Defesa & Geopolítica

Combate em Santarém, a Pérola do Tapajós!

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104 JornalCombate em Santarém, a Pérola do Tapajós!

Por Hiram Reis e Silva, Gramado, RS, 27 de setembro de 2013.

 

As estações de rádio das companhias comerciais de aviação, cujos cristais estavam em poder de Veloso, voltaram ao ar. Centenas de pessoas que haviam fugido ante o noticiário alarmista das emissoras, começaram a regressar. Os gêneros de primeira necessidade, que já escasseavam – porque nenhum barco ousava atracar em Santarém – reapareceram no mercado. (Arlindo Silva – Revista “O Cruzeiro”)

 

A eleição do Presidente da República Juscelino Kubitschek e de seu Vice João Goulart preocupava alguns setores da sociedade brasileira. Inconformados com a situação política que se delineava, o Major Haroldo Veloso e o Capitão José Chaves Lameirão, da Força Aérea Brasileira, arquitetaram um movimento militar que esperavam ganhasse amplitude nacional. Na madrugada de 11 de fevereiro de 1956, dias antes da posse dos eleitos, os dois oficiais sequestraram, do Campo dos Afonsos, Guanabara (atualmente Rio de Janeiro), uma aeronave “Beechcraft”, carregaram-na com armamento e munição e rumaram para a Base Aérea de Cachimbo que eles mesmos haviam ajudado a construir. Mais tarde, o próprio Capitão José Chaves Lameirão confessou:

 

Nosso plano era iniciar efetivamente a Revolução. Era preciso que alguém o fizesse. Nosso plano era apoderar-nos, logo de início, da base de Cachimbo – e foi o que fizemos. É preciso que se saiba que o Cachimbo fica mais ou menos equidistante de Fortaleza, Recife, Natal e Salvador. Com a Base em nossas mãos, seria fácil aos camaradas que quisessem aderir, com seus aviões B–25, as “Fortalezas Voadoras” do Nordeste, e os “Ventura” de Salvador, principalmente, voar diretamente ao Cachimbo e ali lutar pela causa. Chamaríamos, também, as atenções da Nação para aquele ponto e para o Amazonas, e isto poderia facilitar o levante no Sul. Achávamos que alguém começando a Revolução, ela se alastraria naturalmente. (Lameirão)

 

Os amotinados, procurando ampliar sua área de influência, ocuparam e dominaram, depois da Base Aérea de Cachimbo, a Base Aérea de Jacareacanga (Cabeça de Jacaré). Desde a decolagem do campo dos Afonsos, todos os aeroportos do país tinham recebido o sinal de alerta e, tão logo foi conhecida a posição dos insurgentes, partiu um “Douglas”, comandado pelo Major Paulo Vitor, com a missão de aprisionar os rebeldes. A tripulação, tão logo pousou em Jacareacanga, foi aprisionada enquanto o Comandante Paulo Vitor aderiu ao movimento. Veloso, dando continuidade a estratégia de ampliação da área convulsionada, parte com o “Beechcraft”, reforçado pelo “Douglas”, para a Base de Santarém que foi ocupada sem resistência. Enquanto Lameirão providenciava a interdição da pista, Veloso assumiu o comando da força policial santarena, interditou o telégrafo e neutralizou as comunicações das estações de rádio e das companhias aéreas, retirando-lhes os cristais dos equipamentos. Fechou o “Tiro de Guerra 190” e convocou alguns atiradores para o serviço de patrulhamento e vigia. Concluídas as medidas preliminares e mais urgentes, Veloso se dirigiu à população, fazendo uso do serviço de alto-falantes do Partido Social Democrático (PSD), e comunicou que a Cidade estava sob controle pacífico da Força Aérea e que a população podia continuar com seus afazeres diários sem qualquer temor.

No trapiche do Instituto Agronômico do Norte, Bairro da Prainha, foi montado um Posto de Vigilância com a missão revistar as embarcações. Os revolucionários achavam que a repercussão com a tomada de Santarém provocaria a adesão de outros oficiais, ampliando o movimento, mas não foi o que aconteceu.

 

Combate em Santarém!
Luta-se encarniçadamente na Pérola do Tapajós!
Já sobem a milhares os mortos e feridos na revolta de Jacareacanga!

 

No sul do país, as rádios alardeavam notícias fantásticas e exageradas, enquanto em Santarém as “Fortalezas Voadoras” sobrevoavam a Cidade despejando folhetos conclamando a população a se afastar dos insurretos. Na tarde de 22 de fevereiro de 1956, Lameirão, sobrevoando o Amazonas no “Beechcraft”, avistou uma embarcação que confundiu com o “Presidente Vargas”, de transporte de tropas; na verdade era o “Lobo D’Almada”, que conduzia centenas de civis. Lameirão, muito nervoso, tão logo pousou, foi relatar a Veloso a necessidade de bombardeá-lo, que preferiu outra alternativa, realizando uma retirada estratégica que, certamente, poupou a vida de centenas de inocentes. Às dezenove horas deste mesmo dia, partiram para a Base de Jacareacanga levando armas, munições e 25 homens que julgavam serem fiéis ao Movimento. Dias depois, chegava a Santarém o “Presidente Vargas” com um contingente de 300 homens do Exército, comandados pelo Coronel Hugo Delayte, e um contingente de paraquedistas militares, comandados pelo Coronel Santa Rosa, o aeroporto foi liberado permitindo o pouso de diversas aeronaves militares.

