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Vladimir Putin anuncia construção de ponte Rússia e Crimeia

Imagem meramente ilustrativa

A Rússia construirá uma ponte entre seu território e a península da Crimeia, anunciou nesta quarta-feira o presidente Vladimir Putin, e seu governo avaliou o projeto em 3 bilhões de dólares.

“Precisamos de uma ponte para os automóveis e para o trem”, ressaltou Putin diante do Conselho de Ministros, segundo a agência Interfax.

A travessia do estreito de Kertch, que tem 4,5 km de distância em sua parte mais estreita, entre o mar de Azov e o mar Negro, a leste da Crimeia, é a única forma, além do avião, de chegar à península a partir do território russo sem passar pela Ucrânia.

Uma balsa une atualmente as duas margens. Os trens circulam pelo território ucraniano, indicou o ministro dos Transportes, Maxime Sokolov.

Estudo de viabilidade

Ele afirmou que também estava sendo estudada a possibilidade de cavar um túnel.

Segundo o ministro, citado pela Interfax, o projeto conta com um orçamento total de 3 bilhões de dólares (2,16 bilhões de euros). Não foi informado quais estruturas estavam incluídas neste orçamento.

Uma autoridade local declarou no início do mês que o projeto de ponte terá 7,5 km de comprimento. O primeiro-ministro russo, Dimitri Medvedev, assinou um decreto ao confiar a gestão a um grupo público de BTP. O preço evocado na época era de 24 bilhões de rublos (470 milhões de euros).

A Crimeia, um território do sul da Ucrânia com maioria de língua russa, proclamou sua independência após a mudança de poder em Kiev, e aprovou com 97% dos votos em um referendo no domingo sua incorporação à Rússia, denunciada pelas potências ocidentais.

O presidente Vladimir Putin assinou na terça-feira o tratado através do qual este território integra a Federação da Rússia.

AFP

Fonte: Terra

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Soldado ucraniano ‘foi morto em ataque a base na Crimeia’

Soldado na Crimeia (AFP)Morte foi a primeira registrada desde que forças pró-Rússia assumiram o controle na Crimeia

O exército da Ucrânia afirmou nesta terça-feira que um oficial ucraniano foi morto em um ataque a uma de suas bases na Crimeia. Foi a primeira morte de um militar registrada na península desde que forças pró-Rússia tomaram o controle sobre o território em fevereiro.

No entanto, há divergências quanto à morte. De acordo com o correspondente da BBC em Simferopol Mark Loen, ao menos um órgão de imprensa russo diz que o soldado morto era membro das forças de autodefesa pró-russas.

Ainda segundo a agência de notícias da Crimeia Kryminform, um membro da força de defesa pró-Rússia foi morto. Nenhum dos dois relatos pode ser confirmado de forma independente e não se sabe se os dois casos estão relacionados.

Em Kiev, o primeiro-ministro interino Arseniy Yatseniuk disse que o conflito na Crimeia passou do estágio político para o militar, e o governo autorizou militares a usarem suas armas para se defenderem.

Homens armados

Uma testemunha relatou o ataque à BBC e disse que homens armados chegaram em dois veículos sem qualquer identificação e invadiram atirando a base na cidade de Simferopol.

O governo ucraniano disse que o oficial morto estava em serviço em um parque dentro da base e que outro acabou ferido. Um terceiro militar teve ferimentos na cabeça e na perna depois de ser espancado com barras de ferro.

O ministro da Defesa ucraniano, Vladislav Seleznyov, disse à agência de notícias Reuters que o ataque foi realizado por “forças não-identificadas, muito equipadas e com seus rostos cobertos”.

Os militares ucranianos tiveram seus documentos de identidade, armas e dinheiro confiscados, disse Seleznyov.

Segundo Loen, da BBC, uma trégua está em curso no momento na base e somente tiros de alerta têm sido disparados, mas a tensão é grande e teme-se que novos conflitos ocorram.

Anexação

O ataque ocorreu pouco depois do presidente russo, Vladimir Putin, e líderes políticos da Crimeia assinarem um decreto que estabelece a anexação da Crimeia pela Rússia.

Líderes ocidentais reprovaram o tratado, e uma reunião de emergência entre os países do G7 – Canadá, França, Itália, Alemanha, Japão, Reino Unido e Estados Unidos – e da União Européia foi convocada para a próxima semana na cidade de Haia, na Holanda.

