Categories
Uncategorized

Made in Brazil: CAMANF – Um americano naturalizado brasileiro

Você sabia que o Brasil já teve uma indústria militar variada? Talvez isso seja surpresa para muitos, mas durante o auge da ditadura militar na década de 1970, as Forças Armadas incentivaram fortemente o desenvolvimento de tecnologia local, o que deu origem a diversos projetos curiosos e interessantes. Um deles é o CAMANF, um caminhão anfíbio projetado a pedido da Marinha Brasileira e que será o tema da postagem de hoje.

Tanque Biselli X1, uma atualização tão profunda que gerou uma nova designação. Fonte: Anfir – 35 Anos [1].

A história da fabricante

Para contar essa história, primeiro devemos voltar alguns anos no tempo e começar pelo passado da empresa que o fabricou, a Biselli Viaturas Especiais Ltda. Fundada em 1961, a história da família Biselli no Brasil começou muito antes disso, com a chegada de seu fundador, Acchile Biselli. Nascido em Piacenza, Itália, antes de cruzar o Oceano Atlântico Acchile foi partigiàno (nome dado aos membros de um grupo guerrilheiro italiano que lutou contra o exército alemão) e gerente industrial da empresa Carenzi, uma fabricante italiana de equipamentos rodoviários. Depois de chegar ao Brasil trabalhou nas empresas Trivellato e Massari, sendo gerente industrial e sócio da última. Lá permaneceu até 1961, quando sai para fundar sua própria empresa. Durante a década de 1970 a Biselli passou a se direcionar para nichos especiais, como a fabricação de carretas tanque de gás e culminou com a fabricação de veículos para as Forças Armadas Brasileiras. Dentre os diversos projetos desenvolvidos está o projeto de atualização realizado nos tanques M2A1 Stuart, que envolveu a substituição dos motores radiais a gasolina por motores Scania a diesel, reforço da blindagem, alteração do desenho da carroceria, adoção de um novo sistema de suspensão, lagartas e uma nova torre nacional. Essas mudanças foram tão pesadas que no final deram origem a um novo modelo, o Biselli X1. Além desse projeto, posteriormente a Biselli foi envolvida em diversos outros projetos, como o CAMANF (CAMinhão ANFíbio), adaptação de um projeto norte-americano à realidade brasileira.

O CAMANF

Já o projeto CAMANF foi inspirado pelo DUKW criado pela Yellow Truck and Coach Corporation (hoje GMC). Durante a Segunda Guerra Mundial o sucesso da versão anfíbia do Jeep, a GPA deixou claro que havia necessidade de um veículo com capacidades anfíbias, mas com maior capacidade de carga. Em 1970, a Marinha brasileira adquiriu 34 desses modelos que foram recuperados pela empresa Novatração Artefatos de Borracha.

Unidade do DUKW que serve ao exercito brasileiro. Fonte: Âncoras e Fuzis [2].

Devido a versatilidade do veículo, em 1975 a Marinha comissionou a Biselli para projetar um substituto que utilizasse componentes nacionais. O chassi escolhido foi o do caminhão nacional Ford F-7000 6×6, que recebeu modificações e reforços, fato que aliado ao motor nacional Detroit Diesel 4-53N já tornava o modelo mais versátil e de fácil operação em relação aos DUKW. A transmissão era um caixa GM, de onde um eixo de transmissão extra sai da transmissão para a caixa de transferência da hélice e atravessa o veículo todo até chegar à hélice posicionada na traseira, em arranjo similar ao do modelo americano. Devido a tomada de força ser direto da caixa de transmissão, todas as marchas estavam disponíveis para uso, mas o manual técnico do DUKW alertava que não deveria ser usada nenhuma marcha acima da terceira durante operação na água.

Esquema do sistema de transmissão de força para a hélice do DUKW. Fonte: Manual Técnico TM 9-802 [3].

