Categories
Conflitos Economia Geopolítica

A Europa conseguiria viver sem o gás russo?

BBC Mundo

Usina de gás na Alemanha (AFP)A Europa obtém a maioria de seu gás e petróleo da Rússia e isso virou um problema para o continente

A Europa consome 70% do petróleo e 65% do gás exportado pela Rússia, país que se tornou uma dor de cabeça para o líderes do continente desde o início da crise na península da Crimeia, na Ucrânia.

A região aprovou em um referendo sua anexação à Federação Russa – que, por meio de um tratado assinado pelo seu presidente, Vladimir Putin, aceitou incorporar a região autônoma, até então parte do território ucraniano.

Isso levou a Europa e os Estados Unidos a aplicarem sanções comerciais e econômicas ao governo de Putin, e entre elas está a redução da importação de recursos energéticos.

Em teoria, a Rússia poderia retaliar com a interrupção completa do fornecimento de gás e petróleo aos países do bloco europeu, mesmo que isso signifique perder 54% das receitas com exportações do país.

Hoje, estas exportações financiam pouco menos da metade de todo o orçamento anual federal russo.

Mesmo que essa medida seja improvável, a crise já levou a Europa a buscar alternativas à Rússia. A BBC Mundo lista algumas delas:

Gás de xisto dos Estados Unidos

Em sua passagem por Bruxelas, na última quarta-feira, o presidente americano, Barack Obama, ofereceu ao continente um tratado comercial que permita a exportação de gás de xisto para substituir o gás fornecido pela Rússia.

Obama pede retirada de tropas russas

O presidente americano, Barack Obama, fez um apelo para que a Rússia retire suas tropas de áreas próximas à fronteira com a Ucrânia.

“Pode ser apenas algo para intimidar os ucranianos, ou a Rússia pode ter outros planos”, afirmou Obama entrevista concedida à emissora CBS News na quinta-feira.

O pedido vem após uma conferência da ONU considerar ilegais o referendo realizado na Crimeia, em que a anexação da península pela Rússia foi aprovada, e o tratado assinado pelo presidente Vladimir Putin, que incorpora a região à Federação Russa.

Nesta sexta-feira, Putin disse a militares reunidos no Kremlin que os eventos recentes na Crimeia são um “grande teste” para as Forças Armadas russas e que seu profissionalismo ajudou a assegurar a paz na península.

Obama, por sua vez, fez um alerta a Putin durante a entrevista dizendo que o presidente russo “não deve retomar práticas que eram muito comuns durante a Guerra Fria”.

Estima-se que os EUA se tornarão, em 2020, o principal produtor de gás de xisto do mundo e, assim, poderia exportar esses recursos ao continente sem dificuldades.

Mesmo assim, Obama advertiu: “A Europa tem que usar melhor seus recursos naturais para não depender de ninguém”.

Um dos problemas com essa alternativa é a técnica de produção deste tipo de gás e petróleo, conhecida como “fracking”, que é condenada por ambientalistas por usar produtos químicos para sua extração das rochas, o que poderia afetar o subsolo.

Em janeiro, a Comissão Europeia recomendou, por meio de uma resolução, que os países-membros do bloco legislem sobre a questão.

Na Europa, mas de fora do bloco, o Reino Unido parece já ter tomado sua decisão. Na última quinta-feira, o primeiro-ministro britânico David Cameron disse que “a extração de gás de xisto deve se tornar o ponto número um da agenda energética” do país, mas esclareceu que a ilha não depende do gás russo.

Gás e petróleo da Argélia e do Catar

Usina de gás na Argélia (AFP/Getty)O gás produzindo na Argélia tem a vantagem de não ser alvo de protestos de ambientalistas

Os dois países tinham, até agora, um papel importante no mapa energético europeu, mas não eram seus protagonistas.

Hoje, a Argélia é o terceiro maior fornecedor de gás para a Europa. Na Espanha, 36% do consumo é abastecido pelo país africano.

Além disso, a Argélia tem uma vantagem: o produto do país é conhecido como gás natural líquido, ou GNL, que não sofre a resistência ambiental do combustível obtido por meio do “fracking”.

O Catar está na mesma posição vantajosa, porque é o maior produtor mundial de GNL e hoje é um importante parceiro da Europa. Mas o Catar tem um sério empecilho: um de seus principais gasodutos passa pela Síria e foi afetado pela guerra no país árabe.

