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Protestos podem ser início de nova “Primavera Russa”

Há anos não se viam manifestações tão grandes contra o governo em cidades russas, e elas reuniram sobretudo jovens. Principal nome por trás do movimento é blogueiro que combate a corrupção e quer concorrer contra Putin.

Há três anos, “Primavera Russa” foi um slogan de batalha do movimento separatista pró-Rússia na Crimeia e no leste da Ucrânia. Depois dos protestos deste domingo (26/03) na Rússia, ele poderá ganhar um novo significado, que, ao contrário do anterior, não deverá agradar ao Kremlin.

Imagens como as registradas em Moscou e Vladivostok não eram vistas havia cinco anos na Rússia. Milhares de pessoas saíram às ruas para protestar contra o governo. Centenas foram detidas. Em Moscou, o protesto não havia sido autorizado. Principalmente jovens seguiram o chamado do líder oposicionista Alexei Navalny, que acusou o primeiro-ministro Dimitri Medvedev de corrupção. O próprio Navalny está entre os detidos. Um tribunal o condenou nesta segunda-feira a 15 dias de prisão e a pagar uma multa de cerca de 300 euros.

A nova onda de protestos começou no ponto onde a anterior parara, em maio de 2012. Na época, pouco antes de Vladimir Putin assumir pela terceira vez a presidência, centenas de opositores saíram às ruas de Moscou, no ápice de um movimento de meses, na maioria das vezes pacífico. Naquele mês, porém, a situação se acirrou, e muitos manifestantes foram detidos e condenados. Como resultado, a onda de protestos motivada pela decisão de Putin de retornar ao Kremlin se extinguiu.

Muitos jovens participaram das manifestações contra o governo em Moscou e outras cidades

O homem por trás dos protestos

Agora a Rússia está de novo diante de uma eleição presidencial, daqui a um ano, e Putin deve se candidatar mais uma vez. Navalny, que entre o fim de 2011 e o início de 2012 ajudou a deflagrar a maior onda de protestos da história recente do país, planeja ser seu oponente. O opositor anunciou sua candidatura já em dezembro. Não está claro, porém, se ele poderá concorrer.

Em fevereiro, um tribunal o considerou culpado num caso de crime econômico, o que encerra suas pretensões presidenciais. Navalny recorreu da sentença, mas deixou claro não acreditar na Justiça russa ao levar o caso para o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos, em Estrasburgo.

Navalny, de 40 anos, ficou famoso como blogueiro e por combater a corrupção. Ele é o político russo que melhor sabe utilizar as redes sociais. No início de sua carreira, costumava usar tons nacionalistas, o que lhe rendeu críticas. Nas urnas, seu melhor desempenho foi a eleição para a prefeitura de Moscou, em 2013. Navalny ficou em segundo lugar, com mais de um quarto dos votos.

Nos últimos tempos, ele chamou a atenção com revelações sobre supostos casos de corrupção governamental, difundidas nas redes sociais por meio de documentários bem elaborados.

“Corrupção é o assunto que mais mexe com a opinião pública, é o tema político mais importante”, disse Navalny em setembro de 2016, em entrevista à DW. Na época, ele se queixou indiretamente de que era difícil mobilizar as pessoas na Rússia.

Agora, porém, a situação parece que mudou. O mais recente filme de Navalny, sobre Medvedev, foi visto por mais de 12 milhões de pessoas. No documentário, Navalny acusa o primeiro-ministro de enriquecimento ilícito por meio de uma rede de fundações, incluindo propriedades como palácios, vinhedos e iates. Medvedev não respondeu às acusações. A porta-voz dele disse que o filme é parte da campanha eleitoral.

Não está claro se isso vai ajudar Navalny. Segundo o renomado instituto de pesquisas Levada-Center, apenas 10% dos russos disseram ter intenção de votar nele. Esse percentual não oferece nenhum perigo para Putin, cujos índices de aprovação giram há anos em torno de 80%.

Também em São Petersburgo, milhares saíram às ruas para protestar

Jovens contra Putin

Na Rússia, muitos se perguntam como Navalny consegue mobilizar tantas pessoas para os protestos, principalmente jovens. É visível que a simpatia por ele e as críticas ao governo crescem nesse grupo, também nas províncias.

