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Defesa Sistemas de Armas

Caça chinês J-15 entra em produção em massa

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Vassili Kashin

Em setembro, a televisão chinesa apresentou uma reportagem sobre a visita do presidente do Conselho Militar Central, Xi Jinping, ao porta-aviões Liaoning. Pela primeira vez foram mostradas imagens do caça embarcado J-15, pintado de cores da aviação da Marinha do Exército de Libertação Popular da China. Por conseguinte, especialistas já podem avaliar as perspectivas de operação do novo avião de combate.

Os caças anteriormente testados no navio foram pintados de amarelo, cor usada por fabricantes no processo de produçao e ensaios, e perteneciam, pelo visto, à usina produtora, a Corporação de Indústria Aeronáutica de Shenyang. O contra-almirante Yin Zhuo, renomado especialista chinês em assuntos da marinha de guerra, referiu em uma entrevista televisionada que o novo acabamento de pintura testemunha que o caça já finalizara os ensaios e entrou em produção em massa.

A marinha chinesa não fez nenhuma declaração oficiais a propósito deste tema. Os militares, pode-se presumir, esperam que seja formada uma primeira esquadrilha destes aviões para os apresentar de maneira mais vistosa e impactante.

É evidente que desde o momento de formação da primeira esquadrilha até ao momento de esta atingir uma prontidão combativa primária deve passar certo tempo. As primeiras decolagens e aterrissagens do J-15 no porta-aviões foram realizadas só em novembro de 2012. Antes disso, o caça decolava e pousava num simulacro em terra. Os primeiros voos carregando armamentos ainda estão pela frente. O sistema de decolagem sem catapulta, utilizado no Liaoning, tem limitações em termos de peso de decolagem dos aviões, complicando a decolagem com mísseis carregados.

Os treinamentos de operação combativa dos aviões embarcados poderão ser iniciados só após estes terem realizado certo número de voos. Não há dúvida que tanto a modernização do Liaoning como a posta em produção do J-15 são os êxitos muito grandes e importantes da indústria militar chinesa. No entanto, é necessário bastante tempo para estes êxitos se transformarem em novas capacidades de combate.

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A preparação de pilotos de caças embarcados será, provavelmente, um dos desafios prioritários. Ao longo dos próximos anos, a marinha chinesa irá precisar de dezenas de novos pilotos para aviões embarcados. Isso porque presentemente está sendo construído um novo porta-aviões, o qual, ao contrário do Liaoning, terá de realizar missões de combate reais.

Uma vantagem importante do programa chinês de aviação naval em comparação com o programa russo consiste no fato de o J-15 logo desde o início ter sido desenvolvido em duas modificações: monolugar e bilugar, destinada tanto a voos de combate como de treino. A versão bilugar do Su-33 não foi posta em produção. A Rússia obteve seu próprio jato naval bilugar, o MiG-29KUB, apenas há pouco tempo. A disponibilidade do jato bilugar permitirá acelerar substancialmente o processo de preparação de pilotos.

Em geral, pode-se constatar que o processo de criação da aviação naval chinesa está se desenvolvendo com êxito e sem grandes falhas notórias. Ao entrar em serviço nas tropas, o equipamento conceitualmente novo e de extrema complexidade gera inevitavelmente dificuldades e, às vezes, inclusive fracassos, mas os problemas serão superados no decorrer de alguns anos. Já no final da década, a China operará uma frota de caças navais bastante importante em termos quantitativos.

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Mas na altura surgirá o problema de otimização e aperfeiçoamento do tipo de aviões operados. Os Su-33 russos, provavelmente, já receberão baixa do exército, e os J-15 chineses serão os maiores jatos navais de grande porte no mundo. A Rússia acaba de pôr em produção um novo tipo de caças embarcados, desenvolvido sobre a plataforma MiG-29. Para além da autonomia alargada e baixa observabilidade para radares, os jatos MiG-29K/KUB estão equipados com aviônicos radicalmente modernizados, potentes radares e armamentos mais modernos. Com isso, eles são de menor tamanho e mais leves do que o J-15/Su-33. A plataforma J-15 irá obsoletar, enquanto o tamanho grande impedirá o novo porta-aviões chinês de levar um maior número de aviões.

No futuro, a China calcula, provavelmente, operar em porta-aviões os jatos J-31 de quinta geração. Contudo, tomando em conta a experiência mundial de criação de veículos aéreos desse tipo, é impossível dizer quando eles irão entrar em serviço ativo nem inclusive afirmar que o projeto terá sucesso. Por isso, o desafio primordial da aviação naval chinesa iria consistir em criação de novas versões do J-15, radicalmente modernizados, com armamentos reforçados e de maior alcance.

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Fonte: Voz da Rússia

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Defesa Defesa Anti Aérea Negócios e serviços Sistemas de Armas

A combinar com os russos

Pantsyr S1

Denize Bacoccina

Uma portaria assinada pelo ministro da Defesa, Celso Amorim, no dia 5 de setembro, autoriza o início das negociações com a Rússia para a compra de baterias antiaéreas. Trata-se de um contrato estimado em US$ 1 bilhão. A portaria prevê a montagem de alguns equipamentos no País, mas não deixa claro se haverá transferência de tecnologia para a Avibras, empresa brasileira que atua no setor.