 

Enquanto decorriam as operações aéreas de reconhecimento do campo inimigo, as tropas vindas pelo “Presidente Vargas” iniciavam sua subida pelo Tapajós, sob o comando do Coronel Hugo Delayte. Viajavam em barcaças. (…) Sucedeu, porém, um imprevisto: Veloso queria apanhar gasolina em Itaituba. Chegou a São Luís (fronteira àquela Cidade) numa embarcação com 12 homens. Dessa localidade, enviou dois espiões a Itaituba para averiguarem se a praça estava desguarnecida. Acontece que lá estava a tropa do Coronel Delayte. Os dois espiões denunciaram o Plano de Veloso. Fizeram mais: conduziram Delayte e seus soldados a São Luís e indicaram a casa onde Veloso estava escondido. Ocorreu, então, o único choque armado entre rebeldes e legalistas. Veloso escapuliu pelo mato, mas no chão ficou estendido um homem: Cazuza, que Veloso, dias antes, em Santarém, em tom de pilhéria, promovera a cabo. (…) Cazuza se transformaria na única vítima da “Guerra do Tapajós”. (Arlindo Silva – Revista “O Cruzeiro”)

 

No dia 28, às 17 horas, Veloso, desarmado, foi aprisionado sem oferecer resistência em uma casa de São Luís. Levado para Itaituba, foi transportado em um “Beech 1512” na companhia do Comandante da “Operação Tapajós” – Brigadeiro Alves Cabral e escoltado pelo Major–aviador Celso Neves. Enquanto isso, o Major Paulo Vitor, o Capitão Lameirão, e o Sargento João Gunther fugiam no “Douglas” para a Bolívia onde aterrissaram na noite de 29 de fevereiro no aeroporto de Santa Cruz de La Sierra.

 

Pedro Rogério Moreira faz uma interessante e rica abordagem da Revolta de Jacareacanga no seu “Bela noite para voar: um folhetim estrelado por JK”:

 

Índios! E querem empalar os paraquedistas do Exército!

 

Depois da guerra que foi a campanha eleitoral e a guerra para tomar posse, Juscelino ainda enfrentaria mais tiros pela frente. Enquanto ele dorme no vôo para Dourados, vamos passar em revista essas histórias plenas de ações cinematográficas. Iniciemos pelo protagonista da primeira sedição, o Major Haroldo Coimbra Veloso, um verdadeiro Jim das Selvas.

 

Este oficial-aviador tinha o crédito de haver realizado o árduo trabalho de abertura de várias pistas de pouso no Brasil Central e na Amazônia, para o desbravamento de novas rotas do Correio Aéreo Nacional. Técnico de visão humanista, o Major Veloso congregava nessa tarefa os índios e caboclos que habitavam as cercanias dessas pistas. Sua missão na FAB assemelhava-se à desenvolvida nas primeiras décadas do século XX pelo admirável humanista, talvez o maior brasileiro daquele século, o engenheiro, militar, antropólogo e cientista Cândido Mariano da Silva Rondon. Veloso, no entanto, deixou-se contaminar pela política partidária, o que Rondon jamais se permitiu. A conspiração em que o Major se meteu começou a dar errado logo no início, madrugada de 11 de fevereiro de 1956, um sábado de carnaval, poucos dias após a posse de Juscelino.

 

Foi assim.

 

Veloso e seu companheiro, o Capitão José Carlos Lameirão, chegam de surpresa ao Campo dos Afonsos, no Rio de Janeiro. Querem apoderar-se de um avião AT-11, Unha versão do “Beechcraft” de transporte, convertido em avião de ataque. Mas o hangar está fechado. Para conseguir abri-lo, rendem o oficial do dia. Depois, arrombam o depósito de armas e munições e decolam sem autorização da torre. A ação deveria ser silenciosa para os revoltosos ganharem tempo. O alarme só seria dado nos dias de carnaval, quando a mobilização é sempre mais demorada. Mas todo o planejamento foi por água abaixo.

 

O “Beech” dos rebeldes fez um pouso em Uberlândia, Minas, para reabastecimento, e rumou para Cachimbo, no Sul do Pará, o centro geográfico do Brasil.

 

Cachimbo é obra de Veloso. Ele abriu a pista e instalou o radiofarol de apoio aos vôos nacionais e internacionais que cruzam a Amazônia. O destacamento da FAB tem ainda a nobre missão de apoiar os sertanistas do Serviço de Proteção aos Índios, que chegaram àquele remoto lugar, na década de 1940, para integrar os temíveis caiapós ao convívio pacífico com os demais brasileiros. Cachimbo, no entanto, não será o cenário da revolução de Veloso. Foi um despiste, para confundir o governo.