Há alguns dias, a detenção de um estudante causou sensação na cidade de Briansk. Depois do incidente, a diretora da escola local conversou com os alunos da turma, e uma gravação sigilosa da conversa viralizou nas redes sociais. Nela, um estudante afirma que é contra o partido governista Rússia Unida.

“Então você acredita que a vida ficou pior com Putin e Medvedev?”, questiona a diretora, em tom de surpresa. “Não”, responde o aluno. “Eles só estão há muito tempo lá em cima.”

Os manifestantes do último domingo são jovens que nasceram ou viveram grande parte de sua vida na era Putin. “Mesmo que não houvesse motivos para críticas, eles ficariam irritados com Putin porque ele está lá há muito tempo”, comenta o jornalista Oleg Kashin.

Degelo à vista?

Os protestos do último domingo não são a única surpresa relacionada ao filme de Navalny. Pouco antes e de forma quase despercebida veio a notícia de que os comunistas no Parlamento russo querem investigar as denúncias contra Medvedev.

Um procedimento como esse contra o chefe de governo era quase inimaginável na Rússia. Os comunistas são um partido de oposição apenas no papel e são conhecidos por seguir uma linha política que atende aos interesses da liderança do Kremlin. Por isso, alguns observadores se perguntam se Putin estaria interessado em afastar Medvedev.

O primeiro-ministro já foi apontado como um possível sucessor de Putin, como alguém que sabe esperar pela sua hora e que implementa uma política liberal. Ele é comparado ao antigo líder soviético Nikita Khrushchev, que seguia uma linha de degelo político.

Nas últimas semanas, círculos oposicionistas russos discutiram se estaria havendo um possível degelo em questões internas. O motivo foram algumas decisões amenas da normalmente rígida Justiça russa. Alguns ativistas e críticos do Kremlin foram libertados da cadeia. Para Kashin, a maneira como a Justiça vai lidar com os manifestantes detidos neste domingo vai mostrar se o degelo é real.

Edição: konner@planobrazil.com

Fonte:DW

 

 

 

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Marinha do Brasil simula retomada de área dominada por facção no Pantanal

A Marinha do Brasil, por intermédio do Comando do 6º Distrito Naval, realizou de 20 a 23 de março, na região de Cáceres-MT, uma Operação Ribeirinha, contando com meios navais, aeronavais e fuzileiros navais.

A tarefa atribuída, simuladamente, era a de restabelecer a lei e a ordem, prendendo invasores de uma facção criminosa, que dominavam uma área no rio Paraguai, onde realizavam extração ilegal de minério, crimes ambientais, entre outros.

A simulação de combate no Pantanal teve a participação de oito navios, dois helicópteros, lanchas, viaturas, destacamento do Comando da Força de Fuzileiros da Esquadra (FFE) e tropas do Grupamento de Fuzileiros Navais de Ladário (GptFNLa). Também houve a participação de embarcações e militares do 2° Batalhão de Fronteira de Cáceres, do Exército Brasileiro, na última fase da operação.

Diante da situação, uma equipe de operações especiais se infiltrou na área dominada, inclusive com paraquedistas, para levantar informações detalhadas e identificar a base de operação daquela facção.

Simultaneamente, a Força Naval avançava, realizando batimento de margem. Esta ação consistia em desativar qualquer armadilha instalada, como correntes passadas pelo rio, pelas “forças paramilitares” para evitar a chegada desses meios a sua base.

Posteriormente, Fuzileiros Navais desembarcaram do Navio-Transporte Fluvial “Almirante Leverger” e do Navio-Transporte Fluvial Paraguassu percorrendo, por rio e terra, aproximadamente cinco quilômetros, até chegar à posição estabelecida pela facção criminosa.

Após ataque terrestre, aéreo e fluvial, no dia 23 de março foi retomada a área invadida e neutralizada a ação do interposto logístico da “facção criminosa”.

A importância dessa operação resulta em um maior conhecimento dos militares do bioma pantaneiro e das suas especificidades.