Pantsyr-S1

O presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa da Câmara, deputado Nelson Pellegrino (PT-BA), pediu explicações a Amorim.

Fonte: Isto É via NOTIMP

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Defesa Humor

Humor: Os Mayas já tinham previsto…

humor

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Conflitos Geopolítica Inteligência

Captura de guerrilheiro revela base das Farc no Brasil

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RODRIGO RANGEL – Agência Estado

Um relatório sigiloso produzido pela inteligência da Polícia Federal joga por terra o discurso do governo brasileiro de que as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) não agem do lado de cá da fronteira.

De acordo com o documento, datado de 28 de abril, a guerrilha colombiana não só tem violado sistematicamente a fronteira Colômbia-Brasil como tem utilizado o território brasileiro para seus negócios, especialmente o narcotráfico.

A conclusão faz parte do relatório final da investigação que levou à prisão, no dia 6, de José Samuel Sánchez, o “Tatareto”, apontado pela Polícia Federal como integrante da comissão de logística e finanças da 1.ª Frente das Farc, um dos mais importantes destacamentos da guerrilha colombiana.

O grupo que trabalhava na base brasileira utilizava conhecidas técnicas das Farc. O sistema de comunicação que Tatareto mantinha em seu sítio, perto de Manaus, era acionado em horários predeterminados para contatos com a guerrilha na Colômbia: às 7 horas , às 12 horas e às 17 horas. Na maioria das vezes, os diálogos eram codificados.

A exemplo do que as Farc fazem na selva colombiana para esconder armas e drogas, os dois aparelhos de rádio-comunicação ficavam enterrados, dentro de um tonel. A antena utilizada, que não costuma ser discreta, repousava, cuidadosamente camuflada, entre as copas de duas árvores.

Tatareto – “gago”, em espanhol – foi preso com mais sete pessoas. Ele é acusado de comandar uma importante rota do tráfico que usava rios da Amazônia para fazer chegar a Manaus carregamentos de cocaína produzida na selva colombiana pelas Farc. Da capital do Amazonas, a droga era distribuída para outros Estados brasileiros e para a Europa.

A PF afirma que a guerrilha, encurralada na Colômbia pelas operações militares do governo de Álvaro Uribe, chegou a estabelecer bases na Amazônia brasileira. Encarregado da arrecadação de recursos para as Farc, diz o relatório, Tatareto “transferiu sua base operacional para o território brasileiro, de onde poderia coordenar (as atividades) com mais tranquilidade, sem o perigo do confronto armado frequente com as forças oficiais da Colômbia”. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo

Fonte: O Estado de São Paulo

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Defesa EVENTOS Sistemas de Armas

Rússia representada na exposição naval na Índia

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Oleg Nekhai

A Rússia expõe últimos modelos de equipamentos navais militares na primeira edição do salão marítimo e naval NAMEXPO 2013 no porto indiano de Kochin (23-27 de setembro). Principais companhias da Corporação Naval Unida – o bureau de projeção de equipamentos marítimos Rubin, a empresa Malakhit e a união científica de produção Mars – apresentam suas inovações na Índia sob a égide da Rosoboronexport.

O novo salão especializado é um bom palco para demostrar o potencial russo. Hoje, a Índia coloca tarefas ambiciosas para reforçar a Marinha nacional, disse à Voz da Rússia o representante oficial da Rosoboronexport, Vyacheslav Davidenko:

“A Rússia, como parceiro estratégico seguro, está disposta a cooperar em todos os setores para cumprir eficazmente os planos marcados. Na exposição, a Rússia pretende discutir os passos práticos para aprofundar a cooperação com empresas estatais e privadas indianas que produzem equipamentos marítimos militares. O desenvolvimento e a produção conjuntas de novos navios podem tornar-se ramos prometedores dessa cooperação”.

Mais de 70 vasos de guerra foram construídos para a Índia em mais de 45 anos da cooperação russo-indiana na esfera marítima naval, fez lembrar Vyacheslav Davidenko:

“Atualmente, a Rússia concede assistência na projeção e na montagem de sistemas russos em navios construídos na Índia. São destroieres dos projetos 15A e 15B, fragatas e porta-aviões do projeto 71. A empresa Sevmash está terminando testes do porta-aviões Vikramaditya que deve ser entregue à parte indiana em novembro próximo”.