Putin disse, durante um pronunciamento no Kremlin, que a Crimeia “sempre fez parte da Rússia” e que o referendo no qual os eleitores da região votaram pela anexação da área à Rússia foi a correção de uma “injustiça histórica”.

Os comentários do mandatário russo se deram pouco após Putin ter assinado, juntamente com líderes da Crimeia, um tratado que estabeleceria a incorporação da península à Rússia.

A Crimeia foi tomada por forças pró-Rússia no final de fevereiro após o afastamento do então presidente da Ucrânia, Viktor Yanukovich, que era um forte aliado de Moscou.

Na segunda-feira, a república autônoma ucraniana se declarou independente do país, após cerca de 97% dos eleitores que votaram em um referendo realizado no final de semana terem optado pela separação e pela anexação da região pela Ucrânia.

O governo da Ucrânia disse que jamais aceitará o resultado do referendo.

O vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, em um pronunciamento na Polônia, afirmou que o envolvimento russo na Crimeia foi “uma incursão militar gritante” e que a anexação do território “não passou de uma apropriação de terra”.

Retaliação

A Alemanha e a França condenaram o tratado entre a Rússia e a Crimeia assim que ele fosse divulgado. Por sua vez, a Grã-Bretanha anunciou que estava suspendendo atos de cooperação bilateral militar com a Rússia.

A União Europeia e os Estados Unidos já haviam se pronunciado contra o referendo na Crimeia, considerando-o ilegal. Autoridades americanas e do bloco europeu declararam ainda o congelamento de bens e o veto a concessão de vistos de políticos russos e da Crimeia.

O pronunciamento de Putin foi realizado perante as duas casas do Parlamento russo, a Duma, a Câmara baixa, com 450 membros, e o Conselho da Federação, a Câmara baixa, com 166 membros, e também contou com a presença dos novos líderes da Crimeia.

Em seu discurso, Putin afirmou: “Nos corações e mentes do povo, a Crimeia foi e permanece sendo uma parte inseparável da Rússia”.

De acordo com o líder russo, os resultados do referendo foram “mais do que convincentes”.

“O povo da Crimeia, de forma clara e convincente, expressou sua vontade. Eles querem fazer parte da Rússia”, afirmou. E ainda acrescentou que não estavam mais preparados para arcar com a “injustiça histórica” de fazer parte da Ucrânia.

A Crimeia fez parte da Rússia até 1954, quando o líder soviético Nikita Khrushchev, decidiu devolvê-la à Ucrânia.

Cerca de 58% dos habitantes da península são de etnia russa. Os demais moradores da região são, em sua maioria, ucranianos e há ainda uma minoria tártara.

A crise ucraniana começou em novembro passado após Yanukovych desistir de um acordo que previa maior integração com a União Europeia, optando por manter laços mais fortes com a Rússia.

Ele fugiu da Ucrânia em 22 de fevereiro depois que intensos protestos tomaram as ruas da capital Kiev, levando a dezenas de mortes nos conflitos entre a polícia e manifestantes.

Fonte: BBC Brasil

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Conflitos Geopolítica

Com Crimeia anexada, Putin indica saída para crise e espera sinais do Ocidente

Da BBC Brasil em São Paulo

 

Atualizado em  18 de março, 2014 – 15:11 (Brasília) 18:11 GMT
O presidente da Rússia, Vladimir Putin (AFP)O presidente justificou a anexação da Crimeia pela Rússia, mas indicou que não quer invadir Ucrânia

O discurso triunfal de Vladimir Putin nesta terça-feira representou mais do que o ápice do processo de anexação da Crimeia pela Rússia. Nele, o presidente russo indicou que não pretende avançar sobre o leste da Ucrânia e que é favorável à manutenção do país como entidade única – ainda que sem a Península no sul.

“Nós não queremos causar dano a vocês (ucranianos), ofender seus sentimentos nacionais (…) Nós não queremos a divisão da Ucrânia, não precisamos disso”, disse o líder em seu pronunciamento no Kremlin.

Ainda mais significativas do que tais palavras são as outras que Putin decidiu deixar de fora. Não citou nominalmente as cidades do leste da Ucrânia que recentemente viram confrontos envolvendo russos e ucranianos. Ele poderia ter feito isso, ameaçando as autoridades de Kiev. Poderia ter dito que a Crimeia seria só o começo.

