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Novos caças russos MiG-35 poderão substituir caças F-5 do México

O presidente mexicano Enrique Peña Nieto anunciou uma modernização em larga escala das Forças Armadas nacionais. O processo, que será concluído até 2030, prevê três fases; na última delas, entre 2025 e 2030, serão adquiridos 24 caças.

Embora não tenha sido especificado qual aeronave irá substituir os atuais modelos norte-americanos F-5 Tiger II, a abertura de uma licitação para a compra de caças leves supersônicos pode resultar na comprar de MIG-35 russos, dizem os analistas.

Segundo os projetistas, o MiG-35 é mais seguro, mais eficaz e 50% mais barato do que o seu antecessor MiG-29. Além disso, MiG-35 supera, na relação custo-benefício, seus análogos, como o francês Rafale, o sueco Gripen e o norte-americano F-16.

Apesar das vantagens, os especialistas acreditam que não será fácil entrar no mercado mexicano. “Devemos trabalhar duro para conseguir isso. Há vários fatores que atuam contra Moscou: a dependência do México em relação aos EUA, a falta de experiência mexicana no manejo de aeronaves russas, e as dificuldades associadas com formação de pilotos e pessoal técnico, além da manutenção das aeronaves.

“Por exemplo, quando os peruanos adquiriram MiG-29s em 1990, eles tiveram vários problemas com a manutenção e a operação dos caças. A Rússia deve fazer uma oferta especial para que o México escolha seus aviões”, disse à Gazeta Russa o especialista do Centro de Estudos da Sociedade em Situações de Crise, Aleksêi Krivopálov.

O novo caça multifuncional de geração 4 ++ MiG-35 foi apresentado ao público pela fabricante de aeronaves militares russa Mikoyan no final de janeiro. A diretoria da empresa afirmou que “vários países demonstraram interesse na aquisição do avião”.

Produção local

Em entrevista à edição mexicana da “Forbes”, o diretor-presidente da Mikoyan, Iliá Tarasenko, o objetivo da fabricante de aviões russa pretende expandir sua presença no mercado latino-americano e fomentar sua relação com os países da região.

Além disso, a empresa estaria dispostas a oferecer ao México um “generoso acordo de compensação” que inclui não só a manutenção de pilotos e o treinamento de pilotos e engenheiros, como também a produção de modelos MIG-35 em solo mexicano.

Para os especialistas, a intenção russa de iniciar a produção de caças no território do México aumenta as chances de assinatura do acordo. Ainda assim, o fato político deve pesar sobre as negociações.

“As chances do MIG são pequenas. O México é muito dependente dos EUA e não tem potenciais inimigos. Sua necessidade de caças se limita a duas dúzias de aviões. É improvável que o país que sempre compra tecnologia americana escolha um avião russo, e um modelo que ainda nem tem produção em série”, explica o editor-chefe do portal russo “Paridade militar”, Adrian Nikoláiev.

30 anos de atuação

Há dois anos, quando as Forças Armadas do México celebraram seu centenário, o comandante da Força Aérea Mexicana, general Carlos Antonio Rodriguez Munguia, anunciou que duas a cada dez aeronaves militares do país estavam em serviço há mais de 30 anos e, portanto, deveriam ser substituídas.

A situação dos bombardeiros no país é ainda mais crítica. Dos 12 caças F-5 Tiger II comprados dos EUA em 1982, apenas três puderam integrar o último desfile do Dia da Independência do México.

Durante os seis anos de mandato do ex-presidente Felipe Calderón, concluído em 2012, esses aviões lutaram ativamente contra os traficantes de drogas, interceptando criminosos que tentavam atravessar a fronteira a partir da Guatemala.

TATIANA RUSSAKOVA

Fotos: © Ramil Sitdikov / RIA Novosti – 26 de janeiro de 2017 Território do Complexo da Corporação industrial “MiG” em Lukhovitsy. Apresentação do novo caça multiuso MiG-35 Geração 4 ++.

