Categories
Uncategorized

ADSUMUS: 1º Batalhão de Operações Ribeirinhas realiza adestramento de equipe

Vista aérea da área do exercício

O 1º Batalhão de Operações Ribeirinhas (1ºBtlOpRib) realizou, no período de 29 de março a 5 de abril, na comunidade de Anveres, no município de Careiro da Várzea (AM), exercícios militares e ação cívico-social.

Participaram do exercício 240 militares integrantes das Companhias de Comando e Serviços, 2ª e 3ª Companhias de Fuzileiros Navais, além do Pelotão de Operações Especiais (PelOpEsp), com o objetivo de condicionar a tropa às necessidades de sobrevivência e combate na Amazônia Ocidental.

Foram realizadas instruções de técnicas de navegação, orientação fluvial, orientação terrestre, natação utilitária em rio, rappel de helicóptero, primeiros socorros, comunicações, conduta em operação com embarcação de transporte de tropa, técnicas de combate fluvial, postos de vigilância em rios, balizamento, controle fluvial, patroagem e técnicas de contraemboscada. O PelOpEsp realizou um adestramento específico visando aprimorar e selecionar militares para execução de missões específicas de reconhecimento especializado na região.

Adicionalmente ao exercício, o 1ºBtlOpRib realizou uma ação cívico-social direcionada às famílias da comunidade, quando foram disponibilizados serviços básicos de saúde.

Fonte: MB

Categories
Uncategorized

ADSUMUS: Fuzileiros Navais encerram preparação de grupamento para o Haiti

Fuzileiros Navais encerram preparação de grupamento para o Haiti

Entre os dias 19 e 30 de abril aconteceu, em Itaóca (ES), o exercício “Adest Batalhão de Proteção I – 2017”, que é o treinamento final dos 175 componentes do 26º Grupamento Operativo de Fuzileiros Navais da Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (MINUSTAH), nos procedimentos pertinentes a uma Força de Paz da Organização das Nações Unidas (ONU). Este será o último grupamento a ser enviado àquele país.

O treinamento foi realizado em duas etapas: uma fase de oficinas e uma fase tática, que envolve simulações, a fim de tornar o exercício o mais próximo da realidade que será vivenciada na missão. Nos dias 27 e 28 de abril, os militares realizaram a maior parte dos adestramentos da fase tática, com ações de cerco e vasculhamento, controle de distúrbios e patrulhamentos a pé, mecanizado e motorizado.

Os integrantes do 26º Contingente começarão a seguir para o Haiti, no dia 16 de maio.

A atuação da Marinha do Brasil no Haiti

A MINUSTAH foi estabelecida pela Resolução n° 1.542, de 30 de abril de 2004, por um período inicial de seis meses, para aplicação militar de um contingente de, aproximadamente, 6.200 militares e 1.400 policiais civis, visando garantir um ambiente seguro e estável no Haiti, a fim de contribuir com as demais ações humanitárias, civis e políticas da ONU.

Em 1º de junho de 2004, a Marinha do Brasil, por intermédio da Força de Fuzileiros da Esquadra, completou o primeiro embarque de meios e pessoal, por um período aproximado de seis meses. O Grupamento Operativo de Fuzileiros Navais-Haiti (GptOpFuzNav-Haiti) do 1º Contingente, nucleado em torno do Batalhão Paissandu, totalizou um efetivo de 234 militares.

Até setembro de 2005, o Brasil foi o país que contribuiu com o maior efetivo a serviço da MINUSTAH. Os Fuzileiros Navais instalaram-se em uma base própria, denominada Acadêmica Raquel de Queiroz, localizada em área adjacente ao aeroporto da capital, Porto Príncipe. A partir do 6º contingente, o Grupamento Operativo de Fuzileiros Navais no Haiti passou a controlar setor norte da capital haitiana, ficando o centro e o sul de Porto Príncipe a cargo do Exército Brasileiro.

Em 2014, a resolução 2180 do Conselho de Segurança da ONU reduziu em mais de 2200 componentes o efetivo da MINUSTAH. Contudo, foi mantido o contingente brasileiro, ratificando o excelente trabalho que o Brasil realizou no País.

Duas catástrofes naturais atingiram o Haiti ao longo dos 13 anos de atuação das Forças Armadas brasileiras. No dia 12 de janeiro de 2010, um terremoto causou a morte de mais de 200 mil pessoas. O GptOpFuzNav-Haiti, 11º Contingente, que estava no fim de sua missão, prestou o apoio necessário para a manutenção de um ambiente estável, de maneira que pudesse ser prestada toda a ajuda humanitária possível.

Em 4 de outubro de 2016, o país foi atingido pelo furacão Matthew, que causou inundações e deixou várias famílias desabrigadas. Devido a capacidade expedicionária, os Fuzileiros Navais do 24º Contingente, atuando em conjunto com a Companhia de Engenharia do Exército Brasileiro, receberam a missão de se encaminhar até a região mais atingida, trabalhando noite e dia na desobstrução de estradas para a chegada de assistência. No dia 7 de outubro, um pelotão de Fuzileiros Navais foi a primeira tropa a conseguir chegar, por terra, à cidade de Jeremy, a mais afetada pela catástrofe.

Fonte:MB

Categories
Conflitos Conflitos e Historia Militar Destaques Estados Unidos História Opinião

30 de abril de 1975: Queda de Saigon

No dia 30 de abril de 1975, sob chuvas torrenciais, helicópteros dos EUA viajavam entre um porta-aviões e Saigon, em dramática operação de evacuação. O pânico reinava na embaixada dos EUA.

Estrangeiros sendo retirados de Saigon em 1975

Enquanto tropas do Vietnã do Norte invadiam Saigon, o pânico reinava na embaixada dos EUA na cidade. Milhares de pessoas desesperadas forçavam a entrada no edifício, sob a mira das armas de marinheiros norte-americanos. Além dos cidadãos dos Estados Unidos, foram poucos os que tiveram acesso ao heliporto sobre o prédio da embaixada, última chance para fugir de Saigon naquele dia 30 de abril.

Segundo o jornalista Dietrich Mummendey, da TV alemã-ocidental, milhares de franceses e vários correspondentes permaneceram no país, e a Cruz Vermelha declarou vários edifícios como “zonas internacionais”.

Nenhum outro acontecimento mobilizou tanto a opinião pública internacional, na década de 70, como a Guerra do Vietnã (1964-1975). O conflito representou a maior derrota militar da história dos EUA.

