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Geopolítica Opinião

Duas visões: O modelo de exploração do pré-sal é bom para o Brasil?

Plataforma de petróleo (Foto ABr)
Apenas 11 empresas se inscreveram para participar do leilão do campo de Libra

Ruth Costas

Da BBC Brasil em São Paulo

A ausência de várias gigantes do setor petrolífero no leilão do campo de Libra abriu um debate sobre o modelo adotado pelo Brasil em 2010 para explorar o pré-sal.

O leilão, previsto para 21 de outubro, será o primeiro realizado sob vigência do novo modelo, que substituiu o regime de concessões pelo regime de produção partilhada (ver quadro abaixo) – e muitas análises atribuíram seu esvaziamento a um suposto “excesso de regras e de participação estatal” nesse novo sistema.

Se as estimativas oficiais estiverem corretas, Libra é a maior reserva de petróleo já descoberta no Brasil e, segundo a Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP), poderia produzir em dez anos até um milhão de barris diários – metade de toda a atual produção brasileira.

As britânicas British Petroleum e British Gas e as americanas ExxonMobil e Chevron, porém, decidiram não se inscrever para participar do leilão.

Além disso, apenas 11 empresas ou consórcios se mostraram interessados em fazer ofertas pelo direito de explorar a área, enquanto a ANP esperava até 40 interessados.

Afinal, o novo modelo de exploração do pré-sal é bom para o Brasil? Até que ponto ele foi mesmo responsável pelo esvaziamento do leilão?

A BBC ouviu dois especialistas com pontos de vista opostos sobre esse tema:

‘O modelo funciona e é bom para o Brasil’

Francisco Lopreato, professor do departamento de economia da Universidade de Campinas (Unicamp)

Para Lopreato, o novo regime permite que os recursos do pré-sal tenham um papel central no desenvolvimento do país no futuro.
Ele foi adotado em 2010 com o objetivo de direcionar uma fatia maior de tais recursos para os cofres públicos.

“Esses são recursos que poderão ser aplicados em educação e saúde. Assegurar que eles estarão a disposição dos brasileiros era uma oportunidade ímpar que não poderíamos perder”, diz Lopreato.

Segundo o economista, o que justificaria a mudança do regime de concessão para o regime de produção partilhada é o fato de o pré-sal ser uma área de exploração de baixo risco.

“Faz sentido adotar um regime de concessão em uma área em que, apesar de terem sido feitos estudos geológicos, ainda há algum grau de dúvida sobre o potencial das reservas”, afirma o professor.

“No caso do pré-sal, porém, todas as áreas parecem estar mapeadas e atividades de exploração preliminar têm mostrado que o risco é muito baixo: a única dúvida é se a vazão do petróleo será boa ou ótima.”

Para Lopreato, é difícil estabelecer se o desinteresse da BP, da British Gas, da Chevron e da ExxonMobil pelo leilão de Libra teve mesmo como causa uma resistência ao modelo de produção partilhada ou mesmo a percepção de que há um “excesso de intervencionismo estatal” no novo regime.

Ele ressalta que outras empresas – como a francesa Total e a Shell – não parecem ter visto grandes problemas no novo modelo e nenhuma das “desistentes” se pronunciou oficialmente sobre o tema.

“Muitos fatores podem ter influenciado a decisão dessas petrolíferas em não participar do leilão. Investir no campo de Libra pressupõe um esforço financeiro gigantesco e pode ser que elas já estivessem com seus recursos muito comprometidos com outros projetos, por exemplo.”

Apesar de defender o novo modelo, o professor faz a ressalva de que também há riscos importantes a serem evitados durante sua implementação.

Ele lembra que a obrigatoriedade de a Petrobras estar presente em todos os projetos, com uma participação de 30%, exigirá da empresa a mobilização de muitos recursos: “Nesse contexto, comprometer os recursos da empresa com uma política para segurar os preços da gasolina pode ser complicado.”

Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE)

Para Pires, Diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura, as novas regras tendem a afastar grandes empresas privadas, com larga experiência no setor, e atrair petrolíferas estatais.

Elas teriam sido ao menos parcialmente responsáveis pelo esvaziamento do leilão de Libra – que criaria um cenário de menos competição pela área.