 

O Major rebelde vai instalar seu QG muito mais adiante, a Oeste, em Jacareacanga. É uma corrutela (vilarejo que se forma em torno de um garimpo) no meio da selva, situada a algumas horas a pé do Rio Tapajós, frequentada por garimpeiros de ouro. A pista também foi aberta pelo bandeirantismo de Veloso.

O Major pousa, dá voz de prisão ao destacamento e estrutura a resistência, armando batalhões de índios Mundurucus e seringueiros residentes nas proximidades.

 

Relata o historiador Glauco Carneiro (História das Revoluções Brasileiras, Editora “O Cruzeiro”, 1965):

“Os indígenas, amigos incondicionais de Veloso desde 1949, mostravam-se ansiosos pela luta. E não compreenderam, por exemplo, que Veloso aprisionasse adversários e não os matasse, dando-lhes, ao contrário, alimentação e remédios. Veloso procurou explicar-lhes que as leis das guerras dos brancos diferiam daquelas por eles recomendadas, mas a impressão que deixou entre os índios foi de que estava se tornando fraco. Esses guerreiros do arco e da flecha só se sentiram medianamente satisfeitos quando, no final da revolta, foi-lhes ordenado fincar estacas pontiagudas na pista de Jacareacanga, a fim de impossibilitar o salto de paraquedistas que o general Lott envia para sufocar a Rebelião. Em poucas horas, a terrível armadilha estava terminada e seus feitores deliraram. porque o chefe, finalmente, estava aprendendo a matar inimigos”.

 

Mas Veloso não matou ninguém. A Rebelião de Jacareacanga só teve um morto, um caboclo chamado Cazuza, lugar-Tenente de Veloso. Eram amigos desde que o Major abrira a pista de Jacareacanga. Para Cazuza, era Deus no céu e Veloso na terra. Mas naqueles dias de Rebelião, ele contraiu malária e ficou em casa. As tropas que saíram da cidade de Itaituba em direção a Jacareacanga, para prender Veloso, cercaram a casa de Cazuza, imaginando que o líder rebelde pudesse estar ali escondido. O caboclo, quando saiu à porta despertado pelo tropel dos soldados, recebeu urna rajada de metralhadora. Puxou o gatilho um sargento apelidado Mineiro. Descobriram no inquérito que o policial tivera anteriormente uma desavença com Cazuza.

 

Veloso imaginava que receberia adesões no Exército, na Marinha e muitas na Força Aérea. Na FAB, ganhou unicamente a solidariedade moral, a maioria de modo velado, de centenas, talvez de milhares de colegas de todas as bases aéreas do país. Apoio firme, apenas o de um oficial: o Major Paulo Victor da Silva.

 

Paulo Victor, pilotando um C-47 do Correio Aéreo Nacional, pousa em Belém sem saber da revolução. O comandante da Zona Aérea resolve aproveitar o avião dele para enviar as primeiras tropas do Exército contra os rebeldes.

 

O que o comandante desconhece é que Paulo Victor é amigo de Veloso e de Lameirão. Ele jamais executaria uma missão punitiva contra seus amigos.

 

Ao chegar a Jacareacanga, adere à revolução. Seu co-piloto, Tenente Carlos César Petit, leal ao governo, foi feito prisioneiro com os soldados que estavam sendo levados para dar combate à sedição (Rebelião).

 

Os rebeldes esconderam o C-47, cobrindo-o de folhagens.

 

Foi providencial a camuflagem: no dia 29, as forças legalistas que ocupam Jacareacanga não conseguem localizar de imediato o avião. Melhor para os rebeldes. O Major Paulo Victor e o Capitão Lameirão não têm outra alternativa a não ser a fuga. E que seja rápida, pois as tropas estão chegando!

 

Não há tempo de desfolhar totalmente o C-47. Vamos girar os motores. Taxiamento nervoso para a pista. A porta lá de trás ficou aberta. Não tem importância, depois a gente fecha. Potência total. Olha lá as tropas legalistas cercando o aeroporto. Corrida desesperada para decolagem. Mais velocidade, Douglas! Anda! Vamos tirar você do chão agora, não me falhe!

 

Descreve Glauco Carneiro:

 

“Os galhos e ramagens foram caindo da fuselagem à medida que o avião ganhava altura, com destino a Santa Cruz de la Sierra, a 1.500 quilômetros de distância”.

 

Voou tão alto o aviador Paulo Victor que, depois de receber a anistia de JK, reintegrou-se à vida militar, atingiu o mais alto posto da FAB, o de Tenente-Brigadeiro-do-ar, e ajudou a fazer a Revolução de 64, que cassou os direitos políticos de quem o havia perdoado. Está com 89 anos, reside no Rio.

 

As estacas fincadas pelos índios mundurucus não espetaram nenhum dos 45 paraquedistas do Exército, enviados pelo governo para tomar o campo de pouso rebelde. Os paraquedistas chegaram em barcaças, subindo o Rio Tapajós. E não dispararam sequer um tiro.