Pela primeira vez, as crueldades de uma guerra – fuzilamentos ao vivo e cadáveres de crianças nuas, mortas queimadas por bombas de napalm – foram exibidas no horário nobre da programação de TV.

Crônica de uma guerra anunciada

As hostilidades que antecederam o conflito começaram em 1956, quando o Vietnã do Norte decidiu não convocar eleições, em desacordo com o que havia sido decidido pelo Pacto de Genebra, após a derrota militar da França (potência colonial na região na primeira metade do século).

O Vietnã do Norte era dominado pela guerrilha comunista, cuja política pretendia anexar também o Vietnã do Sul. Os EUA passaram a fortificar suas posições no sul, a fim de garantir “a liberdade do país”. A política norte-vietnamita tinha o apoio da União Soviética e da China. Já os EUA lutavam contra a expansão do sistema comunista em outros países.

Em 1964, o suposto bombardeio norte-vietnamita a barcos americanos, no golfo de Tonquin, serviu de pretexto ao presidente Lyndon Johnson para iniciar as ações militares contra o Vietnã do Norte.

Descontentamento nos EUA

Em 1969, no auge dos combates, 543 mil soldados dos EUA estavam nas frentes de batalha. Os norte-vietnamitas, vindos de uma guerra com a França, usaram melhor estratégias de guerrilha e aproveitaram a vantagem geográfica (selva fechada e calor de mais de 40ºC) para derrotar os americanos.

O descontentamento da opinião pública dos EUA com a Guerra no Vietnã forçou a abertura de negociações de paz, em 1971. Dois anos antes da tomada de Saigon, em 1973, os ministros do Exterior do Vietnã do Norte e dos EUA haviam assinado um cessar-fogo, em Paris.

O acordo não foi implementado, mas os Estados Unidos começaram a retirar suas tropas. Em 1975, completada a retirada norte-americana (que incluiu também o corte de ajuda financeira), o regime sul-vietnamita entrou em colapso.

Vitória dos pequenos

A ofensiva norte-vietnamita começara um mês antes da capitulação de Saigon. Os militares norte-americanos foram surpreendidos pelo rápido sucesso dos vietcongues e a fraca resistência do exército sul-vietnamita.

Uma nova intervenção dos EUA foi descartada pelo presidente Gerald Ford, por falta de apoio no congresso. Resultado: os norte-vietnamitas conquistaram o sul, a 30 de abril de 1975, no que ficou conhecido como a “queda de Saigon”.

A evacuação de nove mil norte-americanos foi feita às pressas, na última hora. Mesmo assim, ainda foram resgatados cerca de 150 mil vietnamitas. A guerra deixou um saldo de 58 mil americanos mortos e 153 mil feridos; do lado vietnamita, um milhão de mortos e 900 mil crianças órfãs.

Milhões de hectares de terra, minados ou envenenados, se tornaram incultiváveis. Os EUA gastaram cerca de US$ 200 bilhões com o movimento bélico e lançaram um milhão de toneladas de bombas por ano. Em agosto de 1995, vinte anos após o fim da guerra, os EUA reataram relações comerciais com o Vietnã, ainda hoje um dos países mais pobres do mundo.

Fonte: DW

 

Categories
Conflitos Defesa

Arábia Saudita não quer mais comprar armas da Alemanha

Reino afirma que não quer mais causar problemas “com constantes pedidos de armas”. Vendas necessitam de aprovação e são alvo de controvérsia na Alemanha por causa do envolvimento saudita em conflitos regionais.

Tanque Leopard, de fabricação alemã

A Arábia Saudita anunciou que não vai mais comprar armamento militar da Alemanha. O vice-ministro da Economia do reino, Mohammad al-Tuwaidchri, disse em entrevista à revista Der Spiegel, publicada neste domingo (30/04), que seu governo não quer mais causar problemas à Alemanha “com constantes pedidos de armas”.

“Aceitamos a contenção alemã no que diz respeito às exportações para a Arábia Saudita. Conhecemos o contexto político”, declarou a autoridade. A entrevista foi concedida antes da viagem da chanceler federal Angela Merkel, que está neste domingo no país árabe.

Há anos que a venda de armas para o país, que é acusado de desrespeitar os direitos humanos, é motivo de polêmica e controvérsia na Alemanha. Vendas de tanques, armas e equipamentos militar para a Arábia Saudita necessitam de aprovação caso a caso. Em 2015, 17 novos negócios no valor de 23,8 milhões de euros foram aprovados. O total exportado no ano chegou a 270 milhões de euros. Em 2016, segundo números preliminares, a Alemanha exportou meio bilhão de euros ao reino em armamento.

“Não vamos ser intransigentes nos negócios com armas, não vamos atacar a contenção alemã”, disse Tuwaidchri à revista. Ele disse que a decisão é motivada por um desejo de maior cooperação econômica com a Alemanha. “As relações com a Alemanha são muito mais importantes para nós do que a briga por causa de exportações de armas.” Segundo ele, a Arábia Saudita quer transformar a Alemanha num de seus maiores parceiros comerciais.

Antes da viagem de Merkel, o governo alemão havia afirmado que novas vendas poderiam ser autorizadas. Não há uma moratória para o fornecimento de armas à Arábia Saudita, afirmou o governo. As vendas para o país são controversas por causa da situação política interna e do envolvimento dos sauditas na guerra civil do Iêmen.

Fonte: DW

 

Categories
China Destaques Geopolítica Negócios e serviços

“Novas Rotas da Seda”: Londres/Yiwu – Chega à China o primeiro trem direto de Londres

O primeiro trem de mercadorias entre Londres e China chegou no sábado, dia 29, ao seu destino depois de uma viagem de três semanas, evocando as velhas expedições comerciais da Rota da Seda.

O comboio partiu no dia 10 de abril do porto londrino de Stanford-le-Hope, no estuário do Tâmisa, em direção a Yiwu, na costa oriental chinesa.

À 01H30 GMT (22H30 de sexta-feira em Brasília), entrou na estação de Yiwu, uma cidade de cerca de dois milhões de habitantes ao sul de Xangai, confirmou à AFP a empresa chinesa responsável pela operação. A viagem durou dois dias a mais do que o previsto.