“O problema de depender de países de fora do continente é que não temos influência sobre sua situação política, que muitas vezes é volátil, como é o caso atual da Síria, Argélia e de outros países do Oriente Médio”, afirmou Jacopo Moccia, diretor de assuntos políticos da Associação Europeia de Energia Eólica (EWEA).

Energia eólica

Usinas eólicas (Getty)A Europa quer obter 30% de sua energia a partir do vento até 2030

Segundo dados da EWEA, espera-se que até 2030 cerca de 30% da energia consumida no continente venha do vento.

Mas há um problema: a energia eólica só serve, até o momento, para ser transformada em energia elétrica.

“Somos uma tecnologia barata, madura e competitiva na Europa”, disse à Moccia. “Ainda assim, é fundamental que se deixe de importar combustíveis fósseis como gás e petróleo para desenvolver ainda mais essa fonte de energia.”

Hoje, 8% da eletricidade da Europa vem da energia eólica, mas isso varia bastante no continente: enquanto a Dinamarca obtém 30% da sua energia elétrica desta forma, Malta não a usa.

“Os países precisam diversificar suas fontes de energia. Essa crise é uma oportunidade para isso”, agregou Moccia.

Energia nuclear

Nuclear plant in France (AFP/Getty)Um terço da energia consumida na Europa vem de usinas nucleares

A Rússia é o principal produtor de urânio enriquecido, que é fundamental na produção de energia nuclear, e também o principal fornecedor desta matéria-prima para a Europa, onde hoje 132 reatores nucleares produzem um terço da energia do continente.

A Rússia já fez uma ameaça quanto a isso. “Tendo em vista as medidas tomadas contra o governo russo, os contratos atuais poderiam ser cancelados”, afirmou o presidente da empresa estatal nuclear russa Rosatom, Sergei Kiriyenko.

Além disso, após o desastre nuclear de Fukushima, no Japão, em 2011, cidadãos de diversos países europeus protestaram pedindo o fechamento de reatores. A Alemanha, por exemplo, fechou diversas centrais nucleares.

Fonte: BBC Brasil

Categories
Defesa Sistemas de Armas Tecnologia

Rússia anuncia planos de criação de novo avião de transporte militar

Isso mesmo, é o Y-20, mas a imagem é puramente ilustrativa

Para especialistas, notícia vem em boa hora. “O IL-76 foi modernizado, mas é barulhento, tem equipamentos antigos. A quantidade de aviões An-12 é mínima. A Rússia precisa de um novo avião de transporte”, disse o coronel Ígor Málikov, que possui a condecoração de Herói da Rússia.

A Rússia começou a desenvolver um novo tipo de avião de transporte militar. O projeto recebeu o nome Pak Ta . A nova aeronave será vendida principalmente ao Ministério da Defesa da Rússia.

De acordo com Víktor Livanov, diretor-geral da empresa Il, que vai desenvolver o novo avião, o projeto deverá ser concluído até o final da próxima década.

“O projeto ainda não tem um nome exato”, disse Livanov. “As caraterísticas técnicas do novo avião serão determinadas após consultas com os potenciais clientes.”

Os especialistas russos afirmam que o avião de transporte militar utilizado hoje está desatualizado. De acordo com o coronel Ígor Málikov, que possui a condecoração de Herói da Rússia, a criação do novo avião Pak Ta é muito importante.

“O IL-76 foi modernizado, mas é barulhento, tem equipamentos antigos. A quantidade de aviões An-12 é mínima. A Rússia precisa de um novo avião de transporte”, diz Málikov.

Segundo ele, as tecnologias modernas e a modelagem computacional permitem desenvolver o avião nos prazos supracitados. “No entanto, a criação de um novo motor é um trabalho muito mais difícil do que a construção do novo avião”, diz Málikov.

“Em primeiro lugar, o novo avião deverá ser econômico e silencioso, porque a Rússia vai vender o novo produto para o exterior. Os compradores estrangeiros prestam muita atenção nesses parâmetros. Além disso, é preciso avaliar qual será o volume de mercadorias transportadas para determinar o tamanho da fuselagem do novo avião.”

De acordo com o piloto de teste Mikhail Markov, os critérios para a nova aeronave devem ser elaborados pelos institutos de pesquisa. “É óbvio que é impossível criar um avião completamente novo e perfeito em poucos anos”, diz Markov.

Segundo ele, é incorreto modernizar os aviões antigos ou criar um produto completamente novo. “Ambas variantes são erradas. Você não pode desenvolver um produto bom e esperar 30 anos para criar um novo. É preciso realizar uma modernização gradual e constante. As instituições científicas têm tudo para fazer esse trabalho”, completou Markov.