Cabe ressaltar o trabalho realizado pelo Grupo de Controle, por ter avaliado os aspectos positivos e negativos das ações, sempre com o objetivo de melhorar o desempenho conjunto e individual de cada militar.

Fonte: Assessoria de Imprensa 6ºDN

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VENEZUELA: “Pedido de ajuda à ONU evidencia incompetência de Maduro”

Maduro não esclareceu por que pediu ajuda à ONU justamente neste momento

Presidente venezuelano recorreu às Nações Unidas para lidar com crise de medicamentos. Solicitação é declaração não oficial de que situação é realmente séria, diz jornalista baseado em Caracas em entrevista à DW.

A escassez de medicamentos na Venezuela fez com que o presidente Nicolás Maduro pedisse, na última sexta-feira (24/03), ajuda à ONU para “regularizar” o problema e lidar com a crise econômica que assola o país.

Segundo a Pesquisa Nacional de Hospitais 2017, divulgada neste mês, 78% dos centros hospitalares sofrem com a falta de remédios, e 51% das salas de operações não estão funcionando.

E entrevista à DW, o jornalista Juan Francisco Alonso, baseado em Caracas, alerta que as vidas de 4 milhões de pessoas estão em risco no país. “Na Venezuela, há pessoas que morrem porque não há medicamentos para tratá-las”, diz. “Pedir ajuda é o reconhecimento da incompetência do governo de resolver ele mesmo os problemas.”

Deutsche Welle: Agora é oficial. A Venezuela solicitou ajuda à ONU, apesar de o problema de abastecimento já existir há muito tempo. Por que, precisamente agora, foi feito esse pedido?

Juan Francisco Alonso: Não se conhece a resposta para essa pergunta. Maduro não deu nenhuma explicação por que deu esse passo precisamente agora. Nesta manhã [25.03.] houve notícias de que havia vários barcos carregados nos portos venezuelanos, mas que não descarregaram porque a mercadoria não estava paga. Ninguém quer emprestar dinheiro para o governo nem fiar mercadorias. Mas agora está claro que o governo não pode resolver sozinho esses problemas e, por isso, pede ajuda humanitária. A situação é extremamente crítica, especialmente quanto a medicamentos.

O pedido de Maduro tem precisamente a ver com os remédios. Até que ponto é complicada a situação nos hospitais venezuelanos e quanto a consultas médicas?

Há organizações que calculam que as vidas de 4 milhões de pessoas estejam em risco na Venezuela. Estamos falando de mais de 200 mil pessoas com hipertensão e outras doenças como câncer e infecções com o vírus da aids. A gravidade do problema fica clara se somarmos quantas pessoas estão com acesso restrito ou nulo a medicamentos. Na Venezuela, há pessoas que morrem porque não há medicamentos para tratá-las. Além disso, faltam equipamentos médicos. O governo tem culpa disso tudo, pois ele deve garantir o direito à atenção médica e não o cumpre.

Não é irônico que Maduro se dirija à ONU? Caracas sempre viu o fantasma do imperialismo americano por trás dessa instituição.

Maduro nunca criticou diretamente a ONU. Ele atacou especialmente as pessoas que incentivaram a Venezuela a pedir apoio à instituição. E criticou aqueles que usaram o termo “ajuda humanitária”. Embora ninguém nunca dissesse oficialmente, muitos pensam que a ajuda humanitária poderia abrir as portas para uma intervenção estrangeira. Essas pessoas pensam realmente que, se pedirem comida e remédios à ONU, os capacetes azuis virão ao país para distribuí-los à população.

Mesmo assim, o pedido de ajuda é uma derrota para a política de Maduro.

Certamente. É o reconhecimento da incompetência do governo de resolver ele mesmo os problemas. Eu vejo isso como o que acontece quando se recorre aos Alcoólicos Anônimos. O primeiro passo é reconhecer o vício. No caso da Venezuela, isso significa que o governo deve admitir que o modelo econômico não funciona e mudá-lo. Isso o governo não quer fazer. Mas o pedido de ajuda é uma declaração não oficial de que a situação é realmente séria. E que nunca antes se havia registrado na Venezuela uma situação como a atual. Essas coisas acontecem no Haiti, mas não em um país que, há três anos, ainda tinha receitas abundantes provenientes do petróleo. Naquele momento já havia sintomas de problemas. Agora que o dinheiro não flui mais aos montes, não há nada que possa esconder os problemas, e estes se mostram com toda a sua dureza.

