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Conflitos Geopolítica Opinião

‘Economist’ pergunta se o Brasil ‘estragou tudo’

Hugo Passarelli

Fernando Nakagawa, correspondente

De um foguete que apontava para o alto para uma aeronave desgovernada nos céus. Essa é a comparação feita pela capa da revista britânica The Economist ao tratar da evolução do Brasil nos últimos quatro anos. A edição distribuída na América Latina, que chega às bancas neste fim de semana, tem na capa uma imagem do Cristo Redentor fazendo piruetas no céu do Rio de Janeiro com a pergunta: “Has Brazil blown it?”. A questão pode ser traduzida como “O Brasil estragou tudo?” ou “O Brasil se perdeu?”.

Na edição desta semana, a revista publica uma reportagem especial de 14 páginas sobre o Brasil assinado pela jornalista Helen Joyce, correspondente da revista no País. “Na década de 2000, o Brasil decolou e, mesmo com a crise econômica mundial, o País cresceu 7,5% em 2010. No entanto, tem parado recentemente. Desde 2011, o Brasil conseguiu apenas um crescimento anual de 2%. Seus cidadãos estão descontentes – em julho, eles foram às ruas para protestar contra o alto custo de vida, serviços públicos deficientes e a corrupção dos políticos”, diz a revista.

“Pode Dilma Rousseff, a presidente do Brasil, reiniciar os motores?”, pergunta a publicação. “Será que a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos oferecerão ajuda para a recuperação do Brasil ou simplesmente trarão mais dívida”, questiona a revista. O conteúdo da revista ainda não está disponível na íntegra na internet.

Na capa, a Economist fez uma auto referência a uma capa da própria publicação que ficou conhecida no Brasil ao mostrar o mesmo Cristo Redentor decolando como se fosse um foguete. “O Brasil decola” foi capa da edição de 12 de novembro de 2009, quando a revista rasgava elogios ao País que, naquele momento, crescia rapidamente a despeito da crise financeira global.

Fonte:Radar Econômico

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Defesa Sistemas de Armas

Ministério da Defesa Russo prepara revolução das forças armadas

Ministério da Defesa prepara revolução das forças armadas23/09/2013 Víktor Litóvkin, especial para Gazeta Russa

Na sexta-feira passada (20), tiveram início os exercícios estratégicos conjuntos da Rússia e Bielorrússia, chamados Zapad-2013, nos campos de instrução de Khmelevka e Pravdinski, na região russa de Kaliningrado, bem como nos campos de Brest, Gójski e Obuz-Lesnovsk, na Bielorrússia, e no mar Báltico.

Ministro da Defesa russo, Serguêi Choigu, vem acompanhando avanços tecnológicos que serão introduzidos nas forças armadas Foto: ITAR-TASS

Os exercícios fazem parte do plano do Ministério da Defesa até 2020, que pressupõe o fortalecimento das forças armadas. “Todo comandante de divisão e unidade militar saberá quantas peças de armamentos e equipamento militar receberá e quando isso acontecerá, como preparar a infraestrutura para colocação destas e em que local e quantos especialistas será necessário formar para as operar”, disse às vésperas do treinamento o chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas da Rússia, o general Váleri Guerássimov.

Além da previsão do aumento de contingente para 820 mil soldados até o final do ano, o chefe do Estado-Maior Geral declarou que a cota de armamento moderno, técnica militar e equipamentos especiais novos também continua a crescer. Um dos regimentos das Forças de Mísseis Estratégicos, por exemplo, será modernizado com o novo sistema de mísseis estratégicos Yars e duas bases aéreas passarão a operar com aviões Su-34 e helicópteros Mi-28N e Mi-35M, enquanto seis unidades de infantaria e uma blindada receberão os modernos tanques T-90S e sistemas de artilharia Msta-S.

As 36 unidades militares têm já garantidos meios modernos de comunicação, enquanto 6 brigadas de infantaria esperam por nova tecnologia do domínio da guerra radioeletrônica. Guerássimov também disse que no ano em curso está previsto o reequipamento de 16 quartéis militares, além da construção e reparação total de mais de 200 objetos.

Fonte: Gazeta Russa

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Conflitos Defesa Fotos do Dia Mísseis Sistemas de Armas Vídeo

Vídeo: HMS Sheffield é atingido por míssil Exocet

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Conflitos Defesa Sistemas de Armas

Após espionagem, Dilma adia decisão sobre caças

Por Daniel Rittner e Leandra Peres | De Brasília

A não ser que haja uma reviravolta no escândalo de espionagem eletrônica protagonizado pelos Estados Unidos, a presidente Dilma Rousseff está praticamente convencida a adiar para 2015 a compra de novos caças à Força Aérea Brasileira (FAB), deixando o capítulo final da novela em torno do projeto FX-2 para um eventual segundo mandato.

Segundo auxiliares diretos da presidente, a decisão já estava muito perto de ser tomada, a favor da americana Boeing. Mesmo com as manifestações de junho e com as dificuldades orçamentárias, Dilma ainda estava disposta a fechar negócio para adquirir um lote inicial de 36 caças F-18 Super Hornet, avaliado em pelo menos US$ 5 bilhões. A revelação de que ela teria sido alvo direto de espionagem pela Agência Nacional de Segurança (NSA) dos Estados Unidos mudou completamente o humor de Dilma, que já confidenciou a assessores sua intenção de não assinar nenhum contrato nos próximos meses.

Nas palavras de um auxiliar, se o presidente Barack Obama “tivesse entregado uma pasta com todas as escutas e emails interceptados” de Dilma e da Petrobras, teria sido mantida a visita de Estado a Washington e ainda havia possibilidades reais de levar adiante o negócio. Apenas uma mudança radical de postura da Casa Branca seria capaz de reabrir imediatamente a última fresta para um acordo com a Boeing, mas a chance de avanços em 2014 é “zero” porque “não se anuncia compra de caças em ano eleitoral”, segundo fontes do Palácio do Planalto. Com isso, a decisão fica automaticamente para 2015, em um segundo mandato da petista ou cabendo a quem lhe suceder.

O novo cenário do FX-2, no entanto, não inverte a balança para o lado dos franceses. No governo Lula, a escolha dos caças Rafale chegou a ser cantada pelo ex-presidente brasileiro, quando recebeu o colega francês Nicolas Sarkozy no país, em 2009. De lá para cá, o favoritismo da Dassault – fabricante do jato – se esvaiu, diante da proximidade cada vez maior entre Boeing e Embraer.

O Palácio do Planalto recebeu relatos de que já houve um mal-estar entre a francesa DCNS e a Marinha envolvendo a transferência de tecnologia no contrato para a construção de quatro submarinos de propulsão convencional. O contrato abrange também a parte não nuclear – como o casco – do primeiro submarino nuclear brasileiro. A percepção de problemas recentes desestimula a equipe presidencial a apostar em uma nova parceria de longo prazo com a França, com os caças, numa encomenda inicial de 36 jatos, mas que pode chegar a 124 unidades no longo prazo.

Dilma também recebeu a informação de que o governo indiano, após um acordo para adquirir até 126 caças em um período de dez anos, enfrenta dificuldades na absorção de tecnologia pela Dassault. Essa foi a primeira venda dos caças Rafale a um país estrangeiro e a experiência da Índia é acompanhada com atenção pelos assessores presidenciais.