De fato, das 11 empresas que se registraram para o leilão, seis são controladas pelo Estado, com destaque para as chinesas (a CNOOC e a China National Petroleum vão concorrer sozinhas, e a Sinopec concorrerá em associação com a espanhola Repsol).

Além disso, entre as cinco privadas, apenas duas estão entre as maiores do setor: a francesa Total e a anglo-holandesa Shell.

Segundo Pires, o interesse das empresas privadas tende a ser menor dentro do novo modelo porque, para elas, o lucro seria um fator de suma importância e há incertezas sobre as condições para se obter retorno do projeto. Já as estatais – como as chinesas – também estariam interessadas em garantir acesso às reservas de petróleo.

Para o especialista, o novo modelo de exploração do pré-sal pecaria pelo excesso de intervencionismo e participação do governo e entes estatais.

“A Petrobras é monopolista na operação do campo, e a exigência de que o projeto tenha uma determinada porcentagem de conteúdo nacional (que use bens e serviços produzidos no país) também pode afastar investidores”, diz.

Além disso, Pires acredita que o modelo é contraproducente pela mensagem que passa ao mercado.

“A impressão que se tem é que o governo está estendendo a mão para o capital privado não por convicção, mas por pura necessidade, já que não pode explorar essas reservas sozinho e precisa dos investimentos das empresas para reativar a economia”, afirma. “Os investidores não estão seguros de que não poderá haver uma mudança de regras no futuro, por exemplo.”

Fonte: BBC Brasil

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Conflitos Geopolítica

Com 68 mortes confirmadas em ataque, cerco a shopping no Quênia continua

Militares quenianos no shopping Westgate

Cerco ao shopping center Westgate se mantinha 36 horas após o início do ataque

O presidente do Quênia, Uhuru Kenyatta, pediu neste domingo que o país permaneça “unido e forte” diante da adversidade provocada pelo ataque terrorista a um shopping center de Nairóbi, reivindicado por um grupo militante islâmico somali com ligações com a rede Al Qaeda.

A Cruz Vermelha queniana confirmou na noite deste domingo (meio da tarde em Brasília) que ao menos 68 pessoas morreram e 175 pessoas ficaram feridas em consequência do ataque.

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Mais de 36 horas após a invasão do shopping por um grupo armado, cerca de 10 a 15 supostos membros do grupo militante Al-Shabab permaneciam entrincheirados dentro do edifício.

Alguns civis também permaneciam no shopping, como reféns ou escondidos.

Segundo a correspondente da BBC Anne Soy, que estava a cerca de 300 metros do local, tiros intensos foram ouvidos por volta das 19h (13h de Brasília).

Ambulâncias também foram vistas deixando o local, assim como um caminhão coberto com mantas, sugerindo que poderia estar levando corpos.

‘Criminosos concentrados’

Mulher foge de tiros dentro do shoppingMuitos frequentadores conseguiram fugir do shopping logo após o início do ataque

Em um pronunciamento neste domingo, o presidente Kenyatta, que perdeu um sobrinho e sua noiva no ataque, disse que “os criminosos estão agora concentrados em um local dentro do prédio”.

“Com os profissionais no local, temos uma boa chance de neutralizar os terroristas”, disse.

Kenyatta afirmou que poderia haver mulheres entre os atiradores, mas a informação ainda não estava confirmada.

Ele agradeceu àqueles que ajudaram nos esforços de resgate e pediu que outros países não emitam avisos para que os turistas evitem visitar o Quênia.

O shopping center Westgate é frequentado pela elite de Nairóbi e também é muito popular entre a comunidade estrangeira da cidade.

Entre os mortos, estão ao menos três britânicos, além de cidadãos de França, China, Gana, Holanda, África do Sul, Índia, Canadá e Austrália.

O grupo militante somali Al-Shabab afirmou ter realizado o ataque como uma resposta contra as operações militares do Quênia na Somália.

Cerca de 4.000 soldados quenianos estão no sul da Somália desde 2011, combatendo os militantes.

Reféns

Frequentadores são escoltados por militar para fora do shoppingTestemunhas descreveram cenas de pânico dentro do shopping após o ataque no sábado

Segundo o correspondente da BBC Will Ross, que também está próximo ao shopping, será extremamente difícil para os militares invadirem rapidamente o shopping para atacar os militantes por causa dos civis ainda presos no local.