O que a ONU pode fazer para resolver o problema de abastecimento de medicamentos na Venezuela?

Isso pode levar tempo. Porque se trata de recuperar um sistema de saúde por completo. Para aliviar a necessidade mais imediata, seriam necessários duas centenas de navios cheios de medicamentos. Depois, deve ser retomada a produção de remédios. Bayer e outras empresas farmacêuticas têm fábricas no país, mas não produzem nada, porque lhes faltam matérias-primas. Também os equipamentos hospitalares devem ser consertados e, para isso, precisamos de materiais de reposição. Além disso, temos que encontrar substitutos para os quase 19 mil médicos que abandonaram o país nos últimos anos.

Fonte: DW

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AFV-Brasil Artigos Exclusivos do Plano Brasil Defesa Sistemas de Armas Tecnologia

...Sinônimo de robustez, confiança, um veículo testado em combate e ainda mais aperfeiçoado... Vem ai no AFV Brasil- KMW DINGO II

… Neste Sábado 01.04.2017,  fique plugado no AFV- Brasil…

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MERCADO DE BLINDADOS: Tailândia adquire 34 veículos blindados 8×8 VN-1 da China.

O Exército Real Tailandês (Kong Thap Bok Thai ) adquiriu 34 unidades do veículos blindados 8×8  ZBL-09 (VN-1 – nome de exportação)  da empresa chinesa Norinco. Segundo informações divulgadas, o acordo foi assinado durante a Feira de Defesa LIMA (Langkawi International Maritime and Aerospace ) 2017. A intenção inicial do Exercito Tailandês e a aquisição de  um batalhão completo de viaturas Blindadas VN-1 no qual espera estar operativo até 2020.

As  viaturas blindadas VN-1 (ZBL-09 na China) 8×8 fabricados pela empresa Chinesa Norinco são equipadas com um canhão de 30 mm e uma metralhadora 7,62 mm o mesmo também pode ser equipado com dois misseis antitanque HJ-73D Red Arrow. Sua blindagem e resistente a disparos de munição 12,7 mm O veiculo e equipado com um motor diesel de origem alemã Deutz BF-6M1015C fabricado na China sob licença. Esse motor gera cerca de 440cv fazendo o VN-1 atingir uma velocidade máxima de 100 km em estradas e 8 km na água. Além dos veículos o Exército Tailandês também adquiriu da Norinco uma grande quantidade de munições caibre 30 mm.

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Com Informações de Defence Blog

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Plano Brasil Analise: O Fuzil Imbel IA2 como armamento de dotação dos fuzileiros blindados no combate de 4ª geração

Por Felipe Ferreira Lima Vicente – 1º Ten

O evoluir dos conflitos nas suas quatro gerações impulsionou uma primavera de mudanças nos conceitos básicos daquilo que se considerava um armamento ideal para a guerra. Os grandes campos de batalha deram lugar à estreitas ruas e vielas das cidades do mundo moderno e o blindado passou a ser uma figura muito mais presente nesse ambiente operacional. Características como portabilidade, tamanho e peso se tornaram cada vez mais relevantes na concepção do armamento ideal para o soldado de hoje. Dentro deste contexto a Industria de Material Bélico do Brasil, IMBEL anunciou em 2008, aquele que seria o seu projeto mais desafiador, um fuzil totalmente novo, concebido e produzido inteiramente em território nacional, o IA2. Voltado para o combate moderno, o IA2 é o substituto oficial do Fuzil Automático Leve (FAL), armamento adotado desde a década de 60 pelo Exército Brasileiro. O IA2 conta com trilhos picatinny, materiais poliméricos, coronha rebatível, calibre 5,56x45mm e um tamanho adequado para o combate em ambiente confinado. O projeto encontra-se aprovado e pronto para dotar as diversas organizações militares do Exército. No entanto, o fato de ser totalmente desenvolvido pela IMBEL garante ao IA2 o aperfeiçoamento constante, algo que já aconteceu diversas vezes desde o seu anúncio oficial.