O trem cruzou França, Bélgica, Alemanha, Polônia, Belarus, Rússia e Cazaquistão. Com mais de 12 mil quilômetros, a rota Londres-Yiwu é a segunda mais longa do mundo, atrás somente da rota China-Madri, inaugurada em 2014.

Londres é a 15ª cidade da Europa com conexão ferroviária com a China para transporte de mercadorias, uma opção que é mais barata do que a aérea e mais rápida do que a marítima.

Estas conexões ferroviárias aparecem no contexto das “novas Rotas da Seda”, iniciativa lançada em 2013 pelo presidente chinês, Xi Jinping, com a esperança de firmar as relações comerciais da China, em particular com a Europa ocidental.

O trem procedente de Londres continha uísque, refrescos, produtos infantis e remédios destinados ao mercado chinês.

Com este carregamento de volume limitado, “não falamos exatamente de uma idade de ouro do comércio sino-britânico”, afirmou Theresa Fallon, diretora do Centro de Estudos sobre Rússia, Europa e Ásia, em Bruxelas.

Os trens estarão mais carregados, provavelmente, no trajeto China-Europa devido ao desequilíbrio comercial entre as duas economias, indicou à AFP. Com o risco de que a rota da seda seja “em sentido único”.

Segundo as autoridades de Yiwu, o trem transportou 88 contêineres, muito menos do que um navio de carga, que pode transportar entre 10 e 20 mil.

Por enquanto, o retorno do investimento não cobre os gastos estruturais, segundo um relatório publicado no ano passado pela Oxford Review of Economic Policy.

AFP

Fonte: YAHOO

Categories
Uncategorized

20.000 léguas de propina no projeto do submarino nuclear brasileiro

Estaleiro em construção em Itaguaí (RJ).Os submarinos só devem começar a a sair em 2018,mas a propina já jorrou (Foto: Stefano Martini/ÉPOCA)

O maior projeto militar da história do Brasil, com custo previsto em R$ 32 bilhões abasteceu o PT e até a conta do “Amigo” Lula

Por SAMANTHA LIMA E HUDSON CORRÊA

 De longe, de uma cerca à beira de uma estrada na Ilha da Madeira, em Itaguaí, região metropolitana do Rio de Janeiro, avista-se a “boca” de um portentoso túnel. Em números, são 14 metros de diâmetro e 700 metros de comprimento, que ligam uma fábrica de peças a um estaleiro, ainda em construção, e a uma base da Marinha, na outra ponta da ilha. Pelo túnel são transportadas peças para montagem de quatro submarinos convencionais e, em um futuro próximo, passarão em seu interior componentes do primeiro submarino a propulsão nuclear construído no país. O estaleiro onde poderão ser construídos dois submarinos ao mesmo tempo tem a altura equivalente a um prédio de 17 andares. Trata-se do maior projeto militar da história do Brasil, com custo previsto em R$ 32 bilhões.

Tamanha grandiosidade – é claro – não conseguiria passar longe das garras da corrupção. Parte dos segredos que obrigatoriamente cercam projetos militares desse naipe caiu com a delação dos 77 executivos da Odebrecht, a parceira do governo petista convocada a tocar o grande projeto em conjunto com a francesa DCNS. A porção da história que eles revelam versa, obviamente, sobre ilegalidades. O combustível para propulsão do projeto foi a propina, tão tóxica e resistente quanto os elementos radioativos usados para empurrar essas embarcações. Houve propina para lobista, para oficial graduado da Marinha e, claro, para políticos. Assim, parte dos R$ 14 bilhões que o governo já gastou no Prosub desde 2009 foi desviada pela Odebrecht para abastecer corruptos.

 Quando o projeto ainda estava na superfície, os executivos da Odebrecht foram procurados por José Amaro Pinto Ramos. Veterano lobista, José Amaro atuou, segundo vários delatores da Odebrecht, no submundo de negócios que envolveram governos tucanos e empresas francesas no ramo do metrô. Historicamente, José Amaro tem conexões na França, para onde vai com frequência. Em suas delações, os executivos da Odebrecht contam que o conheciam dessas obras tucanas. José Amaro foi citado como titular de contas na Suíça, usadas para repassar e 8 milhões a José Serra, entre 2006 e 2009. A participação dele no caso do submarino, no entanto, não fica clara pelos depoimentos dos executivos. Eles afirmam que o lobista chegou como representante da DCNS, era um elemento de fora do circuito petista. A empresa francesa fez um pedido inusitado: que a Odebrecht arcasse com os pagamentos a José Amaro, pois, como é estatal, não tinha meios de justificar tal gasto. De acordo com os executivos delatores, José Amaro cobrou e 40 milhões, pagos em conta em um banco no paraíso fiscal de Antígua. Os delatores afirmam que José Amaro repassaria parte do dinheiro, mas não sabem dizer a quem. Há a suspeita de que ele tenha distribuído a propina no exterior. José Amaro ainda não foi chamado a depor.

Os ex-presidentes Lula e Nicolas Sarkozy em 2008.Hoje ambos são investigados por corrupção (Foto: Sergio Moraes/REUTERS)

Obviamente, José Amaro não seria o único. Tempos depois, o Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht recebeu pedido para fazer pagamentos também ao almirante Othon Luiz da Silva Pinheiro. Além de marinheiro, Pinheiro foi presidente da Eletronuclear. Tido como uma sumidade nacional em temas nucleares, era ágil como um elétron na corrupção. Foi à Odebrecht e apresentou-se como idealizador do projeto dos submarinos ainda na década de 1970, o que faria jus a uma remuneração. Preocupado com o fato de a Odebrecht não ter experiência com projetos nucleares – afinal, fora escolhida por ser parceira do PT –, o executivo Benedicto Junior achou conveniente ter o almirante na órbita e autorizou o pagamento. Pinheiro, segundo os delatores, recebeu um total de e 2 milhões, entre 2012 e 2014, por meio de repasses em contas de operadores na Suíça e também em dinheiro vivo, entregue no conforto de sua casa. Também recebeu dinheiro de José Amaro, segundo os depoimentos. Condenado pela Justiça Federal em julho por propinas relacionadas à construção da usina atômica de Angra 3, Pinheiro cumpre pena de 43 anos de cadeia.