Os caças suecos Gripen, terceira opção entre os finalistas do FX-2, são vistos no Planalto como um “projeto” e ainda não convenceram o entorno político de Dilma. Até agora, a ofensiva da fabricante Saab não foi capaz de desfazer a percepção de que sua escolha seria uma espécie de tiro no escuro, embora o próprio governo da Suécia já tenha encomendado 60 unidades do Gripen NG (New Generation) – a Suíça adquiriu outros 22 jatos. Os caças têm entrega a partir de 2018.

A Saab busca usar a seu favor o fato de que o caça ainda está em desenvolvimento. Caso Dilma se decida pelo Gripen NG, a fabricante sueca promete a produção de 80% da estrutura do avião no país. Também oferece o financiamento integral para os equipamentos, de forma a aliviar o orçamento da FAB, com o início do pagamento seis meses após a entrega da última das 36 unidades – ou seja, daqui a cerca de 15 anos.

Um dos fatores citados no governo contra uma decisão imediata é a falta de espaço fiscal para encomenda desse porte. O financiamento a longo prazo resolve uma parte do problema, ao evitar desembolso da Aeronáutica nos próximos anos, mas pode ter efeito no cálculo da dívida.

As manifestações populares de junho são apontadas por alguns observadores como mais um complicador, que ajudaram no adiamento do leilão do trem de alta velocidade Rio-São Paulo-Campinas. O Planalto, entretanto, não aponta os protestos de rua como elemento-chave na decisão de Dilma sobre os caças.

O novo adiamento cria um problema concreto para a proteção do espaço aéreo: a FAB conseguiu prolongar a vida útil dos caças Mirage 2000 C/D usados que comprou da França, em 2005, mas o ciclo operacional dos jatos termina inevitavelmente no fim deste ano. Eles serão desativados, em definitivo, e não há mais nenhum caça de interceptação disponível na frota da Aeronáutica.

Para remediar o problema, a Embraer está modernizando e adaptando caças F-5, usados tradicionalmente para defesa aérea e ataque ao solo. Eles complementam, mas não eliminam a necessidade de compra dos novos aviões, que são de múltiplo emprego e de geração superior.

Em 2005, após sepultar a primeira versão do projeto FX, o governo Lula decidiu comprar um lote de 12 Mirage usados para não ficar unicamente na dependência dos caças F-5. É esse o dilema que reaparece agora, fazendo surgir novamente especulações em torno da compra de outro lote de aviões usado, como solução “tampão” até o desfecho da concorrência.

A compra dos novos caças se transformou numa novela que já dura mais de 13 anos e atravessou governos de três presidentes diferentes. Alegando que sua prioridade de gastos era com o Fome Zero, Lula extinguiu o primeiro processo de disputa, batizado como FX. Na época, a Dassault era favorita, oferecendo os caças Mirage 2000/BR. Corriam por fora os russos da Sukhoi.

O sepultamento da primeira concorrência foi até bem vista pelos militares, diante da constatação de que surgia uma nova geração de caças. Isso permitiu, na reabertura da disputa em 2008, quando passou a ser chamada de FX-2, a apresentação de propostas com aviões mais modernos.

Dilma, assim que assumiu, desacelerou o processo de decisão e evitou dar um desfecho nos dois primeiros anos de mandato. Nos últimos anos, havia grande expectativa de que finalmente o martelo fosse batido. Em agosto, durante audiência pública na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado, o comandante da FAB, tenente-brigadeiro Juniti Saito, havia declarado que a decisão da presidente seria tomada “em curto prazo”.

O ministro da Defesa, Celso Amorim, também vinha dando indicações de que a escolha final estava prestes a ser feita. Depois do anúncio, ainda há negociações até a assinatura do contrato.

FONTE: Valor Econômico Via FNDC

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Conflitos Geopolítica

Índia e África do Sul manifestam apoio ao Brasil contra espionagem

Em comunicado conjunto, representantes dos países demonstraram preocupação com interceptação dos EUA

Agência Brasil

Chanceleres da Índia, do Brasil e da África do Sul, países que integram o grupo Ibas, manifestaram nesta quarta-feira (25) a “preocupação com práticas de interceptação ilegal da comunicação e dados de cidadãos, empresas e governos por empresas e governos estrangeiros”. Eles reuniram durante a 68ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) em Nova York, nos EUA.

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AP

Presidente da África do Sul, Jacob Zuma, faz discurso na 68ª Assembleia Geral da ONU (24/9)

Em comunicado conjunto, assinado pelos ministros das Relações Exteriores dos respectivos países, as críticas feitas pela presidenta Dilma durante discurso na abertura da Assembleia Geral da ONU foram reafirmadas pelo grupo. “Isso constitui séria violação de soberania nacional e direitos individuais, incompatível com a democracia coexistente entre nações amigas”, diz o documento.

O texto, que tem a autoria do ministro do Comércio Exterior da Índia, Salman Khurshid, da ministra da Cooperação e Relações Internacionais da África do Sul, Maite Nkoana-Mashabane, e do chanceler brasileiro, o embaixador Luiz Alberto Figueiredo, contém as declarações aprovadas pelos integrantes do Ibas sobre vários temas de interesse multilateral e global.

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Os integrantes do grupo destacaram, ainda sobre a espionagem, a sua “boa vontade” para discutir essas questões abertamente em outras instâncias. Dessa forma, se colocaram à disposição para “cooperar com fóruns multilaterais para garantir o desenvolvimento de governança internacional e segurança cibernética”.

AP

Presidente brasileira, Dilma Rousseff, discursa na abertura da 68ª Assembleia Geral das Nações Unidas em Nova York (24/9)

No início da tarde, a presidenta Dilma disse que não era sua intenção fazer com que a ONU controlasse a internet , mas sim pedir que ela preservasse a segurança e não permitisse a existência de uma guerra no mundo cibernético.

Mais 17 pontos são comunicados no documento, manifestando entendimentos comuns dos países sobre assuntos como desenvolvimento sustentável, políticas econômicas globais, luta contra o terrorismo e fortalecimento da chamada cooperação Sul-Sul.

Denúncias:  Após Dilma, Petrobras teria sido alvo de espionagem dos EUA

Presidente Dilma Rousseff foi alvo de espionagem dos EUA

Cita, por exemplo, a necessidade da reforma do Conselho de Segurança da ONU e a importância dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio e dos princípios estabelecidos no ano passado durante a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20. “Neste contexto, as combinadas ações da Índia, do Brasil e da África do Sul como democracias vibrantes, com grandes populações, serão de extrema importância para construir nova agenda de desenvolvimento sustentável”, diz o documento.

O texto reafirma declarações feitas por alguns países sobre o conflito sírio, ao dizer que “não há solução militar para o conflito”, condenar o uso de armas químicas pelo país e defender o respeito à “independência, soberania e integridade territorial” do país.

Veja imagens da 68ª Assembleia Geral da ONU:

Autoridades se reúnem para o primeiro dia de debate na 68ª Assembleia Geral das Nações Unidas em Nova York (24/9). Foto: AP
Fonte: Último Segundo

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Conflitos Geopolítica

Presidente do Irã faz apelo por ‘total eliminação’ das armas nucleares

Discurso ocorre poucas horas antes da reunião do chanceler com potências sobre programa nuclear iraniano

O presidente do Irã, Hasan Rouhani, fez um forte apelo nesta quinta-feira (26) pelo fim das armas nucleares, dizendo que o desarmamento “continua em nossa mais alta prioridade”. “Enquanto armas nucleares existirem, o risco de seu uso, e a ameaça de seu uso e proliferação vão continuar”, disse Rouhani em discurso na Assembleia Geral da ONU em nome do Movimento dos Países Não Alinhados. “A única garantia absoluta é sua total eliminação.”