O Al-Shabab afirmou ter ao menos 36 reféns sob seu controle, mas a informação não foi confirmada por fonte independente.

Os atiradores entraram no shopping por volta das 12h (5h de Brasília), atrirando granadas e disparando com fuzis automáticos.

Centenas de frequentadores do shopping conseguiram fugir do local, mas alguns ficaram presos do lado de dentro.

O shopping realizava no sábado um evento especial para crianças, e haveria crianças entre os mortos no ataque.

Fonte: BBC Brasil

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Acidentes e Catástrofes Conflitos Defesa Sistemas de Armas

Helicóptero da Marinha americana cai no Mar Vermelho

MH-60S KnighthawkSea Combate Squadron (HSC) 6

Um helicóptero MH-60, que havia decolado do destróier de escolta do porta-aviões USS Nimitz, [ Destróier de mísseis guiados USS William P. Lawrence (DDG 110) ], mobilizado no Mar Vermelho diante de um possível ataque contra a Síria, caiu neste domingo em suas águas, anunciou a Marinha americana.

O destino de seus cinco ocupantes não está claro até o momento, afirmou em um comunicado o comando central americano com base no Bahrein. Os aviões e helicópteros do grupo aeronaval do Nimitz participam de sua busca, assim como embarcações leves.

As circunstâncias do acidente não foram esclarecidas, mas a Marinha americana, que investiga o incidente, afirmou que não há nenhuma ligação com “qualquer atividade hostil”.

AFP

 

Fonte: Terra

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Acidentes e Catástrofes Conflitos Geopolítica

Pivô da crise síria, armas químicas causaram maior número de vítimas na história

Por Luciana Alvarez

Envenenamentos em massa estão em conflitos desde a Antiguidade; agente usado na Síria está entre os mais letais

O uso de armas químicas na guerra civil da Síria é o pivô da atual crise diplomática que envolve o país do regime Bashar al-Assad , mas a ideia de derrotar o inimigo por meio de alguma forma de envenamento em massa está presente nos conflitos desde a Antiguidade.

Documentos mostram que em 2 mil a.C. era comum que militares na Índia empregassem “cortinas de fumaça”, uma espécie de incêndio que liberava vapores altamente tóxicos. Na Grécia Antiga, os espartanos cercavam cidades inimigas com madeira, enxofre e piche, uma combinação que criava gases sufocantes.

Fiscalização: Síria entrega dados sobre armas químicas para órgão da ONU

 

AP

Vietnamitas correm após ataque dos EUA com uso de napalm durante a Guerra do Vietnã (8/6/1972)

Impasse:
Secretário de Estado dos EUA culpa regime sírio por ataque químico
Ataque químico na Síria foi uma ‘provocação astuta’ dos rebeldes, diz Putin

Mais tarde, para expandir seu império, os romanos levavam em seus Exércitos especialistas em envenenamento, que contaminavam as fontes de água potável da população.

Na atualidade, a definição mais aceita caracteriza as armas químicas como quaisquer substâncias tóxicas capazes de matar, ferir, incapacitar ou provocar irritação dos sentidos quando lançadas em dispositivos como morteiros, bombas, foguetes ou mísseis.

Por serem relativamente fáceis de fabricar e, mesmo pequenas quantidades, terem um grande potencial devastador, as armas químicas são as armas de destruição em massa que mais provocaram vítimas na história, de acordo com o grupo de estudos Nuclear Threat Inintciative (NTI). Os materiais necessários para a produção do gás neurológico sarin , por exemplo, são conhecidos há mais de 50 anos e o processo pode ser feito por laboratórios de moderada tecnologia.

Presidente sírio: ‘Será necessário um ano para destruir armas químicas’

ONU:  Equipe de inspetores de armas químicas planeja retorno à Síria

A aplicação das armas químicas modernas aconteceu pela primeira vez de forma marcante durante a Primeira Guerra (1914–1918). Os Exércitos alemão, francês e britânico usaram gases venenosos (cloro e mostarda) para aniquilar soldados inimigos. Estima-se que os agentes químicos tenham matado 100 mil e ferido mais de 1 milhão durante o conflito.