De acordo com o presidente da Comissão da Aviação Civil do Conselho Público do Serviço Federal de Supervisão de Transporte, Oleg Smirnov, antes de começar o desenvolvimento do novo avião, é preciso estudar minuciosamente a demanda. Segundo ele, a empresa Il  ainda não fez esse trabalho. “As informações sobre o novo avião deveriam ser divulgadas após as primeiras encomendas”, disse Smirnov.
Fonte: Gazeta Russa

Categories
Conflitos Tecnologia

Golfinhos serão usados como arma pela Marinha russsa na Crimeia

Golfinhos serão usados como arma pela Marinha russsa na Crimeia  Com a reunificação da Crimeira, os golfinhos “militares” da península passarão a servir a Marinha da Rússia: o Oceanário Estatal de Sebastopol está se preparando para iniciar os treinos dos animais conforme novos programas, de acordo com interesses da frota russa.

Antes, golfinhos e leões-marinhos eram treinados seguindo instruções da Marinha da Ucrânia. Após a desintegração da URSS, os programas de treinamento foram reiniciados por militares ucranianos apenas em 2012. Agora, com a adesão da Crimeia à Federação da Rússia, tanto o oceanário como os golfinhos se tornaram propriedade do país.

“Os engenheiros do oceanário estão elaborando novos aparelhos para treinar os golfinhos de modo mais eficaz”, disse o funcionário, especificando que golfinhos e leões-marinhos vão procurar equipamentos técnicos militares submersos, além de localizar mergulhadores de combate.

Atualmente existem apenas dois centros de preparação de golfinhos “militares” no mundo, em uma base militar de San Diego (EUA) e em Sebastopol, na Crimeia.

A fonte comunicou ainda que o equipamento militar atualmente usado em animais já se tornou antiquado.

“Nossos especialistas trabalharam na elaboração de novos aparelhos que transformam a detecção do alvo subaquático através do sonar dos golfinhos num sinal em um monitor. A Marinha ucraniana não dispunha dos recursos financeiros necessários para semelhantes tecnologias, por isso se viu obrigada a fechar alguns dos projetos”, frisou o empregado do oceanário.

“Transformar um golfinho num assassino ou kamikaze não é muito mais complicado do que fazer o mesmo com um cão. O efeito prático será o mesmo. Ao fim e ao cabo, os militares terão que deixar de aproveitar os golfinhos de combate, como já fizeram com os cães, camelos, elefantes e até com os cavalos de combate, ou seja, a cavalaria”, acredita Serguêi Petukhóv, comentarista da RIA Nóvosti.

O dote da Crimeia

Em sua opinião, o maior problema no treino dos golfinhos é ensiná-los a distinguir entre soldados russos e intrusos.

“É possível adestrar um golfinho para ele distinguir entre um dos nossos e um intruso, marcando este último de algum modo – visual, químico, acústico ou hidroacústico. Só que, numa eventual guerra, não será possível marcar os inimigos, por razões bem claras. Teremos então que marcar os nossos homens”, afirma Petukhóv.

 “Se a tarefa consistisse em ensinar um animal a tocar com o focinho exclusivamente em objetos marcados, seria possível alcançarmos um êxito próximo a 100%. No entanto, é muito mais complexo ensinar a não tocar em objetos marcados e tentar apanhar todos os outros, independentemente de forma, tamanho, cheiro, vibração etc. A probabilidade de erro aumenta até um nível perigoso”, salienta Petukhóv.

O primeiro país a usar os golfinhos com fins militares foi os Estados Unidos, na década de 1960, quando os animais participaram das guerras do Golfo Pérsico. Na URSS, um centro de investigação científica especializado em preparação de golfinhos “de combate” foi aberto em 1965, na costa do Mar Negro, onde os animais eram aproveitados para a patrulha de entradas de bases militares, detecção de escafandristas de potencial inimigo, bem como para a procura de minas. Durante algum tempo, houve o treinamento de golfinhos “suicidas”, destinados à destruição dos navios inimigos.

Fonte: Gazeta Russa

Categories
Conflitos Geopolítica

Putin ordena entregar armas da Crimeia à Ucrânia

ukrania

O presidente russo, Vladimir Putin, ordenou ao ministro da Defesa, Serguei Shoigu, começar a transferir para a Ucrânia as armas e equipamentos militares armazenadas na Crimeia e nas unidades militares que não passaram para o lado russo.