A Rosoboronexport  apresenta fragatas do projeto 11356. No quadro da modernização da Marinha, a Índia dispensa especial atenção a estas fragatas. A Rússia entregou à Índia em 2012 dois navios deste projeto – o Teg (Espada) e o Tarkash (Aljava) – e, posteriormente, mais um navio – a fragata porta-mísseis Trikand (Arco). Na totalidade, a Rússia construiu para a Índia seis navios do projeto 11356, aponta o redator-chefe da revista Exportações de Armamentos, Andrei Frolov:

“Estas fragatas têm bom prestígio na Marinha indiana. A indústria russa está construindo bastante depressa tais navios a um preço aceitável, isso é segundo o critério preço-qualidade, que é uma boa variante daquelas que a Índia pode permitir-se. As fragatas ocidentais custam mais e, por outro lado, elas devem ser adaptadas a sistemas indianos, o que também custa algo e exige tempo”.

Destaque-se que as fragatas Teg, Tarkash e Trikand estão armadas com mísseis supersônicos BrahMos de desenvolvimento conjunto russo-indiano. No quadro da exposição, a Rosoboronexport terá conversações com parceiros do Sudeste Asiático, onde os potenciais clientes revelam grande interesse em relação a lanchas de patrulhamento, fragatas Guepard, sistemas costeiros de mísseis Bastion e sistemas de mísseis antiaéreos navais. Em conjunto com empresas russas, participam do salão NAMEXPO 2013 mais de 50 maiores companhias produtoras de armamentos e equipamentos militares da Inglaterra, França, EUA, Índia, Itália, Espanha, Suécia e Israel.


Fonte: Voz da Rússia

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Defesa EVENTOS Sistemas de Armas

Veículos de combate únicos serão apresentados na RAE 2013

Veículos de combate únicos serão apresentados na RAE 2013

RIA Novosti

Em Nizhny Tagil (Urais da Rússia), em 25 de setembro, será inaugurada a nona exposição internacional de armamentos Russia Arms Expo 2013 (RAE 2013). 400 expositores de 50 países irão apresentar seus produtos.

O programa do evento envolve altos funcionários e especialistas em matéria de armamento, declararam os organizadores à Voz da Rússia.

Um dos objetos mais interessantes da RAE 2013 será a demonstração das capacidades de combate do tanque T-90S modernizado e do veículo de combate Terminator (Exterminador), desenvolvidos pelo gabinete de engenharia dos Urais.

Fonte: Voz da Rússia

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Brasil Conflitos Geopolítica Inteligência Opinião

A resposta de Dilma com apoio internacional, principalmente da Rússia

A presidenta Dilma Rousseff classificou a interceptação das comunicações pelos EUA como um atentado à soberania nacional.

Na terça-feira 17, a presidenta Dilma Rousseff cancelou a viagem oficial que faria aos EUA, em outubro. A decisão foi tomada depois de ela ser avisada por Barack Obama de que não haveria tempo para a apuração da espionagem feita contra ela e a Petrobras pela Agência de Segurança Nacional (NSA). Em nota, Dilma classificou a interceptação das comunicações como “fato grave”, “atentatório à soberania nacional” e “incompatível” com a convivência entre países amigos. A iniciativa já vinha sendo amadurecida desde o início do mês. Além de tratar do assunto com o ex-presidente Lula e o marqueteiro João Santana, conforme apurou ISTOÉ, a presidenta chegou a fazer consultas a outros parceiros, especialmente à Rússia, antes de anunciar a suspensão da visita a Washington.

No encontro do G-20, em São Petersburgo, no início do mês, o chanceler Luiz Alberto Figueiredo reuniu-se a portas fechadas com o ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Sergey Lavrov, do qual obteve o compromisso de que apoiaria, inclusive nas Nações Unidas, qualquer medida de retaliação brasileira aos Estados Unidos. A atitude deixou a presidenta mais segura e confortável em tomar a decisão de cancelar a viagem. Considerado hoje o mais importante articulador da diplomacia internacional, Lavrov prometeu ainda apoiar o debate que Dilma pretende impulsionar na abertura da 68ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, na terça-feira 24.

INTERLOCUTOR DE PESO – Antes de decidir cancelar a viagem aos EUA, Dilma
consultou o ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia,
Sergey Lavrov, de quem obteve o compromisso de apoio.

O discurso da presidenta, antes focado no efeito negativo da política cambial americana sobre a economia brasileira, agora está moldado para angariar o máximo de aprovação internacional à criação de um novo mecanismo de governança da internet que possa estabelecer limites à invasão da privacidade. A ideia é condenar o unilateralismo americano e os abusos da NSA e repisar a necessidade de respeito ao papel da ONU na busca de soluções negociadas a crises internacionais, como o caso da Síria.

A necessidade de reforçar o multilateralismo nunca foi tão urgente e será a diretriz principal do Itamaraty, segundo um assessor palaciano. De acordo com a mesma fonte, embora a decisão sobre a visita de Dilma a Washington seja tratada oficialmente como “adiamento”, dificilmente ela ocorrerá durante o mandato de Obama. Um detalhe deixou Dilma especialmente indignada. O material recolhido pela NSA no Brasil, além de recebido pelas agências americanas, foi distribuído aos cinco aliados preferenciais de Washington nessa matéria: Reino Unido, Canadá, Nova Zelândia e Austrália. Para o historiador americano James Green, da Brown University (EUA), o tratamento dispensado ao Brasil, um aliado de longa data, é inaceitável. “Os EUA têm de entender que, apesar de ser uma potência militar e uma economia forte, precisam atuar com menos arrogância e unilateralismo”, avalia Green.