Ao contrário, optou pela declaração mais genérica de que a Rússia, “como outros países, tem interesses nacionais que precisam ser levandos em consideração e respeitados”, indicando que “milhões de russos e russófonos vivem e viverão na Ucrânia, e a Rússia irá sempre defender seus interesses pelos meios políticos, diplomáticos e legais”.

Assim, o discurso também foi o momento em que o presidente russo tentou deixar mais claro para o Ocidente – a quem taxou de “irresponsável” por sua política na Ucrânia – quais são os tão temidos limites de sua estratégia nas ex-repúblicas soviéticas.

O presidente inúmeras vezes procurou legitimar a decisão de integrar a Crimeia na federação do ponto de vista histórico, lembrando do resultado “convincente” do referendo, da “injustiça histórica” que foi a descisão de Moscou de ceder o território à Ucrânia em 1954, e ressaltando que havia uma “ameaça” de avanço da Otan na região.

“Deixe-me lembrar a vocês as declarações que vem sendo feitas em Kiev sobre a iminente integração da Ucrânia à Otan. O que tal possibilidade representaria para a Crimeia e para Sevastopol? Que uma frota da Otan teria aparecido na cidade da glória militar russa; que uma ameaça teria surgido em todo o sul da Rússia”, afirmou.

Também, conforme o esperado, procurou desqualificar os argumentos do Ocidente contra a anexação, citando a independência de Kosovo da Sérvia em 1999 e afirmando que as intervenções no Iraque e no Afeganistão “violaram a lei internacional”.

“Nos disseram que houve uma invervenção, uma agressão na Crimeia por parte da Rússia. Eu não consigo pensar em um único exemplo na história em que uma intervenção tenha ocorrido sem um único tiro e sem vítimas”, disse o presidente.

Ainda que atacando o Ocidente, é possível interpretar que Putin, em seu discurso, ofereceu uma saída para a crise: que Kiev, e seus aliados, aceitem que a Crimeia foi “perdida”. Em troca, implícita, estaria a promessa de Moscou de não escalar a tensão entre as comunidades russas no leste da Ucrânia e em outros países.

“Deixe-me lembrar a vocês as declarações que vem sendo feitas em Kiev sobre a iminente integração da Ucrânia à Otan. O que tal possibilidade representaria para a Crimeia e para Sevastopol? Que uma frota da Otan teria aparecido na cidade da glória militar russa; que uma ameaça teria surgido em todo o sul da Rússia.”

Vladimir Putin

Se a interpretação é correta, surgem então duas perguntas: como a Ucrânia e o Ocidente irão reagir à proposta? E será que já não é tarde demais para evitar uma reação em cadeia das comunidades russas que sonham em retornar ao seio de Moscou?

Conflitos ‘adormecidos’

O que está ocorrendo agora indica que a estratégia de Putin pode ter aberto uma caixa de pandora em outras ex-repúblicas soviéticas onde ainda existem os chamados “conflitos adormecidos” envolvendo russos.

O primeiro sinal disso, como era esperado, veio da Transnístria, um território na prática independente no leste da Moldávia onde há uma quantidade significativa de russos. O local já foi palco de um conflito com a Moldávia em 1992 e em 2006 realizou um referendo em que 97,2% da população votou pela integração à Federação Russa.

O governo da Transnístria pediu a Moscou que aprove um projeto de lei que facilitaria sua anexação. Moscou pode ignorar os pedidos, o que poderia ajudar a acalmar os ânimos. Por outro lado, o governo da Moldávia pode aprovar um acordo de integração com a União Europeia (o mesmo que deu início à crise na Ucrânia em novembro). Isso poderia ser interpretado como uma afronta aos russos da Trasnístria e a Moscou, gerando mais tensão.

E há ainda outros “conflitos adormecidos”: a Ossétia do Sul, de fato independente desde a Guerra entre Geórgia e Rússia em 2008, pode reviver seu sonho de integração com a Ossétia do Norte, que é uma república da Federação Russa. Minorias russas nos países bálticos poderiam retomar suas velhas reinvidicações de mais direitos e até mesmo o Cazaquistão poderia ter problemas com sua numerosa comunidade russa.

A instabilidade na Ucrânia, em seu início em novembro, foi o reflexo de uma crise política ucraniana – o fim de um pacto velado entre elites pró-Rússia e pró-Ocidente que permitia que Moscou tivesse influência decisiva no alinhamento geopolítico do país.