A carroceria, de aço laminado a frio e com proa reforçada diferia por pouco das dimensões do DUKW original, porém o modelo brasileiro contava com uma novidade muito apreciada pela Marinha: a adoção de um guincho traseiro de duplo emprego, pela traseira e pela dianteira através de uma abertura para a passagem do cabo de reboque. Como opcional ainda poderia ser instalada uma metralhadora anti-aérea M2 HB de 12.7mm. Com tudo isso, os 145 hp do motor eram suficientes para que os 13.500 kg do veículo atingissem 72 km/h em terra e 14 km/h na água, com uma carga máxima de 5 toneladas em terra ou águas calmas e 2,5 toneladas em águas agitadas.

Apesar de ser baseado no DUKW, o CAMANF apresentava características de projeto que o diferenciavam de seu irmão americano. Fonte: Anfir – 35 Anos [1].

Contava também com pneus 900×20 do tipo PPB (à prova de balas) com sistema de inflamento e desinflamento para qualquer tipo de terreno. Esse sistema era similar ao que foi introduzido no DUKW, desenvolvido pelo engenheiro Frank W. Speir. Consistia basicamente de um compressor de ar de dois cilindros e refrigerado a ar, ligado ao motor através de corrente de transmissão e localizado logo abaixo do assento do motorista. Ao ser acionado o ar era armazenado em um reservatório de alta pressão e distribuído por tubos de cobre as laterais do véiculo, de onde mangueiras com conectores para enchimento dos pneus ficavam presas em suportes próximos da tomada de ar.

Vista da instalação do sistema de inflamento de pneus do DUKW. Fonte: Manual Técnico TM 9-802 [3].

Inicialmente a produção prevista era de 25 unidades, porém, com a Marinha optando por veículos mais modernos e blindados, apenas cinco unidades foram fabricadas, das quais é difícil dizer se alguma ainda existe. Infelizmente a empresa pediu concordata durante as crises econômicas da década de 1980, mas seu legado permanece com a empresa Ibero, fabricante de equipamentos rodoviários fundada pelo filho primogênito de Acchile, Lino, nos anos 2000.

Fonte: Nivelando a Engenharia

Categories
ADSUMUS

ADSUMUS: Fuzileiros da Esquadra, uma força 100% profissional

O Contra-Almirante (FN) César Lopes Loureiro (esq), atual Comandante da Divisão Anfíbia, irá substituir o atual Comandante da Força de Fuzileiros da Esquadra, Vice-Almirante (FN) Alexandre José Barreto de Mattos, que passará a ser o Comandante Geral do Corpo de Fuzileiros Navais do Brasil. (Foto: Marcos Ommati/Diálogo)

Marcos Ommati/Diálogo

Uma conversa franca com o Vice-Almirante do Corpo de Fuzileiros Navais da Marinha do Brasil Alexandre José Barreto de Mattos sobre os desafios para dirigir a Força de Fuzileiros da Esquadra da Marinha do Brasil.

A Força de Fuzileiros da Esquadra (FFE) é o principal braço operativo do Corpo de Fuzileiros Navais do Brasil (CFN). Este, por sua vez, está dividido em dois setores dentro da Marinha do país. Um é de apoio e cuida de cursos, captação de pessoal, aquisição de material, doutrina e carreira. No organograma da instituição, está subordinado ao Comando-Geral do CFN, chefiado por um almirante quatro estrelas. No braço operativo dos Fuzileiros Navais, há o corpo principal que é a FFE, que por sua vez está subordinada ao comandante de Operações Navais, ou seja, dentro do setor operativo da Marinha, onde se encontram as unidades distritais, que ficam espalhadas pelos diversos distritos navais no Brasil. Resumindo: o principal braço operativo dos Fuzileiros Navais se concentra na FFE, cujo atual comandante é o Vice-Almirante (FN) Alexandre José Barreto de Mattos que, coincidentemente, no dia em que concedeu esta entrevista à Diálogo – 14 de fevereiro – foi promovido a Almirante-de-Esquadra e em breve irá comandar todo o CFN do Brasil.