Mas esses foram preâmbulos periféricos. Segundo os delatores, o grosso do dinheiro sujo do Prosub foi parar no caixa do PT e bancou o ex-presidente Lula. Por sua importância e grandiosidade, o projeto era tratado por Marcelo Odebrecht com interlocutores graduados do governo e do partido. O primeiro foi o ex-ministro Antonio Palocci, o “Italiano”. A partir de 2012, Palocci foi substituído por Guido Mantega, o “Pós-Itália”, seu sucessor no Ministério da Fazenda. Como se tratava de um projeto especial, a propina derivada tinha de ter uma destinação especial. Marcelo decidiu vinculá-la à conta “Italiano”, destinada a Palocci, e depois à “Pós-Itália”, relativa a Mantega. Marcelo Odebrecht calcula que as contas “Italiano” e “Pós-Itália” consumiram R$ 300 milhões entre 2008 e 2014.

Desse valor, R$ 50 milhões vieram do Prosub. Dos registros da planilha “Italiano” consta uma linha atribuída à conta “Amigo”, que Marcelo Odebrecht explica em sua delação ser destinada a gastos da empresa com o ex-presidente Lula. Segundo seu relato, depois da eleição de 2010, houve um acerto com Palocci segundo o qual os restos da conta “Italiano”, cerca de R$ 35 milhões, seriam convertidos em crédito para a conta “Amigo”. “Teve pagamentos que eram pedidos em dinheiro por Palocci, dizendo que era para abater da conta Amigo, mas não consigo dizer qual foi o destino, porque foi tirado em espécie”, disse. O dinheiro do Prosub, portanto, segundo os delatores, ajudou a bancar gastos de Lula.

O dinheiro do Prosub ajudou a bancar, de acordo com Marcelo, pagamentos – com ordem de Palocci – ao marqueteiro João Santana, responsável pelas campanhas de Dilma à Presidência em 2010 e de Fernando Haddad à prefeitura de São Paulo em 2012, em contas no exterior, a inúmeros candidatos petistas e ao partido. Alguns saíram como doações oficiais e outros como caixa dois. Há, ainda, um pagamento de R$ 12 milhões relacionado a “prédio IL”, de Instituto Lula. A Odebrecht comprou um terreno para construir a sede da entidade, mas a obra não foi realizada, e a área foi vendida depois. A conta “Pós-Itália” também bancou gastos da campanha de Dilma em 2014.

O empreiteiro Marcelo Odebrecht é conduzido pela PF (Foto: Paulo Lisboa/Folhapres)

Como queria receber em dia, a Odebrecht atrelou a propina do Prosub às contas mais caras à cúpula do PT. “Por que Prosub? Era aquele (projeto) que demandava maior agenda. Então, novamente dentro daquela lógica: se o Guido está me liberando R$ 1 bilhão, R$ 700 milhões, é obvio que na cabeça dele e do Palocci que cria uma expectativa em função disso.” Deu certo. Em 2011, 2012 e 2013, a Marinha atrasou pagamentos à Odebrecht. Avisado por Benedicto Junior, Marcelo recorreu a Palocci e a Mantega e conseguiu a liberação dos milhões devidos: R$ 239 milhões em 2011, R$ 700 milhões no ano seguinte e R$ 676 milhões no outro. “Tenho consciência de que a priorização dada ao seu orçamento tinha como uma de suas motivações nosso elevado volume de pagamentos ao PT/governo federal, acordados com Antonio Palocci e Guido Mantega na qualidade de interlocutores dos governos Lula e Dilma”, afirma Marcelo.

O projeto do submarino nuclear nasceu há quase uma década, quando o então presidente Lula defendia a ideia de que o Brasil precisava reforçar sua defesa marítima, devido à exploração do petróleo no pré-sal, a 200 quilômetros da costa. Em 2009, o então presidente francês, Nicolas Sarkozy, visitou o Brasil e assinou com Lula o acordo, que prevê transferência de tecnologia. Lula hoje é réu na Lava Jato, acusado de crimes relacionados à corrupção. Sarkozy desistiu de ser novamente candidato à Presidência na França, por ser suspeito de corrupção. O futuro político deles é incerto. O dos submarinos também. Pela programação, entre 2018 e 2022, os submarinos convencionais serão lançados. O de propulsão nuclear submerge em 2027. Mas o abalo da corrupção deverá atrasar as coisas.

O Instituto Lula afirma que “jamais recebeu qualquer terreno da Odebrecht” e que recebeu doações de dezenas de empresas e indivíduos diferentes, todas registradas. Sobre a conta “Amigo”, o instituto diz que esta é a “mais leviana das ilações”. “Se for verdadeiro o depoimento, Marcelo Odebrecht teria feito, na verdade, um aprovisionamento em sua contabilidade para eventuais e futuros transferências ou pagamentos”, o que seria, de acordo com o instituto, uma decisão da empreiteira.

O advogado de José Amaro Pinto Ramos, Eduardo Carnelós, diz que seu cliente foi remunerado por serviços prestados a uma empresa privada e que não teve interlocução com agentes públicos. Diz considerar “absurdas” as acusações de “envolvimento com a prática de lobby e corrupção” feitas a José Amaro e que o cliente nunca teve negócios com o PSDB. Por meio de nota, o senador José Serra disse que “jamais recebeu vantagens indevidas da Odebrecht e sempre pautou sua carreira política na austeridade em relação aos gastos públicos”. Afirmou ainda apoiar a abertura das investigações, para comprovar “a lisura de  sua conduta”. A DCNS informou que “respeita as regras brasileiras e internacionais, as mais altas normas de controles internos e os termos do contrato do Prosub”. Nega ter orientado, instruído ou solicitado pagamentos ilícitos. A Marinha nega terem ocorrido atrasos em pagamentos relacionados ao Prosub, como diz a Odebrecht, e afirma desconhecer qualquer irregularidade envolvendo o projeto. As defesas de Dilma Rousseff, Guido Mantega, Antonio Palocci e do almirante Othon Pinheiro não responderam aos pedidos de entrevista.

Fonte: ÉPOCA

Categories
Uncategorized

BAE Systems lança Audacious: o quarto submarino classe Astute de última geração

Audacious, o quarto dos sete submarinos de ataque classe Astute que está sendo construído para a Royal Navy, foi lançado nesta sexta-feira (28) pela BAE Systems no Reino Unido. O submarino de propulsão nuclear de 97 metros de comprimento e 7,4 mil toneladas foi lançado à água pela primeira vez para começar a fase seguinte de seu programa de testes antes de sair de Barrow para experimentações do mar no próximo ano.