 

Haroldo Coimbra Veloso, o líder da sedição, era alto, magro e alourado. Tinha mesmo um que de artista de filme de aventura. Se o redator deste folhetim não tivesse mencionado que ele era o nosso Jim das Selvas, diria agora que, em Jacareacanga, Veloso é o Gary Cooper de Beau Geste.

 

Beau Geste: filme dirigido por William A. Wellman, em 1939, que narra a história de dois irmãos que se alistam na famosa Legião Estrangeira Francesa.

 

No início da revolta, quando ainda espera receber o socorro que não veio, de camaradas das outras armas, e já tendo dominado Jacareacanga, ele deixa o colega Paulo Victor como comandante da praça daquela cidade e, ao lado de Lameirão, voa Rio abaixo no AT-11, indo instalar seu Quartel-General na cidade de Santarém, onde o Tapajós despeja suas águas azuis no barrento Amazonas. Ocupa o aeroporto com facilidade, prendendo quem se declara legalista. E ali resiste por alguns dias, embora atormentado diariamente por um B-17. A fortaleza voadora veio de Recife com uma missão específica. Está equipada com aparelho especial de fotografia. Não dá sossego aos rebeldes, com insistentes vôos rasantes sobre a pista, na tentativa de localizar o AT-11 camuflado.

 

O ambiente em Santarém, no entanto, tirante o B-17, é de piquenique. Conta o repórter Arlindo Silva, em reportagem de sucesso na revista “O Cruzeiro”:

 

“Depois dos primeiros dias, nós jornalistas acostumamo-nos com o B-17 e não nos incomodamos mais com seus rasantes. No terceiro dia de permanência no QG rebelde, a ausência de novidades nos deixava entediados. Sentávamos no chão (Veloso fazendo bombas com cápsulas presas entre as pernas) e começavam as anedotas. Aquilo não parecia uma guerra. Parecia um piquenique de fim de semana, com o B-17 fazendo a cobertura. Enquanto as emissoras do país inteiro noticiavam que se travavam batalhas nas ruas de Santarém, Veloso e Lameirão tiravam boas sestas, deitados nos duros bancos do aeroporto”.

 

Tiros, de verdade, só houve no dia 21, 11 dias depois do início da revolta. O AT-11 havia decolado para um vôo de observação sobre o Rio Amazonas, por onde navegava um navio mercante fluvial, procedente de Belém, com tropas da Aeronáutica para sufocar a Rebelião. Na volta desse vôo, Veloso e Lameirão quase colidem o AT-11 com o B-17. Depois do pouso, não houve tempo para a camuflagem. Surgiram então dois Catalinas, e um deles mandou chumbo. Os tiros de metralhadora, no entanto, erram o alvo… Terá sido mesmo para valer? Os rebeldes revidam… com tiros de revólver!

 

É também uma guerra de palavras. Os rebeldes enviam o seguinte telegrama ao comandante da 1ª Zona Aérea, Brigadeiro Antônio Alves Cabral, em Belém:

“Em virtude de o Catalina 6514 ter metralhado a estação de passageiros de Santarém, onde se encontravam civis, inclusive senhoras, a partir desta data passaremos a reagir a qualquer ameaça, responsabilizando esse comando pelas consequências”.

 

Parece briga de colegiais.

 

O brigadeiro Cabral responde. Não da mesma forma, telegráfica, mas usando um Catalina que deixa cair lá de cima uma mensagem datilografada, concitando os rebeldes a se renderem antes que seja tarde demais.

 

Na iminência da chegada do navio com as tropas legalistas, e sem receber o apoio militar de que precisava. Veloso entrega a Praça de Santarém e volta para Jacareacanga. Vai, diz ele, arquitetar o plano para o confronto decisivo.

 

As tropas da Aeronáutica que chegam de navio a Santarém, comandadas pelo Tenente-Coronel Delayte, são baldeadas para barcaças, de calado mais raso, a fim de evitar o encalhe na subida do Rio Tapajós. Era o que Veloso queria, diz o historiador Glauco Carneiro. No trecho encachoeirado do Rio, onde o caudal se estreita, ali onde se encurta a distância entre a mira do atirador e o alvo, o Major rebelde imagina armar seus índios e caboclos.

 

Conta o historiador:

 

“Os rebeldes estariam à espera, prontos para derramar gasolina no Rio, atear fogo e dormir na pontaria dos rifles e metralhadoras para caçar os infelizes que conseguissem escapar do braseiro”.

 

Jim das Selvas, no entanto, é vitima de seu próprio plano. Ele e mais 12 homens a bordo de uma voadeira, barco a motor muito utilizado na Amazônia, vão a Itaituba, cidade próxima, em busca de gasolina. Dois desses homens são enviados na frente, como batedores, para ver se o campo está livre. Não está: o pelo Tenente-Coronel Delayte, com sua tropa de trezentos soldados, já domina a cidade e os batedores caem prisioneiros.

