarem e Washington está atualmente preparando sanções contra Moscou, afirmou uma porta-voz do Departamento de Estado dos EUA nesta segunda-feira.

“Neste momento não estamos considerando apenas sanções diante das ações que a Rússia está tomando, provavelmente vamos colocar essas medidas em prática e estamos preparando isso”, disse a porta-voz do Departamento de Estado, Jen Psaki, a jornalistas. “Temos uma ampla gama de opções disponíveis.”

(Por Lesley Wroughton)

Fonte: Reuters

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UE apela por mediação com a Rússia sobre a Ucrânia

russiaBRUXELAS, 3 Mar (Reuters) – Ministros das Relações Exteriores da União Europeia pressionarão na segunda-feira por uma mediação para se resolver a crise criada pela invasão da Crimeia pela Rússia, enquanto ameaçam com a possibilidade de sanções se a Rússia não recuar.

Em conversações de emergência convocadas depois que o presidente russo, Vladimir Putin, tomou a península da Crimeia e disse que tem o direito de invadir a Ucrânia, os ministros buscarão um equilíbrio entre pressionar Moscou e encontrar uma maneira de acalmar a situação.

Alemanha, França e Grã-Bretanha, as nações mais poderosas da UE, defendem a mediação, possivelmente por meio da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), embora não descartem medidas econômicas se Moscou não cooperar.

“Será mais importante do que nunca não cair no abismo de uma escalada militar”, disse o ministro alemão Frank-Walter Steinmeier a jornalistas ao chegar para o encontro em Bruxelas.

A tomada da Crimeia criou a situação de maior confronto entre a Rússia e o Ocidente desde o colapso da União Soviética em 1991, um evento que certa vez Putin descreveu como a maior catástrofe geopolítica do século 20.

O ministro das Relações Exteriores francês, Laurent Fabius, disse que a França pressionará em dois frontes: “Há a condenação da intervenção russa e há a necessidade por mediação, por diálogo.”

Um esboço do comunicado que os ministros da UE farão, visto pela Reuters, usa a frase “forte condenação” e apela para a Rússia retirar imediatamente suas tropas. A linguagem “medidas focadas” contra a Rússia permanece entre parênteses, significando que ainda não há um acordo sobre isso entre todos os países membros.

Mas os governos da UE concordaram durante as conversas preparatórias em suspender discussões com a Rússia sobre vistos, imediatamente ou depois de dar a Moscou algum tempo para aliviar o conflito com a Ucrânia.

Fonte: Reuters

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Dmitri Medvedev: Rússia precisa de uma Ucrânia forte e estável

ucrânia, rússia, crise política, economia, finanças, dmitri medvedev, estado forteFoto: AFP

A Rússia está disposta a desenvolver relações com a Ucrânia, mas não com o grupo de pessoas que tomaram o poder em violação da Constituição e outras leis do seu Estado. Assim escreveu no Facebook o primeiro-ministro russo Dmitri Medvedev. Ele ressaltou que, embora “a autoridade de Viktor Yanukovich seja quase insignificante”, ele ainda é o presidente legítimo.

Além disso, as regiões do sudeste da Ucrânia recusam-se a reconhecer o novo governo, na véspera ocorreram lá manifestações em massa. E o número de militares ucranianos que prestaram juramento de fidelidade ao povo da Crimeia aumentou quase o dobro em 24 horas e ultrapassou 3 mil pessoas.

A República Autônoma da Crimeia (RAC) e as regiões do sudeste da Ucrânia que não suportam o novo governo continuam a lutar pelos seus direitos. Na véspera, na cidade de Odessa foi realizada uma marcha de carros com as bandeiras da Rússia, Odessa e da vitória (na Segunda Guerra Mundial). Os participantes apelaram aos militares a não agir contra o povo.

Um comício de milhares de manifestantes contra o novo governo ocorreu em Donetsk, onde o governo local aprovou o russo no estatuto de língua oficial. Agora, está decorrendo a coleta de assinaturas para realizar um referendo sobre o estatuto da região de Donbass.