AP

Estudante usa máscara de gás durante aula sobre como responder a um ataque de armas químicas em Aleppo, Síria (18/9)

Desde então, há inúmeros relatos do emprego de armas químicas, embora em menor escala. Em 1919, a antiga União Soviética (1922-1990) usou gás mostarda contra um levante de povos muçulmanos na Ásia Central. Dois anos mais tarde, a Espanha também usou o mesmo gás mostarda para conter uma revolta no Marrocos.

Na década de 1930, o Japão fez amplo uso suas armas químicas na invasão da Manchúria e na posterior ocupação de áreas chinesas. Na mesma época, sob o comando de Mussolini, a Itália lançou gases tóxicos para conter a população na sua colônia na Líbia e para invadir a Etiópia.

Da Síria:  Rússia diz ter recebido provas de que oposição usou armas químicas

EUA e Reino Unido:  Relatório da ONU mostra que Síria lançou ataque químico

Foi durante a Segunda Guerra (1939–1945) que apareceram os primeiros agentes neurológicos, desenvolvidos pelos nazistas. Embora os alemães não os tenham usado nos campos de batalha, eles foram bastante empregados para matar judeus nos campos de concentração.

Na Guerra do Vietnã (1961-1967), os EUA pulverizaram o chamado agente laranja, uma mistura de dois herbicidas, sobre as selvas do Vietnã do Sul. Além de destruir plantações e a floresta densa onde guerrilheiros se escondiam, a substância provocou na população síndromes neurológicas, câncer e malformações congênitas.

Saiba mais sobre as armas químicas da Síria: Irã ajudou a produzir arsenal

Entenda: Saiba o que é o sarin, arma química supostamente usada na Síria

Há também provas de que Sadam Hussein empregou armas químicas na guerra entre Irã e Iraque (1980-1988), embora ele acusasse o Irã de ter feito o mesmo. Em 1991, o ditador iraquiano voltou a usar os agentes letais contra aldeias curdas em Halabja, norte do país. Outro episódio marcante foi o ataque terrorista perpetrado pela seita radical Verdade Suprema em 1995 com sarin no metrô de Tóquio, Japão. Apesar do número relativamente baixo de mortes – 12 pessoas – o atentado mostrou o risco que essas substâncias representam nas mãos de pequenos grupos, não ligados a nenhum Estado.

Proteção internacional

Por serem consideradas armas de destruição em massa, o uso de armas químicas é banido pela lei internacional. Na polêmica atual, os EUA e seus aliados dizem haverevidências de que o regime de Assad fez uso de armas químicas , enquanto a Rússia alega que ataques desse tipo foram realizados pelos rebeldes que lutam contra o governo há mais de dois anos.

Veja imagens do ataque químico na Síria:

Imagem fornecida pelo Gabinete de Mídia de Douma mostra sírio ao lado de corpos de vítimas mortas por suposto ataque químico. Foto: AP
1/10

O governo sírio admitiu possuir armas químicas, mas sempre negou que as tivesse empregado na guerra civil. Nesta sexta-feira, representantes de Assad entregaram à Organização para a Proibição de Armas Químicas um relatório inicial sobre pesquisas e localização dos agentes químicos que possuem.

Inspeção: Relatório da ONU confirma uso de gás sarin em ataque na Síria

NYT: Procedimentos complexos dificultam averiguação de uso de armas químicas

Como parte de um acordo estabelecido entre EUA e Rússia para evitar um ataque militar liderado por Washington contra a Síria, o regime Assad deverá aderir em outubro a Convenção de Armas Químicas , que obriga seus participantes a destruírem seus arsenais e não mais fabricarem agentes químicos. Os países que não fazem parte do tratado são Coreia do Norte, Egito, Angola, Sudão do Sul, Israel e Mianmar, sendo que os dois últimos assinaram, mas não tiveram a decisão ratificada por seus parlamentos.

Apesar de serem signatários da convenção, EUA e Rússia, que produziram grandes quantidades de agentes químicos letais durante a Guerra Fria (1945-1990), ainda não conseguiram destruir completamente seus arsenais. O estoque americano chegou a 31 mil toneladas e o russo, a 44 mil. O prazo para dar fim a todo o material era abril de 2012 já foi perdido; a nova estimativa é que a destruição termine em 2023.

Como destruir as armas químicas?