O cancelamento da visita de Estado, porém, pode trazer prejuízos para o País do ponto de vista econômico. Não é de hoje que uma espécie de distanciamento entre o Brasil e os EUA tem afetado os negócios e acordos bilaterais. E o Brasil não pode desprezar o maior mercado do mundo e maior importador de produtos de valor agregado, no momento em que pavimenta novamente o caminho rumo ao desenvolvimento. As empresas nacionais que têm negócios nos EUA dão sinais de preocupação. O professor de política internacional da Faap Bernardo Wahl alerta que alguns movimentos no tabuleiro internacional podem ter “consequências imprevisíveis”. O historiador Alberto Moniz Bandeira aponta outro efeito concreto. “Com certeza, o Brasil não comprará os caças americanos F-18”, diz. Para ele, um acordo de tamanho potencial estratégico dificilmente poderá ser firmado agora. Na cúpula da Força Aérea, esperava-se que a compra dos 36 aviões de combate fosse anunciada na visita de 23 de outubro, dia do Aviador. “É um grande choque”, disse à reportagem um alto oficial ligado ao gabinete de Juniti Saito, comandante da FAB. Segundo o oficial, Saito ficou desapontado. “Tudo que a gente quer agora é uma definição, seja qual for”, diz a fonte. Ele lembra que os Mirage 2000 sairão de circulação no final do ano. O maior temor na Aeronáutica agora é que o governo decida reabrir a licitação, com a participação do Sukhoi, como forma de retribuir a ajuda dos russos.

Fonte: ISTO É

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Conflitos Geopolítica

Cartografía de la crisis económica mundial

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GERMÁN GORRAIZ LOPEZ- Analista
El fenómeno de la globalización económica ha conseguido que todos los elementos racionales de la economía estén interrelacionados entre sí debido a la consolidación de los oligopolios, la convergencia tecnológica y los acuerdos tácitos corporativos, por lo que la irrupción de la crisis económica en la aldea global ha provocado la aparición de nuevos retos para gobiernos e instituciones sumidas en el desconcierto y en la incredulidad, retornando lenta pero inexorablemente a escenarios económicos desconocidos desde la II Guerra Mundial.

Ocaso de la economía global: Para llegar a dicha crisis global y vinculante,  (cuyos primeros bocetos ya están perfilados y que terminará de dibujarse en el próximo quinquenio), han contribuido los siguientes elementos:

La sustitución de la doctrina económica de Equilibrio presupuestario de los Estados por la del déficit endémico, (práctica que por mimetismo, adoptarán las economías domésticas y las empresas y organismos públicos y privados), ha contribuido a la desaparición de la cultura del ahorro, endeudamiento crónico y excesiva dependencia de la Financiación Exterior. .

Asimismo, la política suicida en la concesión de créditos e hipotecas de alto riesgo de las principales entidades bancarias mundiales que inmersos en la vorágine expansiva de la economía mundial del último decenio y en aras de optimizar su cuenta de resultados, habrían actuado obviando las más elementales normas de prudencia crediticia, convirtiéndose en meros brokers especulativos y descuidando las dotaciones a los Fondos de Provisión e Insolvencia. Ello, unido a la falta de supervisión por parte de las autoridades monetarias de los índices de solvencia de las entidades bancarias, originó la crisis de las subprime de EE.UU., seguida de un goteo incesante de insolvencias bancarias, una severa contracción de los préstamos bancarios y una alarmante falta de liquidez monetaria y de confianza en las instituciones financieras.
A ello se sumaría la instauración del consumismo compulsivo en los países desarrollados, favorecido por el bombardeo incesante de la publicidad, el uso irracional de las tarjetas de plástico, la concesión de créditos instantáneos con sangrantes intereses y la invasión de una marea de productos manufacturados de calidad dudosa y precios sin competencia, provenientes de los países emergentes, pues  la obsesión paranoica de las multinacionales apátridas o corporaciones transnacionales, por maximizar los beneficios, (debido al apetito insaciable de sus accionistas, al exigir incrementos constantes en los dividendos), les habría inducido a endeudarse peligrosamente en aras del gigantismo, mediante OPAS hostiles e intensificando la política de deslocalización de empresas a países emergentes, en aras de reducir los costes de producción, (dado el enorme diferencial en salarios y la ausencia de derechos laborales de los trabajadores).

Finalmente, el brutal incremento del consumo de materias primas y productos elaborados por parte de los países emergentes, (debido a sus espectaculares crecimientos de los PIB anuales en el último decenio)  coadyuvado por la intervención de los brokers especulativos, ha conllevado una espiral de aumentos de precios imposibles de asumir por las economías del Primer Mundo, (al no poder revertirlas en el precio final del producto dados sus altos costes de producción) y como consecuencia, se ha producido una sensible pérdida de su competitividad, estancamiento de sus exportaciones y aumento de los Déficits por Cuenta Corriente y Deuda Externa, dibujándose un escenario a cinco años en el que asistiremos a la implementación del proteccionismo económico, con la consiguiente contracción del comercio mundial, subsiguiente finiquito a la globalización económica y retorno a escenarios económicos de compartimentos estancos.