 

Daí para a prisão de Veloso foi um pulo.

 

Ele estava sentado em uma cadeira de balanço, na varanda da casa do tabelião Lauro Mendonça, na beira do Rio, quando recebeu voz de prisão do Capitão Milton Castro, comandante de urna patrulha de Sargentos e Cabos da Aeronáutica.

 

Luciano Carneiro, repórter de “O Cruzeiro”, testemunhou a prisão e anotou o seguinte diálogo:

 

–  Renda-se, Major, para não morrer! – avisou o Capitão.

–  Tantos homens para dominar um só? – respondeu o rebelde, com uma ponta de sorriso e muita ironia.

 

Veloso foi imediatamente levado à presença do Brigadeiro Antônio Alves Cabral, que comandava em Itaituba a contra-ofensiva aos rebeldes. O repórter Luciano Carneiro também estava lá e registrou o diálogo:

 

–  Mas logo você, Veloso? Você, Paulo Victor e Lameirão, todos meus amigos… – começou a falar o brigadeiro, manifestando o seu desapontamento com a ação desleal dos subordinados.

 

Sabem o que Veloso respondeu?

 

–  Há gente que presta, brigadeiro!

 

Oficiais do Estado-Maior do Brigadeiro Cabral intervêm na conversa para chamar Veloso às falas, enquadrá-lo, lembrando-lhe a condição de transgressor da lei.

Jim das Selvas não se cala facilmente.

 

–  A lei para mim só existiu até o 11 de novembro! – responde Veloso, referindo-se ao dia cai que o Ministro da Guerra, General Teixeira Lott, depôs, em 1955, o Presidente interino da República, Carlos Luz, e em seguida o titular, Café Filho, sob a acusação, comprovada, de que ambos tramavam o golpe para não dar posse ao eleito Juscelino Kubitschek.

 

Mesmo diante da impertinência de Veloso, o brigadeiro Cabral não revida, não se altera. Dirige-se aos oficiais legalistas e, num gesto de genuína generosidade, traça a melhor biografia do rebelde, ainda segundo as palavras do repórter Luciano Carneiro:

 

–  Creio que sei o que se passou com Veloso começa o Brigadeiro Cabral. – Este homem trabalhava, patrioticamente, na tarefa árdua de abrir pousos dentro da mata. Aí estão Jacareacanga e Cachimbo como monumentos a esse rapaz extraordinário. No entanto, o que acontecia no Ministério? Havia sempre gente a intrigá-lo no Gabinete do Ministro. Veloso foi sempre um homem de trabalho, um homem sério. Sentiu como uma ferroada as injustiças. Ficou recalcado. Quando surgiu a contra-revolução, da qual ele discordava, seu espírito já estava preparado para a revolta. E aí ele fez essa bobagem…

 

O Major Veloso não foi nem um pouco sensível ao depoimento favorável de seu superior. Interrompe o Brigadeiro para mais uma ousadia:

 

–  Não considero uma bobagem o que fiz – protesta, emprestando a sua fala um tom altaneiro.

 

Naquele mesmo dia, no Palácio do Catete, Juscelino recebe os repórteres da imprensa estrangeira e declara:

 

–  Vamos virar a página, passar uma esponja em todos os acontecimentos e começar vida nova, porque o País deseja paz para trabalhar.

 

No dia seguinte, 1° de março de 1956, o Presidente envia ao Congresso Nacional mensagem propondo a anistia a todos os que se rebelaram contra ele, desde os golpistas que se refugiaram no cruzador Tamandaré em novembro de 55, na tentativa de impedir a posse dele, até os atuais sediciosos de Jacareacanga.

Vamos virar esta página.

 

O B-25 cavalheiresco e seu piloto que não era John Wayne

 

A rebeldia de Jacareacanga vai completar cinquenta anos e até agora a única fonte de informação sobre o acontecimento é o noticiário da imprensa, especialmente os relatos dos repórteres Arlindo Silva e Luciano Carneiro, da revista “O Cruzeiro”. Os historiadores que se debruçaram sobre o assunto, como Glauco Carneiro em “História das revoluções brasileiras”, e Hélio Silva na sua “História da República brasileira”, valeram-se única e exclusivamente das informações jornalísticas.

 

Em 1956, a imprensa do Rio de Janeiro e de São Paulo, cidades em que até hoje se concentram os mais prestigiosos jornais e revistas do país, era maciçamente eduardista ou “antijuscelinista”. Juscelino havia perdido as eleições em ambas as capitais. Portanto, a posição da imprensa, de simpatia ao movimento de Jacareacanga, refletia a simpatia de cariocas e paulistas pelos aviadores rebeldes.