A extensão do prazo para americanos e russos ilustra como é difícil – e caro – destruir as armas químicas . Nos EUA, o processo custou em média aos cofres públicos US$ 1 bilhão a cada mil toneladas. Pelo acordo firmado entre EUA e Rússia, os inspetores de armas devem entrar na Síria em novembro para começar o processo de destruição do arsenal e do equipamento de produção. Tudo deverá ser eliminado até meados de 2014.

Desafio: Desmantelar arsenal químico sírio seria tarefa árdua

Jornal: Síria espalhou arsenal químico por dezenas de lugares

Mas tecnologias envolvidas para destruir armas químicas exigem construções sofisticadas, podem levar vários anos para serem erguidas. Os agente químicos são vulneráveis demais para serem transportados em segurança para locais distantes, especialmente em um país que se encontra em guerra civil.
Segundo o programa de destruição de armas químicas do exército americano, o processo tem três etapas básicas:

1. Quebrar a arma, ou seja, tirar a munição química dos mísseis, foguetes, morteiros, etc.

2. Drenar os agentes químicos, um processo que deve ser feito por robôs.

3. Após isolados, os agentes químicos devem ser destruídos. Isso pode ser feito basicamente por dois métodos: incineração ou neutralização (que consiste em misturar outros agentes químicos que provoquem uma reação de acabar com a toxicidade da substância original). Em ambos os casos, envolve-se a construção de usinas com capacidade para suportar altas temperaturas e processar os efluentes tóxicos que se formam no processo, como gases que precisam passar por vários filtros.

AP

Secretário de Estado dos EUA, John Kerry, cumprimenta o chanceler russo, Sergei Lavrov, após fazer comunicados em coletiva de imprensa em Genebra, Suíça (14/9)

Quais são os tipos de armas químicas mais comuns?

As armas químicas costumam ser divididas em quatro categorias, de acordo com a forma que agem no corpo humano.

Agentes neurológicos – São o tipo mais letal, pois paralisam o sistema nervoso central, impedindo a respiração e os batimentos cardíacos quando inalados ou absorvidos pela pele. São agentes neurológicos o tabun , o VX e o sarin .

Agentes vesiculantes – Essas substâncias provocam queimaduras severas e levam à formação de bolhas nos tecidos humanos, podendo causar a morte, sobretudo se inalados. O gás mostarda é um agente vesiculante.

Agentes asfixiantes – Esses agentes causam lesões sérias no pulmão, o que dificulta a respiração, podendo provocar paradas. São eles o gás cloro , ofosfogênio e a cloropicrina .

Agentes sanguíneos – Interferem na capacidade do sangue de transferir oxigênio para os tecidos. Entre eles estão o gás cianídrico , o c loreto de cianogênio e obrometo de cianogêneio

Fonte: Último Segundo

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Defesa Mísseis Tecnologia

Irã apresenta 30 mísseis com alcance de 2 000 km

Sejil

O Irã apresentou 30 mísseis balísticos com um raio de ação de até 2 mil quilômetros, entre os quais 12 novos mísseis tipo Sejil e 18 mísseis Ghadr, comunica a mídia. As Forças Armadas iranianas exibiram os mísseis durante a parada militar realizada nos arredores de Teerã por motivo do 33º aniversário da defesa contra a invasão iraquiana.

Ao intervir na cerimônia de abertura da parada, o presidente Hassan Rohani declarou que as Forças Armadas de seu país não constituem qualquer ameaça para os estados vizinhos, sendo unicamente um fator de estabilidade e de paz na região. “A verdadeira ameaça advém daqueles que ignoram as normas internacionais”, frisou Rohani.

Fonte: Voz da Rússia

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Defesa Tecnologia

Lockheed Martin e Bell juntas no projeto V-280 Valor

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Tradução e adaptação: E.M.Pinto

A Bell Helicopter, uma empresa Textron Inc. (NYSE: TXT) e a Lockheed Martin (NYSE: LMT) trabalharão em juntas no desenvolvimento da aeronave Tiltrotor, Bell V-280 Valor, Sendo a Lockheed Martin a primeria grande empresa a fazer parte do grupo a ser anunciada. Nos próximos meses, outros membros da equipe serão anunciados .

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O Bell V-280 Valor foi recentemente selecionado pelo Exército dos EUA a para entrar em negociações como candidato ao programa Demonstrator Tecnológica Conjunta do programa, com contratos que deverão ser concedidos até setembro de 2013.