“O lançamento de hoje é um marco importante no programa Astute e demonstra nosso orgulho em construir submarinos para a Royal Navy. Audacious entra na água em um estado de construção mais avançado do que qualquer classe Astute anterior”, afirmou Blamey, diretor-gerente de BAE Systems Submarines.  “Projetar e construir um submarino com propulsão nuclear é extremamente desafiador e o lançamento de hoje é mais um lembrete das habilidades exclusivas requeridas para entregar tais programas complexos. Nós olhamos agora para a frente, vamos trabalhar junto ao grupo da Audacious para prepará-los para testes no mar, antes que junte a frota de submarinos em serviço com a Royal Navy”, completou.

SUBMARINO CLASSE ASTUTE

Armados com torpedos Spearfish e mísseis de ataque terrestre Tomahawk, os submarinos da classe Astute são os de maior capacidade da Royal Navy. Eles podem atacar alvos até 1.000 km da costa com precisão e alimentado por um reator nuclear. Os três primeiros submarinos da classe, HMS Astute, HMS Ambush e HMS Artful já estão em serviço. Os últimos três submarinos da classe Astute estão em vários estágios de construção no estaleiro da BAE em Barrow, Reino Unido.

A BAE Systems é o principal contratado no programa Astute e o único designer e construtor de submarinos nucleares do Reino Unido – um dos desafios de engenharia mais complexos do mundo. A companhia também é a liderança industrial para o programa Dreadnought, a próxima geração de submarinos de dissuasão nuclear da Royal Navy. A construção do primeiro de quatro submarinos, denominado Dreadnought, começou no ano passado. O negócio de submarinos da companhia emprega aproximadamente 8.500 pessoas e gasta mais de £300 milhões por ano com mais de mil fornecedores diretos – 85% dos quais são baseados no Reino Unido.

Fonte: BAE Systems

Categories
Defesa Defesa Anti Aérea Destaques Equipamentos Geopolítica Negócios e serviços Rússia Sistemas de Armas Tecnologia

Pútin e Erdogan discutirão contrato de S-400 durante reunião em Sôtchi

Os presidentes da Rússia, Vladímir Pútin, e da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, poderão discutir a entrega de sistemas avançados de mísseis superfície-ar S-400 a Ancara, em uma reunião bilateral que acontecerá em Sôchi na próxima quarta (3).

“[A questão do fornecimento de S-400] poderá ser discutida na reunião entre os  dois líderes”, disse o porta-voz do Kremlin, Dmítri Peskov.

O ministro turco da Defesa, Firki Isik, também confirmou que Erdogan espera discutir os parâmetros de um contrato sobre a compra dos sistemas russos durante o encontro.

“Suponho que, após as negociações entre Erdogan e Pútin, será tomada uma decisão conjunta sobre os próximos passos para a aquisição dos sistemas antiaéreos russos”, disse o ministro, citado pela agência de notícias Anadolu.

Mais cedo, Isik havia afirmado que “os trabalhos relacionados ao S-400 chegaram à fase final, mas isso não significa que um acordo será assinado amanhã”.

A notícia de que a Rússia e a Turquia estariam negociando o fornecimento de sistemas de defesa antiaérea S-400 surgiu em novembro passado.

 

Divisão antiaérea de Moscou reforçada com míssil S-400

O CEO da estatal russa Rostec, Serguêi Tchemezov, revelou, em março deste ano, que Ancara manifestou o desejo de obter um empréstimo da Rússia para a compra de armamentos, incluindo complexos de mísseis antiaéreos desse tipo.

PÁVEL RÍTSAR

Fotos: Mil.ru

Fonte: Gazeta Russa

Categories
Conflitos Destaques Estados Unidos Geopolítica

EUA dizem ser hora de agir contra Coreia do Norte; China e Rússia pedem prudência

O secretário de Estado norte-americano, Rex Tillerson, disse nesta sexta-feira que não conter o desenvolvimento nuclear e de mísseis da Coreia do Norte pode levar a ‘consequências catastróficas’, enquanto China e Rússia advertiram os Estados Unidos a não ameaçar usar a força militar.

Recentemente Washington cobriu Pequim de elogios por seus esforços para conter sua aliada Pyongyang, mas o ministro das Relações Exteriores chinês, Wang Yi, deixou claro ao Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) que não depende só de seu país resolver o problema norte-coreano.

“A chave para solucionar a questão nuclear na península não está nas mãos do lado chinês”, disse Wang ao organismo de 15 membros em comentários que contradisseram a crença da Casa Branca de que a China exerce uma influência significativa sobre o regime isolado.

A reunião ministerial do conselho, presidida por Tillerson, expôs antigas divisões entre os EUA e a China sobre a maneira de lidar com a Coreia do Norte. A China quer conversar primeiro e agir depois, enquanto os norte-americanos querem que Pyongyang freie seu programa nuclear antes do início de tais conversas.

“É necessário pôr de lado o debate sobre quem deveria dar o primeiro passo e parar de discutir sobre quem está certo e quem está errado”, afirmou Wang ao conselho. “Agora é hora de cogitar seriamente retomar as conversas.”

Tillerson respondeu: “Não iremos negociar nosso retorno à mesa de negociação com a Coreia do Norte, não iremos recompensar as violações de resoluções anteriores, não iremos recompensar seu mau comportamento com conversas”.

A Coreia do Norte não participou da reunião.

Em sua primeira visita à ONU, o secretário dos EUA repreendeu o Conselho de Segurança por não implantar totalmente as sanções contra os norte-coreanos e disse que, se a entidade tivesse agido, as tensões resultantes de seu programa nuclear poderiam não ter se intensificado.

“Deixar de agir agora a respeito do tema de segurança mais premente do mundo pode trazer consequências catastróficas”, afirmou.

Os EUA não estão pressionando por uma mudança de regime e preferem uma solução negociada, mas Pyongyang deveria desmantelar seus programas nuclear e de mísseis por iniciativa própria, disse.

“A ameaça de um ataque nuclear a Seul, ou Tóquio, é real, e é só uma questão de tempo para a Coreia do Norte desenvolver a capacidade de atacar o território continental dos EUA”, argumentou o secretário.

Tillerson repetiu a posição do governo do presidente dos EUA, Donald Trump, de que todas as opções estão na mesa se Pyongyang persistir com seu desenvolvimento nuclear e de mísseis, mas Wang disse que ameaças militares não ajudam, e que o diálogo e as negociações são “a única saída”.