Da mesma forma, a intensificação da crise, com o envolvimento russo na Crimeia, tem relação com a natureza da política doméstica e externa russa sob a batuta de Putin.

Desde a sua reeleição, em 2010, o presidente tem intensificado os esforços para sacramentar a nação russa e seus valores como o “centro” da identidade da Federação Russa, na qual outros grupos étnicos são aceitos desde que não entrem em choque com a preponderância dos russos. Tal esquema lembra a concepção de Homo sovieticus que ganhou força durante o regime de Josef Stalin.

Ao mesmo tempo e levando isso em conta, Putin ampliou os esforços para solidificar sua zona de influência nos países vizinhos que faziam parte da URSS. Veio a União Alfandegária com Belarus e Cazaquistão e a promessa de União Euroasiática. Nesses planos, a Ucrânia, por sua ligação história e identificação étnica com a Rússia, representava uma promessa fundamental.

Com a ruptura do pacto político em Kiev, Moscou decidiu responder primeiramente com o uso do soft power, incentivando a numerosa comunidade russa a se rebelar contra o que qualificou de “golpe”; e depois, optou pelo hard power, ampliando a presença militar que já existia na Crimeia – onde a semente da reunificação já estava plantada.

Assim, criou uma agitação na comunidade russa da Crimeia, do leste da Ucrânia e, agora, na Transnístria – gerando o risco de uma crise muito maior.

Reação do Ocidente

Quanto à possibilidade de o Ocidente aceitar que a Crimeia foi “perdida”, não há sinais de que a estratégia de sanções para pressionar Moscou esteja sendo abandonada. Muito pelo contrário.

Depois de UE e dos Estados Unidos terem anunciado o congelamento de bens e restrições às viagens de inúmeras autoridades russas e ucranianas, nesta terça-feira a Grã-Bretanha anunciou a primeira sanção comercial contra Moscou: cancelou todas as licenças de exportação de armas para a Rússia.

Autoridades americanas e europeias reiteraram sua visão de que o referendo na Crimeia foi ilegal e que novas sanções poderão ser tomadas a seguir, com um potencial prejuízo imenso tanto para a Rússia quanto para o Ocidente – o que, talvez, esteja atrasando a adoção de tais medidas.

Além do prejuízo financeiros com as sanções, continua no ar o quanto elas possam ser eficientes para pressionar Moscou. Pela reação das autoridades russas que já foram submetidas às restrições, não há motivos para acreditar que o Kremlin está preocupado.

Evidentemente, o fantasma de uma escalada militar na Ucrânia permanece assombrando a todos. A situação é tão tensa na Ucrânia que uma faísca poderia iniciar um incêndio. Basta um tiro ser disparado contra um soldado russo ou ucraniano na Crimeia.

Mas tal possibilidade sequer vem sendo citada por europeus e americanos, enfraquecidos demais para pensar em algo mais do que sanções. Se elas se mostrarem inúteis, é mais provável que o Ocidente aposte simplemente em um apaziguamento natural dos ânimos, que viria com o tempo: seria a aposta de que, sem novos desdobramentos, a situação vá se acalmando a ponto de possibilitar uma normalização das relações com Moscou.

O elemento-chave continua sendo Kiev. Como o governo interino pretende reagir se essa for a estratégia do Ocidente? Provavelmente teria que aceitar isso, mas poderia também adotar uma postura de tudo ou nada e enviar suas tropas para Crimeia, esperando que o apoio retórico do Ocidente se transforme em algo mais do que isso.

De qualquer forma, a anexação da Crimeia cria um precendente perigoso, com consequências ainda imprevisíveis.

*Rafael Gomez é mestre em estudos da Rússia e Europa Oriental pela Universidade de Birmingham, Reino Unido.

Fonte: BBC Brasil

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Beriev A-50 (AEW&C) é deslocado para a Bielorrússia

A Rússia enviou um Beriev A-50, aeronave de alerta aéreo antecipado e controle (AEW&C), para a Bielorrússia como parte de um treinamento conjunto entre as duas forças aéreas.

A aeronave reforçou o então estabelecido Sistema Regional Conjunto de Defesa Aérea, formado pelos jatos de combate MiG-29BM da Bielorrússia e seis Sukhoi Su-27 da Rússia.

A partir de agora, as aeronaves sediadas na Base Aérea de Baranovichi poderão treinar acionamentos com vetoração até possíveis inimigos, antes mesmo que os seus próprios radares detectassem as ameaças.