Edição: konner@planobrazil.com

Fonte: Gazeta Russa

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Sem pressa em negociar com Mercosul, UE prioriza acordo comercial com o Japão

Esta segunda-feira marca uma data importante nas relações entre o Mercosul e a União Europeia (UE).

Pela primeira vez desde 2012, negociadores dos dois blocos se reunirão, em Buenos Aires, para dar continuidade à negociação de um acordo comercial que já dura vários anos. A expectativa da Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, países que atualmente compõem o bloco regional, é que haja um entendimento sobre isso ainda em 2017, ao menos no que diz respeito ao marco político do eventual tratado.

Mas o otimismo sul-americano pode se chocar com a lista de prioridades da Europa, que está prestes a alcançar um acordo comercial com o Japão.

O diálogo com o Mercosul precisará passar pela solução de questões que até agora impediram qualquer acordo, sobretudo com relação às reivindicações da América do Sul em questões agrícolas e da Europa quanto à propriedade intelectual e o livre acesso das suas empresas às licitações públicas dos países do Mercosul.

“Temos que nos sentar para negociar, acreditamos que haja uma grande convicção das duas partes de que este é o momento”, afirmou a chanceler da Argentina, Susana Malcorra, durante um encontro com jornalistas na sede do seu ministério. Não há fissuras na convicção de que os dois lados precisariam impulsionar as negociações. A América do Sul se encontra num processo de abertura econômica e numa guinada rumo a políticas liberais, após 15 anos marcados por Governos de esquerda. À frente desse movimento está o argentino Mauricio Macri, cujo Executivo liderará as negociações com a UE, já que ele ocupa a presidência temporária do Mercosul neste semestre. Malcorra disse que a expectativa de Buenos Aires e dos seus sócios regionais é que as condições são propícias para a obtenção de um acordo ainda neste ano. “Embora sejamos conscientes de que é pouco provável concluir todos os detalhes, queremos pelo menos avançar num acordo do marco político. Estamos convencidos de que temos oportunidades e diferenças; agora temos que trabalhar em áreas nas quais há um maior consenso para ir fechando capítulos parciais e procurar convergências nas áreas onde não há acordo”, disse a chanceler.

O relançamento das relações entre o Mercosul e a UE é a reação natural à política de fechamento de fronteiras impulsionada pelo presidente Donald Trump nos Estados Unidos. O Mercosul respondeu inicialmente se aproximando da Aliança do Pacífico (bloco liberal integrado por Chile, Peru, Colômbia e México) e redobrando os esforços para resolver gargalos estruturais que freiam seu próprio comércio interno. Um acordo com a UE é outra das questões pendentes, num momento em que Bruxelas também procura novos sócios comerciais. “A Europa está fortemente comprometida com o comércio internacional, mesmo que as tentações protecionistas estejam reaparecendo”, afirmou o presidente do Conselho Europeu, o polonês Donald Tusk, durante a última cúpula europeia, na semana passada. O compromisso da UE com a abertura comercial continua sobre a mesa, apesar das dificuldades que a Europa enfrentou para implementar o CETA (um pacto com o Canadá) e de o TTIP (com os Estados Unidos) estar na geladeira, não só por causa do escasso apetite norte-americano, mas também porque os principais países europeus, com Alemanha e França à frente, estão muito céticos sobre esse acordo.

Mas, apesar das expectativas que esse compromisso pode despertar no Cone Sul, a prioridade europeia neste momento é um pacto com o Japão. O México e o Mercosul vêm logo atrás – a Europa rechaça o otimismo da América Latina sobre a possibilidade de assinar um acordo neste ano, mas admite que isso seria factível em 2018. “Tanto a UE como o Mercosul se comprometeram a promover um acordo de associação global, equilibrado e ambicioso”, disse uma fonte do bloco europeu. “E a Comissão se sente animada com as recentes declarações feitas a este respeito pelos Governos dos países do Mercosul. Mas é muito cedo para predizer o que acontecerá nesta etapa. Foram feitos progressos significativos, mas ainda há muitas áreas nas quais é necessária uma negociação adicional.”