Agências de aplicação da lei também estão tomando o lado dos habitantes e das autoridades locais. A polícia de Carcóvia coloca em suas fardas fitas de São Jorge como um símbolo da defesa da cidade de radicais e da oposição do novo governo. Na Crimeia, mais de três mil militares ucranianos prestaram juramento de fidelidade aos habitantes da autonomia. Entre eles, o comandante da Marinha ucraniana Denis Berezovsky:

“Eu, Denis Viktorovitch Berezovsky, juro fidelidade ao povo da República Autônoma da Crimeia. Juro cumprir rigorosamente as ordens do Comandante Supremo da RAC e da cidade de Sevastopol, as ordens de comandantes de unidades e formações militares aprovados por ele, as exigências dos regulamentos militares. Juro cumprir dignamente o dever militar, proteger corajosamente a vida e a liberdade dos habitantes da RAC e da cidade de Sevastopol.”

Mais cedo, o presidente do Conselho Supremo da Crimeia Vladimir Konstantinov disse que a liderança da península não obedece a Kiev. Segundo ele, uma nova relação com o governo central será baseada nos resultados do referendo, no qual será decidida a questão de alterar o estatuto da Crimeia de autonomia para Estado. No caso da ampliação dos poderes da autonomia, nela poderá entrar também Sevastopol – como uma cidade de estatuto especial.

Os eventos que estão ocorrendo atualmente na península mostram que na realidade a Crimeia se está tornando cada vez mais independente, acredita o analista político Bogdan Bezpalko:

“Penso que os habitantes da Crimeia nunca irão aceitar as promessas e compromissos de Kiev. Kiev teve apenas uma oportunidade de resolver a situação – tomar o caminho da federalização, concordar com todos os líderes regionais que chegaram ao poder em Carcóvia e na Crimeia com uma condição: que eles mantivessem suas regiões dentro da Ucrânia. Mas o novo governo ucraniano está tomando uma atitude muito dura e com isso está apenas provocando as regiões para novas ações destinadas a reforçar a sua autonomia.”

O primeiro-ministro russo Dmitri Medvedev chamou o surgimento de um novo governo na Ucrânia de arbitrariedade, salientando que tal ordem será extremamente instável e que isso pode provocar um novo golpe. No entanto, como disse o primeiro-ministro, a Rússia está interessada numa parceria com uma Ucrânia forte e estável, mas não com um “primo pobre, sempre de mão estendida.”

Como disse o vice-premiê russo Arkadi Dvorkovich, Moscou tem esperança de uma rápida estabilização da situação na Ucrânia, porque só neste caso vale a pena esperar de Kiev um reembolso da assistência prestada. Mas de momento a economia do país está numa situação extremamente difícil, diz o diretor-geral do Conselho Financeiro e Bancário da Comunidade dos Estados Independentes Pavel Nefidov:

“Se compararmos a economia da Ucrânia com uma pessoa doente, então agora ela precisa de um analgésico, e depois disso há que começar um tratamento. Agora é necessária ajuda realmente urgente. Ela deve vir daqueles que apoiam o governo de Kiev. Quanto ao “futuro tratamento”, todos reconhecem que sem a Rússia este problema não é possível de resolver. Ou é possível somente através de injeções de grandes volumes de dinheiro da UE, o que é pouco provável de acontecer num futuro próximo.”

Segundo notou o especialista, nas atuais circunstâncias a economia do país pode ser salva somente por ações coordenadas de parceiros externos. As autoridades de muitas regiões da Rússia, em particular de Kaluga, Nizhny Novgorod, Orenburg, Stavropol e das montanhas de Altai, começaram a recolher fundos para ajudar o povo da Ucrânia.

Espera-se que esta semana vai começar a trabalhar em Kiev a missão do FMI, que deverá avaliar as necessidades econômicas do país. Falando do estado atual do tesouro do Estado, as novas autoridades dizem invariavelmente que ele está “quase vazio”.