 

Fonte: C&R

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Vídeo: Discurso de Putin – Moscou não pretende anexar nenhuma outra parte da Ucrânia

Os mercados da ações da Europa fecharam em alta nesta terça-feira, 18, depois que o presidente da Rússia, Vladimir Putin, sinalizou que não deseja dividir a Ucrânia, amenizando tensões sobre a crise no Leste Europeu. O índice Stoxx 600 fechou em alta de 0,63%, aos 327,87 pontos.

Discurso de Putin – Em espanhol

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Sugestão do amigo NovoBrazuk

Putin assinou um tratado para a anexação da região ucraniana da Crimeia, mas adotou um tom mais conciliatório do que o esperado no pronunciamento que fez horas depois ao Parlamento em Moscou. O líder russo defendeu a legitimidade do referendo da Crimeia, que no fim de semana decidiu se reintegrar à Rússia, mas deixou claro que Moscou não pretende anexar nenhuma outra parte da Ucrânia. Putin disse ainda que pretende defender os habitantes de língua russa na Ucrânia por meios “legais e diplomáticos”.

Para analistas, o discurso sugere que o presidente russo não quer a intensificação da crise no Leste Europeu. “O gatilho para a alta foi o anúncio de Putin de que ele não quer uma partição da Ucrânia”, disse um trader, ressaltando que a interpretação dos investidores é “que nenhum outro conflito sobre o leste da Ucrânia está se aproximando”.

Diante da postura do Kremlin, as bolsas europeias apagaram perdas iniciais e assumiram firme trajetória de alta. Mais cedo, os mercados da Europa haviam sido pressionados pelo índice ZEW de sentimento econômico da Alemanha, que caiu mais que o esperado na leitura deste mês. Entre os indicadores da região, também foram divulgados dados comerciais da zona do euro, que registrou um superávit de 900 milhões de euros em janeiro. As exportações do bloco recuaram 1% ante janeiro de 2013, enquanto as importações caíram 3%.

O índice FTSE, da Bolsa de Londres, avançou 0,56%, para 6605,28 pontos. Em Paris, o índice CAC-40 subiu 0,97%, a 4313,26 pontos, enquanto o DAX, das ações mais negociadas em Frankfurt, ganhou 0,67%, a 9242,55 pontos.

O índice espanhol IBEX 35, de Madri, avançou 0,77%, a 10051,40 pontos. Em Milão, o índice FTSE Mib que fechou com ganho de 0,86%, aos 21038,03 pontos. Em Lisboa, o PSI 20 subiu 0,89%, a 7516,38 pontos.

Com informações da Dow Jones

Fonte: Uol Notícias

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As estratégias de exportação do armamento russo

Sistema Pantsir-S1

A cooperação técnico-militar entre a Rússia e os países estrangeiros continua crescendo, apesar das previsões dos últimos anos darem conta de uma futura diminuição. A Rússia ocupa atualmente um confortável segundo lugar em volume de fornecimento de armas no mercado mundial. Estes números são obtidos graças a diferentes estratégias de cooperação que variam conforme os parceiros.

Desenvolvimento conjunto

O primeiro tipo de cooperação, o mais trabalhoso, mas também o mais importante no plano político e o mais estável no geral, está orientado para a transferência de licenças e, em alguns casos, para o desenvolvimento conjunto de equipamento militar.

Entre os países com os quais a Rússia usa esta estratégia de cooperação, ou pretende vir a usar, podemos citar a Índia, a China, o Brasil e a Coreia do Sul. Além disso, em qualquer um dos três casos, a cooperação tem as suas características próprias.

Na sua forma integral, ela é realizada hoje apenas com a Índia, para a qual a Rússia representa uma fonte de alta tecnologia naqueles setores onde a indústria indiana se encontra ainda décadas atrás dos líderes.

Ela se concretiza em forma de grandes contratos, como, por exemplo, o de produção licenciada de caças Su-30MKI, sem contar aqueles comprados já prontos. O custo total dos Su-30 fornecidos aos indianos, incluindo peças e acessórios, serviços e formação de pilotos, foi estimado por especialistas entre US$ 12 bilhões a US$ 15 bilhões.