Diálogo: A FFE completou 60 anos em fevereiro. Por que esta data deve ser considerada histórica?

Vice-Almirante (FN) Alexandre José Barreto de Mattos: Toda força, toda instituição, toda pessoa que é sexagenária já viveu muita coisa na sua vida, tem um passado muito importante. O passado da FFE não poderia ser diferente. É um passado glorioso, de evolução permanente, com a constante evolução dos seus trabalhos. Isso faz com que, hoje, a tenhamos uma FFE respeitada em qualquer missão de que participa, principalmente naquelas em apoio à paz nos outros países, naquelas que reforçam a segurança dos brasileiros nas diversas operações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO). O CFN é respeitado junto à Marinha do Brasil, é integrante da Marinha do Brasil, respeitado pela nossa sociedade, assim como por todas as Forças Armadas.

Diálogo: O senhor irá deixar sua atual função em breve. Qual foi o seu principal desafio como comandante da FFE?

V Alte Alexandre: Comandar a FFE é um sonho para todo oficial dos Fuzileiros Navais. Eu diria que meu principal desafio foi estabelecer todas as condições necessárias de disciplina, adestramento, planejamento detalhado, que proporcionam o emprego de mais de seis mil homens da FFE, com a mais absoluta segurança. Temos que nos adestrar, nos preparar, temos que prover segurança para todo esse pessoal que está sempre utilizando munição real, sempre sendo colocado em situação de risco. Temos que prover a eles a segurança necessária, para que eles sempre voltem, no final do dia, ou no final de cada missão, para os seus lares em segurança. Esse é o maior desafio.

Diálogo: Qual a participação do CFN na região Amazônica, a chamada Amazônia Verde?

V Alte Alexandre: Temos dois batalhões de operações ribeirinhas: o 1º Batalhão de Operações Ribeirinhas, que é subordinado ao comando do 9º Distrito Naval, e temos o 2º Batalhão de Operações Ribeirinhas, que é subordinado ao 4º Distrito Naval. Esses dois batalhões atuam na Região Amazônica Verde realizando operações ribeirinhas, segurança na calha de rios, inspeções de navios e inspeções relativas ao tráfego aquaviário naquela região. Estes batalhões também realizam ações de segurança interna, para garantia do uso dos rios da Bacia Amazônica, além de exercícios conjuntos com as demais Forças Armadas e outros órgãos de segurança que são responsáveis diretos por ações de defesa ou ações contra o narcotráfico.

Diálogo: Que tipo de apoio é prestado nestas operações pelos Fuzileiros Navais?

V Alte Alexandre: Nessas operações que são feitas também com os órgãos de segurança, como a Polícia Federal e as polícias locais, o grande apoio que esses batalhões prestam é o suporte logístico, é o apoio referente à inteligência, de modo que os órgãos responsáveis pelo combate ao narcotráfico tenham a tranquilidade e a segurança necessárias para fazerem sua parte neste tipo de missão.

Diálogo: O CFN participou da segurança das Olimpíadas 2016, da Copa do Mundo 2014, atuou nas ocupações dos complexos de favelas do Alemão, Penha e da Maré. Atualmente estão no Haiti, como parte da Missão de Estabilização das Nações Unidas (MINUSTAH), nas missões de GLO no Rio de Janeiro e no Espírito Santo, além de estarem fazendo varredura em presídios em Natal, no Rio Grande do Norte. Como preparar uma tropa para realizar tantas e tão diferentes missões?