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“Nós tomamos a decisão estratégica de investir em um sistema de missão para fornecer à Bell Helicopter, com essa capacidade de combate o V-280 dará um salto significativo”, disse Dale P. Bennett, vice-presidente executivo da Lockheed Martin sistemas de missão e de formação.

“O governo dos EUA e a Lockheed Martin criaram pacotes de equipamentos de missão acessíveis mas altamente avançados para numerosas aeronaves que pode ser aproveitado para fornecer uma solução acessível e eficaz para o programa do Futuro V-280.”

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“Nossos esforços permitirão ao Exército dos EUA tirar proveito da tecnologia avançada e maturidade que temos conseguido em sistemas integrados de aviônica, sensores e armas. “

Fonte: Defense-Update

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Defesa Tecnologia

Responsaveis por falhas nos mísseis Bulavá serão responsabilizados afirma governo Russo

BUlavá

Tradução e adaptação: E.M.Pinto

Segundo fontes do governo russo, as investigações sobre as sucessivas falhas no sistemas de mísseis Bulava ainda não foram conclusivas  entretanto os indícios apontam para falhas humanas durante os processos de construção dos mísseis.

Uma comissão especial analisa detalhadamente as instalações da empresa construtora e todos os envolvidos estão sendo investigados por uma comissão independente, destacada para este fim.

“Os culpados pelas falhas e pelo consequente acidente com o míssil balístico intercontinental Bulava, ocorrido no passado 6 de setembro, serão responsabilizados, as ações perpetradas pelo governo vão incluir desde a demissão até punições mais severas. Para cada problema há sempre uma solução, seremos severos inclusive com os novos recrutamentos. É claro que entenderão o recado, acredito não hesitarem uma segunda vez “,

, informou nesta sexta-feira, o vice-presidente da Comissão Militar-Industrial sdo Governo da Rússia, Oleg Bochkarev. Segundo ele, a Comissão continua a investigar a causa do acidente.

Conforme relatado pelo Ministério da Defesa, em 6 de setembro nos testes de disparo a partir do submarino nuclear “Alexander Nevsky” no Mar Báltico, especificamente no segundo minuto de voo do míssil  “Bulava”, aconteceu algo errado com o sistema de bordo do míssil. Devido a isto, os testes de disparos tanto do “Alexander Nevsky”como o do “Vladimir Monomakh” Ambos navios da nova classe Borei, cujo planejamento consistia em cinco lançamentos adicionais “Bulava” foram cancelados.

Mais cedo, o vice-premiê Dmitry Rogozin informou que a razão para o lançamento mal sucedido do “Bulava” estava provavelmente ligada a uma falha técnica no processo de produção dos mísseis.

Fonte: FlotProm

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Novo navio de pesquisas NPqHo ‘Vital de Oliveira’ será construído na China

COMANDO DA MARINHA

GABINETE DO COMANDANTE

PORTARIA No 514/MB, DE 18 DE SETEMBRO DE 2013

Institui o Grupo de Fiscalização da Construção, Apoio Técnico e Administrativo (GFCATA) do Navio de Pesquisa Hidroceanográfico (NPqHo) “Vital de Oliveira” e dá outras providências.

O COMANDANTE DA MARINHA, no uso das atribuições que lhe conferem os art. 4º e 19 da Lei Complementar nº 97, de 9 de junho de 1999, alterada pela Lei Complementar nº 136, de 25 de agosto de 2010 e o art. 26, inciso V, do Anexo I ao Decreto no 5.417, de 13 de abril de 2005,
resolve:
Art. 1º Instituir, em caráter temporário, o Grupo de Fiscalização da Construção, Apoio Técnico e Administrativo (GFCATA) do NPqHo “Vital de Oliveira”, inicialmente funcionando no Brasil e oportunamente transferido para a República Popular da China (RPC).

I – Missão: executar tarefas, que transcendam às atividades intranavio, durante o processo de obtenção por construção do NPqHo “Vital de Oliveira”, incluindo o relacionamento local com a empresa contratada, o gerenciamento dos cursos, treinamentos, sobressalentes e atividades de
Apoio Logístico Integrado (ALI), a fiscalização técnica do contrato, a obtenção de equipamentos e serviços, além da parte administrativa relacionada a todo pessoal envolvido no recebimento dos navios;

II – Local: Xinhuí – RPC;
III – Período: de 14 de outubro de 2013 a 13 de dezembro de 2014; e
IV – Subordinação: O GFCATA ficará subordinado ao DiretorGeral do Material da Marinha, que mantém a supervisão funcional do processo de obtenção por construção do NPqHo “Vital de Oliveira”.