Em entrevista à Reuters na quinta-feira, Trump disse que um “grande, grande conflito” com a Coreia do Norte é possível devido a seus programas nuclear e de mísseis.

O vice-chanceler da Rússia, Gennady Gatilov, alertou nesta sexta-feira que o uso da força seria “completamente inaceitável”.

Michelle Nichols / Lesley Wroughton

Foto: REUTERS/Lucas Jackson – Tillerson fala no Conselho de Segurança da ONU 28/4/2017

Fonte: Reuters

 

Categories
Conflitos Destaques Estados Unidos Geopolítica Mísseis Sistemas de Armas Tecnologia

Coreia do Norte realiza novo teste de míssil balístico

Segundo fontes do governo dos EUA, o teste de míssil balístico da Coreia do Norte teria falhado novamente.

A Coreia do Norte testou um míssil balístico neste sábado (29) a partir de um local ao norte de sua capital, Pyongyang. A informação foi divulgada pela mídia sul-coreana, citando fontes militares.

“A Coreia do Norte disparou um míssil não identificado de um local na vizinhança de Bukchang, na província de Pyeongan do Sul, no início desta manhã”, afirmou o Estado-Maior Conjunto da Coreia do Sul em comunicado, citado pela agência de notícias Yonhap.

A última vez que a Coreia do Norte tentou lançar um míssil foi no dia 16 de abril, mas a operação falhou e o míssil quase não saiu do chão.

Os EUA declararam nas últimas semanas que a era da paciência estratégica havia terminado. Em 17 de abril, o vice-presidente dos EUA Mike Pence disse que o país iria “abandonar a política de paciência estratégica”.

Foto:© Sputnik/ Ilia Pitalev

Fonte: Sputnik News

 

Categories
Conflitos Destaques Estados Unidos Geopolítica Meios Navais Opinião

O real risco de uma nova Guerra da Coreia

Exercícios marciais e retórica beligerante entre Coreia do Norte e EUA colocam o mundo inteiro em alerta. Mas vulnerabilidade de Seul à artilharia de Pyongyang reduz opções militares do governo Trump.

Porta-aviões Carl Vinson no Mar das Filipinas. O presidente Trump recentemente o desdobrou perto da Coréia do Norte. – Foto: Sean M. Castellano / Marinha dos EUA

Nuvens pesadas pairam sobre a Península da Coreia. Diante das declarações beligerantes e dos testes regulares de mísseis da Coreia do Norte, bem como dos exercícios navais dos Estados Unidos e da Coreia do Sul, o mundo inteiro teme que a situação evolua em breve para uma nova Guerra da Coreia.

O presidente dos EUA, Donald Trump, alertou para o risco de “um grande conflito” com a Coreia do Norte por conta das ambições nucleares do país asiático. Em entrevista à agência de notícias Reuters no Salão Oval, nesta quinta-feira (27/04), Trump se disse disposto a resolver a crise de forma pacífica, possivelmente por meio de novas sanções econômicas, embora a opção militar não esteja descartada. “Existe a chance de acabarmos num grande, grande conflito com a Coreia do Norte”, afirmou. “Adoraríamos resolver as coisas diplomaticamente, mas é muito difícil.”

Na semana passada, o vice-presidente Mike Pence fez um discurso a bordo do porta-aviões USS Ronald Reagan, estacionado no Japão, e disse que a “espada está afiada” ao advertir a Coreia do Norte para não testar a determinação militar dos EUA. Ele afirmou que os americanos responderão com “força esmagadora” caso sejam atacados.

Poucos dias depois, em resposta aos exercícios navais nipo-americanos no Mar das Filipinas, o jornal oficial do regime norte-coreano, Rodong Sinmun, ameaçou: “Nossas forças revolucionárias estão prontas para afundar um porta-aviões americano de propulsão nuclear com um golpe só.”

Em resposta ao anúncio de que o porta-aviões em questão, o USS Carl Vinson, partiria para as águas perto da Península da Coreia, Pyongyang afirmou que o deslocamento era “uma ação extremamente perigosa por parte daqueles que planejam uma guerra nuclear.” O USS Carl Vinson vai se unir ao USS Michigan, um submarino equipado com até 144 mísseis Tomahawk e que aportou na base naval sul-coreana de Busan nesta terça-feira.

Tensão crescente

Os recentes acontecimentos não mudaram o status quo da crise coreana, mas há uma tensão crescente que não deve ser subestimada. A capacidade militar da Coreia do Norte é cada vez mais forte e não há nenhum sinal de que o regime mudará sua postura agressiva, algo que considera necessário para sobreviver.

Nesta terça-feira, os norte-coreanos comemoraram os 85 anos de suas Forças Armadas com uma enorme demonstração de poder de fogo. De acordo com a agência estatal de notícias KCNA, foi a maior manobra militar de todos os tempos, envolvendo mais de 300 peças de artilharia de grande calibre e ataques de submarinos com torpedos em maquetes de navios de guerra. A agência estatal afirmou que o exercício demonstra a determinação do regime de “lançar uma impiedosa chuva de fogo sobre o imprudente imperialismo americano e seus seguidores sujos.”

A política externa americana mais agressiva e provocadora sob Trump eleva ainda mais a tensão. Bem menos diplomático do que nesta semana, o líder americano declarou em março que os EUA agiriam unilateralmente, se necessário, contra a Coreia do Norte. Ele também insinuou que uma ação militar preventiva seria uma opção para combater a produção de foguetes com ogivas nucleares capazes de atingir os Estados Unidos.

Kim e Trump

“A diferença entre Trump e Kim Jong-un é que o presidente americano não tem nenhum plano de longo prazo para a Coreia do Norte e nenhuma visão diferenciada de quando, como, por que e por quanto tempo a força militar é útil ou eficaz”, afirma a especialista Katharine Moon, do Instituto Brookings. “Kim tem um plano de longo prazo, que é a sobrevivência do regime, a manutenção do orgulho nacional e a resistência aos EUA. Trump muda de ideia toda hora, Kim não”, diz Moon.

Norte-coreanos exibem poderio militar em parada

“As pessoas fecharam os olhos por décadas, e agora é hora de resolver o problema”, declarou Trump numa reunião com embaixadores do Conselho de Segurança das Nações Unidas para debater novas sanções à Coreia do Norte.