O pacto UE-Mercosul ressuscitou depois do intercâmbio de ofertas no ano passado. A Europa quer um acordo ambicioso e equilibrado, segundo as fontes consultadas: isso incluiria solucionar alguns dos problemas que continuam sobre a mesa. Os principais, segundo o lado europeu, são as tentações protecionistas de alguns dos sócios do Mercosul, com o Brasil à frente. Os europeus querem garantir que suas empresas possam concorrer em pé de igualdade nas licitações públicas, algo que dificilmente acontece atualmente. Outro ponto conflitivo é o reconhecimento de padrões de produção e de patentes. Pelo lado sul-americano, o principal entrave é o protecionismo agrícola. A Europa precisará suspender as barreiras a alguns dos produtos que representam a maior força das nações do Mercosul. Mas, mesmo por esse lado, busca concessões, pois pretende penetrar mais no mercado sul-americano com produtos como o azeite de oliva, vinhos e laticínios.

Os países do Mercosul estão conscientes de que aí estão os principais desafios. “Essas são as áreas onde os Governos têm visões distintas e pontos de vista distintos, e estamos tentando ver como é possível harmonizá-los. Não vou me aprofundar na nossa estratégia a respeito disso, mas é evidente que esses acordos obrigam as partes a fazermos um exercício de flexibilidade e [a demonstrar] interesse em resolver as coisas. Se não tivermos esse interesse não há nada a fazer”, afirmou Malcorra. A aposta está em mudanças graduais, ou seja, em concordar com uma agenda que permita que os setores mais afetados se acomodem às novas regras do jogo. A chanceler argentina recordou que os acordos “não têm cláusulas-gatilho de aplicação automática”. “Há coisas que seriam feitas já, há coisas feitas daqui a cinco anos, a sete, a dez ou mais de dez. Parte do trabalho que o acordo com a União Europeia vai nos obrigar a fazer é o trabalho de adequação de setores que precisam chegar ao cumprimento do objetivo final. É fundamental entender que estamos cientes de que, quando é necessária a transformação de algum setor ou de parte de um setor, isto exige tempo e investimento. Ninguém está pensando que de um dia para o outro as regras do jogo serão alteradas ou ocorrerão avalanches em um ou outro sentido”, acrescentou.

Em todo caso, há um interesse europeu em aproximar as posições, e os líderes do Velho Continente deixam isso claro em cada cúpula que realizam desde a posse de Trump. O outro Donald, o polonês Tusk, foi direto ao assunto na semana passada: “A União Europeia continuará participando ativamente com os sócios comerciais internacionais. Isto inclui avançar em todas as negociações em curso para obter acordos de livre comércio ambiciosos e equilibrados, entre eles com o Mercosul e o México”. Mas Tusk recordou também que o acordo com o Japão é o mais avançado. O Mercosul terá que disputar um lugar na agenda europeia.

Foto: EFE – Os chanceleres Susana Malcorra (Argentina), Aloysio Nunes (Brasil), Eladio Loizaga (Paraguai) e Rodolfo Nin Novoa (Uruguai) depois de uma reunião do Mercosul em Buenos Aires, em 9 de março. 

Edição: konner@planobrazil.com

Fonte: El País

 

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Jungmann – BNDES Poderá Financiar Produtos da área Militar

Valor, via Defesanet

Por FABIO GRANER

O Ministério da Defesa iniciou negociações com o Ministério da Fazenda para uma reformulação na política de produtos da área militar. A ideia é atacar os flancos de comércio exterior, financiamento e garantias, regras e regulações e tributação. Nesse esforço, algumas ações já podem ser acionadas no curto prazo, entre elas o ministro Raul Jungmann informou ao Valor que está a possibilidade de o BNDES financiar governos que comprem produtos da indústria brasileira de defesa.

Segundo ele, as negociações com o banco estão em curso e o objetivo é concluí-las a tempo de anunciar o acordo na Laad, a feira latino-americana da indústria de defesa, que será realizada no Rio a partir do dia 4 de abril.