Shoigu declarou, por sua vez, que a retirada ordenada das unidades do exército ucraniano da Crimeia, que decidiram continuar o seu serviço nas Forças Armadas da Ucrânia, foi concluída.

“Está terminada a mudança de símbolos nacionais em todos os veículos e em todas as divisões que passaram para o lado do exército russo. Não foram registrados atos de profanação ou desrespeito em relação aos símbolos nacionais da Ucrânia”, disse o ministro

 Fonte: Voz da Rússia

 

 

Categories
Conflitos Geopolítica

Rússia não pretende criar bases militares na América Latina

Anatoli Antonov

Foto: YouTube

Anatoli Antonov
A Rússia não pretende criar bases militares no território dos países da América Latina, declarou o vice-ministro da Defesa do país, Anatoli Antonov.

De acordo com o vice-ministro, a Rússia apenas discute as condições de simplificar o regime de entrada de navios de guerra nos portos marítimos dos países da região e as questões de abastecimento técnico-material dos navios.

“Não temos nenhum plano de presença permanente de unidades armadas da marinha de guerra e da força aérea da Rússia nos territórios dos Estados a América Latina. Isto é desnecessário”, disse Antonov aos jornalistas.

Fonte: Voz da Rússia

Categories
Defesa Negócios e serviços Tecnologia

Proposta da Rússia ao Brasil para construir juntos caça de quinta geração continua

A Rússia convidou o Brasil para trabalhar em conjunto no desenvolvimento e produção de caça de quinta geração tipo T-50, anunciou hoje o diretor da agência federal de cooperação técnica militar, Alexander Fomin.
Infelizmente, o caça russo Sukhoi perdeu a concorrência no Brasil para a compra de 36 caças polivalentes, mas a proposta sobre a co-produção de um caça do tipo T-50 ainda está de pé”, disse Fomin à RIA Novosti.
Ele lembrou que a Rússia e o Brasil são membros do BRICS (Índia, China e África do Sul, bem como o Brasil e a Rússia) que estão estabelecendo laços estratégicos.
O Brasil escolheu o JAS-39 Gripen NG, caça sueco da Saab, no valor de 4 bilhões de dólares, na concorrência onde também competiram o F/A-18 Super Hornet da Boeing americana e Dassault Rafale francesa.
Fomin também disse que as negociações sobre a compra de sistemas antiaéreos Pantsir Brasil S-1 de fabricação russa continuam. “As negociações entraram na sua fase ativa. O potencial comprador está avaliando o Pantsir na Rússia e no Brasil”, disse ele.
O Brasil anunciou a utilização previamente estudada deste armamento para garantir a segurança durante a Copa do Mundo a ser organizada entre junho e julho de 2014.
O sistema antiaéreo Pantsir-S é composto por 12 mísseis guiados 57E6-E e canhões antiaéreos automáticos de 30 milímetros 2A38M. Pretende-se para a defesa de instalações militares, administrativas e industriais contra aviões, helicópteros, mísseis de cruzeiro e armas de alta precisão.
Fonte : Ria Novosti via Armamento e Defesa

Categories
Defesa Geopolítica Sistemas de Armas

China Comissiona segundo DDG Type 52D

Images of the day Chinese Second Commission Type 052D)-class guided missile destroyers DDG172, DDG173 Changsha undergo sea trial near Zhoushan (2)

 

Sugestão: Red Dragon

Traduçaõe  adaptação: E.M.pinto

 

O segundo DDG chinês  Tipo 052D foi recentemente comissionado pela PLAN e está equipado com modernos radares de escaneamneto eletrônicos (AESA) o navio partiu para manobras no mar ao largo de Zhoushan.

Images of the day Chinese Second Commission Type 052D)-class guided missile destroyers DDG172, DDG173 Changsha undergo sea trial near Zhoushan (1)

Images of the day Chinese Second Commission Type 052D)-class guided missile destroyers DDG172, DDG173 Changsha undergo sea trial near Zhoushan (3) Images of the day Chinese Second Commission Type 052D)-class guided missile destroyers DDG172, DDG173 Changsha undergo sea trial near Zhoushan (4)

 

Fonte: China defense

Categories
Conflitos Defesa Anti Aérea Mísseis Sistemas de Armas

Putin aprova a venda de sistemas S-400 para a China

S-400-Battery-Components-Missiles.ru-1SSugestão: Red Dragon-Taiwan

Tradução e  adaptação: E.M.Pinto

O presidente russo, Vladimir Putin concordou com a venda de sistemas de mísseis antiaéreos S-400 à China, segundo informou o jornal “Kommersant”, citando uma fonte próxima ao Kremlin. Ao mesmo tempo o diretor do Serviço Federal de Cooperação Técnico-Militar Alexander Fomin confirmou que as negociações referentes a estas armas para a China estão em andamento. A decisão de vender os sistemas teria sido tomada no início de 2014. 