Fonte: Voz da Rússia

 

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Tensão aumenta na Crimeia em meio a relatos de ‘ultimato’ da Rússia

Tropas bloqueiam acesso a uma base ucraniana na Crimeia, nesta segunda-feira (AFP)Relatos indicam que a Crimeia já está efetivamente sob controle russo

A Ucrânia disse que o Exército da Rússia deu nesta segunda-feira um ultimato às tropas do país na região da Crimeia (península no sul da Ucrânia), pedindo que elas se rendam até a 0h desta segunda-feira (hora de Brasília) ou enfrentem uma ofensiva russa.

O comandante da frota russa no Mar Negro, Aleksander Vitko, teria ameaçado realizar um ataque “através da Crimeia”. Vitko também teria ameaçado atacar dois navios de guerra ucranianos caso eles não se rendam até as 14h (hora de Brasília).

A alegação, no entanto, foi negada pela Rússia por meio de um porta-voz do quartel-general da Frota Russa no Mar Negro, na Crimeia, que qualificou a notícia de “tolice”.

Antes, o ministro russo das Relações Exteriores, Sergei Lavrov, havia prometido manter suas tropas na península para proteger os interesses e os cidadãos russos até que a situação política esteja “normalizada”.

Moscou tem no momento o controle efetivo da Crimeia – república autônoma ucraniana onde a maioria da população é de origem étnica russa -, apesar de o Ocidente condenar a medida como uma “violação da soberania da Ucrânia”.

Kiev, por sua vez, ordenou uma mobilização total de suas tropas para reagir à intervenção militar e acusa a Rússia de acumular tropas perto do território ucraniano, supostamente se preparando para um ataque.

O premiê interino, Arseniy Yatsenyuk, disse que qualquer tentativa russa de ocupar a Crimeia fracassaria.

Já Sergei Lavrov alega que a intervenção de seu país no vizinho é necessária por que a população de origem russa está sob “a ameaça de ultranacionalistas”.

Crise

O discurso de Lavrov aconteceu durante uma reunião do Conselho de Direitos Humanos da ONU em Genebra, voltado para destacar a política russa para a Síria. O chanceler começou dizendo que a intervenção militar para defender civis não funcionaria no país árabe.

Depois, porém, mudou de tom e voltou sua fala para a questão ucraniana, alegando que a ação russa visava proteger civis na Crimeia. Também advertiu contra sanções ocidentais contra Moscou – alegando que os mesmos países que propõem sanções foram os que polarizaram a sociedade ucraniana.

Na Crimeia, as bases militares ucranianas foram cercadas por tropas russas e outros grupos milicianos, exigindo que soldados ucranianos se entreguem.

O número de soldados russos parece superar, numericamente, o de soldados ucranianos.

Aeroportos e um terminal de balsas também foram ocupados, e a região está isolada – suas estradas ligando ao resto da Ucrânia foram fechadas por bloqueios.

O espaço aéreo do país havia sido fechado para aviões não-civis pelo governo interino ucraniano.

O Ministério da Defesa em Kiev afirmou ainda que jatos de caça russo cruzaram duas vezes a fronteira ucraniana pelo Mar Negro.

Há relatos de protestos no leste ucraniano, como na cidade de Donetsk, perto da fronteira russa, onde manifestantes pró-Rússia tomaram a sede do governo regional.

Diplomacia

No campo da diplomacia, chanceleres da União Europeia farão uma reunião de emergência em Bruxelas. Países como França e Alemanha têm pedido que se busque uma solução diplomática para o caso.

No domingo, o grupo do G7 (grupo formado por algumas das economias mais desenvolvidas do mundo) havia condenado a escalada militar de Moscou.

Em comunicado emitido pela Casa Branca, o grupo condenou “a clara violação russa da integridade soberana e territorial da Ucrânia”.

“Decidimos por enquanto suspender nossa participação em atividades associadas à preparação da cúpula do G8 na Rússia em junho”.