A segunda área de cooperação com a Índia está ligada com o tanque T-90. Atualmente, as forças armadas indianas têm cerca de 800 destes tanques, dos quais mais de metade foram montados localmente. Os volumes da produção vão aumentando gradualmente –a capacidade produtiva da fábrica estatal Heavy Vehicles Factory (HVF) permite produzir até 140 tanques por ano.

A China, que produziu bastante armamento sob licenças soviéticas entre 1950 e 1980, se virou agora para a compra de tecnologia russa para melhorar o seu complexo militar-industrial. No entanto, das cópias licenciadas, os chineses passaram muito rapidamente para a tecnologia de produção independente, reproduzida com base nas amostras recebidas. Mas, em muitos casos, o processo de cópia foi facilitado com a ajuda tecnológica dos departamentos de projetos russos e ucranianos.

Essa é, por exemplo, a história do surgimento dos caças J-11 e J-15, do avião de transporte Y -20, do sistema de mísseis antiaéreo HQ-9, entre outros. No entanto, o sucesso da China no domínio da técnica de outros países ainda não encontra continuação em seu próprio desenvolvimento. Por isso é possível prever a renovação do interesse da China pelas novas tecnologias russas à medida que forem mudando as gerações de sistemas de armas produzidas pela indústria militar de Defesa russa. O primeiro sinal desse interesse foi demonstrado pela China em relação ao caça Su-35s, a versão atualmente mais avançada da plataforma T-10 (Su-27).

Brasil

Quanto ao Brasil, a Rússia procura captar o seu interesse na possibilidade de desenvolvimentos tecnológicos conjuntos no campo da aviação militar e sistemas de defesa aérea. Se isso for alcançado, será possível falar da formação de um determinado círculo de países desenvolvidos que usam tecnologia russa no projeto e fabricação de sua própria técnica militar. Esse desenvolvimento dos acontecimentos irá aumentar significativamente a estabilidade da indústria russa de defesa na área de maior responsabilidade e de tecnologia mais avançada.

Grande escala

A segunda estratégia de cooperação técnico-militar diz respeito aos países com recursos financeiros relativamente grandes e com dinheiro para comprar equipamento militar caro. Estamos nos referindo à Indonésia, Malásia, Vietnã, Argélia, Iraque, Venezuela, Azerbaijão, entre outros. A cooperação com estes países se caracteriza por um número bastante elevado de contratos. Eles compram lotes de equipamento militar moderno ou suas versões simplificadas, garantindo assim, no total, uma carteira de exportações que em número não fica atrás dos grandes contratos com a Índia ou a China.

As perspectivas da cooperação técnico-militar nesta área são muitas vezes questionadas devido aos riscos políticos que trazem. Assim, a Primavera Árabe levou muitos especialistas a falar no fim próximo da cooperação com os países do Oriente Médio, ao mesmo tempo que a morte de Hugo Chávez colocou sob questão a cooperação com a Venezuela. No entanto, esses receios se mostraram exagerados.

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Aos poucos

A terceira estratégia entre a Rússia e os outros países diz respeito a países da África e aos demais da América Latina e Sudeste Asiático. Estes contratos são geralmente pontuais e são assinados com valores relativamente baixos –a partir de alguns milhões até várias centenas de milhões de dólares.

No entanto, aqui também é possível encontrar grande rendimento: por exemplo, em outubro de 2013 foi assinado um contrato com Angola sobre o fornecimento de armas no valor de US$ 1 bilhão. No pacote do fornecimento foram incluídas peças para o armamento de produção soviética, armas de pequeno porte, munição, tanques, artilharia e helicópteros multiversáteis Mi-17. Além disso, as partes acordaram em construir uma fábrica em Angola para a produção de munições. No acordo foi também incluído o fornecimento de 18 caças Su-30K, consertados e equipados, que estavam anteriormente ao serviço da Força Aérea Indiana.

Quanto à cooperação com Angola, vale ressaltar que o futuro crescimento econômico e o aumento dos gastos militares podem levar esse país para o grupo da “segunda estratégia” caso ela decida desenvolver relações com a Rússia neste domínio. Por enquanto, o número de países da “terceira estratégia” é o maior: de acordo com os especialistas, eles formam dois terços dos mais de 70 países da geografia de parcerias da Rosoboronexport. No entanto, o rendimento anual desse grupo é relativamente pequeno e estima-se que não ultrapasse de 10% a 15% do volume total.

Publicado originalmente no site do Russian International Affairs Council

 

Fonte: Gazeta Russa