V Alte Alexandre: Nós temos um órgão de adestramento muito intenso que prevê a preparação do nosso pessoal desde o nível mais baixo. A parte principal desse ciclo nós chamamos de eixo central do adestramento. Esse é um termo clássico utilizado para o adestramento da FFE. Todo esse adestramento e todos os planejamentos relacionados a esses adestramentos fazem com que o nosso militar exercite, ao longo do ano, coisas que são fundamentais para o cumprimento de qualquer tarefa: disciplina, obediência total aos preceitos hierárquicos, uma capacidade intensa de se realizar um planejamento detalhado e se conduzir uma operação que tenha um detalhamento tão grande em seu planejamento. Tendo esses fatores bastante treinados ao longo do ano, existe uma capacidade conferida ao fuzileiro naval de participar em qualquer tarefa que lhe seja acometida. Além disso, o CFN é completamente profissional, ou seja, desde o nosso soldado até o almirante-de-esquadra, são todos profissionais, todos voluntários, todos pertencentes a uma carreira, todos concursados. O CFN não tem o militar recruta, aquele que passa pelas suas fileiras ao longo de apenas 10 meses fazendo o serviço militar. Não, são todos profissionais. Isso facilita a realização desses adestramentos, facilita também o aprendizado nos cursos e facilita também a colocação em qualquer tarefa que seja acometida ao CFN. Nós trabalhamos também dentro de um conceito doutrinário de organização por tarefas, ou seja, qualquer tarefa que seja atribuída ao CFN é cumprida com a formação de um grupamento operativo de fuzileiros navais. Quando a gente fala de um grupamento operativo de fuzileiros navais, fala de uma composição de meios e de pessoal que confere ao fuzileiro naval a capacidade de durar na ação com autonomia administrativa e com autonomia de planejamento. Isso também facilita quando estamos, em um momento, trabalhando para a GLO e esse mesmo grupo, rapidamente, seja movimentado como operação de paz e também seja, rapidamente, movimentado para cumprir uma outra ação, onde seja necessário um uso maior da força.

Diálogo: É inegável que a participação em missões de paz e de GLO, que são reais e não treinamentos, acaba sendo muito bom para seus comandados…

V Alte Alexandre: Sem dúvida. Todos esses grandes eventos de que nós participamos, todas as operações de GLO nas comunidades, daqui do Rio de Janeiro e fora dele também, e o próprio Haiti, são operações reais. Isso está sendo fundamental para a evolução do CFN. Hoje, dificilmente encontramos algum militar graduado que não tenha participado de pelo menos um desses eventos, ou seja, que não tenha pelo menos uma experiência em missão real. Não podemos esquecer que nós estamos no Líbano também, na UNIFIL [Força Interina da ONU no Líbano]. Também não podemos esquecer que temos destacamentos de segurança de embaixadas, que também são missões reais. Quando você faz a segurança do embaixador, do corpo diplomático, você está em uma missão real.

Diálogo: Possivelmente a MINUSTAH será desativada em alguns meses. O CFN já estuda a utilização de sua Força em operações em outros países?

V Alte Alexandre: Sim. Já há pedidos junto ao Ministério da Defesa do Brasil para que participemos em missões da ONU por parte do Chipre, Líbano, Congo, Saara Ocidental, República Centro-Africana, Libéria, Síria, Costa do Marfim, Sudão, ou seja, são países que têm dificuldades na sua segurança interna e que os organismos internacionais analisam a possibilidade de enviar tropas em missão de paz para esses países.

Diálogo: Qual a importância da interação dos FN do Brasil com outros corpos de fuzileiros navais de outros países?

V Alte Alexandre: A troca de experiências é fundamental, tanto para nós quanto para eles; essa é uma via de mão dupla. Logicamente, há um equilíbrio nessa troca de experiências. Como tudo que acontece nas relações internacionais, existem as contrapartidas, existem as negociações, os planejamentos. O que nós recebemos de lá, na mesma medida nós podemos passar nossas experiências para outros países também. É importante, pois também serve para o trabalho de operações combinadas, que são exatamente essas que envolvem operações. A UNITAS é um exemplo clássico disso.