 

As reportagens da dupla de jornalistas de “O Cruzeiro” são francamente favoráveis a Veloso, Paulo Victor e Lameirão. Os jornais “glamourizam” os rebeldes. Glauco Carneiro, ao sistematizar essas informações em seu livro, edulcorou-as (tornou-as mais suaves, abrandou-as, amenizou-as) mais ainda. As ações dos três mosqueteiros ganham uma narrativa quase épica. A fuga do Paulo Victor e de Lameirão é a descrição de um filme de aventura. Eles retiram da selva o Douglas Dakota convenientemente camuflado e decolam de Jacareacanga com destino ao exílio na Bolívia. “Um B-25 ainda tentou interceptá-lo, mas o Douglas desapareceu nas nuvens exatamente às 14h15 do dia 29 de fevereiro”, descreve o historiador com uma exatidão de relógio suíço.

 

Ao empregar o verbo interceptar, o texto sugere uma ação de combate. Na guerra aérea, intercepta-se um avião hostil para fazê-lo retroceder; para apresá-lo; ou para abatê-lo. Quem é esse John Wayne que pilotava o B-25 e tentou interceptar o Douglas C-47 em que estavam William Holden e Humphrey Bogart? O que pretendia seu piloto? Fazer o avião rebelde retroceder ao campo de Jacareacanga, para aprisioná-lo, ou queria abatê-lo em pleno vôo sobre a floresta amazônica?

 

O piloto do B-25 chamava-se Ivan Zanoni Hausen. O redator deste folhetim o conheceu em Brasília, em 2001. Era gaúcho. Lembrava mesmo John Wayne: era alto e forte como o ator de Hollywood – foi atleta olímpico, aliás, o único atleta olímpico da Força Aérea Brasileira, tendo participado das Olimpíadas de Londres em 1948. Preferiu sempre a aviação de caça e de bombardeio à de transporte. As semelhanças com o arquétipo do cowboy americano acabam aqui. Zanoni foi treinado para ser de Esparta, mas sempre foi de Atenas. Intelectual, autor de livros e formulador de doutrinas no Estado-Maior da FAB e na Escola Superior de Guerra.

 

Naquela tarde de 29 de fevereiro de 1956, o então Capitão-aviador Zanoni jamais tentou interceptar o C-47 do rebelde Paulo Victor. Nem mesmo o avistou. E se o tivesse visto, jamais faria uso da torre de sua metralhadora, pois a instrução que recebera do Ministro da Aeronáutica, Brigadeiro Alves Seco, era curta e grossa, e emanada do próprio Presidente da República: nenhum dano a pessoas, instalações ou aeronaves. A missão do B-25 era apenas de persuasão.

Zanoni viveu intensamente os bastidores da revolta de Jacareacanga no centro do poder político, na posição privilegiada de Ajudante-de-ordens do Ministro. Depois, foi vivê-la no front. E pagou um preço enorme por isso, reconhecem seus contemporâneos, como o Major-engenheiro Sinval Dantas da Rocha, autor de “A FAB e a política nacional na década 50” (tese para a Escola de Comando e Estado-Maior da Aeronáutica, de 1975).

 

O oficial legalista de Jacareacanga não recebeu uma só promoção por merecimento, só por antiguidade; jamais foi alçado a uma posição de comando; e, sendo reconhecidamente um oficial de alto padrão intelectual e moral, não alcançou o posto de Brigadeiro. Tudo isso porque ficara ao lado da lei em 1956. A história vivida pelo Capitão Zanoni ilustra bem como os rebeldes de Jacareacanga mereceram na FAB a simpatia de escalões superiores e, sobretudo de escalões intermediários, muito importantes porque são os operacionais. Se Veloso não teve o apoio direto de armas, aviões e pessoal, ele contou com vasto apoio moral. Naqueles dias em que o governo procurava acabar com a revolta, esse apoio moral, quando não era explicitado no descumprimento de ordens, traduzia-se em omissão, corpo mole ou inércia, no Rio e nas diversas bases aéreas envolvidas nas operações para sufocar a sedição.

 

Em Belém, por exemplo, logo nos primeiros dias da Rebelião, os pilotos da esquadrilha de Catalinas, todos Capitães e Tenentes, recusam-se a cumprir missões de atemorização contra o aeroporto de Santarém, onde estão entrincheirados Veloso e Lameirão, e contra o de Jacareacanga, onde Paulo Victor escondeu seu C-47 que estava com uma Pane no motor esquerdo. O comandante da 1ª Zona Aérea, Brigadeiro Cabral, pede ajuda ao Rio para enfrentar os atos de rebeldia em seu comando, o Ministro envia como observador e conselheiro o então Major Celso Resende Neves, ele mesmo, um dos pilotos que conduz o Presidente Juscelino no meu folhetim “Bela noite para voar”. Naquela época, Celso era professor na Escola de Comando e Estado-Maior. Ele é reconhecidamente um oficial equilibrado, de qualquer ponto de vista que se analise, especialmente o político. Celso reuniu todos aqueles jovens aviadores de Belém e lhes mostrou o mal que estavam fazendo contra a sua própria carreira, ao recusarem o cumprimento de missões ordenadas por seus superiores. Os argumentos do representante da legalidade convenceram os pilotos a não aderirem à rebeldia.

 

–  Está bem, Major, nós voltaremos a voar – assentiu o Capitão Burlamarque Barreira.