Art. 2º O GFCATA será apoiado administrativamente pelo Adido Naval na República Popular da China, na República da Coreia e na República Socialista do Vietnã.

Art. 3º O GFCATA terá a seguinte composição, extratripulação
do NPqHo:
– 1 Capitão-de-Fragata (CA), Encarregado do Grupo;
– 3 Oficiais Engenheiros Navais (EN) ou Engenheiros de Tecnologia Militar (ETM);
– 1 Oficial do Corpo de Intendentes da Marinha (IM); e
– 1 Praça.

Art. 4º O GFCATA será extinto mediante proposta do DiretorGeral do Material da Marinha.

Art. 5º O Diretor-Geral do Material da Marinha e o Diretor-Geral do Pessoal da Marinha estão autorizados a baixar os atos complementares que se fizerem necessários à execução desta Portaria.

Art. 6º Esta Portaria entra em vigor na presente data.

JULIO SOARES DE MOURA NETO

NPqHo-“Vital-de-Oliveira”

FONTE: Diário Oficial da União via Defesa Aereanaval

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Conflitos Geopolítica

O Nióbio brasileiro e a moeda Bancor

niobio
“Em 2010, um documento secreto do Departamento de Estado americano, vazado pelo site WikiLeaks, incluiu as minas brasileiras de nióbio na lista de locais cujos recursos e infraestrutura são considerados estratégicos e imprescindíveis aos EUA .
Mais recentemente, o nióbio voltou a ganhar os holofotes em razão da venda bilionária de uma fatia da Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM), maior produtora mundial de nióbio, para companhias asiáticas. Em 2011, um grupo de empresas chinesas, japonesas e sul coreana fechou a compra de 30% do capital da mineradora com sede em Araxá (MG) por US$ 4 bilhões.”
 
Nióbio: Povo brasileiro desconhece o tema, mas governos do primeiro mundo, não! 

Preâmbulo, por Gérsio Mutti

“Nesta matéria do G1 de 09/04/2013 (“Monopólio” brasileiro do nióbio gera cobiça mundial, controvérsia e mito), fica evidente que o Brasil está abrindo mão de uma moeda rara de troca, comercializando-a de forma lesiva, visto que 98% de todo o nióbio do mundo encontra-se em terras brasileiras.

 Nesse sentido, num artigo de Lew Rockwell, datado de 05/08/2010 , há um estudo do FMI que clama pela implementação da emissão de um papel-moeda global, emitido por uma entidade supranacional, que foi feito por Reza Moghadam, do Departamento de Estratégia, Política e Análises, “em colaboração com os Departamentos de Finanças, de Mercados de Capital e Política Monetária, de Direito, e de Pesquisa e Estatística, e com consulta ao Departamento de Áreas.

 

Segundo Lew Rockwell, “trata-se, portanto, de um plano de longo prazo, mas com a inconfundível marca de Keynes. Logo no início da página 27, o autor já deixa claro que a intenção é homenagear John Maynard Keynes . Ainda na mesma página, no item 35, lê-se: “Uma moeda global, o bancor, emitida por um banco central global, seria concebida como uma estável reserva de valor que não estaria amarrada exclusivamente às condições de uma economia em particular”. Na página 28: “O banco central global poderia servir de emprestador de última instância, fornecendo uma necessária liquidez sistêmica no evento de choques adversos, e de modo mais automático do que no presente.”

O termo “bancor” vem diretamente de Keynes. Ele propôs essa ideia logo após o fim da Segunda Guerra Mundial.