“Estamos solicitando ao BNDES que entre nos apoiando, exatamente tendo uma linha governo a governo. Esperamos concluir até 3 a 4 de abril. A linha financiaria o país que compra o produto”, disse Jungmann. “A linha será para o comprador. Até aqui não temos isso. É um enorme salto, porque financia direto para o governo”, acrescentou Jungmann. Segundo o ministro, o Paraguai, por exemplo, é um país que recentemente manifestou interesse em comprar os caças Super Tucano, produzidos pela Embraer, e que a linha de crédito do BNDES pode ser uma alternativa para viabilizar o negócio.

O secretário de Produtos de Defesa do ministério, Flávio Basílio, acrescentou que a discussão envolve a modelagem de garantias e contragarantias. “Itaipu, no caso do Paraguai, poderia ser uma contragarantia”, exemplifica. “É pensar o Estado, pois se está vendendo para países. E se uma empresa brasileira vende e não entrega também fecha as portas para o Brasil, por isso é preciso trabalhar de forma coordenada”, afirmou. “Quando empresta para a compra de um produto de defesa industrial, o banco está fazendo crescimento industrial e gerando emprego e renda dentro do Brasil. Aí ele faz exatamente a sua função”, disse o secretário.

Ainda não há definições sobre volume da linha de crédito, taxas de juros, perfil de garantias e outros aspectos operacionais que envolvem a linha de crédito. O ministro e o secretário destacam que a questão não é só de condições de financiamento, mas também geopolítica, envolvendo avaliações de interesse estratégico. No trabalho de reconfiguração da política de produtos de defesa, os técnicos também discutem a possibilidade de reduzir a tributação indireta em produtos comprados pelas Forças Armadas no Brasil e adquiridos pelo governo para igualar as condições de competição com os produtos importados.

As Forças Armadas têm imunidade tributária e conseguem importar diretamente bens sem incidência de Imposto de Importação, mas no caso dos produtos comprados no mercado domésticos, apesar da imunidade, há incidência de imposto de importação nos insumos e ICMS, o que torna o nacional menos competitivo. A secretaria de Produtos de Defesa, que participou de uma reunião com na Fazenda, trabalha na formatação de uma proposta para mitigar essa diferença. “Vamos buscar uma estratégia mais racional do uso de imposto de importação para produtos de defesa, para evitar que a gente importe o que a gente poderia produzir aqui dentro”, disse Basílio.

O próprio Jungmann tratou da agenda com o ministro Henrique Meirelles.

Além da parte tributária, as discussões também têm ainda a perna do comércio exterior e uma política de compensações nos negócios entre os países. No capítulo das compensações, o Ministério da Defesa quer criar uma política nacional de “offset”, que centralizaria as negociações em torno de transferência de tecnologia, tanto de fora do Brasil para dentro como daqui para fora. Hoje, as discussões sobre essas compensações são dispersas. “Nós queremos que as compensações sejam orientadas para os projetos estratégicos das forças”, disse Jungmann. “O que vai ser determinado é que se tenha uma moldura para onde a “offset” deve ser dirigida. Não é pelo interesse da empresa que recebeu ou contou com o “offset”. Aquilo terá que ser voltado para o que nós consideramos a prioridade. O Ministério da Defesa vai definir isso, ouvindo a base industrial de defesa e as Forças Armadas”, afirmou.

A política nacional de “offset” também deve envolver outras áreas, integrando por exemplo as discussões de um comércio de produtos de defesa feitos no Brasil com a oferta de compensações, por exemplo, na área agrícola, transferindo tecnologia para outros países. No caso do comércio, Basílio comenta situações inusitadas, como o fato de que a Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) de biquínis é a mesma de coletes balísticos. Para ele, é preciso tratar o segmento de defesa à parte, conforme suas especificidades e diante do fato de que há concorrência não se dá entre empresas e sim entre países.

“É preciso ter uma política comercial específica para os produtos de defesa, que geram transbordamento para toda a economia”, afirmou o secretário. “Se um governo resolver colocar dinheiro em alguma área civil, ele estará sujeito a alguma regra da OMC. Se o governo resolve colocar dinheiro em defesa, não há o que se fazer”, acrescentou, destacando que muitos produtos originalmente de defesa são aplicados na vida civil. Jungmann ressaltou que o Ministério da Defesa tem uma grande carteira de investimentos, a segunda maior do governo federal neste ano, e projetos grandes na área de tecnologia, ciência aplicada e inovação, que têm forte relação com a economia e com o avanço da produtividade, um dos temas prioritários da política econômica atual.