Primeiro discurso na ONU: ‘Paz está ao alcance’, diz presidente do Irã 

AP

Presidente do Irã, Hasan Rouhani, faz discurso em nome do Movimento dos Países Não Alinhados na Assembleia Geral da ONU

Israel: Mundo não deve se enganar com ‘palavras suaves’ do Irã, diz Netanyahu

Obama na ONU: ‘Caminho diplomático com Irã deve ser testado’

Durante seu pronunciamento, Rouhani também fez um pedido a Israel, para que o país assine o tratado internacional que proíbe a proliferação de armas nucleares. “Quase quatro décadas de esforços internacionais para estabelecer uma zona livre de armas nucleares no Oriente Médio infelizmente fracassaram. Medidas práticas urgentes são necessárias para estabelecer essa zona”, disse.

“Israel, a única parte a não assinar o tratado de não proliferação nesta região. Deve se unir sem mais delongas. Assim, todas as atividades nucleares da região devem estar sujeitas às abrangentes salvaguardas da AIEA”, acrescentou em referência à Agência Internacional de Energia Atômica.

Maior contato em 6 anos: Irã discutirá programa nuclear com potências

Expectativa:  Irã apresentará na ONU ‘face verdadeira’ do país

Os comentários feitos pelo presidente iraniano ocorrem horas antes uma reunião que marcará o contato direto de mais alto nível em seis anos entre os EUA e o Irã em relação às atividades nucleares de Teerã. Os EUA e seus aliados afirmam que o Irã possui intenção de obter armas nucleares, enquanto o Irã garante que seu programa nuclear possui fins pacíficos.

Rouhani, recém-eleito presidente , fez comentários que fizeram muitos líderes concluírem que há chances de ser estabelecido um acordo nuclear entre o Irã e os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança e a Alemanha. Israel, por sua vez, mostrou não acreditar nos sinais de disposição ao diálogo de Teerã.

Em seu discurso proferido na Assembleia Geral na terça-feira, Rouhani defendeu os “direitos nucleares pacíficos” iranianos , mas reiterou que Teerã está disposto a retomar imediatamente as negociações sobre seu programa atômico e aberto a dialogar com os EUA para “discutir nossas diferenças”. “Deixe-me dizer em alto e bom som que a paz está ao alcance”, afirmou.

Com informações da AP e da CNN

Fonte: Último Segundo

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Defesa Negócios e serviços

Avibrás fecha contrato de R$ 900 milhões

LAND_Astros-IIA Avibrás, de São José dos Campos, formalizou há poucos dias, em Jacarta, na Indonésia, um contrato avaliado em R$ 900 milhões para fornecer lançadores Astros II de foguetes de saturação ao exército do País. A encomenda, cobre 36 veículos blindados disparadores, unidades de apoio e suprimentos. As entregas serão feitas em etapas até 2016.

O protocolo inicial foi assinado dia último dia 8 de novembro de 2012 com grande festa – todavia, depois disso, o negócio passou por nove meses críticos, tempo gasto para a obtenção da carta de fiança para o processamento do crédito e de certidões específicas. Houve dificuldades nessa etapa porque a Avibrás ainda se está em recuperação judicial. Embora tenha lastreado a demanda com o próprio contrato, além de itens patrimoniais, a avaliação do procedimento foi longa.

O presidente da empresa, Sami Hassuani, diz que atualmente, existe apoio decisivo dos ministérios da Defesa e da Fazenda. Ainda na obtenção das garantias de contrato, não obstante a legislação do setor precise ser atualizada para dar a rapidez da atualidade às transações. Para Hassuani, também o custo, uma espécie de prêmio que se paga pelas cartas de abonamento, deve ser reduzido.

Esse valor, no Brasil, é ao menos quatro vezes mais caro que o praticado no mercado e demora de quatro a cinco meses para ser obtido, ante uma semana apenas no meio internacional. A Indonésia está levando para sua força terrestre, a versão Mk-6, a mais avançada do lançador de foguetes Astros-2.

Vai equipar com ela dois batalhões especializados do Exército. O contrato é amplo: cobre as carretas lançadoras e os blindados que abrigam as centrais de comunicações, comando e controle, mais viaturas para o radar de coordenação, junto das unidades de meteorologia.

O sistema emprega os foguetes da família AV, com alcances entre 9 e 100 quilômetros. Os modelos maiores, os AV-SS-60 e AV-SS-80, podem receber ogivas múltiplas, levando até 70 pequenas granadas que são dispersadas sobre o alvo no momento do ataque.

A configuração escolhida pelos indonésios ainda não é a série 2020, definida como estratégica pelo Exército brasileiro, e que utilizará mísseis de cruzeiro para atingir objetivos a 300 quilômetros. O projeto considera um novo foguete guiado com possibilidade variada de configuração. O programa é prioritário no Ministério da Defesa, incluído no PAC-Equipamentos pela presidente Dilma Rousseff. Foram liberados R$ 45,3 milhões para a fase inicial. O custo total é de R$ 1,09 bilhão.

O Astros da Indonésia sairá da fábrica com pesada carga eletrônica. Isso permitirá a futura incorporação da nova munição inteligente que cumpre atualmente as etapas de certificação – é o caso do míssil, por exemplo.

O ministro da Defesa, Celso Amorim, sustenta que a Indonésia tem grande importância no contexto mundial e é um parceiro do Brasil que anteriormente comprou aviões Super Tucano da Embraer. A aviação de Jacarta adquiriu 16 turboélices, no arranjo de ataque leve, vigilância eletrônica e apoio à tropa terrestre.

Time

Para cumprir o contrato, a Avibrás instalou um time técnico na capital indonésia. É o segundo escritório da empresa na região. O primeiro é o de Kuala Lumpur, na Malásia, onde o Astros faz parte de um comando estratégico desde 2010. A encomenda do exército malaio bateu em R$ 500 milhões.

A concorrência na Indonésia foi muito pesada, diz o presidente da empresa, Sami Hassuani. A negociação começou em 2008 e exigiu agilidade e prova de capacidade o tempo todo. O contrato de US$ 405 milhões era disputado por fabricantes da Rússia e da Turquia. Hassuani acredita que o relacionamento com cliente será longo: “Nossa convivência é baseada em interesses comuns, e vai se estender por 30 anos”.

Esse tempo, no entendimento do mercado de equipamento militar, é dedicado ao aperfeiçoamento tecnológico, encomendas suplementares e sobretudo ao atendimento de novas parcerias. O impacto da encomenda indonésia será grande no polo industrial de São José dos Campos. Na Avibrás serão criadas 300 empregos diretos – e 600 outros na cadeia dos fornecedores, quase todos da região do Vale do Paraíba.

FONTE: O Estado de S. Paulo via Defesaaeronaval.

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Defesa Destaques Fotos do Dia Mísseis Sistemas de Armas

AIM-9M Sidewinder armando o F-22 Raptor

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Conflitos Geopolítica Inteligência

O poder na sombra

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Já não basta eleger ou derrubar governos: Estados vigiam, mas quem decide são as corporações. Movimentos sociais saberão reagir?

Sugestão: Lucena

Por Marcelo Degrazia*

A recente intimidação do GCHQ, a inteligência secreta inglesa, ao jornal The Guardian e a invasão da NSA, a inteligência secreta dos EUA, nos arquivos da Petrobras criam uma boa ocasião para refletir sobre terrorismo, livre-mercado, democracia, liberdade de expressão e independência de imprensa.