Cartografía de la economía mundial:  En los países desarrollados, el finiquito del consumismo compulsivo imperante en la pasada década, provocado por las tasas de paro galopantes y la pérdida del poder adquisitivo de los trabajadores unido al deterioro progresivo de las condiciones laborales,  provocará frecuentes estallidos de conflictividad laboral y agudización de la fractura social de los países desarrollados, quedando diluidos los efectos benéficos de sus anunciadas medidas sociales al dar por finiquitado el estado asistencial, lo que obligará a amplias capas de la población a depender de los subsidios sociales.
Además, el esperado anuncio de la Fed del final  de la implementación de medidas cuantitativas (Quantitative Easing) para incrementar la base monetaria, podría provocar un nuevo crash  bursátil mundial pues  el nivel suelo de las Bolsas mundiales, (nivel en el que confluyen beneficios y multiplicadores mínimos), se movería  en la horquilla de los 8000 y 9000 puntos en Mercados Bursátiles como el Dow Jones, (a años luz de los estratosféricos techos actuales, rememorando valores de octubre del 2008), estallido que provocará la consiguiente inanición financiera de las empresas y subsiguiente devaluación de sus monedas para incrementar sus exportaciones.

Dicho estallido bursátil tendrá como efectos benéficos el obligar a las compañías a redefinir estrategias, ajustar estructuras, restaurar sus finanzas y restablecer su crédito ante el mercado (como ocurrió en la crisis bursátil del 2000-2002) y como daños colaterales la ruina de millones de pequeños inversores todavía deslumbrados por las luces de la estratosfera, la inanición financiera de las empresas y el consecuente efecto dominó en la declaración de quiebras , frecuentes estallidos de conflictividad laboral e incrementos de la tasa de paro hasta niveles desconocidos desde la época de la II Guerra mundial aunado con incrementos espectaculares del déficit Público y de la Deuda Externa y estancamiento de la crisis económica global.

En cuanto a los países emergenes (BRICS, México, Corea de Sur y Tigres asiáticos), sufrirán un severo estancamiento de sus economías con crecimientos anuales del PIB cercanos al 5% (después de un decenio espectacular con tasas de crecimiento superiores a los dos dígitos), debido a la brutal constricción de las exportaciones por la contracción del consumo mundial y a la elevación de los parámetros de calidad exigidos por los países del Primer Mundo, implantación por los países emergentes de leyes laborales y medioambientales más estrictas , lo que conllevará una drástica reducción  de sus Superávit.

Asimismo, deberán padecer tasas de inflación desbocadas, debido al rally alcista de los precios del crudo y a la necesidad imperiosa de importar cantidades ingentes de alimentos para abastecer a sus habitantes ante la alarmante carestía de productos agrícolas básicos para su alimentación, lo que acelerará la agudización de la fractura social, el incremento de la inestabilidad social y un severo retroceso de sus incipientes libertades democráticas.

Respecto a los países del Tercer mundo, el estrangulamiento de sus exportaciones y la depreciación generalizada de sus monedas a causa de la severa crisis económica global plasmada en la contracción de la demanda mundial de materias,  obligará a una gran parte de su población a vivir por debajo del umbral de la pobreza al sufrir tasas de inflación desbocadas cercanas a los dos dígitos e incrementos espectaculares de la Deuda Exterior.

Así, el cambio de patrones de consumo de los países emergentes, el rally alcista de los precios del crudo (rondando los 120 $) aunado con inusuales sequías e inundaciones y la aplicación de restricciones a la exportación de los principales productores mundiales para asegurar su autoabastecimiento, conseguirá desabastecer los mercados mundiales de productos agrícolas básicos para la alimentación (trigo, maíz, mijo, sorgo y arroz) , elevar sus precios hasta niveles estratosféricos y provocar una nueva crisis alimentaria mundial.

Dicha crisis irá “in crescendo” hasta alcanzar su cenit en el horizonte del 2.018 y afectará especialmente a las Antillas, América Central, México, Colombia, Venezuela, Egipto, Corea de Norte, India, China, Bangladesh y Sudeste Asiático, ensañándose con especial virulencia con el África Subsahariana y pudiendo pasar la población atrapada en la hambruna de los 1.000 millones actuales a los 2.000 millones estimados por los analistas.

GERMÁN GORRAIZ LOPEZ- Analista

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Defesa Fotos do Dia Negócios e serviços Opinião Sistemas de Armas Vídeo

Yakovlev Yak-130 em demanda no mercado internacional

Yakovlev Yak-130

Este ano, o primeiro grupo de pilotos concluiu o curso de treinamento em aviões Iak-130 na Escola Superior de Aviação Militar de Borisoglebsk, na região de Voronej, localizada no sul da Rússia. Os pilotos recém-formados confirmaram que a aeronave é de fácil operação.