Foto – Ademir Almeida / DefesaNet – Ministro da Defesa Raul Jungmann visita a 4ª Bda Infantaria Mecanizada, centro de Comando do SISFRON. 

Edição: konner@planobrazil.com

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ADSUMUS: Divisão Anfíbia de Fuzileiros Navais, a infantaria da Marinha do Brasil

O Contra-Almirante (FN) César Lopes Loureiro é o atual comandante da Divisão Anfíbia de Fuzileiros Navais do Brasil. Após ser promovido a vice-almirante, ele será o novo comandante da Força de Fuzileiros da Esquadra, que recém completou 60 anos. (Foto: Marcos Ommati/Diálogo)

Antes de assumir o Comando da Força de Fuzileiros da Esquadra, o Contra-Almirante (FN) César Lopes Loureiro conversou com a Diálogo sobre seus desafios à frente da Divisão Anfíbia.

Marcos Ommati/Diálogo

De acordo com o Manual Básico do Fuzileiro Naval do Brasil, a realização de uma operação anfíbia, além da mobilização de pessoal, implica disponibilidade de meios navais, terrestres e aéreos. Devido às suas peculiaridades, ao longo do tempo buscou-se a construção de meios que atendessem especificamente a essas necessidades. Isso acarretou o surgimento de meios próprios para o transporte de tropa, desembarque de carros de combate, transporte de embarcações de desembarque, além de viaturas anfíbias, entre outros. O Contra-Almirante Fuzileiro Naval César Lopes Loureiro é o atual comandante da Divisão Anfíbia de Fuzileiros Navais do Brasil que, por sua vez, é parte da Força de Fuzileiros da Esquadra (FFE), que recém completou 60 anos. A Diálogo conversou com o C Alte (FN) Loureiro na véspera da cerimônia de aniversário da FFE realizada no dia 16 de fevereiro, no Comando da Divisão Anfíbia, na Ilha do Governador, no Rio de Janeiro. A propósito, no mesmo dia, ele recebeu a notícia de que fora promovido a vice-almirante e que, em algumas semanas, irá assumir o comando da FFE.

Diálogo: O que representam os 60 anos da Força de Fuzileiros da Esquadra?

Contra-Almirante (FN) César Lopes Loureiro: Eu vejo esses 60 anos como a consolidação de todo um processo que se iniciou em 1957, de uma maneira muito insipiente, mas com uma grande vontade de evoluir. A Força de Fuzileiros da Esquadra, na época da sua fundação, não deveria passar de quinhentos militares; hoje somos seis mil profissionais bem equipados, bem adestrados, prontos para o dever. Esses 60 anos representam, no final das contas, toda essa evolução, desde uma força quase que romântica até uma força extremamente profissional. Nos dias de hoje, principalmente, o fuzileiro naval é o único militar voluntário do Brasil, desde o soldado até o comandante-geral. O nosso soldado faz um concorrido concurso público para ser soldado e, depois, ele faz concursos internos para ir a cabo, a sargento… O nosso oficial faz concurso público em nível nacional para ser oficial, portanto, não é um serviço compulsório, é um serviço voluntário. Todos estão no Corpo de Fuzileiros Navais (CFN) como voluntários e, em função dessa característica, é que ao longo desses 60 anos construímos essa reputação, esse profissionalismo, e o CFN que nós temos hoje.

Diálogo: O senhor acaba de ser comunicado pelo comandante da Marinha do Brasil [o Almirante-de-Esquadra Eduardo Bacellar Leal Ferreira] que irá assumir a Força dos Fuzileiros da Esquadra, substituindo o Almirante Alexandre na FFE, e passando o comando da Divisão Anfíbia. Qual foi o seu maior desafio nesse ano como comandante da Divisão Anfíbia?