Não é absurdo dizer que nossa época apresenta ao menos dois tipos de terrorismo, o disseminado e o concentrado. O primeiro está a cargo de grupos como Taliban, Al-Qaeda e outros. Empregam a violência extrema em nome de Deus ou da Nação, quando não em nome de ambos, e o resultado é a morte de inocentes, como no Afeganistão, Síria e Iraque, só para ficarmos nos exemplos mais atuais. Prometem democracia e a melhora das condições de vida em seus territórios, mas ao tomar o poder promovem o terror contra seus inimigos e exploram ao máximo a população. É o velho bordão: em nome da liberdade e da democracia são cometidos os maiores crimes contra a humanidade.

O terrorismo concentrado é o exercido pelos Estados, é o terror oficial, com lei e banda de música. Os EUA de hoje são o exemplo acabado disso, a Inglaterra fica só um pouquinho atrás. Não é apenas gratidão pelo apoio recebido na Segunda Guerra Mundial, é sobretudo alinhamento político, econômico e financeiro com a grande potência para extrair mais e melhores dividendos. Ao invadir o Iraque em apoio ao seu antigo aliado, por trás da máscara do servilismo garantia também para si as benesses do petróleo e futuros ganhos de mercados desbravados militarmente pelo Grande Irmão.

Alguns analistas classificam isso de nova face do imperialismo, outros de neocolonialismo. O nome não importa, é o velho movimento expansionista do capitalismo versão ocidental, cuja índole se assemelha à invasão das Américas. Após a invasão do Iraque, Tony Blair veio a público dizer o que todo o mundo já sabia, o Iraque não tinha armas químicas e biológicas… Antigamente isso seria suficiente para derrubar seu gabinete.

Os EUA, assim como muitos Estados nesta época de nuvem informática, estão desenvolvendo uma rede imperial de acesso às informações privadas, coisa que bancos, lojas de departamento, redes de telefonia, provedores e hospedeiros de informática, a polícia e a Receita Federal já vêm fazendo há muitos anos. Desse ninho de serpentes, Snowden extraiu as provas dos crimes praticados pelos EUA em nome de uma suposta guerra ao terror. O dedo de Snowden, como na fábula infantil, mostrou a falácia da ideologia liberal, que desde a Revolução Francesa se apoia em conceitos como democracia e livre-mercado.

John Gray, em Falso Amanhecer – Equívocos do Capitalismo Global, já havia denunciado a contradição de uma liberdade de mercado organizada pela intervenção legal do Estado. A acusação feita pelo ex-agente de inteligência apenas forneceu a prova material do crime. Mas possui o condão de deixar nu o rei e de fulminar qualquer argumento a favor do livre-mercado. A investigação ilegal dos arquivos da Petrobras escancara as ligações profundas entre os agentes capitalistas e o Estado. Seus métodos mostram que, além de guerras quentes, há também uma soturna guerra fria, invisível, cuja índole expressa a outra face da natureza capitalista. É a velha e sempre atualizada guerra comercial.

O dedo acusador da roupa transparente do rei é o fim do conceito de livre-mercado e elimina qualquer reflexão de ética associada ao sistema econômico capitalista, justamente por este não se estruturar a partir de princípios éticos nem conter em seu horizonte de ação qualquer objetivo social. No início dos anos 1970, a revelação de espionagem do diretório do partido Republicano por parte do governo Nixon resultou na queda deste. Mas alguma coisa não permitiu ou não forçou a queda de Blair nem de Bush nem de Obama. Por quê?

“Guerra ao terror”

Muito já se falou que o 11 de Setembro, se não foi obra arquitetada pelos próprios falcões na Casa Branca, foi o motivo esperado pelos EUA para uma nova investida militar, com o objetivo de abrir mercados e consolidar sua geopolítica. Os EUA, através de Bush, se declararam em guerra contra Osama bin Laden e, por extensão, contra o terrorismo não estatal de certas forças da Ásia e do Oriente Médio.

Foi uma declaração unilateral contra uma organização, numa curiosa assimetria, pois a guerra quente é sempre Estado contra Estado, ou uma força dentro dele contra ele mesmo, como a da Secessão, por exemplo. Mas servia aos propósitos de vender armas dos fabricantes apoiadores da eleição de Bush, garantir o fornecimento maior e mais barato de petróleo e realizar o avanço estratégico sobre uma região com centenas de milhões de consumidores.

Nesse movimento, passaram por cima das determinações da ONU e da recomendação dos países contrários à invasão, mataram milhares de civis inocentes, destruíram parte da riqueza do país (para a reconstrução com dinheiro a juros de banqueiros ocidentais e a instalação de empresas dos aliados de seu governo), torturaram soldados (que haviam elegido como “inimigos” sem ter recebido deles nenhuma agressão), entre outras arbitrariedades. Numa só expressão: rasgaram as leis no império de seus interesses. E a Inglaterra atrás. O 11 de setembro serviu como o grande ponto de virada na democracia anglófila, com o consequente avanço do terrorismo de Estado e a diminuição das garantias individuais.

Que democracia?

Na democracia ateniense, as decisões tomadas na ágora por um punhado de atenienses livres não levavam em conta a vontade nem as condições da imensa maioria da população, pelo simples motivo de que eram escravos ou mulheres. Ou seja, democracia de alguns para alguns.

Hoje, se quisermos falar no mesmo tom daqueles que fizeram e ainda fazem a política, a realpolitik, deixando de lado todo traço quixotesco de idealismo, os dois grandes modelos seriam as experiências dos ingleses e dos norte-americanos, ou a democracia anglófila. São séculos contínuos desse regime político. A Ásia, a América Latina e a Central, a Oceania, a África, qual continente poderia exibir melhor experiência para estudo? Não entrariam nem a Alemanha nazista, a Itália fascista, a Espanha de Franco nem o Portugal salazarista. Ao falar em bastiões da democracia nos referimos sempre a esses dois países, em que pesem a experiência colonial inglesa tradicional e o modelo colonial contemporâneo dos EUA.

Como podem as duas sociedades com a experiência mais larga nesse regime assistir impassíveis a seus mandatários rasgarem as leis das garantias individuais através de práticas totalitárias? Quando o mundo assiste indiferente a essa escalada do terror concentrado de Estados ocidentais, os partidários da realpolitik já podem estufar o peito e dizer, como os generais da última ditadura brasileira: vivemos numa democracia relativa.

O relativismo da democracia atual estaria caracterizado não apenas por essa prática invasiva no âmbito privado e no público, mas também por outra característica bem especial. Na época dos impérios, dos reis absolutistas, das ditaduras e dos totalitarismos, a escolha do mandatário do poder se deu pela força ou por acordos de camarilha, com o aval dos sacerdotes, das igrejas e mesquitas, dos suseranos, líderes provinciais, coronéis e apaniguados. Sem a participação do povo, a não ser como massa de manobra, como exemplificam as revoluções burguesas e o voto a cabresto. Mas as democracias relativas têm o seu requinte: o sistema eleitoral. Aí está a pedra angular desse novo regime de império, cuja índole colonial parece ainda não ter se esgotado.

No ambiente político atual, em que os compradores de votos para reeleição e os mensalistas da governabilidade também agem livremente para assegurar os seus privilégios e os de seus apoiadores na sombra, podemos afirmar que a democracia age de baixo para cima apenas para legitimar o exercício do poder. Mas, pelo que temos assistido nos últimos anos, por aqui e sobretudo naquelas duas democracias seculares, nem as eleições nem as leis são suficientes para obrigar a conduta dos governantes.