 As negociações em curso com a China  são relacionadas ao número de baterias e seu custo. No entanto, mesmo que um contrato seja assinado em um futuro próximo, Pequim não poderia obter os S-400 antes de 2016. A entrega das armas à China é impossível pois a prioridade é o fornecimento dos sistemas S-400, destinados ao Ministério da Defesa da Rússia no âmbito do atual programa de armamentos do estado.As partes estão discutindo a possibilidade de entrega a China de dois a quatro batalhões de S-400, a estrutura de cada um dos quais consiste em oito lançadores.

Categories
Defesa em Arte Sistemas de Armas

Zubr-lee os Hover crafts chineses

Zubr-lee (1) Zubr-lee (2)

Categories
Conflitos Geopolítica

O conflito na Crimeia é fruto da expansão do Ocidente e de seu desrespeito às leis internacionais

crimeia putinSugestão: Roberto CR

POR SEUMAS MILNE

Pronunciamentos diplomáticos são reconhecidos pela hipocrisia e moral dupla. Mas as denúncias ocidentais sobre a intervenção russa na Crimeia atingiram novas profundidades de auto-paródia. A incursão até agora sem sangue é “um incrível ato de agressão”, declarou o secretário de Estado John Kerry, dos Estados Unidos.

No século 21 você não invade países “sob pretextos completamente inventados”, ele insistiu, no momento em que aliados dos Estados Unidos concordavam que foi uma inaceitável violação da lei internacional, para a qual “haverá custos”.

O fato de a “indigação” partir dos Estados que lançaram o maior ato de agressão não-provocada da História moderna, com um pretexto inventado — contra o Iraque, uma guerra ilegal que já custou a vida de 500 mil pessoas, além da invasão do Afeganistão, troca de regime sangrenta na Líbia e a morte de milhares em ataques de aviões não tripulados no Paquistão, Iêmen e Somália, tudo sem autorização das Nações Unidos — deveria deixar claro que as declarações vão além do absurdo.

A agressão ocidental e a matança sem lei estão em escala totalmente distinta de que qualquer coisa que a Rússia tenha imaginado, muito menos levado adiante. Isso remove qualquer base crível para os Estados Unidos e seus aliados protestarem contra as transgressões russas. Mas, além disso, os poderes ocidentais também jogaram um papel central em criar a crise na Ucrânia.

Os Estados Unidos e os poderes europeus promoveram abertamente os protestos para derrubar o governo corrupto — mas eleito — de Viktor Yanukovych. Eles foram disparados pela controvérsia sobre um acordo tudo-ou-nada com a União Europeia, que teria excluído qualquer associação entre a Ucrânia e a Rússia.

Na sua notória chamada telefônica “foda-se a União Europeia”, que vazou no mês passado, a subsecretária de Estado norte-americana Victoria Nuland pode ser ouvida descrevendo como seria um futuro governo pós-Yanukovych — governo que em seguida virou realidade extamenente tal qual descreveu, quando o presidente foi deposto depois da escalada de violência, semanas depois.

O presidente tinha, então, perdido autoridade política, mas seu impeachment improvisado foi constitucionalmente dúbio. Em seu lugar, surgiu um governo de oligarcas, de neoliberais recauchutados da Revolução Laranja e de neofacistas, que teve como um dos primeiros atos a remoção do status oficial da língua russa, falada pela maioria nas regiões sul e leste, ao mesmo tempo em que se agia para banir o Partido Comunista, que teve 13% dos votos nas eleições mais recentes.

Alega-se, às vezes, que o papel dos fascistas nas manifestações foi exagerado pela propaganda russa, para justificar as manobras de Vladimir Putin na Crimeia. A realidade é suficientemente alarmante para não precisar de exagero. Ativistas informam que a extrema-direita representava cerca de um terço dos manifestantes, mas foi decisiva nos confrontos com a polícia.
topo-posts-margem

Gangues fascistas agora patrulham as ruas. Mas também estão nos corredores do poder em Kiev. O partido de extrema-direita, o Svoboda [ex-Partido Nacional Socialista], cujo líder denunciou “atividades criminosas” do “judaísmo organizado” e que foi condenado pelo Parlamento europeu por sua visão “racista e antissemita”, tem cinco postos ministeriais no novo governo, inclusive os de vice-primeiro-ministro e procurador-geral. O líder do ainda mais extremo Right Sector, que esteve no coração da violência nas ruas, agora é vice-chefe de segurança nacional da Ucrânia.