E o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, sugeriu sanções – como restrição a emissão de vistos a russos, congelamento de bens e retaliações comerciais – contra Moscou.

Ao mesmo tempo, o chanceler russo deve se reunir em Genebra com o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, para discutir a questão ucraniana.

Fonte: BBC Brasil

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Conflitos Geopolítica

A Rússia está certa ou errada na Ucrânia e na Síria?

Criticam muito a Rússia. E há enormes motivos, especialmente em questões de política doméstica. Em política externa, porém, os russos são realistas, defendem seus interesses e observam os riscos de alguns acontecimentos internacionais, como agora na Ucrânia e também na Síria. Vladimir Putin se posiciona de forma antagônica à atual administração de Barack Obama, que mantém um isolacionismo idealista, no caso da Ucrânia – na Síria, Obama está correto em manter distância e buscar uma saída diplomática.

Na Síria, por exemplo, a Rússia, corretamente, não caiu no conto das manifestações “pró-democracia”. Primeiro porque não ocorreu absolutamente nenhuma em Damasco até hoje (sim tiveram protestos populares pró-democracia em Hama). Isso mesmo que vocês leram. Os protestos na capital síria, no início da crise, reuniam centenas de milhares de pessoas a favor de Bashar al Assad. Em segundo lugar, porque a Rússia sabia da presença de radicalismo islâmico ligado à Al Qaeda entre os rebeldes. Para completar, Moscou considera a Síria sua zona de influência, com importante população cristã ortodoxa, um regime cliente na compra de armas e uma razoável comunidade russa.

Agora, imagine a Ucrânia, ex-integrante da União Soviética, com cerca de um quarto do país tendo o russo como primeira língua, e controlando metade do território? Era óbvio que Moscou não deixaria e não deixará barato. A Ucrânia é mais importante para a Rússia do que o Canadá para os EUA. E os russos conhecem como ninguém os meandros de Kiev.

Primeiro, a Rússia, desde o início, sabia dos riscos de apoiar os manifestantes cegamente na Ucrânia, frisando que parcela importante deles é fascista. Em segundo lugar, porque o presidente deposto Yanukovych foi eleito democraticamente em 2010. Não houve fraude. Ele não era um ditador como muitos dizem. Sem dúvida, era um governante com um desempenho ruim e acusações de corrupção. Não muito diferente de alguns na América do Sul.

Por último, Yanukovych tinha total direito de se aproximar mais da Rússia em detrimento de um acordo com a União Europeia. Afinal, o Brasil não fez o mesmo com o Mercosul, em vez de se aproximar da Aliança do Pacífico. Pode ser um erro político e econômico. Mas não um crime para merecer deposição. O melhor era votar contra ele nas urnas.

Certo, tiveram também as mortes de dezenas de pessoas nas ruas. Estas deveriam ter sido investigadas e os responsáveis punidos, inclusive Yanukovych. Mas noto que os EUA, por exemplo, seguem dando ajuda bilionária ao regime do general Sissi, no Egito, que não foi eleito e matou mais de mil, além de prender milhares.

A proposta de uma saída negociada, com convocação de eleições para o final do ano, era a melhor existente. Yanukovych aceitou. Mas os manifestantes hoje no poder, não. Agora a Ucrânia corre o risco de ter uma guerra civil ou mesmo o separatismo na Crimeia e outras áreas com maiorias étnicas russas. Por último, acho que chegou o momento de nos perguntarmos se protestos devem ter mais poder do que o voto.

Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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Fonte: Estadão

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Conflitos Geopolítica Inteligência

Timoshenko: Rússia declarou guerra à Ucrânia, EUA e Reino Unido

A ex-primeira-ministra da Ucrânia, Yulia Timoshenko, fez um discurso à população do país lembrando que Rússia, Estados Unidos e Reino Unido são fiadores da integridade territorial da Ucrânia desde 1994

Yulia Timoshenko em discurso na Praça da Independência após libertação em 22 de fevereiro Foto: AFP
Yulia Timoshenko em discurso na Praça da Independência após libertação em 22 de fevereiro
Foto: AFP

 Ao ocupar a Crimeia, a Rússia declarou guerra não apenas à Ucrânia, mas também aos Estados Unidos e ao Reino Unido, que são fiadores de sua soberania, declarou a ex-primeira-ministra Yulia Timoshenko em um discurso à nação.

“Vladimir Putin compreende que, ao nos declarar guerra, ela também é declarada aos fiadores de nossa segurança, ou seja, Estados Unidos e Reino Unido”, declarou Timoshenko em um vídeo disponível em seu site.

Rússia, Estados Unidos e Reino Unido são fiadores da integridade territorial da Ucrânia desde 1994, quando esta ex-república soviética renunciou às armas nucleares.

“Não acredito que a Rússia cruze esta linha vermelha. Se o fizer, perderá”, ressaltou a ex-primeira-ministra.

Timoshenko também considerou que a “agressão russa” teria sido impossível se a Ucrânia tivesse aderido antes à Otan.

Figura da Revolução Laranja pró-ocidental em 2004, Timoshenko foi libertada após a destituição do presidente Viktor Yanukovytch, seu adversário nas eleições presidenciais de 2010, no dia 22 de fevereiro.

Foi condenada em 2011 a sete anos de prisão por abuso de poder, em um julgamento considerado político por muitos observadores.

Timoshenko também disse que o lançamento da agressão russa era o resultado da nova revolução ucraniana, que colocou fim ao regime de Yanukovytch, a quem acusou de estar subordinado à Rússia.

“A Rússia não quis aceitar. Agora decidiu se apoderar da Ucrânia com uma intervenção armada”, completou.

Fonte: Terra

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Defesa Geopolítica Sistemas de Armas

Brigada aérea passa para o lado da Crimeia

Su-27-Ukraine

A 204ª brigada de caças da Força Aérea da Ucrânia, que conta com as aeronaves MiG-29 e L-39, passou para o lado das autoridades regionais, informou o governo da Crimeia.

Cerca de 800 soldados da base se juntaram ao “povo da Crimeia”. No total, no aeroporto de Belbek, encontram-se 45 caças e quatro aviões de treinamento, mas apenas quatro MiG-29 e um L-39 podem ser reparados.

Anteriormente, as autoridades da Crimeia notificaram que, sob sua liderança, estão mais de 5 mil soldados das tropas internas, do Serviço Nacional de Fronteiras e das Forças Armadas da Ucrânia.

Fonte: Voz da Rússia

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Defesa Negócios e serviços

Ucrânia manda navio de desembarque Zubr para China

Chinese-Zubr-Class-Landing-Craft-Air-Cushion-LCAC-NAVY-10O estaleiro ucraniano More (Mar) mandou às pressas para a China o segundo pequeno navio de desembarque  Zubr, projeto 12322, que tinha sido construído especialmente para este país.

O navio foi rebocado ao porto de Feodosiya, carregado numa plataforma flutuante e daí seguiu para a China.

Informa-se que o navio foi enviado às pressas em vista da ameaça da sua tomada ou danificação em resultado de eventuais operações militares. É possível que o navio não tenha sido submetido ao programa de testes, habitual neste caso, precisamente por causa da partida urgente.

Fonte: Voz da Rússia

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Defesa Opinião

Su 33 ou Mig 29K?

Su33Tradução e adaptação: E.M.Pinto

Ao ver o porta aviões chinês, CV-16 classe Liaoning em sua extensiva campanha de treinamento no oceano, uma das perguntas mais frequentes que vem a tona é inegavelmente acerca da escolha do vector principal da ala Aérea embarcada.

É de senso comum que a China tenha adquirido a capacidade de produzir os seus próprios caças derivados da família Su-30 , talvez por isso, ela não tenha recorrido a Rússia, na busca de um vector naval embarcado o que sobre cairia inevitavelmente na escolha do caça Mig 29K, atualmente único vector navalizado em produção na Rússia.