À exceção de um Collor, que caiu muito mais por vontade do Congresso do que pela voz das ruas (o povo outra vez feito massa de manobra), os governantes nessas democracias relativas parecem garantir com os votos a impunidade; nada de muito grave lhes ocorrerá até o fim de seus mandatos. Democracia de baixo para cima é isso; de cima para baixo: autocracias, oligarquias… O interesse do povo só é levado em conta quando se traduz em consumo, quando pode garantir lucro financeiro para as corporações e ganho político para os governos.

Mídia sem independência

Basta acompanhar o noticiário da grande imprensa. A qualquer ameaça de restrição da liberdade de informar, com todo acerto, chovem protestos. Mas esse não é o ponto nevrálgico. Ao contrário, diríamos até que para os grandes órgãos de comunicação a defesa da liberdade de expressão tem servido para uma estratégia cabotina de encobrimento de outro dado real. É verdade que algumas decisões judiciais, contra o bom senso e os dispositivos constitucionais, têm cerceado o direito público à informação, em especial nos assuntos que envolvem o Estado, seja na pessoa de seus servidores e governantes, seja nas políticas imperiais de guerra ou de favorecimento econômico, como foram os assaltos às economias atingidas pela crise de 2008. Crise aliás provocada pelos agentes econômicos com a conivência dos governantes, em especial do bastião liberalista Alan Greenspan, para quem muitos queriam dar o Nobel de Economia…

O bom argumento, o da liberdade de expressão, tem no entanto se prestado para a chamada grande mídia escamotear um valor que nos parece tão ou mais importante: a independência da imprensa. Quando ela se alinha de maneira acrítica com um candidato; quando sempre amplifica as más notícias do governo de um determinado partido; quando evita aprofundar assuntos polêmicos como os crimes ecológicos, a falta de abertura para bancos asiáticos, a descriminalização da maconha, a reforma agrária etc; quando evita qualquer apoio a políticas, valores e esforços dos “pequenos” contra os valores hegemônicos do capitalismo; quando retira de seu horizonte a “cultura” em favor de produtos culturais meramente de consumo; quando evita escancarar condutas socialmente nocivas de seus patrocinadores; quando suprime a crítica aos políticos que apoiaram nas eleições passadas ou aos que ainda podem de alguma forma lhes ser úteis no futuro; quando não defende maior abertura de concessões para novos veículos de comunicação; quando se alinha e dissemina a política agressiva de um governo que lhe favorece; quando embarca em campanhas nacionalistas que servem para interesses de grandes corporações ou do governo com o qual tem trocas vantajosas; quando evita abordar os podres do grande concorrente ou até mesmo problemas internos como demissões em massa de seus quadros; quando se alinha ou silencia diante de um esforço de guerra injusta do Estado.

Quando a velha mídia, ao abandonar sua função primordial de fiscalização e crítica aos governos e às sociedades, se alinha com o poder em nome de lucros financeiros e de seu próprio empoderamento, ocorre o que podemos chamar de falta de independência. Então cabe a pergunta, sobretudo em sociedades de democracia relativa como são as nossas: de que vale a liberdade de expressão para uma mídia sem independência? Será que para esse tipo de jornalismo faz tanta falta assim a liberdade de informar?

Menos mal que esse vazio crítico vem sendo ocupado por uma mídia dissidente, através de publicações impressas, mas sobretudo revistas e jornais online e blogs. São espaços sem grandes recursos financeiros e logísticos, mas que têm aprofundado a reflexão dos temas espinhosos que a grande imprensa oculta ou aborda de maneira superficial. O multiculturalismo de nossa época, as tensões sociais, a busca de alternativas ao capitalismo hegemônico, a crítica à própria imprensa, a discussão inteligente têm encontrado grande e generosa acolhida nessas “pequenas” mídias. Embora todos, grandes e pequenos, defendam seus interesses, notamos nesses novos espaços maior liberdade de expressão com mais independência. Não é por outro motivo que, volta e meia, ouvimos algum arauto do poder advogar a regulamentação da internet, o nosso pequeno grande reino da liberdade.

Poder na sombra

A conclusão inquietante de tudo isso é que já não importa mais derrubar o governo. Quando Nixon caiu em virtude de sua espionagem no Watergate, as corporações, em especial as financeiras (que recém começariam, no início dos anos 1970, a criar o que hoje conhecemos por mercado financeiro internacional), ainda não tinham atingido o grau de maturidade e força que só foi possível pela desregulamentação dos mercados e pela globalização.

Até aí, com a chave do cofre num bolso e as restrições legais ao capital no outro bolso, o presidente de uma grande potência como os EUA ainda não era apenas um mero agente de relações públicas. O mundo vivia à véspera da criação dos eurodólares via City de Londres, antes de Reagan e sua Guerra nas Estrelas e antes das privatizações de Thatcher e do consenso de Washington com o Bush pai, mas já iniciara o recuo das conquistas do Estado de bem-estar social. A acumulação de capital transbordou do bolso, as regras rígidas foram flexibilizadas, as corporações ganharam um gigantismo e um poder de corromper, impor e rasgar códigos como nunca tinha sido imaginado e muito menos admitido pelos políticos mais conservadores.

Hoje as corporações compram presidentes e ministros em todos os continentes, compram governos inteiros na África, transformam populações de países pobres em cobaias de suas experiências com remédios e demais produtos farmacêuticos e alimentares, ainda ou sobretudo quando esses produtos, com componentes cancerígenos, são proibidos em seus países de origem.

Hoje essas corporações compram decisões judiciais, eliminam advogados, jornalistas, funcionários do ministério público, juízes, investigadores. Hoje elas indicam e demitem secretários de Estado, elegem deputados, apontam governadores e senadores. Hoje elas decidem a ocasião e a intensidade das crises, e ainda escolhem os bodes expiatórios (as vítimas que devem ser chutadas para fora do mercado, como o Lehman Brothers). Hoje esses agentes maquiam os balanços, driblam os impostos ou forçam sua redução, elegem paraísos fiscais e, com a conivência de seus congêneres financeiros, escolhem o melhor caminho para escapar da malha fina. E ainda compram o silêncio e até mesmo a conivência da grande imprensa corporativa, associada ao projeto comum de garantir o lucro máximo.

Hoje o poder está na mão dessas corporações, já não vale mais a pena forçar a queda de um governo, ainda mais se esse governo, além de corrupto e corruptor, está ali justamente para fazer o jogo que lhes interessa. Máfia? Teoria da Conspiração? Cada um escolha o nome que menos perturbe o seu sono, mas a verdade parece uma só: tenham o nome que tiver, são essas feras que, na sombra, governam muitos de nossos caminhos e decidem afinal a música que deve tocar.

Até quando será assim, se os movimentos sociais serão capazes de trocar o disco ao invés de dançar sempre conforme a música, não sabemos. Mas que não vivemos num mundo plenamente democrático, disso já não resta a menor dúvida. E com o requinte das eleições (pois dessa válvula de escape, reguladora e legitimadora do sistema econômico, nem os donos do poder querem abrir mão) não precisam mais de césares, imperadores, reis, czares. Nem mesmo de gente como Stálin, Hitler, Mussolini, Roosevelt, Getúlio, Perón & Cia., porque o enfraquecimento dos Estados nacionais (entenda-se: os Estados periféricos) e a representação política de fancaria realizam o trabalho sujo de aplainar o caminho para o avanço das corporações.