É a primeira vez que se vê neonazistas em um governo na Europa, depois da Segunda Guerra Mundial. E isso é, num governo não-eleito, apoiado por Estados Unidos e União Europeia. Demonstrando desprezo pelos ucranianos comuns que protestaram contra a corrupção e esperavam mudança real, o novo governo indicou dois oligarcas bilionários — um deles administra seus negócios desde a Suiça — para serem os novos governantes das cidades de Donetsk e Dnepropetrovsk, no leste do país.

Enquanto isso, o Fundo Monetário Internacional está preparando, para a economia ucraniana, um plano de “austeridade” de fazer chorar. Ele aprofundará a pobreza e o desemprego.

De uma perspectiva de longo prazo, a crise na Ucrânia é produto do desastroso estilhaçamento da União Soviética, estilo Versalhes, no início dos anos 90. Como na Iugoslávia, gente que estava contente em ser uma minoria nacional numa unidade administrativa de um Estado multinacional — russos na Ucrânia soviética, ossetas do sul na Geórgia soviética — passaram a se sentir diferentes quando estas unidades se tornaram Estados pelos quais eles tinham pouca lealdade.

No caso da Crimeia, que foi transferida para a Ucrânia por Nikita Kruschev apenas nos anos 1950, isso está claro para a maioria russa. Ao contrário do que foi prometido na época, os Estados Unidos e seus aliados desde então passaram a expandir a OTAN até as fronteiras da Rússia, incorporando nove ex-integrantes do Pacto de Varsóvia e três ex-repúblicas soviéticas ao que efetivamente se tornou uma aliança militar anti-russa na Europa. O acordo de associação que provocou a crise ucraniana também tinha cláusulas que integravam a Ucrânia à estrutura de defesa da União Europeia.

Aquela expansão militar ocidental foi suspensa pela primeira vez em 2008, quando a Geórgia, estado-cliente dos Estados Unidos, atacou forças russas no território contestado da Ossétia do Sul e foi repelida. O confronto curto, mas sangrento, também sinalizou o fim do mundo unipolar de George Bush, no qual o império dos Estados Unidos imporia sua vontade sem desafios em todos os continentes.

Dado este passado, não é surpreendente que a Rússia tenha agido para evitar que a mais nevrálgica e estrategicamente sensível Ucrânia caia no campo ocidental, especialmente quando a única grande base naval de água quente da Rússia é na Crimeia.

Claramente, a justificativa de Putin para a intervenção — proteção “humanitária” e um apelo de um presidente deposto — é legalmente e politicamente frágil, ainda que não na escala das “armas de destruição em massa”. O nacionalismo conservador e o regime oligárquico de Putin também não tem grande apelo internacional.

Mas o papel da Rússia como uma contrapeso limitado ao poder unilateral do Ocidente tem apoio. Num mundo onde os Estados Unidos, o Reino Unido, a França e seus aliados tornaram o desrespeito às leis internacional uma rotina permanente sob um verniz moral, outros países são tentados a praticar o mesmo.

Felizmente, os únicos tiros disparados pela forças russas até agora foram para o ar. Mas o perigo de uma escalada de intervenção estrangeira é óbvio. O que é necessário em vez disso é um acordo negociado na Ucrânia, inclusive com um governo de coalizão em Kiev que não tenha fascistas; uma constituição federal que garanta autonomia regional; apoio econômico que não pauperize a maioria; e uma oportunidade para que o povo da Criméia escolha seu próprio futuro. Qualquer outra solução pode espalhar o conflito.

Fonte: DCM

Categories
Conflitos Defesa Tecnologia

O “sono profundo” do Sistema Perímetro que possibilita contra-ataque nuclear

Introdução do 15E601 Perímetro em 1983

Adormecido em tempos de paz, sistema possibilita contra-ataque nuclear até mesmo em caso de destruição total dos pontos de comando e linhas de comunicação com a Força Estratégica de Mísseis (sigla em russo RVSN). Na Rússia recebeu o nome de “Perímetr”, mas ficou conhecido nos EUA como “Dead Hand” (“mão morta”, em tradução livre).

Silo de lançamentos e seus dispositivos/sensores e antena para recepção de sinal para disparo autônomo individual de cada silo/míssil.