Fonte: Diálogo Américas

Categories
Brasil Espaço Inteligência Tecnologia

Começa segunda etapa de preparação para o lançamento do Satélite Geoestacionário

Por Ascom do MCTIC

Publicação: 02/03/2017 | 15:33

Última modificação: 03/03/2017 | 17:36

Crédito: Divulgação

Satélite está programado para ser lançado ao espaço no dia 21 de março.

O lançamento do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC) entrou na segunda fase de preparação com o carregamento dos elementos combustíveis do equipamento, que deve ir à órbita em 21 de março, a partir do Centro Espacial de Kourou, na Guiana.

“O procedimento ficou a cargo da Arianespace. Está correndo tudo bem”, afirma o gerente de Engenharia e Operações de Satélites da Telebras, Sebastião Nascimento, que acompanha as atividades no centro de Kourou.

Nos próximos dias, o SGDC passará pela fase final de preparação para o lançamento ao espaço. O satélite brasileiro será acoplado ao veículo lançador Ariane VA 236, junto com um equipamento sul-coreano que será levado no mesmo módulo.

O primeiro satélite geoestacionário do Brasil terá uso civil e militar. O equipamento deve ampliar a oferta de banda larga em todo o território nacional, principalmente em regiões remotas do país, e garantir a segurança das comunicações na área de defesa.

O SGDC vai operar nas bandas X e Ka. A primeira é uma faixa de frequência destinada exclusivamente ao uso militar, correspondendo a 30% da capacidade total do satélite. Já a banda Ka, que representa 70%, será usada para ampliar a oferta de banda larga pela Telebras.

Parceria

O Satélite Geoestacionário é uma parceria entre o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) e o Ministério da Defesa e conta com investimentos no valor de R$ 2,1 bilhões. O processo de construção e lançamento do SGDC também envolve engenheiros e especialistas da Telebras e da Agência Espacial Brasileira (AEB), além da empresa Visiona.

Com 5,8 toneladas e 5 metros de altura, o equipamento ficará posicionado a uma distância de 36 mil quilômetros da superfície da Terra, cobrindo todo o território brasileiro e o Oceano Atlântico. Ele será operado por dois centros de controle, em Brasília e no Rio de Janeiro. Também há outros cinco gateways – estações terrestres com equipamentos que fazem o tráfego de dados do satélite – que serão instalados em Brasília, Rio de Janeiro, Florianópolis (SC), Campo Grande (MS) e Salvador (BA).

SGDC foi carregado com elementos combustíveis para o lançamento e funcionamento no espaço. Nos próximos dias, equipamento será integrado ao veículo lançador no Centro Espacial de Kourou, na Guiana Francesa

Fonte: MCTIC 

Categories
Uncategorized

FOpEsp : A Investida do Tubarão: Síntese Histórica dos Mergulhadores de Combate da Marinha do Brasil (Parte Final)

Fotografia 8: Destacamento do Grupo Especial de Retomada e Resgate dos Mergulhadores de Combate (GERR/MEC) executam exercício de técnicas de varredura em uma embarcação. (Fonte: Acervo do GRUMEC).

Texto elaborado por Rodney Alfredo Pinto Lisboa.

A partir da aprovação da Estratégia Nacional de Defesa (END [dezembro de 2008]), cujas diretrizes atribuem à Marinha do Brasil uma tríade de tarefas estratégicas (Negação do Uso do Mar; Controle de Área Marítima; Projeção de Poder), o GRUMEC, considerando os termos de sua especificidade face ao conjunto de responsabilidades conferido à Força Naval pela END, passou a assumir encargos que, gradativamente, elevariam a unidade à condição de um dos principais instrumentos para a projeção do Poder Naval brasileiro. Levando em conta as adversidades estruturais e orçamentárias características de uma nação periférica como o Brasil (nas relações internacionais o país não participa do núcleo central composto pelas principais nações capitalistas do mundo), que histórica e sistematicamente restringem e distanciam as OpEsp das inovações tecnológicas disponíveis no mercado comum, esse protagonismo ainda não pode ser desempenhado em sua plenitude.