Não nos iludamos, esse tipo de gente nunca gostou de democracia, e por uma razão muito simples: não gostam de povo, a não ser como massa consumidora e/ou de manobra. Será uma ditadura, um totalitarismo, essa democracia consentida e relativa? Em todo caso, não cheirará melhor do que hoje. Outro requinte: terá a sua imprensa livre…

Será que voltarão fantasmas como socialismo, comunismo, revolução, ideologia, Estado forte, intelectuais orgânicos, luddismo…? Ou será que as sociedades, organizadas em torno de valores como cooperativismo, solidariedade, compartilhamento e uma distribuição melhor da riqueza humana, tudo interligado a uma ética ecológica, conseguirão encontrar melhores alternativas a esse estado de coisas?

Quanto à intimidação no The Guardian, foi para inglês ver… Quer dizer, foi para americano ver. O episódio na verdade é uma piada no tom do velho humour britânico, e ilustra o juízo que os ingleses fazem dos norte-americanos. Quem, em pleno século XXI, acreditaria numa pantomima dessas. O GCHQ sabe que os seus compatriotas desconfiam que os dados procurados pela inteligência secreta não terminam ali, no disco rígido nem no pendrive, mas já correm feito vírus por outros sistemas da cibercultura.

A piada é que eles acham que os americanos não sabem disso…

* Marcelo Degrazia é escritor, autor de A Noite dos Jaquetas-Pretas e do blogue Concerto de Letras.

Fonte: Outras Palavras

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América Latina faz perguntas incômodas a Barack Obama

América Latina faz perguntas incômodas a Barack Obama

AFP

Sugestão: Lucena

Vyacheslav Ossipov

Quem é que financia os rebeldes na América Latina? Quem fornece armas à oposição síria? Por que razão os EUA utilizam a duplicidade de padrões na política? Quem permitiu aos EUA espiar os líderes políticos da América Latina? Estas e outras questões desagradáveis foram feitas da tribuna da Assembleia Geral da ONU ao presidente dos EUA por líderes de países latino-americanos.

Foi a presidente do Brasil Dilma Rousseff quem deu o tom crítico às intervenções a partir da tribuna da ONU ao declarar que queria levar ao conhecimento das delegações uma questão importante e significativa. Trata-se da espionagem eletrônica global por parte dos serviços secretos dos EUA, o que provocou indignação da opinião pública mundial, especialmente do Brasil, onde um dos alvos da espionagem foi a própria chefe de Estado. Dilma Rousseff avaliou isso como violação evidente da soberania do seu país. “Jamais pode o direito à segurança dos cidadãos de um país ser garantido mediante a violação de direitos humanos e civis fundamentais dos cidadãos de outro país”, ressaltou a presidente do Brasil.

Assembleia Geral da ONU se envolve em debates quentes

“Não há justificação para os argumentos de que a intercetação ilegal de informações e dados destina-se a proteger as nações contra o terrorismo. Estamos, senhor presidente, diante de um caso grave de violação dos direitos humanos e das liberdades civis; de invasão e captura de informações sigilosas relativas a atividades empresariais e, sobretudo, de desrespeito pela soberania nacional do meu país. Fizemos saber ao governo norte-americano nosso protesto, exigindo explicações, desculpas e garantias de que tais procedimentos não se repetirão. Governos e sociedades amigas, que buscam consolidar uma parceria efetivamente estratégica, como é o nosso caso, não podem permitir que ações ilegais, recorrentes, tenham curso como se fossem normais. Elas são inadmissíveis.”

As tecnologias de informação e de telecomunicação não devem transformar-se em campo de batalha e de chantagem, apontou a presidente do Brasil. Ao mesmo tempo, a presidente da Argentina Cristina Fernandez chamou atenção na sua intervenção na Assembleia Geral da ONU para “a necessidade de acabar com a política de padrões duplos”, que pode ser vista, por exemplo, na Síria. Quem é que apoia os insurretos sírios?

“É preciso acabar com a política de duplicidade de padrões. Não se pode compreender os políticos que falam de “guerras justas”. Não existem guerras justas, existe apenas a paz justa. E é preciso resolver o problema sírio a partir destas posições. Quem é que alimenta as forças sírias que lutam contra o governo legítimo deste país? Quem lhes fornece armas? Pois as armas são precisamente o meio que intensifica as chamas da guerra na Síria. Ainda antes da utilização de armas químicas, as armas convencionais ceifaram vidas de milhares e milhares de pessoas. A segurança não pode ser estabelecida por meio da força ou da guerra. A paz e a segurança não podem ser estabelecidas através de métodos de força. Esta é uma tarefa política e não militar. Por isso, saudamos a resolução do Conselho de Segurança desde que ela impeça qualquer intervenção e guerra na Síria. A guerra é a morte.”

Dilma Rousseff criticará espionagem dos EUA em Nova York

Falando a propósito, na opinião de dirigentes do Brasil e da Argentina a atividade conservadora do Conselho de Segurança da ONU tornou-se ultimamente um obstáculo na solução eficiente e rápida de problemas e de crises. O presidente do Chile, Sebastián Piñera, concordou com esta opinião. Ressaltou, em particular, que se “estamos a favor do diálogo e da democracia dentro dos países, então estes mesmos princípios devem ser aplicados também na ONU”. O líder chileno afirmou que é preciso não somente ampliar a composição do Conselho de Segurança mas também alterar os métodos do seu trabalho e da tomada de decisões.

O presidente da Bolívia, Evo Morales, qualificou a intervenção do presidente dos EUA Barack Obama como cínica. “Ele falou como se fosse dono do mundo inteiro. Mas aqui não existem donos do mundo, cada país é soberano e tem a sua própria dignidade”, disse Morales já numa conferência de imprensa em Nova York.

“A luta contra o terrorismo é o pretexto de que os EUA se valem a fim de controlar o petróleo e conseguir a realização dos seus interesses geopolíticos. Vejam o que fizeram com a Líbia e com as suas riquezas naturais depois de eliminar o regime de Kadhafi. Que armas químicas foram encontradas depois da eliminação do regime de Hussein pela força das armas? Como pode o presidente Obama falar da tribuna da ONU de justiça quando o seu governo é o mais injusto do mundo? Um presidente não pode falar da paz esmagando pela força das baionetas todos os que discordam dos EUA. Quem financia os insurretos nos nossos países? Quem financia os oposicionistas nos nossos países? É o governo dos EUA.”

O presidente afirmou que, depois da expulsão do embaixador dos EUA da Bolívia e da interdição da atividade da Agência de Desenvolvimento Internacional, USAID, a democracia e a estabilidade política no país obtiveram as respectivas garantias. E quantos tratados internacionais relativos aos direitos foram assinados pelos EUA? Praticamente, nenhum. Mas quem fala das tribunas sobre estes direitos são precisamente os EUA… É um cinismo total.

Os fatos citados e as opiniões expressas são da responsabilidade do autor.

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Inspetora da ONU: rebeldes é que usaram armas químicas.

Sugestão: X-Tudo

Essa notícia deveria estar na primeira página dos jornais, mas o arco midiático em apoio aos lobbies da guerra restringiu severamente sua disseminação. Uma das inspetoras da ONU encarregada de checar o uso de armas químicas na Síria declarou, em maio deste ano, que todos os indícios apontavam para a responsabilidade dos rebeldes. Os rebeldes é que estariam usando armas químicas, e jogando a culpa no governo.