O principal sistema de controle de mísseis estratégicos é o Kazbek, conhecido graças ao sistema portátil Cheguet (“maleta nuclear”). O Perímetr é um sistema alternativo de comando das forças nucleares da Rússia e está preparado para ser controlado automaticamente em caso de ataque nuclear maciço.

 O desenvolvimento de um sistema de contra-ataque começou no auge da Guerra Fria, quando ficou claro que os meios de guerra eletrônica em constante evolução seriam, em um futuro próximo, capazes de bloquear os canais regulares de comando das forças nucleares estratégicas. Era preciso criar um método de backup de comunicação que garantisse o envio do comando aos dispositivos de lançamento.

 

Foi então que surgiu a ideia de usar um foguete de comando equipado com um poderoso dispositivo transmissor de rádio como meio de comunicação. Ao sobrevoar a União Soviética, esse míssil iria transmitir a ordem de lançamento dos mísseis não só aos pontos de comando da RVSN, mas também diretamente aos dispositivos de lançamento.

Em agosto de 1974, por ação de um decreto governamental, a empresa de projetos Iujnoe (KB Iujnoe), em Dnepropetrovsk, que criava mísseis balísticos intercontinentais, ficou encarregada da construção de tal sistema.

A base de trabalho era o míssil UR-100UTTH, conhecido na classificação da Otan como Spanker. Os testes de voo começaram em 1979 e o primeiro lançamento com transmissor foi realizado com sucesso em dezembro do mesmo ano. As provas confirmaram a interação de todos os componentes do sistema Perímetr, bem como a capacidade da ogiva de manter a trajetória pré-definida.

Em novembro de 1984, o míssil de comando lançado de Polotsk transmitiu a ordem ao dispositivo de lançamento no silo subterrâneo de mísseis balísticos RS-20 (SS -18 Satan), em Baikonur. O Satan foi lançado e, depois de trabalhadas todas as fases, foi registrado a queda da ogiva em um determinado quadrado no campo de teste Kura, em Kamtchatka.

Antena receptora do sinal do míssil de comando.

No ano seguinte, o Perímetr foi incorporado ao serviço do Exército. Desde então, foi modificado várias vezes e, atualmente, os modernos mísseis balísticos intercontinentais são usados como mísseis de comando.

Carregamento em silo de míssil ICBM 5 ª geração PT 2PM2 Topol-M”

Quatro verificações

A base do sistema são os mísseis balísticos de comando. Eles não são lançados contra o agressor, mas antes sobrevoam várias regiões da Rússia e, em vez de cargas termonucleares, suas ogivas transportam poderosos emissores que enviam sinais de controle a todos os sistemas de mísseis de combate disponíveis, instalados em silos, aviões, submarinos e outros sistemas móveis com base em terra. O sistema é totalmente automatizado.

A decisão de lançar os mísseis de comando é feita por um sistema autônomo de controle – um complexo sistema de inteligência artificial que analisa os variados dados recebidos: a atividade sísmica e radioativa, a pressão atmosférica, a intensidade do tráfego de sinais de rádio das frequências de rádio militares, além de controlar a telemetria a partir dos postos de monitoramento das RVSN e os dados do sistema de alerta de mísseis.

Conjunto de sensores ao lado do silo

Ao detectar, por exemplo, várias fontes pontuais de radiação eletromagnética e ionizante, e depois de as comparar com os dados sobre abalos sísmicos daquelas mesmas coordenadas, o sistema identifica a possível existência de um ataque nuclear em grande escala. Nesse caso, o Perímetr pode iniciar uma retaliação, mesmo passando ao lado do Kazbek.

Outra variante é que, ao receber do Sistema de Aviso de Ataque de Mísseis (SAAM), a informação de um lançamento de mísseis efetuado em território fora das suas fronteiras, os dirigentes do país colocam o Perímetr em “modo de combate”. Se passado algum tempo não chegar a ordem de desligamento do sinal de alerta, o sistema dará início ao lançamento dos mísseis. Essa solução permite eliminar o fator humano e assegurar um contra-ataque, mesmo em caso de morte de todos os comandantes políticos e militares ou de destruição completa dos dados de lançamento.

Em tempos de paz, o Perímetr fica “adormecido”, sem deixar, no entanto, de analisar e processar as informações recebidas. Ao passar para o modo de combate ou ao receber o sinal de alarme do SAAM, do RVSN e de outros sistemas, ele ativa o monitoramento da rede de transmissores para detectar sinais de explosões nucleares.