As demandas exigidas para o desempenho das funções atinentes ao GRUMEC foram evoluindo lenta e gradativamente ao longo da primeira década do século XXI, período que coincide com a sequência de dois eventos distintos que abriram novas perspectivas para as OpEsp navais, tornando ainda mais significativa a parcela de contribuição da unidade para com a defesa da soberania brasileira no mar. O primeiro desses eventos ocorreu em 2004 com a publicação do ISPS-Code, um conjunto de normas internacionais publicado pela IMO tratando da proteção do tráfego marítimo e instalações portuárias contra ataques terroristas e outras ameaças. O segundo evento, sucedido em 2007, diz respeito à exploração dos campos produtores de petróleo na camada do pré-sal.

Os eventos supramencionados impuseram novos desafios ao GRUMEC, uma vez que a unidade foi levada a adaptar-se à nova conjuntura desenvolvendo doutrinas de emprego compatíveis com as novas tarefas que lhe foram atribuídas: fiscalização das águas jurisdicionais brasileiras; operações de controle de área marítima; ações contra elementos adversos em ambiente marítimo (embarcações, plataformas e terminais portuários). Assim sendo, passando a incorporar aos recém criados Grupos de Visita e Inspeção/Guarnição de Presa (GVI/GP), conforme a natureza de suas atribuições, o GERR/MEC passou a enfatizar o adestramento voltado para as denominadas Operações de Interdição Marítima (MIO), focando sua preparação nos procedimentos de abordagem a partir de plataformas marítimas e aéreas, bem como nas técnicas de Confronto em Recinto Confinado (CQB).

Fotografia 9: Dupla de Mergulhadores de Combate (MECs), componentes de uma Equipe de Comandos Anfíbios (ECAnf), à serviço da Organização das Nações Unidas por ocasião da Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (MINUSTAH). (Fonte: Acervo do GRUMEC).

O panorama político-econômico internacional iniciado com o final da Guerra Fria fez surgir uma nova ordem mundial com a entrada de novos atores (Organizações governamentais, organizações não governamentais, conglomerados econômicos multinacionais, empresas privadas, grupos de libertação nacional, mercenários, guerrilheiros, terroristas, traficantes, entre outros) com destacada relevância no cenário global. O mundo globalizado e a moderna tecnologia resultante dele permitiram que alguns desses novos agentes não estatais, que atuam na ilegalidade, empregassem os mesmos recursos que os atores estatais, atuando de forma ágil e com alcance global.

O Direito Internacional, ciente de que a nova ordem mundial passou a ser geradora de interesses conflitantes, que eventualmente poderiam ocasionar insegurança, violência e ameaças à paz mundial, atribuiu ao Conselho de Segurança das Nações Unidas (CS-ONU) à responsabilidade de coibir conflitos que poderiam comprometer a estabilidade no mundo. O fim da Guerra Fria potencializou conflitos culturais, étnicos e religiosos que permaneceram latentes no período de antagonismo entre os EUA e a URSS. Diante desse quadro a ONU teve que agir prontamente conduzindo Operações de Estabelecimento da Paz (ações diplomáticas visando acordo entre os beligerantes), Operações de Manutenção da Paz (medidas tomadas após acordo de paz para reconstrução do país-anfitrião), Operações de Imposição da Paz (procedimentos realizados em casos de agressão ou crimes contra a humanidade) e Operações de Construção da Paz (condutas dirigidas para estabelecer as bases para um acordo de paz entre os antagonistas).