Na última quarta-feira, os EUA anunciaram a instalação do controverso escudo antimísseis Thaad numa área ao sul de Seul. Falando à Comissão de Forças Armadas do Congresso, em Washington, o comandante das tropas americanas na região da Ásia-Pacífico, o almirante Harry Harris, disse que o sistema estará operacional em poucos dias.

Em resposta às declarações ameaçadoras de Pyongyang, Harris também relatou que a Coreia do Norte não teria nenhuma arma que pudesse ameaçar o USS Carl Vinson e sua frota. “Se voar, será abatida”, disse o almirante. Já o ministro de Defesa da Coreia do Norte, Pak Yong-sik, declarou nesta segunda-feira, durante um “encontro nacional” com a presença de milhares de funcionários do governo, em Pyongyang, que o país usará ataques preventivos para se defender, se necessário.

Mais paciência estratégica será necessária

Apesar das ameaças de uso de força, os EUA têm grandes dificuldades para agir preventivamente, pois milhões de pessoas em Seul e arredores estão ao alcance da artilharia convencional norte-coreana, que é simples, mas eficaz. “A artilharia da Coreia do Norte poderia causar danos significativos em Seul”, diz Kelsey Davenport, diretora de Política de Não Proliferação na Associação de Controle de Armas, em Washington. “O país possui uma série de sistemas concentrados ao longo da zona desmilitarizada. Estima-se que o número de peças de artilharia seja superior a 11 mil.”

Davenport acrescenta que, embora tais sistemas estejam envelhecendo e possuam uma alta margem de erro, alguns poderiam atingir Seul – mais especificamente, lançadores múltiplos de mísseis com calibre de 300 milímetros. De acordo com o think tank americano de estratégia Stratfor, se todos forem disparados, um único ataque poderia “lançar mais de 350 toneladas de explosivos sobre toda a capital sul-coreana, aproximadamente a mesma quantidade lançada por 11 bombardeiros B-52.”

“Pyongyang não precisa de armas novas e sofisticadas para nos confrontar com o tipo de risco que ninguém gostaria de correr. Os seus velhos armamentos ainda funcionam bem”, escreveu John Schilling, do think tank sobre a Coreia do Norte 38 North.

Nesta sexta-feira, o secretário de Estado americano, Rex Tillerson, presidiu um encontro do Conselho de Segurança das Nações Unidas para discutir a imposição de sanções na Coreia do Norte. “A política da paciência estratégica acabou”, afirmou Tillerson. A maioria dos especialistas concorda com ele.

Ainda assim, e apesar do tom duro do governo Trump, a atual ação dos EUA se assemelha à estratégia de contenção, pressão diplomática e sanções que caracterizou por décadas a cambaleante política americana frente para a Coreia do Norte.

Moon afirma que uma estratégia ainda não testada seria isolar o regime norte-coreano com sanções diplomáticas e mobilizar a Assembleia Geral da ONU para suspender a participação da Coreia do Norte, o que restringiria o seu acesso e importância.

Sul-coreanos acompanham pela televisão uma parada militar na Coreia do Norte

Influência chinesa

Na quarta-feira, Trump conversou com todos os senadores numa reunião sem precedentes sobre a Coreia do Norte na Casa Branca e falou que o governo americano vai contar com a influência econômica chinesa para pressionar o país vizinho. Na quinta-feira, foi anunciado que os Estados Unidos vão endurecer as sanções a Pyongyang.

“Até agora, o reforço militar americano não faz parte de uma estratégia maior, assim não está claro qual é o jogo final dos Estados Unidos”, disse Moon, acrescentando que o objetivo declarado é forçar a Coreia do Norte a desistir de seu programa nuclear por meio de pressão econômica e militar. “Esse foi o mesmo objetivo final dos governos de George W. Bush, Barack Obama e agora Donald Trump”, lembra a especialista. “O Carl Vinson não pode ficar indefinidamente à porta da Coreia do Norte.”

Imagens de satélite de locais de testes nucleares da Coreia do Norte, analisadas no início do mês pelo 38 North, mostram que a área de testes Punggye-ri “parece pronta para realizar um sexto teste nuclear, a qualquer momento, tão logo receba ordens de Pyongyang.”

Por enquanto, o nó norte-coreano segue difícil de desatar.

Fonte: DW

 

Categories
América do Sul Brasil Conflitos Destaques Economia Opinião

Brasil: Greve desafia reformas e testa fidelidade da base de Temer

Paralisações e protestos em todo o país adicionam novo elemento de incerteza aos planos do governo e podem diminuir apoio às reformas trabalhista e previdenciária entre a base aliada no Congresso.

Sindicatos e movimentos de oposição paralisaram dezenas de setores e tomaram as ruas de várias cidades do Brasil nesta sexta-feira (28/4) para desafiar as reformas promovidas pelo governo do presidente Michel Temer.

Convocada como uma greve geral, as ações paralisaram o transporte público inteiramente ou parcialmente em todas as capitais e resultaram em bloqueios de estradas e vias públicas. A Central Única dos Trabalhadores (CUT) falou em dezenas de milhões de trabalhadores parados, um número que não pôde ser verificado de maneira independente.

Esse não foi o primeiro ato contra Temer, mas foi o que mais gerou expectativa até o momento diante do seu impacto potencial sobre o governo e da adesão de diversas categorias e de setores da Igreja Católica. Diferentemente de outros atos convocados em novembro e março que também usaram a expressão “greve geral”, a paralisação desta sexta produziu imagens de impacto e entrou no radar da imprensa. Segundo jornais brasileiros, a classe política acompanhou o movimento com apreensão.

As ações ocorreram num momento especialmente delicado para um governo marcado por dezenas de escândalos e instabilidade permanente desde o seu início, em maio do ano passado. Não bastassem o impacto das delações da Odebrecht, o Planalto ainda enfrenta dificuldades para aprovar a proposta de emenda constitucional que pretende fazer mudanças profundas na Previdência Social.

Manifestantes fecham rodovia BR-116 em Eldorado do Sul, perto de Porto Alegre

Diante do impacto da Operação Lava Jato, o governo tem apostado o que resta do seu capital político para aprovar um ambicioso e controverso pacote de reformas e assim recuperar parte de sua credibilidade com alguns setores que apoiam as mudanças, especialmente o empresariado – e justificar sua continuidade até o fim de 2018.