INTRODUÇÃO

Em 1648, foi firmado pelas principais potências mundiais o Tratado de Westphalia, tratado este que findou a guerra dos trinta anos e “estatizou as batalhas”. De lá para cá, o combate passou por um processo constate de mutação, sendo dividido em quatro gerações pelo Sr. William S. Lind, no seu artigo The Changing Face of War – Into the Fourth Generation. A evolução da Guerra sempre andou paralela à evolução do principal meio de fazer a guerra: a arma. As antigas espadas e mosquetes deram lugar a modernos e precisos armamentos, potencializando o poder de combate do militar da 1ª a 4ª Geração. O Exército Brasileiro (EB), seguindo a evolução mundial do armamento, introduziu em 1964 o Fuzil Automático Leve (FAL), armamento extremamente rústico, de origem Belga, que dota os militares brasileiros até os dias atuais. No intuito de acompanhar a evolução dos armamentos em todo o mundo, o Exército, em parceria com a Industria de Material Bélico do Brasil (IMBEL), iniciou em 1995, com o MD97L, a criação de um novo fuzil, fato que foi consolidado em 2008 com o início do desenvolvimento do IA2. O combate moderno também se mostrou ideal para o emprego do blindado, principalmente por acontecer em cidades, onde a posição do inimigo é, muitas vezes, desconhecida, algo que faz a proteção blindada se tornar ainda mais importante.

Acima: O primeiro fuzil da Imbel em calibre 5,56X45 mm e com o novo sistema de ferrolho rotativo foi o MD-97L. O modelo, on entanto, apresentou algumas deficiências que fizeram o exército brasileiro solicitar um fuzil de novo projeto.

No Exército Brasileiro, a importância dada às tropas blindadas é expressa com a modernização das Viaturas Blindadas de Transporte de Pessoal (VBTP) M113-B e com a aquisição das novas Viaturas Blindadas de Combate Carros de Combate (VBCCC) Leopard 1 A5 BR. O presente trabalho procurou relacionar o combate da 4ª Geração, o advento do IA2 e o emprego do blindado na guerra moderna, tudo com base nas informações oficias da IMBEL, de artigos das Campanhas de Beirute, Grozny e Bagdá, e do conceito das quatro gerações da guerra, criado pelo Sr. William S. Lind em sua obra The Changing Face of War: Into Fourth Generation, publicada em 1989.

IA2 pode ser equipado com uma vasta gama de acessórios, que incluem lunetas, miras RDS (Red Dot Sight), miras holográficas, intensificadores de imagem, lanternas táticas, Lança-Granadas M203, unidades de controle de tiro, designadores a laser, entre outros acessórios.

DESENVOLVIMENTO

Metodologia O presente estudo foi realizado dentro de um processo científico e procedimentos metodológicos. Assim, iniciou-se com a realização de pesquisas documentais e bibliográficas, onde, primeiramente, foram analisados textos referentes à evolução dos conflitos armados desde o Tratado de Westphalia, fazendo uma breve análise da consequente evolução dos armamentos. Em seguida, visando relacionar esses fatos com a substituição do FAL pelo IA2 como armamento de dotação do EB, foi realizada uma revisão teórica do assunto, por meio de documentos e trabalhos científicos (artigos, trabalhos de conclusão de curso e dissertações), a qual prosseguiu até a fase de análise dos dados coletados neste processo (discussão de resultados). Por fim, foi analisada a documentação obtida, relativa ao emprego de blindados no combate moderno, em especial nas campanhas de Beirute, Grozny e Bagdá. As informações obtidas foram submetidas a uma apreciação da utilização do IA2 como dotação do fuzileiro no combate de 4ª Geração, a fim de se obter a resposta à questão: O IA2 pode ser considerado um bom substituto do FAL para o emprego da tropa blindada no combate de 4ª Geração?