 

Mas como todo bom oficial, o Capitão quer preservar o espírito de camaradagem com os colegas rebelados. E pergunta a Celso:

 

–  Se Paulo Victor precisar de uma Peça Para o C-47, nós poderemos ajudá-lo?

 

Responde, cavalheirescamente, o Major Celso:

 

–  Belo gesto de sua parte, desde que eu não fique sabendo.

 

No Rio, o panorama da rebeldia não era diferente. O próprio Ministro da Aeronáutica encontra dificuldades de arregimentar pessoal e aviões para deslocar ao front. Temia pelos dois lados: que lhe aparecessem falsos legalistas capazes de aderir aos rebeldes, ou doidos varridos que acabariam fazendo o sangue correr no Tapajós.

 

Duas semanas após o inicio da Rebelião, vendo as seguidas dificuldades do Ministro, o Ajudante-de-ordens Ivan Zanoni Hausen se apresenta como voluntário para ir ao front. A primeira reação do chefe foi de recusa. Tarimbado nos embates políticos, o Ministro queria proteger seu subordinado daquilo que sabia viria a acontecer fatalmente: a perseguição. No entanto, como se tratasse de voluntariado, Zanoni bateu o pé, para ir.

 

A missão organizada pelo Ministro previa o emprego de três bombardeiros North American B-25 J: dois decolariam do Parque Aeronáutico do Campo de Marte, em São Paulo, e o outro da Base Aérea de Fortaleza. Na madrugada do dia 26 de fevereiro, no Campo de Marte, Zanoni está desconfiado. Os B-25 se encontram em revisão. Por que não escalaram aviões em condições de vôo? Essa dificuldade, entretanto, é café pequeno, para usar uma gíria da época; não é tão grave diante do que vem pela frente. Susto grande mesmo é quando o Capitão Zanoni, descansando no alojamento da base, atende um telefonema anônimo; do outro lado vem a ameaça:

 

–  Te cuida, Capitão. O B-25 está sabotado!

 

Era terrorismo puro. Só mesmo o ardor da juventude (ou a chama da legalidade) para fazer o voluntário Ivan Zanoni Hausen levantar vôo naquela madrugada de densa neblina, portadora dos mais infaustos augúrios na mente de um Capitão-aviador. Bastou, porém, o avião, subir menos de 500 metros e furar a camada tenebrosa, para Zanoni deslumbrar-se com um céu estreladíssimo, desses que o Presidente Juscelino Kubitschek gosta de apreciar em suas constantes viagens pelo Brasil. A visão encantadora da noite espantou os maus pensamentos de Zanoni, mas ele não fez um vôo confortável.

 

O B-25 que lhe deram não tinha o acolchoado dos assentos. Foi retirado pelos simpatizantes dos rebeldes, de modo que ele e seu co-piloto, o Capitão José Carvalho Pereira (outro voluntário), para não machucarem o traseiro no ferro da cadeira, sentaram-se em cima de seus paraquedas. Os dois B-25 fizeram escala em Barreiras, na Bahia, para reabastecimento. Oficiais simpatizantes dos rebeldes tentaram retê-los, sob pretextos diversos. Mas Zanoni estava decidido “a levar a mensagem a Garcia”, bordão muito usado na época para caracteriza, isto mesmo: cumprir missões, custe o que custar, como fez o Tenente americano na guerra dos Estados Unidos contra Cuba, retratado no famoso folhetim “Mensagem a Garcia”.

 

Enquanto Zanoni enfrentava esses obstáculos, o B-25 que decolou de Fortaleza fazia um pouso de emergência em São Luís do Maranhão. Pane? Não. Ah, para reabastecer? Nada disso. É que um dos pilotos, o Tenente Adair Geraldo Ribeiro, precisava urgentemente… ser operado de apendicite!

 

Quando, finalmente, o B-25 recebe novo tripulante e chega a Belém, os Tenentes-aviadores Flávio M. Santos e Octávio Ramos de Figueiredo se recusam a cumprir missão contra os rebeldes e recebem voz de prisão. Também o segundo B-25 enviado do Campo de Marte não chega a ser empregado contra os rebeldes, informa o citado autor de “A FAB e a política nacional na década de 50, sem no entanto, explicar a causa.

 

Desse modo, apenas o bombardeiro pilotado por Zanoni, o de matrícula 5123, vai cumprir missões na área conflagrada. Ele fica baseado em Santarém, já então em poder do governo, e realiza três sobrevôos em Jacareacanga, um a cada dia, até 29 de fevereiro, quando Veloso é preso e Paulo Victor e Lameirão fogem para a Bolívia. Mas sua ação é um doce de coco. Nem de longe representa qualquer ameaça. Veja por quê: o B-25 Mitchell é um avião de grande poder de fogo. Na Segunda Guerra Mundial o inimigo morria de medo ao vê-lo.