Para o cientista político Ricardo Costa de Oliveira, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), a amplitude da greve desta sexta adicionou mais um elemento para complicar os planos de Temer.

Um placar apertado

Na quarta-feira, o governo conseguiu aprovar na Câmara o seu controverso projeto de reforma trabalhista, que críticos apontaram como um ataque aos direitos dos trabalhadores. A aprovação explicitou os limites da influência do Planalto sobre os deputados. Foram 296 votos a favor. Se encarado como teste para a reforma da Previdência, o total está abaixo dos 308 votos necessários.

Os protestos desta sexta-feira evidenciaram ainda uma nova rachadura em parte da base de apoio. Entre os organizadores da greve geral estava a Força Sindical, ligada ao Solidariedade (SD), partido da base. Seu líder, Paulinho da Força, disse que vai abandonar o governo se Temer insistir nas reformas. O SD tem 14 deputados.

No Senado, o colega de partido de Temer e cacique político Renan Calheiros criticou a reforma trabalhista, que ainda tem que passar pelos senadores. A executiva nacional do PSB, que tem 35 deputados na Câmara, já se mostrou contra as reformas e também ameaça abandonar a base.

A greve também indica que o governo vem perdendo a guerra de comunicação para convencer os brasileiros sobre a necessidade das reformas. Em março, uma pesquisa apontou que 72% da população rejeita mudar a Previdência. São poucos os políticos fora do círculo imediato de Temer que defendem as propostas abertamente.

A fidelidade da base às orientações do governo também vem caindo. Em julho de 2016, 91% dos deputados federais votaram de acordo com o governo. Em abril deste ano, o percentual caiu para 79% entre os cerca de 340 deputados que fazem parte da base. “Um movimento como essa greve tem uma consequência expressiva sobre a base parlamentar e aumenta o custo para manter essa base. Protestos reforçam a impopularidade e isolamento de um governo. Deputados querem sobreviver e pensar no próximo período eleitoral. Continuarem associados à agenda de Temer complica isso”, afirma Oliveira, da UFPR.

O apoio parlamentar ao governo continua forte, mas vem caindo ao mesmo tempo em que Temer vem se mostrando mais e mais impopular. Uma pesquisa divulgada esta semana pelo instituto Ipsos apontou que o governo Temer é reprovado por 75% da população. Apenas 10% classificam sua administração como ótima, boa ou regular. É um índice mais baixo do que o registrado pela ex-presidente Dilma Rousseff na época do impeachment.

Segundo o analista político Rafael Cortez, da consultoria Tendências, o governo não está seguro de que vai passar a reforma da Previdência. “A fase de negociação e discussão já acabou. Agora o governo está no ponto de cobrar os votos da sua base aliada. O Planalto não sabe se vai conseguir, do contrário já teria pedido para colocar em votação. Nesse contexto, a greve e os protestos dão um novo sentido de urgência para Temer, já que os movimentos de oposição e sindicatos começam a ter uma percepção maior de que o governo pode não ter força para aprovar.”

Antipetismo

Já o cientista político Rodrigo Prando, da Universidade Mackenzie, questiona se todo o impacto da greve vai recair exclusivamente sobre o governo. Ele pergunta se os sindicatos têm algum plano alternativo realista para o que o governo está propondo. “Uma greve dessas chacoalha, mas não ganha uma batalha de ideias”, afirmou. “No final do dia ficam imagens de violência cometidas por grevistas, de depredação. Também é difícil de avaliar se todos que pararam o fizeram por convicção ou se ficaram com medo de sair de casa”, disse.

Mesmo com as atenções voltadas para o Planalto, a greve de fato mostrou que o antipetismo e a ojeriza a movimentos de esquerda ainda continuam fortes em alguns setores da sociedade, apesar da impopularidade de Temer e das reformas. Nas redes sociais, milhares de usuários publicaram críticas ao movimento, identificando os atos como um apoio a Lula.

O Movimento Brasil Livre (MBL), que coordenou os protestos contra Dilma Rousseff, chamou os grevistas de “vagabundos” em suas redes sociais – apesar de o próprio movimento ter convocado uma greve geral contra a petista em 2015. O prefeito de São Paulo, João Doria, usou as palavras “vagabundos” e “preguiçosos” para definir os grevistas.

Até a tarde desta sexta-feira, o Planalto não havia se manifestado sobre a greve. Segundo a Folha de S. Paulo, Temer queria adaptar seu posicionamento levando em conta a escala da paralisação. Apenas o ministro da Justiça, Osmar Serraglio (PMDB), havia se manifestado, minimizando os atos.

Fonte: DW

Brasileiros em Berlim protestam contra reformas de Temer

Cerca de 60 pessoas se reúnem em frente ao Portão de Brandemburgo para prestar solidariedade ao movimento grevista que atinge diversas cidades do Brasil e pedir a saída do presidente Michel Temer.

Manifestantes exibiram cartazes em português e alemão em frente ao Portão de Brandemburgo

Em frente ao monumento mais famoso de Berlim, o Portão de Brandemburgo, cerca de 60 brasileiros se reuniram nesta sexta-feira (28/04) para prestar apoio às greves e manifestações que ocorrem em diversas cidades no Brasil.

“Estamos sendo solidários com a greve geral que ocorre contra as reformas trabalhista e previdenciária. Temos amigos e famílias no Brasil, por isso é importante apoiar esse movimento. Também queremos chamar a atenção da comunidade internacional para a atual situação do país”, afirmou o engenheiro Roberto Rocha, um dos organizadores do protesto.

Protesto reuniu brasileiros e alemães

Com faixas em alemão, português e inglês, nas quais se declararam contra o governo do presidente Michel Temer e a favor da democracia, os manifestantes pediram a saída do presidente e defenderam a manutenção de direitos dos trabalhadores.

“Não há como ficar neutro na atual situação. Todos os brasileiros têm que tomar partido. Estou aqui para prestar minha solidariedade com a greve, não poderia ficar em casa e esperar que os outros se manifestassem”, acrescentou o escritor Rafael Cardoso.

Além de brasileiros que moram em Berlim, o protesto reuniu ainda alemães e turistas brasileiros que estavam de passagem pela cidade. “O que está acontecendo no Brasil nos deixa muito tristes e precisamos fazer algo. Hoje é um dia muito importante para o país e por isso estamos aqui”, afirmou a gestora cultural alemã Helga Dressel.

Fonte: DW