CV16

A questão hipotética aqui levantada neste artigo é o que levou a China a optar pela construção de um modelo próprio do Su-33(j-15) e não uma variante do MiG-29K? Ou ainda , de forma mais realista, por que optar por J-15 e não por uma versão navalizada do  J-10? Afinal, tanto a Índia quanto a Rússia escolheram o Mig-29K como seu caça naval.

MiG-29KUB5

Para responder a esta pergunta devemos retornar aos fanais dos anos 80 e início dos anos 90, a China planejava um amplo programa de  modernização da sua força aérea através da compra de uma aeronave de 4 ª geração da então União das repúblicas Socialistas Soviéticas. 

Naquela época, todos os especialistas davam como certa a aquisição do Mig-29 para reequipar a PLAAF, somava-se a isso o fato deque até então a China só havia operado caças de origem soviética , o que lhe tornava um tradicional cliente da então Mikoyan Gurevich, MIG.

Na verdade, o Su-27 nunca havia sido exportado antes disso. Contra todas as probabilidades, a PLAAF escolheu o Su-27 da Sukhoi ao invés do Mig-29, a razão teria sido baseada no seu maior alcance e maior potencial como um caça pesado. Até esse ponto, a China realmente não era capaz de projetar seu próprio avião de caça pesado tal como os modelos da família Flanker. 

Su332

Eis que surge um projeto chinês  cujo desenho culmina no atual caça J-10, vencedor de uma competição interna para o desenvolvimento de um caça de 4ª Geração, um caça monomotor cujas dimensões o colocavam entre o J-7 e J-8. 

Além disso, um acordo de transferência de tecnologias que viria a ser selado em função da produção licenciada do Su 27 daria a China praticamente tudo o que precisava para finalmente nacionalizar os seus flankers. Naquela alturadevido as conjunturas políticas e econômicas,a Rússia estava muito mais disposta a vender e ceder sua tecnologia. Esta tendência mudou drasticamente na última década como pode ser visto no envolvimento da Índia no projeto PAK-FA, a Rússia é agora muito mais “mesquinha” quando se trata de compartilhar sua tecnologia sensível. 

Porém a china pegou o gancho da história e o efeito desta ToT, pode ser visto na quantidade de caças J-11,  J-11B, e mais recentemente nos vectores 4,5G, J-15 e J-16. Ou ainda no projeto do caça de 5ªG J-20, cuja participação da SAC foi crucial.

Tão importante quanto isso, o Su 27 mudou a doutrina de PLAAF de uma “negação de ar” para uma doutrina de “superioridade aérea”. Como podemos ver com J-20 e J-31, a PLAAF tomou a decisão de seguir a doutrina Hi-lo para a próxima geração de aviões de combate.

Fora as vantagens óbvias, como capacidade de alcance / hora patrulha / multi-função, eu li que PLAAF acredita que ele estaria atrás dos seus oponentes ocidentais somente em relação aos 5G do modelo F-35. Segundo consta, houve uma competição entre o J-10 e J-11 para a escolha do caça naval de primeira geração, mas J-11 ₩ teria sido preterido justamente devido as vantagens que o Su-33 (j-15) teria sobre ele e que forma supra mencionadas.

Mig-29K

Gostaria de pensar que o caça naval de segunda geração provavelmente será um caça pesado também. Operando a partir de um Porta aviões como Varyag, apesar de que, devido as suas dimensões o J-15 pode sofrer  limitações nos seus perfis de descolagem. Até agora, temos visto o  J-15 com 2 SR-AAM e 2 LR-AAM, 2 SR-AAM e 2 AShMs, 2 SR-AAM e bombas. Temos ainda visto J-15 apenas carregando o pode de reabastecimento. Nenhum desses perfis é ideal para operações a partir do CV-16.