“Concebida para ensinar, essa aeronave perdoa muitos erros ao piloto. Quando eu estudava na escola de aviação militar, treinávamos em aviões que não perdoavam nenhum erro, entrando em parafuso logo que o piloto diminuía a velocidade”, diz o comandante da FAR, general Víktor Bôndarev.

Esse não é o caso do Iak-130, que praticamente não cai em parafuso. Mesmo que, por algum motivo, a aeronave entre em tal estado, basta soltar o manсhe para que ela se recupere sozinha e continue voando em regime normal.

No Salão Internacional de Aeronáutica e Espaço de Le Bourget, em junho deste ano, o Iak-130 foi reconhecido como a melhor aeronave de treinamento do mundo. Além de possuir um conjunto único de aviônicos avançados e um sistema de navegação e pilotagem moderno, o novo sistema digital integrado BREO permite simular as cabines de controle, voo e atuação de aviões de caça de quarta e quinta geração.

O sistema de simulação de combates integrado ao controle de armas SUO-130 ajuda a evitar o uso de bombas e mísseis reais durante o treinamento, criando, contudo, a sensação de um combate real.

O Iak-130 também pode ser usado como avião de combate. Segundo informações do fabricante, o avião pode levar um radar Bars-130, um sistema de guerra eletrônica e um equipamento de pontaria, além de um equipamento para o reabastecimento em voo e uma leve blindagem. O Iak-130 opera em condições meteorológicas adversas e consegue pousar em locais despreparados.

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Por todos esses motivos, a máquina desperta interesse não só da FAR, mas também da América Latina, Sudeste Asiático, Pacífico Asiático e países da CEI (Comunidade de Estados Independentes, composta pelas ex-repúblicas soviéticas, menos os Países Bálticos e Geórgia).

O primeiro comprador estrangeiro do Iak-130 foi a Argélia, que adquiriu 16 aviões. No entanto, os contratos com a Síria e Líbia foram suspensos devido aos recentes desdobramentos políticos nesses países.

Publicado originalmente pela revista VPK

Fonte: Gazeta Russa

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Destaques Geopolítica Opinião

Alemães consagram Merkel nas urnas

Quando se tornou a primeira mulher a governar a Alemanha, muitos questionaram se ela teria força para ficar no poder. Mas sua liderança, sobretudo na crise do euro, deu-lhe prestígio para um amplo triunfo eleitoral.

Quando Angela Merkel se tornou a primeira mulher chefe de governo da Alemanha, em 2005, não eram poucos os que duvidavam que ela tinha sede de poder suficiente para o cargo. Ninguém diria que ela teria força até para um terceiro mandato, façanha que só dois chanceleres federais conseguiram até agora: Konrad Adenauer (1949-1963) e Helmut Kohl ​​(1982 a 1998), ambos democrata-cristãos, como ela.

Mas Merkel não se tornou chanceler por acaso. Ela demostrou sua vontade de estar onde está muito antes de ter assumido o governo pela primeira vez. No meio de um escândalo em torno do financiamento de seu partido, a União Democrata Cristã (CDU), em 1999, ela se distanciou publicamente de seu mentor político, Helmut Kohl, em um artigo escrito para o jornal Frankfurter Allgemeine Zeitung.

Pouco tempo depois, assumiu a presidência da legenda. Experiência política no Executivo ela já havia obtido nos tempos em que integrara o gabinete de Kohl, onde fora ministra da Juventude e também ministra do Meio Ambiente

Figura simbólica na Europa

Seu instinto de poder e sua habilidade tática fizeram com que se tornasse uma das políticas mais importantes da atualidade não só da Europa, como do mundo.

“A Alemanha vai sair mais forte desta crise”, prometeu aos alemães seguidas vezes. E, de fato, as estatísticas econômicas e sobre o desemprego parecem confirmar o prometido.

No exterior, ela vem atuando como uma severa defensora dos interesses alemães. Seja depois do G8 ou após uma cúpula da UE, ela sempre transmite a impressão de que, com ela, a economia alemã está em boas mãos. Já no mundo anglo-saxão, em que os alemães sempre gostam de prestar atenção, Merkel é considerada a mulher mais poderosa do mundo.

Durante a crise econômica e financeira europeia, ela se tornou um símbolo da política de resgate do euro. “Não só a Alemanha, mas também a Europa deve sair mais forte da crise”, afirmou certa vez. Merkel liderou uma política de ajuda europeia prevendo ajuda financeira somente mediante condições estritas – uma maneira, segundo ela, de fazer da Europa mais competitiva.

Mudanças na CDU

Merkel também impôs seu estilo não só no nível europeu, como também em sua própria casa política, a CDU. Seus muitos rivais internos foram abandonando o barco um após o outro. Uns desistiram, outros foram colocados de escanteio ou tropeçaram em escândalos.