 

Certa vez, no Saara, um B-25 da Real Força Aérea inglesa pousou em emergência numa das muitas pistas abertas pelo Marechal Rommel no deserto, para garantir suprimentos ao seu poderoso exército de tanques. Guarneciam a pista um oficial e 12 soldados, cujos armamentos iam da pistola até metralhadoras. Pois os nazistas afinaram. Ficaram quietinhos. Olhavam de longe o mecânico inglês sanar a pane do B-25, dotado de 14 – eu disse 14 – torres de metralhadora ponto 50, distribuídas pelo nariz, dorso, pelas laterais e cauda, noves fora as quatro bombas de 250 quilos que carregava em seu intestino. O oficial alemão foi absolvido no conselho de guerra e, ainda, elogiado pela sua prudência.

 

O B-25 de Zanoni estava equipado apenas com uma torre de artilharia, na bolha do nariz. Nem levava artilheiro. Além de dois pilotos, fazia parte da tripulação apenas o Sargento-mecânico, o que demonstra a falta de ânimo bélico dos legalistas, seguindo, aliás, recomendação do próprio Presidente da República: nada de tiros contra pessoas, prédios ou aviões.

 

Zanoni deu uns tirinhos, sim senhor: nas águas do Tapajós, para calibrar a mira; e nuns tambores de combustível, colocados pelos rebeldes na pista de Jacareacanga para impedir tentativas de desembarque de tropas legalistas. Num desses reides (incursões rápidas), suspendeu o fogo para não atingir uns jegues que invadiram a pista.

 

As outras missões foram para atirar mensagens manuscritas concitando os rebeldes a se entregarem, e de patrulhar o Tapajós, já que naquela altura subiam o Rio as barcaças com tropas da Aeronáutica comandadas pelo Coronel Delayte.

 

Zanoni faz parte de uma geração de oficiais-aviadores em cujas veias corre o sangue da guerra cavalheiresca, aquela que faz o Major Celso Resende Neves fechar os olhos diante do gesto de solidariedade de seu subordinado, o Capitão do Catalina legalista que ajudou o rebelde Paulo Victor a consertar seu avião.

 

O caçador Zanoni, se avistasse o desamparado C-47 em fuga, vestiria a armadura do guerreiro da gesta medieval e talvez até balançasse as asas do seu B-25, a dizer ao rebelde Paulo Victor: livre para voar, Major… A derradeira missão do B-25 legalista no Tapajós foi o vôo da vitória sobre o campo antes espetado pelas fincas (estacas) pontiagudas dos índios Mundurucus, destinadas a empalar os paraquedistas que se aventurassem a saltar.

 

Os homens do destacamento da FAB, feitos prisioneiros pelo Major Veloso, finalmente se vêem livres dos rebeldes após a decolagem de Paulo Victor. Zanoni dá ordem pelo rádio para que o Sargento e seus soldados se formem diante da estação. O aviador legalista pretende formalizar a reintegração do destacamento à Força Aérea. O B-25 faz uma passagem lenta e a baixa altitude sobre a pista, os homens em terra prestam continência a Zanoni e ele retribui com um balançar de asa, significando que a vida daqueles homens voltava à normalidade. Missão cumprida. O jovem piloto legalista entregara a Mensagem a Garcia. Quando os paraquedistas do Exército chegam a Jacareacanga, a paz Já vigorava.

 

E o Capitão-aviador Ivan Zanoni Hausen voa de regresso ao Rio, na direção das agruras da vida militar, num Brasil dividido entre os partidários do Brigadeiro Eduardo Gomes, os “eduardistas”, e a turma do xerife Lott.

 

A audaz missão de Zanoni em Jacareacanga, em defesa da democracia, irá marcá-lo de modo negativo na FAB, onde os “antijuscelinistas” foram sempre a maioria. Ele fez todos os cursos a que são obrigados os oficiais que almejam atingir o generalato, mas só atingiu o posto de Tenente-coronel. Nunca foi promovido por merecimento – sempre por antiguidade. Poucos meses depois de dar seu depoimento para este folhetim, o aviador Zanoni foi vencido por um câncer, aos 74 anos. (MOREIRA)

 

Fonte: MOREIRA, Pedro Rogério. JK, Bela Noite Para Voar: um Folhetim Estrelado por JK – Brasil – Rio de Janeiro – Editora Relume Ltdª, 2006.

 

–  Livro do Autor

 

O livro “Desafiando o Rio-Mar – Descendo o Solimões” está sendo comercializado, em Porto Alegre, na Livraria EDIPUCRS – PUCRS e na rede da Livraria Cultura (http://www.livrariacultura.com.br). Para visualizar, parcialmente, o livro acesse o link:

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Solicito publicação:

 

Coronel de Engenharia Hiram Reis e Silva

Professor do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA);

Presidente da Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira (SAMBRAS);

Membro da Academia de História Militar Terrestre do Brasil – RS (AHIMTB – RS);

Membro do Instituto de História e Tradições do Rio Grande do Sul (IHTRGS);

Colaborador Emérito da Liga de Defesa Nacional.

E-mail: hiramrsilva@gmail.com

Blog: http://desafiandooriomar.blogspot.com.br

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