C Alte Loureiro: Eu acho que o meu maior desafio foi manter o legado que a Divisão Anfíbia representa, porque nessa evolução que eu citei há pouco, ela foi conquistada com muita dificuldade, com muito investimento, com muita dedicação de várias gerações de fuzileiros navais, desde os soldados aos almirantes. Então, quando se assume o comando de uma divisão anfíbia como essa, o maior desafio é manter esse legado, é a responsabilidade de manter o elevado nível de adestramento, manter a tropa pronta.

Diálogo: No final de 2016 foi realizada a XXXVII Operação Dragão. O senhor pode explicar, mais detalhadamente, em que consiste essa operação?

C Alte Loureiro: A Dragão é uma operação de assalto anfíbio, que é uma das tarefas que a doutrina básica da Marinha impõe que nós estejamos capacitados a fazer. Aliás, é a única tropa profissional que tem condições de fazer isso, já que é uma operação extremamente complexa, pois envolve navios, fuzileiros navais, aeronaves – tanto de asa fixa quanto de asa rotativa -, apoio de fogo naval, comunicações, manobras internas e manobras no mar. Nós poderíamos dizer que, de todas as operações de caráter naval, esta é a mais complexa. Durante mais de dez anos a Marinha não vinha fazendo esse tipo de operação, por questões diversas: material, financeiro, outras decisões, participações em outros compromissos e agora, no ano passado, nós voltamos com a XXXVII Operação Dragão. Vencemos esse desafio depois de dez anos sem fazê-la. Foi um sucesso, e a ideia agora é que a cada ano façamos a Operação Dragão.

Diálogo: E envolve apenas o Corpo de Fuzileiros do Brasil?

C Alte Loureiro: Não. A Operação Dragão é uma operação realizada apenas pela Marinha do Brasil, mas com muitos observadores. Nós temos observadores de vários países; vieram os americanos, vieram os namibianos, vieram os chilenos… Então, é uma operação de tal vulto que desperta o interesse, inclusive de acompanhamento por parte de outras forças de outros países.

Diálogo: Pode dar exemplos de outras operações que sejam multinacionais?

C Alte Loureiro: Em 2013, fizemos a Operação Felino, com os países da comunidade de língua portuguesa, lá em Itaoca [Espírito Santo]. Em 2014, realizamos a operação chamada Bold Alligator, com os Fuzileiros Navais americanos, incluindo um navio da Marinha dos EUA. Em 2015, a Operação Fraterno com a Marinha argentina, inclusive seus Fuzileiros Navais.

Diálogo: Não podemos esquecer da UNITAS em 2015, em que o Brasil foi o país anfitrião…

C Alte Loureiro: Exatamente. Foi a primeira vez que o Brasil foi anfitrião e foi, também, uma operação de grande repercussão positiva que contou não só com a Marinha do Brasil, mas também com representantes das marinhas dos Estados Unidos, México, Canadá e Chile. Em 2016, nós não fizemos nenhuma operação multinacional, porque o nosso calendário ficou razoavelmente apertado, por conta da realização dos Jogos Olímpicos, tendo em vista que a Marinha teve uma participação direta no apoio à segurança dos jogos. Mas, em 2017, nós vamos retornar com algumas dessas operações também.

Diálogo: Qual é a participação da Divisão Anfíbia na Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (MINUSTAH)?

C Alte Loureiro: A Divisão Anfíbia tem as unidades de infantaria do Corpo de Fuzileiros Navais. Eu costumo dizer que a Divisão Anfíbia concentra o núcleo do poder de combate do Corpo de Fuzileiros Navais. Assim sendo, todos esses grupamentos operativos [de missões de paz] que são formados, seja no Brasil, seja no exterior, são formados em torno das unidades da Divisão Anfíbia. Então, a Divisão Anfíbia participa, obrigatoriamente, por meio de alguns dos seus militares, algumas das suas unidades, dessas operações. Hoje mesmo, quem está no contingente da MINUSTAH, lá no Haiti, são os militares do 3º Batalhão de Infantaria, ou seja, essa é a nossa participação. A maior parte do efetivo que está lá é pessoal da Divisão Anfíbia que nucleia a força do grupamento operativo.