Resultados e Discussão

A pesquisa bibliográfica possibilitou: relatar evolução das guerras desde o Tratado de Westphalia; relatar evolução dos armamentos nesse mesmo período; descrever as principais características do IA2; comparar as principais características do IA2 com o FAL; relatar a evolução do blindado no combate moderno; ajuizar se o IA2 pode ser considerado um bom armamento para dotar as tropas blindadas nos conflitos de 4ª Geração. Sobre tudo o que foi exposto, em particular na evolução das guerras, podemos observar que o combate sofre uma metamorfose constante, se adaptando às missões, ao inimigo, ao terreno, aos meios, ao tempo e aos assuntos civis, o que conhecemos como fatores da decisão. Dentro desse constante evoluir da guerra, o seu símbolo maior, a arma, não deixou de mudar. A Guerra Moderna tem início em 1648, com o Tratado de Westphalia, onde, além de marcar o fim da Guerra dos Trinta Anos, o Estado assumiu a administração dos conflitos internacionais, o que, por vezes, acontecia entre famílias, tribos, religiões, cidades e empresas. Desde o Tratado de Westphalia até os dias atuais, podemos dividir a guerra em quatro fases distintas. A 1ª Geração da guerra, entre 1648 e 1860, ficou conhecida como guerra de linha e coluna. Naquela época, eram travadas em grandes campos, de maneira formal e ordenada. Esse período foi fundamental para o desenvolvimento dos Exércitos pois foi quando foram introduzidos os uniformes, continências, graus hierárquicos, criando uma cultura militar.

Exército no Complexo da Maré durante o processo de pacificação.

A 2ª Geração foi resumida pelos franceses como “a artilharia conquista – a infantaria ocupa”. O comandante da tropa passou a ser um grande maestro, que orquestrava seus meios (artilharia, infantaria e carros de combate) de acordo com o andar do conflito. Naquela época prezava-se muito a disciplina, onde iniciativas não eram toleradas pois poderiam por em risco o restante da tropa. A 3ª Geração da guerra é também uma herança da Primeira Grande Guerra. Desenvolvida pelo Exército Alemão, a Blitzkrieg, ou guerra de manobra, é baseada na velocidade, surpresa e no deslocamento mental e físico, não no poder de fogo propriamente dito. A guerra de 3ª Geração não é linear e passa a exigir uma capacidade de planejamento e coordenação muito maior aos seus comandantes. A iniciativa era mais importante que a obediência, desde que voltada para o cumprimento da missão. A 4ª Geração talvez seja a mais diferente e complexa das gerações pois a maior conquista do Tratado de Westphalia é perdida: a administração da guerra pelo Estado. Dessa forma, os conflitos que se caracterizavam por serem atos políticos envolvendo a luta de interesse entre duas nações, passaram a ser uma questão ideológica a ser administrada por qualquer um que queira lutar por qualquer motivo. A guerra perdeu o mínimo de ordem que existia através das Convenções de Genebra e do Direito Internacional dos Conflitos Armados, pois os seus participantes deixaram de ser exclusivamente militares. Outra característica marcante da 4ª Geração é que boa parte dos conflitos migraram para as cidades, em meio a população, onde grupos terroristas e revolucionários, podem cooptar integrantes e se sustentar mais facilmente.

Paralelamente à evolução das guerras, os armamentos também evoluíram, ficando mais leves, menores e com seu calibre reduzido. Isso se deve basicamente por dois motivos: o deslocamento da guerra do campo para as cidades; e do aumento na quantidade de materiais transportados por um soldado dos dias de hoje. Durante as quatro gerações da guerra, o seu ambiente foi sendo alterado aos poucos, partindo dos grandes campos do passado até os becos, ruas e vielas dos dias atuais. O combate à curta distância não exige um armamento com grandes alcances, característica que é obtida, dentre outras maneiras, com um alongamento do cano. Esse fato permitiu que as armas encurtassem com o passar dos tempos, chegando ao tamanho médio de 850 mm dos dias atuais.