Entretanto, tal ideia foi rejeitada por razões nacionalistas, e ao

invés disso, o mundo ganhou um sistema monetário baseado no dólar, que por sua vez estava ligado ao ouro. Em outras palavras, o mundo ganhou um falso padrão-ouro, o qual estava fadado ao colapso na medida em que os desequilíbrios das reservas de ouro dos países se tornassem insustentáveis como acabou ocorrendo no final da década de 1960. O que substituiu tal arranjo foi exatamente o nosso atual sistema monetário, em que os papeis-moeda de todos os países flutuam entre si nos mercados de câmbio.(Veja um relato cronológico desses eventos):”

 Com a Palavra os senhores Comentaristas do Blog Plano Brasil

“Monopólio” brasileiro do nióbio gera cobiça mundial, controvérsia e mitos

Com 98% das reservas, Brasil não tem política específica para o mineral. Exportações cresceram 110% em 10 anos e somaram US$ 1,8 bi em 2012.

 

Darlan Alvarenga, do G1, em São Paulo,

09/04/2013

Um metal raro no mundo, mas abundante no Brasil, considerado fundamental para a indústria de alta tecnologia e cuja demanda tem aumentado nos últimos anos, tem sido objeto de controvérsia e de uma série de suspeitas e informações desencontradas que se multiplicam na internet – alimentando teorias conspiratórias e mitos sobre a dimensão da sua importância para a economia mundial e do seu potencial para elevar o Produto Interno Bruto (PIB) do país.

Trata-se do nióbio, elemento químico usado como liga na produção de aços especiais e um dos metais mais resistentes à corrosão e a temperaturas extremas. Quando adicionado na proporção de gramas por tonelada de aço, confere maior tenacidade e leveza. O nióbio é atualmente empregado em automóveis, turbinas de avião, gasodutos, em tomógrafos de ressonância magnética, na indústria aeroespacial, bélica e nuclear, além de outras inúmeras aplicações como lentes óticas, lâmpadas de alta intensidade, bens eletrônicos e até piercings.

O mineral existe no solo de diversos países, mas 98% das reservas conhecidas no mundo estão no Brasil. O país responde atualmente por mais de 90% do volume do metal comercializado no planeta, seguido pelo Canadá e Austrália. No país, as reservas são da ordem de 842.460.000 toneladas e as maiores jazidas se encontram nos estados de Minas Gerais (75% do total), Amazonas (21%) e em Goiás (3%).

Segundo relatório do Plano Nacional de Mineração 2030, o Brasil explora atualmente 55 substâncias minerais, respondendo por mais de 4% da produção global, e é líder mundial apenas na produção do nióbio. No caso do ferro e do manganês, por exemplo, em que o país também ocupa posição de destaque, a participação na produção global não ultrapassa os 20%.

Tal vantagem competitiva em relação ao nióbio desperta cobiça e preocupação por parte das grandes siderúrgicas e maiores potências econômicas, que costumam incluir o nióbio nas listas de metais com oferta crítica ou ameaçada. É isso também que alimenta teorias de que o Brasil vende seu nióbio “a preço de banana”; que as reservas nacionais estão sendo “dilapidadas”; e que o país está “perdendo bilhões” ao não controlar o preço do produto.

A chamada “questão do nióbio” não é um assunto novo. Um dos seus porta-vozes mais ilustres foi o deputado federal Enéas Carneiro, morto em 2007, que alardeava que só a riqueza do mineral seria o suficiente para lastrear toda a riqueza do país. O nióbio já chegou a ser relacionado até com o mensalão, após o empresário Marcos Valério afirmar na CPI dos Correios, em 2005, que o Banco Rural conversou com José Dirceu sobre a exploração de uma mina de nióbio na Amazônia.

Em 2010, um documento secreto do Departamento de Estado americano, vazado pelo site WikiLeaks, incluiu as minas brasileiras de nióbio na lista de locais cujos recursos e infraestrutura são considerados estratégicos e imprescindíveis aos EUA . Mais recentemente, o nióbio voltou a ganhar os holofotes em razão da venda bilionária de uma fatia da Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM), maior produtora mundial de nióbio, para companhias asiáticas. Em 2011, um grupo de empresas chinesas, japonesas e sul coreana fechou a compra de 30% do capital da mineradora com sede em Araxá (MG) por US$ 4 bilhões.

Independente do debate muitas vezes ideológico por trás da questão e dos mitos que cercam o mineral, o fato é que o quase ‘monopólio’ da oferta ainda não resultou numa política específica para o nióbio no Brasil ou programa voltado para o desenvolvimento de uma cadeia industrial que vise agregar valor a este insumo que praticamente só o país oferece.

Fonte: G1