Diálogo: A Marinha do Brasil recentemente informou que o porta-aviões São Paulo vai ser descomissionado. Qual o impacto disso para o Corpo de Fuzileiros Navais?

C Alte Loureiro: Contar com um navio aeródromo na Marinha é fundamental, pois a presença dele nos permite realizar uma série de tarefas de caráter naval, de missões, em que esse tipo de navio desempenha um papel central. É realmente uma pena que nós estejamos agora descomissionando o navio. Mas, são razões conjunturais; no estudo que se fez apareceu que a relação custo-benefício não era compensatória. O São Paulo acabou ficando conosco por mais de 15 anos. Cumpriu, nos anos iniciais, um excelente papel de revitalização da aviação naval. O que nos cabe agora na Marinha é, durante esse período que precede a aquisição de um novo meio, continuar a realização dos exercícios necessários por meio de outros recursos, seja por meio de simuladores em terra, do emprego da base aérea naval, do concurso de marinhas amigas nessas operações conjuntas, para utilização das plataformas de outros países, especialmente Estados Unidos e Reino Unido, buscando manter essa qualificação tanto dos pilotos, quanto dos fuzileiros navais que operam em conjunto com a aviação aerotransportada, ou mesmo helitransportada. Isso nós podemos manter e traçar como objetivo da Marinha e uma das nossas prioridades a obtenção de um novo sistema equivalente, e a Marinha do Brasil, com certeza, vai tratar isso como prioridade.

Diálogo: O que de mais importante ficará para o senhor quando deixar o Comando da Divisão Anfíbia?

C Alte Loureiro: O sentimento de realização, porque passar ao final da vida profissional por um comando como esse é extremamente gratificante. Eu me lembro que quando me apresentei na minha primeira unidade, para servir como segundo-tenente, eu tinha vinte anos de idade. Eu me apresentei aqui na Divisão Anfíbia, fui recebido por um almirante que comandava e fui parar lá no Batalhão Riachuelo, onde passei cinco anos, e naquela época eu jamais imaginaria que um dia eu seria o comandante da Divisão Anfíbia. Isso acontecendo significou uma realização profissional enorme. Portanto, eu digo que ficará o sentimento de alegria, de realização por estar à frente desse comando, com todas as atribulações, dificuldades, mas que é algo extremamente compensador. Então eu já sei que devo sair em breve para assumir outro cargo, mas vou guardar esse aqui com muita saudade, muito carinho.

Fonte: Diálogo Américas

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FAB PÉ DE POEIRA: Oficial de Infantaria

As Forças Armadas têm em comum a característica de contar com várias frentes de trabalho. Na Força Aérea Brasileira, por exemplo, há a Infantaria, área que geralmente é mais associada ao Exército Brasileiro por causa da imagem do soldado portando um fuzil.

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COMANDO MILITAR DA AMAZÔNIA (CMA) REALIZA AVALIAÇÃO OPERACIONAL EM AERONAVE TWIN OTTER.

O Comando Logístico (COLOG), em cumprimento aos Objetivos Estratégicos do Exército (OEE), contidos no Plano Estratégico do Exército (PEEx) 2016-2019 (Ampliação das capacidades de mobilidade e elasticidade; Prosseguir na estruturação da Aviação do Exército; e Apresentar estudos para adoção de Aviação de asa fixa no CMA), está realizando, por meio do CMA, testes em aeronaves.

Dentre as várias aeronaves estudadas, a Viking, fabricante da aeronave Twin Otter, está realizando um circuito no Brasil para uma avaliação operacional por parte do Exército Brasileiro.

O CMA estará, nos dias 21, 22 e 23 MAR 17, realizando testes de módulos logísticos para verificação das possibilidades e limitações da referida aeronave.

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Defesa Geopolítica

Estas são as maiores potências militares do mundo em 2016

O site Global Firepower investiga todos os anos as forças armadas em 125 países e produz um detalhado ranking que mostra quais as mais fortes. Veja o resultado