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Outra questão importante envolvendo a evolução do combate é a quantidade de material carregado por um soldado. Durante a 1ª Geração das guerras, os militares carregavam basicamente seu armamento e sua munição. Hoje em dia, além do armamento e da munição, o soldado moderno carrega consigo computador, equipamento de visão noturna (EVN), máscara contra gases, capacete balístico, colete balístico, armamento não letal, granadas diversas, marmita, caneco, ração operacional, roupas de muda, kits diversos, entre outros, fazendo seu aprestamento girar em torno de 30kg. Todos esses materiais estão em constante evolução para se tornarem mais leves e mais fáceis de serem carregados. Com o armamento não poderia ser diferente, sendo constantemente objeto de estudos para ter seu peso reduzido. Acompanhando a evolução mundial dos armamentos o EB, em parceria com a IMBEL, iniciou em 2008 o projeto de desenvolvimento do seu novo armamento de dotação. O fuzil IA2 é, no entanto, uma evolução do Fuzil 5,56 MD97L, projeto iniciado em 1995 e testado em 1997, daí o seu nome. O processo de homologação do MD97L como Material de Emprego Militar (MEM) deu-se no final de 2002 e início de 2003. A primeira grande aquisição do MD97L foi feita pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (SENASP) para equipar a Força Nacional de Segurança (FNSP). Após a aquisição do lote piloto deu-se início à sua efetiva avaliação, que foi interrompida em 2008 em virtude de alguns defeitos encontrados no projeto. Naquele momento, então, iniciou-se efetivamente o desenvolvimento do fuzil IA2.


Ainda como consequência do combate moderno, o blindado tornou se um meio comum no ambiente urbano, em especial quando empregado formando o combinado carro de combate – fuzileiro (CC-Fuz). Por suas características, das quais se sobressaem a mobilidade, o sistema de comunicações amplo e flexível e a proteção blindada, o emprego da forçatarefa (FT) tornou-se comum na guerra atual. Como parte do processo de transformação do EB, o IA2 tornou-se o armamento de dotação oficial de seus militares. Em uma tropa que atua embarcada em blindados, assim como em aeronaves, é fundamental que o armamento seja pequeno ou que tenha sua coronha rebatível, ambas características presentes no IA2 e ausentes no FAL. O motivo de tais exigências deve-se ao fato do interior do blindado ser um local relativamente apertado para acomodar os fuzileiros, bem como seus materiais específicos, que não podem ficar do lado de fora junto às mochilas (EVN, notebook, rádios etc).

Além disso, aliado ao que foi exposto anteriormente, o blindado é cada vez mais utilizado em ambiente urbano, ambiente este que exige um armamento leve, pequeno e de fácil manuseio. Ambas as situações, o ambiente urbano e o emprego do blindado nesse ambiente, tornam o IA2 um excelente armamento para dotar os fuzileiros em detrimento do FAL.

CONCLUSÃO

Este trabalho se propôs a responder um problema: O IA2 pode ser considerado um bom substituto do FAL para o emprego da tropa blindada no combate de 4ª Geração? Após uma avaliação sistematizada e acadêmica, a questão é respondida de forma afirmativa: o IA2 tem condições de dotar os fuzileiros blindados em substituição ao FAL no combate de 4ª Geração. A cidade é um fato, quando se fala em combate moderno. A 4ª Geração levou a guerra para um lugar estreito, confuso e perigoso. As características da tropa blindada, tais como, proteção blindada, mobilidade e sistema de comunicações amplo e flexível, a tornaram uma poderosa alternativa para enfrentar os percalços do ambiente urbano.

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Acompanhando a evolução da guerra, os armamentos evoluíram, um como consequência do outro, a guerra evoluindo através das armas e as armas evoluindo por meio da guerra. O fato é que o Exército acompanhou essa evolução e o IA2 é uma realidade. Um projeto moderno, bem estudado, bem avaliado e brasileiro. Essa última talvez, sua característica mais importante, o que possibilita o seu constante aperfeiçoamento, além do desenvolvimento da indústria nacional. Os rumos do combate tornaram o IA2 um bom substituto para o FAL. Suas características, em especial seu tamanho e seu peso, são a chave para o seu sucesso e o caminho para sua entrada no hall das principais armas do mundo. O projeto ainda tem muito a evoluir, algo que nunca deixará de acontecer, especialmente quando falamos na guerra.

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Fonte: AÇÃO DE CHOQUE  ANO 2016 – Nº 14