Sem vento contrário, o Su-33 pode tirar a partir da primeira e segunda posições descolagem com cerca de 28 toneladas. Ele também pode arrancar a partir da localização da terceira posição mas a popa do navio com 32 toneladas. É provável que à medida que mais experiências operacionais forem sendo acrescidas a PLAN, os caças possam decolar cada vez mais armados. Baseado no que vimos a partir de fotos típicas da PLAAF, as limitações stobar provavelmente não afetarão muito o J-15. Raramente vemos os J-11B, com mais de 6 AAM (4 LR + 2 SR) e os J-10 com mais de 4 AAM (2 LR + 2 SR). Essas configurações são bastante viáveis para o lançamento a partir posições de decolagem no CV-16. 

Fonte: China PLA

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Jatos de combate russos invadem espaço aéreo da Ucrânia

Helicópteros de combate e aviões de transporte russos aterrissaram na Crimeia

Jatos de combate russos violaram duas vezes o espaço aéreo da Ucrânia sobre o Mar Morto durante a noite, informou nesta segunda-feira a agência de notícias Interfax, citando o Ministério da Defesa. O ministério informou que a Força Aérea ucraniana identificou um jato Sukhoi SU-27 e preveniu quaisquer “ações provocativas”, sem dar detalhes.

Guardas fronteiriços ucranianos denunciaram hoje que os militares russos continuam chegando em massa à Crimeia, em violação dos acordos internacionais. Nas últimas 24 horas, 10 helicópteros de combate e oito aviões de transporte russos aterrissaram na Crimeia, sem que a Ucrânia fosse avisada, contrariando o que preveem os acordos entre os dois países sobre o estatuto da frota do Mar Negro russo, estacionada na Crimeia, segundo os quais Kiev deve ser informada com 72 horas de antecedência sobre estes movimentos de tropas.

Com informações da AFP.

REUTERS

 

Fonte: Terra

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Navios e aviões russos voltam para Cam Ranh vietnamita

Russia

Segundo anunciou o ministro russo da Defesa, Serguei Shoigu, dentro em breve, os vasos de guerra da Rússia poderão novamente atracar ao porto Cam Ranh, no Vietnã.

Será que se trata de criação de uma base naval ou de um posto de manutenção técnica para os navios russos? Tal posto existiu naquela localidade durante 23 anos e foi entregue à parte vietnamita em 2002.

O redator-chefe da revista Natsionalnaya Oborona (Defesa Nacional), Igor Korotchenko, opina:

“Não se trata, de forma alguma, de uma base naval. As conversações se têm centrado à volta de criação de um posto de manutenção técnica. A Rússia está interessada em que seus navios de superfície e submersíveis possam visitar regularmente o porto de Cam Ranh”.

Como é óbvio, tal será feito a fim de cumprir tarefas de abastecimento: completar as reservas de água potável e de víveres e, em caso de necessidade, fazer obras de manutenção e reparação. Além disso, os tripulantes poderão aproveitar a ocasião para descansar. O perito tem certeza de que, em virtude das relações de parceria intensas entre os dois países, inclusive os contratos prevendo a construção de submarinos e fragatas Hepard, não será difícil encontrar uma solução consensual que permita aos navios da Marinha de Guerra da Rússia entrar no porto daquela cidade vietnamita.

As negociações bilaterais focalizam ainda o uso do aeródromo de Cam Ranh em que poderão fazer escala e permanecer aviões-bomba para o abastecimento de aeronaves russas de longo percurso. Tais conversações estão sendo travadas também com Cuba, a Venezuela, a Singapura e outros Estados, adianta o nosso interlocutor:

“É que, nos próximos anos, deveremos proceder à modernização das Forças Navais da Rússia. Por outro lado, a Rússia tem vindo a reforçar a sua presença militar em várias regiões-chave, incluindo na região Ásia-Pacífico. Para assegurar uma atividade operacional da Marinha de Guerra e da Força Aérea serão necessários respectivos “pontos de apoio”.

Fonte: Voz da Rússia