A liderança da Federação Russa já por várias vezes assegurou aos Estados estrangeiros a inexistência de risco de lançamento acidental ou não autorizado de mísseis. Antes de executar o algoritmo de retaliação, o Perímetr deve cumprir quatro condições. Primeiramente, a existência comprovada de um ataque nuclear contra a Rússia. Em seguida checa a existência de comunicação com o Estado-Maior – em caso de ligação o sistema é desligado. Se o Estado-Maior não responder, o Perímetr envia um pedido para o Kazbek. Se o Kazbek também não responder, a inteligência artificial transmite o direito de tomar a decisão para qualquer pessoa que se encontre no bunker de comando. E só depois disso é que entra em ação.

Publicado originalmente pela Rossiyskaya Gazeta

 

Fonte: Gazeta Russa

 

Categories
Brasil Defesa Geopolítica Negócios e serviços Sistemas de Armas

Moçambique poderá adquirir aviões de ataque Super Tucano

Moçambique poderá comprar aviões de ataque Super Tucano e um simulador de manobras navais ao Brasil, disse hoje, em Maputo, o ministro da Defesa brasileiro, Celso Amorim, depois de um encontro com o seu homólogo moçambicano Agostinho Mondlane.

Segundo Celso Amorim, que falava durante uma conferência de imprensa sobre o encontro bilateral na área da Defesa que os dois países promoveram hoje, Moçambique poderá contar com “financiamento a médio e longo prazo” do Brasil para adquirir três aviões Super Tucano (Embraer EMB-314).

 “Se Moçambique confirmar o interesse que foi manifestado no passado de adquirir três aviões de ataque, que são relativamente caros, eles terão que ser vendidos, mas há possibilidade de financiamento a médio e longo prazo”, afirmou o ministro brasileiro.

Avançando que estas aeronaves estão a ser compradas pelos Estados Unidos para missões militares no Afeganistão, Celso Amorim falou ainda da possibilidade de Moçambique vir a adquirir um simulador naval ao Brasil.

Sobre a promessa brasileira de doação de três aviões de treino Tucano (Embraer BEM-312) a Moçambique, o ministro brasileiro referiu que a proposta já foi aprovada pelo executivo liderado pela Presidente do Brasil, Dilma Rousseff, faltando o aval do Congresso Nacional do país.

“Prometemos e vamos cumprir a doação de três aviões Tucano, que são aviões de treino brasileiros. A parte que tinha que ser realizada dentro do executivo brasileiro já foi [efetuada], agora depende apenas da aprovação do Congresso Nacional”, disse Celso Amorim.

O anúncio da doação destes equipamentos causou polémica no Brasil, uma vez que foi feito numa altura em que Moçambique já se encontrava mergulhado numa crise político-militar, provocada por diferendos, ainda não resolvidos, entre a Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) e o Governo de Maputo.

Os confrontos já provocaram dezenas de mortes, incluindo civis, sobretudo no centro de Moçambique.

No que se refere à área de cooperação em Defesa, Agostinho Mondlane classificou o Brasil como um dos “parceiros mais importantes” de Moçambique.

“Moçambique tem vindo a trabalhar com vários parceiros e, na área da Defesa, um dos parceiros mais importantes é o Brasil, que tem estado a trabalhar connosco na capacitação dos nossos homens”, disse o recém-empossado ministro moçambicano, que substituiu Filipe Nyussi, candidato presidencial da Frelimo, no poder, às eleições de outubro.

Ainda na área de cooperação, Celso Amorim anunciou a “oferta brasileira para contribuir para a estrutura naval de Moçambique”, num programa que se deverá traduzir no envio de uma missão, no início de abril, “para analisar algumas bases navais”, como a de Pemba e de Maputo.

“Não estamos a pensar em instalar uma base militar em Moçambique. Queremos ajudar, se Moçambique assim o quiser, a que o país tenha as suas bases, mas nós não queremos ter bases aqui”, sublinhou Celso Amorim, quando questionado sobre a possibilidade de o Brasil vir a ter uma base em território moçambicano.

O ministro brasileiro considerou ainda que “as necessidades de proteção e defesa dos recursos naturais em Moçambique são muito grandes”, referindo-se ao reforço de cooperação que os dois países pretendem empreender.

Os interesses económicos do Brasil em Moçambique estão sobretudo centrados nas áreas de Recursos Minerais, através da mineira Vale Moçambique, e de Agricultura, com o projeto de desenvolvimento de agricultura industrial ProSavana, que envolve também o Japão.

 

Fonte: RTP Notícias