Neste contexto, embora o Brasil atue como País Contribuinte de Tropa (TCC) em missões de paz anteriores a 2004, foi somente a partir desse ano que o governo do brasileiro, percebendo a necessidade de projetar sua Política Externa, aumentar seu prestígio junto a ONU, e arcar com suas responsabilidades no cenário global e regional, colocou suas FFAA à disposição da organização internacional para composição de operações de paz em caráter mais ativo e relevante. Destacamos como exemplos da participação brasileira em missões da ONU: Força de Emergência das Nações Unidas (UNEF), entre 1957 e 1967; Missão de Verificação das Nações Unidas em Angola (UNAVEM), entre 1989 e 1997; Operação das Nações Unidas em Moçambique (UNOMOZ), entre 1992 e 1994; Missão das Nações Unidas para a Administração Transitória do Timor Leste (UNTAET), entre 1999 e 2002; Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (MINUSTAH), a partir de 2004.

Fotografia 10: Quadros operacionais do GERR/MEC participam de adestramento de técnicas de Confronto em Recinto Confinado em Beirute, capital do Líbano por ocasião de intercâmbio com os SEALs libaneses. (Fonte: Acervo do GRUMEC).

Quando considerados os desdobramentos de contingentes militares brasileiros em operações de paz, nota-se uma tímida participação do GRUMEC ao correlacionar sua natureza especializada ante as possibilidades de contribuição que a unidade poderia proporcionar ao efetivo da ONU e ao país-anfitrião. Apesar da participação acanhada e ainda subestimada, os MECs sempre responderam prontamente nas oportunidades que tiveram de colaborar com os contingentes destacados para as operações de paz ao redor do mundo. Como exemplo do engajamento do GRUMEC em missões da ONU, são dignas de referência: a atuação na MINUSTAH, que a cada seis meses acolhe duas praças para compor o Batalhão Brasileiro (BRABATT); o cargo de Observador Militar ocupado por oficiais MECs, que constituindo equipes transnacionais em conflitos distintos, foram encarregados de supervisionar a condução de acordos de paz entre as nações antagonistas (Etiópia/Eritréia, em 2008; Nepal, em 2010).

A forma como o GRUMEC desempenhou as funções que lhe foram atribuídas até a primeira década do século XXI refletiriam positivamente nos anos posteriores. A crescente valorização dos MECs tornou-se evidente à medida que a unidade teve sua participação solicitada para compor ações de interesse/projeção nacional e internacional nos anos subsequentes, a se ressaltar a participação de um Destacamento de Mergulhadores de Combate (DstMEC), configurado para Operação de Interdição Marítima, atuando sistematicamente como componente da Força Interina das Nações Unidas no Líbano (UNIFIL). A segunda, por sua vez, diz respeito à participação do GRUMEC nos Planos de Segurança de eventos internacionais ocorridos e a ocorrer em território brasileiro, entre os quais são dignos de nota: V Jogos Mundiais Militares do Rio de Janeiro (2011); Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável/Rio+20 (2012); Jornada Mundial da Juventude/JMJ Rio de Janeiro (2013); Copa das Confederações FIFA (2013); Copa do Mundo FIFA (2014); XXXI Jogos Olímpicos e XV Jogos Paralímpicos do Rio de Janeiro (2016).

Fonte: FOpEsp (Forças de Operações Especiais)

Categories
Armored Personnel Carriers

Governo do México realiza leasing de blindado da Rússia

O Governo Mexicano através da Comissão Nacional de Segurança do México (Comisión Nacional de Seguridad de México ) assinou com a Rússia um acordo para o  leasing  de um veiculo blindado Gorets-M 4×4 para uso do Servicio de Protección Federal (SFP). O veiculo foi entregue pela Rússia no porto mexicano de Veracuz em outubro de 2016. Antes da assinatura do contrato para o leasing o veiculo passou por testes no México para adequação.

O Servicio de Protección Federal alugou o Gorets-M por um período de um ano de operação após a assinatura do contrato. O veiculo Gorets-M foi desenvolvido pela empresa russa OKB Tehnika e destina-se ao transporta de pessoal no campo de batalha. O veiculo baseia-se no chassi do caminhão KAMAZ 43502 4×4 possui cabine blindada seguindo a norma STANAG 4569 nível 1.