Para a chanceler, fraqueza política ou deslealdade são critérios de exclusão. Política é saber mexer com o poder, e Merkel usa o poder que possui para alterar o programa de seu partido e manter a CDU no centro do espectro político. Temas como obrigatoriedade do serviço militar, energia nuclear e o papel tradicional da família formam o âmago da doutrina democrata-cristã. Merkel mudou isso em 2011, com a decisão, por exemplo, de banir a energia nuclear da Alemanha, pioneira no setor.

Críticos a acusam de oportunismo, afirmando que, sob sua liderança, a CDU perdeu seu perfil tradicional e ganhou nuances social-democratas. Isso teria levado alguns membros da agremiação democrata-cristã a deixar o partido e aderir à legenda recém-fundada, eurocética e mais à direita, Alternativa para a Alemanha (AfD). Entre os jovens, o caminho escolhido por Merkel parece ser bem aceito. Numa pesquisa de opinião realizada entre menores de 18 anos, a CDU pulou de um terceiro lugar em 2009 para a liderança na preferência entre crianças e adolescentes.

Firmeza em tempos de crise

Há anos, Merkel goza de um nível relativamente elevado de apoio entre os alemães, obtido através de uma inteligente estratégia de imagem. Durante tempos de crise, a chanceler alemã soube passar uma imagem de firmeza, aproveitando o anseio do povo alemão por estabilidade e orientação.

“De forma imparcial e sóbria, séria e autêntica, ela transmite a sensação de trabalhar a serviço dos eleitores e não de si mesma”, opina o cientista político Karl-Rudolf Korte.

Externamente, Merkel também transmite sinais de estabilidade. Durante anos, seu penteado só se modificou ligeiramente. Seus trajes só diferem na cor, mantendo o mesmo velho estilo de blazer, geralmente usado sobre uma simples calça preta. Não importa a tempestade que esteja atingindo o mundo, nos telejornais o eleitor vê sempre a mesma Merkel –irradiando sua tranquilidade.

O exemplo mais recente dessa política de imagem pode ser visto próximo à estação ferroviária central de Berlim. Um outdoor de 2 mil metros quadrados mostra as mãos de Merkel em formato de losango, uma postura típica da líder alemã, acompanhada da frase “o futuro da Alemanha em boas mãos”.

Resguardo da vida privada

O outdoor é um exemplo de uma campanha eleitoral em que a CDU apostou todas as cartas na pessoa da chanceler. Por isso, Merkel teve que revelar um pouco mais de sua vida privada ou, melhor dizendo, apresentar para a opinião pública alguns poucos e bem dosados aspectos de sua privacidade. Como quando ela apareceu, nas férias de verão, como a “vovó Merkel”, junto dos netos e do marido, Joachim Sauer.

Entretanto, até hoje são raros os detalhes da vida pessoal da chefe de governo alemã que chegam ao conhecimento público. Só é conhecido que Merkel e seu marido moram em um apartamento no centro histórico de Berlim.

Eles costumam passar seus dias livres na região de Uckermark, uma área rural entre Berlim e o mar Báltico. Lá, ela passou a infância e é onde ainda mora sua mãe. Seu pai, teólogo, morreu em 2011. “Merkel faz propaganda usando sua personalidade, mas realmente não conseguimos saber muitas coisas de sua vida privada”, reconhece Korte. No final das contas, o que importa mesmo é aquilo que Merkel revela enquanto chanceler.

Fonte: DW.DE

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Brasil Conflitos Geopolítica Opinião

“A Bolívia é a nossa Síria”

Os funcionários da embaixada brasileira em La Paz, capital da Bolívia, inventaram uma palavra que não existe no vocabulário. É “unbolivable”, corruptela do inglês “unbelievable” (inacreditável). “Quando um problema atinge a escala do inimaginável, e por lá acontecia isso com frequência, a gente usava essa piada”, conta Eduardo Saboia, 46, ao repórter Morris Kachani.

Ex-encarregado de negócios da embaixada, ele ficou célebre ao ajudar o senador Roger Pinto Molina, asilado na representação por 453 dias, a fugir para o Brasil no mês passado. E decreta: “A Bolívia é a nossa Síria”.

“A embaixada é o saco de pancadas que Brasília nunca defendeu. Tudo que pode dar errado, dá mais errado”, afirma. “É o teatro do absurdo, com uma trupe de atores, amigos até, que já atuaram juntos em peças melhores. É ‘Esperando Godot’, é ‘O Anjo Exterminador'”, diz, citando obras de Samuel Beckett e Luis Buñuel marcadas pela negação e pelo tragicômico.

Não é à toa que Saboia cita o surrealismo de “O Anjo Exterminador”, em que os personagens estão presos no salão de uma mansão após um pomposo jantar: ele próprio não via a hora de trocar de posto. Havia o desgaste de empreitadas como as 18 viagens que teve de fazer a Oruro (a três horas de La Paz) como negociador na questão dos torcedores corintianos que foram presos após a morte do menino Kevin.

E outro motivo, especial. Saboia é casado com a cônsul brasileira de Santa Cruz de la Sierra. Eles têm três filhos, de 20, 17 e 15 anos. O do meio é autista. O ideal seria ir para um país referência na abordagem da síndrome.