A declaração de Carla Del Ponte circulou em alguns veículos europeus (como a BBC) e em todos os sites árabes, mas foi abafada pela hegemônica mídia pró-americana. Autoridades russas, nervosas com a possibilidade dos EUA iniciarem mais uma guerra insana, voltaram a citar o testemunho de Ponte no intuito de amainar o frenesi guerreiro dos falcões americanos.

Apesar da declaração de Ponte não se referir aos ataques mais recentes, a informação colhida por ela reforça a teoria de que são os rebeldes é que usam gás sarin para chocar a opinião pública mundial e jogá-la contra o presidente sírio.

Segundo o New York Times, Obama deu um passo atrás, e afirmou que deixará a decisão de atacar a Síria nas mãos do Congresso. Mas é difícil acreditar que o Congresso resistirá a pressão dos bilionários lobbies da guerra e da grande mídia americana. O New York Times, como sempre, apoia a guerra; daqui a alguns, possivelmente, fará uma mea culpa.

Autor: Miguel do Rosário

Fonte: Dinâmica Global

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A carta de Putin ao povo dos Estados Unidos: os riscos e as variáveis de uma guerra sem vencedores

putin-scribSugestão: X-Tudo

O presidente russo estende a mão – de novo – a Barack Obama, dessa vez para tirá-lo da areia movediça constituída pela máfia que o cerca, lhe dá ordens e age contra os interesses dos cidadãos estadunidenses.

Por Baby Siqueira Abrão, de São Paulo

Vladimir Putin, presidente da Rússia, está usando (quase) todas as suas cartas para evitar um ataque militar dos Estados Unidos à Síria – ataque que, os serviços diplomáticos e de inteligência bem sabem, vai se transformar num conflito muito maior, dominando o Oriente Médio e grande parte do mundo. E vai respingar feio na América Latina, que além de óleo e gás, tem um recurso valioso que a Ásia ocidental não tem: a rica biodiversidade.

O mais recente movimento de Putin foi publicar um artigo assinado no New York Times de 11 de setembro (que traduzo a seguir). Pelo conteúdo, percebe-se que ele se dirige não apenas à opinião pública dos Estados Unidos, mas principalmente ao Congresso e ao presidente Barack Obama. O tom conciliador muito provavelmente fará aumentar o número de cidadãos estadunidenses que se opõem à guerra à Síria e, consequentemente, fará crescer a pressão que eles vêm exercendo nos congressistas para que votem contra o ataque militar ao país árabe. O principal objetivo de Putin, claro nas entrelinhas da carta, foi estender mais uma vez a mão a Obama, agora para ajudá-lo a sair de um lamaçal onde se misturam interesses sorrateiros e grupos idem, dispostos a provocar uma conflagração mundial para impor suas agendas sinistras a todos nós.

Esses grupos vêm agindo em países poderosos – e naqueles com algum poder regional, como o Brasil – há muito tempo, mas só recentemente passaram a exercer pressões mais intensas e mais urgentes. Tem-se a impressão de que eles se cansaram de estratégias graduais de convencimento da opinião pública e decidiram agir sem se importar mais com isso.

Basta, como se diz, “ter olhos para ver” a fim de descobrir, por meio das ações desses grupos, o que eles têm em mente. O direito internacional foi substituído pela força bruta, os direitos humanos foram atirados no lixo e as organizações terroristas vêm sendo apoiadas e armadas abertamente por aqueles que as criam. A manipulação de crenças e de emoções mantidas à flor da pele em treinamentos militares extenuantes e pela administração de drogas as mais diversas está formando exércitos compostos de monstros que hoje possuem e sabem manejar armas pesadas, além de substâncias químicas e biológicas capazes de exterminar populações inteiras em segundos.

Esse risco à humanidade ficou claríssimo quando o príncipe saudita Bandar bin Sultan visitou a Rússia, em agosto, para oferecer a Putin um acordo vantajoso no controle do óleo e do gás do Oriente Médio em troca de abandonar a Síria à própria sorte. Essa oferta não surpreende no cenário da política internacional. O que realmente surpreendeu foi a segunda oferta de Bin Sultan: impedir que terroristas chechenos realizem operações criminosas nas próximas Olimpíadas de Inverno da Rússia. “Os grupos chechenos que ameaçam a segurança dos jogos são controlados por nós”, afirmou Bin Sultan, segundo The Telegraph (http://www.telegraph.co.uk/finance/newsbysector/energy/oilandgas/1026695…).

Madre Agnes Maria da Cruz, em entrevista ao jornal israelense Haaretz, denunciou os chechenos como os “mais cruéis” dos mercenários em ação na Síria. Mas sabemos todos que qualquer ser humano, adequadamente “azeitado” – incentivado em suas emoções e crenças mais profundas, com a consciência alterada por drogas e levado pelo chamado “espírito de grupo” (que nos leva a seguir as ações da maioria) – é capaz de torturar e matar sem nem mesmo se dar conta do que está fazendo.

São monstros assim que as grandes potências estão criando para desestabilizar países, em nome dos interesses de uma minoria que saliva diante da possibilidade de conquistar, a qualquer preço, as reservas de óleo, gás, pedras preciosas e matérias-primas para o fabrico de entorpecentes vendidos a preços altíssimos. Não importa quem mate ou quem morra, e em que número. Não importa se mulheres ou crianças – é até melhor que sejam mulheres, porque assim não darão à luz outros seres humanos, e crianças, que amanhã engrossarão as fileiras de desempregados e desesperançados, podendo virar-se contra os responsáveis por sua miséria pessoal, cultural, econômica, social. Não é outro o motivo, por exemplo, pelo qual os ataques do Exército de Israel a Gaza, e os mísseis lançados por drones estadunidenses no Afeganistão e no Paquistão, vitimam tantas mulheres e tantas crianças.

Obama é presa desses grupos. Eles sabiam que para executar seus planos de domínio mundial era preciso sobretudo controlar o país militarmente mais poderoso do planeta. Conseguiram – depois de muitas ameaças, corrupção e assassinatos. Financeiramente poderosos, mandam no Congresso dos Estados Unidos. Agrados econômicos e ameaças políticas e pessoais levam esses grupos a aprovar as leis que seus assessores elaboram e entregam, prontas, para uma votação de cartas marcadas. Os mesmos métodos são empregados para convencer presidentes a agir segundo os interesses desses grupos. Eles sequestraram o mundo, com algumas raras exceções. Cuba, Venezuela, Irã, Rússia, China estão entre essas exceções, e por isso são países muito visados.

O que Vladimir Putin fez, com sua carta ao povo estadunidense, foi garantir a Obama que ele não está só e que pode virar o jogo, porque terá o apoio da Rússia e de seus aliados. Não foi ao acaso a crítica ao suposto “excepcionalismo” dos Estados Unidos, presente no discurso que Obama fez à nação na terça-feira, dia 10. Essa retórica é parte da retórica sionista sobre a própria “excepcionalidade”, que supostamente lhe daria o direito de se colocar acima de todos os povos e do direito internacional.

Esse recado de Putin também foi dirigido ao Congresso dos EUA, sempre subserviente à “excepcionalidade” alheia — e própria. Agora é ver se os parlamentares vão se interessar mais pelo destino da humanidade, nas mãos de uma quadrilha perigosa, ou pelos milhares de dólares que tilintarão em suas contas bancárias caso aprovem o ataque à Síria.

Se Obama aceitar a mão estendida de Putin e se aliar a ele, grupos que dão retaguarda a pessoas como Bin Sultan e os voluntários do AIPAC, lobby sionista pró-guerra atuante no Congresso dos Estados Unidos, que vem visitando os políticos para garantir que a ação militar contra a Síria seja aprovada, começarão a perder espaço. Para alívio de todos nós.