Após dois anos na Bolívia, Saboia negociava seu retorno a Washington, nos EUA, para servir na missão brasileira junto ao FMI.

Não que a vida em La Paz fosse feita só de estorvos. “Gosto muito da Bolívia”, diz ele. Nas horas vagas, fazia aulas particulares de violão clássico. Percorreu trilhas nos Andes, escalou uma montanha de 6.088 m, correu a maratona em La Paz.

A mudança acabou sendo protelada. Em 23 de agosto, quando coordenava interinamente a missão brasileira, seu destino adquiriu novos contornos: ele decidiu trazer ao Brasil o senador Roger Pinto, líder da oposição ao presidente boliviano Evo Morales e investigado por corrupção, dano ambiental e assassinato, acusações que nega. “Pinto vinha conversando com a geladeira, de tão deprimido. Vivia confinado em uma sala de 20 m², em um prédio de escritórios, sem banho de sol.” As tardes de sexta eram as mais tristes porque o fim de semana se avizinhava solitário. No período final do asilo, só a filha tinha o direito de visitá-lo.

A fuga, em dois Nissan Patrol, escoltados por dois fuzileiros navais brasileiros e com dois motoristas bolivianos no volante, foi como um road movie: as passagens pelos checkpoints, o trânsito em Cochabamba (“três horas em uma névoa terrível”), a parada em Santa Cruz, perto de onde mora sua família, os 650 km finais até a fronteira, em que há só dois postos de combustível. E o epílogo, com o tanque quase vazio e a leitura de salmos evocando socorro contra os perseguidores.

Foram 22 horas em que até fralda geriátrica eles usaram. Pinto vomitou na descida de La Paz a Cochabamba, estrada cheia de curvas e sem acostamento.

A “operação”, como ele define o episódio, custou a cabeça do chanceler Antonio Patriota. Saboia foi removido para Brasília e responde a sindicância do Itamaraty.

Não anda animado, mas, além de críticas, recebe aplausos. O pai, Gilberto Saboia, ex-secretário de Direitos Humanos no governo de Fernando Henrique Cardoso, já se disse aflito, mas orgulhoso do filho. Ele também é diplomata, amigo de estrelas do Itamaraty como Celso Amorim, e os filhos de ambos cresceram brincando juntos.

A mulher de Eduardo Saboia está se desligando do posto em Santa Cruz. Os dois não se veem há dois meses. Ele está na casa de familiares dela em Brasília e usa as roupas que o pai, que mora no Rio, lhe trouxe. Diz que não se arrepende. “Hannah Arendt falava na banalização do mal. No meu caso, foi a banalização do bem. Não quebrei hierarquia. Ele já tinha o asilo. E eu precisava proteger o senador da depressão.”

“Eu vinha alertando o Itamaraty. Mas havia uma atitude de não se posicionar, de varrer para debaixo do tapete. Éramos orientados para não falar com a imprensa nem com parlamentares. Um sistema de incentivo para você não falar a verdade.” Só demonstra arrependimento quando é lembrado que comparou a embaixada de La Paz ao DOI-Codi, enfurecendo a presidente Dilma Rousseff.

Virou amigo de Roger Pinto. Diz que Brasília e a embaixada se debruçaram sobre os 21 processos contra o senador na Bolívia. A conclusão preliminar, afirma, foi a de que “metade dos processos apareceu depois de denúncias que ele fez [contra o governo]. Há ações por desacato e corrupção. Uma por desmatamento -de duas árvores. Outra por homicídio que não diz quem ele teria matado”.

Cita o caso dos corintianos para discorrer sobre “a falência, extorsão e corrupção características do Judiciário boliviano”. “Ali tudo se paga, por dentro e por fora. São US$ 15 mil para uma sentença, por exemplo. Até pela cela você tem que pagar, ou por uma audiência.”

Segundo ele, há mais de cem brasileiros nas prisões bolivianas. “Não que todos sejam inocentes, mas como apoiá-los oficialmente nessas circunstâncias?”

Lista outros incidentes para ilustrar “o drama que é servir na Bolívia”: a nacionalização de refinarias da Petrobras, a paralisação de uma obra da OAS, as revistas em aviões da FAB. Empreendedores chegam “como num faroeste, achando que a embaixada é uma UPP”.

Segue com os pequenos agricultores brasileiros na fronteira, a venda de cocaína para o Brasil, segundo maior mercado consumidor do mundo. “É a nossa relação internacional mais difícil. Existe uma proximidade e uma assimetria entre os dois países. Os nacionalistas mais fervorosos consideram-nos um covil de ladrões, porta-vozes da direita golpista.”

Vê como positiva a política externa do governo Lula, também em relação à Bolívia. O país seria a “nossa Síria” porque “é onde estão os problemas que podem estourar na nossa cara”. “A Bolívia não pode ser minimizada como um país periférico. Você pode não querer ir até a Bolívia. Mas a Bolívia vai até você.”

Fonte: Folha