Confira a carta:

Um apelo vindo da Rússia: o que Putin tem a dizer aos EUA sobre a Síria

Por Vladimir V. Putin

11 de setembro de 2013.

Fatos recentes envolvendo a Síria me levam a falar diretamente com o povo dos Estados Unidos e com seus líderes políticos. É importante fazer isso numa época de comunicação insuficiente entre nossas sociedades.

As relações entre nós têm passado por diferentes estágios. Estivemos uns contra os outros durante a guerra fria. Mas já fomos aliados, e juntos vencemos os nazistas. Naquela época foi criada uma organização internacional universal – as Nações Unidas – para impedir que outra devastação como aquela voltasse a ocorrer.

Os fundadores das Nações Unidas entenderam que as decisões concernentes à guerra e à paz devem ser tomadas apenas por consenso, e foi com o consentimento dos Estados Unidos que o veto dos membros permanentes do Conselho de Segurança foi incluído na Carta das Nações Unidas. A profunda sabedoria dessa decisão deu sustentação à estabilidade das relações internacionais durante décadas.

Ninguém deseja que a ONU tenha o mesmo destino da Liga das Nações, que desmoronou porque lhe faltou poder real. Isso é possível se países influentes, desviando-se das [regras das] Nações Unidas, realizarem ações militares sem autorização do Conselho de Segurança.

O ataque potencial dos Estados Unidos contra a Síria, a despeito da oposição de muitos países e dos maiores líderes políticos e religiosos, incluindo o papa, resultará em mais vítimas inocentes e numa escalada que espalhará potencialmente o conflito muito além das fronteiras da Síria. Um ataque intensificará a violência e desencadeará uma nova onda de terrorismo. Isso pode minar os esforços multilaterais para resolver a questão nuclear iraniana e o conflito israelo-palestino, além de desestabilizar o Oriente Médio e o Norte da África. Pode desequilibrar todo o sistema da lei e da ordem internacional.

A Síria não está testemunhando uma batalha por democracia, mas um conflito armado entre o governo e a oposição dentro de uma nação multirreligiosa. Há poucos campeões da democracia na Síria. Mas há combatentes da Al-Qaeda e extremistas de todas as cores mais do que suficientes lutando contra o governo. O Departamento de Estado dos Estados Unidos designou a Frente Al-Nusra, o Estado Islâmico do Iraque e o Levante, que lutam ao lado da oposição [da Síria], como organizações terroristas. Esse conflito interno, sustentado por armas estrangeiras fornecidas à oposição, é um dos mais sangrentos do mundo.

Os mercenários dos países árabes, as centenas de militantes de países ocidentais e até mesmo da Rússia que lá combatem são objeto de preocupação profunda. Eles não devem retornar a nossos países com a experiência adquirida na Síria? Afinal, depois de lutar na Líbia, os extremistas foram para o Mali. Isso nos ameaça a todos.

Desde o princípio a Rússia tem advogado um diálogo pacífico que permita aos sírios desenvolver um plano de compromisso com seu próprio futuro. Não estamos protegendo o governo sírio, mas o direito internacional. Precisamos utilizar o Conselho de Segurança da ONU e acreditar que a preservação da lei e da ordem no mundo complexo e turbulento de hoje é um dos poucos meios de impedir que as relações internacionais escorreguem para o caos. A lei ainda é a lei, e devemos segui-la, quer gostemos, quer não. De acordo com o direito internacional, a força somente é permitida em caso de defesa própria ou por decisão do Conselho de Segurança. Tudo o mais é inaceitável, segundo a Carta das Nações Unidas, e constitui ato de agressão.

Ninguém duvida de que o gás venenoso foi usado na Síria. Mas existem todas as razões para acreditar que não foram utilizados pelo Exército sírio e sim pelas forças de oposição, para provocar uma intervenção de seus poderosos patrões estrangeiros, que se mantêm ao lado dos fundamentalistas. Relatos de que os militantes preparam outro ataque – dessa vez contra Israel – não podem ser ignorados.

É alarmante que intervenções militares em conflitos internos de países estrangeiros tenham se tornado um lugar-comum nos Estados Unidos. Elas interessam, a longo prazo, aos Estados Unidos? Duvido. Milhões de pessoas no mundo inteiro cada vez mais veem os Estados Unidos não como modelo de democracia, mas como um país que confia apenas na força bruta, pavimentando coalizões sob o slogan “ou vocês estão conosco ou estão contra nós”.

Mas a força tem se provado ineficaz e inútil. O Afeganistão está descarrilhando, e ninguém é capaz de dizer o que acontecerá depois que as forças internacionais se retirarem do país. A Líbia está dividida em tribos e clãs. A guerra civil continua no Iraque, com montes de mortos a cada dia. Nos Estados Unidos, muitos fazem a analogia entre Iraque e Síria, e perguntam por que seu governo quer repetir erros recentes.

Não importa quão dirigidos sejam os ataques ou quão sofisticadas sejam as armas — as baixas de civis são inevitáveis, incluindo idosos e crianças, aos quais os ataques supostamente deveriam proteger.

O mundo reage perguntando: se você não pode contar com o direito internacional, então deve encontrar outros meios de garantir sua segurança. Por isso um número crescente de nações vem procurando adquirir armas de destruição em massa. É uma questão de lógica: ninguém vai mexer com quem tem a bomba em seu arsenal. Somos iludidos com a conversa da necessidade de fortalecer a não proliferação quando, na verdade, a não proliferação vem sendo corroída.

Precisamos parar de usar a linguagem da força e voltar à via dos acordos civilizados, diplomáticos e políticos.

Uma nova oportunidade de evitar a ação surgiu há poucos dias. Os Estados Unidos, a Rússia e todos os membros da comunidade internacional devem aproveitar a boa vontade do governo da Síria de colocar seu arsenal químico sob controle internacional, para subsequente destruição. A julgar pelas declarações do presidente Obama, os Estados Unidos veem essa possibilidade como uma alternativa à ação militar.

Saúdo o interesse do presidente no sentido de dialogar com a Rússia e a Síria. Devemos trabalhar juntos para manter essa esperança acesa, como concordamos na reunião do G8 em Lough Erne, na Irlanda do Norte, em junho, e levar a discussão de volta à mesa de negociações.

Evitar o uso da força contra a Síria vai melhorar a atmosfera para os negócios internacionais e reforçar a confiança mútua. Será nosso sucesso compartilhado e abrirá as portas para a cooperação e outros assuntos decisivos.

Meu trabalho e meu relacionamento pessoal com o presidente Obama são marcados por uma confiança crescente. Analisei atentamente seu pronunciamento à nação na terça-feira. E gostaria de discordar do que ele disse sobre o excepcionalismo dos Estados Unidos, ao declarar que a política do país é “o que torna os EUA diferentes. É o que nos torna excepcionais”. É extremamente perigoso encorajar as pessoas a considerar a si mesmas excepcionais, seja qual for a intenção. Existem países grandes e pequenos, ricos e pobres, com tradições democráticas antigas e aqueles que ainda procuram seu caminho rumo à democracia. Suas políticas também diferem. Somos todos diferentes, mas, quando pedimos as bênçãos de Deus, devemos nos lembrar de que Ele criou a todos nós como iguais. (Tradução sem valor oficial de Baby Siqueira Abrão)

Fonte: Brasil de fato